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terça-feira, 7 de maio de 2013

Carta ao vereador Nabil Bonduki sobre ocupação urbana e Praça Roosevelt

Prezado Nabil, durante a Comissão Extraordinária de Direitos Humanos, na Roosevelt, você discursou sobre ocupação urbana. Criticou a perseguição ao funk - e concordo com você -, mas seu discurso me parece um pouco deslocado da realidade, muito "positivo" em um país que a população, infelizmente, não é a mais educada (em todos os sentidos).

O que quero dizer é que, devemos defender a ocupação do espaço público sim, mas não passando por cima dos direitos de quem vive no entorno destes espaços. Alguém parou para ouvir os moradores da periferia que vivem no entorno dos bailes funks o que eles acham? Uma lei criminalizando especificamente uma manifestação cultural da periferia é absurda, mas alguém ouve ou buscou ouvir os "atingidos pela cultura"?

Mas não vou longe, meu foco é a própria Praça Roosevelt.

Estamos falando de um espaço imenso, onde diferentes grupos podem ou deveriam poder aproveitar, mas que, no fim, acabou sendo "conquistado" por apenas um grupo, ou pelo menos este grupo acaba sendo majoritário e expulsando os demais.

Sim, falo dos skatistas.

Gostaria de convidá-lo a passar uma tarde de sábado, ou mesmo de um dia de semana em meu apartamento para ver como é agradável não conseguir passar um minuto sem o barulho de manobras, rodas e gritaria.

Mas veja que ninguém aqui - não eu pelo menos - quer expulsá-los. Queremos, e a prefeitura e a Confederação Brasileira de Skate concordam, criar regras. Criar um espaço para que eles possam ficar e para que tenhamos algum sossego. Mas não só isso, para que possamos também usar/ocupar a praça.

Me lembro de seu exemplo, de que mães com carrinhos de bebês reclamam que não conseguem andar pela praça, mas, você disse, seus filhos quando estiverem maiores estarão do lado dos skatistas.

Pode até ser verdade, mas isto retira das mães o direito de caminhar pela praça? E, de qualquer forma, significa que o mais forte deve vencer e os demais devem se retirar? Idosos não conseguem caminhar pela praça com medo de serem feridos, cansei de ver cenas ridículas de minha janela de pais e mães com filhos tendo que desviar de skatistas despreocupados com a presença de outros perto deles, tendo que se separar para não serem um alvo, terem de acelerar o passo.

Cansei de ver pessoas sendo EXPULSAS de bancos porque os skatistas queriam usá-los para manobras - e consequentemente destruí-los.

Isto não é ocupação urbana, caro Nabil, é intimidação e vandalismo.

Os skatistas tem direito ao espaço, mas não a TODO o espaço e nem a destruí-lo.

Mas antes este fosse nosso único, ou mesmo maior problema.

Copio a seguir, 4 vídeos gravados de madrugada, todos entre meia noite e 6 da manhã. Peço que os veja e especialmente os ouça.

Gritaria, funk nas alturas, batucada, cantoria altíssima, enfim, desrespeito total com os mais de 2 mil moradores da praça que desde que ela foi inaugurada simplesmente não conseguem dormir.

Sei de casos de vizinhos que colocaram colchões perto da porta de seus apartamentos, longe das janelas (todos os apartamentos e quartos tem vista para a praça, não temos como escapar), no chão, para poder dormir. Pessoas dormem na sala, com protetores de ouvido que muitas vezes não são suficientes para abafar o barulho. Tenho um amigo, que era morador de primeiro andar, que perdeu trabalho porque simplesmente não conseguia se concentrar com o barulho incessante.... Exemplos não faltam, assim como não falta desespero.

Que tipo de ocupação urbana é essa que liga o foda-se (perdoe-me pelo termo, mas é necessário) para quem mora no entorno?

Temos um imenso problema na Praça, coisa que o Sub-prefeito, Marcos Barreto, sabe, reconhece e não fez ainda nada para mudar, que é a presença de um bar/teatro, o Parlapatões, que possui um alvará de casa de chá (ao menos é a informação que temos e é algo tão ridículo que deve ser verdade) e que permanece aberto 24h por dia, todos os dias.

A lei que rege bares e outros estabelecimentos impõe o fechamento à 1 da manhã, mas o Parlapatões não fecha.

É possível, às vezes, passar por ele as 8 da manhã e encontrar pessoas que estavam bebendo desde a noite anterior.

Para piorar, vendem cerveja em copos de plástico para quem fica nas escadarias da praça, em frente a nossas janelas, incentivando gritarias e cantorias pela madrugada.

E o Parlapatões é imexível, intocável. E não sou eu quem diz isso, mas um coronel que já comandou o PSIU, e isto já em 2009!
Incomodou muita gente?
Sim. Na cidade há lugares ? imexíveis?. Mas comigo não tinha acordo. A lei é inflexível.
Há exemplos de problemas?
As igrejas em geral, bares da empresária Lilian Gonçalves, o Teatro do Parlapatões...E estabelecimentos de Pinheiros frequentados por pessoas importantes.
Sabemos que o Parlapatões é protegido pelo PSDB, mas não vemos nenhuma ação da prefeitura para passar por cima deste apoio e fazer a lei ser cumprida e garantir nosso sossego.

Mas o problema com o Parlapatões é antigo, temos ainda novos problemas.

Como você deve ter visto nos vídeos, temos agora pessoas que trazem sons para ouvir funk no máximo. Pouco importa, aliás, se é funk ou a Nona de Beethoven, as 4 da manhã queremos dormir e não ouvir a música dos outros.

E não adianta ligar para a PM, pois não nos escutam, passam direito para o PSIU, que não resolve nada na hora e, na verdade, não resolve nada hora alguma. E nem adianta ligar para a GCM ou ir até a base da GCM na praça, pois corremos o perigo de um GCM nos mandar "tomar no cu" (ouvi isto de uma vizinha que foi tratada desta forma por um GCM na madrugada do dia 4 para o 5 de maio. Por mais que esta vizinha em particular não seja a mais educada, não é desta forma que a GCM deve ou pode agir) ou de simplesmente fingir que não é com ele.

De fato uma ou outra vez, quando descemos e IMPLORAMOS a GCM age contra algum grupo fazendo algazarra, mas na maioria das vezes simplesmente somos impedidos de dormir.

E, segundo a própria GCM, eles só podem agir contra quem faz algazarra de madrugada - perturbação da paz, perturbação do sossego, coisa que é contravenção penal - caso alguém expressamente se apresente e implore.

Oras:
Para caracterizar a contravenção penal de perturbação do sossego alheio (art. 42, LCP), é necessário que alguém perturbe o trabalho ou o sossego alheios a) com gritaria (berros, brados) ou algazarra (barulheira), b) exercendo profissão incômoda ou ruidosa em desacordo com as prescrições legais, c) abusando de instrumentos sonoros (equipamentos de som mecânico ou não) ou sinais acústicos, ou d) provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal que tem a guarda. A pena é de quinze dias a três meses de prisão simples ou multa.
Não me entenda mal, não estou dizendo que quero ninguém preso, mas tão somente quero entender porque PM e GCM não fazem seu trabalho de garantir nosso sossego e, pelo contrário, nos transferem para o PSIU ou nos mandam tomar no cu.

Alguns dias atrás, em mais uma noite insone, fui forçado a descer junto a minha esposa para implorar um rapaz que, sozinho em frente ao parlapatões, gritava (dizia ele que cantava) tão alto que era impossível dormir e seu barulho chegava a neutralizar o do parlapatões que, óbvio, estava aberto lá pelas 2 da manhã.

Tentamos pedir para ele parar, e ouvimos em resposta que ele estava "impondo a liberdade" dele a nós e que o desejo dele era que todos os apartamentos da praça ficassem vazios e a região virasse uma área comercial para que ele (e outros) pudesse(m) cantar livremente.

Isto lhe parece tolerável?

Tanto a noção de IMPOR liberdade (sic) quanto ao desejo dele (que sem dúvida é o de muitos outros) de nos EXPULSAR de nossas casas na base da pressão incessante?

Desculpe-me pela mensagem longa, mas para ser honesto não cheguei a falar nem a metade do que gostaria. Mas acredito que me fiz entender.

Não queremos expulsar ninguém da praça (ao menos eu e muitos outros não queremos), tão somente queremos conviver. Queremos ser respeitados e que os visitantes e frequentadores entendam que o direito deles acaba quando começa a ferir o nosso de viver, dormir, pensar e descansar.

O direito a ocupar o espaço público termina quando avança sobre nossos direitos, de mais de 2 mil moradores, de termos qualidade de vida.
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Satyros irá fechar: Viva a "classe média medíocre"


"A especulação imobiliária tem duas consequências. A primeira é visível e numérica: são os aluguéis exorbitantes. Depois de seis meses de alugueis atrasados, estamos, enfim, regularizando as contas. Meses e meses os artistas sem receber nada, pois tínhamos só contas em atraso. Dificuldades mil.
Mas nunca tivemos medo da falta de dinheiro. Isso não nos impede de ter vontade de lutar pelo espaço. Mas há outra coisa ainda pior. A crise de identidade que a Praça enfrenta hoje.
Os novos moradores, aliados aos antigos vingadores, sonham que a Praça se transforme no Itaim Bibi do centro. Mas isso não tem nada a ver com o histórico dela vindo lá dos anos 50 e 60, nem com a chegada dos skatistas, nem com o que os teatros fizeram para sua recuperação. Alguns querem que a Praça seja um local tranquilo para a moradia, algo como uma Perdizes controlada, com bares cult para bons moços frequentar até certa hora e boas instalações para novas padarias badaladas com nome afrancesado...
Até algumas pessoas que se dizem de esquerda estão caindo nesse jogo também. Estamos isolados. O que a Praça Roosevelt quer ser para a cidade e qual é o nosso papel nisso? Essa é a questão principal. Nós contribuimos para uma transformação radical de uma das regiões mais deterioradas da cidade e agora a classe média-medíocre quer transformar esse espaço no seu quintal, mais preocupados com o cachorródromo do que com a força cultural que ela pode trazer para a cidade...
Isso nos inquieta de verdade. Estas pessoas tão bem educadas são muito mais difíceis do que os traficantes que tivemos que enfrentar quando chegamos à Praça, na época em que éramos ameaçados de morte, e não de morte espiritual."
Rodolfo García Vázquez, diretor dos Satyros
Depois de ler este texto do diretor d'O Satyros eu realmente deixei de lamentar a saída do grupo da Praça Roosevelt e me limito adesejar boa sorte. Não voltem mais.

Eu não sabia que dormir era coisa de burguês. Que só burguês tinha direito a desncasar, a ter silêncio...

Aliás, acho que para Vázquez, a palavra "direito" não se encaixaria aqui, ou talvez "direito" seja, para ele, também uma noção burguesa.

Mas de uma coisa tenho certeza: Vázquez e sua trupe se acham os salvadores da praça. Só eles. E como pagamento, nós, moradores, devemos nos submeter à tudo que sua trupe decidir fazer, seja desmontar palco as 2 da madrugada, seja aguentar dias a fio com barulho praticmente 24h por dia porque suas atividades são mais importantes que a dos milhares de moradores, assim como nosso sossego.

Pior de tudo, o Satyros - tirando um Satyrianas aqui e outr ali - nunca foi motivo de reclamações ou de transtorno. Nosso problema maior é com o Parlapatões.... Pelo visto tomaram as dores dos outros.

O histórico da praça, caro Vazquez, não é o que você afirma estar preservando, não é a vida que você afirma ter dado. Reconheço, e creio que seria impossível fazer o contrário, o papel do Satyros na revitalização mais recente da praça, mas ela já teve muitas caras. Foi velódromo, depois o primeiro estádio de futebol de São Paulo, onde se jogaram os primeiros campeonatos paulistas - e de todo o Brasil -, foi estacionamento, espaço para feira e depois, na Ditadura, foi praça de concreto, horrível, até se deteriorar, como todo o centro depois de passar pelas mãos de Maluf e correlatos.

Acabou degradada, e foi recuperada não apenas pelo Satyros - que teve sim papel nisso tudo - mas também pelos outros teatros, bares, barbearia, pelo moradores antigos e que foram chegando, enfim, pela comunidade que vive na e da Praça Roosevelt.

Aliás, os skatistas chegaram aqui MUITO antes de vocês sonharem em abrir seu(s) espaço(s).

Acho interessante alguém que critica os "burgueses" e se diz - pelo que entendi - de esquerda, querer posar como grande salvador, individual, da região. E alguém que se coloca ACIMA da comunidade, como se seu negócio - que coisa burguesa, não? - estivesse acima do bem e do mal, acima de críticas e não precisasse ouvir ninguém.

Infelizmente, meu caro Vázquez, são milhares os moradores da Praça, e mesmo muitos comerciantes fazem questão de respeitar esta imensa comunidade, não passando a madrugada inteira abertos, como faz o insuportável Parlapatões.

Respeito e comunidade são apavras que o "esquerdista" parece não compreender. Vale o egoísmo e o egocentrismo do nosso salvador.

Sabias, meu amigo, que há moradores que vivem na praça há mais de 50 anos? Muitos vivem aqui desde antes de sua salvação? Sim, reconhecemos sua importância, mas não elegeram (nem elegemos) o Satyros como líder inconteste e plenipotenciário.

Temos sim o direito de dormir. Seja pela lei, que impõe limites à farra de uns pelo bem de outros, seja pela desconhecida noção - para você e outros - de COMUNIDADE. Você tem todo o direito de festejar, de atuar, de tocar seu negócio, mas este direito é limitado pelo nosso de viver em paz.

Noção burguesa? Paciência.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Relato da reunião da Ação Local Roosevelt: "Abaixo a repressão ao meu sono"

Dando continuidade ao post anterior sobre os acontecimentos na Praça Roosevelt, tivemos nossa reunião da Ação Local na terça, dia 13. O salão paroquial da Igreja da Consolação ficou relativamente cheio e, também, tenso.

É compreensível a raiva de muitos dos moradores em meio à situação difícil em que se encontra a praça, mas também é preciso compreender que estamos em um período de transição, mesmo em termos políticos, com a mudança de prefeito e o fim de um governo péssimo. A praça mal foi inaugurada, ainda há obras por fazer e sendo feitas, e muito a se adequar.

Temos a sorte de vivermos em uma área considerada importante e, diferentemente de outros lugares, temos trânsito unto aos órgãos públicos, ou seja, há espaço para se debater e achar soluções.

O tom da reunião, desde o começo, foi de revolta, com propsotas de se cercar, fechar a praça, como a Buenos Aires, em Higienópolis. Obviamente os que apoiavam inicialmente a propostas se esqueceram da realidade absolutamente diferente de Higienópolis e da nossa, num local de passagem, com grandes avenidas, estações de metrô e etc...

Felizmente, com muita boa vontade e discussão alguns de nós conseguimos alterar o tom da discussão e buscar outras soluções para a praça que renasce. Ela é de todos, e não apenas dos moradores - por mais que eles (nós) tenhamos, creio, um papel decisivo nos rumos da praça por vivermos nela -, não temos o direito de impor a forma como ela vai ser usada, ao passo que temos o direito de impor regras de convivência em comum acordo com o resto da comunidade.

Em outras palavras, algumas movimentações que já ocorriam serão aceleradas, como a conversa com skatistas para usarem um espaço determinado da praça e não passarem a madrugada nela, respeitando o direito dos moradores de dormir e descansar. Eventos terão de ser melhor discutidos com a comunidade, que não quer passar dias e noites com caixas de som voltadas para suas janelas, mas que sabe da necessidade e do direito de se ocupar a praça com eventos culturais.

É preciso diálogo, saber ouvir a comunidade que vive e que frequenta a praça.

O grande dificultador é que muitos dos frequentadores que causam tumulto são, também, moradores, então como conseguir conversar com todos e ensinar a respeitar a comunidade?

O que vimos na reunião foi muito ódio contra os skatistas, esquecendo que quando a praça caia aos pedaços eram eles que a ocupavam e que SEMPRE a ocuparam com seu esporte e que, como nós, merecem espaço. Assim como grupos teatrais e que buscam realizar eventos grandes na praça. Todos tem seu lugar, a questão é saber conviver e respeitar o entorno. Não é possível, como aconteceu, aceitar passar dias sem dormir para que alguns se divirtam na praça, é preciso que ela seja fonte de diversão e cultura para todxs.

Conseguimos, com muita conversa, derrotar a veia proibicionista que começou forte na reunião, com exceção da proibição de bicicletas, que será discutido seriamente, pois não há espaço para elas na praça, disseram muitos. Outro ponto rlevante foi a proposta de se modificar o piso da praça, inviabilizando a prática do skate fora da área determinada. É uma queda de braços séria. Ao passo que muitos skatistas usam "corretamente" o espaço, outros o usam para brigar e o depredam.

Discutiu-se com afinco a questão da segurança. Ao menos uma gangue atua na área, de biccleta, furtando moradores e frequentadores. A GCM nada faz, mesmo sabendo do que se passa. O efetivo para o tamanho da praça é muito pequeno, e há a crescente sensação de insegurança. É fácil ver alguns jovens trocando mercadoria roubada no entorno da praça em determinadas horas.

Sabemos todos que a abertura da praça traria seus benefícios e malefícios, é preciso tirar o melhor de tudo isso e sempre ter em mente que há a ncessidade cosntante de dialogar com os diferentes grupos que ocupam e frequentam a praça e seu entorno. Nem sempre nossos interesses serão iguais, mas não podemos, enquanto moradores, tutelar ou legislar e sim debater.

A proposta de fechar a praça, no entanto, nã alteraria nossos problemas, apenas traria novos. Imaginemos que a Roosevelt fosse fechar das 23h até as 8 da manhã, oras, depois de aberta os skatistas iriam usá-la do mesmo jeito, os cachorros iriam cagar fora do local correto da mesma forma e quem quisesse realizar eventos entraria numa boa na praça e os faria sem ser perturbado.

Teríamos, talvez, algum sossego de noite, mas seria proibida a entrada na praça a quem quisesse caminhar pela manhã e fazer algum exercício, u quem quisesse atravessar a praça de noite para ir num dos bares dos dois lados da praça, ou mesmo quem quisesse simplesmente sentar e conversar com amigos às 3 da manhã, qual o problema disso?

Teriamos uma área cercada em que os próprios moradores seriam impedidos de usufruir a qualquer hora e que não resolveria os maiores problemas.

É preciso lembrar, ainda, que fora o barulho dos eventos - Satyrianas, Existe Amor em SP, etc - o grande problema da praça responde pelo nome de Parlapatões. O Satyrianas, há dois anos, fez um barulho enorme e o evento não aconteceu na praça, não faz diferença. O Parlapatões fica aberto a madrugada inteira incomodando os moradores com ou sem praça para que seu público se espalhe.

A praça talvez potencialize problemas, mas estes já existiam e não se resolverão cercando a Roosevelt, mas pressionando os responsáveis ou focos de problemas.

Aliás, ficou decidida a formação de uma comissão específica para encher o saco de PArlapatões e quaisquer bares que resolvam desrespeitar a comunidade da praça, realizando BO's, ligando para o PSIU e mesmo indo reclamar diretamente com o estabelecimento.

Foi notável a ausência de representantes dos bares na reunião, mostrando que temos ainda muito que trabalhar enquanto comunidade. De um lado, moradores devem aprender a conviver com uma região boêmia, de grande movimento em uma cidade carente de espaços culturais e de lazer e, do outro, frequentadores devem aprender a respeitar os moradores e entender que ha limites para o uso da praça.

No link, algumas fotos da reunião.

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Atualização:

Me esqueci um pequeno detalhe relacionado à segurança. Foi discutido na reunião que a quantidade de pixações na praça está crescendo e a GCM nada faz e a prefeitura se limita a pintar por cima, mas que tudo isto se trataria, na verdade, de gangues rivais demarcando o espaço. Se há alguma verdade nisso, é difícil saber, mas é válida a informação. Seria interessant,e penso eu, convidar grafiteiros para cobrir de arte o espaço antes que pixadores venham demarcar seu território.

Outro ponto que foi dsicutido é sobre outro bar, mais recente, que vem causando algun transtorno. Fica no fim da praça, quase ao lado do antigo Kilt, e hospeda shows com bandas e, aparentemente, o local não possui o isolamento necessário e o prédio vizinho vem enfrentando transtornos com a música toda a madrugada escapando da casa, além do que, ela também não fecharia depois de certo horário, repetindo o modus operandi do Parlapatões.
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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Praça Roosevelt: "Abaixo a repressão ao meu sono"

Hoje, às 19 horas, teremos na Praça Roosevelt uma reunião da Ação Local sobre os recentes transtornos com o barulho e falta de respeito desde a inauguração da praça, há coisa de um mês.

Mas os problemas recentes não são exatamente novos, mas tem causas antigas, estruturais. Na verdade, parte do problema se dá pela recusa do Parlapatões, espaço com teatro e bar, de respeitar a comunidade da Roosevelt. Mesmo os transtornos recentes como a confusão com skatistas e a GCM semana passada durante o Satyrianas tem raiz no Parlapatões, único teatro a ficar aberto a madrugada inteira, apesar de todos os demais fecharem para manter o silêncio na região. No dia da confusão o Parpalatões ficou aberto até as 11 da manhã, ou seja, durante TODA a madrugada, vendendo cerveja em copo de plástico e facilitando que centenas de pessoas ficassem toda a noite na Praça, gritando, cantando e tornando impossível dormir.

Devido ao fato de se recusar a respeitar a comunidade e sequer participar das reuniões sobre a Roosevelt, acredito ser necessário verificar meios para se viabilizar o FECHAMENTO do espaço conhecido como Parlapatões (Praça Roosevelt 158) caso o mesmo se recuse a cooperar e respeitar a comunidade da praça. Fatos como os que ocorreram na madrugada do dia 2 para o 3 de novembro demonstram como os responsáveis pelo espaço não se preocupam ou dão a mínima para o sono e a tranquilidade da comunidade.

Como podem ser vistas nas fotos anexas, uma confusão envolvendo a GCM, skatistas e frequentadores da praça presentes ao evento Satyrianas, mas alimentados pelo único bar que permaneceu aberto depois da meia noite/1 da manhã, estourou na referida madrugada, causando ainda mais transtorno aos moradores, impedidos de dormir e descansar.

Não é a primeira e nem será a última vez em que o Parlapatões será o responsável por perturbar a tranqulidade da região. Sabemos morar em uma área boêmia, de bares e movimento, mas TODOS os demais bares da rua respeitam a comunidade, impedindo que seus frequentadores fiquem na rua depois da meia noite com seus copos, conversando alto e atrapalhando o sono de quem não tem nada a ver com isso. Apenas o já citado Parlapatões se reucsa a cooperar, se mantém totalmente aberto e sem qualquer tipo de controle ou preocupação.

Os responsáveis pelo espaço se recusma a participar das reuniões da Ação Local e à sequer ouvir a reclamação dos moradores.

Na madrugada do dia 2 para 3 de novembro, como citado, a GCM foi chamada por moradores para acabar com uma briga dos skatistas na praça - há um espaço ao lado da igreja, na frente da Consolação em que não há nenhuma residência, onde os skatistas poderiam e deveriam se reunir, mas insistem em usar todo o espaço, a madrugada inteira, sem respeitar quem vive ali. Ao intervir, a GCM foi agredida por frequentadores que aparentemente estavam apreciando a confusão. Visivelmente embriagados, frequentadores arremessando copos, garrafas e outros objetos da GCM, que então usou spray de pimenta e cassetetes.

Sou a última pessoa a concordar com qualquer tipo de violência por parte da GCM ou de qualquer outra força policial, mas o que vi - e pode ser constatado pelas fotos e pode-se constatar que não é algo novo ou isolado, como se vê neste vídeo gravado por uma moradora - foram alguns guardas cercados pela turba que tentou espancá-los. A GCM, naquele momento, agia a pedido dos moradores que tem o DIREITO de dormir em suas casas. Frequentadores tomaram as dores dos skatistas e, aos gritos de "abaixo a repressão" e reclamando que a "ditadura" havia terminado, atacaram a GCM.

Não acompanhei o começo da confusão, apenas com a gritaria é que fui ver o que acontecia. Não descarto que a GCM tenha exagerado, provocado, mas o que se viu depois foi inaceitável.

Até onde eu seu, quem impõe uma espécie de ditadura são alguns frequentadores que impedem o descanso dos moradores, há de fato uma repressão sim, mas aos direitos de quem mora na praça.
Na Praça Roosevelt gritam abaixo a repressão pq a gcm está tirando os bebados barulhentos a força as 2h e tanta da madrugada. Não sei se tentaram de outro jeito e jamais defendo a repressão. Mas e a repressão ao meu sono? Acho que dormir é um direito humano não é não? Fico impressionada com a falta de civilidade e cuidado com o outro nessa terra, todo mundo quer saber do proprio umbigo, isso sim! Puta merda!
A ação da GCM contou com pelo menos 10 viaturas, 3 bases móveis e uma kombi, e a reação dos frequentadores (uma reação ridícula e típica de uma playboyzada que nunca teve de enfrentar de verdade a repressão de uma força policial) foi a de enfrentar, gritar, bater e, no fim, continuar madrugada adentro fazendo barulho.

Uns jovens de classe média alta que se acham no direito de incomodar toda a vizinhança com gritos, correria, violão e cantoria até, pelo menos as 7 da manhã! O Parlapatões, segundo fontes, ficou aberto até quase as 11 da manhça servindo bebida para quem estivesse afim! Todos os demais bares da rua, porém, estavam fechados desde cedo, respeitando a lei e a comunidade.
Pra contar o final da historia: o barulho foi diminuir umas 6h, so acabou mesmo umas 7h, eu fui conseguir dormir umas 8h. O grito abaixo a repressão foi uma roupagem 'libertária' para o velho você sabe com quem está falando? Afinal eu burguesinho hipster filho duma puta posso fazer o que quiser inclusive foder a vida dos outros e ninguem pode me impedir! Serio, não consigo dormir mais e to praticamente com um quadro de stress!
Não é a primeira vez, repito, e nem será a última. Desde a reabertura da praça que se tornou impossível ter uma única noite sequer de sono. Não importa o dia da semana, há sempre uma quantidade imensa de skatistas toda a madrugada na praça e nos dias em que os bares ficam abertos - leia-se Parlapatões - acumula-se uma quantidade imensa de pessoas a madrugada inteira nas escadarias da praça.

Fui, com minha esposa questionar a responsável pelo local na noite da confusão, de nome Marcia, que frente aos questionamentos disse vender cerveja em copos de plástico (provavelmente para não ser responsabilziada pelas garrafas de vidro jogadas na GCM), acrescentou que se tratava de uma "festa de rua" e que em Salvador ninguém reclama desse tipo de festa de rua.

Dito isto fingiu que não estávamos mais lá e voltou ao trabalho, achando que estava em salvador e que estava em seu direito ficar com o estabelecimento aberto toda a madrugada impedindo o sono dos moradores.
Pois é, a praça parece que encarna a dificuldade de convivencia e respeito com o outro na cidade de sp. Sou totalmente favoravel ao uso desse espaço privilegiado e tão escasso na cidade pra manifestações culturais, festas, enfim para a alegria nessa cidade cinza. Mas, a questão é que muitos usam sem o minimo de respeito. Só não fui na Satyrianas pq minha familia que mora longe esta por aqui, as barracas da festa quando cheguei em casa umas 11h já estavam todas fechadas. A atitude desses moradores de violência contra contra a festa as 19h é lamentavel e inaceitavel. Agora o bando que ficou de madrugada? Vai desculpar num país decente a policia deveria pedir com educação pra se retirarem, se não quisessem tinha que dar voz de prisão. E porque não acontece? Porque policia não mexe com a playboyzada. Bom, a organização da satyrianas podia ter um papel pedagogico que não sei se teve pra evitar isso... Enfim houveram ja festas que foram bons exemplos de cidadania, na Existe amor em sp, as 11h a galera foi vazando, e em baixo de uma chuva fez uma bela faxina nos copos, garrafas e outro lixos da festa. Enfim, é meuo dura a nossa situação mesmo, e isso porque os moradores são ate bem organizados com a ação local...
Tudo isso não significa que moradores também não cometam excessos. Há relatos de que moradores, às 19:30, joraga ovos e água nos frequentadores, numa hora em que há sim permissão para se fazer barulho e atividades na praça. Isto também é intolerável.

Por outro lado, questiono a necessidade, por exemplo, de se manter O DIA INTEIRO som alto na praça durante um evento eminentemente teatral (Satyrianas). Não se trata de banda ou algo imprescindível ao evento, mas tão somente caixas de som tocando musica alta todo o dia. Não resta dúvida que incomoda e irrita e não se busca uma convivência saudável ou preocupa-se com o que pensam ou sentem os moradores.

No dia seguinte à confusão o que mais se ouvia pelas ruas era reclamação e moradores que não conseguiam dormir, que foram acordados de madrugada pela confusão, pelos gritos... E tudo isso - gritos, burburinho altíssimo, violões, cantorias - acontece diariamente.
No dia seguinte, ainda, tivemos o último dia do Satyrianas em que vários moradores, cansados de já 3 dias sem dormir pelo barulho, reclamaram de um palco montado voltado para os prédios que, com som altíssimo, passava um filme às 11 da noite. Novamente fomos reclamar com os responsáveis que, porém, disseram que poderiam apenas debater sobre o evento do ano seguinte e que não era possível fazer nada sobre o que estava terminando.

Terminando também o filme, a desmontagem do palco e de toda a estrutura montada durou até as 3 da manhã, tornando, mais uma vez, o sono de todos impossível em pleno domingo.

Recomendo à Ação Local que inste os moradores incomodados a TODA NOITE realizar chamadas ao Psiu, a fim de tentar sensibilizar as autoridades dos transtornos que sofremos e que realize junto à prefeitura reclamações constantes, pois não é possível que o Parlapatões ou qualquer outro seja(m) mais forte(s) e mais importante(s) que o sossego e saúde de milhares de pessoas que vivem na Praça que é sim boêmia, mas não pode se tornar uma terra de ninguém onde um bar dita como e quando os moradores podem viver e dormir.

Sou absolutamente favorável a enventos na praça, a que se ocupe a praça e o entorno, mas é preciso respeitar quem mora e vive na praça. Não faz sentido passar o dia INTEIRO com som alto voltado aos prédios, não faz sentido varar a madrugada cm eventos, com bebedeira, cantorias ou confusão. Tenho a mais absoluta certeza de que quem vem até a Roosevelt impedir que os moradores durmam não aceitariam o mesmo em suas casas e ruas.

O que se pede é respeito e compreensão e que a convivência não se torne impossível, pois a praça é de todos e precisa ser ocupada.

Compartilho artigo escrito por mim e publicado no SPressoSP na semana passada que resume um pouco dos transtornos enfrentados pelos moradores com a nova Praça Roosevelt.

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O texto acima foi escrito em duas partes daí algumas repetições.
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