quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hipocrisia Nuclear

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Saiu no El País, traduzido pelo Uol: Primeira central nuclear árabe será construída nos Emirados.

O problema com a notícia? Nenhum. A questão não é se a energia nuclear é boa, viável ou limpa e sim o fato de um Estado poder livremente desenvolver um programa nuclear pacífico.

O direito dos Emirados Árabes desenvolverem pacificamente um programa nuclear é incontestável, o resto é para brigar com o Greenpeace a fins.

A questão central aqui é, porque podem os Emirados Árabes unidos desenvolver tal tecnologia - sabendo que são amigos dos EUA - e o Irã não pode, Saddam Hussein não podia (e sob esta desculpa foi deposto e morto)?

Não está em jogo, deixo logo claro, o caráter do regime. Não está em questão se Saddam era um genocida (e ele era), se Kim Jong-Il é um imbecil megalomaníaco (e genocida) ou se o regime iraniano é bonzinho e sim o DIREITO destes regimes de desenvolverem um programa nuclear sem precisar pedir permissão para A ou B.

Israel é um Estado genocida e mesmo assim tem o seu programa nuclear - secreto, diga-se de passagem - e se o problema do Irã é ser islâmico o Paquistão está aí e não nos deixa mentir.

Mordechai Vanunu, cientista israelense que trabalhou por anos no projeto nuclear Israelense passou quase duas décadas na cadeia por denunciar o programa e meia e volta visita novamente sua cela por continuar a denunciar o programa que nada tem de pacífico e as "potências" fingem não ouvir.




Israel se recusa a assinar o TPI e nada sofre, jamais recebeu qualquer visita a AIEA, jamais foi inspecionada e sequer admite o que todos sabem....  Na verdade, não admitem nada, não admitem o programa nuclear, as armas nucleares, o genocídio Palestino, a piada que é a origem de Israel, o apoio dos Sionistas à Hitler, etc, etc... É um Estado montado sobre mentiras e sangue.

Não divulga quantas ogivas possui, seu alcance... Tudo com dinheiro dos EUA. E, aliás, todos sabem que o uso de energia nuclear por parte de Israel está longe de ser por razões pacifistas ou com fins pacíficos de mera geração de energia.

Já o Paquistão e a Índia possuem seus planos nucleares e não vejo em momento algum nenhum tipo de represália por parte dos EUA, da Europa... As potências até podem criticar, mas fica nisso. Agem como a ONU, falam, reclamam mas não fazem nada de concreto.

Os Emirados Árabes irão desenvolver um projeto pacífico de energia nuclear e terão, sem dúvida, o apóio das potências, que jamais verão qualquer problema em um país "amigo" desenvolver seu potencial atômico.

Mas e o Irã? E o Iraque?

Saddam já foi amigo dos EUA, recebeu deste último armas de destruição em massa, biológicas, químicas e o know how para produzir mais. Porém resolveu voar livremente e não seguir as diretrizes dos seus "grandes amigos". Caíram em desgraça e foram derrotados. Falharam em voltar às graças estadunidenses e o Iraque foi castigado por suas tropas - sem qualquer referendo da ONU - novamente e Saddam foi morto depois de caçado como um criminoso (de fato o era, mas poucos anos antes era grande amigo de Rumsfeld e Bush pai).

Israel, vale lembrar,, "apenas" mata Palestinos, que não produzem petróleo como o Kuwait, não são ricos como o Kuwait... Então está liberado!



O Irã é outro que se recusa a se alinhar com os EUA, a se sujeitar à dominação imperialista, é inimigo, Eixo do Mal. Coréia do Norte e Sudão também estão na lista, mas a China é amiga, logo, nada acontece.

O Irã é signatário do TPI, mas como vários outros países igualmente signatários, resolveu criar seu programa nuclear pacífico - não interessa se os críticos acham que o projeto é para a criação de armas, não existem provas e só podemos trabalhar com provas e não achismos - e é seu direito fazê-lo.


Mas, como inimigos declarados de Israel e possível potência regional, não poderiam fazer nada que ofendesse aos donos do mundo e seus aliados, logo, viram Eixo do Mal, sofrem pressões, o comércio míngua, enfim, se tornam párias pelo único crime de desafiar o senso comum, o stablishment.

Volto a repetir, não está em discussão a energia nuclear em si e sim o direito a tê-la e desenvolvê-la. Melhor seria se nenhum país a tivesse, mas enquanto isto não é possível (se é que jamais será) não podemos aceitar que os EUA e seus amiguinhos decidam quem pode ou não pode ter uma tecnologia.


A grande questão não é a de porque os Emirados Árabes podem ter teconologia nuclear e o Irã não e sim porque só os amigos dos EUA tem a permissão de desenvolver seu potencial nuclear enquanto aos outros sobra a acusação e a resposta armada - ou sua ameaça.

Persiste, enfim, a hipocrisia nuclear. Aos amigos, a tecnologia, aos inimigos, as ameaças e, em alguns casos, a destruição.
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