sábado, 14 de março de 2009

O patrão e o Xixi

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Justiça decide: xixi só quando o patrão deixar

Um rapaz que trabalhava em uma empresa de call center em Goiânia pediu danos morais na Justiça do Trabalho por ter que solicitar autorização para o chefe toda vez que queria ir ao banheiro. Segundo ele, quando havia uma demanda grande de ligações, os trabalhadores eram impedidos de ir ao toalete sem uma justificativa.

O caso chegou até o Tribunal Superior do Trabalho (TST). A 7a turma da corte decidiu esta semana que – no caso das operadoras de telemarketing - um chefe que limita a ida de um empregado ao banheiro solicitando explicações não comete dano moral contra a imagem ou intimidade da pessoa.

Ou seja, alguém ter que se sujeitar a dizer “Chefe, vou ter que ir ao banheiro para fazer cocô por conta de uma feijuca que comi ontem e não me caiu bem. E olha… talvez não será a única vez” está dentro dos padrões de normalidade.

Ao avaliarem que não era caso para dano moral, os ministros confirmaram a decisão de instâncias anteriores. O ministro Guilherme Caputo Bastos ressaltou a necessidade do controle do uso do toalete. Segundo ele, do contrário, haveria desorganização no local de trabalho. Ah, sim! Afinal de contas, todos sabemos que o banheiro é o point social das empresas.

Qual dos operadores apertados atende melhor: o que está prestar a fazer um “número 1” ou o que está no limite de um “numero 2”? É claro que há situações em que ocorrem abusos por parte de empregados que querem simplesmente trabalhar menos que o combinado em contrato. Mas me pergunto se não existem outras formas de coibir isso do que coagir alguém a ter que dar a razão por estar indo ao banheiro.

A cereja do bolo foi a declaração do ministro Ives Gandra Martins Filho, relator do caso: “Pelo tipo de trabalho há uma necessidade de rapidez no atendimento, hoje há uma multa para a empresa que demora mais de 30 segundos para atender, então é necessário que haja um controle”.

Ou seja, como a empresa é pressionada por lei a atender o público com um mínimo de qualidade, o trabalhador deve arregaçar a camisa (e manter a calça ou saia no lugar) para tornar isso possível. Contratar mais gente, nem pensar.


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Apesar dos excelentes comentários do Sakamoto, eu acrescentaria mais alguns.


Primeiro, claro, uma verdadeira revolta contra tamanha boçalidade. Claro, é de se esperar que em uma sociedade capitalista e selvagem, onde só o lucro importa e não quem dá o lucro ao patrão, que o funcionário tenha seus direitos limitados ou, até certo ponto, limados.

Mas é surpreendente que até as necessidades mais básicas de um trabalhador, como é o direito de ir ao banheiro, mais que direito, repito, NECESSIDADE BÁSICA - junto com comer, dormir e etc - seja proibida e sujeita à aprovação de outra pessoa!

Quando pensamos que o capitalismo já estava chegando até seu limite nos deparamos com uma barbaridade dessas. Fazer xixi só com hora marcada! E se o pobre coitado precisar ir ao banheiro mais que as vezes permitidas? Se tiver dor de barriga? Coitado, tem 15 minutos pra completar o "serviço" senão volta ao trabalho do jeito que der!

Absurdo...

Sem dúvida alguma o digníssimo ministro, ou ministros, não precisa pedir permissão alguma para fazer seu numero um ou numero dois. Fazem quando querem e não avisam a ninguém.

Aliás, curioso que esta necessidade de pedir permissão para o xixi recaia apenas numa das categorias mais massacradas e exploradas, a dos operadores de telemarketing que, claro, são muitas vezes irritantes, mas são obrigados a sê-lo. Recebem um salário miserável, trabalham sob pressão e etc... E nem ir ao banheiro podem?

A que ponto chegamos?

Vai ver que nos ultimos dia andei tendo problemas com o Speedy e ninguém me atendia pois estavam todos batendo papo no banheiro... Só pode!


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