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quinta-feira, 21 de julho de 2016

A minha geração protestava nos copos do Starbucks

Talvez possamos ligar diretamente a chegada do PT ao poder e o fato do partido ter praticamente impossibilitado grandes lutas que foram, então, substituídas por questões mais pontuais (daí em parte explicamos o fortalecimento assustador de SJW - Social Justice Warriors - nos últimos tempos também) ao fortalecimento de iniciativas simbólicas que eu considero eminentemente toscas e mesmo contraproducentes...

Este é só um exemplo: Terceirização de protesto que fica bonitinho em foto do Instagram e em textão de Facebook.

Enquanto em 2013 milhões foram às ruas e com as ocupações de escolas outros milhares pelo país se mobilizaram e tem se mobilizado de forma autônoma diante de partidos e suas limitações. Isto causava a inveja e ódio nestes mesmos partidos que em 2013 defenderam a repressão - caso do PT e do PSeudoB - e mesmo, num grau abaixo, levou às críticas do PSOL aos Black Blocs, por exemplo. Já nas ocupações, UNE e UBES tentaram se apropriar dos protestos, sem sucesso.

Aqueles remanescentes no campo governista (hoje criptogovernista, mesmo necrogovernista) e os que voltaram a aderir a este campo passaram a inventar formas extremamente simbólicas de protesto.

Simbólicas e burras, como fica claro na imagem que abre esta postagem.

Terceirização de protestos, protestos absolutamente simbólicos, protestos que visam apenas fotos em redes sociais, mas sem absolutamente nenhum objetivo, protestos que passam longe de pautar qualquer forma de mudança social, enfim, protestos apenas para dizer que estão protestando - mesmo que terceirizando. E vamos lembrar que este é o pessoal que achava um horror o panelaço como forma de protesto, mas não veem problema algum em expor trabalhadores ao ridículo.

Ocupar as ruas - sem estrutura partidária e pelega, claro - não é opção. Só o fazem pra ouvir Lula discursar e quando a CUT ou outra organização vendida contrata carro de som. Nem falo em mobilização de movimentos sociais e etc porque os que restaram alinhados ao governismo foram esvaziados ao ponto de sequer saberem mais quem são ou pra que servem. Tampouco posso falar em pressão parlamentar, já que o PT e o PSeudoB deixaram claro que preferem o próprio PMDB ou até o DEM à tomar atitudes reais em protesto contra o que enxergam como "golpe".

O mais triste nem é a posição dessa militância francamente fracassada, derrotada e perdida, é a insistência de outras forças comumente de oposição a tudo isso que se submetem ao ridículo e ficam batendo palmas pra maluco dançar.

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Depois de escrever a postagem descobri que outro gênio do "protesto com o pau dos outros" resolveu ao invés de forçar um atendente a dizer "Fora Temer", o forçou a gritar "Dilma Rousseff" e passar ridículo na frente de dezenas de pessoas.
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domingo, 17 de abril de 2016

Posicionamento diante da possibilidade de impeachment de Dilma

Antes de mais nada, eu sou CONTRA o impeachment, mas admito que parte de mim sentirá prazer ao ver o PT afundar. Merecem.

Se MST e demais movimentos tivessem colocado as milhares de pessoas nas ruas que dizem que vão colocar hoje, bloqueando estradas, incendiando pneus (vandalismo?) para lutar por reforma agrária ou por um governo efetivamente de esquerda, imaginem só onde estaríamos!

Quantos que hoje gritam #NãoVaiTerGolpe não gritavam VAI PM em 2013? Quantos não faziam coro de "vandalismo" por vidraças quebradas de bancos, mas acham lindo e revolucionário estourar bonecos de plástico?

Com essa gente, honestamente, eu não me junto, não quero nem respirar perto, que o diga sair de braços dados. Num dia lado a lado, no outro correndo de balas de borracha e sendo enquadrados na lei antiterrorismo diante de quem aponta e ri.

O que mais me irrita nisso tudo é a hipocrisia e a desmemória. Gritam contra a Globo como se o governo não tivesse passado TODOS os anos no poder enchendo a Globo de grana (mais de 6 bilhões de reais). O PT nunca ousou levantar o dedo contra a mídia ou contra os interesses de poderoso algum. Como disse o Gustavo Gindre
"O grande responsável por esse massacre mediático é a omissão e mesmo a cumplicidade dos 13 anos de governos petistas em relação aos grandes grupos de mídia." 
Na verdade o PT se dedicou a criar também uma mídia própria, tão suja e mentirosa quanto a que diz se opor.

O PT ESCOLHEU esse caminho.

Escolheu seu caminho e escolheu a altura do precipício do qual se jogou. Escolheu os aliados, escolheu Temer. E escolheu as empreiteiras ao invés dos movimentos sociais.

Não importa quem vença, se o PT ou a oposição (oposição esta que era, em sua ampla maioria, aliada do PT até ontem), nós perderemos. Já perdemos, aliás. Os acordos feitos para manter ou derrubar o governo irão dilapidar ainda mais o Estado. Iremos provavelmente passar por reformas profundas que irão prejudicar milhões de brasileiros.
O PT não pode ser julgado por bandidos... Mas se aliar, ser apoiado e governar com bandidos pode? É uma lógica que eu não entendo... Mas nunca nos esqueçamos da máxima "Lulou, tá novo".
Não duvidem se logo na semana posterior ao impeachment (sim, ainda faltaria o Senado caso o processo fosse aprovado hoje, mas por lá a queda da Dilma seria certa) vierem reformas da previdência (mais agressiva que a que o PT já vem impondo), mais criminalização de movimentos sociais (o que o PT também vem fazendo), corte de direitos (novamente, o PT faz)...

Eu não consigo compreender como alguém consegue ir às ruas e gritar por qualquer um dos lados. Não é pela democracia, é pelo PT que protestam. Não é contra a corrupção, é contra o PT que votam impeachment.
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segunda-feira, 14 de março de 2016

A culpa é da esquerda? O protesto do dia 13 de março e a nova direita

Grafo: Fabio Malini
O protesto do dia 13 de março foi em grande parte de revolta contra tudo e todos, foi extremamente despolitizado, com grupos às margens. Tem gente de esquerda, tem monarquista, fascista, tem pró-milicos, tem de tudo - mas tem uma nova direita forte. Que fique claro, minha análise se centra em São Paulo e em menor parte no Rio, mas em geral reflete o panorama geral do que aconteceu.

Tentar deslegitimar apenas - como faz o grupinho petista lá embaixo do grafo - não serve a ninguém e nos isola. Apenas nos faz não compreender o fenômeno e deixar que a nova direita assuma o comando (ou se entronize nesse comando). Bolsonaro está doido pra assumir a liderança dessa insatisfação. Alckmin, Aécio e a turma do PSDB foram vaiados na Paulista? Legal, mas tem uma direita perigosa surgindo e/ou se fortalecendo.
Alckmin, Aécio, Marta, Matarazzo vaiados...o descontentamento é geral.Erra quem pensa que é só contra o PT.É a figura do político tradicional que ninguém parece suportar mais. Esther Solano, no Facebook
Os EUA passam por um momento semelhante, em que a desconfiança dos políticos tradicionais e da própria política levaram a um fortalecimento das margens: Trump de um lado, Bernie Sanders do outro.
No Brasil temos Bolsonaro de um lado, com outros nomes menos relevantes orbitando, mas um vazio completo à esquerda. 
 
Penso que o maior problema não é a direita em si nas ruas ou os despolitizados - o discurso puro "contra corrupção" ou "fora A ou B" não é, em si, politizado - e sim a esquerda que é incapaz de se apresentar como alternativa, porque na hora em que o PT estala os dedos vão todos correndo pra ajudar e defender o partido do "golpe". A esquerda parece não entender que o problema é ela (ou nós) e não o resto. Somos nós que damos espaço pra direita crescer e aparecer.

Não existe vácuo na política que dure. Se a esquerda for incapaz de conquistar os despolitizados e os que gritam contra tudo e todos, a direita irá conquistá-los e no momento parece que estão na frente na disputa, virando o jogo de Junho.

E nós demos este espaço à direita porque em Junho e nas manifestações posteriores muitos que SE DIZEM de esquerda aplaudiam e incitavam a violência da PM. Porque movimentos sociais foram neutralizados e se transformaram em braços do petismo. Porque na hora que o PT fica acuado a esquerda que paga de combativa vai lá salvar o partido. Porque fomos incapazes de organizar, após Junho, uma alternativa de esquerda efetiva. 

E continuamos incapazes, aliás, sequer queremos nos reinventar, é mais fácil o joguinho de morde-assopra com o PT. Se é verdade que o PT destruiu a esquerda, é verdade também que nos temos culpa, pois só há cooptação se existir aqueles que aceitam e/ou querem ser cooptados. Será que já é tarde demais?
QUE SE VAYAN TODOS ????? (Por Fabio Malini)

Coletei no Twitter os seguintes termos a partir das 15h do sábado (12/3): protesto, manifestacao, manifestante, manifestacoes, vempraruabrasil, marchadoscorruptos, carnadogolpe2016, marchadoscoxinhas, vemprarua e "vem pra rua".

Optei por trabalhar palavras do senso comum e as hashtags oficiais dos governistas e oposicionistas, assim garantiria uma análise mais amplas dos discursos sobre os protestos.

A palavra mais mencionada nos tweets, excetuando os termos das coleta, foi CORRUPÇÃO. Uma supresa para mim. Engana-se, ao meu ver, quem se dirige aos movimentos de hoje interpretando-os como algo restrito a um campo estritamente de direita. O que vemos hoje foi uma reação à classe política - e a mega máquina de destruição do comum vigente - do país. Agora os governo de Dilma, do PSDB e do PMDB viraram os alvos da indignação popular. Não sabemos precisar ainda o tamanho disso dentro da massa de manifestantes. E não sei como os partidos de direita vão reagir a isso, porque, pela primeira vez, as ruas os rejeitaram. O efeito colateral da Lava Jato viralizou não apenas contra Lula, mas contra Aécio, Alckmin, Renan, Cunha etc.

Plotei a rede de compartilhamentos no Twitter, a partir de 236.612 retweets, coletados a partir dos termos e período já mencionados. Ao total, 100.298 perfis retuitando e sendo retuitados. Há um isolamento das redes mais governistas, que sustentam que há um golpe contra a Democracia em curso. Mas o outro pólo conservador foi engolido por uma população feita de celebridades, youtubers, nativos do Twitter e perfis que não são muito de discutir ou satirizar a política.

Há muito humor, é verdade, nesssa rede. O perfis mais periféricos deitaram e rolaram hoje, viralizando memes de situações grotescas.

Mas,pela primeira vez entendo que a rede não se polarizou com a dos governistas, mas a deixou isolada, conversando entre si. A rede amarela foi formada por muitos seguidores que compartilharam veículos de comunicação Revista Época, Globo NEws, Estadão, os organizadores dos atos (VemPRaRuaBR, o MBL, o Revoltados ONline), como ainda políticos e perfis mais conservadores, mas circundando-os há uma multidão de perfis independentes (em maior número). Esses protestos embaralharam mais as ideologias políticas. Seu efeito é colocar um problema enorme para a política: "quse se vayan todos". Mas será??? Será que agora não vai rolar o acordão, por cima, para tentar destruir o monstro das ruas?

Não passarão em branco os gritos de "ladrão de merenda" (endereçados a Alckmin), fora vagabundo (endereçados a Aécio) e fora ladrão (endereçados a Lula), como ainda o forte grito de impeachment.

Não há horizonte político seguro. Tudo em aberto. A velha direita foi expulsa da festa, a esquerda, humilhada e a nova direita dá andamento e organiza as ruas, mas não controla mais tudo.
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terça-feira, 31 de março de 2015

"Direitização": De alarmismos à responsabilidade da esquerda

Paulo Arantes, durante o encontro dos seminários de quarta que acontece na FFLCH-USP ao qual fui convidado na semana passada pra expor imagens e impressões sobre a "nova direita" no Brasil: "Vendo o vídeo do Caio eu me lembrei (eu era militante na época) da marcha da família com deus em 64 que também foram bem numerosas e bem impressionantes. Depois do golpe ainda houve uma outra marcha de confraternização. Então é a primeira vez que eu vejo isso vivo novamente em 50 anos. Portanto eu vi a direita desfilando, mas era uma direita que não tem nada a ver com
essa, eram senhoras de salto alto, padres, advogados, donas de casa bem vestidas, com algumas panelas, terço... Aquilo não metia medo em ninguém, uma semana antes do golpe nós ficamos impressionados com o número de pessoas na rua, que dava de 10 a zero no comício da cut do dia 13... Mas era só, o resto não metia medo. Hoje vendo essas imagens que o Caio escolheu, aqui dá medo e a impressão é que a repetição é
muito mais sinistra do que a farsa. E assusta muito mais porque não existe o outro lado, não tem esquerda e nós estamos sozinhos esperando sermos linchados quando dermos a cara pra bater. Estamos sozinhos e por outro lado tem uma energia social solta aí... Bom, isso é uma tese clássica da esquerda européia dos anos 30, do marxismo europeu a respeito do fascismo que diz que: o fascismo é a expressão de uma derrota da esquerda, quando o fascismo surge nos anos20 na Itália é quando a esquerda já perdeu a energia revolucionária. O fascismo era a pulsão plebéia à todo vapor pra acabar com aquilo. Tinha crise, tinha desemprego, tinha humilhação, tinha classe operária desorganizada, tinha guerra, tinha tudo. A massa fascista era uma massa revoltada e por isso ela foi organizada. Se você tem uma massa revoltada, proletária e que vai te massacrar é porque você perdeu. É isso que vai acontecer conosco agora, não há dúvida... A outra coisa que nos dá medo é o que nós perdemos. Todos os "Renans"que estão aí é o que nós perdemos. A gente precisa saber o que faz isso." via Caio Castor, no FB
O comentário do professor Paulo Arantes descrito pelo Caio Castor é alarmista, mas em geral correto.

A leitura geral me parece correta, de fato é mais preocupante uma marcha de direita hoje do que em 64 onde as coisas eram mais demarcadas (pese não poder dizer apenas que a marcha do dia 15 foi só de direita ou majoritariamente pedia ditadura, tinha muita gente mais perdida que carioca em tiroteio), e sem duvida a direita está onde está por culpa da esquerda, que virou direita. 

É claro que, no entanto, não podemos resumir ou reduzir a marcha do dia 15 à "direita", tampouco a "golpismo", mas é fato que uma ampla maioria se não era de direita, subscrevia crítica ou acriticamente ao pensamento dos grupos que convocaram a marcha. Aí está o nó, a direita está liderando o centro.


Sem dúvida muitos ali são disputáveis, mas quem está fazendo esta disputa?

E não quero me repetir, mas é óbvio, o PT é o grande responsável por essa direitização e também pela situação ter chegado a este ponto, mas não só.

Setores da esquerda "radical" também tem responsabilidade, por um discurso descolado do povo, que não consegue dialogar com divergências, não conseguem dialogar sobre pautas específicas com a maioria da população (oras, não conseguem discutir entre si! É um tal de jogar pedra à mínima discordância...). Mas, enfim, a culpa é nossa enquanto esquerda, seja da que se vendeu, seja da que não consegue dialogar, seja da que se limita a ver o barco passar.


É difícil pensar em um caminho ou caminhos para superar a atual crise, mas sem dúvida este passa pela total e completa superação do PT. Sem remorso, sem olhar pra trás. E, claro, pelo combate franco às forças de direita e fascistas que crescem.

E por "forças de direita e fascistas" não me refiro apenas à grupos pró-Ditadura, que felizmente AINDA são pequenos, mas que devem ser ferozmente combatidos, mas também aos grupos neopentecostais que estão hoje formando exércitos como os Gladiadores do Altar, que saem por aí atacando praticantes de religiões afro e seus centros, perseguindo os discordantes, espalhando medievalismo e ignorância, incutindo ódio religioso e buscando controlar a política brasileira e impor sua visão deturpada de mundo à constituição e à população.

Se estes grupos não forem parados agora, poderemos não ter nova chance no futuro. Se hoje os evangélicos são 20% da população (e os fundamentalistas provavelmente metade disso e obviamente estes são os inimigos) e já praticamente controlam o congresso, imaginem se não forem impedidos de pregar seu ódio.

Mas e o resto da esquerda?

Não faz muito tempo chegou até mim um manifesto em que pese algumas críticas ao PT (e obviamente ao PSDB), não conseguia superar o sentimento enraizado de amor ao PT ou de que se deve algo ao PT, um saudosismo dos tempos de esquerda do partido, uma insistência em não enxergar o óbvio e a realidade e de embarcar no discurso fácil dos fundamentalistas neoPTcostais de que ainda há alguma disputa a ser feita no e pelo partido.

No manifesto, após críticas, o velho morde e assopra. O PT é responsável pela crise da Petrobrás, sem dúvida ~subtraiu~ valores da empresa, MAS (notem o "mas"), o PSDB... Não, meus amigos, não tem "mas". O PSDB se pudesse privatizaria a empresa sem dó e dividiria o lucro com seus amigos (como já o fez em outros caoss), mas o PT vem efetivamente privatizando lentamente a empresa e, no meio tempo, tem se refestelado com ampla corrupção.

Não é uma questão de escolher, é necessário denunciar igualmente AMBOS os partidos e seus respectivos aliados, sem continuar no joguinho de encobrir e escolher o "menos pior". De quebra, o texto ainda busca dar um tom passivo aos atos do PT, como se o partido tivesse sido LENIENTE com os roubos da Petrobrás e não parte ativa, enquanto mandantes, da roubalheira.

A linguagem diz muito. A escolha das palavras é fundamental. Recuar ou buscar de qualquer forma justificar ou acobertar, ou mesmo diminuir, o papel do PT na direitização do país é bater palmas para este processo. Tentar criar alternativas enquanto se passa o pano pro PT equivale a enxugar gelo e até que entendamos isso, é melhor nem insistir, pois todo e qualquer projeto estará fadado ao fracasso.
"(...) Camaradas, reconheçam agora que esse 'mal menor'
Que ano após ano foi usado para afastá-los de qualquer luta
Logo significará ter que aceitar os nazistas.
Mas nas fábricas e nas filas dos desempregados
Vimos a vontade de lutar dos proletários (...)"
Bertolt Brecht, 'Quando o fascismo se tornava cada vez mais forte' In: Poemas 1913-1956, 2000 [1967], p. 95.
Com o perigo de mais uma vez me repetir, fica o apelo: Superem o PT. Parem de justificar, de "entender" os atos do partido. Não fiquem excitados porque no mar de lama surgiu um Janine Ribeiro que, sozinho, irá salvar a pátria. Não, ele não vai.

Não se trata te ~torcer contra~ mas de ser realista. Uma andorinha não faz verão, um Janine Ribeiro não fará a revolução na educação. Se ele conseguir ao menos brecar parte das "reformas" que Dilma vem fazendo ou debatendo até aqui (chegando ao ponto de aventar terceirizar a contratação de professores federais) já será um ganho, mas ainda assim, mais por obra dele que do PT que, sem dúvida, se vendo nas cordas e atacados por todos os lados, da direita à esquerda, resolveu fazer um aceno contando com a boa vontade dos ainda adeptos da tese do mal maior (ou mal menor, para ficarmos com o velho Brecht).

Aceitem de uma vez por todas que não há salvação - a não ser que você acredite na volta de jesus e afins, porque se acredita no PT.... - e vamos construir alternativas antes que seja tarde.
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segunda-feira, 16 de março de 2015

A esquerda perdida e as lições dos protestos do dia 15/Domingo

Sou o primeiro a admitir que errei ao prever protestos pequenos no domingo contra Dilma. Baseado no histórico de setores da direita de não juntarem nem 1% do que previam, acreditei que o poder de mobilização deles seria pequeno uma vez mais. De fato, continuo achando que o poder de mobilização desses grupos é, em si, pequeno, mas o poder da indignação parece ter sido mais que suficiente.

Como já ficou claro por outros textos, não tenho a menor simpatia pelo protesto do domingo - como não tenho pelo dos petistas dia 13 -, mas nem por isso considero nenhum deles menos legítimo.

Dito isto, é preciso analisar friamente a realidade.

O protesto do dia 15

O protesto do dia 15 é difuso. Como Junho, possui uma base ideológica, mas se espalhou para muito além dessa base, agregando dezenas de reivindicações por vezes contraditórias. Golpistas? Muitos. Fascistas? Mais ainda. Nazistas? Também. Mas reduzir manifestações realmente imensas por todo país - ouso dizer que maiores que a mobilização do PT de dois dias antes, mas bem menor que os protestos em Junho - a estes termos não é apenas wishful thinking, é estúpido.

É óbvio que o protesto do dia 15 é conservador, mas podemos dizer que o do dia 13 era progressista? Não. Mas dentro desse conservadorismo há centenas, quiçá milhares de espectros e variantes.

Exigir a saída de Dilma, em si, está longe de ser golpe. Não importa quanto ódio isto carregue ou quanto ódio foi necessário para chegar nesse ponto. Não, não era uma manifestação só da "elite branca", nem só "da direita", este tipo de generalização comumente feita pelo PT é despolitizante, é burra e apenas esconde a superfície de algo muito mais profundo.

Há real insatisfação com o PT, mesmo entre muitos que se beneficiaram de muitos de seus programas.

O petismo morrendo?
 
Porém, após 12 anos o modelo petista acabou esgotado. Oras, mesmo Dilma reconheceu tácita e explicitamente ao anunciar que os meios usados até então para controlar a economia haviam se esgotado e ao alterar significativamente a política econômica, apostando por austeridade e cortes (de gastos, de investimentos, de direitos).
Aulas de inglês, por favor! Mais educação, Dilma!;-)
O petismo - que é incapaz de entender que não é uma religião, pese ter seus religiosos - foi incapaz até hoje de entender que dar o pão num dia não escraviza o indivíduo, não o obriga a, no dia seguinte, sem o pão, a seguir o (a) líder.

Em outras palavras, ser beneficiário dos programas sociais do governo ou mesmo ter, de uma forma ou de outra, se beneficiado do petismo, ascendido socialmente (mesmo que de maneira cosmética, como tem se provado em muitos casos, ou através de pesado endividamento) não significa apoio automático ou eterno. O petismo não consegue lidar com o que considera ingratidão. Se faz de ferido e, como um cão acuado, ataca por instinto.

Uma pessoa comentou comigo no Twitter que era óbvio que o protesto do dia 15 seria maior que do dia 13 porque o primeiro era num domingo, quando as pessoas não trabalham... Oras, então porque a CUT marcou protesto para a sexta e não para o sábado? Era para ter esta desculpa esfarrapada na manga caso não pudesse pagar gente suficiente e alugar ônibus suficiente para levar pessoas para seus protestos?

E, no fim, não percebe que apenas cria uma brecha ainda maior, jogando mais combustível (que está caro, aliás) na fogueira da "venezuelização" do país.


Não, o PT não é o único culpado, pese ser, talvez, o maior. 

Setores da direita souberam aproveitar o sentimento de frustração e fazer a bolha estourar. A questão é que muitos desses movimentos não conquistaram corações e mentes de quem está na rua, mas tão somente conseguiram canalizar a insatisfação com a ajuda da incapacidade do PT de dialogar e reconhecer seus erros.

A superioridade com que petistas tratam qualquer um que discorde, como se fossem apenas uma "massa cheirosa" se aliou à uma recém-(re)descoberta da capacidade da direita de canalizar a despolitização revoltada.
Sim, tem uma suástica à esquerda da faixa maior.
O petismo perdeu o chão

Outro dos artifícios mais comuns do petismo em sua capacidade de enxergar a realidade é a de atacar a mídia. Ela seria golpista. Não posso negar a afirmação, sem dúvida a mídia é parte importante no processo de crise social, tem incitado protestos contra o governo e se mostrado muitas vezes oposição (para ser um importante aliado na hora de justificar cortes e políticas neoliberais ou mesmo repressão), mas a reação petista é apenas a de atacar a mídia com slogans ultrapassados e "tuitadas" enquanto acham a Record comandada pela IURD o máximo da revolução e sem em momento algum questionar o óbvio: QUEM financia a mídia? Oras, em geral o PT através do governo federal.

Ou seja, as "armas" do petismo para a crise são desqualificar a oposição de todas as formas e apontar o dedo para a mídia que eles próprios financiam. Não há como sair da crise assim, pelo contrário.

Comentaram comigo no Twitter que o PT sempre teve "feeling" pra protesto, pra entender as ruas... Sem dúvida, no passado. Hoje não mais. Junho deixou claro que o PT esqueceu o que era militar, esqueceu o que era ir pras ruas com o perigo de apanhar da polícia, oras, o PT ofereceu até Força Nacional para brutalizar as ruas!

Não, o PT perdeu seu feeling, se burocratizou, colocou coleira nos movimentos sociais que aceitaram ser cooptados e passaram a agir sob seu comando, com alguns poucos ensaios de rebeldia, mas em geral agindo sempre como mandava a direção, achatando a base, despolitizando a base. O preço está sendo pago agora e pode ser um preço alto.
Sim, o protesto é difuso.
Prognósticos imediatos: Ódio e revolta

É difícil saber o que sairá dos protestos de domingo. Não apenas as pautas são difusas, como não propõem nada. Em Junho havia um conjunto de pautas objetivas em torno do Passe Livre, do fim da violência contra as ruas, da defesa dos direitos humanos e etc, mas e o Domingo?
Comparem a média de idade das pessoas nos protestos pelo impeachment, nos protestos pró-governo e nos protestos contra a tarifa (que iniciaram as jornadas de junho).
Fica evidente que a juventude, que fez explodir as ruas em junho, não é mais maioria esmagadora nas ruas.
Isso porque os protestos do dia 13 e 15 não são nada mais que uma reação conservadora ao choque que a política institucional sofreu em junho.
Há ódio e revolta contra Dilma (não cabe a mim dizer se correto ou incorreto), há um "fora Dilma" ensaiado, mas o que se propõe? Se a ideia é tumultuar o congresso, criar um fato para dificultar a vida do PT, oras, a realidade é esta, não era preciso nenhum protesto. Se a tese é derrubar a Dilma, bem, convençam o PMDB, depende dele e duvido que na atual situação queiram assumir a bucha.

Enfim, há revolta, há despolitização (mas não reduzamos a isso), há ódio... Mas não há pautas efetivas. Não há a bandeira da reforma política, nem de uma completa reformulação do congresso, sequer há revolta efetiva contra o congresso. O alvo é o PT que pese ter imensa responsabilidade na crise atual, não é nem de longe o único culpado.



Mas e agora?

Não sei. Com toda honestidade eu não faço ideia do passo a ser dado (ao menos pelo PT).

O governo petista acabou. Safatle chegou a comentar em artigo que a Nova República havia acabado junto, o companheiro Marcelo Castañeda disse no Facebook que os protestos de sexta e domingo encerravam o ciclo de Junho. Mas a única certeza é que algo precisa mudar.

O fato é que o PT está nas cordas e querer continuar brigando como se isso fosse resolver simplesmente não funciona. Ridicularizar protesto contrário, "xingar muito no twitter" ou mesmo manter a soberba são a receita perfeita para se dar mal. 

O PT está pagando por ter adotado a agenda do PSDB. Está pagando por ter se aliado e dado forças aos evangélicos fundamentalistas, por ter feito um governo que abusou diariamente dos direitos humanos dando voz e espaço para o preconceito e o fundamentalismo (mesmo vocalizado pela própria presidente e sua declaração de que não faria "propaganda de opção sexual") e especialmente por ter cooptado e desmobilizado movimentos sociais os usando como correia de transmissão de suas políticas em geral contrárias aos interesses destes mesmos movimentos.

O problema é que o PT paga, mas nós pagamos também.

Não acredito que Dilma sofrerá um impeachment mais pelo PMDB dificilmente querer assumi o filho do que por boa vontade - e também é mais proveitoso sugar o quanto puderem de um governo vencido e desacreditado -, mas é fato que o governo foi derrotado e acabou antes de começar. Apenas sobrevive aos trancos e barrancos.
Vamos fingir que acreditamos na manifestação do dia 13?
Então vamos lá: qual resposta do governo às (poucas) cobranças e às (tímidas) críticas feitas pelos movimentos aliados?
Nenhuma. Já pra de hoje, a resposta veio antes até do fim dos protestos.
Ridícula essa 'esquerda' que lambe botas de quem nem lhes dá atenção. Afinal, quem não se valoriza, não tem significância mesmo...
O papel da esquerda

Fica a lição e a tarefa para a esquerda que não quer superar o PT: SUPEREM. E rápido. Proponham algo novo, proponham alternativas, busquem se aproximar das ruas e dos movimentos e criar algo novo. Passou da hora da esquerda desmamar. O PT NÃO fará autocrítica, não irá magicamente abrir mão de 12 anos de direitização, aceitem de uma vez por todas.

As ruas ainda podem ser conquistadas, ainda há espaço para mediações. Ou ao menos eu espero que haja. O ódio está crescendo, mas talvez ainda não seja tarde. Mas assusta, sem dúvida é assustador ver cartazes exigindo golpe, volta dos militares ou com suásticas. É assustador ver o nível da despolitização de muitos ou da politização radicalizada e fascista de outros.
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sexta-feira, 13 de março de 2015

Nem dia 13, nem dia 15, chega de falsa polarização!

Ato em defesa da Petrobrás nada mais é que um ato em defesa do PT e, por consequência, de seu "direito" de dilapidar a empresa porque, claro, com o PSDB seria pior.

E acreditando nisso (ou sendo financiado para acreditar) movimentos como MST, MAB (?), CUT, UNE, dentre outros, se mobilizaram para ir às ruas defender a Petrobrás (sic). Trata-se da mais explícita defesa das ações do PT não apenas na empresa, mas das ações criminosas do partido contra o país, como corte de direitos trabalhistas, cortes na educação e desmandos sem fim.

O governo Dilma chegou ao limite mal tendo começado seu segundo mandato. Isolado no congresso, repudiado pelos mesmos aliados que escolheu e deu poder (e verba), e acuado busca nas ruas dar uma resposta aos críticos - pese o PT ter "oficialmente" se desmarcado dos protestos.

Das duas uma, ou o governo por debaixo dos panos move as engrenagens de movimentos cooptados para protestar por si e demonstrar suposta força (que não tem), ou movimentos cooptados resolveram à revelia da direção mostrar esta mesma força em solidariedade. Em ambos os casos, é um tiro no pé.

Chegamos ao ponto do surrealismo do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) apoiar manifestação pró-PT. O MST que tem sido tratado como lixo apoia o PT e usa sua base como figurantes para sustentar Katia Abreu e o latifúndio. A UNE se apresenta para apoiar o governo que cortou bilhões da educação e que deixa bolsistas perigarem passar fome e a CUT, a organização pelega por excelência, sai às ruas para defender o governo que cortou direitos trabalhistas e previdenciários e que adotou política econômica que aumentará o desemprego.

Se isto não é surreal, nada mais é.

Remoções forçadas para grandes obras, criminalização de todo tipo de manifestação aos gritos de VAI PM por parte da "militância que cada dia mais se transforma em seita, corrupção endêmica, estelionato eleitoral descarado e reconhecido, aliança com o que há de pior na política nacional, medievalização e retrocessos grotescos nos direitos humanos, crescimento do agronegócio (transgênicos, agrotóxicos, desmatamento e todo o pacote), continuidade do genocídio de negros nas favelas (mas em troca de algumas cotas movimentos se calam e seguem adiante no apoio), privatização de estradas, aeroportos e mesmo de parte da Petrobrás e do pré-sal... Este é um resumo rápido das realizações de Dilma e do PT nos últimos anos.
Os capos do Governo Federal e do PT querem nos impor esta nova chantagem / armadilha: nos defendam, mais uma vez, das ratazanas e dos porcos que nós alimentamos ao longo desses 12 anos, confundindo-se conosco (como se fôssemos a mesma coisa) para "salvar a Democracia e a Esquerda do país".
Ora, quem vem fortalecendo políticos fascistas e uma sociedade cada vez mais fascista ao longo dos últimos anos é o Governo Federal comandado pelo PT... Quantos Bilhões entraram nos cofres da Rede Globo de Televisão, ao longo dos últimos anos, esta Rede de Televisão que hoje articula e comanda o Golpismo do Impeachment da Extrema-Direita?! Agora nos digam quanto foi investido e fortalecido em meios de comunicação, jornais, revistas, TVs ou rádios verdadeiramente populares e comunitárias?!
Vamos agora sair às ruas para defendê-los, Mandatários do PT et caterva, nos confundindo mais uma vez com vocês, para vocês seguirem governando com os Joaquim Levys, Temers, Renans, Cunhas, Sarneys, Marinhos, Kassabs, Kátias, Andres Sanchez e companhia?! Até quando acham que podem fazer esta chantagem e este jogo perverso com o nosso povo, e os nossos anseios legítimos - sempre deixados em segundo plano por vocês?!


E, ainda assim, há movimentos que bancam tudo isso e gritam que a direita quer derrubar o governo de esquerda. A triste verdade é que a esquerda foi derrotada pelo próprio PT, na verdade, sequer chegou ao poder.

Este protesto hoje, dia 13, "em defesa da Petrobrás", ou na verdade em defesa descarada do PT é simplesmente vergonhoso. Envergonha a história da esquerda brasileira e deveria envergonhar seus participantes. Ou, mais ainda, poderia significar uma virada da esquerda, demonstrar de vez a necessidade dos movimentos não-cooptados de se unir buscando alternativas.

Nada disto, porém, justifica ou dá razão ao outro protesto convocado para o dia 15. Não vou dizer "convocado pela direita" porque no fim o protesto de hoje também é a defesa da direita, de políticas de direita que seriam aplicadas, por exemplo, por Aécio, caso tivesse sido eleito.

O que temos são dois protestos (ou duas convocações de protesto) de direita. Em defesa de políticas e políticos de direita. Tampouco diria que se trata, no dia 15, de uma manifestação "golpista". Impeachment não é golpe, não importa o quanto gritem os petistas. Collor não foi vítima de golpe e não importa que hoje ele seja melhor amigo do PT, a história não será reescrita para caber nos devaneios dessa turma.

Mas o protesto do dia 15, no entanto, é um balaio de gatos perigoso. De apoiadores de Eduardo Jorge a neofascistas e integralistas. De PSDB a Revoltados Online, um caldo que vai da direita "light" à mais extremada direita que pede (esta sim) golpe e volta dos militares.

Antes de mais nada, o conteúdo "light" exigido pela "direita" é ridículo. Impeachment. Para que? Para Temer assumir? O que mudará? Não passa de demonstração de força de grupelhos radicalizados com apoio de um PSDB ferido querendo se vingar do PT, mesmo que não chegue ao poder graças à esta manobra.

É igualmente um protesto vergonhoso. E, bom lembrar, protestos CONTRA o PT pedindo impeachment apenas FORTALECEM o PT. A inteligência daqueles que odeiam o PT é realmente artigo em falta.

E a polarização - pelos motivos colocados acima - é falsa. E, pior ainda, acaba jogando pra debaixo do tapete problemas reais do país, o fato de que tanto PT quanto PSDB se beneficiaram e se beneficiam da corrupção da Petrobrás, como o PSDB se beneficia da corrupção do Cartel Tucano no metrô, como o PT se beneficiou do Mensalão, como todos os partidos satélites igualmente tem se beneficiado... E, claro, cria artificialmente diferenças ideológicas e práticas entre PT e PSDB que efetivamente não existem.

PT e PSDB ativamente defendem a repressão de movimentos populares que saem às ruas, ambos partidos fecham os olhos (quando não incentivam) chacinas e assassinatos contra pobres e negros, ambos privilegiam o agronegócio, privilegiam os bancos, o capital financeiro, desprezam educação pública... Sair às ruas dia 13 ou dia 15 significa a mesma coisa: A defesa de políticas de austeridade, da direita, de políticas contra a população.

Nem 13, Nem 15, Nem 45! Nem PT, nem PMDB, nem PSDB!
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segunda-feira, 9 de março de 2015

Panelaço contra pronunciamento da Dilma, um fato novo?

Brasília, São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Curitiba... Em várias cidades do país gritos, panelaço, buzinas e muito xingamento durante o discurso (mentiroso, obviamente) de Dilma no dia 8 de março.

Coordenado ou não (alguns falam em coordenação via Whatsapp, o que é uma forte possibilidade, ou de incentivo via twitter durante o pronunciamento via tag #vaiaDilma), o "protesto" nas salas e sacadas de várias cidades brasileiras denuncia uma radicalização visível de setores sociais diversos. Obviamente não se pode medir o alcance de tal protesto, mas as redes sociais foram inundadas com comentários (descartando os gritos de GOLPE e de FORA DILMA) sobre o fato e vídeos com os gritos e afins.

E digo que pouco importa se coordenado ou não porque o fato político é o protesto em si. Claro que seu peso (e periculosidade) seria maior caso fosse espontâneo, o que é pouco provável, mas de qualquer forma, o "protesto" é ou foi uma realidade.

Trata-se de um protesto contra uma pronunciamento na TV. Sem dúvida todos conhecemos casos de quem acaba revoltado e xinga a TV em algum momento, mesmo um discurso de políticos, mas a coordenação desse protesto quase virtual prenuncia algo diferente. E por "coordenação" neste caso não falo em um ou vários líderes, mas sim na sincronicidade do ato.

É preocupante para o PT, pese também sê-lo para o país. É um clima de polarização tremendo em meio à tentativas (supostas, mas que preocupam mesmo petistas destacados) do PT se aproximar com o PSDB, de partidos envolvidos até o pescoço na lama (e no STF)...

Obviamente não é o fim do mundo, nem prenúncio de um GOLPE ou coisa do tipo, não podemos ou devemos supervalorizar o fato, mas também é impossível descartar como se fosse apenas o "grito da elite", algo repetido muitas vezes pelo eleitorado petista sempre que busca deslegitimar qualquer oposição.

Primeiro, MESMO que se tratasse da elite, na política e na democracia a elite também vota, também tem espaço e direito a se manifestar (mesmo que discordemos de tudo nesse pacote democrático), e segundo, não há como afirmar que efetivamente se tratou exclusivamente da elite. Quem afirma tal coisa está apenas mentindo ou num wishful thinking bestial.

Essa radicalização é péssima, pois o ódio não constrói, apenas cria trincheiras. E quem fica no meio termo - que por exemplo seja contrário ao PT/Dilma no poder, mas não defende golpe - acaba sendo pego no fogo cruzado, inviabilizando qualquer tipo de discussão política séria e proveitosa.

É a política do futebol, você grita "chupa" de sua varanda quando o time que você detesta toma gol, se esgoela de ódio quando seu time é derrotado... Política como arquibancada, sem conteúdo, apenas com "paixão".

Mas, enfim, é um fato político, uma novidade no cenário político polarizado brasileiro em que todas as possíveis saídas parecem ruins. Seus desdobramentos ainda serão sentidos, fiquemos de olho. A certeza imediata, porém, é de que o clima político no país está insuportável e a corda está no limite. Como ela vai romper não sabemos, mas ela irá romper.

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Atualização:

O machismo usado nos ataques à Dilma é lamentável, mas é igualmente lamentável que este fato novo seja tratado apenas como isso, como "machismo", como expressão de elite e ponto. É uma tentativa torpe de diminuir sua relativa importância e novidade. Como sempre, tenta-se desqualificar a crítica de imediato, sem pesar as consequências.

Reparem na posição generalizada dos blogs e sites ligados ao PT: Machismo, Golpe, Elite... Não há o menor esforço em se analisar o porque do protesto, do fato novo. Nada. Apenas a eterna busca dos petistas pela desqualificação, por negar a realidade, por negar o mundo que os cerca.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Encruzilhadas do PT e responsabilidades do PSDB: De mãos dadas com a direita e com porrete na esquerda

Retomo mais uma vez o tema da "readequação conservadora" enquanto aponto as responsabilidades do PT por esta retomada direitista e mesmo florescimento da agenda e dos discursos fascistas motivado não apenas para assustadora manifestação pró-Golpe militar na Avenida Paulista (cuja convocatória no Facebook passava das 100 mil almas perdidas confirmadas, pese entre 1000-2500 terem aparecido), mas também pelo discurso raivoso e de ódio que alguns petistas e agregados tem promovido mesmo após a vitória, além do discurso de "abafa" promovido por outros.

É sabido que a esquerda apoiou criticamente (uns mais, outros menos) Dilma apenas para barrar o PSDB, o "mal maior" na visão de muitos. Esperavam os inocentes e incautos que fosse possível uma guinada à esquerda de Dilma e do PT, enquanto outros, mais espertos e pé no chão esperavam apenas barrar o PSDB para logo voltarem às ruas e à oposição.

Mas ambos, penso eu, esperavam ao menos uma mínima autocrítica por parte da militância petista, um arrefecimento do fanatismo desmedido e muitas vezes fascista (não era incomum ver governistas ensaiando um "VAI PM" enquanto militantes de esquerda eram brutalizados nas ruas pós-Junho). Esta autocrítica, porém, não virá.


A tosquice pós-eleitoral

A chamada Veja Governista (A Carta Capital, não o Brasil 247, que responde pela mesma alcunha) e seus jornalistas imediatamente saíram ou em defesa da "governabilidade", ou simplesmente resolveram combater o ódio com mais ódio.

Cynara Menezes, também conhecida pelos íntimos como Alucynara, imediatamente pôs-se ao trabalho atacando o eleitorado do PSDB. O que melhor para combater o ódio do que incitá-lo?

Eu tenho profundo horror ao PSDB e a tudo que ele representa, mas daí a atacar todo e qualquer eleitor do partido (até porque tenho vários amigos que preferiram votar no Aécio por centenas de razões diferentes e tenho por eles o maior respeito) vai uma distância imensa.

Na mesma leva há o Lino Bocchini (a quem respeito e nutro admiração, mas que entrou no jogo sujo de cabeça) que usou seu espaço na revista para dar um cala boca na esquerda e justificar previamente um possível ministério para o Kassab. O argumento é simples: Obrigado esquerda, já usamos vocês, agora caladinhos que temos de governar (com a direita, claro).

Ninguém à esquerda pode, porém, declarar ignorância ou surpresa. Depois de 4 anos de um governo que flertou com o fascismo não seriam diferentes as primeiras reações da linha de frente do governismo. Dou apenas estes dois exemplos porque circularam amplamente pelas redes, mas outros não faltam em perfis governistas que já se preparam para justificar tudo e qualquer coisa, ou melhor, para continuar a justificar qualquer coisa.

Este artigo do Lino, aliás, é o perfeito exemplo do que alerto há muito tempo, de que o combate ao "mal maior" no fim acaba sendo promotor deste mesmo mal. Como comentei no Facebook:
O governismo é um câncer. Durante as eleições era crime se recusar a votar n PT. Oras, anular seria despolitizado e ajudaria o Aécio, como se magicamente votos nulos virassem votos no PSDB. A chantagem e até as ameaças dominavam.
Dilma pagou de esquerda, atraiu incautos e inocentes que caíram no papo mole após 4 anos de um governo que chegou a flertar com o fascismo.
Agora, mais 4 anos garantidos Dilma e o PT não precisam mais sequer fingir ser de esquerda. Quem votou criticamente faça o favor de voltar pro lado de cá da trincheira e quem votou ACREDITANDO em uma mudança, por favor, cresça. Depois venha pra trincheira.
Mais uma vez tenho a certeza de que acertei ao me recusar a participar dessa farsa.
E meu comentário foi como complemento a outro impecável do Bruno Cava, do qual copio trecho:
O texto chega a culpar o leitor, por ter votado mal pra deputado e senador.
Diferente de quem entrou na campanha pra voltar às ruas no-dia-seguinte, conclui friamente que "o caminho passa por um debate político diário, maduro e que precisa ser feito à luz da realidade".
Da realidade, crianças, não de seus sonhos, ruas, lutas, pequenos partidos ou movimentos. Da realidade: o Michel Temer, o Kassab, a Kátia Abreu.
Reclamar disso virou "mimimi despolitizado".
Foi escrito por um dos editores.
A Carta Capital corre seriamente o risco de se tornar um panfleto governista.
São dois exemplos (Lino e Alucynara) que ajudam a exemplificar que quando falamos de "ódio", este vem tanto da extrema-direita (e sim, de alguns ou mesmo muitos eleitores do PSDB) quanto da ex-querda (muitos alinhados oficial ou extra-oficialmente com o PT). Os discursos são os mesmos: Há um golpe em curso, quem não apoia o PT integralmente é "tucanalha e golpista", o PSOL é de direita, os "black bostas" são "tucanalhas", a mídia é malvada (pese ser financiada pelo PT), o judiciário/STF  é malvado (pese a maioria absoluta do STF ter sido nomeada pelo PT)...

Eleição vencida, o discurso é o mesmo.

O Pablo Ortellado fez um comentário importante:
Manifestação anti-Dilma ultraconservadora cheia de gente na Paulista. É bom assimilarmos a novidade e reagirmos rápido à ascensão poíltica dos conservadores. Não se trata mais de eleição, mas de domínio do discurso público -- o que em outros tempos chamaríamos de disputa por hegemonia. Estamos caminhando muito rapidamente para um cenário sombrio dominado por esses profetas do ódio.
Mas não é tão simples a contra-mobilização. Junho foi um levante de esquerda que, pese infiltrado aqui ou ali por elementos de direita ou mesmo classe média sofre, impôs pautas que foram sumariamente ignoradas pelo PT.  Por outro lado fica a questão: O que fazer, se quando a esquerda se mobiliza nas ruas é o PT que manda dar porrada ou se limita a aplaudir e oferecer tropas?

Como escrevi para o Amalgama, o petismo é também culpado por esse descaramento da extrema-direita.

E não, "reforma política" sem qualquer debate e através de um plebiscito não tem nada a ver com o que pediam as ruas, não passa de uma desculpa péssima e interessada do PT para fingir que escutou alguém.

Como esperar que a esquerda se levante contra a extrema-direita golpista se quando a esquerda se manifestou foi o próprio PT o primeiro a querer acabar com a festa?

E o PSDB?

Vimos setores absolutamente fascistas tentarem ocupar as ruas após as eleições. Ainda que apenas em São Paulo a manifestação pela volta à Ditadura tenha juntado mais de 100 pessoas, é preocupante.

Me recordo alguns anos atrás de ter gravado e fotografado manifestações da extrema-direita (E de ser ameaçado, claro). Pequenas, residuais, carregadas de ódio, de integralistas, nazistas, carecas e fascistas. Uma ou outra, porém, contava com o que podemos compreender como uma classe média raivosa. Mas sempre pequenas, quase residuais.

Esta não. Tomou corpo, junto pelo menos 2 mil pessoas. É assustador. Mais ainda porque sabemos que há muito mais gente que pensa (?) daquela forma.

E esta direita não saiu da toca de graça. Se é verdade que o PT tem responsabilidade na exacerbação do ódio pré e pós eleitoral pelas várias razões que dei neste e em outros artigos, o PSDB não deixa de ter sua imensa parte no bolo.

É verdade que setores amplos da extrema-direita passaram a apoiar o PSDB/Aécio apenas como forma de derrotar o PT, ou seja, não era em si por proximidade ideológica, mas na base do combate ao inimigo comum (oras, o que explica gente que bradava contra o Bolsa Família, vulgo Bolsa Esmola para esta gente, apoiar o PSDB que claramente defendia a manutenção do programa - e de outros?), porém o PSDB em momento algum buscou se desmarcar destes grupos e setores.

Pelo contrário, os alimentou.

A campanha suja não veio apenas do PT e de sua "militância" fanatizada, mas muito veio também das hostes tucanas nas redes e nas ruas. Veio dos tucanos orgânicos e dos tucanos de ocasião. Caberia ao PSDB deixar claro seu rechaço a estes setores, mas não o fez, pelo contrário, fez questão de usá-los.

Fez questão também de impor uma agenda francamente conservadora, como a defesa da redução da maioridade penal, algo que cai como uma luva para atiçar o discurso mais fascista possível, anti pobres, anti negros, francamente racista e reacionário.

E não nos esqueçamos, Coronel Telhada é tucano. Ele, assim como outros são a fina flor do fascismo e em momento algum foram desautorizados pelo PSDB pelas suas declarações por vezes criminosas. Se por um lado o PT tem um Stanley, o PSDB tem sua Deborah Albuquerque Chlaem. E nenhum dos lados se moveu para desautorizar ou desmentir o que relincham falam em seu nome. São coniventes.

Por mais que seja legítimo - pese desesperado - da parte do PSDB exigir auditoria das urnas, tal pedido gera consequências, dentre elas a de incentivar setores fascistas e golpistas a reclamar de fraude e ganhar força. E o PSDB sabe disso, se aproveita disso.É responsável, como o PT, pelo clima de guerra no país.

Como bem comentou o Samuel Braun:
O movimento reaça se baseia numa falsa dicotomia, ele existe não por afirmação, mas por negação, sua identidade se baseia na sua obsessão, o PT e o que supõe que ele representa. O fato de muitos malucos projetarem suas fantasias num outro ente não faz deste ente o que eles pensam que ele seja. O fato de acharem o PT comunista, socialista, de esquerda, não prova nada quanto a ele ser alguma destas coisas. Só prova que "meia dúzia de muitos" pirados pensa assim. Assumir isso como parâmetro de verdade é fazer côro, indiretamente, com esses desmiolados. Mesmo que pra supostamente se opor a eles.
Defender o governismo como antagônico a essa esquizofrenia reacionária é legitimar a esquizofrenia. O oposto de reacionário não é conservador, ok? Existirem direitaços como Lobão e companhia não faz de Maluff, Katia Abreu, Vacarezza, Mercadante, Afif Domingos et caterva de esquerda não, beleza?
Enfim, não podemos falar de surgimento da extrema-direita, mas sim, podemos dizer que esta saiu do armário de vez. Perdeu o medo e foi até mesmo incitada (analiso mais profundamente este fenômeno aqui). Da mesma forma que o congresso passou por uma readequação conservadora, estes perderam completamente a vergonha. O problema nem é, em si, este, mas que qualquer reação poderá ser criminalizada e brutalizada pelo partido que se diz de esquerda no poder, como aconteceu em Junho.

A esquerda encontra-se em uma encruzilhada difícil de superar, e o PT mais ainda. Para a esquerda, porém, a superação da encruzilhada passa por superar também o PT.

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Uma nota final: Os fascistas que tomaram um pedaço da paulista tem horror à democracia porque perderam, mas se aproveitam da existência da democracia para poder exigir seu fim... Não é irônico, é tosco.
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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ciclovias da Discórdia: Entre a necessidade e o autoritarismo

Sobre a reclamação de comerciantes e moradores de SP em relação às ciclovias eu dou razão a eles em algumas questões. Parece mesmo que a prefeitura não avisou ninguém e nem deu alternativas, por exemplo, pra carga e descarga das lojas da região. A comunicação do Haddad é péssima.

E não só, há uma dose significativa de autoritarismo na questão, algo absolutamente típico do PT e mesmo de setores da esquerda. "Se é bom então vamos impor"! Não é bem assim.

Declarações de Haddad na base do "Eu acho que eles vão vender mais" são burras, além de baseadas em achismo e não em fatos ou estudos que seriam interessantes de se fazer e divulgar, além do erro de dizer que TODOS são "conservadores" e "ranzinzas".

Não, alguns tem bons argumentos, sendo o principal deles a absoluta falta de diálogo. O autoritarismo.
"A reclamação foi de que eles vem durante a madrugada e pintam a rua, sem mais nem menos. Para o munícipe, fica parecendo uma traição, uma grosseria por parte do prefeito. Não há nenhum diálogo"
Acho também importante pensar que comércios onde costuma-se estacionar na frente podem sim ser prejudicados pelas ciclovias. Sem lugar pra estacionar muitos podem preferir ir a outros lugares, como shoppings, e não às lojas de rua que já sofrem, aliás, com a concorrência destes outros estabelecimentos.

Mas para aqui minha concordância com os amantes de carros. Eu defendo a implantação de ciclovias, mas não apenas para ganhar o apoio de certos movimentos sociais e sim embasado em estudos e no respeito à todos na cidade que devem ser incluídos no debate (incluir não significa acatar, mas ouvir e dialogar).

Eu não dou a mínima se a Zona Azul será reduzida ou mesmo se o espaço para carros diminuirá, e acho que a prefeitura acerta em, de certa maneira, forçar o uso do transporte público fechando o cerco aos carros, mas mesmo isto deve ser feito com base em diálogo, mesmo que, como comentei, a prefeitura se limite a ouvir o que os críticos tem a dizer sem que isto pare o processo. No fim a prefeitura poderá afirmar que sim, escutou a todos, mas pensou no melhor para a maioria - e é verdade.

Mas pelo que vemos, não é isto que acontece.

Mas, se não me preocupo com a redução de vagas, a prefeitura precisa se preocupar se esta redução vier a prejudicar o comerciante pequeno de rua. Onde as vagas terão de ser reduzidas? Não onde prejudique efetivamente quem não tem nada a ver com a história.

Sim, São Paulo é "carrocêntrica", e mesmo concordando que é preciso um "empurrão" para se mudar a cultura, ela não mudará da noite pro dia e os transtornos devem ser minimizados, os prós e contras dialogados e alternativas devem ser dadas. Carga e descarga, transporte de idosos, estacionamento de pequenos comércios, são assuntos na pauta de muitos dos críticos que a prefeitura ainda não foi capaz de responder. E precisa.
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terça-feira, 29 de julho de 2014

A legitimidade e os legitimadores da violência estatal

É impressionante como as pessoas tem dentro delas um mecanismo de legitimação da violência estatal.

Se é o Estado que agride então é legítimo. Reclamar não pode e, se puder, só vale gritar enquanto apanha.

Reagir é crime. Estou longe de me alinhar automaticamente à tática Black Bloc ou de negar minhas infinitas críticas a seu uso - já deixei claro que defendo o uso da tática em termos defensivos e em casos específicos -, mas me impressiona o repúdio que pessoas ditas intelectuais expressam pelo seu uso.

Não faltam palavras para qualificar o absurdo e o horror que é pessoas se organizarem para se defender do Estado, mas faltam palavras para condenar uma polícia armada até os dentes, que assassina milhares de pessoas nas favelas e que, no asfalto, se contenta "apenas" em cegar jornalistas e brutalizar quem passar pela frente.

Temos 23 perseguidos políticos no Rio, temos o Fabio Hideki, temos o Rafael Braga e centenas, quiçá milhares de outros exemplos de pessoas presas - em geral pretas e pobres - ou mortas pela polícia sem direito à defesa. Atacados com armas letais ou "menos letais" e frente a tudo isso devemos nos limitar a gritar enquanto apanhamos ou a buscar as estruturas do mesmo Estado que criminaliza.

Mas reagir? Jamais.

E as razões desses críticos não são na base do "reagir com violência é burro porque atrairia uma resposta maior do Estado e não temos condições de vencê-lo no jogo da violência", que até faz sentido, mas sim no jogo do respeito à instituições falidas.

Realmente eu não entendo.

Por vezes estas pessoas me soam como legitimadoras da violência estatal. Se arrepiam ao imaginar um coquetel molotov, mas não vêem nada demais com balas de borracha. O Estado, dizem eles, pode. alguns até dizem que tem o dever de agir contra "arruaceiros" e "vândalos".

Claro, há os que se revoltam com a violência do Estado, mas se juntam ao coro dos protofascistas para dizer que devemos apenas e unicamente recorrer ao mesmo Estado esperando sentados pela cega e perdida justiça.

No fim isto apenas legitima a violência do Estado, ao encará-la como normal, como parte do jogo, ao passo que a reação é criminalizada. E este tipo de legitimação serve a quem?
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sábado, 19 de julho de 2014

Os "exemplos" do PTMDB: #PresosdaCopa deveriam pedir asilo

Via "Seja um manifestante, fique rico"
Os 23 ameaçados de prisão novamente tem que pedir asilo em embaixadas/consulados. Países escandinavos, Suiça, Uruguai... Não dá pra aceitar a situação. Esse processo é claramente político, conhecendo a "justiça" brasileira eles podem passar 10 anos presos por nada. Eu já teria pedido asilo e dedicaria minha vida a denunciar esse governo do PTMDB.

Não, não é exagero. Esses 23, assim como o Luswarghi e o Hideki são os "exemplos" que o PTMDB querem mostrar pra sociedade, pra quem luta. Quem ainda não reparou no perigo, acorde. Seu direito, nosso direito de protestar está por um fio.

E apenas PAREM de ficar divulgando cartinhas oportunistas de PT, LindBleargh, Juventude do PT (manipulada, canalha, demente). Estes são os MANDANTES dessas prisões políticas e que agora querem capitalizar porque sentiram que passaram do limite.

Passaram do limite na visão mesmo de simpatizantes, o que não quer dizer que irão recuar ou mudar de métodos. Irão apenas investir em propaganda - o que estão fazendo, buscando atingir os inocentes - e azeitar a máquina. Questionem quem realmente manda, Cardozo, Dilma e cia, e se irão recuar. Beltrame, Pezão, Cabral, Paes e toda a turma de canalhas aliados não irão recuar.

A criminalização tende a crescer. Ela foi a grande responsável pela diminuição do tamanho dos protestos durante a Copa (aliado ao efeito conhecido do futebol enquanto anestesiador popular, vide 1970) e não há indícios de que cederá.
Os 23 com prisão decretada pela Justiça são: Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a "Sininho", Luiz Carlos Rendeiro Junior, o "Game Over", Gabriel da Silva Marinho, Karlayne Moraes de Souza Pinheiro, Eloysa Samy Santiago, Igor Mendes da Silva, Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, Igor Pereira D'Icaray, Drean Moraes de Moura Corrêa, Shirlene Feitoza da Fonseca, Leonardo Fortini Baroni, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, Rafael Rêgo Barros Caruso, Filipe Proença de Carvalho Moraes,Pedro  Guilherme Mascarenhas Freire, Pedro Brandão Maia, Bruno de Souza Vieira Machado, André de Castro Sanchez Basseres, Joseane Maria de Souza e Rebeca Martins de Souza. Além de Caio Silva Rangel e Fabio Raposo Barbosa
Já não tínhamos uma normalidade democrática, agora temos a total insegurança, as perseguições e daí tende a piorar. Estes 23 (dentre outros muito) lutaram, contribuíram com a luta popular e com a resistência, mas é hora de saber quando fugir. Não há vergonha alguma em chegar até seu limite e se recusar a perder metade da vida em uma cadeia apenas por ter lutado por seus direitos. Há outras formas de lutar, mesmo longe.

Foram décadas lutando contra a Ditadura, contra os exílios, prisões políticas e torturas... Voltamos (voltaremos) ao passado?
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