quinta-feira, 22 de abril de 2010

Fobia Neopentecostal e o Dia "D" de "dinheiro" [Parte 1]

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Fobia neopentecostal

Nos dias de hoje está cada vez mais difícil não ter a tal "fobia neopentecostal". Eu tento, mas é difícil respeitar quem acredita na IURD, quem acredita na Renascer, quem dá todo seu dinheiro a um grupo de criminosos travestidos de pastores.

Na verdade, muitos são apenas pobre coitados, o "não-respeitar" começa a partir do momento em que tentam me tornar um igual, quando tentam me convencer. Até lá, tenho apenas pena. Mas como levar a sério as opiniões de quem, por seu lado, leva um Edir Macedo a sério? Um R.R. Soares? Uma "Bispa" (cof, cof) Sônia?

Chamem os "fiéis" de vítimas de Síndrome de Estocolmo, de meros enganados, talvez, mas me questiono até que ponto não são cúmplices e coniventes? Veja o Kaká, por exemplo.

Não falo de todos, claro, muita gente - a maioria, penso - cai no conto do neopentecostalismo em momento de desespero e é capaz de acreditar em absolutamente tudo que lhe disserem. Outros são simplesmente incapazes de compreender a diferença entre ser roubado e de ter uma fé real. Mas uma parcela, sem dúvida, é simplesmente conivente e acaba por usufruir das benesses do dízimo alheio extorquido.


Suponho que eu vá perder muitos leitores com este post, mas era simplesmente algo que eu precisava dizer. Por outro lado, sei que muitos concordam comigo. Uns não dizem nada, outros não tem problema em admití-lo.

Vamos a um exemplo dos "porquês" da fobia.

Os vídeos divulgados semana passada pela Folha com o "bispo" Romualdo Panceiro ensinando outros bispos e pastores a roubar dos trouxas fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus são simplesmente um absurdo.

Mas apenas mais um absurdo para a coleção extensa desta "igreja" e de suas semelhantes.

Sob o manto da liberdade religiosa, criminosos comuns roubam e coagem pobres e ricos a darem seu dinheiro para posterior lavagem e enriquecimento dos membros mais graduados destas "igrejas".

A reportagem completa da Folha:
Em vídeo, bispo da Universal ensina a arrecadar na crise Bispo Romualdo Panceiro diz que fiéis devem ser convencidos a "semear no altar'

"Por isso que a gente tem que perguntar: "Você crê mais na crise ou você crê em Deus?", explica o 2º nome na hierarquia da instituição

RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Vídeo entregue ao Ministério Público de São Paulo por um ex-voluntário da Igreja Universal mostra bispos da cúpula da entidade combinando a pregação para obter dízimos dos fiéis na crise econômica de 2008.
As gravações obtidas pela Folha, que oferecem rara visão sobre práticas da igreja, são de duas reuniões feitas por videoconferência entre líderes na sede, em São Paulo, e outros nos Estados. Foram coordenadas pelo bispo Romualdo Panceiro. Ele é considerado o segundo nome mais importante na igreja e foi apontado pelo bispo Edir Macedo como o seu sucessor. Romualdo, que coordenou a igreja no Brasil por mais de 12 anos, hoje vive em Buenos Aires e é responsável pela instituição na América Latina.
Um dos vídeos começa com Romualdo tirando uma espada da cintura e colocando-a sobre uma mesa. Durante 15 minutos, ele aparece orientando outros bispos graduados da igreja, como Clodomir Santos, a recorrerem a trechos da Bíblia nos quais se narra que o personagem Isaac, para escapar de uma grande fome, recebeu orientação divina para semear no solo ruim, e foi agraciado.
Romualdo orienta que "semear" é dar dinheiro à igreja. Ele diz que a igreja deveria perguntar aos fiéis se eles "acreditam mais" na crise ou em Deus.
"Por isso que a gente tem que perguntar [ao fiel]: "Você crê mais na crise ou você crê em Deus? Porque se você crê na crise, então você vai guardar para ela, ela vai pegar o que você tem. Sem que você saiba, quando você acordar, já era. Mas se você crê em Deus, você vai pegar o que a crise pode pegar e você vai colocar onde? [...] Vai semear no altar!", diz.
Romualdo indaga se Clodomir compreendeu: "É ou não é, Clodomir? Entendeu? [...] Não é legal isso?". Clodomir concorda: "Arrebenta. Tá ligado".
Em seguida, o bispo diz que a ideia deve ser disseminada entre os pregadores: "Quer dizer, mais semente você vai ter, e quanto mais você tem semente, mais você vai colher. Pô, é muito forte, não é? Então, a gente tem que virar o jogo. Passar esse espírito para os pastores agora, como eu já passei".
Ele se dirige ao bispo Sidney Marques, de Belo Horizonte: "Vai arrebentar, é muito forte! Hein, ô, Sidney?" "É o melhor investimento. O melhor investimento é esse", responde Sidney. "Momento propício para o uso da fé", arremata Romualdo.
O bispo diz que "combinou" com os pastores regionais de abrir três Bíblias, durante a oração do domingo, para "desafiar" as pessoas a trazerem dinheiro. "Eu combinei com os regionais aqui o seguinte, malandro. No domingo [esfrega as mãos], falar assim: "Olha, pessoal, em nome de Jesus, você que vai agora semear em cima dessa palavra aqui, com [R$] 10 mil para cima, vem aqui na frente, coloca, muito bem. Com [R$] 1.000 para cima, vem aqui pra frente. Com [R$] 500 para cima, vem aqui na frente, com [R$] 100 para cima, com dez reais para cima, com uma moeda para cima, coloca aqui". Porque aí a gente não está, como se diz, estipulando. Porque foi na hora da oferta, um desafio."
Vídeo de outra reunião indica que membros da igreja procuraram se aproximar de criminosos para evitar assaltos a carros-fortes que transportam dinheiro doado por fiéis.
Romualdo conta que um carro-forte com R$ 52 mil arrecadados pela igreja havia sido assaltado na Grande São Paulo. Ele atribui a autoria do crime a policiais e diz que pastores e bispos deveriam fazer contato com a criminalidade. "Nosso problema não é bandido, o nosso problema é polícia. Você não pode falar isso para ninguém. [...] A não ser que, no Brasil, vocês não tenham feito o que nós fizemos aqui com os chefes da comunidade, de bandidos etc etc. Eu já falei para vocês fazerem. Não falei, Sidney? [...] Todos já devem ter feito."
Os vídeos foram entregues ao Ministério Público pelo ex-voluntário da Universal e ourives Eduardo Cândido da Silva. Os promotores Everton Luiz Zanella, Fernanda Narezi, Luiz Henrique Cardoso Dal Poz e Roberto Porto denunciaram, em agosto passado, Edir Macedo e mais nove membros da igreja sob acusação de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A denúncia foi acolhida pelo juiz Glaucio Roberto Brittes, da 9ª Vara Criminal, o que deu origem a ação penal.
Segundo os promotores, recursos obtidos pela igreja de fiéis eram enviados ao exterior por meio de empresas de fachada e retornavam ao Brasil com aparência legal, para a compra de emissores de rádio e TV.
Os promotores também pediram à Justiça dos Estados Unidos, por meio um acordo de cooperação bilateral, a quebra de sigilo das contas bancárias utilizadas pela igreja e por empresas a ela relacionadas.
O ourives Silva obteve os CDs de um ex-pastor regional que hoje atua em outra igreja. A Folha conversou com o pastor que tinha as gravações. Ele pediu para não ter o nome publicado, mas confirmou a história.
O ourives move uma ação para o ressarcimento de R$ 232 mil referentes a supostos cheques sem fundos passados por pastores pela venda de joias.
O preconceito que muitos evangélicos dizem sentir é facilmente explicado pelas ações de seus pastores e líderes. São criminosos comuns que deveriam passar suas vidas trancafiados por coação, extorsão, lavagem de dinheiro, danos morais e quaisquer outras contravenções e crimes que se possa encontrar no código penal.

Mas, muitas vezes, o preconceito vem também das atitudes de muitos neopentecostais que costumam ser absolutamente intolerantes e fazem questão de impor seus valores à toda a sociedade. A crítica não fica só neste grupo, mas, sem dúvida, é a face mais visível.

E, honestamente, eu não acredito que este preconceito em particular seja nocivo. Na verdade, ele é defensivo, é uma forma de defesa da população consciente frente às quadrilhas da fé. De outro lado é também uma barreira contra a ignorância, contra a fé cega, contra o proselitismo estúpido. Ninguém tem tanta capacidade de incomodar e de impor sua fé como os neopentecostais, não é à toa o preconceito.

É inaceitável que o Estado permita que estas quadrilhas atuem livremente e se propaguem como fogo no cerrado sem que prestem contas a nada nem ninguém. É intolerável que enganem sem punição.

Muito radical? Talvez seja. Mas talvez estejamos em um momento em que o neopentecostalismo e a piada que chamam de Teologia da Prosperidade  tenha chegado a um ponto em que ou combatemos ou perderemos a batalha. Estão gigantescos, tem deputados e senadores no bolso e se organizam de forma perigosa. É uma quadrilha que se institucionaliza e tenta pressionar o Estado - e pressiona!

Por mais que alguém que tenha cultura e estudo possa dizer que entrou para tal "igreja" por livre e espontânea vontade, não é aceitável que a população mais frágil, mais humilde seja vítima silenciosa das quadrilhas da fé. O Estado não pode permitir que os mais humildes "doem" tudo que tem, tudo que recebem de maneira suada para charlatões que realizam uma perfeita lavagem cerebral.

IURD, Renascer e demais neopentecostais agem como organizações criminosas que não podem ser toleradas por um Estado de direito que deve zelar pela sua população.
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Comentários
17 Comentários

17 comentários:

Conrado disse...

Concordo, com duas anotações rápidas pra começar:

1. Essas organizações criminosas, como você disse, têm deputados e senadores. Com isso, oferecem apoio ao governo de plantão (foi assim com FHC e com Lula - o vice-Presidente da República pertence ao partido da IURD) e garantem sua sobrevivência institucional (ao mesmo tempo em que interferem nas políticas públicas, votando contra legalização do direito ao abortamento, dentre outras coisas);

2. Não vejo muita diferença entre o neopentecostalismo e o catolicismo. A Igreja Católica é a instituição de maior poder na sociedade hoje, à custa de mais ou menos os mesmos princípios: dinheiro dos fiéis e cama política. Com mentiras, associação criminosa, tudo mais ou menos do mesmo jeito. A diferença é no detalhe, no varejo. Na essência, toda grande empresa da fé age da mesma forma.

Thiago P. disse...

"É inaceitável que o Estado permita que estas quadrilhas atuem livremente e se propaguem como fogo no cerrado sem que prestem contas a nada nem ninguém."

Meu comentário sobre isso tem 3 letras: PRB =)

E é nojento como deturparam algo que antes, tinha a função de compartilhar tudo o que tinha e para poder cobrir os gastos que uma organização tem. Aê vai e transformam em PLANTAÇÃO, SEMEAR, PLANTE QUE VOCÊ VAI GANHAR EM DOBRO. E vira essa coisa bizarra que vemos hoje.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Conrado: A diferença entre Igreja católica e seita neopentecostal é tênue, mas a diferença entre fiéis é imensa, ao menos na maior parte das vezes.

Quantos católicos você conhece que são praticantes radicais? E quantos neopentecostais?

Mas, claro, qualquer instituição deste tipo deve ser combatida!

Thiago: Estamos perdidos!=)

PRB é O partido da corja, mas se infiltram em tudo!

Julia tatto disse...

Parabéns pela coragem, pelo texto, e pelo blog. Concordo plenamente. beijoos de uma fiel leitora.

Conrado disse...

Neopentecostais gritam, atrapalham o trânsito de vez em quando e se cotizam pra enriquecer pastores. Católicos mandam no calendário, na política e se cotizam pra pagar advogados que vão defender estupradores de criancinhas.

Os fiéis são diferentes, sem dúvidas.

São nocivos de formas diferentes.

Não quero ficar batendo nos católicos. Só fiz isso pra deixar claro que não estou criticando a IURD do mesmo jeito que a Globo e a classe média brasileira critica, como se eles fossem o "único mal" no mercado religioso. Não são. Podem até ser os piores, ou os mais escandalosos, mas não são os únicos.

Thiago Beleza disse...

Porra, tinha escrito um puta comentario e deu pau na pagina antes de postar.... vamos la...

Concordo plenamente com o post, mas existem outros aspectos a serem analisados... em lugares onde o poder público é ausente há uma tendência a surgirem lideranças...É assim que o tráfico controla as favelas do rio, é assim que vereadores bunda se elegem e é assim que as igrejas se instituem como pilar de sustentação de uma falsa ordem divina...

Gerações anteriores as nossas (no norte e nordeste principalmente) tem uma forte tendência a religiosidade como forma de apoio... são pessoas abandonadas, sem condições mínimas de vida e que deposita suas únicas esperanças em deus...é só com quem podem contar, mesmo que ele não exista... (não preciso citar o sincretismo que coloca padre cícero e cosme damião ao lado de Nsa Sra aparecida e jesus cristo no mesmo altar)...

É senso comum... Acredite, pra algumas pessoas, é melhor ver a familia entregando o dinheiro suado na igreja do que nas drogas, na bebida (problemas comuns)... também é preferível ter um filho crente e burro do que um filho esperto e metido a malandro, uma filha puta ou mãe solteira, um filho viado... É fuga...O cara se acaba cheirando pó a semana toda, quando ve que ta quase na merda, procura jesus e encontra forças pra sair de lá... Soa ridiculo, mas acontece....

É uma fuga.. uma fuga do desespero da vida sofrida e sem esperanças... Estas pessoas não acreditam na via política de transformação... Deus vai resolver qualquer problema, pra que se preocupar?

Dentre tantas opções, impera apenas a regra do "onde eu me sinto melhor"... Alguns gostam de igrejas mais regradas, alguns gostam de igrejas mais liberais... mas todos eles precisam dessa força invisível...Inocência? Nem sempre...Muitas vezes, conveniência... A teologia da prosperidade..

Lamentável, mas é real...

Igreja diminui a criminalidade...tem respeito se fazem algum trabalho pela comunidade (abrigos para dependentes quimicos, geralmente, tem ligação com alguma igreja)...Fazem arrecadaões pra ajudar uma familia que perdeu tudo na enchente.... Como tirar isso destas pessoas?

É lavagem cerebral o que os pastores fazem? Sim... mas geralmente as pessoas se permitem.. é confortável... Acredite, sou ateu por convicção e o sentimento de desamparo é grande...No hospital, diante do médico que não sabia o que eu tinha, tive medo de morrer e não havia pra quem pedir ajuda... Não dava pra orar, não dava pra implorar... Sou honesto comigo e me recuso a acreditar em algo inexistente pra me confortar em um momento difícil... MAs nem todos tem essa força...

(cont)

Thiago Beleza disse...

(Continuação)


Penso que qualquer pessoa inteligente, capaz de raciocinar logicamente por poucas horas, deixaria de acreditar nessa ilusão coletiva...

Tentar tirar esse refúgio das pessoas que precisam dele causaria sérios problemas para qualquer governo que o tentasse... no fim das contas, como separar o Joio do trigo??? Há tantas denominações evangèlicas e as que foramaram um império com o dinheiro dos fiéis são minoria...Isso dificulta o trabalho...

Porém....

...Se de um lado, temos a conivência de grande parte da população pra existência destas instituições, por outro lado, a religião representa uma forma de controle social...A religião define as bases morais da sociedade ocidental desde que o mundo é mundo..certo e errado é definido com base em mandamentos escritos na bíblia... Veja o caso dos estadunidenses conservadores... São pessoas instruidas, estudadas, que acreditam fielmente em seus valores morais, na família e todo aquele bla-bla-bla diretista-fascista...Nessa linha de raciocínio, não é interessante pro governo acabar com esse método de controle pacífico...Pessoas que creem em um apocalipse iminente, não sentem necessidade de lutar.. não precisam de saneamento básico nem de agua encanada, afinal, vão ficar pouco tempo por aqui...

Penso que a desimportancialização (isso existe?) dessas instituições passa por uma cultura que priorize o cidadão pensante... aquele capaz de tirar suas próprias conclusões a respeito da existência de deus e, se optar por acreditar na lorota, q o faça sem precisar de um intermediario divino...... Isso já bastava pra que a própria sociedade criasse métodos naturais de controle.. MAs sejamos otmistas....quem sabe no próximo século...

Sobre as diferenças entre os protestantes e os católicos, penso que só exista em relação a importância das instituições, ja que o catolicismo é milenar...

É o ladrão rico e o ladrão pobre...um usa terno barato, o outro usa batina de seda..

O que os diferem são são as formas de operação... Os crimes da igreja católica são refinados e estão ligados ao poder, que por sua vez, garante o dinheiro... Evangélicos só se preocupam em ganhar dinheiro... Suas ligações com política servem apenas pra garantir que ganhem mais dinheiro sem serem incomodados por gente como nós......

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Julia: Muito obrigado!=)

Conrado: concordo contigo, totalmente!

Thiago: O que você diz tem sentido, daí a necessidade urgente da presença do Estado em comunidades e entre os mais carentes...Não nego que a religião afasta das drogas em alguns casos e etc, mas por outro acabam por perpetuar um fanatismo cego que é igualmente nocivo.

Mas nem todos que acabam caindo na lábia dos neopentecostais é pobre e ignorante, tem muita gente que você acharia insuspeita que cai, na hora do desespero. Daí o perigo dessas igrejas (sic), agirem sobre o desespero, manipularem em cima do sofrimento, sobre quem está vulnerável.

no geral, concordo contigo.

Lia Sergia Marcondes disse...

Bom, eu nem vou tecer maiores comentários, pra não 'chover no molhado', mas eu concordo com muito do que disse, inclusive com o que disse sobre o comentário do Thiago. No desespero, o ser humano fica totalmente vulnerável.

Agora, saindo totalmente do assunto, eu não poderia deixar de comentar uma coisa que achei muito interessante...

Vi que seu blog tem um banner com uma campanha contra a Folha de SP... Mas, ainda sim, você usou uma reportagem da própria Folha como exemplo para embasar seu texto. Achei isso muito curioso. hehehe

Parabéns pelo blog... Conheci hoje e, no geral, eu gostei.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

@Ligia: A Folha é nojenta, mas é mídia. Não se escapa. Questão é saber filtrar o que vem da mídia e lutar contra ela no que for preciso, mas ignorar é impossível.

Alexandre Guimarães disse...

Religião deve ser praticada entre quatro paredes, é do âmbito do direito individual, não coletivo. Fora disto, é formação de quadrilha.

AF STURT disse...

Tem um intelectual que não me lembro agora,disse que o envangelismo neo e pentascostal é o novo capitalismo do século XIX.

Bom estou sem tempo agora,para fazer um comentário mais bem estruturado ,mas se estudar bem,primeiro a elução dessas religioões desde 1500,principlamente numa conjuntura proxima ate hoje e comparar com o que propôs os revolucinários de 1500(Lutero e Calvino por exemplo) veremos o que esses caras fizeram de sacanagem e falsificação da fé e da orininalidade de teologos não foi pouca coisa não.

Anônimo disse...

Muito bom texto.Parabéns por sua coragem!

Aloísio

DanDi disse...

Assino em baixo, Raphael;

Essas Igrejas são um atentado não só pelas contravenções que cometem, mas por deixar empregnada uma ideologia capitalista nojenta. Morro de ódio dessa 'teologia da prosperidade'. Porque não explicam que os que prosperam são os pastores!

Abs

Marcelo Delfino disse...

Mas há uma luz no fim do túnel. E não é o trem na contramão.

Há milhares (talvez milhões) de evangélicos que não compactuam com essa safadeza pentecostal.

Sexta-feira passada, o grupo de rock gospel Oficina G3 fez uma apresentação ao vivo num evento no River Futebol Clube (bairro Piedade, cidade do Rio de Janeiro) com outras bandas de rock evangélicas. O Oficina era o último grupo a se apresentar.

Bem antes da apresentação do Oficina, o diácono evangélico que apresentava as bandas fez aquela indefectível sessão de agradecimentos, com citação dos patrocinadores e tudo mais. No meio, enfiou o nome do deputado estadual Marcos Soares (PDT-RJ), mais um desses deputados dito "evangélicos" que se elegem com o apoio da máquina eclesiástica oficial. No caso, da Igreja Internacional da Graça de Deus, liderada pelo missionário RR Soares. Não por acaso, pai do deputado. O PDT já foi um partido mais sério.

Pra quê o diácono fez isso? Pra levar uma sonora vaia do público do Oficina G3. Ele e o deputado queridinho de RR Soares. O diácono paspalhão ainda tentou emendar, dizendo coisas tipo "Isso é guerra. Mandamos um pra frente (de batalha). Se ele cai, mandamos dez no lugar. O próximo pode ser você".

Não, obrigado. O público do Oficina G3 (seja o evangélico ou o não evangélico) tem consciência, senhor diácono. Cada um tem a sua fé, e ter fé é algo legítimo e um direito inalienável. No entanto, esse mesmo público não aceita virar joguete de picaretagem gospel. Alguém pode até entrar pra política partidária, se eleger e fazer um bom trabalho, mas não se elegerá à custas de conchavos e currais eleitorais gospel.

Texto adaptado do meu blog: http://brasilpaisdetolos.blogspot.com/2011/02/plateia-do-oficina-g3-vaia-nome-de.html

Professor Eduardo Lima disse...

Eu fico triste de ver isso. E se você for tentar convencer essas pessoas é capaz de você ser chamado de infiel. Vão dizer que o demônio está te tentando ou algo assim, o pior é que eles estão cada vez mais influentes politicamente. Aí não causam danos apenas aos seus fiéis mas a toda a sociedade.

Christallina disse...

E hoje, num "passeio" pela programação matinal da TV, me deparei com a Bispa Sônia tentando explicar o porquê da desvinculação, se assim posso chamar, do Kaká de sua Igreja. Mas isso não foi o pior. O pior foi ver a pobre ignorante apresentadora do programa da RedeTV! dizendo algo como: "Quero mandar um grande beijo para a 'digníssima' Bispa Sônia, etc, etc (sem sarcasmo, claro)

O mais lamentável dessa história é que ainda somarão a maior parcela, aqueles que continuarão fechando os olhos para esses escândalos, depositando enormes quantias de seu dinheiro nesses altares, tudo em nome da fé. Porque, ao que parece, é preciso "molhar" muito a mão de Deus, se quiser entrar em seu paraíso.

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