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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Agressão a skatistas na Praça Roosevelt e a convivência impossível

Atualização 09/01: Vídeo mostra o começo da agressão por parte do GCM a paisana Luciano Medeiros, o mata leão irresponsável e desnecessário dado em William e o spray de pimenta jogado na cara dos skatistas completamente de graça. Se alguém tinha dúvida de que a ação foi criminosa, este vídeo comprova.
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Este texto foi escrito em duas partes, em dois momentos diferentes. Na primeira parte um desabafo sobre a situação da praça, na segunda, comentários baseados em conversas que tive com skatistas e moradores da praça em busca de entendimento.
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Artigo meu um pouco diferente deste foi publicado também pelo SpressoSP.
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Fotografei uma ação da GCM na Praça Roosevelt dia 4 de janeiro que, de longe, parecia apenas algo corriqueiro.

Já virou lugar comum as brigas envolvendo grupos de skatistas em que a GCM intervém - em um caso pelo menos um GCM acabou sendo agredido por frequentadores -, desrespeito de frequentadores que emporcalham a praça e vão embora.... Está difícil conviver na praça.

É barulho de skate o dia inteiro, sem uma pausa. Mesmo no horário em que deveriam se retirar, 23h, alguns se recusam, tentam escapar da GCM e continuam madrugada adentro fazendo barulho.

Felizmente são raros os que fazem isso, mas existem.

Há a idéia de se  reservar a parte lateral da praça que desemboca na Consolação para a prática do skate e proibir no resto. Eu concordo. E a Confederação Brasileira de Skate também. Mas daí até a prefeitura se mexer...

É impossível frequentar a praça durante o dia, especialmente aos sábados. O perigo real é de ser atingido por skates desgovernados. E não é como se isso fosse raro, não é. Me recordo da última vez em que atravessei a praça, o perigo de desviar dos skatistas que não estão nem aí se tem alguém a pé passando e um skate atingindo duas senhores do meu lado que cometeram o crime de estarem sentadas numa mureta.


Quando a praça estava ainda para ser reformada eu me lembro de conversar com uma das arquitetas responsáveis pelo projeto e avisá-la da necessidade de um espaço específico para skatistas, até porque eles tinham direito à praça e eram os que, naquele momento, ocupavam o espaço degradado mantendo-o relativamente seguro. Fui ignorado e o resultado está aí. Ocupação total da praça sem espaço para mais ninguém.

Claro que os skatistas não são apenas problema ou o problema. Há os que respeitam, os que não ficam passando por cima dos bancos de madeira e os quebrando - outro problema daqui - e que não andam de skate, por exemplo, quando milhares de pessoas estão ocupando o espaço. A Confederação Brasileira de Skate, aliás, está ciente dos problemas e preocupada com a situação.


Mas, como já disse antes, os skatistas não são o único problema. Mas, no fim, a grande questão resume-se ao batido "convivência". Não existe isso na praça. Cada grupo que consegue ocupá-la se acha no direito de fazê-lo ao ponto de impedir outras ocupações. E falta o poder público presente, ação da prefeitura que não aparece no local. Apenas GCM, essa suposta polícia, não serve ou faz nada além de acirrar ânimos.

Mas, sejamos honestos, surpreende que tenha dado merda na praça? Quase toda semana chegam viaturas da GCM para acabar com alguma festa com som alto na praça depois da meia noite. Quase todo dia são várias reclamações ao Psiu, GCM, PM e etc de moradores que não conseguem dormir porque o Parlapatões não fecha, porque estão fazendo festa na Praça, porque tem dezenas de bêbados gritando, tocando instrumento na praça, porque tem gente transando no parquinho ao lado da igreja...

Notem que o problema, como já disse, nem é maior com os skatistas, mas toda a situação de estresse acaba por não discriminar alvos na hora da raiva justa de muitos moradores com a situação. Não estou justificando atitudes radicais, apenas deixando clara a situação.

Não há o menor respeito e a menor convivência entre NENHUM grupo. Há, claro, moradores intolerantes que acham que skatista tem mais é que se foder e não usar um milímetro da praça, que acham que são todos bandidos, que acham que tem mesmo que dar porrada, que tem que cercar/fechar a praça...

Não há, de nenhum dos lados, diálogo e respeito, ao menos até o momento.

E o episódio mostrado no vídeo abaixo, de violência gratuita por parte da GCM na praça é um exemplo do ponto a que chegamos. Eu até diria que pode ser vingança pela pressão que tem tido a GCM na praça para controlar os frequentadores e depois do episódio de um GCM agredido, mas obviamente não justifica.

Nada justifica violência. E nada justifica essa ação criminosa e agressão gratuita.

Cheguei a ouvir por aqui que o rapaz preso estava assaltando - algo que também está sendo comum por aqui, assaltantes com bikes ou skates naquele lado da praça - e que skatistas tomaram as dores - como frequentadores tomaram as dores e agrediram um GCM que apartava uma briga entre skatistas ano passado.

O fato é que não era nada disso. O rapaz, negro, foi agredido por um GCM à paisana sem qualquer justificativa. O nome do guarda é Luciano Medeiros, que já se envolveu em outro caso de agressão no ano passado e continua nas ruas. O próprio rapaz agredido, William, reconheceu que estava andando com seu skate pelos bancos da praça e que um GCM lhe havia chamado a atenção. Porém, um amigo dele teria ofendido a GCM que partiu pra cima da pessoa errada.

De qualquer forma, nem agressão verbal justificaria as ações que foram vistas no vídeo.

De quebra, o rapaz denunciou ter sido agredido dentro da viatura com socos no estômago e teve uma corrente que usava roubada por um GCM.

Aliás, o GCM responsável foi suspenso e outros envolvidos também, o que é bom. É bom, mas nem de longe resolve a situação.

Repito, a ação da GCM é imperdoável e indefensável, criminosa. Jogar spray de pimenta na cara de quem estava gravando uma ação policial e de quem estava no entorno é digno de bandidos que merecem ser punidos.

Mas é preciso compreender também como estão se desenvolvendo as coisas aqui na Praça.

Dizer que a GCM é bandida e ponto não resolve. Não discordo da frase, diga-se de passagem, sou contra a mera existência de uma guarda patrimonial que, pior, anda armada, mas no caso específico da praça vem sendo um processo de constante provocação. Uma área imensa onde poucos GCM tem que patrulhar e tem poder limitado de ação. Já cansei de ver skatistas provocando a GCM, xingando mesmo quando não estão fazendo nada.

Justifica agressão? Não. Mas explica como pessoas despreparadas vestindo uniformes reagirão na primeira oportunidade. E oportunidades não faltam.

O fato é que tem muito morador querendo sair da Praça, não aguentam mais o desrespeito, o barulho a madrugada inteira - não inteiramente culpa dos skatistas, claro -, a falta de diálogo das partes interessadas, a falta de ação da prefeitura (que vale para a anterior, claro, a atual mal assumiu, mas precisará fazer alguma coisa)....

Há exageros dos dois lados. De um frequentadores madrugada adentro fazendo barulho insuportável e impedindo milhares de pessoas de dormir até moradores que além de ovos, querem jogar pedras e garrafas para poder dormir.

De quebra ainda aparecem engraçadinhos dizendo que o morador está errado. Oras, azar o seu se você não pode vir sujar a praça deixando garrafas de madrugada, berrando bêbado a noite toda, deixando camisinhas no parque infantil e depois voltar pra sua casa tranquila e silenciosa e dormir o quanto quiser pensando em como são babacas os que reclamam do barulho....

Outros recomendam: Coloque janela anti-ruído.

Claro, vamos fingir que eu tenha o dinheiro para isso - é caro - e também para o ar condicionado que terei de colocar na casa, da conta de energia... E do absurdo que é precisar isolar minha casa para que outros possam continuar sua algazarra madrugada adentro e todo o dia. Sem dúvida, quem sugere essa canalhice deve ser dono de empresa que faz o serviço, pois terá milhares de clientes de um dia para o outro!

Enfim, falta diálogo, respeito, convivência e eu cada vez menos tenho esperança de uma solução decente.

Para mais fotos da ação criminosa da GCM, vejam no Flickr.

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Este post (acima) escrevi logo que tomei conhecimento do vídeo da agressão. Horas depois, porém, desci para a praça e fui conversar com a mídia e com skatistas. Uma grata surpresa. Acabei sendo entrevistado pelo G1 e pela TV Cultura e pude não apenas conversar e compreender o lado dos skatistas, como também procurar que a mídia presente apresentasse ambos os lados e ponderasse.

Conversei longamente com Paulo Puntel, advogado da Confederação Brasileira de Skate (CBSK) e com Saulo Godoi, skatista das antigas e com outros skatistas e, apesar de continaur a achar que temos muitos problemas a serem resolvidos, há esperança de resolvê-los. Uma boa quantidade de skatistas experientes e a CBSK tem total intenção de cooperar com a Ação Local para delimitar e sinalizar área para a prática do esporte. Eles compreendem os problemas dos moradores.

Aliás, foi interessante ver que, frente à nossa reclamação de que o barulho é imenso, alguns skatistas disseram não saber que era tão ruim, não sabiam do transtorno que causavam e ao invés de, como alguns esperariam, ligar o foda-se, se mostraram genuinamente preocupados e dispostos a colaborar.

Foi possível até que o Paulo e o Saulo conversassem com membros da Ação Local, alguns até radicalmente contra o skate, e chegar a um denominador comum e encontrar as bases para um diálogo que pode resolver uma parte considerável de nossos problemas.

Surgiu a ideia de um skate plaza, de espaços culturais.... Foi uma tarde bem produtiva. Foi possível até fazer com que skatistas e membros da Ação Local conversassem e se entendessem!

O nosso maior problema aqui é a falta de diálogo, mas encontramos agora com quem dialogar, e bases comuns. Os moradores moderados, que acham que skatista tem sim direito a ocupar o espaço, mas com regras, finalmente econtraram apoio em skatistas que compreendem nossos problemas.

De fato não é possível ocupar a praça toda, é preciso um espaço delimitado, para que acidentes não ocorram, com horário e etc.

Aliás, fiz questão de prestar solidariedade ao William, agredido pela GCM, que também entendeu a reclamação dos moradores contra os skatistas e se mostrou pronto a colaborar. Muitos skatistas são de fora do bairro e mesmo de São Paulo, sem nenhuma sinalização ou regras claras é esperar demais que alguém ache que está fazendo algo errado em ocupar um espaço imenso e virtualmente livre.

Não há nada melhor que o diálogo, que o entendimento.

Como tirada humorística e irônica, quando estava me despedindo dos skatistas e agradecendo pelo papo, fui atingido na perna por um skate desgovernado e, claro, eles brincaram que o único morador que tinha ido conversar com eles e buscado o diálogo ia, depois da porrada, mudar de idéia e falar mal deles!=)

Acidentes acontecem e, no fim, o que estamos buscando é exatamente evitá-los, através da conversa e da convivência. A praça é de todos, mas todos precisam respeitar regras e outros grupos.

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Em tempo, escrevi ao menos duas vezes sobre o uso indiscriminado de chamadas armas "não letais", dentre elas o famigerado spray de pimenta que pode matar por sufocamento. Aproveitando o novo governo Haddad que, diz, será próximo aos movimentos sociais, faço a campanha:
Pelo fim do uso de spray de pimenta contra manifestações públicas na cidade de São Paulo. 
Porque é um direito humano e cidadão a livre manifestação e organização sem riscos à integridade física
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Satyros irá fechar: Viva a "classe média medíocre"


"A especulação imobiliária tem duas consequências. A primeira é visível e numérica: são os aluguéis exorbitantes. Depois de seis meses de alugueis atrasados, estamos, enfim, regularizando as contas. Meses e meses os artistas sem receber nada, pois tínhamos só contas em atraso. Dificuldades mil.
Mas nunca tivemos medo da falta de dinheiro. Isso não nos impede de ter vontade de lutar pelo espaço. Mas há outra coisa ainda pior. A crise de identidade que a Praça enfrenta hoje.
Os novos moradores, aliados aos antigos vingadores, sonham que a Praça se transforme no Itaim Bibi do centro. Mas isso não tem nada a ver com o histórico dela vindo lá dos anos 50 e 60, nem com a chegada dos skatistas, nem com o que os teatros fizeram para sua recuperação. Alguns querem que a Praça seja um local tranquilo para a moradia, algo como uma Perdizes controlada, com bares cult para bons moços frequentar até certa hora e boas instalações para novas padarias badaladas com nome afrancesado...
Até algumas pessoas que se dizem de esquerda estão caindo nesse jogo também. Estamos isolados. O que a Praça Roosevelt quer ser para a cidade e qual é o nosso papel nisso? Essa é a questão principal. Nós contribuimos para uma transformação radical de uma das regiões mais deterioradas da cidade e agora a classe média-medíocre quer transformar esse espaço no seu quintal, mais preocupados com o cachorródromo do que com a força cultural que ela pode trazer para a cidade...
Isso nos inquieta de verdade. Estas pessoas tão bem educadas são muito mais difíceis do que os traficantes que tivemos que enfrentar quando chegamos à Praça, na época em que éramos ameaçados de morte, e não de morte espiritual."
Rodolfo García Vázquez, diretor dos Satyros
Depois de ler este texto do diretor d'O Satyros eu realmente deixei de lamentar a saída do grupo da Praça Roosevelt e me limito adesejar boa sorte. Não voltem mais.

Eu não sabia que dormir era coisa de burguês. Que só burguês tinha direito a desncasar, a ter silêncio...

Aliás, acho que para Vázquez, a palavra "direito" não se encaixaria aqui, ou talvez "direito" seja, para ele, também uma noção burguesa.

Mas de uma coisa tenho certeza: Vázquez e sua trupe se acham os salvadores da praça. Só eles. E como pagamento, nós, moradores, devemos nos submeter à tudo que sua trupe decidir fazer, seja desmontar palco as 2 da madrugada, seja aguentar dias a fio com barulho praticmente 24h por dia porque suas atividades são mais importantes que a dos milhares de moradores, assim como nosso sossego.

Pior de tudo, o Satyros - tirando um Satyrianas aqui e outr ali - nunca foi motivo de reclamações ou de transtorno. Nosso problema maior é com o Parlapatões.... Pelo visto tomaram as dores dos outros.

O histórico da praça, caro Vazquez, não é o que você afirma estar preservando, não é a vida que você afirma ter dado. Reconheço, e creio que seria impossível fazer o contrário, o papel do Satyros na revitalização mais recente da praça, mas ela já teve muitas caras. Foi velódromo, depois o primeiro estádio de futebol de São Paulo, onde se jogaram os primeiros campeonatos paulistas - e de todo o Brasil -, foi estacionamento, espaço para feira e depois, na Ditadura, foi praça de concreto, horrível, até se deteriorar, como todo o centro depois de passar pelas mãos de Maluf e correlatos.

Acabou degradada, e foi recuperada não apenas pelo Satyros - que teve sim papel nisso tudo - mas também pelos outros teatros, bares, barbearia, pelo moradores antigos e que foram chegando, enfim, pela comunidade que vive na e da Praça Roosevelt.

Aliás, os skatistas chegaram aqui MUITO antes de vocês sonharem em abrir seu(s) espaço(s).

Acho interessante alguém que critica os "burgueses" e se diz - pelo que entendi - de esquerda, querer posar como grande salvador, individual, da região. E alguém que se coloca ACIMA da comunidade, como se seu negócio - que coisa burguesa, não? - estivesse acima do bem e do mal, acima de críticas e não precisasse ouvir ninguém.

Infelizmente, meu caro Vázquez, são milhares os moradores da Praça, e mesmo muitos comerciantes fazem questão de respeitar esta imensa comunidade, não passando a madrugada inteira abertos, como faz o insuportável Parlapatões.

Respeito e comunidade são apavras que o "esquerdista" parece não compreender. Vale o egoísmo e o egocentrismo do nosso salvador.

Sabias, meu amigo, que há moradores que vivem na praça há mais de 50 anos? Muitos vivem aqui desde antes de sua salvação? Sim, reconhecemos sua importância, mas não elegeram (nem elegemos) o Satyros como líder inconteste e plenipotenciário.

Temos sim o direito de dormir. Seja pela lei, que impõe limites à farra de uns pelo bem de outros, seja pela desconhecida noção - para você e outros - de COMUNIDADE. Você tem todo o direito de festejar, de atuar, de tocar seu negócio, mas este direito é limitado pelo nosso de viver em paz.

Noção burguesa? Paciência.

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Relato da reunião da Ação Local Roosevelt: "Abaixo a repressão ao meu sono"

Dando continuidade ao post anterior sobre os acontecimentos na Praça Roosevelt, tivemos nossa reunião da Ação Local na terça, dia 13. O salão paroquial da Igreja da Consolação ficou relativamente cheio e, também, tenso.

É compreensível a raiva de muitos dos moradores em meio à situação difícil em que se encontra a praça, mas também é preciso compreender que estamos em um período de transição, mesmo em termos políticos, com a mudança de prefeito e o fim de um governo péssimo. A praça mal foi inaugurada, ainda há obras por fazer e sendo feitas, e muito a se adequar.

Temos a sorte de vivermos em uma área considerada importante e, diferentemente de outros lugares, temos trânsito unto aos órgãos públicos, ou seja, há espaço para se debater e achar soluções.

O tom da reunião, desde o começo, foi de revolta, com propsotas de se cercar, fechar a praça, como a Buenos Aires, em Higienópolis. Obviamente os que apoiavam inicialmente a propostas se esqueceram da realidade absolutamente diferente de Higienópolis e da nossa, num local de passagem, com grandes avenidas, estações de metrô e etc...

Felizmente, com muita boa vontade e discussão alguns de nós conseguimos alterar o tom da discussão e buscar outras soluções para a praça que renasce. Ela é de todos, e não apenas dos moradores - por mais que eles (nós) tenhamos, creio, um papel decisivo nos rumos da praça por vivermos nela -, não temos o direito de impor a forma como ela vai ser usada, ao passo que temos o direito de impor regras de convivência em comum acordo com o resto da comunidade.

Em outras palavras, algumas movimentações que já ocorriam serão aceleradas, como a conversa com skatistas para usarem um espaço determinado da praça e não passarem a madrugada nela, respeitando o direito dos moradores de dormir e descansar. Eventos terão de ser melhor discutidos com a comunidade, que não quer passar dias e noites com caixas de som voltadas para suas janelas, mas que sabe da necessidade e do direito de se ocupar a praça com eventos culturais.

É preciso diálogo, saber ouvir a comunidade que vive e que frequenta a praça.

O grande dificultador é que muitos dos frequentadores que causam tumulto são, também, moradores, então como conseguir conversar com todos e ensinar a respeitar a comunidade?

O que vimos na reunião foi muito ódio contra os skatistas, esquecendo que quando a praça caia aos pedaços eram eles que a ocupavam e que SEMPRE a ocuparam com seu esporte e que, como nós, merecem espaço. Assim como grupos teatrais e que buscam realizar eventos grandes na praça. Todos tem seu lugar, a questão é saber conviver e respeitar o entorno. Não é possível, como aconteceu, aceitar passar dias sem dormir para que alguns se divirtam na praça, é preciso que ela seja fonte de diversão e cultura para todxs.

Conseguimos, com muita conversa, derrotar a veia proibicionista que começou forte na reunião, com exceção da proibição de bicicletas, que será discutido seriamente, pois não há espaço para elas na praça, disseram muitos. Outro ponto rlevante foi a proposta de se modificar o piso da praça, inviabilizando a prática do skate fora da área determinada. É uma queda de braços séria. Ao passo que muitos skatistas usam "corretamente" o espaço, outros o usam para brigar e o depredam.

Discutiu-se com afinco a questão da segurança. Ao menos uma gangue atua na área, de biccleta, furtando moradores e frequentadores. A GCM nada faz, mesmo sabendo do que se passa. O efetivo para o tamanho da praça é muito pequeno, e há a crescente sensação de insegurança. É fácil ver alguns jovens trocando mercadoria roubada no entorno da praça em determinadas horas.

Sabemos todos que a abertura da praça traria seus benefícios e malefícios, é preciso tirar o melhor de tudo isso e sempre ter em mente que há a ncessidade cosntante de dialogar com os diferentes grupos que ocupam e frequentam a praça e seu entorno. Nem sempre nossos interesses serão iguais, mas não podemos, enquanto moradores, tutelar ou legislar e sim debater.

A proposta de fechar a praça, no entanto, nã alteraria nossos problemas, apenas traria novos. Imaginemos que a Roosevelt fosse fechar das 23h até as 8 da manhã, oras, depois de aberta os skatistas iriam usá-la do mesmo jeito, os cachorros iriam cagar fora do local correto da mesma forma e quem quisesse realizar eventos entraria numa boa na praça e os faria sem ser perturbado.

Teríamos, talvez, algum sossego de noite, mas seria proibida a entrada na praça a quem quisesse caminhar pela manhã e fazer algum exercício, u quem quisesse atravessar a praça de noite para ir num dos bares dos dois lados da praça, ou mesmo quem quisesse simplesmente sentar e conversar com amigos às 3 da manhã, qual o problema disso?

Teriamos uma área cercada em que os próprios moradores seriam impedidos de usufruir a qualquer hora e que não resolveria os maiores problemas.

É preciso lembrar, ainda, que fora o barulho dos eventos - Satyrianas, Existe Amor em SP, etc - o grande problema da praça responde pelo nome de Parlapatões. O Satyrianas, há dois anos, fez um barulho enorme e o evento não aconteceu na praça, não faz diferença. O Parlapatões fica aberto a madrugada inteira incomodando os moradores com ou sem praça para que seu público se espalhe.

A praça talvez potencialize problemas, mas estes já existiam e não se resolverão cercando a Roosevelt, mas pressionando os responsáveis ou focos de problemas.

Aliás, ficou decidida a formação de uma comissão específica para encher o saco de PArlapatões e quaisquer bares que resolvam desrespeitar a comunidade da praça, realizando BO's, ligando para o PSIU e mesmo indo reclamar diretamente com o estabelecimento.

Foi notável a ausência de representantes dos bares na reunião, mostrando que temos ainda muito que trabalhar enquanto comunidade. De um lado, moradores devem aprender a conviver com uma região boêmia, de grande movimento em uma cidade carente de espaços culturais e de lazer e, do outro, frequentadores devem aprender a respeitar os moradores e entender que ha limites para o uso da praça.

No link, algumas fotos da reunião.

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Atualização:

Me esqueci um pequeno detalhe relacionado à segurança. Foi discutido na reunião que a quantidade de pixações na praça está crescendo e a GCM nada faz e a prefeitura se limita a pintar por cima, mas que tudo isto se trataria, na verdade, de gangues rivais demarcando o espaço. Se há alguma verdade nisso, é difícil saber, mas é válida a informação. Seria interessant,e penso eu, convidar grafiteiros para cobrir de arte o espaço antes que pixadores venham demarcar seu território.

Outro ponto que foi dsicutido é sobre outro bar, mais recente, que vem causando algun transtorno. Fica no fim da praça, quase ao lado do antigo Kilt, e hospeda shows com bandas e, aparentemente, o local não possui o isolamento necessário e o prédio vizinho vem enfrentando transtornos com a música toda a madrugada escapando da casa, além do que, ela também não fecharia depois de certo horário, repetindo o modus operandi do Parlapatões.
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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Praça Roosevelt: "Abaixo a repressão ao meu sono"

Hoje, às 19 horas, teremos na Praça Roosevelt uma reunião da Ação Local sobre os recentes transtornos com o barulho e falta de respeito desde a inauguração da praça, há coisa de um mês.

Mas os problemas recentes não são exatamente novos, mas tem causas antigas, estruturais. Na verdade, parte do problema se dá pela recusa do Parlapatões, espaço com teatro e bar, de respeitar a comunidade da Roosevelt. Mesmo os transtornos recentes como a confusão com skatistas e a GCM semana passada durante o Satyrianas tem raiz no Parlapatões, único teatro a ficar aberto a madrugada inteira, apesar de todos os demais fecharem para manter o silêncio na região. No dia da confusão o Parpalatões ficou aberto até as 11 da manhã, ou seja, durante TODA a madrugada, vendendo cerveja em copo de plástico e facilitando que centenas de pessoas ficassem toda a noite na Praça, gritando, cantando e tornando impossível dormir.

Devido ao fato de se recusar a respeitar a comunidade e sequer participar das reuniões sobre a Roosevelt, acredito ser necessário verificar meios para se viabilizar o FECHAMENTO do espaço conhecido como Parlapatões (Praça Roosevelt 158) caso o mesmo se recuse a cooperar e respeitar a comunidade da praça. Fatos como os que ocorreram na madrugada do dia 2 para o 3 de novembro demonstram como os responsáveis pelo espaço não se preocupam ou dão a mínima para o sono e a tranquilidade da comunidade.

Como podem ser vistas nas fotos anexas, uma confusão envolvendo a GCM, skatistas e frequentadores da praça presentes ao evento Satyrianas, mas alimentados pelo único bar que permaneceu aberto depois da meia noite/1 da manhã, estourou na referida madrugada, causando ainda mais transtorno aos moradores, impedidos de dormir e descansar.

Não é a primeira e nem será a última vez em que o Parlapatões será o responsável por perturbar a tranqulidade da região. Sabemos morar em uma área boêmia, de bares e movimento, mas TODOS os demais bares da rua respeitam a comunidade, impedindo que seus frequentadores fiquem na rua depois da meia noite com seus copos, conversando alto e atrapalhando o sono de quem não tem nada a ver com isso. Apenas o já citado Parlapatões se reucsa a cooperar, se mantém totalmente aberto e sem qualquer tipo de controle ou preocupação.

Os responsáveis pelo espaço se recusma a participar das reuniões da Ação Local e à sequer ouvir a reclamação dos moradores.

Na madrugada do dia 2 para 3 de novembro, como citado, a GCM foi chamada por moradores para acabar com uma briga dos skatistas na praça - há um espaço ao lado da igreja, na frente da Consolação em que não há nenhuma residência, onde os skatistas poderiam e deveriam se reunir, mas insistem em usar todo o espaço, a madrugada inteira, sem respeitar quem vive ali. Ao intervir, a GCM foi agredida por frequentadores que aparentemente estavam apreciando a confusão. Visivelmente embriagados, frequentadores arremessando copos, garrafas e outros objetos da GCM, que então usou spray de pimenta e cassetetes.

Sou a última pessoa a concordar com qualquer tipo de violência por parte da GCM ou de qualquer outra força policial, mas o que vi - e pode ser constatado pelas fotos e pode-se constatar que não é algo novo ou isolado, como se vê neste vídeo gravado por uma moradora - foram alguns guardas cercados pela turba que tentou espancá-los. A GCM, naquele momento, agia a pedido dos moradores que tem o DIREITO de dormir em suas casas. Frequentadores tomaram as dores dos skatistas e, aos gritos de "abaixo a repressão" e reclamando que a "ditadura" havia terminado, atacaram a GCM.

Não acompanhei o começo da confusão, apenas com a gritaria é que fui ver o que acontecia. Não descarto que a GCM tenha exagerado, provocado, mas o que se viu depois foi inaceitável.

Até onde eu seu, quem impõe uma espécie de ditadura são alguns frequentadores que impedem o descanso dos moradores, há de fato uma repressão sim, mas aos direitos de quem mora na praça.
Na Praça Roosevelt gritam abaixo a repressão pq a gcm está tirando os bebados barulhentos a força as 2h e tanta da madrugada. Não sei se tentaram de outro jeito e jamais defendo a repressão. Mas e a repressão ao meu sono? Acho que dormir é um direito humano não é não? Fico impressionada com a falta de civilidade e cuidado com o outro nessa terra, todo mundo quer saber do proprio umbigo, isso sim! Puta merda!
A ação da GCM contou com pelo menos 10 viaturas, 3 bases móveis e uma kombi, e a reação dos frequentadores (uma reação ridícula e típica de uma playboyzada que nunca teve de enfrentar de verdade a repressão de uma força policial) foi a de enfrentar, gritar, bater e, no fim, continuar madrugada adentro fazendo barulho.

Uns jovens de classe média alta que se acham no direito de incomodar toda a vizinhança com gritos, correria, violão e cantoria até, pelo menos as 7 da manhã! O Parlapatões, segundo fontes, ficou aberto até quase as 11 da manhça servindo bebida para quem estivesse afim! Todos os demais bares da rua, porém, estavam fechados desde cedo, respeitando a lei e a comunidade.
Pra contar o final da historia: o barulho foi diminuir umas 6h, so acabou mesmo umas 7h, eu fui conseguir dormir umas 8h. O grito abaixo a repressão foi uma roupagem 'libertária' para o velho você sabe com quem está falando? Afinal eu burguesinho hipster filho duma puta posso fazer o que quiser inclusive foder a vida dos outros e ninguem pode me impedir! Serio, não consigo dormir mais e to praticamente com um quadro de stress!
Não é a primeira vez, repito, e nem será a última. Desde a reabertura da praça que se tornou impossível ter uma única noite sequer de sono. Não importa o dia da semana, há sempre uma quantidade imensa de skatistas toda a madrugada na praça e nos dias em que os bares ficam abertos - leia-se Parlapatões - acumula-se uma quantidade imensa de pessoas a madrugada inteira nas escadarias da praça.

Fui, com minha esposa questionar a responsável pelo local na noite da confusão, de nome Marcia, que frente aos questionamentos disse vender cerveja em copos de plástico (provavelmente para não ser responsabilziada pelas garrafas de vidro jogadas na GCM), acrescentou que se tratava de uma "festa de rua" e que em Salvador ninguém reclama desse tipo de festa de rua.

Dito isto fingiu que não estávamos mais lá e voltou ao trabalho, achando que estava em salvador e que estava em seu direito ficar com o estabelecimento aberto toda a madrugada impedindo o sono dos moradores.
Pois é, a praça parece que encarna a dificuldade de convivencia e respeito com o outro na cidade de sp. Sou totalmente favoravel ao uso desse espaço privilegiado e tão escasso na cidade pra manifestações culturais, festas, enfim para a alegria nessa cidade cinza. Mas, a questão é que muitos usam sem o minimo de respeito. Só não fui na Satyrianas pq minha familia que mora longe esta por aqui, as barracas da festa quando cheguei em casa umas 11h já estavam todas fechadas. A atitude desses moradores de violência contra contra a festa as 19h é lamentavel e inaceitavel. Agora o bando que ficou de madrugada? Vai desculpar num país decente a policia deveria pedir com educação pra se retirarem, se não quisessem tinha que dar voz de prisão. E porque não acontece? Porque policia não mexe com a playboyzada. Bom, a organização da satyrianas podia ter um papel pedagogico que não sei se teve pra evitar isso... Enfim houveram ja festas que foram bons exemplos de cidadania, na Existe amor em sp, as 11h a galera foi vazando, e em baixo de uma chuva fez uma bela faxina nos copos, garrafas e outro lixos da festa. Enfim, é meuo dura a nossa situação mesmo, e isso porque os moradores são ate bem organizados com a ação local...
Tudo isso não significa que moradores também não cometam excessos. Há relatos de que moradores, às 19:30, joraga ovos e água nos frequentadores, numa hora em que há sim permissão para se fazer barulho e atividades na praça. Isto também é intolerável.

Por outro lado, questiono a necessidade, por exemplo, de se manter O DIA INTEIRO som alto na praça durante um evento eminentemente teatral (Satyrianas). Não se trata de banda ou algo imprescindível ao evento, mas tão somente caixas de som tocando musica alta todo o dia. Não resta dúvida que incomoda e irrita e não se busca uma convivência saudável ou preocupa-se com o que pensam ou sentem os moradores.

No dia seguinte à confusão o que mais se ouvia pelas ruas era reclamação e moradores que não conseguiam dormir, que foram acordados de madrugada pela confusão, pelos gritos... E tudo isso - gritos, burburinho altíssimo, violões, cantorias - acontece diariamente.
No dia seguinte, ainda, tivemos o último dia do Satyrianas em que vários moradores, cansados de já 3 dias sem dormir pelo barulho, reclamaram de um palco montado voltado para os prédios que, com som altíssimo, passava um filme às 11 da noite. Novamente fomos reclamar com os responsáveis que, porém, disseram que poderiam apenas debater sobre o evento do ano seguinte e que não era possível fazer nada sobre o que estava terminando.

Terminando também o filme, a desmontagem do palco e de toda a estrutura montada durou até as 3 da manhã, tornando, mais uma vez, o sono de todos impossível em pleno domingo.

Recomendo à Ação Local que inste os moradores incomodados a TODA NOITE realizar chamadas ao Psiu, a fim de tentar sensibilizar as autoridades dos transtornos que sofremos e que realize junto à prefeitura reclamações constantes, pois não é possível que o Parlapatões ou qualquer outro seja(m) mais forte(s) e mais importante(s) que o sossego e saúde de milhares de pessoas que vivem na Praça que é sim boêmia, mas não pode se tornar uma terra de ninguém onde um bar dita como e quando os moradores podem viver e dormir.

Sou absolutamente favorável a enventos na praça, a que se ocupe a praça e o entorno, mas é preciso respeitar quem mora e vive na praça. Não faz sentido passar o dia INTEIRO com som alto voltado aos prédios, não faz sentido varar a madrugada cm eventos, com bebedeira, cantorias ou confusão. Tenho a mais absoluta certeza de que quem vem até a Roosevelt impedir que os moradores durmam não aceitariam o mesmo em suas casas e ruas.

O que se pede é respeito e compreensão e que a convivência não se torne impossível, pois a praça é de todos e precisa ser ocupada.

Compartilho artigo escrito por mim e publicado no SPressoSP na semana passada que resume um pouco dos transtornos enfrentados pelos moradores com a nova Praça Roosevelt.

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O texto acima foi escrito em duas partes daí algumas repetições.
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Praça Roosevelt - Polo Cultural: Até quando?




Depois de anos se falando na tão aguardada e desacreditada reforma da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, eis que nos deparamos com o "lado b" da situação, o lado ruim e, enfim, o lado capitalista.

Nada vem de graça. Os comerciantes e moradores da Praça passaram anos exigindo que algo fosse feito para revitalizar a área, para garantir a segurança e permitir que se caminhasse sem medo de ser vítima de violência no entorno.

A reforma, enfim, saiu. Para alegria de todos. Mas apenas por um tempo.

A Praça está, com boa vontade, na metade da obra. Tudo demolido e apenas começando a construir os canteiros e a estrutura básica de suporte para as obras que ainda virão, como o posto da GCM, da PM, floriculturas, espaços para árvores e etc. Mas desde já a especulação imobiliáia faz vítimas

A HQ Mix, livraria já famosa na Praça deixará o local. Os teatros estão ameaçados (exceto o Parlapetões, que é dono do imóvel) e até o tradicional PPP (Papo, Pinga e Petisco), bar sempre lotado, está ameaçado de despejo. Arazão? A sanha capitalista dos donos dos imóveis que preferem passar meses com o local desocupado à procura de quem pague os preços exorbitantes pedidos pelo aluguel a manter os negócios abertos.

Longe de se tratar de uma defesa dos comerciantes em si, a defesa da manutenção dos negócios abertos - teatros, bares, livraria e etc - é a defesa da vida da Praça. Foram os teatros e os bares quem, inicialmente, começaram o processo de revitalização de um local que era perigoso e sem vida.

Saindo a razão da vida que garante movimento de dia e de noite, trazendo segurança, fama e mesmo diversão ao local, os moradores ficarão novamente reféns andando por ruas escuras e pouco movimentadas.

Achar que base da PM ou da GCM garantem segurança é colocar demais fé em duas organizações que sequer deveriam existir. A Praça manteve, por anos, uma delegacia na sua ponta que liga à Consolação e nem por isso havia garantia de segurança.

Presenciei um assassinato na Roosevelt em que a PM praticamente colaborou com o assassianto de um mendigo, negando socorro à vítima que sangrava no chão.
A igreja contratou um segurança e colocou um rottweiler nos fundos. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras afirma que dez guardas particulares fazem a segurança da praça. E a Polícia Militar diz que há policiamento 24 horas, duas câmeras e que, nos últimos três meses, não houve nenhuma ocorrência na Roosevelt.
Eu NUNCA vi mais de um segurança durante a noite, caminhando vez ou outra pela praça e só. E não há nenhum policiamento por parte da PM, apenas durante a noite e só nos fins-de-semana, quando o movimento é maior. Mas uma mentira da PM não é novidade.

No vídeo que abre o post, o Mario Bortolotto, que foi baleado dentro do Parlapatões (e a tal delegacia na esquina da Praça estava lá), comenta com conhecimento de causa: De que adianta a prefeitura trazer árvore e banquinho pra praça se o comércio fechar?

A Praça reformada é pra trazer vida pra região e não afastar aquilo que traz o movimento e a animação. Muito preocupante! Até os teatros tão ameaçados pela especulação, ou seja, aquilo que fez a Praça voltar a ter vida e sentido.
Os teatros, no entanto, temem que a obra eleve demais os aluguéis. Dos sete que estão na praça, o grupo Parlapatões, que no ano passado atraiu uma plateia de 30 mil pessoas, é o único proprietário do imóvel que ocupa.
Esta especulação imobiliária sem sentido, criminosa, que alguns chamam de "livre mercado" não pode ficar impune, ou melhor, os donos de imóveis, canalhas, deveriam ser interpelados e forçados a respeitar a comunidade da Praça.
"Já houve muitos projetos. Agora, eu só acredito vendo. Se não houver zeladoria, a área vai continuar abandonada", afirma a aposentada Bartira Cataldi Rocha, 68, que cresceu na região.
O mais assutador é ver que d polo cultura, a Roosevelt pode virar apenas um local de passagme pra quem quer cortar o cabelo:
Até quem passou por maus bocados pensa em voltar. É o caso do salão Jacques Janine, que funcionava ali na década de 1990. "Chegou uma hora em que os clientes não queriam ir até a praça. Agora, temos uma linha popular e penso em abrir uma unidade ali", diz Thony Rodrigues, sócio-proprietário da nova marca, a Basic Beauty.
Já existem dois salões, um deles que vive às moscas, ao lado da HQ Mix. A Praça realmente precisa de um terceiro concorrente (contando que na rua de trás, Nestor Pestana, há ainda outros 2 salões)?
O barulho e a movimentação até altas horas são as principais reclamações de quem vive nos prédios. "Algumas pessoas esquecem que há gente nos andares de cima. Esperamos que o bom-senso predomine e se chegue a um meio termo. Tenho janela antirruído e, mesmo assim, muitas vezes ainda escuto o barulho", diz Fábio de Siqueira Branco.
Pese as críticas que existem ao modelo de reurbanização do centro, é inegável o relativo sucesso do retorno à vida da Praça Roosevelt e a necessidade da manutenção deste polo cutural. Apesar de alguns insatisfeitos, a grande maioria não quer a volta da terra de ninguém anterior. Um pouco de barulho compensa.

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Algumas fotos da reforma da Praça:
Como ela era
Começo da demolição
Demolição caminhando
Como está hoje

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Em tempo, pirateio reproduzo aqui a matéria completa da Folha, que foi capa de sua revista dominicial:

A praça é nova
Ainda envolta em tapumes, obra milionária na Roosevelt já causa impactos na vida de moradores e comerciantes


Filipe Redondo/Folhapress

Operário caminha sobre a antiga estrutura da praça

NATÁLIA ZONTA No fim da tarde, o entra e sai de caminhões termina e as calçadas da praça Roosevelt, no centro, começam a ficar cheias. O "happy hour" no boteco La Barca reúne engravatados, jovens atores e um travesti. Comum nos dias de hoje, essa cena era rara em 2000, quando o primeiro teatro chegou ao endereço para disputar espaço com traficantes e prostitutas. Vivendo mais altos do que baixos desde então, a praça está prestes a mudar novamente.

Há quase um ano, a prefeitura está reformando o local, com um orçamento de R$ 38,6 milhões (85% serão fornecidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento). A grande estrutura de concreto apelidada de "pentágono" já foi demolida, e, mesmo envolta em tapumes, a obra, prevista para acabar em agosto de 2012, já provoca efeitos na vizinhança.

Um dos primeiros a sentir o impacto foi Gualberto Costa, dono da livraria HQ Mix. Por causa do aumento do aluguel, de R$ 1.700 para R$ 4.000, ele se prepara para deixar o ponto em novembro. "É um preço que não posso pagar. Estou de mudança e procuro espaços na Vila Madalena", diz.

O dono do imóvel foi um dos primeiros moradores a apostar na região. "Quando cheguei, há 14 anos, tudo era muito barato e me achavam excêntrico por viver aqui. Havia venda de crack e eu tinha medo de dormir próximo à janela, já que vivo em um andar baixo", afirma o funcionário público Fábio de Siqueira Branco, 57.

Em 2004, quando a HQ Mix abriu, ele diz ter alugado o local por um valor mais baixo para ajudar Gualberto. "Hoje, tenho de cobrar um preço mais real. Era uma situação válida quando não tinha interessados. Agora, há."

A disputa por imóvel atinge a vizinhança. No mês passado, a Brookfield lançou na rua Augusta, onde até 2009 estava o hotel Ca'd'Oro, um complexo com duas torres que vão abrigar 375 apartamentos, 387 salas comercias e um hotel. Tudo foi vendido em quatro dias por a partir de R$ 9.000 o metro quadrado. O valor médio em Pinheiros, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, é de R$ 9.520,93.

Até quem passou por maus bocados pensa em voltar. É o caso do salão Jacques Janine, que funcionava ali na década de 1990. "Chegou uma hora em que os clientes não queriam ir até a praça. Agora, temos uma linha popular e penso em abrir uma unidade ali", diz Thony Rodrigues, sócio-proprietário da nova marca, a Basic Beauty.

Toda essa movimentação, segundo Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, tende a melhorar a região. "São Paulo vai ganhar uma praça em um lugar estratégico que irá agregar pessoas. Isso reforça o fato de que grandes intervenções são necessárias para mudar a região central."

Os teatros, no entanto, temem que a obra eleve demais os aluguéis. Dos sete que estão na praça, o grupo Parlapatões, que no ano passado atraiu uma plateia de 30 mil pessoas, é o único proprietário do imóvel que ocupa.

A Ação Local da Roosevelt, entidade que une moradores e comerciantes, analisa uma maneira de impedir a debandada dos artistas. "A beleza dessa praça é a boemia", diz Luis Cuza, presidente da organização.

Novas questões
O processo de revitalização trouxe novas questões também para a igreja da Consolação. Apesar da sensação de segurança entre os moradores, a igreja está sofrendo com furtos. No mês passado, o para-raios foi levado, um dos vitrais, quebrado, e até um botijão sumiu. "A visibilidade é pouca com os tapumes. Os seguranças da obra não dão conta de vigiar toda a praça", se queixa o padre José Roberto Pereira.

A igreja contratou um segurança e colocou um rottweiler nos fundos. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras afirma que dez guardas particulares fazem a segurança da praça. E a Polícia Militar diz que há policiamento 24 horas, duas câmeras e que, nos últimos três meses, não houve nenhuma ocorrência na Roosevelt.

As novidades dividem a opinião dos moradores. A psicóloga Martina Rillo Otero, 35, que há seis anos vive ali, anseia pela área verde para passear com os filhos. "Nosso único espaço de lazer é o térreo do Copan, sem nenhum verde. A praça vai integrar mais. Será um local de convivência, não apenas de passagem", diz. Há os que veem as intervenções com desconfiança. "Já houve muitos projetos. Agora, eu só acredito vendo. Se não houver zeladoria, a área vai continuar abandonada", afirma a aposentada Bartira Cataldi Rocha, 68, que cresceu na região.

Preocupado com o futuro da Roosevelt, o servidor público João Carlos dos Santos, 55, participa de todas as reuniões entre os moradores e a prefeitura. "Ainda estamos negociando mais benefícios, como a melhoria das calçadas, para acabar com as barreiras que prejudicam o acesso de quem usa cadeira de rodas, como eu." A praça, garante, não será abandonada. "Nós vamos cuidar muito bem dela."

Altos e baixos
A pior fase da região foi entre o fim dos anos 1990 e o início da década seguinte, quando os teatros começaram a se instalar ali. A chegada mais marcante foi a do grupo Os Satyros, em 2000. Antes deles, desde 1997 já funcionava na praça o Studio 184.

"A praça estava destruída. A rotina com os traficantes era muito difícil. Eles quebravam as luzes das calçadas e ninguém queria passar por aqui", conta Rodolfo García Vázquez, um dos fundadores do grupo. "O primeiro período foi heroico. Ninguém que frequentava a região aceitava a gente."

Para Rodolfo, a virada ocorreu entre 2003 e 2005. "Foi uma época louca. Era uma mistura de todos os tipos de público, os espetáculos começaram a fazer sucesso. Em 2005, recebemos a última ameaça de traficantes." Nesse período, a região foi descoberta pela dramaturga Dea Loher, que levou aos palcos do Brasil e da Europa a peça "A Vida na Praça Roosevelt", na qual ela contava histórias de figuras típicas dali, como travestis e policiais.

Desde então, a vida cultural passou a atrair a atenção do poder público, do mercado imobiliário e dos vizinhos. "A gente revitaliza e depois o aluguel dispara. Também há pressão de alguns moradores para que as salas deixem o endereço", afirma Hugo Possolo, do Parlapatões.

O barulho e a movimentação até altas horas são as principais reclamações de quem vive nos prédios. "Algumas pessoas esquecem que há gente nos andares de cima. Esperamos que o bom-senso predomine e se chegue a um meio termo. Tenho janela antirruído e, mesmo assim, muitas vezes ainda escuto o barulho", diz Fábio de Siqueira Branco.

Gente das antigas
A vocação boêmia não é novidade. Nos anos 1960, a praça abrigava boates por onde circulavam artistas. No bar Papo, Pinga e Petisco, o famoso PPP, há 15 anos ali, Esdras Vassalo, 78, orgulha-se de o imóvel fazer parte do passado da Roosevelt. "Elis Regina fez seu primeiro show em São Paulo neste salão. Era a década de 1960 e aqui funcionava a boate Djalma's."

"A Roosevelt era uma comunidade. Na ditadura, fizemos daqui o nosso reduto. Todas as pessoas ligadas à arte vinham aqui. Com a construção da praça, em 1970, a região foi decaindo", lembra Dulce Muniz, 64, atriz e diretora do teatro Studio 184.

Nessa época, a travesti cubana Phedra D. Córdoba, 72, já era um rosto conhecido. Desde 2000 nos Satyros, ela fez sua primeira visita à praça nos anos 1950. "Tinha cafés, agito, parecia a Europa." Durante a conversa em frente ao La Barca são poucos os momentos em que Phedra não é interrompida por alguém.

O mesmo ocorre com o dramaturgo Mário Bortolotto, 49, que, em 2009, levou três tiros durante um assalto ao bar do Espaço Parlapatões. Quando se recuperou, voltou a frequentar os mesmos bares e teatros. "A minha maior contribuição não foram as peças. Foi trazer gente de outras áreas para cá." Sem traumas do passado, ele, assim como as outras figuras do entorno, espera uma nova vida na praça Roosevelt.

6 décadas de Roosevelt
1950
Depois de desapropriações, surge uma área livre atrás da igreja da Consolação. O espaço vira um estacionamento para 700 carros. O teatro Cultura Artística é aberto

1960
A região onde depois seria construída a praça vive sua fase áurea. São inaugurados cinemas de arte, como o Bijou, e boates frequentadas por artistas

1970
Com pouco do que previa o projeto original, a praça é inaugurada em 25 de janeiro com o nome de Franklin Roosevelt

1971
O elevado Costa e Silva, o Minhocão, é inaugurado em 25 de janeiro. As críticas à praça começam a aparecer

1980
O perfil da praça começa a mudar e muitas das casas de show deixam o endereço. A região é descoberta pelos skatistas

1997
O Studio 184 abre as portas em fevereiro. A prefeitura anuncia a demolição da praça no ano seguinte

2000
É anunciada uma nova obra que promete demolir a estrutura chamada de "pentágono". A companhia Os Satyros abre um teatro na praça, em 1o de dezembro

2005
Os Satyros abrem seu segundo espaço na praça. A Emurb apresenta um projeto preliminar de revitalização da Roosevelt

2006
Os Parlapatões inauguram a sua sede na Roosevelt, em 11 de setembro

2008
A prefeitura anuncia que até o fim daquele ano começaria a reforma na praça. O teatro Cultura Artística é destruído por um incêndio em 17 de agosto

2009
Em dezembro, o dramaturgo Mário Bortolotto leva três tiros durante um assalto ao bar do Espaço Parlapatões

2010
Em outubro, começa a reforma na praça

a reforma
Veja como a praça vai ficar com a obra, prevista para acabar em 2012

- Um batalhão da Polícia Militar

- 223 árvores (37 tiveram de ser removidas temporariamente para a reforma e 48 novas mudas serão plantadas)

- Duas floriculturas

- Um "cachorródromo"

- A igreja da Consolação também planeja construir dentro de sua área um espaço de convivência, com aparelhos de ginástica e brinquedos para crianças

- Um posto da Guarda Civil Metropolitana

o subsolo
Embaixo da praça haverá um estacionamento com 556 vagas distribuídas em dois andares. Um elevador será instalado para facilitar o acesso

as mudanças no entorno
- Os imóveis desta esquina devem ser demolidos (um deles é a boate Kilt) para construção de uma rotatória que vai facilitar o acesso ao teatro Cultura Artística e ao estacionamento da praça. Por conta desse projeto, foi criada uma nova entrada do teatro, ainda sem data para reabrir

- A Escola Estadual Caetano de Campos já está sendo restaurada. O investimento é de R$ 3 milhões

- Dois edifícios da rua João Guimarães Rosa devem ser recuperados. Uma das possibilidades é a volta da EMEI Patrícia Galvão, que ocupava parte das estruturas demolidas

- Os imóveis dessa esquina estão sendo desapropriados. A ideia é derrubá-los para integrar o prédio do Instituto Clemente Ferreira à praça

- As calçadas da rua Nestor Pestana devem ser alargadas. Estima-se que todas as mudanças viárias custem R$ 17 milhões**

Fontes: Ação Local da Roosevelt, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras
** Valor não inclui os custos das desapropriações
25.100 m2
é o tamanho da praça

R$ 38,6 milhões
é quanto vai custar o projeto

10.600 m3
é a quantidade de entulho que foi reciclado para virar base para o asfalto da cidade

os vizinhos
7 teatros
6 bares
1 livraria
2 salões de beleza
12 prédios residenciais
3 prédios comerciais (um deles vazio)
1 igreja
1 escola
1 "pet shop"
1 mercado
1 minimercado
1 armarinho
1 autoescola
1 papelaria
1 chaveiro
2.000 pessoas em 825 apartamentos

a capa
A ilustração da capa foi feita, a pedido da sãopaulo, pelo quadrinista Rafael Coutinho, 31. "Busquei mostrar esse sujeito paulistano que participa das mudanças da metrópole com um olhar desconfiado", explica ele, que frequenta na praça a livraria HQ Mix e os teatros.
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sábado, 4 de dezembro de 2010

Mais violência na Praça Roosevelt e, como sempre, nenhum policiamento

Grupo de jovens brigando às 5 da manhã na Praça Roosevelt, moradores acordados pelo barulho jogando garrafas na rua, muita gritaria e confusão.

NENHUM policial na área, mesmo que uma base da Polícia fique na ESQUINA da Praça.

Esta é a (in)segurança de São Paulo, patrocinada pelos sucessivos governos DemoTucanos.

Em pouco tempo podemos contar o assassinato de um mendigo com a conivência da polícia, o tiroteio que baleou o Bortolloto e agora esta confusão, sem contar os assaltos e incidentes menores e o total descaso da prefeitura com a Praça.

A qualidade não é boa, mas na pressa foi o melhor possível. Apenas mais um registro da violência, vale à pena, para ilustrar a situação, dar uma olhada nas fotos e vídeos do caso do assassinato do mendigo.

Infelizmente não consegui pegar o começo da confusão, apenas o momento em que o grupo já se dispersava.

Eram mais de 40, sabe-se lá fazendo o que na Roosevelt aquela hora. Já a polícia, nem adianta perguntar.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Kassab ataca novamente: Reforma da Praça Roosevelt e as mentiras da prefeitura



Assisti a uma reportagem do Jornal da Gazeta em que era entrevistado o Gualberto, dono da loja HQ Mix logo embaixo do meu prédio e não pude conter minha revolta.

Segundo a reportagem, a prefeitura teria ouvido os moradores sobre a reforma, teria negado qualquer infestação de ratos na praça, teria garantido a segurança do lugar e não teria recebido nada, nenhuma reclamação formal, dos moradores sobre nada.

Engraçado, tudo não passa de mentira, e da mais deslavada. Mas vamos por partes.

Primeiro, a piada de terem nos ouvido. Em 5 de abril tivemos uma reunião com representantes da prefeitura e com a arquiteta responsável pela obra, fato, mas daquela reunião NENHUMA das sugestões dos moradores foi ouvida. Sequer a mais relevante, sobre um problema grave, risco biológico com um cachorródromo projetado para ficar a sombra da igreja da Consolação, o que inviabilizaria a decomposição dos dejetos.

Nem mesmo esta sugestão óbvia foi levada em conta. Não é de se surpreender que os skatistas serão excluídos da praça, mesmo com muitos perguntando porque não haveria lugar para eles. A política de reforma da Praça nada mais é que uma parte do processo de higienização do centro de São Paulo.

Para provar que jamais nos ouviram sobre a reforma, basta observar como era o projeto antes da reunião com os moradores e como ficou depois. Não mudou nada. O mesmo projeto. Em conjunto com a demolição do tradicional samba da esquina da consolação e das casas noturnas da esquina com a Augusta.

Continuando com as mentiras da noite, me centro agora na infestação de ratos. Oras, se os moradores e comerciantes estão afirmando que há este problema, porque não simplesmente fazer a bendita dedetização ao invés de pagar pra ver?

Se quem passa o dia inteiro aqui na Praça afirma que há um problema então é porque há. Qual seria a razão de inventar algo assim? Simplesmente ridículo. E, no mais, seria uma segurança a mais, mas a prefeitura não se importa com isto.

Na verdade, o que importa é, mesmo num sábado, começar a obra às 7 da manhã e impedir que qualquer pessoa durma. Porque não começar a demolir depois das 10 da manhã e termina um pouco mais tarde, e não às 17h, e permitir que se durma nos apartamentos em volta da Praça? E sem ratazanas!

Mas, fato, não é com o bem estar dos moradores que a prefeitura se preocupa, porque se fosse haveria segurança na Praça e não veríamos episódios de extrema violência  acontecendo - com a conivência da polícia que aparece sempre depois do fato.

Falando em segurança, até a colocação dos tapumes - e depois do Bortolotto ser baleado e do mendigo ser assassinado - vez em nunca havia um carro da PM na Praça, normalmente nos fins-de-semana, quando havia muito movimento, mas agora, desde que começou a obra, não vi um policial ou guarda civil sequer passando perto da área.

Vão esperar dar merda outra vez para voltar a policiar? E, quando falo em "merda" me refiro a assassinato ou tentativa, porque assaltos já acontecem. Detalhe, há uma delegacia de polícia na esquina da praça com a Consolação. só pode ser piada.

Sobre a suposta inexistência de "reclamação formal", engraçado, segundo o Gualberto foram marcadas várias reuniões e o subprefeito não apareceu em nenhum. Que espécie de reclamação esperam? Aquela escrita, enviada pra um gabinete em que ninguém vai ler ou, se lerem, vão fazer pouco caso e jogar no lixo, como de costume?

Realmente, Kassab como prefeito é uma vergonha.

Desde o início a reforma carece de transparência. Foram anos a fio de promessas e de espera e, quando a coisa finalmente sai, os moradores e comerciantes são tratados com descaso e pouco importa sua opinião.

A gestão da prefeitura é vergonhosa e o descaso com a população é flagrante. Importa ao prefeito realizar suas obras de higienização, ops, de reforma custe o que custar, sem, porém, dar a mínima aos que moram no entorno.

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A reforma, como está a praça hoje:




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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Kassab ainda está vivo: Resposta de Alexandre Schneider


Alexandre Schneider, Secretário de Educação do Kassab leu meu post "Kassab ainda está vivo" e enviou uma resposta, que reproduzo abaixo em respeito à democracia, rebatendo as denúncias da Rede Extremo Sul. Entrei em contato com a Rede Extremo Sul para que estes pudessem igualmente aproveitar o espaço e responder, fico no aguardo da resposta da Rede.

Prezado:

Escrevo a você, como faço com todos os que me procuram no twitter ou por outros meios em que me faço disponível, por entender que esta é minha obrigação como gestor público, e para reparar o que considero um erro de sua parte.

Entendo que você tenha uma posição crítica com relação ao nosso governo, bem como não se identifique ideologicamente com ele. Faz parte da democracia e isto é muito bom. Mas não acho razoável que você escreva um texto nos acusando de fechar creches em uma determinada região por "higienismo".

Basta entrar em contato com qualquer sindicato ligado aos trabalhadores da educação, vereador, ou membro da comunidade que utiliza a educação pública municipal para que você veja que, desde que assumi, não fico sentado na mesa passando ordens por telefone ou email.

Com relação às creches, no geral, nossos números são incontestes: recebi a rede com cerca de 60 mil crianças matriculadas em creche, hoje, são quase 130 mil, como atesta o site da Secretaria de Educação, que pode ser cnsultado aqui: http://eolgerenciamento.prefeitura.sp.gov.br/frmgerencial/NumerosCoordenadoria.aspx?Cod=000000 . A Secretaria de Educação é a única no Brasil a colocar estes números na internet, sem manipulação, pois saem direto do BD que é preenchido pelas escolas.

Também é a Secretaria da Educação a única a publicar a demanda e a fila de creche na internet. Com isto, as mães sabem a ordem de seus filhos na fila. Melhor: ninguém pode passar uma criança na frente, pois temos as mães como fiscais. Antes, além de ser impossível saber a demanda, era possível que políticos manipulassem a fila.

Vale lembrar que crecemos o atendimento em 70 mil crianças em 4,5 anos. Para que você tenha a idéia do que significa isto, a rede do RJ, segunda maior do país, é menor do que o que este aumento. Para que se compare com o que foi feito na gestão anterior - coisa que não costumo fazer, pois o Secretário da Educação hoje sou eu - em 4 anos foram 9 mil vagas, quase 8 vezes menos.

O valor repassado às entidades era de R$ 192,00 por criança e nem todos os gêneros alimentícios eram fornecidos a elas. A partir de amanhã, será de R$ 449,00 compraticamente todo o conjunto de alimentos perecíveis e não perecíveis de consumo sendo entregues.

O piso salarial dos educadores das unidades conveniadas era de R$ 521,00. A partir de amanhã sobe para R$ 1200, um aumento de 130%, frente a uma inflação que não deve ter chegado a nem metade disto. Ainda não chega perto dos salários da Prefeitura. Mas estes hoje estão acima do que pagam a maioria das escolas privadas da cidade. Graças aos aumentos dados também na minha gestão.

Não me parecem políticas higienistas. Todo o crescimento da rede e nossos investimentos se deram em áreas da periferia, ou em lugares como Heliópolis, que tinha pouco mais de 400 crianças matriculadas e hoje tem mais de 2000, só nas creches.

Vamos ao caso específico. Infelizmente a entidade não cumpriu o disposto no convênio. Utilizou, segundo os supervisores da região da Capela do Socorro, fundos de forma inadequada, não prestou contas, não pagou os funcionários (que entraram em greve por tempo indeterminado) e atendeu crianças com funcionários não habilitados para tal. Vale procurar o SINTRAEMFA, sindicato que representa a categoria e é filiado à CUT, para procurar mais informações.

Não nos restou outra saída que não a de encerrar o convênio e procurar outras entidades para assumir o atendimento. O que foi feito. E só atrasou pois a entidade com a qual rompemos o convênio se recusou a entregar o prédio, entrando inclusive na justiça para não fazê-lo. Hoje, das 1.200 crianças que eram atendidadas, 1000 já são atendidas por outras entidades na região. As demais serão atendidas em breve.

Não havia outro jeito que não cumprir a lei. No setor público é assim que funciona.

Por fim, me coloco à sua disposção para novos esclarecimentos que se fizerem necessários. Como lhe disse, não acho que você nem ninguém tem que se alinhar ideologicamente ou deixar de cobrar que este ou qualquer governo cumpra com sua obrigação. Mas se é meu dever respondê-lo e à qualquer cidadão, também é meu dever defender a verdade.

Um abraço,

Alexandre Schneider
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sábado, 14 de agosto de 2010

Kassab ainda está vivo

Desde que começou a campanha para as eleições a mídia vem de todas as maneiras blindando o prefeito Kassab, algo como o calcanhar de aquiles de José Serra, seu mentor, assim como Maluf foi para Pitta (aliás, Kassab e Pitta vem do mesmo saco).

As notícias sobre a desastrosa administração Kassab simplesmente sumiram do mapa. Não que Kassab realize muita coisa, mas o silêncio é, no mínimo, suspeito. Nada foi feito pela prefeitura para ajudar à população alagada na Zona Leste. Quando deixou de ser história para os jornais a prefeitura resolveu também não mais se preocupar. O trânsito continua o mesmo: Caótico e insuportável. E a criminalização da pobreza não sofreu qualquer alteração.

Mas, recentemente, algumas notícias furaram o bloqueio, mesmo que o Kassab propriamente dito passe incólume.

A primeira de que tive notícia foi a de que alguns Guarda-civis estão denunciando que vem sofrendo pressões - dentre elas as punições administrativas - para executarem a política de higienização da cidade, marca do governo (sic) Kassab.
Um programa da Prefeitura de São Paulo que prevê a recuperação do Centro e, para isso, a retirada de moradores de rua do local tem causado atrito com guardas-civis metropolitanos, encarregados da função. Eles relatam que não são acompanhados por agentes da Secretaria Municipal da Assistência Social nem da Secretaria Municipal da Saúde e que, por isso, não têm retirado nas madrugadas os mendigos de pontos históricos da cidade, como a Praça da Sé e as ruas no entorno, como as ruas Direita e 15 de Novembro, e a Praça João Mendes.
Sem realizar o trabalho, eles denunciam estar sendo pressionados, com a ameaça, inclusive, de punições
A denúncia dos Guarda-Civis é apenas reflexo do que os movimentos sociais já há muito vem tentando chamar atenção: Fechamento de abrigos, precarização da condição de vida na cidade, falta de assistência à população em situação de rua e, finalmente, a criminalização da pobreza.
Por meio das câmeras instaladas nas praças, o pessoal observa onde tem morador de rua deitado e nos pede para retirá-lo de lá. Mas a gente aborda a pessoa e ele se recusa a sair. Vamos retirá-lo à força? Para levar para onde? Essas pessoas não têm para onde ir, não tem para onde levar.”, argumenta um guarda-civil.
Curioso notar é que em toda a reportagem, o nome do responsável, o prefeito Kassab, não foi sequer citado, direta ou indiretamente. Citá-lo seria dar munição à oposição aos DemoTucanos.

Kassab vem, ao longo do tempo, primando pela absoluta falta de diálogo com os movimentos sociais e com a população, ao tempo em que é blindado pela mídia e escondido do público.

A retirada de cartazes dos cinemas pornôs do centro, o fechamento das casas noturnas da Roosevelt mesmo que, até o momento, a reforma da praça continue sendo uma lenda são uma demonstração do caráter do prefeito. De um lado agrada ao seu eleitor conservador que diz primar pela "família", pro mais abstrato que este conceito possa parecer, de outro demonstra a intolerância que lhe é comum.

Falta de democracia na revisão do plano diretor que encontra ecos até na decisão de reformar a Praça Roosevelt: O projeto foi discutido pela população, mas NENHUMA proposta de modificação foi acatada. São os moradores os primeiros a usufruir da praça e a apontar as falhas do projeto, francamente higienizador, mas a absoluta falta de democracia que permeia as ações da prefeitura fizeram com que todas as reclamações fossem deixadas de lado.

O fechamento das casas noturnas, como já citado, faz parte deste processo de higienização e de intolerância. Ao tempo em que a reforma continua sendo uma lenda, a prefeitura já deu os primeiros passos para fechar as casas, o que acabará por trazer ainda mais insegurança à região, já que toda a vida daquela área será forçada a sair.

Os skatistas serão expulsos da praça, poderemos ter um verdadeiro problema biológico com a localização do espaço reservado para os animais domésticos, dentre outros problemas como o privilégio dado aos carros e à garagem subterrânea no local que motivarão o fechamento das casas noturnas da esquina com a Augusta. E não adianta esperar pela polícia, que aparece apenas - e nem sempre - nos fins-de-semana.

Comprovando a veia democrática do prefeito, ao menos aqui uma boa notícia, a justiça determinou a suspensão do projeto de lei sobre a revisão do Plano Diretor da cidade, objeto de franco repúdio por parte das ONG's e movimentos sociais interessados. Mas, em geral, ainda que citado pela mídia, o prefeito foi poupado de maiores críticas.
O juiz Marcos de Lima Porta, da 5.ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, determinou ontem a imediata suspensão do projeto de lei sobre a revisão do Plano Diretor da capital paulista. Ele invalidou o projeto enviado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) à Câmara Municipal. O processo terá de começar do zero para garantir a efetiva participação popular. A Prefeitura pode recorrer.

Segundo o magistrado, a população não pôde participar do debate sobre o Plano Diretor. Primeiro porque a Prefeitura não pôs à disposição em seus órgãos os documentos necessários. Tampouco fez uma campanha ampla sobre a revisão, limitando-se a divulgar a medida por meio de três editais em jornais.

Além disso, o Estatuto da Cidade pressupõe a existência de duas audiências públicas em municípios com mais de 20 mil habitantes. A Prefeitura fez quatro. "Se para 20 mil habitantes o número mínimo é de duas, a realização de quatro audiências para São Paulo é de todo irrisória", disse. Por fim, cada morador tinha direito a falar por dois minutos nas audiências, tempo considerado insuficiente pelo juiz.

Na sentença, o magistrado diz que, para que a democracia seja respeitada, o projeto "não merece prosperar". A Constituição "exige a observância da gestão democrática das cidades com a participação popular para que a política urbana se concretize".

O autoritarismo e a falta de democracia presentes em todo o processo - inexistente - de discussão é uma marca DemoTucana.

E, finalmente, a rede Extremo Sul, que faz um importante trabalho de cobertura dos abusos cometidos pela prefeitura na região extremo sul da cidade, denunciou o quanto a prefeitura se importa com o ensino das crianças da região.
A Prefeitura de São Paulo, no início deste ano rompeu convênio com o Centro de Promoção Social São Caetano de Thiene, que gestava 1 Centro de Criança e Adolescente (CCA) e 7 Centros de Educação Infantil no distrito do Grajaú, afora 1 Centro de Educação Infantil no Marsilac e outro na Cupecê.  São eles: Casa Amor e Carinho – Marco (150 crianças); Maria Fonseca Lago (64 crianças); Sonho do amanhã (120 crianças); Criança Cidadã (120 crianças); Ives Ota (315 crianças); Padre José Pegoraro (210 crianças); Casa Grande (200 crianças), todos esses no Grajaú, Dona Alexandrina (150 crianças), no Marsilac, e Beato Bocardo (64 crianças), em Americanópolis (Cupecê). Já o Centro de Criança e Adolescente atendia 90 crianças e adolescentes.
Com o rompimento desse convênio mais de 1.400 crianças ficaram fora da escola, muitas delas desde o final do ano passado. Essas crianças se somam as cerca de 5000 que estão na lista de espera, segundo o Conselho Tutelar do Grajaú.
Além disso, mais de duzentas funcionárias perderam seus empregos, depois de passar meses sem receber seus salários.
 Não surpreende que a mídia tenha escondido este absurdo em meio à campanha eleitoral em que os candidatos DemoTucanos (Serra e Alckmin), deixaram clara a primazia pela educação. Pena que falam enquanto candidatos, mas passam longe quando eleitos.

Reparem bem que, apesar de toda a blindagem, Kassab continua vivo.

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Praça Roosevelt e o Centro de São Paulo- Reforma ou Higienização?

Reunião dia 5 de abril no Teatro Estúdio 184 sobre a Praça Roosevelt... Interessante. Presentes representantes da EMURB, moradores e comerciantes da rua. O teatro estava virtualmente lotado.

Do lado da EMURB estavam presentes o Secretário Municipal de Planejamento Dr. Rubens Chammas, o Diretor de Desenvolvimento de Intervenções Urbanas Dr. Domingos Pires e a Gerente da EMURB, Drª Rita Gonçalves.

Quando cheguei, por volta das 19:30 Rita Gonçalves fazia, através do powerpoint, uma apresentação do que iria ser feito, de como se daria o processo de demolição e as intervenções planejadas no chamado Polo Roosevelt, que englobará não só a Praça mas a rua Martins Fontes, Nestor Pestana e imediações.

O clima, acreditem, era tenso. Existe um racha imenso na rua, não só entre moradores e comerciantes, mas entre os moradores. Uma moradora, Carmen Zilda Ribeiro, aos gritos, tentava se fazer ouvir e protestava meia e volta contra a reforma, que considera absurda, cara e esvaziará a vida da praça. Seus comentários, por mais que encontrassem eco na platéia, pela forma com que eram feitos, acabou causando uma onda de vaias e pedidos enérgicos para que esta se contivesse, o que fez - mal ou bem, já às lágrimas.

Carmen diz representar cerca de 2 mil moradores que teria feito um abaixo-assinado - que a maioria dos presentes desconhece - criando o Comitê Gestor da Praça, grupo que, se tem outros membros, não se fez presente.

As tensões entre os presentes não concerne apenas a reforma - existem grupos que se recusam a aceitar a demolição desta e exigem a reforma completa e grupos que querem a demolição, este último privilegiado pela EMURB -, mas ao funcionamento de alguns teatros, notadamente o Parlapatões e o Satyros 1.

Ha algum tempo moradores da praça fizeram um abaixo-assinado com algumas centenas de assinaturas e enviaram ao Ministério Público reclamando do barulho persistente em especial dos dois teatros citados que não respeitavam o limite de horário para que seja permitido o barulho na rua e ficavam até alta madrugada impedindo o sono dos moradores dos prédios da área.

Tal processo acabou por prejudicar àqueles estabelecimentos que agiam corretamente e que foram, posteriormente, proibidos de colocar mesas nas ruas. Existe, enfim, um racha entre moradores e comerciantes, entre moradores e moradores e comerciantes e comerciantes em torno do barulho até altas horas, da ocupação das calçadas e outras razões por vezes mais relacionadas ao ego que à fatos e motivos sérios.

Enfim, em meio à processos, brigas pessoas e de grupos, realizou-se a reunião com a EMURB para acertar diversas questões e se conhecer à fundo o projeto.

Este é o projeto da EMURB: Link (pdf) e maiores informações no site Agenda 2012 da Prefeitura.


Vale salientar que são 4 as empresas que concorrem no processo de licitação:

Consórcio CVS Villa Nova (R$. 31.486.823,39) / Construtora Augusto Veloso S/A (34.867.465,17) / Consórcio Paulitec (R$.36.847.757,71) e OAS (44.209.402,66). 

Esta última uma das responsáveis pelo desabamento e cratera do metrô em Pinheiros, cuja investigação e CPI foram barradas por Serra. Segundo Rubens Chammas, a empresa vencedora já foi escolhida, mas este se recusou a divulgar o nome.

Feita a apresentação, algumas questões surgiram.

Em sua exposição, Chammas explicou que a praça será totalmente demolida e que não haverá pausa nas obras. Será iniciada a demolição e de forma ininterrupta, a reconstrução dentro do que foi decidido pela EMURB. Isto, claro, é o que o Secretário afirma, o histórico local, porém, demonstra que obras certas podem e são freadas sempre que surgem outros interesses. O dinheiro para a obra, do BID, segundo Chammas, está liberado e apenas aguarda o fim do processo de licitação para encher os bolsos da empreiteira escolhida e dos políticos envolvidos, mas aí é outra história.

Rita Golçalves então assumiu e explicou como foi idealizada a reforma e o Polo Roosevelt e, em emio aos questionamentos da platéia, informou que a casa de Samba na esquina da Consolação com a rua João Guimarães Rosa seria demolida. Além desta casa, as "casas noturnas" Kilt, Valhala e My Love (esquina da Roosevelt com Nestor Pestana) seriam igualmente demolidos.

Péssimas idéias que encontram certa resistência. Sobre a Casa de Samba, ela é famosa e tradicional, não há sentido em sua demolição. Respeita os horários é é um polo de entretenimento e vida no local. Quanto às casas noturnas, o mesmo é válido, trazem segurança e um público bom À ponta da praça que costuma ser a mais abandonada.

Além disso, o prazo para desapropriação e inauguração final da Praça são um problema, por muito tempo teríamos uma esquina vazia e perigosa, sem vida.

Outro ponto foi o possível alargamento das calçadas da Roosevelt e a proibição do estacionamento na rua, o que é um problema para uma grande parte de moradores da Praça, idosos e deficientes que precisam ter por perto seus veículos e não podem andar indefinidamente até um estacionamento.

Outro ponto polêmico - este em conversa que tive diretamente com Rita Golçalves - é que não há nenhum planejamento ou espaço para os skatistas. Hoje, são os raros que usam a praça, que habitam e dão vida/segurança ao local e pelo novo projeto serão expulsos.

O que vemos é que, apesar da necessidade de demolição/reforma, o projeto higieniza a praça, retira do local quem a frequenta e torna a praça um local estéril e sem vida.

Planeja-se uma reunião para daqui a 20 dias para que a Praça - moradores, comerciantes e frequentadores - conversem, apresentem propostas e tentem modificar alguns aspectos do que foi decidido pela EMURB - e apenas ela.

Da forma que está, a Praça será esvaziada e transformada em um ambiente sem vida, sem frequência e, obviamente, perigoso.

Durante toda a exposição e espaço para perguntas, os representantes da EMURB deixaram claro que a reforma da Roosevelt vem em conjunto com a reforma do Centro, com a Nova Luz, reforma do Parque Dom Pedro e etc... Todas obras de higienização e marginalização da população de rua e até mesmo dos moradores dos prédios da região. Uma Nova Luz livre de mendigos e "marginais", uma Cracolândia com uma fachada de "limpeza" e o consequente espalhamento dos drogados que precisam não de polícia, mas de políticas de inclusão social e de reabilitação  e agora uma Roosevelt "limpa", livre de skatistas, de "putas" e de cultura. Apenas um lugar para se passar, olhar e ir embora.

É isto que, para a prefeitura, - e o Secretário deixou claro que todo o projeto é a menina dos olhos do governo Serra-Kassab - significa progresso, cultura, morar bem.
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Praça Roosevelt: Abandono, descaso e egoísmo

Trago novamente à tona um assunto que, por motivos óbvios, me interessa bastante: A Praça Roosevelt.

Hoje, conversando com alguns comerciantes e moradores vi que existe de fato um medo tremendo de que a Praça volte a ser o que era há alguns anos, um lugar abandonado, sem vida, perigoso.

Pelo que eu pude apurar, o prefeito (sic) Kassab proibiu a colocação de mesas nas ruas da praça depois que um grupo de cerca de 40 moradores entregou ao ministério público um abaixo-assinado exigindo que o barulho proveniente dos bares e teatros tivesse fim, ou seja, que as mesas fossem proibidas.

Isto, por si só fez com que a frequência diminuisse bastante. Somem também a tentativa de assassinato do Bortolotto e o assassinato de um mendigo na praça em plena luz do dia e teremos um quadro bastante desanimador.

Segundo ouvi, a frequência média está mais de 40% abaixo do normal para esta época do ano. Fevereiro, na verdade, será o divisor de águas, pois os teatros reabrirão - e não só seus bares e bares vizinhos - e veremos o quanto a praça foi prejudicada tanto pelo egoísmo de 40 indivíduos insatisfeitos quanto pela polícia absurda e criminosa dos governo estadual e municipal de espalhar a cracolândia (ao invés de prestar auxílio e atendimento), de fechar albergues no centro, de marginalizar e criminalizar os movimentos sociais e os moradores de rua da região.

Sobre estes 40 indivíduos, pelo que também apurei, o "cabeça" é alguém que tem forte birra com o teatro Parlapatões e que, em sua vontade de se vingar - seja lá porque razão - acabou prejudicando todos os demais estabelecimentos da rua e ainda convenceu outras pessoas a participarem de seu joguinho inconsequente.

Minha revolta é ainda maior porque apenas 40 pessoas (vejam que só no prédio onde moro são 96 apartamentos, imaginem quantos não moram em toda a Praça e entorno!) foram responsáveis por prejudicar centenas, quiçá milhares. Aumentou a insegurança e o medo de que tudo acabe.

É um absurdo que prevaleça a vontade de 40 pessoas frente à todos os demais moradores e frequentadores, que poucos egoístas consigam destruir o que muitos levaram anos para construir.

Os teatros não sobrevivem sem os bares e estes, por sua vez, não sobrevivem com cortes tão grandes em seu faturamento e com a frequência tão baixa.

Violência, egoísmo, péssima administração, vingança pessoal. tudo isto está transformando a Praça em uma área perigosa.

Quanto à prometida - e como toda promessa de político, não cumprida - reforma da Praça, só boatos. Kassab diz que a reforma vai sair - ele e Serra dizem o mesmo há anos -, que o tal financiamento está em vias de ser liberado, que a licitação está sendo escrita e blablabla.

Mais de uma vez a reforma começou e parou - deixando a situação pior do que antes.

A limpeza que acontecia na praça de vez em quando, para evitar acúmulo de lixo, dengue e outras doenças foi suspensa - Kassab cortou o pagamento, igual fez com a coleta de lixo da cidade - o policiamento que era intermitente e quase inexistente só retornou depois que o Bortolotto quase foi morto - e mesmo assim não impediu que um mendigo fosse assassinado, na verdade a PM sequer ajudou o pobre coitado que morreu por negligência policial. Abandono completo.

Da parte dos moradores e comerciantes não só o medo mas a revolta contra a prefeitura, contra o egoísmo de alguns e a tentativa, na nossa lerdíssima justiça, de conseguir reverter alguns absurdos e conseguir que a Praça seja reconhecida como região de bares, teatros, enfim, de lazer e não só residencial, afinal, sem este comércio, teatros e bares, a Praça não existiria.

Esperamos, além da justiça, uma açãoconcreta do governo - que nunca vem.

E isto é São Paulo.
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