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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Das responsabilidades do "Voto Crítico"

Tem uma galera que embarcou no voto crítico (e que agora tão colhendo os frutos com Katia Abreu) que parece que tem algum problema de aceitação com seu próprio voto.

Não aceitam ser criticados. E ainda querem atacar quem votou nulo! Vai ver a culpa pela Katia Abreu é de quem votou nulo e não de quem votou na Dilma....

Meus queridos e queridas, assumam o voto de vocês, assumam também as consequências dos votos de vocês e até justifiquem achando que Aécio/PSDB era ou seria pior (poderia ser, não sei, pra mim é a mesma merda que Dilma/PT), mas simplesmente parem de querer tirar o cu da reta dizendo que vocês não tem NADA a ver com o que acontece e, pior, querendo dar lição de moral pra quem NÃO votou na Dilma.

Sério, tá ficando feio, amiguinhos.

Algumas pessoas não entendem porque eu me engajei tanto contra Dilma e o PT, mas é simples: Votei criticamente na Dilma em 2010 e nunca me arrependi tanto na vida. Me arrependi a tal ponto que me senti obrigado a reparar o erro, logo, a denunciar cada merda desse governo criminoso.

Assumi a responsabilidade pelo meu voto crítico e não passei nem perto de repetí-lo. Não fiquei de #mimimi contra quem anulou, não fiquei de #mimimi contra quem estava na oposição antes ou contra quem passou a ser oposição depois.

Assumi o erro do meu voto. Assumam o de vocês ou, ao menos, respeitem que não aceitou votar pela continuidade de um governo criminoso.

Mas, se ainda assim acham que o voto não traz responsabilidade, então porque não deveríamos vender nosso voto? Sim, o exemplo procede. Porque criticamos quem vota, por exemplo, no Maluf (outro aliado da Dilma, desculpem)? Não há responsabilidade, tudo é festa. Ganhemos então uma graninha nessa festa, certo?

Não dá pra dizer que voto crítico não é voto. É, sim, voto. E todo voto traz responsabilidades. Sim, eu me considero também responsável por muitos dos absurdos feitos por Dilma, a quem ajudei a eleger, mas ao invés de ficar atacando quem votou nulo ou tentando de forma tosca me justificar, eu fiz oposição ferrenha.

Quem votou em Dilma NOVAMENTE, já conhecendo quem ela era, tem também responsabilidade. E tem que assumir essa responsabilidade se enfiando na trincheira e fazendo oposição ferrenha a este governo e não fazendo #mimimi de ofendido quando criticado.

O que esperavam? Que fossem aplaudidos pela "coragem" de votar na Dilma? Que fossem louvados como aqueles que se sacrificaram na luta contra o "mal maior" (sic)? Sinto muito, não vai acontecer.

Quem votou na Dilma assuma sua parcela de responsabilidade, assim como quem não votou na Dilma, como eu, assumo o que tiver de assumir. Venham logo pra oposição (ou voltem) e por favor parem de frescura.

E apenas lembrando, enquanto vocês continuarem a votar "criticamente" no PT, ele continuará no poder indo mais e mais pra direita.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A tese do "mal maior" prejudica a todos e mantém o PT acomodado

*Este texto é uma atualização e ampliação do "Mal maior": O petismo saindo do armário (de novo e outra vez)
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Não se vota no menos pior, busca-se construir alternativas. Voto deve ou deveria ser algo consciente, feito com a intenção de melhorar o país e não na base do medo, na base do "não tem tu, vai tu mesmo".

Se não há uma opção viável, temos de nos preparar para a luta contra quem quer que vença e não FAZER CAMPANHA para alguém ruim apenas pelo medo de outros.

Nós não temos que escolher quem será nosso algoz. Temos de lutar contra quem quer que o encarne.

Claro, podemos entender o papo do "mal maior" se estivéssemos, por exemplo, frente ao perigo de uma Frente Nacional ou algum partido abertamente fascista ou neonazista vencer. Não é o caso. Oras, Bolsonaro, um legítimo fascista é inclusive da base do PT (pode odiar o partido, votar contra, mas continua sendo do PP, da base aliada)! Há fascistas para todos os gostos e em todos os lados.

Genocídio indígena, aliança carnal com ruralistas, com evangélicos fundamentalistas (Dilma chegou a revogar decreto regulando o aborto apenas por exigência dos fundamentalistas aliados, sem falar nos programas do Ministério da Saúde que Padilha cancelou pela mesma razão), cooptação de movimentos sociais, brutalidade nas ruas e, é sempre bom lembrar, com uma militância (sic) fanatizada nas redes.

Na prática, o PT e o PSDB são idênticos. A tese do "mal maior" não se aplica.

Se por um lado o PSDB é mais feroz nas privatizações (ainda que o PT também privatize), por outro o PT é voraz na cooptação e criminalização de lutas sociais. Dilma assentou MENOS que FHC. Demarcou MENOS que FHC. E FHC é um canalha que dispensa comentários, quem viveu durante seu governo sabe bem o que digo.

Se por um lado o PSDB é visto de forma mais simpática pela mídia comercial (apesar de ser hoje o PT quem a financia), o PT tem sua mídia pessoal, tem seus "progressistas" e sua "militância" virtual absolutamente fanatizada.

Agora, é fato que cada pessoa tem formas diferentes de pensar e ver o mundo, até compreendo quem chegue na urna e, num momento de desespero, faça sua escolha e vote em Dilma. Mas fazer campanha? Tentar convencer outros de que um dos governos mais lamentáveis dos últimos tempos é bom?

É muita falta de noção e de coerência.

Cadafalso, pelotão de fuzilamento ou guilhotina. Faz diferença?  É uma falsa opção, vamos morrer de maneira horrível de qualquer forma. Nos cabe denunciar a situação e buscar construir alternativas e não ficar eternamente sustentando uma delas porque enquanto existir essa sustentação esse partido e esse candidato não irá ver razão para repensar como faz as coisas. O PT SABE que muita gente acaba votando nele, não importa o que façam, pela tese do "mal maior". 


É exatamente este o grande problema. Votar no PT em segundo turno apenas o faz se acomodar. Porque mudar, porque fazer autocrítica se na hora do "vamos ver" o pessoal vai votar no PT de qualquer forma? O PSDB será eternamente o "mal maior" e o PT não importa o quão enfiado na direita esteja será sempre a opção.


Que me desculpem, mas vocês estão dando carta branca para o PT continuar a ir para a direita sem culpa, sem preocupações. Não adianta falar que vai votar criticamente, o que importa pro PT é teu voto, mais um número, e não o que você pensa ou deixa de pensar nele.

Então porque fariam qualquer tipo de autocrítica se na hora que importa conseguem os votos?

De que adianta passar 4 anos fazendo oposição para, na hora do voto, apoiar quem você combate ou combateu? 
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domingo, 7 de setembro de 2014

Do erro ao oportunismo: O Plebiscito Constituinte para a Reforma Política

O Brasil precisa de uma Reforma Política. E também de um debate sobre modelos e critérios. Mas, de forma alguma, este debate pode ser apropriado por partidos e lideranças e usado ao bel prazer eleitoral ou como forma de calar a boca de setores da sociedade.

Tendo isto em mente salta aos olhos o oportunismo desse plebiscito pela reforma política que pede uma "constituinte exclusiva" para que tal reforma ocorra.

Não vou entrar no mérito da ilegalidade de uma "constituinte exclusiva" -  não existe meia constituinte, é ilegal -, e sim me ater ao uso dessa importante bandeira política pelo PT e movimentos alinhados - e que infelizmente conseguiu apoio de setores de esquerda críticos.

O PT, grande propulsor da ideia neste momento, teve 12 anos para impulsionar um debate verdadeiro sobre o tema, mas não interessava fazê-lo enquanto liderasse com folga as pesquisas e governasse tranquilamente. Junho foi um divisor de águas e como uma das pífias propostas de Dilma para acatar as reivindicações das ruas (sem acatar nenhuma efetivamente) veio (ou voltou) o tema da "constituinte exclusiva".

É interessante notar que das centenas de organizações que apoiam o tal plebiscito - cuja cartilha a favor cita expressamente Junho como base para sua convocação - podemos encontrar diversas que não apenas não participaram dos protestos de Junho (ou posteriores), como agiram para criminalizá-lo e mesmo apareceram vez ou outra na tentativa de cooptar a base das ruas (cito nominalmente PT, PCdoB, MST, Ubes, UNE....).

O debate - da reforma política - é antigo, a necessidade idem, o problema está no timing e no método.

Timing

Muitas das reivindicações de junho eram claras (ainda que os protestos tenham tido caráter difuso), dentre elas estava o clamor por serviços públicos de qualidade. Por educação, saúde, respeito aos direitos humanos, transporte gratuito... Enfim, muitas pautas caras à esquerda e históricas (que inclusive eram defendidas pelo PT antes deste chegar ao poder e jogar no lixo todas as suas bandeiras em prol da "governabilidade" e do flerte com a direita e a extrema-direita ruralista e escravista).

Ao invés de uma resposta a estas reivindicações, veio o tema da reforma política em um momento de crise de representação e de crise do PT. Ao invés de atacar os problemas imediatos, melhor atacar todo o sistema político a fim de retirar do PT qualquer culpa pelas suas ações - e pelas reações.

"Oras, é o sistema, estúpido! O PT nada pode fazer!"

Pois é, pode. Mas preferiu escolher o caminho mais fácil de culpar os outros - ou o sistema como um todo. É bom lembrar que parte considerável da "militância" petista ainda hoje demoniza os protestos de junho e os culpa pela péssima avaliação da presidente e o parto que passam nas eleições atuais.

Como justificar continuamente a manutenção de políticas contrárias às bandeiras históricas do partido? Como justificar privatizações, consumismo, ruralismo, espionagem contra movimentos sociais, cooptações, repressão quando as desculpas de sempre começam a não mais colar?

Especificamente falando no timing, é eleitoreiro. O PT preferiu queimar a carta importante da reforma política para sair da reta. Para tentar conquistar apoio dos simpáticos à reforma política nas eleições, a fim de ser o partido a liderar o processo. Isto tendo em mente que o PT pode perfeitamente jogar o resultado (se favorável) do plebiscito no lixo caso Dilma seja reeleita e consiga formar novamente uma base parlamentar ampla para continuar a privatizar e perseguir minorias.

Caminhamos a passos largos para o conservadorismo. Os evangélicos fundamentalistas ameaçam crescer e tem dado a última palavra em cada ação do governo Dilma, sem falar nos interesses de diversos grupos empresariais carnalmente ligados ao PT (e aos demais partidos do sistema). É este o quadro que espera uma reforma política com liberdade total para se mexer na constituição. Alguém realmente espera que o resultado prejudique os interesses de algum desses grupos? O PT irá se opor aos interesses de seus aliados e patrocinadores?

Método

De fato o tema da "constituinte exclusiva" não é novo (eu erroneamente pensava o contrário tendo esquecido que até FHC havia tocado no tema no passado, assim como Lula), mas continua sendo um modelo péssimo e perigoso.

Copio aqui resolução da Conlutas, com a qual concordo:
Portanto, não podemos dar aos parlamentares, que serão eleitos com as regras antidemocráticas atuais, nenhuma carta branca para reformar o sistema político, nesse momento. O mais provável numa Constituinte, na correlação de forças atual no Congresso Nacional, é que se imponha um retrocesso ainda maior às poucas conquistas democráticas que ainda temos.

O plebiscito não cumpre, portanto, um papel progressivo. Mais confunde do que esclarece. Não tem nenhuma relação com apontar uma saída que questione o modelo econômico atual, que promova as mudanças que as manifestações de rua trouxeram à tona.

Aliás, nem mesmo diz quais seriam as mudanças que a reforma política deveria fazer, o que mistura as proposta dos setores de esquerda e democráticos com as propostas da direita, que também quer uma reforma para diminuir a participação popular e o direito de representação ou mesmo existência de partidos de esquerda que tem conteúdo ideológico e programático.
O primeiro parágrafo é impecável: Iremos reformar a política elegendo os mesmos de sempre, com o modelo falido de sempre? O que sairá daí?

O nosso atual modelo propicia o voto de cabresto, o voto em "celebridades", em puxadores de voto, o voto fisiológico... Conhecemos bem como funciona. E é usando este modelo que iremos eleger quem irá "melhorar" o sistema político?

Duvido muito.

Mas vou além. Em 1988 havia uma esquerda forte, atuante e ideológica para propor e também para barrar grandes absurdos propostos pela direita. Quem, hoje, seria essa esquerda? Não o PT.

O PT está sempre pronto e disposto a aceitar todas as exigências de seus aliados ruralistas, evangélicos fundamentalistas, banqueiros, empreiteiras... Iremos confiar neste partido para capitanear uma reforma política? Quem irá segurar a direita não será, sem dúvida, o PT, que hoje nada a amplas braçadas para (e com) a direita.

Os eleitos para uma "constituinte exclusiva", tendo em mente a configuração política atual, as pressões, o crescimento do eleitorado fundamentalista e as alianças da ex-esquerda com a pior direita, seriam francamente conservadores. Isto basta para acabar com qualquer ânimo de quem é efetivamente de esquerda. De que importa que políticos com mandato não possam concorrer? Alguém acha que o PSC tem apenas o Feliciano na manga? Ou que o Malafaia, o Edir Macedo, os Ruralistas e outros não tem candidatos guardados para quando precisarem?

Pressão

É preciso pressão das ruas para uma reforma política, mas não uma carta branca, uma "constituinte exclusiva". Não é aceitável que entreguemos o poder popular e a vontade popular para que funcionários de mega-empresas e de templos religiosos mudem a constituição ao seu bel prazer.

Temos duas saídas: A pressão popular para que o congresso debata e vote uma reforma política que seja também amplamente debatida com a sociedade dentro dos marcos atuais e da legislatura atual (imagino que junto à próxima legislatura, dado que as eleições estão aí) ou a discussão junto à sociedade e organizações/movimentos sociais de um modelo de reforma política popular que possa ser apresentado ao congresso e então haja pressão por sua aprovação (qualquer semelhança com o Ficha Limpa não é coincidência).

O que muda é de onde nasce o projeto, se diretamente do congresso ou se da sociedade para o congresso, mas não muda a necessidade de pressão popular. Porém, estes dois modelos, por assim dizer, tem em comum o fato de não darem uma carta branca via constituinte ao parlamento, mas de manter garantias mínimas e respeito a atual constituição, alterando nela aquilo que for necessário, mas impedindo qualquer mudança prejudicial por uma maioria simples.

A constituição de 88, pese inúmeros problemas, garante uma gama de direitos que, se fosse hoje, dificilmente seriam mantidos/adotados, tanto pela vontade do PT quanto de seus aliados. Logo, não podemos permitir que seja alterada impunemente, sem qualquer restrição e controle sob a desculpa (falsa) de que o que os partidos dominantes querem uma reforma política. Se querem, porque não a fazem?
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