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sábado, 1 de março de 2014

EUA versus Rússia: O ativismo de sofá e a perdição da Ucrânia

Algo que começa a encher o saco é gente que não entende NADA do que acontece na Ucrânia  querer dar aula ou lição. Pior ainda é quando querem impor uma dicotomia que nos lembra os anos 60, de "imperialismo malvado" dos EUA versus "bom comunismo" da Rússia, levando em conta que Putin é nada além de fascista;

Não, o inimigo do meu inimigo não é meu amigo.

A Rússia tão somente age na Ucrânia para manter sua área de influência e acima de tudo sua importantíssima base militar na Criméia. E, claro, tenta evitar que a Ucrânia entre para a área de influência da UE/EUA, ou ao menos parte dela.

Nada além de jogo de interesses. Realpolitik de potências.

Relembrem o papel da Rússia na Chechênia e no resto do Cáucaso. Se temos um imenso crescimento do fundamentalismo por lá dê graças às políticas russas contra o separatismo local que era originalmente laico e foi se radicalizando à medida que era reprimido e após duas guerras. Mas para defender o "nacionalismo" dentro do seio de nações inimigas a Rússia é uma mãe, vide Abkhazia e Ossétia do Sul. A Geórgia se aproximou do "ocidente", logo, teve de ser castigada.

O mesmo está acontecendo na Ucrânia. Se aproximam do ocidente, logo, é castigada.


É lógico que os EUA e a UE tem interesse e mesmo podem financiar/apoiar alguns grupos revoltosos, mas não nos esqueçamos, este é o argumento de muitos petistas para atacar os protestos nas ruas do Brasil. Argumentos que viraram capa de jornais, aliás. Não acreditem em tudo que lhes chega pelo jornal.

Forçar a escolha entre o imperialismo americano e o imperialismo russo é uma estupidez inominável.

Os EUA são o câncer do mundo, assim como a China o é para os países que vivem em sua órbita ou a Rússia o é para os países em mesma situação. Experimentem defender a Rússia na região Báltica. Ou a China no Tibete, em Taiwan... Não há "Estado bonzinho", há realpolitik e estratégia.

Em tempo, não há sequer consenso sobre o papel e importância de grupos fascistas entre aqueles que derrubaram o governo.

Sobre o papel da extrema-direita nos protestos, recomendo a leitura deste post do Global Voices.

Em tempo 2: Você pode sim "escolher" a Rússia e, do seu sofá, achar que é o melhor pra Ucrânia - assim como pode fazer o mesmo escolhendo os EUA -, pois no fim quem vai sofrer é a Ucrânia, não quem está na frente do computador fazendo as vezes de oráculo da revolução. Se você NÃO entender do assunto, não parou um segundo para ler e entender, só pensa com o fígado ou vive nos anos 60 da Guerra Fria, melhor ficar calado.

Mas, se escolher um lado, esteja preparado para depois defender as consequências. A luta das esquerdas não deve ser contra um imperialismo para que outro assuma e sim contra todas as formas de imperialismo.
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Protesto Tártaro na Criméia

Bandeira dos Tártaros da Criméia

Já comentei antes aqui sobre a situação dos Tártaros da Criméia e hoje vi a notícia de que milhares foram às ruas na Ucrânia protestar contra sua situação desigual frente aos Ucranianos e Russos em sua própria terra.

Os Tártaros da Criméia comemoraram o 65°aniversário da deportação de seu povo (cerca de 200 mil tártaros foram deportados) para o Cazaquistão e outros países da Ásia central em maio de 1944.

Cerca de 15 mil tártaros tomaram as ruas da cidade de Simferopol, na Criméia, para protestar e exigir uma política linguística específica, respeito à sua cultura e respeito aos seus direitos políticos por parte do governo da Ucrânia.

Os Tártaros exigem maiores direitos políticos e reonhecimento formal, além de uma política educacional em sua própria língua na região.

Durante esta semana, também, está ocorrendo o Congresso Mundial dos Tártaros da Criméia, na cidade de Bakhchisaray, na Criméia, com delegados de diversos países da diáspora Criméia.


Informa o Nationalia.info:

Crimean Tatars call for linguistic rights to be respected in the 65th anniversary of their deportation

19/05/2009

They demand national and territorial self-government and official status granted for Tatar language in the Crimean peninsula · World Congress of Crimean Tatars opens in Bakhchisaray, an event widely attended by delegates representing Tatar diaspora · More than 200,000 Tatars were deported to Central Asia in May 1944.

Massive deportation of Tatars on 18th May 1944 has been commemorated once again in Crimea. The date marks the date in wich Joseph Stalin ordered the forced displacement of the whole Tatar population of Crimea -nearly 200,000- to Central Asia. It is estimated that half of the total deportees lost their life along the journey.

According to RFE/RL, around 15,000 people took to the streets of Simferopol (Crimea) on Monday to commemorate the catastrophe and demand the Ukranian government to protect their linguistic and political rights. Tatars returning to their ancestral homes since the late 1980's have become a minority due to russification and ukrainization of their territory. That is why demonstrators requested Kiev to recognise official status to the Tatar language within the Autonomous Republic of Crimea and include it within the Republic's education schemes. On a political level, Crimean Tatars call for a national and territorial Tatar self-government outgoing the Autonomous Republic's current powers.

Coinciding with the remembrance, the Ukrainian government announced it will set up a special unit to investigate crimes against Tatars from Crimea committed by Soviet authorities. To do so, Kiev has asked Russia's Federal Security Service (FSB) to declassify all the documentation relating to the deportation.

Tatar diaspora World Congress
Not all Crimean Tatars returned to their homeland, as many of them exiled to European and American countries. With the aim of discussing strategies and future goals, the Crimean Tatar World Congress is being held in Bakhchisaray (Crimea) and other Crimean towns until May 22. According to NRCU, the congress will gather delegates from Ukraine, Bulgaria, Romania, Turkey, Germany, Russia and the US, among other countries.

As reported by RFE/RL several months ago, delegates have been preparing for the Congress amid controversy. Several Tatar NGO intended to boycott it alleging the gathering would only be aimed at making Mustafa Abdülcemil Qırımoğlu, chairman of the Tatar Parliament (the Mejlis) and a former prominent Tatar leader in the 1960s and 1970s, a "permanent leader" of Crimean Tatars.

Picture: Rally of Crimean Tatars with Tatar and Ukrainian flags (Idil Izmirli i Eskender Bariev, International Committee for Crime).

Congresso Mundial, via RFE/RL

Crimean Tatar World Congress Opens

Crimean Tatars commemorate the 65th anniversary of the mass deportation in Simferopol on May 18.

May 19, 2009
BAKHCHISARAY, Ukraine -- The World Congress of Crimean Tatars (Kurultai) has opened in the Crimean city of Bakhchisaray, RFE/RL's Ukrainian Service reports.

More than 800 delegates from 12 countries are attending the congress at Bakhchisaray's Khan Palace.

Ali Khamzin, the head of the congress's organizing committee, told RFE/RL that the congress is focusing on ways to consolidate Crimean Tatars.

He said such issues as preserving the group's ethnic identity, and reviving the Crimean Tatar language and culture, are also on the agenda.

The congress's plenary meetings will be held in Simferopol, and panel discussions will take place in the Ukrainian peninsula cities of Bilohorsk, Yevpatoria, Sudak, and Eski-Kirim.

The event ends on May 22.

May 18 was marked as the 65th anniversary of the forced deportation of some 200,000 Crimean Tatars to Central Asia by the Soviet regime. Nearly half of the deportees died en route.



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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Não é só na Rússia que as minorias protestam...

Pode parecer uma besteira mas é um indicativo claro de desrespeito.

Os Tártaros da Criméia, que já foram deportados para a Ásia Central por Stálin nos anos 40 e conseguiram voltar à sua terra, são entre 13-18% da população da Criméia (250 mil), que é uma República Autônoma. Ainda assim, com todo esse sofrimento e população relevante, todos os sinais de trânsito são em ucraniano e o parlamento quer acrescentar outra língua.

Vale lembrar que, no Uzbequistão, ainda habitam cerca de 150 mil Tártaros da Criméia exilados.

Tártaro? Não. Russo!

Do meu ponto de vista, não há problema em se usar o Russo também, mas que o Tártaro seja usado da mesma maneira, não só pela sua relevância populacional mas por respeito aos que tanto sofreram na sua história.

Os Russos tem todo o direito de reivindicar seus direitos, afinal, são mais de 50% da população mas a exclusão dos Tártaros é preocupante. Os Russos, mal ou bem, são fortes no leste da Ucrânia e contam com a Mãe Rússia ao lado, os Tártaros contam apenas consigo mesmo e no máximo com seus primos do interior da Rússia, que já tem seus próprios problemas.

A tensão latente estourou com algo aparentemente insignificante mas a revolta das minorias vem se tornando diária na região. É esperar o desenrolar.

Trouble Brewing In Crimea … Over Traffic Signs
April 28, 2009

Crimean Tatars’ organizations in Ukraine’s Crimea are protesting a decision to introduce bilingual traffic signs on the peninsula’s roads, according to RFE/RL’s Ukrainian Service.

The Supreme Council of Crimea adopted a law on April 22, according to which, by June 1 all traffic signs should be in two languages: Ukrainian and Russian. (At the moment, the signs are usually only in Ukrainian.)

Deputy Chairman of the Crimean Tatars’ Assembly (Medjlis) Refat Chubarov told RFE/RL that Crimean Tatar organizations and ordinary Crimean Tatars consider the new law’s adoption to be “discrimination and ignoring the rights and interests of Crimean Tatars.”

Crimean Tatars were deported from Crimea to Central Asia by Josef Stalin in the 1940s.

After the collapse of the Soviet Union they started returning to Crimea. Now there are over 250,000 of them living in Crimea, around 18 percent of the peninsula’s general population.

– Ukrainian Service

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