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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Desconstriuindo argumentos: PEC 33, mas pode chamar de golpismo.

"O senador Renan Calheiros pode pedir a prisão dos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Toffoli porque atentam contra o Poder Legislativo. Porque atentaram contra a Constituição. Podemos chamar as Forças Armadas para proteger o Poder." Fonteles, Nazareno (PT-PI), autor da PEC33 do golpe contra o STF.
A PEC33 é flagrantemente inconstitucional, um golpe.

E não há discussão. Basta ver a gama de fanáticos  (não, não estou falando aqui só da Bancada Teocrata) que a está apoiando, como PHA, @Eduguim e tantos outros que fazem dessa PEC um projeto pessoal de vingança contra o STF por ter condenado Dirceu, Genoíno e cia (retomarei este ponto mais pra frente)...
Em outras palavras, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 33/11 é um verdadeiro golpe contra o judiciário, fruto apenas do desejo de vingança por parte do PT (pelo mensalão) e de seus aliados da Bancada Teocrática (que não aceita os avanços promovidos pelo STF em relação aos direitos LGBTs e das mulheres), com apoio entusiasmado do PSDB (para quem a Constituição sempre foi um detalhe, vide a reeleição fraudulenta de FHC), é uma tentativa de neutralizar o STF, intervindo no judiciário.

Trata-se de uma iniciativa que visa forçar que decisões do STF em relação a súmulas vinculantes, e declarações de inconstitucionalidade a emendas à Constituição propostas pelo Congresso passem por ele mesmo. Ou seja, o Congresso promove uma alteração inconstitucional, o STF barra e o mesmo Congresso passa por cima, dizendo que quem decide é ele.

Além disso, a PEC ainda propõe uma alteração ao quórum necessário para aprovar decisões no STF; não mais 7 de 11 votos, mas 9 de 11. Ou seja, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) só será aprovada por 9x2! Isto se o presidente votar, o que nem sempre faz, aí teríamos 9x1!

A proposta foi apresentada pelo PT (Nazareno Fonteles) e relatada por um teocrata do PSDB (João Campos).
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Fiz uma análise da PEC para o Correio da Cidadania, vale a leitura.
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Mas deixei passar alguns detalhes que merecem comentários, assim como não posso deixar de comentar o lamentável artigo do Azenha no Vi o Mundo, aderindo ao golpismo contra o STF.

Em primeiro lugar, vamos deixar algo claro: Quem nomeou a maioria dos ministros do STF foi o PT. Ou seja, o PT é o último partido a ter algum direito a reclamar de um suposto "ativismo judiciário" por parte do STF.
“Se o STF é ~ golpista ~ a) o PT é golpista b) o PT escolhe não sabe escolher Ministro do STF não venha reclamar” via @ladyrasta
É a mesma desculpa com a mídia, a quem acusam de golpismo. O PT sustenta a mídia!

Ou seja, o PT financia seus supostos inimigos, até nomeia seus supostos inimigos e depois quer mudar as regras do jogo, quer dar um golpe na democracia passando por cima da constituição. Não seria mais fácil aprender a fazer política ao invés de implodí-la?

Algo que me tinha passado despercebido no texto da PEC33 é que, caso o STF considere uma PEC aprovada pelo congresso inconstitucional, esta voltaria ao congresso que então submeteria a consulta popular. Em outras palavras, o congresso iria perguntar ao povo se acha que algo é ou não constitucional! Estou esperando o Congresso aprovar a Cura Gay (aparentemente o aliado do PT, Marco Feliciano, está trabalhando nisso), a redução da maioridade penal, a pena de morte e outros temas lindos para passar por cima do STF e pedir ao povo que escolha a melhor opção.

Vamos começar a perguntar ao povo se devemos aprovar a pena de morte ou se devemos matar gays na rua se forem muito afeminados? Oras, é inconstitucional, mas não é o povo quem decide?

Quanto às alegações de governistas de que o "STF não tem voto", oras, o STF é indicado pelo executivo (eleito) e passa pelo crivo do senado (eleito). Seguindo esse raciocínio todo parlamentarismo (onde o Premier é indicado indiretamente pelos parlamentares eleitos) seria ilegal de início! E se vamos falar em não "tem voto", devemos abolir logo o judiciário, ou juízes são eleitos pelo povo? Talvez o judiciário esteja indevidamente se metendo na vida das pessoas, condenando-as por seus crimes!

Mas o foco é o STF, que condenou os "companheiros".

É um raciocínio semelhante que podemos fazer com os que defende a diminuição da maioridade penal no conforto de suas vidas de classe média: Se o filho deles for o assassino dá-se um jeitinho, que o diga Eike Batista. Quem vai preso é o pobre.

A indigência intelectual dos apoiadores desta PEC, aliada ao fanatismo e desejo de vingança, junto com a grande oportunidade vista pelos evangélicos revoltados com direitos LGBT's, células tronco e aborto de bebês anencéfalos, pode resultar em um golpe catastrófico para o país. Acaba-se a separação de poderes e as garantias constitucionais.



Outro argumento muito usado pelos fanáticos é a de que o STF estaria "intervindo" indevidamente no legislativo, como no caso da suspensão do projeto de lei que visa unicamente prejudicar a Marina e facilitar a eleição de Dilma. Oras, o STF não interviu magicamente suspendendo a discussão do projeto, ele foi PROVOCADO pelo legislativo, ou seja, é preciso que membro(s) do legislativo se manifestem e PEÇAM ao STF para intervir. Em outras palavras, não há nenhuma intervenção indevida e sim intervenção requerida.
Alguém por gentileza avise o Senador Renan Calheiros que propostas de emendas constitucionais tendentes a abolir cláusulas pétreas podem ter sua tramitação suspensa e, ao final, nulificada pelo STF (por analogia, também projetos de lei) tendo em vista que a Constituição diz que NÃO TRAMITARÁ projeto tendente a abolir cláusulas pétreas consoante disposto no artigo 60, §4º, da Constituição Federal, donde, caso esteja sendo deliberado algo do gênero, a consequência lógica é o poder-dever do STF suspender e depois nulificar essa tramitação...
Acredito que seja necessário tecer alguns comentários sobre o lamentável artigo do Azenha com reproduções de comentários do Nazareno Fonteles, o autor da PEC33.
Na Folha, por exemplo, a colunista Eliane Cantanhêde especulou que ele teria tramado uma dupla retaliação: contra a condenação dos réus do mensalão e a aprovação da união gay pelo STF.
Fonteles informou ao Viomundo que a PEC 33 tem dois anos de idade, ou seja, começou a tramitar muito antes das decisões mais recentes do STF.
Ou seja, a PEC que em outra situação seria descartada como projeto pessoal de um maluco golpista, acabou ganhando a atenção e apoio da Bancada Teocrata (o relator da PEC é o João Campos, do PSDB e líder da Bancada Teocrata) e dos governistas fanáticos que viram nela uma forma de se vingar do STF depois do Mensalão.

O projeto não foi *criado* como vingança pelo Mensalão, mas é usado hoje desta forma por petistas e seus apoiadores.

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Mas antes de mais nada é preciso situar o leitor, quem é Nazareno Fonteles?

Esta figura obscura é um deputado pelo Piauí que tem histórico de apresentar projetos esdrúxulos e, católico conservador, é próximo da Bancada Teocrática/Evangélica do Congresso, não surpreende que seu projeto tenha sido relatado pelo João Campos, líder de tal bancada - que em qualquer país sério seria abolida, assim como a presença de "pastores" no parlamento -, à revelia mesmo do PSDB, partido de Campos.

Outro projeto genial de Nazareno Fonteles é a "Poupança Fraterna":
O projeto de Nazareno estipulava o “limite máximo de consumo”.
Isto mesmo, na Democracia Nazarena você só poderia consumir o máximo estipulado pela Lei.
Segundo o Projeto Nazareno, “O Limite Máximo de Consumo fica definido como dez vezes o valor da renda per capita nacional, mensal, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em relação ao ano anterior”.
O “Limite Máximo de Consumo” é valor máximo que cada pessoa física residente no País poderá utilizar, mensalmente, para custear sua vida e as de seus dependentes.
O restante vai para uma caderneta de poupança apelidada de Poupança Fraterna
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Voltamos.

Reparem na virulência das declarações de alguns governistas, o claro tom de revanche contra o Mensalão. Quanto aos teocratas, "justiça" nunca foi algo que tenham buscado, quanto mais livres para cometer estelionato, melhor.

E a aliança de teocratas com o PT não surpreende. As classes mais baixas, mais sujeitas ao controle por  parte dos teocratas neopentecostais, tem tido uma certa ascensão social com o PT, ou seja, maior capacidade de engordar os cofres das seitas evangélicas, ao passo que o PT tem se submetido aos teocratas em diversos momentos, com significativos retrocessos na questão LGBT - que o STF tem combatido.
Ele admite, porém, que a PEC nasceu de uma tentativa de frear invasão do Judiciário nas atribuições do Congresso.
“O Judiciário está violando a Constituição e invadindo a função legislativa já há muitos anos”, afirmou.
Citou exemplos: fidelidade partidária, verticalização das eleições, número de vereadores, cotas, células tronco embrionárias, aborto de anencéfalos, união homoafetiva, royalties do petróleo e PEC dos precatórios.
Felizmente o STF se meteu em questões como as do aborto de anencéfalos, união homoafetiva, células tronco e etc, que foram deixadas de lado pelo governo, aliado aos teocratas. Felizmente o STF conseguiu promover direitos humanos enquanto o Congresso e o Governo promovem o atraso, remoções forçadas, medievalismo e genocídio indígena.

E exatamente porque o STF "se meteu" em assuntos de direitos humanos que o Nazareno Fonteles se insurgiu.

O Congresso ABDICOU de tratar de diversos assuntos, quando não propôs recuos vergonhosos em diversos temas. Frente a um congresso/governo omisso e por vezes retrógrado, felizmente o STF se mostrou presente (não que o STF seja o paraíso do progresso, também errou diversas vezes e cometeu excessos).
Mas, o que busca a PEC 33? Aumentar de seis para nove o número de votos necessários (entre onze ministros) para que o STF tome decisões sobre inconstitucionalidade, emendas constitucionais e súmulas vinculantes.
Praticamente a unanimidade dos juízes.
No caso de súmulas vinculantes, o Congresso teria 90 dias para analisar a decisão do STF; se discordar, a súmula do STF se mantém mas deixa de ser vinculante, ou seja, deixa de ser imposta a tribunais inferiores.
Quanto às súmulas em si, há muito debate entre juristas sobre sua validade, eficácia e eficiência. Ou seja, deve ficar entre juristas a questão e não nas mãos de um congresso homofóbico e interessado em ampliar seu poder a qualquer custo.
No caso de emenda constitucional, a decisão do STF seria analisada pelo Congresso por um prazo máximo de 90 dias; em caso de discórdia, a decisão seria levada a consulta popular.
Como comentei, passa ao povo a decisão sobre constitucionalidade de matérias. Imaginem só que lindo será. Sem falar me todo o processo para a consulta acontecer.
Reagindo, o deputado disse que isso demonstra “como o Senado tem sido negligente com um ministro desses, que tem a esposa trabalhando no escritório do [advogado] Sergio Bermudes”, numa referência à possibilidade de cassação de Gilmar Mendes.
Se o governo está insatisfeito com ministros que o executivo indicou (ainda que o Mendes tenha sido indicação anterior ao PT) e que o Senado referendou, façam uma seleção melhor no futuro ou mesmo usem a maioria no senado para cassá-lo. Mas tornar o STF um penduricalho inútil não é solução.
Fonteles disse que a PEC é uma forma de coibir a “ferocidade autoritária, quase fascista do Judiciário”, ao invadir a função legislativa.
Vindo de membro de governo que apóia genocídio indígena, remoções forçadas, que se nega a dialogar com movimentos sociais e trabalhadores, privatista e aliado de teocratas, é no mínimo ridículo falar em autoritarismo ou fascismo. A ferocidade autoritária com que o governo privatiza e criminaliza lutas, ao ponto de espionar trabalhadores e opositores, não deixa brecha para que esta acusação seja usada por nenhum petista.
Sobre a sugestão da colunista Cantanhêde de que, como “deputado cristão”, ele estaria se insurgindo contra decisões vistas como progressistas do STF — células tronco, aborto de anencéfalos e união homoafetiva, por exemplo –, o deputado disse que o STF é “um poder de origem monárquica”, que serve ao interesse conservador mas usa algumas de suas decisões para se apresentar como “moderno”.
Ao invés de explicar porque se insurgiu contra o STF preparando um golpe o deputado preferiu atacar as origens do STF. Realmente não esconde que sua intenção é acabar ou neutralizar com o órgão. Ao contrário do PT, o STF (lembre-se que a maioria dos ministros foi nomeada pelo PT) é conservador e toma decisões progressistas, já o PT paga de progressista, mas é absolutamente conservador.
Segundo o deputado, o STF decidiu sobre o uso de células tronco em pesquisas mas até hoje não se manifestou sobre os transgênicos, porque “mexe com os interesses da Monsanto”, a gigantesca transnacional do agronegócio.
Monsanto? A mesma para a qual o Vaccarezza (ex-líder do PT) trabalha e prepara projetos? Com a PEC do PT o STF não irá nem tratar da Monsanto, cujos interesses são ligados aos do PT e de seus aliados do agronegócio como Katia Abreu, e nem irá tratar sobre células tronco, já que os aliados tipo Marco Feliciano não deixam.
O STF, segundo o petista, funciona em função das “bancas ricas de advogados, que só os ricos podem bancar”.
Por isso Dilma nomeou o advogado do PT, Toffoli, pro STF? Pobres poderiam bancar os advogados de Dirceu e cia?
“Agora quer holofote? Vai atrás de voto, larga a magistratura, vai ser candidato, funda um partido e não se aproveite de uma conjuntura em que a mídia oligárquica que nós temos em boa parte deste país faz, junto com o Supremo, uma espécie de braço político auxiliar da oposição, que foi derrotada nas urnas”.
O ódio estampado nesta frase resume tudo.

O PT, enfim, está tentando dar um golpe no STF, não há o que acrescentar e não há outro raciocínio.

Ao invés de, por exemplo, DEMOCRATIZAR o judiciário, como fez Cristina Kirchner, o PT tenta moldar o STF para neutralizá-lo e facilitar que projetos inconstitucionais, retirada de direitos e vulnerações dos direitos humanos passem sem maiores problemas.
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Do outro lado, a cruzada evangélica conta com a simpatia de outros parlamentares, que também não gostaram muito de algumas decisões do Supremo. É o caso, por exemplo, das regras de fidelidade partidária, que a CCJ aprovou por unanimidade o relatório sobre a admissibilidade da PEC o STF deu seu parecer acerca do tema, o que causou certo desconforto em alguns. “O Judiciário tem legislado com frequência e isso não pode acontecer, é algo que fere o equilíbrio entre os Poderes”, diz o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), autor da proposta.

Atualmente, a Constituição permite que Congresso tenha poder de sustar atos normativos do Executivo, quando forem considerados fora de sua atribuição normativa, mas não prevê o mesmo em relação ao Judiciário. Fonteles afirma que essa "lacuna" cria uma situação de desigualdade entre os Poderes. “O que o Supremo tem feito é interpretar a Constituição contra a própria Constituição. Se o STF legisla, ele fere a cláusula pétrea que impõe a separação entre os Poderes e, sem dúvida, coloca em risco o Legislativo”, afirma.
Como se pode ouvir na entrevista do Nazareno Fonteles linkada no Vi o Mundo, e no destaque acima, de 2012, as intenções por trás desta PEC são as piores possíveis.

E em uma entrevista Nazareno Fonteles deu a seguinte declaração:
Ele (Supremo) está defendendo interesses da minoria da oposição política, que foi derrotada nas urnas e foi derrotada no Congresso. E que fica tentando usar o Judiciário como seu braço auxiliar na política para derrotar a maioria. Se isso vira a moda, que é o que está acontecendo, como é que fica o estado democrático de direito.
O STF foi nomeado pelo PT e o PT quer derrubá-lo através de um golpe. Só isso precisa ser dito.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Não existe democracia sem respeito aos direitos humanos, sem memória #DesarquivandoBR


Passaram-se mais de 20 anos desde a chama re-democratização do país. No entanto, nunca estivemos mais longe de uma democracia séria e real e de respeito mínimo aos direitos humanos.

Não existe democracia sem respeito aos direitos humanos, sem memória sem respeito às minorias, aos diferentes, aos demais. Democracia não é apenas votar, não é apenas eleger e ser eleito, mas é parte de todo o processo de convivência dentro de um Estado, dentro de uma cidade, uma região, uma escola, um emprego...

Democracia é o respeito pleno aos direitos, à cultura, à educação, e à saúde e o direito de todos terem voz e decidirem por si mesmos e enquanto grupo/coletivo seu futuro.

Foram mais de 20 anos desde o fim da Ditadura, mas não temos nada disso.

Em grande parte porque não fomos capazes de aprender com a Ditadura, de conhecer a Ditadura e o que ela representou. Não conhecemos seus segredos, não homenageamos nossos mortos, aqueles que tombaram resistindo bravamente, podendo nomear seus algozes, ou melhor, com a sociedade podendo nomear seus algozes e condenar seus algozes.

Tudo é segredo, portas fechadas, arquivos trancados. Mesmo a Comissão Nacional da Verdade (CNV), que com seus poderes limitados e com todas as tentativas governamentais de esvaziá-la, mantém seus segredos, procura afastar o povo de suas sessões que deveriam ser públicas.

O que temem? Sabemos o que temem os militares assassinos e seus comparsas. Sabemos o que temem políticos eleitos cujo passado está ligado á Ditadura. Sabemos o que temem empresários e civis envolvidos com mortes e torturas. Mas o que teme o partido do poder? O que temem estes que se dizem de esquerda mesmo sem sê-lo, que renegam seu passado ou o usam como propaganda para, uma vez no poder, se aliar com seus algozes? E o que temem alguns dos membros da CNV ao querer fechá-la ao público?

Aqueles culpados temem a verdade - sem dúvida não temem a cadeia, pois não será este seu destino, infelizmente - mas o que temem os que deveriam ser inocentes?

São décadas de decisões secretas, de portas trancadas, mas de masmorras sempre prontas a receber novos combatentes e de militares e civis sempre prontos a quebrar, matar e... lucrar.

E continua.

A sociedade não evoluiu nestes 20 anos. Continuamos matando, torturando e morrendo. A polícia continua a aterrorizar, a perseguir, permanece como um aparelho repressor e assustador dos poderosos que hoje não mais vestem fardas, mas se valem das fardas para manter o controle. Outros se valem do medo, o mesmo medo tão familiar no passado. Medo enquanto mercadoria, vendido junto a toalhinhas ungidas e tijolinhos da prosperidade em templos suntuosos feitos para mesmerizar as massas.

Continuamos com medo, continuamos massacrados, continuamos sem nossos direitos básicos.

Continuamos sem memória. Não aprendemos com o passado, pois não o conhecemos.

Tudo que podemos fazer hoje é gritar, é sair às ruas. Mas saímos pouco. Gritamos muito, é verdade, mas para ouvidos moucos. E até que decidam não mais permitir gritar.

O que faremos então?

Não revisamos nosso passado, não vivemos nosso presente, jamais entenderemos nosso futuro.

Estamos fadados a apenas repetir.

Esse post faz parte da VII Blogagem Coletiva #DesarquivandoBR
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domingo, 31 de março de 2013

Alerta de laicidade nacional ameaçada: Malafaia e a eleição na Assembleia de Deus

Guest-post de Maurício Oliveira:

Eleição ao cargo mais alto das Assembleias de Deus no país pode aprofundar a onda conservadora e representar uma real ameaça à laicidade do estado e dar ainda mais visibilidade e poder a pastores como Silas Malafaia e Marco Feliciano

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quinta-feira, 28 de março de 2013

"Me sinto realizado, democracia é isso" Feliciano, Marco. Aliado do PT.

Não faz diferença se o Feliciano cair e assumir uma "profeta" ou qualquer outro bandido/estelionatário/racista/homofóbico do PSC.

E o PSC é dono da presidência da CDH, o PT garante isso. O líder do PT deixou claro - líder que é o famoso deputado a ter assessor com dinheiro na cueca e é irmão do bandido condenado, Genoíno.

E não veremos protestos contra o PT, contra Dilma, os verdadeiros responsáveis por essa palhaçada toda. Pelo contrário. Temos uma infinidade de fanáticos blindando (ou tentando porcamente) o PT e sua líder (Dilma) assumidamente homofóbica.

Ao mesmo tempo temos a CCJ aprovando PEC para igrejas terem direito a se meter em assuntos constitucionais. Nenhum grito aí, numa comissão presidida pelo PT e que conta com os bandidos condenados Genoíno e JP Cunha nela. É o escárnio do PT com o povo e com a justiça, com o STF que ELES MESMOS NOMEARAM!

O país está a deriva. Economia não cresce (PIBinho), empresários lucram como nunca, Dilma privatiza tudo que vê pela frente, continuamos com TODOS os serviços e produtos caros, feitos nas coxas...

Não temos educação, não temos qualidade de vida, segurança, saúde...

Mas o país está maravilhoso.

É o que vemos nas propagandas do governo e é o que ouvimos dos milhares de fanáticos pagos ou não pelo PT.

Tem índio levando porrada no Rio? Oras, tem fanático pra aplaudir e dizer que são de "extrema-direita".

DIlma mandou a Força Nacional, a PF e o Exército pra garantir mais uma UHE no Tapajós e dar porrada e até matar os Mundukurus que resolverem protestar.

No Mato Grosso os Guarani-Kaiowá são genocidados pelos ALIADOS do PT e nada é feito.

O país tá na merda, mas povo tem emprego (pra ganhar salário mínimo), mas povo tem ProUni (pra estudar na Uniban), mas povo tá consumindo (produtos mais caros do mundo, tudo acima de qualquer preço aceitável, de qualidade duvidosa) e povo tá morando em favelas com esgoto a céu aberto ou jogados em prédiso e casas do Minha Casa, Minha vida sucateados, sem transporte, sem qualidade alguma.

Mas foda-se, VIVA O PT! Viva DILMA! E viva a teocracia que vem se instalando e o país da classe média conservadora, sem educação, sem saneamento....

Eu tenho MUITO medo do que este país está virando e do que ele vai virar. Sim, medo. Receio, pavor, enorme preocupação.

De quantos mais serão expulsos, espcancados, criminalizados e mortos para a Copa, para as Olimpíadas. De quanto mais será roubado, de quantos hospitais mais serão sucateados, de quantos professores serão humilhados, de quantos indígenas serão mortos e terão suas terras roubadas, de quantos LGBTs serão desprezados (e mortos), de quantos sem-terra mais serão mortos e a reforma agrária abandonada, de quantas mulheres morrerão em abortos clandestinos, de quantxs...

E de quanta força mais o PT irá precisar reunir (aliados, favores, corrupção, entregas, negociatas) para conseguir continuar com seus planos de poder a todo custo.

Brasil, país rico é pais sem pobres, sem índios, sem gays "incômodos", sem Estado Laico, sem direitos humanos.

"Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição"
Buarque, Chico
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Postado originalmente no Facebook, com alterações.
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segunda-feira, 11 de março de 2013

A esquerda continua não precisando aprender nada com os evangélicos

Escrevi ha exatamente um ano, no Amálgama, o texto "A esquerda não deve aprender nada com os evangélicos", como resposta a um texto do militante petista [ele não é militante, como o próprio me informou, perdão pelo equívoco] @Senshosp e, após todo este tempo, não mudo uma única vírgula, mas me sinto na obrigação de ampliar algumas ideias e o debate.

Eu disse então:
A esquerda não prega “salvação”, e nem diz ser caminho fácil. E uma ampla parte da direita pode ser nociva, mas não é a TFP ou a Opus Dei. É preciso ainda lembrar da quase neutralização da Teologia da Libertação que, pese críticas, era um movimento mais aberto e que, mesmo com preconceitos, buscava dialogar e não impor sua vontade.Ainda que religioso, ligado à Igreja, era um respiro que possibilitava o diálogo. O marginal da fé diz que basta rezar e… pronto. Paraíso terreno e além.
Ao invés de combater isso, cobrando impostos e legislando, o governo preferiu se aliar/perpetuar a farra dessa corja. O crescimento dela não se deve só a seus feitos, mas à inação de governo após governo e, agora, à aliança do governo com esses tipos. É óbvio que o crescimento vertiginoso dessas igrejas caça-níquel não se deve ao PT, mas tem sido ajudado, agora, pela clara aliança e troca de favores que existe.
No momento em que Marco Feliciano assume a presidência da Comissão de Direitos Humanos com apoio, via omissão, da direção do PT - que tinha "outros projetos" e cujos militantes acham que "questões comportamentais" não são importante - e que Malafaia passa a ser estrela desfilando homofobia - contando com o apoio, por exemplo, também via omissão, de Paulo Paim, relator do PLC 122, é preciso rediscutir o papel das seitas neopentecostais que professam a "Teologia da Prosperidade" - e incluo aí Malafaia e Feliciano, que são da Assembléia de Deus, em tese, Pentecostais e não NEO pentecostais - e também o papel do partido do e no poder, o PT, que não apenas se aliou, como deu forças a estes grupelhos radicais e, de fato, deixou de ser esquerda há muito tempo, adotando uma agenda tucana de privatizações e compensações deixando apenas migalhas aos pobres e, muitas vezes, migalhas de qualidade duvidosa (vide UniEsquinas, por exemplo).

A esquerda não deve, mantenho, aprender NADA com os Evangélicos, a não ser aprender a não copia-los, ou seja, aprender a não cometerem crimes como estelionato, curandeirismo e semelhantes. E repito, quando me refiro a "evangélicos", não generalizo todas as dezenas (centenas?) de denominações tradicionais, como Batistas, Calvinistas, Luteranos que, apesar de merecerem críticas tanto por discursos deslocados e conservadores quanto por não reagirem à invasão neopentecostal, são sérias e não tem o estelionato como prática cotidiana e única base de sustentação.

Basta observar, por exemplo, o abaixo assinado de uma rede evangélica que reúne igrejas tradicionais e pentecostais que se opõem ao fanático Feliciano. É preciso separar as NEOpentecostais acrescidas das dissidências da Assembléia de Deus (Feliciano, Malafaia...) das demais.

É óbvio que, retomando o texto original, a esquerda não deve aprender nada com os evangélicos, mas deve sim aprender com suas próprias falhas e erros, sair do mundinho hermético da linguagem marxista-acadêmica, das brigas de diretórios e chegar efetivamente no povo, no movimento social e CONQUISTAR estas pessoas com um discurso coerente e possível.

Não adianta chegar para quem tem fome e dizer que na Revolução tudo será resolvido. A revolução não virá amanhã e nem depois, logo, o discurso acaba frouxo, deslocado e não é atrativo. E é aí que os evangélicos ganham a jogada: Oferecem o "sucesso" rápido. Seja material, afetivo, psicológico (em geral material, o que levaria ao resto), eles oferecem um pacote de maravilhas desde que você siga certas "regrinhas" que, descontextualizadas e interpretadas da forma mais conveniente ao pastor, apóstolo, profeta ou bispo(a), acabam por combinar com preconceitos emraizados e até adormecidos ou "domesticados" e está feita a desgraça, está conquistado o "fiel" desesperado por melhoras em suas condições e disposto a aceitar/dar tudo pelo "sucesso", pela "vitória em Cristo"!

Compreender, porém, como se dá a "conquista" no campo evangélico é difernete de dizer que devemos copiar ou mesmo aprender com eles, pelo contrário, devemos ter um discurso e um conjunto de práticas estruturadas para COMBATER este discurso e, ao menos tempo, renovar o nosso.

Voltando ao "presente", vejam qualquer vídeo de Feliciano e seu "Stanley comunista e nazista" ou Malafaia querendo "funicar" alguém, ou Bispos, Bispas, Apóstolos e profetas de seitas maiores ou menores prometendo curar tetraplégicos, cegos, surdos e doentes de todos os tipos com apenas uma simbólica doação de mil reais, ou através da compra de uma "toalhinha ungida" ou de um tijolo de plástico por 500 reais.

E não tem problema se você não tiver dinheiro, basta pagar parcelado ou, para os mais corajosos, ENTREGAR o cartão de crédito ao honesto pastor (mas não esqueça de dar a senha!).

Parece engraçado - não deixa de ser - mas são perigosos.

Buscam especialmente entre as camadas mais pobres da população por aquele sem desespero, em situação financeira ou psicológica complicada, vulneráveis. E com o crescimento do poder aquisitivo da população - que não vem acompanhado de educação de qualidade, cultura, lazer e etc - os Marginais da Fé, pastores caça-dízimo, encontraram terreno fértil e propício para lucrar.
Estamos falando de, talvez, 20% da população – não há ainda dados conclusivos divulgados pelo IBGE que sustente esse número. E estes 20% têm pautado os demais 80%. Temos tido retrocessos gigantescos em áreas onde 20% dita as regras contra o resto da população e contra outras minorias igualmente significativas. Dilma mente ao dizer que governa para todos, quando na verdade vemos claramente que governa para e comandada por uma minoria em detrimento do resto da população. E dizer que “o brasileiro médio é conservador” não justifica recuos que contrariam as noções mais básicas de direitos humanos, marco sob o qual devem ser fundadas todas as relações humanas e entre o Estado e seus cidadãos.
Conseguiram uma população altamente consumista via investimentos estatais, mas ainda vulnerável social e psicologicamente às suas investidas. Não são 300 reais que alterarão a condição social e de classe e, muito menos, os fatores psicológicos que os levam à "necessidade" de buscar refúgio no obsurantismo neopentecostal.

É óbvio que o discurso neopentecostal dos Marginais da Fé não vem do nada, ele se alimenta dos preconceitos da própria sociedade, mas o potencializa, canaliza, dá forma a um ódio abstrato, por vezes guardado e apenas liberado em expressões populares, dizeres, mas que apesar de terem efeito imediato em alimentar o preconceito, tem alcance limitado em termos práticos, como na alteração de políticas públicas ou, como com Dilma, na aniquilação de políticas até consagradas, como no combate a AIDS junto à população LGBT.

O abandono do PNDH3, os recuos vergonhosos no programa Escola Sem Homofobia (o famoso Kit Gay) e outros retrocessos visíveis e mesmo a proibição sequer de uma ministra das mulheres de falar sobre o Aborto são a cara da influência evangélica nociva junto ao Estado.
As ações do governo para privilegiar uma casta religiosa conservadora, rica e que chegou lá por meios extremamente obscuros, como os vetos a toda e qualquer campanha para o público LGBT, ou pelo tratamento da questão do aborto como problema de saúde pública, dentre outras, denunciam a escolha feita pelo governo e não o fim das disputas e dos combates em busca de um Estado Laico.
Malafaia hoje se alia com políticos (com o PMDB do Rio, por exemplo) e influi em eleições. A IURD fundou partido e hoje integra a base do PT e tem até Ministro (Crivella, na Pesca, o que não deixa de ser irônico). Valdomiro mexe pauzinhos nas eleições. A Renascer deixa claro quem apoia e diversas denominações lançam - e elegem - candidatos para formar a medievalista Bancada Evangélica (inclusive o PT está no bolo). O PSC é basicament eum partido formado por pastores, pastoras e... profetas! E temos o minúsculo PEN que paga de ecologista, mas não passa de legenda de aluguel para krents.

Em suma, pastores e líderes de seitas de tamanhos variados usam e abusam do espaço que tem na mídia, com a compra de TV's, rádios, jornais e revistas - tudo com o dinheiro roubado de "fiéis", pessoas em geral vulneráveis e influenciáveis - para influenciar também eleições, políticos e governos.

Mas, como não são burros, mais fácil que influenciar políticos é serem políticos e usar toda sua força - leia-se voto de cabresto - para conquistar vagas e ter força suficiente para influenciar nas decisões dos grandes partidos.

É pernicioso e mesmo desnecessário tentar discutir se os evangélicos conservadores e nocivos são fruto da sociedade ou se acabam moldando a sociedade usando de preconceitos por vezes adormecidos ou amortecidos, transformando causas que em muitos casos passariam despercebidas em cruzadas morais.

Possivelmente há um pouco de cada coisa.
Temos de combater este estado de coisas, e, acreditem em mim, não faltam religiosos, mesmo do campo evangélico, que seriam aliados de primeira ordem, que são laicos e se opõem de forma veemente a estes que prometem os céus mediante pagamento no cartão em suaves prestações e que, no meio tempo, pregam o ódio e usam o povo como instrumento de sua vingança contra a humanidade.
Da mesma forma é absurdo dizer que os pastores e outros krents e Marginais da Fé são eleitos, logo, são legítimos representantes, pois isto significa esquecer que há voto de cabresto, que seitas cristãs usam e abusam do dinheiro que roubam de fiéis vulneráveis, que estas seitas se aproveitam de rádios e TVs que conseguem com o dinheiro que roubam e por aí vai....

O fato é que são poderosos, influenciam políticos e hoje são políticos. E isto é inaceitável.

Neopentecostalismo não é cristianismo, é uma seita (ou conjunto de seitas) de bandidos que usam o cristianismo para atrair e saquear. Usam e abusam de discurso messiânico e curandeirismo usando sua lábia e influência (e uma dose gigantesca de medo) em populações vulneráveis, mas que vem ascendendo socialmente (mesmo que timidamente) e garantindo uma constante engorda nos bolsos de lideranças.

E o medo é o principal combustível destas seitas, medo do inferno, medo da sexualidade e medo dos diferentes, dos que não compartilham do mesmo modo de vida hipócrita de submissão e obediência cega.

Em termos de soluções ou ao menos de um possível caminho para neutralizar a onda neopentecostal medievalista que toma conta do país com apoio e entusiasmo porp arte do governo do PT, as apresentei ha algum tempo:
Uma democratização das comunicações, com o fim de concessões a igrejas e pastores, a proibição de programas de tele-evangelização (a venda de horário de concessões públicas em si é contra a lei, logo, vender horário para igrejas não deveria ser tolerado) e a ampliação da internet (e não a piada do PNBL entregue para as teles lucrarem com serviço pior que o que já oferecem), seria de grande ajuda, mas nada foi feito. Ampliar o alcance e a qualidade da educação pública, melhorando salários de professores e os preparando melhor para a profissão seria outro passo importante, assim como dar dignidade à população que, muitas vezes, recorre a esses marginais da fé por puro desespero de suas condições sociais e econômicas.
São ações iniciais.

É preciso cortar o mal pela raiz. Acabar com espaço em rádios e TVs de curandeiros e estelionatários, mas acima de tudo, é preciso impor a taxação - e taxação pesada - sobre estas organizações mafiosas. A partir do momento em que Malafaias da vida precisarem declarar impostos, as coisas começarão a mudar.

Mas nem as ações básicas são levadas a cabo pelo governo, pelo contrário. A homofobia é promovida pelo governo e pessoalmente pela presidente Dilma, que não esconde seu preconceito e desprezo pela população LGBT, os direitos das mulheres são penhorados em troca do apoio dos conservadores e isto sem sequer mencionar os massacres contra índios, remoções forçadas de populações que são chamadas de Classe C, mas não tem sequer a segurança de que terão um teto no fim do dia, e a política do pão e circo foi institucionalizada.

A luta contra o neopentecostalismo e o medievalismo, que são irmãos, é, para usarmos termo caro ao governo e seus apoiadores, a luta pelo progresso. Mas não apenas o progresso econômico que mascara nossa desigualdade e problemas crônicos, e sim o progresso social. Um povo educado torna-se menos vulnerável às investidas de engravatados com bíblias debaixo do braço e tem a capacidade de discernir religião de ódio, charlatanismo e estelionato.

A esquerda não deve, enfim, aprender nada com os evangélicos - neopentecostais -, mas deve combatê-los, com unhas e dentes, lutando pelos direitos das minorias, pelo Estado Laico, pelo direito à educação, cultura, lazer e condições sociais decentes para toda a população, ou seja, a esquerda deve se manter como esquerda, garantindo o respeito às suas bandeiras históricas e não cedendo em nome de uma suposta governabilidade que, no fim, serve apenas aos propósitos de krents, banqueiros, ricos e aproveitadores de todos os tipos.
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Agradecimentos ao futuro pastor e amigo @Paiva_thiago pela consultoria inestimável e eterna paciência!
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Atualização:

Declaração de Crivella, da IURD e MINISTRO do governo, sobre sua querida presidente:
"A nossa presidenta e o presidente Lula fizeram a gente crescer porque apoiaram os pobres. E o que nos sustenta são dízimos e ofertas de pessoas simples e humildes", disse Crivella durante um evento da Convenção Nacional das Assembleias de Deus - Ministério Madureira, em São Paulo. "Com a presidenta Dilma, os juros baixaram. Quem paga juros é pobre. Com menos juros, mais dízimo e mais oferta."
Precisa dizer mais alguma coisa?
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terça-feira, 12 de junho de 2012

Apolinário: Os privilégios de um homofóbico e a bancada do ódio

Mais uma vez a Folha publicou uma carta minha, novamente mutilada. Mas é melhor que nada.

Desta vez contestando a tosquice do vereador e homofóbico de plantão Carlos Apolinário (evangélico, obviamente, e autor do "Dia do Orgulho Hétero" e que já usou a bíblia para defender o nepotismo) que resolveu mais uma vez considerar que manfiestações legítimas de uma minoria perseguida e vítima de abusos como "privilégios" e, como não poderia deixar de ser, Apolinário resolveu ir mais além e perseguir casais gays que adotam crianças - talvez, para ele, fosse melhor deixar as crianças apodrecerem em orfanatos, nas ruas ou talvez serem molestadas por padres e pastores.

O Sakamoto foi direto:
“Algum psicólogo ou juiz já parou para pensar como esta criança se sentirá diante dos seus colegas na escola ou na rua da sua casa, quando ela tiver que enfrentar o mundo, para explicar que está registrada no nome de um casal formado por duas pessoas do mesmo sexo (…) O que acontecerá com uma criança que vai morar com duas pessoas do mesmo sexo que têm relacionamento sexual? Como estará a cabeça dela durante a infância ou a adolescência?”
Até uma ostra saudável em dia de maré baixa se perguntaria: “Ué? Mas não é ele mesmo, com suas posições, que ajuda a produzir e manter esse mundo preconceituoso?”
Ou seja, a velha tática de, uma vez questionado, usar o discurso de culpar a vítima.
- Ah, mas ela pediu. Ninguém bota uma saia curta dessas se não estava pedindo.
- Quem mandou esse reporterzinho ir fuçar os nossos negócios. Se ele tivesse ficado na dele, estaria vivo agora.
- O fazendeiro estava apenas se protegendo. Aqueles índios deveriam ter se mudado quando a fazenda foi aberta. Decidiram ficar, assumiram o risco.
- O trabalhador acaba entrando porque quer nessas condições de serviço e depois diz que é escravo só para que o Estado confisque a terra e lhe dê de presente na reforma agrária.
Adoraria que isso fosse engraçado. Ou ficção. Muita gente agarra argumentos como o do vereador e, sem pensar, o acolhem. Por quê? Porque é mais fácil viver assim e justifica o preconceito. Para quem não foi instigado a duvidar de tudo o que lê, ouve e vê – inclusive disto que escrevo agora – pode ser um porre ter que pensar no que há por trás das coisas.
Enfim, eis o que a Folha publicou do comentário que enviei:
O vereador Carlos Apolinário (DEM-SP) deveria parar de se preocupar com o que os gays fazem ou deixam de fazer ("Direitos ou privilégios?", Tendências/Debates, ontem). Políticos não são eleitos para legislar sobre a orientação sexual das pessoas ou sobre garantias constitucionais.
Raphael Tsavkko Garcia (São Paulo, SP)
E o que efetivamente enviei (em negrito o que foi omitido):
O vereador Carlos Apolinário deveria parar de se preocupar com o que fazem ou deixam de fazer os gays e cuidar não só de sua própria vida, como da cidade. Que me conste, políticos não são eleitos para legislar sobre a orientação sexual dos demais ou sobre garantias constitucionais. Advogado e empresário, como se define o vereador, não sei porque resolveu agir como psicólogo e juiz, colocando seus preconceitos religiosos frente a sua humanidade - ou seus deveres como legislador -, mas recomendaria que prestasse mais atenção à Marcha pra Jesus que constantemente prega o ódio e o preconceito do que à Parada Gay, que prega o amor e a tolerância, algo que falta ao nobre Apolinário.
Não mudo uma linha do que disse. E digo mais:

Apolinário é, como todos os demais políticos evangélicos que usam seu mandato para perseguir minorias e para pregar a ignorância e o ódio, um inútil que deveria ser proibido de exercer cargos públicos em um Estado Laico e signatário de diversos pactos sobre direitos humanos.

Estas figuras adoram falar dos supostos privilégios de grupos que são forçados a se manifestar para mostrar que existem, que são humanos, merecem respeito e dignidade - assim como proteção - e que protestam exatamente para confrontar o medievalismo das idéias (sic) dos grupos que o vereador Apolinário representa.

Apolinário e demais políticos evangélicos representam o que há de pior, de mais retrógrado e fascisa na sociedade brasileira. E o pior disso tudo é que este dsicurso de ódio encontra eco no governo, que não apenas se mantém impassível frente à violência crescente e às pregações odiosas, como SE ALIA com eles, dando-lhes verba e cargos.

O sangue de boa parte dos gays, lésbicas, travestis, transexuais e transgêneros derramado no país é de responsabilidade direta do discurso destes pregadores do ódio com bíblias na mão, destes Marginais da Fé - para desespero daqueles que efetivamente pregam o entendimento, a solidariedade e o amor ao próximo com o mesmo livro.

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Aliás, no mesmo "Painel do LEitor" da Folha vemos a seguinte carta de assessor de Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo e Ministro da Educação durtante a "crise" do Kit Anti-Homofobia:
O material anti-homofobia citado em reportagem da Folha ("Sem Serra e Haddad, Marta reina na Parada Gay em SP", "Poder", ontem) foi produzido pela ONG Pathfinder do Brasil com recursos de emenda parlamentar ao Orçamento da União aprovada pelo Congresso Nacional. A emenda foi proposta por um conjunto de deputados federais. Portanto, ao contrário do que diz a Folha, o ex-ministro Fernando Haddad não "tentou emplacar" o material, que não foi distribuído pelo MEC em razão da abordagem inadequada. Aproveitamos para reafirmar que durante visita à sede da APOGLBT, no dia 6/6/12, Fernando Haddad avisou que não iria à 16ª Parada Gay por motivo de viagem.
Everaldo Gouveia, assessor de imprensa de Fernando Haddad (São Paulo, SP) 
A subserviência do PT aos Marginais da Fé é tanta que numa mesma mensagem buscam desvincular Haddad de qualquer responsabilidade sobre o kit, ele não tentou emplacar nada, não teve NADA a ver e ainda dizem, cm orgulho, que ele preferiu viajar do que participar da Parada Gay. O público LGBT realmente pensa em votar nesta figura - não que haja outro candidato melhor, afinal, Serra, Chalita, Netinho, Russomano, Soninha (hahaha) não são melhores - que claramente não dá a mínima para sua cidadania?

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Atualização, 13/06:
No mesmo Painel do Leitor, um homofóbico de Ribeirão Preto, Luiz Antônio da Silva, defendeu o direito à "se expressar" com preconceito e ódio:
E ainda dizem que são os outros que são intolerantes! Segundo a carta do leitor Raphael Tsavkko Garcia (Painel do Leitor, ontem), um vereador democraticamente eleito pelo povo não pode sequer se manifestar sobre um assunto que diz respeito à sociedade brasileira? Isso é o mesmo que dizer: todos são livres para se manifestar, desde que falem a favor da "minha verdade". Muitos já estão perdendo a noção do razoável!
Luiz Antônio da Silva (Ribeirão Preto, SP) 
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quinta-feira, 29 de março de 2012

Onde estão os cristãos para condenar o estupro de crianças referendado pelo STJ?

O STJ absolveu um homem acusado de estuprar uma criança, uma menina de 12 anos (na verdade, mais de uma criança).

A desculpa? Ela seria prostituta, ou seja, vendeu seu corpo aos 12 anos. A justiça (sic) não viu problema nem na idade da criança e nem no fato dela se prostituir. Ela se prostituiu e ponto, fez por livre e espontânea vontade e está certo usar de seu corpo infantil e pagar pro isso.

Sem pagar não pode, é crime (a legislação brasileira considera estupro o sexo com menores de 14 anos), mas se a criança "escolher" se vender... Aí pode!
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) divulgou nesta terça-feira a absolvição de um homem acusado de estuprar três meninas de 12 anos. Segundo a relatora do caso, ministra Maria Thereza de Assis Moura, não se pode considerar crime o ato que não viola o bem jurídico tutelado - no caso, a liberdade sexual - porque as meninas se prostituíam na época dos supostos crimes.
Uma decisão surpreendente e grotesca (surpreendente pela canalhice dos juízes ser tão explícita, e não em si por defenderem tal absurdo, dessa "justiça" não espero nada), reparem nas palavras da relatora "[...]as vítimas, à época dos fatos, lamentavelmente, já estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo.".

A juíza Maria Thereza de Assis Moura ainda acrescenta que o direito não deve ser estático, logo, que se hoje menores de 14 anos transarem é algo "normal", então também deve ser se prostituir. Ou seja, em momento algum se coloca em questão a vulnerabilidade de uma criança se vendendo, nem o que a levou a tal situação, nem os fatores sociais ou mesmo psicológicos da vítima - que não é vítima, disse a juíza. O estuprador, homem feito e consciente de suas ações, nada sofre. Na verdade tem referendado seu "direito" a estuprar prostitutas-mirins.

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Dinamitando pontes: A militância LGBT governista e a homofobia oficial [Update]

Não costumo, já há algum tempo, postar textos de terceiros no blog, mas acredito que este, do Francisco Aragão (vulgo @chcapet, @litheroy ou @elcapeto) em resposta ao texto lamentável da ativista LGBT Vange Leonel, merece ser repassado.

O texto da Vange, em resumo, desculpa o governo de todos os recuso nos direitos LGBT, praticamente culpando o oprimido pela opressão. O governo faz o possível, os LGBT tem que aceitar negociar com quem os odeia... É isso que entendemos do texto da ativista. Aqueles insatisfeitos devem engolir o "orgulho" e aceitar o que vier, tudo em nome de um proejto falido de poder.

Tentativa pura de tentar justificar o injustificável, um govenro homofóbico que não faz absolutamente nada para frear a violência homofóbica e a homofobia de pastores neopentecostas e bandidos semelhantes.

Os Marginais da Fé controlam o governo, e ainda assim Vange defende que não se dinamite pontes, oras, as pontes já foram dinamitadas, e pelo próprio governo. Acho que é hora do movimento LGBT (mas não só) parar de se preocupar com pontes e, acima de tudo, parar de servir de massa de manobra em momentos de desespero (quando o governo é atacado por seus alidos conservadores logo corre para pedir ajuda da esquerda traída). É hora de esquecer as pontes caídas, derrubadas pelo PT e dinamitar o governo.

Contemporizar levou ao abandono do Kit Anti-Homofobia (kit gay para os detratores) que não foi "temporariamente suspenso", mas jogado no lixo, abandonado; O próprio Ministro da Educação, o Mercadante, já disse não acreditar que educação resolva nada e que não há plano nenhum a ser feito.

Contemporizar levou ao crescimento de popularidade de escória como Bolsonaro, levou a membro do PT apoiar "Dia do Orgulho Hétero" no Rio (projeto de outro Bolsonaro, aliado do governo local do PMDB/PT, diga-se de passagem), e a tantas outras barbaridades.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Fotos e vídeo da Marcha pelo Estado Laico - #EstadoLaicoJa

O Brasil é um Estado Laico, isso é, um Estado sem religião oficial, que não prega nenhuma religião, sendo esta de livre escolha de seus cidadãos. O termo laico remete-nos, obrigatoriamente, à idéia de neutralidade, indiferença.
O grande problema é que recentemente a religião tem interferido na política e em outras areas de uma forma assustadora. Recentemente o juíz de Goiás Jeronymo Pedro Villas Boas anulou uma união estável entre pessoas do mesmo sexo e disse que “agiu por deus”. Outro caso que chama a atenção também é um projeto de Lei criado pelo prefeito Eduardo Paes no qual torna o ensino religioso algo obrigatório em cerca de 1.063 escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro, o que poderia fazer alunos de religiões minoritárias serem discriminados, já que possivelmente só iriam ministrar aulas de cristianismo.
Discussões sobre aborto, liberdade religiosa, união civil entre pessoas do mesmo sexo, descriminalização da maconha e etc deveriam, dentro desse contexto de laicidade, ser discutidos sem a argumentação embasada em escrituras religiosas. Por isso convocamos pessoas de todas as religiões a manifestar o nosso desejo de um Estado Laico de fato.
Judeus, Budistas, Umbandistas, Católicos, Evangélicos, Espíritas e pessoas de todas as outras religiões estão convocados, assim como ateus, agnósticos a marchar por um Brasil Laico de fato.
Éramos entre 200 e 300 manifestantes numa gélida tarde de domingo na Av. Paulista marchando pelo Estado Laico, pelo nosso direito de não sermos bombardeados por propaganda e pregação religiosa na TV, nas escolas, nos locais públicos e, acima de tudo, pelo nosso direito de professar a religião que quisermos, ou mesmo de não termos religião alguma e de não termos nossos comportamentos, orientações ou costumes pautados pelo que medievalistas pensam ou acham.

A marcha serviu também para denunciar o uso de verba pública na promoção do proselitismo cristão e na imposição do cristianismo nas escolas e locais públicos, como tribunais e repartições.
Munidos com bexigas pretas e cartazes que exortavam o avanço das ideias fundamentalistas na sociedade e nos parlamentos ao redor do Brasil, os ativistas ocuparam a Avenida Paulista por volta das 16h30. Estavam presentes ativistas do movimento LGBT, feministas da Marcha Mundial das Mulheres, representantes de religiões afros e anarko punks.

Os manifestantes protestaram contra o uso de canais de televisão pelas igrejas. Na opinião dos ativistas, o uso desses canais serve para "disseminar ódio e preconceito" e que tal fato deveria ser banido, visto que o canal de televisão é uma concessão pública. Já as feministas pediram para decidirem sobre o seu corpo e o direito de abortar.
Era um movimento plural, reunindo desde membros do movimento LGBT, passando por ateus, até feministas e membros de religiões não-cristãs constantemente atacadas especialmente pelo fanatismo evangélico, como as religiões afro.

Éramos 300 na Paulista, mas éramos milhares nas redes sociais. Quase 20 mil apoiando a marcha no Facebook, outras marchas acontecendo pelo Brasil e, no Twitter, alcançamos os trending topics com a tag #EstadoLaicoJa, com mais de 15 mil tuitadas.

Ao som de "Não é Mole Não, Estado Laico Tá na Constituição" e "Menos Religião, Mais Educação", entre outros "gritos de guerra", a marcha seguiu por toda a Paulista. 

Um sucesso, sem duvida, devidamente ignorado pela maior parte da grande mídia, mancomunada com igrejas e templos ou mesmo parte do mesmo grupo francamente empresarial.

Fotos do protesto:








E o vídeo que fiz com os discursos durante a concentração para a Marcha:

Recomendo também o vídeo postado pelo Bule Voador:
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Apolinário usa a Bíblia pra defender o nepotismo... Oi?

O vereador Carlos Apolinário (para quem não basta ser do DEM, tem que ser também ligado aos Marginais da Fé) resolveu lutar por fama a todo custo. Depois de ver seu Dia do Orgulho Hétero tratado como piada e com desprezo por todo o mundo e de já ter sido avisado pelo Kassab que será vetado, resolveu buscar a fama com declarações que não só demonstram fanatismo, mas também ignorância sobre a propria Bíblia.

Não sou grande conehcedor do tal livro, admito tê-lo lido ha alguns anos e achado uma das coisas mais maçantes e chatas possível, mas a últimado Apolinário é motivo para se matar de vergonha:
Do vereador Carlos Apolinário, líder do DEM na Câmara paulistana, justificando o nepotismo: "Deus disse: vocês falarão comigo por meio do meu filho".
Para defender um crime, o nepotismo - que não é nada demais frente a quem luta diariamente contra direitos civis para a comunidade LGBT e, sendo do DEM, contra direitos à toda a população -, Apolinário busca a coisa mais tosca e sem noção possível. Uma passagem absolutamente descontextualizada, pinçada e que, sem sacanagem, me faz crer que a figura ou estava cheirada ou perdeu de vez a noção e o senso de realidade.


O que me impressiona mais, porém, não é a pura indigência intelectual e apologia ao crime por parte do retardado nobre vereador, mas que cada vez mais os Marginais da Fé tentam usar a Bíblia para impor sua visão de mundo e mesmo para descaradamente agir na ilegalidade.

Seria bom lembrar a estas figuras nefastas que, frente à Constituição, a bíblia tem tanto valor quanto um rolo de papel higiênico perfumado. Não, não estou dizendo que a bíblia seja igual a isto, mas apenas tem a mesma validade legal, logo, não tem NENHUMA.

Inventivados pela inércia de um governo covarde e entreguista, francamente de direita (adota o discurso de erradicação da pobreza ao tempo em que a criminaliza com desrespeitos constantes aos direitos humanos), estes Marginais da Fé estão felizes e contentes na tentativa de medievalizar o Brasil.

Contam, claro, com a ajuda sempre prestosa de Dilma, que não aceita "propaganda de opção sexual" e, ao mesmo tempo, não dá nenhum passo na direção da garantia e efetivação dos direitos civis e humanos da comunidade LGBT.

É intolerável que em plano século XXI precisemos perder tempo escutando ou dando espaço a explicações bíblicas, leis baseadas na bíblia e mesmo apologia ao crime baseada na bíblia! Como aceitar que em um Estado Laico alguns elementos duvidosos queiram usar a bíblia pra legislar sobre a vida dos outros?

Se querem tanto viver sob a bíblia, oras, vivam, mas não imponham a toda a sociedade o mesmo. Mas o curioso é que estes só tentam impor a bíblia quando lhes convém, para limitar direitos DOS OUTROS.

Usura, cobiça, exploração.. Até onde eu sei, são firmemente condenadas pela bíblia. Mas e daí?

Vejamos o que devem fazer os Marginais da Fé:

- nunca mais comer carne de porco (Levítico 11:7-8);
- nunca usar nenhuma roupa que tenha mais de um tipo de tecido em sua fabricação (Levítico 19:19);
- nunca aprender nada de alguma mulher, que deve estar sempre em submissão e silêncio (1 Timóteo 2:11-15);
- não se aproximar ou tocar mulheres menstruadas sob pena de permanecer ‘imundo’ (Levítico 15:19);
- defender pena de morte para adúlteros (Levítico 20:10) e seguidores de outras religiões (Deuteronômio 17:2-7) e também defender escravidão (Levítico 25:44-46);
Não é fácil "ser cristão", não é? Me pergunto, algum pastor que busca incessantemente limitar direitos civis DOS OUTROS por acaso segue TODAS estas "regrinhas", apenas pra começar.

Senão, eu me pergunto, que direito tem esse povo de querer impor a bíblia aos demais se sequer a seguem?

A pergunta sequer entra no mérito do Estado Laico, porque esses Marginais da fé são tão hipócritas e criminosos que suas contradições não se sustentam por 10 minutos. 

Mas, voltando ao Apolinário, não sofrerá nada. Irá continuara perseguir (sim, porque não há outro nome) minorias e grupos vulneráveis baseado em sua suposta fé e usará a mesma "fé" para lucrar, defender práticas ilícitas e desrespeitar a constituição.

Neste meio tempo ogoverno não fará nada, pois tem sua cota de Marginais da Fé para contentar e mais direitos para limitar.

E asim caminhamos para o século... XII?
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terça-feira, 12 de abril de 2011

Massacre de Realengo e o eterno oportunismo dos fanáticos cristãos - Parte 2

Quando há uma desgraça os evangélicos fanáticos agem como urubus atrás de carniça, envergonhando aqueles que não são adeptos deste fanatismo. Mais absurdo e sensacionalista que qualquer matéria da grande mídia, o portal Gnotícias destaca: "Atirador que matou crianças em Realengo seria radical islâmico. Este seria primeiro atentado terrorista no Brasil".
Selecionando apenas as primeiras linhas da carta, de forma vergonhosa e oportunista, escondem a referência do atirador a Jesus, reforçando o boato absurdo de que ele seria muçulmano e que sua ação foi típico terrorismo islâmico!
O jovem atirador, Wellington Menezes de Oliveira de 24 anos, teria conhecido o islamismo através da internet e estava desaparecido a oito meses. Dentre as vítimas a maioria eram meninas, assassinadas com um tiro na cabeça. As mulheres são consideradas por alguns fundamentalista islâmicos como sujas e abaixo dos homens.
Estudiosos afirmam que possivelmente Wellington era novo convertido ao Islamismo, já que em outros pontos da carta misturaria coisas relacionadas ao cristianismo, sua religião anterior. Seu desaparecimento teria sido para ser treinado por alguma célula radical islâmica no Rio de Janeiro, fato ainda não confirmado.
Populares acreditam que o jovem tinha problemas comportamentas e mentais.
A matéria é de um primor jornalístico. A idade de Wellington está errada. Ele não estava "desaparecido" há 8 meses, sua irmão é que não o via ha 7, diz o Uol, o veículo que também informa como 24 anos a idade de Wellington (coincidência?). Como alguém que fica na internet, mantendo contato virtual com outros internautas, pode ser considerado desaparecido?

Não há a informação de que as meninas tenham sido mortas "com um tiro na cabeça", e sim que muitas das vítimas morreram com tiros na cabeça e no tórax.

Estes "estudiosos" que afirmam o islamismo de Wellington não existem, isto é a mais pura invenção do portal. Apenas a irmã da figura fez esta "acusação" e o excelente jornalismo brasileiro comprou sem questionar.

Logo depois, o portal tenta justificar de forma tosca o porque da citação a Jesus na carta e, por tudo que é mais sagrado, célula islâmica no Rio de Janeiro????

Pra coroar, a importante opinião de "populares" que nunca haviam visto o rapaz na vida!

Este tipo de "notícia" covarde, mentirosa e desrespeitosa deveria ser crime. Além de plagio, pois a parte final, em que reproduz fala de líder da comunidade muçulmana, foi retirada da Agência Brasil sem qualquer crédito.

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Proponho repassar o link deste post via Twitter, assim como tuítes indignados ao @gospelmais, responsável por esta calhordice! E, se algum advogado se dispuser, vale um processo.
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Nojo é pouco frente a tantos absurdos juntos. Fanáticos que querem construir um Estado medieval baseado na bíblia, impondo o ensino religioso nas escolas, impondo leis esdrúxulas que servem apenas aos seus propósitos e se opondo aos direitos das minorias, dos gays, das mulheres, sem nenhum respeito pela diversidade, pelos que pensam diferente. Agora incitam abertamente o ódio a outras religiões. Aonde vamos parar?

E, infelizmente, o que antes parecia teoria da conspiração, o documento da embaixada dos EUA vazado pelo WikiLeaks no qual havia a determinação de "engajar o Brasil na difamação de religiões", se torna cada vez mais real. Durante as eleições Serra insistiu em impor a discussão em termos religiosos dos mais fundamentalistas, e agora isto.

A mídia tem sua imensa parcela de responsabilidade. Agem na mesma lógica que os fanáticos ao não apurar e acreditar piamente em tudo que surge pela frente. Ao entrevistar a irmã do assassino, que deixou claro não o ver há meses, fizeram o possível para que ela soltasse alguma informação escandalosa - mesmo que falsa. E conseguiram, ele é muçulmano!

Sem nenhuma apuração, sem procurarem alguma mesquita na região ou qualquer liderança religiosa, ou mesmo vasculharem os traços do assassino na rede, decidiram que era verdade e criaram uma farsa que, mesmo com sua carta divulgada citando claramente jesus, martírio e deus, não cede, não cai.

Segundo fanáticos cristãos, o martírio é tipicamente muçulmano, oras, então os mártires cristãos eram espiões de Maomé? Mesmo aqueles mortos pelo Império Romano antes de existir um muçulmano sequer na terra?
Os islâmicos respeitam e acreditam em jesus, fato, mas daí a citá-lo em uma carta de suicídio e não mencionar nem de raspão Maomé? Usar "deus" e não "Alá"? Este último até podemos discutir, mas não faz sentido um muçulmano colocar a figura de jesus não como profeta, mas como alguém que vai retornar para levá-lo é totalmente cristão.

Não importa a verdade, os fanáticos da mídia criaram seu factóide e os fanáticos da igreja adotaram o discurso e nada os fará recuar. No máximo dirão que ele ainda era gay, tinha HIV e que era ateu ao mesmo tempo... opa, mas disseram tudo isso!

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Com vocês, Julio Severo:
E os pais e mães que estão sofrendo nunca mais poderão recuperar seus filhos queridos. Não porque simplesmente a escola estava sem proteção, mas porque o Brasil está entregue a uma covarde ideologia politicamente correta, que ordena a saída das escolas de Deus e seus valores e introduz uma tolerância que traz homossexualismo, em nome da diversidade sexual; islamismo, em nome da diversidade religiosa; e bruxaria africana, em nome da diversidade cultural. Tira-se Deus, e entra todo tipo de ideologia de tolerância para o mal. Entra o próprio demônio. 
Dispensa comentários.

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sábado, 9 de abril de 2011

Massacre de Realengo e o eterno oportunismo dos fanáticos cristãos - Parte 1



Como não poderia faltar, teve espaço até para o canalha Marco Feliciano, Pastor Homofóbico e Racista, fazer das suas no caso do Massacre de Realengo. Não há limites para o fanatismo e para o absurdo. Mesmo em um caso tão terrível quanto este. Nem a morte de crianças inocentes é suficiente para esta figura oportunista e seus comparsas.

Em seu site, o pastor criminoso liga o ateísmo ou a falta de deus a atitude criminosa, ao assassinato, o que me faz lembrar do episódio do Datena que lhe rendeu processo por parte de organizações ateístas há alguns meses.

Diz Marco Feliciano:
Em 1960 os EUA sofreram um ataque tão devastador quanto os que ocorreram em 11 de Setembro 2001. A Senhora Madalyn Mays, também conhecida como Madalyn O’Hair Murray, fundadora e presidente da AMERICAN ATHEISTS, entrou com uma ação contra a cidade de Baltimore e seu Sistema Público de Ensino, no qual ela afirmava que era inconstitucional seus filhos participarem das leituras bíblicas promovidas na escola. Neste processo ela afirmou que seus filhos por se recusarem a participarem nas leituras da Bíblia resultou em bullying sendo dirigido contra eles pelos colegas. A ação atingiu a Suprema Corte dos Estados Unidos em 1963. O tribunal votou 8-1 a favor de Madalyn, que PROIBIU A ORAÇÃO E RECITAR VERSOS DA BIBLIA em escolas públicas nos Estados Unidos.
Após este triste episódio, as escolas americanas começaram a “colher” o que “plantaram”.  
Por colher o que plantaram, o safado fala de diversos atentados em escolas. Um em 1966 e o segundo só em 1998, além d outros posteriores. Feliciano toma estes atentados como motivados pelo ateísmo, confundindo com o Estado Laico.


Seu oportunismo é vergonhoso.
O ciclo acima citado mostra que um país de primeiro mundo, fundamentando suas leis na palavra inconstitucionalidade, retirou o ensino religoso de suas escolas públicas, e proibiu suas crianças de orarem AO PAPAI DO CÉU. Sofreram as conseqüência de seus atos! Pois o ensino do livro retirado da pauta escolar, em consequência, tambem tiraram seus ensinamentos  da mente e dos corações das crianças, ou seja a bíblia,  onde encontram-se ensinos como: não devemos matar, não devemos roubar, e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos.
De forma oportunista, Feliciano finge que proibir proselitismo na escola significa proibir a religiosidade. E ainda mente ao afirmar que cristãos não matam, oras, os EUA são um país cristão, e grandes terroristas. A Igreja Catolica matou milhões durante boa parte de sua história e - acreditem, existe - o Partido Republicano Teocrata Cristão, de orientação evangélica, defende claramente a pena de morte em seu programa.

Ah, não matam pessoas de bem. Ateus e criminosos não importam, não são gente. É este o pensamento dos fanáticos. Se você não pensa como eles, não merece ser respeitado ou tratado como ser humano. Ok você ser gay, só não pode praticar, porque aí te queimam na fogueira. Tudo bem você não ser crente, mas via ter que estudar a bíblia e seguir a lei deles da mesma forma! Senão... te queimam!

A tentativa dos cristãos fanáticos de querer impor sua visão de mundo e sua religião beira o grotesco.
O ensino religiso não é para promover o proselitismo, e tem sim como expectativa, reconduzir o homem à sua origem moral, iluminar seu caminho presente tirando-o das trevas provocadas por uma libertinagem desenfreada e moldar o seu futuro, para que este seja longe do Crack, longe da prostituição, longe da violência, longe de uma vida a beira da mediocridade!
Ensino religioso não é proselitismo, mas "reconduzir o homem..." ao que? Ao medievalismo onde homossexuais devem ser mortos, a escravidão é legal, negros não tem alma e se usa palmatória como método eficaz de ensino?

Marco Feliciano é um criminoso oportunista, que se aproveita da dor das vítimas e de seus pais para fazer proselitismo, para pregar o ódio contra os que não tem religião e para impor sua visão medieval ao mundo.

Para seu pesar, o responsável pelo massacre, ao que tudo indica, era cristão. Então "eles" não matam?
Na tentativa de garantir e atrair mais fiéis lucros, Marco Feliciano tripudia da própria noção de humanidade.  

Mas não é o único.

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O  WikiLeaks vazou documento da Embaixada dos EUA que trata da "difamação de religiões como estratégia diplomática", visando constranger o país por seu apoio ao Irã e outros países islâmicos em organismos internacionais (apoio que, agora, parece ter chegado ao fim):
Aumentar a atividade pela mídia e o alcance das comunidades religiosas parceiras: Até agora, nenhum grupo religioso no Brasil assumiu a defesa da difamação de religiões. Mas o Brasil é sociedade multirreligiosa e multiétnica, que valoriza a liberdade de religião. Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país. Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. [...] Essa campanha também deve ser orientada às comunidades religiosas que parecem ter influência sobre o governo do Brasil, quando se opuseram à visita ao Brasil do presidente Ahmadinejad do Irã, em novembro. Particularmente os Bahab e a comunidade judaica, expandidos para incluir católicos e evangélicos e até grupos indígenas e muçulmanos moderados interessados em proteger quem difame religiões [sic]. [assina] KUBISKE 
Sem dúvida, a campanha parece estar dando certo, com a mais completa conivência dos fanáticos evangélicos de sempre e da mídia:
O sheikh Jihad Hassan Hammadeh contou, agora há pouco, no programa Sem Censura, da TV Brasil, que sua mulher sofreu agressões verbais no trânsito no Rio de Janeiro por estar usando trajes islâmicos.
Presidente do conselho de ética da União Nacional das Entidades Islâmicas, o sheikh atribuiu o fato à propagação, pela mídia, de que o atirador de Realengo tinha ligações com a religião:
- É preciso que a mídia deixe claro que esta tragédia não teve nada a ver com nenhuma religião. Ou então estará colaborando para o movimento mundial de desconstrução da religião muçulmana.
A senhora Hammadeh, uma médica e acadêmica, ainda desceu de seu carro e tentou anotar a placa do carro do agressor, que ao vê-la de véu gritou que ela deveria morrer.
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