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terça-feira, 7 de maio de 2013

Carta ao vereador Nabil Bonduki sobre ocupação urbana e Praça Roosevelt

Prezado Nabil, durante a Comissão Extraordinária de Direitos Humanos, na Roosevelt, você discursou sobre ocupação urbana. Criticou a perseguição ao funk - e concordo com você -, mas seu discurso me parece um pouco deslocado da realidade, muito "positivo" em um país que a população, infelizmente, não é a mais educada (em todos os sentidos).

O que quero dizer é que, devemos defender a ocupação do espaço público sim, mas não passando por cima dos direitos de quem vive no entorno destes espaços. Alguém parou para ouvir os moradores da periferia que vivem no entorno dos bailes funks o que eles acham? Uma lei criminalizando especificamente uma manifestação cultural da periferia é absurda, mas alguém ouve ou buscou ouvir os "atingidos pela cultura"?

Mas não vou longe, meu foco é a própria Praça Roosevelt.

Estamos falando de um espaço imenso, onde diferentes grupos podem ou deveriam poder aproveitar, mas que, no fim, acabou sendo "conquistado" por apenas um grupo, ou pelo menos este grupo acaba sendo majoritário e expulsando os demais.

Sim, falo dos skatistas.

Gostaria de convidá-lo a passar uma tarde de sábado, ou mesmo de um dia de semana em meu apartamento para ver como é agradável não conseguir passar um minuto sem o barulho de manobras, rodas e gritaria.

Mas veja que ninguém aqui - não eu pelo menos - quer expulsá-los. Queremos, e a prefeitura e a Confederação Brasileira de Skate concordam, criar regras. Criar um espaço para que eles possam ficar e para que tenhamos algum sossego. Mas não só isso, para que possamos também usar/ocupar a praça.

Me lembro de seu exemplo, de que mães com carrinhos de bebês reclamam que não conseguem andar pela praça, mas, você disse, seus filhos quando estiverem maiores estarão do lado dos skatistas.

Pode até ser verdade, mas isto retira das mães o direito de caminhar pela praça? E, de qualquer forma, significa que o mais forte deve vencer e os demais devem se retirar? Idosos não conseguem caminhar pela praça com medo de serem feridos, cansei de ver cenas ridículas de minha janela de pais e mães com filhos tendo que desviar de skatistas despreocupados com a presença de outros perto deles, tendo que se separar para não serem um alvo, terem de acelerar o passo.

Cansei de ver pessoas sendo EXPULSAS de bancos porque os skatistas queriam usá-los para manobras - e consequentemente destruí-los.

Isto não é ocupação urbana, caro Nabil, é intimidação e vandalismo.

Os skatistas tem direito ao espaço, mas não a TODO o espaço e nem a destruí-lo.

Mas antes este fosse nosso único, ou mesmo maior problema.

Copio a seguir, 4 vídeos gravados de madrugada, todos entre meia noite e 6 da manhã. Peço que os veja e especialmente os ouça.

Gritaria, funk nas alturas, batucada, cantoria altíssima, enfim, desrespeito total com os mais de 2 mil moradores da praça que desde que ela foi inaugurada simplesmente não conseguem dormir.

Sei de casos de vizinhos que colocaram colchões perto da porta de seus apartamentos, longe das janelas (todos os apartamentos e quartos tem vista para a praça, não temos como escapar), no chão, para poder dormir. Pessoas dormem na sala, com protetores de ouvido que muitas vezes não são suficientes para abafar o barulho. Tenho um amigo, que era morador de primeiro andar, que perdeu trabalho porque simplesmente não conseguia se concentrar com o barulho incessante.... Exemplos não faltam, assim como não falta desespero.

Que tipo de ocupação urbana é essa que liga o foda-se (perdoe-me pelo termo, mas é necessário) para quem mora no entorno?

Temos um imenso problema na Praça, coisa que o Sub-prefeito, Marcos Barreto, sabe, reconhece e não fez ainda nada para mudar, que é a presença de um bar/teatro, o Parlapatões, que possui um alvará de casa de chá (ao menos é a informação que temos e é algo tão ridículo que deve ser verdade) e que permanece aberto 24h por dia, todos os dias.

A lei que rege bares e outros estabelecimentos impõe o fechamento à 1 da manhã, mas o Parlapatões não fecha.

É possível, às vezes, passar por ele as 8 da manhã e encontrar pessoas que estavam bebendo desde a noite anterior.

Para piorar, vendem cerveja em copos de plástico para quem fica nas escadarias da praça, em frente a nossas janelas, incentivando gritarias e cantorias pela madrugada.

E o Parlapatões é imexível, intocável. E não sou eu quem diz isso, mas um coronel que já comandou o PSIU, e isto já em 2009!
Incomodou muita gente?
Sim. Na cidade há lugares ? imexíveis?. Mas comigo não tinha acordo. A lei é inflexível.
Há exemplos de problemas?
As igrejas em geral, bares da empresária Lilian Gonçalves, o Teatro do Parlapatões...E estabelecimentos de Pinheiros frequentados por pessoas importantes.
Sabemos que o Parlapatões é protegido pelo PSDB, mas não vemos nenhuma ação da prefeitura para passar por cima deste apoio e fazer a lei ser cumprida e garantir nosso sossego.

Mas o problema com o Parlapatões é antigo, temos ainda novos problemas.

Como você deve ter visto nos vídeos, temos agora pessoas que trazem sons para ouvir funk no máximo. Pouco importa, aliás, se é funk ou a Nona de Beethoven, as 4 da manhã queremos dormir e não ouvir a música dos outros.

E não adianta ligar para a PM, pois não nos escutam, passam direito para o PSIU, que não resolve nada na hora e, na verdade, não resolve nada hora alguma. E nem adianta ligar para a GCM ou ir até a base da GCM na praça, pois corremos o perigo de um GCM nos mandar "tomar no cu" (ouvi isto de uma vizinha que foi tratada desta forma por um GCM na madrugada do dia 4 para o 5 de maio. Por mais que esta vizinha em particular não seja a mais educada, não é desta forma que a GCM deve ou pode agir) ou de simplesmente fingir que não é com ele.

De fato uma ou outra vez, quando descemos e IMPLORAMOS a GCM age contra algum grupo fazendo algazarra, mas na maioria das vezes simplesmente somos impedidos de dormir.

E, segundo a própria GCM, eles só podem agir contra quem faz algazarra de madrugada - perturbação da paz, perturbação do sossego, coisa que é contravenção penal - caso alguém expressamente se apresente e implore.

Oras:
Para caracterizar a contravenção penal de perturbação do sossego alheio (art. 42, LCP), é necessário que alguém perturbe o trabalho ou o sossego alheios a) com gritaria (berros, brados) ou algazarra (barulheira), b) exercendo profissão incômoda ou ruidosa em desacordo com as prescrições legais, c) abusando de instrumentos sonoros (equipamentos de som mecânico ou não) ou sinais acústicos, ou d) provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal que tem a guarda. A pena é de quinze dias a três meses de prisão simples ou multa.
Não me entenda mal, não estou dizendo que quero ninguém preso, mas tão somente quero entender porque PM e GCM não fazem seu trabalho de garantir nosso sossego e, pelo contrário, nos transferem para o PSIU ou nos mandam tomar no cu.

Alguns dias atrás, em mais uma noite insone, fui forçado a descer junto a minha esposa para implorar um rapaz que, sozinho em frente ao parlapatões, gritava (dizia ele que cantava) tão alto que era impossível dormir e seu barulho chegava a neutralizar o do parlapatões que, óbvio, estava aberto lá pelas 2 da manhã.

Tentamos pedir para ele parar, e ouvimos em resposta que ele estava "impondo a liberdade" dele a nós e que o desejo dele era que todos os apartamentos da praça ficassem vazios e a região virasse uma área comercial para que ele (e outros) pudesse(m) cantar livremente.

Isto lhe parece tolerável?

Tanto a noção de IMPOR liberdade (sic) quanto ao desejo dele (que sem dúvida é o de muitos outros) de nos EXPULSAR de nossas casas na base da pressão incessante?

Desculpe-me pela mensagem longa, mas para ser honesto não cheguei a falar nem a metade do que gostaria. Mas acredito que me fiz entender.

Não queremos expulsar ninguém da praça (ao menos eu e muitos outros não queremos), tão somente queremos conviver. Queremos ser respeitados e que os visitantes e frequentadores entendam que o direito deles acaba quando começa a ferir o nosso de viver, dormir, pensar e descansar.

O direito a ocupar o espaço público termina quando avança sobre nossos direitos, de mais de 2 mil moradores, de termos qualidade de vida.
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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sobre a convivência, bailes funk e ocupação urbana

Li um interessante artigo na Carta Capital sobre o cerco que se fehca contra os "pancadões" nas periferias e não posso deixar de compreender ambos os lados.

Se é verdade, como afirma a matéria, que as musicas da periferia são perseguidas, por outro não é possível viver sempre na base do coitadismo quando os pancadões efetivamente são um imenso incômodo para os que não concordam ou simplesmente não se interessam pela "cultura" dos demais, em especial madrugada adentro.

À prefeitura não cabe mandar a PM resolver todos os problemas, especialmente na periferia, onde a PM é conehcida apenas por massacres e pelo genocídio da população negra. PM não discute, dá porrada e na periferia a população está acostumada demais a apanhar.

Mas, por outro lado, cabe à prefeitura encontrar ou mesmo criar espaços para que a cultura da periferia se manifeste. Mandar a PM ou simplesmente proibirr não é a solução.

O outro lado é o dos moradores das proximidades de onde acontecem os Pancadões que NÃO podem ser forçados a se submeter a esta situação. O direito dos jovens de escutar o que quiser, de se divertir e etc não pode significar impedir o sossego de milhares de pessoas e IMPOR sua cultura a todos.

Aliás, é uma crítica que faço a vários coletivos culturais que, digo por experiência, "ocupam" o centro de São Paulo sem querer saber se quem mora por lá está satisfeito em ter "cultura" enfiada goela abaixo o dia todo, a noite toda.

Em nome da cultura muitas vezes temos mera imposição de visões sobre cultura com total desrespeito para todo o entorno.

O projeto do Conte Lopes, da bancada da bala, que "proíbe a utilização de vias públicas, praças, parques e jardins e demais logradouros públicos para realização de bailes funks, ou de quaisquer eventos musicais não autorizados” foi feito sob medida para criminalizar atividades culturais da periferia, em especial o funk, mas a ideia de proibir vias públicas, praças e afins para realização de festas madrugada adentro SEM AUTORIZAÇÃO não é de todo ruim, aliás, a lei já não permite eventos musicais depois das 22 horas em áreas residenciais e mesmo eventos quaisquer em praças, por exemplo, precisam ser autorizadas pela prefeitura.

O que falta em grande parte é fiscalização e aplicação das leis que já existem, e mesmo a adaptação de outras (como o PSIU que não pode se restringir apenas à espaços fechados, quando muitas vezes o espaço fechado atrai dezenas que fazem o barulho na parte externa).

O funk nas periferias não tem que acabar, as ocupações do espaço público não tem que acabar, mas é preciso encontrar locais para certas manifestações e é preciso criar e respeitar as regras que já existem e, acima de tudo, respeitar o entorno.

A Praça Roosevelt é um excelente exemplo de ocupação com cara de imposição e de total desrespeito pelo entorno, no caso, pelos milhares de moradores do local. Um bar que se recusa a fechar e que atrai uma multidão madrugada adentro, gente tocando instrumentos musicais as 3 da manhã nas escadarias em frente aos prédios, música alta na madrugada, gritaria, skates o tempo inteiro... E "eventos culturais" que muitas vezes atraem apenas a sujeira deixada pela meia dúzia de frequentadres.

Ao menos no caso dos skates uma solução se avizinha, mas no resto... São problemas a se tratar. E sem dúvida para os vizinhos dos funks/pancadões na periferia o problema é o mesmo. Não se trata de consumo de droga, de bebedeira, e sim do espaço inadequadamente usado para um evento (ou eventos) que acaba tornando a vida de quem vive no entorno um inferno.

A questão central é conseguir satisfazer quem tem direito a se divertir e quem tem direito a não ser incomodado com a diversão dos outros
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Agressão a skatistas na Praça Roosevelt e a convivência impossível

Atualização 09/01: Vídeo mostra o começo da agressão por parte do GCM a paisana Luciano Medeiros, o mata leão irresponsável e desnecessário dado em William e o spray de pimenta jogado na cara dos skatistas completamente de graça. Se alguém tinha dúvida de que a ação foi criminosa, este vídeo comprova.
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Este texto foi escrito em duas partes, em dois momentos diferentes. Na primeira parte um desabafo sobre a situação da praça, na segunda, comentários baseados em conversas que tive com skatistas e moradores da praça em busca de entendimento.
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Artigo meu um pouco diferente deste foi publicado também pelo SpressoSP.
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Fotografei uma ação da GCM na Praça Roosevelt dia 4 de janeiro que, de longe, parecia apenas algo corriqueiro.

Já virou lugar comum as brigas envolvendo grupos de skatistas em que a GCM intervém - em um caso pelo menos um GCM acabou sendo agredido por frequentadores -, desrespeito de frequentadores que emporcalham a praça e vão embora.... Está difícil conviver na praça.

É barulho de skate o dia inteiro, sem uma pausa. Mesmo no horário em que deveriam se retirar, 23h, alguns se recusam, tentam escapar da GCM e continuam madrugada adentro fazendo barulho.

Felizmente são raros os que fazem isso, mas existem.

Há a idéia de se  reservar a parte lateral da praça que desemboca na Consolação para a prática do skate e proibir no resto. Eu concordo. E a Confederação Brasileira de Skate também. Mas daí até a prefeitura se mexer...

É impossível frequentar a praça durante o dia, especialmente aos sábados. O perigo real é de ser atingido por skates desgovernados. E não é como se isso fosse raro, não é. Me recordo da última vez em que atravessei a praça, o perigo de desviar dos skatistas que não estão nem aí se tem alguém a pé passando e um skate atingindo duas senhores do meu lado que cometeram o crime de estarem sentadas numa mureta.


Quando a praça estava ainda para ser reformada eu me lembro de conversar com uma das arquitetas responsáveis pelo projeto e avisá-la da necessidade de um espaço específico para skatistas, até porque eles tinham direito à praça e eram os que, naquele momento, ocupavam o espaço degradado mantendo-o relativamente seguro. Fui ignorado e o resultado está aí. Ocupação total da praça sem espaço para mais ninguém.

Claro que os skatistas não são apenas problema ou o problema. Há os que respeitam, os que não ficam passando por cima dos bancos de madeira e os quebrando - outro problema daqui - e que não andam de skate, por exemplo, quando milhares de pessoas estão ocupando o espaço. A Confederação Brasileira de Skate, aliás, está ciente dos problemas e preocupada com a situação.


Mas, como já disse antes, os skatistas não são o único problema. Mas, no fim, a grande questão resume-se ao batido "convivência". Não existe isso na praça. Cada grupo que consegue ocupá-la se acha no direito de fazê-lo ao ponto de impedir outras ocupações. E falta o poder público presente, ação da prefeitura que não aparece no local. Apenas GCM, essa suposta polícia, não serve ou faz nada além de acirrar ânimos.

Mas, sejamos honestos, surpreende que tenha dado merda na praça? Quase toda semana chegam viaturas da GCM para acabar com alguma festa com som alto na praça depois da meia noite. Quase todo dia são várias reclamações ao Psiu, GCM, PM e etc de moradores que não conseguem dormir porque o Parlapatões não fecha, porque estão fazendo festa na Praça, porque tem dezenas de bêbados gritando, tocando instrumento na praça, porque tem gente transando no parquinho ao lado da igreja...

Notem que o problema, como já disse, nem é maior com os skatistas, mas toda a situação de estresse acaba por não discriminar alvos na hora da raiva justa de muitos moradores com a situação. Não estou justificando atitudes radicais, apenas deixando clara a situação.

Não há o menor respeito e a menor convivência entre NENHUM grupo. Há, claro, moradores intolerantes que acham que skatista tem mais é que se foder e não usar um milímetro da praça, que acham que são todos bandidos, que acham que tem mesmo que dar porrada, que tem que cercar/fechar a praça...

Não há, de nenhum dos lados, diálogo e respeito, ao menos até o momento.

E o episódio mostrado no vídeo abaixo, de violência gratuita por parte da GCM na praça é um exemplo do ponto a que chegamos. Eu até diria que pode ser vingança pela pressão que tem tido a GCM na praça para controlar os frequentadores e depois do episódio de um GCM agredido, mas obviamente não justifica.

Nada justifica violência. E nada justifica essa ação criminosa e agressão gratuita.

Cheguei a ouvir por aqui que o rapaz preso estava assaltando - algo que também está sendo comum por aqui, assaltantes com bikes ou skates naquele lado da praça - e que skatistas tomaram as dores - como frequentadores tomaram as dores e agrediram um GCM que apartava uma briga entre skatistas ano passado.

O fato é que não era nada disso. O rapaz, negro, foi agredido por um GCM à paisana sem qualquer justificativa. O nome do guarda é Luciano Medeiros, que já se envolveu em outro caso de agressão no ano passado e continua nas ruas. O próprio rapaz agredido, William, reconheceu que estava andando com seu skate pelos bancos da praça e que um GCM lhe havia chamado a atenção. Porém, um amigo dele teria ofendido a GCM que partiu pra cima da pessoa errada.

De qualquer forma, nem agressão verbal justificaria as ações que foram vistas no vídeo.

De quebra, o rapaz denunciou ter sido agredido dentro da viatura com socos no estômago e teve uma corrente que usava roubada por um GCM.

Aliás, o GCM responsável foi suspenso e outros envolvidos também, o que é bom. É bom, mas nem de longe resolve a situação.

Repito, a ação da GCM é imperdoável e indefensável, criminosa. Jogar spray de pimenta na cara de quem estava gravando uma ação policial e de quem estava no entorno é digno de bandidos que merecem ser punidos.

Mas é preciso compreender também como estão se desenvolvendo as coisas aqui na Praça.

Dizer que a GCM é bandida e ponto não resolve. Não discordo da frase, diga-se de passagem, sou contra a mera existência de uma guarda patrimonial que, pior, anda armada, mas no caso específico da praça vem sendo um processo de constante provocação. Uma área imensa onde poucos GCM tem que patrulhar e tem poder limitado de ação. Já cansei de ver skatistas provocando a GCM, xingando mesmo quando não estão fazendo nada.

Justifica agressão? Não. Mas explica como pessoas despreparadas vestindo uniformes reagirão na primeira oportunidade. E oportunidades não faltam.

O fato é que tem muito morador querendo sair da Praça, não aguentam mais o desrespeito, o barulho a madrugada inteira - não inteiramente culpa dos skatistas, claro -, a falta de diálogo das partes interessadas, a falta de ação da prefeitura (que vale para a anterior, claro, a atual mal assumiu, mas precisará fazer alguma coisa)....

Há exageros dos dois lados. De um frequentadores madrugada adentro fazendo barulho insuportável e impedindo milhares de pessoas de dormir até moradores que além de ovos, querem jogar pedras e garrafas para poder dormir.

De quebra ainda aparecem engraçadinhos dizendo que o morador está errado. Oras, azar o seu se você não pode vir sujar a praça deixando garrafas de madrugada, berrando bêbado a noite toda, deixando camisinhas no parque infantil e depois voltar pra sua casa tranquila e silenciosa e dormir o quanto quiser pensando em como são babacas os que reclamam do barulho....

Outros recomendam: Coloque janela anti-ruído.

Claro, vamos fingir que eu tenha o dinheiro para isso - é caro - e também para o ar condicionado que terei de colocar na casa, da conta de energia... E do absurdo que é precisar isolar minha casa para que outros possam continuar sua algazarra madrugada adentro e todo o dia. Sem dúvida, quem sugere essa canalhice deve ser dono de empresa que faz o serviço, pois terá milhares de clientes de um dia para o outro!

Enfim, falta diálogo, respeito, convivência e eu cada vez menos tenho esperança de uma solução decente.

Para mais fotos da ação criminosa da GCM, vejam no Flickr.

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Este post (acima) escrevi logo que tomei conhecimento do vídeo da agressão. Horas depois, porém, desci para a praça e fui conversar com a mídia e com skatistas. Uma grata surpresa. Acabei sendo entrevistado pelo G1 e pela TV Cultura e pude não apenas conversar e compreender o lado dos skatistas, como também procurar que a mídia presente apresentasse ambos os lados e ponderasse.

Conversei longamente com Paulo Puntel, advogado da Confederação Brasileira de Skate (CBSK) e com Saulo Godoi, skatista das antigas e com outros skatistas e, apesar de continaur a achar que temos muitos problemas a serem resolvidos, há esperança de resolvê-los. Uma boa quantidade de skatistas experientes e a CBSK tem total intenção de cooperar com a Ação Local para delimitar e sinalizar área para a prática do esporte. Eles compreendem os problemas dos moradores.

Aliás, foi interessante ver que, frente à nossa reclamação de que o barulho é imenso, alguns skatistas disseram não saber que era tão ruim, não sabiam do transtorno que causavam e ao invés de, como alguns esperariam, ligar o foda-se, se mostraram genuinamente preocupados e dispostos a colaborar.

Foi possível até que o Paulo e o Saulo conversassem com membros da Ação Local, alguns até radicalmente contra o skate, e chegar a um denominador comum e encontrar as bases para um diálogo que pode resolver uma parte considerável de nossos problemas.

Surgiu a ideia de um skate plaza, de espaços culturais.... Foi uma tarde bem produtiva. Foi possível até fazer com que skatistas e membros da Ação Local conversassem e se entendessem!

O nosso maior problema aqui é a falta de diálogo, mas encontramos agora com quem dialogar, e bases comuns. Os moradores moderados, que acham que skatista tem sim direito a ocupar o espaço, mas com regras, finalmente econtraram apoio em skatistas que compreendem nossos problemas.

De fato não é possível ocupar a praça toda, é preciso um espaço delimitado, para que acidentes não ocorram, com horário e etc.

Aliás, fiz questão de prestar solidariedade ao William, agredido pela GCM, que também entendeu a reclamação dos moradores contra os skatistas e se mostrou pronto a colaborar. Muitos skatistas são de fora do bairro e mesmo de São Paulo, sem nenhuma sinalização ou regras claras é esperar demais que alguém ache que está fazendo algo errado em ocupar um espaço imenso e virtualmente livre.

Não há nada melhor que o diálogo, que o entendimento.

Como tirada humorística e irônica, quando estava me despedindo dos skatistas e agradecendo pelo papo, fui atingido na perna por um skate desgovernado e, claro, eles brincaram que o único morador que tinha ido conversar com eles e buscado o diálogo ia, depois da porrada, mudar de idéia e falar mal deles!=)

Acidentes acontecem e, no fim, o que estamos buscando é exatamente evitá-los, através da conversa e da convivência. A praça é de todos, mas todos precisam respeitar regras e outros grupos.

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Em tempo, escrevi ao menos duas vezes sobre o uso indiscriminado de chamadas armas "não letais", dentre elas o famigerado spray de pimenta que pode matar por sufocamento. Aproveitando o novo governo Haddad que, diz, será próximo aos movimentos sociais, faço a campanha:
Pelo fim do uso de spray de pimenta contra manifestações públicas na cidade de São Paulo. 
Porque é um direito humano e cidadão a livre manifestação e organização sem riscos à integridade física
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Satyros irá fechar: Viva a "classe média medíocre"


"A especulação imobiliária tem duas consequências. A primeira é visível e numérica: são os aluguéis exorbitantes. Depois de seis meses de alugueis atrasados, estamos, enfim, regularizando as contas. Meses e meses os artistas sem receber nada, pois tínhamos só contas em atraso. Dificuldades mil.
Mas nunca tivemos medo da falta de dinheiro. Isso não nos impede de ter vontade de lutar pelo espaço. Mas há outra coisa ainda pior. A crise de identidade que a Praça enfrenta hoje.
Os novos moradores, aliados aos antigos vingadores, sonham que a Praça se transforme no Itaim Bibi do centro. Mas isso não tem nada a ver com o histórico dela vindo lá dos anos 50 e 60, nem com a chegada dos skatistas, nem com o que os teatros fizeram para sua recuperação. Alguns querem que a Praça seja um local tranquilo para a moradia, algo como uma Perdizes controlada, com bares cult para bons moços frequentar até certa hora e boas instalações para novas padarias badaladas com nome afrancesado...
Até algumas pessoas que se dizem de esquerda estão caindo nesse jogo também. Estamos isolados. O que a Praça Roosevelt quer ser para a cidade e qual é o nosso papel nisso? Essa é a questão principal. Nós contribuimos para uma transformação radical de uma das regiões mais deterioradas da cidade e agora a classe média-medíocre quer transformar esse espaço no seu quintal, mais preocupados com o cachorródromo do que com a força cultural que ela pode trazer para a cidade...
Isso nos inquieta de verdade. Estas pessoas tão bem educadas são muito mais difíceis do que os traficantes que tivemos que enfrentar quando chegamos à Praça, na época em que éramos ameaçados de morte, e não de morte espiritual."
Rodolfo García Vázquez, diretor dos Satyros
Depois de ler este texto do diretor d'O Satyros eu realmente deixei de lamentar a saída do grupo da Praça Roosevelt e me limito adesejar boa sorte. Não voltem mais.

Eu não sabia que dormir era coisa de burguês. Que só burguês tinha direito a desncasar, a ter silêncio...

Aliás, acho que para Vázquez, a palavra "direito" não se encaixaria aqui, ou talvez "direito" seja, para ele, também uma noção burguesa.

Mas de uma coisa tenho certeza: Vázquez e sua trupe se acham os salvadores da praça. Só eles. E como pagamento, nós, moradores, devemos nos submeter à tudo que sua trupe decidir fazer, seja desmontar palco as 2 da madrugada, seja aguentar dias a fio com barulho praticmente 24h por dia porque suas atividades são mais importantes que a dos milhares de moradores, assim como nosso sossego.

Pior de tudo, o Satyros - tirando um Satyrianas aqui e outr ali - nunca foi motivo de reclamações ou de transtorno. Nosso problema maior é com o Parlapatões.... Pelo visto tomaram as dores dos outros.

O histórico da praça, caro Vazquez, não é o que você afirma estar preservando, não é a vida que você afirma ter dado. Reconheço, e creio que seria impossível fazer o contrário, o papel do Satyros na revitalização mais recente da praça, mas ela já teve muitas caras. Foi velódromo, depois o primeiro estádio de futebol de São Paulo, onde se jogaram os primeiros campeonatos paulistas - e de todo o Brasil -, foi estacionamento, espaço para feira e depois, na Ditadura, foi praça de concreto, horrível, até se deteriorar, como todo o centro depois de passar pelas mãos de Maluf e correlatos.

Acabou degradada, e foi recuperada não apenas pelo Satyros - que teve sim papel nisso tudo - mas também pelos outros teatros, bares, barbearia, pelo moradores antigos e que foram chegando, enfim, pela comunidade que vive na e da Praça Roosevelt.

Aliás, os skatistas chegaram aqui MUITO antes de vocês sonharem em abrir seu(s) espaço(s).

Acho interessante alguém que critica os "burgueses" e se diz - pelo que entendi - de esquerda, querer posar como grande salvador, individual, da região. E alguém que se coloca ACIMA da comunidade, como se seu negócio - que coisa burguesa, não? - estivesse acima do bem e do mal, acima de críticas e não precisasse ouvir ninguém.

Infelizmente, meu caro Vázquez, são milhares os moradores da Praça, e mesmo muitos comerciantes fazem questão de respeitar esta imensa comunidade, não passando a madrugada inteira abertos, como faz o insuportável Parlapatões.

Respeito e comunidade são apavras que o "esquerdista" parece não compreender. Vale o egoísmo e o egocentrismo do nosso salvador.

Sabias, meu amigo, que há moradores que vivem na praça há mais de 50 anos? Muitos vivem aqui desde antes de sua salvação? Sim, reconhecemos sua importância, mas não elegeram (nem elegemos) o Satyros como líder inconteste e plenipotenciário.

Temos sim o direito de dormir. Seja pela lei, que impõe limites à farra de uns pelo bem de outros, seja pela desconhecida noção - para você e outros - de COMUNIDADE. Você tem todo o direito de festejar, de atuar, de tocar seu negócio, mas este direito é limitado pelo nosso de viver em paz.

Noção burguesa? Paciência.

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