Soa como clichê dizer que o Rio chegou ao limite. Na verdade soa como uma mentira. O ponto de quebra, o limite, já foi alcançado há muito tempo. Mas os sinais eram mascarados pelas ações do BOPE de suposta pacificação dos morros e da substituição do tráfico pelas milícias, além da própria divisão das grandes facções em outras menores e cada vez mais violentas.
Quando parecia que alcançávamos o limite, o tráfico se dividiu e as milícias deram a falsa impressão de paz, daquela paz finalmente alcançada. No fim, as milícias se mostraram tão nocivas quanto os traficantes de antes.
Tudo isto é reflexo do descaso do estado e do Estado. De políticas puramente de confronto e não de inclusão, de políticas de criminalização não só das drogas mas da pobreza em geral. Quadro este que se perpetua pelo país, mas dada a história e a geografia do Rio, a coisa se complica.
Não pretendo me demorar na análise histórica da situação, esta já é bem conhecida, e sim me concentrar no que vem agora. No momento atual e nas perspectivas.
Pois bem, sempre acompanhei as invasões em favelas com preocupação, em alguns casos estive muito perto de invasões extremamente violentas - passei boa parte das minhas férias no Grajaú, ao lado de favelas dominadas pelo Comando Vermelho e Terceiro Comando em constante guerra - e sempre via o desespero na cara de quem morava nas favelas invadidas ou nas proximidades.
Invasão significa a morte de civis, significa a truculência e, no fim, quase nada muda na vida dos que vivem nas favelas. O tráfico costuma voltar e ficam apenas os corpos pelo chão das vítimas das investidas esporádicas da polícia.
Com as UPP's, pese algumas críticas, a coisa começou a tomar uma nova forma. Por mais que tenham falhas, as UPPs inauguraram uma nova era na política de pacificação das comunidades, até mesmo diminuindo o estigma de serem criminalizados por serem pobres, excluídos.
Mas, ainda assim, o Rio continua sendo um campo minado onde facções criminosas, milícias e polícia disputam cada centímetro. Mas o problema está além.
Não se pode dizer que o tráfico é o resultado do trabalho de marginais mal intencionados que devem ser mortos. São pobres marginalizados suas vidas inteiras que encontram na marginalidade uma forma de reação, de rebelião. Claro, existem os que efetivamente gostam, foram feitos para o crime, mas estas são exceções.A maior parte dos soldados são simples adolescentes ou jovens com famílias desestruturadas que nunca foram considerados gente pelo estado e pelo Estado e que encontraram no tráfico uma forma de serem alguém.
As milícias são uma resposta, mas uma resposta corrupta, com a intenção apenas moralista de substituir os antigos dominantes, os traficantes. Sai a droga, mas a violência continua a mesma, até piora. É uma reação de agentes do Estado à própria falta de ação de seus empregadores, mas com métodos tão deploráveis quanto os empregados por quem eles combatem.
A saída violenta para o Rio apenas resulta em mais violência, por mais estúpida e óbvia que a sentença possa parecer. A resposta à exclusão, de forma violenta, faz nascer o tráfico, que por sua vez causa a resposta das milícias, também violenta. Tudo isto intercalado por ações "legítimas" do Estado, de invasões e brutalização.
O ciclo apenas se completa, reduzindo tudo à mais pura marginalização e criminalização, em que ser pobre já é, por si só, razão para condenação.
Óbvio, estou sendo mais simplista do que pede a situação, seria impossível analisar todos os diversos aspectos que levaram o Rio até a situação limite atual.
A falta da presença do Estado nas comunidades carentes é o maior dos males. A prisão de traficantes não diminui a violência, senão apenas recicla a bandidagem e cria novas lideranças, por vezes, até mais violentas.
O problema, claro, não está só em combater o tráfico, seus líderes, mas ir além, ir atrás dos políticos que comandam efetivamente tudo.
Combater o fogo com o fogo apenas perpetua o ciclo. Combater as causas da exclusão, porém, é a solução.
Este tema é motivo de paixões e de radicalismo. O que não ajudam em nada à melhorar a situação.
Tomar a situação atual, do Complexo do Alemão cercado e tomado por traficantes, por um viés ideologizado e sem matizes é apenas contribuir para a perpetuação do problema.
A realidade é a de mais de 500 traficantes acampados nos morros do complexo, fortemente armados e prontos para tudo. São bandidos, não há como negar, independentemente do que os levou até lá. A realidade é, ainda, a de uma população aterrorizada e cercada, vivendo no medo e, ainda, as forças armadas, polícia, BOPE e afins cercando a região para impedir que os traficantes escapem.
É um quebra-cabeça.
O que deve fazer a polícia? Recuar e permitir a fuga, ou até pior, o entranhamento na comunidade de centenas de criminosos? Isto seria impossível e inaceitável. Por outro lado, a solução seria invadir e acabar por matar inocentes?
Historicamente vejo as invasões como nem de longe desejadas pela população, que sempre se dá mal, mas pelo que venho acompanhando, desta vez, me parece que a polícia encontra amplo apoio por parte da população - e falo de moradores e não da classe média que a Globo adora entrevistar pra saber a opinião desde seus apartamentos da Zona Sul - e, está claro, o comando da polícia vem fazendo um esforço imenso para negociar, chegando até a citar direitos humanos e pedir pela rendição dos bandidos a fim de evitar um banho de sangue.
O diferencial desta vez, até mais do que o apoio popular, talvez esteja na negociação. Em todas as mensagens e apelos pela rendição, nos apelos para que seja evitado um banho de sangue...
Que uma coisa fique clara, se existem traficantes na favela é obrigação - e não digo moral, mas obrigação legal mesmo - da polícia ir retirá-los. Prender ou matar se for preciso. Isto não está em discussão. Gostemos ou não, esta é uma prerrogativa do Estado e de sua força de segurança, de seu aparelho repressor.
O que acho válido analisar aqui é a clara mudança de posição ou de comportamento por parte do comando em, ao invés de simplesmente invadir, tentar todos os meios de diálogo.
Quando vejo posições radicais anti-polícia me pergunto: "O que querem? Que virem as costas e finjam que não tem nenhum bandido acampado no Alemão?".
Não vejo outra solução senão a continuidade da negociação e uma possível invasão, esperando que esta possa ser a mais limpa possível e ter o menor número de baixas.
Acredito que a disputa entre os que consideram a polícia boba, feia e chata e os que querem que matem todos os "favelados" seja desnecessária e indevida. Não chegam ao cerne do problema. É claro, a solução mais efetiva é a inclusão social, é a mudança da mentalidade da sociedade, mas nada disto se alcança sem algum confronto, nada disto se alcança sem que os problemas pontuais sejam, também, atacados.
Uma coisa são ações policiais sem qualquer estrutura, visando apenas o assassinato de criminosos e inocentes e uma suposta imagem de respeito à lei e à ordem para aparecer na TV e agradar a elite, outra é uma ação que se vê necessária em que diversas forças se unem e buscam uma saída pacífica e, não encontrando, são forçadas a defender o Estado e a população.
Diferencial desta vez, ao meu ver, são os apelos da polícia e, acreditem, a palavra "direitos humanos" saindo das bocas de comandantes e lideranças que sequer deveriam conhecer seu significado até alguns meses atrás.
Mas, sempre, deve-se ter em mente que, não importa quantas ações a polícia faça, sem inclusão social e sem uma mudança completa na forma como os pobres e favelados são tratados, os banhos de sangue continuarão, pois a morte de um traficante não cria uma lacuna, apenas cria um sucessor.
Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
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sábado, 27 de novembro de 2010
Rio de Janeiro, tragédia anunciada?
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
20:08
Rio de Janeiro, tragédia anunciada?
2010-11-27T20:08:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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quinta-feira, 22 de abril de 2010
Fobia Neopentecostal e o Dia "D" de "dinheiro" [Parte 2]
O Dia D
Na quarta, dia 20, feriado, uma multidão de fanáticos, ops, assaltados, ops, fiéis, se reuniram na Zona Sul do Rio para um Culto (como eles chamam o processo inicial da lavagem de dinheiro, é quando vão extorquir dos ignorantes), causando um verdadeiro caos na cidade do Rio de Janeiro.
Um evento de tamanha magnitude, não há dúvida, não tem cabimento. Um absurdo que o município permita tal coisa, causando um transtorno de proporções gigantescas na cidade. E não faço de trânsito, como a Globo adora noticiar. Tudo para a Globo é problemático para o trânsito e ponto.
Mas falo do caos para os moradores da região, dos que estavam na praia, dos que foram obrigados a aguentar horas de pregação, de proselitismo e, o pior, a sacanagem com os "fiéis" que devem ter levado as carteiras prontas para serem coagidos a dar até o último tostão para os pastores, bispos e meliantes em geral da IURD ali reunidos.
Antes que algum fanático venha criticar que a Parada Gay na Paulista, ou mesmo a carioca, causam tumulto semelhante, já adianto que uma coisa é um bando de desocupado indo roubar e ser roubado se reunindo e transtornando a vida de todos e outra é uma minoria constantemente atacada e que sofre preconceito diário e perseguições se manifestando por visibilidade.
Pesem as críticas à "globalização" da Parada Gay, ao tom hoje muito mais midiático e festivo que crítico e conscientizador, o evento ainda é fundamental para a visibilidade dos homossexuais. Estes, aliás, constantemente atacados pela turba reunida na Zona Sul para pregar a palavra do preconceito, dita de deus.
O "movimento" presente na praia de Botafogo não reivindica nada, não protesta contra nada, não acrescenta nada. Ao menos, na superfície.
Em um período pré-eleitoral o circo armado pela IURD é ainda mais significativo. É uma clara demonstração de poder, de manipulação das massas.
Sobre esta questão da Homossexualidade, vale à pena ler este artigo que traça um paralelo entre a atitude dos "nossos" neopentecostais (em alguns casos das igrejas cristãs e seitas em geral) e a atitude tão condenada dos africanos em Uganda ou mesmo de alguns países islâmicos.
Enfim, um "culto" despropositado, com o objetivo de mostrar a todos "Olha, nós temos força, não mexa conosco ou destruiremos vocês". Perigoso e ameaçador.
Neste ponto muitos já devem estar me chamando de intolerante religioso, esclareço: Neopentecostalismo não é religião, é quadrilha organizada com bíblia não mão.Sinto muita pena de quem acaba caindo e espero todo dia que os responsáveis mofem na cadeia.
Na quarta, dia 20, feriado, uma multidão de fanáticos, ops, assaltados, ops, fiéis, se reuniram na Zona Sul do Rio para um Culto (como eles chamam o processo inicial da lavagem de dinheiro, é quando vão extorquir dos ignorantes), causando um verdadeiro caos na cidade do Rio de Janeiro.
Um evento de tamanha magnitude, não há dúvida, não tem cabimento. Um absurdo que o município permita tal coisa, causando um transtorno de proporções gigantescas na cidade. E não faço de trânsito, como a Globo adora noticiar. Tudo para a Globo é problemático para o trânsito e ponto.
Mas falo do caos para os moradores da região, dos que estavam na praia, dos que foram obrigados a aguentar horas de pregação, de proselitismo e, o pior, a sacanagem com os "fiéis" que devem ter levado as carteiras prontas para serem coagidos a dar até o último tostão para os pastores, bispos e meliantes em geral da IURD ali reunidos.
Antes que algum fanático venha criticar que a Parada Gay na Paulista, ou mesmo a carioca, causam tumulto semelhante, já adianto que uma coisa é um bando de desocupado indo roubar e ser roubado se reunindo e transtornando a vida de todos e outra é uma minoria constantemente atacada e que sofre preconceito diário e perseguições se manifestando por visibilidade.
Pesem as críticas à "globalização" da Parada Gay, ao tom hoje muito mais midiático e festivo que crítico e conscientizador, o evento ainda é fundamental para a visibilidade dos homossexuais. Estes, aliás, constantemente atacados pela turba reunida na Zona Sul para pregar a palavra do preconceito, dita de deus.
O "movimento" presente na praia de Botafogo não reivindica nada, não protesta contra nada, não acrescenta nada. Ao menos, na superfície.
Em um período pré-eleitoral o circo armado pela IURD é ainda mais significativo. É uma clara demonstração de poder, de manipulação das massas.
Sobre esta questão da Homossexualidade, vale à pena ler este artigo que traça um paralelo entre a atitude dos "nossos" neopentecostais (em alguns casos das igrejas cristãs e seitas em geral) e a atitude tão condenada dos africanos em Uganda ou mesmo de alguns países islâmicos.
Enfim, um "culto" despropositado, com o objetivo de mostrar a todos "Olha, nós temos força, não mexa conosco ou destruiremos vocês". Perigoso e ameaçador.
Neste ponto muitos já devem estar me chamando de intolerante religioso, esclareço: Neopentecostalismo não é religião, é quadrilha organizada com bíblia não mão.Sinto muita pena de quem acaba caindo e espero todo dia que os responsáveis mofem na cadeia.
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Fobia Neopentecostal e o Dia "D" de "dinheiro" [Parte 1]
Fobia neopentecostal
Nos dias de hoje está cada vez mais difícil não ter a tal "fobia neopentecostal". Eu tento, mas é difícil respeitar quem acredita na IURD, quem acredita na Renascer, quem dá todo seu dinheiro a um grupo de criminosos travestidos de pastores.
Na verdade, muitos são apenas pobre coitados, o "não-respeitar" começa a partir do momento em que tentam me tornar um igual, quando tentam me convencer. Até lá, tenho apenas pena. Mas como levar a sério as opiniões de quem, por seu lado, leva um Edir Macedo a sério? Um R.R. Soares? Uma "Bispa" (cof, cof) Sônia?
Chamem os "fiéis" de vítimas de Síndrome de Estocolmo, de meros enganados, talvez, mas me questiono até que ponto não são cúmplices e coniventes? Veja o Kaká, por exemplo.
Não falo de todos, claro, muita gente - a maioria, penso - cai no conto do neopentecostalismo em momento de desespero e é capaz de acreditar em absolutamente tudo que lhe disserem. Outros são simplesmente incapazes de compreender a diferença entre ser roubado e de ter uma fé real. Mas uma parcela, sem dúvida, é simplesmente conivente e acaba por usufruir das benesses do dízimo alheio extorquido.
Suponho que eu vá perder muitos leitores com este post, mas era simplesmente algo que eu precisava dizer. Por outro lado, sei que muitos concordam comigo. Uns não dizem nada, outros não tem problema em admití-lo.
Vamos a um exemplo dos "porquês" da fobia.
Os vídeos divulgados semana passada pela Folha com o "bispo" Romualdo Panceiro ensinando outros bispos e pastores a roubar dostrouxas
fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus são simplesmente um absurdo.
Mas apenas mais um absurdo para a coleção extensa desta "igreja" e de suas semelhantes.
Sob o manto da liberdade religiosa, criminosos comuns roubam e coagem pobres e ricos a darem seu dinheiro para posterior lavagem e enriquecimento dos membros mais graduados destas "igrejas".
A reportagem completa da Folha:
Mas, muitas vezes, o preconceito vem também das atitudes de muitos neopentecostais que costumam ser absolutamente intolerantes e fazem questão de impor seus valores à toda a sociedade. A crítica não fica só neste grupo, mas, sem dúvida, é a face mais visível.
E, honestamente, eu não acredito que este preconceito em particular seja nocivo. Na verdade, ele é defensivo, é uma forma de defesa da população consciente frente às quadrilhas da fé. De outro lado é também uma barreira contra a ignorância, contra a fé cega, contra o proselitismo estúpido. Ninguém tem tanta capacidade de incomodar e de impor sua fé como os neopentecostais, não é à toa o preconceito.
É inaceitável que o Estado permita que estas quadrilhas atuem livremente e se propaguem como fogo no cerrado sem que prestem contas a nada nem ninguém. É intolerável que enganem sem punição.
Muito radical? Talvez seja. Mas talvez estejamos em um momento em que o neopentecostalismo e a piada que chamam de Teologia da Prosperidade tenha chegado a um ponto em que ou combatemos ou perderemos a batalha. Estão gigantescos, tem deputados e senadores no bolso e se organizam de forma perigosa. É uma quadrilha que se institucionaliza e tenta pressionar o Estado - e pressiona!
Por mais que alguém que tenha cultura e estudo possa dizer que entrou para tal "igreja" por livre e espontânea vontade, não é aceitável que a população mais frágil, mais humilde seja vítima silenciosa das quadrilhas da fé. O Estado não pode permitir que os mais humildes "doem" tudo que tem, tudo que recebem de maneira suada para charlatões que realizam uma perfeita lavagem cerebral.
IURD, Renascer e demais neopentecostais agem como organizações criminosas que não podem ser toleradas por um Estado de direito que deve zelar pela sua população.
Nos dias de hoje está cada vez mais difícil não ter a tal "fobia neopentecostal". Eu tento, mas é difícil respeitar quem acredita na IURD, quem acredita na Renascer, quem dá todo seu dinheiro a um grupo de criminosos travestidos de pastores.
Na verdade, muitos são apenas pobre coitados, o "não-respeitar" começa a partir do momento em que tentam me tornar um igual, quando tentam me convencer. Até lá, tenho apenas pena. Mas como levar a sério as opiniões de quem, por seu lado, leva um Edir Macedo a sério? Um R.R. Soares? Uma "Bispa" (cof, cof) Sônia?
Chamem os "fiéis" de vítimas de Síndrome de Estocolmo, de meros enganados, talvez, mas me questiono até que ponto não são cúmplices e coniventes? Veja o Kaká, por exemplo.
Não falo de todos, claro, muita gente - a maioria, penso - cai no conto do neopentecostalismo em momento de desespero e é capaz de acreditar em absolutamente tudo que lhe disserem. Outros são simplesmente incapazes de compreender a diferença entre ser roubado e de ter uma fé real. Mas uma parcela, sem dúvida, é simplesmente conivente e acaba por usufruir das benesses do dízimo alheio extorquido.
Vamos a um exemplo dos "porquês" da fobia.
Os vídeos divulgados semana passada pela Folha com o "bispo" Romualdo Panceiro ensinando outros bispos e pastores a roubar dos
Mas apenas mais um absurdo para a coleção extensa desta "igreja" e de suas semelhantes.
Sob o manto da liberdade religiosa, criminosos comuns roubam e coagem pobres e ricos a darem seu dinheiro para posterior lavagem e enriquecimento dos membros mais graduados destas "igrejas".
A reportagem completa da Folha:
Em vídeo, bispo da Universal ensina a arrecadar na crise Bispo Romualdo Panceiro diz que fiéis devem ser convencidos a "semear no altar'O preconceito que muitos evangélicos dizem sentir é facilmente explicado pelas ações de seus pastores e líderes. São criminosos comuns que deveriam passar suas vidas trancafiados por coação, extorsão, lavagem de dinheiro, danos morais e quaisquer outras contravenções e crimes que se possa encontrar no código penal.
"Por isso que a gente tem que perguntar: "Você crê mais na crise ou você crê em Deus?", explica o 2º nome na hierarquia da instituição
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
Vídeo entregue ao Ministério Público de São Paulo por um ex-voluntário da Igreja Universal mostra bispos da cúpula da entidade combinando a pregação para obter dízimos dos fiéis na crise econômica de 2008.
As gravações obtidas pela Folha, que oferecem rara visão sobre práticas da igreja, são de duas reuniões feitas por videoconferência entre líderes na sede, em São Paulo, e outros nos Estados. Foram coordenadas pelo bispo Romualdo Panceiro. Ele é considerado o segundo nome mais importante na igreja e foi apontado pelo bispo Edir Macedo como o seu sucessor. Romualdo, que coordenou a igreja no Brasil por mais de 12 anos, hoje vive em Buenos Aires e é responsável pela instituição na América Latina.
Um dos vídeos começa com Romualdo tirando uma espada da cintura e colocando-a sobre uma mesa. Durante 15 minutos, ele aparece orientando outros bispos graduados da igreja, como Clodomir Santos, a recorrerem a trechos da Bíblia nos quais se narra que o personagem Isaac, para escapar de uma grande fome, recebeu orientação divina para semear no solo ruim, e foi agraciado.
Romualdo orienta que "semear" é dar dinheiro à igreja. Ele diz que a igreja deveria perguntar aos fiéis se eles "acreditam mais" na crise ou em Deus.
"Por isso que a gente tem que perguntar [ao fiel]: "Você crê mais na crise ou você crê em Deus? Porque se você crê na crise, então você vai guardar para ela, ela vai pegar o que você tem. Sem que você saiba, quando você acordar, já era. Mas se você crê em Deus, você vai pegar o que a crise pode pegar e você vai colocar onde? [...] Vai semear no altar!", diz.
Romualdo indaga se Clodomir compreendeu: "É ou não é, Clodomir? Entendeu? [...] Não é legal isso?". Clodomir concorda: "Arrebenta. Tá ligado".
Em seguida, o bispo diz que a ideia deve ser disseminada entre os pregadores: "Quer dizer, mais semente você vai ter, e quanto mais você tem semente, mais você vai colher. Pô, é muito forte, não é? Então, a gente tem que virar o jogo. Passar esse espírito para os pastores agora, como eu já passei".
Ele se dirige ao bispo Sidney Marques, de Belo Horizonte: "Vai arrebentar, é muito forte! Hein, ô, Sidney?" "É o melhor investimento. O melhor investimento é esse", responde Sidney. "Momento propício para o uso da fé", arremata Romualdo.
O bispo diz que "combinou" com os pastores regionais de abrir três Bíblias, durante a oração do domingo, para "desafiar" as pessoas a trazerem dinheiro. "Eu combinei com os regionais aqui o seguinte, malandro. No domingo [esfrega as mãos], falar assim: "Olha, pessoal, em nome de Jesus, você que vai agora semear em cima dessa palavra aqui, com [R$] 10 mil para cima, vem aqui na frente, coloca, muito bem. Com [R$] 1.000 para cima, vem aqui pra frente. Com [R$] 500 para cima, vem aqui na frente, com [R$] 100 para cima, com dez reais para cima, com uma moeda para cima, coloca aqui". Porque aí a gente não está, como se diz, estipulando. Porque foi na hora da oferta, um desafio."
Vídeo de outra reunião indica que membros da igreja procuraram se aproximar de criminosos para evitar assaltos a carros-fortes que transportam dinheiro doado por fiéis.
Romualdo conta que um carro-forte com R$ 52 mil arrecadados pela igreja havia sido assaltado na Grande São Paulo. Ele atribui a autoria do crime a policiais e diz que pastores e bispos deveriam fazer contato com a criminalidade. "Nosso problema não é bandido, o nosso problema é polícia. Você não pode falar isso para ninguém. [...] A não ser que, no Brasil, vocês não tenham feito o que nós fizemos aqui com os chefes da comunidade, de bandidos etc etc. Eu já falei para vocês fazerem. Não falei, Sidney? [...] Todos já devem ter feito."
Os vídeos foram entregues ao Ministério Público pelo ex-voluntário da Universal e ourives Eduardo Cândido da Silva. Os promotores Everton Luiz Zanella, Fernanda Narezi, Luiz Henrique Cardoso Dal Poz e Roberto Porto denunciaram, em agosto passado, Edir Macedo e mais nove membros da igreja sob acusação de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A denúncia foi acolhida pelo juiz Glaucio Roberto Brittes, da 9ª Vara Criminal, o que deu origem a ação penal.
Segundo os promotores, recursos obtidos pela igreja de fiéis eram enviados ao exterior por meio de empresas de fachada e retornavam ao Brasil com aparência legal, para a compra de emissores de rádio e TV.
Os promotores também pediram à Justiça dos Estados Unidos, por meio um acordo de cooperação bilateral, a quebra de sigilo das contas bancárias utilizadas pela igreja e por empresas a ela relacionadas.
O ourives Silva obteve os CDs de um ex-pastor regional que hoje atua em outra igreja. A Folha conversou com o pastor que tinha as gravações. Ele pediu para não ter o nome publicado, mas confirmou a história.
O ourives move uma ação para o ressarcimento de R$ 232 mil referentes a supostos cheques sem fundos passados por pastores pela venda de joias.
Mas, muitas vezes, o preconceito vem também das atitudes de muitos neopentecostais que costumam ser absolutamente intolerantes e fazem questão de impor seus valores à toda a sociedade. A crítica não fica só neste grupo, mas, sem dúvida, é a face mais visível.
E, honestamente, eu não acredito que este preconceito em particular seja nocivo. Na verdade, ele é defensivo, é uma forma de defesa da população consciente frente às quadrilhas da fé. De outro lado é também uma barreira contra a ignorância, contra a fé cega, contra o proselitismo estúpido. Ninguém tem tanta capacidade de incomodar e de impor sua fé como os neopentecostais, não é à toa o preconceito.
É inaceitável que o Estado permita que estas quadrilhas atuem livremente e se propaguem como fogo no cerrado sem que prestem contas a nada nem ninguém. É intolerável que enganem sem punição.
Muito radical? Talvez seja. Mas talvez estejamos em um momento em que o neopentecostalismo e a piada que chamam de Teologia da Prosperidade tenha chegado a um ponto em que ou combatemos ou perderemos a batalha. Estão gigantescos, tem deputados e senadores no bolso e se organizam de forma perigosa. É uma quadrilha que se institucionaliza e tenta pressionar o Estado - e pressiona!
Por mais que alguém que tenha cultura e estudo possa dizer que entrou para tal "igreja" por livre e espontânea vontade, não é aceitável que a população mais frágil, mais humilde seja vítima silenciosa das quadrilhas da fé. O Estado não pode permitir que os mais humildes "doem" tudo que tem, tudo que recebem de maneira suada para charlatões que realizam uma perfeita lavagem cerebral.
IURD, Renascer e demais neopentecostais agem como organizações criminosas que não podem ser toleradas por um Estado de direito que deve zelar pela sua população.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Banalização dos protestos e Apartheid Social
Eu já havia comentado ha alguns dias sobre a banalização dos protestos em curso no país.
É esta corrupção, aliás, que desvia o dinheiro que deveria ser usado na inclusão social, na inclusão dos marginalizados e que é desviada para os bolsos do vereador, do prefeito, do deputado....
No caso do Rio, além de tudo isto, temos uma guerra entre caciques, entre Cesar Maia, Cabral, Beltrame, os Garotinhos... Todos de uma maneira ou de outra ligados às causas da violência local.
Quando algum movimento, protesto ou manifestação sai na capa de um grande jornal, logo começo a duvidar das intenções e propostas do dito grupo. Se o PIG apóia então algo está errado. A edição de domingo da Folha de São Paulo estampa os "manifestantes" em sua capa e, como não é de surpreender, acaba por se declarar favorável à atitude do grupo.
Mesmo modus operandi adotado pelo O Globo para divulgar o grupelho burguês "Nove", que protestou contra a fraude do Enem. Isso mesmo, contra a fraude, não contra algo factual, visível, claro. Fizeram apenas o jogo DemoTucano, como é de se esperar dos filhos da elite.
No caso deste protesto no Rio - mais um de dezenas, alguns inclusive capitaneados por sub-celebridades -, é o mais do mesmo. Filhinhos de papai se encontram na Zona Sul, na praia, fazem um teatro, aparecem na TV, são capa de jornal e depois vão tomar banho de mar e voltar às suas vidas, como se nada tivesse acontecido.
Não estamos diante apenas da banalização dos protestos, dos protestos nonsense, mas do completo descaramento de uma classe média que usa o espetáculo para fingir que se importa com alguém que não apenas os de sua classe.
Porque não sobem o Morro dos Macacos e protestam lá contra a violência policial? Ao invés disto ficam seguros, cercados pela polícia e pelos abutres do jornalismo (sic) Global ao lado de sua praia favorita, para onde vão depois, descansar, com o dever cumprido. O dever de fingir se importar, o dever de fingir agirem pela paz real e não pela sonhada pelos seus: Livre das favelas, da pobreza, mas não pela inclusão, mas pelo cercamento, pela repressão, pelo apartheid social.
A Classe Média não sabe contra quem ou o que protestar. Vota nos mesmos escroques de sempre e faz campanha de boca cheia para os mesmos políticos corruptos, interessados em privilegiar sua classe em detrimento do resto do povo. Como resultado criam um círculo vicioso em que os favelados se rebelam contra sua situação, em muitos casos, através da violência do tráfico.
As elites mais abastadas contam com a Classe Média para propagar seus delírios consumistas, para divulgar a mensagem profética d'O Globo e da Veja e para garantir a nulidade ou a atitude mais reacionária da classe.
Na falta de alternativas, de argumentos para sua própria ignorância, na falta de coragem ou decência para uma atitude corajosa a Classe Média protesta. Contra quem ou o que não sabem, mas se sentem realizados em atuar como arautos da paz e da decência.
Mas, para além disto, também é curioso notar o paradoxo do excesso de manifestações vazias e sem sentidos que acabam por banalizar este importante instrumento de pressão social e política ao mesmo tempo em que novas formas de protesto são tentadas dia após dia.
É realmente curioso - e lamentável - que protestos sérios e relevantes sejam criminalizados e esvaziados ao tempo em que futilidades mil ganhem projeção e o óbvio apóio da mídia, interessada em patrocinar o esvaziamento daquilo que não lhe convém.
No Rio, mais um movimento da elite - que agora adora a moda as ONG's para se "manifestar" e para fingir que se importam com algo além deles próprios - resolveu "protestar" contra a violência.
De acordo com o Antônio Carlos Costa, presidente da ONG, os carrinhos representam os 20 mortos por dia no estado. A estimativa foi feita pela entidade a partir de dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) e representa a soma de casos de crimes de latrocínio, homicídio doloso, autos de resistência e policiais mortos. De acordo com o movimento, de janeiro de 2007 a agosto de 2009, aproximadamente 20 mil pessoas foram mortas no Rio. Após percorrer a orla pela ciclovia, os carrinhos com os manifestantes foram perfilados na areia da praia, na altura da Avenida Princesa Isabel, onde também foi exibido um painel com os números da violência no estado.
Nenhum problema com se manifestar, o problema é o alvo. Protesto contra a "violência"? Porque não contra o abandono por parte do Estado das comunidades carentes e favelizadas? Contra a participação de boa parte da estrutura de poder do Rio de Janeiro - e do Brasil - nos crimes, no tráfico, nas milícias, na corrupção e nas mazelas sociais?
É esta corrupção, aliás, que desvia o dinheiro que deveria ser usado na inclusão social, na inclusão dos marginalizados e que é desviada para os bolsos do vereador, do prefeito, do deputado....
No caso do Rio, além de tudo isto, temos uma guerra entre caciques, entre Cesar Maia, Cabral, Beltrame, os Garotinhos... Todos de uma maneira ou de outra ligados às causas da violência local.
Quando algum movimento, protesto ou manifestação sai na capa de um grande jornal, logo começo a duvidar das intenções e propostas do dito grupo. Se o PIG apóia então algo está errado. A edição de domingo da Folha de São Paulo estampa os "manifestantes" em sua capa e, como não é de surpreender, acaba por se declarar favorável à atitude do grupo.
Mesmo modus operandi adotado pelo O Globo para divulgar o grupelho burguês "Nove", que protestou contra a fraude do Enem. Isso mesmo, contra a fraude, não contra algo factual, visível, claro. Fizeram apenas o jogo DemoTucano, como é de se esperar dos filhos da elite.
No caso deste protesto no Rio - mais um de dezenas, alguns inclusive capitaneados por sub-celebridades -, é o mais do mesmo. Filhinhos de papai se encontram na Zona Sul, na praia, fazem um teatro, aparecem na TV, são capa de jornal e depois vão tomar banho de mar e voltar às suas vidas, como se nada tivesse acontecido.
Não estamos diante apenas da banalização dos protestos, dos protestos nonsense, mas do completo descaramento de uma classe média que usa o espetáculo para fingir que se importa com alguém que não apenas os de sua classe.
Porque não sobem o Morro dos Macacos e protestam lá contra a violência policial? Ao invés disto ficam seguros, cercados pela polícia e pelos abutres do jornalismo (sic) Global ao lado de sua praia favorita, para onde vão depois, descansar, com o dever cumprido. O dever de fingir se importar, o dever de fingir agirem pela paz real e não pela sonhada pelos seus: Livre das favelas, da pobreza, mas não pela inclusão, mas pelo cercamento, pela repressão, pelo apartheid social.
A Classe Média não sabe contra quem ou o que protestar. Vota nos mesmos escroques de sempre e faz campanha de boca cheia para os mesmos políticos corruptos, interessados em privilegiar sua classe em detrimento do resto do povo. Como resultado criam um círculo vicioso em que os favelados se rebelam contra sua situação, em muitos casos, através da violência do tráfico.
As elites mais abastadas contam com a Classe Média para propagar seus delírios consumistas, para divulgar a mensagem profética d'O Globo e da Veja e para garantir a nulidade ou a atitude mais reacionária da classe.
Na falta de alternativas, de argumentos para sua própria ignorância, na falta de coragem ou decência para uma atitude corajosa a Classe Média protesta. Contra quem ou o que não sabem, mas se sentem realizados em atuar como arautos da paz e da decência.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A eterna violência carioca
Morreu mais um PM, o terceiro dos que estavam no helicóptero abatido pelos traficantes do Morro dos Macacos.
De fato, é uma notícia ruim, o desperdício de vidas humanas em uma guerra insensata e sem sentido nunca pode ser comemorada. Mas, da mesma forma, a morte de inocentes no fogo cruzado também não pode ser tratada - como o é pela imprensa - como "dano colateral", mal menor.
Aliás, a própria guerra que ocorre no Rio não pode ser reduzida à uma guerra entre mocinhos (PM), bandidos (Tráfico, sem rosto), danos colaterais (favelados, pobres, igualmente sem rosto) e pobres vítimas inocentes (classe média).
Artigo completo está no Trezentos.
De fato, é uma notícia ruim, o desperdício de vidas humanas em uma guerra insensata e sem sentido nunca pode ser comemorada. Mas, da mesma forma, a morte de inocentes no fogo cruzado também não pode ser tratada - como o é pela imprensa - como "dano colateral", mal menor.
Aliás, a própria guerra que ocorre no Rio não pode ser reduzida à uma guerra entre mocinhos (PM), bandidos (Tráfico, sem rosto), danos colaterais (favelados, pobres, igualmente sem rosto) e pobres vítimas inocentes (classe média).
Artigo completo está no Trezentos.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
15:36
A eterna violência carioca
2009-10-19T15:36:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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