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segunda-feira, 28 de março de 2016

Democracia? É pela Dilmocracia

Resuminho do que o PT/Governo tem feito pela Dilmocracia enquanto não faltam trouxas, inocentes úteis, cooptados - e mesmo canalhas tentando garantir seus cargos nas ruas - gritando por "democracia" apenas da semana passada pra cá. Repito, da SEMANA PASSADA pra cá. Imagina o que o PT não vai fazer mais pra tentar segurar o impeachment e agradar o máximo que puder a direita? Mas tem gente nas ruas apoiando porque senão ~a direita~ assume!


Governo Dilma congela reforma agrária (Mas o MST tá lá, firme e forte na Dilmocracia)
 

Planalto usa projeto que beneficia igrejas para agradar bancada evangélica (Estado Laico? Nem pensar! Se bem que dilma nunca respeitou o Estado Laico, deu declaração homofóbica, cancelou programas pró-LGBT, se recusa a debater aborto...)

Estamos 'bastante interessados' em manter o PMDB no governo, diz Dilma (com Temer, Cunha, Renan e quem mais vier pro trenzinho da alegria)


Diário Oficial traz mais uma exoneração para acomodar aliado contra impeachment (Trenzinho da alegria também no segundo escalão! É uma verdadeira orgia em que só o povo toma no cu!)

Acho mais fácil a turma que acha que está protestando "pela democracia" parar um pouquinho, pensar, e notar que estão protestando pela DILMOCRACIA. Tudo que a ~direita~ poderia fazer de ruim a Dilma e o PT estão já fazendo.
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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Você é tucano! Ou porque não há diálogo com o petismo

Há muito tempo que o PT se tornou uma seita. Não há possibilidade de diálogo com petistas da mesma forma que você não dialoga com um homem bomba ou com o Bolsonaro. Simplesmente não falam a mesma língua, mas apenas reproduzem ódio incongruente e inconsequente.

Há muito, ainda, que mesmo jornalistas e blogueiros menos, digamos, comprometidos, embarcaram de cabeça no dia a dia da vida da seita. Não tem mais crítica, apenas a eterna repetição do mantra "quem não está conosco é inimigo, é tucano, é tucanalha, é....".

E este é o ponto, se você não diz amém ao PT você é tucano. Só existe essa opção, não criticar e repetir o que #Stanleys da vida mandam, não importa que não faça sentido, que seja contrário não apenas à história do PT de antes de chegar ao poder ou simplesmente contra qualquer noção de decência. Discordou? É tucano.
O governista vive em uma realidade paralela

Você pode ter acabado de fazer 50 postagens contra o PSDB, continua sendo tucano no mundinho bidimensional, triste e doente dos petistas. E é bom lembrar, tudo que o PT faz é bom. Tudo é pelo bem do povo.

Corte de direitos trabalhistas? É pelo bem do povo.
Austeridade? É pelo bem do povo.
Corte de metade do FIES? É pelo bem do povo.
Trabalho escravo defendido pelos aliados ruralistas? É pelo bem do povo.

E a ladainha segue.

O jornalista e membro da seita Rodrigo Vianna recentemente cometeu um artigo no qual obviamente defende o PT do panelaço durante seu programa eleitoral com ~argumentos~ do tipo "cada vez que vejo a histeria seletiva da classe média antipovo (que tem ódio de bolsa família e detesta pobre em avião), sinto vontade de votar no PT de novo".

Passando por cima de tamanha tosquice típica da incapacidade petista de raciocinar para além do quadradinho, o nobre jornalista ainda comete o, talvez, ato falho, diz: "Gente que jamais bateu panela contra fome, dengue, falta dagua, ou corrupção de Maluf/Quercia/PSDB."

Espera, mas Maluf não é um QUERIDO ALIADO do PT? Com direito a foto sorridente e contente com Lula e Haddad? Me senti impelido a comentar com o máximo de ironia que consegui, mas notem a capacidade argumentativa da indigente intelectual que me respondeu.
Meu questionamento não poderia ter sido mais direto.

1) Maluf é aliado do PT ou não?
2) Maluf é corrupto ou não?

Como resposta, no entanto, obtive:

a) Você não tem argumentos
b) Você não entende de política
c) Você movido por "moralismo igrejeiro" que leva à (e eu consequentemente seria):
     c1) Fascismo,
     c2) ignorância,
     c3) embrutecimento intelectual,
     c4) retrocesso humano
d) Você é ignorante
e) Você é inculto
f) Você age de má fé
g) Você é purista
h) Você é ignorante político
i) Você é igrejeiro

Como consequência:
j) Eu apoio/pareço o Beto Richa
k) Eu sou tucano
l) Tenho argumentos medíocres
m) Tenho a profundidade de um pires
Reparem que, ao fim, minhas duas simples perguntas não foram respondidas, e ainda sobrou espaço para a inteligente figura comentar que Maluf foi aliado do FHC. Verdade, mas hoje é aliado do Lula, da Dilma, enfim, do PT.

Mas aí entramos na grande questão.

Ter sido aliado do FHC ou de qualquer tucano não é impedimento pra ser aliado do PT (pelo contrário em muitos casos, e lembrando que o PT é aliado do PSDB em centenas de cidades), mas isso automaticamente exime o PT de responsabilidade pelo que façam os aliados.

Em outras palavras, se algum dia você foi aliado do PSDB então o que você fizer de bom hoje tá na conta do PT, o que fizer de ruim tá na conta do PSDB.

E vai além, qualquer coisa que o PSDB tenha feito legitima, justifica ou mesmo desculpa o que o PT fizer de igual, semelhante ou mesmo pior.

O PT privatiza estradas, aeroportos, pré-sal? O PSDB fazia também e pior.
O PT agride direitos trabalhistas? O PSDB fazia também e pior.
O PT passa por cima dos direitos humanos? O PSDB fazia também e pior.
O PT rouba? O PSDB fazia também e pior.
O PT mete porrada em professores? Fingimos que não vimos... e o PSDB faz também e pior.

E por aí vai.

Tudo que o PT faz é desculpado ou desculpável pelo que o PSDB fez ou mesmo SONHOU em fazer.

Sim, porque o petista de carteirinha, o verdadeiro fanático da seita também assume o que o PSDB PENSOU em fazer, mesmo que não tenha feito, e este sonho ou pensamento é sempre PIOR do que o que o PT efetivamente faz. Isso também pode ser traduzido pela expressão "Com Aécio seria pior".

Inclusive com Aécio seria pior a retirada sem precedentes de direitos dos trabalhadores promovida pelo PT com as MPs 664 e 665 que, vejam só, o PSDB se opôs (por oportunismo, é verdade, mas se opôs).

Acho que deu pra entender, certo?

Acredito que sim, mas acrescendo mais um dado: A criação de espantalhos.

Durante votação das MPs que basicamente cortavam direitos trabalhistas num dos maiores retrocessos desde Vargas (MPs criadas por Dilma e apoiadas pelo PT) a deputada "comunista" Jandira Feghali foi vitima de machismo. Fato lamentável e a ser repudiado, sem dúvida, mas enquanto os trabalhadores eram lesados a ampla maioria dos petistas e dos "comunistas" se limitavam a tratar do machismo sofrido. Só isso. Foi um espantalho que caiu como uma luva para governistas que queriam fingir que não tinham acabado de destruir direitos de milhões de brasileiros.

O petismo é a arte do fanatismo, de desdizer a si mesmo e negar ter sido contraditório, é cuspir em bandeiras de esquerda, mas continua a se dizer de esquerda, é se aliar e governar com e para a direita, mas afirmar categoricamente que a direita é representada por todos que não apoiam o PT, é se aliar com Collor, Kassab e Katia Abreu e dizer que direita é se opor a eles... E por aí vai.

E, claro, sempre que faltar o argumento, pode-se gritar GOLPE. E, gente, como gostam de gritar golpe.
Link

Me recordo dos protestos de Junho de 2013, aquele onde os petistas gritavam em apoio à PM e defendiam repressão dizendo que quem estava nas ruas era de direita porque, sei lá, lutar por direitos, passe livre e etc deve ser uma bandeira do Bolsonaro (ele próprio da Base Aliada do PT, diga-se), surgiram petistas capazes de dizer que NUNCA o MPL tinha protestado por passe livre e contra o prefeito (no caso, o Kassab), e que só protestava hoje porque era manipulado e que não protestavam contra Alckmin.

Um adendo, é bom lembrar que mesmo defendendo repressão e até oferecendo Força Nacional (via Cardozo), petistas como Dilma usaram a repressão de Junho como campanha contra Aécio. O nível de esquizofrenia é digno de Pinel.

Não adiantou mostrar fotos, relatos até de petistas (oras, eu gravei até depoimento de um vereador petista que tinha sido ferido em protesto!) que tinham protestado, sido feridos e etc, fatos não interessam ao membro da seita, apenas sua realidade alternativa.

Enfim, não estamos diante de um partido com militância, mas sim diante de uma seita. Não se dialoga com seitas. Não é possível dialogar com seitas.

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quarta-feira, 6 de maio de 2015

"Ah, mas a culpa é do Congresso conservador"

Fico sabendo que ontem teve panelaço de novo no Brasil... Ainda bem que eu estava dormindo. Mas acho engraçado alguns que reclamam do povo batendo panela. "São fascistas, classe média, elite branca"! Normalmente quem diz isso é ao menos classe média e com boa vontade elite branca. Alguns até fascistas (eleitores hardcore do PT, membros do MAV, etc).

Muitos, ainda, são do Team Voto Crítico, aquele que garantiu um novo mandato para Dilma desmontar direta ou indiretamente direitos trabalhistas que sobreviviam desde Vargas. Sobreviveram à Ditadura, sobreviveram a FHC, mas vão morrer com o Partido dos "Trabalhadores".

"Ah, mas a culpa é do Congresso conservador".

Mas amigo, diz pra mim quantos desses conservadores foi eleito com voto, apoio e GRANA petista? Ou melhor, grana roubada da Petrobrás, vamos deixar claro quem era a dona da grana: A Petrobrás.

O PT comprou parte da sua base ~conservadora~ (parte porque sempre tem na cola o cachorrinho PSeudoB que depois de códigos florestais da vida não tem como defender)....

Não, a ~culpa~ não é do Congresso Conservador, a culpa é de quem ajudou a montar esse congresso, é de quem pagou aos piores fascistas para ganhar apoio, é de quem desmobilizou quase completamente a esquerda e os movimentos sociais, é de quem quando parte da esquerda conseguiu se mobilizar (vide Junho) se colocou ao lado da polícia e da repressão tentando silenciar as ruas, é de quem penhorou o país pra FIFA, de quem entregou o governo efetivo para ruralistas, assassinos de indígenas, assassinos da população negra e banqueiros/empreiteiras.

Entregou, é verdade, mas nominalmente estão no poder e tem total culpa pelo resultado de suas ações.

Ações estas que abarcam também os cortes na educação, as privatizações, a situação caótica da saúde, ocupação militar em favelas, medievalismo neopentecostal imparável, etc, etc, etc... E não nos esqueçamos do corte de direitos trabalhistas, do corte até do seguro-desemprego e ainda no começo do petismo no poder, a reforma da previdência tucana (que levou à expulsão dos que depois iriam formar o PSOL)....
Enquanto o PT (direita) e a oposição (de direita) disputam quem bate mais e melhor em panelas, a realidade do desgoverno petista continua batendo...

Tudo isso com apoio entusiasmado de setores fanatizados que engolem o que lhes for mandado engolir e que ainda comete textos como se estivessem na crista da onda. Não, a ~oposição~ não virou panelas, meu caro Rovai, mas a cada batida de panelas o governo adota ainda mais profundamente o programa da oposição.

Não, não se pode jogar toda a culpa nos "aliados". Quem está destruindo a educação brasileira não são os aliados, é o PT, é Dilma, são suas políticas e decisões pessoais. Levy? Conta da Dilma. Austeridade? Conta da Dilma. Quem ofereceu Força Nacional em Junho de 2013 para calar a boca das ruas? Cardozo, do PT.

E a culpa é também de quem, mesmo hoje, continua no apoio, se baseando em lixos que envergonham o jornalismo como Brasil247, Portal Metrópole, dentre outras, ou que adota o discurso de "voto crítico contra a direita", quando quem está no poder hoje nada mais é que a direita mais nociva da história recente do país.

Como disse o Samuel Braun no Facebook:
"Concordo com tudo, só não consigo me aliar a esses que estão panelando", pessoa após gigantesco debate sobre o PT ser A expressão da direita NO poder (o que é ainda mais nefasto que a direita na oposição).
Mas na hora que concordou que o governo era etnocida, repressor, entreguista, neoliberal e tudo mais, mesmo assim foi lá e "se aliou" votando "criticamente".
Vai meu bem, faça um panelaço crítico.
Ou melhor: faça qualquer coisa crítica. Porque defender a direita no poder fazendo beicinho pra direita na oposição já deu, ok?
Enquanto isso o PSDB fica feliz, tendo projetos caros a ele aprovados, projetos até mais radicais e danosos que os que pregava. Parabéns aos envolvidos. Mas calma, 2018 tá logo ali, já podem afinar os discursos contra o "mal maior" e a justificar o apoio ao PT, quem sabe o partido mais pra frente simplesmente não acabe com a previdência de vez ou revogue a CLT?

Paguem pra ver.
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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Desconstriuindo argumentos: PEC 33, mas pode chamar de golpismo.

"O senador Renan Calheiros pode pedir a prisão dos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Toffoli porque atentam contra o Poder Legislativo. Porque atentaram contra a Constituição. Podemos chamar as Forças Armadas para proteger o Poder." Fonteles, Nazareno (PT-PI), autor da PEC33 do golpe contra o STF.
A PEC33 é flagrantemente inconstitucional, um golpe.

E não há discussão. Basta ver a gama de fanáticos  (não, não estou falando aqui só da Bancada Teocrata) que a está apoiando, como PHA, @Eduguim e tantos outros que fazem dessa PEC um projeto pessoal de vingança contra o STF por ter condenado Dirceu, Genoíno e cia (retomarei este ponto mais pra frente)...
Em outras palavras, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 33/11 é um verdadeiro golpe contra o judiciário, fruto apenas do desejo de vingança por parte do PT (pelo mensalão) e de seus aliados da Bancada Teocrática (que não aceita os avanços promovidos pelo STF em relação aos direitos LGBTs e das mulheres), com apoio entusiasmado do PSDB (para quem a Constituição sempre foi um detalhe, vide a reeleição fraudulenta de FHC), é uma tentativa de neutralizar o STF, intervindo no judiciário.

Trata-se de uma iniciativa que visa forçar que decisões do STF em relação a súmulas vinculantes, e declarações de inconstitucionalidade a emendas à Constituição propostas pelo Congresso passem por ele mesmo. Ou seja, o Congresso promove uma alteração inconstitucional, o STF barra e o mesmo Congresso passa por cima, dizendo que quem decide é ele.

Além disso, a PEC ainda propõe uma alteração ao quórum necessário para aprovar decisões no STF; não mais 7 de 11 votos, mas 9 de 11. Ou seja, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) só será aprovada por 9x2! Isto se o presidente votar, o que nem sempre faz, aí teríamos 9x1!

A proposta foi apresentada pelo PT (Nazareno Fonteles) e relatada por um teocrata do PSDB (João Campos).
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Fiz uma análise da PEC para o Correio da Cidadania, vale a leitura.
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Mas deixei passar alguns detalhes que merecem comentários, assim como não posso deixar de comentar o lamentável artigo do Azenha no Vi o Mundo, aderindo ao golpismo contra o STF.

Em primeiro lugar, vamos deixar algo claro: Quem nomeou a maioria dos ministros do STF foi o PT. Ou seja, o PT é o último partido a ter algum direito a reclamar de um suposto "ativismo judiciário" por parte do STF.
“Se o STF é ~ golpista ~ a) o PT é golpista b) o PT escolhe não sabe escolher Ministro do STF não venha reclamar” via @ladyrasta
É a mesma desculpa com a mídia, a quem acusam de golpismo. O PT sustenta a mídia!

Ou seja, o PT financia seus supostos inimigos, até nomeia seus supostos inimigos e depois quer mudar as regras do jogo, quer dar um golpe na democracia passando por cima da constituição. Não seria mais fácil aprender a fazer política ao invés de implodí-la?

Algo que me tinha passado despercebido no texto da PEC33 é que, caso o STF considere uma PEC aprovada pelo congresso inconstitucional, esta voltaria ao congresso que então submeteria a consulta popular. Em outras palavras, o congresso iria perguntar ao povo se acha que algo é ou não constitucional! Estou esperando o Congresso aprovar a Cura Gay (aparentemente o aliado do PT, Marco Feliciano, está trabalhando nisso), a redução da maioridade penal, a pena de morte e outros temas lindos para passar por cima do STF e pedir ao povo que escolha a melhor opção.

Vamos começar a perguntar ao povo se devemos aprovar a pena de morte ou se devemos matar gays na rua se forem muito afeminados? Oras, é inconstitucional, mas não é o povo quem decide?

Quanto às alegações de governistas de que o "STF não tem voto", oras, o STF é indicado pelo executivo (eleito) e passa pelo crivo do senado (eleito). Seguindo esse raciocínio todo parlamentarismo (onde o Premier é indicado indiretamente pelos parlamentares eleitos) seria ilegal de início! E se vamos falar em não "tem voto", devemos abolir logo o judiciário, ou juízes são eleitos pelo povo? Talvez o judiciário esteja indevidamente se metendo na vida das pessoas, condenando-as por seus crimes!

Mas o foco é o STF, que condenou os "companheiros".

É um raciocínio semelhante que podemos fazer com os que defende a diminuição da maioridade penal no conforto de suas vidas de classe média: Se o filho deles for o assassino dá-se um jeitinho, que o diga Eike Batista. Quem vai preso é o pobre.

A indigência intelectual dos apoiadores desta PEC, aliada ao fanatismo e desejo de vingança, junto com a grande oportunidade vista pelos evangélicos revoltados com direitos LGBT's, células tronco e aborto de bebês anencéfalos, pode resultar em um golpe catastrófico para o país. Acaba-se a separação de poderes e as garantias constitucionais.



Outro argumento muito usado pelos fanáticos é a de que o STF estaria "intervindo" indevidamente no legislativo, como no caso da suspensão do projeto de lei que visa unicamente prejudicar a Marina e facilitar a eleição de Dilma. Oras, o STF não interviu magicamente suspendendo a discussão do projeto, ele foi PROVOCADO pelo legislativo, ou seja, é preciso que membro(s) do legislativo se manifestem e PEÇAM ao STF para intervir. Em outras palavras, não há nenhuma intervenção indevida e sim intervenção requerida.
Alguém por gentileza avise o Senador Renan Calheiros que propostas de emendas constitucionais tendentes a abolir cláusulas pétreas podem ter sua tramitação suspensa e, ao final, nulificada pelo STF (por analogia, também projetos de lei) tendo em vista que a Constituição diz que NÃO TRAMITARÁ projeto tendente a abolir cláusulas pétreas consoante disposto no artigo 60, §4º, da Constituição Federal, donde, caso esteja sendo deliberado algo do gênero, a consequência lógica é o poder-dever do STF suspender e depois nulificar essa tramitação...
Acredito que seja necessário tecer alguns comentários sobre o lamentável artigo do Azenha com reproduções de comentários do Nazareno Fonteles, o autor da PEC33.
Na Folha, por exemplo, a colunista Eliane Cantanhêde especulou que ele teria tramado uma dupla retaliação: contra a condenação dos réus do mensalão e a aprovação da união gay pelo STF.
Fonteles informou ao Viomundo que a PEC 33 tem dois anos de idade, ou seja, começou a tramitar muito antes das decisões mais recentes do STF.
Ou seja, a PEC que em outra situação seria descartada como projeto pessoal de um maluco golpista, acabou ganhando a atenção e apoio da Bancada Teocrata (o relator da PEC é o João Campos, do PSDB e líder da Bancada Teocrata) e dos governistas fanáticos que viram nela uma forma de se vingar do STF depois do Mensalão.

O projeto não foi *criado* como vingança pelo Mensalão, mas é usado hoje desta forma por petistas e seus apoiadores.

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Mas antes de mais nada é preciso situar o leitor, quem é Nazareno Fonteles?

Esta figura obscura é um deputado pelo Piauí que tem histórico de apresentar projetos esdrúxulos e, católico conservador, é próximo da Bancada Teocrática/Evangélica do Congresso, não surpreende que seu projeto tenha sido relatado pelo João Campos, líder de tal bancada - que em qualquer país sério seria abolida, assim como a presença de "pastores" no parlamento -, à revelia mesmo do PSDB, partido de Campos.

Outro projeto genial de Nazareno Fonteles é a "Poupança Fraterna":
O projeto de Nazareno estipulava o “limite máximo de consumo”.
Isto mesmo, na Democracia Nazarena você só poderia consumir o máximo estipulado pela Lei.
Segundo o Projeto Nazareno, “O Limite Máximo de Consumo fica definido como dez vezes o valor da renda per capita nacional, mensal, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em relação ao ano anterior”.
O “Limite Máximo de Consumo” é valor máximo que cada pessoa física residente no País poderá utilizar, mensalmente, para custear sua vida e as de seus dependentes.
O restante vai para uma caderneta de poupança apelidada de Poupança Fraterna
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Voltamos.

Reparem na virulência das declarações de alguns governistas, o claro tom de revanche contra o Mensalão. Quanto aos teocratas, "justiça" nunca foi algo que tenham buscado, quanto mais livres para cometer estelionato, melhor.

E a aliança de teocratas com o PT não surpreende. As classes mais baixas, mais sujeitas ao controle por  parte dos teocratas neopentecostais, tem tido uma certa ascensão social com o PT, ou seja, maior capacidade de engordar os cofres das seitas evangélicas, ao passo que o PT tem se submetido aos teocratas em diversos momentos, com significativos retrocessos na questão LGBT - que o STF tem combatido.
Ele admite, porém, que a PEC nasceu de uma tentativa de frear invasão do Judiciário nas atribuições do Congresso.
“O Judiciário está violando a Constituição e invadindo a função legislativa já há muitos anos”, afirmou.
Citou exemplos: fidelidade partidária, verticalização das eleições, número de vereadores, cotas, células tronco embrionárias, aborto de anencéfalos, união homoafetiva, royalties do petróleo e PEC dos precatórios.
Felizmente o STF se meteu em questões como as do aborto de anencéfalos, união homoafetiva, células tronco e etc, que foram deixadas de lado pelo governo, aliado aos teocratas. Felizmente o STF conseguiu promover direitos humanos enquanto o Congresso e o Governo promovem o atraso, remoções forçadas, medievalismo e genocídio indígena.

E exatamente porque o STF "se meteu" em assuntos de direitos humanos que o Nazareno Fonteles se insurgiu.

O Congresso ABDICOU de tratar de diversos assuntos, quando não propôs recuos vergonhosos em diversos temas. Frente a um congresso/governo omisso e por vezes retrógrado, felizmente o STF se mostrou presente (não que o STF seja o paraíso do progresso, também errou diversas vezes e cometeu excessos).
Mas, o que busca a PEC 33? Aumentar de seis para nove o número de votos necessários (entre onze ministros) para que o STF tome decisões sobre inconstitucionalidade, emendas constitucionais e súmulas vinculantes.
Praticamente a unanimidade dos juízes.
No caso de súmulas vinculantes, o Congresso teria 90 dias para analisar a decisão do STF; se discordar, a súmula do STF se mantém mas deixa de ser vinculante, ou seja, deixa de ser imposta a tribunais inferiores.
Quanto às súmulas em si, há muito debate entre juristas sobre sua validade, eficácia e eficiência. Ou seja, deve ficar entre juristas a questão e não nas mãos de um congresso homofóbico e interessado em ampliar seu poder a qualquer custo.
No caso de emenda constitucional, a decisão do STF seria analisada pelo Congresso por um prazo máximo de 90 dias; em caso de discórdia, a decisão seria levada a consulta popular.
Como comentei, passa ao povo a decisão sobre constitucionalidade de matérias. Imaginem só que lindo será. Sem falar me todo o processo para a consulta acontecer.
Reagindo, o deputado disse que isso demonstra “como o Senado tem sido negligente com um ministro desses, que tem a esposa trabalhando no escritório do [advogado] Sergio Bermudes”, numa referência à possibilidade de cassação de Gilmar Mendes.
Se o governo está insatisfeito com ministros que o executivo indicou (ainda que o Mendes tenha sido indicação anterior ao PT) e que o Senado referendou, façam uma seleção melhor no futuro ou mesmo usem a maioria no senado para cassá-lo. Mas tornar o STF um penduricalho inútil não é solução.
Fonteles disse que a PEC é uma forma de coibir a “ferocidade autoritária, quase fascista do Judiciário”, ao invadir a função legislativa.
Vindo de membro de governo que apóia genocídio indígena, remoções forçadas, que se nega a dialogar com movimentos sociais e trabalhadores, privatista e aliado de teocratas, é no mínimo ridículo falar em autoritarismo ou fascismo. A ferocidade autoritária com que o governo privatiza e criminaliza lutas, ao ponto de espionar trabalhadores e opositores, não deixa brecha para que esta acusação seja usada por nenhum petista.
Sobre a sugestão da colunista Cantanhêde de que, como “deputado cristão”, ele estaria se insurgindo contra decisões vistas como progressistas do STF — células tronco, aborto de anencéfalos e união homoafetiva, por exemplo –, o deputado disse que o STF é “um poder de origem monárquica”, que serve ao interesse conservador mas usa algumas de suas decisões para se apresentar como “moderno”.
Ao invés de explicar porque se insurgiu contra o STF preparando um golpe o deputado preferiu atacar as origens do STF. Realmente não esconde que sua intenção é acabar ou neutralizar com o órgão. Ao contrário do PT, o STF (lembre-se que a maioria dos ministros foi nomeada pelo PT) é conservador e toma decisões progressistas, já o PT paga de progressista, mas é absolutamente conservador.
Segundo o deputado, o STF decidiu sobre o uso de células tronco em pesquisas mas até hoje não se manifestou sobre os transgênicos, porque “mexe com os interesses da Monsanto”, a gigantesca transnacional do agronegócio.
Monsanto? A mesma para a qual o Vaccarezza (ex-líder do PT) trabalha e prepara projetos? Com a PEC do PT o STF não irá nem tratar da Monsanto, cujos interesses são ligados aos do PT e de seus aliados do agronegócio como Katia Abreu, e nem irá tratar sobre células tronco, já que os aliados tipo Marco Feliciano não deixam.
O STF, segundo o petista, funciona em função das “bancas ricas de advogados, que só os ricos podem bancar”.
Por isso Dilma nomeou o advogado do PT, Toffoli, pro STF? Pobres poderiam bancar os advogados de Dirceu e cia?
“Agora quer holofote? Vai atrás de voto, larga a magistratura, vai ser candidato, funda um partido e não se aproveite de uma conjuntura em que a mídia oligárquica que nós temos em boa parte deste país faz, junto com o Supremo, uma espécie de braço político auxiliar da oposição, que foi derrotada nas urnas”.
O ódio estampado nesta frase resume tudo.

O PT, enfim, está tentando dar um golpe no STF, não há o que acrescentar e não há outro raciocínio.

Ao invés de, por exemplo, DEMOCRATIZAR o judiciário, como fez Cristina Kirchner, o PT tenta moldar o STF para neutralizá-lo e facilitar que projetos inconstitucionais, retirada de direitos e vulnerações dos direitos humanos passem sem maiores problemas.
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Do outro lado, a cruzada evangélica conta com a simpatia de outros parlamentares, que também não gostaram muito de algumas decisões do Supremo. É o caso, por exemplo, das regras de fidelidade partidária, que a CCJ aprovou por unanimidade o relatório sobre a admissibilidade da PEC o STF deu seu parecer acerca do tema, o que causou certo desconforto em alguns. “O Judiciário tem legislado com frequência e isso não pode acontecer, é algo que fere o equilíbrio entre os Poderes”, diz o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), autor da proposta.

Atualmente, a Constituição permite que Congresso tenha poder de sustar atos normativos do Executivo, quando forem considerados fora de sua atribuição normativa, mas não prevê o mesmo em relação ao Judiciário. Fonteles afirma que essa "lacuna" cria uma situação de desigualdade entre os Poderes. “O que o Supremo tem feito é interpretar a Constituição contra a própria Constituição. Se o STF legisla, ele fere a cláusula pétrea que impõe a separação entre os Poderes e, sem dúvida, coloca em risco o Legislativo”, afirma.
Como se pode ouvir na entrevista do Nazareno Fonteles linkada no Vi o Mundo, e no destaque acima, de 2012, as intenções por trás desta PEC são as piores possíveis.

E em uma entrevista Nazareno Fonteles deu a seguinte declaração:
Ele (Supremo) está defendendo interesses da minoria da oposição política, que foi derrotada nas urnas e foi derrotada no Congresso. E que fica tentando usar o Judiciário como seu braço auxiliar na política para derrotar a maioria. Se isso vira a moda, que é o que está acontecendo, como é que fica o estado democrático de direito.
O STF foi nomeado pelo PT e o PT quer derrubá-lo através de um golpe. Só isso precisa ser dito.
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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

De novo o diploma para jornalistas, ou "meu diploma é maior que o seu"

Quantos países do mundo - fora o Brasil - não apenas exigem diploma para o exercício da profissão de jornalista, mas ainda incluem a regra na constituição? Em outras palavras, quantos países tornam constitucional o corporativismo de uma casta que se considera iluminada?

Eu respondo: NENHUM.

Posso parecer duro em meu questionamento, mas não há como não se revoltar ao saber que o Brasil caminha para proibir que pessoas que não sejam o Noblat, o PHA ou o Leandro Narloch possam escrever em jornais, "apurar" e serem "iluminados" que falam pelo povo, pelo país... Enfim, apenas quem tem um diploma poderá escrever em jornais como jornalistas, os demais reles mortais terão um espacinho cedido de má vontade em coluna de opinião no fim da página ou na imensa seção de cartas.

O que leva um jornalista a ter a capacidade - e a exclusividade - para falar sobre medicina, política, economia, política internacional, mas médicos, diplomados em relações internacionais e ciência política, economistas e afinss não terem esta "capacidade"? Aliás, não se trata de capacidade, pois se há reserva de mercado o problema é mais embaixo.

Trata-se de dar exclusividade aos jornalistas para escrever sobre as áreas de todos, mas ninguém poder se meter na sua.

Perdi a conta de quantas notícias falsas, mal contadas ou mesmo análises terríveis li em matérias e análises jornalísticas apenas na minha área, as relações internacionais. Um exemplo? Vejam meu artigo no Observatório da Imprensa sobre a larga pesquisa (sic) que os jornalistas brasileiros fazem sobre, por exemplo, o País Basco.

Mas apenas eles podem escrever sobre. Aos demais, cabe reclamar na seção de cartas. Quando muito!

Não dá sequer para explicar ao resto do mundo tal reserva de mercado. Não entendem. Não conseguem entender como algo tão estúpido possa ser lei, possa estar na constituição.

Cheguei a ouvir de jornalistas que a profissão se aprendia não na faculdade, mas na ativa, na redação. Onde estes caras foram parar? O que torna o jornalista este ser especial, dono da informação, da verdade?

Qual o objetivo da defesa do diploma? Qualidade? É falso. Leia os jornais.


Enquanto a profissão do jornalista é cotidianamente precarizada, a luta não é por melhorias de condições de trabalho, mas para garantir que a miséria fique restrita a uma casta.

Vale lembrar que a exigência do diploma de jornalismo data da Ditadura . Que melhor forma de controlar as notícias senão criar um grupo restrito que era "dono" dela? Aliás, a quantas anda a qualidade do jornalismo brasileiro? O diploma resolveu?

Fico abismado com gente de esquerda que defenda tal coisa, que ao invés de lutar por direitos, luta para separar, para criar classe/casta superior, diferenciada.

Ainda cabe acrescentar, ainda numa crítica à esquerda que, para se conseguir o diploma, não basta querer. É preciso passar por uma seleção duríssima, que é o vestibular/enem, algo tão criticado por setores da esquerda como uma exigência que impede a maior parte da população de chegar à faculdade.

Mas nesta hora, na do corporativismo, alguns se esquecem deste "detalhe". Jornalismo apenas para os diplomados, para aquela minoria da minoria. Os iluminados que falam pelo povo, mas jamais o povo fala por ele, ou fala, na seção de cartas.

Quando nos deparamos ainda com o fenômeno do jornalismo cidadão, a coisa complica. Como trabalhar com este conceito quando o jornalismo cidadão passa a ser marginal, indevido, intruso e, até, proibido?

Comunidades, grupos, minorias que denunciam situações, exclusão e afins, que estão escrevendo, terão de ser tutelados, re-lidos, "patrocinados" por "jornalistas graduados" para serem ouvidos? Morre o jornalismo cidadão e voltamos a ser todos meras "fontes" para os escolhidos.

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A partir deste momento retomo as postagens no blog, depois de um período de férias merecido pós-Mestrado! Por enquanto os posts não serão diários ou muito longos, mas sairão à medida em que eu tiver algum tempo, pois a vida ainda não está ganha.

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Análise do III Congresso do PSOL


Chegou ao fim mais um congresso do PSOL, o terceiro que, infelizmente, mostrou que o PSOL quer ficar mal das pernas. Não eleitoralmente, pois vem numa crescente, com bons parlamentares e uma base que se amplia nas lutas diárias, mas mal das pernas internamente, ideologicamente e, enfim, em sua coerência.

Motivo de imensa crítica e mesmo uma das razões para a própria formação do PSOL foi a política de alianças promovida pelo PT que, basicamente, aceitava qualquer porcaria que tivesse um voto e estivesse disposto a alugar o passe por alguma boquinha, mamata ou mesmo corrupção descarada.

Mensalão é pouco perto do que está por trás das negociatas do PT, que agora paga aos "investidores" com abusos aos direitos humanos (Belo Monte é só um exemplo), com cargos mil, farras com dinheiro público e as famosas privatizações.

Derrocada

Mas, enfim, o PSOL nasceu como forma de combater tudo isto, de resgatar velhas bandeiras rasgadas pelo PT e pisoteadas pela militância fanática sempre pronta a se vender por pouco ou nada.

Mas já em seu terceiro congresso o PSOL demonstra uma fraqueza mortal, a mesma que acometeu o PT: A sede pelo poder a qualquer custo.

Não falo em corrupção, não chegamos a este ponto e sobra pouco espaço para isto entre dois gigantes do ramo, o PT e o PSDB, mas sim em uma fraqueza ideológica em se manter fiel aos princípios fundadores e se afastar dos aliados de primeira hora (PSTU e PCB) para arrastar asas para o PV (no Rio) e até para o PTB (no Amapá), e isso só pra começar a discussão.

Segundo fontes, as alianças do partido com outros não-alinhados ao ideário de esquerda foram liberadas.
*Política de alianças eleitoral: O Diretório Nacional avaliará caso a caso as alianças políticas e sociais que avançarem para além da Frente de Esquerda (PSTU e PCB), cabendo somente somente a essa instãncia a decisão final sobre concretização das ampliações tendo como parâmetros a firme defesa do nosso programa.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

MAIS GRAVE QUE O JÁ GRAVÍSSIMO: Ruralistas vaiam anúncio de morte, por Alípio Freire

O texto abaixo é do companheiro e grande lutador Alípio Freire que, para muitos, dispensa apresentações.

Ex-guerrilheiro da ala Vermelha, fundador do PT e jornalista dos bons, enviou por e-mail e me autorizou a publicar.
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Segue abaixo, no entanto, algo que não poderia adiar, pois não vi veiculado em nenhum veículo, seja da grande mídia comercial, seja do que chamamos de mídia popular e/ou independente: sem dúvida é intolerável que, além de seus pares terem mandado assassinar o casal Cláudio-Maria no Pará, os senhores ruralistas, depois de anunciado o crime no plenário da Câmara Federal, tenham se manifestado com vaias.

Por muito menos (incomparavelmente menos, apesar dedeplorável), a deputada do Partido dos Trabalhadores e ex-prefeita de São José dos Campos, senhora Ângela Moraes Guadagnin, teve seu mandato cassado por falta de decoro parlamentar, em conseqüência do episódio que ficou conhecido como “A Dança da Pizza” – cena que até hoje pode ser encontrada no Google.

Ou seja, não devemos apenas divulgar amplamente mais este crime (vaia) dos ruralistas, mas exigir junto aos senhores deputados (especialmente aqueles do Partido dos Trabalhadores e da suposta “base aliada”), a investigação rigorosa do episódio, e a cassação dos mandatos dos autores da manifestação.

Quando representantes de um dos poderes da República aplaudem um crime (e o fazem oficialmente, pois no plenário da Câmara Federal), ultrapassamos todos os limites. E, acreditem, ainda não é o que se costuma dizer “o fundo do poço”. Até porque esse poço não tem fundo, exceto se tivermos força para colocar um.

Peço a tod@ companheir@ que tenha acesso a deputados, que pressionem seus representantes nesse sentido, bem como aqueles que tenham contatos junto ao Executivo (sobretudo a ministros) que façam o mesmo.

Da minha parte, procurarei faze-lo.

A ausência de medidas punitivas é cimplicidade.

É ser cúmplice da legitimação e legalização da iniqüidade, é trasformar (escancaradamente e sem volta) que o Brasil não tem um Câmara Federal, mas um clube de celerados.

Putabraço para tod@s,

Alipio Freire

Instituto Humanitas UNISINOS

http://t.co/jCohXdP via @addthis

25/5/2011

Ruralistas vaiam anúncio de morte

Era perto das 16h quando uma cena grotesca aconteceu no plenário da Câmara dos Deputados. O líder do Partido Verde, José Sarney Filho, lia uma reportagem sobre o extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva, brutalmente assassinado pela manhã no Pará, junto com sua mulher Maria do Espírito Santo da Silva, também uma liderança amazônica. Ao dizer que o casal que procurava defender os recursos naturais havia morrido em uma emboscada, ouviu-se uma vaia. Vinha das galerias e também de alguns deputados ruralistas.

A indignidade foi contada no Twitter e muito replicada. "Foi um absurdo o que aconteceu", diz Tasso Rezende de Azevedo, ex-diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro. "Ficamos estarrecidos".

A reportagem é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 25-05-2011.

O assassinato de Zé Claudio, como era conhecido, e de Maria do Espírito Santo aconteceu às 7h da manhã, a 50 km de Nova Ipixuna, sudeste do Estado, na comunidade de Maçaranduba. "Eles vinham no carro deles, indo para a cidade. Tinha uma ponte meio danificada no igarapé. Ele desceu para ver e ali foi a emboscada", conta Atanagildo Matos, diretor da regional Belém do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, o ex-Conselho Nacional dos Seringueiros. Zé Claudio foi morto fora do carro, Maria foi baleada dentro do veículo. Uma orelha foi arrancada pelos pistoleiros, conta Atanagildo, o primeiro a ser avisado por Clara Santos, sobrinha de Zé Claudio.

O casal vinha sofrendo ameaças desde 2008. "É um área muito tensa, que vinha sofrendo muita pressão de madeireiros e carvoeiros", conta Atanagildo. "Era a última área da região com potencial florestal muito bom. Zé Claudio e Maria resistiam muito ao desmatamento." Os dois viviam em Nova Ipixuna há 24 anos, em um terreno de 20 hectares no Projeto de Assentamento Agroextrativista (Paex) Praialta- Piranheira, às margens do lago de Tucuruí. Extraíam óleo de andiroba e castanha. Em palestra em novembro, no evento TEDx Amazônia, Zé Claudio denunciava o desmate. "É um desastre para quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os 7 anos da idade, vivo da floresta e protejo ela de todo jeito. Por isso, vivo com a bala na cabeça, a qualquer hora".

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência estava no Fórum Interconselhos quando um dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) deu a notícia. Foi ao Palácio, relatou à presidente Dilma Rousseff e ela determinou ao ministro da Justiça José Eduardo Cardozo que a Polícia Federal apure o assassinato dos sindicalistas.
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quinta-feira, 26 de maio de 2011

O governo entrega o ouro: #CódigoFlorestal e Kit Anti-Homofobia

Um argumento comumente usado por Aldo Rebelo, "Comunistas-Ruralistas" e até mesmo por muitos petistas é a de que ONGs estrangeiras, como o Greenpeace estariam à serviço do imperialismo mundial na luta contra o Código Florestal.

É a típica tática do medo, e totalmente falsa.

O Imperialismo das ONG's ambientais

O fato de ongs estrangeiras reconhecidas prestarem seu apoio aos ambientalistas brasileiros e lutarem contra o código florestal não reflete nada além da característica mais comum da globalização, a da internacionalização da luta pelas causas ambientais (não só ambientais, claro).

O mais engraçado de quem critica a presença dessas organizações estrangeiras é que não só esquecem que muitas organizações brasileiras estão lutando pela mesma causa - dentre elas o MST - como muitos dos que criticam esta "intervenção" recebem financiamento de campanha de ongs igualmente estrangeiras!

Aldo Rebelo e o PCdoB tiveram campanha financiada peloMcdonalds, pela Coca-Cola, pelo Bradesco! Mas o Greenpeace é imperialista, a Coca-Cola é amiga, o Bradesco é o amigão dos pobres!

E sempre que questionados porque não ouvem o MST , a Via Campesina, a CPT, que se opõem ao Código Florestal, desconversam. Só sabem repetir a ladainha sobre ongs estrangeiras. Ou MENTIR sobre o projeto, agora aprovado.

Outro ponto interessante é o de apontar, por exemplo, que a Holanda, sede do Greenpeace, não tem código florestal, reserva legal e, em geral, mal possui florestas... Oras, em primeiro lugar "esquecem" da história do país, da exploração das matas por séculos, quiçá milênios, da degradação causada pela revolução industrial, pelas navegações, guerras...

E "esquecem" da própria realidade histórica do país, que criou terra para poder comportar sua população. A Holanda desafiou o mar para existir. É uma realidade totalmente alheia à nossa. Os caras criaram terra, caramba!

O Brasil possui matas que não acabam mais, uma biodiversidade única, e até o momento protegemos (ou protegíamos) essas matas, por ter a consciência de que se a Holanda, os EUA ou qualquer outro país destruiu sua biodiversidade não deveríamos seguir pelo mesmo caminho. Somos exemplo, exceção, e Aldo Rebelo e os ruralistas queríamos que fôssemos a regra.

Alguns defensores do Aldo Rebelo e cia chegam ao ponto de afirmar que já que a Europa destruiu suas matas, porque não podemos?

Não se trata, porém, de "poder", mas de"porque". E, ainda, de entender as consequências disto. Além de, façam-me o favor, compreender a realidade histórica e o desenvolvimento da Europa!

Agricultura versus meio ambiente
 
Muitos acreditam que a defesa do meio ambiente não combina com agricultura. É falso. O principal interessado no Código Florestal é o latifúndio. são os deputados ruralistas que legislam em causa própria e louvam o assassinato de ativistas. Projetos para a pequena agricultura, para a agricultura familiar não precisam de tamanho projeto. Podem ser discutidos pontualmente.

Não precisamos matar nossas florestas e agradarlatifundiários para salvar a agricultura familiar.

Nem ajudar a criminosos que aplaudem o assassinato covarde de defensores da natureza.

O código foi apoiado e aprovado com ampla maioria. Boa parte do PT, todo o PCdoB... Lado a lado com ruralistas, criminosos, com o DEM, PSDB... E depois dizem que o PSOL é que faz o "jogo da direita". Não me lembro do Ivan Valente ou do Chicho Alencar sendo aplaudidos pelo Caiado, sendo louvados pelo ACM Neto e cia. Este é o Aldo Rebelo.

Pior, no Twitter, foi a defesa feita por alguns não do código, mas de seu relator e criador, Aldo Rebelo.

Segundo estas figuras, o coitadinho não teve culpa de nada. Seu código era ótimo (o que MST, CPT e outras organizações e movimentos discordam, mas eles não importam mais para o governo, só como massa de manobra) e a culpa de tudo é do PMDB.

A culpa é do PMDB!
Sim, é a desculpa perfeita. Culpem o PMDB, o aliado incômodo, mas que foi comprado a peso de ouro. Para que? Compraram e não levaram? Sustentam o Sarney no Senado pra não levar? Tem o vice do PMDB pra não levar?

Alguém me explica essa política de alianças em que você constrói uma base ampla coalhada das figuras mais asquerosas da política brasileira e mesmo assim é preciso se vender mais e mais a cada votação porque esta base não garante nada!?

Que o diga a cagada (desculpem o termo, mas é perfeito) seguida do governo á aprovação do Código Florestal, com o vergonhoso apoio de TODO o PCdoB e de parte do PT (e infelizmente de meu deputado, Paulo Teixeira), de vetar, desistir do Kit anti-homofobia por pura e simples pressão dos medievalistas da bancada evangélica.

À direita, volver!

O Kit Anti-homofobia, o governo Dilma vende os gays
 
Estes criminosos que desrespeitam a constituição ao pregar a homofobia e promover os crimes de ódio em pleno congresso nacional venderam caro seu apoio e, segundo alguns, a sobrevivência de Palocci das acusações que pairam sobre si, e conseguiram um recuo vergonhoso por parte de Dilma, que aceitou a imposição da agenda medieval ao país.

O Kit, apelidado pelos marginais da fé de "Kit Gay", foi aprovado, tanto em forma quanto conteúdo pela UNESCO, pelo MEC e por especialistas dos mais diversos. Mas é reprovado por fanáticos com bíblia na mão, em franco desacordo com a constituição brasileira, que define o Braisl como LAICO.

A coisa é tão absurda que mesmo o sempre ponderado Jean Wyllys pediu para que os gays não votem mais em Dilma em outra oportunidade. Posição a qual me incluo, apesar de não ser seu público alvo.

Frente a tantos retrocessos e a um governo que caminha a passos largos para a direita, não há condições em continuar dando apoio, especialmente cego, sem pensar mil vezes antes.

Já há muito venho comentando sobre a venda das bandeiras por parte do governo na busca por construir alianças amplas – que se provam ineficazes. O que vimos, porém, nestes últimos dias, beira o absurdo e ultrapassa a barreira do aceitável.

Absurdos e bizarrices de um governo que se entrega

Ceder às chantagens de crentes fanáticos que querem ter a liberdade para incitar a violência e o assassinato contra minorias não é algo que se aceita, mas que se repudia com veemência e se atua contra. Vender nossa biodiversidade caindo em tolices como a de influência estrangeira de ONG’s e baseado em mentiras ditas por ruralistas interessados apenas em faturar e garantir a perpetuação do trabalho escravo no campo é grotesco.

O governo Dilma começou cometendo erros e desrespeitando amilitância. Modificou a política externa e se deslocou para o eixo dos EUA, colocou na cultura uma mulher que usa capangas para atacar adversários e que destruiu absolutamente TUDO que havia sido construído. Fez um corte imenso no orçamento sem, porém, tocar na dívida pública ou auditá-la – continua pagando com gosto mais de 40% do PIB – e, agora, depois de outros erros mais ou menos significantes, entrega os gays à fogueira da inquisição evangélica e as nossas matas ao poder destruidor dos ruralista.
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Saúdo o PSOL pela sua posição firme e também os deputados/as Erundina, Dr Rosinha, Paulo Rubem, Brizola Neto, que acompanho de perto, e todos os demais (veja a lista de como votaram) que tiveram a decência de se opor à destruição de nossa biodiversidade.

Recomendo fortemente a leitura do texto Somos todos reféns da política partidária?
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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Apontamentos sobre o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas (#blogprog)

Um encontro surpreendente. Seja pela média de idade, pelos resultados alcançados ou pelo nível dos debates tanto no encontro como nas mesas de bar.

Foram 323 blogueiros, de 19 estados diferentes reunidos pra construir uma unidade.

A média de idade surpreendeu, sem dúvida acima dos 30/40 anos. Ao mesmo tempo uma boa surpresa, como também uma resposta aos críticos de plantão da grande mídia que acusam a blogosfera de se resumir a um grupo de adolescentes revoltados. Somos muitos e das mais diversas idades e backgrounds sociais.

Os resultados são óbvios. Conseguimos uma unidade impressionante. Passamos por cima de partidarismos e sectarismos e conseguimos firmar um pacto bastante sólido e consistente. Ainda aguardamos a publicação final da Carta, que passa pelos últimos ajustes depois de termos debatido incansavelmente seus principais pontos, mas fica claro desde já que iremos combater com unidade e força o #AI5Digital, o Monitoramento, o vigilantismo e as tentativas de censura e iremos lutar pelo fortalecimento da blogosfera e da mídia alternativa, além de buscar meios de financiamento - majoritariamente através de editais públicos - e, por fim, uma horizontalidade da própria blogosfera, buscando intercambiar, dividir, pageviews entre nós.

Claro que, num encontro deste tipo, não poderiam faltar mesas de bar, almoços e etc. Foi um imenso prazer conhecer pessoalmente alguns blogueiros e tuiteiros de renome, amigos virtuais e rever outros já conhecidos.

Melhor ainda foi poder dar meu apoio ao vivo ao Deputado Paulo Teixeira, almoçar com meu co-orientador que nunca tem tempo para nada, Sérgio Amadeu e almoçar e beber com amigos como @tuliovianna, @heliopaz, @CarlosLatuff @rogertiotomazjr, @ricardonegrao, @gnueverton, @glaucofr, @stelles_13, @blogdomiro, @maria_fro, @carineroos, @emerluis, @crisprodrigues, @hugoalbuquerque, @diegocasaes, @dolphindiluna, @renato_rovai, @entreversoes, @prenass, @marisps e dezenas de outros com e sem arroba.

Os debates em si foram riquíssimos. Quase tão ricos quanto a troca de experiências durante os intervalos e durante as mesas de discussão do último dia, logo antes da plenária final. Um debate em particular me chamou a atenção, o de abertura, com Débora Silva, das Mães de Maio.

Débora perdeu seu filho, assim como dezenas de outras mães, durante os ataques do PCC em São Paulo. Seu filho foi vítima inocente da Polícia Militar do estado de São Paulo e a rede de solidariedade cresceu e se tornou a grande organização que é as Mães de Maio de hoje. Em sua fala e em seus comentários, Débora comentou da importância de se sair às ruas, de não apenas blogar, mas usar os blogs como ferramenta de reflexão e convocação para ações de rua, presenciais, de pressão.

É preciso se solidarizar com os movimentos sociais e sair às ruas em apóio e não apenas ficar no conforto da sala pagando de revolucionário. Outro ponto, que retomei na mesa que participei no último dia, foi a grande necessidade de se dar visibilidade aos blogs e movimentos de periferia. Nós, com leitores de várias classes e situações, podemos dar a visibilidade que os blogs de periferia e movimentos sociais precisam e não conseguem. Caso específico, e citei, foi o de um post da Rede Extremo Sul, que citei e graças à nossa rede, chegou aos ouvidos do Secretário de Educação da cidade. De outra forma dificilmente haveria uma resposta por parte do poder à reclamação de uma comunidade carente de periferia.

Precisamos fortalecer os laços entre os blogueiros e entre a periferia, entre os excluídos. Algo que também foi discutido e é digno de nota é a idéia do blogueiro repórter - o que, em alguns casos, necessitaria de financiamento -, o blogueiro que, com uma câmera na mão, ou um celular, vai às ruas e denuncia aquilo que vê, as condições precárias das cidades, algo que a @maria_fro faz muito bem e que eu faço de vez em quando.

Precisamos ser mais do que mores analistas, opinadores, mas também produtores de conteúdo. Esta é a forma mais eficaz de combater a grande mídia, unidimensional. É nosso dever, enquanto blogueiros progressistas, difundir não só opinião, mas material próprio alternativo àquilo que mostra a grande mídia. Se hoje já pautamos a mídia em muitos momentos, o que pensar quando efetivamente nos centrarmos em produzir conteúdo e disseminar em rede?

Esta disseminação em rede, aliás, faz parte de outro ponto discutido por nós, a da necessidade de uma maior horizontalidade da blogosfera e de uma troca mais consistente de pageviews, de links, visitas e etc. Segundo o @heliopaz, precisamos dos grandes blogs, pois uma linkada do PHA ou no Azenha imediatamente cria uma avalanche de acessos e comentários, mas acredito que podemos ir além, precisamos citar fontes e não apenas o grande blog, precisamos ampliar a troca de links e informações também entre os pequenos. Ao mesmo tempo em que vamos até os grandes, devemos ir aos pequenos, de nicho, atrás de informação e devemos nos citar, buscando criar cada vez mais o costume de disseminar conteúdo livre de toda a blogosfera, e não apenas de meia dúzia.

Outros pontos relevantes foram discutidos, e o que não faltam são blogs discutindo, publicando e prontos para publicar suas reações ao evento que também foi bom para desmistificar a idéia de que a esquerda não pode/consegue se unir por um objetivo comum. Conseguimos, e fizemos um grande evento em que atacamos os principais problemas enfrentados pela blogosfera e por todo e qualquer usuário da internet em geral.

Na carta final contemplamos as questões chave, demos nosso apoio integral ao PNBL (Plano Nacional de Banda Larga), defendemos a neutralidade da rede, falamos contra o vigilantismo, deixamos claro nosso repúdio ao Senador Azeredo e a qualquer tipo de censura e iremos processar o candidato José Serra para força-lo a dizer quem são os tais blogueiros sujos citados por ele.

Aliás, o Miro fotografado, segurando uma caixa de sabão em pó, ficará para a história.

No encontro finalmente descobrimos quem é o famoso autor do Cloaca News, que de quebra ganhou o primeiro Prêmio Barão de Itararé por aclamação e, de tão emocionado, teve uma crise asmática e foi salvo pela minha providencial bombinha de asma!=) Melhor de tudo foi saber que tão ilustre figura é leitora do meu blog!

Muito interessante notar nas conversas dos corredores eram as exclamações de surpresa quando encontrávamos blogueiros cujos blogs adoramos - e vice-versa.

E, ainda tentando lembrar de tudo que foi discutido, vale citar a idéia - já antiga, mas retomada - de uma rede de advogados, aos moldes do que foi proposto pela Rede de Solidariedade à Blogosfera e a de um site - que deve ser o do Barão de Itararé - para integrar todos os blogs progessistas integrados.

Logo começaremos a discutir os próximos encontros, os regionais. Em Maio/Junho de 2011 iremos realizar o segundo encontro nacional, ainda maior, para efetivamente ocupar os espaços que merecemos e para combater a grande mídia.

Por fim, deixo o endereço do agregador de notícias do evento: http://www.blogueirosprogressistas.org
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Recomendo o post do Hugo Albuquerquer sobre o Encontro, como sempre, de uma lucidez impressionante.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Saudosa Ditadura

O vídeo abaixo é antigo, do fim de 2009, mas continua dolorosamente atual. Nele, Jair Bolsonaro, escória do PP do Rio de Janeiro - ao se dizer "PP" já se compreende o cenário desesperador -, discursa saudando o regime militar e descasca qualquer um que se oponha aos torturadores e à Ditadura.

Intolerável que em um país como o Brasil, um canalha como o Bolsonaro possa andar livremente nas ruas defendendo a ditadura militar e atacando quem lutou contra ela.

Bolsonaro diz que não havia censura no regime militar, defende a repressão, usa a mídia vendida pra justificar seus pontos de visa distorcidos, usa a ficha falsa da Dilma... Um espetáculo grotesco.

Simplesmente lamentável, vergonhoso e criminoso.E ainda elegem uma figura desta. Pior, e a justiça ainda mantém a Lei da Anistia e beneficia os comparsas deste criminoso.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Carta aberta ao Senador Mercadante

Prezado senador Mercadante,

Escrevo estas linhas para parabenizá-lo e agradecê-lo por ter, em caráter irrevogável - e pela segunda vez seguida - voltado atrás em uma de suas decisões, enfim, em ter mentido para seus eleitores e demais brasileiros de bem.

Tudo bem, compreendo - ou tento compreender - a primeira traição, afinal, ao abdicar - em caráter irrevogável - da liderança do partido, "Vossa Eçelência" talvez perdesse a chance de passar a mão em excelentes oportunidades de neg..., quer dizer, em excelentes emendas parlamentares e talvez ficasse um pouco afastado, alienado até, da "boquinha" parlamentar. Eu jamais poderia exigir tal coisa! Sei que "ética" não é algo bem visto entre seus colegas de parlamento.

É compreensível, talvez até aceitável, afinal todos sabemos como funcionam as coisas aí no Senado. Ser honesto, para seus pares, é mal visto e não poderíamos pedir para "Vossa Eçelência" que fosse intencionalmente mal visto. Dizem que mal olhado é realmente ruim! Aliás, veja o que aconteceu com Celso Daniel por tentar ser honesto ou, ao menos, denunciar algumas falcatruas inocentes, não funciona, não é mesmo?

Pois bem, tentamos aceitar a primeira traição, mas esta? A censura à internet é inaceitável. "Vossa Eçelência" nos impediu de saber quem são os Senadores que votam pela nossa censura, senador Mercadante!

"Vossa Eçelência" nos impediu de conhecer, através do voto nominal, quem tem a cara de pau de censurar a voz do povo, a internet. Os saudosistas da ditadura, os que se perpetuam indefinidamente no poder, os que ganham pelo voto de cabresto e pela ignorância do povo, submetidos eternamente à esta situação por suas "representações"!

Desculpe, Senador, mas esta traição não pode ser perdoada. Acreditamos em "Vossa Eçelência" quando dizia que iria levar nossa voz, a de centenas, milhares de ciberativistas, até o Senado e iria barrar o projeto do AI5 Digital do Senador Azeredo.

Não esperávamos mais esta traição, o ato de compactuar com a falácia do direito de resposta no ambiente virtual! Senador, me explique, como acreditas ser possível o direito de resposta no twitter? Serei eu obrigado a escrever algo que um Senado ou Deputado queira por eu tê-lo supostamente ofendido? E onde fica minha liberdade de expressão, meu direito de não escrever o que não acredito?

Senador, realmente acreditas que os dinossauros do Senado sabem o que é o Facebook, o Twitter, quiçá o Orkut? Estas figuras nefastas ainda pedem às suas secretárias para imprimir os e-mails que lhes chegam diariamente! E "Vossa Eçelência" foi tão facilmente enganado!

Pense apenas por um minuto, como o TSE irá julgar os milhões de pedidos de resposta que sem dúvida surgirão? Como verificar o twitter, os milhões de blogs? Quem vai realizar todo este trabalho?

Não me diga que já está programada a contratação por debaixo dos panos de milhares de trabalhadores - filhos, sobrinhos, netos, namorados das primas de oitavo grau dos senadores - para especificamente censurarem a internet? Teremos milhares de funcionários temporários recebendo megasalários verificando 24 horas o conteúdo de todo e cada blog, perfil de mídia social e twitter dos brasileiros atrás de possíveis direitos de resposta?

Mas não só isso, Senador, você aprovou o fim do anonimato! Veja bem, "Tsavkko" é apenas um apelido, por mais que eu assine também com meu nome verdadeiro serei privado do meu direito a usar um nome qualquer? De assinar só com uma alcunha? E quem simplesmente posta anonimamente para não sofrer pressões familiares ou no ambiente de trabalho? Será proibido de se expressar, deixou de ser sujeito, cidadão?

Compreenda, Senador, eu não apóio o anonimato para livrar a cara de criminosos ou de "trolls", mas tampouco posso compactuar com a proibição completa desta opção que tem sua validade, seu sentido. Aliás, existe uma coisa muito simples chamada IP, é fácil descobrir quem está por trás de qualquer postagem sem que esta precise assinar como tal. Mas seria pedir demais aos Dinos do Senado para sequer tentar compreender como a internet funciona.

O engraçado nessa história é que o Senado não hesitou em aprovar o anonimato para doações de campanha! Um Senador pode receber dinheiro sujo, dinheiro de origem duvidosa e não terá de prestar contas em momento algum! Mas quanto ao nosso direito de nos expressar sem nos identificar... Censura! O que é mais perigoso, um blog anônimo falando da chuva que cai lá fora ou um Senador recebendo milhões de dinheiro de corrupção? O Senado deu seu veredito!

Fernando Rodrigues nos chama à atenção para um fato interessante:
"Não deram a devida atenção a um outro contrabando no texto feito por Azeredo. Ele e Marco Maciel (DEM-PE) só concordaram em desidratar o 57-D porque tinha incluídoo todas as restrições para vídeo e áudio em debates na web (que estavam no artigo 57-D) em outro trecho da lei. Dessa forma, a principal, repito, principal restrição normativa à web foi totalmente mantida para o período eleitoral do ano que vem. Não há como conceber a cobertura da eleição pela internet sem usar imagem e áudio de debates. No Brasil, essa será a regra --a menos que o portal, site, blog etc. se disponha a dar espaço igual a todos. Uma anomalia.
Mercadante depois disse que tinha entendido que havia um acordo para que, com a definição de internet livre no artigo 57-D, ficaria “prejudicada” a equiparação da web ao rádio e à TV para debates. Azeredo desdenhou. Deu de ombros. E nada.
Fica a lição. Em votações importantes no Congresso não se pode entender nada. É preciso fazer acordos muito claros."

Resumindo, a censura permanece.

Senador, como "Vossa Eçelência" foi tão facilmente enganado? E digo "enganado" apenas para ser simpático, porque não há desculpas para a aprovação deste projeto nefasto e ridículo. Para os Senadores e políticos em geral, doações anônimas, que não deixam rastros, corrupção ativa e legalizada, para os ciberativistas e usuários de internet no geral, a censura, a proibição.

Os tempos negros da ditadura, pelo visto, não chegaram ao fim, o Senado encarna o que há de pior, perpetua a censura.

Mas admito, depositamos muita fé em um político e nos esquecemos que, por definição, político não é de confiança. Também erramos. Imagina então quando depositamos alguma confiança em um político que já tinha tão descaradamente mudado de opinião em troca de deus sabe o que.

Obrigado senador, não nos esqueceremos de sua ajuda nas próximas eleições.

E isto sim é em caráter irrevogável.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

PSOL: "O MES é a direita do PSOL"


O título é parte da musiquinha cantada em coro por todas as demais tendências presentes ao Congresso do PSOL no fim-de-semana passado. E é a mais pura verdade, ao menos pela tremenda demonstração de sectarismo continuada. E, pelo que se vê, a posição do MES permanece a mesma, a de rachar o partido e de se recusar a se submeter à vontade da maioria, provando que o PSOL é uma federação de partidos, mas não um partido.

Comento abaixo a carta de Roberto Robaina, uma das mais destacadas lideranças do MES, publicada no site da Deputada Luciana Genro e que é uma demonstração precisa do sectarismo e personalismos destacados pela chapa vencedora ao longo do congresso e que pode acabar por rachar irremediavelmente o partido nos próximo meses.

Balanço do Congresso do PSOL para os militantes

Reproduzo o texto assinado por Roberto Robaina de balanço do nosso congresso, com  o qual estou de pleno acordo. 
Primeiro Rascunho de balanço do congresso do PSOL
O balanço positivo da nossa intervenção no II Congresso do PSOL se materializa na enorme vitória que obtivemos: Heloísa Helena foi reconduzida à presidência do partido, graças à batalha política que travamos em unidade com o MTL, unidade esta que se consolidou na chapa apresentada para direção do partido, encabeçada por Heloísa Helena.  
A verdade é outra. Heloísa Helena foi reconduzida à presidência do PSOL por uma atitude nobre por parte da chapa vencedora, formada por APS/CSOL/Enlace e outros grupos. Não houve qualquer "vitória" por parte do MES/MTL. A tentativa de "ganhar", ou melhor, de capitalizar em cima de uma derrota é lamentável.
 O bloco que construímos neste processo é extremamente representativo: Heloísa Helena, Luciana Genro, os  presidentes do PSOL de Goiás, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Milton Temer,  presidente da Fundação Lauro Campos ,o deputado estadual de SP Carlos Gianazzi, o deputado suplente do RS Geraldinho, os vereadores Elias Vaz, de Goiânia, Fernanda Melchionna e Pedro Ruas de Porto Alegre, Ricardo Barbosa de Maceió e valorosos militantes de vários estados.
 Bom bloco. O outro lado, porém, contava com Raul Marcelo, Plínio de Arruda Sampaio, Ivan Valente, grande parte da militância paulista e, sem dúvid,a é o bloco que representa a maioria do partido, tendo, enfim, vencido o Congresso.
 Este bloco se constituiu com  uma unidade firme e resoluta,  conta com   40 %  do partido e é encabeçado pela própria  presidente do PSOL. Esta unidade não termina com o Congresso do partido. 
 Vejamos, se tomarmos como referência o número de delegados e os respectivos votos no Congresso, o MES/MTL conta com pouco mais de 41% do partido. Mas a Chapa 1, por outro lado, conta com mais de 48%. O que o companheiro Robaina não percebe é que, por mais que seja amplo o apóio à sua linha, o apóio à linha oposta é ainda maior. Tentar usar estes 41% de apóio para manobrar a votação e as dsicussões está longe de ser uma atitude socialista, revolucionária e radical, como cantavam.
Vamos seguir juntos  no pós congresso travando na base a batalha política para que o PSOL que siga no caminho iniciado na sua  fundação. Um partido de esquerda que dialogue com  o povo, não apenas um partido de propaganda socialista, mas sim de combate, que lute para ter incidência real na conjuntura do país e não fique apenas fazendo discurso para a vanguarda. Um partido que aproveite as oportunidades, as fissuras na classe dominante para se credenciar junto ao povo, incentivar a mobilização e ajudar os movimentos sociais a se fortalecer para enfrentar os governos e a burguesia. A exemplo do que estamos fazendo no Rio Grande do Sul, onde o PSOL está no centro da luta política denunciando a corrupção do governo Yeda e desta forma ajudando os sindicatos a barrar os ataques aos  direitos dos trabalhadores e o desmonte do Estado. 
É o que TODOS esperamos. Na verdade, o único problema desta parte do artigo é a de que a tendência de Robaina e Genro buscaram, no Congresso, limitar o discurso do PSOL à corrupção. Nestes termos o Maurício Caleiro, do excelente Cinema e Outras Artes, estaria correto em afirmar que o PSOL é o Partido de Sustentação da Oligarquia. Seria defender apenas o discurso moralista, se igualar aos Demotucanos que batem continuamente nesta tecla, até mesmo porque tal grupo não tem qualquer outra opção - ainda que seja tão podre quanto os que acusam.
O PSOL deve ser um partido unido na luta contra a corrupção, claro, mas não só. Deve ser unido na defesa intransigente e radical de um programa socialista, de um programa que englobe e atraia os movimentos sociais, a base. O que se viu no Congresso foi o enorme potencial, mas para por aí. O que vimos, também, foi um enorme potencial gasto em picuinhas e brigas por cargos e direção.
Heloísa Helena endeusada como líder e guia supremo, assim como foi e ainda é com Lula no PT. Se é para repetir estes mesmos erros, qual o sentido em se fundar um partido crítico e à Esquerda? Para repetir os mesmos erros nem bem o partido foi fundado?
Nosso bloco conseguiu derrotar a articulação dos defensores da tese Novos tempos para o PSOL (APS e Enlace) para tirar Heloísa Helena da presidência do partido. 
 Desculpa mas... ONDE?
Vai resultado do congresso de novo:

Chapa 1: APS/CSOL/ENLACE/REVOLUTAS/TLS/Rosa do Povo/Independentes 182 votos
Chapa 2: CST/CSR/Bloco de Resistência Socialista/Trotskystas 36 votos (Corrigido: 38 votos)
Chapa 3: MES/MTL/Independentes do Rio 156 votos (Corrigido: 152 votos)

Aprox. 374 votantes (Corrigido: 372 votos)
Para os militantes, discursos inflamados em defesa da candidatura de Heloísa à presidência da república, nos bastidores a intenção de removê-la da presidência do partido. Aqueles que mais insistiam em votar uma resolução indicando Heloísa como candidata à presidente da república negaram-se a indicar, de modo unitário em uma votação em separado, Heloísa como presidente do partido.   
Bem, não foi o que vimos no fim. A chapa vencedora abriu mão de sua indicação. A unidade do partido veio antes do sectarismo e do personalismo.

Durante o Congresso chegaram ao cúmulo da agressão contra Heloísa, promovendo uma “ocupação” do palco da mesa do  congresso para constranger Heloísa com  uma votação a favor do aborto. Queriam obrigar Heloísa a defender o que ela não acredita, da mesma forma que o PT tentou nos obrigar a votar a favor da reforma da previdência. Embora o mérito seja  totalmente diferente, pois a discriminalização do aborto é uma bandeira  justa, o método da coação é inaceitável em qualquer caso.  
Apenas eu vejo a contradição? A discriminalização do aborto é justo MAS, me expliquem, porque o MES se recusou a discutir o assunto então? E, sim, a Heloísa Helena não pode declarar publicamente ser contra o aborto se o partido decide o contrário. Não estamos falando de uma divergência em uma ou outra votação menor e sim de uma bandeira histórica do Pt, passada ao PSOL e bandeira do movimento feminista em todo e qualquer lugar do mundo. É uma bandeira das Esquerdas e dos Socialistas. Se Heloísa Helena quer ser a presidente do PSOL como pode, então, discordar publicamente de algo tão básico?
Vale lembrar que o PT, desde os anos 90, defende o aborto, a legalização deste. Lula é contra mas publicamente defende a diretriz do partido. O caso da reforma da previdência não tem qualquer relação com o assunto atual. Uma coisa é o PT abandonar suas bandeiras e a direção obrigar os parlamentares a votar contrários à sua consciência.Outra, bem diferente, é a discussão na base de uma bandeira Socialista e feminista e a recusa de uma das alas em sequer tocar no assunto. Ou, ainda pior, a Presidente do aprtido divergir publicamente da base.
Estamos falando de base e não de direção ou imposição.
A “nova maioria” que dizia se conformar em defesa da pluralidade e da democracia interna mostrou-se autoritária e desrespeitosa. Depois deste episódio, que nos obrigou a retirar-nos temporariamente do Congresso,  eles  recuaram da tentativa de remover Heloísa da presidência do partido. Já não tinham como sustentar os ataques e nem como explicar à base do partido por que nossa principal porta voz, aquela que todos queremos ver disputando a presidência da república, não mais seria presidente do partido.  
A "nova maioria" se mostrou desrespeitosa e autoritária por querer defender uma bandeira histórica? Mostrou-se autoritária por pedir às bases que decidissem uma diretriz? Apenas por desagradar à Heloísa Helena deve-se desistir das bandeiras e deixar passar?

Heloísa Helena encabeçou a chapa do MES – MTL  e independentes (grupo de Milton Temer  e grupo do deputado Gianazzi de SP), e embora nossa chapa tenha tido 30 votos a menos que a chapa da APS, Enlace, CSOL e deputado Raul Marcelo, indicamos a presidência do partido. 
A chapa 1, repito pela milésima vez, manter a unidade do partido. Sem sectarismo ou personalismo.

O fato da chapa 1 não ter indicado o presidente do partido foi  um claro  recuo  diante da evidência de que nenhum outro dirigente teria a legitimidade que tem  Heloísa para ser presidente do PSOL. Felizmente os companheiros se deram conta disso a tempo.   
Erro básico de análise de conjuntura. Talvez cegueira. Não quero pensar em má fé e oportunismo. Realmente prefiro pensar que é só inocência ou falta de tato. Mas é difícil aceitar de boa vontade que realmente o Robaina tenha dito tal barbaridade. A Chapa 1, a vencedora, agindo de boa fé e pela unidade, abriu mão de indicar alguém - Plínio, Ivan, tantos outros! - e recebe em troca uma apunhalada: "Não tem quadros", não tem legitimidade"!

Pois, vejam, a legitimidade da chapa vencedora se deu pelo simples fato de ter saído vencedora, de ter a base ao seu lado! Mas, realmente, eu mesmo vejo Heloísa Helena como presidente natural, é figura pública, notória, reconhecida e está em seu ambiente como figura pública da legenda - ainda que deva se adequar à base do partido em certas posições - mas de forma alguma sua indicação se deveu À qualquer falta de legitimidade do outro lado. É um argumento falso e absurdo.
 Esta foi uma grande vitória política. O PSOL segue comandado por aquela que é a nossa maior guerreira, o símbolo da luta sem quartel contra o PT e o PSDB, aquela que não vacilou na luta contra a reforma da previdência, que confrontou Lula desde o primeiro momento contra Sarney e Henrique Meirelles, que conduziu o nosso partido nestes 5 anos de forma vitoriosa, fazendo do PSOL uma referência para amplos setores de massas que graças a nossa denúncia permanente “dos segredos profissionais” dos políticos corruptos sabem que o PSOL não faz parte deste balcão de negócios.   
Figura de maior visibilidade, líder com carisma e boa líder até, mas "A maior"? "Aquela que não vacilou"?

Concordo que seja referência, é a mais pura verdade, mas nem de longe é a maior ou única líder e figura relevante. Ela talvez personifique muitas das qualidades que os militantes desejam na liderança mas TODOS os uqe foram expulsos do PT e que se integraram ao PSOL para continuara luta, o uque entraram depois mas estão comprometidos com a luta Socialista são igualmente guerreiros. Igualmente não vacilaram, fundaram o PSOL, correram atrás da base, lutam e continuarão lutando.

Este personalismo lembra o PT. Lula´e o líder incontestável, personifica a luta, é o maior guerreiro. São os mesmos argumentos que o PT usa quando trata de seu líder inconteste. É isto que quer o PSOL? Ser um PT parte 2?

Heloísa Helena é uma grande figura, uma grande líder mas não é insubstituível, não é a única nem a maior. Não existe o maior, existem OS maiores, AS maiores, TODOS e TODAS as militantes que doam seu tempo, suas vidas ao partido.

Todos sabemos que o II Congresso do PSOL  foi precedido de uma dura luta política.  Todos os que participaram de alguma plenária escutaram os companheiros da APS e de outras correntes acusarem o MES de não dar bola para a crise econômica e só centrar na questão da corrupção. 
Não sei quanto às plenárias mas durante todo o congresso o MES realmente não falou só em corrupção. Também elevou Heloísa Helena à categoria de deusa. Realmente, está errado.

Mas, falando sério, o falso moralismo e a corrupção dominaram o discurso do MES. É um fato.

Na folha de SP de hoje Ivan Valente repete este discurso, acrescentando que  a sua chapa “vitoriosa” no congresso vai além “porque para ser contra a corrupção não é necessário ser de esquerda”. 
Alguém compreende o porque das aspas? Preciso colocar aqui de novo o resultado do Congresso? 182x156 votos para a chapa do Ivan Valente?

E, realmente, tem que ser de esquerda para ser contra a corrupção? não falo dos DemoTucanos que são de direita e tão corruptos quanto os que acusam, mas esta falsa-moralidade de "só a esquerda é anti-corrupção" é, no mínimo, ridículo. 
Após meses de  uma falsa polarização entre os que supostamente não dão  bola para a crise e os que a denunciam, a declaração de Ivan pós congresso permite-nos identificar  uma divergência importante sobre o tema da corrupção. Para nós  a bandeira da luta contra a corrupção é da esquerda, está nas mãos da esquerda, e só a esquerda pode ser conseqüente nesta luta. 
Se estivermos falando da luta meramente parlamentar, eleitoral, realmente. No congresso só o PSOL tem legitimidade para falar do assunto. Mas a vida não se imita ao parlamento.


É  PSOL e não o DEM que pode , e já está se credenciando junto ao povo por denunciar a corrupção. 
No parlamento, é verdade.Mas, cá entre nós, afirmar que no mundo só os de esquerda são honestos não é mais sectarismo, é fanatismo religioso.

Outros  podem fazer discursos mas que não se sustentam pela sua história passada e a sua prática presente. Parte da nossa tarefa política é demonstrar ao povo esta incoerência, o que só pode ser feito se formos os primeiros e os mais combativos na denúncia e na exigência de punição aos corruptos. Uma das razões pelas quais esta bandeira é tão importante para o PSOL é justamente porque não podemos deixar que o povo se engane achando que “para ser contra a corrupção não é necessário ser de esquerda. ”  É necessário  sim! 
Acusação séria! Então todo e qualquer indivíduo identificado com a direita ou o centro é corrupto ou defende a corrupção enquanto prática legítima?

Além disso, sabemos  que a melhor forma de lutar contra a crise – e não só fazer propaganda dela – é encontrar as bandeiras que mais mobilizam o povo, sabendo que a crise econômica também se expressa numa profunda crise moral pois a burguesia se utiliza de mecanismos corruptos para sustentar seus lucros e seus privilégios. 
Correto. Mas nem tudo. O erro, porém, é adotar uma só bandeira a do combate à corrupção, como tema central de campanha e de programa.

Por fim, o fato do nome de Heloísa Helena não ter sido oficialmente apontado como candidata a presidente da república não tem maior importância. Nem Dilma, nem Serra, nem Marina, nenhum dos prováveis candidatos foi ainda apontado oficialmente por seus partidos. Heloísa é nossa candidata natural e assim permanecerá até que seja realizada a conferência eleitoral do partido e a decisão final seja tomada. Não temos dúvida da importância  da candidatura de Heloísa à presidência da república. 

Não consigo enxergar, honestamente, nenhuma "naturalidade". Aliás, como já disse, esta "naturalidade" se esperava do PT em suas indicações do Lula.
São 3 meses de campanha eleitoral, um período curto mas importante para nos fortalecermos  como uma alternativa de esquerda para o Brasil. Mas também acreditamos a companheira Heloísa  tem todo o direito de explorar a possibilidade de se candidatar ao Senado, já que está em primeiro lugar nas pesquisas e se eleita obteria um mandato que colocaria o PSOL em outro patamar político dentro do Congresso Nacional durante  8 anos. 

Exatamente meu ponto, como demonstrei em postagem anterior. Heloísa Helena está praticamente eleita para o Senado e seria muito melhor para o PSOL - que parece precisar de grandes vitórias para se firmar e se manter unido, enquanto federação - garantir uma presença forte numa das casas mais problemáticas e polêmicas. Melhor que apenas queimar um de seus mais visíveis e relevantes cargos em uma candidatura que, convenhamos, todos sabemos que não irá vencer.

É o momento de seguir o debate e principalmente de construir uma proposta programática. O MES deu sua contribuição apresentando um rascunho de 80 páginas, que foi   distribuído no Congresso. Uma primeira contribuição ao debate, aliás  a primeira e até agora única  contribuição mais global  apresentada ao partido , elaborado por uma Comissão Nacional do MES, que vai seguir trabalhando junto com a militância do PSOL que com certeza tem muito a contribuir nesta discussão. 
E o primeiro passo para seguir com o debate é não considerar um assunto de máxima relevância como não merecedor de atenção.
Além do debate programático, as principais tarefas  que se colocam para a militância do PSOL após o  congresso são: seguir a campanha pelo Fora Sarney com panfletos, cartazes, abaixo assinados; divulgação da luta pelo Fora Yeda, governadora corrupta do PSDB gaúcho,  principalmente em SP território do PSDB de Serra; e engajar-se na batalha pela construção de uma nova central sindical, conforme a resolução votada no congresso. Além disso, temos a tarefa de apoio à luta do povo Hondurenho contra o golpe de direita, inclusive com a ida de uma delegação do PSOL ao país para participar da resistência. 

É importante ressaltar também a vitória que foi a realização do seminário internacional, três dias antes do congresso, uma parceria da Secretaria de Relações Internacionais do PSOL (dirigida pelo MES) com a Fundação Lauro Campos. Dirigentes revolucionários de vários países se fizeram presentes, com destaque para o líder da resistência  Hondurenha, Gilberto Rios, dirigentes  políticos, sindicais e parlamentares   da Bolívia, do Perú, Colômbia,  Venezuela, Argentina, além de representantes do NPA da França, do ISO dos EUA e intelectuais como François Chesnais e Jorge Bernstein. 

Sectarismo desnecessário. Se a Secretaria de RI do PSOL é ou não do MES, que importa? Seria menos valioso o debate se a APS ou o CST fossem diretores da Secretaria?
Saudações, Roberto Robaina
Saudações, companheiro, que o MES consiga sair de seu isolamento sectário e dialogue, por mais doloroso que seja este diálogo. Façam pelo PSOL, pela base, pelo país.
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