domingo, 25 de abril de 2010

Beijos para "desparasitar" a Farmácia Uspiana

Pin It
O pasquim "O Parasita", editado pelos estudantes de Farmácia da USP publicou em sua última edição uma promoção polêmica. O texto explicitamente homofóbico, com pretensões satíricas convidava os alunos a jogar fezes em alunos gays que freqüentam o campus. Os editores prometiam em troca “convites” gratuitos para a Festa Brega.

Em um Estado democrático é intolerável que tal comportamento declaradamente homofóbico – e mais ainda -, violento e ameaçador, seja tolerado e encontre eco.

A sociedade não pode ficar refém daqueles que abusam de seu direito à liberdade de expressão ou mesmo de imprensa para atacar covardemente – lembrem-se que o texto foi escrito de forma anônima – uma parcela da população brasileira, seja ela qual for.

Vale lembrar que a Constituição Federal veda o anonimato, assim com a lei condena a homofobia e, acima de tudo, defende a dignidade humana e os direitos humanos A sociedade deve repudiar tais atitudes: a homofobia, a violência e a ameaça.

Um ambiente acadêmico e de alto nível como a USP não pode ser palco para demonstrações preconceituosas e para a perpetuação de lugares-comum e estereótipos preconceituosos e discrepantes ao ambiente e à humanidade.

O respeito e a convivência com semelhanças e diferenças é um princípio básico para a coexistência humana e, o ambiente acadêmico deve ser marcado com este respeito e este convívio para que seja perpetuado e reproduzido.

Longe de aceitar que o assunto seja tratado como mera brincadeira inconsequente ou como algo corriqueiro, a sociedade, e a comunidade uspiana, devem agir de forma decidida, firme e direta, contra este tipo de demonstração incompatível com a vida em sociedade.

Um beijo, contração e distensão muscular, encontro de corpos que só se dá na liberdade. Na farmacopéia da terapêutica da existência, não há receita melhor para combater o parasitismo que gera a discriminação e a homofobia que o exercício democrático da liberdade. Liberdade, que para a jazzista Nina Simone, é não precisar sentir medo do outro. Beijar é,politicamente, o ato mais simples que o desejo pode construir. Ainda mais, se ele unir a liberdade à terapêutica anti-parasitária e à uma profilaxia do existir. Sem frustrações, sem dor, sem medo. Beijar é um ato político, ao mesmo tempo simples e radical. Uma forma de alargar o espaço da liberdade e da democracia.

Nada que os parasitados Parasitas, homofóbicos (com ênfase no fóbicos, pois que o medo que eles cultivam é o pai da violência que os domina), suportem. Ver um beijo livre é a dor suprema para quem teve os lábios selados pelo parasitismo da frustração.

Por isso, e para enfraquecer essa força coercitiva que se insinua como predominante no curso de Farmácia da USP, é que convocamos todas as pessoas livres (ou seja, quem quiser e puder participar), para um beijaço (Kiss IN), no dia 20 de maio, às 18:30 horas, em frente ao prédio da Farmácia/USP[1]

“Tire o seu parasitismo da frente, que eu quero passar com o meu amor”.

Todos aqueles que se sentirão ofendidos pelo texto de ódio, brasileiros ou não, homossexuais ou não, estão convidados para participar desse ato independente de sua orientação sexual.

Texto coletivo: @Guttto @polivocidade @vinnywizard @tsavkko

[1] Av. Prof. Lineu Prestes, 580 São Paulo - SP
------
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

Itã Cortez disse...

Sinceramente, não sei se fico perplexo e me revolto com esta atitude, tamanho o choque que me causa saber que estudantes universitários, de um curso de farmácia, da Universidade de São Paulo, ainda reproduzam tamanha ignorância, ou se mantenho uma postura letárgica diante de tal descalabro. Como não sou um conformista (como todo jornalista que se preza), e pauto a minha vida em defesa dos direitos humanos, só tenho a lamentar por este ato atroz e, depositar na justiça, a certeza da reparação. Os autores da mensagem homofóbica, mais que um simples pagamento de multa, devem ser instruídos sobre cidadania e respeito ao próximo. Eu os convidaria, por exemplo, a participar de todos os atos que estão agendados para o mês de maio, quando é comemorado o Dia Internacional da Luta Contra a Homofobia. No dia 19, será realizada a 1ª Marcha Nacional Contra a Homofobia, agendada pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Quem sabe eles não poderiam/deveriam juntarem-se a todos que participarão da Marcha... Valeu pelo texto, Raphael!

Ben Oliveira disse...

Muito bom o texto!
Eles disseram no tal jornalzinho que o garoto que usava a camiseta manchou a reputação da universidade, mas quem acabou manchando de verdade foram eles.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Itã: A marcha será aqui em Sampa? Podemos sim organizar algo, conversar com a organização (tens contatos?) e de repente falar sobre o beijaço, sobre o ocorrido... Não é má idéia1=)

Ben: Os homofóbicos acreditam piamente serem donos da verdade, acham que todos pensam como eles. É lamentável!

Itã Cortez disse...

A marcha acontecerá em Brasília, mas acredito que outras manifestações devam ocorrer em todas as cidades do país que têm representações LGBT's atuantes. Para informações sobre a 1ª Marcha Nacional Contra a Homofobia, acesse: www.abglt.org.br, no menu há um link direto para o evento, no qual consta: Manifesto, apoiadores e programação (esta última ainda não disponível). O site da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo também disponibiliza mais informações: www.paradasp.org.br
Vamos nos manter conectados e informados.

Postar um comentário