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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Nota de solidariedade aos lutadores do PSOL: Macapá não representa o partido

O PSOL não é puro. Nunca pregou "pureza", como repetem seus detratores, porém sempre pregou alianças ideológicas. Há uma enorme diferença entre pureza e ideologia. Infelizmente para os petistas a diferença não existe mais, na verdade, nem a ideologia parece ter restado para a maioria.

Randolfe Rodrigues, Senador do PSOL pelo Amapá e Clécio Luis, candidato a prefeito de Macapá estão passando por cima da decisão do partido de não realizar alianças com partidos opostos ideologicamente ao PSOL (DEM, PSDB, etc) e aparentemente não sofrerão nada por isso.

No Rio Grande do Sul e em outros estados, as direções estaduais tem expulsado aqueles que insistem ou insistiram em se aliar com partidos não aprovados pela direção nacional ou estadual, mas no Amapá nada acontece.

Ivan Valente, presidente do partido - figura que admiro - e membro da mesma tendência que Randolfe e Clécio, não se manifesta, para desgosto dos militantes e simpatizantes do partido e alegria dos petistas que podem - ou acham que podem - rir à toa pelo fato do PSOL ter, em teoria, se prostituído como o PT.

Mas o buraco é mais embaixo.

Não nego que a decisão do Amapá e o silêncio da direção nacional não sejam vergonhosos e criminosos, porém temos de lembrar que várias direções estaduais e municipais já repudiaram tal aliança, assim como vários militantes e membros de diretórios também o fizeram por notas e comunicados.

Em outras palavras, a direção do PSOL do Amapá está, no mínimo, isolada, e sendo sustentada por alguns elementos do Diretório Nacional, mas não encontra apoio ou eco junto à parte significativa da militância.
Ora, o PSOL de todo o país, que acabou de brilhar com uma campanha eleitoral de esquerda, não merece uma agressão como esta que está sendo feita contra ele. É evidente que a candidatura a prefeito de um deputado federal do DEM, apoiada por DEM, PTB e PSDB, só pode ser uma candidatura de direita, da qual não devemos buscar o apoio, e com a qual, muito menos, podemos fazer qualquer aliança programática. Tampouco faz nenhum sentido fazer com estes partidos uma “aliança pela moralidade”. DEM, PTB e PSDB estão na lista de partidos com os quais o DN do PSOL proibiu qualquer aliança nas eleições de 2012. Se esta aliança se mantiver, representará uma mancha que envergonhará e indignará todo o PSOL; obviamente, não se trata de um assunto do PSOL do Amapá apenas.

Um partido cuja razão de ser é representar uma alternativa de esquerda à adaptação da maior parte da antiga esquerda brasileira ao social-liberalismo não pode tolerar esta aliança em Macapá, sob pena de se desmoralizar e de comprometer todo o seu discurso político. A desastrada política encaminhada em Macapá deve ser revertida, ou os responsáveis por ela deverão ser sancionados pelo partido. Se não adequarem sua atuação à linha do partido, não deverão ter lugar nas suas fileiras.
Petistas que comemoram este caso devem esquecer que apoiaram Dudu "Milícia" Pas e que estão eles próprios coligados com o DEM, o PSDB e o PTB em diversos estados e cidades do país - sem qualquer constrangimento, mesmo com a aliança com Maluf e o PP. Apenas alguns poucos petistas ainda conscientes de seu papel e de sua ideologia se insurgiram no Rio e apoiaram Marcelo Freixo contra as milícias, empreiteiras e o imenso poder econômico do PMDB que usa o PT para remover à força famílias de suas casas.

E pelo país podemos citar o apoio do PT ao candidato Edmilson, do PSOL, em Belém. Mas fora isso, vemos um partido aliado de qualquer outro disposto a ceder algumas vagas, cargos e dividir o poder com os Lulo-Dilmistas. Alias, é precciso deixar bem clara a diferença entre os petistas ideológicos e os adeptos do NeoPT e Lulo-Dilmistas. São categorias diferentes, ainda que os ideológicos, na maioria das vezes, se limitem a servir como basse de apoio à direção de direita que os usa para mostrar que ainda são de esquerda, apesar das privatizações, remoções forçadas, homofobia, obras criminosas e etc...
De Milton Temer no Facebook:
Diante de vídeos sobre o ato político em Macapá, comprovando aliança inaceitável do PSOL no 2°turno, reitero meu acordo com a nota divulgada pela Presdiência do Partido, onde fica claro não haver anuência da direção com opções adotadas no Amapá. Mais, não afirmo publicamente, reservando-me para o debate que o partido fará, concluído o atual processo eleitoral. Luta que Segue!!
O PSOL de fato enfrenta uma crise interna, mas definitivamente uma crise localizada e que não altera a concepção de partido e de ideologia da ampla maioria de seus membros que devem, porém, se manter firmes no reúdio a qualquer aproximação com o DEM, PSDB e semelhantes.

Toda essa história começou como um "apoio" - e não aliança - por parte do candidato derrotado do DEM em Macapá e acabou por se desenvolver até uma verdadeira aliança. Oras, mesmo o apoio deveria ter sido repudiado, não se aceita o apoio da direita fascista, racista  escravista brasileira nem de graça, que o diga aceitar se coligar ou mesmo incorporar pontos do programa de governo (sic) do inimigo.

É urgente que os militantes e dirigentes do PSOL se movam e consigam barrar esta aliança que é um desrespeito ao partido e à sua lutae põe em cheque o papel do partido enquanto alternativa de esquerda - ao menos localmente. Uma decisão rápida e dura é a única aceitável a fim de evitar que cresça o descontentamento e desconfiança que já é possível observar e, claro, para que não se permita ao NeoPT e seus aliados da direita e extrema-direita aproveitem a situação.

O PSOL nasceu como uma alternativa e após as últimas eleições mostrou que há espaço para crescer e para ocupar e não merece ter sua história manchada desta forma.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Crise: O drama grego e os abutres

Dimitris Christoulas, de 77 anos, se suicidou na praça Sytagma – principal de Atenas – com um tiro na cabeça no último dia 4 de abril, às 9 da manhã.

Poderia ter sido “apenas” um suicídio de um senhor em desespero pro alguma razão ignorada, obscura, se não estivesse a Grécia passando pela sua maior crise em décadas e se sua carta de despedida nãofosse tão explícita quanto às razões para seu suicídio.

Não apenas um suicídio, aliás, mas talvez a fagulha que faltava para a rebelião total e incondicional do povo grego.

No ponto máximo de seu desespero, Christoulas  escreveu um bilhete – encontrado em seu bolso – onde afirmava que ou morria ou teria de buscar comida no lixo.
“O governo de ocupação de ‘Tsolakoglou’ (referência ao primeiro ministro grego que durante a guerra, em 1941, colaborou com a ocupação nazista do país) aniquilou qualquer possibilidade de sobrevivência para mim, baseada em uma aposentadoria digna que paguei por minha conta sem nenhuma ajuda do Estado, durante 35 anos.
Dado que minha idade avançada não me permite recorrer à força – embora se um grego empunhasse um Kaláshnikov, eu seria o segundo a fazê-lo -, não me restou qualquer outra solução para um final digno, antes de ser obrigado a buscar comida no lixo.
Tenho fé que um dia os jovens sem futuro se erguerão em armas e na praça Sintagma pendurarão os traidores da nação, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945.” (http://is.gd/YzDMy1)
Ele não faz parte de uma história isolada, na verdade é o retrato fiel do desespero que toma conta da população grega em um país que se encontra afundado em dívidas, governado por um grupo de tecnocratas que não foram sequer escolhidos pelo povo e sem soluções fáceis para escapar de uma crise que se espalha pela Europa de maneira devastadora.

Uma crise que também não é fato isolado, mas tão somente a cara mais cruel do capitalismo em crise.
Mesmo após este terrível episódio, o governo grego não dá mostras de ter se sensibilizado, nem irá afrouxar as medidas draconianas impostas ao povo, que resultaram em altíssimas taxas de desemprego, escalada de preços e revolta popular.

Há meses a população grega protesta de forma violenta, chegando a queimar diversos prédios públicos, por toda a Grécia enquanto uma parte considerável da população começa a ter de pedir dinheiro para se alimentar e a passar fome.

Os bancos europeus, assim como a Alemanha – país mais rico da União Européia e principal responsável pelas medidas de “austeridade” impostas ao povo grego - , não demonstram a menor preocupação com o destino do povo, pois estão mais interessados em garantir ao menos uma pequena parte de seus “investimentos” e chegam a cogitar até mesmo uma expulsão do país do grupo, o que seria semelhante ao ato de lavar as mãos e deixar a Grécia à própria sorte, depois de ser devidamente depauperada e sugada até o último centavo.

O que importa aos capitalistas europeus é reaver (parte de) “seu” dinheiro e não será agora que um pequeno empecilho – o povo – irá lhes causar problema ou sensibilizar.

A Grécia é o mais bem acabado exemplo do poder nocivo do capitalismo em sua versão financeira, em sua expansão quase cancerosa que não poupa nada, nem ninguém. A fome a o desespero que assolam os gregos não é nada para os abutres do capital.
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Artigo publicado na edição impressa do Jornalismo B nº 35 (2ª quinzena de abril)

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Crise grega: Papandreou é o Jânio Quadros que deu certo?

O primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, venceu mais uma no seu teatrinho grego perfeitamente encenado. Conseguiu sua esperada aprovação no parlamento, que reafirmou mais uma vez sua confiança no governante. Uma vitória para ele, para a União Européia e, principalmente, para os bancos.

Há alguns dias Papandreou surpreendeu o mundo com o anúncio de que iria realizar um referendo para que a população decidisse se a Grécia iria aceitar os termos impostos pela UE para o salvamento (sic) do país.

Revolta de um lado, surpresa do outro, muita confusão... Mas, no fim, uma farsa muito bem ensaiada. Papandreou é o Jânio Quadros que quase deu certo.

Suas bravatas, ao contrário das do ex-presidente brasileiro, foram engolidas. Não pelo povo, mas pelo parlamento, o que escancara que tipo de democracia a Europa adotou para resolver seus problemas.


Primeiro ato

Sua tentativa-farsa de um referendo para que a população decidisse o futuro da Grécia, o pagamento das dívidas feitas e a aceitação de novos "pacotes" financeiros lembrava em muito os referendos feitos na Islândia em que a população soberanamente decidiu que não iria aceitar pagar pelas dívidas contraídas por seus bancos.

Os islandeses se recusaram a permitir que o governo pagasse, com dinheiro do povo, o rombo que seus bancos causaram. Os bancos eram os responsáveis e não cabia à população pagar pelos prejuízos que especialmente o Reino Unido e a Irlanda tiveram. E as "terríveis conseqüências" anunciadas por estes e outros países, até o momento, não se concretizaram.

Hoje, a Islândia está em franca expansão, com uma constituição escrita colaborativamente pela população e experimentando os benefícios da democracia participativa, e não a "democracia" dos bancos e das organizações financeiras internacionais.

Uma derrota doída para o mercado que, obviamente, não podia permitir uma repetição que se tornasse a regra.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Berlusconi caiu....

... e isto não significa nada.

Não significa, pois Berlusconi sai do governo, mas continua no poder. Ainda é o homem mais rico e poderoso da Itália, continua sendo a eminência parta da direita italiana e detém amplo poder midiático no país.

Sua queda significa o mesmo que a de Papandreou na Grécia. Ambos saem chamuscados (ainda que o grego saia mais por cima, tendo conseguido enganar todo o país com um pseudo-referendo que resultou em uma coalizão ampla com a direita para aprofundar as políticas opressivas européias), mas não deixam o cenário político, ainda que possam cair em uma auto-induzida invisibilidade pública momentânea, esperando a poeira baixar.

Berlusconi, porém, dificilmente conseguiria ficar invisível. Não necessariamente pela política, mas por suas amantes e sua vida pra lá de... animada. Como cheguei a ouvir (não me recordo a autoria), Berlusconi sai da vida para entrar na boate.

Porém, aquilo que realmente importa, partidos, políticos e sistema corrupto continuam sendo os mesmos.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cidadania ou a eterna necessidade de consumir

Assistindo ao programa de entrevistas do Rodrigo Vianna na Record News com o Plínio de Arruda Sampaio e o Igor Fuser (os três são pessoas pelas quais nutro grande admiração), pude ter uma verdadeira aula sobre crise do capitalismo e, claro, a visível crise da esquerda, incapaz de se re-inventar e tomar a frente nos vários protestos que surgem pelo mundo.


Nos países árabes lideranças despontavam por todos os lados, localizadas, específicas, mas incapazes de guiar os rumos de uma massa que queria mudanças, mas não inha programa.

Na Inglaterra vê-se uma total falta de organização. Protestos legítimos e insatisfação explosiva se misturando com atos reprováveis devandalismo (mesmo que frente ao vandalismo do governo na entrega de dinheiro público aos bancos e na violência injustificável da polícia contra o povo) e uma esquerda que não existe.

Conservadores, liderados por Tatcher dilapidaram o Estado inglês e todo o processo foi aprofundado ou ao menos continuado por Blair e os trabalhistas que de esquerda não tinham nada. Hoje a direita permanece no poder, apenas mudou o partido, e a esquerda não sabe o que fazer.

Na Espanha, os indignados demonstram a mais completa insatisfação com a política tradicional e com os partidos, onde PP e PSOE são faces da mesma moeda. Partidos neoliberais, privatizantes e dispostos a fazer de tudo para salvar os bancos - mas não o povo. Na falta de uma alternativa viável, resta a indignação que dificilmente evitará uma vitória acachapante do PP nas eleições de novembro. PP ou PSOE são a mesma coisa e nenhuma alternativa parece estar sendo criada e nenhum outro grupo ou partido conseguiu capitalizar a insatisfação popular.

No Chile a situação é um pouco diferente, a politização (mesmo partidarização) da população é imensa, mas ainda não se sabe que reflexos os protestos trarão em termos eleitorais ou se haverá real mudança no quadro político e mesmo social chileno.

E aqui no Brasil, vemos movimentos aparelhados, CUT demonstra insatisfação contra o governo apenas nas páginas de jornais, a UNE faz o mesmo, discordâncias pontuais não passam de notinhas e reclamações inócuas, no resto do tempo o mesmo apoio cego e inconsequente de sempre.

Parte da esquerda está disposta a apoiar tudo em nome de um governo francamente de direita, mas com um verniz avermelhado pelas políticas sociais que escondem intenções não tão nobres.

Políticas compensatorias, quando emergenciais, são corretas, mas no governo Lula/Dilma viraram perpétuas, pois não há qualquer planejamento para se ir além. E nem haverá qualquer lanejamento sério, pois, como analisou Plínio no programa,  o governo prefere manter o povo amarrado e fiel, não quer emancipá-lo, coisa ue demanda trabalho, demanda dinheiro, tempo e paciência e, acima de tudo, demanda peitar interesses poderosos.

O governo mantém o povo refém de suas políticas compensatórias ao tempo em que garante lucros históricos ao empresariado. Se é verdade que o poder aquisitivo melhorou, muita gente saiu da miséria, por outro o fosso entre mais ricos e mais pobres continua igual ou maior.

E as políticas compensatórias do governo tem apenas a intenção de manter esta realidade. Basta fazer o cálculo. Você dá uma especialização mínima ao povo, manda para uma UnieEquina e entrega funcionários baratos para indústria.

Deixo claro, eu sou a favor de Bolsa Família, de ProUni, mas, como já exaustivamente escrevi sobre neste blog, garantindo emancipação popular, garantindo saídas, garantindo cidadania.

O modelo atual é perfeito para a perpetuação do capitalismo, porque no meio tempo você "insere" via consumo a população mais pobre, incutindo a "necessidade de consumir" como se isso fosse cidadania. E parte da esquerda aplaude, achando que isso é uma revolução.

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Aos que estranham a ausência de postagens, informo que estou num período de muito trabalho no mestrado, com entrega de artigos, relatório parcial pra FAPESP (agência de financiamento) e futura viagem para Recife para apresentar trabalho na Intercom.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Os custos de um casamento real para o povo...

...vão além do mero valor do dinheiro.

Não se sabe ainda quanto custará o casamento do Príncipe William com Kate Middleton, mas poucos se importam.

A família da noiva desembolsará 257 mil reais, enquanto a família real britânica arcará com o resto (e o Estado com os custos de segurança e outros...). O casamento de Lady Di com Charles custou pelo menos 48 milhões de dólares, este deve ser mais "em conta", mas, ainda assim, é uma afronta.
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Ao menos 12 milhões de dólares custará o casamento. Módico, não? São tempos de crise!
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O dinheiro para a cerimônia sairá quase que exclusivamente dos bolsos do contribuinte. Exceto o valor pago pela família da noiva, todo o resto vem do povo, pois de onde será que vêm o dinheiro da família real, senão dos impostos? Qual o sentido na população de um país pagar pela vida de luxo de quem simplesmente nasceu achando ter este direito?

Mas este é o menor dos problemas. A economia do Reino unido receberá cerca de 1.35 bi de reais só com a compra de produtos comemorativos, turismo, alimentação e hospedagem de convidados, turistas, curiosos...

Isto, em teoria, serviria pra balancear a situação. O Estado gasta alguns milhões com um casamento e em troca o Estado recebe bilhões em divisas. Mas não é assim tão simples.

Em primeiro lugar, há a aberração inicial do povo ser forçado a sustentar o luxo de uma família real. Mas segundo pesquisas, o povo está satisfeito com a situação, então passemos adiante.

Em segundo lugar há o problema de que todos pagam imposto, irrestritamente, mas apenas alguns setores irão se beneficiar da entrada de capitais. Aqueles que foram demitidos durante a crise, ou que foram precarizados dificilmente se beneficiarão de qualquer nova entrada de divisas vindas do casamento. Este que pode fortalecer provisoriamente alguns setores da economia, mas não reerguer sua totalidade ou mesmo beneficiar a todos que pagam por ele.

Podemos ter a criação de empregos temporários durante o evento? Sim. Mas só isto, temporários.

E, o ponto principal, a crise mundial. O Reino Unido passa por uma crise imensa (uma crise mundial, claro), em que cortes de gastos vem precarizando diversos setores, como a saúde e a educação. Antes um modelo, a educação britânica vem sendo sucateada. Milhares de estudantes (cerca de 500 mil em um só dia) já marcharam por Londres para protestar contra os cortes que ainda farão o valor das universidades aumentar, possivelmente inviabilizando o acesso à educação superior para muitos.

E nada disto vai mudar com o casamento real. A educação continuará precarizada, a saúde continuará a sofrer ataques, os funcionários públicos demitidos continuarão sem empregos. Alguns setores da economia se beneficiarão? Sim. Mas pra isso TODOS terão de pagar. Todos pagam, uns se beneficiam e o recado está dado.

O recado de que a elite não se curvará frente à crise. continuará a ostentar e desfilar sua riqueza não importa o que aconteça.

Governos do mundo todo pedem contenção, austeridade, corte de gastos... Na Espanha uma imensa crise pelas viagens de primeira classe de Eurodeputados enquanto o povo recebe salários de fome.

Mas para a família real britânica e sua elite, pouco importa. Se o povo passa fome, se perde empregos, se não consegue ter educação ou saúde, não importa. Importante é o casamento real para que um grupo de desocupados continuem a demonstrar sua superioridade perante o povo que, como macacos amestrados, irão aplaudir, se emocionar e rezar para que os ricos fiquem ainda mais ricos.

Algumas horas depois, ou talvez alguns dias depois, a ficha cairá pra alguns, que voltarão às suas casas humildes e continuarão a procurar por emprego para sobreviver. Mas a maioria ficará eternamente hipnotizada pelo espetáculo midiático ímpar, que vende a riqueza como suprema felicidade, ou melhor, a riqueza dos outros como suprema felicidade.

Trata-se de mais do que o valor do casamento ou mesmo das divisas que retornarão e se multiplicarão, mas da imagem, da mensagem. Ostentação é a ordem, a moda e a crise deve ser enfrentada com gastos, com desperdício... Mas apenas pela elite! O povo deve continuar a apertar os cintos e proporcionar a felicidade dos que estão no andar de cima.

O mundo gira, mas continua no mesmo lugar.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Por que a Mídia pisca

O recente artigo do Eduardo Guimarães, "Por que a mídia piscou", é interessante mas soa um tanto quanto inocente.

De fato, as premissas são válidas, a mídia nacional, nosso querido PIG, parece ter dado uma leve mudada em seu posicionamento comum de louvar os DemoTucanos, Kassab e afins e vem até timidamente elogiando - ao menos reconhecendo avanços - (d)o Lula e seu governo.

Mas a conclusão de que isto se deve à um possível crescimento de Dilma nas pesquisas não procede. Ao menos não considero esta a única ou a possível razão final.

Em primeiro lugar cabe lembrar que os jornais estrangeiros estão noticiando a marolinha do Lula como fato consumado. Sem dúvida a Folha, Estadão e afins não tem peito para discordar abertamente de um Le Monde, por exemplo. Como sustentar a crise se o mundo anuncia que, ao menos no Brasil, ela acabou e foi branda?

O PIG, pelo menos, sabe de suas limitações e credibilidade, ou falta dela. Contra um Le Monde, um NYT e afins, não se briga. Outro ponto interessante para se analisar é o comportamento em torno do Kassab. Das duas uma, ou o Serra de fato rompeu com a triste figura - e a indicação do Picolé de Chuchu é um forte indício - ou então as desculpas para os cortes - crise - vão pelo mesmo caminho do que os jornais internacionais noticiam: Crise? Que crise?

Concentrando mais em Kassab eu diria que algumas de suas atitudes são simplesmente indefensáveis e a revolta causada por elas tornam impossível para o PIG, já em crise de credibilidade, se posicionar favoravelmente ou ao menos de forma conciliadora. Ainda mais, vale lembrar, porque desde o primeiro corte de Kassab, o da varrição e coleta de lixo, o efeito foi imediato, o caos completo na cidade.

Mera questão de bom senso, por mais que o PIG careça de algum, não defender um dos maiores responsáveis pelo caos. Se o povo joga lixo nas ruas e a coleta é insuficiente, culpa de Kassab pois, ou não se preocupa com a situação do lixo ou não está nem aí para a educação, afinal, é sintoma de falta de educação o ato de emporcalhar as ruas. Não tem escapatória.

Em suma, a idéia de que tudo não passa de fatos isolados - subida de Dilma, rompimento de Serra com Kassab e etc - não me parece procedente. Vejo, sim, um conjunto de acontecimentos, todos os citados pelo Guimarães, mas também uma forte pressão da mídia internacional - não intencional - e também reflexo da pressão interna, efeito da internet, dos protestos, da revolta que reportagem sobre reportagem os jornais vem causando.

Outro grande problema, talvez o crucial, da análise seja a idéia de que o Brasil está dividido em uma guerra-fria particular entre DemoTucanos e seus aliados midiáticos e Lula/Dilma e o pobre PT. Não é verdade. Obviamente o PIG tem maior simpatia pelo lado "direito" do poder, Serra, Democratas, Tucanos e corja limitada, mas não procede que todos os males sejam causados apenas pelo ódio ao PT - que em muitos pontos se assemelha ao Tucanato e se aliançou com uma corja tão ruim quanto a que ficou de fora.

A análise individual dos fatores nos induz ao erro, a acreditar que se trata tudo de uma preparação para o ataque final, de medo da Dilma, de falta de credibilidade.... Vejam, falta de credibilidade os jornais sofrem ha anos!

Eenfim, concordo que algo está por detrás da significativa mudança de tom da mídia, mas discordo da idéia de fatos isolados para analisar caso-a-caso os ocorridos. Tudo faz parte de um mesmo bolo e contribuem para esta nova posição midiática desde a simples verificação dos editoriais estrangeiros, passando pelas obviedades cotidianas (caos, revolta popular quanto às creches, etc), rompimento de alianças (Serra e Kassab) até a pressão exercida pela mídia independente, blogs, twitter e afins.

E, sustento, a idéia de que existe uma conspiração para derrubar Dilma é risível, o que existe é uma tentativa clara do PIG empossar um dos seus, um DemoTucano aliado, não importa quem esteja do outro lado, seja Dilma, seja Lula, seja até o Garotinho! No fim das contas, o que vemos é a oligarquia rachada, divididos entre o apóio ao Neo-PT e o ódio à tudo que esta nova "formação" representa.

O caso Globo versus Record, aliás, é uma perfeita ilustração do que digo, de um lado os Bispos que receberam toda a ajuda possível de Lula, uma parte da oligarquia, e do outro a Globo  eterna rival de Lula, PT e cia, chorando as pitangas perdidas.

Vemos, para terminar, uma luta entre oligarquias rachadas, acima de qualquer outro fator ou análise. PIG/Oligarquia versus (antigo) PT não existe.
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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Fechamento da Gazeta Mercantil ou apenas suspensão?

Gazeta Mercantil suspende publicação após 89 anos

Postado por mcavalcanti

ReproduçãoSÃO PAULO (Agência Brasil) - Depois de quase 90 anos de circulação, o jornal Gazeta Mercantil concedeu férias coletivas a cerca de 100 pessoas que integram seu quadro de funcionários. A publicação do jornal, com isso, será interrompida temporariamente.

Estima-se que o jornal, que era controlado pelo grupo Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), tenha cerca de R$ 200 milhões em dívidas trabalhistas. Na semana passada, a CBM publicou um comunicado, em sua página, na Internet, informando que, a partir do dia 1º, não responderia mais pela representação das marcas Gazeta Mercantil e Investnews.

Em resposta à Agência Brasil, a assessora do grupo CBM Roberta Costa disse, por email, "que a constante penhora de receitas financeiras para garantir o pagamento de obrigações trabalhistas e tributárias da antiga Gazeta Mercantil estava inviabilizando a operação do jornal".

DE VOLTA AO ANTIGO PROPRIETÁRIO

O título, agora, volta ao antigo proprietário Luiz Fernando Ferreira Levy. Comunicado assinado pela Gazeta Mercantil S/A e Gazeta Mercantil Participações S/A diz que a interrupção é temporária "e, no menor tempo possível, a Gazeta Mercantil voltará a circular com os padrões de credibilidade, que constituíram seu paradigma de excelência, até o alijamento de Luiz Fernando Ferreira Levy da direção editorial, em virtude do qual este ficou impedido de exercer as funções e encargos de 'guardião da marca', que os contratos com a CBM lhe atribuem".

O presidente da Associação de Funcionários, Ex-Funcionários, Prestadores de Serviço e Credores do Grupo Gazeta Mercantil (Asfunprecre), Marcelo Moreira, ressaltou que a descontinuidade da publicação desvaloriza a marca, que já foi cotada em R$ 80 milhões. "A marca foi penhorada em nosso favor como garantia do pagamento de dívidas trabalhistas", afirmou.

Segundo Moreira, são cerca de 300 ações em que a Gazeta Mercantil figura como ré. O presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Augusto de Oliveira Camargo, disse que o sindicato está acompanhando "tudo de perto". "Nossa função é garantir que quaisquer que sejam as circunstâncias, os funcionários tenham seus direitos garantidos."

TENSÃO ENTRE OS EMPREGADOS

Segundo uma funcionária do jornal, que preferiu não se identificar, os empregados não sabem se serão demitidos e também não têm respostas definitivas sobre seus empregos e salários. Ela disse que houve especulações sobre a demissão. "Na sexta-feira, devemos receber nossos salários e as férias", afirmou.

A funcionária disse, ainda, que espera receber todos os seus direitos e que o grupo CBM afirmou que pagará o que deve aos funcionários do jornal. "Até agora não fomos formalmente demitidos, temos que esperar", completou.

A assessora Roberta Costa afirmou que o grupo CBM é "sensível" e que, durante os 30 dias de férias coletivas dos funcionários, estudará "as possíveis realocações dentre as diversas áreas da empresa".

Por Ivy Farias

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Fechamento da Gazeta Mercantil e crise dos jornais. [Update]


Vi hoje no "Acerto de Contas", excelente blog lá de Recife, onde morei por mais de dez anos (no fim, meus dois centavos):


Depois de 89 anos de circulação, chega ao fim o diário econômico Gazeta Mercantil. Embora pouco noticiado, este é um fato de extrema relevância na imprensa brasileira.

Este é o primeiro fechamento de uma série que deve acontecer nos próximos anos, em face à mudança de comportamento dos consumidores de informação.

É verdade que a Gazeta cometeu uma série de erros administrativos, como a regionalização dos jornais na década passada. Também sofreu uma feroz concorrência do Valor Econômico, que é um jornal muito mais moderno, com excelente conteúdo, mas pode representar uma mudança importante na imprensa brasileira.

No caso da Gazeta, foi uma morte lenta e anunciada. Com quase R$ 200 milhões em dívidas trabalhistas, não se esperava outra coisa.

O modelo de negócios dos jornais diários está ficando esgotado, principalmente em função da internet. A venda avulsa está caindo drasticamente nos últimos anos, e dificilmente a atual estrutura empresarial sustentará os grupos empresariais.

E estamos falando da Gazeta Mercantil, um jornal com boa credibilidade, de reportagens com densidade e voltada a um público específico altamente qualificado. O mais provável é que a marca vá a leilão. Mas isso não muda a essência do problema.

Em Pernambuco ainda temos 3 jornais diários, mas não é segredo para ninguém que a Folha de Pernambuco passa por sérias dificuldades. Como depende de venda avulsa, fica em situação ainda mais delicada, pois o custo comercial acaba muito elevado. E com o consumidor menos disposto a pagar para obter informação, a situação tende a piorar.

O Diário de Pernambuco e o Jornal do Commercio já chegaram a ficar sem circular, no auge da crise na primeira metade dos anos 90. Posteriormente receberam injeção de capital, e tiveram mudança societária e foram arrendados. Isso acabou permitindo forte mudança organizacional.

Mas dos jornais de grande circulação nacional eu já tenho uma dica do próximo a fechar: o tradicional Jornal do Brasil.

Concordo plenamente com a análise, em especial a provável próxima vítima, o JB, que leio sempre que posso e onde encontro a sobriedade de intelectuais como o Santayana, que deixará saudades. O JB ainda hospedou o grande e saudoso Fausto Wolff e, se acabar, deixará saudades mas, é fato, o JB está muito mal das pernas. Ele é impresso na gráfica de outro jornal, tem erros grotescos de português, a seção internacional é paupérrima e limitada à notícias compradas de agências, é um jornal muito pequeno e limitado e.... bem, caminha para seu fim, infelizmente.

Este pode ser o prenúncio da catástrofe, ou pode ser só o reflexo de péssima gestão e decisões erradas. Já comentei sobre o assunto aqui, sobre a crise dos jornalões, e este assunto parece recorrente.

Enquanto a mídia tradicional - o mesmo funciona para a indústria de músicas e afins - não aprender a se integrar com a internet, enfrentará sérios problemas. Ok, alguns jornais - como o JB - pouco tem a fazer, mas a adaptação às novas ferramentas é vital.

Copio parte do post anterior sobre os jornais e sua crise, que cai como uma luva no atual post:

"O fenômeno é mundial, a redução de tiragens é um fenômeno mundial e aparentemente irreversível. O NYT acumula prejuízos, o Boston Globe idem, alguns jornais nos EUA, como o The Christian Science Monitor circulam apenas online, alguns outros ainda circulam em poucos dias na semana... Não é algo que ocorre só no Brasil, é algo que finalmente chegou de vez ao Brasil.

As razões são várias.

Não é só a internet a vilã, mas também a falta de credibilidade, o gosto dos leitores e os novos tempos e ferramentas.

Vamos a alguns fatos em destaque:

1. Internet: Sem dúvida o principal "vilão" na história. Mesmo os grandes jornais colocam suas edições diárias na internet, seja de forma aberta ou paga. E ao longo do dia podemos acompanhar, de graça, com rapidez e comodidade, e onde quer que estejamos, o que acontece pelo mundo todo no site dos jornais, nos blogs e em várias páginas da internet.

2. Mobilidade

Quando assinamos um jornal o recebemos em casa. Se viajamos ele continua a chegar em casa e não vai até onde estamos. Caso viajemos, temos que nos locomover até um banca e nem sempre o jornal que você quer estará lá. Eu, por exemplo, leio todo dia a edição online do Gara, do País Basco, no Brasil é impossível achá-lo em qualquer banca.

3. Pílulas

Um ponto interessante é o fenômeno atual, graças à velocidade não só com que tudo ocorre e as informações chegam, mas também a falta de tempo/pressa dos leitores quando são bombardeados com milhões de informações ao mesmo tempo. É a pós-modernidade em sua verdadeira natureza. Os leitores procuram por notícias rápidas, explicativas e simples, que possam ser digeridas sem perda de tempo - vê-se o sucesso da Revista da Semana, qeu adota o modelo - e os jornais, com suas várias páginas de análises e notícias longas acaba colocad oapra escanteio.

4. Credibilidade

Ponto, ao meu ver, principal, ao menos recentemente no Brasil, a falta de credibilidade, ética e respeito. Os episódios da Ditabranda (que mostrei aqui e aqui) e mais recente da ficha de Dilma, claramente forjada e depois reconhecida como tal pela Folha, demonstram a falta de credibilidade, comprometimento e ética dos grandes jornais.

Não fala-se em neutralidade, imparcialidade, isso não existe, todos somos influenciados por alguma coisa e acreditamos em algo, ao buscar a imparcialidade não passamos o que realmente gostaríamos de passar à frente. Mas senão imparcialidade pelo menos não a mentira, não os ataques insensatos, o desrespeito e a tentativa clara de derrubar, atacar sem provas.

Não apoio o governo, não sou Petista nem gosto do Lula mas uma coisa é fazer oposição (como faço, à esquerda) e outra é denegrir, mentir e manipular, como vem fazendo os jornais brasileiros e em especial a folha de São Paulo.

Em suma, os jornais estão morrendo, não conseguiram ou não querem se adaptar aos novos tempos e, no caso brasileiro, soma-se a isso a falta de ética e credibilidade e o flagrante desrespeito ao leitor."
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Alguém parece pensar:

Chicago Tribune aposta em novo portal de notícias

Postado por mcavalcanti

ReproduçãoO jornal Chicago Tribune, dos Estados Unidos, colocou no ar nesta semana o portal ChicagoNow, que pretende combinar, em uma só plataforma, recursos de mídia social, conteúdo noticioso, opinião de celebridades, loja virtual e uma rede de blogs de especialistas em diversos assuntos voltados para à cidade americana, como esportes, política e entretenimento.

Ainda em construção e anteriormente previsto para ir ao ar em junho, o site, que está sendo comparado ao The Huffington Post, da jornalista britânica Ariana Huffington, já possui mais de 30 blogs e espera, até o final de 2009, agregar pelo menos 80 blogs. Com o lançamento, o grupo espera capturar 35% do tráfego Web local, já que a idéia, segundo comunicado oficial, é reunir usuários de Chicago.

O novo portal promete ainda fazer um eficiente uso de ferramentas de publicidade online, para entregar anúncios relevantes ao público. Um vídeo promocional sobre o empreendimento pode ser visto aqui. JW.

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Madagascar: O outro lado? [Update2]

Madagascar: confrontos com polícia deixam mortos em protesto

Pelo menos duas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, algumas com gravidade, hoje quando a Polícia atirou contra seguidores do ex-presidente malgaxe deposto Marc Ravalomanana que se manifestavam contra o Governo liderado por Andry Rajoelina.

Segundo integrantes do partido de Ravalomanana, Tiako I Madagasikara (TIM, Eu Amo Madagascar, em idioma malgaxe), soldados do Corpo de Administração do Pessoal e Serviços do Exército (Capsat, em francês) abriram fogo e dispararam bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes no centro da capital Antananarivo.

Os simpatizantes de Ravalomanana organizaram várias manifestações nas últimas semanas para protestar contra sua deposição, em 17 de março, durante um golpe de Estado com apoio militar, em especial do Capsat.

Os manifestantes pretendiam hoje marchar para o Ministério da Justiça e a sede da Alta Autoridade da Transição (AAT), integrada por todos os partidos políticos opostos a Ravalomanana e liderada por Rajoelina, quando os soldados abriram fogo, segundo as fontes do TIM.

Porta-vozes do Governo afirmaram, no entanto, que os soldados só jogaram gás lacrimogêneo e deram tiros de advertência para o ar a fim de dispersar os manifestantes.

Rajoelina forçou a renúncia de seu rival com violentas manifestações, nas quais 140 pessoas morreram desde o fim do ano passado.


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infelizmente não achei maiores informações além desta notícia do Terra...

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Mas hoje encontrei na Reuters uma interessante notícia, quase um complemento da anterior.

"Madagascar government bans public protests"

Madagascar's government banned public demonstrations on Tuesday to maintain security after two people died when armed forces broke up a protest backing ousted leader Marc Ravalomanana a day earlier.
Está então confirmada a informação anterior do Terra. Protestos contra o atual governo mataram duas pessoas pelo menos.

E continua:
Thousands of Ravalomanana's supporters, who have held near-daily rallies since he stepped down in March under intense pressure from the army, had planned another meeting in the capital Antananarivo on Tuesday.

By midday, pockets of people were gathering but it was unclear whether the protest would go ahead.

Monday's violence raises the specter of a return to the civil unrest which killed 135 people and scared off tourists from the Indian Ocean island during the weeks-long power struggle which culminated in Ravalomanana's overthrow.

"All demonstrations are banned, including those in support of Andry Rajoelina, in order to restore law and order," Prime Minister Roindefo Monja said during a cabinet meeting open to reporters.

The government did not say when the ban would be lifted.


Mesmo com o novo governo de Rajoelina a paz não voltou à Madagascar e os enfrentamentos entre situação e oposição continuam, só que agora os lados foram trocados.

Na tentativa de parecer neutro, o governo proibiu protestos de qualquer tipo, de qualquer lado. De qualquer maneira o governo proibiu a liberdade de se manifestar, protestar e se indignar.

O novo governo, aparentemente, comete os mesmos erros que o anterior, aliás, de acordo com a citação abaixo, começou a seguir exatamente os mesmos passos do deposto Rovalomanana, que inicialmente mandou fechar a TV comandada por Rajoelina, a Viva TV....

Police and soldiers fired tear gas and warning shots to disperse thousands of people protesting against the closure of Ravalomanana's privately owned Radio and Television Mada.
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Update 2

"Confronto durante protesto mata 1 em Madagascar"


Mesmo com a proibição de novos protestos em Madagascar, a oposição, agora ao presidente/golpista Rajoelina, voltou às ruas para exigir a volta do presidente deposto Ravalomanana.

Pelo menos uma pessoa morreu, várias ficaram feridas em choques com as forças de segurança do país na capital, Antananarivo.

Desde que assumiu Rajoelina, os protestos são diários e normalmente reprimidos com violência pela polícia local.

Barricadas foram erguidas e a violência se espalhou por vários bairros da capital numa situação que parece incontrolável.

Madagascar foi suspensa das organizações pan-africanas que faz parte, pode ser vítima de sanções por parte da França e aliados e agora enfrente protestos diários e violência campal contra o golpe aplicado por Rajoelina em conivência com as Forças Armadas de Madagascar e possivelmente com apoio Francês.

Com Ravalomanana os protestos eram violentos e diários, com Rajoelina os protestos são violentos e diários. Por enquanto ainda não se vê uma solução para os problemas que sacodem a ilha africana.

A media watchdog has criticised the return of censorship and curbs on the freedom of expression under Madagascar's new army-backed government. Reporters Without Borders (RSF) said the island's media was the target of alarming measures, often carried out in a heavy-handed manner under President Andry Rajoelina -- who took power after deposed leader Marc Ravalomanana quit under pressure from the army.

Junto com os protestos veio a censura, denunciada pelos Repórteres Sem Fronteira (RSF). A mídia do país vem sendo censurada pelo atual presidente que fechou a rede de televisão controlada pelo seu opositor, dando início a mais uma onda de protestos violentos na capital.

"Effectively there is censorship. Higher instances are putting pressure on the editor in chief to forbid journalists from going to cover the demonstrations," one journalist at TNM told RSF on condition of anonymity.
Atá agora o número de mortos chega a 135, os investidores e turistas fugiram do país, que se encontra em uma crise sem precedentes.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

A África não para....

Apenas um rápido comentário, é impressionante como a África não cansa de se encaminhar para o buraco...

Nos últimos dias vimos os protestos gigantescos em Madagascar, contra e a favor do novo governo, que assumiu o poder através de um golpe e que já foi exaustivamente comentado neste blog.

Agora temos a possibilidade - a certeza, na verdade - da eleição de Jacob Zuma na África do sul, um estuprador confesso, que não acredita (?) na AIDS e se opõe a qualquer programa contra a doença em um país com milhões de infectados e agora acabo de ler que tentaram matar o Primeiro Ministro do Lesoto, Pakalitha Mosisili, que, se não é um país dos mais relevantes, nem regionalment,e é um sinal do caminho que continua seguindo a África...

É ver para onde esses golpes, estas eleições de criminosos e tudo mais vai....

Sudão com o presidnete com mandato internacional de prisão, Guiné-Bissau em crise depois do assassiant do Chefe do Exército e do Primeiro Ministro.... O povo Saraúi do Saara Ocidental sendo massacrado pelo Marrocos.... E por aí vai....
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sexta-feira, 27 de março de 2009

Teto para salários de jogadores [Update]

Há aproximadamente uma semana, foi divulgado em diversos sites e portais noticiosos, a informação de que diversos clubes brasileiros e o Clube dos 13 iniciaram discussões e consultas sobre a possibilidade da implantação de um teto para o salário de jogadores no Brasil.

Eis a notícia:

Os clubes brasileiros iniciaram nos últimos dias discussões para o estabelecimento de um teto salarial nacional para jogadores profissionais de futebol. Seria a primeira medida efetiva contra a crise mundial.

A Folha apurou que a ideia surgiu de discussões entre os presidentes do Clube dos 13, Fábio Koff, e do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo.

Os dois já tiveram várias conversas sobre o tema e pretendem colocá-lo em pauta nas próximas reuniões do C13, associação que reúne os principais clubes brasileiros.

Belluzzo e Koff chegaram à conclusão de que, com a crise, é preciso adotar medidas para assegurar que os clubes tenham saúde financeira suficiente para garantir os acordos com os jogadores -algumas agremiações até teriam receitas suficientes para cobrir a folha de pagamento, mas naufragam nas dívidas acumuladas e adiantamentos de dinheiro.

Pela proposta, o teto seria proporcional à receita anual arrecadada por cada equipe.

Os cartolas também asseguram que os acordos em vigência serão respeitados e somente contratos firmados após a instituição do limite seriam submetidos à nova regra.

Procurado pela reportagem, o C13, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que só poderia comentar o assunto após realização da reunião dos clubes, ainda sem data marcada. Belluzzo não foi localizado.

Hoje, alguns clubes, como o São Paulo, seguem política de teto. O problema é que frequentemente se evolvem em atritos por um acusar o outro de "inflacionar o mercado".

"É preciso saber que tipo de acordo será feito. Mas, se alguém tirar o jogador do outro, por exemplo, ele pode prever multas ou outras punições", afirma o advogado Eduardo Carlezzo, diretor do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo, que não vê empecilhos legais para a implantação.

"O teto é uma questão interessante, que vem num momento bastante adequado."

Entretanto, Corinthians e São Paulo, por exemplo, veem com ressalvas a medida.

"Cada um tem sua realidade. Penso que é muito difícil no sistema capitalista definir tetos. A remuneração está ligada a benefícios", afirma o diretor de futebol são-paulino, João Paulo de Jesus Lopes.

"Os clubes devem conversar, mas, sob o olhar do economista, tabelamento de preço significa o mesmo que rasgar o Alcorão para o muçulmano", afirma o vice de marketing corintiano, Luis Paulo Rosenberg.

O Flamengo apoia a medida. E ainda sugere que o teto seja igual para todos. "Pode garantir maior competitividade às equipes", destacou Pedro Trengrouse, assessor da presidência. O dirigente rubro-negro, porém, ressalta que a atitude não deve servir só para driblar a crise mundial. "Isso não pode ser visto como uma coisa conjuntural. A situação financeira muda constantemente."

O Botafogo também é favorável, mas sugere que se leve em conta a idade e a qualidade do atleta. "A tendência é que isso [teto salarial] aconteça naturalmente", declarou o vice-presidente Antonio Mantuano.

Segundo ele, o clube já tenta adotar medida parecida ao cortar metade da folha salarial em relação a 2008 -caiu de R$ 2,3 milhões para R$ 1,15 milhão.

Fonte: Netvasco

Interessante.... Ousado, para dizer o mínimo!

Mas é inegável que os presidentes de São Paulo e Corinthians, tem argumentos fortes e é fácil concordar com eles - deixando antes claro que estes são, talvez, os clubes com melhor estrutura e saúde financeira ou, ao menos, melhores perspectivas futuras.

Pontos que vejo como problemáticos:

1. O teto seria baseado na realidade de qual ou quais clubes?

Sim, porque o São Paulo tem uma realidade, o Vasco tem outra, o Santa Cruz outra e imaginem o ASA de Arapiraca ou o América do Rio.

Se for imposto um teto ao nível do São Paulo, por exemplo, a realidade para a quase totalidade dos demais clubes não mudaria em nada. Evitaria, talvez, uma escalada futura mas, no curto prazo, não faria qualquer diferença para os demais clubes em termos de gastos e dívidas.

Se, por outro lado, o teto for menor, poderíamos enfrentar um êxodo de jogadores e talvez até clubes com dinheiro sobrando - o que não é necessariamente ruim, mas pode se tornar.

Com nosso histórico de cartolagem, dinheiro sobrando não é necessariamente coisa boa. E seria igualmente injusto, é possível afirmar, forçar um clube a economizar dinheiro que pode dispor em contratações mais audaciosas.

2. Com um teto, como evitar um êxodo ainda maior de jogadores?

Aí está o maior problema, se um jogador pode receber 500 mil por mês na europa, porque ficaria no Brasil em um clube que talvez pudesse pagar o mesmo mas é impedido, por lei, de lhe pagar mais que, digamos, 300 mil?

Amor à camisa não existe mais no futebol. Salvo raríssimos, quase extintos casos, impera o amor ao dinheiro.

Uma iniciativa isolada do Brasil não traria qualquer benefício ao futebol, a iniciativa deveria ser, pois, mundial.

3. O teto vale só para salários ou transferências?

Sim, porque o valor pago ao clube de origem de um jogador também faz enorme diferença e tem um grande peso. Não é só o salário o grande problema dos clubes mas também as multas rescisórias e os valores de transferência.

4. Desrespeitar o teto leva a que tipo de punições?

No país em que a maior parte dos clubes está na mais completa ilegalidade, não se tornaram empresas ou tem dívidas absurdas, criar mais e mais leis, por melhor intenção que tenham, não é garantia de cumprimento ou melhora.

Quem vai fiscalizar? Como vai se fiscalizar? E quem pune e como?

Na salada - ou lamaçal - atual de justiças se sobrepondo (comum e desportiva), de instâncias desautorizando outras, de cartolas fora-da-lei, acusados de lavagem de dinheiro e crimes financeiros e a mais completa e total impunidade, difícil acreditar em punições ou justiça no caso de desrespeito ao teto imposto.

5. Falamos em salários apenas ou o total, com direito de imagem?

Muitos jogadores recebem mais de direito de imagem que de salários reais.... É uma questão relevante, e muito.

6. Competitividade ou nivelamento por baixo?

Finalmente, será que o projeto realmente tornará nossos campeonatos mais competitivos, diminuindo a diferença gritante de investimentos entre os grandes clubes e, vá lá, os médios? Ou, na verdade, só teremos um nivelamento por baixo, sem qualquer competitividade externa?

Se bem que já estamos, no geral, nivelados por baixo....

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Por outro lado, é inegável que a proposta, levada à sério, apesar de todos os prognósticos, tem seus méritos.

Claro, apesar do medo de nivelamento por baixo, de êxodo e etc, é fato que os clubes do Brasil não tem qualquer condição de competir com os de for,a da Europa.

Dito isto, não importa o quão milionário é o patrocínio de Corinthians, São Paulo e cia, não se compete com um Liverpool, um Chelsea, um Real Madrid e até mesmo um Dinamo de Kiev.

É curioso, faço um adendo, notar que um novo mercado, forte, foi aberto no Leste Europeu. Países como a Ucrânia e Rússia são agora um mercado em potencial para jogadores brasileiros, coisa jamais imaginada antes para países pós-soviéticos e comumente afundados em intermináveis crises.

Pensando desta maneira, a de que não temos mesmo como competir com os valores pagos lá fora, seria excelente a criação de um teto, desde que este pudesse ser mexido de comum acordo entre entidades (Governo, Clubes, Clube dos 13 e CBF), evitando uma quebradeira geral de clubes e talvez até a diminuição de dívidas e projetos mais conectados com a realidade do país e com a frágil realidade financeira dos clubes.

Mas, estamos no Brasil. Só isso já demonstra a dificuldade de implantar e, mais ainda, fiscalizar uma empreitada dessa monta.

Até hoje os clubes falham em se tornarem empresas, em gerir corretamente sua folha de pagamento e suas dívidas e estas se acumulam. raros são os clubes "limpos", não-endividados e com boas perspectivas de crescimento. O amadorismo ainda impera mas, pensando desse modo, um teto seria uma excelente ferramenta para coibir rompantes de grandeza e gastos descontrolados como é tão comum ver por aqui, basta nos lembrarmos do Vaso de Eurico no fim dos anos 90 e a consequente crise do começo do século e o atual Flamengo.
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quinta-feira, 26 de março de 2009

Falência esportiva...

Recentemente andei lendo muita coisa sobre a falência ou o perigo de falência de diversas organizações esportivas, clubes e afins...

Poucas ações, das que vi, realmente poderiam amenizar os problemas causados pela crise - ou nem por ela, o futebol inglês vem em crise ha algum tempo, com compras milionárias de clubes, imensos prejuízos e preços absurdos por um ou outro jogador.

"Somados à saída de patrocinadores, os inevitáveis cortes de empregos já começaram, e não foram poucos. A NFL demitiu 169 pessoas, enquanto seus comissários tiveram uma redução de 20% nos salários. A NBA também perdeu 10% do seu contingente, assim como o Comitê Olímpico Norte-Americano, que se desfez de 54 funcionários, seguido pela Nascar, que teve uma baixa de mais de 100 empregados.

Mesmo com todas essas baixas, o esporte norte-americano ainda não se entregou. Linhas de créditos têm servido para tapar alguns buracos, como aconteceu com metade das franquias da NBA. O Indiana Pacers, por exemplo, localizado no estado em que o basquete tem muita tradição, já anunciou um prejuízo de pelo menos US$ 30 milhões nesta temporada.

Já a NHL, a liga profissional de hóquei no gelo, que havia sido apontada como a mais vulnerável aos efeitos da crise no início da recessão, reduziu o teto salarial dos cerca de 700 atletas participantes para esta temporada, e a medida ´continuará em vigor por tempo indeterminado."

Só a NHL, no caso dos EUA, reduziu o teto salarial, o que é algo básico num momento como este. Na verdade, em qualquer momento.

Concentremo-nos no futebol.

Qual a razão de se pagar milhões por um homem ou achar que esta pessoa vale mais de 125 milhões de reais, caso de Robinho, ou 256 milhões por Gerrard, ou ainda 280 milhões por alguém como Cristiano Ronaldo?

Os valores dos jogadores chegou a um ponto absurdo, em que é mais caro comprar um Cristiano Ronaldo que um Chelsea, que foi comprado pelo magnata Abramovich por pouco mais de 200 milhões!

Vemos, pelo exemplo dos EUA, que na maior parte dos esportes, estão demitindo funcionários, diminuindo salário de funcionários.... E os jogadores? E um jogador que ganha milhões por jogo?

E o problema não é só a crise, este é só o estopim, talvez, de algo que já se arrasta há muito tempo.

Clubes pequenos e médios, na Europa especialmente, estão tão distantes dos grandes que se satisfazem em começar um campeonato só querendo não cair ou no máximo se classificar para alguma copa européia. O título, sabem, só por milagre!

Isso acaba tornando o esporte, no caso o futebol, em um jogo de cartas marcadas em que um ou dois apenas podem vencer.

Para a periferia, fora da Europa, sobram os jogadores que não se adaptaram ou de nível inferior.

Vejam algumas seleções nacionais - mesmo da Europa - , poucos jogadores jogam nas ligas nacionais, a maioria joga em outro país e existem tantas "estrelas" lá fora que a seleção brasileira tem "craques" que estão até no banco nos países em que jogam!

Jogadores estes que poderiam ser titulares em qualquer outro lugar do mundo mas em outros lugares não existe tanto dinheiro.

Salários exorbitantes, valores incríveis de transferências, isso acaba matando o futebol.

E com a crise, vai piorar.
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