O partido grego de esquerda Syriza bateu na trave da maioria absoluta pese sua imensa e elástica vitória nas eleições do último domingo. Terá de negociar para conseguir ao menos os 2 votos, já que conseguiu 149 cadeiras ao invés das 151 necessárias para a maioria absoluta no parlamento. De fato, caso o partido consiga estes dois votos necessários e forme um novo governo forte, a Europa poderá ver mudanças significativas nos próximos anos, especialmente com o Podemos na Espanha crescendo e podendo até mesmo governar o país.
Mas o que me interessa aqui não é analisar o Syriza e sua vitória, e sim chamar à atenção para a derrocada do PASOK, o Partido "socialista" ao estilo do PS francês, PSOE espanhol e... do PT.
O partido derreteu, não chegou aos 5% dos votos, e se tornou basicamente irrelevante. O objetivo das esquerdas no Brasil deveria ser não apenas o de formar algo como Syriza/Podemos, mas relegar o PT, como o PASOK ,à irrelevância, mas esbarra em um problema (dentre muitos): O "voto crítico".
Como já escrevi antes, o "voto crítico" no PT é um câncer, a tese do "mal maior" apenas perpetua este câncer e impede seu tratamento. Ou melhor, ajuda a espalhar o câncer ao invés de tratá-lo. Não puxa o PT para a esquerda, Levy e os cortes em direitos deixam claro, mas simplesmente acomoda o partido que pensa ter votos garantidos sempre que no aperto. Pensa e realmente os tem.
Sabem como o PASOK (o PT grego) afundou? Galera de esquerda parou de votar neles, de dar "voto crítico" e buscou alternativa. É uma receita simples. Claro, foi preciso nascer uma alternativa, mas ao invés de simplesmente repetir "não há alternativa" os gregos (e espanhóis) foram às ruas e criaram uma. E a dica vale também para os sectários de esquerda, o Syriza originalmente era uma coalizão, mas (os partidos) conseguiram superar as principais divergências e concorrer como um só.
Imaginem se a esquerda grega ficasse repetindo o mantra do "voto crítico para combater o mal maior" e continuasse a votar no PASOK? O Syriza continuaria como um partido pequeno, pese incômodo. O PASOK no fim se aliou ao ND, apoiando políticas criminosas de austeridade, veremos o PT e o PSDB aliados em algum momento? Possivelmente, e há petistas que já pedem por isso.
O Syriza prova que é sim possível lutar contra a direita e contra os amigos da direita travestidos de esquerda, basta querer e se mobilizar. O Brasil precisa prestar muita atenção e buscar seguir o exemplo, ao contrário do Syriza que já foi questionado pelo FT se iria ser mais Lula ou mais Chávez.
Eu diria que nenhum deles, a Grécia não é a Venezuela ou o Brasil, mas sem dúvida, não devem nem sonhar em copiar o Lula, ou em pouquíssimo tempo terão se transformado no PASOK ou no PT e estarão basicamente pactando com a pior direita e realizando os "ajustes" exigidos pela troika e fazendo o povo grego sofrer novamente.
O desafio do Syriza é exatamente não copiar Chavez e muito menos Lula, mas inovar, buscar uma via grega para a saída da crise e inspirar.
A nós, brasileiros, cabe buscar inspiração, mas também buscar um caminho ou uma via própria e parar de uma vez por todas de manter no poder aqueles que se submetem aos mandos e desmandos das elites.
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Atualização 26/01/15:
Tem gente (corretamente) criticando a aliança do Syriza com o Gregos Independentes, de direita. Mas é preciso ter algumas coisas em mente.
O apoio do KKE (Comunistas) teria evitado isso, mas como os stalinistas se acham puros demais pra apoiar o Syriza...
Mas tem uma questão, o Gregos Independentes é sim de direita, mas fechou um acordo baseado num programa que é capitaneado pelo Syriza, que é o combate à austeridade. Ou seja, o Syriza não rebaixou (até o momento) seu programa, mas incluiu um partido que concorda com esse programa, seria como se a Katia Abreu defendesse reforma agrária ao invés do PT ir defender o agronegócio. Vamos ver no que dá. Aliás, era o que o PT deveria ter feito ha 12 anos, ter aproveitado o apoio crítico de setores da esquerda (mesmo internos) e imposto um programa aos aliados, não o contrário. É uma diferença fundamental.
O problema principal do Syriza (ou do PT) não foi em si ter se aliado com "a direita", mas sim ter rebaixado ou mesmo abandonado seu programa pelo da direita. E no caso do PT com um agravante, com claro e descarado estelionato eleitoral. Esta última eleição de Dilma, aliás, chega a ser um acinte.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Com o "voto crítico" o Syriza jamais teria chegado ao poder
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
11:30
Com o "voto crítico" o Syriza jamais teria chegado ao poder
2015-01-26T11:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Brasil|Chávez|Eleição|Esquerda|Grécia|Lula|Mudança|PASOK|Política|PT|Socialismo|Syriza|
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Das responsabilidades do "Voto Crítico"
Tem uma galera que embarcou no voto crítico (e que agora tão colhendo os frutos com Katia Abreu) que parece que tem algum problema de aceitação com seu próprio voto.
Não aceitam ser criticados. E ainda querem atacar quem votou nulo! Vai ver a culpa pela Katia Abreu é de quem votou nulo e não de quem votou na Dilma....
Meus queridos e queridas, assumam o voto de vocês, assumam também as consequências dos votos de vocês e até justifiquem achando que Aécio/PSDB era ou seria pior (poderia ser, não sei, pra mim é a mesma merda que Dilma/PT), mas simplesmente parem de querer tirar o cu da reta dizendo que vocês não tem NADA a ver com o que acontece e, pior, querendo dar lição de moral pra quem NÃO votou na Dilma.
Sério, tá ficando feio, amiguinhos.
Algumas pessoas não entendem porque eu me engajei tanto contra Dilma e o PT, mas é simples: Votei criticamente na Dilma em 2010 e nunca me arrependi tanto na vida. Me arrependi a tal ponto que me senti obrigado a reparar o erro, logo, a denunciar cada merda desse governo criminoso.
Assumi a responsabilidade pelo meu voto crítico e não passei nem perto de repetí-lo. Não fiquei de #mimimi contra quem anulou, não fiquei de #mimimi contra quem estava na oposição antes ou contra quem passou a ser oposição depois.
Assumi o erro do meu voto. Assumam o de vocês ou, ao menos, respeitem que não aceitou votar pela continuidade de um governo criminoso.
Mas, se ainda assim acham que o voto não traz responsabilidade, então porque não deveríamos vender nosso voto? Sim, o exemplo procede. Porque criticamos quem vota, por exemplo, no Maluf (outro aliado da Dilma, desculpem)? Não há responsabilidade, tudo é festa. Ganhemos então uma graninha nessa festa, certo?
Não dá pra dizer que voto crítico não é voto. É, sim, voto. E todo voto traz responsabilidades. Sim, eu me considero também responsável por muitos dos absurdos feitos por Dilma, a quem ajudei a eleger, mas ao invés de ficar atacando quem votou nulo ou tentando de forma tosca me justificar, eu fiz oposição ferrenha.
Quem votou em Dilma NOVAMENTE, já conhecendo quem ela era, tem também responsabilidade. E tem que assumir essa responsabilidade se enfiando na trincheira e fazendo oposição ferrenha a este governo e não fazendo #mimimi de ofendido quando criticado.
O que esperavam? Que fossem aplaudidos pela "coragem" de votar na Dilma? Que fossem louvados como aqueles que se sacrificaram na luta contra o "mal maior" (sic)? Sinto muito, não vai acontecer.
Quem votou na Dilma assuma sua parcela de responsabilidade, assim como quem não votou na Dilma, como eu, assumo o que tiver de assumir. Venham logo pra oposição (ou voltem) e por favor parem de frescura.
E apenas lembrando, enquanto vocês continuarem a votar "criticamente" no PT, ele continuará no poder indo mais e mais pra direita.
Não aceitam ser criticados. E ainda querem atacar quem votou nulo! Vai ver a culpa pela Katia Abreu é de quem votou nulo e não de quem votou na Dilma....
Meus queridos e queridas, assumam o voto de vocês, assumam também as consequências dos votos de vocês e até justifiquem achando que Aécio/PSDB era ou seria pior (poderia ser, não sei, pra mim é a mesma merda que Dilma/PT), mas simplesmente parem de querer tirar o cu da reta dizendo que vocês não tem NADA a ver com o que acontece e, pior, querendo dar lição de moral pra quem NÃO votou na Dilma.
Sério, tá ficando feio, amiguinhos.
Algumas pessoas não entendem porque eu me engajei tanto contra Dilma e o PT, mas é simples: Votei criticamente na Dilma em 2010 e nunca me arrependi tanto na vida. Me arrependi a tal ponto que me senti obrigado a reparar o erro, logo, a denunciar cada merda desse governo criminoso.
Assumi a responsabilidade pelo meu voto crítico e não passei nem perto de repetí-lo. Não fiquei de #mimimi contra quem anulou, não fiquei de #mimimi contra quem estava na oposição antes ou contra quem passou a ser oposição depois.
Assumi o erro do meu voto. Assumam o de vocês ou, ao menos, respeitem que não aceitou votar pela continuidade de um governo criminoso.
Mas, se ainda assim acham que o voto não traz responsabilidade, então porque não deveríamos vender nosso voto? Sim, o exemplo procede. Porque criticamos quem vota, por exemplo, no Maluf (outro aliado da Dilma, desculpem)? Não há responsabilidade, tudo é festa. Ganhemos então uma graninha nessa festa, certo?
Não dá pra dizer que voto crítico não é voto. É, sim, voto. E todo voto traz responsabilidades. Sim, eu me considero também responsável por muitos dos absurdos feitos por Dilma, a quem ajudei a eleger, mas ao invés de ficar atacando quem votou nulo ou tentando de forma tosca me justificar, eu fiz oposição ferrenha.
Quem votou em Dilma NOVAMENTE, já conhecendo quem ela era, tem também responsabilidade. E tem que assumir essa responsabilidade se enfiando na trincheira e fazendo oposição ferrenha a este governo e não fazendo #mimimi de ofendido quando criticado.
O que esperavam? Que fossem aplaudidos pela "coragem" de votar na Dilma? Que fossem louvados como aqueles que se sacrificaram na luta contra o "mal maior" (sic)? Sinto muito, não vai acontecer.
Quem votou na Dilma assuma sua parcela de responsabilidade, assim como quem não votou na Dilma, como eu, assumo o que tiver de assumir. Venham logo pra oposição (ou voltem) e por favor parem de frescura.
E apenas lembrando, enquanto vocês continuarem a votar "criticamente" no PT, ele continuará no poder indo mais e mais pra direita.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
11:30
Das responsabilidades do "Voto Crítico"
2014-11-24T11:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Encruzilhadas do PT e responsabilidades do PSDB: De mãos dadas com a direita e com porrete na esquerda
Retomo mais uma vez o tema da "readequação conservadora" enquanto aponto as responsabilidades do PT por esta retomada direitista e mesmo florescimento da agenda e dos discursos fascistas motivado não apenas para assustadora manifestação pró-Golpe militar na Avenida Paulista (cuja convocatória no Facebook passava das 100 mil almas perdidas confirmadas, pese entre 1000-2500 terem aparecido), mas também pelo discurso raivoso e de ódio que alguns petistas e agregados tem promovido mesmo após a vitória, além do discurso de "abafa" promovido por outros.
É sabido que a esquerda apoiou criticamente (uns mais, outros menos) Dilma apenas para barrar o PSDB, o "mal maior" na visão de muitos. Esperavam os inocentes e incautos que fosse possível uma guinada à esquerda de Dilma e do PT, enquanto outros, mais espertos e pé no chão esperavam apenas barrar o PSDB para logo voltarem às ruas e à oposição.
Mas ambos, penso eu, esperavam ao menos uma mínima autocrítica por parte da militância petista, um arrefecimento do fanatismo desmedido e muitas vezes fascista (não era incomum ver governistas ensaiando um "VAI PM" enquanto militantes de esquerda eram brutalizados nas ruas pós-Junho). Esta autocrítica, porém, não virá.
A tosquice pós-eleitoral
A chamada Veja Governista (A Carta Capital, não o Brasil 247, que responde pela mesma alcunha) e seus jornalistas imediatamente saíram ou em defesa da "governabilidade", ou simplesmente resolveram combater o ódio com mais ódio.
Cynara Menezes, também conhecida pelos íntimos como Alucynara, imediatamente pôs-se ao trabalho atacando o eleitorado do PSDB. O que melhor para combater o ódio do que incitá-lo?
Eu tenho profundo horror ao PSDB e a tudo que ele representa, mas daí a atacar todo e qualquer eleitor do partido (até porque tenho vários amigos que preferiram votar no Aécio por centenas de razões diferentes e tenho por eles o maior respeito) vai uma distância imensa.
Na mesma leva há o Lino Bocchini (a quem respeito e nutro admiração, mas que entrou no jogo sujo de cabeça) que usou seu espaço na revista para dar um cala boca na esquerda e justificar previamente um possível ministério para o Kassab. O argumento é simples: Obrigado esquerda, já usamos vocês, agora caladinhos que temos de governar (com a direita, claro).
Ninguém à esquerda pode, porém, declarar ignorância ou surpresa. Depois de 4 anos de um governo que flertou com o fascismo não seriam diferentes as primeiras reações da linha de frente do governismo. Dou apenas estes dois exemplos porque circularam amplamente pelas redes, mas outros não faltam em perfis governistas que já se preparam para justificar tudo e qualquer coisa, ou melhor, para continuar a justificar qualquer coisa.
Este artigo do Lino, aliás, é o perfeito exemplo do que alerto há muito tempo, de que o combate ao "mal maior" no fim acaba sendo promotor deste mesmo mal. Como comentei no Facebook:
Eleição vencida, o discurso é o mesmo.
O Pablo Ortellado fez um comentário importante:
Como escrevi para o Amalgama, o petismo é também culpado por esse descaramento da extrema-direita.
E não, "reforma política" sem qualquer debate e através de um plebiscito não tem nada a ver com o que pediam as ruas, não passa de uma desculpa péssima e interessada do PT para fingir que escutou alguém.
Como esperar que a esquerda se levante contra a extrema-direita golpista se quando a esquerda se manifestou foi o próprio PT o primeiro a querer acabar com a festa?
E o PSDB?
Vimos setores absolutamente fascistas tentarem ocupar as ruas após as eleições. Ainda que apenas em São Paulo a manifestação pela volta à Ditadura tenha juntado mais de 100 pessoas, é preocupante.
Me recordo alguns anos atrás de ter gravado e fotografado manifestações da extrema-direita (E de ser ameaçado, claro). Pequenas, residuais, carregadas de ódio, de integralistas, nazistas, carecas e fascistas. Uma ou outra, porém, contava com o que podemos compreender como uma classe média raivosa. Mas sempre pequenas, quase residuais.
Esta não. Tomou corpo, junto pelo menos 2 mil pessoas. É assustador. Mais ainda porque sabemos que há muito mais gente que pensa (?) daquela forma.
E esta direita não saiu da toca de graça. Se é verdade que o PT tem responsabilidade na exacerbação do ódio pré e pós eleitoral pelas várias razões que dei neste e em outros artigos, o PSDB não deixa de ter sua imensa parte no bolo.
É verdade que setores amplos da extrema-direita passaram a apoiar o PSDB/Aécio apenas como forma de derrotar o PT, ou seja, não era em si por proximidade ideológica, mas na base do combate ao inimigo comum (oras, o que explica gente que bradava contra o Bolsa Família, vulgo Bolsa Esmola para esta gente, apoiar o PSDB que claramente defendia a manutenção do programa - e de outros?), porém o PSDB em momento algum buscou se desmarcar destes grupos e setores.
Pelo contrário, os alimentou.
A campanha suja não veio apenas do PT e de sua "militância" fanatizada, mas muito veio também das hostes tucanas nas redes e nas ruas. Veio dos tucanos orgânicos e dos tucanos de ocasião. Caberia ao PSDB deixar claro seu rechaço a estes setores, mas não o fez, pelo contrário, fez questão de usá-los.
Fez questão também de impor uma agenda francamente conservadora, como a defesa da redução da maioridade penal, algo que cai como uma luva para atiçar o discurso mais fascista possível, anti pobres, anti negros, francamente racista e reacionário.
E não nos esqueçamos, Coronel Telhada é tucano. Ele, assim como outros são a fina flor do fascismo e em momento algum foram desautorizados pelo PSDB pelas suas declarações por vezes criminosas. Se por um lado o PT tem um Stanley, o PSDB tem sua Deborah Albuquerque Chlaem. E nenhum dos lados se moveu para desautorizar ou desmentir o querelincham falam em seu nome. São coniventes.
Por mais que seja legítimo - pese desesperado - da parte do PSDB exigir auditoria das urnas, tal pedido gera consequências, dentre elas a de incentivar setores fascistas e golpistas a reclamar de fraude e ganhar força. E o PSDB sabe disso, se aproveita disso.É responsável, como o PT, pelo clima de guerra no país.
Como bem comentou o Samuel Braun:
A esquerda encontra-se em uma encruzilhada difícil de superar, e o PT mais ainda. Para a esquerda, porém, a superação da encruzilhada passa por superar também o PT.
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Uma nota final: Os fascistas que tomaram um pedaço da paulista tem horror à democracia porque perderam, mas se aproveitam da existência da democracia para poder exigir seu fim... Não é irônico, é tosco.
É sabido que a esquerda apoiou criticamente (uns mais, outros menos) Dilma apenas para barrar o PSDB, o "mal maior" na visão de muitos. Esperavam os inocentes e incautos que fosse possível uma guinada à esquerda de Dilma e do PT, enquanto outros, mais espertos e pé no chão esperavam apenas barrar o PSDB para logo voltarem às ruas e à oposição.
Mas ambos, penso eu, esperavam ao menos uma mínima autocrítica por parte da militância petista, um arrefecimento do fanatismo desmedido e muitas vezes fascista (não era incomum ver governistas ensaiando um "VAI PM" enquanto militantes de esquerda eram brutalizados nas ruas pós-Junho). Esta autocrítica, porém, não virá.
A tosquice pós-eleitoral
A chamada Veja Governista (A Carta Capital, não o Brasil 247, que responde pela mesma alcunha) e seus jornalistas imediatamente saíram ou em defesa da "governabilidade", ou simplesmente resolveram combater o ódio com mais ódio.
Cynara Menezes, também conhecida pelos íntimos como Alucynara, imediatamente pôs-se ao trabalho atacando o eleitorado do PSDB. O que melhor para combater o ódio do que incitá-lo?
Eu tenho profundo horror ao PSDB e a tudo que ele representa, mas daí a atacar todo e qualquer eleitor do partido (até porque tenho vários amigos que preferiram votar no Aécio por centenas de razões diferentes e tenho por eles o maior respeito) vai uma distância imensa.
Na mesma leva há o Lino Bocchini (a quem respeito e nutro admiração, mas que entrou no jogo sujo de cabeça) que usou seu espaço na revista para dar um cala boca na esquerda e justificar previamente um possível ministério para o Kassab. O argumento é simples: Obrigado esquerda, já usamos vocês, agora caladinhos que temos de governar (com a direita, claro).
Ninguém à esquerda pode, porém, declarar ignorância ou surpresa. Depois de 4 anos de um governo que flertou com o fascismo não seriam diferentes as primeiras reações da linha de frente do governismo. Dou apenas estes dois exemplos porque circularam amplamente pelas redes, mas outros não faltam em perfis governistas que já se preparam para justificar tudo e qualquer coisa, ou melhor, para continuar a justificar qualquer coisa.
Este artigo do Lino, aliás, é o perfeito exemplo do que alerto há muito tempo, de que o combate ao "mal maior" no fim acaba sendo promotor deste mesmo mal. Como comentei no Facebook:
O governismo é um câncer. Durante as eleições era crime se recusar a votar n PT. Oras, anular seria despolitizado e ajudaria o Aécio, como se magicamente votos nulos virassem votos no PSDB. A chantagem e até as ameaças dominavam.E meu comentário foi como complemento a outro impecável do Bruno Cava, do qual copio trecho:
Dilma pagou de esquerda, atraiu incautos e inocentes que caíram no papo mole após 4 anos de um governo que chegou a flertar com o fascismo.
Agora, mais 4 anos garantidos Dilma e o PT não precisam mais sequer fingir ser de esquerda. Quem votou criticamente faça o favor de voltar pro lado de cá da trincheira e quem votou ACREDITANDO em uma mudança, por favor, cresça. Depois venha pra trincheira.
Mais uma vez tenho a certeza de que acertei ao me recusar a participar dessa farsa.
O texto chega a culpar o leitor, por ter votado mal pra deputado e senador.São dois exemplos (Lino e Alucynara) que ajudam a exemplificar que quando falamos de "ódio", este vem tanto da extrema-direita (e sim, de alguns ou mesmo muitos eleitores do PSDB) quanto da ex-querda (muitos alinhados oficial ou extra-oficialmente com o PT). Os discursos são os mesmos: Há um golpe em curso, quem não apoia o PT integralmente é "tucanalha e golpista", o PSOL é de direita, os "black bostas" são "tucanalhas", a mídia é malvada (pese ser financiada pelo PT), o judiciário/STF é malvado (pese a maioria absoluta do STF ter sido nomeada pelo PT)...
Diferente de quem entrou na campanha pra voltar às ruas no-dia-seguinte, conclui friamente que "o caminho passa por um debate político diário, maduro e que precisa ser feito à luz da realidade".
Da realidade, crianças, não de seus sonhos, ruas, lutas, pequenos partidos ou movimentos. Da realidade: o Michel Temer, o Kassab, a Kátia Abreu.
Reclamar disso virou "mimimi despolitizado".
Foi escrito por um dos editores.
A Carta Capital corre seriamente o risco de se tornar um panfleto governista.
Eleição vencida, o discurso é o mesmo.
O Pablo Ortellado fez um comentário importante:
Manifestação anti-Dilma ultraconservadora cheia de gente na Paulista. É bom assimilarmos a novidade e reagirmos rápido à ascensão poíltica dos conservadores. Não se trata mais de eleição, mas de domínio do discurso público -- o que em outros tempos chamaríamos de disputa por hegemonia. Estamos caminhando muito rapidamente para um cenário sombrio dominado por esses profetas do ódio.Mas não é tão simples a contra-mobilização. Junho foi um levante de esquerda que, pese infiltrado aqui ou ali por elementos de direita ou mesmo classe média sofre, impôs pautas que foram sumariamente ignoradas pelo PT. Por outro lado fica a questão: O que fazer, se quando a esquerda se mobiliza nas ruas é o PT que manda dar porrada ou se limita a aplaudir e oferecer tropas?
Como escrevi para o Amalgama, o petismo é também culpado por esse descaramento da extrema-direita.
E não, "reforma política" sem qualquer debate e através de um plebiscito não tem nada a ver com o que pediam as ruas, não passa de uma desculpa péssima e interessada do PT para fingir que escutou alguém.
Como esperar que a esquerda se levante contra a extrema-direita golpista se quando a esquerda se manifestou foi o próprio PT o primeiro a querer acabar com a festa?
E o PSDB?
Vimos setores absolutamente fascistas tentarem ocupar as ruas após as eleições. Ainda que apenas em São Paulo a manifestação pela volta à Ditadura tenha juntado mais de 100 pessoas, é preocupante.
Me recordo alguns anos atrás de ter gravado e fotografado manifestações da extrema-direita (E de ser ameaçado, claro). Pequenas, residuais, carregadas de ódio, de integralistas, nazistas, carecas e fascistas. Uma ou outra, porém, contava com o que podemos compreender como uma classe média raivosa. Mas sempre pequenas, quase residuais.
Esta não. Tomou corpo, junto pelo menos 2 mil pessoas. É assustador. Mais ainda porque sabemos que há muito mais gente que pensa (?) daquela forma.
E esta direita não saiu da toca de graça. Se é verdade que o PT tem responsabilidade na exacerbação do ódio pré e pós eleitoral pelas várias razões que dei neste e em outros artigos, o PSDB não deixa de ter sua imensa parte no bolo.
É verdade que setores amplos da extrema-direita passaram a apoiar o PSDB/Aécio apenas como forma de derrotar o PT, ou seja, não era em si por proximidade ideológica, mas na base do combate ao inimigo comum (oras, o que explica gente que bradava contra o Bolsa Família, vulgo Bolsa Esmola para esta gente, apoiar o PSDB que claramente defendia a manutenção do programa - e de outros?), porém o PSDB em momento algum buscou se desmarcar destes grupos e setores.
Pelo contrário, os alimentou.
A campanha suja não veio apenas do PT e de sua "militância" fanatizada, mas muito veio também das hostes tucanas nas redes e nas ruas. Veio dos tucanos orgânicos e dos tucanos de ocasião. Caberia ao PSDB deixar claro seu rechaço a estes setores, mas não o fez, pelo contrário, fez questão de usá-los.
Fez questão também de impor uma agenda francamente conservadora, como a defesa da redução da maioridade penal, algo que cai como uma luva para atiçar o discurso mais fascista possível, anti pobres, anti negros, francamente racista e reacionário.
E não nos esqueçamos, Coronel Telhada é tucano. Ele, assim como outros são a fina flor do fascismo e em momento algum foram desautorizados pelo PSDB pelas suas declarações por vezes criminosas. Se por um lado o PT tem um Stanley, o PSDB tem sua Deborah Albuquerque Chlaem. E nenhum dos lados se moveu para desautorizar ou desmentir o que
Por mais que seja legítimo - pese desesperado - da parte do PSDB exigir auditoria das urnas, tal pedido gera consequências, dentre elas a de incentivar setores fascistas e golpistas a reclamar de fraude e ganhar força. E o PSDB sabe disso, se aproveita disso.É responsável, como o PT, pelo clima de guerra no país.
Como bem comentou o Samuel Braun:
O movimento reaça se baseia numa falsa dicotomia, ele existe não por afirmação, mas por negação, sua identidade se baseia na sua obsessão, o PT e o que supõe que ele representa. O fato de muitos malucos projetarem suas fantasias num outro ente não faz deste ente o que eles pensam que ele seja. O fato de acharem o PT comunista, socialista, de esquerda, não prova nada quanto a ele ser alguma destas coisas. Só prova que "meia dúzia de muitos" pirados pensa assim. Assumir isso como parâmetro de verdade é fazer côro, indiretamente, com esses desmiolados. Mesmo que pra supostamente se opor a eles.Enfim, não podemos falar de surgimento da extrema-direita, mas sim, podemos dizer que esta saiu do armário de vez. Perdeu o medo e foi até mesmo incitada (analiso mais profundamente este fenômeno aqui). Da mesma forma que o congresso passou por uma readequação conservadora, estes perderam completamente a vergonha. O problema nem é, em si, este, mas que qualquer reação poderá ser criminalizada e brutalizada pelo partido que se diz de esquerda no poder, como aconteceu em Junho.
Defender o governismo como antagônico a essa esquizofrenia reacionária é legitimar a esquizofrenia. O oposto de reacionário não é conservador, ok? Existirem direitaços como Lobão e companhia não faz de Maluff, Katia Abreu, Vacarezza, Mercadante, Afif Domingos et caterva de esquerda não, beleza?
A esquerda encontra-se em uma encruzilhada difícil de superar, e o PT mais ainda. Para a esquerda, porém, a superação da encruzilhada passa por superar também o PT.
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Uma nota final: Os fascistas que tomaram um pedaço da paulista tem horror à democracia porque perderam, mas se aproveitam da existência da democracia para poder exigir seu fim... Não é irônico, é tosco.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014
A vitória de Dilma e as lições do Rio de Janeiro
Sabido o resultado das eleições presidenciais, vitória de Dilma, é o momento das análises.
Dilma foi eleita com pouco menos de 52% dos votos (mais de 54 milhões de votos frente a pouco mais de 51 milhões de Aécio) uma diferença de mais ou menos 3 milhões de votos frente a Aécio. Os votos nulos e brancos passaram dos 7 milhões, enquanto a abstenção foi alta, chegando perto dos 30 milhões, totalizando cerca de 37 milhões de pessoas que não queriam nem um e nem outro.
Dilma foi eleita, mas em um país dividido. O PT perdeu porcentagem significativa de eleitores, sobreviveu mais do que qualquer coisa. É uma vitória, não podemos negar, mas não veio fácil.
Quase metade da população votou em seu adversário, e outros milhões não quiseram sequer votar nos dois candidatos que disputavam o segundo turno. Dilma foi eleita, mas nem de longe pela maioria da população. É preciso, então, responsabilidade e reavaliações.
Mudanças
Dilma ensaiou uma revolta contra a Veja/Abril, irá levar adiante não apenas um processo contra a revista e a editora, mas também imporá a discussão real de uma reforma da mídia? Irá rever a forma pela qual o governo injeta rios de dinheiro na grande mídia e, claro, o PT irá rever a verba que paga (admita ou não) à mídia amiga que no fim é apenas a Veja de sinal trocado?
Dilma irá manter sua política francamente criminosa nas comunicações, privilegiando sempre as teles e prejudicando o compartilhamento de conhecimento? O mesmo vale, por exemplo, para a Cultura, assim como precisamos de mudanças profundas na capacidade e vontade do governo dialogar com populações indígenas, nos direitos LGBTs (e nos recuos e submissão frente ao atraso fundamentalista), das mulheres e no trato à questões relacionadas ao meio ambiente e grandes obras de infraestrutura.
Com Dilma foram 4 anos de inexistência de diálogo e de imposição de pautas. Imposição de obras, de eventos, mesmo a tal constituinte por uma reforma política foi uma imposição sem que as ruas tivessem sido consultadas, uma imposição do PT em conjunto com seus movimentos cooptados, como a UNE.
Teremos ainda um ministro como o Cardozo oferecendo tropas federais para brutalizar ativistas, manifestantes e até grevistas, como no caso da greve do metrô este ano?
Irão continuar os gritos fanáticos e dementes de figuras como #Stanley, Eduardo Guimarães, PHA e outros, tidos como arautos por quem se dedica diariamente a espalhar ódio e desinformação ou o PT irá buscar construir uma relação de verdade com a esquerda baseada em respeito e colaboração?
O sentimento de mudança está mais claro do que nunca. Ainda que este sentimento seja difuso. Encontra-se à direita e à esquerda, e mesmo dentre o eleitorado que voltou criticamente em Dilma. É preciso contar que destes votos de Dilma uma parcela quiçá significativa foi de votos críticos. Se assumirmos que a maior parte dos votos de Luciana migraram para Dilma, ao menos 1,5 milhão de votos foram absolutamente críticas, contra o "mal maior". E eram votos que exigiam e exigem mudanças.
Como comentou o professor Pablo Ortellado:
Este é o ponto. Durante as eleições era comum ver militantes petistas, especialmente nas redes, exigindo que a esquerda votasse em Dilma sem exigir nada. Era "obrigação" nossa votar no PT contra o "mal maior" e qualquer recusa era suficiente para xingamentos de fascista, coxinha e etc.
Se é verdade que o PT precisa entender que não apenas venceu por pouco, mas que a esquerda crítica foi crucial para a vitória, por outra o partido terá o trabalho de domar a militância raivosa e suja que criou e manteve nos últimos 12 anos.
E precisa, obviamente, guinar à esquerda.
A esquerda (ou setores dela) não apenas a apoiou criticamente, mas muitos fizeram campanha, empenharam sua credibilidade por Dilma, indo além de repudiar Aécio, mas efetivamente endossando a candidatura do PT. Isto, aliás, poderá inclusive criar rusgas dentro da própria esquerda, mas este é outro assunto.
Pessoalmente não acredito que isso acontecerá. Se a governabilidade foi usada indiscriminadamente por 12 anos para garantir, legitimar e justificar todo retrocesso petista (inclusive projetos nascidos do PT, ou seja, sequer projetos impostos por aliados incômodos que o partido tinha de lidar), o que esperar agora que o congresso eleito é ainda mais conservador? E é preciso também lembrar que é mais conservador também por obra do PT que se engajou em campanhas de fascistas como Collor, Katia Abreu, dentre outros.
E a contar pelo discurso da Dilma após a vitória, não veremos qualquer mudança substancial do primeiro para o segundo governo. Discurso de conciliação, de diálogo (que nunca existiu com as ruas e com as minorias, e ela afirma que fará com "as forças produtivas"), de "paz". Nenhuma ponta de autocrítica, mas a manutenção do caminho já traçado.
Dilma se manteve aferrada à piada da Reforma Política como solução pros problemas (seria uma solução, mas não dentro dos moldes propostos, muito menos após uma vitória apertada), pregando o diálogo com setores específicos, citando mulheres, negros e jovens, "esquecendo" de citar Indígenas e LGBTs, em um palanque onde o que faltava era gente de esquerda.
Pelo discurso podemos imaginar que a guinada à direita se aprofundará, pese o apoio crucial da esquerda à sua vitória.
Os próximos 4 anos
O PT não apenas terá de lidar com um congresso mais conservador, como é também responsável pela eleição de muitos desses conservadores. Tendo isto em mente, fica difícil imaginar um governo mais à esquerda. Espero estar errado, mas acho muito difícil que esteja.
Os próximos 4 anos serão difíceis. Dilma foi, como comentei, eleita por margem estreita, não chegou a 4 milhões de votos sua vantagem. No geral, a maior parte do país não votou em Dilma, logo, o governo terá de trabalhar muito para garantir sua legitimidade, precisará realizar mudanças profundas e, acima de tudo, realizar uma autocrítica que está atrasada pelo menos uma década.
A continuidade das baixarias patrocinadas pelos MAVs, pelos "militantes" virtuais, pela mídia "amiga" acrítica e suja poderá dificultar a vida de Dilma, ampliando o ódio que já vimos se espalhar pelas ruas que virá junto com gritos contra a frágil legitimidade eleitoral conseguida pelo PT.
Como comentou o Maurício Caleiro no Twitter, é importante ter em mente
Serão 4 anos duros, independentemente do caminho que o PT escolher trilhar, mais do que nunca precisamos de uma esquerda forte e atuante, que se reinvente.
O exemplo do Rio para a esquerda
A votação do Tarcísio no Rio, assim como de Freixo, Jean, dentre outros, demonstra que há espaço para o crescimento da esquerda e daí precisamos tirar forças e lições.
Aliás, a eleição no Rio é emblemática. Os votos Nulo/Branco/Abstenção, somados, VENCERAM Pezão que foi eleito em absoluta minoria. Ele recebeu 4.343.298 votos enquanto o chamado "não-voto" recebeu 4.348.950, ou seja, perdeu por 5.652 votos. É uma situação bastante interessante e mostra que Junho teve um papel relevante nas eleições do Rio. E é bom lembrar que muitos votaram em Pezão apenas para evitar a vitória de Crivella e da IURD.
Pezão tem legitimidade bastante limitada e o Rio pode voltar a ver manifestações no ano que vem.
Cabe à esquerda ter a capacidade de superar diferenças pontuais e se unir, cerrando fileiras e as ampliando, buscando criar um polo alternativo à PT e PSDB (e eventualmente à Marina, que não é uma opção e saiu bastante queimada dessas eleições) para que em 2018 não se veja novamente numa encruzilhada e apoiando novamente a continuidade do PT, jogando no lixo projetos e militância.
Jean terá a responsabilidade de cobrar as promessas feitas a ele por Dilma, assim como outras figuras do partido terão de pressionar fortemente por pautas progressistas. Mas todos tem que tomar cuidado para não cair no canto do PT e não afrouxarem na construção de uma alternativa e de se fazer presente nas ruas e no parlamento como uma voz alternativa, de esquerda.
Dois tuítes de Luciana Genro, no fim, me dão esperança:
Dilma foi eleita com pouco menos de 52% dos votos (mais de 54 milhões de votos frente a pouco mais de 51 milhões de Aécio) uma diferença de mais ou menos 3 milhões de votos frente a Aécio. Os votos nulos e brancos passaram dos 7 milhões, enquanto a abstenção foi alta, chegando perto dos 30 milhões, totalizando cerca de 37 milhões de pessoas que não queriam nem um e nem outro.
Dilma foi eleita, mas em um país dividido. O PT perdeu porcentagem significativa de eleitores, sobreviveu mais do que qualquer coisa. É uma vitória, não podemos negar, mas não veio fácil.
Quase metade da população votou em seu adversário, e outros milhões não quiseram sequer votar nos dois candidatos que disputavam o segundo turno. Dilma foi eleita, mas nem de longe pela maioria da população. É preciso, então, responsabilidade e reavaliações.
Mudanças
Dilma ensaiou uma revolta contra a Veja/Abril, irá levar adiante não apenas um processo contra a revista e a editora, mas também imporá a discussão real de uma reforma da mídia? Irá rever a forma pela qual o governo injeta rios de dinheiro na grande mídia e, claro, o PT irá rever a verba que paga (admita ou não) à mídia amiga que no fim é apenas a Veja de sinal trocado?
Dilma irá manter sua política francamente criminosa nas comunicações, privilegiando sempre as teles e prejudicando o compartilhamento de conhecimento? O mesmo vale, por exemplo, para a Cultura, assim como precisamos de mudanças profundas na capacidade e vontade do governo dialogar com populações indígenas, nos direitos LGBTs (e nos recuos e submissão frente ao atraso fundamentalista), das mulheres e no trato à questões relacionadas ao meio ambiente e grandes obras de infraestrutura.
Com Dilma foram 4 anos de inexistência de diálogo e de imposição de pautas. Imposição de obras, de eventos, mesmo a tal constituinte por uma reforma política foi uma imposição sem que as ruas tivessem sido consultadas, uma imposição do PT em conjunto com seus movimentos cooptados, como a UNE.
Teremos ainda um ministro como o Cardozo oferecendo tropas federais para brutalizar ativistas, manifestantes e até grevistas, como no caso da greve do metrô este ano?
Irão continuar os gritos fanáticos e dementes de figuras como #Stanley, Eduardo Guimarães, PHA e outros, tidos como arautos por quem se dedica diariamente a espalhar ódio e desinformação ou o PT irá buscar construir uma relação de verdade com a esquerda baseada em respeito e colaboração?
O sentimento de mudança está mais claro do que nunca. Ainda que este sentimento seja difuso. Encontra-se à direita e à esquerda, e mesmo dentre o eleitorado que voltou criticamente em Dilma. É preciso contar que destes votos de Dilma uma parcela quiçá significativa foi de votos críticos. Se assumirmos que a maior parte dos votos de Luciana migraram para Dilma, ao menos 1,5 milhão de votos foram absolutamente críticas, contra o "mal maior". E eram votos que exigiam e exigem mudanças.
Como comentou o professor Pablo Ortellado:
Espero honestamente que o PT entenda que essa vitória só foi conseguida com uma união e engajamento sem precedentes da esquerda para evitar a volta do neoliberalismo. Espero também que esse reconhecimento se reverta numa ação mais progressista, sobretudo na cultura, na comunicação e no meio ambiente.Superar o ódio e ir para a esquerda?
Este é o ponto. Durante as eleições era comum ver militantes petistas, especialmente nas redes, exigindo que a esquerda votasse em Dilma sem exigir nada. Era "obrigação" nossa votar no PT contra o "mal maior" e qualquer recusa era suficiente para xingamentos de fascista, coxinha e etc.
Se é verdade que o PT precisa entender que não apenas venceu por pouco, mas que a esquerda crítica foi crucial para a vitória, por outra o partido terá o trabalho de domar a militância raivosa e suja que criou e manteve nos últimos 12 anos.
E precisa, obviamente, guinar à esquerda.
A esquerda (ou setores dela) não apenas a apoiou criticamente, mas muitos fizeram campanha, empenharam sua credibilidade por Dilma, indo além de repudiar Aécio, mas efetivamente endossando a candidatura do PT. Isto, aliás, poderá inclusive criar rusgas dentro da própria esquerda, mas este é outro assunto.
Pessoalmente não acredito que isso acontecerá. Se a governabilidade foi usada indiscriminadamente por 12 anos para garantir, legitimar e justificar todo retrocesso petista (inclusive projetos nascidos do PT, ou seja, sequer projetos impostos por aliados incômodos que o partido tinha de lidar), o que esperar agora que o congresso eleito é ainda mais conservador? E é preciso também lembrar que é mais conservador também por obra do PT que se engajou em campanhas de fascistas como Collor, Katia Abreu, dentre outros.
E a contar pelo discurso da Dilma após a vitória, não veremos qualquer mudança substancial do primeiro para o segundo governo. Discurso de conciliação, de diálogo (que nunca existiu com as ruas e com as minorias, e ela afirma que fará com "as forças produtivas"), de "paz". Nenhuma ponta de autocrítica, mas a manutenção do caminho já traçado.
Dilma se manteve aferrada à piada da Reforma Política como solução pros problemas (seria uma solução, mas não dentro dos moldes propostos, muito menos após uma vitória apertada), pregando o diálogo com setores específicos, citando mulheres, negros e jovens, "esquecendo" de citar Indígenas e LGBTs, em um palanque onde o que faltava era gente de esquerda.
Pelo discurso podemos imaginar que a guinada à direita se aprofundará, pese o apoio crucial da esquerda à sua vitória.
Os próximos 4 anos
O PT não apenas terá de lidar com um congresso mais conservador, como é também responsável pela eleição de muitos desses conservadores. Tendo isto em mente, fica difícil imaginar um governo mais à esquerda. Espero estar errado, mas acho muito difícil que esteja.
Os próximos 4 anos serão difíceis. Dilma foi, como comentei, eleita por margem estreita, não chegou a 4 milhões de votos sua vantagem. No geral, a maior parte do país não votou em Dilma, logo, o governo terá de trabalhar muito para garantir sua legitimidade, precisará realizar mudanças profundas e, acima de tudo, realizar uma autocrítica que está atrasada pelo menos uma década.
A continuidade das baixarias patrocinadas pelos MAVs, pelos "militantes" virtuais, pela mídia "amiga" acrítica e suja poderá dificultar a vida de Dilma, ampliando o ódio que já vimos se espalhar pelas ruas que virá junto com gritos contra a frágil legitimidade eleitoral conseguida pelo PT.
Como comentou o Maurício Caleiro no Twitter, é importante ter em mente
Essa eleição coloca uma grande questão ao Brasil: como fazer com q as disputas se deem em torno de programas e não de ataques baixos.
Serão 4 anos duros, independentemente do caminho que o PT escolher trilhar, mais do que nunca precisamos de uma esquerda forte e atuante, que se reinvente.
O exemplo do Rio para a esquerda
A votação do Tarcísio no Rio, assim como de Freixo, Jean, dentre outros, demonstra que há espaço para o crescimento da esquerda e daí precisamos tirar forças e lições.
Aliás, a eleição no Rio é emblemática. Os votos Nulo/Branco/Abstenção, somados, VENCERAM Pezão que foi eleito em absoluta minoria. Ele recebeu 4.343.298 votos enquanto o chamado "não-voto" recebeu 4.348.950, ou seja, perdeu por 5.652 votos. É uma situação bastante interessante e mostra que Junho teve um papel relevante nas eleições do Rio. E é bom lembrar que muitos votaram em Pezão apenas para evitar a vitória de Crivella e da IURD.
Pezão tem legitimidade bastante limitada e o Rio pode voltar a ver manifestações no ano que vem.
Cabe à esquerda ter a capacidade de superar diferenças pontuais e se unir, cerrando fileiras e as ampliando, buscando criar um polo alternativo à PT e PSDB (e eventualmente à Marina, que não é uma opção e saiu bastante queimada dessas eleições) para que em 2018 não se veja novamente numa encruzilhada e apoiando novamente a continuidade do PT, jogando no lixo projetos e militância.
Jean terá a responsabilidade de cobrar as promessas feitas a ele por Dilma, assim como outras figuras do partido terão de pressionar fortemente por pautas progressistas. Mas todos tem que tomar cuidado para não cair no canto do PT e não afrouxarem na construção de uma alternativa e de se fazer presente nas ruas e no parlamento como uma voz alternativa, de esquerda.
Dois tuítes de Luciana Genro, no fim, me dão esperança:
Venceu o PT contra o retrocesso. Menos mal. Mas é a esquerda que abandonou suas bandeiras que abriu espaço para o PSDB crescer tanto. Por isso não abrimos mão de ser oposição e construir uma esquerda coerente.Nossas lutas não são decididas nas urnas mas sim nas ruas!A elas!Vamos à luta!
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
11:00
A vitória de Dilma e as lições do Rio de Janeiro
2014-10-27T11:00:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
Aécio|Análise|Brasil|Dilma|Eleição|Esquerda|Política|PSDB|PSOL|PT|Rio de Janeiro|Vitória|
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Porque anularei meu voto com a consciência tranquila
Acima de tudo há uma razão crucial pela qual eu tenho a consciência tranquila por anular meu voto e nem remotamente pensar em votar na Dilma.
Dilma e o PT ESCOLHERAM Aécio. Escolheram disputar o segundo turno com ele.
O PT fez pesada, desleal e suja campanha contra a Marina. Atacaram até sua história, mesmo quando a história dela é basicamente a história do PT. Atacaram aliados de Marina que ontem eram aliados do PT (Como a Neca), enfim, foi uma campanha podre aos moldes da que o PSDB costuma fazer contra o... PT!
O PT no papel de atacado pelo PSDB se sentiu no direito de fazer o mesmo (pese continuar a se fazer de vítima frente ao PSDB e a mídia que o próprio PT financia e em 12 anos não passou nem perto de regular).
Essa campanha suja do PT ajudou na queda de Marina (claro, não foi o único fator, Marina foi péssima nos debates, voltou atrás em programa (pese o PT nem ter lançado o seu) e dois minutos de TV contra o tempo dos outros candidatos era algo bem complicado.
Mas, enfim, o PT mirou Marina e deixou Aécio. Porque?
Porque sabia que a esquerda não apoiaria o PT automaticamente num segundo turno contra Marina (pelo contrário, amplos setores iriam para a campanha de Marina mais fácil do que a da Dilma) e sabia que os votos de Aécio jamais migrariam pra Dilma, mas também pra Marina. O PT tinha a esperança de que os votos de Marina migrassem pra si e, claro, tinha o eterno "mal maior" para garantir o apoio da esquerda.
Com a tese do "mal maior" o PT teria mais 4 anos para fingir ser de esquerda falando que, na eleição, toda a esquerda esteve unida. Unida por motivo de força maior, mas para a propaganda petista o que interessa é apenas a imagem e não a realidade.
O primeiro fator parece não estar (ainda?) seguindo o caminho desejado pelo PT - a maior parte dos votos da Marina estão indo pro Aécio -, e o segundo era óbvio. Líderes de esquerda chegaram a apoiar o PT sem sequer exigir nada, sem uma agenda mínima sequer de apoio aos direitos humanos ou de pautas progressistas.
Se o congresso atual é o mais conservador da história, parte disso é culpa do... PT! Ao invés de eleger quadros de esquerda (imensas dúvidas quanto ao "esquerda" aí, mas ok), o PT preferiu apoiar e fazer campanha para Katia Abreu, Collor, dentre outros. O deputado federal mais votado do PT de São Paulo foi o... Andre Sanches!
Ou seja, o PT se aliou com gosto à direita, se lambuzou, elegeu, fez campanha, mas hora hora do "vamos ver" pede ajuda à esquerda?
Só pode ser piada. E é, colocaram a Katia Abreu no primeiro programa do partido na TV no segundo turno!
Tenho o maior respeito por quem tapa o nariz pra votar no PT contra o PSDB, assim como tenho pelo Jean que apoia a Dilma, mas exigiu contrapartidas, mas simplesmente não vejo razões pra apoiar o partido contra o oponente que escolheram num jogo que pensaram já ter ganho.
Querem ajuda? Peçam pra Katia Abreu. Nem o meu mais absoluto desprezo por Aécio e o verdadeiro medo que sinto do PSDB no poder são capazes de me fazer passar por cima da racionalidade e apoiar esta candidatura do PT. O que o PT faz tem nome: Chantagem. E é inaceitável.
Se votar fosse (não consegui transferir meu título), anularia com gosto e prazer.
Dilma e o PT ESCOLHERAM Aécio. Escolheram disputar o segundo turno com ele.
O PT fez pesada, desleal e suja campanha contra a Marina. Atacaram até sua história, mesmo quando a história dela é basicamente a história do PT. Atacaram aliados de Marina que ontem eram aliados do PT (Como a Neca), enfim, foi uma campanha podre aos moldes da que o PSDB costuma fazer contra o... PT!
O PT no papel de atacado pelo PSDB se sentiu no direito de fazer o mesmo (pese continuar a se fazer de vítima frente ao PSDB e a mídia que o próprio PT financia e em 12 anos não passou nem perto de regular).
Essa campanha suja do PT ajudou na queda de Marina (claro, não foi o único fator, Marina foi péssima nos debates, voltou atrás em programa (pese o PT nem ter lançado o seu) e dois minutos de TV contra o tempo dos outros candidatos era algo bem complicado.
Mas, enfim, o PT mirou Marina e deixou Aécio. Porque?
Porque sabia que a esquerda não apoiaria o PT automaticamente num segundo turno contra Marina (pelo contrário, amplos setores iriam para a campanha de Marina mais fácil do que a da Dilma) e sabia que os votos de Aécio jamais migrariam pra Dilma, mas também pra Marina. O PT tinha a esperança de que os votos de Marina migrassem pra si e, claro, tinha o eterno "mal maior" para garantir o apoio da esquerda.
Com a tese do "mal maior" o PT teria mais 4 anos para fingir ser de esquerda falando que, na eleição, toda a esquerda esteve unida. Unida por motivo de força maior, mas para a propaganda petista o que interessa é apenas a imagem e não a realidade.
O primeiro fator parece não estar (ainda?) seguindo o caminho desejado pelo PT - a maior parte dos votos da Marina estão indo pro Aécio -, e o segundo era óbvio. Líderes de esquerda chegaram a apoiar o PT sem sequer exigir nada, sem uma agenda mínima sequer de apoio aos direitos humanos ou de pautas progressistas.
Se o congresso atual é o mais conservador da história, parte disso é culpa do... PT! Ao invés de eleger quadros de esquerda (imensas dúvidas quanto ao "esquerda" aí, mas ok), o PT preferiu apoiar e fazer campanha para Katia Abreu, Collor, dentre outros. O deputado federal mais votado do PT de São Paulo foi o... Andre Sanches!
Ou seja, o PT se aliou com gosto à direita, se lambuzou, elegeu, fez campanha, mas hora hora do "vamos ver" pede ajuda à esquerda?
Só pode ser piada. E é, colocaram a Katia Abreu no primeiro programa do partido na TV no segundo turno!
Tenho o maior respeito por quem tapa o nariz pra votar no PT contra o PSDB, assim como tenho pelo Jean que apoia a Dilma, mas exigiu contrapartidas, mas simplesmente não vejo razões pra apoiar o partido contra o oponente que escolheram num jogo que pensaram já ter ganho.
Querem ajuda? Peçam pra Katia Abreu. Nem o meu mais absoluto desprezo por Aécio e o verdadeiro medo que sinto do PSDB no poder são capazes de me fazer passar por cima da racionalidade e apoiar esta candidatura do PT. O que o PT faz tem nome: Chantagem. E é inaceitável.
Se votar fosse (não consegui transferir meu título), anularia com gosto e prazer.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
11:00
Porque anularei meu voto com a consciência tranquila
2014-10-13T11:00:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
Aécio|Brasil|Campanha|campanha suja|Dilma|Eleição|Marina|Nojo|Política|PSDB|PT|Sujeira|
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014
A tese do "mal maior" prejudica a todos e mantém o PT acomodado
*Este texto é uma atualização e ampliação do "Mal maior": O petismo saindo do armário (de novo e outra vez)
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Não se vota no menos pior, busca-se construir alternativas. Voto deve ou deveria ser algo consciente, feito com a intenção de melhorar o país e não na base do medo, na base do "não tem tu, vai tu mesmo".
Se não há uma opção viável, temos de nos preparar para a luta contra quem quer que vença e não FAZER CAMPANHA para alguém ruim apenas pelo medo de outros.
Nós não temos que escolher quem será nosso algoz. Temos de lutar contra quem quer que o encarne.
Claro, podemos entender o papo do "mal maior" se estivéssemos, por exemplo, frente ao perigo de uma Frente Nacional ou algum partido abertamente fascista ou neonazista vencer. Não é o caso. Oras, Bolsonaro, um legítimo fascista é inclusive da base do PT (pode odiar o partido, votar contra, mas continua sendo do PP, da base aliada)! Há fascistas para todos os gostos e em todos os lados.
Genocídio indígena, aliança carnal com ruralistas, com evangélicos fundamentalistas (Dilma chegou a revogar decreto regulando o aborto apenas por exigência dos fundamentalistas aliados, sem falar nos programas do Ministério da Saúde que Padilha cancelou pela mesma razão), cooptação de movimentos sociais, brutalidade nas ruas e, é sempre bom lembrar, com uma militância (sic) fanatizada nas redes.
Na prática, o PT e o PSDB são idênticos. A tese do "mal maior" não se aplica.
Se por um lado o PSDB é mais feroz nas privatizações (ainda que o PT também privatize), por outro o PT é voraz na cooptação e criminalização de lutas sociais. Dilma assentou MENOS que FHC. Demarcou MENOS que FHC. E FHC é um canalha que dispensa comentários, quem viveu durante seu governo sabe bem o que digo.
Se por um lado o PSDB é visto de forma mais simpática pela mídia comercial (apesar de ser hoje o PT quem a financia), o PT tem sua mídia pessoal, tem seus "progressistas" e sua "militância" virtual absolutamente fanatizada.
Agora, é fato que cada pessoa tem formas diferentes de pensar e ver o mundo, até compreendo quem chegue na urna e, num momento de desespero, faça sua escolha e vote em Dilma. Mas fazer campanha? Tentar convencer outros de que um dos governos mais lamentáveis dos últimos tempos é bom?
É muita falta de noção e de coerência.
Cadafalso, pelotão de fuzilamento ou guilhotina. Faz diferença? É uma falsa opção, vamos morrer de maneira horrível de qualquer forma. Nos cabe denunciar a situação e buscar construir alternativas e não ficar eternamente sustentando uma delas porque enquanto existir essa sustentação esse partido e esse candidato não irá ver razão para repensar como faz as coisas. O PT SABE que muita gente acaba votando nele, não importa o que façam, pela tese do "mal maior".
É exatamente este o grande problema. Votar no PT em segundo turno apenas o faz se acomodar. Porque mudar, porque fazer autocrítica se na hora do "vamos ver" o pessoal vai votar no PT de qualquer forma? O PSDB será eternamente o "mal maior" e o PT não importa o quão enfiado na direita esteja será sempre a opção.
Que me desculpem, mas vocês estão dando carta branca para o PT continuar a ir para a direita sem culpa, sem preocupações. Não adianta falar que vai votar criticamente, o que importa pro PT é teu voto, mais um número, e não o que você pensa ou deixa de pensar nele.
Então porque fariam qualquer tipo de autocrítica se na hora que importa conseguem os votos?
De que adianta passar 4 anos fazendo oposição para, na hora do voto, apoiar quem você combate ou combateu?
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Não se vota no menos pior, busca-se construir alternativas. Voto deve ou deveria ser algo consciente, feito com a intenção de melhorar o país e não na base do medo, na base do "não tem tu, vai tu mesmo".
Se não há uma opção viável, temos de nos preparar para a luta contra quem quer que vença e não FAZER CAMPANHA para alguém ruim apenas pelo medo de outros.
Nós não temos que escolher quem será nosso algoz. Temos de lutar contra quem quer que o encarne.
Claro, podemos entender o papo do "mal maior" se estivéssemos, por exemplo, frente ao perigo de uma Frente Nacional ou algum partido abertamente fascista ou neonazista vencer. Não é o caso. Oras, Bolsonaro, um legítimo fascista é inclusive da base do PT (pode odiar o partido, votar contra, mas continua sendo do PP, da base aliada)! Há fascistas para todos os gostos e em todos os lados.
Genocídio indígena, aliança carnal com ruralistas, com evangélicos fundamentalistas (Dilma chegou a revogar decreto regulando o aborto apenas por exigência dos fundamentalistas aliados, sem falar nos programas do Ministério da Saúde que Padilha cancelou pela mesma razão), cooptação de movimentos sociais, brutalidade nas ruas e, é sempre bom lembrar, com uma militância (sic) fanatizada nas redes.
Na prática, o PT e o PSDB são idênticos. A tese do "mal maior" não se aplica.
Se por um lado o PSDB é mais feroz nas privatizações (ainda que o PT também privatize), por outro o PT é voraz na cooptação e criminalização de lutas sociais. Dilma assentou MENOS que FHC. Demarcou MENOS que FHC. E FHC é um canalha que dispensa comentários, quem viveu durante seu governo sabe bem o que digo.
Se por um lado o PSDB é visto de forma mais simpática pela mídia comercial (apesar de ser hoje o PT quem a financia), o PT tem sua mídia pessoal, tem seus "progressistas" e sua "militância" virtual absolutamente fanatizada.
Agora, é fato que cada pessoa tem formas diferentes de pensar e ver o mundo, até compreendo quem chegue na urna e, num momento de desespero, faça sua escolha e vote em Dilma. Mas fazer campanha? Tentar convencer outros de que um dos governos mais lamentáveis dos últimos tempos é bom?
É muita falta de noção e de coerência.
Cadafalso, pelotão de fuzilamento ou guilhotina. Faz diferença? É uma falsa opção, vamos morrer de maneira horrível de qualquer forma. Nos cabe denunciar a situação e buscar construir alternativas e não ficar eternamente sustentando uma delas porque enquanto existir essa sustentação esse partido e esse candidato não irá ver razão para repensar como faz as coisas. O PT SABE que muita gente acaba votando nele, não importa o que façam, pela tese do "mal maior".
É exatamente este o grande problema. Votar no PT em segundo turno apenas o faz se acomodar. Porque mudar, porque fazer autocrítica se na hora do "vamos ver" o pessoal vai votar no PT de qualquer forma? O PSDB será eternamente o "mal maior" e o PT não importa o quão enfiado na direita esteja será sempre a opção.
Que me desculpem, mas vocês estão dando carta branca para o PT continuar a ir para a direita sem culpa, sem preocupações. Não adianta falar que vai votar criticamente, o que importa pro PT é teu voto, mais um número, e não o que você pensa ou deixa de pensar nele.
Então porque fariam qualquer tipo de autocrítica se na hora que importa conseguem os votos?
De que adianta passar 4 anos fazendo oposição para, na hora do voto, apoiar quem você combate ou combateu?
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segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Conservadorismo: Os próximos 4 anos serão duros, vença quem vencer.
O PT quase desapareceu em alguns estados, como PE e DF e teve votação muito menor e menos eleitos que nas eleições passadas. Caiu de 88 para 70 deputados. Ao passo que o PSDB subiu (44-55) e houve uma explosão de partidos nanicos aparecendo.
Vamos nos lembrar qual era o discurso dos petistas fanáticos pra justificar todo e cada recuo vergonhoso: Governabilidade. O PT não teria grande bancada, logo, está justificado e aceito todo recuo.
Agora será pior. Com bancada ainda menor (por escolha do PT, aliás, que perdeu votos tanto do eleitor enojado quanto por ter aberto mão de vagas para apoiar bandidos como Collor ou Katia Abreu) os recuos serão maiores e as justificativas nojentas da "Militância" idem.
Mas porque o PT recuou tanto? São vários os fatores, mas imagino que os principais seriam:
- Guinada para a direita afastou eleitorado de esquerda, além da campanha suja petista que afastou outros tantos
- Protesto de junho e repressão durante a Copa (o número de votos nulo, branco e abstenções em estados como Rio e SP foi enorme, o que denota um cansaço do eleitorado)
- Apoio do PT a candidatos milicianos e bastante duvidosos (no Rio em especial, os Tatto em SP, etc)
- Apoio do PT a candidatos abertamente fascistas, como Katia Abreu ou Collor, ou ainda Lobão Filho, Helder Barbalho, etc o que, no fim, diminui a visibilidade do PT e também afasta o eleitorado de esquerda
- O PT lançou candidatos fracos em estados como São Paulo e Santa Catarina (dentre outros) o que diminuiu a visibilidade/atratividade dos demais candidatos a deputados
- Um esgotamento natural do lulismo/petismo
A maior parte dos fatores me parecem ter a mesma origem, que é o lulismo de coalizão empurrando o partido inexoravelmente para a direita e mesmo o apoio a fascistas e gente de extrema-direita. Curiosamente, candidatos de extrema-direita como Telhada ou Bolsonaro tiveram votações incríveis, e isso se explica pelo antipetismo que, em parte, cresce pelo ódio da cooptação feita pelo PT de elementos tradicionais da direita.
É uma verdadeira salada.
O fato é que se os últimos 4 anos de Dilma foram ruins, os possíveis próximos 4 serão piores, pois serão mais partidos irrelevantes para acomodar, mais fascistas para obedecer e mais espaço para a desculpa esfarrapada da "governabilidade" para justificar cada recuo vergonhoso.
Vejam bem, as alianças e o modo de fazer política do PT são os grandes responsáveis pela bancada ter diminuído e do partido ter (sic) que aprofundar ainda mais tais alianças e, logo, o conservadorismo. O militante fanatizado, aliás, é o grande responsável por isso, por aplaudir recuos e justificá-los, alienando assim parte considerável do eleitorado que simplesmente não aceitou calado.
E não se enganem, parte considerável dos votos de Marina e acredito que uma parte dos que Aécio terá (além de muitos votos nulos e abstenções) vieram e virão de eleitores que outrora votavam ou votariam no PT, mas que se sentem enojados pelas práticas políticas do partido.
Claro que 4 anos de Aécio é uma opção igualmente terrível. O PSDB dispensa comentários em seu modo privatista de governar. Obviamente meu texto não tem por objetivo sensibilizar ou alcançar eleitores tradicionais do PSDB.
enfim, fugir para o Uruguai parece uma opção válida e até correta nessa altura do campeonato - em São Paulo mais ainda com Alckmin reeleito direto, pese a nulidade que era o Padilha, e a água acabando.
Só espero que quando a água acabar não venham reclamar pelas escolhas que acabaram de fazer.
Vamos nos lembrar qual era o discurso dos petistas fanáticos pra justificar todo e cada recuo vergonhoso: Governabilidade. O PT não teria grande bancada, logo, está justificado e aceito todo recuo.
Agora será pior. Com bancada ainda menor (por escolha do PT, aliás, que perdeu votos tanto do eleitor enojado quanto por ter aberto mão de vagas para apoiar bandidos como Collor ou Katia Abreu) os recuos serão maiores e as justificativas nojentas da "Militância" idem.
Mas porque o PT recuou tanto? São vários os fatores, mas imagino que os principais seriam:
- Guinada para a direita afastou eleitorado de esquerda, além da campanha suja petista que afastou outros tantos
- Protesto de junho e repressão durante a Copa (o número de votos nulo, branco e abstenções em estados como Rio e SP foi enorme, o que denota um cansaço do eleitorado)
- Apoio do PT a candidatos milicianos e bastante duvidosos (no Rio em especial, os Tatto em SP, etc)
- Apoio do PT a candidatos abertamente fascistas, como Katia Abreu ou Collor, ou ainda Lobão Filho, Helder Barbalho, etc o que, no fim, diminui a visibilidade do PT e também afasta o eleitorado de esquerda
- O PT lançou candidatos fracos em estados como São Paulo e Santa Catarina (dentre outros) o que diminuiu a visibilidade/atratividade dos demais candidatos a deputados
- Um esgotamento natural do lulismo/petismo
A maior parte dos fatores me parecem ter a mesma origem, que é o lulismo de coalizão empurrando o partido inexoravelmente para a direita e mesmo o apoio a fascistas e gente de extrema-direita. Curiosamente, candidatos de extrema-direita como Telhada ou Bolsonaro tiveram votações incríveis, e isso se explica pelo antipetismo que, em parte, cresce pelo ódio da cooptação feita pelo PT de elementos tradicionais da direita.
É uma verdadeira salada.
O fato é que se os últimos 4 anos de Dilma foram ruins, os possíveis próximos 4 serão piores, pois serão mais partidos irrelevantes para acomodar, mais fascistas para obedecer e mais espaço para a desculpa esfarrapada da "governabilidade" para justificar cada recuo vergonhoso.
Vejam bem, as alianças e o modo de fazer política do PT são os grandes responsáveis pela bancada ter diminuído e do partido ter (sic) que aprofundar ainda mais tais alianças e, logo, o conservadorismo. O militante fanatizado, aliás, é o grande responsável por isso, por aplaudir recuos e justificá-los, alienando assim parte considerável do eleitorado que simplesmente não aceitou calado.
E não se enganem, parte considerável dos votos de Marina e acredito que uma parte dos que Aécio terá (além de muitos votos nulos e abstenções) vieram e virão de eleitores que outrora votavam ou votariam no PT, mas que se sentem enojados pelas práticas políticas do partido.
O PT e o governo achavam que poderiam alimentar uma cultura de direita e, ao mesmo tempo, angariar os votos dos eleitores da direita histórica. Erro brutal (e que não começou agora, mas há anos!). Cometeram um crime contra as lutas emancipatórias. A possível vitória do Aécio deve ser colocada na conta do próprio governo, dos partidos e das lideranças políticas de sua base. Rogério JunqueiraSe depois de tudo isso o PT não conseguiu entender o recado, então é apagar a luz e fechar a porta.
Claro que 4 anos de Aécio é uma opção igualmente terrível. O PSDB dispensa comentários em seu modo privatista de governar. Obviamente meu texto não tem por objetivo sensibilizar ou alcançar eleitores tradicionais do PSDB.
enfim, fugir para o Uruguai parece uma opção válida e até correta nessa altura do campeonato - em São Paulo mais ainda com Alckmin reeleito direto, pese a nulidade que era o Padilha, e a água acabando.
Só espero que quando a água acabar não venham reclamar pelas escolhas que acabaram de fazer.
Um PT com 18 deputados a menos e qualitativamente pior.Lista do Congresso em Foco:
Um Congresso fracionado numa miríade de partidos e de perfil ainda mais conservador e fisiológico.
Uma presidente (se vier a ser eleita) com a pior votação desde que o PT conquistou a presidência da República.
Moral da história: tudo o que você viu até agora sobre a tal governabilidade será brincadeira de criança quando comparado ao que está por vir, para deleite do PMDB. Gustavo Gindre
Partido – Número atual de deputados – Total de eleitos
PT – 88 – 70
PMDB – 71 – 66
PSDB – 44 – 55
PP – 40 – 37
PSD – 45 – 37
PR – 32 – 34
PSB – 24 – 34
PTB – 18 – 26
DEM – 28 – 22
PRB – 10 – 20
PDT – 18 – 19
SD – 22 – 16
PSC – 12 – 12
Pros – 20 – 11
PPS – 6 – 10
PCdoB – 15 – 9
PV – 8 – 8
Psol – 3 – 5
PHS – nenhum – 4
PEN – 1 – 3
PMN – 3 – 3
PTN – nenhum – 3
PRP – 2 – 2
PTC – nenhum – 2
PSDC – nenhum – 2
PRTB – nenhum – 1
PSL – nenhum – 1
PTdoB – 3 – 1
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domingo, 5 de outubro de 2014
Esquerda no Brasil: Junho morreu na praia?
"Por que a onda de 2013 vai morrer na praia? Entre outros motivos, porque as redes e organizações ditas horizontais que chamaram os protestos do ano passado não produzem lideranças. A democracia representativa depende de líderes, o poder não admite vácuo. Os manifestantes não se organizaram para preenchê-lo, mas os profissionais sim. É a volta dos que nunca foram embora.
Por essa contradição mal-resolvida, pela aridez econômica e climática, 2015 deve ser ano de mais nuvens lacrimogêneas. Melhor estocar água e vinagre."
Infelizmente faz sentido. Aliás, eu lembro de ter conversado longamente com muita gente sobre isso. O problema em si não está na horizontalidade (o Podemos mostrou que é possível manter a horizontalidade e criar lideranças e esperança), mas sim na falta de líderes e na insistência de alguns grupos de repudiar a política (eleitoral) como um todo.
Ao invés de "Só a luta muda a vida", o "vote nulo". O primeiro lema agrega a luta nas ruas, mas não esquece que até algo mudar teremos de também preencher espaços no parlamento. É triste ver que algumas pequenas lideranças surgidas das ruas encham a boca pra falar que políticos são todos iguais e pregando voto nulo. Oras, isso é o mesmo que dizer que não há diferença entre votar num Bolsonaro ou num Jean Wyllys.
É despolitizante.
É óbvio que o voto nulo em si não é despolitizante, há casos em que é a única alternativa, mas o voto nulo e ponto, como solução enquanto negação da política eleitoral e partidária é despolitizante, pois negamos um direito, reduzimos tudo ao zero, igualamos desiguais e nos recusamos a nos comprometer e a ter esperanças.
No fim, nos descolamos da sociedade adotando uma posição pseudo-vanguardista e iluminada e nos fechamos em casulos.
Na Espanha a esquerda soube se juntar e criar uma força política que agregou boa parte dos movimentos nas ruas, e no Brasil? Ainda não fomos capazes.
Não significa que junho tenha "morrido na praia" - ainda -, significa, neste momento, que a esquerda ainda não foi capaz de passar por cima de diferenças e buscar uma politização conjunta agregando ruas e urnas.
Ainda há muito o que nadar.
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sábado, 4 de outubro de 2014
Marina e a alegoria espanhola: O PT prefere o PSDB
Algumas pessoas um tanto quanto inocentes tem se surpreendido com a aparente preferência do PT por ter Aécio disputando o segundo turno e não a Marina.
A surpresa, de fato, só pode vir de inocência.
Se por um lado é óbvio que dado o crescimento inicial astronômico da Marina esta iria se tornar o principal alvo dos petistas e de sua campanha suja, por outro é interessante notar que mesmo com sua imensa queda a carga contra ela continua e vemos pelas redes petistas mais ou menos destacados comentar sem pudor que preferem disputar com Aécio e reeditar o velho "bem versus mal" fake de sempre, ou seja, reeditar o velho PT versus PSDB de onde nada de bom sai.
É mais confortável para o PT e, lógico, interessa ao PSDB.
O curioso é que este é um método sujo típico de partidos que flertam com o fascismo, vide agora o caso do PP na Espanha. Partido franquista, governa a Espanha há considerável tempo, com danos significativos e, claro, com respostas inúmeras das ruas. Se é verdade que dificilmente perderia as eleições que se aproximam, pode porém perder a maioria absoluta e se veriam em situação complicada frente à segunda força: Não mais o cordial e conivente PSOE, mas o "radical" Podemos, nascido das ruas, dos movimentos indignados e uma verdadeira pedra no sapato das elites.
As hostes do PP já pensam em compor eleitoralmente (mesmo que não-oficialmente) com o PSOE, que se tornaria terceira força e dificultaria a vida dos bancos e elites.
O que vemos no Brasil e na Espanha é um quadro semelhante de dois partidos de direita (pese que PSOE, PT e PSDB se dizem de esquerda), financiados pelas mesmas elites e representando os mesmos interesses, apavorados e compondo aliança informal para derrotar a terceira via (mesmo que no caso do Brasil essa "terceira via" seja extremamente duvidosa, pese ser uma novidade) que pode ou poderia colocar em perigo seus negócios e negociatas.
É a carga máxima de ataques à "terceira via" numa composição "branca" com a força que até ontem era a grande inimiga. O inimigo do meu inimigo é meu amigo.
Para o PT o melhor negócio é disputar o segundo turno com o PSDB, que tem um candidato fraco, do que com a Marina que pese se mostrar igualmente fraca nos debates televisionados, possui um discurso muito mais perigoso ao PT e não tem o mesmo teto de vidro que o PSDB, que governou deforma desastrosa o país em anos anteriores.
Da mesma forma, para o PP o melhor é ter a oposição cordial do PSOE do que enfrentar um adversário que não se submeterá à "banca" e à "troika" e que dificultará os acordos e negociatas desse partido e eventuais alianças pontuais com o PSOE, o que ficaria ainda mais escancarado se este fosse terceira força e se recusasse a formar uma frente de esquerda.
para continuar nos braços dos patrocinadores.
Neste ponto o PSOE encontra no PT um semelhante, que, no poder, se recusa a ir para a esquerda para não perder patrocínio e aliados (muitos abertamente fascistas). É mais cômodo administrar o país para os poderosos que incomodá-los.
Por fim, o discurso da Marina é mais perigoso ao PT e seus interesses que o do PSDB, ligado às mesmas elites empresariais, oligarcas, ruralistas e afins (eram todos aliados de FHC antes de migrarem para Lula/Dilma), daí a virulência do repúdio de membros e simpatizantes fanatizados deste partido nas redes e no horário político.
O interessante é que mesmo com outras intenções, a comparação entre os cenários eleitorais brasileiro e espanhol já foi feita até por petistas, ainda que enviesada, com total desconhecimento de causa e com o interesse único de ajudar o PT.
Neste artigo, para quem se interessar, explico melhor neste texto o falso argumento do blogueiro petista e analiso também parte da razão do pavor do PP e do PSOE frente ao crescimento do Podemos em números e em possibilidade de coalizões.
A surpresa, de fato, só pode vir de inocência.
Se por um lado é óbvio que dado o crescimento inicial astronômico da Marina esta iria se tornar o principal alvo dos petistas e de sua campanha suja, por outro é interessante notar que mesmo com sua imensa queda a carga contra ela continua e vemos pelas redes petistas mais ou menos destacados comentar sem pudor que preferem disputar com Aécio e reeditar o velho "bem versus mal" fake de sempre, ou seja, reeditar o velho PT versus PSDB de onde nada de bom sai.
É mais confortável para o PT e, lógico, interessa ao PSDB.
O curioso é que este é um método sujo típico de partidos que flertam com o fascismo, vide agora o caso do PP na Espanha. Partido franquista, governa a Espanha há considerável tempo, com danos significativos e, claro, com respostas inúmeras das ruas. Se é verdade que dificilmente perderia as eleições que se aproximam, pode porém perder a maioria absoluta e se veriam em situação complicada frente à segunda força: Não mais o cordial e conivente PSOE, mas o "radical" Podemos, nascido das ruas, dos movimentos indignados e uma verdadeira pedra no sapato das elites.
As hostes do PP já pensam em compor eleitoralmente (mesmo que não-oficialmente) com o PSOE, que se tornaria terceira força e dificultaria a vida dos bancos e elites.
O que vemos no Brasil e na Espanha é um quadro semelhante de dois partidos de direita (pese que PSOE, PT e PSDB se dizem de esquerda), financiados pelas mesmas elites e representando os mesmos interesses, apavorados e compondo aliança informal para derrotar a terceira via (mesmo que no caso do Brasil essa "terceira via" seja extremamente duvidosa, pese ser uma novidade) que pode ou poderia colocar em perigo seus negócios e negociatas.
É a carga máxima de ataques à "terceira via" numa composição "branca" com a força que até ontem era a grande inimiga. O inimigo do meu inimigo é meu amigo.
Para o PT o melhor negócio é disputar o segundo turno com o PSDB, que tem um candidato fraco, do que com a Marina que pese se mostrar igualmente fraca nos debates televisionados, possui um discurso muito mais perigoso ao PT e não tem o mesmo teto de vidro que o PSDB, que governou deforma desastrosa o país em anos anteriores.
Da mesma forma, para o PP o melhor é ter a oposição cordial do PSOE do que enfrentar um adversário que não se submeterá à "banca" e à "troika" e que dificultará os acordos e negociatas desse partido e eventuais alianças pontuais com o PSOE, o que ficaria ainda mais escancarado se este fosse terceira força e se recusasse a formar uma frente de esquerda.
para continuar nos braços dos patrocinadores.
Neste ponto o PSOE encontra no PT um semelhante, que, no poder, se recusa a ir para a esquerda para não perder patrocínio e aliados (muitos abertamente fascistas). É mais cômodo administrar o país para os poderosos que incomodá-los.
Por fim, o discurso da Marina é mais perigoso ao PT e seus interesses que o do PSDB, ligado às mesmas elites empresariais, oligarcas, ruralistas e afins (eram todos aliados de FHC antes de migrarem para Lula/Dilma), daí a virulência do repúdio de membros e simpatizantes fanatizados deste partido nas redes e no horário político.
O interessante é que mesmo com outras intenções, a comparação entre os cenários eleitorais brasileiro e espanhol já foi feita até por petistas, ainda que enviesada, com total desconhecimento de causa e com o interesse único de ajudar o PT.
Neste artigo, para quem se interessar, explico melhor neste texto o falso argumento do blogueiro petista e analiso também parte da razão do pavor do PP e do PSOE frente ao crescimento do Podemos em números e em possibilidade de coalizões.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
11:41
Marina e a alegoria espanhola: O PT prefere o PSDB
2014-10-04T11:41:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
Aécio|Aliança|Brasil|Dilma|Direita|Eleição|Esquerda|Fail|Marina|Podemos|Política|PP|PSDB|PSOE|PT|
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quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Blog do Tsavkko apoia Jean Wyllys para Deputado Federal
Dizer que o Jean é um ativista pelos direitos LGBT é não apenas reduzir sua luta, como dividir os Direitos Humanos em pequenos núcleos que não se comunicam. Não, Jean defende os Direitos Humanos, com letra maiúscula, e nisso defende LGBTs, mulheres, indígenas, sem terra, sem teto, prostitutas... defende nossos direitos, os direitos de todos e todas.
Em 4 anos Jean lutou pela visibilidade de grupos normalmente (re)tratados com desprezo, escondidos sob o tapete ou mesmo criminalizados, mas 4 anos é muito pouco para tamanha luta. Precisamos garantir mais um mandato não apenas para ele, mas para aqueles que defendam com unhas e dentes - mas sempre com alegria - os Direitos Humanos, os NOSSOS direitos.
Jean é necessário. Mas é bom ter em mente que só ele não pode levar a bandeira dos Direitos Humanos sozinho.
Votem em candidatos e candidatas que não tenham medo de dar a cara a tapa na defesa intransigente das minorias e votem em Jean Wyllys para continuar a encabeçar esta luta.
------
Bons candidatos para se votar no Rio:
Pra Federal - Jean Wyllys, Renato Cinco e Chico Alencar
Pra Estadual - Ivone Pita, Bruno Mattos, Flavio Serafini e Marcelo Freixo
E pra governador sem dúvida recomendo o Tarcísio Motta
Em São Paulo:
Pra Federal meu voto é do Givanildo-Giva Manoel
Pra Estadual meu voto é do Todd Tomorrow
Em 4 anos Jean lutou pela visibilidade de grupos normalmente (re)tratados com desprezo, escondidos sob o tapete ou mesmo criminalizados, mas 4 anos é muito pouco para tamanha luta. Precisamos garantir mais um mandato não apenas para ele, mas para aqueles que defendam com unhas e dentes - mas sempre com alegria - os Direitos Humanos, os NOSSOS direitos.
Jean é necessário. Mas é bom ter em mente que só ele não pode levar a bandeira dos Direitos Humanos sozinho.
Votem em candidatos e candidatas que não tenham medo de dar a cara a tapa na defesa intransigente das minorias e votem em Jean Wyllys para continuar a encabeçar esta luta.
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Bons candidatos para se votar no Rio:
Pra Federal - Jean Wyllys, Renato Cinco e Chico Alencar
Pra Estadual - Ivone Pita, Bruno Mattos, Flavio Serafini e Marcelo Freixo
E pra governador sem dúvida recomendo o Tarcísio Motta
Em São Paulo:
Pra Federal meu voto é do Givanildo-Giva Manoel
Pra Estadual meu voto é do Todd Tomorrow
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
11:00
Blog do Tsavkko apoia Jean Wyllys para Deputado Federal
2014-09-10T11:00:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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terça-feira, 2 de setembro de 2014
Marina Silva: A alternativa que não é... uma alternativa
![]() |
| Marina pró-LGBT? É ver pra crer... |
Espelho
Marina joga no vácuo criado pela disputa PTxPSDB, mas não difere substancialmente deles. Seu discurso, no entanto, é modulado para parecer que é novo, que é outro. Marina não tem nada de novo, é mais do mesmo. Mas ela soube se colocar.
Pode-se dizer que economicamente Marina seja um pouco mais (neo)liberal que o PT, mas o tom das críticas e a hipocrisia com que são feitas apenas dá forças ao projeto marinista. Como levar a sério quem critica Marina por se aliar ao Itaú quando foi este banco o quarto maior doador de Dilma? Ou as críticas de que ela seria aliada do empresariado e da elite, quando Dilma garantiu a estes setores lucros históricos? Se Marina e privatista, Dilma não fica atrás.
Marina se coloca acima de partidos e de candidatos/adversários. Elogia uns, critica outros, não se mete em briga e não se deixa rotular. Isso agrada ao eleitor médio.
E é sempre bom lembrar que qualquer crítica feita pelo PT à Marina serve como um espelho. E o PSDB não está muito melhor na situação. Seu candidato, Aécio Neves, é ridiculamente fraco, artificial e não empolga nem sua própria "militância".
"Como para Dilma a política é irrelevante, já que no final com as transformações econômicas promovidas todos lhe dariam razão, tudo que envolve um conflito é deixado de lado em torno da viabilidade desse projeto desenvolvimentista. Pior: Dilma fez preponderar no PT, que era um partido razoavelmente afinado com a causa ecológica, a mentalidade de que a preocupação ambiental está em conflito com o desenvolvimento social."Os limites da disputa PTxPSDB
Importante notar que tudo que o PT faça o PSDB critica. E tudo que o PSDB faça, o PT critica. Ainda que, no fim, as práticas de ambos seja semelhante. Marina, ao sair dessa lógica de "tudo que o outro faz é ruim e só eu sou o bom" cria um escudo fantástico contra os ataques vindos contra ela.
A Marina de 2010 está morta e enterrada, pro bem ou pro mal, mas é em parte a imagem dessa Marina que mantém um eleitorado fiel enquanto ela tenta realizar algumas mudanças no discurso para agregar novos eleitores. E isto vem funcionando não apenas por ela ou por sua capacidade de mediar conflitos e de enrolar discursos, mas porque a política tradicional, PT e PSDB estão no limite.
A posição de Marina a torna imune a ataques, pois a população cansou. Cansou de apenas ataques, de picuinhas, de "tretas" eternas que, no fim, pouco diferenciam situação e oposição. Os ataques acabam fortalecendo a posição murista da Marina. É possível que num segundo turno o clima esquente e com apenas um adversário ela seja forçada a descer do muro e se posicionar mais claramente sobre diversas questões, mas por enquanto a tática tem funcionado às mil maravilhas.
Marina posa com sua imagem de alternativa em 2010 como a saída deste marasmo. Aos não pré-convertidos ela modula seu discurso. Quer "unidade", "união", que "todos trabalhando" e repudia rótulos.
Oras, em geral o repúdio a rótulos e a chamada eterna por unidade está atrelada à direita que tem medo de se mostrar. E sim, Marina é uma candidata que economicamente se coloca à direita e que em 2010 também estava neste campo no social. Hoje seu discurso social mudou, ela parece ter uma maior compreensão dos direitos humanos, desistiu da ideia absurda de plebiscito para direitos humanos (ao menos para alguns itens, retomarei o tema no fim do artigo), mas é bom lembrar que tudo isto é apenas em tese. Aliás, Marina continua defendendo absurdos como, por exemplo, plebiscito para o DIREITO ao aborto e legalização das drogas.
E PTxPSB/Marina
Questão é que a Marina no campo das ideias é teoricamente melhor que a Dilma/PT na prática, e isso explica o porque de muitos ativistas terem se bandeado para seu lado. Dilma é a certeza de um governo péssimo na área dos direitos humanos, a Marina é uma incógnita, uma pedra bruta a ser lapidada, uma pessoa supostamente mais aberta ao diálogo e ao contraditório (oras, sua mudança de 2010 pra cá seria uma mostra disso). E digo tudo isso sobre a Marina não por confiar nela - não confio, mas simplesmente porque Marina nunca governou, então não sabemos efetivamente como seria seu governo. Podemos apenas imaginar.
Confesso que entre a certeza e a dúvida, não prefiro nenhuma delas, mas compreendo quem aposte pela dúvida.
Penso que só um milagre ao melhor estilo Russomano tira da Marina a presidência, mas alerto, não esperem grande coisa de um governo de transição e sem propostas para além de ser “diferente”. Marina não é de esquerda, seu ambientalismo hoje não é mais que fachada. Mas isso parece pouco importar.
Como comentou o Mauricio Caleiro :
Em primeiro lugar, há de se ter claro que a candidatura de Marina Siva não anula uma das características mais preocupantes das eleições 2014: a constatação de que, a rigor, elas não oferecem ao eleitor uma candidatura competitiva de esquerda. Isso se deve, sobretudo, à primazia que as três candidaturas com chance de vitória concedem, com insignificantes nuances entre si, a um modelo econômico de origem neoliberal e que privilegia os interesses do mercado financeiro em detrimento aos da população.Marina é uma alternativa que não é. Acaba (momentaneamente?) com a disputa PT/PSDB, mas não traz nada de novo. Não traz nenhuma nova forma de fazer política, não traz projetos relevantes ou novas ideias. Pelo contrário, traz e aplica o mesmo receituário antigo, mas vence por ter uma imagem que a descola do "velho".
Tal modelo baseia-se no propalado "tripé econômico", constituído de metas pré-definidas de inflação, dólar flutuante (ou seja, sem intervenção estatal no sentido de manipular a taxa de câmbio) e rigor fiscal, traduzido em metas para superávit primário (a relação entre receita e despesas, excetuadas aquelas dispensadas ao pagamento de juros da dívida pública).
[...]
Enquanto Aécio levaria esse modelito neoliberal ao limite e Dilma o tem transigido eventualmente, manipulando índices aqui e ali, mas, com a covardia característica, sem jamais assumir uma postura critica em relação a ele – pelo contrário, ela não cansa de jurar estar sendo fel ao tripé -, Marina já deixou claro que o manterá ao pé da letra.
Marina, como Dilma, tem um discurso para cada grupo a quem se dirige, muitas vezes discursos contraditórios, mas enquanto Dilma e sua candidatura perdem força, Marina cresce.
E, pasme, o discurso que muitos apoiadores de última hora de Marina adotam é o mesmo que elegeu Dilma em 2010: O mal menor. Só que para um público mais amplo Marina vem travestida de esperança, ainda que menos que em 2010. É preciso nunca esquecer, porém, que o "mal menor" continua sendo o/um "mal".
Marina não representa Junho, mas apenas um Lulismo Radical
E é bom lembrar, Marina adotou um discurso de "novo" que, no fim, nada mais é que um lulismo radical ou radicalizado.
Certo ou errado, Marina canalizou o descontentamento com a política e a classe política muito baseado em quem era em 2010. Ela soube se atualizar. Se apropriou de Junho, fingindo-se de oráculo da juventude revoltada, mas sabendo se descolar daquilo que Junho trouxe de incômodo. Sob Dilma caiu o peso da repressão de Junho, sob Marina o sentimento de mudança.
E, lembrem-se, Marina NÃO representa junho. Não representa as ruas, não encampa suas bandeiras. Mas soube se apropriar daquilo que lhe interessa do discurso e, acima de tudo, da revolta.
O que quero dizer com tudo isso? Simples: Não importa quem ganhe, teremos de continuar mobilizados para combater. Para alguns há espaço para diálogo com Marina no poder, não sei, mas concordo que com Dilma este espaço não existe. Estaremos trocando o certo (e ruim) pelo desconhecido, mas fiquemos atentos, pois este desconhecido pode ser tão ruim quanto o que temos hoje.
Mas há (ou haverá), enfim, a possibilidade de um espaço para a esquerda respirar e se reorganizar. A esquerda precisa renascer, se reinventar.
Como, novamente, disse o Caleiro (e recomendo fortemente que leiam o texto dele):
[...] impedir a continuidade do governo Dilma seria a resposta cívica a uma governanta que não hesitou incorrer em estelionato eleitoral ao se comprometer, em comercial de campanha, a não privatizar o Pré-Sal e, uma vez no poder, fazê-lo, e a troco de banana. A uma mandatária que foi fiadora e parceira dos governos estaduais na brutal repressão aos protestos populares, o pior legado da Copa a ameaçar de maneira permanente o direito constitucional à manifestação. A uma presidente autoritária e arrogante, que reprimiu grevistas, destratou professores das universidades públicas e só se dispôs ao diálogo com a sociedade - de forma torta e breve - após o povo sair, de forma massiva, às ruas, num movimento que deixou claro a farra do mundo maravilhoso do petismo, mas que estes até hoje não compreenderam.Conclusões
Por fim, publiquei durante o fim de semana no Facebook esta "tabela" comparando alguns pontos do programa de Marina com as práticas de Dilma/PT:
Tentando fazer uma comparação rápida e grosseira entre as propostas de Marina e a realidade de Dilma em diversas áreas que eu consegui dar uma olhada e ler análises:Mantenho as conclusões de artigo anterior sobre o tema, mesmo depois do recente recuo na questão LGBT - seu projeto continua mais progressista que o projeto e as práticas petistas, pese a mudança criar uma desconfiança notável.
- Economia: Semelhante, mas Marina propõe uma maior liberalização com autonomia do BC. Marina perde essa por pouco.
- Política Externa: Marina propõe uma política externa mais tímida e mesmo que a Pol. Ext de Dilma seja fraca em comparação com Lula, ainda parece mais consistente que a de Marina. Marina perde.
- Benefícios Sociais: Marina quer manter o que Lula fez, assim como Dilma. Empate.
- Meio Ambiente: Marina tem imensa preocupação na Área, Dilma é um monstro. Marina vence de lavada.
- Energia: Marina aposta em fontes renováveis diversas, em diversificação da matriz energética, Dilma aposta em grandes obras com impactos nefastos. Marina vence de lavada.
- Direitos das mulheres: Marina não vai além no direito ao aborto já conquistado (em casos específicos e bem limitado), mas Dilma REVOGOU portaria que garantia ao menos esses direitos. Marina vence.
- Direitos LGBTs: Marina propôs uma agenda LGBT progressista, Dilma é notória homofóbica e CANCELOU projetos. Marina vence de lavada
- Questão Indígena: Dilma foi um dos maiores retrocessos da história em questão indígena, Marina propõe respeitar o direito à consulta prévia (ignorado por Dilma) e demarcar as terras pendentes. Marina vence.
- Saúde: Nenhuma grande novidade em relação à Dilma. Empate.
- Segurança: Marina não propõe, como Dilma, desmilitarização. Nem traz qualquer programa inovador. Empate.
- Direitos Humanos como um todo: Dilma foi um verdadeiro câncer, Marina traz novas propostas e agendas e mesmo naquilo que não avança do que já existe, se mostra mais progressista que Dilma. Vence de lavada. Aliás, se Marina não atrapalhar já terá feito mais pelos DH que Dilma.
Obviamente, ao longo da semana foi possível ver que APESAR do programa LGBT, no papel, ser melhor que o da Dilma - mesmo com os recuos - algumas declarações de Marina mostram que ela não parece ter evoluído tanto quanto muitos imaginavam (ou imaginávamos).
Não se trata de torcer/apoiar a Marina, que continua sendo uma representante do atraso, e sim torcer por uma derrota do PT. Deixando claro: Marina é ruim, péssima. O recuo feito por ela na temática LGBT menos de 24 horas após lançado o programa, à mando de Malafaia, é assustador e denuncia que ela dificilmente será progressista em seu governo:
Todos os cenários são ruins para a população e todos exigem mobilização constante, movimentos sociais fortes e atuantes que, sem o PT no poder e sem a verba ilimitada para o partido cooptar, poderiam efetivamente se reerguer. Não tenho qualquer esperança de que o PT derrotado voltaria a seu papel de oposição de esquerda. O partido se degenerou de tal forma que não resta mais ilusão. Precisa do poder e das verbas que vem com ele. Uma oposição de esquerda invariavelmente teria de nascer das ruas e dos movimentos sociais e coletivos diversos.Não nutro qualquer esperança em um governo Marina Silva, mesmo que o programa dela fosse o originalmente divulgado, progressista em direitos humanos. Tudo seria apenas "em tese". A questão que permanece, no entanto, é que Dilma é a realidade que conhecemos, de recuos frente ao mesmo Malafaia, a Edir Macedo e a toda a bancada evangélica e de uma agenda medíocre e retrógrada em direitos humanos - o programa de Dilma originalmente insistia até no velho "opção sexual", deixando claro seu atraso e descaso.
Uma vitória da Marina seria ruim, sem dúvida, mas seria algo como o famigerado "menos pior". É, hoje, o possível. Posso estar enganado? Sem duvida, assim como me enganei com Dilma pensando que seria ela a menos pior e, no fim, ela foi a pior presidente que o país teve desde a redemocratização.
No fim, a derrota do PT é importante para a esquerda. Não se trata de apoiar ou gostar da Marina, mas ter em mente que a hora do PT já passou. Questão é que temos de tomar escolhas difíceis. Sim, derrotar o PT é necessário, mas como fazê-lo?
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Aviso:
O país será governado nos próximos 4 anos por Dilma ou Marina. Essa é a realidade e o que faço (ou tento fazer) é analisar essa realidade. Não é o que eu quero. Adoraria que tivéssemos opções reais e viáveis, uma candidatura realmente de esquerda com chances de vencer, mas não temos, então me limito a analisar a realidade que se apresenta.
Não sou ingênuo, não voto na Marina e nem confio nela (e muito menos na Dilma ou no Aécio), mas analiso de acordo com o que é possível e com as cartas que estão na mesa. Eu acho a Marina uma péssima candidata, como a Dilma. Estarei na oposição contra AMBAS. Mas me proponho a ANALISAR cenários.
Pessoalmente penso que Marina, eleita, fará um governo possivelmente tão ruim quanto o atual do PT/Dilma, mas ela NÃO está governando, então é suposição. Logo, analiso o programa dela, o que é fato. E comparo isso, aí sim, com o governo Dilma, que foi e é medíocre e homofóbico.
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014
O que os candidatos pensam sobre...?
Uma pequena lista em constante atualização de perguntas formuladas pelo @cadulorena e por mim, direcionadas aos candidatos a presidência sobre questões econômicas, de direitos humanos e sociais do país e que gostaríamos de ver perguntadas em debates:
O que os candidatos pensam sobre desmilitarização das policias?
O que os candidatos pensam sobre #CasamentoIgualitario, #CriminalizaçãoDaLGBTsfobia, adoção de crianças por casais homoafetivos e educação inclusiva?
O que os candidatos pensam sobre 10% do PIB exclusivamente e já pra educação pública?
O que os candidatos pensam sobre revisão da Lei da Anistia?
O que os candidatos pensam sobre alternativa ao modelo "desenvolvimentista" predatório e explorador financiado pelo Estado?
O que os candidatos pensam sobre privatização /concessão de bens públicos sem qualquer consulta aos maiores interessados, o povo?
O que os candidatos pensam sobre legalização do aborto e atendimento pelo SUS?
O que os candidatos pensam sobre verbas públicas do Estado financiando saúde e educação privada?
O que os candidatos pensam sobre Estado atacando manifestações e criminalizando/espionando movimentos sociais e ativistas?
O que os candidatos pensam sobre gastos públicos com a Copa, com grandes eventos esportivos e religiosos, com Olimpíadas?
O que os candidatos pensam sobre remoções forçadas de pobres pra dar lugar a obras de eventos onde quem lucra são os ricos?
O que os candidatos pensam sobre democratização dos meios de comunicação? Sobre verbas públicas gastas em propaganda?
O que os candidatos pensam sobre financiamento milionário de empresários pras campanhas partidárias, a começar pela deles?
O que os candidatos pensam sobre grandes obras hidrelétricas na Amazônia, feitas por empreiteiras e com grana pública?
O que os candidatos pensam sobre legalização da maconha e outras drogas?
O que os candidatos pensam sobre direitos indígenas, demarcação de terras, respeito às culturas tradicionais, uso de terras indígenas para
mineração/extração de gás e petróleo?
O que os candidatos pensam sobre verbas públicas nas mãos de organizações religiosas que "tratam" de dependentes químicos?
O que os candidatos pensam sobre Belo Monte, Transposição do São Francisco e outras obras megalomaníacas incluídas ou não no PAC?
O que os candidatos pensam sobre o crescimento do fanatismo religioso, em especial neopentecostal, e sua tomada de assalto de instituições públicas como câmaras de deputados, vereadores, etc?
O que os candidatos pensam sobre o Estado Laico?
O que os candidatos pensam sobre o Passe Livre nos transportes públicos?
O que os candidatos pensam sobre a superação do modelo "carrocêntrico" e pela diversificação de modalidades de transporte público?
O que os candidatos pensam sobre desmilitarização das policias?
O que os candidatos pensam sobre #CasamentoIgualitario, #CriminalizaçãoDaLGBTsfobia, adoção de crianças por casais homoafetivos e educação inclusiva?
O que os candidatos pensam sobre 10% do PIB exclusivamente e já pra educação pública?
O que os candidatos pensam sobre revisão da Lei da Anistia?
O que os candidatos pensam sobre alternativa ao modelo "desenvolvimentista" predatório e explorador financiado pelo Estado?
O que os candidatos pensam sobre privatização /concessão de bens públicos sem qualquer consulta aos maiores interessados, o povo?
O que os candidatos pensam sobre legalização do aborto e atendimento pelo SUS?
O que os candidatos pensam sobre verbas públicas do Estado financiando saúde e educação privada?
O que os candidatos pensam sobre Estado atacando manifestações e criminalizando/espionando movimentos sociais e ativistas?
O que os candidatos pensam sobre gastos públicos com a Copa, com grandes eventos esportivos e religiosos, com Olimpíadas?
O que os candidatos pensam sobre remoções forçadas de pobres pra dar lugar a obras de eventos onde quem lucra são os ricos?
O que os candidatos pensam sobre democratização dos meios de comunicação? Sobre verbas públicas gastas em propaganda?
O que os candidatos pensam sobre financiamento milionário de empresários pras campanhas partidárias, a começar pela deles?
O que os candidatos pensam sobre grandes obras hidrelétricas na Amazônia, feitas por empreiteiras e com grana pública?
O que os candidatos pensam sobre legalização da maconha e outras drogas?
O que os candidatos pensam sobre direitos indígenas, demarcação de terras, respeito às culturas tradicionais, uso de terras indígenas para
mineração/extração de gás e petróleo?
O que os candidatos pensam sobre verbas públicas nas mãos de organizações religiosas que "tratam" de dependentes químicos?
O que os candidatos pensam sobre Belo Monte, Transposição do São Francisco e outras obras megalomaníacas incluídas ou não no PAC?
O que os candidatos pensam sobre o crescimento do fanatismo religioso, em especial neopentecostal, e sua tomada de assalto de instituições públicas como câmaras de deputados, vereadores, etc?
O que os candidatos pensam sobre o Estado Laico?
O que os candidatos pensam sobre o Passe Livre nos transportes públicos?
O que os candidatos pensam sobre a superação do modelo "carrocêntrico" e pela diversificação de modalidades de transporte público?
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
O que os candidatos pensam sobre...?
2014-08-22T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
Aécio|Brasil|Dilma|Direitos Humanos|Eleição|Luciana|Marina|Perguntas|Política|PSB|PSDB|PSOL|PT|
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quarta-feira, 18 de junho de 2014
"Mal maior": O petismo saindo do armário (de novo e outra vez)
Vem chegando o período eleitoral e, com ele, petistas enrustidos começam a sair do armário.
Aquele seu amigo que passou os últimos (quase) quatro anos denunciando a violência contra os povos indígenas, denunciando a insistência do governo em não apenas não demarcar terras, como virar refém por opção de ruralistas para lidar com a questão, de repente começa a fazer campanha para.... o PT!
Aquele seu outro amigo, que você tem o maior respeito e que já deixou claro detestar Dilma e, como é do Rio, detestar também o PMDB, já começou na campanha de Lindbergh, como se ele (e o PT) não fossem aliados até ontem do PMDB "higienista, canalha, ladrão, etc".
Vários amigos simplesmente saindo do armário e se declarando eleitores de Dilma e de outros petistas pese terem passado anos os atacando. De repente estão todos limpos. Lavou, tá novo.
Cheguei a questionar alguns deles, perguntando o que achavam de Aécio, Marina, Eduardo Campos e... Que surpresa!
Concordo obviamente com todas as críticas feitas a Aécio, um desqualificado, censurador e... tucano. Dispensa comentários, não se vota em tucano.
Mas quanta surpresa quando ouço que Marina é uma canalha, uma "traíra"... E, pior, que Dudu Campos também o é, logo ele que até nem bem 6 meses era um querido aliado do PT! Os humores dos petistas e petistas enrustidos muda como o vento. Hoje você é aliado, amanhã é inimigo e, especialmente, o contrário.
Alguns não são tão abertos em sua defesa do petismo redescoberto, então investem na tese antiga do "mal maior".
O PSDB é o mal maior. Tudo é o mal maior. Logo, vamos todos votar no PT.
Concordei com essa tese na última eleição e acabei, no segundo turno, votando em Dilma. Se arrependimento matasse!
Não se vota no menos pior, busca-se construir alternativas. Voto deve ou deveria ser algo consciente, feito com a intenção de melhorar o país e não na base do medo, na base do "não tem tu, vai tu mesmo".
Se não há uma opção viável, temos de nos preparar para a luta contra quem quer que vença e não FAZER CAMPANHA para alguém ruim apenas pelo medo de outros. Claro, podemos entender o papo do "mal maior" se estivéssemos, por exemplo, frente ao perigo de uma Frente Nacional ou algum partido abertamente fascista ou neonazista vencer. Não é o caso. Oras, Bolsonaro, um legítimo fascista é inclusive da base do PT! Há fascistas para todos os gostos e em todos os lados.
Estamos, na verdade, diante de três candidatos principais que em praticamente nada se diferenciam. Dudu Campos governou com o PT por anos a fio, é praticamente igual. Aécio é terrível, mas Dilma é diferente?
Genocídio indígena, aliança carnal com ruralistas, com evangélicos fundamentalistas (Dilma chegou a revogar decreto regulando o aborto apenas por exigência dos fundamentalistas aliados, sem falar nos programas do Ministério da Saúde que Padilha cancelou pela mesma razão - e Padilha é candidato!), cooptação de movimentos sociais, brutalidade nas ruas e, é sempre bom lembrar, com uma militância (sic) fanatizada nas redes.
Na prática, o PT e o PSDB são idênticos. Assim como o PSB. A tese do "mal maior" não se aplica.
Se por um lado o PSDB é mais feroz nas privatizações (ainda que o PT também privatize), por outro o PT é voraz na cooptação e criminalização de lutas sociais. Dilma assentou MENOS que FHC. Demarcou MENOS que FHC. E FHC é um canalha que dispensa comentários, quem viveu durante seu governo sabe bem o que digo.
Se por um lado o PSDB é visto de forma mais simpática pela mídia comercial (apesar de ser hoje o PT quem a financia), o PT tem sua mídia pessoal, tem seus "progressistas" e sua "militância" virtual absolutamente fanatizada.
Já o PSB oscila entre os dois campos. Segue, não é líder.
Agora, é fato que cada pessoa tem formas diferentes de pensar e ver o mundo, até compreendo quem chegue na urna e, num momento de desespero, faça sua escolha e vote em Dilma. Mas fazer campanha? Tentar convencer outros de que um dos governos mais lamentáveis dos últimos tempos é bom?
É muita falta de noção e de coerência.
Cadafalso, pelotão de fuzilamento ou guilhotina. Faz diferença? É uma falsa opção, vamos morrer de maneira horrível de qualquer forma. Nos cabe denunciar a situação e buscar construir alternativas e não ficar eternamente sustentando uma delas porque enquanto existir essa sustentação esse partido e esse candidato não irá ver razão para repensar como faz as coisas. O PT SABE que muita gente acaba votando nele, não importa o que façam, pela tese do "mal maior".
Então porque fariam qualquer tipo de autocrítica se na hora que importa conseguem os votos?
Aquele seu amigo que passou os últimos (quase) quatro anos denunciando a violência contra os povos indígenas, denunciando a insistência do governo em não apenas não demarcar terras, como virar refém por opção de ruralistas para lidar com a questão, de repente começa a fazer campanha para.... o PT!
Aquele seu outro amigo, que você tem o maior respeito e que já deixou claro detestar Dilma e, como é do Rio, detestar também o PMDB, já começou na campanha de Lindbergh, como se ele (e o PT) não fossem aliados até ontem do PMDB "higienista, canalha, ladrão, etc".
Vários amigos simplesmente saindo do armário e se declarando eleitores de Dilma e de outros petistas pese terem passado anos os atacando. De repente estão todos limpos. Lavou, tá novo.
Cheguei a questionar alguns deles, perguntando o que achavam de Aécio, Marina, Eduardo Campos e... Que surpresa!
Concordo obviamente com todas as críticas feitas a Aécio, um desqualificado, censurador e... tucano. Dispensa comentários, não se vota em tucano.
Mas quanta surpresa quando ouço que Marina é uma canalha, uma "traíra"... E, pior, que Dudu Campos também o é, logo ele que até nem bem 6 meses era um querido aliado do PT! Os humores dos petistas e petistas enrustidos muda como o vento. Hoje você é aliado, amanhã é inimigo e, especialmente, o contrário.
Alguns não são tão abertos em sua defesa do petismo redescoberto, então investem na tese antiga do "mal maior".
O PSDB é o mal maior. Tudo é o mal maior. Logo, vamos todos votar no PT.
Concordei com essa tese na última eleição e acabei, no segundo turno, votando em Dilma. Se arrependimento matasse!
Não se vota no menos pior, busca-se construir alternativas. Voto deve ou deveria ser algo consciente, feito com a intenção de melhorar o país e não na base do medo, na base do "não tem tu, vai tu mesmo".
Se não há uma opção viável, temos de nos preparar para a luta contra quem quer que vença e não FAZER CAMPANHA para alguém ruim apenas pelo medo de outros. Claro, podemos entender o papo do "mal maior" se estivéssemos, por exemplo, frente ao perigo de uma Frente Nacional ou algum partido abertamente fascista ou neonazista vencer. Não é o caso. Oras, Bolsonaro, um legítimo fascista é inclusive da base do PT! Há fascistas para todos os gostos e em todos os lados.
Estamos, na verdade, diante de três candidatos principais que em praticamente nada se diferenciam. Dudu Campos governou com o PT por anos a fio, é praticamente igual. Aécio é terrível, mas Dilma é diferente?
Genocídio indígena, aliança carnal com ruralistas, com evangélicos fundamentalistas (Dilma chegou a revogar decreto regulando o aborto apenas por exigência dos fundamentalistas aliados, sem falar nos programas do Ministério da Saúde que Padilha cancelou pela mesma razão - e Padilha é candidato!), cooptação de movimentos sociais, brutalidade nas ruas e, é sempre bom lembrar, com uma militância (sic) fanatizada nas redes.
Na prática, o PT e o PSDB são idênticos. Assim como o PSB. A tese do "mal maior" não se aplica.
Se por um lado o PSDB é mais feroz nas privatizações (ainda que o PT também privatize), por outro o PT é voraz na cooptação e criminalização de lutas sociais. Dilma assentou MENOS que FHC. Demarcou MENOS que FHC. E FHC é um canalha que dispensa comentários, quem viveu durante seu governo sabe bem o que digo.
Se por um lado o PSDB é visto de forma mais simpática pela mídia comercial (apesar de ser hoje o PT quem a financia), o PT tem sua mídia pessoal, tem seus "progressistas" e sua "militância" virtual absolutamente fanatizada.
Já o PSB oscila entre os dois campos. Segue, não é líder.
Agora, é fato que cada pessoa tem formas diferentes de pensar e ver o mundo, até compreendo quem chegue na urna e, num momento de desespero, faça sua escolha e vote em Dilma. Mas fazer campanha? Tentar convencer outros de que um dos governos mais lamentáveis dos últimos tempos é bom?
É muita falta de noção e de coerência.
Cadafalso, pelotão de fuzilamento ou guilhotina. Faz diferença? É uma falsa opção, vamos morrer de maneira horrível de qualquer forma. Nos cabe denunciar a situação e buscar construir alternativas e não ficar eternamente sustentando uma delas porque enquanto existir essa sustentação esse partido e esse candidato não irá ver razão para repensar como faz as coisas. O PT SABE que muita gente acaba votando nele, não importa o que façam, pela tese do "mal maior".
Então porque fariam qualquer tipo de autocrítica se na hora que importa conseguem os votos?
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
11:00
"Mal maior": O petismo saindo do armário (de novo e outra vez)
2014-06-18T11:00:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
Aécio|Análise|Armário|Brasil|Dilma|Eduardo Campos|Eleição|Fail|Mal maior|Política|PSB|PSDB|PT|
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quarta-feira, 11 de junho de 2014
Marina Silva e a Rede poderiam vencer em 2014?
Com a queda da Dilma e desconfiança geral na oposição, se a Rede da Marina fosse legal ela seria eleita. No PSB, porém, discurso dela mingua. ela não apenas é vice, como o discurso de "novo" dela morre, uma parte considerável da juventude que militou com e por ela nas eleições passadas debandou (Junho tem relevância na análise desse aspecto, mas acho que menor que a entrada no PSB em si).
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Que este texto não pareça um apoio ou demonstração de simpatia pela Marina, sou insuspeito. E jamais votaria em um(a) evangélico(a) nem pra síndico (por "evangélico" faço referência aos (neo)pentecostais da teologia da prosperidade e semelhantes).
---
E o Campos não me parece estar na campanha pra se eleger, mas pra não se comprometer. Ele cria nome nacional, valoriza passe, não apoia nem PT e nem PSDB e vê qual será melhor pra ele mais pra frente caso provavelmente não chegue ao segundo turno. Calcula e escolhe o vencedor e se alia feliz e satisfeito garantindo seus cargos e benesses - agora fortalecido. E sente-se livre para escolher quem apoia (e não apoia) nos estados sem qualquer pressão nacional - essa me parece ser também a tática de escroques como Pastor Everaldo e Magno Malta, dois marginais da fé atualmente aliados ao PT, mas que debandam para quem pagar mais.
Quem quer ganhar tem candidato a governador em SP. Ao apoiar Alckmin ele não tem palanque em estado onde é desconhecido e dos maiores do país. Não é tática de quem concorre sério. Lembrando que a Marina já declarou que a Rede (me parece que meio como uma tendência dentro do PSB, apesar da própria afirmar que seu partido existe, de alguma forma coligado ao PSB)
Marina comeu bola nessa. Apostou num cavalo que não foi pra brigar. Agora, a candidatura pode dar trabalho, até porque imagino que ela aparecerá tanto quanto ou até mais que o próprio Dudu Campos nas propagandas. Ela atrai ainda (resta saber quanto). Campos aposta na desconfiança e cansaço do eleitorado com o bipartidarismo branco imposto ao país. E pode funcionar.
Agora, só eu acho suspeito que PROS e SDD (o partido onde até o nome é piada) absolutamente fraudados tenham sido legalizados e a Rede não? Aí tem coisa. Mas já era. PT fez jogo certo, senão poderia hoje estar numa situação ainda pior, com votos pulverizados e uma Marina ameaçando de verdade, porque a imagem dela não é de "velha política" como os demais, os efeitos de junho teriam sido menores na imagem dela.
Se por um lado a falta de cargos levou a um certo "sumiço" dos holofotes que prejudica a imagem da Marina, por outro esta "sumida" acaba ajudando por torná-la virtualmente invisível enquanto alvo dos protestos. No fim das contas, penso que a Marina em si possa sair fortalecida. A ideia de seu partido ainda não foi abandonada e ela sai ao menos momentaneamente do ostracismo, mas não concorre de verdade à presidência - nem Campos.
Escrevi antes:
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Que este texto não pareça um apoio ou demonstração de simpatia pela Marina, sou insuspeito. E jamais votaria em um(a) evangélico(a) nem pra síndico (por "evangélico" faço referência aos (neo)pentecostais da teologia da prosperidade e semelhantes).
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E o Campos não me parece estar na campanha pra se eleger, mas pra não se comprometer. Ele cria nome nacional, valoriza passe, não apoia nem PT e nem PSDB e vê qual será melhor pra ele mais pra frente caso provavelmente não chegue ao segundo turno. Calcula e escolhe o vencedor e se alia feliz e satisfeito garantindo seus cargos e benesses - agora fortalecido. E sente-se livre para escolher quem apoia (e não apoia) nos estados sem qualquer pressão nacional - essa me parece ser também a tática de escroques como Pastor Everaldo e Magno Malta, dois marginais da fé atualmente aliados ao PT, mas que debandam para quem pagar mais.
Quem quer ganhar tem candidato a governador em SP. Ao apoiar Alckmin ele não tem palanque em estado onde é desconhecido e dos maiores do país. Não é tática de quem concorre sério. Lembrando que a Marina já declarou que a Rede (me parece que meio como uma tendência dentro do PSB, apesar da própria afirmar que seu partido existe, de alguma forma coligado ao PSB)
Marina comeu bola nessa. Apostou num cavalo que não foi pra brigar. Agora, a candidatura pode dar trabalho, até porque imagino que ela aparecerá tanto quanto ou até mais que o próprio Dudu Campos nas propagandas. Ela atrai ainda (resta saber quanto). Campos aposta na desconfiança e cansaço do eleitorado com o bipartidarismo branco imposto ao país. E pode funcionar.
Agora, só eu acho suspeito que PROS e SDD (o partido onde até o nome é piada) absolutamente fraudados tenham sido legalizados e a Rede não? Aí tem coisa. Mas já era. PT fez jogo certo, senão poderia hoje estar numa situação ainda pior, com votos pulverizados e uma Marina ameaçando de verdade, porque a imagem dela não é de "velha política" como os demais, os efeitos de junho teriam sido menores na imagem dela.
Se por um lado a falta de cargos levou a um certo "sumiço" dos holofotes que prejudica a imagem da Marina, por outro esta "sumida" acaba ajudando por torná-la virtualmente invisível enquanto alvo dos protestos. No fim das contas, penso que a Marina em si possa sair fortalecida. A ideia de seu partido ainda não foi abandonada e ela sai ao menos momentaneamente do ostracismo, mas não concorre de verdade à presidência - nem Campos.
Escrevi antes:
A jogada de Marina é inteligente, pois ela se liga a um político com baixíssimos índices de rejeição no sul-sudeste (ele é virtualmente desconhecido nessas regiões) e pode tentar manter seu discurso (fake) de honestidade, idoneidade e ética - mesmo o PSB sendo um ninho de cobras que recentemente tem filiado gente até do DEM.Enquanto caminho para a construção de seu partido, ela acerta. Enquanto via para realmente disputar de imediato a presidência... Apenas se a campanha do Aécio for absolutamente intragável e Dilma continuar a ser Dilma (esta é a parte mais fácil).
E ela pode ainda contar com a conhecida inocência de sua militância, aliada ao péssimo nível de politização da mesma, para conseguir passar por cima do "inconveniente" de estar ligada a um partido "velho, viciado". Seu discurso talvez terá de mudar um pouco, mas no geral permanece o mesmo: De pureza ideológica, de "novo", aliado ao fato de estar ligada a um político "novo" para o grande público (apesar de ser um velho conhecido dos pernambucanos, e um infeliz conhecido, e de ser velho aliado e amigo do Lula/PT).
No fim das contas, Marina pode sair fortalecida, pois terá tempo para erguer sua Rede e não ficará no ostracismo por mais alguns anos e terá participação ativa, assim como holofotes na próxima campanha presidencial (mesmo que não seja a candidata do PSB).
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