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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Do petismo não praticante ao neoPTcostalismo

Deus, sua pastora e o papa do petismo
Sabe aquele católico não-praticante que existe em toda família? Ele exige que as crianças sejam batizadas, vai uma ou duas vezes por ano na igreja - em geral missas de sétimo dia ou algo semelhante -, defende casamento na igreja e tem sempre uma cruz numa correntinha no pescoço, mas em geral dá a mínima pra igreja, pras incontáveis regras e mesmo pro papa. Ele pode ser conservador, pode ser progressista, não importa, no fim a religião é pra ele algo que está sempre ali, mas ele não se importa muito com os rituais ou a instituição exceto em alguns momentos-chave.

Isso descreve uma parte considerável dos brasileiros, ao menos dos brasileiros que se declaram católicos, como todos sabemos. O católico não-praticante (em geral o mais progressista) é aquele que até tece críticas à igreja, mas por vezes torce o nariz quando a crítica vem "de fora".

Sabemos também que muitos outros brasileiros migraram do catolicismo (ou do catolicismo não-praticante) para o (neo)pentecostalismo (a Assembleia de Deus não é propriamente neopentecostal, mas como em geral se apresenta de forma tão tosca quanto as "igrejas" desse ramo, incluo apenas para facilitar a análise.

Certeza que Malafaia me perdoará), uma vertente que em geral exige um certo grau de fanatismo, exige mais "prática", mais observação de certas regras e em geral tudo isso vem acompanhado com uma defesa cega de dogmas, líderes-pastores e da própria instituição a que se filia.

Um fenômeno bastante semelhante ocorre no campo político, falo dos fenômenos do "petismo não praticante" e do mais grave "NeoPTcostalismo.

O Petismo não praticante é manifestado por aquele que em geral cresceu apoiando o PT, que vem de família de esquerda (petista, brizolista, comunista), e é incapaz de largar de vez o petismo. Critica sim aqui e ali, reclama do governo, do deputado, de algumas políticas, chega até a pensar em renegar a igreja, ops, o partido, mas nunca consegue forças para tanto.

Já o NeoPTcostal é o fanático. É o que enxerga uma total divindade no PT e em seus líderes, não critica ou quando o faz é sempre em benefício do partido, do "bem maior", mas mesmo assim as críticas são tímidas e muitas vezes nem parecem críticas, mas textos escritos de forma hermética apenas para convertidos serem capazes de compreender.

A palavra de Lula (ou Deus) é sagrada, sua profeta Dilma é humana, mas igualmente divina, assim como o presidente do partido (no momento Rui Falcão) é a personificação do Papa. o NeoPTcostal acredita numa luta entre o bem e o mal (ou o "mal maior"), e que são a linha de frente do "bem".

Neste grupo se inserem ainda os pastores, os cães de caça pagos ou não (e cuja "pregação" farta pode ser encontrada no tumblr Governismo, a doença infantil - mas fica um alerta, o conteúdo é grotesco) que passam seus dias a pregar e defender os dogmas (novos ou antigos) ditados por deus, seu filho (ou no caso sua filha) e pelos papas e outros santos (deputados, senadores, ministros). Eduardo Guimarães, José de Abreu, Stanley Burburinho são apenas alguns dos nomes mais conhecidos dentre os pastores NeoPTcostais.

E nesta defesa - assim como se observa na história dos santos católicos - não importa a mínima veracidade, qualquer coerência ou mesmo ética, vale tão somente a defesa cega dos interesses evangelizadores do partido/igreja cuja função final é a dominação (a manutenção do poder) e, claro, a divisão do lucro entre apoiadores (que raramente são os fanáticos seguidores). Qualquer semelhança com o modus operandi das igrejas neopentecostais NÃO é mera coincidência.

E claro que como boa igreja adepta da "teologia da prosperidade", o NeoPTcostal tem suas empresas de fachada: UNE, UBES, PSeudoB (também conhecido como PCdoB), CUT, etc., além de sua Folha Univers... ops, DCM, Brasil 171 (também Brasil 247), Portal Metrópole, O Cafezinho, etc, ou seja, mídia a favor, muitas vezes sustentada com dinheiro público ou com grana de estatais, de sindicatos cooptados ou de "doações" de outros membros da seita e por aí vai. O petista não praticante, por vezes, também dá voz a estes veículos religiosos, mesmo que em tom crítico, pensando que irá ajudar na luta contra o "mal maior" e que assim criará um debate que deixará a igreja mais perto do que pensam ser ideal. Ledo engano.

Claro que há, ainda, um encontro entre o NeoPTcostal e o petista não praticante, afinal são todos mais ou menos cristãos, perdão, petistas. Por vezes o fanático, carinhosamente apelidado de "membro da seita", precisa dar lições de fé ao praticante, fazê-lo voltar à observação dos mandamentos: "Não assumirás o roubo, mas se for pego acuse o inimigo de também fazê-lo", "Não terás ética, mas se questionado afirme que o inimigo foi anti-ético primeiro", "não defenderás os direitos humanos, mas vais jurar de pé junto ser o paladino da defesa das minorias" e daí em diante.

Em períodos eleitorais é que vemos melhor esta dinâmica. O NeoPTcostal sai em pregação (pelas redes sociais, porque essa turma já não sabe o que é ir às ruas tem tempo) atacando os infiéis (qualquer um que não seja membro da seita), buscando queimá-los na fogueira e atrás de almas não-praticantes para fazê-las retornar ao seio da religião.

E, em geral, o praticante sente que neste momento deve voltar à religião. Como o cristão que criticava a igreja e o papa, mas se emocionou com o novo papa e acompanhou com interesse e expectativa seus primeiros passos, o petista não-praticante encontra na eleição o momento de fazer as pazes com Lula e voltar ao seio da santa igreja. E dá seu voto ao PT contra o "mal maior", crente (ops) que o futuro será melhor, que tudo vai mudar, que a igreja será gay-friendly, que mulheres serão ordenadas... bem, essa é outra história.

O não-praticante escolhe, enfim, a eleição para voltar à religião verdadeira e segue entusiasmado e neste ponto se unem aos pastores e fiéis NeoPTcostais (neste ponto o petista é mais adepto da comunhão que os cristãos em si) numa verdadeira festa da democracia!

Este fanatismo político tornado religioso apenas contribui para que o país se afunde, para que a esquerda se encontre perdida em uma encruzilhada e incapaz de caminhar adiante. Esta insistência nesse "ecumenismo" nocivo, essa incapacidade de superar de vez o petismo ou ao menos de manter a coerência nas críticas (ou ao menos transformar as críticas em ações) joga a esquerda cada vez mais para um buraco que, em algum momento, será incapaz de sair. Uma Reforma faz-se urgente.
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terça-feira, 9 de abril de 2013

IV Ato conta Feliciano em São Paulo: Fotos e vídeos

O ato aconteceu no dia 7 de abril, domingo, começando na Praça do Ciclista (Av. Paulista) até o Largo da Batata, em Pinheiros, com centenas de ativistas de diversos coletivos e movimentos sociais repudiando não apenas o racista e homofóbico Marco Feliciano, mas também a influência da religião e de fundamentalistas na política e exigindo um Estado Laico e também repudiando a inércia de Dilma e a cumplicidade do PT.

(vídeos ao fim da postagem)


Márcia, advogada transsexual (vídeo com discurso dela ao fim do post)

O verdadeiro responsável.

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quinta-feira, 14 de março de 2013

O novo papa e a falida reconquista da América Latina

A Igreja, ao decidir por um papa latinoamericano o faz baseado não em suposta santidade papal, mas de forma política, calculada. O Brasil é o país com mais catolicos no mundo - onde vem perdendo espaço para o neopentecostalismo - e a América Latina representa hoje 39% dos fiéis do mundo, ou seja, são a região com o maior número de católicos do mundo.

Decisão pensada, calculada. Mas vem muito tarde e vem ideologicamente comprometida, sequestrada até.

O novo papa, Francisco (Jorge Mario Bergoglio), argentino, envolvido com a ditadura local, com tortura e assassinato de militantes, inclusive de padres, com sequestro de bebês, foi, junto com Ratzinger, um dos responsáveis pela eliminação da Teologia da Libertação, ramo este responsável por aproximar a igreja dos pobres e necessitados, exatamente a camada social que é alvo preferencial (e é mais vulnerável) às investidas dos Marginais da Fé.

Em outras palavras, foi o trabalho insistente e tenaz de Ratzinger e Bergoglio que ajudaram a igreja a entrar em crise de fiéis, a perder, especialmente na América Latina, uma quantidade imensa de fiéis para seitas neopentecostais.


A igreja eliminou o ramo que conseguia chegar aos pobres, sobrou apenas os "evangelizadores" envoltos em riqueza e ouro, que conversam melhor com ditadores genocidas como Videla do que com o povo humilde nas favelas.

Talvez o único crime que não envolva o novo papa seja a pedofilia, pois ele não cosnta em nenhuma lista com nomes de "apoiadores", ainda que não seja também considerado um opositor, que discurse contra a prática tão comum na igreja.
Bergoglio e o ditador genocida Videla
Vale lembrar que Bergoglio é, como Ratzinger, um conservador que se opõe aos direitos LGBTs, casamento igualitário, aborto, contracepção, enfim, um típico fascista-moralista católico.

O problema é que este discurso conservador não consegue, na sua forma católica, penetrar mais nas camadas populares, que foram tomadas de assalto pelo discurso igualmente fascista-moralista neopentecostal, com o acréscimo de um estelionato ímpar e com promessas mil de arrebatamento, de mundos e fundos e de dinheiro rápido.

Aos pobres o discurso do dinheiro prometido por estelionatários da fé parece mais atraente que os pedidos de humildade e pobreza (ainda que não seguidos pela ostentosa cúria) para se chegar aos céus.

Pelo visto as "ovelhas" estão mais interessadas em viver bem e ter a promessa dos céus "apenas" odiando minorias que se privando para apenas depois da morte ter algum retorno.

Ou seja, um novo papa foi eleito pensando politicamente numa (tentativa de) reconquista da América Latina tomada por krents, mas que, ideologicamente, representa a mesma coisa que os recém-chegados, com o imenso problema de não trazer nada de novo, nenhuma nova "salvação" e de ter um discurso tão atraente quanto o de uma porta.
É óbvio que eleger um papa argentino - que, porém, ficará em Roma - talvez ajude momentaneamente a imagem da igreja junto aos latinoamericanos, talvez, por um tempo, consiga segurar um pouco a sangria de fieís, mas será por pouco tmepo e, enfim, será cosmético.

A alegria por um papa latino (que não vejo tão grande no Brasil, que mantém uma eterna richa com os argentisno, ainda que esta seja mais forte aqui do que lá) não parece ser maior que a "alegria" das conquistas terrenas e fáceis ao alcance de um cartão de crédito ou de um talão de cheques entregues ao pastor.

A igreja não apenas despertou tarde demais para o crescimento assustador do neopentecostalismo, mas também matou a única oposição viável no combate contra o medievalismo que, no fim, a igreja continua também ou ainda representando.
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No Facebook, a ativista Karla Joyce fez um alerta que, no entando, não muda o caráter (ou falta dele) do novo Papa:
"Pessoal, só um alerta: se não houver as fontes fidedignas do que denunciam, a mesma se esvai.

Não sou defensora do Papa, não duvido de seu conservadorismo, mas ontem pipocaram supostas imagens dele com o ditador argentino Videla. As fotos são verídicas, mas do Cardeal argentino Pio Laghi.

Agora estão publicando uma suposta declaração misógina (algo do tipo "mulheres não tem aptidão para política") que ele tenha feito em 2007, mas a fonte mais antiga que eu achei no Google foi de 20h horas atrás. Consideremos que em 2007 a internet já era "desenvolvida", alguém aí tem alguma fonte mais antiga para confirmar a tal declaração?

Não adianta ter essa onda de denúncias sem ter as provas de fato."
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segunda-feira, 11 de março de 2013

A esquerda continua não precisando aprender nada com os evangélicos

Escrevi ha exatamente um ano, no Amálgama, o texto "A esquerda não deve aprender nada com os evangélicos", como resposta a um texto do militante petista [ele não é militante, como o próprio me informou, perdão pelo equívoco] @Senshosp e, após todo este tempo, não mudo uma única vírgula, mas me sinto na obrigação de ampliar algumas ideias e o debate.

Eu disse então:
A esquerda não prega “salvação”, e nem diz ser caminho fácil. E uma ampla parte da direita pode ser nociva, mas não é a TFP ou a Opus Dei. É preciso ainda lembrar da quase neutralização da Teologia da Libertação que, pese críticas, era um movimento mais aberto e que, mesmo com preconceitos, buscava dialogar e não impor sua vontade.Ainda que religioso, ligado à Igreja, era um respiro que possibilitava o diálogo. O marginal da fé diz que basta rezar e… pronto. Paraíso terreno e além.
Ao invés de combater isso, cobrando impostos e legislando, o governo preferiu se aliar/perpetuar a farra dessa corja. O crescimento dela não se deve só a seus feitos, mas à inação de governo após governo e, agora, à aliança do governo com esses tipos. É óbvio que o crescimento vertiginoso dessas igrejas caça-níquel não se deve ao PT, mas tem sido ajudado, agora, pela clara aliança e troca de favores que existe.
No momento em que Marco Feliciano assume a presidência da Comissão de Direitos Humanos com apoio, via omissão, da direção do PT - que tinha "outros projetos" e cujos militantes acham que "questões comportamentais" não são importante - e que Malafaia passa a ser estrela desfilando homofobia - contando com o apoio, por exemplo, também via omissão, de Paulo Paim, relator do PLC 122, é preciso rediscutir o papel das seitas neopentecostais que professam a "Teologia da Prosperidade" - e incluo aí Malafaia e Feliciano, que são da Assembléia de Deus, em tese, Pentecostais e não NEO pentecostais - e também o papel do partido do e no poder, o PT, que não apenas se aliou, como deu forças a estes grupelhos radicais e, de fato, deixou de ser esquerda há muito tempo, adotando uma agenda tucana de privatizações e compensações deixando apenas migalhas aos pobres e, muitas vezes, migalhas de qualidade duvidosa (vide UniEsquinas, por exemplo).

A esquerda não deve, mantenho, aprender NADA com os Evangélicos, a não ser aprender a não copia-los, ou seja, aprender a não cometerem crimes como estelionato, curandeirismo e semelhantes. E repito, quando me refiro a "evangélicos", não generalizo todas as dezenas (centenas?) de denominações tradicionais, como Batistas, Calvinistas, Luteranos que, apesar de merecerem críticas tanto por discursos deslocados e conservadores quanto por não reagirem à invasão neopentecostal, são sérias e não tem o estelionato como prática cotidiana e única base de sustentação.

Basta observar, por exemplo, o abaixo assinado de uma rede evangélica que reúne igrejas tradicionais e pentecostais que se opõem ao fanático Feliciano. É preciso separar as NEOpentecostais acrescidas das dissidências da Assembléia de Deus (Feliciano, Malafaia...) das demais.

É óbvio que, retomando o texto original, a esquerda não deve aprender nada com os evangélicos, mas deve sim aprender com suas próprias falhas e erros, sair do mundinho hermético da linguagem marxista-acadêmica, das brigas de diretórios e chegar efetivamente no povo, no movimento social e CONQUISTAR estas pessoas com um discurso coerente e possível.

Não adianta chegar para quem tem fome e dizer que na Revolução tudo será resolvido. A revolução não virá amanhã e nem depois, logo, o discurso acaba frouxo, deslocado e não é atrativo. E é aí que os evangélicos ganham a jogada: Oferecem o "sucesso" rápido. Seja material, afetivo, psicológico (em geral material, o que levaria ao resto), eles oferecem um pacote de maravilhas desde que você siga certas "regrinhas" que, descontextualizadas e interpretadas da forma mais conveniente ao pastor, apóstolo, profeta ou bispo(a), acabam por combinar com preconceitos emraizados e até adormecidos ou "domesticados" e está feita a desgraça, está conquistado o "fiel" desesperado por melhoras em suas condições e disposto a aceitar/dar tudo pelo "sucesso", pela "vitória em Cristo"!

Compreender, porém, como se dá a "conquista" no campo evangélico é difernete de dizer que devemos copiar ou mesmo aprender com eles, pelo contrário, devemos ter um discurso e um conjunto de práticas estruturadas para COMBATER este discurso e, ao menos tempo, renovar o nosso.

Voltando ao "presente", vejam qualquer vídeo de Feliciano e seu "Stanley comunista e nazista" ou Malafaia querendo "funicar" alguém, ou Bispos, Bispas, Apóstolos e profetas de seitas maiores ou menores prometendo curar tetraplégicos, cegos, surdos e doentes de todos os tipos com apenas uma simbólica doação de mil reais, ou através da compra de uma "toalhinha ungida" ou de um tijolo de plástico por 500 reais.

E não tem problema se você não tiver dinheiro, basta pagar parcelado ou, para os mais corajosos, ENTREGAR o cartão de crédito ao honesto pastor (mas não esqueça de dar a senha!).

Parece engraçado - não deixa de ser - mas são perigosos.

Buscam especialmente entre as camadas mais pobres da população por aquele sem desespero, em situação financeira ou psicológica complicada, vulneráveis. E com o crescimento do poder aquisitivo da população - que não vem acompanhado de educação de qualidade, cultura, lazer e etc - os Marginais da Fé, pastores caça-dízimo, encontraram terreno fértil e propício para lucrar.
Estamos falando de, talvez, 20% da população – não há ainda dados conclusivos divulgados pelo IBGE que sustente esse número. E estes 20% têm pautado os demais 80%. Temos tido retrocessos gigantescos em áreas onde 20% dita as regras contra o resto da população e contra outras minorias igualmente significativas. Dilma mente ao dizer que governa para todos, quando na verdade vemos claramente que governa para e comandada por uma minoria em detrimento do resto da população. E dizer que “o brasileiro médio é conservador” não justifica recuos que contrariam as noções mais básicas de direitos humanos, marco sob o qual devem ser fundadas todas as relações humanas e entre o Estado e seus cidadãos.
Conseguiram uma população altamente consumista via investimentos estatais, mas ainda vulnerável social e psicologicamente às suas investidas. Não são 300 reais que alterarão a condição social e de classe e, muito menos, os fatores psicológicos que os levam à "necessidade" de buscar refúgio no obsurantismo neopentecostal.

É óbvio que o discurso neopentecostal dos Marginais da Fé não vem do nada, ele se alimenta dos preconceitos da própria sociedade, mas o potencializa, canaliza, dá forma a um ódio abstrato, por vezes guardado e apenas liberado em expressões populares, dizeres, mas que apesar de terem efeito imediato em alimentar o preconceito, tem alcance limitado em termos práticos, como na alteração de políticas públicas ou, como com Dilma, na aniquilação de políticas até consagradas, como no combate a AIDS junto à população LGBT.

O abandono do PNDH3, os recuos vergonhosos no programa Escola Sem Homofobia (o famoso Kit Gay) e outros retrocessos visíveis e mesmo a proibição sequer de uma ministra das mulheres de falar sobre o Aborto são a cara da influência evangélica nociva junto ao Estado.
As ações do governo para privilegiar uma casta religiosa conservadora, rica e que chegou lá por meios extremamente obscuros, como os vetos a toda e qualquer campanha para o público LGBT, ou pelo tratamento da questão do aborto como problema de saúde pública, dentre outras, denunciam a escolha feita pelo governo e não o fim das disputas e dos combates em busca de um Estado Laico.
Malafaia hoje se alia com políticos (com o PMDB do Rio, por exemplo) e influi em eleições. A IURD fundou partido e hoje integra a base do PT e tem até Ministro (Crivella, na Pesca, o que não deixa de ser irônico). Valdomiro mexe pauzinhos nas eleições. A Renascer deixa claro quem apoia e diversas denominações lançam - e elegem - candidatos para formar a medievalista Bancada Evangélica (inclusive o PT está no bolo). O PSC é basicament eum partido formado por pastores, pastoras e... profetas! E temos o minúsculo PEN que paga de ecologista, mas não passa de legenda de aluguel para krents.

Em suma, pastores e líderes de seitas de tamanhos variados usam e abusam do espaço que tem na mídia, com a compra de TV's, rádios, jornais e revistas - tudo com o dinheiro roubado de "fiéis", pessoas em geral vulneráveis e influenciáveis - para influenciar também eleições, políticos e governos.

Mas, como não são burros, mais fácil que influenciar políticos é serem políticos e usar toda sua força - leia-se voto de cabresto - para conquistar vagas e ter força suficiente para influenciar nas decisões dos grandes partidos.

É pernicioso e mesmo desnecessário tentar discutir se os evangélicos conservadores e nocivos são fruto da sociedade ou se acabam moldando a sociedade usando de preconceitos por vezes adormecidos ou amortecidos, transformando causas que em muitos casos passariam despercebidas em cruzadas morais.

Possivelmente há um pouco de cada coisa.
Temos de combater este estado de coisas, e, acreditem em mim, não faltam religiosos, mesmo do campo evangélico, que seriam aliados de primeira ordem, que são laicos e se opõem de forma veemente a estes que prometem os céus mediante pagamento no cartão em suaves prestações e que, no meio tempo, pregam o ódio e usam o povo como instrumento de sua vingança contra a humanidade.
Da mesma forma é absurdo dizer que os pastores e outros krents e Marginais da Fé são eleitos, logo, são legítimos representantes, pois isto significa esquecer que há voto de cabresto, que seitas cristãs usam e abusam do dinheiro que roubam de fiéis vulneráveis, que estas seitas se aproveitam de rádios e TVs que conseguem com o dinheiro que roubam e por aí vai....

O fato é que são poderosos, influenciam políticos e hoje são políticos. E isto é inaceitável.

Neopentecostalismo não é cristianismo, é uma seita (ou conjunto de seitas) de bandidos que usam o cristianismo para atrair e saquear. Usam e abusam de discurso messiânico e curandeirismo usando sua lábia e influência (e uma dose gigantesca de medo) em populações vulneráveis, mas que vem ascendendo socialmente (mesmo que timidamente) e garantindo uma constante engorda nos bolsos de lideranças.

E o medo é o principal combustível destas seitas, medo do inferno, medo da sexualidade e medo dos diferentes, dos que não compartilham do mesmo modo de vida hipócrita de submissão e obediência cega.

Em termos de soluções ou ao menos de um possível caminho para neutralizar a onda neopentecostal medievalista que toma conta do país com apoio e entusiasmo porp arte do governo do PT, as apresentei ha algum tempo:
Uma democratização das comunicações, com o fim de concessões a igrejas e pastores, a proibição de programas de tele-evangelização (a venda de horário de concessões públicas em si é contra a lei, logo, vender horário para igrejas não deveria ser tolerado) e a ampliação da internet (e não a piada do PNBL entregue para as teles lucrarem com serviço pior que o que já oferecem), seria de grande ajuda, mas nada foi feito. Ampliar o alcance e a qualidade da educação pública, melhorando salários de professores e os preparando melhor para a profissão seria outro passo importante, assim como dar dignidade à população que, muitas vezes, recorre a esses marginais da fé por puro desespero de suas condições sociais e econômicas.
São ações iniciais.

É preciso cortar o mal pela raiz. Acabar com espaço em rádios e TVs de curandeiros e estelionatários, mas acima de tudo, é preciso impor a taxação - e taxação pesada - sobre estas organizações mafiosas. A partir do momento em que Malafaias da vida precisarem declarar impostos, as coisas começarão a mudar.

Mas nem as ações básicas são levadas a cabo pelo governo, pelo contrário. A homofobia é promovida pelo governo e pessoalmente pela presidente Dilma, que não esconde seu preconceito e desprezo pela população LGBT, os direitos das mulheres são penhorados em troca do apoio dos conservadores e isto sem sequer mencionar os massacres contra índios, remoções forçadas de populações que são chamadas de Classe C, mas não tem sequer a segurança de que terão um teto no fim do dia, e a política do pão e circo foi institucionalizada.

A luta contra o neopentecostalismo e o medievalismo, que são irmãos, é, para usarmos termo caro ao governo e seus apoiadores, a luta pelo progresso. Mas não apenas o progresso econômico que mascara nossa desigualdade e problemas crônicos, e sim o progresso social. Um povo educado torna-se menos vulnerável às investidas de engravatados com bíblias debaixo do braço e tem a capacidade de discernir religião de ódio, charlatanismo e estelionato.

A esquerda não deve, enfim, aprender nada com os evangélicos - neopentecostais -, mas deve combatê-los, com unhas e dentes, lutando pelos direitos das minorias, pelo Estado Laico, pelo direito à educação, cultura, lazer e condições sociais decentes para toda a população, ou seja, a esquerda deve se manter como esquerda, garantindo o respeito às suas bandeiras históricas e não cedendo em nome de uma suposta governabilidade que, no fim, serve apenas aos propósitos de krents, banqueiros, ricos e aproveitadores de todos os tipos.
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Agradecimentos ao futuro pastor e amigo @Paiva_thiago pela consultoria inestimável e eterna paciência!
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Atualização:

Declaração de Crivella, da IURD e MINISTRO do governo, sobre sua querida presidente:
"A nossa presidenta e o presidente Lula fizeram a gente crescer porque apoiaram os pobres. E o que nos sustenta são dízimos e ofertas de pessoas simples e humildes", disse Crivella durante um evento da Convenção Nacional das Assembleias de Deus - Ministério Madureira, em São Paulo. "Com a presidenta Dilma, os juros baixaram. Quem paga juros é pobre. Com menos juros, mais dízimo e mais oferta."
Precisa dizer mais alguma coisa?
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dilma apresenta o cadastro Compulsório e Universal de úteros

Dilmão, como Katia Abreu carinhosamente chama nossa presidente, resolveu terminar o ano realizando antigos sonhos de seus mais novos aliados, os Marginais da Fé.

Incapazes de aceitar que as pessoas vivam como querem, e não de acordo com um livro que manda apedrejar até mesmo crianças malcriadas, a onda da vez é criminalizar mulheres, que agora serão FORÇADAS a entrar em um cadastro público caso engravidem.

Pois é, um cadastro de mulheres grávidas, compulsório, realizado à revelia da vontade da gestante, por hospitais e postos de saúde, apenas MAIS UMA forma de controlar os úteros das mulheres e a forma como vivem. Apresento-lhes a Medida Provisória 557, a mais nova tratoragem de Dilmão, aquela que bate na mesa afirmando que Belo Monte sairá, custe o que custar (os custos são vidas e culturas, mas ok).

Reparem nos seguintes artigos e incisos:
Art. 6o Os estabelecimentos de saúde, públicos e privados, conveniados ou não ao SUS, que realizem acompanhamento pré-natal, assistência ao parto e puerpério deverão instituir Comissões de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento de Gestantes e Puérperas de Risco.
[...]
Art. 7o Compete às Comissões de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento das Gestantes e Puérperas de Risco:

[...]

II - cadastrar em sistema informatizado os dados de todas as gestantes e puérperas atendidas nos serviços do estabelecimento de saúde;

III - incluir em sistema informatizado a relação de gestantes e puérperas de risco atendidas nos serviços de saúde, seu diagnóstico e o projeto terapêutico definido e executado, além de outras informações determinadas pelo Comitê Gestor Nacional;
[...]
Art. 8o Para a execução das políticas, programas e ações instituídas no âmbito do Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna, poderá a União, por intermédio do Ministério da Saúde:

[...]

II - celebrar atos de cooperação técnica com Estados e Distrito Federal para disciplinar a atuação colaborativa de Institutos Médicos Legais e serviços de verificação de óbitos na investigação de casos de gravidez ou puerpério durante o procedimento de necropsia.
Em outras palavras, o projeto diz ter como objetivo melhorar o monitoramento e a possível ajuda a gestantes em RISCO, mas o cadastro OBRIGATÓRIO, feito por uma Comissão, vale para TODAS as gestantes, em risco ou não.

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Apolinário usa a Bíblia pra defender o nepotismo... Oi?

O vereador Carlos Apolinário (para quem não basta ser do DEM, tem que ser também ligado aos Marginais da Fé) resolveu lutar por fama a todo custo. Depois de ver seu Dia do Orgulho Hétero tratado como piada e com desprezo por todo o mundo e de já ter sido avisado pelo Kassab que será vetado, resolveu buscar a fama com declarações que não só demonstram fanatismo, mas também ignorância sobre a propria Bíblia.

Não sou grande conehcedor do tal livro, admito tê-lo lido ha alguns anos e achado uma das coisas mais maçantes e chatas possível, mas a últimado Apolinário é motivo para se matar de vergonha:
Do vereador Carlos Apolinário, líder do DEM na Câmara paulistana, justificando o nepotismo: "Deus disse: vocês falarão comigo por meio do meu filho".
Para defender um crime, o nepotismo - que não é nada demais frente a quem luta diariamente contra direitos civis para a comunidade LGBT e, sendo do DEM, contra direitos à toda a população -, Apolinário busca a coisa mais tosca e sem noção possível. Uma passagem absolutamente descontextualizada, pinçada e que, sem sacanagem, me faz crer que a figura ou estava cheirada ou perdeu de vez a noção e o senso de realidade.


O que me impressiona mais, porém, não é a pura indigência intelectual e apologia ao crime por parte do retardado nobre vereador, mas que cada vez mais os Marginais da Fé tentam usar a Bíblia para impor sua visão de mundo e mesmo para descaradamente agir na ilegalidade.

Seria bom lembrar a estas figuras nefastas que, frente à Constituição, a bíblia tem tanto valor quanto um rolo de papel higiênico perfumado. Não, não estou dizendo que a bíblia seja igual a isto, mas apenas tem a mesma validade legal, logo, não tem NENHUMA.

Inventivados pela inércia de um governo covarde e entreguista, francamente de direita (adota o discurso de erradicação da pobreza ao tempo em que a criminaliza com desrespeitos constantes aos direitos humanos), estes Marginais da Fé estão felizes e contentes na tentativa de medievalizar o Brasil.

Contam, claro, com a ajuda sempre prestosa de Dilma, que não aceita "propaganda de opção sexual" e, ao mesmo tempo, não dá nenhum passo na direção da garantia e efetivação dos direitos civis e humanos da comunidade LGBT.

É intolerável que em plano século XXI precisemos perder tempo escutando ou dando espaço a explicações bíblicas, leis baseadas na bíblia e mesmo apologia ao crime baseada na bíblia! Como aceitar que em um Estado Laico alguns elementos duvidosos queiram usar a bíblia pra legislar sobre a vida dos outros?

Se querem tanto viver sob a bíblia, oras, vivam, mas não imponham a toda a sociedade o mesmo. Mas o curioso é que estes só tentam impor a bíblia quando lhes convém, para limitar direitos DOS OUTROS.

Usura, cobiça, exploração.. Até onde eu sei, são firmemente condenadas pela bíblia. Mas e daí?

Vejamos o que devem fazer os Marginais da Fé:

- nunca mais comer carne de porco (Levítico 11:7-8);
- nunca usar nenhuma roupa que tenha mais de um tipo de tecido em sua fabricação (Levítico 19:19);
- nunca aprender nada de alguma mulher, que deve estar sempre em submissão e silêncio (1 Timóteo 2:11-15);
- não se aproximar ou tocar mulheres menstruadas sob pena de permanecer ‘imundo’ (Levítico 15:19);
- defender pena de morte para adúlteros (Levítico 20:10) e seguidores de outras religiões (Deuteronômio 17:2-7) e também defender escravidão (Levítico 25:44-46);
Não é fácil "ser cristão", não é? Me pergunto, algum pastor que busca incessantemente limitar direitos civis DOS OUTROS por acaso segue TODAS estas "regrinhas", apenas pra começar.

Senão, eu me pergunto, que direito tem esse povo de querer impor a bíblia aos demais se sequer a seguem?

A pergunta sequer entra no mérito do Estado Laico, porque esses Marginais da fé são tão hipócritas e criminosos que suas contradições não se sustentam por 10 minutos. 

Mas, voltando ao Apolinário, não sofrerá nada. Irá continuara perseguir (sim, porque não há outro nome) minorias e grupos vulneráveis baseado em sua suposta fé e usará a mesma "fé" para lucrar, defender práticas ilícitas e desrespeitar a constituição.

Neste meio tempo ogoverno não fará nada, pois tem sua cota de Marginais da Fé para contentar e mais direitos para limitar.

E asim caminhamos para o século... XII?
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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Marina Silva e a "Natureza Humana": Teologia e extrema-direita

Li e gostei muito do texto de @msfelippe sobre recente artigo de Marina Silva (que representa um perigo real de medievalização do Brasil) para a Folha (sempre ela!) em que esta coloca a responsabilidade pelos atos do Terrorista Cristão, na Noruega, na "Natureza Humana".

Segundo Marina, o Fascismo poderia ser explicado simplesmente pela natuerza humana, que nos torna a todos inerentemente ruins e, segundo leitura do autor do blog, isto carregaria um discurso fundamentalista cristão na idéia de que precisamos ser salvos ou adotar um discurso religioso - devemos aceitar deus, enfim - para escapar a esta condição ou natureza.
Por que Marina Silva fala de uma natureza humana contaminada pelo mal, inexorável? Minha opinião é que ela está traduzindo nesta expressão sua visão teológica do mundo. A natureza humana, sendo contaminada, determina que a única possibilidade de salvação reside em alguma confissão religiosa que tem a “chave do reino”. Então, em vez de dizer “combatamos o fascismo”, embute, disfarçadamente, um apelo religioso.
Não discordo, mas iria além.

Marina Silva é uma fundamentalista religiosa do bem, segundo o autor, quer dizer, não professa um fundamentalismo violento, que busca eliminar as diferenças pela força, mas ainda assim, possui uma visão de mundo pautada por uma religião medieval, com uma visão de mundo ultrapassada e incompatível com a modernidade.

Marina não escapa de tentar impor sua visão, mas tenta de forma simpática. E convence a muitos desavisados. Mas o fato de professar a não-violência não garante que seus seguidores sejam tão pacifistas quanto ela. Professar ideais de ódio (como se opor à criminalização da homofobia) é o mesmo para fundamentalistas do bem ou não.

Mas Marina vai além da mera teologia e desvela um pensamento tipicamente conservador, direitista. E, em muitos casos (quase todos), fundamentalismo religioso é o par perfeito de pensamentos políticos conservadores, pois ambos partem de uma mesma análise da sociedade, a de que somos todos reflexo de nossa natureza, que é a competição, é o tentar ser sempre superior e melhor que os demais.

A religião institucionalizada nada mais é que a hierarquização dos indivíduos em categorias, em grupos de mais ou menos poder. Em mandantes e ovelhas. E assim é o capitalismo.

E, mais ainda, vem da negação da influência das condições sociais, do ambiente, em que se inserem os indivíduos.

Não há nada mais comum no pensamento classe-mediano que a defesa da pena de morte pro "marginal e favelado" que assaltou a madame no sinal. A natureza humana nos torna ruins, então este 'marginal" tem que ser preso - ou morto - porque não tem jeito.

É o discurso que passa por cima da condição social do "favelado", adotado para dar uma "solução final" ao "problema". Apenas cria mais e novos problemas.

Na franca maioria dos casos (não digo em todos porque de fato existem psicopatas e pessoas irrecuperáveis), um assaltante que saiu da favela o é não por ser ruim, mas porque não conehce outra vida, porque foi humilhado por toda a vida. E, claro, estou sendo simplista pois o objetivo do texto não é o de tratar de condições sociais, mas mostrar que estas existem e são preponderantes.

Motivos para se cometer um crime são milhares, mas garanto que nenhum deles designado no nascimento, nenhum definido pela natureza humana ou por algum contrato social hobbesiano.

Enfim, não discordo do componente messiânico, fundamentalista, teológico colocado pelo autor do texto, mas vou além, colocando também a questão da natureza humana como uma arma usada pela direita (ou pelas direitas) para denunciar a inutilidade de políticas sociais, de inclusão...

E para justificar atos de fanáticos ligados ideologicamente a ela (ou elas) como se fosse apenas uma questão de natureza humana, logo, sem relação com a pregação fanática dos ideais de mercado.

Mas a questão vai muito além.

É o discurso típico de uma direita que luta com unhas e dentes contra qualquer tipo de políticas sociais, de inclusão, da busca por uma efetiva igualdade entre todos.

A natureza nos faz a todos desiguais, nos faz caçadores, lobos e cordeiros, logo, a própria natureza é contrária a qualquer tipo de inclusão, de política compensatória, cotas ou mesmo de acesso.

O pobre nasceu pobre e deve morrer pobre, pois assim diz a natureza. Se melhorar de vida foi porque lutou, porque soube aproveitar as oportunidades ou as fez aparecer. Qualqeur coisa além disso é ir contra a suposta natureza humana.

Egoísmo é a palavra de ordem.

Ou seja, sob a desculpa da Natureza Humana, a direita baseia sua ideologia. E Marina Silva faz coro, agregando teologia e medievalismo à seu já indigesto ideário. Porém ela o faz de forma palatável para uma classe média necessitada de uma corda de salvação.
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sábado, 28 de maio de 2011

Pastor Marco Feliciano: Seriam os filhos de Jesus... os X-Men?

Quando você recebe um tuíte desses, o que faz? Se for do @Paiva_Thiago, ABRAM! Eu não podia esperar para o que viria, um choque!
Melhor que isto, apenas a "explicação" absolutamente científica para a sandice da figura (e eu pensando que esse povo era criacionista, odiasse biologia, não acreditasse na gravidade porque é coisa do capeta e etc...):

O pastor Marco Feliciano lançou uma enquete em seu Twitter ensinando aos internautas que se Jesus Cristo houvesse casado, poderia ter nascido uma raça superior.
O deputado federal tentava explicar que, como Cristo não era filho só de humanos, se Ele tivesse um filho seria uma outra raça. “Possivelmente o envolvimento carnal dele com uma mulher poderia culminar com o nascimento de um outro ser, que teria um DNA diferente do normal,” escreveu.
Aos seus seguidores ele explicou que o cromossomo Y vem do macho e o X da fêmea, como Jesus Cristo nasceu de Maria, o cromossomo X veio dela e o Y de Deus.
“Portanto o DNA de Jesus não era como o nosso. Ele tinha cromossomos X, todavia os cromossomos Y não eram humanos. Ele era em si Homem e Deus!”
As primeiras reações no Twitter eram esperadas:






Mas, apesar de toda a graça da situação, NÓS sabemos o quão imbecil é tal declaração, por "n" motivos, a começar pelo uso deturpado da ciência, pela ignorância de acreditar que Jesus - se existiu - nasceu de uma virgem (mas aí que os teólogos percam seu tempo) e, finalmente, algo que me pareceu absurdo, considerar que deus - pros que acreditam - teria DNA! Como assim?

E, pior de tudo não é a piada involuntária desta figura grotesca, deste marginal da fé, homofóbico, racista e ladrão, e sim que ele tem seguidores! Tem milhares de pessoas que caem na lábia deste infeliz e que, inclusive, o elegeram deputado apenas para que ele possa escarnecer da nossa constituição, pregando ilegalmente um Estado religioso medieval!

Podemos rir, mas logo depois devemos é nos desesperar.;
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A menção ao Pastor Zangieff (ou Pastor Pilão) se deve a este vídeo que é inteiramente hilário, mas fica melhor a partir dos 2 minutos.


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terça-feira, 12 de abril de 2011

Massacre de Realengo e o eterno oportunismo dos fanáticos cristãos - Parte 2

Quando há uma desgraça os evangélicos fanáticos agem como urubus atrás de carniça, envergonhando aqueles que não são adeptos deste fanatismo. Mais absurdo e sensacionalista que qualquer matéria da grande mídia, o portal Gnotícias destaca: "Atirador que matou crianças em Realengo seria radical islâmico. Este seria primeiro atentado terrorista no Brasil".
Selecionando apenas as primeiras linhas da carta, de forma vergonhosa e oportunista, escondem a referência do atirador a Jesus, reforçando o boato absurdo de que ele seria muçulmano e que sua ação foi típico terrorismo islâmico!
O jovem atirador, Wellington Menezes de Oliveira de 24 anos, teria conhecido o islamismo através da internet e estava desaparecido a oito meses. Dentre as vítimas a maioria eram meninas, assassinadas com um tiro na cabeça. As mulheres são consideradas por alguns fundamentalista islâmicos como sujas e abaixo dos homens.
Estudiosos afirmam que possivelmente Wellington era novo convertido ao Islamismo, já que em outros pontos da carta misturaria coisas relacionadas ao cristianismo, sua religião anterior. Seu desaparecimento teria sido para ser treinado por alguma célula radical islâmica no Rio de Janeiro, fato ainda não confirmado.
Populares acreditam que o jovem tinha problemas comportamentas e mentais.
A matéria é de um primor jornalístico. A idade de Wellington está errada. Ele não estava "desaparecido" há 8 meses, sua irmão é que não o via ha 7, diz o Uol, o veículo que também informa como 24 anos a idade de Wellington (coincidência?). Como alguém que fica na internet, mantendo contato virtual com outros internautas, pode ser considerado desaparecido?

Não há a informação de que as meninas tenham sido mortas "com um tiro na cabeça", e sim que muitas das vítimas morreram com tiros na cabeça e no tórax.

Estes "estudiosos" que afirmam o islamismo de Wellington não existem, isto é a mais pura invenção do portal. Apenas a irmã da figura fez esta "acusação" e o excelente jornalismo brasileiro comprou sem questionar.

Logo depois, o portal tenta justificar de forma tosca o porque da citação a Jesus na carta e, por tudo que é mais sagrado, célula islâmica no Rio de Janeiro????

Pra coroar, a importante opinião de "populares" que nunca haviam visto o rapaz na vida!

Este tipo de "notícia" covarde, mentirosa e desrespeitosa deveria ser crime. Além de plagio, pois a parte final, em que reproduz fala de líder da comunidade muçulmana, foi retirada da Agência Brasil sem qualquer crédito.

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Proponho repassar o link deste post via Twitter, assim como tuítes indignados ao @gospelmais, responsável por esta calhordice! E, se algum advogado se dispuser, vale um processo.
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Nojo é pouco frente a tantos absurdos juntos. Fanáticos que querem construir um Estado medieval baseado na bíblia, impondo o ensino religioso nas escolas, impondo leis esdrúxulas que servem apenas aos seus propósitos e se opondo aos direitos das minorias, dos gays, das mulheres, sem nenhum respeito pela diversidade, pelos que pensam diferente. Agora incitam abertamente o ódio a outras religiões. Aonde vamos parar?

E, infelizmente, o que antes parecia teoria da conspiração, o documento da embaixada dos EUA vazado pelo WikiLeaks no qual havia a determinação de "engajar o Brasil na difamação de religiões", se torna cada vez mais real. Durante as eleições Serra insistiu em impor a discussão em termos religiosos dos mais fundamentalistas, e agora isto.

A mídia tem sua imensa parcela de responsabilidade. Agem na mesma lógica que os fanáticos ao não apurar e acreditar piamente em tudo que surge pela frente. Ao entrevistar a irmã do assassino, que deixou claro não o ver há meses, fizeram o possível para que ela soltasse alguma informação escandalosa - mesmo que falsa. E conseguiram, ele é muçulmano!

Sem nenhuma apuração, sem procurarem alguma mesquita na região ou qualquer liderança religiosa, ou mesmo vasculharem os traços do assassino na rede, decidiram que era verdade e criaram uma farsa que, mesmo com sua carta divulgada citando claramente jesus, martírio e deus, não cede, não cai.

Segundo fanáticos cristãos, o martírio é tipicamente muçulmano, oras, então os mártires cristãos eram espiões de Maomé? Mesmo aqueles mortos pelo Império Romano antes de existir um muçulmano sequer na terra?
Os islâmicos respeitam e acreditam em jesus, fato, mas daí a citá-lo em uma carta de suicídio e não mencionar nem de raspão Maomé? Usar "deus" e não "Alá"? Este último até podemos discutir, mas não faz sentido um muçulmano colocar a figura de jesus não como profeta, mas como alguém que vai retornar para levá-lo é totalmente cristão.

Não importa a verdade, os fanáticos da mídia criaram seu factóide e os fanáticos da igreja adotaram o discurso e nada os fará recuar. No máximo dirão que ele ainda era gay, tinha HIV e que era ateu ao mesmo tempo... opa, mas disseram tudo isso!

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Com vocês, Julio Severo:
E os pais e mães que estão sofrendo nunca mais poderão recuperar seus filhos queridos. Não porque simplesmente a escola estava sem proteção, mas porque o Brasil está entregue a uma covarde ideologia politicamente correta, que ordena a saída das escolas de Deus e seus valores e introduz uma tolerância que traz homossexualismo, em nome da diversidade sexual; islamismo, em nome da diversidade religiosa; e bruxaria africana, em nome da diversidade cultural. Tira-se Deus, e entra todo tipo de ideologia de tolerância para o mal. Entra o próprio demônio. 
Dispensa comentários.

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sábado, 9 de abril de 2011

Massacre de Realengo e o eterno oportunismo dos fanáticos cristãos - Parte 1



Como não poderia faltar, teve espaço até para o canalha Marco Feliciano, Pastor Homofóbico e Racista, fazer das suas no caso do Massacre de Realengo. Não há limites para o fanatismo e para o absurdo. Mesmo em um caso tão terrível quanto este. Nem a morte de crianças inocentes é suficiente para esta figura oportunista e seus comparsas.

Em seu site, o pastor criminoso liga o ateísmo ou a falta de deus a atitude criminosa, ao assassinato, o que me faz lembrar do episódio do Datena que lhe rendeu processo por parte de organizações ateístas há alguns meses.

Diz Marco Feliciano:
Em 1960 os EUA sofreram um ataque tão devastador quanto os que ocorreram em 11 de Setembro 2001. A Senhora Madalyn Mays, também conhecida como Madalyn O’Hair Murray, fundadora e presidente da AMERICAN ATHEISTS, entrou com uma ação contra a cidade de Baltimore e seu Sistema Público de Ensino, no qual ela afirmava que era inconstitucional seus filhos participarem das leituras bíblicas promovidas na escola. Neste processo ela afirmou que seus filhos por se recusarem a participarem nas leituras da Bíblia resultou em bullying sendo dirigido contra eles pelos colegas. A ação atingiu a Suprema Corte dos Estados Unidos em 1963. O tribunal votou 8-1 a favor de Madalyn, que PROIBIU A ORAÇÃO E RECITAR VERSOS DA BIBLIA em escolas públicas nos Estados Unidos.
Após este triste episódio, as escolas americanas começaram a “colher” o que “plantaram”.  
Por colher o que plantaram, o safado fala de diversos atentados em escolas. Um em 1966 e o segundo só em 1998, além d outros posteriores. Feliciano toma estes atentados como motivados pelo ateísmo, confundindo com o Estado Laico.


Seu oportunismo é vergonhoso.
O ciclo acima citado mostra que um país de primeiro mundo, fundamentando suas leis na palavra inconstitucionalidade, retirou o ensino religoso de suas escolas públicas, e proibiu suas crianças de orarem AO PAPAI DO CÉU. Sofreram as conseqüência de seus atos! Pois o ensino do livro retirado da pauta escolar, em consequência, tambem tiraram seus ensinamentos  da mente e dos corações das crianças, ou seja a bíblia,  onde encontram-se ensinos como: não devemos matar, não devemos roubar, e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos.
De forma oportunista, Feliciano finge que proibir proselitismo na escola significa proibir a religiosidade. E ainda mente ao afirmar que cristãos não matam, oras, os EUA são um país cristão, e grandes terroristas. A Igreja Catolica matou milhões durante boa parte de sua história e - acreditem, existe - o Partido Republicano Teocrata Cristão, de orientação evangélica, defende claramente a pena de morte em seu programa.

Ah, não matam pessoas de bem. Ateus e criminosos não importam, não são gente. É este o pensamento dos fanáticos. Se você não pensa como eles, não merece ser respeitado ou tratado como ser humano. Ok você ser gay, só não pode praticar, porque aí te queimam na fogueira. Tudo bem você não ser crente, mas via ter que estudar a bíblia e seguir a lei deles da mesma forma! Senão... te queimam!

A tentativa dos cristãos fanáticos de querer impor sua visão de mundo e sua religião beira o grotesco.
O ensino religiso não é para promover o proselitismo, e tem sim como expectativa, reconduzir o homem à sua origem moral, iluminar seu caminho presente tirando-o das trevas provocadas por uma libertinagem desenfreada e moldar o seu futuro, para que este seja longe do Crack, longe da prostituição, longe da violência, longe de uma vida a beira da mediocridade!
Ensino religioso não é proselitismo, mas "reconduzir o homem..." ao que? Ao medievalismo onde homossexuais devem ser mortos, a escravidão é legal, negros não tem alma e se usa palmatória como método eficaz de ensino?

Marco Feliciano é um criminoso oportunista, que se aproveita da dor das vítimas e de seus pais para fazer proselitismo, para pregar o ódio contra os que não tem religião e para impor sua visão medieval ao mundo.

Para seu pesar, o responsável pelo massacre, ao que tudo indica, era cristão. Então "eles" não matam?
Na tentativa de garantir e atrair mais fiéis lucros, Marco Feliciano tripudia da própria noção de humanidade.  

Mas não é o único.

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O  WikiLeaks vazou documento da Embaixada dos EUA que trata da "difamação de religiões como estratégia diplomática", visando constranger o país por seu apoio ao Irã e outros países islâmicos em organismos internacionais (apoio que, agora, parece ter chegado ao fim):
Aumentar a atividade pela mídia e o alcance das comunidades religiosas parceiras: Até agora, nenhum grupo religioso no Brasil assumiu a defesa da difamação de religiões. Mas o Brasil é sociedade multirreligiosa e multiétnica, que valoriza a liberdade de religião. Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país. Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. [...] Essa campanha também deve ser orientada às comunidades religiosas que parecem ter influência sobre o governo do Brasil, quando se opuseram à visita ao Brasil do presidente Ahmadinejad do Irã, em novembro. Particularmente os Bahab e a comunidade judaica, expandidos para incluir católicos e evangélicos e até grupos indígenas e muçulmanos moderados interessados em proteger quem difame religiões [sic]. [assina] KUBISKE 
Sem dúvida, a campanha parece estar dando certo, com a mais completa conivência dos fanáticos evangélicos de sempre e da mídia:
O sheikh Jihad Hassan Hammadeh contou, agora há pouco, no programa Sem Censura, da TV Brasil, que sua mulher sofreu agressões verbais no trânsito no Rio de Janeiro por estar usando trajes islâmicos.
Presidente do conselho de ética da União Nacional das Entidades Islâmicas, o sheikh atribuiu o fato à propagação, pela mídia, de que o atirador de Realengo tinha ligações com a religião:
- É preciso que a mídia deixe claro que esta tragédia não teve nada a ver com nenhuma religião. Ou então estará colaborando para o movimento mundial de desconstrução da religião muçulmana.
A senhora Hammadeh, uma médica e acadêmica, ainda desceu de seu carro e tentou anotar a placa do carro do agressor, que ao vê-la de véu gritou que ela deveria morrer.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Massacre de Realengo e a falência do jornalismo brasileiro

Em meio a tragédia que se abateu sobre a escola Escola Municipal Tasso da Silveira no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, caos informativo e notícias desencontradas.

As manchetes dos principais veículos de imprensa destoavam. Não se sabia o número de vítimas e houve ainda grande especulação até mesmo sobre a motivação do assassino, enquanto as redes de TV e jornais buscavam os melhores ângulos para mostrar de forma mais crua a tragédia. Sangue, choro e desespero foram mostrados incansavelmente pela grande mídia, cada uma tentando ir mais além, numa competição que beira a desumanidade.

Em pleno dia do jornalista, o que vimos foram estes dando palpites, chutes, repassando a notícia sem qualquer apuração, pior, sem nenhuma responsabilidade.

A comparação feita por muitos com Columbine, escola dos EUA onde 15 pessoas foram mortas em 1999 (incluindo os dois responsáveis pelo massacre), funciona como paralelo não só pelo evento de similar mortandade, mas também pela cobertura midiática inconsequente. Nos EUA os culpados foram logo encontrados: Jogos violentos de videogame e Marilyn Manson.

Os dois rapazes responsáveis pelos massacres jogavam Counter Strike e ouviam o cantor. Estava resolvido.

Tudo sem grandes questionamentos sobre a sociedade em si, sobre o modelo de ensino e mesmo sobre o irrestrito porte de armas. Nos EUA as chacinas se repetem e, da mesma forma, pouco é questionado sobre os reais motivos, sobre a estrutura da sociedade e sobre algo que hoje finalmente vem sendo tratado como um problema generalizado, o bullying.

Diz a Frô:
Infelizmente, a violência contra as crianças e adolescentes não é rara no país. Existem diferentes formas de violência, adolescentes, meninos, negros são os mais vitimados. Uma pequena busca aqui no Blog mostrará alguns vídeos de policiais atirando em adolescente em Manaus, policiais espancando adolescente em Feira de Santana e tantas outras formas de se propagar a violência.
Prática comum e que muitos pensavam restrita aos EUA, começou a ser olhada mais profundamente no Brasil depois de vários casos de violência nos colégios do país. Mas a prática foi tomada como um fim em si mesma, não como o reflexo de uma sociedade doente.

Acertou Alex Haubrich, do Jornalismo B:
Além disso, os debates fundamentais não serão feitos: de que forma a lógica da Educação brasileira estimula e dá base para que situações assim ocorram? Como se dá e como se pode evitar a violência nas escolas? De que forma a valorização dos professores a o aperfeiçoamento das escolas podem modificar essa lógica? Sim, porque esse não é um caso isolado, é apenas o mais chocante das diárias manifestações nas escolas da violência social como um todo. Mais: por que tantas armas nas mãos das pessoas? Por que fábricas de armas patrocinam campanhas eleitorais? De que forma a própria mídia estimula a resolução violenta e individual dos conflitos sociais?
Em Realengo, o atentado provocou 11 vítimas fatais (nove meninas, um menino – com idades entre 12 e 14 anos – além do atirador) e outras 13 pessoas ficaram feridas, mas até se chegar a este número a mídia teorizou 17 mortos, 13 mortos, cada site de veículo noticioso chutava o número que melhor lhes parecia. O número de feridos variava igualmente, passando dos 20 para alguns veículos. A velocidade da internet atropelou o jornalismo. Na tentativa de serem mais rápidos que a concorrência, jogavam notícias nos portais sem qualquer confirmação.

Quanto mais sensacionalista a cobertura, melhor. E sucessivas "teses" foram levantadas pela mídia, cada uma sendo desmentida com o passar do dia. O mote era o da novelização da tragédia, a cada minuto, um novo capítulo.

Na TV, assumiram que o assassino, chamado Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, era ateu. No Uol e na Folha de São Paulo, informam que, segundo sua irmã, ele seria muçulmano (apesar de, em sua carta de suicídio, se mostrar claramente cristão). Durante toda a manhã estava aberta a temporada de construção de estereótipos.

A grande mídia deu amplo destaque também ao fato dele ser supostamente portador de HIV, como se, com isso, tivessem encontrado o motivo para o massacre, mesmo antes de ter conhecimento sobre o conteúdo da carta que ele havia deixado e que só a polícia tinha noção do conteúdo.

O Mello acertou em cheio:
Emissoras de rádio e TV e portais de grandes grupos da mídia partem para uma cobertura sensacionalista do fato (fato), entrevistando pais e mães (de preferência estas) desesperados (fato) para conquistarem audiência (fato) e aumentarem market share (meta).

O povo (essa entidade que sempre joga o verbo para a terceira pessoa, pois nunca nos inclui) gosta disso (fato?). Pelo menos é o que alegam responsáveis pela cobertura. "Se não dermos, a concorrência dá", argumentam.

Mas a exposição sensacionalista de um fato, sua transformação em espetáculo midiático, pode estimular a reprodução dos fatos, como ocorre nos Estados Unidos (fato).

A mídia vai encarar a suposição como uma possibilidade de mercado (fato) que talvez aumente market share (meta).

Outros vão morrer (fato), mas a grande mídia se importa com tudo, exceto os fatos (fato).

Nas primeiras horas após o ataque cada veículo informava a seu bel prazer sobre se Wellington seria ex-aluno, pai de aluno ou apenas um transeunte transtornado. A sensação era a de que chutavam, esperando ter a sorte de acertar e dar o furo. Um verdadeiro show de sensacionalismo e desrespeito, coroado pelas tentativas de jornalista de espremer o máximo de drama das vítimas, de pais e crianças que estiveram presentes ou próximos.

Novamente a Frô:
Há uma imensa especulação na mídia televisiva e impressa sobre o perfil do atirador: desde que se tratava de um ‘extremista islâmico’, de que era ‘filho adotivo’, ‘viciado em internet’, jovem de ‘poucos amigos’,  ’portador do HIV’…
Esse é um momento perigoso, onde empresas jornalísticas em busca de audiência exploram como podem esta imensa tragédia: islamismo, adoção, internet e portadores de HIV tornam-se explicações fáceis para nossas mentes bestificadas diante do absurdo que é crianças serem mortas dentro da escola.
Nas redes sociais, o Estado de São Paulo convidava seus leitores a assistir a um vídeo com familiares das vítimas em desespero. Na Record, jornalista forçando ao ponto de fazer uma criança chorar e dizer que achou que ia morrer. Em geral, cada rede de TV buscava as melhores entrevistas com vítimas e testemunhas, o choro delas era apenas um bônus.

Ao invés do mínimo de respeito pelas vítimas, o jornalismo brasileiro deu um show de irresponsabilidade.

Sobrou até para a internet. Se religião, fundamentalismo e terrorismo islâmico soariam pesado demais para o público tupiniquim (já basta terem importado dos EUA o paralelo com Columbine), a solução foi culpar a internet, pois o responsável pelo massacre supostamente era uma pessoa isolada e que passava muitas horas na internet.

Assim que descobrirem sua banda ou cantor favoritos, a mídia terá outro alvo, outro assunto para analisar profundamente em todos os horários possíveis.
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pastor-deputado federal @marcofeliciano volta à atacar gays e negros!

Petição pedindo a cassação de Marco Feliciano, assinem!
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Não satisfeito com a primeira polêmica e a primeira leva de repúdios via redes sociais, o Pastor e Deputado Federal (Minha nossa, como elegeram isso!?) Marco Feliciano voltou ao ataque, reafirmando sua homofobia e seu racismo mal disfarçado, pior, se valendo daquele velho expediente ("eu descendo de negros", "minha tia-bisavó era negra", "minha empregada é negra" e etc).
Em outras palavras, o "pastor-deputado federal @marcofeliciano alega que africanos são malditos por terem ancestral gay". E a figura, sem dúvida, irá dizer que tem total direito de ser preconceituoso (se refugiará, como Bolsonaro, que homofobia não é crime, mas tão somente o racismo), que a Bíblia lhe dá o direito (como se sua interpretação prevalecesse e como se a Bíblia em si fosse relevante). E tudo ficará por isso mesmo. Ou não.

Marco Feliciano, deputado pelo PSC de São Paulo, partido nanico de aluguel, foi eleito com 211 mil votos. Muito mais do que os votos de Jair Bolsonaro. É motivo para começarmos a nos preocupar.

Refugiados no fato de que a homofobia ainda não é considerada um crime, pastores e canalhas em geral se acham no direito de ofender a uma imensa parcela da sociedade. Mas, no caso deste pastor, é impossível esconder o racismo. E isto, meus amigos, é crime.
Se ontem seu tom era de descarado desafio hoje ele foi além, declarando com todas as palavras sua abominação aos gays, e reafirmando que os negros são amaldiçoados.

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Sempre é bom lembrar que o Marco Feliciano vem desagradando mesmo aqueles do meio evangélico, destratando seguidores, membros de sua igreja e causando um racha entre eles.
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O ódio contra gays

O criminoso pastor, iniciamente, tenta disfarçar, para logo "denunciar" quem defende os direitos dos gays de serem tratados como gente, e não com ódio.




Até que finalmente a verdade sai, todo seu ódio contra os gays e "suas práticas abomináveis e promíscuas".

Racismo

O pastor inicia seu discurso tentando provar que não é racista, por ter tatatatataravós de várias etnias diferentes, a resposta padrão que até o Bolsonaro é capaz de dar.
Aparentemente desistindo de contemporizar e resolvendo chutar o pau da barraca, se achando protegido por suas crenças medievais e em total desacordo com a Constituição Brasileira e com a Carta de Direitos Humanos da ONU, Marco Feliciano volta ao ataque.


Fato? Existem documentos que provem cientificamente tais afirmações, ou a figura abjeta se baseia apenas na Bíblia? Não é preciso nem esperar pela resposta.

Em entrevista ao Uol, a figura reafirmou as críticas, mas tentou tirar o corpo fora, colocando em sua assessoria a culpa pelos tuítes polêmicos:
Em entrevista por telefone, Feliciano disse que as mensagens foram publicadas por assessores, sem a sua aprovação. O parlamentar afirmou também que não considera as mensagens racistas. "Não foi racista. É uma questão teológica", disse. "O caso do continente africano é sui generis: quase todas as seitas satânicas, de vodu, são oriundas de lá. Essas doenças, como a Aids, são todas provenientes da África", acrescentou.
Das duas uma, ou TODOS os tuítes da figura são feitos por assessoria (o que não livra sua cara, pois são seus funcionários, seu perfil, sua responsabilidade), pois o estilo do Deputado-Pastor de postar são característicos, ou ele é um grande mentiroso. No fim, não importa, mesmo que ele não tenha pessoalmente tuitado as declarações infelizes (e depois as reiterado), sua entrevista deixa clara sua opinião sobre o assunto.

Se fazendo de coitado, para o Estadão, disse se sentir perseguido. Realmente, uma pena. Mas, pra piorar, afirmou que o terremoto do Japão foi causado pelo fim dos tempos, por punição divina! A figura ainda disse que "nós, cristãos" não acreditam em placas tectônicas!O.o
O deputado se disse perseguido na internet “por um grupo de homoafetivos”, que, segundo ele, distorcem suas palavras. “Eu tenho quase 30 mil seguidores. Entre eles, tem gente ameaçando a mim e a minha família de morte”, disse. “Tudo o que eu escrevo, eles fazem maldade.”
Feliciano não endossou as declarações de Jair Bolsonaro ao CQC: “Só tomei conhecimento hoje. Não tenho tempo para isso, mas espero que um ser humano não se disponha a falar o que ele disse”.
Na entrevista, o pastor evangélico atribuiu, ainda, tragédias recentes – como o terremoto no Japão – ao “fim dos tempos”. “Jesus disse que no fim dos tempos haveria guerras, fomes, pestes, terremotos por causa da promiscuidade e do pecado da humanidade. Claro que um homem sem fé vai atribuir o problema do terremoto [no Japão] às placas tectônicas, mas nós, cristãos, não somos regidos por isso”, afirmou.

Até quando estes criminosos se refugiarão atrás de um livro pseudo-sagrado, achando que isto lhes dá o direito de pregar o ódio contra o povo? Perpetuar ignorância e mentiras? Justificar ações e declarações abomináveis?

Felizmente muitos cristãos se revoltaram com as palavras do Pastor Feliciano, mostrando que estas interpretações bestiais, ou mesmo o uso da Bíblia misturado à política, não são aceitas por todos.

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Lembrando que Marina Silva não se manifestou até o momento. Nem sobre o Pastor Feliciano e nem sobre o Bolsonaro. E que Benedita da Silva, do PT, já "demonstrou carinho" pela figura (obrigado ao @Hupsel pelo link).
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