Não é só de um boicote total contra Israel que precisamos, temos também que boicotar quem DEFENDE Israel, em qualquer esfera. Isolamento total.Durante o boicote contra o Apartheid tinha "jornalista" e "especialista" defendendo que era lindo o regime na África do Sul? Não. Então como aceitar que existam os que defendam o genocídio Palestino?
Não, não há "conflito", não há "guerra". Há genocídio. Um Estado armado até os dentes contra um povo sem Estado, sem exército, sem nada? Estamos diante de um massacre. Não há espaço para "amor", para "conciliação". Temos de ser duros e inflexíveis em nosso repúdio e não esperar que algo tão abstrato como "amor" mude alguma coisa. Se esperarmos muito não sobrará nenhum palestino para contar história - ou para ser amado.
Com que direito Israel isola, envenena a água, tortura, mantém confinados em campos de concentração e impede que vivam os palestinos? Não há "direito", mas há a conivência por parte da "comunidade internacional", da mídia e de todos que "compram" qualquer versão vendida por Israel e seus defensores.
Temos de isolar Israel e seus defensores, tratá-los pelo que são: Genocidas e defensores de genocídio. São NaziSionistas. Só o boicote serve. Canalha usando a Folha pra falar que "Palestinos não existem" enquanto milhares são torturados por Israel e mortos? Boicote no canalha, oras.
Se defender Hitler, Apartheid e etc é crime ou mesmo intolerável, não podemos aceitar que se defenda um regime que é uma junção destes. Que se perpetua ha mais de 60 anos, que massacra ha mais de 60 anos.
Temos de ser direitos, firmes e decididos. Impor um total isolamento a Israel e seus defensores, seja na imprensa, na academia, nas trocas comerciais ou mesmo em conversas de bar.
Quem defende genocídio tem de ser tratado como perigoso, como alguém que é capaz de reproduzir esta violência que defende. Tem de ser isolado, boicotado, ridicularizado, desacreditado. Temos de ser solidários com a Palestina, e solidariedade exige comprometimento, exige que se lute pela causa.
E vale lembrar, o Brasil mantém acordos com Israel. Intercâmbios acadêmicos, comércio e acordos militares. Não basta repudiar Israel, precisamos pressionar nosso governo a suspender todo e qualquer contato com os genocidas. Precisamos mostrar que estes acordos ajudam a sustentar o regime que é tão terrível e cruel quanto o do Apartheid.
E precisamos agir logo antes que Israel tenha sucesso em eliminar até o último palestino. O boicote ajudou o regime do Apartheid a cair e pode ajudar a parar o genocídio contra os Palestinos.
Protesto pela Palestina em Bilbao
Fotos: https://www.flickr.com/photos/48788736@N03/sets/72157645737268881/
Video: https://www.youtube.com/watch?v=aCgiDBIkrYc&feature=youtu.be
Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
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sexta-feira, 18 de julho de 2014
Contra Israel e seus apoiadores, só o boicote serve
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Putin irá abandonar Assad pelas promessas sauditas?
Alguns notaram um "abrandamento" no discurso de Putin em relação a Síria que em poucos dias anunciava que estaria disposto a até atacar os Sauditas caso os EUA atacassem Assad e agora fala que poderia apoiar uma intervenção no país caso fosse provado o uso de armas químicas por parte do regime.
Este artigo [em inglês] que o Guga Chacra passou no Twitter ajuda a entender a aparente mudança.
Sutil, mas ainda assim significante em termos de discurso. E de desdobramentos. Por mais que no geral seu discurso pareça o mesmo - belicoso em defesa da Síria - há alguns pontos para o debate.
Em outras palavras (ou traduzindo e resumindo), os sauditas prometeram colaborar e cooperar com os projetos de gás e petróleo russo na região, garantiram a segurança da base russa na Síria e, mais importante ao meu ver - e também um ponto importante para outros tema e discussões - garantiram a segurança das olimpíadas de inverno de Sochi.
Como?
Controlando as milícias chechenas.
Em outras palavras, hoje a resistência chechena é majoritariamente guiada por uma ideologia fundamentalista islâmica. E quem está por trás disso é a Arábia Saudita. É bom notar, no entanto, que ainda há representantes da "ala nacionalista" disputando espaço, porém são hoje minoritários frente a "ala islâmica".
Este é um dado conhecido, mas nunca publicamente declarado pelos Sauditas, que sempre preferiram negar e, por debaixo dos panos, financiar a Al Qaeda e outros grupos jihadistas semelhantes.
Para além da oferta generosa e tentadora à Rússia, fica o final reconhecimento de que quem está por trás da guerrilha chechena - e podemos assumir de outras também - é a Arábia Saudita.
A grande questão neste momento, porém, é entender o que move os sauditas. O mero fato de Assad ser laico e impor dificuldades à proliferação de grupos apoiados por sauditas na região não me parece, sozinho, motivo suficiente para tanta sede ao pote em sua derrubada.
Mas o fato é que a cada dia que passa vemos que o grande ator na região do Oriente Médio não é os EUA ou a Rússia, nem mesmo Israel ou o Irã, mas a Arábia Saudita. Seus interesses estão por trás de boa parte dos últimos acontecimentos relevantes na região, inclusive de intervenções americanas.
E a certeza que fica é: Caso estas propostas convençam Putin, Assad pode estar com os dias contados e, vale notar, hoje ele está vencendo a guerra.
É claro que, no fim das contas, Putin possa estar apenas buscando uma porta de saída para a crise Síria sem se comprometer, afinal provas contundentes de uso de armas químicas seriam um argumento válido politicamente para trocar de aliado(s).
Este artigo [em inglês] que o Guga Chacra passou no Twitter ajuda a entender a aparente mudança.
Sutil, mas ainda assim significante em termos de discurso. E de desdobramentos. Por mais que no geral seu discurso pareça o mesmo - belicoso em defesa da Síria - há alguns pontos para o debate.
Em outras palavras (ou traduzindo e resumindo), os sauditas prometeram colaborar e cooperar com os projetos de gás e petróleo russo na região, garantiram a segurança da base russa na Síria e, mais importante ao meu ver - e também um ponto importante para outros tema e discussões - garantiram a segurança das olimpíadas de inverno de Sochi.
Como?
Controlando as milícias chechenas.
“I can give you a guarantee to protect the Winter Olympics next year. The Chechen groups that threaten the security of the games are controlled by us,”Já escrevi diversas vezes sobre o tema, e é notável a mudança no foco da resistência chechena que inicialmente era absolutamente étnica, ou seja, tratava-se de uma minoria lutando pela independência da região tendo por base as diferenças culturas, étnicas e históricas dos chechenos em relação aos russos. Após a Primeira Guerra Chechena o foco foi mudado para uma luta com tons fundamentalistas islâmicos até que, após a Segunda Guerra Chechena a coisa degringolou e hoje fala-se mais em um "Califado do Cáucaso" que em uma República chechena.
Em outras palavras, hoje a resistência chechena é majoritariamente guiada por uma ideologia fundamentalista islâmica. E quem está por trás disso é a Arábia Saudita. É bom notar, no entanto, que ainda há representantes da "ala nacionalista" disputando espaço, porém são hoje minoritários frente a "ala islâmica".
Este é um dado conhecido, mas nunca publicamente declarado pelos Sauditas, que sempre preferiram negar e, por debaixo dos panos, financiar a Al Qaeda e outros grupos jihadistas semelhantes.
Para além da oferta generosa e tentadora à Rússia, fica o final reconhecimento de que quem está por trás da guerrilha chechena - e podemos assumir de outras também - é a Arábia Saudita.
A grande questão neste momento, porém, é entender o que move os sauditas. O mero fato de Assad ser laico e impor dificuldades à proliferação de grupos apoiados por sauditas na região não me parece, sozinho, motivo suficiente para tanta sede ao pote em sua derrubada.
Mas o fato é que a cada dia que passa vemos que o grande ator na região do Oriente Médio não é os EUA ou a Rússia, nem mesmo Israel ou o Irã, mas a Arábia Saudita. Seus interesses estão por trás de boa parte dos últimos acontecimentos relevantes na região, inclusive de intervenções americanas.
E a certeza que fica é: Caso estas propostas convençam Putin, Assad pode estar com os dias contados e, vale notar, hoje ele está vencendo a guerra.
É claro que, no fim das contas, Putin possa estar apenas buscando uma porta de saída para a crise Síria sem se comprometer, afinal provas contundentes de uso de armas químicas seriam um argumento válido politicamente para trocar de aliado(s).
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
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10:30
Putin irá abandonar Assad pelas promessas sauditas?
2013-09-05T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Os EUA irão atacar a Síria?
"I have a dream". Martin Luther KingObama está em vias de atacar a Síria. Como Bush, baseado em premissas falsas ou, ao menos, sem informações suficientes para chegar à conclusão que chegou: a de que a síria teria armas de destruição em massa e que as teria usado - no caso, armas químicas - contra a população.
"I have drones". Barack Obama
Não há confirmação sequer de que o ataque que custou, diz-se, a vida de ao menos mil pessoas na Síria tenha ocorrido. Algumas fontes apontam para a falsificação de fotos e de dados.
Mas, assumindo a veracidade do ataque, novamente temos um problema: Ninguém sabe a origem. É óbvio que o exército Sírio poderia ter sido responsável, mas tal movimentação teria sido burra. Assad está vencendo a guerra, não teria razões para um ataque que faria a "comunidade internacional" ter argumentos para atacá-lo. Claro, um ditador é sempre um ditador e, como tal, imprevisível.
Por outro lado, tal ataque poderia ter sido realizado pela "resistência", coalhada de membros da Al Qaeda e outros malucos do tipo (além de uma parcela que efetivamente luta por democracia, mas ainda pequena). Shoko Asahara e seu ataque de Sarin ao metrô de Toquio são a prova de que um grupo organizado teria capacidade de um ataque com armas químicas.
E, lembremos, a Al Qaeda e outros grupos não são conhecidos pela compaixão mesmo pelo seu próprio povo ou apoiadores e poderia ter usado armas químicas como forma de culpar a Síria e acelerar uma resposta por parte dos EUA.
E para quem está pensando "os EUA vão novamente se juntar contra a Al Qaeda e depois fingir que não sabiam de nada?", a resposta é "sim". Afeganistão 2.0.
Assim como Bush 2.0 na mentira sobre armas de destruição em massa e Iraque 2.0 na destituição de um ditador sob falsos pretextos.
Ainda que, no caso, os EUA jurem de pé junto que a intenção é "dar uma lição" e não derrubar Assad.
Fiquemos de olho.
O complicador na questão é a Rússia, que alertou que poderá atacar a Arábia Saudita em retaliação. A declaração é possivelmente uma bravata na tentativa de frear Obama, mas ainda assim uma bravata perigosa.
No fim das contas, os EUA estão agindo da única forma que conhecem, com violência insensata, com ignorância, abusando de informações falsas, manipulando a opinião pública e, enfim, fazendo o que querem, como querem e da forma que querem sem se preocupar com mais nada.
A opinião interna dos EUA não suportará outra guerra. Obama prometeu que sairia de lamaçais por onde Bush se embrenhou, prometeu que fecharia Guantánamo e, no fim, pode acabar enfiando os EUA em mais um lamaçal.
E em mais um lamaçal de mentiras e hipocrisia. Em declaração à CNN, Obama declarou que "quem contraria a legislação internacional deve ser punido". Oras, então os EUA deveriam ter sido punidos há décadas. Nunca serão.
E completou: "Os EUA querem impedir que a Síria volte a usar armas químicas...não tomei uma decisão, recebi alternativas das Forças Armadas e tive diversas reuniões com a equipe de Segurança."
Os EUA querem impedir uma vitória de Assad com base em informações falsas ou pelo menos inconclusivas. E farão o que for possível para tanto. É a mensagem.E nada mais que o modus operandi dos EUA desde sempre.
É possível que um ataque dos EUA não culmine com uma invasão/ocupação, mas a situação da Líbia acaba por mostrar que qualquer opção é ruim. Um ataque dos EUA poderia desequilibrar a situação síria, fazendo com que a balança que hoje pende para Assad, mude para dar vantagem aos rebeldes.
É impossível ter certeza se haverá ou não um ataque, mas conhecendo a história dos EUA, é provável.
E uma intervenção teria repercussão por todo o Oriente Médio, em especial se a Rússia cumprir sua ameaça, o que poderia incentivar ainda Israel a se juntar às animosidades, e mesmo complicar a situação interna libanesa e atiçar os ânimos iranianos.
Saddam era odiado, Kadaffi não era amado, mas Assad e a Síria tem posição importante no Oriente Médio e desperta muito mais paixões. Fosse outro país e não os EUA, tal atitude seria considerada puro terrorismo.
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Estado da Palestina: Comemoremos por hora, mas o trabalho apenas começou
O que se pode esperar agora do processo de paz entre
Israel e Palestina após esta ter sido finalmente reconhecida como Estado
não-membro (observador) da ONU, um status semelhante ao do Vaticano?
Politicamente
a vitória da Palestina é incontestável, com uma maioria absoluta dos
votos (138 favoráveis, 9 contrários e 41 abstenções) que ajudam a apagar
(ou ao menos diminuir a lembrança) a recusa do Conselho de Segurança,
em 2011, de aprovar a entrada da Palestina na ONU.
Aumenta a pressão internacional e, sem dúvida, ajuda a reclamação palestina sobre os territórios ocupados.
Se,
através de inúmeras resoluções, a ONU já reconheceu o direito dos
palestinos aos territórios que lhe forma usurpados ou estão sendo (como
Jerusalém Orienta, por exemplo), agora a coisa muda de figura. A ONU não
reconhece posse ou soberania sobre territórios conquistados por guerra,
invasão ou ocupação, mas o status indefinido da Palestina dificultava a
aplicação desta norma. Agora, não há mais desculpas e a ilegalidade das
ocupações é ainda mais flagrante.
Torna-se mais
difícil para Israel sustentar a ocupação anterior e futuras anexações do
território de um Estado, e não apenas de uma entidade política
indefinida. Agora Israel não ultrapassa barreiras criadas por si, mas
ultrapassa e desrespeita fronteiras definidas pela ONU e por um Estado
soberano.
A Palestina pode, ainda, recorrer ao
Tribunal Penal Internacional e outros fóruns internacionais e buscar uma
condenação de Israel contra seus inúmeros e repetidos crimes de guerra,
ainda que seus efeitos possam ser meramente cosméticos, em uma guerra
de propagandas isto conta bastante.
Outra vitória
palestina foi a de impor, ao mesmo tempo, duras derrotas a Israel e aos
EUA, do prêmio Nobel da paz Barack Obama. Exceto por Canadá e República
Tcheca, apenas os costumeiros protetorados estadunidenses ficaram ao
lado de Israel, demonstrando que, ao menos neste assunto, a influência
dos EUA é limitada ou que, talvez, tenha crescido a insatisfação pela
falta de soluções propostas pelos aliados de Israel.
A
abstenção do Reino Unido não foi uma surpresa, dada a proximidade deste
país com os EUA, nem o voto do Paraguai governado por golpista. Por
outro lado, a Espanha e seu voto favorável - pese a posição contrária
anterior de Mariano Rajoy - surpreende devido aos "problemas" domésticos
que enfrenta em termos de autodeterminação dos povos, um instrumento
muitas vezes esquecido ou sufocado à base da força por diversos Estados.
Foi
uma pequena vitória palestina na ONU, de efeitos práticos limitados,
especialmente no que concerne a recuperação de suas terras, o Direito de
Retorno e o bloqueio criminoso a Gaza.
Leia o artigo completo, online, no jornal Brasil de Fato.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Estado da Palestina: Comemoremos por hora, mas o trabalho apenas começou
2012-11-30T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A revolta síria pode não ser o que parece?
Enquanto a situação política e mesmo social na síria aparenta cada vez mais piorar, o ocidente e a mídia ocidental - com o perdão de Edward Said - tem se esforçado em pintar o ditador Bashar Al Assad de assassino cruel.
Curioso notar, de início, que o termo “ditador”, usado hoje para designar Assad, começou a ser usado amplamente apenas após o ex-presidente George W Bush incluir a Síria no chamado “Eixo do Mal”. Mesmo assim, a mídia brasileira, em alguns momentos, costumava chamá-lo de “presidente”, mesmo tratamento dado até os derradeiros dias de Hosni Mubarak, no Egito, e outros.
É preciso ter em mente, porém, que Assad não é santo, mas tampouco o lunático sedento de sangue mostrado pela mídia e por seus detratores. A guerra de propaganda está em seu auge.
A Síria é uma região de importância estratégica significativa, não por suas riquezas, poucas em comparação com muitos de seus vizinhos, mas pelas suas fronteiras com regiões de interesse direto dos EUA e, especialmente, por serem grandes financiadores de grupos antagonistas de Israel e dos interesses dos EUA na região, como o Hamas e o Hezbollah.
O governo, assim como Assad, está nas mãos na minoria alauíta, um grupo muçulmano de ritos pouco conhecidos e extremamente fechado, enquanto a maior parte da população é composta por sunitas, mas tem ainda dentro de suas fronteiras consideráveis minorias cristãs, Drusas e Curdas, o que torna a Síria uma espécie de Líbano - ainda - sob controle, mas potencialmente explosivo.
E é do Líbano que muitos "agitadores", como os chamam o governo sírio, vem para ajudar os rebeldes em cidades como Homs, um dos epicentros das revoltas.
Está claro que o início do processo possivelmente revolucionário teve início na cidade de Daara, no sul do país, e é reflexo da insatisfação que a maioria sunita expressa contra um governo que os marginaliza - ou mantém sob controle, dependendo do ponto de vista.
Curioso notar, de início, que o termo “ditador”, usado hoje para designar Assad, começou a ser usado amplamente apenas após o ex-presidente George W Bush incluir a Síria no chamado “Eixo do Mal”. Mesmo assim, a mídia brasileira, em alguns momentos, costumava chamá-lo de “presidente”, mesmo tratamento dado até os derradeiros dias de Hosni Mubarak, no Egito, e outros.
É preciso ter em mente, porém, que Assad não é santo, mas tampouco o lunático sedento de sangue mostrado pela mídia e por seus detratores. A guerra de propaganda está em seu auge.
A Síria é uma região de importância estratégica significativa, não por suas riquezas, poucas em comparação com muitos de seus vizinhos, mas pelas suas fronteiras com regiões de interesse direto dos EUA e, especialmente, por serem grandes financiadores de grupos antagonistas de Israel e dos interesses dos EUA na região, como o Hamas e o Hezbollah.
O governo, assim como Assad, está nas mãos na minoria alauíta, um grupo muçulmano de ritos pouco conhecidos e extremamente fechado, enquanto a maior parte da população é composta por sunitas, mas tem ainda dentro de suas fronteiras consideráveis minorias cristãs, Drusas e Curdas, o que torna a Síria uma espécie de Líbano - ainda - sob controle, mas potencialmente explosivo.
E é do Líbano que muitos "agitadores", como os chamam o governo sírio, vem para ajudar os rebeldes em cidades como Homs, um dos epicentros das revoltas.
Está claro que o início do processo possivelmente revolucionário teve início na cidade de Daara, no sul do país, e é reflexo da insatisfação que a maioria sunita expressa contra um governo que os marginaliza - ou mantém sob controle, dependendo do ponto de vista.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
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10:30
A revolta síria pode não ser o que parece?
2012-02-07T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Bahrein, a aceitação da repressão e o gás lacrimogêneo "made in Brazil"
Passei parte significativa do domingo conversando com Árabes e Barenitas sobre o uso de bombas de gás lacrimogêneo feito no Brasil na repressão aos civis no pequeno país do Oriente Médio.
As primeiras denúncias sobre a procedência destas armas ditas "não-letais" veio pelo Twitter, através do cartunista Carlos Latuff e, logo depois, se espalhou, sendo notícia na Época, no Opera Mundi e na Al Jazeera.
Não é preciso nem dizer a vergonha que devemos sentir, nós, brasileiros, ao saber que uma fábrica de nosso país está contribuindo para o assassinato e a repressão de milhares de civis no Bahrein, país que, aliás, a franca maioria da população brasileira sequer já deve ter ouvido falar.
Me recordo ter escrito certa vez sobre estas armas não-letais:
---
Explico melhor neste artigo para a Carta Capital a gênese do conflito no Bahrein e seus primeiros desdobramentos;
---
Ainda mais grave que saber do uso de armas fabricadas no Brasil lá no Bahrein, que potencialmente matam, é saber que a revolta gerada será pequena. Oras, se nossa polícia usa as mesmas armas em nossos civis - em nós - qual o problema exportar?
Qual o problema em exportar terror, violência e dor?
Mas de fato, o problema em si sequer é a "exportação", mas a mera utilização de armas deste tipo, que matam sempre que o atirador tem a vontade de tirar uma vida e sabe mirar, contra uma população civil que tem total e absoluto direito de protestar.
É a internalização, a aceitação de uma pseudo-normalidade em se reprimir.
É inaceitável que civis desarmados sejam vítimas de tamanha brutalidade, como receberem balas de borracha e gás pelo mero fato de estarem pacificamente demonstrando insatisfação com alguma coisa.
E pensar que este mesmo modelo repressivo e assassino está sendo exportado com total conivência de nosso governo é ainda mais intolerável.
Não nos contentamos mais em reprimir com violência os nossos, agora ajudamos exércitos assassinos a reprimir outros povos.
As primeiras denúncias sobre a procedência destas armas ditas "não-letais" veio pelo Twitter, através do cartunista Carlos Latuff e, logo depois, se espalhou, sendo notícia na Época, no Opera Mundi e na Al Jazeera.
Não é preciso nem dizer a vergonha que devemos sentir, nós, brasileiros, ao saber que uma fábrica de nosso país está contribuindo para o assassinato e a repressão de milhares de civis no Bahrein, país que, aliás, a franca maioria da população brasileira sequer já deve ter ouvido falar.
Me recordo ter escrito certa vez sobre estas armas não-letais:
Balas de borracha, bombas de gas lacrimogêneo eufemísticamente chamadas de "bombas de efeito moral", sprays de pimenta concentrada e mesmo armas de choque são armas potencialmente letais, usadas de forma indiscriminada por policiais sem qualquer tipo de treinamento, e pior, com vontade de causar o máximo de dano que puderem.As informações que chegam do Bahrein são as de que as bombas de gás são disparadas tendo os civis como mira e muitas vezes à queima-roupa, com a intenção clara de ferir e matar. Médicos que atendem os feridos são presos, enfermeiro(a)s são ameaçados e a população civil é morta. Revolucionários, da maioria xiita, contra um governo sunita bancado pela Arábia Saudita e, como não poderia deixar de ser, pelos EUA.
Caso matem a vítima com estas armas "não-letais", poderão dar a desculpa de que foi sem querer ou de que cumpriam ordens.
Estas armas são basicamente instrumentos de tortura em massa com selo de aprovação governamental.
---
Explico melhor neste artigo para a Carta Capital a gênese do conflito no Bahrein e seus primeiros desdobramentos;
---
Ainda mais grave que saber do uso de armas fabricadas no Brasil lá no Bahrein, que potencialmente matam, é saber que a revolta gerada será pequena. Oras, se nossa polícia usa as mesmas armas em nossos civis - em nós - qual o problema exportar?
Qual o problema em exportar terror, violência e dor?
Mas de fato, o problema em si sequer é a "exportação", mas a mera utilização de armas deste tipo, que matam sempre que o atirador tem a vontade de tirar uma vida e sabe mirar, contra uma população civil que tem total e absoluto direito de protestar.
É a internalização, a aceitação de uma pseudo-normalidade em se reprimir.
É inaceitável que civis desarmados sejam vítimas de tamanha brutalidade, como receberem balas de borracha e gás pelo mero fato de estarem pacificamente demonstrando insatisfação com alguma coisa.
E pensar que este mesmo modelo repressivo e assassino está sendo exportado com total conivência de nosso governo é ainda mais intolerável.
Não nos contentamos mais em reprimir com violência os nossos, agora ajudamos exércitos assassinos a reprimir outros povos.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
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10:30
Bahrein, a aceitação da repressão e o gás lacrimogêneo "made in Brazil"
2011-12-19T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Quanto vale um Palestino?
A mídia tradicional tem se concentrado quase que exclusivamente nas consequências diretas para Israel da soltura do soldado Gilad Shalit, mantido em cativeiro pelo Hamas há 6 anos, mas pouco se tem comentado sobre o significado em si do acordo acertado entre Benjamin Neatanyahu (Primeiro-Ministro de Israel) e Ismail Hanya (espécie de Primeiro-Ministro de Gaza, controlado pelo Hamas).
Gilad Shalit, usado ha anos como moeda de troca, conseguiu "voltar para casa" em um acordo que previu a soltura de 1.027 presos políticos palestinos. Uma vida por mais de mil palestinas, o que de um lado demonstra o comprometimento de Israel em garantir a vida de todo e qualquer um de seus cidadãos (uma ótima propaganda para Israel frente à uma opinião pública cada vez mais arredia e descontente) e, de outro, demonstra com crueldade ímpar o quanto Israel respeita e tem como relevante uma vida palestina, ou mil vidas.
O momento para a troca não poderia ser mais propício para os propósitos israelenses. Se isto, porém, terá algum efeito junto à comunidade internacional permanece uma icógnita. A intenção de Neatanyahu, que criou desafetos na mesma proporção em que atraiu apoios à sua decisão, é a de tentar dar um tempo na discussão sobre os assentamentos ilegais patrocinados pelo Estado Israelense tanto em Jerusalém Oriental quanto nos territórios ocupados da Cisjordânia (controlados pela Fatah) e focar em sua suposta benevolência e capacidade de negociação e, assim, tentar frear ou ao menos dificultar uma censura internacional e o reconhecimento do Estado Palestino na ONU.
Quanto ao reconhecimento na ONU, principal "problema" que Neatanyahu quer evitar, sua tentativa, com a negociação, é a de enfraquecer a Fatah - principal impulsionadora da proposta de reconhecimento - através do fortalecimento do Hamas, ainda que apenas um fortalecimento aparente, pois o bloqueio contra Gaza e os ataques contra o território não devem ser suspensos tão cedo, apesar do Hamas afirmar que a suspensão do bloqueio seja parte do acordo.
O Hamas, por seu lado, buscou mais do que demonstrar força e declarar-se vitorioso. Dentro os 1.027 presos libertados, muitos eram da Fatah e de outros grupos que o Hamas não tem como amigos ou aliados, ou seja, o grupo realizou uma verdadeira campanha de auto-promoção ao demonstrar que é capaz de pensar no coletivo palestino, mais do que apenas em seus próprios interesses.
A suposta falta de egoísmo do Hamas coloca um problema nas mãos da Fatah, pois demonstra que seu grupo antagônico tem a capacidade não apenas de dialogar, mas também de realizar concessões políticas significativas.
Israel tenta, desta forma, mostrar que está disposta e aberta ao diálogo, e que uma decisão unilateral palestina (o reconhecimento) e o aceite por parte da comunidade internacional poderiam colocar em perigo iniciativas semelhantes.
O acordo, para uns, foi visto como duro. Israel teria cedido demais, ou melhor, teria cedido presos demais. Mas a verdade é que nada garnate que estes e outros não sejam novamente presos em poucas semanas ou meses. Comum na vida de todo palestino são os meses e até anos que passa em cadeias israelenses, normalmente sem qualquer acusação formal e muito menos julgamento.
É difícil prever quais serão as consequências imediatas para Israel e para a Palestina, hoje dividida. A certeza, porém, é a do fortalecimento do Hamas, mas é incerto o quanto isto poderá servir para influenciar as posições da Fatah, em especial sua proposta de reconhecimento do Estado Palestino. Israel, por sua vez, demonstra que, quando pressionada, pode acabar negociando mesmo com seus piores inimigos. O que isto representa só o tempo dirá.
Publicado originalmente na Brasil de Fato
Gilad Shalit, usado ha anos como moeda de troca, conseguiu "voltar para casa" em um acordo que previu a soltura de 1.027 presos políticos palestinos. Uma vida por mais de mil palestinas, o que de um lado demonstra o comprometimento de Israel em garantir a vida de todo e qualquer um de seus cidadãos (uma ótima propaganda para Israel frente à uma opinião pública cada vez mais arredia e descontente) e, de outro, demonstra com crueldade ímpar o quanto Israel respeita e tem como relevante uma vida palestina, ou mil vidas.
O momento para a troca não poderia ser mais propício para os propósitos israelenses. Se isto, porém, terá algum efeito junto à comunidade internacional permanece uma icógnita. A intenção de Neatanyahu, que criou desafetos na mesma proporção em que atraiu apoios à sua decisão, é a de tentar dar um tempo na discussão sobre os assentamentos ilegais patrocinados pelo Estado Israelense tanto em Jerusalém Oriental quanto nos territórios ocupados da Cisjordânia (controlados pela Fatah) e focar em sua suposta benevolência e capacidade de negociação e, assim, tentar frear ou ao menos dificultar uma censura internacional e o reconhecimento do Estado Palestino na ONU.
Quanto ao reconhecimento na ONU, principal "problema" que Neatanyahu quer evitar, sua tentativa, com a negociação, é a de enfraquecer a Fatah - principal impulsionadora da proposta de reconhecimento - através do fortalecimento do Hamas, ainda que apenas um fortalecimento aparente, pois o bloqueio contra Gaza e os ataques contra o território não devem ser suspensos tão cedo, apesar do Hamas afirmar que a suspensão do bloqueio seja parte do acordo.
O Hamas, por seu lado, buscou mais do que demonstrar força e declarar-se vitorioso. Dentro os 1.027 presos libertados, muitos eram da Fatah e de outros grupos que o Hamas não tem como amigos ou aliados, ou seja, o grupo realizou uma verdadeira campanha de auto-promoção ao demonstrar que é capaz de pensar no coletivo palestino, mais do que apenas em seus próprios interesses.
A suposta falta de egoísmo do Hamas coloca um problema nas mãos da Fatah, pois demonstra que seu grupo antagônico tem a capacidade não apenas de dialogar, mas também de realizar concessões políticas significativas.
Israel tenta, desta forma, mostrar que está disposta e aberta ao diálogo, e que uma decisão unilateral palestina (o reconhecimento) e o aceite por parte da comunidade internacional poderiam colocar em perigo iniciativas semelhantes.
O acordo, para uns, foi visto como duro. Israel teria cedido demais, ou melhor, teria cedido presos demais. Mas a verdade é que nada garnate que estes e outros não sejam novamente presos em poucas semanas ou meses. Comum na vida de todo palestino são os meses e até anos que passa em cadeias israelenses, normalmente sem qualquer acusação formal e muito menos julgamento.
É difícil prever quais serão as consequências imediatas para Israel e para a Palestina, hoje dividida. A certeza, porém, é a do fortalecimento do Hamas, mas é incerto o quanto isto poderá servir para influenciar as posições da Fatah, em especial sua proposta de reconhecimento do Estado Palestino. Israel, por sua vez, demonstra que, quando pressionada, pode acabar negociando mesmo com seus piores inimigos. O que isto representa só o tempo dirá.
Publicado originalmente na Brasil de Fato
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Raphael Tsavkko Garcia
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Quanto vale um Palestino?
2011-10-26T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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sábado, 22 de outubro de 2011
Direitos das mulheres: Uma farsa para Saudita ver
Recentemente, o ditador Abdullah da Arábia Saudita (que para a mídia tradicional permanece como um democrático e correto rei) concedeu de forma absolutamente benevolente o direito de votar e ser votada para as mulheres de seu país.
O tratamento dado a Abdullah combina com a simpatia demonstrada pela mídia ao ditador – ou “presidente” – do Iêmen, Ali Saleh, que ainda não caiu em desgraça com os EUA, o parâmetro para simpatias ou antipatias midiáticas. Tratamento que diverge do dado a Bashar al Assad e Kadafi, que rapidamente viraram ditadores sanguinários.
Palmas e comemorações de parte da imprensa, elogios vindos de aliados e, claro, efusivas congratulações por parte dos EUA, que insistem em levar democracia aos inimigos, mas nunca aos amigos.
Há, de fato, alguma diferença no tratamento dado pela Arábia Saudita às mulheres? Mudou ou mudará alguma coisa em... 2015, quando chegarem as eleições? Aliás, que eleições?
O país é uma ditadura onde quem manda é o "Rei", simples assim. As eleições municipais ocorrem logo mais, mas claro que esta benevolência real não valerá agora, antes o povo precisa "se acostumar" com a novidade. Leia-se: é preciso arrefecer o entusiasmo e mascarar a ineficiência ou impossibilidade de se aplicar a decisão de forma ampla.
Além de se apresentar nas eleições municipais (cujos membros são metade eleitos e metade indicados, mas no fim não têm quase poder algum), as mulheres também poderão fazer parte da Shura, algo como o parlamento nacional. Mas este nem chega perto de voto popular, é totalmente nomeado pelo "rei". Ou seja, só entra mulher se o rei quiser! Tem que ser amiga do rei, da mulher do rei...
Será interessante, em um país controlado por leis ditadas por mulás que não permitem às mulheres sequer dirigir (que o diga serem consideradas cidadãos completas), mulheres governando, mesmo que de forma apenas aparente, sem poderes efetivos.
Parece um contra-senso. Vê-se o quão cosmética é a permissão benevolente rei Abdullah. As mulheres podem concorrer, mas concorrer para o quê? E para quê?
A questão ainda vai além. O rei não é estúpido, não se mantém no poder há décadas sem ter um mínimo de inteligência (petróleo, riquezas e bons amigos ianques ajudam, claro). A idéia é dar às mulheres um falso poder. Dar a elas algo que, no fim, não faz nenhuma diferença fora do papel.
Oras, as mulheres agora podem votar ou ser votadas para conselhos que nada representam ou que nem sequer são formados com o voto popular. E mesmo assim ainda precisam de permissão dos maridos para sair de casa e votar. Precisam de permissão dos maridos para se candidatar!
Se as mulheres não podem sequer sair de casa desacompanhadas, como e por que raios irão concorrer a algum cargo político ou mesmo votar? Só com permissão dos maridos (ou pais, irmãos, algum homem "responsável"). Algo que para a franca maioria será o mesmo que nada. Continuarão enclausuradas e nulas (no sentido de anuladas, ok?).
Na Arábia Saudita - país dos mais antidemocráticos e ditatoriais do mundo, mas bom amigo dos EUA - as mulheres têm a mesma relevância que uma coca-cola: existem apenas para dar prazer, serem consumidas enquanto tiverem algum gás e não podem sair do lugar sozinhas.
Sim, a comparação é péssima, mas acho que me fiz entender. Mas bem, como alguém espera que mulheres se candidatem e sejam eleitas se não podem sair de casa? Se não podem dirigir um carro, se não têm direito a NADA enquanto seres humanos?
Imaginem se, por algum milagre, o rei indica uma mulher para a Shura. Esta irá legislar sobre seu marido, sobre outros homens, mas até para ir ao parlamento precisará de permissão destes mesmos homens. Para simplesmente sair de casa e realizar o percurso! Se a mulher não morar em Riad, a capital, precisará de permissão para viajar!
Abdullah deu às mulheres um direito que estas dificilmente poderão usufruir, mas ainda assim conseguiu enganar metade do mundo (ao menos a metade que sente prazer em ser enganada).
Comemorar esta "vitória" é o mesmo que comemorar a "vitória" dos valorosos rebeldes líbios, ou seja, hipocrisia. Uma “vitória” em que o lado vencedor não terá condições de usufruir do prêmio, dado que precisa de autorização dos homens para fazê-lo e carece até de um sistema político capaz de possibilitar que o esforço seja válido, que qualquer mudança faça a diferença.
Publicado no Correio da Cidadania
O tratamento dado a Abdullah combina com a simpatia demonstrada pela mídia ao ditador – ou “presidente” – do Iêmen, Ali Saleh, que ainda não caiu em desgraça com os EUA, o parâmetro para simpatias ou antipatias midiáticas. Tratamento que diverge do dado a Bashar al Assad e Kadafi, que rapidamente viraram ditadores sanguinários.
Palmas e comemorações de parte da imprensa, elogios vindos de aliados e, claro, efusivas congratulações por parte dos EUA, que insistem em levar democracia aos inimigos, mas nunca aos amigos.
Há, de fato, alguma diferença no tratamento dado pela Arábia Saudita às mulheres? Mudou ou mudará alguma coisa em... 2015, quando chegarem as eleições? Aliás, que eleições?
O país é uma ditadura onde quem manda é o "Rei", simples assim. As eleições municipais ocorrem logo mais, mas claro que esta benevolência real não valerá agora, antes o povo precisa "se acostumar" com a novidade. Leia-se: é preciso arrefecer o entusiasmo e mascarar a ineficiência ou impossibilidade de se aplicar a decisão de forma ampla.
Além de se apresentar nas eleições municipais (cujos membros são metade eleitos e metade indicados, mas no fim não têm quase poder algum), as mulheres também poderão fazer parte da Shura, algo como o parlamento nacional. Mas este nem chega perto de voto popular, é totalmente nomeado pelo "rei". Ou seja, só entra mulher se o rei quiser! Tem que ser amiga do rei, da mulher do rei...
Será interessante, em um país controlado por leis ditadas por mulás que não permitem às mulheres sequer dirigir (que o diga serem consideradas cidadãos completas), mulheres governando, mesmo que de forma apenas aparente, sem poderes efetivos.
Parece um contra-senso. Vê-se o quão cosmética é a permissão benevolente rei Abdullah. As mulheres podem concorrer, mas concorrer para o quê? E para quê?
A questão ainda vai além. O rei não é estúpido, não se mantém no poder há décadas sem ter um mínimo de inteligência (petróleo, riquezas e bons amigos ianques ajudam, claro). A idéia é dar às mulheres um falso poder. Dar a elas algo que, no fim, não faz nenhuma diferença fora do papel.
Oras, as mulheres agora podem votar ou ser votadas para conselhos que nada representam ou que nem sequer são formados com o voto popular. E mesmo assim ainda precisam de permissão dos maridos para sair de casa e votar. Precisam de permissão dos maridos para se candidatar!
Se as mulheres não podem sequer sair de casa desacompanhadas, como e por que raios irão concorrer a algum cargo político ou mesmo votar? Só com permissão dos maridos (ou pais, irmãos, algum homem "responsável"). Algo que para a franca maioria será o mesmo que nada. Continuarão enclausuradas e nulas (no sentido de anuladas, ok?).
Na Arábia Saudita - país dos mais antidemocráticos e ditatoriais do mundo, mas bom amigo dos EUA - as mulheres têm a mesma relevância que uma coca-cola: existem apenas para dar prazer, serem consumidas enquanto tiverem algum gás e não podem sair do lugar sozinhas.
Sim, a comparação é péssima, mas acho que me fiz entender. Mas bem, como alguém espera que mulheres se candidatem e sejam eleitas se não podem sair de casa? Se não podem dirigir um carro, se não têm direito a NADA enquanto seres humanos?
Imaginem se, por algum milagre, o rei indica uma mulher para a Shura. Esta irá legislar sobre seu marido, sobre outros homens, mas até para ir ao parlamento precisará de permissão destes mesmos homens. Para simplesmente sair de casa e realizar o percurso! Se a mulher não morar em Riad, a capital, precisará de permissão para viajar!
Abdullah deu às mulheres um direito que estas dificilmente poderão usufruir, mas ainda assim conseguiu enganar metade do mundo (ao menos a metade que sente prazer em ser enganada).
Comemorar esta "vitória" é o mesmo que comemorar a "vitória" dos valorosos rebeldes líbios, ou seja, hipocrisia. Uma “vitória” em que o lado vencedor não terá condições de usufruir do prêmio, dado que precisa de autorização dos homens para fazê-lo e carece até de um sistema político capaz de possibilitar que o esforço seja válido, que qualquer mudança faça a diferença.
Publicado no Correio da Cidadania
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Raphael Tsavkko Garcia
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Direitos das mulheres: Uma farsa para Saudita ver
2011-10-22T13:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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domingo, 28 de agosto de 2011
AMANHÃ: Ato pelo Estado da Palestina Já!
Mas nem tudo são flores. Cabe reconehcer também a validade da nota lançada pelo MOPAT - Movimento Palestina para Tod@s:
Lutar pela libertação do povo palestino, contra o Estado terrorista de Israel e o imperialismo
A luta pela libertação palestina é uma das grandes causas da humanidade. Há mais de 60 anos o povo palestino vem sendo oprimido e massacrado por Israel, cão de guarda dos interesses imperialistas na região. Hoje a situação no Oriente Médio estabelece uma nova situação para essa luta, especialmente no Egito, onde uma rebelião popular derrubou Mubarak, principal aliado de Israel.Recentemente, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) decidiu solicitar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, o reconhecimento do Estado da Palestina como membro da organização, tendo como referência as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967.No Brasil, foi lançado um manifesto "Estado da Palestina já!", que conta com o apoio de inúmeras entidades e movimentos. Nós nos sentimos na obrigação de explicitar nossa posição e justificar porque não assinamos o referido manifesto.Acreditamos que esse debate não foi aprofundado e amadurecido como deveria. E esse fato se reflete no próprio manifesto, que mostra ambiguidade em algumas passagens.Mesmo no caso da ONU reconhecer o Estado palestino como membro, isso significará não a criação de fato de um Estado palestino, mas apenas o seu reconhecimento nominal. Daí para a conquista de um Estado palestino livre, democrático e soberano, há uma enorme distância, que dificilmente será vencida por meios diplomáticos. A própria ONU até hoje tem se limitado a condenar formalmente alguns dos crimes cometidos por Israel, sem, contudo, adotar qualquer sanção ou medida visando proteger o povo palestino das sucessivas agressões israelenses.Um caso típico e exemplar é a construção do Muro da Vergonha e dos assentamentos israelenses, condenados pela ONU, mas que prosseguem, sem que seja tomada qualquer medida.Além disso, é preciso deixar claro que não se trata de um "conflito" a ser mediado e solucionado através de negociações. A nossa luta e a luta do povo palestino são pela liberdade, pelo direito à autodeterminação, pela restauração de seus direitos básicos, como o direito dos palestinos expulsos pelos israelenses em 1948 de retornarem aos seus lares e retomarem as propriedades usurpadas.Não é possível falar de paz justa enquanto permanecer um Estado fundamentado na doutrina sionista, financiado e armado ostensivamente pelo imperialismo estadunidense.O simples reconhecimento formal do Estado palestino como membro da ONU não garantirá nenhuma dessas premissas fundamentais e inegociáveis.A luta pela libertação do povo palestino passa pela luta contra o imperialismo e o Estado terrorista de Israel, pela solidariedade às lutas dos povos árabes. Não é possível apoiar o povo palestino e reconhecer a legitimidade do Estado sionista.Campanhas como a de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) a empresas, produtos e serviços que financiam o apartheid israelense têm conseguido vitórias importantes em escala mundial. No Brasil, essa também começou. E uma das principais lutas é exigir que o governo brasileiro revogue os vários acordos militares feitos com Israel. É inadmissível que o nosso país compre armas que têm sido usadas para massacrar o povo palestino e permitir que empresas militares israelenses se estabeleçam livremente no território nacional. Da mesma maneira, não podemos admitir a manutenção do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel.A proposta da OLP está gerando, sim, um fato político importante, com grande impacto internacional. Sinal disso é a declaração de Israel de que poderia reabrir as negociações e rediscutir a proposta de um Estado palestino com base nas fronteiras pré-1967. Contudo, se isso é válido como expediente tático, visando isolar politicamente Israel, considerá-lo como o principal foco da luta pela libertação palestina seria um erro grave.Qualquer ilusão nesse sentido pode levar a resultados desastrosos. Basta lembramos dos Acordos de Oslo, cujas consequências são claras e vivas ainda hoje.Por essas razões, não assinamos o manifesto. Porém, sabemos que este é um momento crucial em que mais do que nunca é preciso manter a unidade do povo palestino em torno do objetivo maior que é a libertação do povo palestino, ainda que existam diferenças significativas quanto aos rumos a serem tomados. Pois sabemos que a unidade pressupõe a diversidade de opiniões.Movimento Palestina para Tod@s (MOP@T)
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Raphael Tsavkko Garcia
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AMANHÃ: Ato pelo Estado da Palestina Já!
2011-08-28T13:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
A guerra ao vivo: Entre o relato dos fatos e o desespero
A internet nos trouxe a maravilha do compartilhamento instantâneo de informações, mas ao memso tempo, nos trouxe a possibilidade de acompanhar, em tempo real, o sofrimento humano de vítimas de genocídio.
Ontem, durante todo o dia (noite em Gaza), a região da Faixa de Gaza foi pesadamente bombardeada por aviões israelenses. Tanques ameaçaram cruzar a fronteira e, claro, vários civis forma mortos. Ao menos duas crianças viraram mártires involuntários de mais um episódio de violência injustificada e injustificável por parte do Estado Genocida de Israel que não será manchete me nenhum jornal e nem será devidamente repudiado pela ONU - que, aliás, costuma se limitar a reclamar e fica só nisso.
É difícil imaginar o que é passar uma noite (imaginem uma vida inteira) dentro de um território isolado, um verdadeiro campo de concentração, sem saber se sua casa será bombardeada e você morrerá, ou sua família será morta. Sem saber se as casas de seus amigos e parentes será destruída e você poderá apenas chorar impotente, diante de um inimigo NaziSionista com amplo apoio internacional e carta branca para matar.
O blogueiro palestino Nader (@imNadZ) passou algumas horas comentando, revoltado, sobre os ataques em Gaza até que ele próprio se viu às portas de ser mais uma vítima:
Alguém consegue pensar em como deve ser vocÊ relatar o genocídio de seu próprio povo e saber que a qualquer momento pode virar mais uma estatística nas contas de Israel, da ONU e do "ocidente civilizado"?
Estamos falando de pessoas comuns, como eu ou você, vítimas de mais um ataque insensato que Israel chama de "resposta". Resposta (sic) a um suposto ataque contra um ônibus israelense. O Hamas negou autoria e é mais que possível que o ataque tenha vindo do Sinai e tenha sido cometido por Jihadistas egípcios.
Mas pouco importa. Israel atacará sempre que se sentir confortável, ou seja, sempre. E a mídia escolheu seu lado há décadas e sua indignação seletiva permanece inalterada.
Poucos dias depois de cortar toda a energia e telecomunicações de Gaza, Israel não precisa de desculpas para invadir e matar. E a mídia se limita a anunciar que Israel responde a terroristas (crianças de 13 anos devme ser perigosíssimas para a segurança dos tanques isralenses).
O blogueiro Omar (@Omar_Gaza) é outro a se indignar e relatar os ataques israelenses:
O desespero de quem se vê às beiras de ser dizimado é visível, e é impossível não se emocionar:
Enfim, a internet nos permite alcançar a milhares, milhões de pessoas, nos permite compartilhar, mas também nos permite sofrer, ser solidários e também nos ensina que nada disso importa quando há ódio e clara intenção de se dizimar um povo. A modernidade se choca com a violência mais arcaica possível.
Mas o que está por trás desta escalada de violência insensata contra os Palestinos? Simples, se aproxima a data em que Israel será constrangida internacionalmente de uma forma inédita.
Em setembro o Estado Palestino será efetivamente reconhecido pela ONU e, ainda que istonão mude em nada a realidade objetiva da população local, é um tapa na diplomacia israelense e uma demonstração por parte do mundo de que a paciência está acabando - ainda que eu pessoalmente acredite que ainda haja MUITA paciência para tolerar este genoício por parte da "comunidade" internacional.
Israel tenta mostrar ao mundo que de nada adianta o reconhecimento de um Estado que, de fato, não existe.
Mas, na verdade, acaba apenas mostrando seu desespero e, claro, sua vontade de continuar a matar.
Vida longa a Palestina!
Ontem, durante todo o dia (noite em Gaza), a região da Faixa de Gaza foi pesadamente bombardeada por aviões israelenses. Tanques ameaçaram cruzar a fronteira e, claro, vários civis forma mortos. Ao menos duas crianças viraram mártires involuntários de mais um episódio de violência injustificada e injustificável por parte do Estado Genocida de Israel que não será manchete me nenhum jornal e nem será devidamente repudiado pela ONU - que, aliás, costuma se limitar a reclamar e fica só nisso.
![]() |
| Mahmud Abu Samra, 13, morto em um ataque aéreo israelense na residência de Abu Samra, no oeste de Gaza |
É difícil imaginar o que é passar uma noite (imaginem uma vida inteira) dentro de um território isolado, um verdadeiro campo de concentração, sem saber se sua casa será bombardeada e você morrerá, ou sua família será morta. Sem saber se as casas de seus amigos e parentes será destruída e você poderá apenas chorar impotente, diante de um inimigo NaziSionista com amplo apoio internacional e carta branca para matar.
O blogueiro palestino Nader (@imNadZ) passou algumas horas comentando, revoltado, sobre os ataques em Gaza até que ele próprio se viu às portas de ser mais uma vítima:
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| 2 grandes explosões perto da minha casa. |
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| Se eu não morrer de uma explosão, morredei de uma porra de um ataque cardíaco |
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| Exército de Israel anuncia estar preparado para começar uma operação no Sinai. FODA-SE ISRAEL |
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| Eu estou são e salvo. Toda a família está aterrorizada. Não posso responder a todos, desculpem |
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| Meu coração está acelerado. e meus dedos estão tremendo. mal posso digitar. obrigado a todos pelo apoio. rezem por nós. |
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| Tragam seus barcos de guerra, seus putos: barcos de guerra de Israel estão atirando agora em casas palestinas no norte de Gaza |
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| Estou recebendo diversas sms e mensagens via whatsapp. não consigo digitar por causa da tremedeira em minahs mãos, desculpem |
Estamos falando de pessoas comuns, como eu ou você, vítimas de mais um ataque insensato que Israel chama de "resposta". Resposta (sic) a um suposto ataque contra um ônibus israelense. O Hamas negou autoria e é mais que possível que o ataque tenha vindo do Sinai e tenha sido cometido por Jihadistas egípcios.
Mas pouco importa. Israel atacará sempre que se sentir confortável, ou seja, sempre. E a mídia escolheu seu lado há décadas e sua indignação seletiva permanece inalterada.
Poucos dias depois de cortar toda a energia e telecomunicações de Gaza, Israel não precisa de desculpas para invadir e matar. E a mídia se limita a anunciar que Israel responde a terroristas (crianças de 13 anos devme ser perigosíssimas para a segurança dos tanques isralenses).
O blogueiro Omar (@Omar_Gaza) é outro a se indignar e relatar os ataques israelenses:
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| Quase enlouqeci!!!! A energia foi cortada e ouvi que a residência de Abu Samra foi bombardeada, tenho amigos que vivem lá. Espero que estejam a salvo :( |
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| Um pequeno garoto foi morto e 5 outros ficaram feridos devido a ataques aéreos israelenses na residência de Abu Samra, no oeste de Gaza |
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| Relatos citando a TV israelense: Gaza e Khan Younis irão serão destruídas até amanhã! Que Allah proteja Gaza |
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| Tv estatal israelense: Gaza e Khan Younis não serão nada além de cascalho amanhã. Oh meu deus |
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| Quando alguém morre, diga que ele foi martirizado. Ok? NÃO MORTO, MARTIRIZADO. |
Em setembro o Estado Palestino será efetivamente reconhecido pela ONU e, ainda que istonão mude em nada a realidade objetiva da população local, é um tapa na diplomacia israelense e uma demonstração por parte do mundo de que a paciência está acabando - ainda que eu pessoalmente acredite que ainda haja MUITA paciência para tolerar este genoício por parte da "comunidade" internacional.
Israel tenta mostrar ao mundo que de nada adianta o reconhecimento de um Estado que, de fato, não existe.
Mas, na verdade, acaba apenas mostrando seu desespero e, claro, sua vontade de continuar a matar.
Vida longa a Palestina!
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A Não-violência enquanto tática, uma visão histórica e o caso palestino
Quando falamos em Não-Violência, logo nos vem a mente as figuras de Gandhi e de Nelson Mandela e, para quem tem em mente a Palestina, os casos das vilas de Bil'in, Ni'lin e vizinhas na Cisjordânia.
Mas até que ponto a não-violência tem efeitos práticos e, também, até que ponto os exemplos comumente citados são realmente válidos?
Quando falamos em Mandela, nos lembramos apenas do período em que este esteve na prisão por "atividades subversivas" - sem jamais nos perguntarmos quais atividades eram estas - e do período posterior, de abertura política, negociação e, graças ao filme "Invictus", da copa do mundo de Rugby nos anos 90. Mas voltemos às "atividades subversivas" por um momento. Mandela, ao contrário do que muitos pensam, nunca foi um pacifista, mas um pragmático que foi líder do braço armado do CNA (Congresso Nacional Africano), o Umkhonto we Sizwe, ou Lança da Nação, responsável por dezenas de mortes durante o regime do Apartheid.
O que se vê é que Mandela utilizou a não-violência apenas quando sentiu que esta era a tática mais correta no período em que se encontrava, e mesmo assim, o grupo apenas suspendeu suas atividades em 1990. Mandela e o CNA erma considerados terroristas pelo governo Sul-Africano, da mesma forma que o partido nacionalista basco Batasuna (alegado braço político da ETA) e o Hamas ou até mesmo a Fatah. É fácil notar que a não-violência era apenas uma tática, mas não a base ideológica do movimento anti-Apartheid ou mesmo de Mandela.
O caso da Fatah, aliás, é emblemático, notamos que, mesmo ainda mantendo um braço armado, as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, o grupo já não mais é considerado terrorista por EUA ou Israel, um novo inimigo foi encontrado e, no geral, o grupo foi domesticado, tendo adotado uma tática mais pacifista nos últimos tempos.
O caso de Gandhi é ainda mais interessante, pois ainda que ele fosse efetivamente pacifista e adepto da não-violência, era apenas mais um dos que lutavam pela independência do então Raj Britânico e, cabe lembrar, ele havia lutado como comandante das tropas voluntárias indianas contra os Zulus na África do Sul em 1906. Gandhi tornou-se a figura mais emblemática, a figura pública que humilhava os conquistadores ao não reagir à violência. Mas poucos conhecem Chandrasekhar Azad ou Bhagat Singh, ambos heróis indianos, mortos pelos ingleses, que pegaram em armas para lutar contra o Império conquistador e que, na Índia, são venerados como heróis e são objeto de grandiosos filmes de Bollywood, como Rang de Basanti ou The Legend of Bhagat Singh.
Para o mundo, Azad e Singh são figuras desconhecidas, mas localmente tiveram uma enorme influência e foram apenas as figuras mais destacadas a usar a violência contra o Reino Unido, assim como Ram Prasad Bismil ou Ashfaqulla Khan. Ainda é polêmica na Índia a suposta recusa de Gandhi em intervir no enforcamento de Singh, em 1931, onde ele é acusado até de conspirar com o Raj, ainda que À época Gandhi não tivesse influência sufuciente para evitar o enforcamento de Singh.
O Raj Britânico finalmente caiu em 1947, mas não graças unicamente aos esforços de Gandhi, mas muito mais pela situação do Reino Unido pós-Segunda Guerra e também pela violenta resistência enfrentada pelo Império em várias outras regiões.
Ainda falando do Reino Unido, é possível ainda diferenciar uma tática pacifista, não-violenta, de uma luta maior, caso de Bobby Sands, membro da IRA e do parlamento britânico que, preso, morreu em greve de fome em 1981, angariando um apoio nunca visto à sua causa. Sua greve de fome foi a tática encontrada para sensibilizar a opinião pública, para constranger o governo da coroa e, ultimamente, para conseguir o objetivo pessoal de libertar a Irlanda do Norte. Vale ainda considerar que a greve de fome em si não deixa de ser uma espécie de violência: Do grevista contra si mesmo, mas de forma consciente e voluntária, e do Estado opressor que não se move para evitar que esta violência continue e apenas a incentiva ao não fazer nada. A luta da IRA, vale lembrar, não teve pausa.
Como se vê, a idéia da não-violência é uma tática, mas não um princípio, ou, ao menos, não deve ser levado como um princípio. Outros exemplos interessantes de uso da violência contra violência podem ser encontrados nos Irmãos Bielski que lutaram contra os Nazistas em Belarus (história contada no filme Defiance, de 2008), ou o levante do Gueto de Varsóvia, que, juntos, colocam em cheque a idéia de que todos os judeus da Europa aceitaram calados seus destinos e que, como pobres vítimas, merecem um território tomado de outro povo - contrariando o ideário Sionista de "um território sem povo para um povo sem território".
O que teria sido dos vietnamitas se não resistissem à invasão dos EUA?
Chegando ao Oriente Médio, podemos notar que a resistência pacífica dos habitantes das pequenas vilas de Bil'in, Nil'in ou outras resultou em ganhos efetivos, mas locais, limitados e longe de satisfatórios para toda a população. O ganho, na verdade, é moral, mais que material, o que de nada serve quando o inimigo costumeiramente dá as costas para o Direito Internacional, para a ONU e para a opinião pública mundial.
O documentário da brasileira Julia Bacha, Budrus, nos dá uma visão panorâmica e privilegiada da primeira vila Palestina a efetivamente se valer da tática de não-violência para vencer o exército israelense. O que fica claro do filme é que a vila escolheu este caminho principalmente pela completa falta de opções. De população reduzida, desprotegida e frágil, não havia qualquer alternativa senão a de protestar pacificamente e esperar pelo apoio de ativistas israelenses e internacionais - o que aconteceu.
De resultado, conseguiram mudar o traçado do Muro da Vergonha, mas, no geral, foi uma vitória tímida frente à toda ocupação e assentamentos nos territórios palestinos. enquanto tática, funcionou, mas a não-violência dificilmente traria os mesmos resultados que a dura resistência do Hezbollah contra Israel durante a ocupação do sul do Líbano e na guerra de 2006.
Apenas para ilustrar, podemos trazer o caso basco para um rápido debate. Mesmo nos períodos de trégua da ETA, a violência estatal continuou à toda. Não importava que a tática do momento fosse a negociação e a deposição das armas, a resposta da Espanha era sempre a mesma, mostrando a inutilidade da não-violência enquanto tática no caso específico e também que a não-violência não pode ser tomada como filosofia.
O Hamas jamais teria chegado até onde chegou se não usasse um misto de filantropia islâmica, de ajuda humanitária e de respostas violentas e provocações contra Israel. Até 2004 - data do último atentado suicida perpetrado pelo Hamas -, a tática em voga era a do uso de homens-bomba contra Israel por cada Palestino morto. à época, os ataques forçaram Israel a negociar e tiveram o resultado de elevar a presença do grupo entre os Palestinos, de mostrar que a violência israelense não seria tolerada sem respostas e, acima de tudo, em fazer afundar os Acordos de Oslo de 1993 - no que foram bem sucedidos.
A não-violência é, enfim, uma tática, e com otal deve ser analisada conjunturalmente, cada caso é um caso. Usada de forma exclusiva dificilmente surtirá efeito mais do que local ou transitório. Contra a violência de um Estado, de um grupo, dificilmente apenas a não-ação, ou a greve, ou a desobediência civil irão resultar em algo totalmente satisfatório.
Até mesmo a Flotilha humanitária para Gaza, que tinha objetivos totalmente pacíficos, acabou envolta em um conflito - desigual - entre israelenses fortemente armados com fuzis, sub-metralhadoras e armaduras e ativistas "armados" com facas e bastões. Mesmo que a tática no momento fosse a da não-violência, no fim fogo foi combatido com fogo e o número de mortos poderia ter sido ainda maior a contar pela vontade israelense de dar um exemplo. Contra um inimigo violento, a primeira tática é tentar desarmá-lo, o que por si só é uma forma de violência e, não resultando em nada, deve-se buscar defender a própria vida usando as armas que se tem no momento. Nem toda situação é propícia para uma ação ao estilo Gandhi.
Os mortos no confronto, aliás, acabaram por dar uma visibilidade à causa e ao movimento em si que não seria possível sem as mortes dos ativistas. Apenas comparemos a Flotilha com o Rachel Corrie, navio que foi abordado por Israel dias depois sem qualquer violência. Quantos ouviram falar deste navio e qual foi a reação internacional? A violência desmedida de Israel foi denunciada, filmada e divulgada e horário nobre para todo o mundo e ficou provado o caráter do Estado que é responsável pelo primeiro genocídio do século XXI e mais longo até então. A resistência é um direito legítimo e toda tática deve ser empregada em seu momento certo sem que, porém, qualquer uma das táticas - seja o uso de homens-bomba ou a não violência - se sobressaia ou se torne uma ideologia e ponha, assim, tudo a perder.
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Raphael Tsavkko Garcia
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Raphael Tsavkko Garcia
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sábado, 30 de julho de 2011
A idéia de Democracia em Estados criminosos
Estados genocidas, criminosos e correlatos tem como costume se denunciarem. Israel não
é exceção, na verdade, é basicamente o melhor exemplo de como é fácil
identificá-los.
Estados como a Arábia Saudita, China, Rússia, Espanha ou mesmo os EUA dão mostras diárias do que realmente são. Bloqueio de sites, censura explícita ou implícita, repressão, prisões arbitrárias, tortura...
Engraçado, por vezes, são as tentativas de tais países de se mostrarem democracias.
Em alguns casos processos eleitorais - por mais tendenciosos ou manipulados que sejam - bastam para que um país ou outro seja considerado uma democracia (Espanha e a fraude sobre a Iniciativa Internacionalista durante as eleições européias ou a ilegalização de partidos Bascos e a Rússia e sua eleição de cartas marcadas em nível nacional e nenhuma eleição à nível executivo regional), em outros a mera força de sua economia ou importância estratégica de alguma de suas riquezas é suficiente para que, mesmo não sendo democracias nem com boa vontade, [estes Estados] sejam aceitos no hall dos países "amigos" (Arábia saudita, China e cia).
Outros ainda se fazem passar não só por democracias, mas por exclusivas.
Israel se considera a única e exclusiva democracia do Oriente Médio. O que a diferencia das outras? Ninguém sabe. Eleições talvez?
O Líbano,
por exemplo, com todos os seus problemas, tem eleições. Se isto for o único
item necessário então Israel já não é única ou exclusiva. Temos já duas
democracias.
Claro,
não precisamos lembrar que a democracia israelense tentou proibir qualquer
partido árabe de concorrer em suas eleições.
Mas Israel, não em democracia, claro, é realmente exclusiva. Ou tenta ser. Tenta ser o lar exclusivo para Judeus. Mas para isto se vale de força extrema, de assassinatos seletivos - ou nem tão seletivos -, de prisões arbitrárias em desacordo não só com leis internacionais, mas às vezes até mesmo contra as suas próprias, se vale de tortura, de intimidação e de tudo mais que puder para cometer o mais terrível e prolongado genocídio moderno, o genocídio Palestino. Israel não se cansa de massacrar e escravizar os Palestinos à sua volta, mas também tenta, por vezes, impedir os Palestinos que vivem dentro de suas fronteiras de votar e de se representarem, tenta limitar seus direitos civis, lhes impõe leis - que até agora foram barradas, mas não por bondade e sim por pressão internacional – nas quais sequer demonstrar sentimento, qualquer um, por seus irmãos do outro lado da fronteira, os farão perder o direito de viverem em seus lares, de terem sua cidadania.
Por mais que tentem mascarar a realidade, se denunciam a todo tempo. Putin e seu controle ferrenho e descarado de diversos sites, o controle rígido através de capangas sedentos por sangue na regiões "autônomas" como Chechênia ou Ingushétia, ou ainda o Rei Saudita e seu apoio mal disfarçado à grupos terroristas de todo tipo - sem contar no tratamento peculiar e desumano dado às mulheres -, o grande governo Chinês e a descarada censura de todo e qualquer meio e a repressão às minorias, ou ainda a Espanha e suas fraudes, ilegalizações, tortura e prisões arbitrárias - e o ode à memória de Franco.
Mas, nenhuma dessas se aproxima do escárnio que é Israel. Uma mancha no Oriente Médio imposta à força sobre o sangue dos Palestinos por mais de 60 anos. Uma mancha que aumenta a cada ano com a morte de mais e mais jovens e crianças, com o cercamento de Gaza, com a tortura de crianças, mulheres e homens nas prisões ilegais de Israel, com a humilhação diária imposta pelos Israelenses de maneira incessante e com a conivência de seus parceiros em democracia (sic).
Israel, dia após dia, tenta incriminar seus acusadores chamando-os de anti-semitas, criando confusão com o correto e genuíno anti-sionismo, tenta passar a imagem de uma democracia moderna ao mesmo tempo em que envia tanques para matar crianças palestinas. Tudo com a conivência e aplausos dos EUA, seja seu presidente um boçal republicano ou um belo democrata. No fim, todos tem as mãos manchadas com o sangue palestino.
O mundo inteiro sabe e conhece Israel, sabe do que são capazes, o que fazem diariamente, mas continuam a engolir as desculpas de que são uma democracia em defesa de seu povo - judeu, puro, limpo, livre de palestinos, nazista.
Nos ultimos dias, Noan Chomsky, famoso praticamente por tudo que se possa imaginar, um grande homem, foi impedido de entrar em Israel, ou melhor, na Palestina! Na fronteira da Jordânia com a cisjordânia - logo, Palestina ocupada e não Israel - foi impedido de entrar, expulso por criminosos travestidos de soldados guardando as fronteiras de uma colônia ocupada.
Não é preciso acrescentar muito mais. Democracia? Israel sem dúvida não se encaixa. Tripudia.
Estados como a Arábia Saudita, China, Rússia, Espanha ou mesmo os EUA dão mostras diárias do que realmente são. Bloqueio de sites, censura explícita ou implícita, repressão, prisões arbitrárias, tortura...
Engraçado, por vezes, são as tentativas de tais países de se mostrarem democracias.
Em alguns casos processos eleitorais - por mais tendenciosos ou manipulados que sejam - bastam para que um país ou outro seja considerado uma democracia (Espanha e a fraude sobre a Iniciativa Internacionalista durante as eleições européias ou a ilegalização de partidos Bascos e a Rússia e sua eleição de cartas marcadas em nível nacional e nenhuma eleição à nível executivo regional), em outros a mera força de sua economia ou importância estratégica de alguma de suas riquezas é suficiente para que, mesmo não sendo democracias nem com boa vontade, [estes Estados] sejam aceitos no hall dos países "amigos" (Arábia saudita, China e cia).
Outros ainda se fazem passar não só por democracias, mas por exclusivas.
Israel se considera a única e exclusiva democracia do Oriente Médio. O que a diferencia das outras? Ninguém sabe. Eleições talvez?
Mas Israel, não em democracia, claro, é realmente exclusiva. Ou tenta ser. Tenta ser o lar exclusivo para Judeus. Mas para isto se vale de força extrema, de assassinatos seletivos - ou nem tão seletivos -, de prisões arbitrárias em desacordo não só com leis internacionais, mas às vezes até mesmo contra as suas próprias, se vale de tortura, de intimidação e de tudo mais que puder para cometer o mais terrível e prolongado genocídio moderno, o genocídio Palestino. Israel não se cansa de massacrar e escravizar os Palestinos à sua volta, mas também tenta, por vezes, impedir os Palestinos que vivem dentro de suas fronteiras de votar e de se representarem, tenta limitar seus direitos civis, lhes impõe leis - que até agora foram barradas, mas não por bondade e sim por pressão internacional – nas quais sequer demonstrar sentimento, qualquer um, por seus irmãos do outro lado da fronteira, os farão perder o direito de viverem em seus lares, de terem sua cidadania.
Por mais que tentem mascarar a realidade, se denunciam a todo tempo. Putin e seu controle ferrenho e descarado de diversos sites, o controle rígido através de capangas sedentos por sangue na regiões "autônomas" como Chechênia ou Ingushétia, ou ainda o Rei Saudita e seu apoio mal disfarçado à grupos terroristas de todo tipo - sem contar no tratamento peculiar e desumano dado às mulheres -, o grande governo Chinês e a descarada censura de todo e qualquer meio e a repressão às minorias, ou ainda a Espanha e suas fraudes, ilegalizações, tortura e prisões arbitrárias - e o ode à memória de Franco.
Mas, nenhuma dessas se aproxima do escárnio que é Israel. Uma mancha no Oriente Médio imposta à força sobre o sangue dos Palestinos por mais de 60 anos. Uma mancha que aumenta a cada ano com a morte de mais e mais jovens e crianças, com o cercamento de Gaza, com a tortura de crianças, mulheres e homens nas prisões ilegais de Israel, com a humilhação diária imposta pelos Israelenses de maneira incessante e com a conivência de seus parceiros em democracia (sic).
Israel, dia após dia, tenta incriminar seus acusadores chamando-os de anti-semitas, criando confusão com o correto e genuíno anti-sionismo, tenta passar a imagem de uma democracia moderna ao mesmo tempo em que envia tanques para matar crianças palestinas. Tudo com a conivência e aplausos dos EUA, seja seu presidente um boçal republicano ou um belo democrata. No fim, todos tem as mãos manchadas com o sangue palestino.
O mundo inteiro sabe e conhece Israel, sabe do que são capazes, o que fazem diariamente, mas continuam a engolir as desculpas de que são uma democracia em defesa de seu povo - judeu, puro, limpo, livre de palestinos, nazista.
Nos ultimos dias, Noan Chomsky, famoso praticamente por tudo que se possa imaginar, um grande homem, foi impedido de entrar em Israel, ou melhor, na Palestina! Na fronteira da Jordânia com a cisjordânia - logo, Palestina ocupada e não Israel - foi impedido de entrar, expulso por criminosos travestidos de soldados guardando as fronteiras de uma colônia ocupada.
Não é preciso acrescentar muito mais. Democracia? Israel sem dúvida não se encaixa. Tripudia.
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Raphael Tsavkko Garcia
às
13:30
A idéia de Democracia em Estados criminosos
2011-07-30T13:30:00-03:00
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
A mudança na Síria contraria interesse dos EUA e Israel?
Bashar al Assad, ditador da Síria (que para a mídia, mesmo a
contra-gosto, era "presidente" há algumas
semanas), começou a usar o
discurso padrão de ditadores de que é vítima de uma conspiração
internacional para tentar derrubá-lo. Em pouco tempo começará a, como
Khadafi, acusar a Al Qaeda ou grupos islâmicos radicais. Por enquanto,
se contenta em acusar Israel que, apesar de efetivamente não simpatizar
com Assad, só teria a perder com sua deposição.
Como os demais países Árabes, a Síria é uma colcha de retalhos de tribos e religiões. Mas as semelhanças mais notáveis são com o Líbano, que vive num equilíbrio tenso entre suas mais de 14 comunidades religiosas diferentes.
Assad pertence à minoria Alauíta - que para muitos muçulmanos sequer poderia ser considerada islâmica -, que se aproxima mais dos Xiitas que da maioria sunita de quase 75% do país. Existem ainda minorias cristãs e Druzas e uma relevante população curda na fronteira nordeste, que é constantemente vítima de massacres.
Os Alauítas, que não passam de 10% da população, governam a Síria há 40 anos, o que enfurece a ampla maioria sunita, excluída dos principais postos e cargos, mas considerar esta revolta como religiosa seria um erro - assim como a revolta no Bahrein, por exemplo, em que os xiitas são a maioria e são oprimidos pela minoria sunita.
Os protestos na Síria vem do descontentamento de importante parcela da sociedade com sua virtual exclusão, quadro que se repete por toda a região. Mas qual a relação disto tudo com Israel?
É fato que, em geral, as revoluções que vem ocorrendo pelo Oriente Médio (com sucesso na Tunísia e no Egito) preocupam Israel, pois caem governos que lhes são favoráveis - ou ao menos neutros - e abre-se a possibilidade de governos menos dispostos a tolerar o massacre de Palestinos e os desmandos do país, que se considera dono ou tutor da região.
Mas, ao contrário do que pode parecer óbvio, a deposição de Assad, que é reconhecido inimigo de Israel, parte do Eixo do Mal dos EUA e suposto financiador do Hezbollah, seria péssima para Israel e para os EUA.
Mas porque?
Por uma questão de conhecer os limites de seu inimigo. Por saber até onde este vai e, no fim, saber que a Síria já deixou de lado muito de seu radicalismo de outrora - por exemplo, há muito que não se fala das colinas de Golã - e, hoje, está mais aberta ao diálogo, apesar de todas as suspeitas.
Os sunitas - prováveis sucessores dos alauítas de Assad - poderiam não só se mostrar opositores mais radicais de Israel, como também poderiam promover um banho de sangue contra o grupo que antes controlava o país, os alauítas - não que este último importe à Israel ou aos EUA.
O equilíbrio étnico na Síria é um fator de preocupação, pois o país, assim como o Líbano, possui sgnificativas minorias Druzas e Cristãs, além de um grande contingente de Curdos e até mesmo populações originárias do Cáucaso Russo.
É preciso ter em mente o ditado Sírio-Libanês, de que "quando a Síria espirra, o Líbano fica resfriado", ou seja, uma crise na síria poderia ter reflexos significativos no vizinho Líbano.Um desequilíbrio na síria poderia se alastrar pela região e propiciar a tomada de poder de grupos mais radicais que os atuais e menos dispostos a aceitar ordens vindas do exterior.
Se as revoltas em curso nos países árabes já não agradam a Israel, o desequilíbrio de vizinhos imediatos envoltos em conflitos sectários desagrada ainda mais. A incerteza do fim de tais conflitos põe me risco a segurança de Israel e pode ser um fator de desestabilização até maior do que Egito ou Tunísia, ou mesmo a Líbia. Um conflito pelas colinas de Golã ou a pressão sobre a considerável fronteira entre Israel e Síria poderia ter reflexos maiores que a abertura da passagem de Raffah, que liga o Egito à Gaza.
Vizinho do Iraque, a Síria já conta com um largo número de refugiados, especialmente cristãos, da longa ocupação dos EUA no país vizinho. Não se sabe que papel esta comunidade em diáspora poderia ter em um conflito interno Sírio, para onde iriam ou que lado apoiariam. Na fronteira sul, a Jordânia já se encontra a beira de uma crise, com milhares de jovens exigindo mais direitos, além de líderes tribais demonstrando insatisfação com a forma pela qual a monarquia lida com a numerosa população palestina.
Os curdos na síria são um problema à parte, não se sabe qual seria a atitude desta população concentrada na fronteira com a Turquia frente à queda do governo Alauíta, que há décadas os massacra e sequer permite que boa parte de sua grande comunidade tenha acesso à direitos básicos enquanto mesmo a cidadania síria é negada à eles. Um governo sunita, mesmo que árabe, poderia impulsionar o nacionalismo curdo do lado turco da fronteira, como forma de desestabilizar o vizinho maior.
Para os EUA, uma mudança de regime significa trocar o certo pelo incerto. Trocar um governo que, ainda que inimigo, respeita certos limites e costuma tomar medidas dentro de um padrão já conhecido.
A desestabilização de um país como a Síria, com possível repercussão regional, seria nefasto para os EUA, que já vem há muito tentando impor alguma ordem na região e se opôs até o último minuto às mudanças de regime na Tunísia e no Egito.
Mas, obviamente, o discurso esconde os reais interesses. Obama vem há tempos discursando em defesa da liberdade e da democracia (dentro de suas condições, obviamente), mascarando os interesses reais na Síria e nos países vizinhos afetados por revoltas.
Em se tratando de estratégia básica, uma mudança no regime sírio poderia complicar ainda mais a vida dos EUA na região, a não ser que o país tenha a promessa de lideranças locais de que irão se comportar e buscar ser menos conflituosos que o antecessor, caso este caia.
Por enquanto são apenas conjecturas e discursos, de um Obama tentando angariar apoio e simpatia e melhorar sua popularidade, tentando fazer com que suas ações sejam pelo menos remotamente coerentes com seus discursos (e vice-versa).
Artigo publicado originalmente na Brasil de Fato, online.
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Como os demais países Árabes, a Síria é uma colcha de retalhos de tribos e religiões. Mas as semelhanças mais notáveis são com o Líbano, que vive num equilíbrio tenso entre suas mais de 14 comunidades religiosas diferentes.
Assad pertence à minoria Alauíta - que para muitos muçulmanos sequer poderia ser considerada islâmica -, que se aproxima mais dos Xiitas que da maioria sunita de quase 75% do país. Existem ainda minorias cristãs e Druzas e uma relevante população curda na fronteira nordeste, que é constantemente vítima de massacres.
Os Alauítas, que não passam de 10% da população, governam a Síria há 40 anos, o que enfurece a ampla maioria sunita, excluída dos principais postos e cargos, mas considerar esta revolta como religiosa seria um erro - assim como a revolta no Bahrein, por exemplo, em que os xiitas são a maioria e são oprimidos pela minoria sunita.
Os protestos na Síria vem do descontentamento de importante parcela da sociedade com sua virtual exclusão, quadro que se repete por toda a região. Mas qual a relação disto tudo com Israel?
É fato que, em geral, as revoluções que vem ocorrendo pelo Oriente Médio (com sucesso na Tunísia e no Egito) preocupam Israel, pois caem governos que lhes são favoráveis - ou ao menos neutros - e abre-se a possibilidade de governos menos dispostos a tolerar o massacre de Palestinos e os desmandos do país, que se considera dono ou tutor da região.
Mas, ao contrário do que pode parecer óbvio, a deposição de Assad, que é reconhecido inimigo de Israel, parte do Eixo do Mal dos EUA e suposto financiador do Hezbollah, seria péssima para Israel e para os EUA.
Mas porque?
Por uma questão de conhecer os limites de seu inimigo. Por saber até onde este vai e, no fim, saber que a Síria já deixou de lado muito de seu radicalismo de outrora - por exemplo, há muito que não se fala das colinas de Golã - e, hoje, está mais aberta ao diálogo, apesar de todas as suspeitas.
Os sunitas - prováveis sucessores dos alauítas de Assad - poderiam não só se mostrar opositores mais radicais de Israel, como também poderiam promover um banho de sangue contra o grupo que antes controlava o país, os alauítas - não que este último importe à Israel ou aos EUA.
O equilíbrio étnico na Síria é um fator de preocupação, pois o país, assim como o Líbano, possui sgnificativas minorias Druzas e Cristãs, além de um grande contingente de Curdos e até mesmo populações originárias do Cáucaso Russo.
É preciso ter em mente o ditado Sírio-Libanês, de que "quando a Síria espirra, o Líbano fica resfriado", ou seja, uma crise na síria poderia ter reflexos significativos no vizinho Líbano.Um desequilíbrio na síria poderia se alastrar pela região e propiciar a tomada de poder de grupos mais radicais que os atuais e menos dispostos a aceitar ordens vindas do exterior.
Se as revoltas em curso nos países árabes já não agradam a Israel, o desequilíbrio de vizinhos imediatos envoltos em conflitos sectários desagrada ainda mais. A incerteza do fim de tais conflitos põe me risco a segurança de Israel e pode ser um fator de desestabilização até maior do que Egito ou Tunísia, ou mesmo a Líbia. Um conflito pelas colinas de Golã ou a pressão sobre a considerável fronteira entre Israel e Síria poderia ter reflexos maiores que a abertura da passagem de Raffah, que liga o Egito à Gaza.
Vizinho do Iraque, a Síria já conta com um largo número de refugiados, especialmente cristãos, da longa ocupação dos EUA no país vizinho. Não se sabe que papel esta comunidade em diáspora poderia ter em um conflito interno Sírio, para onde iriam ou que lado apoiariam. Na fronteira sul, a Jordânia já se encontra a beira de uma crise, com milhares de jovens exigindo mais direitos, além de líderes tribais demonstrando insatisfação com a forma pela qual a monarquia lida com a numerosa população palestina.
Os curdos na síria são um problema à parte, não se sabe qual seria a atitude desta população concentrada na fronteira com a Turquia frente à queda do governo Alauíta, que há décadas os massacra e sequer permite que boa parte de sua grande comunidade tenha acesso à direitos básicos enquanto mesmo a cidadania síria é negada à eles. Um governo sunita, mesmo que árabe, poderia impulsionar o nacionalismo curdo do lado turco da fronteira, como forma de desestabilizar o vizinho maior.
Para os EUA, uma mudança de regime significa trocar o certo pelo incerto. Trocar um governo que, ainda que inimigo, respeita certos limites e costuma tomar medidas dentro de um padrão já conhecido.
A desestabilização de um país como a Síria, com possível repercussão regional, seria nefasto para os EUA, que já vem há muito tentando impor alguma ordem na região e se opôs até o último minuto às mudanças de regime na Tunísia e no Egito.
Mas, obviamente, o discurso esconde os reais interesses. Obama vem há tempos discursando em defesa da liberdade e da democracia (dentro de suas condições, obviamente), mascarando os interesses reais na Síria e nos países vizinhos afetados por revoltas.
Em se tratando de estratégia básica, uma mudança no regime sírio poderia complicar ainda mais a vida dos EUA na região, a não ser que o país tenha a promessa de lideranças locais de que irão se comportar e buscar ser menos conflituosos que o antecessor, caso este caia.
Por enquanto são apenas conjecturas e discursos, de um Obama tentando angariar apoio e simpatia e melhorar sua popularidade, tentando fazer com que suas ações sejam pelo menos remotamente coerentes com seus discursos (e vice-versa).
Artigo publicado originalmente na Brasil de Fato, online.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
16:30
A mudança na Síria contraria interesse dos EUA e Israel?
2011-06-02T16:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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sexta-feira, 29 de abril de 2011
Líbia: Ilegalidades da "Intervenção Humanitária"
Especialistas divergem sobre a legalidade da
intervenção dos EUA e "aliados" na Líbia, sem, porém, sequer chegarem ao
fundo da questão, que está além das ações do ditador (até então
"presidente" para as potências ocidentais e para a mídia), mas recai
sobre a hipocrisia internacional em selecionar a dedo as violações de
direitos humanos que lhes interessa punir e criticar.
Paralelos Internacionais?
Uma
das razões pela qual as Nações Unidas, através de seu conselho de
Segurança, permitiram e apoiaram a intervenção na Líbia está na crise
humanitária e na possibilidade de uma resposta armada do governo Líbio
"desproporcional" e com exemplar violência contra os rebeldes.
O
perigo futuro de uma resposta Líbia (futuro, não imediato) motivou a
intervenção. A tentativa de evitar uma crise humanitária que poderia,
então, fazer necessária uma ação da ONU para proteger os civis.
O
problema em si não se encontra nesta futurologia e na suposta boa
vontade da dita comunidade internacional em evitar uma crise
humanitária, mas na seletividade desta boa vontade, desta preocupação em
defender populações civis de seus ditadores.
Crises
humanitárias acontecem todos os dias, sem que nenhuma potência
ocidental se prontifique a intervir. A mais recente guerra de Israel
contra o Líbano ou mesmo contra Gaza custou a vida de milhares de
pessoas, não contou com o apoio de nenhum organismo internacional (ONU
nem pensar) e não foi tampouco condenado pelos mesmos países que, hoje,
demonstram tanta preocupação com os civis líbios.
Ao
mesmo tempo em que ocorre a invasão sobre a Líbia, forças da Arábia
Saudita invadem o vizinho Bahrein, mas ao invés da proteção de civis, o
objetivo é o de garantir a sobrevivência do regime e protegê-lo da
população raivosa. O Bahrein é aliado estratégico dos EUA e do
"ocidente" na região. A Líbia, governada ha 40 anos por Khadafi, é
inconstante, tende a rompantes de nacionalismo, apoiou o terrorismo
internacional de esquerda e hoje é um aliado incômodo da Europa e dos
EUA.
Não é preciso ir muito longe para entender
que as motivações "humanitárias" na Líbia não se aplicam a países
aliados, como o Bahrein, a Arábia Saudita ou Israel.
Intervenção e Guerra Civil
O
conflito entre o governo Khadafi e os rebeldes, no início, se desenhava
como uma guerra civil e, como tal, não cabia a intervenção de potências
estrangeiras.
Conflitos internos entre grupos
beligerantes não são passíveis de intervenção, devem ser resolvidos
internamente, especialmente quando as potências já haviam escolhido que
lado tomar, ao invés de, se as razões fossem mesmo humanitárias, apenas
buscar a proteção de civis e no máximo equilibrar o conflito,
garantindo o respeito à leis mínimas de guerra.
A
noção de "intervenção humanitária", em si, é um contra-senso. Não só
por uma intervenção necessariamente levar à morte centenas e milhares de
civis, além de destruir boa parte da infra-estrutura de um país, mas
também por esta responder apenas a interesses econômicos dos invasores,
interessados em se apossar das riquezas do país ou de azeitar sua
indústria bélica.
A este último, o pensador
marxista Istvan Meszarós deu o nome de Crescimento Canceroso, quando o
capitalismo precisa de uma guerra para fazer a economia voltar aos
eixos. É preciso não só investir na economia de guerra (indústria bélica
e todo o setor que dele depende), mas também aquecer a economia numa
posterior reconstrução do país arrasado pelos ataques.
É
uma política de ganhos exclusivos para as potências invasoras, em que o
país atacado serve como laboratório e ficar a mercê de interesses
estrangeiros.
Não se trata de defender Khadafi, mas de denunciar as intenções por detrás da intervenção.
Precedente
Ao
intervir na Líbia, os EUA garantem que, ao menos, terão algum papel na
transição e podem ditar algumas regras. Com o país destruído, com a
infra-estrutura prejudicada, os EUA surgiriam rapidamente como fonte de
financiamento e apoio ao país necessitando de investimentos e rumo.
O petróleo viria como bônus.
A intenção dos EUA era a de intervir de qualquer maneira, e já existia um precedente: o Kosovo.
Durante o conflito do Kosovo com a Sérvia os EUA intervieram ilegalmente, junto com a OTAN, para defender o lado Kosovar. A ONU foi forçada a fingir que não via nada e a apoiar posteriormente, constrangida, se responsabilizando pela pacificação posterior e pelo processo de reconstrução do país.
A ilegalidade ficou patente com a falta de reconhecimento posterior por parte mesmo de tradicionais aliados dos EUA, como a Espanha - temerosa de que o reconhecimento pudesse incitar ainda mais o nacionalismo Basco e Catalão (e em menor parte, o Galego), que constantemente ameaçam a unidade do país.
O petróleo viria como bônus.
A intenção dos EUA era a de intervir de qualquer maneira, e já existia um precedente: o Kosovo.
Durante o conflito do Kosovo com a Sérvia os EUA intervieram ilegalmente, junto com a OTAN, para defender o lado Kosovar. A ONU foi forçada a fingir que não via nada e a apoiar posteriormente, constrangida, se responsabilizando pela pacificação posterior e pelo processo de reconstrução do país.
A ilegalidade ficou patente com a falta de reconhecimento posterior por parte mesmo de tradicionais aliados dos EUA, como a Espanha - temerosa de que o reconhecimento pudesse incitar ainda mais o nacionalismo Basco e Catalão (e em menor parte, o Galego), que constantemente ameaçam a unidade do país.
A Ilegalidade da Resolução 1973 e a no-fly zone
Em
17 de março foi aprovada no Conselho de Segurança a Resolução 1973, que
aprofundava o embargo econômico e de armas à Líbia e introduzia duas
novidades:
A imposição de uma no-fly zone (área
de exclusão aérea) e a necessidade por parte dos países membros da ONU
de garantir a proteção aos civis, a todo custo. Uma no-fly zone
significa uma área em que nenhum avião pode deixar o solo sem a
permissão das Nações Unidas, impedindo desta forma ataques com aviões e
bombardeios contra os rebeldes e alvos civis no leste da Líbia, região
não mais sob controle governamental.
A Resolução
1973 foi aprovada por 10 a 0, com 5 abstenções, deixa clara a permissão
aos Estados-membro da ONU não só de proibir o vôo de qualquer aeronave
líbia, mas também pode também ser interpretada como permissão para o
bombardeio de aeroportos e de infra-estrutura usada para guardar aviões
ou pistas usadas para pouso e decolagem.
A resolução, em momento algum, permite às forças dos EUA e aliados atacar palácios de Khadafi ou buscar derrubá-lo, assim como não permite o bombardeio de caminhões, carros e tanques militares em trânsito em qualquer parte da Líbia.
A resolução, em momento algum, permite às forças dos EUA e aliados atacar palácios de Khadafi ou buscar derrubá-lo, assim como não permite o bombardeio de caminhões, carros e tanques militares em trânsito em qualquer parte da Líbia.
Os ataques "seletivos" que EUA e aliados vem fazendo contra instalações militares sem qualquer relação com a imposição de uma no-fly zone são, enfim, totalmente ilegais. Assim como são os ataques com o objetivo de derrubar Khadafi ou de atacá-lo diretamente.
A
intenção da resolução é clara, a de impedir a morte de civis e a de
tentar equilibrar o conflito, mas não dá qualquer permissão ao
"ocidente" de impor um resultado a este.
Havia a certeza de que os EUA iriam intervir de uma forma ou de outra, logo, melhor que fosse sob os auspícios e limites da ONU, mas, mais uma vez, a ONU demonstrou sua inutilidade e em momento algum nem o secretário geral, nem qualquer outro oficial, repudiou a ilegalidade dos ataques dos EUA contra alvos sem qualquer relação com a resolução 1973.
Resolução a fundo
Resolução
aprovada e regras mínimas assinaladas, iniciou-se a intervenção. De
início, vimos o uso desproporcional de mísseis contra alvos que, nem de
longe, foram os designados pela resolução. Instalações militares
aleatórias e mesmo um prédio do complexo onde vive Khadafi foram alvos
de bombardeios.
É possível interpretar que, por "defesa da vida de civis", importante ponto da Resolução 1973, entenda-se tomar medidas para garantir sua segurança, mesmo militares, logo, seria legítimo o bombardeio de tropas em vias de atacar áreas civis. Mas isto de forma alguma justifica o ataque a forças militares em Trípole ou em áreas que estão sendo defendidas contra os rebeldes, áreas sob controle governamental e distantes das reais zonas de conflito.
A diferença pode parecer tênue, mas militarmente faz muito sentido. Uma coisa é o ataque justificado a tropas no leste do país, região sob controle ou maior controle rebelde, que se preparam para atacar civis ou mesmo tropas rebeldes, outra bem diferente é atacar tropas estacionadas no oeste do país, região majoritariamente sob controle de Khadafi, logo, tropas que visam defendem o governo.
Não a toa, a China, através de sua imprensa oficial, demonstrou mal estar com os ataques, assim como o Brasil criticou a intervenção e a Rússia não se furtou em criticar as ações.
A decisão de depor Khadafi não está nas mãos da coalizão que agora intervém na Líbia, logo, a destruição de toda a estrutura militar e da infra-estrutura Líbia não está na ordem do dia, ou ao menos não deveria. A destruição das defesas do governo significariam abrir caminho para os rebeldes tomarem o poder, isto se os EUA não tomarem a iniciativa de, eles próprios, derrubarem Khadafi - intenção declarada pelo ministro da defesa inglês em declaração À mídia internacional.
Segundo a resolução, os aliados devem "tomar todas as medidas necessárias (...) para proteger civis e áreas povoadas por civis sob ameaça de ataque". De fato, é extremamente amplo, mas à medida em que se analisa coletivamente todos os demais pontos da resolução, podemos pintar um quadro completo em que a mudança de regime não está na ordem do dia e que, por mera observação, entendemos que matar Khadafi teria exatamente o resultado não-previsto na resolução.
Se por um lado, pode-se interpretar que, a fim de evitar a morte de civis, Khadafi deva ser eliminado - afinal, é o alegado responsável -, por outro não há qualquer permissão para que a decisão de mudar o regime seja tomado por qualquer um a não ser o povo líbio.
Aliás, vale ainda lembrar que não cabe ao Presidente Obama, mas ao Congresso dos EUA aprovar ações militares, o que, desde o início, coloca a intervenção na ilegalidade. Deputados Democratas contra a intervenção consideram até pedir o impeachment de Obama.
Como se vê, a intervenção na Líbia, mesmo
com o respaldo da ONU, é um show de erros e ilegalidade, de todos os
lados e em todas as direções.
Artigo publicado originalmente na Brasil de Fato, em 18/04.
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Raphael Tsavkko Garcia
às
10:50
Líbia: Ilegalidades da "Intervenção Humanitária"
2011-04-29T10:50:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Ilegalidade: Os dois momentos-chave da Intervenção na Líbia
Podemos dividir em dois momentos-chaves a intervenção dos EUA e
aliados sobre a Líbia. Em primeiro lugar, o período imediatamente
anterior à resolução 1973 e, depois a intervenção em si e a ilegalidade
das ações "aliadas". Vale também explicar brevemente os pontos centrais
da resolução, a título de interregno.
Pré-Resolução
Num primeiro momento, era clara a intenção dos EUA em intervir, mesmo invadir a Líbia. Os interesses são inúmeros, vão desde o petróleo até o interesse em garantir que mais um Estado Árabe não caia nas mãos de um governo não tão alinhado aos interesses Yankees.
Tunísia e Egito, com governos "aliados" caíram e agora os EUA esperam para ver o quanto irão perder em termos de apoio, que não será mais incondicional. O governo do Iêmen periga cair, e o Bahrein está em um clima de quase guerra civil. Marrocos e Arábia Saudita vem enfrentando protestos esparsos e, de todos, apenas os protestos na Síria interessam ao Império, ainda que, da mesma forma, não saibam que governo poderia emergir com a queda de Assad.
Ao intervir na Líbia, os EUA garantem que, ao menos, terão algum papel na transição e podem ditar algumas regras. Com o país destruído, com a infra-estrutura prejudicada, os EUA surgiriam rapidamente como fonte de financiamento e apoio ao país necessitando de investimentos e rumo.
O petróleo viria como bônus.
A intenção dos EUA era a de intervir de qualquer maneira, e já existia um precedente: O Kosovo.
Durante o conflito do Kosovo com a Sérvia os EUA interviram ilegalmente, junto com a OTAN, para defender o lado Kosovar. A ONU foi forçada a fingir que não via nada e a apoiar posteriormente, constrangida, se responsabilizando pela pacificação posterior e pelo processo de reconstrução do país.
A ilegalidade ficou patente com a falta de reconhecimento posterior por parte mesmo de tradicionais aliados dos EUA, como a Espanha - temerosa de que o reconhecimento pudesse incitar ainda mais o nacionalismo Basco e Catalão (e em menor parte, o Galego).
Enfim, em um cenário em que a intervenção parecia certa, a ONU entrou como um possível mediador, via Resolução 1973.
A Resolução
Como explicado em post anterior, a Resolução 1973 visava criar ou impor regras mínimas para a intervenção, proibindo ou ao menos dificultando um novo Iraque ou Afeganistão, ou seja, uma ocupação de fato.
Como estava claro na Resolução, os "aliados" deveriam, antes de mais nada, prestar contas não só a ONU, mas também à Liga Árabe (que vem repetidamente criticando a ação, apesar de ter apoiado inicialmente a intervenção) e o ponto focal das ações era a proteção de civis e, finalmente, a garantia da imposição de uma no-fly zone, ou seja, impedir que as forças de Khadafi usassem aviação para atacar os rebeldes e civis.
Ou seja, a idéia central era a de equilibrar o conflito, garantindo o respeito mínimo aos direitos humanos dos civis e restringindo as ações armadas aos grupos beligerantes devidamente identificados.
Ilegalidade
Resolução aprovada e regras mínimas assinaladas, iniciou-se a intervenção. De início, vimos o uso desproporcional de mísseis contra alvos que, nem de longe, foram os designados pela resolução. Instalações militares aleatórias e mesmo um prédio do complexo onde vive Khadafi foram alvos de bombardeios.
É possível interpretar que, por "defesa da vida de civis", entenda-se tomar medidas para garantir sua segurança, mesmo militares, logo, seria legítimo o bombardeio de tropas em vias de atacar áreas civis. Mas isto de forma alguma justifica o ataque a forças militares em Trípole ou em áreas que estão sendo defendidas contra os rebeldes.
A diferença pode parecer tênue, mas militarmente faz muito sentido. Uma coisa é o ataque justificado a tropas no leste do país, região sob controle ou maior controle rebelde, que se preparam para atacar civis ou mesmo tropas rebeldes, outra bem diferente é atacar tropas estacionadas no oeste do país, região majoritariamente sob controle de Khadafi, logo, tropas que visam defendem o governo.
Não a toa, a China, através de sua imprensa oficial, demonstrou mal estar com os ataques.
A decisão de depor Khadafi não está nas mãos da coalizão que agora intervém na Líbia, logo, a destruição de toda a estrutura militar e da infra-estrutura Líbia não está na ordem do dia, ou ao menos não deveria. Isto - a destruição das defesas do governo - significariam abrir caminho para os rebeldes tomarem o poder, isto se os EUA não tomarem a iniciativa de, eles próprios, derrubarem Khadafi, intenção declarada pelo ministro da defesa inglês.
Segundo a resolução, os aliados devem "tomar todas as medidas necessárias (...) para proteger civis e áreas povoadas por civis sob ameaça de ataque". De fato, é extremamente amplo, mas à medida em que se analisa coletivamente todos os demais pontos da resolução, podemos pintar um quadro completo em que a mudança de regime não está na ordem do dia e que, por mera observação, entendemos que matar Khadafi teria exatamente o resultado não-previsto na resolução.
Se por um lado, pode-se interpretar que, a fim de evitar a morte de civis, Khadafi deva ser eliminado - afinal, é o alegado responsável -, por outro não há qualquer permissão para que a decisão de mudar o regime seja tomado por qualquer um a não ser o povo líbio.
Aliás, cabe ainda lembrar que não cabe ao Presidente, mas ao Congresso dos EU aprovar ações militares, o que, desde o início, coloca a intervenção na ilegalidade. Deputados Democratas contra a intervenção consideram até pedir o impeachment de Obama.
Leitura recomendada:
O império enquadra a revolução, de Bruno Cava
Os perigos da intervenção humanitária na Líbia, de Robert Fisk
Pré-Resolução
Num primeiro momento, era clara a intenção dos EUA em intervir, mesmo invadir a Líbia. Os interesses são inúmeros, vão desde o petróleo até o interesse em garantir que mais um Estado Árabe não caia nas mãos de um governo não tão alinhado aos interesses Yankees.
Tunísia e Egito, com governos "aliados" caíram e agora os EUA esperam para ver o quanto irão perder em termos de apoio, que não será mais incondicional. O governo do Iêmen periga cair, e o Bahrein está em um clima de quase guerra civil. Marrocos e Arábia Saudita vem enfrentando protestos esparsos e, de todos, apenas os protestos na Síria interessam ao Império, ainda que, da mesma forma, não saibam que governo poderia emergir com a queda de Assad.
Ao intervir na Líbia, os EUA garantem que, ao menos, terão algum papel na transição e podem ditar algumas regras. Com o país destruído, com a infra-estrutura prejudicada, os EUA surgiriam rapidamente como fonte de financiamento e apoio ao país necessitando de investimentos e rumo.
O petróleo viria como bônus.
A intenção dos EUA era a de intervir de qualquer maneira, e já existia um precedente: O Kosovo.
Durante o conflito do Kosovo com a Sérvia os EUA interviram ilegalmente, junto com a OTAN, para defender o lado Kosovar. A ONU foi forçada a fingir que não via nada e a apoiar posteriormente, constrangida, se responsabilizando pela pacificação posterior e pelo processo de reconstrução do país.
A ilegalidade ficou patente com a falta de reconhecimento posterior por parte mesmo de tradicionais aliados dos EUA, como a Espanha - temerosa de que o reconhecimento pudesse incitar ainda mais o nacionalismo Basco e Catalão (e em menor parte, o Galego).
Enfim, em um cenário em que a intervenção parecia certa, a ONU entrou como um possível mediador, via Resolução 1973.
A Resolução
Como explicado em post anterior, a Resolução 1973 visava criar ou impor regras mínimas para a intervenção, proibindo ou ao menos dificultando um novo Iraque ou Afeganistão, ou seja, uma ocupação de fato.
Como estava claro na Resolução, os "aliados" deveriam, antes de mais nada, prestar contas não só a ONU, mas também à Liga Árabe (que vem repetidamente criticando a ação, apesar de ter apoiado inicialmente a intervenção) e o ponto focal das ações era a proteção de civis e, finalmente, a garantia da imposição de uma no-fly zone, ou seja, impedir que as forças de Khadafi usassem aviação para atacar os rebeldes e civis.
Ou seja, a idéia central era a de equilibrar o conflito, garantindo o respeito mínimo aos direitos humanos dos civis e restringindo as ações armadas aos grupos beligerantes devidamente identificados.
Os pontos seguintes dão espaço para intervenção militar, mas deixam claros os limites. Do ponto 6 ao 12, a descrição das atividades permitidas para garantir a no-fly zone (em tradução não-literal e parcial):
6. Decide estabelecer o banimento a todos os vôos no espaço aéreo da Líbia, com o objetivo de proteger os civis;
7. Decide que o parágrafo 6 não se aplica a vôos humantários ou que facilitem assistência, nem se aplica a Estados que atuem na garantia desta resolução ou que sejam necessários à proteção de civis;
8. Autoriza os Estados-Membro a agir nacionalmente ou através de organizações e acordos a tomar todas as medidas necessárias para garantir o cumprimento do banimento de vôos imposto pelo parágrafo 6;
9. Convoca todos os Estados-Membro a apoiar e prover toda assistência necessária ao cumprimento da resolução;
10. Pede aos Estados-Membro que que coordenem ações em conjunto com o Secretário-Geral;
11. Decide que os Estados-Membro envolvidos devem informar ao Secretário Geral (da ONU) e ao Secretário Geral da Liga Árabe todas as medidas tomadas;
12. Requisita ao Secretário Geral que informe ao Conselho imediatamente sobre todas as ações tomadas pelos Estados-Membro.
Como
se vê, não cabe aos EUA e aliados a solução final ou mesmo dar um fim
ao conflito, "vencendo" um dos lados, no caso, derrotando ou mesmo
matando Khadafi. Sempre é bom lembrar, qualquer tipo de ação por terra
está descartada e proibida pela resolução (até o momento, pelo menos).
Ilegalidade
Resolução aprovada e regras mínimas assinaladas, iniciou-se a intervenção. De início, vimos o uso desproporcional de mísseis contra alvos que, nem de longe, foram os designados pela resolução. Instalações militares aleatórias e mesmo um prédio do complexo onde vive Khadafi foram alvos de bombardeios.
É possível interpretar que, por "defesa da vida de civis", entenda-se tomar medidas para garantir sua segurança, mesmo militares, logo, seria legítimo o bombardeio de tropas em vias de atacar áreas civis. Mas isto de forma alguma justifica o ataque a forças militares em Trípole ou em áreas que estão sendo defendidas contra os rebeldes.
A diferença pode parecer tênue, mas militarmente faz muito sentido. Uma coisa é o ataque justificado a tropas no leste do país, região sob controle ou maior controle rebelde, que se preparam para atacar civis ou mesmo tropas rebeldes, outra bem diferente é atacar tropas estacionadas no oeste do país, região majoritariamente sob controle de Khadafi, logo, tropas que visam defendem o governo.
Não a toa, a China, através de sua imprensa oficial, demonstrou mal estar com os ataques.
A decisão de depor Khadafi não está nas mãos da coalizão que agora intervém na Líbia, logo, a destruição de toda a estrutura militar e da infra-estrutura Líbia não está na ordem do dia, ou ao menos não deveria. Isto - a destruição das defesas do governo - significariam abrir caminho para os rebeldes tomarem o poder, isto se os EUA não tomarem a iniciativa de, eles próprios, derrubarem Khadafi, intenção declarada pelo ministro da defesa inglês.
Segundo a resolução, os aliados devem "tomar todas as medidas necessárias (...) para proteger civis e áreas povoadas por civis sob ameaça de ataque". De fato, é extremamente amplo, mas à medida em que se analisa coletivamente todos os demais pontos da resolução, podemos pintar um quadro completo em que a mudança de regime não está na ordem do dia e que, por mera observação, entendemos que matar Khadafi teria exatamente o resultado não-previsto na resolução.
Se por um lado, pode-se interpretar que, a fim de evitar a morte de civis, Khadafi deva ser eliminado - afinal, é o alegado responsável -, por outro não há qualquer permissão para que a decisão de mudar o regime seja tomado por qualquer um a não ser o povo líbio.
Aliás, cabe ainda lembrar que não cabe ao Presidente, mas ao Congresso dos EU aprovar ações militares, o que, desde o início, coloca a intervenção na ilegalidade. Deputados Democratas contra a intervenção consideram até pedir o impeachment de Obama.
“Apesar de a ação ser considerada como a suposta proteção dos civis da Líbia, a proibição dos voos na zona de exclusão começou com um ataque à defesa aérea líbia e às forças de Kadafi. É um ato de guerra. O presidente fez declarações que tentam minimizar a ação dos EUA, mas aviões norte-americanos lançaram bombas e mísseis dos EUA. O país pode estar se envolvendo em um conflito com outra nação soberana. Nosso país não pode permitir outra guerra, econômica e diplomática.”Como se vê, um show de erros e ilegalidade, de todos os lados e em todas as direções.
Leitura recomendada:
O império enquadra a revolução, de Bruno Cava
Os perigos da intervenção humanitária na Líbia, de Robert Fisk
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Raphael Tsavkko Garcia
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10:30
Ilegalidade: Os dois momentos-chave da Intervenção na Líbia
2011-03-23T10:30:00-03:00
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