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terça-feira, 1 de abril de 2014

50 anos do Golpe: O pacto do PT e as torturas do presente #DesarquivandoBR

Cansei nessa semana de ler petistas esperando ansiosos por um "discurso contundente" de Dilma pelos 50 anos do Golpe. Conseguimos um arremedo, uma piada. Ela exige que "lembremos o que aconteceu". Oras, as vítimas se lembram, as famílias se lembram, mas você consegue se lembrar, presidente? Ou só lembra na hora de fazer média com o eleitorado e com seus fanáticos?

A Dilma não é apenas uma sucessão de erros, ela é, em si, um erro.

Seus discursos são em geral uma piada, motivo de chacota por ela ser incapaz até de saber em que cidade está ou de a quem pertence o cachorro atrás. E quando ela lê um discurso ele é simplesmente xoxo.

Celso Amorim recentemente declarou que as forças armadas se desculparam por terem torturado e assassinado por duas décadas. Visto que a presidente não disse nada, ela concorda com seu ministro. Visto que Dilma se recusa a sequer discutir a Anistia, ela concorda que foi tudo perdoado. Ela concorda, mas não perguntou a ninguém. Decidiu sozinha, como a ditadora que dá mostras inúmeras de ser.
A declaração terrível, desastrosa, canalha e mesmo criminosa do Celso Amorim (o que fizeram com ele? De melhor Chanceler brasileiro desde Rio Branco ou Oswaldo Aranha pra um lambe-botas de milico?) de que as indenizações pagas às vítimas e familiares de vítimas da Ditadura são o suficiente enquanto pedido de desculpas (ou fazem as vezes disso) equivale a dizer que hoje uma vítima de tortura nas mãos da polícia deveria receber "cinquentinha" e sair com um sorriso imenso enquanto o algoz continua numa boa como se nada tivesse acontecido.

Como resumiu o Francisco :"Foi torturado? Leva cinquentinha aí que passa "

E o Brasil segue sendo o país da impunidade institucional.
Mas meia e volta usa seu passado (ou tem seu passado usado pelos fanáticos que lhe cercam) como propaganda. É o cúmulo do escárnio. Aliás, minto, o cúmulo do escárnio foi às vésperas dos 50 anos do Golpe Dilma assinar decreto para que o exército ocupe um complexo de favelas (o da Maré).

Seu passado está morto e enterrado. E a única responsável é ela própria.
Quando olhamos a luta pela redemocratização, o processo histórico, onde estávamos e onde estamos agora, a grande decepção da redemocratização é o PT.

O PT não só virou um imitador do modelo de Fernando Henrique, como, não raro, foi adiante na repressão militarista que os grandes negócios exigem.

O episódio que envolve o mandato coletivo e a volta do exército às ruas do Rio de Janeiro com poderes de polícia ficará marcado na história. Se não ao lado, ao menos bem próximo da posse de uma torturada na presidência. Rodrigo Luis Veloso.
Pelo Twitter Dilma dá mostras também de ser uma total incapaz e uma insensível, além de sempre nos garantir imensas doses de hipocrisia. Milhares de pessoas apanham diariamente nos protestos que tomam as ruas desde junho, e Dilma se limitou a se revoltar quando despentearam um coronel.

Claudia Silva Ferreira foi executada e teve o corpo arrastado pelo asfalto por bandidos fardados.

Onde está revolta, presidente?

Vejam agora seus valorosos e hipócritas comentários sobre as ameaças que a idealizadora do evento "Eu não mereço ser estuprada" recebeu:
Lindo! Agora Dilma vai debater, por exemplo, o direito ao aborto? Vai rever o veto dela à lei que dava paridade de salários entre homens e mulheres? Ou talvez ampliar a conscientização sobre a Lei Maria da Penha? Ah, não vai?

Apenas discursos (a maioria péssimos e vergonhosos) e palavras (vazias). 


É difícil não se comover ao ler o depoimento da Dilma sobre o que ela sofreu na ditadura. Não seria de esperar que ela fosse mais sensível ao sofrimento alheio? Acho que está aí uma prova de que, ao contrário do que costuma pregar a cultura cristã, sofrimento não torna ninguém santo ou melhor, muito pelo contrário, se não for muito bem tratado a tendência é ele simplesmente se perpetuar e se multiplicar. É incrível como a Dilma é um símbolo do que se passa com esse país, e de vítima hoje é lider de um projeto excludente e opressor, é conivente e usa a violência do Estado pra conter tudo o que vai contra esse projeto insano, e as consequencias indesejadas dele, com suas vítimas fatais, tratadas como se fossem meras fatalidades. Foi por fatalidade que você sofreu tudo isso Dilma? Triste. Mariana Parra.
Em tempo, reproduzo texto que postei no Facebook sobre os 50 anos do Golpe. Não podemos esquecer, não podemos perdoar os criminosos que nunca foram punidos e não podemos permitir que Dilma, o PT ou qualquer outro os perdoem por nós.

Nos 50 anos do Golpe os indígenas continuam sem direitos, perseguidos e mortos pelo Estado e seus aliados. Nas favelas o povo ainda é vítima de torturas e execuções. Protestos são reprimidos com violência enquanto a propaganda oficial é de que a economia vai bem e que devemos amar o Brasil ou deixá-lo, mas jamais se opor à Copa de 70, ops, 2014.

Sem dúvida hoje podemos falar, reclamar, apontar os erros e crimes dos governos, dos políticos. Mas em muitos casos somos reprimidos, processados e muitos são até mortos por ousar desafiar o poder.

Os militares nunca forma tocados. Bolsonaro é deputado. A Anistia nunca foi revista e temos na presidência uma ex-guerrilheira que foi torturada, mas discursa e age em muitos casos igual aos seus algozes de ontem - que hoje ela abraça.

Foram 50 anos pra pensar e evoluir, mas pensamos muito, evoluímos pouco. Sem dúvida uma democracia é melhor que uma ditadura, poucos são os que discordam, mas ainda estamos longe de uma democracia real.

Há o que comemorar? Sem dúvida. O que lembrar? Mais ainda. Quem homenagear? Lógico. E mais do que nunca é preciso fazer isso tudo tendo os olhos para o presente e para o futuro.

Repetimos hoje muitos dos erros do passado. A esquerda (sic) no poder se assemelha à direita, é homofóbica, repressora, truculenta. Ainda falta muito a aprender. No trato às mobilizações populares, aos índios, aos divergentes abusa da mesma força polícia repressora que, no passado, vitimava a quem hoje a controla.

O que são as UPPs senão instrumentos típicos de uma Ditadura para controlar o povo mediante o pavor?

Lembremo-nos nesses 50 anos do Golpe que ainda falta muito por fazer, muito por superar e muito pelo que lutar. E acima de tudo, muito que aprender para não repetir.

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Atualização:

Hoje no ato para lembrar dos 50 anos do golpe, no rio, a PM partiu pra cima dos manifestantes. Bandidos de farda à serviço do PMDB e do PT atacaram pessoas que protestavam contra o Golpe. O mesmo Estado que reprimia na Ditadura reprime hoje. Mudamos tanto? 

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

JK foi assassinado, o que a mídia tem a ver com isso? #DesarquivandoBR

A Comissão da Verdade de São Paulo descobriu recentemente algo que muitos suspeitavam: Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil, foi assassinado pela Ditadura Militar.

Muitos suspeitavam ou mesmo sabiam, mas me parece marcante o desdém da mídia com a revelação.

Se por um lado é fato que a morte de Mandela seja um "evento" global, de máxima relevância e que mereça destaque nas "homes" dos jornais online e sites noticiosos, por outro é impressionante o rodapé a que foi relegada a notícia de que um presidente brasileiro foi morto por militares enquanto pregava a volta da democracia e combatia estes mesmos militares.

A notícia do assassinato de JK não figurou em destaque na ampla maioria dos portais e jornais online, com a exceção honrosa do El País que, apesar de ter versão em português, não é brasileiro. Este não teria, em tese, o famoso "rabo preso" com patrocinadores e com a própria história.

Como podemos entender este comportamento, este anti-jornalismo senão pela intenção clara e descarada dos principais jornais de esconder fatos que possam levar a novos questionamentos sobre seus papéis durante a Ditadura (ou mesmo em sua preparação)?

O problema não se limite à falta de destaque nas primeiras páginas, mas também à falta de comprometimento em levar à população os detalhes, os fatos, buscar debater o significado de tal descoberta (ou de tal afirmação de certeza histórica) para o país.

Não superamos a Ditadura. Não superamos a violência, a repressão, o comportamento midiático e parlamentar de superioridade frente ao povo. E jamais superaremos enquanto não for possível iniciar um debate amplo com todos os setores da sociedade sobre sua participação, colaboração e/ou resistência.

Jornais como o Estado de São Paulo ou a Folha de São Paulo apoiaram ativa e entusiasticamente o Golpe e a Ditadura subsequente, fato este narrado em livros de história, em blogs, mas que tais periódicos fazem o máximo esforço para esconder ou para baixar a poeira, sempre que em a tona.

Mais uma vez vemos a repetição do comportamento.

Não interessa à Folha ser novamente questionada sobre seu apoio à Ditadura. Não interessa ao Estadão ser questionado se sabia, na época, que JK havia sido morto pela Ditadura com a qual era conivente.

O questionamento a ser feito a diversos jornais é: Vocês sabiam e esconderam por décadas o assassino (no caso, o Estado Brasileiro) de JK?

Será que algum dia teremos esta resposta?

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Esta postagem faz parte da VIII Blogagem Coletiva #DesarquivandoBR

A blogagem coletiva ocorrerá do dia 10 a 13 de dezembro. Pedimos para que os blogueiros que se agregarem a esta iniciativa deixem um comentário a esta chamada com o link do seu texto, que será divulgado aqui também. No dia 13 de dezembro, aniversário do AI-5, realizaremos um tuitaço a partir das 21h e concentraremos esforços nas postagens também no Facebook. Participem e acompanhem pelo perfil @desarquivandoBR e/ou pela hashtag #DesarquivandoBR no twitter e na nossa fan page no Facebook e coloque a marca da campanha no seu avatar.

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Não existe democracia sem respeito aos direitos humanos, sem memória #DesarquivandoBR


Passaram-se mais de 20 anos desde a chama re-democratização do país. No entanto, nunca estivemos mais longe de uma democracia séria e real e de respeito mínimo aos direitos humanos.

Não existe democracia sem respeito aos direitos humanos, sem memória sem respeito às minorias, aos diferentes, aos demais. Democracia não é apenas votar, não é apenas eleger e ser eleito, mas é parte de todo o processo de convivência dentro de um Estado, dentro de uma cidade, uma região, uma escola, um emprego...

Democracia é o respeito pleno aos direitos, à cultura, à educação, e à saúde e o direito de todos terem voz e decidirem por si mesmos e enquanto grupo/coletivo seu futuro.

Foram mais de 20 anos desde o fim da Ditadura, mas não temos nada disso.

Em grande parte porque não fomos capazes de aprender com a Ditadura, de conhecer a Ditadura e o que ela representou. Não conhecemos seus segredos, não homenageamos nossos mortos, aqueles que tombaram resistindo bravamente, podendo nomear seus algozes, ou melhor, com a sociedade podendo nomear seus algozes e condenar seus algozes.

Tudo é segredo, portas fechadas, arquivos trancados. Mesmo a Comissão Nacional da Verdade (CNV), que com seus poderes limitados e com todas as tentativas governamentais de esvaziá-la, mantém seus segredos, procura afastar o povo de suas sessões que deveriam ser públicas.

O que temem? Sabemos o que temem os militares assassinos e seus comparsas. Sabemos o que temem políticos eleitos cujo passado está ligado á Ditadura. Sabemos o que temem empresários e civis envolvidos com mortes e torturas. Mas o que teme o partido do poder? O que temem estes que se dizem de esquerda mesmo sem sê-lo, que renegam seu passado ou o usam como propaganda para, uma vez no poder, se aliar com seus algozes? E o que temem alguns dos membros da CNV ao querer fechá-la ao público?

Aqueles culpados temem a verdade - sem dúvida não temem a cadeia, pois não será este seu destino, infelizmente - mas o que temem os que deveriam ser inocentes?

São décadas de decisões secretas, de portas trancadas, mas de masmorras sempre prontas a receber novos combatentes e de militares e civis sempre prontos a quebrar, matar e... lucrar.

E continua.

A sociedade não evoluiu nestes 20 anos. Continuamos matando, torturando e morrendo. A polícia continua a aterrorizar, a perseguir, permanece como um aparelho repressor e assustador dos poderosos que hoje não mais vestem fardas, mas se valem das fardas para manter o controle. Outros se valem do medo, o mesmo medo tão familiar no passado. Medo enquanto mercadoria, vendido junto a toalhinhas ungidas e tijolinhos da prosperidade em templos suntuosos feitos para mesmerizar as massas.

Continuamos com medo, continuamos massacrados, continuamos sem nossos direitos básicos.

Continuamos sem memória. Não aprendemos com o passado, pois não o conhecemos.

Tudo que podemos fazer hoje é gritar, é sair às ruas. Mas saímos pouco. Gritamos muito, é verdade, mas para ouvidos moucos. E até que decidam não mais permitir gritar.

O que faremos então?

Não revisamos nosso passado, não vivemos nosso presente, jamais entenderemos nosso futuro.

Estamos fadados a apenas repetir.

Esse post faz parte da VII Blogagem Coletiva #DesarquivandoBR
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ato pelo julgamento e punição dos torturadores Ustra e Gravina #DesarquivandoBR

Dia 11 de dezembro está agendado o julgamento do recurso do Ministério Público Federal contra o não recebimento da denúncia criminal oferecida em face de Carlos Alberto Brilhante Ustra e Dirceu Gravina pelo sequestro de Aluízio Palhano Pedreira Ferreira. Neste julgamento o Tribunal, se acolher o recurso do MPF, determinará o início do processo penal. Caso negativo, será mantido o entendimento de impossibilidade de processo.

O caso é muito importante porque será a primeira manifestação de um Tribunal Federal sobre a tese do sequestro (desaparecimento forçado). Recurso em Sentido
Estrito (RSE) nº 0004204-32.2012.4.03.6181. Relator Desembargador Federal Peixoto Júnior.


Infelizmente o julgamento foi adiado.

Participei do ato tirando uma série de fotos que podem ser vistas no Flickr e gravei um vídeo com o depoimento de Amélia Telles, ex-presa política que foi presa e torturada com toda sua família, inclusive crianças e com sua irmã grávida.


Algumas fotos:
Ivan Seixas
Pedro Pomar
Marcelo Zelic
Deisy Ventura


Amélia Telles
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Batismo de Sangue e Anistia: Quando iremos respeitar quem morreu por nós? #DesarquivandoBR

"São noites de silêncio
Vozes que clamam num espaço infinito
Um silêncio do homem e um silêncio de Deus."
Frei Tito
Assisti sábado, durante a mostra Cinema e Direitos Humanos da América Latina o filme "Batismo de Sangue", baseado em livro de Frei Betto e com atuação magistral de Caio Blat no papel de Frei Tito e direção de Helvécio Ratton.

O filme é excelente. Uma biografia de um dos períodos mais conturbados e violentos de nossa história, carregado de emoção, que mostra o assassinato de um dos grandes heróis do país, Carlos Marighella, e as torturas que sofreram alguns freis que combatiam ao seu lado e de um modo particular. Dentre os presos e torturados, Frei Betto, que escapou das torturas físicas nas mãos de Fleury por ser sobrinho de um General - mas não escapou da tortura psicológica, da prisão e de ver seus amigos e sonhos desmoronarem.

Mas o personagem principal do filme é, incontestavelmente, Frei Tito de Alencar Lima, ou só Frei Tito.

Nordestino, pobre, mas valente na luta e na resistência, foi quebrado aos poucos pelas torturas, pelo pau de arara, pela cadeira do dragão, pela humilhação e pela desesperança. Foi vítima da tortura física e psicológica e, por fim, não conseguiu continuar com sua vida, cercado pelos fantasmas da ditadura, se sentindo perseguido até que, por fim, se suicidou na França, ao não suportar mais sofrer e reviver seu passado de dor.

Não foi fraco, longe disso, sobreviveu às torturas, foi libertado da cadeia em uma troca de prisioneiros, mas não queria deixar seu país. Não morreu apenas devido aos fantasmas, mas devido à distância de sua pátria, da distância de seus amigos e companheiros. Não resistiu viver longe da terra pela qual derramou seu sangue e dedicou sua vida.

Frei Tito é um exemplo de luta, de resistência e de dedicação e merece ser sempre lembrado, assim como seus companheiros que tombaram na luta e os que, hoje, se mantém fiéis aos seus ideais, que não se venderam ou venderam sua luta apenas pelo poder, mas não pelo povo. Não podemos comparar a luta destes heróis com quem, hoje, é consultor de megainvestidores internacionais, com quem abandonou suas bandeiras e ideologia apenas para se manter no poder a qualquer custo.

Estes, que hoje são exemplos de tudo aquilo pelo qual Tito e outros lutaram CONTRA, sujam a história dos verdadeiros resistentes, que preferiram morrer a viver longe de sua pátria ou a vender sua ideologia ou que simplesmente morreram sob tortura ou executados por bandidos a mando do Estado.

E são estes, que traíram sua causa, seus companheiros e sua história que, hoje, estão no poder e se recusam a acatar a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que está completando DOIS ANOS de inadimplência sem que o governo demonstre a intenção de cumpri-la e nem a OEA de aplicar medidas punitivas.

A decisão trata da Guerrilha do Araguaia - da qual nenhum dos principais retratados pelo filme participou -, mas é emblemático. O fim da Lei da Anistia e o julgamento dos criminosos responsáveis pelo Araguaia abriria as portas para que os responsáveis pela tortura de Tito e tantos outros fossem igualmente ulgados e presos.

São pessoas que estão no poder, que TEM o poder para fazer cumprir as decisões da OEA, de usar seu poder e pressão política para facilitar a revogação da Lei da Anistia e de punir torturadores e colaboradores do regime ditatorial em respeito, honra e justiça à memória de seus ex-companheiros, mas que preferem fazer o contrário, não apenas calar sobre a decisão, mas se aliar carnalmente com os algozes do passado.

Nossa luta é por justiça e pela preservação da memória. Para que se conheça, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.

Esta postagem faz parte da sexta Blogagem Coletiva #desarquivandoBR
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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cordão da Mentira: Não esqueceremos os crimes da Ditadura

"Ao contrário dos outros países latino-americanos, no Brasil não houve justiça de transição. Os responsáveis por crimes como tortura e desaparecimento de corpos, chamados de lesa-humanidade, não foram julgados. O Estado brasileiro não investigou os crimes cometidos pela ditadura, mesmo tendo sido condenado internacionalmente pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Isso demonstra que os interesses que levaram os militares ao poder continuam fortes e operantes no cenário político. Não satisfeitos, os militares ainda resolveram satirizar e fazer pouco caso da sociedade brasileira, em mais uma confraternização de celebração. Peguntamos a eles: o que devemos celebrar?". (Trecho do manifesto do "Cordão da Mentira", retirado do Blog do Chico).
Mais de 300 pessoas no auge da manifestação - e possivelmente mais de 500 ao longo de toda a marcha - caminharam desde o Cemitério da Consolação, local onde descansa o corpo da múmia Plínio Corrêa, fundador da TPF, passando pela Maria Antônia, local onde se deu a famosa Batalha da Maria Antônia, onde um estudante da USP foi assassinado pelo CCC (Comando de Caça aos Comunistas),  pela sede (oratório) da TFP em Higienópolis, pelo Minhocão, Folha de São Paulo, Cracolândia e, finalmente, terminando no DOPS, na região da Luz.

Pude ficar apenas até chegarmos ao Minhocão por motivos de saúde - problema muscular na perna, doía pacas caminhar -, mas nas 5 horas em que participei do protesto pude fotografar e gravar diversas demonstrações de emoção e repúdio pela pseudo-democracia em que vivemos, onde militares torturadores e assassinos continuam na mais completa impunidade, com referendo e apoio do atual governo, que se diz de esquerda, mas que se recus a obedecer ordem da CIDH/OEA e rever a Lei da Anistia, decidida pelos militares para se auto-anistiar.

Cantamos durante todo o percurso sambas compostos por ativistas denunciando nossa situação e os crimes não só do passado, mas do presente, como os Crimes de Maio, relembrados pelas queridas Mães de Maio que nos acompanharam por todo o percurso, denunciando que a Ditadura, ou ao menos a repressão contra a população, não acabou e nem acabará tão cedo. Não sem que antes haja uma abertura total dos arquivos, uma reparação completa, a punição exemplar dos criminosos de ontem e, então a punição dos torturadores de hoje.

Como descreveu o Pádua Fernandes:
A multidão desceu a Rua da Consolação, entrou na Maria Antônia, onde foi feita uma homenagem ao estudante José Guimarães, morto pelo CCC (Comando de Caça aos Comunistas) em 1968; desceu até a imagem da Nossa Senhora que a TFP preserva na Rua Martim Francisco. Em seguida, na Rua Fortunato, outra homenagem, ao militante da ALN Marco Antonio Braz (vê-se, na foto, o ativista e ex-preso político Alípio Freire com flores para o homenageado).
Depois de parar na frente de um jornal paulista, com direito a um esquete que incluía a leitura de um curioso editorial que já comentei no blogue (no primeiro post sobre a Comissão da Inverdade), a multidão seguiu e chegou ao prédio do antigo DOPS, hoje Estação Pinacoteca (que abriga o Memorial da Resistência), quase às dezoito horas.
Foi um protesto alegre, com muita música, permeado por homenagens à vítimas de ontem e de hoje, sarau de poesia na concentração (ótimas apresentações do pessoal dos diversos saraus da periferia da cidade e da Grande São Paulo), discursos acalorados, apresentações teatrais e uma longa caminhada pelo centro de São Paulo.

Estão - estamos - todos de parabéns e que o primeiro de abril seja sempre lembrado desta forma, com total repúdio ao GOLPE, mas com muita força de vontade e persistência na denúncia dos crimes cometidos pelo Estado.

Exigimos justiça, verdade, abertura dos arquivos e a punição dos criminosos.

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Foi um prazer enorme encontrar com velhos amigos e conhecidos militantes como Alípio Freire, Lúcio Flavio de Almeida, Lino Bocchini, Débora (Mães de Maio), Danilo Dara, Lúcia Rodrigues, Criméia Almeida, Marcelo Zelic, Júnior (Levante Popular), Pádua Fernandes, Fabio Weintraub, Carlos Carlos e tantos outro(a)s!
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sábado, 31 de março de 2012

Escracho e Abertura dos Arquivos: É hora da VERDADE! #DesarquivandoBR

Ha pelo menos um ano, eu e a Niara de Oliveira (@NideOliveira71) conversávamos sobre a necessidade de se mudar a abordagem sobre os crimes - e os torturadores - da Ditadura. Já não tínhamos muita esperança na justiça brasileira (se é que algum dia tivemos) e já estava claro que Lula não iria, no fim de mandato, desafiar os militares.

Como vimos tempos depois, nem Dilma, ex-presa política, viria a desafiar, mas sim se aliar àqueles que a torturaram e mantiverma o país numa Ditadura brutal por mais de uma década. Comissão da (meia) Verdade feita para agradar, ou ao menos não melindrar os milicos mais chegados e só. Nenhum passo adiante e, na verdade, vários passos atrás com a insistência em se recusar a cumprir decisão da CIDH/OEA sobre a Lei da Anistia.

Pois bem, tivemos uma discussão sobre novas formas de ação e protesto, ou seja, da necessidade de não depender da justiça ou de governos vendidos para demonstrar nosso repúdio aos criminosos da Ditadura e de, ao menos, constrangê-los de alguma forma. Se não seriam presos, que ao menos pagassem com o constrangimento público por seus crimes, que andassem nas ruas sendo apontados como torturadores e assassinos e que tivessem a convivência social enquanto pessoas "normais" dificultada, ou seja, que se tornassem párias.

A idéia, claro, vem em parte da condenação de Brilhante Ustra em tribunal paulista. Se por um lado ele não foi preso, graças à Anistia tão cara à Dilma e ao STF, por outro foi declarado, com todas as letras, TORTURADOR. Um pária.

Qualquer pessoa poderia, então, olhar para quela figura desgraçada e chamá-lo, sem culpas, pelo que ele realmente é: Um monstro torturador.

Nossa ideia - mais da Niara que minha, sejamos honestos -, enfim, era a de realizar manifestações, "escrachos" nas casas e escritórios de conhecidos torturadores. Pixar os muros das casas alertando que ali morava um torturador, colar cartazes, fazer vigílias e muito barulho...

A idéia era constranger e identificar. Deixar claro para vizinhos, conhecidos e transeuntes que ali morava um torturador que merecia ser excluído do convívio social e tratado com o desprezo compatível - mas jamais com violência, nos reduzindo ao nível deles.

A idéia foi apresentada ao Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo que, na época, não achou que seria algo compatível com suas funções. Bem, acredito que estavam certos, pois a força de uma mobilização comandada por jovens sem qualquer ligação com esse passado - a maioria nasceu depois do fim da ditadura  - acabou por se mostrar maior do que se tivesse o comando de uma organização já conhecida e ligada histórica e diretamente à causa.

Como chamar de "revanchismo" a ação de jovens que não teria diretamente do que se vingar? Não que ne mpor um segundo a tese do "revanchismo" cole ou seja aceitável, mas neste caso específico os milicos de pijamas não teriam nem este pífio argumento.

O efeito foi de surpresa, muito maior do que se organizada por quem tem já um histórico na questão.

Depois da surpresa, o choque de realidade: Convivemos com vizinhos e conhecidos que torturaram e mataram e muitas vezes sequer temos noção disto, pois o passado foi escondido, mascarado e criminosos foram perdoados por seus pares, sem que o povo fosse consultado.
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Abrir os arquivos é dever do Estado, se omitir é compactuar com o crime, tripudiar da dor das mães

A chegada do PT ao poder - mesmo que distante daquele PT de lutas de 89 e nem de longe Socialista - trouxe uma nova esperança para o país e, de fato, fez muita coisa, ainda que tenha se limitado a conviver e "humanizar" o capitalismo. Este, aliás, um dos grandes benefícios-problema.

Explico: Se por um lado tirar muita gente da miséria foi um ponto positivo, por outro a forma pela qual escolheram fazer isto foi através do incentivo ao consumo e ao consumismo, logo, aprofundando o capitalismo e o pintando como algo bom, como algo que deve ser perseguido. Tratei disto em outro post e não faz sentido retomar a discussão.

Pois bem, outro grande problema do PT foi ter criado uma gama de militantes acríticos, cegos, incapazes de separar o que é militância ideológica das ações do governo - que por vezes são puramente oportunistas.

As práticas burocráticas e desmandos foram apenas exacerbadas - vide a expulsão dos que foram formar o PSOL. As razões para a expulsão, aliás, tem íntima relação com o tema central dos militantes caninos que critico: Ou você aceita calado as ordens da direção, ou é inadequado e pode/deve ser expulso. Você pode até discordar, mas no fim fique calado e vote com a maioria.

Acreditem, existem aqueles dentro do PT que já não defendem a abertura dos arquivos da Ditadura. Porque? Porque o governo até agora se mostrou covarde e criminoso, abriu as pernas para os militares e para os reacionários (grande parte da aliança que forma o governo) e simplesmente desistiu desta luta.

Claro, existem milhares, talvez milhões de pessoas com as mesmas idéias estúpidas, são vítimas da alienação midiática, pessoas que compraram as desculpas toscas dadas por sucessivos governos, que repetem a tese do "Revanchismo" de forma totalmente acrítica. Mas o que dói é ver militante do PT repetindo este discurso.


Para evitar que haja reclamações, enviam militantes acríticos e caninos para calar os descontentes, para responder às críticas, para fazer, aí sim, o jogo da direita.- e da pior delas, a saudosa da Ditadura.

Antes da eleição, durante o governo Lula era crime criticar, pois isto ajudava a "mídia".

Durante a eleição, criticar o PT, o Lula ou a Dilma era também crime, pois isto era ajudar a direita.

Mas agora, depois da eleição, a tropa de choque continua ativa, e continua sendo crime criticar o governo: Ele tem pouco tempo, é inexperiente, é vítima das alianças (que ele próprio escolheu, diga-se de passagem) e, claro, é dar munição pra mídia e fazer jogo da direita.

Temos todos de nos conformar com o "possível", ainda que isto signifique ter uma ministra da Cultura ligada ao ECAD e que joga contra a militância digital e a cultura do compartilhamento, que signifique abandonar a luta pelo reconhecimento dos Mortos e Desaparecidos e a punição dos Torturadores e criminosos da Ditadura ou que signifique defender a Propriedade Cruzada dos meios de comunicação.

Mas, como o governo simplesmente abandonou as vítimas, vem a tropa de choque abafar, dando as piores desculpas possíveis para justificar mais um crime.

A abertura dos arquivos é um direito das famílias, é garantir que o Estado cumpra o seu dever mínimo em apresentar a verdade à população. Tentar dizer o contrário é ser conivente não só com a atitude vergonhosa do governo, como é ser conivente com a própria tortura, pois é manter escondidos os criminosos.

Abrir os arquivos e punir os torturadores não é luta menor ou secundária. Se hoje ainda persistem estas práticas nas cadeias, nas delegacias, a tortura contra os pobres e o desrespeito por suas vidas, é porque nunca punimos nossos crimes, apenas os esquecemos.

Acho engraçado o duplipensar de quem aplaude a visita "humanitária" de Dilma à Argentina para visitar as Mães e Avós da Praça de Maio, mas não acham estranho que a mesma Dilme não se esforce para abrir os nossos arquivos ou, como na Argentina, processar os criminosos que mataram brasileiros. A própria, aliás, já usou terminologia da direita fascista ao chamar de "Revanchismo" a punição dos torturadores.
“O que o Supremo Tribunal Federal decidiu, decidido está”, "Não sou a favor de revanchismo."
Mas isto não pode ser dito. É fazer jogo da direita... Da direita? A mesma que também é contra a abertura dos arquivos e punição de torturadores? Ah, entendi!

Para disfarçar, muitos militantes acríticos dizem "vejam só o que o governo fez de bom".

Oras, reconhecer o certo não significa esconder o errado. Exigir a verdade. Enquanto não abrirmos os arquivos da Ditadura JAMAIS seremos ou teremos um Estado de Direito. E sinto vergonha, na verdade sinto nojo de quem tenta defender o indefensável, os militares, a tortura e a continuidade da mentira.

É a crítica que faz crescer, a autocrítica que nos mantém sãos e a negação que nos torna coniventes.
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