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segunda-feira, 1 de abril de 2013
Não existe democracia sem respeito aos direitos humanos, sem memória #DesarquivandoBR
Passaram-se mais de 20 anos desde a chama re-democratização do país. No entanto, nunca estivemos mais longe de uma democracia séria e real e de respeito mínimo aos direitos humanos.
Não existe democracia sem respeito aos direitos humanos, sem memória sem respeito às minorias, aos diferentes, aos demais. Democracia não é apenas votar, não é apenas eleger e ser eleito, mas é parte de todo o processo de convivência dentro de um Estado, dentro de uma cidade, uma região, uma escola, um emprego...
Democracia é o respeito pleno aos direitos, à cultura, à educação, e à saúde e o direito de todos terem voz e decidirem por si mesmos e enquanto grupo/coletivo seu futuro.
Foram mais de 20 anos desde o fim da Ditadura, mas não temos nada disso.
Em grande parte porque não fomos capazes de aprender com a Ditadura, de conhecer a Ditadura e o que ela representou. Não conhecemos seus segredos, não homenageamos nossos mortos, aqueles que tombaram resistindo bravamente, podendo nomear seus algozes, ou melhor, com a sociedade podendo nomear seus algozes e condenar seus algozes.
Tudo é segredo, portas fechadas, arquivos trancados. Mesmo a Comissão Nacional da Verdade (CNV), que com seus poderes limitados e com todas as tentativas governamentais de esvaziá-la, mantém seus segredos, procura afastar o povo de suas sessões que deveriam ser públicas.
O que temem? Sabemos o que temem os militares assassinos e seus comparsas. Sabemos o que temem políticos eleitos cujo passado está ligado á Ditadura. Sabemos o que temem empresários e civis envolvidos com mortes e torturas. Mas o que teme o partido do poder? O que temem estes que se dizem de esquerda mesmo sem sê-lo, que renegam seu passado ou o usam como propaganda para, uma vez no poder, se aliar com seus algozes? E o que temem alguns dos membros da CNV ao querer fechá-la ao público?
Aqueles culpados temem a verdade - sem dúvida não temem a cadeia, pois não será este seu destino, infelizmente - mas o que temem os que deveriam ser inocentes?
São décadas de decisões secretas, de portas trancadas, mas de masmorras sempre prontas a receber novos combatentes e de militares e civis sempre prontos a quebrar, matar e... lucrar.
E continua.
A sociedade não evoluiu nestes 20 anos. Continuamos matando, torturando e morrendo. A polícia continua a aterrorizar, a perseguir, permanece como um aparelho repressor e assustador dos poderosos que hoje não mais vestem fardas, mas se valem das fardas para manter o controle. Outros se valem do medo, o mesmo medo tão familiar no passado. Medo enquanto mercadoria, vendido junto a toalhinhas ungidas e tijolinhos da prosperidade em templos suntuosos feitos para mesmerizar as massas.
Continuamos com medo, continuamos massacrados, continuamos sem nossos direitos básicos.
Continuamos sem memória. Não aprendemos com o passado, pois não o conhecemos.
Tudo que podemos fazer hoje é gritar, é sair às ruas. Mas saímos pouco. Gritamos muito, é verdade, mas para ouvidos moucos. E até que decidam não mais permitir gritar.
O que faremos então?
Não revisamos nosso passado, não vivemos nosso presente, jamais entenderemos nosso futuro.
Estamos fadados a apenas repetir.
Esse post faz parte da VII Blogagem Coletiva #DesarquivandoBR
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:44
Não existe democracia sem respeito aos direitos humanos, sem memória #DesarquivandoBR
2013-04-01T10:44:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Batismo de Sangue e Anistia: Quando iremos respeitar quem morreu por nós? #DesarquivandoBR
"São noites de silêncio
Vozes que clamam num espaço infinito
Um silêncio do homem e um silêncio de Deus."
Frei Tito
O filme é excelente. Uma biografia de um dos períodos mais conturbados e violentos de nossa história, carregado de emoção, que mostra o assassinato de um dos grandes heróis do país, Carlos Marighella, e as torturas que sofreram alguns freis que combatiam ao seu lado e de um modo particular. Dentre os presos e torturados, Frei Betto, que escapou das torturas físicas nas mãos de Fleury por ser sobrinho de um General - mas não escapou da tortura psicológica, da prisão e de ver seus amigos e sonhos desmoronarem.
Mas o personagem principal do filme é, incontestavelmente, Frei Tito de Alencar Lima, ou só Frei Tito.
Nordestino, pobre, mas valente na luta e na resistência, foi quebrado aos poucos pelas torturas, pelo pau de arara, pela cadeira do dragão, pela humilhação e pela desesperança. Foi vítima da tortura física e psicológica e, por fim, não conseguiu continuar com sua vida, cercado pelos fantasmas da ditadura, se sentindo perseguido até que, por fim, se suicidou na França, ao não suportar mais sofrer e reviver seu passado de dor.
Não foi fraco, longe disso, sobreviveu às torturas, foi libertado da cadeia em uma troca de prisioneiros, mas não queria deixar seu país. Não morreu apenas devido aos fantasmas, mas devido à distância de sua pátria, da distância de seus amigos e companheiros. Não resistiu viver longe da terra pela qual derramou seu sangue e dedicou sua vida.
Frei Tito é um exemplo de luta, de resistência e de dedicação e merece ser sempre lembrado, assim como seus companheiros que tombaram na luta e os que, hoje, se mantém fiéis aos seus ideais, que não se venderam ou venderam sua luta apenas pelo poder, mas não pelo povo. Não podemos comparar a luta destes heróis com quem, hoje, é consultor de megainvestidores internacionais, com quem abandonou suas bandeiras e ideologia apenas para se manter no poder a qualquer custo.
Estes, que hoje são exemplos de tudo aquilo pelo qual Tito e outros lutaram CONTRA, sujam a história dos verdadeiros resistentes, que preferiram morrer a viver longe de sua pátria ou a vender sua ideologia ou que simplesmente morreram sob tortura ou executados por bandidos a mando do Estado.
E são estes, que traíram sua causa, seus companheiros e sua história que, hoje, estão no poder e se recusam a acatar a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que está completando DOIS ANOS de inadimplência sem que o governo demonstre a intenção de cumpri-la e nem a OEA de aplicar medidas punitivas.
A decisão trata da Guerrilha do Araguaia - da qual nenhum dos principais retratados pelo filme participou -, mas é emblemático. O fim da Lei da Anistia e o julgamento dos criminosos responsáveis pelo Araguaia abriria as portas para que os responsáveis pela tortura de Tito e tantos outros fossem igualmente ulgados e presos.
São pessoas que estão no poder, que TEM o poder para fazer cumprir as decisões da OEA, de usar seu poder e pressão política para facilitar a revogação da Lei da Anistia e de punir torturadores e colaboradores do regime ditatorial em respeito, honra e justiça à memória de seus ex-companheiros, mas que preferem fazer o contrário, não apenas calar sobre a decisão, mas se aliar carnalmente com os algozes do passado.
Nossa luta é por justiça e pela preservação da memória. Para que se conheça, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.
Esta postagem faz parte da sexta Blogagem Coletiva #desarquivandoBR
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Batismo de Sangue e Anistia: Quando iremos respeitar quem morreu por nós? #DesarquivandoBR
2012-11-26T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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