sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Serra e a Bolinha: De Factóides a Atentados contra a Democracia

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A farsa da bolinha de papel foi rápida e facilmente desmascarada e, quem pela grande mídia. SBT e Record gravaram o momento em que serra é atingido por uma perigosa e terrível bola de papel, olha pra baixo, passa a mão na cabeça e continua andando. 20 minutos depois recebe um telefonema, provavelmente avisando que a Globo iria fingir que não tinha gravado a cena e que era uma boa forma de se fazer de coitado.

Não contaram com os outros meios de comunicação para desmascarar a verdade.

Ao ver sua mentira desmascarada, a campanha de Serra rapidamente inventou que não foi um, mas foram dois ataques terríveis e cruéis contra o vampiro careca. Claro, se alguém gravasse uma segunda bolinha de papel não há dúvida de que acusariam um terceiro, quarto ou quinto ataque.

Lamentável.

Aliás, a gravação que apareceu depois, de péssima qualidade e feita por um celular muito bem poderia ter sido feita por um membro do PSDB, após o telefonema recebido por Serra. Notem como, no vídeo, o suposto momento exato da agressão não foi gravado.Caprichosamente o foco sai do Serra e retorna apenas quando ele, teatralmente, finge ter sido atingido.


Pra piorar, Serra, depois da ligação, Serra ainda coloca a mão do lado errado da cabeça, do lado que a bolinha não bateu - levando em conta que uma bolinha de papel dificilmente seria razão para uma tomografia e pra toda aquela cena.

Aliás, sequer podemos ter certeza de quem lançou a bolinha de papel, se petista ou mesmo um tucano que nem tinha intenções de acertar o Serra.

Via Nota de Rodapé:
Reportagem do SBT se opõe a da Rede Globo. Segundo a assessoria de José Serra, um “pesado objeto” o atingiu em passeata na Zona Oeste do Rio. E teria sido atirado por militantes do PT. Mas, como mostra o vídeo abaixo, se não era uma pedra e nem um rolo de adevisos, o que era? Uma bolinha de papel com peso eleitoral. As imagens, a meu ver, me parecem bem fidedignas de que nada pesado foi jogado no tucano. O presidente Lula comparou Serra ao goleiro Rojas (em alusão ao goleiro chileno Roberto Rojas que fingiu ser atingido por um morteiro em uma partida contra o Brasil) e disse que agressão é 'mentira descarada'. "A mentira que foi produzida ontem pela equipe de publicidade do candidato José Serra é uma coisa vergonhosa. Ontem deveria ser conhecido como dia da farsa, dia da mentira", disse Lula, após inaugurar um estaleiro em Rio Grande (RS). Como não poderia ser diferente, a história virou febre no twitter, com as hastags #boladepapelfacts e o #serrarojas liderando os trendtopics (espécie de ranking dos assuntos mais comentados). Já não é a primeira e nem a segunda vez que o tucano faz manobras marketeiras de impacto para impressionar negativamente o eleitor. 
Que José Serra é um mentiroso inconsequente todos sabemos, mas temos de ter duas coisas em mente:

Em primeiro lugar, o enfrentamento não interessa à Dilma, não interessa ao PT e nem à esquerda. Num momento de crescimento visível de Dilma, perder as estribeiras e atacar a militância tucana, por mais que vontade não falte, ou mesmo razões, não contribúi para a campanha e apenas ajuda o Serra a montar sua imagem de vítima.

Serra vem tentando chorar em cada debate, tenta fingir-se de pobre coitado que veio da lama para espancar professores governar o Brasil e agora fará o possível pra se mostrar vítima. Não importa do que, se da militância petista, de dossiês, de bolinhas de papel.... Serra na verdade é vítima de apenas uma coisa: dele mesmo.
E em segundo lugar, bolinha de papel ou não, Serra foi agredido. Óbvio que não podemos falar de uma agressão terrível, vil e etc, porque uma bolinha de papel está longe de ser uma afronta digna de resposta, mas o mesmo tempo é certo que não podemos tolerar que se jogue nem papel nem uma pedra, por mais que haja vontade e motivos.
Dilma também foi agredida quando, no mesmo dia, quase foi atingida por balões cheios de água jogados de um prédio. E no caso dela poderia ser ainda pior, pois dependendo da altura os balões cheios teriam ganho um peso grande.

Que se debata, que se dispute idéias, mas sem atacar os candidatos, sem violência. Uma coisa é a militância entre si se desentender, até mesmo brigar, outra é tentar atacar um candidato. Isto é atacar a própria democracia.

Da mesma forma que a tentativa torpe e inconsequênte de Serra, ao fingir ser atingido, é, também, um atentado contra a democracia.

Mas, enfim, Serra é patético, isto ficou definitivamente claro depois da bolinha de papel que rendeu tomografia provavelmente falsa e munição para campanha.


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