sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sim, nós temos poder!

Esta notícia veiculada ontem pelo Estadão sobre os projetos de lei do Senador Azeredo (conhecidos popularmente como AI 5 Digital) demonstram dois fatos curiosos e de máxima importância.

Primeiro, a de que é necessária vigilância constante contra os vigilantes, e não há qualquer paradoxo. É preciso vigiar e, se possível, punir nas urnas, com o ostracismo merecido, a estes crápulas que buscam censurar a internet, nosso direito de nos expressar livremente, nossa liberdade.

E, segundo, a de que nós temos força. MUITA força! Vejam o parágrafo:
"A pressão da sociedade foi tão grande, com abaixo assinado feito por 140 mil pessoas, que o Projeto de Lei 84/1999, já aprovado no Senado, perdeu força política para ser aprovado na Câmara."
Estes, meus amigos, somos nós, que lutamos dia-após-dia contra a censura, pelo Mega Não!

Mostramos nossa força, nossa vontade de sermos livres, de não sermos censurados por um dinossauro que sequer sabe diferenciar um blog de um twitter, que confunde TV aberta com youtube e acredita que será possível dar "direito de resposta" a cada político corrupto que se sentir ofendido pelo nosso direito de nos expressar livremente e chamá-los pelos seus verdadeiros nomes: Canalhas, corrupções, ladrões, borra-botas, safados, larápios....

A luta tem que continuar, a aprovação do projeto temerário para cadastrar usuários de Lan Houses passou no Senado, cabe à nós, novamente, pressionar pela não aprovação na Câmara dos Deputados. Façam pressão nos seus deputados, nos deputados dos outros ou nos deputados que você mais odeia e não permitam que mais um projeto de censura do Senador Azeredo passe adiante e vá contra nossa liberdade!

Nossa voz já foi e continuará a ser ouvida.

Temos de estar preparados para traições, como a do Senador Mercadante, que acabou compactuando com o AI 5 Digital e apoiou o projeto Azeredo, mas nunca desistir, cansar, deixar pra lá, é nosso futuro em jogo, o futuro da rede!

A dica para este pequeno post veio do @Caribe, vale à pena seguir este grande Cibermilitante no Twitter!

Mas, tocando na notícia em si, na ridícula proposta de cadastrar todo usuário de lan houses, vê-se a veia ditatorial do Senador Azeredo, sua vontade/necessidade de controle, de controlar a tudo e a todos. O projeto é um claro atentado contra a privacidade, contra a liberdade, enfim, censura pura e simples, típica de elementos saudosos da Ditadura, ou, na linguagem deles, da Ditabranda.

Democracia é apenas um cosmético, a idéia é controlar e fingir que tudo não passa de uma tentativa de garantir segurança ao povo. Na verdade, segurança para os políticos, dinossauros sem qualquer conhecimento da internet e que a temem mais do que um processo de cassação de mandato (afinal, invariavelmente escapam ajudados pelos seus comparsas).

E o senado (assim como a Câmara) é isso aí, um antro de corruptos que legislam para si e contra o povo, com raríssimas e cada vez mais escassas exceções.

No fim das contas, sim, nós temos força. O que nos falta é uma maior organização, maior coordenação de ações e pressão constante. Seremos ouvidos, seja por bem ou por mal.Não seremos censurados!

Identificação em lan houses não fere privacidade, diz Azeredo

Senador afirma que medida é complementar a outro projeto do qual é relator, conhecido como Lei Azeredo
Rodrigo Martins - estadao.com.br
São Paulo - O projeto de lei que obrigaria lan houses e cybercafés a guardarem por três anos informações pessoais dos usuários não fere a privacidade. A afirmação foi feita ao estadao.com.br pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Ele é relator do projeto aprovado hoje na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e que ainda falta ser aprovado na Câmara. Para ele, guardar nome, documento de identidade, dados do computador usado e tempo de permanência "é bom até para o dono da lan house ter mais controle."

Azeredo justifica o projeto como uma forma de investigar crimes virtuais. Ele afirma que "estatísticas mostram que 50% desses crimes são feitos a partir de lan houses". Entretanto, não apontou a fonte. Segundo ele, o projeto de lei aprovado hoje é um complemento a um outro projeto do qual também é relator e que causou polêmica a ponto até de o presidente Lula classificá-lo como "censura".


O Projeto de Lei (PL) 84/1999, conhecido informalmente como "Lei Azeredo", é descrito pelos defensores como uma forma de coibir crimes virtuais. Para tanto, seriam estabelecidas penalidades para quem roubasse informações pela internet e os provedores seriam obrigados a guardar informações de navegação dos usuários. Os críticos apontam que há brechas no texto que poderiam levar a punir com cadeia quem baixa músicas com proteção de direitos autorais e que dar poder aos provedores para obter informações do acesso dos internautas é um atentado à privacidade.

A pressão da sociedade foi tão grande, com abaixo assinado feito por 140 mil pessoas, que o Projeto de Lei 84/1999, já aprovado no Senado, perdeu força política para ser aprovado na Câmara.

Azeredo espera que "um dia", o (PL) 84/1999 seja aprovado. "Seria uma forma de complementar o projeto aprovado hoje. O governo se manifestou contra porque foi informado erroneamente sobre o outro projeto", afirma. Pela lógica do senador, quando se tem o nome, o RG e o computador usado por um usuário em determinado tempo, o que prevê o projeto aprovado no Senado hoje, é possível cruzar com as informações de acesso guardadas pelo provedor de internet, o que prevê o polêmico PL 84/1999. "Sem esses dois projetos aprovados, não haverá uma eficácia completa", conclui.

E isso não iria ferir a privacidade, ao direito de se navegar anonimamente pela internet? Azeredo diz que não. "Quando você vai a um hotel, eles já guardam as informações de quem acessou a internet em determinado período de tempo. O Estado de São Paulo já exige que as lan houses guardem o nome e o RG dos frequentadores. Essas informações poderão ser acessadas apenas mediante a uma ordem judicial."

Pelo projeto de lei aprovado hoje no Senado, o qual ainda será encaminhado à Câmara, as lan houses que não cumprirem a regra poderão sofrer sanções que variam de multa (de R$ 10 mil a R$ 100 mil) até perda do alvará de funcionamento.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Presa a Mesa Nacional do Batasuna: A ETA avança!

Mais um duro golpe contra a paz no País Basco. A "justiça" espanhola leva às últimas consequências a máxima de que com repressão haverá paz. Não haverá. Repressão apenas cria mais ódio e mais ressentimento.

A série de abusos contra a Esquerda Abertzale vê seu mais novo capítulo, a prisão de vários membros da Mesa Nacional do Batasuna, que foi criminosamente ilegalizada há alguns anos.
La policía entró en la sede sindical sobre las 18.30. Poco después de las nueve de la noche, los cinco detenidos fueron conducidos en coche a la subdelegación del Gobierno, antes de ser trasladados a Madrid. Un grupo de unas 50 personas que se concentró en la puerta del sindicato lanzó diversos gritos de apoyo a los detenidos, como "Jo ta ke, irabazi arte" (sin parar, hasta la victoria). Otegi sonrió a sus simpatizantes.
Arnaldo Otegi (porta-voz do Batasuna), Miren Zabaleta (filha do líder do Aralar, Patxi Zabaleta), Rafa Díez Usabiaga (ex-líder do sindicato LAB), Sonia Jacinto (ex-tesoureira do ilegalizado PCTV-EHAK), Rufino Etxebarria (líder histórico Abertzale), Arkaitz Rodríguez (absolvido em 2006 da acusação de ser membro da ETA), Jose Manuel Serra, Amaia Esnal e José Luis Moreno Sagüés foram presos em diferentes cidades do País Basco acusados de tentar reconstruir o Batasuna, partido político que chegou a representar mais de 20% da população Basca (como Batasuna, Euskal Herritarrok e Herri Batasuna) por mais de 20 anos e hoje encontra-se criminosamente ilegalizado pelas forças espanholistas e pela justiça fascista nacional.

O Batasuna foi ilegalizado em 17 de março de 2003 pela Corte Suprema espanhola - "justiça" espanhola legislando sobre o PAís Basco, um crime em si - com base na Lei de Partidos criada em 2002 exatamente com o objetivo de perseguir, ilegalizar e condenar a Esuqerda Nacionalista (Abertzale).

Impressiona que em um país que se diz democrático - embora não seja e nem pareça uma democracia - uma lei é criada com o objetivo específico de condenar ao limbo, à cadeia, uma parcela significativa da população de uma região.
"La detención ayer de 8 militantes abertzales es grave, muy grave. Se une a una larga lista de actuaciones graves que tienen como objetivo la perpetuación del marco político. Le tienen miedo al cambio, le tienen miedo a que la Izquierda Abertzale proponga nuevas iniciativas. Le tienen miedo a la mayoría de Euskal Herria. Le tienen miedo a lo que este pueblo es capaz de hacer cuando hay ilusión.

Pero la izquierda abertzale no pasará a la clandestinidad, ni dejará de ofrecer alternativas sociales y abertzales para este pueblo. La izquierda abertzale no dejará de luchar por una solución justa y democrática para Euskal Herria. Una solución que vendrá del reconocimiento a los derechos de este pueblo. La izquierda abertzale ha venido defendiendo en los últimos tiempos la necesidad de idear una estrategia política eficaz para recuperar los derechos que como pueblo nos pertenecen. En ello estamos y en ello seguiremos, pese lo que le pese a algunos."
Não é o primeiro nem será o último ataque da Espanha à nacionalidade Basca. Não basta a tortura, as humilhações e a ilegalização, o objetivo é calar, seja pelo assassinato (vide o caso de Jon Anza) ou pela prisão arbitrária, a voz nacionalista, a voz da liberdade dos povos.

Ainhoa Etxaide, secretaria general de LAB, declaró ayer que "la operación está dirigida por Garzón, que sólo sabe irrumpir en el mapa político vasco a través de la represión, y es una operación contra la izquierda abertzale y su estrategia de dar pasos para el cambio político en Euskal Herria".
A cusação de Garzón, conhecido juiz midiático, afeito às demonstrações públicas e prisões espetaculares, com um ego maior do que pode suportar, é ridícula, para dizer o mínimo. Este acusa os líderes Abertzales de tentar formar um partido político, "Bateragune (Ponto de Encontro)", para tentar levar de volta a Esquerda Abertzale à política Basca, ou seja, para permitir que a população Basca tenha acesso à pseudo-dmmocracia Espanhola e possa lutar pelo fim de sua situação colonial.
Para Garzón, isto é um crime.


Todo este movimento tem o objetivo - dizem - de derrotar a ETA. Confunde-se todo Abertzale e o Abertzalismo com a ETA e ainda, obviamente, fortalece a ETA ao dar ainda mais munição ao grupo em seus ataques contra a falta de democracia no Estado Espanhol.

"Rafa Díez, el propio Rufi Etxeberria, que se sabe de su posición política, Arnaldo Otegi y hasta siete más, que una es la hija de Patxi Zabaleta. Pues si se sabe que todas estas personas están apostando por esas vías políticas, es evidente que no están pidiendo ingresar en ETA para seguir en la lucha armada, sino todo lo contrario".
Por ello, Joseba Egibar considera que, "quien actúa de esta manera, no quiere la desaparición de ETA, y eso es lo que concluye mucha gente".

Joseba Egibar, do PNV, deixa tudo mais claro, na verdade diz apenas o óbvio. Os lideres do Batasuna buscam a via política para solucionar o conflito e são impedidos, apenas os espanhóis dão mais munição à ETA.

A situação é clara, aumenta a repressão, aumenta o respaldo político e moral da ETA. Não adianta exigir seu fim sem que, porém, existam condições e garantias.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Da criminalização à banalização dos protestos

Há algum tempo comentei sobre a criminalização em curso no país - e em especial no Rio Grande do Sul da criminosa Yeda - dos protestos organizados pelos movimentos sociais. Mantenho, tal criminalização é explicita, óbvia e incessante. Não há o que discutir ou negar.

Mas, para além disto, também é curioso notar o paradoxo do excesso de manifestações vazias e sem sentidos que acabam por banalizar este importante instrumento de pressão social e política ao mesmo tempo em que novas formas de protesto são tentadas dia após dia.

É realmente curioso - e lamentável - que protestos sérios e relevantes sejam criminalizados e esvaziados ao tempo em que futilidades mil ganhem projeção e o óbvio apóio da mídia, interessada em patrocinar o esvaziamento daquilo que não lhe convém.

A posição da população também é interessante, se existe uma greve, uma passeata, uma manifestação em que haja razão relevante para tal, então os "prejudicados" se levantam contra os manifestantes, chamam de baderneiros, dizem que seu direito (sic) de ir e vir fica prejudicado (em São Paulo isto é fácil de notar quando o trânsito para) e dão entrevistas à mídia do jeito que o PIG gosta, criticando, reclamando e prestando um desserviço à classe.

Por outro lado, se o protesto é algo tão útil (sic novamente) quanto um ForaSarney ou contra o governo por causa da fraude da Folha no caso do ENEM, então a população na hora passa a apoiar, esquece os transtornos no trânsito e etc.

Enfim, movimentos como o ForaSarney, por mais que tenham algum conteúdo político, não tem um pingo de ideologia. Aliás, num protesto do ForaSarney você encontra da Esquerda à membros da TFP, ou seja, algo está errado.

Já dei minhas razões para criticar os protestos, não pela idéia em si, mas pela inocência dos participantes, pelo método, pelas sub-celebridades tentando se promover e, especialmente, pelo resultado desastroso e risível e pela completa falta de ideologia por parte da franca maioria dos pré-adolescentes revoltados que sequer sabiam quem era Sarney até 6 meses atrás.

Estes, aliás, já devem ter voltado aos seus videogames e votarão em algum DemoTucano ano que vem.

Voltando ao tópico, a questão principal é a de que os protestos, a organização de manifestações, passeatas e afins vem se banalizando, ao mesmo tempo em que se esvaziam - de gente e de sentido.

Obviamente a mídia sabe escolher seu lado: Se é a burguesada cansada protestando, todo apóio, se são os movimentos sociais, então a solução é a bala de borracha (como são bonzinhos!), o gás e o cacetete.

Aliás, o apóio da mídia à tudo que se opõe ao movimento social, estudantil e sindical legítimo é claro e descarado, nos lembremos da capa de O Globo com o grupo dos "Nove", nada mais que uma dúzia de playboys e patitricinhas da Zona Sul do Rio fingindo que são Movimento Estudantil apartidário, quando claramente assumem a posição ditada pelo PIG e pelas elites - que fazem parte.

Por mais que suas críticas à UNE e Ubes procedam - ambas organizações estão falidas e são controladas pela ditadura baseada em fraudes e intimidações do PCdoB/UJS -, suas alianças e origem denunciam o porque e de onde vêm realmente as críticas, não dos estudantes organizados, mas de uma elite organizada.

Outros eventos ilustram bem esta situação.

De um lado os movimentos sociais, os estudantes e a sociedade protestando na USP e sendo espancada pela PM de Serra - sem qualquer provocação ou razão -, do outros os movimentos burgueses que pedem paz no Rio, fazendo espetáculos, colocando cruzes na areia e se manifestando como se isto fosse fazer alguma diferença na desigualdade galopante do país ou fosse sensibilizar algum político a parar de roubar e investir em educação, saúde, lazer... e não em "segurança", como costumam fazer.

No primeiro caso a mídia gritava pedindo sangue, chamando os estudantes pacíficos de baderneiros e no segundo a mídia achava lindo a burguesia da Zona Sul limpando a consciência e achando que fizeram um bem para o país.

Podemos enumerar ainda casos emblemáticos de lutas sociais da população que são criminalizados, como as invasões do MST e a perseguição constante, em todos os níveis, em todos os lugares, de seus militantes, ou a criminalização dos movimentos de moradia popular que ocupam prédios em São Paulo. Passeatas pró-Palestina, pró-Honduras ou mesmo de setores dos trabalhadores em greve são sempre vistos com reserva ou franco ódio pelos burgueses em seus carros, atrasados para o cabelereiro, para o cinema ou para assistir Malhação.

Para estas, a manifestação do povo é coisa de marginal e merecia a resposta rápida e "justa" da polícia. Já vi muita gente afirmar que manifestações e passeatas deveriam ser proibidas na cidade: - É ruim para o trânsito!

Disparete.

Por outro lado, todos (sic) aplaudem movimentos como o "Cansei", da elite cansada de pagar impostos...

Como se a elite pagasse seus impostos! Quando não sonegam pagam menos que qualquer trabalhador honesto, chão-de-fábrica.

Todos (sic) aplaudem o ForaSarney, afinal a mídia está lá para dar seu apóio e fazer loas aos 50 estudantes daquele colégio cuja mensalidade é 2 mil reais que detestam o Sarney.... mesmo que só o conheçam ha uns 2 ou 3 meses, afinal, nunca perderam tempo com política! Mas agora é hype ser "manifestante", e tudo convocado pelo celular da Hello Kitty!

Caso mais recente, os protestos (contra o que? contra quem?) destes mesmos estudantes tão interessados na política nacional em frente ao MEC (antiga sede) no Rio. Protestam contra a fraude do ENEM? Então porque protestam contra o governo e não contra a mesma Folha de São Paulo - que já os estampou em sua capa até - em cuja gráfica toda a crise começou?

Porque não protestam contra a dona da gráfica, a responsável pela fraude... a Folha? Não, não teriam visibilidade e virariam um "incômodo", não sairiam na MTV nem nos noticiários locais.

Enfim, o que vemos hoje é o protesto sem ideologia, o protesto motivado por razões estúpidas, ou mesmo sem razão alguma.

Filhinho de papai ouve na mesa do "brunch" que Lula é o capeta e então sai pra protestar, para exigir seus direitos!

Ao voltar para casa acusa o MST de baderna e acha que os sem-teto são uma raça suja que emporcalha a cidade. Mas voltam de mente tranquila, porque fizeram a diferença, protestaram contra a violência exigindo mais segurança, protestaram contra o Sarney porque a Globo incentivou e, finalmente, protestaram contra o MEC (?) porque a Folha fraudou as provas do ENEM.

E eles continuam achando que o Golpe em Honduras foi democrático (realmente não compreendo este raciocínio) e que pobre bom nasceu morto.
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Telefônica, GVT e o Ministro vendido


Estamos frente à mais um ataque contra a população brasileira, mais um show de indecência, de corrupção safadeza e falta de respeito: A compra da GVT pela Telefônica.

O que, em outras palavras, poderia ser compreendido como "está aberto o período de sucateamento de uma empresa que funciona", exatamente como fizeram com nossas teles e com os bancos estaduais para conseguirem privatizar sem grandes reclamações.

Não faz qualquer sentido defender que tla compra ajude a concorrência quando irá diminuir o número de players e irá concentrar ainda mais mercado na mão de uma empresa medíocre e que já passou da hora de ser re-estatizada.

O responsável pelo atual ataque contra a população brasileira tem nome e sobrenome: Hélio Costa.

O Ministro Hélio Costa não deveria apenas ser demitido e impedido de assumir qualquer cargo político pelo resto da vida. Deveria ser preso pelo uso de seu cargo para benefício próprio e em detrimento da população brasileira.

Este ministro defende descaradamente a Telefônica e não sofreria absolutamente nada se demitido, pois provavelmente assumiria um alto cargo na empresa citada.

Na verdade, ele já age como funcionário da mesma, a agradando, elogiando, defendendo a bandalheira do Speedy e, agora, a compra da GVT. Quanto será que o Ministro receberá se a compra se concretizar?



É impensável, inaceitável, que um ministro das telecomunicações vista a camisa de uma empresa e queira/possa prejudicar toda a população brasileira. Os paulistas já são diariamente lesados pelo serviço medíocre da Telefônica, tudo com a anuência do digno ministro, e agora este defende que todo o Brasil seja vítima, através da GVT, da pior empresa que já pôs os pés no país.

Entrementes, o projeto na Câmara dos Deputados de intervenção na Telefônica foi derrubado, agradeçamos ao Tucanato e aos Petistas paulistas que devem achar o serviço maravilhoso, mesmo que TODAS as evidências apontem o contrário.

Se a Telefônica tem 6 bi para comprar a GVT, não deve ser difícil fazer uma "leve pressão" em alguns deputados e ministros, não é mesmo?
Costa viu na atitude da Telefônica um movimento natural de mercado e disse que ela está reagindo à fusão da Oi com a Brasil Telecom. Ele demonstrou a sua preferência:
- A Vivendi é uma empresa tipicamente europeia, enquanto a outra já está no Brasil. 
Impressionante como um único parágrafo é suficiente para desmascarar, numa tacada só, crimes e falsidades de um ministro ineficiente e sujo. Defesa descarada do monopólio, da Telefônica em detrimento da Vivendi (e da concorrência, dos brasileiros...) e, ainda, a defesa do crime que foi a fusão da Oi com a Brasil Telecom, a famosa BrOi.

Dois crimes, dois reconhecimentos de corrupção, em apenas um simples parágrafo. Sim, ministro, a Telefônica já está no Brasil mas todos os seus usuários sonham para que ela deixe o país e nunca mais volte.

A Anatel, apesar de todas as suas falhas e inação recorrentes adotou a posição correta, se é para ser vendida, que a GVT vá para a Vivendi, para criar concorrência, fortalecer o mercado e, acima de tudo, para favorecer o brasileiro com um serviço de qualidade e, finalmente, forçar as atuais prestadoras e se preocupar com infra-estrutura, qualidade e decência.

"O Ministério das Comunicações acredita que a GVT deve ser vendida à Telefônica, equilibrando o mercado entre uma supertele nacional e uma internacional. Já a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) acha que a compra das ações pela Vivendi é o desfecho ideal, por representar a entrada de novo player (participante), favorecendo a competição."
 Tudo bem que "competição" é um termo que beira a simples piada no mundo capitalista, mas ainda assim, é mais saudável a possibilidade de uma real competição - a GVT de fato pratica hoje preços menos abusivos que a concorrência e com alguma qualidade - do que o fortalecimento do monopólio nas mãos da terrível empresa espanhola.

Analisando especificamente o montante do investimento que a Telefônica quer fazer, chegamos à conclusão de que só pode ser molecagem, é caso de cadeia para a direção! O Speedy é uma piada, não funciona, toda hora sai do ar e tudo que foi investido em melhorias (que a Telefônica afirma ter feito e nós sabemos que é mentira) não passou de migalhas, 70 milhões! No total, míseros 700 milhões para toda a infraestrutura de uma empresa que não consegue sequer manter os telefones da Polícia e Bombeiros funcionando quando chove!

É um acinte que uma empresa com este histórico possa desenbolsar 6.5 bilhões de reais na destruição de uma outra companhia, e que funciona! E tudo isto com a maior cara de pau do mundo do nosso ministro Hélio Costa.

Marcos Bahé, do ACerto de Contas, dá o recado:

A operação de venda da GVT, porém, caso aceita pelos atuais controladores, precisa ser aprovada pela agência reguladora do setor, a Aneel. Mas no capitalismo terceiro mundista em que vivemos, onde a palavra concorrência dorme nos livros de teoria econômica das empoeiradas bibliotecas universitárias, não duvido nada que seja aprovada (não esqueçamos da BrOi).
Concorrência, na análise de Bahé e nas afirmações de Hélio Costa, não existe. E vejam que tal situação é referendada e aplaudida pelo governo! Foi assim na compra da Brasil Telecom pela OI e será na compra da GVT pela Telefônica, caso esta se concretize.

No Brasil, tudo se resolve com o jeitinho, com o bolso cheio, com a falcatrua franca e descarada.

A Telesp, controlada pela Telefônica, soltou uma nota muito inteligente, esta afirma que a GVT tem sido muito bem sucedida na estratégia de conquistar consumidores com alta tecnologia, qualidade e etc... Fato.

A GVT é provedora de serviços de telecomunicações com forte presença na Região II do Plano Geral de Outorgas (que engloba Estados das regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil) e tem sido muito bem sucedida na sua estratégia de conquistar consumidores de serviços de alta tecnologia com produtos inovadores e especialmente desenvolvidos, afirma a Telesp no comunicado.

"As operações da GVT apresentam um encaixe geográfico perfeito com as operações da Telesp e a complementaridades dos seus negócios não apenas permitirá que a Telesp tenha uma presença efetiva na Região II do PGO, como também propiciará a ampliação da concorrência no mercado de telecomunicações em âmbito nacional", diz a nota.
Mas também é fato que, com a chegada da Telefônica a "alta tecnologia" será sucateada e ficará parada no tempo e a qualidade será a mesma a que somos submetidos em São Paulo pela Telefônica.... Nenhuma!

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Recentemente tive um problema com a minha antena de TV da Telefônica, o problema por milagre não era culpa da Telefônica, mas para consertar levou uma semana.

Liguei a primeira vez e marquei uma visita informando que só poderia receber o técnico após as 17h pois estaria trabalhando antes disso.

De manhã, tudo parecia ir bem até que me ligaram da empresa infame me perguntando se era para o técnico ir naquela hora. Era 8 e meia da manhã. Disse que não, só às 17h. Achei que estava tudo ok.

Cheguei em casa umas 16:30 e esperei até as 18h. NADA. Liguei para reclamar e me informaram que o técnico tinha ido por voltadas 10 da manhã até minha residência, uma casa branca de portão cinza... Então, eu moro em prédio. Sequer tem casas em volta de onde moro! Como assim? E eu MARQUEI Às 17 horas!

Marquei novamente para o dia seguinte. Mesmo caso. Dessa vez foram ao meu prédio, às 15h!

Puto da vida, liguei novamente e acabei tendo que faltar ao trabalho para esperar o técnico que, lógico, chegou às 16h e não na hora marcada.

Como se vê, TODOS os serviços prestados pela empresa são péssimos. E este está longe de ser o primeiro problema que tenho com esta empresa, na verdade, ela me prega peças desde que contratei. Aliás, meu contrato já é um erro, me assinaram produtos errados e pago por isto até hoje.

Esta é só uma amostra do que os usuários da GVT irão ter de encarar.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Supervia é o retrato do Brasil Privatizado



A SuperVia, que controla os Trens metropolitanos do Rio de Janeiro, aparentemente, resolveu adotar o modus operandi da Telefônica: Presta um serviço medíocre, trata o usuário como lixo, faz propaganda de que funciona e é maravilhosa, tem projetos risíveis de melhorias futuras que jamais sairão do papel e o governo não faz nada sobre a situação e, obviamente, não vai reestatizar o setor ou, pelo menos, repassar a concessão para alguma empresa decente.

Mas de tudo que eu vi e ouvi sobre os protestos dos usuários dos Trens nesses últimos dias, nada me surpreendeu tanto quanto a violência desmedida da polícia contra protestos legítimos e a resposta absurda dada pelo comandante da PM responsável por "controlar" a situação:

Para o comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia), tenente-coronel Carlos Henrique Alves de Lima, não houve excesso da Polícia Militar. "Excesso foram as pedras portuguesas jogadas pelos manifestantes contra os policiais; foram as lixeiras reviradas e as tentativas de quebra-quebra. Usamos gás lacrimogêneo para afastar as pessoas e arrefecer os ânimos. Estávamos preocupados com o patrimônio da Supervia e o com os funcionários da concessionária", afirmou.
Que o Tenente-Coronel iria dizer que a PM não abusou da força era óbvio, honestidade não é pré-requisito para ser policial, mas a declaração de que a PM, uma força PÚBLICA, estava ali presente não para garantir o direito dos usuários lesados - muitos foram para casa sem receber o dinheiro da passagem que pagaram mas não usaram - mas para garantir a propriedade privada!

A PM não foi violentar o povo para protegê-lo, não prendeu nenhum diretor da SuperVia pelo roubo - sim, foi roubo - das passagens dos usuários, não foi para garantir que os usuários não fossem lesados e nem que o serviço fosse prestado decentemente... Estavam lá unicamente para defender o patrimônio da SuperVia que, na verdade, é patrimônio do POVO, dos Cariocas e Fluminenses e que foi criminosamente repassado para a iniciativa privada sem que o povo fosse consultado!

O comandante da PM acha que o protesto dos usuários e a depredação foram excessos, vandalismo. Talvez, mas será que o comandante parou 5 minutos para pensar (sic) nos motivos para tal atitude, ou melhor, reação?
Uma diarista que se identificou apenas como Maria da Penha, de 47 anos, disse que teve de se esconder para não ser pisoteada. Segundo ela, até grávidas tiveram de sair correndo na hora em que a PM jogou spray de pimenta contra os passageiros. "É uma falta de respeito o que fazem com a gente", queixou-se.
Não, sem dúvida não, PM não pensa, cumpre ordens, bate, espanca, violenta, prende e mata. Pensar, discernir e usar a cabeça são vocábulos desconhecidos e desencorajados na corporação.



A PM estava lá para defender a propriedade privada de uma empresa que abusa de seus direitos, que lesa o povo, que comete um crime.

"Os problemas de ontem (quarta-feira) e hoje (quinta-feira) ocorreram porque a Supervia arrancou os desvios da linha. Ou seja, se o trem sofre uma avaria a concessionária simplesmente não tem como retirá-lo da linha sem interromper o tráfego. É um absurdo e aumenta a insegurança na via férrea", afirmou o presidente do Sindicato dos Ferroviários, Valmir de Lemos.
Assim como a Telefônica, as operadoras de celulares e tantas outras empresas medíocres privatizadas ou donas de concessão, a Supervia lesa o povo diariamente. Não cumpre os contratos, não presta o serviço que deveria e ainda contam com a conivência dos órgãos públicos, dos políticos canalhas em geral e sempre podem contar com a mão amiga da polícia na hora de fazer o povo se calar.

É isto que nos espera no Rio 2016se nada for feito de concreto para mudar a ideologia dominante do "jeitinho" e a corrupção generalizada dos nossos governantes (e, porque também não dizer, do nosso próprio povo).

Foram 3 dias de caos, a Supervia faz questão de intencionalmente prover um serviço péssimo - e isto nos lembra de Telefônica, das Teles de Celular... E o poder público nada faz ou fará. É mais fácil e mais barato espancar quem reclama do que tomar uma atitude e perder um precioso dinheiro para as futuras campanhas e a caixinha que sustenta o nosso círculo vicioso de corrupção e descaso com o povo.
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