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quarta-feira, 7 de abril de 2010

A nova estratégia militar dos EUA, quem acredita?

A nova estratégia militar dos EUA no que concerne suas armas nucleares e seu uso não trouxeram nenhuma grande novidade. Bravatas e continuidade do que já existia. Tanto EUA quanto a Rússia já haviam se comprometido em reduzir seus arsenais, nenhuma novidade ate aí. O que muitos colocaram como surpresa foi a declaração seguinte:
Dentro da nova estratégia, os Estados Unidos se comprometem a "não utilizar nem ameaçar com armas nucleares" os países que não dispõem desses arsenais e cumpram suas obrigações dentro do Tratado de Não-Proliferação.
Deve-se notar alguns detalhes:

1. Segundo esta nova declaração, antes, qualquer país poderia ser vítima de ameaça (chantagem) nuclear por parte dos EUA. Agora é que mudaram de idéia.
2. Os EUA se comprometem a não usar ou ameaçar países que se enquadrem em alguns quesitos, logo, não renuncia ao uso de armas nucleares em qualquer hipótese e afirma que pode utilizá-las em alguns casos, o que mantém o perigo nuclear.
3. Dentre as exceções para o uso destacam-se a não-disposição de armas nucleares (sem, porém citar os países sob os quais existem apenas suspeitas) e que CUMPRAM as obrigações dentro do TNP.

Analisando uma a uma.

1. Os EUA admitiram o que todos sabiam, que seu arsenal nuclear sempre foi usado para chantagear outros países, seja quais forem, sem discriminações. Qualquer um poderia ser vítima de suas armas. Por mais que fosse fato conhecido, é assustador esta admissão, ainda que involuntária. Mas, de qualquer forma, o que fica é a contínua ameaça o uso de armas nucleares, e entremos no segundo ponto.

2. OS EUA não renunciaram, pelo bem da humanidade, ao uso de armas nucleares, mas criaram uma escala, um limite. Continuam, porém, a ameaçar seus desafetos com seu poderio destrutivo. Os EUA, passando por cima de qualquer organismo, decidiram criar seus próprios limites e pouco importam críticas ou reclamações de quem quer que seja. Fazem o que querem, como querem.

3. Quanto às exceções, o grande perigo. Os EUA se comprometem a não ameaçar e usar armas nucleares em países que comprar com suas obrigações dentro do TNP e que não tenham armas, logo, temos um espaço amplo para conjecturas.

Para os EUA, o Irã se não as tem, as planeja, o que é razão suficiente para a contínua ameaça ao país. Para os EUA cabe apenas inventar uma história, inventar provas e acusar o país que bem quiserem de possuir as tais armas. A nova estratégia foi feita com a intenção de enquadrar, desde o início, Irã e Coréia do Norte.

E isto não é apenas um quadro ideal ou impossível, as razões para atacarem o Iraque foram exatamente estas, as de que Saddam possuía armas de destruição em massa. O que era uma mentira gigantesca. Mesmo assim, o país foi invadido.

E, para piorar, se não foram usadas armas nucleares em si por parte dos EUA, foram usadas balas de urânio empobrecido que até hoje deixam sequelas na população local. São armas com potencial nuclear, querendo ou não.

O cerne da questão, na verdade, vai além. O mundo está disposto a aceitar as bravatas dos EUA? O mundo está disposto a acreditar na boa vontade do Império que tem mais invasões e casos de abuso e desrespeito aos Direitos Humanos e às normas internacionais do que o Iraque tem de areia em seu território?

O El País é direto:
Según el documento, el nuevo plan nuclear propone una condición importante: que los países no estarán sujetos a una posible respuesta nuclear estadounidense si cumplen con el Tratado de No Proliferación Nuclear. Es aquí donde Irán y Corea del Norte no están incluidos.
"Esencialmente nos referimos a países como Irán y Corea del Norte, que no cumplen (con el Tratado de No Proliferación), y básicamente todas las opciones están sobre la mesa cuando se refiere a naciones en esa categoría junto con organizaciones no estatales que pueden adquirir armas nucleares", ha dicho el jefe del Pentágono, Robert Gates a los periodistas. En este último punto, la mayor preocupación es la continua evidencia de que Al Qaeda y otros grupos radicales están interesados en adquir armas de destrucción masiva.

As declarações dos EUA apenas confiram sua vontade de ditar as regras no ambiente internacional, de fazer as coisas ao seu modo, passando por cima de tudo e todos. Se aventam no direito de usar e ameaçar quem tenha armas nucleares, MESMO que estas armas sejam só uma ilusão na cabeça dos yankees, ou seja, se dão o direito de ameaçar e chantagear quem bem entenderem, bastando apenas plantar informações falsas e fazer sua população majoritariamente estúpida acreditar em tudo.

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Aliás, eu me perguntei se alguém cairia no conto da bondade estadunidense e... Ban Ki-Moon, obviamente, caiu. A ONU, como de costume, é a primeira a ser enganada - ou se enganar propositadamente.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hipocrisia Nuclear



Saiu no El País, traduzido pelo Uol: Primeira central nuclear árabe será construída nos Emirados.

O problema com a notícia? Nenhum. A questão não é se a energia nuclear é boa, viável ou limpa e sim o fato de um Estado poder livremente desenvolver um programa nuclear pacífico.

O direito dos Emirados Árabes desenvolverem pacificamente um programa nuclear é incontestável, o resto é para brigar com o Greenpeace a fins.

A questão central aqui é, porque podem os Emirados Árabes unidos desenvolver tal tecnologia - sabendo que são amigos dos EUA - e o Irã não pode, Saddam Hussein não podia (e sob esta desculpa foi deposto e morto)?

Não está em jogo, deixo logo claro, o caráter do regime. Não está em questão se Saddam era um genocida (e ele era), se Kim Jong-Il é um imbecil megalomaníaco (e genocida) ou se o regime iraniano é bonzinho e sim o DIREITO destes regimes de desenvolverem um programa nuclear sem precisar pedir permissão para A ou B.

Israel é um Estado genocida e mesmo assim tem o seu programa nuclear - secreto, diga-se de passagem - e se o problema do Irã é ser islâmico o Paquistão está aí e não nos deixa mentir.

Mordechai Vanunu, cientista israelense que trabalhou por anos no projeto nuclear Israelense passou quase duas décadas na cadeia por denunciar o programa e meia e volta visita novamente sua cela por continuar a denunciar o programa que nada tem de pacífico e as "potências" fingem não ouvir.




Israel se recusa a assinar o TPI e nada sofre, jamais recebeu qualquer visita a AIEA, jamais foi inspecionada e sequer admite o que todos sabem....  Na verdade, não admitem nada, não admitem o programa nuclear, as armas nucleares, o genocídio Palestino, a piada que é a origem de Israel, o apoio dos Sionistas à Hitler, etc, etc... É um Estado montado sobre mentiras e sangue.

Não divulga quantas ogivas possui, seu alcance... Tudo com dinheiro dos EUA. E, aliás, todos sabem que o uso de energia nuclear por parte de Israel está longe de ser por razões pacifistas ou com fins pacíficos de mera geração de energia.

Já o Paquistão e a Índia possuem seus planos nucleares e não vejo em momento algum nenhum tipo de represália por parte dos EUA, da Europa... As potências até podem criticar, mas fica nisso. Agem como a ONU, falam, reclamam mas não fazem nada de concreto.

Os Emirados Árabes irão desenvolver um projeto pacífico de energia nuclear e terão, sem dúvida, o apóio das potências, que jamais verão qualquer problema em um país "amigo" desenvolver seu potencial atômico.

Mas e o Irã? E o Iraque?

Saddam já foi amigo dos EUA, recebeu deste último armas de destruição em massa, biológicas, químicas e o know how para produzir mais. Porém resolveu voar livremente e não seguir as diretrizes dos seus "grandes amigos". Caíram em desgraça e foram derrotados. Falharam em voltar às graças estadunidenses e o Iraque foi castigado por suas tropas - sem qualquer referendo da ONU - novamente e Saddam foi morto depois de caçado como um criminoso (de fato o era, mas poucos anos antes era grande amigo de Rumsfeld e Bush pai).

Israel, vale lembrar,, "apenas" mata Palestinos, que não produzem petróleo como o Kuwait, não são ricos como o Kuwait... Então está liberado!



O Irã é outro que se recusa a se alinhar com os EUA, a se sujeitar à dominação imperialista, é inimigo, Eixo do Mal. Coréia do Norte e Sudão também estão na lista, mas a China é amiga, logo, nada acontece.

O Irã é signatário do TPI, mas como vários outros países igualmente signatários, resolveu criar seu programa nuclear pacífico - não interessa se os críticos acham que o projeto é para a criação de armas, não existem provas e só podemos trabalhar com provas e não achismos - e é seu direito fazê-lo.


Mas, como inimigos declarados de Israel e possível potência regional, não poderiam fazer nada que ofendesse aos donos do mundo e seus aliados, logo, viram Eixo do Mal, sofrem pressões, o comércio míngua, enfim, se tornam párias pelo único crime de desafiar o senso comum, o stablishment.

Volto a repetir, não está em discussão a energia nuclear em si e sim o direito a tê-la e desenvolvê-la. Melhor seria se nenhum país a tivesse, mas enquanto isto não é possível (se é que jamais será) não podemos aceitar que os EUA e seus amiguinhos decidam quem pode ou não pode ter uma tecnologia.


A grande questão não é a de porque os Emirados Árabes podem ter teconologia nuclear e o Irã não e sim porque só os amigos dos EUA tem a permissão de desenvolver seu potencial nuclear enquanto aos outros sobra a acusação e a resposta armada - ou sua ameaça.

Persiste, enfim, a hipocrisia nuclear. Aos amigos, a tecnologia, aos inimigos, as ameaças e, em alguns casos, a destruição.
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sexta-feira, 13 de março de 2009

Iraque...

"Minha reação foi natural, como qualquer iraquiano [faria]"
Muntazer al Zaidi

Folha SP via Noblat


Não só qualquer iraquiano, meu caro, qualquer ser humano decente....

Vergonhoso! 3 anos de cadeia por protestar! Por realizar o sonho de todo e qualquer iraquiano que perdeu seus parentes, suas casas, sua vida inteira numa guerra insensata.

OK, Saddam era um grande de um bastardo mas daí a invadir, estuprar e destruir todo um país e sob falsos pretextos? Por favor!
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