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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Simpósio Esquerda na América Latina - REDES SOCIAIS, AÇÃO DIGITAL E ATIVISMO POLÍTICO

Mês passado participei de uma mesa na USP durante o Simpósio Esquerda na América Latina com a intenção de falar sobre as redes sociais e o engajamento social e militância política nelas. Comigo estavam o professor Sérgio Amadeu e o jornalista Rodrigo Vianna.

Eis o vídeo da minha fala (de um pedaço), gravada por um amigo:

Neste link é possível baixar o áudio de todo o debate (começo a falar aos 29:18).

Segue artigo de Bia Barbosa, na Carta Maior, sobre a mesa (em negrito os comentários sobre minha fala):

Em 2009, após indícios de fraudes nas eleições no Irã e da repressão de Ahmadinejad aos primeiros protestos, a população, fazendo uso da internet para compartilhar informações e se organizar, foi aos milhões às ruas de Teerã. Entre 2010 e 2011, com forte utilização das redes sociais – inclusive em países onde o acesso à internet é bastante limitado -, movimentos mostraram ao mundo o que acontecia em ditaduras árabes, chegando a derrubar governos. Nos Estados Unidos e Europa, os Indignados e o movimento Occupy, que tiveram início com protestos online, depois tomaram as ruas das principais capitais do ocidente.

Na América Latina, no entanto, a situação é diversa. Apesar da mobilização virtual ser crescente, os protestos digitais ainda não conseguiram ganhar as ruas na mesma dimensão. Na avaliação de ativistas digitais que participaram esta semana do simpósio internacional “A Esquerda na América Latina”, realizado na Universidade de São Paulo, o cenário coloca inúmeros desafios para o movimento.

Para o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC, militante do Software Livre e autor de várias publicações sobre o tema, antes de mais nada, é necessário compreender o que acontece com a militância e com os organizadores de luta política dentro das redes sociais, principalmente com a relevância que uma série de tecnologias adquire no capitalismo.

"As práticas de comunicação foram alteradas com a internet e reorganizadas depois do surgimento das redes sociais. E essas práticas inverteram o ecossistema comunicacional. No mundo dos canais de comunicação de massa, era necessário lutar para democratizar o canal para se falar para milhares de pessoas. O difícil agora não é falar; é ser ouvido. É uma inversão brutal. Estamos em uma rede distribuída onde o problema não é construir um discurso; é fazer com que as pessoas estejam aptas a ouvi-lo", explica.

Dentro dessa inversão de ecossistema, a comunicação em rede abriu espaço para pequenos e importantes atores. Décadas depois, os hackers, que surgem nos anos 60 com a utopia "democratizar a informação é democratizar o poder", se juntam aos ativistas sociais e hoje o ambiente da internet se transforma em palco para inúmeras lutas, a partir da ação dos ciber e hackerativistas.

"A partir dos anos 90, os hackers se politizaram, porque boa parte integra o movimento de Software Livre e, de repente, teve que passar a enfrentar o Estado para poder exercer seu hobby, que é desenvolver códigos e compartilhar conhecimento. Tiveram que se coletivizar para enfrentar as leis de propriedade intelectual, que se enrijeceram no mundo inteiro", explicou Sérgio Amadeu.

Hoje, uma das maiores expressões globais no novo ativismo digital são os Anonymous, um modelo de ação que nasce nos Estados Unidos entre ativistas, artistas e hackers e que passou a ter importância no mundo inteiro. Usando as técnicas do hackeamento e da hipertrofia, realizaram a Operação Payback, em protesto à retirada do site do Wikileaks pelos Estados Unidos e ao corte do financiamento do site de denúncias através de cartões de crédito.

"Quando fizeram isso, já havia 800 espelhos idênticos do Wikileaks no mundo. Ao mesmo tempo, sobrecarregaram o servidor dos cartões de crédito até ele cair, gerando milhões em prejuízo em todo o mundo. Isso é hipertrofiar, inverter a lógica. Não é crime, é protesto digital", afirma Sérgio Amadeu. "A nova lógica dos movimentos, aqui na América Latina inclusive, onde Brasil e Argentina são pontas, não é mais "Proletários de todo mundo, uni-vos". É "Hackers de todo o mundo, dispersem-se", acrescentou.

Guerrilha virtual e ativismo de sofá
Olhando para a realidade brasileira, o ativismo digital em rede foi estratégico em alguns momentos da história recente do país para fazer o contraponto às informações e opiniões dominantes na mídia tradicional. O jornalista e membro da dos Blogueiros Progressistas, Rodrigo Vianna, lembrou do episódio da bolinha de papel atirada contra José Serra, então candidato do PSDB à Presidência da República. Atingido por um "objeto misterioso" atirado por adversários durante a campanha, Serra fez tomografia e conseguiu até a participação de um perito no Jornal Nacional, da Rede Globo.

"Mas a tese rapidamente foi desmontada na internet, de forma colaborativa. Usando imagens de um cinegrafista do SBT, ficou claro que o objeto que atingiu Serra não era o que a Globo tinha mostrado; era uma bolinha de papel. A verdade se espalhou nas redes e ganhou uma dimensão importante naquele momento da eleição. Há 25 anos, um episódio como este demoraria três anos para ser desconstruído, como aconteceu com a edição do debate eleitoral de 1989, entre Collor e Lula, feita pela Globo. Você não tinha como reagir, não tinha contraponto", lembra Rodrigo Vianna.

Como escreveu Antonio Gramsci, os aparatos privados de hegemonia, como os meios de comunicação, não estão ao alcance apenas das classes dominantes, mas também das subalternas, lembrou. "Ou seja, é possível travar a disputa sem disputar o Estado. É uma batalha pelos valores, feita no dia-a-dia", analisou Vianna. "Porém, aqui no Brasil, ainda é uma guerra de guerrilhas, porque a TV continua tendo um peso tremendo. Quem dita a pauta política no Brasil se não meia duzia de veículos da velha mídia? O ativismo digital ganhou enorme relevância, mas temos pouca reflexão sobre seus impactos", acrescentou.

Para Raphael Tsavkko, blogueiro, autor e tradutor do Global Voices, ainda há um descolamento entre o online e o offline no Brasil e na América Latina. As lutas nas redes levaram à realização de protestos como o Churrasco da Gente Diferenciada, em repúdio à reação da elite paulista contra a abertura de uma estação de metrô no bairro de Higienópolis; às manifestações contra as operações na Cracolândia; e mobilizações como a Marcha das Vadias e contra a construção da Usina de Belo Monte.

"Mas a repercussão nas redes foi maior do que nas ruas, e com a maioria de pessoas que já faziam parte de movimentos organizados. São poucos os exemplos de mobilizações que conseguiram transbordar a barreira dos catequizados”, analisou Tsavkko. “Enquanto isso, no Chile, os protestos dos estudantes se organizaram pouco pela internet, e mais pelos grêmios. Então ainda há este descolamento. É o que os EUA chamam de ativismo de sofá”, critica.

Um dos possíveis obstáculos para a superação desta diferência é o próprio alcance da internet no Brasil, onde apenas metade da população pode ser considerada usuária da rede mundial de computadores. Mas há outros.

"Temos uma série de dificuldades aqui, desde a divisão histórica da esquerda brasileira até uma apatia política do brasileiro, incentivada pela mídia que diz que "política é tudo igual". E quando você pode simplesmente apertar um botão e "curtir" algo na internet mas não tem uma visão crítica sobre aquilo, isso acaba criando uma funalização do movimento online. Ma sem sair às ruas, apenas o ativismo online não vai conseguir mudar o mundo", problematiza Tsavkko.


"Acontece que as pessoas não vivem política 24 horas por dia. Nosso discurso não está adiantando; os blogs de esquerda não tem tanta audiência. Estamos lidando com uma ideologia que penetra e que está na cultura. Esta é a questão central. E aí estamos perdendo a batalha. Não vamos ganhar a batalha partidarizando ou politizando a cultura, mas passando por ela", acrescenta Sergio Amadeu.

"Dentro do aspecto cultural que precisa ser debatido, temos que olhar para o poder da mídia tradicional. Quando passa um reallity show na TV, este vira o tema mais comentado na internet. Ou seja, a TV dita o que vai ser debatido nas redes. Por isso ainda temos que disputar o poder dos grandes meios", acredita Rodrigo Vianna.

Por fim, escrevi este artigo, em inglês para a Fundação Bertelsman, ampliando minha fala no debate na USP, recomendo a leitura.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

2012 será longo: Começa o ano, começam os abusos

O ano nem bem começou e já temos motivos demais para lamentar que ele ainda será longo.

2011 foi um ano recheado de desgraças na área social. Dilma, eleita  sob a bandeira dos direitos humanos e que reforçou a vocação em discurso, se mostrou uma das maiores inimigas aos direitos humanos no Brasil.

Impôs Belo Monte pese condenação internacional e repúdio mundial, e nada parece fazê-la parar. a Homofobia chegou a níveis alarmantes, assim como os assassinatos motivados pelo ódio a gays e a presidente se limitou a declarar que não faria "propaganda de opções sexuais" e, hoje, não consigo mais reclamar de quem a chama diretamente de homofóbica.


As ações - ou falta delas - do governo na área dos direitos LGBT's demonstram que se Dilma não é homofóbica, então ela é simplesmente uma estúpida mau intencionada. Ou, outra possibilidade que não necessariamente elimina as anteriores, se vendeu aos Marginais da Fé que, ano começado, já mostraram sua força e o quanto vão colocar em perigo o país, com total conivência do governo federal.

Qual o problema se agora tem pastor tirando o "capeta" do corpo de um gay... E que o "capeta" é a homossexualidade?não podemos nos meter nas opções religiosas - aí sim OPÇÕES - dessa cambada de criminosos, não é, presidentA?


O ano começa ainda em meio à discussão sobre o Cadastro de Úteros proposto pelo Ministro Padilha, que de tanto se explicar tem apenas se complicado. A MP, imposta - como de costume neste governo que se recusa a ouvir os movimentos sociais ou, se uve, ignora, vide PNBL entregue às Teles e etc -, não paenas cria um cadastro absurdo, para a alegria dos Marginais da Fé, como também garante DIREITOS a FETOS. Isso mesmo, garante direitos a fetos em pé de igualdade aos das mães.

O ministro tenta tergiversar, mas tudo que consegue dizer é que "não é bem assim" e não dá nenhum argumento que faça qualquer ativista sério ou advogado mover o pé. Tem até governista fanático estranhando a história!

Mas não só de desgraças passada gira o Brasil, fabricamos novas, ou melhor, governos fabricam ou conseguem se enrolar ao ponto de parecer responsáveis - e normalmente são, de forma direta ou indireta.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Movimento Estudantil Ocupa, a PM Ameaça e Agride

É quase sempre na base da ação e reação: Os estudantes se mobilizam e a PM desce o cacete.

Comandados por Alckmin e Kassab, dão uma 'lição" aos estudantes universitários. Gente despreparada, violenta, criminosa com armas na mão e pseudo-autoridade que lhes foi dada por uma elite corrupta com a única intenção de "controlar" as classes mais baixas ou aqueles que desviem do padrão normativo desta elite, ou seja, qualquer um que seja preto, pobre, favelado ou mesmo branco, ams que resolva contestar a ordem vigente.


Será que impressiona que o ÚNICO negro no local tenha sido o alvo do ataque do PM, que saca a arma brevemente para ameaçá-lo?

Nada em comum com a paixão que a PM tem por agredir e matar negros? Será apenas uma coincidência que o PM, cercado de estudantes brancos, caminhe agressivamente em direção ao único negro no local, possivelmente duvidando que um negro - "estes inferiores"! - seja estudante da USP e não apenas mais um "provocador" no lugar errado?

Não se pode deduzir mais nada. Em meio a alunos brancos, possivelmente de classe média, o PM teve a necessidade de colocar pra fora todo o seu ódio insensato contra a humanidade. Mirou o negro, perguntou "delicadamente" se era aluno da USP - local onde negros não deveriam frequentar, segundo pensamento da figura fardada - mandou mostrar a carteiria e, diante da justa recusa, sacou sua arma para mostrar quem mandava ali.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A imprensa como agente provocador

Durante a crise recente na Universidade de São Paulo (USP) – que se iniciou não com a prisão de três estudantes que fumavam maconha nas cercanias da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências sociais (FFLCH), mas com a chegada da PM na USP em caráter de clara provocação por parte do reitor João Grandino Rodas –, a mídia teve um papel fundamental na radicalização de posições tanto do lado dos estudantes quanto de boa parte da população, que não escondeu sua vontade de ver sangue jorrar durante a desocupação ordenada pela justiça.

É fato que a imprensa age propositadamente como agente provocador.

Na manhã do dia 8 de novembro, a Polícia Militar (PM) desocupou a força o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), que tinha sido tomado por cerca de 70 estudantes desde o dia 27 de outubro, quando três estudantes foram presos por estarem fumando maconha nas imediações do prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). A ação envolveu cerca de 400 policiais da tropa de choque da PM, guarnições do Grupo de Operações Especiais (GOE) e a cavalaria da PM.

Num comunicado lançado após a desocupação, os estudantes da USP esclarecem que “o incidente do dia 27/10/11, quando três alunos foram pegos portando maconha, não foi o ponto de partida das reivindicações estudantis. Aquele foi o estopim para insatisfações já existentes” – com o modelo de segurança da USP e a falta de transparência da reitoria.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

USP: Qualquer semelhança com a época da ditadura militar NÃO é mera coincidência.

Depois de dois textos analisando a ação inicial da PM e a posterior ocupação, não é fácil persistir no assunto, mas é necessário.

Deixei absolutamente claro que não apoiei a ocupação da reitoria, especialmente da forma como foi feita, à revelia da maior parte dos estudantes reunidos em assembleia, que, junto com o DCE, votaram contra a ocupação, acreditando - corretamente - ser contra producente para o movimento.

Mas a rebelião não surpreendeu, na verdade era algo até lógico de acontecer em meio a um movimento estudantil fragmentado em diversas pequenas correntes, umas mais radicais, outras mais coerentes.

Dois pontos, porém, precisam ser rapidamente debatidos e denunciados, pois foram usados de forma incessante pela grande mídia e por muitos "cidadãos de bem" para tentar deslegitimar não apenas a ocupação - equivocada -, mas toda a resistência legítima feita contra a presença da PM no campus e a luta contra a ditadura imposta pelo reitor Rodas

Maconha e riqueza

O primeiro ponto é a questão da maconha, o segundo, a suposta riqueza dos manifestantes.

Estopim da mais recente revolta, a maconha acabou como vilã de um processo já longo de contestação da presença da PM no campus. Quando três estudantes foram presos por fumar, a revolta estourou sem, no entanto, a questão central ser o direito de fumar e a luta contra a criminalização das drogas.

Pouco antes da prisão dos três estudantes fumando maconha, a PM já havia assediado, revistado e intimidado estudantes em frente à biblioteca da FFLCH. Depois de uma situação como estas, a prisão de estudantes só poderia levar à revolta.

Fico sempre curioso para perguntar se boa parte dos hoje revoltados cidadãos de bem classe-medianos, assim como governantes costumeiramente truculentos (ou ex-governantes, como Serra, que foi presidente da UNE) nunca fumaram maconha, nunca transgrediram e sempre se limitaram a ir à universidade assistir aulas.

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sábado, 5 de novembro de 2011

Legitimidade: Apoiar a Ocupação na USP?

Em post anterior, deixei clara minha posição de repudiar a presença da PM no campus, a posição de estudantes de direita ou simplesmente com preguiça de raciocinar e, claro, a posição do Reitor, mas, ao mesmo tempo, critiquei a atitude radical (beirnado a boçal) e intransigente de uma parcela dos estudantes que andam em círculos, repudiando a PM, mas não dando uma soloução que satisfaça o coletivo.

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É preciso colocar que o DCE apresentou propostas, ao mesmo tempo em que repudiou a reitoria e se mostrou contrário à ocupação.
Uma reivindicação histórica do movimento estudantil é a ampliação do efetivo da Guarda Universitária, o fim da terceirização da Guarda Universitária (tem uma rotatividade grande na segurança na USP), que ela tenha um papel preventivo e não repressivo, que receba treinamento em direitos humanos e criação de efetivo feminino pra lidar com os casos de assédio sexual e estupro, que ocorrem as dezenas e são abafados. Também melhora no sistema de iluminação (promessa que não sai do papel), ampliação da circulação no campus através dos ônibus circulares que têm em número restrito (por exemplo, não existe ônibus que vá do campus até a estação de metrô, como prometido), a ampliação do número de vagas de moradia no campus, pq ajuda a dinamizar a vida universitária, e o fim das restrições da circulação, porque o que aumenta os casos de violência é o fato de o campus ser um lugar ermo. 
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Durante a confusão, estudantes invadiram a direção da FFLCH sem nenhum tipo de consulta aos demais alunos sequer da faculdade (apenas cerca de 500 estavam presentes em uma espécie de assembléia que decidiu pela ocupação inicial) e, de quebra, mantiveram a ocupação apesar de uma assembléia posterior, mais ampla, ter votado contra.

A posição do DCE da USP, aliás, também é contrária à ocupação, que se mostra ilegítima frente à maioria dos estudantes.

Um grupo de ultraesquerdistas (MNN, PCO e LER), se apropriou das legítimas bandeiras e reivindicações dos estudantes e tomou para si a (ir)responsabilidade de manter a ocupação e a direção do movimento.
Uma assembleia realizada na noite de terça-feira (1º de novembro) votou pela desocupação do prédio administrativo da Faculdade de Filosofia (FFLCH), iniciada no começo de sexta, 28 de outubro. Mesmo assim, manifestantes iniciaram outra reunião, com quórum menor, e votaram pela ocupação do prédio da Reitoria – invadida minutos depois.
[...]
Infelizmente, um setor minoritário do movimento, derrotado nesta votação, agiu de forma antidemocrática ao ocupar a reitoria, deslegitimando o debate feito no fórum de assembleia. A gestão do DCE-Livre da USP entende que tais práticas deslegitimam as instâncias do movimento e não contribuem para uma atuação consequente, democrática e de luta. É necessário que haja unidade do movimento estudantil para combatermos o projeto privatizante e excludente realizado pelo governo estadual e pela reitoria.
Mas, frente à possibilidade da PM intervir - à pedido do sempre ditatorial Reitor Rodas e da conivente justiça de São Paulo - muitos militantes passaram a dar seu apoio à ocupação.

Pois bem, eu discordo da forma e explico.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Lugar de PM é no Campus?

Eu parto do princípio de que não.

Mas é preciso pensar em alternativas.

A ação da PM ao prender 3 alunos que fumavam maconha foi, infelizmente, correta. Fumar maconha é crime, por mais que eu, pessoalmente, defenda a legalização das drogas. Obrigação da polícia é fazer cumprir a lei.

Agora, dado o estilo truculento da PM, dificilmente iriam fazer vista-grossa, pois sentem prazer em criar confusão e aparecer, especialmente se puderem dar porrada ou levar pra delegacia quem eles consideram "vagabundo riquinho" (basicamente qualquer universitário).

Mas concordar com a legalidade da ação policial ao prender quem fuma maconha é diferente de concordar com seus métodos. Não faço idéia do tom e da força usada pela PM para prender os rapazes, e isto pode pesar. Aliás, eu acho estúpido prender quem fuma maconha, isto não altera em anda o comportamento de nenhuma das partes, mas apenas faz o PM se sentir poderoso. Da mesma forma que muito maconheiro se acha "bozão" por achar que está contestando o mundo ao fumar.

A questão principal, porém, vai além, e passa pela própria presença ostensiva da PM dentro do campus universitário.

O campus é um lugar de contestação por natureza. Assim é a universidade. USP, PUC, não importa, universidade é um espaço de contestação, de rebeldia, de festas e, claro, de aprendizagem, mas de todo tipo de aprendizagem e não apenas aquela das salas de aula.

E fumar maconha faz parte. Beber faz parte. Contestar faz parte. Há uma clara oposição entre a lei e as práticas (oras, entra-se na universidade com 17 anos e é proibido beber até os 18, mas alguém se importa?) dentro dos muros da universidade, dentro dos limites do campus.

A presença da PM é uma provocação clara tanto da Reitoria, abertamente conservadora e ilegítima, quanto do governo, igualmente conservador. é uma forma de tentar "acalmar" os ânimos e a contestação estudantil.

E é um tiro no pé, estupidez pura. Uma provocação perigosa contra a comunidade universitária.

E não falo apenas da questão da maconha e nem apenas como forma de "proteger" os alunos da amada e odiada FFLCH, e sim de forma geral. A PM se coloca como uma força reacionária de controle social, acostumada a tratar a todos com violência e desprezo. São soldados despreparados, raivosos e sem treinamento que colocam em perigo os estudantes da USP.

Basta ver os índices de criminalidade e contar quantos são cometidos por policiais militares, com sua conivência ou seu silêncio cúmplice.

Polícia Militar não traz segurança e, no campus (me atendo só a aquele local) traz insegurança.

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Skaf e o Socialismo Empresarial ou Porque Pagar pela USP

Político brasileiros costumam procurar caminhos mais fáceis para tudo. Raramente atacam problemas, mas dão a volta, esperando que o problema se resolva "naturalmente" ou, ao menos, que este seja esquecido.

Medidas paliativas são diferentes de medidas que visam apenas esconder as desigualdades.

Cotas para negros são paliativos emergenciais que devem ter prazo de validade, o problema real é a exclusão social. Outro problema é o da educação de base, é um paliativo garantir aos poucos que conseguiram terminar a escola um lugar na universidade, mas o problema principal está na escola básica.

Deve-se, no longo prazo, investir no ensino básico, em política de inclusão desde a infância, em inclusão social, em renda... De fato, o governo atual vem dando alguns passos - ainda que tímidos - nesta direção.

No geral, o governo Lula já fez mais do que qualquer outro governo anterior. Mas é pouco. Falta ainda um projeto de longo prazo que busque efetivamente diminuir as desigualdades mais profundas.

Não deveria surpreender à ninguém que um empresário voraz como Paulo Skaf defenda que até mesmo uma universidade pública seja paga. Os DemoTucanos defendem o mesmo desde sempre. Assim é a direita, só estuda quem pode pagar. Aos pobres cabe a resignação. Que trabalhem duro para saírem da merda!

Como Skaf está no PSB, um partido que, ao menos no nome, é Socialista - o que não quer dizer muita coisa, vide o PPS -, resolveu amenizar o discurso: Tem que pagar pra estudar, mas só quem pode pagar.
O empresário Paulo Skaf disse, na convenção do PSB paulista que oficializa sua candidatura ao governo de São Paulo, que pretende fazer com que alunos da USP (Universidade de São Paulo) que tiverem condição financeira, paguem para cursar a universidade.

"Na hora de entrar na USP, quem estuda? Filho de rico ou filho de pobre? Quem pode pagar, deve pagar sim", afirmou.
A idéia inicial é ridícula, mas denuncia uma característica comum nas universidades públicas: De fato, a maior parte dos que nela estudam são os que vieram de escolas particulares, são da classe média e, em teoria, poderiam pagar por uma universidade particular. Salvo algumas exceções, as públicas são, de fato, as melhores.

Mas, Skaf ataca apenas o problema momentâneo, o agora. E, obviamente, não resolve problema algum.

Se é verdade que os mais ricos por vezes são os que tem maior acesso às universidades públicas, também é verdade que cobrá-los não vai fazer diferença ALGUMA aos que não tiveram condições de chegar lá. No que cobrar quem pode pagar fará com que quem não pode chegue até a universidade?

Fazer com que os ricos e os nem tão ricos paguem - já temos outro problema, quem irá pagar? Qual o critério? - apenas resolve o problema posto por um capitalista voraz: O de teoricamente fazer o Estado não ter "prejuízos" ao dar algo de graça: Educação. É o Estado mínimo de uma forma ou de outra.

No fim das contas, os filhos dos ricos continuam no mesmo lugar, os pobres idem. Os pobres continuam fora da universidade, mas os ricos passam a pagar por ela. É a mais pura lógica capitalista: Manutenção das eternas desigualdades e Estado sem qualquer responsabilidade, sem qualquer presença. É o primeiro passo para a privatização final do ensino.

Os ricos permanecem usufruindo da qualidade superior de ensino, não dão "prejuízo" ao Estado, e os pobres continuam no limbo, de onde jamais deveriam ter saído. Mas, quem sabe, não ganhem uma vaguinha cativa nas empresas ligadas à FIESP?

Uma idéia tão inteligente só poderia ter vindo do mais novo socialista da praça, o mais novo adepto do Socialismo Empresarial, algo tão tosco que só poderia ter vindo do casamento entre um líder do empresariado e um partido cujo "Socialismo", pelo visto, fica só no nome.

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domingo, 25 de abril de 2010

Beijos para "desparasitar" a Farmácia Uspiana

O pasquim "O Parasita", editado pelos estudantes de Farmácia da USP publicou em sua última edição uma promoção polêmica. O texto explicitamente homofóbico, com pretensões satíricas convidava os alunos a jogar fezes em alunos gays que freqüentam o campus. Os editores prometiam em troca “convites” gratuitos para a Festa Brega.

Em um Estado democrático é intolerável que tal comportamento declaradamente homofóbico – e mais ainda -, violento e ameaçador, seja tolerado e encontre eco.

A sociedade não pode ficar refém daqueles que abusam de seu direito à liberdade de expressão ou mesmo de imprensa para atacar covardemente – lembrem-se que o texto foi escrito de forma anônima – uma parcela da população brasileira, seja ela qual for.

Vale lembrar que a Constituição Federal veda o anonimato, assim com a lei condena a homofobia e, acima de tudo, defende a dignidade humana e os direitos humanos A sociedade deve repudiar tais atitudes: a homofobia, a violência e a ameaça.

Um ambiente acadêmico e de alto nível como a USP não pode ser palco para demonstrações preconceituosas e para a perpetuação de lugares-comum e estereótipos preconceituosos e discrepantes ao ambiente e à humanidade.

O respeito e a convivência com semelhanças e diferenças é um princípio básico para a coexistência humana e, o ambiente acadêmico deve ser marcado com este respeito e este convívio para que seja perpetuado e reproduzido.

Longe de aceitar que o assunto seja tratado como mera brincadeira inconsequente ou como algo corriqueiro, a sociedade, e a comunidade uspiana, devem agir de forma decidida, firme e direta, contra este tipo de demonstração incompatível com a vida em sociedade.

Um beijo, contração e distensão muscular, encontro de corpos que só se dá na liberdade. Na farmacopéia da terapêutica da existência, não há receita melhor para combater o parasitismo que gera a discriminação e a homofobia que o exercício democrático da liberdade. Liberdade, que para a jazzista Nina Simone, é não precisar sentir medo do outro. Beijar é,politicamente, o ato mais simples que o desejo pode construir. Ainda mais, se ele unir a liberdade à terapêutica anti-parasitária e à uma profilaxia do existir. Sem frustrações, sem dor, sem medo. Beijar é um ato político, ao mesmo tempo simples e radical. Uma forma de alargar o espaço da liberdade e da democracia.

Nada que os parasitados Parasitas, homofóbicos (com ênfase no fóbicos, pois que o medo que eles cultivam é o pai da violência que os domina), suportem. Ver um beijo livre é a dor suprema para quem teve os lábios selados pelo parasitismo da frustração.

Por isso, e para enfraquecer essa força coercitiva que se insinua como predominante no curso de Farmácia da USP, é que convocamos todas as pessoas livres (ou seja, quem quiser e puder participar), para um beijaço (Kiss IN), no dia 20 de maio, às 18:30 horas, em frente ao prédio da Farmácia/USP[1]

“Tire o seu parasitismo da frente, que eu quero passar com o meu amor”.

Todos aqueles que se sentirão ofendidos pelo texto de ódio, brasileiros ou não, homossexuais ou não, estão convidados para participar desse ato independente de sua orientação sexual.

Texto coletivo: @Guttto @polivocidade @vinnywizard @tsavkko

[1] Av. Prof. Lineu Prestes, 580 São Paulo - SP
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domingo, 29 de novembro de 2009

Eleições DCE-USP, falência da Esquerda e o Fascismo: Resultados [Update]

Me chega por e-mail o provável resultado das eleições para o DCE da USP. Eis que ao menos tivemos uma boa notícia, a Chapa Fascista conhecida como "Reconquista" perdeu para a chapa comandada pelo PSOL por uma diferença de 55 votos.

Os resultados finais foram:

"Pra transformar o tédio em melodia" (Romper o Dia[PSOL] e independentes) -2500
"Reconquista" (direita antigreve) - 2445
"Nada será como antes" (PSTU) - 1868
"Todo Carnaval tem seu fim" (PCB) - 1608 (outras fonte dão 1602 votos)
"Poder Estudantil" (MNN e POR) - 389 (outras fonte dão 390 votos)
"Respeitável Público!" (alguns estudantes da EACH) - 171 (outras fonte dão 172 votos)
"Amanhã vai ser outro dia" (PT e PCdoB) - 109 (outras fonte dão 121 votos)
"AJR" (PCO) - 50 (outras fonte dão 49 votos)

Brancos - 41 votos 
Nulos - 126 votos


O resultado, ainda que favorável à democracia Uspiana, demonstra a completa fragmentação das esquerdas e o fortalecimento da direita fascista, ligada ao Tucanato, aos Democratas e anti movimentos de apóio às reivindicações legítimas dos trabalhadores da USP e estudantes.

Pipocaram denúncias de fraudes, de violação de urnas, especialmente me São Carlos, mas no fim a contagem e recontagem foram feitas e o resultado final coloca um ponto final na tentativa da direita de tomar a USP.

Aguarda-se agora apenas o anuncio oficial da chapa vencedora.

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Cabe um adendo: Em momento algum defendi ou defendo fraudes para se vencer uma eleição. Este modus operandi, aliás, é típico da USJ/PCdoB e eu mesmo já fui vítima deste tipo de tática stalinista.

A situação da USP é terrível, de um lado a possível fraude - negada pela chapa vencedora - e do outro a possibilidade de fascistas ganharem as eleições e tornarem o ambiente Uspiano ainda mais inaceitável.

Ambas as escolhas são péssimas. Fraude e sectarismo estúpido da Esquerda versus chapa fascista entreguista.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Eleições DCE-USP, falência da Esquerda e o Fascismo



O vídeo acima é da chapa "Reconquista USP" que concorre ao DCE da instituição e, ao que tudo indica, tem fortes chances de vencer.

Ouçam a música, vejam os chamados e tentem não enjoar.

Vejam os absurdos da chapa no Twitter e em seu site.

Dentre as propostas, coisas tão sérias e importantes para a comunidade Uspiana quanto a instalação de telões para que sejam assistidos os jogos do Brasil na copa de 2010 ou a odiosa defesa da presença ostensiva da PM no Campus universitário.

O ponto central da defesa da chapa passa pelas greves e manifestações na USP: São contra. Defendem a inação, a inércia ou a mera compactuação com a direção. Grevista é marginal e ponto final.

Não surpreende que os membros da chapa se declarem apartidários, mesmo tendo o apóio dos Tucanos da USP explícito e declarado.

Vejam que todo grupelho proto-fascista se vale dos mesmos argumentos de apartidarismo mas, no fim, costumam se alinhar ideologicamente com DemoTucanos e afins - quando não algo pior.

É batata, se alguém declarar que sua chapa é totalmente apartidária, observe bem as propostas e propagandas e logo qualquer um chegará à conclusão de que tal grupo é fascista e, obviamente, tem medo de se declarar abertamente.

Mas, e quanto às causas que levam tal grupo às portas da vitória?

Em um primeiro momento ficamos apavorados com a possibilidade de um grupo de forte viés fascista ter a real possibilidade de vencer em eleições que costumam ser levadas pela Esquerda - seja pelo forte apóio ou simplesmente pela falta de interesse da maior parte dos estudantes em votar -, mas em uma análise mais profunda vemos que, na verdade, o que existe na USP - e pelas universidades afora - é o sectarismo franco e aberto das alas à esquerda e um desânimo gritante da maior parte dos estudantes em sempre se verem num joguinho de chapas e partidos que nunca os levam à nada.

A chapa em questão, a "Reconquista", não vencerá porque os alunos acreditam em seu programa de extrema-direita ou em seus slogans. A possível vitória se deve, por outro lado, à falta de idéias novas do lado da esquerda.

Mas eu iria além, se deve não só pela falta de idéias, mas pela constante repetição de slogans pseudo-revolucionários por grupos que não conseguem agregar nem 500 pessoas e acreditam piamente que irão conseguir fazer a revolução e tomar o poder no Brasil.

Falta pé no chão e propostas que realmente digam algo para a USP. A falência das correntes de Esquerda e o consequênte desânimo dos estudantes são a força que precisa uma chapa fascista, mas que traz algo novo, por pior que este "novo" possa ser.

Não basta querer barrar esta chapa nociva para a USP, para o ambiente acadêmico e para o país, é preciso barrá-la com argumentos, unidade e propostas sérias e não a velha ladainha pseudo-revolucionária de que vamos resolver todos os problemas do mundo se votarmos na chapa do PCdoB ou na do PT.

Enquanto a Esquerda se degladia e mingua, a direita se fortalece e ameaça.

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Para mais informações sobre o assunto, vale a visita ao Blog do João Villaverde que trata da divisão das esquerdas na USP.
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sábado, 22 de agosto de 2009

O "valor" da cultura no Brasil: Livros, espera eterna e preços abusivos

O artigo abaixo tem por objetivo servir não só de desabafo e demonstrar uma certa revolta com nossa maravilhosa indústria cultural (sic), mas também denunciar a falta de respeito com o consumidor no que concerne os prazos absurdos para a tradução de um livro, a demora em lançar títulos estrangeiros, e, acima de tudo, os preços abusivos praticados que impossibilitam a compra de um livro por boa - senão a franca maioria - da população brasileira.

Há algumas horas recebi um e-mail da Editora Record me informando da possibilidade de encomendar o mais novo livro de um dos meus autores favoritos, Robin Cook - "Estado Crítico".

Nada fora do normal - até pensei "excelente, eu queria mesmo ler este livro há eras!" -, se não fosse um simples fato: O livro já havia sido lançado há mais de 2 anos nos EUA e o anterior - "Crisis", de 2006 - sequer foi lançado no Brasil, mais de 3 anos depois do lançamento lá fora.

Qual foi a decisão editorial da Record? Não faço idéia, mas é estúpido e um desrespeito com o consumidor. Eu, por exemplo, compro todos os livros do autor e realmente acho um desrespeito a idéia de "pular" uma lançamento. Nem quero imaginar quando chegará ao Brasil seu último livro lançado este mês nos States, "Intervention": chuto 2015!

Já é costume a demora absurda no lançamento de livros estrangeiros no país, não surpreende que um livro de outro autor muito interessante, Edward Rutherfurd, esteja demorando já quase 4 anos para ser lançado (detalhe, é a segunda parte de uma saga, sobre Dublin, na Irlanda, ou seja, é de se esperar uma certa continuidade e não o esquecimento).

Não vejo como o problema possa ser reduzido à dificuldades na tradução, falta de tempo ou coisa do tipo. Não é uma desculpa aceitável, afinal, se uma equipe de leigos, de fãs, consegue em menos de um mês traduzir um calhamaço como os livros do Harry Potter, alguém me explica porque uma tradutora ou um tradutor profissional leva 6 meses ou mais?

Se fãs que tem um inglês "ok" traduzem um livro em um mês ou menos, como se explica que tradutores profissionais levem meses e, no caso dos livros do Robin Cook, Edward Rutherfurd e outros, até 2 anos - se tomarmos a tradução como maior empecilho ao lançamento!?

Mas o que realmente me surpreendeu foi a disparidade absurda de preços entre a edição nacional e a edição americana, no caso do livro do Robin Cook, mas o exemplo serve para quase todas as publicações nacionais.

Que cultura neste país seja cara é uma coisa, mas pagar quase o dobro por um produto nacional é simplesmente ridículo.

Comparem o preço da edição brasileira (42,90) com a americana (25,90), estamos falando de quase 20 reais de diferença! É mais barato importar um livro, pela mesma Livraria Saraiva, que comprar a edição nacional, que está na loja aqui do lado de casa - Frete incluso!!!

Caso eu não queira esperar algumas 4-6 semanas pelo livro posso comodamente ir até o site da Amazon e em até 15 dias receber o livro, pagando em dólar, mas, ainda assim, o livro sai mais barato que seu irmão nacional! Lá fora, na Amazon, o livro custa $9,99 e mesmo com o custo de envio, que sequer chega aos $5 dólares, ainda sai mais em conta comprar direto dos EUA. E eu poderia ter lido o livro há 2 anos!

Podem até falar que os impostos no país são altos demais - não estarão mentindo, são abusivos - mas é considerar o consumidor um imbecil afirmar que este valor é o mínimo que podem praticar para ter um lucro decente.

Basta esperar alguns meses e notamos que o valor dos livros costuma baixar consideravelmente; Ou, ainda, basta aos consumidores esperar pelas promoções das grandes livrarias e comprar livros com descontos que chegam aos 60, 70%. Oras, se em épocas de promoção as livrarias e editoras conseguem praticamente se livrar de livros que outrora custavam 40, 50 reais ou até mais, então porque vendem à preços tão abusivos para começo de conversa?

Está claro que não só as livrarias como as editores querem ganhar o máximo que puderem e, para o consumidor, sobra o prejuízo. Isso quando alguém resolve realmente comprar o livro!

Não é a toa que os críticos do Vale-Cultura proposto pelo governo federal - dentre os sérios e decentes, claro - tenham notado que, com 50 reais de "ajuda" seria quase impossível comprar mais que um livro, por exemplo.

Uma ajuda de 50 reais tornaria impossível sequer a compra de um livro e uma ida ao cinema no mesmo mês, por exemplo. Não que 50 reais seja pouco, na verdade o preço de um livro é que é simplesmente abusivo no país. Porque será que nos EUA, por exemplo, o valor de capa é absurdamente mais baixo do que aqui? E isto vale mesmo para livros de autores nacionais - são caros no geral -, não cabe desculpa de ter que pagar tradutor e etc.

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Para uma excelente e irretocável análise sobre o Vale Cultura vale visitar o blog Cinema & Outras artes.
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As editoras reclamam de crise, de que vendem pouco, em parte podemos realmente afirmar que o brasileiro não tem o costume de ler mas, até que ponto este é o problema? Será que o preço atual dos livros não impede que boa parte da população tenha acesso à leitura? Enfim, é o brasileiro que não gosta de ler ou ele não pode ler?

Será que o problema é a falta crônica de leitura do brasileiro ou o preço impagável para a maior parte da população?

Canso de ver pessoas mais humildes no metrô que pego diariamente para o trabalho e do trabalho para casa com livros nas mãos, a franca maioria com etiquetas de bibliotecas. E não falo de auto-ajuda ou inutilidades engana-trouxa do tipo. Será que não comprariam caso o preço de um livro fosse decente? Acessível?

Não é crível que uma livraria ou uma editora tenham prejuízo na venda de um produto, se o fizessem iriam à falência, logo, se uma livraria pode vender um livro por 30% do seu preço de capa normal passados alguns meses do lançamento de um livro, então seus lucros são simplesmente abusivos, e em cima de nós, consumidores.

Me lembro agora da excelente Feira do Livro da USP onde as editoras vendem seus livros com 50% de desconto pelo menos. E ainda assim, obviamente, tem lucro.

É uma questão simples de matemática e capitalismo, se as editoras cobram na Feira 50% do valor normal por um livro - por valor "normal" levemos em consideração o preço praticado pelas livrarias - então as livrarias garantem, pelo menos, 50% de lucro sobre o valor que compram das editoras!

E isso se acreditarmos que uma livraria compre um livro pelo valor que compramos na Feira, o que não é verdade, sem dúvida compram bem mais barato dada a quantidade que devem pedir a cada lançamento.

O lucro de uma livraria é, enfim, de pelo menos, por baixo, 50%!

Aliás, segundo este artigo aqui, o lucro das livrarias chega aos 100% quando os livros são vendidos naquela "bonita livraria, com café e internet, música ambiente e tudo o mais". Leitura recomendada.
Resumo da ópera: livro no Brasil é caro porque as livrarias apelam nos preços, e temos o nosso próprio paperback, que chamamos de capa-mole, que é muito melhor, em termos de qualidade, do que o paperback norte-americano.

E não podemos nos esquecer ainda que uma Editora lança uma tiragem gigantesca sabendo que boa parte vai encalhar, mas pouco importa, ela já tirou seu lucro. A livraria faz o mesmo, compra uma quantidade imensa (ou recebe em consignação), encalha mas já vendeu os demais por um preço altíssimo.

Até quando nós, trouxas, ops, consumidores, iremos pagar um valor abusivo para ter acesso à cultura? Já não basta a ameaça à meia-entrada em cinemas, os valores risíveis para shows internacionais e o preço caríssimo nas sessões de cinema?

Cultura, no Brasil, é algo inalcançável para grande parte da população e não vai ser com "Vales" - por mais louvável que seja a iniciativa - que a coisa vai melhorar, senão com uma política de proibir/limitar lucros exorbitantes e abusos contra o consumidor.

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Artigo originalmente publicado no Trezentos: www.trezentos.blog.br
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sábado, 15 de agosto de 2009

O "valor" da cultura no Brasil: Livros, espera eterna e preços abusivos

Publico no Trezentos, excelente blog colaborativo, um artigo sobre a "índústria cultural" brasileira, buscando centrar na questão do preço abusivo que pagamos pelos livros impressos, na demora das traduções, no desrespeito ao consumidor e, enfim, nos lucros abusivos e absurdos que livrarias e editoras praticam. Somos nós, os consumidores - os poucos que realmente conseguem consumir - que pagamos o pato.
O artigo abaixo tem por objetivo servir não só de desabafo e demonstrar uma certa revolta com nossa maravilhosa indústria cultural (sic), mas também denunciar a falta de respeito com o consumidor no que concerne os prazos absurdos para a tradução de um livro, a demora em lançar títulos estrangeiros, e, acima de tudo, os preços abusivos praticados que impossibilitam a compra de um livro por boa - senão a franca maioria - da população brasileira.
O artigo pode ser encontrado neste link: "O 'valor' da cultura no Brasil: Livros, espera eterna e preços abusivos"
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sábado, 20 de junho de 2009

USP Invadida: PM sairá da USP

A reitora finalmente entendeu que PM não USP não dá. Os grevistas suspenderão os piquetes nos dias de negociação e a reitora resolve deixar um pouco da truculência de lado e negociar. É um começo.

Espera-se, porém, que a negociação seja de duas vias, que a reitora aceite as reivindicações, ou então os piquetes serão retomados e a situação voltará à estaca zero. A reitoria e o governo tem que deixar a intransigência de lado e colocar as opções na mesa, dialogar, conversar e aprender a ceder, caso queira que as aulas e o clima voltem ao normal.

A reitora realmente espera manter-se no cargo baixo sua intransigência? Serra realmente acha que será presidente com diversas batalhas campais às suas costas (USP, PM versus Civil, etc)? Realmente o vampiro anêmico acha que seu passado de "grande negociador" não virá à tona?

Veio do blog do Joildo:

Decisão foi tomada após funcionários grevistas decidirem suspender os piquetes, pelo menos em dias de negociação

Saída dos policiais militares, no entanto, pode não ser definitiva, mas dependerá do andamento das negociações, que começam na segunda

TALITA BEDINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A reitoria da USP afirmou ontem que a Polícia Militar deixará, na segunda-feira, a Cidade Universitária (zona oeste de SP). A decisão foi tomada depois que funcionários, em greve desde 5 de maio, decidiram suspender os piquetes -que tinham como objetivo fechar as portas de oito prédios da USP, incluindo o da reitoria.
A saída dos policiais, no entanto, pode não ser definitiva, já que os manifestantes dizem que os piquetes só serão suspensos em dias de negociação.
“Se a negociação for segunda e quarta, por exemplo, na terça faremos o piquete”, disse Magno de Carvalho, diretor de base do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP).
Os piquetes eram o último impasse para a retomada das negociações entre grevistas de USP, Unesp e Unicamp e as reitorias das três universidades.
Por causa dos bloqueios aos prédios, a PM ocupa a USP desde o começo do mês para cumprir um mandado de reintegração de posse pedido pela reitora Suely Vilela. Em resposta à entrada da PM, parte dos professores e estudantes da USP decidiu aderir à greve em 5 de junho. Eles pedem ainda que a reitora deixe o cargo.
As negociações haviam chegado a um impasse: os grevistas afirmavam que não as retomariam enquanto a PM estivesse no campus; a reitora dizia que os policiais só sairiam quando os piquetes terminassem.
No dia 9, após um ato na USP, PMs entraram em confronto com alunos e servidores, deixando dez feridos.
Ontem, o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) confirmou que a negociação com o Fórum das Seis -entidade que representa alunos, funcionários e professores das três universidades- está marcada para segunda, às 14h.

Reivindicações
Entre as reivindicações dos grevistas, estão reajuste salarial maior e a readmissão do sindicalista Claudionor Brandão.
O diretor de base do sindicato voltou ontem a defender os piquetes, dizendo que eles são necessários para evitar que os trabalhadores em greve sejam obrigados pelos chefes a retornar ao serviço. “Eles ligam ameaçando, dizendo que o prédio está aberto e que, se os trabalhadores não voltarem, podem sofrer consequências.”
A assessoria de imprensa da reitoria afirmou que não há como verificar a veracidade das informações, porque não há nenhuma reclamação de trabalhadores em greve contra os supostos assédios dos patrões.
Com a presença da PM no campus -pela primeira vez no dia 1º de junho e permanentemente a partir do dia 3-, os manifestantes iam até as portas dos prédios diariamente, mas não conseguiam bloqueá-las.
O Sintusp afirmava, no entanto, que, no momento em que os policias saíssem, as portas seriam bloqueadas de novo.
Para segunda-feira, dia da negociação, os grevistas da USP marcaram um novo ato em frente à reitoria. A manifestação deve contar também com a presença de grevistas da Unesp e da Unicamp.

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

USP Invadida: Vergonha na Paulista

Não, apesar do título dar a entender, minha crítica não é ao protesto, que por sinal apóio incondicionalmente!

A crítica vai à vergonha que foi o episódio - ou episódios - de intransigência, desrespeito, violência (e quais outros adjetivos couberem para descrever o comportamento imbecil dos que são contra a greve ou sequer sabem o que acontece) contra os manifestantes na Paulista.

Podem reclamar de barulho, podem reclamar do trânsito, da confusão, do que quiser, mas é direito legítimo o protesto, a manifestação, a passeata.

5 mil pessoas, entre estudantes, professores e funcionários fizeram uma bela manifestação na Paulista, legítima, democrática, ordeira, e foram covardemente atacados por algum imbecil - sim, porque não tem nome melhor, não dá pra "pegar leve" - com ovos, cubos de gelo e, pasmem, garrafas de vidro!

Como pode um ser jogar garrafas de vidro do décimo segundo andar de um prédio contra estudantes! Contra seres humanos!

Será que este ser, este imbecil, não sabia que poderia causar a morte de alguém? Ou seria sua intenção, a maneira da direita "protestar", com violência?

Este energúmeno deve ser prontamente identificado, processado e preso, por tentativa de homicídio pois sua atitude demonstra que era essa a intenção, pois pessoas normais não jogam garrafas de vidro sobre pessoas que protestam pacificamente - nem que não fosse um protesto pacífico!

Uma estudante de Ciências Sociais de 22 anos foi atingida por uma pedra de gelo, nos informa o G1. Menos mal que não foi uma garrafa, mas, ainda, o autor tem que ser processado e preso, da mesma maneira, pois cometeu um crime, uma agressão, uma tentativa de homicídio clara.

Isso me faz lembrar de algo que ocorreu na PUC, nas assembléias pré-invasão da reitoria, onde os mauricinhos do prédio em frente ao TUCA começaram a jogar pedras e ovos em quem estava na assembléia, com centenas de estudantes reunidos.

Atitude lamentável, repressora, violenta e criminosa. Mas não se pode esperar muito em um país onde impera o autoritarismo, o coronelismo e a bandalha geral. Onde Sarneys são defendidos pelo antigo líder da Esquerda e atual presidente, em uma demonstração de que não existe peroba na política federal, onde Paloccis são inocentados e etc, etc, etc....
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terça-feira, 16 de junho de 2009

USP Invadida: Ato dia 18/06, 12h, MASP! [2]


Apenas para acrescentar mais informação ao post original e trazê-lo "para cima".

FORA SUELY, FORA PM PELA IMEDIATA REABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES, PELA IMEDIATA INCORPORAÇÃO DO BRANDÃO, CONTRA A UNIVESP!
Todos ao ATO
quinta-feira
18 junho | meio-dia
no MASP
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Update:

USP: diálogo ou monólogo?

CAIO VASCONCELLOS e ILAN LAPYDA


A reitoria fechou os canais de negociação. Isso expressa seu caráter autoritário e é coerente com a estrutura de poder da USP, infelizmente

APÓS MAIS de uma semana de presença da Polícia Militar no campus da USP, a política repressiva da reitora Suely Vilela culminou na batalha campal de 9 de junho.
O conflito que se deu depois do fim da manifestação pela retirada da PM não se limitou ao portão principal, mas se estendeu até a parte central do campus, algo que não se via desde a ditadura militar: bombas de gás e de concussão, balas de borracha, prisões e um saldo de policiais, estudantes, professores e funcionários agredidos e feridos. É fundamental, pois, avançarmos no debate sobre a questão.
A reitoria fechou os canais de negociação com os movimentos da USP, deslegitimando a política como esfera de solução de conflitos e recorrendo a uma força externa de repressão.
Essa opção, que expressa seu caráter autoritário, infelizmente coerente com a estrutura de poder da USP, possui a especificidade de ser uma reação às atuais pressões externas e internas por democracia.
A USP tem enorme concentração de poder: apenas os professores titulares são elegíveis ao cargo de reitor, e este é eleito praticamente só por professores titulares. O colégio eleitoral do segundo turno, que de fato elege o reitor, restringe-se a cerca de 300 membros, dos quais 85% são professores (desses, mais de 90% são titulares), menos de 15% estudantes e apenas 1% funcionários.
Além disso, os membros do Conselho Universitário, instância máxima de decisão da USP e presidido pelo reitor, são em sua maioria professores titulares (cerca de 75%), muitos dos quais diretores de unidade -e, portanto, escolhidos pela reitoria.
As decisões mais importantes da universidade ficam concentradas nas mãos desses professores, que, segundo dados da USP, somam menos de 1% da comunidade universitária.
São números que relativizam as críticas de quem questiona a legitimidade das assembleias da Adusp (Associação dos Docentes da USP), do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e do movimento estudantil para se furtar ao debate político.
Além do fator estrutural, há um movimento crescente de autoritarismo que torna mais opacas as decisões políticas na USP.
Desde maio de 2008, as reuniões do Conselho Universitário não têm ocorrido em seu devido local, no prédio da reitoria, mas no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), área com proteção militar e não pertencente à USP.
Ao todo, cinco reuniões foram realizadas no Ipen. Em duas delas, os representantes estudantis e dos funcionários não foram avisados da mudança de local, o que resultou na aprovação do orçamento para 2009 e na reforma do estatuto da USP sem as suas presenças, além de outros graves problemas procedimentais na votação.
Tais ilegalidades estão sendo contestadas na Justiça, por meio de um mandado de segurança articulado pela Associação dos Pós-Graduandos da USP-Capital e impetrado por alguns representantes discentes (processo 053.09.012697-4). Ou seja, estamos "explorando a legislação vigente", ao contrário do que sugeriu o professor José Arthur Giannotti neste espaço na última quinta-feira.
Fatos dessa gravidade, aliados a outras formas de obstrução da já reduzida participação dos representantes discentes (RDs) nos conselhos decisórios, explicitam o que são as "vias institucionais" da USP.
Além de dispensar tratamento de segunda classe aos RDs, a Secretaria-Geral da USP, desde o início do ano e após seis pedidos formais de homologação, recusa-se a empossar os representantes da pós-graduação, baseando-se em uma nova interpretação "sui generis" e descabida do regimento interno da universidade.
Assim, depreende-se facilmente a falácia do conceito da reitora de "diálogo" e "convivência social pacífica".
Não seria a reitora, bem como o grupo do Conselho Universitário que legitima suas medidas por meio de "resoluções", o pivô da violência e da violação -das instituições, da democracia e da política-, ao se esconder em área militarizada e militarizando o campus para não se abrir ao debate?
Como a reitora, com a conivência da maior parte do Conselho Universitário, orquestra votação de temas fundamentais impedindo a presença da representação estudantil?
O atual clima de horror é incompatível com as funções de reflexão crítica e produção científica independente. A USP deveria ser o espaço do diálogo efetivo, e é ele que deve mediar os legítimos conflitos políticos.
Se a democracia está travada e a violência parte da reitoria, ao se furtar ao debate e recorrer à repressão policial, fica claro que Suely Vilela não possui condições nem competência de se manter no cargo e que a atual estrutura de poder tem de ser radicalmente transformada.

CAIO VASCONCELLOS, 27, e ILAN LAPYDA, 25, formados em ciências sociais, são mestrandos em sociologia na USP e coordenadores da Associação de Pós-Graduandos da USP-Capital, que ratifica este texto.

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USP Invadida: Ato dia 18/06, 12h, MASP! [Update]

FORA SUELY, FORA PM PELA IMEDIATA REABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES, PELA IMEDIATA INCORPORAÇÃO DO BRANDÃO, CONTRA A UNIVESP!
Todos ao ATO
quinta-feira
18 junho | meio-dia
no MASP
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Update:

USP: diálogo ou monólogo?

CAIO VASCONCELLOS e ILAN LAPYDA


A reitoria fechou os canais de negociação. Isso expressa seu caráter autoritário e é coerente com a estrutura de poder da USP, infelizmente

APÓS MAIS de uma semana de presença da Polícia Militar no campus da USP, a política repressiva da reitora Suely Vilela culminou na batalha campal de 9 de junho.
O conflito que se deu depois do fim da manifestação pela retirada da PM não se limitou ao portão principal, mas se estendeu até a parte central do campus, algo que não se via desde a ditadura militar: bombas de gás e de concussão, balas de borracha, prisões e um saldo de policiais, estudantes, professores e funcionários agredidos e feridos. É fundamental, pois, avançarmos no debate sobre a questão.
A reitoria fechou os canais de negociação com os movimentos da USP, deslegitimando a política como esfera de solução de conflitos e recorrendo a uma força externa de repressão.
Essa opção, que expressa seu caráter autoritário, infelizmente coerente com a estrutura de poder da USP, possui a especificidade de ser uma reação às atuais pressões externas e internas por democracia.
A USP tem enorme concentração de poder: apenas os professores titulares são elegíveis ao cargo de reitor, e este é eleito praticamente só por professores titulares. O colégio eleitoral do segundo turno, que de fato elege o reitor, restringe-se a cerca de 300 membros, dos quais 85% são professores (desses, mais de 90% são titulares), menos de 15% estudantes e apenas 1% funcionários.
Além disso, os membros do Conselho Universitário, instância máxima de decisão da USP e presidido pelo reitor, são em sua maioria professores titulares (cerca de 75%), muitos dos quais diretores de unidade -e, portanto, escolhidos pela reitoria.
As decisões mais importantes da universidade ficam concentradas nas mãos desses professores, que, segundo dados da USP, somam menos de 1% da comunidade universitária.
São números que relativizam as críticas de quem questiona a legitimidade das assembleias da Adusp (Associação dos Docentes da USP), do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e do movimento estudantil para se furtar ao debate político.
Além do fator estrutural, há um movimento crescente de autoritarismo que torna mais opacas as decisões políticas na USP.
Desde maio de 2008, as reuniões do Conselho Universitário não têm ocorrido em seu devido local, no prédio da reitoria, mas no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), área com proteção militar e não pertencente à USP.
Ao todo, cinco reuniões foram realizadas no Ipen. Em duas delas, os representantes estudantis e dos funcionários não foram avisados da mudança de local, o que resultou na aprovação do orçamento para 2009 e na reforma do estatuto da USP sem as suas presenças, além de outros graves problemas procedimentais na votação.
Tais ilegalidades estão sendo contestadas na Justiça, por meio de um mandado de segurança articulado pela Associação dos Pós-Graduandos da USP-Capital e impetrado por alguns representantes discentes (processo 053.09.012697-4). Ou seja, estamos "explorando a legislação vigente", ao contrário do que sugeriu o professor José Arthur Giannotti neste espaço na última quinta-feira.
Fatos dessa gravidade, aliados a outras formas de obstrução da já reduzida participação dos representantes discentes (RDs) nos conselhos decisórios, explicitam o que são as "vias institucionais" da USP.
Além de dispensar tratamento de segunda classe aos RDs, a Secretaria-Geral da USP, desde o início do ano e após seis pedidos formais de homologação, recusa-se a empossar os representantes da pós-graduação, baseando-se em uma nova interpretação "sui generis" e descabida do regimento interno da universidade.
Assim, depreende-se facilmente a falácia do conceito da reitora de "diálogo" e "convivência social pacífica".
Não seria a reitora, bem como o grupo do Conselho Universitário que legitima suas medidas por meio de "resoluções", o pivô da violência e da violação -das instituições, da democracia e da política-, ao se esconder em área militarizada e militarizando o campus para não se abrir ao debate?
Como a reitora, com a conivência da maior parte do Conselho Universitário, orquestra votação de temas fundamentais impedindo a presença da representação estudantil?
O atual clima de horror é incompatível com as funções de reflexão crítica e produção científica independente. A USP deveria ser o espaço do diálogo efetivo, e é ele que deve mediar os legítimos conflitos políticos.
Se a democracia está travada e a violência parte da reitoria, ao se furtar ao debate e recorrer à repressão policial, fica claro que Suely Vilela não possui condições nem competência de se manter no cargo e que a atual estrutura de poder tem de ser radicalmente transformada.


CAIO VASCONCELLOS, 27, e ILAN LAPYDA, 25, formados em ciências sociais, são mestrandos em sociologia na USP e coordenadores da Associação de Pós-Graduandos da USP-Capital, que ratifica este texto.

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segunda-feira, 15 de junho de 2009

USP Invadida: Comunicado do MPL

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domingo, 14 de junho de 2009

USP Invadida: Calendário da Semana

Calendário de atividades da Semana do Curso de Ciências Sociais

Segunda-feira
10h - oficina de materiais (camisetas amarelas, crafts e outros)
14h30 - grupo de estudos sobre univesp e estatuto da USP: com cesar minto
18h - Assembléia Geral dos Estudantes da USP

Terça-feira
10h - atividade da Adusp:
ATO DE REPÚDIO À REPRESSÃO NA UNIVERSIDADE, com a participação de Antônio Candido de Mello e Souza e Marilena Chauí.
LOCAL: ANFITEATRO DA GEOGRAFIA
12h - concentração em frente da reitoria para ATO na Paulista.
19h - Assembléia de Curso
19h30 - Debate: USP 75 ANOS: QUE UNIVERSIDADE QUEREMOS PARA OS PRÓXIMOS 25?LOCAL: ANFITEATRO DA GEOGRAFIA (a confirmar) - Debatedores: José Sérgio Carvalho / Francisco de Oliveira

obs. programação sujeita a modificação dependendo das atividades deliberadas na Assembléia Geral dos Estudantes da USP.

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CeUPES 2009 - Gestão Canto Geral
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sexta-feira, 12 de junho de 2009

USP Invadida: Mídia

Coleção de Links sobre a invasão da USP.

Primeiro, uma coleção de links da Folha de São Paulo. Ontem, se limitaram a publicar a visão opressora da Reitoria, hoje, resolveram notar que existe um outro lado, o atacado e violentado (ainda que com exceções notáveis):

Tendências/Debates: A Universidade não é caso de polícia - Vladimir Safatle

Matéria: Reitora da USP diz que não deixará o cargo

Entrevista: Para o Professor Dalmo Dallari, é um radicalismo fora de moda

* Fica a questão, o Dalmo Dallari está gagá ou depois de velho resolveu repudiar todo o seu passado? Apoiara invasão da PM dentro de um campus universitário sobre a falsa premissa de proteção à patrimônio público é absurdo! Quem ameaçou patrimônio ao protestar no meio da rua com piquetes contra a PM e a reitora - dentre outros itens da pauta de reivindicações? *

Entrevista: Reitora não tem mais condições de continuar, dis Olgária Matos

Cronologia

A Folha é fechada a não assinantes, logo, alguns dos links acima podem ser lidos no Blog do Favre, aqui, aqui e aqui. As duas matérias "fechadas" copio no fim desse post.

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Do Movimento USP em Greve:

Coletânea de vídeos

MELHOR VÍDEO: http://www.youtube.com/watch?v=umPd5Sz9tjQ (Mostra todas as etapas da manifestação, inclusive o início do confronto)
http://www.youtube.com/watch?v=zYnvT4nqK3M (Discussão inicial com os polícias)
Cobertura da Mídia:
Vídeos Diversos do You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=SF71x_cMWy0 (mostra um pouco o começo do confronto)
http://www.youtube.com/watch?v=hGNkrT0Mu9U (PM avançando e jogando bombas na rua da Educação)
http://www.youtube.com/watch?v=spu3ADUnJmc (PM avançando e jogando bombas na rua da Educação 2)
http://www.youtube.com/watch?v=xwL-b6LUOb4 (PM avançando e jogando bombas na rotatória antes da reitoria)
http://www.youtube.com/watch?v=rygFRO_yvoo (prisão do Claudionor Brandão e discussão com o coronel Claudio Lengo)
http://www.youtube.com/watch?v=PC37Kv-Jfiw (professores tentam conversar com a polícia em frente da História e Geografia e são recebidos a bala)
http://www.youtube.com/watch?v=FzX_Zh-tvBs 9 (Prof. Luiz Renato Martins fala em assembléia dos estudantes)
Atividades da Semana que vem - História

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Agora, o mais bombástico, Serra, de fato, está envolvido até o pescoço!

Essa merece ir na íntegra!

Via Tulio Vianna e também no Biscoito Fino:

Comandante tinha ordem para prender líderes da greve na USP

Antonio Arles enviou-me o vídeo abaixo, alertando-me para um fato que passou despercebido pelos jornalões (ou teriam simplesmente tentado esconder?): o comandante da operação na USP Cláudio Lobo declarou para a rede Globo (aos 2 min do vídeo):

“Existe uma ordem pra prender alguns líderes que estão incitando esta greve. A juíza expediu uma ordem de reintegração de posse e liberdade de ir e vir. Eles não estão acatando.”

Como assim ordem de prisão?

A ordem de reintegração de posse tem natureza civil e, portanto, jamais ordenaria a prisão de quem quer que seja. A juíza cível, aliás, é incompetente para ordenar prisões, salvo no caso de pensão alimentícia.

Então havia duas ordens: uma da juíza (de reintegração de posse) e outra de prisão. O comandante não deixa claro quem deu a ordem de prisão e a repórter lamentavelmente perde a oportunidade de fazer a pergunta-chave: de quem foi a ordem de prisão, comandante?

Como até o momento ninguém noticiou a existência de uma ordem de prisão por parte de um juiz criminal e não há nada na lei que a justificaria, somos obrigados a concluir que esta ordem partiu dos superiores hierárquicos do comandante.

É claro que nenhum coronel da polícia militar em sã consciência daria uma ordem desta repercussão sem consultar antes o Secretário de Segurança, que por sua vez certamente consultaria o Governador do Estado.

É bom lembrar que uma eventual ordem de prisão dada por quem quer que seja na polícia ou no governo do estado para prender líderes de uma manifestação política é absolutamente ilegal, pois a Constitução da República garante em seu art.5º, LVII, que:

“ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei.”

Como não havia ordem judiciária, pois juiz cível não é competente para expedir mandado de prisão, e não se tratava de flagrante delito, pois a greve é direito garantido constitucionalmente, logo, é preciso investigar:

1. quem deu a tal ordem de prisão dos líderes da greve?
2. qual o fundamento jurídico da tal ordem de prisão?
3. a legalidade desta ordem de prisão.

Vamos aguardar as cenas do próximo capítulo e a atuação dos “jornalistas investigativos” e do Ministério Público do Estado de São Paulo na apuração dos fatos.
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Cronologia (Folha SP):
ENTENDA O CASO

Crise na USP já se arrasta há mais de um mês

Cronologia

5.mai
>> Funcionários entram em greve, iniciam piquetes e bloqueiam prédios

25.mai
>> Estudantes invadem a reitoria e a desocupam poucas horas depois

27.mai
>> Funcionários decidem fazer piquetes em frente à reitoria

1.jun
>> 150 PMs ocupam a USP para liberar prédios

2.jun
>> Funcionários grevistas bloqueiam a entrada da reitoria e de outros prédios

3.jun
>> 150 PMs voltam ao campus e dizem que só vão embora com o fim dos piquetes

5.jun
>> Professores e alunos aderem à greve dos funcionários

Reivindicações

SALARIAS
Funcionários pedem 16% de reajuste mais incorporação imediata de R$ 200

O que diz o Cruesp (conselho de reitores)
Oferece 6,06% de aumento

POLÍTICAS
Readmissão do ex-funcionário Claudionor Brandão, que é sindicalista. Segundo o sindicato, a demissão ocorreu pelo exercício de atividade sindical. A USP diz apenas que a demissão foi por justa causa.
Fim de processos administrativos contra estudantes e funcionários que atuam em greves

O que diz o Cruesp
Afirma que não pode decidir sobre a questão da readmissão

EDUCACIONAIS
Fim da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), que deve ter sua primeira prova no próximo semestre para cursos de graduação a distância

O que diz o Cruesp
Cursos a distância democratizam o ensino

Matéria (Folha SP):
Reitora da USP diz que não deixará o cargo Não abandonarei a responsabilidade que me foi atribuída por aqueles que me elegeram, afirma Suely Vilela sobre pedido de renúncia

Professora diz que greve tem apoio de 10% dos funcionários e que a presença da PM no campus é para assegurar direito dos demais

TALITA BEDINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

"Eu não abandonarei a responsabilidade que me foi atribuída por aqueles que me elegeram e que continuam me apoiando." Assim a reitora da USP, Suely Vilela, 55, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, respondeu à pergunta sobre se pensa em renunciar ou em abandonar o cargo máximo na hierarquia universitária, conforme exigem as entidades de professores, estudantes e funcionários.
Dois dias depois dos violentos confrontos que opuseram, de um lado, a PM e, de outro, estudantes e funcionários, em pleno campus da universidade, na zona oeste de São Paulo, e que deixaram um saldo de dez feridos, a reitora concordou em conceder entrevista à Folha. Quis que as perguntas lhe fossem enviadas por e-mail e pelo mesmo meio respondeu a elas ontem às 21h53.
Face à pergunta "Acredita que a PM cometeu excessos?", a reitora não respondeu nem sim nem não. Disse apenas: "A manifestação transcorria pacificamente até que um pequeno grupo partiu para provocações e confronto com os policiais".
Vilela apresentou seu balanço do atual movimento de estudantes, professores e funcionários. Segundo ela, "a maioria está em franco desenvolvimento de suas atividades. As aulas estão sendo ministradas regularmente, assim como as pesquisas se desenvolvem dentro da normalidade". Para a reitora, "10% dos servidores não docentes, de um universo de 15 mil funcionários, paralisaram suas funções" e "apenas três unidades tiveram suas atividades parcialmente afetadas".
Vilela justificou a presença da polícia no campus: "Tem como objetivo o cumprimento de decisão judicial de reintegração de posse".
Segundo ela, a Justiça também considerou ilegais os piquetes de greve. Ela citou a decisão da juíza que concedeu a liminar, para a qual "proibir o acesso de servidores, estudantes e do público em geral aos edifícios da universidade "é inconstitucional'".
A reitora afirmou que "sempre esteve aberta ao diálogo, tanto que nunca se furtou, em nenhuma situação, a dialogar com professores, alunos e funcionários". As negociações estão suspensas desde o último dia 25, quando a reitora disse que não conversaria mais com as entidades enquanto houvesse piquetes no campus.
A entrevista encerrou-se com a reitora prometendo não "sucumbir a pressões de pequenos grupos que sobrepõem questões de caráter estritamente políticos aos objetivos e à missão da universidade".
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