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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Fechamento da Gazeta Mercantil ou apenas suspensão?

Gazeta Mercantil suspende publicação após 89 anos

Postado por mcavalcanti

ReproduçãoSÃO PAULO (Agência Brasil) - Depois de quase 90 anos de circulação, o jornal Gazeta Mercantil concedeu férias coletivas a cerca de 100 pessoas que integram seu quadro de funcionários. A publicação do jornal, com isso, será interrompida temporariamente.

Estima-se que o jornal, que era controlado pelo grupo Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), tenha cerca de R$ 200 milhões em dívidas trabalhistas. Na semana passada, a CBM publicou um comunicado, em sua página, na Internet, informando que, a partir do dia 1º, não responderia mais pela representação das marcas Gazeta Mercantil e Investnews.

Em resposta à Agência Brasil, a assessora do grupo CBM Roberta Costa disse, por email, "que a constante penhora de receitas financeiras para garantir o pagamento de obrigações trabalhistas e tributárias da antiga Gazeta Mercantil estava inviabilizando a operação do jornal".

DE VOLTA AO ANTIGO PROPRIETÁRIO

O título, agora, volta ao antigo proprietário Luiz Fernando Ferreira Levy. Comunicado assinado pela Gazeta Mercantil S/A e Gazeta Mercantil Participações S/A diz que a interrupção é temporária "e, no menor tempo possível, a Gazeta Mercantil voltará a circular com os padrões de credibilidade, que constituíram seu paradigma de excelência, até o alijamento de Luiz Fernando Ferreira Levy da direção editorial, em virtude do qual este ficou impedido de exercer as funções e encargos de 'guardião da marca', que os contratos com a CBM lhe atribuem".

O presidente da Associação de Funcionários, Ex-Funcionários, Prestadores de Serviço e Credores do Grupo Gazeta Mercantil (Asfunprecre), Marcelo Moreira, ressaltou que a descontinuidade da publicação desvaloriza a marca, que já foi cotada em R$ 80 milhões. "A marca foi penhorada em nosso favor como garantia do pagamento de dívidas trabalhistas", afirmou.

Segundo Moreira, são cerca de 300 ações em que a Gazeta Mercantil figura como ré. O presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Augusto de Oliveira Camargo, disse que o sindicato está acompanhando "tudo de perto". "Nossa função é garantir que quaisquer que sejam as circunstâncias, os funcionários tenham seus direitos garantidos."

TENSÃO ENTRE OS EMPREGADOS

Segundo uma funcionária do jornal, que preferiu não se identificar, os empregados não sabem se serão demitidos e também não têm respostas definitivas sobre seus empregos e salários. Ela disse que houve especulações sobre a demissão. "Na sexta-feira, devemos receber nossos salários e as férias", afirmou.

A funcionária disse, ainda, que espera receber todos os seus direitos e que o grupo CBM afirmou que pagará o que deve aos funcionários do jornal. "Até agora não fomos formalmente demitidos, temos que esperar", completou.

A assessora Roberta Costa afirmou que o grupo CBM é "sensível" e que, durante os 30 dias de férias coletivas dos funcionários, estudará "as possíveis realocações dentre as diversas áreas da empresa".

Por Ivy Farias

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Fechamento da Gazeta Mercantil e crise dos jornais. [Update]


Vi hoje no "Acerto de Contas", excelente blog lá de Recife, onde morei por mais de dez anos (no fim, meus dois centavos):


Depois de 89 anos de circulação, chega ao fim o diário econômico Gazeta Mercantil. Embora pouco noticiado, este é um fato de extrema relevância na imprensa brasileira.

Este é o primeiro fechamento de uma série que deve acontecer nos próximos anos, em face à mudança de comportamento dos consumidores de informação.

É verdade que a Gazeta cometeu uma série de erros administrativos, como a regionalização dos jornais na década passada. Também sofreu uma feroz concorrência do Valor Econômico, que é um jornal muito mais moderno, com excelente conteúdo, mas pode representar uma mudança importante na imprensa brasileira.

No caso da Gazeta, foi uma morte lenta e anunciada. Com quase R$ 200 milhões em dívidas trabalhistas, não se esperava outra coisa.

O modelo de negócios dos jornais diários está ficando esgotado, principalmente em função da internet. A venda avulsa está caindo drasticamente nos últimos anos, e dificilmente a atual estrutura empresarial sustentará os grupos empresariais.

E estamos falando da Gazeta Mercantil, um jornal com boa credibilidade, de reportagens com densidade e voltada a um público específico altamente qualificado. O mais provável é que a marca vá a leilão. Mas isso não muda a essência do problema.

Em Pernambuco ainda temos 3 jornais diários, mas não é segredo para ninguém que a Folha de Pernambuco passa por sérias dificuldades. Como depende de venda avulsa, fica em situação ainda mais delicada, pois o custo comercial acaba muito elevado. E com o consumidor menos disposto a pagar para obter informação, a situação tende a piorar.

O Diário de Pernambuco e o Jornal do Commercio já chegaram a ficar sem circular, no auge da crise na primeira metade dos anos 90. Posteriormente receberam injeção de capital, e tiveram mudança societária e foram arrendados. Isso acabou permitindo forte mudança organizacional.

Mas dos jornais de grande circulação nacional eu já tenho uma dica do próximo a fechar: o tradicional Jornal do Brasil.

Concordo plenamente com a análise, em especial a provável próxima vítima, o JB, que leio sempre que posso e onde encontro a sobriedade de intelectuais como o Santayana, que deixará saudades. O JB ainda hospedou o grande e saudoso Fausto Wolff e, se acabar, deixará saudades mas, é fato, o JB está muito mal das pernas. Ele é impresso na gráfica de outro jornal, tem erros grotescos de português, a seção internacional é paupérrima e limitada à notícias compradas de agências, é um jornal muito pequeno e limitado e.... bem, caminha para seu fim, infelizmente.

Este pode ser o prenúncio da catástrofe, ou pode ser só o reflexo de péssima gestão e decisões erradas. Já comentei sobre o assunto aqui, sobre a crise dos jornalões, e este assunto parece recorrente.

Enquanto a mídia tradicional - o mesmo funciona para a indústria de músicas e afins - não aprender a se integrar com a internet, enfrentará sérios problemas. Ok, alguns jornais - como o JB - pouco tem a fazer, mas a adaptação às novas ferramentas é vital.

Copio parte do post anterior sobre os jornais e sua crise, que cai como uma luva no atual post:

"O fenômeno é mundial, a redução de tiragens é um fenômeno mundial e aparentemente irreversível. O NYT acumula prejuízos, o Boston Globe idem, alguns jornais nos EUA, como o The Christian Science Monitor circulam apenas online, alguns outros ainda circulam em poucos dias na semana... Não é algo que ocorre só no Brasil, é algo que finalmente chegou de vez ao Brasil.

As razões são várias.

Não é só a internet a vilã, mas também a falta de credibilidade, o gosto dos leitores e os novos tempos e ferramentas.

Vamos a alguns fatos em destaque:

1. Internet: Sem dúvida o principal "vilão" na história. Mesmo os grandes jornais colocam suas edições diárias na internet, seja de forma aberta ou paga. E ao longo do dia podemos acompanhar, de graça, com rapidez e comodidade, e onde quer que estejamos, o que acontece pelo mundo todo no site dos jornais, nos blogs e em várias páginas da internet.

2. Mobilidade

Quando assinamos um jornal o recebemos em casa. Se viajamos ele continua a chegar em casa e não vai até onde estamos. Caso viajemos, temos que nos locomover até um banca e nem sempre o jornal que você quer estará lá. Eu, por exemplo, leio todo dia a edição online do Gara, do País Basco, no Brasil é impossível achá-lo em qualquer banca.

3. Pílulas

Um ponto interessante é o fenômeno atual, graças à velocidade não só com que tudo ocorre e as informações chegam, mas também a falta de tempo/pressa dos leitores quando são bombardeados com milhões de informações ao mesmo tempo. É a pós-modernidade em sua verdadeira natureza. Os leitores procuram por notícias rápidas, explicativas e simples, que possam ser digeridas sem perda de tempo - vê-se o sucesso da Revista da Semana, qeu adota o modelo - e os jornais, com suas várias páginas de análises e notícias longas acaba colocad oapra escanteio.

4. Credibilidade

Ponto, ao meu ver, principal, ao menos recentemente no Brasil, a falta de credibilidade, ética e respeito. Os episódios da Ditabranda (que mostrei aqui e aqui) e mais recente da ficha de Dilma, claramente forjada e depois reconhecida como tal pela Folha, demonstram a falta de credibilidade, comprometimento e ética dos grandes jornais.

Não fala-se em neutralidade, imparcialidade, isso não existe, todos somos influenciados por alguma coisa e acreditamos em algo, ao buscar a imparcialidade não passamos o que realmente gostaríamos de passar à frente. Mas senão imparcialidade pelo menos não a mentira, não os ataques insensatos, o desrespeito e a tentativa clara de derrubar, atacar sem provas.

Não apoio o governo, não sou Petista nem gosto do Lula mas uma coisa é fazer oposição (como faço, à esquerda) e outra é denegrir, mentir e manipular, como vem fazendo os jornais brasileiros e em especial a folha de São Paulo.

Em suma, os jornais estão morrendo, não conseguiram ou não querem se adaptar aos novos tempos e, no caso brasileiro, soma-se a isso a falta de ética e credibilidade e o flagrante desrespeito ao leitor."
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Alguém parece pensar:

Chicago Tribune aposta em novo portal de notícias

Postado por mcavalcanti

ReproduçãoO jornal Chicago Tribune, dos Estados Unidos, colocou no ar nesta semana o portal ChicagoNow, que pretende combinar, em uma só plataforma, recursos de mídia social, conteúdo noticioso, opinião de celebridades, loja virtual e uma rede de blogs de especialistas em diversos assuntos voltados para à cidade americana, como esportes, política e entretenimento.

Ainda em construção e anteriormente previsto para ir ao ar em junho, o site, que está sendo comparado ao The Huffington Post, da jornalista britânica Ariana Huffington, já possui mais de 30 blogs e espera, até o final de 2009, agregar pelo menos 80 blogs. Com o lançamento, o grupo espera capturar 35% do tráfego Web local, já que a idéia, segundo comunicado oficial, é reunir usuários de Chicago.

O novo portal promete ainda fazer um eficiente uso de ferramentas de publicidade online, para entregar anúncios relevantes ao público. Um vídeo promocional sobre o empreendimento pode ser visto aqui. JW.

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