sexta-feira, 19 de junho de 2009

USP Invadida: Protesto anti-Greve [Update]

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Apenas pelo dever democrático de informar que divulgo tal coisa. discordo frontalmente, dos argumentos, das razões, das motivações e etc, porém, é um direito legítimo dos que querem protestar contra a greve.

Recebi a msg abaixo, anônima, de um dos grupos que participo, a gênese do flash mob anti-greve de hoje.

A argumentação é pueril, o cartaz em si já demonstra preconceito e o e-mail abaixo é simplesmente risível. Um flash mob seguido d uma "balada", pra "se dar bem", falta completa de comprometimento, só uns 20 minutinhos pra ir embora cuidar da vida... Sequer para um protesto os anti-greve (quantos serão?) se dispoem a gastar alguns minutos com planejamento, convocação ou mesmo tempo com a ação!

Não apresentam qualquer proposta, não demonstram porque discordam da greve ou das razões que levaram à greve, querem apenas juntar meia dúzia de pessoas para dizer "não quero, não gostei" e ficar por isso mesmo.

No fim, uma provocação tola, um comentário totalmente imbecil... Bem, esperemos as 18:55 e vamos ver o estacionamento de carros caros e roupas de gripe na Praça do Relógio para o flash mob, seguido de uma balada.
"Galera,

Eu acho que é muito bom a gente debater nossos pontos por aqui, mas,
infelizmente, nossa discussão aqui não consegue alcançar mais do que a
nós mesmos. Acho que é mais do que hora de a gente fazer alguma coisa,
não só pelo que esta acontendo este ano, mas pelos anos que já
passaram, e pelos que virão. Os pontos desta greve são rasos e, por
isso, geram respostas rasas da nossa parte. Não acho que a gente tenha
mais que debater sobre o que pode acontecer (brandão, univesp). Acho
que temos que fazer algo sobre o que já está acontecendo, que é uma
greve que usa nosso nome pra falar coisas com as quais não concordamos
(pelo menos, a maioria).

Por isso, proponho que façamos algo. Se eles se mobilizam, porque a
gente não deve fazer o mesmo. A palavra deles tem prevalecido porque
nós estamos deixando. As assembleias são viciadas e é dificil mesmo
debater com eles (tanto que eles não debatem com a gente, apenas fazem
o que entender ser o melhor), mas essas não são unicas maneiras da
gente se fazer ouvir. A votação que está rolando é um exemplo disso.
Nossa politica do "deixa pra lá" esta afetando cada vez mais nossos
estudos e nossa facu.

O que eu estou propondo é um Flash Mob na praça do relógio. Eu sei que
já é dificil pra maioria da galera chegar na USP a tempo pras aulas,
ou perder aulas pra fazer assembleias, mobilizações, etc. por isso
acho que essa ideia é bem razoavel. É rapida e não requer pratica nem
experiencia, e ainda pode ser legal. Alem disso, pode gerar uma
repercussão boa e tirar o apoio dessa greve que só esta fudendo a
gente. É só ir lá, trocar uma ideia, fumar um cigarrinho, levar uma
brejinha, fazer um volume por uns 15, 20 minutos e pronto. Se forem
200 pessoas, já é mais do que os que votaram a favor da greve. Se
forem 1000, 2000 a gente acaba com essa greve de vez (quem sabe com
algumas proximas) e ja faz uma balada pra comemorar ( lol ). Depois
todo mundo toma seu rumo, vai pra aula, pra casa ou pra onde for
(afinal, se rolar balada, vai que você se da bem).

Se vocês concordam com isso, divulguem nos grupos de email que vocês
tem acesso. Se gente da USP toda for lá por alguns minutos a gente
pode mostrar que "os alunos da USP" somos nós, não o fã clube do
brandão.

Imagina que lindo se passa o "globocop" (pausa para risadas...) e ve a
praça lotada de alunos fazendo greve da greve...

Bom.. divulguem... ou daqui a uns anos nosso reitor vai ser o brandão...."


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Update:
Aparentemente outro flash mob ocorreu hoje na USP, ao meio dia. Resta saber se o das 18:55 está mantido.

150 gatos pingados caminharam ao redor da ECA e resolveram provocar cerca de 700 grevistas em assembléia do SINTUSP e acabaram apanhando.
"Os engajados no protesto relâmpago fizeram caminhada ao redor do prédio da ECA e foram à assembleia que estava sendo realizada pelo Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), com cartazes com dizeres como "Fora Brandão". Os grevistas presentes à reunião - cerca de 700, segundo a organização - começaram a pedir que os "anti-greve" fossem embora. Algumas pessoas da assembleia acabaram se desentendendo com os alunos que foram para o "flash mob"."
É engraçado, no momento em que ocorre uma assembléia, alguns babacas aparecem para tumultuar e ainda reclamam que foram expulsos do local.... Para piorar, um dos babacas no protesto afirmou que eles sequer sabiam da assembléia!
"Murilo Lacerda, 19, estudante do terceiro ano de geofísica, afirma que o grupo não pretendia afrontar os funcionários. Segundo ele, a convocação foi feita no decorrer da semana por e-mail e pelo site de relacionamentos Orkut e que os estudantes não sabiam da assembleia, marcada ontem. "
Então além de tumultuar e convocar um protestinho ínfimo, sequer sabem o que acontece na USP. A assembléia foi marcada ONTEM, dia 18, mas ninguém se deu ao trabalho de descobrir e, vendo depois que uma assembléia estava acontecendo, resolveram provocar e tumultuar? Se bem que, de acordo com o diretor do Sintusp, os estudantes não só sabiam da assembléia como tinham a intenção de invadá-la.
"A assembleia de hoje deveria começar às 11h na faculdade de história. De acordo com Magno de Carvalho, diretor do Sintusp, o local foi alterado depois que funcionários tiveram a informação que alunos invadiriam o sindicato. "
Por mais que eu não simpatize com o Brandão - sua demissão arbitrária e política é uma das razões para a greve atual -, nem de longe, não posso deixar de reconhecer que esta frase dele é certeira:
""Esses alunos de bochechas rosadas vêm aqui sem ter ideia [da pobreza do país, da situação do país]""
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Comentários
4 Comentários

4 comentários:

Maurício Caleiro disse...

Lamentável... E isso porque se trata supostamente da elite estudantil do estado mais economicamente desenvolvido da Federação...

Cadê a argumentação? Cadê a capacidade de entender as forças em jogo no atual momento político, logo após um ato de repressão contra estudantes como só se viu na ditadura? Eles coadunam com a truculência de mandar tropa de choque bater em jovens desarmados? É isso que querem legar às próximas gerações de uspianos, a continuidade dessa truculência (a julgar pelo papel de inocentes úteis que estão fazendo, é sim)?

Cadê a capacidade crítica, cadê a consciência de que são estudantes de uma universidade pública, portanto comprometida com as demandas da sociedade que os sustenta através de impostos?

Tudo o que eu tinha a dizer sobre a truculência na USP e a responsabilidade do governador e da reitora eu disse em meu blog, mas ler um textinho medíocre desses convocando pra "flash mob" e depois balada é de doer e mostra que há mais imbecis nessa história do que eu pensava.

De qualquer modo, seu post é jornalísticamente impecável, pois nos permite, num momento em que a mídia em peso só enfatiza a irresponsabilidade dos grevistas, ter uma noção das "demandas" dos que não querem a greve.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Esta é a elite da FEA/ECA, de carro importando e bochechas rosadas que estão mais preocupados em se formar e ir pra balada que com a USP em si, com qualidade, com os outros.

É reflexo do Capitalismo selvagem de hoje, só pensam em sí e em seu divertimento, utilitarismo, os outros que se f*.

Querem assistir às aulas e dane-se o mundo mas sequer tem a capacidade ou determinação de realmente protestar, se juntam num flash mob, por 5-10 minutos e dão às costas à USP pra ir pra balada, como se nada tivesse acontecido....

Nessas horas também vemos a diferença de atuação dos alunos de cursos críticos (FFLCH) e dos acríticos, meramente técnicos. Isso não é fenômeno exclusivo da USP, que fique claro.

Aliás, os que são contra a greve, a contar pelo flash mob+balada são poucos, de quantidade ínfima. De manh,a mal reuniram 150 - só na assembléia da SINTUSP eram 700 - e no das 18h, segundo amigo meu que foi para ver se realmente apareceria alguém e para passar a notícia do fracasso, não contou nem 50.

Realmente, é a franca maioria! Que piada! Na falta de legitimidade e quantidade, partam para a truculência e acabam revelando suas cerdadeiras cadas.

No mais, agradeço!=)

Rafael Alves Batista disse...

Sou aluno de física na Unicamp e acompanho os últimos acontecimentos na USP.
O que é risível é o atual discurso clichê do auto-entitulado Movimento Estudantil, que tentam impôr sua vontade minoritária sobre uma maioria que nem sequer os reconhece como representantes.
Diferentemente da maioria dos anti-grevistas, eu não aprovo a ação da PM na USP, apesar de não condenar suas ações. A PM dentro do campus da USP foi essencial para assegurar o direito de ir e vir das pessoas e garantir que as pessoas que não reconhecem o DCE/Sintusp possam continuar normalmente com suas atividades. A PM foi precipitada ao atacar os manifestantes indistintamente. Digo indistintamente pois as pessoas que se julgam acima da lei a ponto de impedir o funcionamento do bandeijão terceirizado e a livre circulação em todos os pontos do campus, estes são criminosos e a polícia deve agir para fazer valer a lei. Porém a ação da PM atingiu pessoas que não estavam envolvidas, por isto eu condeno.
Quanto ao protesto anti-greve, creio que não é necessária uma carta formal convocatória e o simples fato do protesto ser feito em menos de uma hora demonstra que este grupo não considera os grevistas como crianças que têm tempo para ficar brincando de "sou um revolucionário lutando contra o capitalismo selvagem".
Poderia continuar a argumentar aqui, mas não creio que surtirá efeito, visto que os grevistas não querem vencer no debate e sim pela força, como tem demonstrado.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Rafael,

você viu o grandioso flash mob dos anti-greve? Mal reuniu 200 pessoas. São esses os anti-greve? A maioria silenciosa?

Sabe qual é o problema? Quem é anti-greve não perde 5 minutospara demonstrar, para se mobilizar e ir protestar contra a greve, mostrar seu lado. Os gatos pingados que apareceram estavam mais interessados em balada que em protestar.

Porque os que são contra a greve não participam ds reuniões dos DA's e DCE? Preferem reclamar de casa e ponto.

O Movimento Estudantil representa os estudantes e ponto. O problema é que muitos bradam que não se sentem representados mas NUNCA vão nas assembléias dar opinião.

Efetivamnete os DA's e CA's e o DCE representam os estudantes, é legal, é justo, mas quem é contra não aparece pra reclamar, aí fica dificil!

O problema de não reconhecer o DCE éque ele é legítimo e os que não reconhecem e se dizem maioria não vão demonstrar essa maioria na hora que deve, na hora das assembléia,s debates e reuniões.

No mais, essa visão de que todos que são pró-greve são "revolucionários inúteis" não ajuda em nada, só divide. E dá no que deu. E, quanto à força, bem, quem usou a força foi a PM, que demonstrou não ter força são os anti-greve que não reuniram nem o número de pessoas que costumam se reunir numa reuniãozinha pequena de Diretório Acadêmico.

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