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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Os colunistas "do bem" ou o fascismo que enxergamos

O artigo do Marcelo Coelho na Folha, "fascistas do 'bem'" é ridículo por inteiro, mas esta parte é especial:
"Pelo que diz minha sensibilidade para o assunto, os dois manifestantes não tinham jeito de gays. Talvez, se tivessem, eu não estaria escrevendo este artigo. Não sei.

Tinham, isso sim, as características claras do jovem fascista urbano brasileiro. A voz desarticulada, o espírito do oba-oba cervejeiro, o celular na mão e a ideia pronta na cabeça."
Vejamos se entendi: O fato dos dois rapazes que escracharam o Feliciano serem heteros diminui a força ou a validade de seus atos? O colunista olhou pra cara deles e logo concluiu que são fascistas dando características... ridículas, pra afirmar seu ponto?

Então os escrachos que o Levante Popular fazia contra torturadores da Ditadura era algo fascista? Pois sim, a gênese é a mesma, o método é o mesmo.

Ele ainda se complica ao comparar a atitude legítima e política de escrachar o homofóbico, racista, ladrão, estelionatário (enfim, um bandido) que é o Feliciano com isso:
"Suponha a torcida de um time que acabou de ganhar o campeonato. Encontra, no meio da festa, uns quatro ou cinco adeptos do time derrotado. Não contente com a vitória, a torcida vencedora resolve hostilizar os perdedores. Hostiliza, xinga, cai de pancada em cima dos coitados —para lhes “dar uma lição”."
Em primeiro lugar, não há NADA de errado em um torcedor de time vitorioso provocar o torcedor do derrotado, faz parte e, aliás, é uma das coisas que torna o futebol prazeroso. Outra coisa, óbvio, é a violência. E no caso em tela, em segundo lugar, NÃO HOUVE violência alguma, tão somente provocação justa.

Claro que sequer comparar questão de direitos humanos com futebol dentro destes termos é ridículo, mas vamos em frente.

Em seu raciocínio torto ele continua:
Isso, para mim, é puro fascismo, e não depende de nenhuma orientação ideológica. Trata-se de oprimir, em grupo, o derrotado, o minoritário, o sem defesa.
Ele está errado sob qualquer perspectiva sociológica, mas, mesmo que concordemos com ele e esqueçamos do valor e peso da ideologia, ele continua... errado. E a razão é simples: Feliciano oprime o derrotado, o violentado, o minoritário, o sem defesa.

E digo "derrotado" e "sem defesa" lembrando por exemplo das travestis, violentadas todos os dias sem conseguir defesa, dos gays assassinados e torturados sem poder se defender e derrotados por este governo homofóbico do qual Feliciano não apenas faz parte, como tem trânsito e poder - junto com outros bandidos neopentecostais travestidos de pastores e deputados.

Fascista, pela definição de Marcelo Coelho é sua assumida vítima, Feliciano.

Mas ele deixa o melhor pior pro final:
Há 30 ou 40 anos, é possível que fizessem o mesmo se algum transexual estivesse a bordo. Qual o propósito de hostilizar Feliciano? Puni-lo por ser quem ele é? Em nome de que minorias você se levanta da cadeira do avião e puxa um coro para avacalhar quem quer que seja?
Sim, ele comparou um homofóbico e estelionatário com intenções claras de criminalizar LGBTs e mulheres com... a vítima! É realmente uma façanha.

Feliciano não está sendo "punido" por ser "quem ele é", está sendo "punido" por defender o que ele defende. Por defender o racismo e a homofobia. Minorias, em nome DELAS, se levantam para denunciar - ou "avacalhar, como diz o colunista - o opressor. E continuarão a fazê-lo à despeito da grita de colunistas que nunca souberam o que é ser vítima de preconceito.

Não sei se Marcelo Coelho é gay ou hétero, mas neste artigo ele sem dúvida se coloca ao lado e como um macho, branco, heterossexual de classe média. E isto diz tudo.
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terça-feira, 9 de abril de 2013

IV Ato conta Feliciano em São Paulo: Fotos e vídeos

O ato aconteceu no dia 7 de abril, domingo, começando na Praça do Ciclista (Av. Paulista) até o Largo da Batata, em Pinheiros, com centenas de ativistas de diversos coletivos e movimentos sociais repudiando não apenas o racista e homofóbico Marco Feliciano, mas também a influência da religião e de fundamentalistas na política e exigindo um Estado Laico e também repudiando a inércia de Dilma e a cumplicidade do PT.

(vídeos ao fim da postagem)


Márcia, advogada transsexual (vídeo com discurso dela ao fim do post)

O verdadeiro responsável.

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segunda-feira, 11 de março de 2013

A esquerda continua não precisando aprender nada com os evangélicos

Escrevi ha exatamente um ano, no Amálgama, o texto "A esquerda não deve aprender nada com os evangélicos", como resposta a um texto do militante petista [ele não é militante, como o próprio me informou, perdão pelo equívoco] @Senshosp e, após todo este tempo, não mudo uma única vírgula, mas me sinto na obrigação de ampliar algumas ideias e o debate.

Eu disse então:
A esquerda não prega “salvação”, e nem diz ser caminho fácil. E uma ampla parte da direita pode ser nociva, mas não é a TFP ou a Opus Dei. É preciso ainda lembrar da quase neutralização da Teologia da Libertação que, pese críticas, era um movimento mais aberto e que, mesmo com preconceitos, buscava dialogar e não impor sua vontade.Ainda que religioso, ligado à Igreja, era um respiro que possibilitava o diálogo. O marginal da fé diz que basta rezar e… pronto. Paraíso terreno e além.
Ao invés de combater isso, cobrando impostos e legislando, o governo preferiu se aliar/perpetuar a farra dessa corja. O crescimento dela não se deve só a seus feitos, mas à inação de governo após governo e, agora, à aliança do governo com esses tipos. É óbvio que o crescimento vertiginoso dessas igrejas caça-níquel não se deve ao PT, mas tem sido ajudado, agora, pela clara aliança e troca de favores que existe.
No momento em que Marco Feliciano assume a presidência da Comissão de Direitos Humanos com apoio, via omissão, da direção do PT - que tinha "outros projetos" e cujos militantes acham que "questões comportamentais" não são importante - e que Malafaia passa a ser estrela desfilando homofobia - contando com o apoio, por exemplo, também via omissão, de Paulo Paim, relator do PLC 122, é preciso rediscutir o papel das seitas neopentecostais que professam a "Teologia da Prosperidade" - e incluo aí Malafaia e Feliciano, que são da Assembléia de Deus, em tese, Pentecostais e não NEO pentecostais - e também o papel do partido do e no poder, o PT, que não apenas se aliou, como deu forças a estes grupelhos radicais e, de fato, deixou de ser esquerda há muito tempo, adotando uma agenda tucana de privatizações e compensações deixando apenas migalhas aos pobres e, muitas vezes, migalhas de qualidade duvidosa (vide UniEsquinas, por exemplo).

A esquerda não deve, mantenho, aprender NADA com os Evangélicos, a não ser aprender a não copia-los, ou seja, aprender a não cometerem crimes como estelionato, curandeirismo e semelhantes. E repito, quando me refiro a "evangélicos", não generalizo todas as dezenas (centenas?) de denominações tradicionais, como Batistas, Calvinistas, Luteranos que, apesar de merecerem críticas tanto por discursos deslocados e conservadores quanto por não reagirem à invasão neopentecostal, são sérias e não tem o estelionato como prática cotidiana e única base de sustentação.

Basta observar, por exemplo, o abaixo assinado de uma rede evangélica que reúne igrejas tradicionais e pentecostais que se opõem ao fanático Feliciano. É preciso separar as NEOpentecostais acrescidas das dissidências da Assembléia de Deus (Feliciano, Malafaia...) das demais.

É óbvio que, retomando o texto original, a esquerda não deve aprender nada com os evangélicos, mas deve sim aprender com suas próprias falhas e erros, sair do mundinho hermético da linguagem marxista-acadêmica, das brigas de diretórios e chegar efetivamente no povo, no movimento social e CONQUISTAR estas pessoas com um discurso coerente e possível.

Não adianta chegar para quem tem fome e dizer que na Revolução tudo será resolvido. A revolução não virá amanhã e nem depois, logo, o discurso acaba frouxo, deslocado e não é atrativo. E é aí que os evangélicos ganham a jogada: Oferecem o "sucesso" rápido. Seja material, afetivo, psicológico (em geral material, o que levaria ao resto), eles oferecem um pacote de maravilhas desde que você siga certas "regrinhas" que, descontextualizadas e interpretadas da forma mais conveniente ao pastor, apóstolo, profeta ou bispo(a), acabam por combinar com preconceitos emraizados e até adormecidos ou "domesticados" e está feita a desgraça, está conquistado o "fiel" desesperado por melhoras em suas condições e disposto a aceitar/dar tudo pelo "sucesso", pela "vitória em Cristo"!

Compreender, porém, como se dá a "conquista" no campo evangélico é difernete de dizer que devemos copiar ou mesmo aprender com eles, pelo contrário, devemos ter um discurso e um conjunto de práticas estruturadas para COMBATER este discurso e, ao menos tempo, renovar o nosso.

Voltando ao "presente", vejam qualquer vídeo de Feliciano e seu "Stanley comunista e nazista" ou Malafaia querendo "funicar" alguém, ou Bispos, Bispas, Apóstolos e profetas de seitas maiores ou menores prometendo curar tetraplégicos, cegos, surdos e doentes de todos os tipos com apenas uma simbólica doação de mil reais, ou através da compra de uma "toalhinha ungida" ou de um tijolo de plástico por 500 reais.

E não tem problema se você não tiver dinheiro, basta pagar parcelado ou, para os mais corajosos, ENTREGAR o cartão de crédito ao honesto pastor (mas não esqueça de dar a senha!).

Parece engraçado - não deixa de ser - mas são perigosos.

Buscam especialmente entre as camadas mais pobres da população por aquele sem desespero, em situação financeira ou psicológica complicada, vulneráveis. E com o crescimento do poder aquisitivo da população - que não vem acompanhado de educação de qualidade, cultura, lazer e etc - os Marginais da Fé, pastores caça-dízimo, encontraram terreno fértil e propício para lucrar.
Estamos falando de, talvez, 20% da população – não há ainda dados conclusivos divulgados pelo IBGE que sustente esse número. E estes 20% têm pautado os demais 80%. Temos tido retrocessos gigantescos em áreas onde 20% dita as regras contra o resto da população e contra outras minorias igualmente significativas. Dilma mente ao dizer que governa para todos, quando na verdade vemos claramente que governa para e comandada por uma minoria em detrimento do resto da população. E dizer que “o brasileiro médio é conservador” não justifica recuos que contrariam as noções mais básicas de direitos humanos, marco sob o qual devem ser fundadas todas as relações humanas e entre o Estado e seus cidadãos.
Conseguiram uma população altamente consumista via investimentos estatais, mas ainda vulnerável social e psicologicamente às suas investidas. Não são 300 reais que alterarão a condição social e de classe e, muito menos, os fatores psicológicos que os levam à "necessidade" de buscar refúgio no obsurantismo neopentecostal.

É óbvio que o discurso neopentecostal dos Marginais da Fé não vem do nada, ele se alimenta dos preconceitos da própria sociedade, mas o potencializa, canaliza, dá forma a um ódio abstrato, por vezes guardado e apenas liberado em expressões populares, dizeres, mas que apesar de terem efeito imediato em alimentar o preconceito, tem alcance limitado em termos práticos, como na alteração de políticas públicas ou, como com Dilma, na aniquilação de políticas até consagradas, como no combate a AIDS junto à população LGBT.

O abandono do PNDH3, os recuos vergonhosos no programa Escola Sem Homofobia (o famoso Kit Gay) e outros retrocessos visíveis e mesmo a proibição sequer de uma ministra das mulheres de falar sobre o Aborto são a cara da influência evangélica nociva junto ao Estado.
As ações do governo para privilegiar uma casta religiosa conservadora, rica e que chegou lá por meios extremamente obscuros, como os vetos a toda e qualquer campanha para o público LGBT, ou pelo tratamento da questão do aborto como problema de saúde pública, dentre outras, denunciam a escolha feita pelo governo e não o fim das disputas e dos combates em busca de um Estado Laico.
Malafaia hoje se alia com políticos (com o PMDB do Rio, por exemplo) e influi em eleições. A IURD fundou partido e hoje integra a base do PT e tem até Ministro (Crivella, na Pesca, o que não deixa de ser irônico). Valdomiro mexe pauzinhos nas eleições. A Renascer deixa claro quem apoia e diversas denominações lançam - e elegem - candidatos para formar a medievalista Bancada Evangélica (inclusive o PT está no bolo). O PSC é basicament eum partido formado por pastores, pastoras e... profetas! E temos o minúsculo PEN que paga de ecologista, mas não passa de legenda de aluguel para krents.

Em suma, pastores e líderes de seitas de tamanhos variados usam e abusam do espaço que tem na mídia, com a compra de TV's, rádios, jornais e revistas - tudo com o dinheiro roubado de "fiéis", pessoas em geral vulneráveis e influenciáveis - para influenciar também eleições, políticos e governos.

Mas, como não são burros, mais fácil que influenciar políticos é serem políticos e usar toda sua força - leia-se voto de cabresto - para conquistar vagas e ter força suficiente para influenciar nas decisões dos grandes partidos.

É pernicioso e mesmo desnecessário tentar discutir se os evangélicos conservadores e nocivos são fruto da sociedade ou se acabam moldando a sociedade usando de preconceitos por vezes adormecidos ou amortecidos, transformando causas que em muitos casos passariam despercebidas em cruzadas morais.

Possivelmente há um pouco de cada coisa.
Temos de combater este estado de coisas, e, acreditem em mim, não faltam religiosos, mesmo do campo evangélico, que seriam aliados de primeira ordem, que são laicos e se opõem de forma veemente a estes que prometem os céus mediante pagamento no cartão em suaves prestações e que, no meio tempo, pregam o ódio e usam o povo como instrumento de sua vingança contra a humanidade.
Da mesma forma é absurdo dizer que os pastores e outros krents e Marginais da Fé são eleitos, logo, são legítimos representantes, pois isto significa esquecer que há voto de cabresto, que seitas cristãs usam e abusam do dinheiro que roubam de fiéis vulneráveis, que estas seitas se aproveitam de rádios e TVs que conseguem com o dinheiro que roubam e por aí vai....

O fato é que são poderosos, influenciam políticos e hoje são políticos. E isto é inaceitável.

Neopentecostalismo não é cristianismo, é uma seita (ou conjunto de seitas) de bandidos que usam o cristianismo para atrair e saquear. Usam e abusam de discurso messiânico e curandeirismo usando sua lábia e influência (e uma dose gigantesca de medo) em populações vulneráveis, mas que vem ascendendo socialmente (mesmo que timidamente) e garantindo uma constante engorda nos bolsos de lideranças.

E o medo é o principal combustível destas seitas, medo do inferno, medo da sexualidade e medo dos diferentes, dos que não compartilham do mesmo modo de vida hipócrita de submissão e obediência cega.

Em termos de soluções ou ao menos de um possível caminho para neutralizar a onda neopentecostal medievalista que toma conta do país com apoio e entusiasmo porp arte do governo do PT, as apresentei ha algum tempo:
Uma democratização das comunicações, com o fim de concessões a igrejas e pastores, a proibição de programas de tele-evangelização (a venda de horário de concessões públicas em si é contra a lei, logo, vender horário para igrejas não deveria ser tolerado) e a ampliação da internet (e não a piada do PNBL entregue para as teles lucrarem com serviço pior que o que já oferecem), seria de grande ajuda, mas nada foi feito. Ampliar o alcance e a qualidade da educação pública, melhorando salários de professores e os preparando melhor para a profissão seria outro passo importante, assim como dar dignidade à população que, muitas vezes, recorre a esses marginais da fé por puro desespero de suas condições sociais e econômicas.
São ações iniciais.

É preciso cortar o mal pela raiz. Acabar com espaço em rádios e TVs de curandeiros e estelionatários, mas acima de tudo, é preciso impor a taxação - e taxação pesada - sobre estas organizações mafiosas. A partir do momento em que Malafaias da vida precisarem declarar impostos, as coisas começarão a mudar.

Mas nem as ações básicas são levadas a cabo pelo governo, pelo contrário. A homofobia é promovida pelo governo e pessoalmente pela presidente Dilma, que não esconde seu preconceito e desprezo pela população LGBT, os direitos das mulheres são penhorados em troca do apoio dos conservadores e isto sem sequer mencionar os massacres contra índios, remoções forçadas de populações que são chamadas de Classe C, mas não tem sequer a segurança de que terão um teto no fim do dia, e a política do pão e circo foi institucionalizada.

A luta contra o neopentecostalismo e o medievalismo, que são irmãos, é, para usarmos termo caro ao governo e seus apoiadores, a luta pelo progresso. Mas não apenas o progresso econômico que mascara nossa desigualdade e problemas crônicos, e sim o progresso social. Um povo educado torna-se menos vulnerável às investidas de engravatados com bíblias debaixo do braço e tem a capacidade de discernir religião de ódio, charlatanismo e estelionato.

A esquerda não deve, enfim, aprender nada com os evangélicos - neopentecostais -, mas deve combatê-los, com unhas e dentes, lutando pelos direitos das minorias, pelo Estado Laico, pelo direito à educação, cultura, lazer e condições sociais decentes para toda a população, ou seja, a esquerda deve se manter como esquerda, garantindo o respeito às suas bandeiras históricas e não cedendo em nome de uma suposta governabilidade que, no fim, serve apenas aos propósitos de krents, banqueiros, ricos e aproveitadores de todos os tipos.
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Agradecimentos ao futuro pastor e amigo @Paiva_thiago pela consultoria inestimável e eterna paciência!
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Atualização:

Declaração de Crivella, da IURD e MINISTRO do governo, sobre sua querida presidente:
"A nossa presidenta e o presidente Lula fizeram a gente crescer porque apoiaram os pobres. E o que nos sustenta são dízimos e ofertas de pessoas simples e humildes", disse Crivella durante um evento da Convenção Nacional das Assembleias de Deus - Ministério Madureira, em São Paulo. "Com a presidenta Dilma, os juros baixaram. Quem paga juros é pobre. Com menos juros, mais dízimo e mais oferta."
Precisa dizer mais alguma coisa?
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quinta-feira, 7 de março de 2013

Nota de esclarecimento ao senador Paulo Paim e à Sociedade Brasileira

NOTA PÚBLICA DE ESCLARECIMENTO
AO SENADOR PAULO PAIM E À POPULAÇÃO BRASILEIRA

A Lei nº 7.716/89 (conhecida como lei antirracismo), originalmente punia APENAS manifestações de preconceito decorrentes de “RAÇA OU COR”. Posteriormente foi aprovada a Lei nº 9.459/97, que acrescentou (nos artigos 1º e 20º) “ETNIA, RELIGIÃO E PROCEDÊNCIA NACIONAL”. São conquistas importantes decorrentes da luta de cidadãos por visibilidade e respeito. Entretanto, há outros grupos vulneráveis que precisam de proteção legal. Como aceitar que se criminalize a discriminação por religião, mas não o preconceito contra a pessoa com deficiência, por exemplo? Logo, como aceitar a não-criminalização de outras formas de discriminação que notoriamente assolam a sociedade?

A Constituição da República, desde 1988 – portanto há vinte e quatro anos e exatos cinco meses – estabelece entre os OBJETIVOS FUNDAMENTAIS da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução das desigualdades sociais e regionais, bem como a promoção do bem de todos, sem preconceitos e discriminações de quaisquer espécies (artigo 4º, incisos I a IV). Esta mesma Constituição também destaca que todos são iguais perante a lei, não admitidas distinções de quaisquer natureza, garantindo-se a todos a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade e à segurança (dentre muitos outros), bem como determina a obrigatoriedade da criminalização do racismo e de quaisquer discriminações atentatórias a direitos e liberdades fundamentais (artigo 5º, 'caput' e incisos XLI e XLII).

Em razão disso, a Senadora Fátima Cleide (PT-RO), após ampla discussão, inclusive com os setores mais conservadores, elaborou uma emenda, aprovada pela Comissão de Assuntos Sociais (Emenda nº 01 - CAS), incluindo as demais modalidades de discriminação NA LEI EM VIGOR (Lei nº 7.716/89, c/redação dada pela Lei nº 9.459/97). Essa emenda, em síntese, se limitou a incluir, entre as discriminações criminalizadas por esta lei, aquelas praticadas em razão da orientação sexual, da identidade de gênero, do gênero, do sexo, da condição de pessoa idosa e da condição de pessoa com deficiência, fazendo-o também relativamente ao crime de injúria qualificada constante do artigo 140, §3º, do Código Penal. Em suma, o que o Substitutivo de Fátima Cleide fez foi simplesmente garantir uma igual proteção pena a vítimas de tais discriminações às vítimas de discriminações por cor, etnia, procedência nacional e religião, garantindo àquelas a mesma punição que se atribui a estas.

Parece, portanto, que o Senador Paulo Paim não entendeu qual é o texto que toda a população LGBT e demais pessoas comprometidas com a luta contra toda e qualquer forma de discriminação têm se empenhado para que seja aprovado. O que Paim deveria fazer, portanto, era tentar convencer seus pares de que o PLC 122/06 não viola a liberdade de expressão por visar apenas garantir que as discriminações por orientação sexual, por identidade de gênero, por condição de pessoa idosa e com deficiência sejam punidas da mesma forma que as discriminações por cor, etnia, procedência nacional e religião. Deveria se esforçar para fazê-los ver que liberdade de expressão não é liberdade de opressão, como disse paradigmática faixa da última Marcha Nacional contra a Homofobia (2012). Deveria tentar convencê-los, portanto, que somente discursos de ódio, ofensas individuais e coletivas, discriminações e incitações/induzimentos ao preconceito e à discriminação são objeto de repressão pelo PLC 122/06. Um critério didático é o seguinte: "se não pode contra negros/religiosos, também não pode contra pessoas LGBT"... Jamais deveria simplesmente se conformar com a oposição arbitrária ao projeto...

Não é admissível se pretender criar hierarquias entre as formas de discriminação. Nem admissível nem constitucional.

O que se pretende é só e somente uma LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO. Tudo o mais são falácias e esforços no sentido de construir animosidades e mal-entendidos: criar uma lei específica para a homofobia distinta e de forma mais branda do que a punição constante da Lei de Racismo gerará tal hierarquização de opressões e, com isso, não se pode concordar de forma alguma.

Sabe-se que a explicitação dos vetos ao racismo e à intolerância religiosa decorreram de lutas pela visibilidade e erradicação de tais práticas discriminatórias, que requereram historicamente o veto explícito na forma das mencionadas leis, dada a insuficiência do veto universal à discriminação, presente desde a Constituição Federal de 1988, para o enfrentamento de tais prejuízos aos referidos grupos específicos. Portanto, nada mais justo que incluir - na mesma perspectiva do reconhecimento de que grupos são vulneráveis a terem seu direito à não discriminação violado – o veto explícito à discriminação associada à condição idosa, à pessoa com deficiência, à orientação sexual e à identidade de gênero na nossa Lei de Racismo, que é, como diz o jurista Roger Raupp Rios, a nossa Lei Geral Antidiscriminatória que já pune as opressões relacionadas à cor, à etnia, à procedência nacional e à religião. Dado que não cabe do ponto de vista constitucional hierarquizar discriminações, visto que todas são inconstitucionais, pretende-se, portanto, igualdade no tratamento legal a diferentes grupos vitimados pela discriminação, fazendo justiça à igualdade do direito à não discriminação. Cabe, portanto, inclusão explícita do veto aos grupos referidos posto que os mesmos têm sido objeto de intensa discriminação na sociedade brasileira.

Ocorre que, com argumentos semelhantes aos que lutaram contra avanços como a Lei do Divórcio, por exemplo, setores conservadores visam impedir a promulgação da lei. Seu principal argumento é que esta feriria a liberdade de expressão – já consagrada na Constituição Federal – quando, de fato, desejam manter a liberdade de oprimir pessoas que discordam de seus preceitos morais. Nesse contexto, o Sr. Relator pretende procurar, como já foi feito anteriormente, uma "solução de consenso". Nessa matéria, entretanto, a expressão "de consenso" tenta demonstrar uma suposta disposição dos antagonistas ao PLC 122/2006 mas, na verdade, condena as LGBT a uma cidadania de segunda classe, como querem esses mesmos antagonistas, que nunca demonstraram disposição nenhuma com o projeto (só quiseram destruí-lo, nunca melhora-lo). É curioso como se insiste em chamar tais antagonistas ao debate, afinal, como escreveu o criminalista Túlio Vianna em antológico artigo: “O Congresso Nacional brasileiro não costuma convidar traficante de drogas para audiências públicas destinadas a debater se o tráfico de drogas deve ou não ser crime. Também não convida homicidas, ladrões ou estupradores para dialogarem sobre a necessidade da existência de leis que punam seus crimes. Já os homofóbicos têm cadeiras cativas em todo e qualquer debate no Congresso que vise a criar uma lei para punir suas discriminações. Estão sempre lá, por toda a parte; e é justamente por isso que a lei ainda não foi aprovada [...] O Direito Penal tem, neste momento histórico, um importante papel como instrumento de promoção de direitos. A Lei 7.716/89 tem sido, desde sua entrada em vigor, uma poderosa ferramenta no combate à discriminação racial. Que sirva também para combater a homofobia [do mesmo jeito que serve para combater o preconceito religioso]. Assim como hoje é considerado criminoso quem discrimina o negro [bem como o evangélico e o judeu], amanhã também deve ser quem discrimina a(o) homossexual, a(o) travesti, a mulher, a(o) idosa(o) e a(o) deficiente físico.

Em razão disso, nós, cidadãs e cidadãos comprometidos com a erradicação de todas as formas de discriminação neste país, não aceitaremos nada menos do que a LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO, conforme elaborada pela Senadora Fátima Cleide, em 2009.

Esta mesma posição já havia sido objeto de consenso em 28 de Julho de 2011, na sede da APEOESP na capital paulista, após um intenso, rico e democrático debate, realizado em Plenária do Movimento LGBT de São Paulo em que estiveram presentes as seguintes organizações: ILGA; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS – ABGLT; ARTICULAÇÃO BRASILEIRA DE GAYS – ARTGAY; FRENTE PAULISTA CONTRA A HOMOFOBIA; FÓRUM PAULISTA LGBT; CONEXÃO PAULISTA LGBT; APEOESP; ASSESSORIA DA SENADORA MARTA SUPLICY – PT; ASSOCIAÇÃO DA PARADA DO ORGULHO GLBT DE SP; ABCDS; ATO ANTI-HOMOFOBIA; CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE; CIRANDA DA INFORMAÇÃO INDEPENDENTE; COLETIVO DE FEMINISTAS LÉSBICAS; COLETIVO LGBT 28 DE JUNHOCOLETIVO LGBT DA CUT/SP; COORDENADORIA DE ATENÇÃO ÀS POLÍTICAS DA DIVERSIDADE SEXUAL DO MUNICÍPIO DE SP - CADS; COORDENAÇÃO DE POLÍTICAS PARA A DIVERSIDADE SEXUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO; DIRETÓRIO CENTRAL DE ESTUDANTES DA USP; FRENTE ANTI-FASCISTA; HOMOFOBIA JÁ ERA; GADVS – GRUPO DE ADVOGADOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL; GRUPO DE ESTUDOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL DA USP; GRUPO DE PAIS DE HOMOSSEXUAIS; GRUPO ROSA VERMELHA; IDENTIDADE – GRUPO DE LUTA PELA DIVERSIDADE SEXUAL; IGREJA DA COMUNIDADE METROPOLITANA; INSTITUTO EDSON NÉRIS; MARCHA DA MACONHA; MARCHA MUNDIAL DE MULHERES; NÃO HOMOFOBIA; ONG CASVI; ONG REVIDA; SETORIAL LGBT CSP-CONLUTAS; SINDICATO DOS TREINADORES DO BRASIL; DIVERSIDADE TUCANA - PSDB; MILITANTES LGBT DO PSOL; MILITANTES LGBT DO PT; SECRETATIA LGBT DO PSTU.

Brasil, 05 de março de 2013.

Paulo Roberto Iotti Vecchiatti Mestre em Direito Constitucional pela Instituição Toledo de Ensino. Advogado militante em Direito da Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo. Membro do GADvS - Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual.

Rita de Cássia Colaço Rodrigues – Doutora em História Social e Mestre em Política Social pela UFF; Bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas pela UFRJ; ativista social autônoma em direitos humanos; responsável pelos blogs Comer de Matula e Memória / História MHB / LGBT; colunista do portal Brasília em Pauta; delegada Sindical; integrante do Comitê Carioca da Comissão Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro – CEDs-Rio. 

Thiago G. Viana Advogado, Presidente do Conselho Jurídico da Liga Humanista Secular do Brasil - LiHS, Pós-graduando em Ciências Penais pela Universidade Anhanguera-Uniderp/LFG, Presidente da Comissão de Direitos da Diversidade Sexual, Membro da Comissão de Estudos Constitucionais, Institucionais e Acompanhamento Legislativo e da Comissão de Jovens Advogados, todas da OAB/MA. 

Alexandre Gustavo Melo Franco Bahia – Doutor e Mestre em Direito Constitucional pela UFMG; Professor Adjunto na Universidade Federal de Ouro Preto e na Faculdade de Direito do Sul de Minas; Advogado.

Tatiana Lionço – Ativista da Cia. Revolucionária Triângulo Rosa, Doutora em Psicologia pela UnB.

Anahí Guedes de Mello – Cientista Social e ativista dos movimentos pelos direitos das pessoas com deficiência e LGBT.

Ubirajara Caputo Ativista independente. 

Davi Godoy – Museólogo pela UPM, Militante Independente e responsável pelo Blog ATOS420.

João Bôsco Hora Góis Professor da Universidade Federal Fluminense. Pesquisador do CNPq. Pós-Doutorado em Sociologia.

Marcelo Gerald – Militante independente, representante dos sites Eleições Hoje e PLC122.

Jandira Queiroz – Ativista lésbica feminista, pesquisadora social, assessora da Relatoria para o Direito Humano à Saúde Sexual e Reprodutiva da Plataforma Dhesca Brasil.

Raphael Tsavkko Garcia – Mestre em comunicaçao, bacharel em Relaçoes internacionais, Jornalista e autor/tradutor do Global Voices Online.

Aline Freitas – Ativista independente.

Ivone Pita – Ativista Independente de Direitos Humanos; Colunista do portal Gay 1, Colunista do portal Todos Iguais; Fundadora do grupo Todos contra a homofobia, a lesbofobia e a transfobia; e das páginas Cartazes e Tirinhas LGBT, Livro aberto - Histórias e sexualidades, Um livro de família - amor e diversidade; Especialista em literatura brasileira; Especialista em educação; Educadora social.

Daniela Andrade – Ativista Independente de Direitos Humanos; Colunista so site Transexualidade.com.br; Fundadora e Administradora da página Transexualismo da Depressão; Membro da ANTRA – Articulação Nacional de Travestis e Transexuais; Membro do FPTT – Fórum Paulista de Travestis e Transexuais; Membro da ABRAT – Associação Brasileira de Transgêneros.

Janete Peixoto – Gerente do CTA Itaim Paulista.

Comissão Suprapartidária LGBT– Coletivo Militante.

Cássia Barbosa Reis – Professora-doutora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Enfermeira (Coren/MS 50.816).

Prof. Dr. Emerson Inácio – Área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa - Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH - Universidade de São Paulo USP.

Marcio Caetano – Professor-Doutor da Universidade Federal do Rio Grande – UFRG; Pesquisador do CNPq; Integrante da Direção da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura,  ABEH.

Isaque Criscuolo – Jornalista, ativista e blogueiro. Representa o blog O Quarto.

Luth Laporta, orgulhosamente gay, estudante de Serviço Social, constrói a Assembléia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL) e é militante da Cia. Revolucionária Triângulo Rosa.

Bruno Martins Soares – Mestrando em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Paul Beppler – Bacharel/B.A in International Relations (BYU/USA/1988), Software Localizer/PM em Informática (WordPerfect Corp./Microsoft Corp./RIOLINGO/Tradutor Freelancer); Ativista independente (GAY/LGBT/Deutschbrasilianer), Membro Honorário do Grupo Gay da Bahia (2013).

Fátima Tardelli, militante feminista e pelos Direitos Humanos; Editora do Subjudice.net; Membra da Liga Humanista Secular e Editora do Bule Voador.

Maria Auxiliadora G. P. Ferreira, integrante do Grupo “Mães pela Igualdade”; Assistente Social; Militante LGBT Independente.

Júlio Marinho, Militante LGBT; Autor do Blog Nossos Tons e Colaborador do Portal Gay1.

Hailey Kaas, Ativista Transfeminista.

Luis Arruda – Militante Independente. Advogado. Ex-colaborador do All Out. Um dos administradores do Grupo Ato Anti-Homofobia.

Leda Beck – Jornalista, escritora.

Majú Giorgi, integrante do Grupo Mães pela Igualdade; Colunista no IGay e no Todos Iguais; Moderadora no Grupo Todos Contra a Homofobia, a Lesbofobia e a Transfobia.

Profa Dra. Ana Cristina Nascimento Givigi
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Coordenadora do Núcleo de Gênero, Diversidade Sexual e Educação da UFRB. Coordenadora do Núcleo Capitu Pesquisa e Estudos em Gênero e Sexualidade.

Leandro Colling, professor-doutor da Univesidade Federal da Bahia, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura.

Manoel Antonio Ballester Zanini, militante LGBT da ONG ABCDs e Coordenador-Geral da Parada de São Paulo, de 2008 a 2010.

Alexandre Bogas Fraga - Ativista Gay, Conselheiro Fiscal ADEH Associação em Defesa de Direitos Humanos, Secretario Adjunto Regional Sul da ABGLT, Administrador, Pós-Graduado em Tecnologia da Informação.

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Marta, PT e o fundamentalismo no senado

Marta deixou o senado para assumir a pasta da Cultura. Comemoremos a queda de Ana de Hollanda - ainda que talvez seja tarde para consertar o que ela destruíu -, mas não há o que comemorar com a chegada de Marta. E dou as razões.

Marta teve, em sua gestão como prefeita, uma política cultural elogiada, mas não pela capacidade dela na área e sim por ter um grupo de ótimos assessores. Sim, é fato que ela pode se cercar de gente certa no ministério, mas a gestão cultural de um país não é a mesma de uma cidade. Mas este primeiro ponto pode-  e espero - nem ser um grande problema.

Marta, porém, foi nomeada como um toma-lá-dá-cá pelo apoio dado ao Haddad, e não importa o quanto negue, não somos imbecis ao ponto de acreditar que ela tenha sido convencida a apoiar Haddad de graça e que nem uma semana depois de entrar na campanha o minsitério tenha ficado vago. Não nos esqueçamos que Marta foi chamada até de tucana (serrista, no caso) por petistas fanáticos quando se recusou a apoiar Haddad - mesmo destino de Erundina, que não aceitou ser vice numa chapa com Maluf.

Não bastasse essa nomeação que foi mais um prêmio que realente a tentativa de consertar o ministério, fica o restro da Marta no Senado: assume eu seu lugar o candidato do PR, Antônio Carlos rodrigues, um homofóbico de direita que pode destruir de vez o PLC122 (que jão não era grande coisa nas mãos da Marta) e que será mais um crápula a ser contentado pelas benesses do dinheiro público para votar com o governo (não que uma figura dessas precise de muito para votar por projetos ruralistas, religiosos e afins).

Oras, porque Marta, eleita senadora, pode dar feliz e alegre seu lugar a um suplente homofóbico de direita e fica por isso mesmo?
Mas claro, o problema em si não é deixar o cargo e sim deixar o cargo para quem possa ser ideologicamente oposto. Na política de alianças atual, ideologia não importa e sim poder.

A política de alianças do PT nos levou a chegar a um ponto em que o suplente de uma senadora que bem ou mal se diz de esquerda, é diametralmente oposto a ela em todos os sentidos.
Ligado a 22 paróquias da Igreja Católica na zona sul, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), suplente que vai assumir a vaga de Marta Suplicy (PT) no Senado, é contra o casamento gay e o aborto. "Vou seguir sempre as posições da Igreja Católica nas votações. Para mim homem é homem e mulher é mulher. Também sou contrário ao aborto e à eutanásia", afirmou nesta quarta-feira o vereador paulistano, após uma sessão na Câmara Municipal marcada pelas homenagens dos colegas ao novo senador por São Paulo.

Para mim, político que diz que vai seguir posições de religião ou grupo religioso deveria perder imediatamente o cargo. Mas estamos no Brasil, onde o Estado Laico é apenas uma piada e uma "chateação" quase insignificante no caminho dos fundamentalistas - quase todos aliados do PT.

Para piorar o novo senador Rodrigues e seu PR apoiaram (apoiam) Serra na candidatura a prefeito contra o candidato do PT! Isso denunciar de forma claríssima não apenas o modelo político brasileiro que permite alianças sem absolutamente qualquer ideologia, mas especialmente o PT e sua política totalmente nonsense de alianças. Ou melhor, há um sentido, o do puro e simples poder, custe o que custar.
Não surpreende, por exemplo, os ataques de petistas à candidatura de Russomano que, aliado da Universal e da Record, é também aliado do governo federal (ele, a Record e a Universal). E, novamente, não surpreenderá a ninguém que, ganhando o PT ou o PRB, ambos estarão no governo da cidade de São Paulo - assim como provavelmente o PR que, hoje, apoia Serra e o PSD, do ex-neo-companheiro Kassab.

É possível que a Marta seja uma boa ministra? Sim. Mas é impossível que um homofóbico fundamentalista como o Rodrigues seja um bom senador. E, hoje, é (parece) impossível  ter esperanças na política brasileira.

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Atualização: Aparentemente o Rodrigues não assumirá a vaga no Senado. Felizmente. Por pior que seja sua ideologia, ao menos preferiu responder a seus eleitores que deixá-los por outro cargo.
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terça-feira, 12 de junho de 2012

Apolinário: Os privilégios de um homofóbico e a bancada do ódio

Mais uma vez a Folha publicou uma carta minha, novamente mutilada. Mas é melhor que nada.

Desta vez contestando a tosquice do vereador e homofóbico de plantão Carlos Apolinário (evangélico, obviamente, e autor do "Dia do Orgulho Hétero" e que já usou a bíblia para defender o nepotismo) que resolveu mais uma vez considerar que manfiestações legítimas de uma minoria perseguida e vítima de abusos como "privilégios" e, como não poderia deixar de ser, Apolinário resolveu ir mais além e perseguir casais gays que adotam crianças - talvez, para ele, fosse melhor deixar as crianças apodrecerem em orfanatos, nas ruas ou talvez serem molestadas por padres e pastores.

O Sakamoto foi direto:
“Algum psicólogo ou juiz já parou para pensar como esta criança se sentirá diante dos seus colegas na escola ou na rua da sua casa, quando ela tiver que enfrentar o mundo, para explicar que está registrada no nome de um casal formado por duas pessoas do mesmo sexo (…) O que acontecerá com uma criança que vai morar com duas pessoas do mesmo sexo que têm relacionamento sexual? Como estará a cabeça dela durante a infância ou a adolescência?”
Até uma ostra saudável em dia de maré baixa se perguntaria: “Ué? Mas não é ele mesmo, com suas posições, que ajuda a produzir e manter esse mundo preconceituoso?”
Ou seja, a velha tática de, uma vez questionado, usar o discurso de culpar a vítima.
- Ah, mas ela pediu. Ninguém bota uma saia curta dessas se não estava pedindo.
- Quem mandou esse reporterzinho ir fuçar os nossos negócios. Se ele tivesse ficado na dele, estaria vivo agora.
- O fazendeiro estava apenas se protegendo. Aqueles índios deveriam ter se mudado quando a fazenda foi aberta. Decidiram ficar, assumiram o risco.
- O trabalhador acaba entrando porque quer nessas condições de serviço e depois diz que é escravo só para que o Estado confisque a terra e lhe dê de presente na reforma agrária.
Adoraria que isso fosse engraçado. Ou ficção. Muita gente agarra argumentos como o do vereador e, sem pensar, o acolhem. Por quê? Porque é mais fácil viver assim e justifica o preconceito. Para quem não foi instigado a duvidar de tudo o que lê, ouve e vê – inclusive disto que escrevo agora – pode ser um porre ter que pensar no que há por trás das coisas.
Enfim, eis o que a Folha publicou do comentário que enviei:
O vereador Carlos Apolinário (DEM-SP) deveria parar de se preocupar com o que os gays fazem ou deixam de fazer ("Direitos ou privilégios?", Tendências/Debates, ontem). Políticos não são eleitos para legislar sobre a orientação sexual das pessoas ou sobre garantias constitucionais.
Raphael Tsavkko Garcia (São Paulo, SP)
E o que efetivamente enviei (em negrito o que foi omitido):
O vereador Carlos Apolinário deveria parar de se preocupar com o que fazem ou deixam de fazer os gays e cuidar não só de sua própria vida, como da cidade. Que me conste, políticos não são eleitos para legislar sobre a orientação sexual dos demais ou sobre garantias constitucionais. Advogado e empresário, como se define o vereador, não sei porque resolveu agir como psicólogo e juiz, colocando seus preconceitos religiosos frente a sua humanidade - ou seus deveres como legislador -, mas recomendaria que prestasse mais atenção à Marcha pra Jesus que constantemente prega o ódio e o preconceito do que à Parada Gay, que prega o amor e a tolerância, algo que falta ao nobre Apolinário.
Não mudo uma linha do que disse. E digo mais:

Apolinário é, como todos os demais políticos evangélicos que usam seu mandato para perseguir minorias e para pregar a ignorância e o ódio, um inútil que deveria ser proibido de exercer cargos públicos em um Estado Laico e signatário de diversos pactos sobre direitos humanos.

Estas figuras adoram falar dos supostos privilégios de grupos que são forçados a se manifestar para mostrar que existem, que são humanos, merecem respeito e dignidade - assim como proteção - e que protestam exatamente para confrontar o medievalismo das idéias (sic) dos grupos que o vereador Apolinário representa.

Apolinário e demais políticos evangélicos representam o que há de pior, de mais retrógrado e fascisa na sociedade brasileira. E o pior disso tudo é que este dsicurso de ódio encontra eco no governo, que não apenas se mantém impassível frente à violência crescente e às pregações odiosas, como SE ALIA com eles, dando-lhes verba e cargos.

O sangue de boa parte dos gays, lésbicas, travestis, transexuais e transgêneros derramado no país é de responsabilidade direta do discurso destes pregadores do ódio com bíblias na mão, destes Marginais da Fé - para desespero daqueles que efetivamente pregam o entendimento, a solidariedade e o amor ao próximo com o mesmo livro.

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Aliás, no mesmo "Painel do LEitor" da Folha vemos a seguinte carta de assessor de Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo e Ministro da Educação durtante a "crise" do Kit Anti-Homofobia:
O material anti-homofobia citado em reportagem da Folha ("Sem Serra e Haddad, Marta reina na Parada Gay em SP", "Poder", ontem) foi produzido pela ONG Pathfinder do Brasil com recursos de emenda parlamentar ao Orçamento da União aprovada pelo Congresso Nacional. A emenda foi proposta por um conjunto de deputados federais. Portanto, ao contrário do que diz a Folha, o ex-ministro Fernando Haddad não "tentou emplacar" o material, que não foi distribuído pelo MEC em razão da abordagem inadequada. Aproveitamos para reafirmar que durante visita à sede da APOGLBT, no dia 6/6/12, Fernando Haddad avisou que não iria à 16ª Parada Gay por motivo de viagem.
Everaldo Gouveia, assessor de imprensa de Fernando Haddad (São Paulo, SP) 
A subserviência do PT aos Marginais da Fé é tanta que numa mesma mensagem buscam desvincular Haddad de qualquer responsabilidade sobre o kit, ele não tentou emplacar nada, não teve NADA a ver e ainda dizem, cm orgulho, que ele preferiu viajar do que participar da Parada Gay. O público LGBT realmente pensa em votar nesta figura - não que haja outro candidato melhor, afinal, Serra, Chalita, Netinho, Russomano, Soninha (hahaha) não são melhores - que claramente não dá a mínima para sua cidadania?

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Atualização, 13/06:
No mesmo Painel do Leitor, um homofóbico de Ribeirão Preto, Luiz Antônio da Silva, defendeu o direito à "se expressar" com preconceito e ódio:
E ainda dizem que são os outros que são intolerantes! Segundo a carta do leitor Raphael Tsavkko Garcia (Painel do Leitor, ontem), um vereador democraticamente eleito pelo povo não pode sequer se manifestar sobre um assunto que diz respeito à sociedade brasileira? Isso é o mesmo que dizer: todos são livres para se manifestar, desde que falem a favor da "minha verdade". Muitos já estão perdendo a noção do razoável!
Luiz Antônio da Silva (Ribeirão Preto, SP) 
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Marcha das Vadias de São Paulo - Somos TODXS livres

Mais de mil pessoas - bem mais que os "cerca de 100" da Globo e Estadão - se reuniram na Av. Paulista e desceram a Rua Augusta até a Praça da República  na Marcha das Vadias de São Paulo. Feministas (obviamente), lésbicas, gays, héteros, transgêneros, travestis, bikers, anarquistas, punks, skinheads, adultos e crianças marcharam juntos por mais de 3 kilômetros cantando, dançando e gritando palavras de ordem contra o machismo, contra a homofobia e pelo direito das mulheres serem livres.

Muitas garotas se pintaram, vestiram as roupas que bem queriam ou mesmo deixaram os seios à mostra, enquanto alguns homens colocaram vestidos curtos, sutians e até calcinhas e desfilaram com a mesma alegria e comprometimento.

Crianças pequenas desfilavam com a maior naturalidade ao lado de seus pais e demais manfiestantes, sem se improtar, estranhar ou "desmoralizar" frente às garotas seminuas. Não havia espaço para hipocrisia e falso-moralismo, nem para nenhuma pregação de pastores fanáticos de que ali encontrava-se qualquer tipo de "degradação". Era uma demonstração de comprometimento social somado à alegria de ser(mos) livres.

Segue algumas fotos tiradas por mim na Marcha de sábado (mais fotos no link) e um pequeno vídeo compilando diversos momentos da Marcha.



No Global Voices, publiquei hoje um post-resumo com fotos e vídeos das Marchas pelo Brasil, recomendo.
Reivindicando a liberdade feminina e o direito das mulheres se vestirem da forma como quiserem sem ser vítimas de violência ou moralismo, milhares de mulheres, mas também homens héteros, gays, travestis e mesmo membros de grupos como bikers, skatistas, skinheads, punks e anarquistas tomaram as ruas de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, Fortaleza e Belém  - além de outras cidades - para protestar contra a homofobia e em defesa do feminismo, ou seja, em defesa da igualdade.
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domingo, 25 de março de 2012

Dilma na Veja: Ontem e hoje, quem mudou?

Dilma na Veja em 2010 - Vermelho/Ódio
Dilma na Veja em 2012 - Azul/Amor
Como reagiu a Milícia governista:

Ontem: Veja é nojenta, não é jornalismo, asquerosa, tem que fechar, "Ai, um PIG!"

Hoje: Linda, maravilhosa, "Olha a dilma poderosa na Veja, gente"!

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Reparem na capa da Veja atual.

Aazul, cor do PSDB, em oposição à vermelha anterior esculhambando Dilma.

Notem agora, acima, na "homenagem" ao Chico Anysio: "Aplaudam, amigos, a comédia terminou". 

Alguém ACHA que a mensagem subliminar contida ali foi só coincidência?

Acabou a comédia da Dilminha de esquerda, agora tem que aplaudir porque ela é uma das nossas, de direita, anti-direitos humanos, anti-aborto, anti-direitos LGBT e etc.

A Veja sabe o que faz, e a militância fanática aplaude o fim da "comédia" entusiasmada.


Mas vale um alerta. Dilma acha que a militância fanática dela existirá sempre, que é fortíssima e imutável, daí ela faz a m* q quiser. Vamos ver até onde vai.
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Post inspirado no Maria da Penha Neles da querida @Ro_anna
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sábado, 24 de março de 2012

Maria do Rosário, a oportunista ou a prisão dos bandidos do SilvioKoerich.org

Dois dos "controladores" do site homofóbico, machista, racista e incitador da violência "SilvioKoerich.org", Marcelo Valle (em Brasília, e figura já conhecida da blogosfera e reincidente no crime) e Emerson Rodrigues (em Curitiba) foram presos depois de uma ampla campanha nas redes sociais e também de uma mobilização de ativistas e mesmo políticos (em especial de Jean Wyllys, que foi ameaçado de morte por vários perfis fakes controlados pela gangue) que foram até a Polícia Federal e à Polícia Civil abrir inquéritos e buscar justiça.

A Safernet recebeu quase 70 mil denúncias de perfis relacionados à gangue e também direamente do site criminoso. O ativista @Caribé realizou uma ampla pesquisa - que juntei ao inquérito que o MP abriu em meu nome na Polícia Civil contra o Marcelo Valle - coletando diversos perfis do Twitter ligados à gangue, ao passo que o pessoal do Anonymous realizou outra grande pesquisa e entregou os dados para o Jean Wyllys que acionou a Polícia Federal.

Só para se ter uma noção, po exemplo, do trabalho feito pelo @Caribe, ele conseguiu linkar os perfis @frontnacional, @JuTedesco, @psycl0n, @danihallac, @homofobiasim, @Anjooslava, entre outros, a perfis no Orkut e de outras redes.

Assim como o Jean, também fui ameaçado de morte por perfis ligados ao Valle e Rodrigues e vários outros blogueiros e ativistas sentiram o gosto das ameaças covardes do grupinho. Pode-se falar efetivamente em uma mobilização para caçar estes criminosos e agora temos de manter a pressão e levar todos os processos e inquéritos em frente.

Agora, depois das prisões efetuadas, a surpresa: A Ministra da SEDH resolveu surfar na ação da PF e tomar para si os louros da prisão dos dois bandidos racistas e homofóbicos.

Não há sequer como disfarçar que a intenção da Maria do Rosário é  de disfarçar a completa inércia de sua secretaria, em especial no combate à homofobia. Existe a possibilidade de a SEDH ter se movido minimamente depois de anos de denúncias na Safernet, na polícia e etc, vendo a oportunidade de fingir que combatem a homofobia? Claro. Mas nada disso muda o quadro geral, de homofobia institucionalizada e oficial no governo Dilma.

Aliás, se o blog SilvioKoerich.org pregasse o ódio apenas contra gays - como fazem milhares de sites de Marginais da Fé e seus trouxas fiéis  - nada aconteceria. Mas como há ódio contra mulheres, pedofilia e incitação clara à violência e assassinato, alguém teve de se mover.

Vejam alguns comentários no Twitter:

Como se vê, a maioria não é "psolista", como gostam os governistas de chamar quem se opõe ao governo ou a setores deste.

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Por orientação de meu advogado, retirarei do ar a Representação Criminal que havia postado.
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sexta-feira, 23 de março de 2012

Confrontar Dilma não é a solução para os homossexuais?

Curta e direta resposta ao post "Confrontar Dilma não é a solução para os homossexuais" de Eduardo Guimarães:
Um texto que ia muito bem, convencendo, até... bater na velha, usada e surrada tecla do "medo do Serra".

Engraçado considerar o PSDB a encarnação de todo o mal, levando em conta que o Kassab vetou o projeto de Dia do Orgulho Hétero (propsota semelhante tem apoio do líder do governo na prefeitura do Rio, de vereador do PT) e Alckmin deu declarações muito mais progressistas em relação aos LGBt que Dilma, da "Propaganda de Opção Sexual" que seuqer deu as caras na Segunda conferência LGBT.

Jogo de cena? Possível. Provável até, mas mesmo a direita que sobrou fora do governo (no caso do Kassab não por falta de tentativas... do PT!) consegue fingir ser mais progressistas que o PT e Dilma.

Aliás, que me conste não vimos declarações homofóbicas tão contundentes como as de Dilma saídas da boca de FHC enquanto presidente.

Note, tenho HORROR ao PSDB, mas não posso ser leviano ou mentiroso.

Serra não é o demônio - ele é péssimo, claro - e Dilma vem provando ser MUITO pior que ele poderia ser em diversas áreas, e a LGBT é uma delas - junte com Cultura, Direitos Humanos...

Se a confrontação do movimento LGBT com o PT - aliado de partidos homofóbicos, com ministro homofóbico e "bispo", aliado da Bancada Teocrática - não serve a eles, o que servirá?

Dois outros pontos rápidos:

Pressão internacional: Provou-se inútil. Vide as condenações na OEA (Corte e Comissão Interamericana de Direitos humanos) sobre Anistia e Belo Monte. O Brasil ignora ambas, tornando-se um pária internacional, chegando ao ponto de forçar o Secretário Geral da OEa a tentar ilegalmente intervir na CIDH na questão de Belo Monte.

"impedir que o governo Dilma caia nos braços dos ultraconservadores.": Errado. Dilma não "caiu" mais do que ESCOLHEU ir pros braços dos conservadores a partir do momento em que afastou os movimentos sociais, traiu os sindicatos com anuncio de que não daria aumentos, de que iria privatizar aeroportos e etc.

Se Dilma está "nos braços" dos conservadores é por opção de governo. Quem colocou Crivella ministro foi ela, quem vende o mundo pra ter a bancada evangélica contente é ela.
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segunda-feira, 19 de março de 2012

Dinamitando pontes: A militância LGBT governista e a homofobia oficial [Update]

Não costumo, já há algum tempo, postar textos de terceiros no blog, mas acredito que este, do Francisco Aragão (vulgo @chcapet, @litheroy ou @elcapeto) em resposta ao texto lamentável da ativista LGBT Vange Leonel, merece ser repassado.

O texto da Vange, em resumo, desculpa o governo de todos os recuso nos direitos LGBT, praticamente culpando o oprimido pela opressão. O governo faz o possível, os LGBT tem que aceitar negociar com quem os odeia... É isso que entendemos do texto da ativista. Aqueles insatisfeitos devem engolir o "orgulho" e aceitar o que vier, tudo em nome de um proejto falido de poder.

Tentativa pura de tentar justificar o injustificável, um govenro homofóbico que não faz absolutamente nada para frear a violência homofóbica e a homofobia de pastores neopentecostas e bandidos semelhantes.

Os Marginais da Fé controlam o governo, e ainda assim Vange defende que não se dinamite pontes, oras, as pontes já foram dinamitadas, e pelo próprio governo. Acho que é hora do movimento LGBT (mas não só) parar de se preocupar com pontes e, acima de tudo, parar de servir de massa de manobra em momentos de desespero (quando o governo é atacado por seus alidos conservadores logo corre para pedir ajuda da esquerda traída). É hora de esquecer as pontes caídas, derrubadas pelo PT e dinamitar o governo.

Contemporizar levou ao abandono do Kit Anti-Homofobia (kit gay para os detratores) que não foi "temporariamente suspenso", mas jogado no lixo, abandonado; O próprio Ministro da Educação, o Mercadante, já disse não acreditar que educação resolva nada e que não há plano nenhum a ser feito.

Contemporizar levou ao crescimento de popularidade de escória como Bolsonaro, levou a membro do PT apoiar "Dia do Orgulho Hétero" no Rio (projeto de outro Bolsonaro, aliado do governo local do PMDB/PT, diga-se de passagem), e a tantas outras barbaridades.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

2012 será longo: Começa o ano, começam os abusos

O ano nem bem começou e já temos motivos demais para lamentar que ele ainda será longo.

2011 foi um ano recheado de desgraças na área social. Dilma, eleita  sob a bandeira dos direitos humanos e que reforçou a vocação em discurso, se mostrou uma das maiores inimigas aos direitos humanos no Brasil.

Impôs Belo Monte pese condenação internacional e repúdio mundial, e nada parece fazê-la parar. a Homofobia chegou a níveis alarmantes, assim como os assassinatos motivados pelo ódio a gays e a presidente se limitou a declarar que não faria "propaganda de opções sexuais" e, hoje, não consigo mais reclamar de quem a chama diretamente de homofóbica.


As ações - ou falta delas - do governo na área dos direitos LGBT's demonstram que se Dilma não é homofóbica, então ela é simplesmente uma estúpida mau intencionada. Ou, outra possibilidade que não necessariamente elimina as anteriores, se vendeu aos Marginais da Fé que, ano começado, já mostraram sua força e o quanto vão colocar em perigo o país, com total conivência do governo federal.

Qual o problema se agora tem pastor tirando o "capeta" do corpo de um gay... E que o "capeta" é a homossexualidade?não podemos nos meter nas opções religiosas - aí sim OPÇÕES - dessa cambada de criminosos, não é, presidentA?


O ano começa ainda em meio à discussão sobre o Cadastro de Úteros proposto pelo Ministro Padilha, que de tanto se explicar tem apenas se complicado. A MP, imposta - como de costume neste governo que se recusa a ouvir os movimentos sociais ou, se uve, ignora, vide PNBL entregue às Teles e etc -, não paenas cria um cadastro absurdo, para a alegria dos Marginais da Fé, como também garante DIREITOS a FETOS. Isso mesmo, garante direitos a fetos em pé de igualdade aos das mães.

O ministro tenta tergiversar, mas tudo que consegue dizer é que "não é bem assim" e não dá nenhum argumento que faça qualquer ativista sério ou advogado mover o pé. Tem até governista fanático estranhando a história!

Mas não só de desgraças passada gira o Brasil, fabricamos novas, ou melhor, governos fabricam ou conseguem se enrolar ao ponto de parecer responsáveis - e normalmente são, de forma direta ou indireta.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Quando morre um cão: A miséria humana não nos comove mais?

Durante boa parte do fim de semana o assunto mais comentado foi o da morte cruel de um cãozinho da raça Yorkshire pelas mãos de uma suposta psicóloga enfermeira e mãe. Sem dúvida, uma psicótica que precisa de tratamento urgente e que mereceria passar um tempo na cadeia, mas que, infelizmente e se muito, paragár multa pelo seu crime.

Deixo claro de início meu repúdio a toda e qualquer forma de maltrado de animais. Quem tem a capacidade de espancar até a morte um cãozinho, é capaz de cometer atrocidades iguais com seus semelhantes. Como agravente ao crime da mulher, aparentemente seu filho observava tudo e, sem dúvida, deve estar traumatizado.

Não postarei aqui nenhum vídeo ou foto dos atos ou muito menos da mulher, não sou defensor de linchamentos públicos - retornarei a este ponto.

Repasso um trecho de texto publicado no Eleições Hoje (Homofobia Já Era) do All Moon do qual concordo unicamente com o trecho selecionado:
Tal barbárie causou uma comoção nacional. A imagem de um animal sendo sacrificado em nome da crueldade humana (talvez, a única forma de crueldade existente na natureza), com a agravante de este ato de boçalidade extrema ter sido presenciada por uma criança, resta-se gravada até mesmo no subconsciente daqueles que (como eu) não tiveram coragem de assistir a este documento comprovante da miséria humana.Entretanto, este fato nos revela um outro elemento indicativo da miserabilidade afetiva que parece ser a marca das sociedades “civilizadas” neste Terceiro Milênio. A estupidez bárbara perpetrada contra um cão conseguiu causar mais comoção do que as mortes igualmente cruéis de centenas de homossexuais em todas as partes deste país.
De resto, deixo claro minha discordância do autor quando este afirma que a comoção em torno da morte do cão seria hipócrita, porque haveria mortes mais "importantes" ou significativas acontecendo, ou mesmo vidas mais importantes. Toda vida é importante e toda comoção é legítima. E tampouco uma morte é - ou deveria ser - ofuscada por outra.
Mas não querendo diminuir o absurdo que é a violência contra animais, o Francisco Aragão Azeredo (@chcapet) acertou em cheio, no Twitter:
"Se dessem à morte do Alexandre Ivo metade da atenção que estão dando ao yorkshire homofobia já era crime e Malafaia estava na cadeia. DESCULPA se eu acho que vidas humanas valem mais que vida de cachorro. Pra TUDO na vida existem gradações, torturar e matar um garoto de 14 anos É SIM pior que maltratar cachorro, por pior que isso seja"
Matar e torturar seres humanos é MUITO pior que fazer o mesmo com animais, por mais que seja atitude igualmente deplorável e infelizmente eu vejo que, em muitos casos, há mais comoção contra o segundo que o primeiro. Felizmente a maioria dos que sigo não são assim, são ferrenhos defensores da criminalização da homofobia, mas tem cada absurdo que se vê por aí...
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mais um documentário sobre neonazismo, Carecas, violência e ignorância política

Documentário feito pelos estudantes de jornalismo Yuri Gonzaga e Bruno Fávero Leite para a disciplina de documentário do quarto ano da USP em que o foco está na entrevista de "representante" dos Carecas do Subúrbio, chamado de "Capoeira", que desfila toda sua ignorância e necessidade de se firmar através da violência insensata contra seus "inimigos" e na entrevista comigo, fazendo um contraponto ao discurso tosco do Careca e comentando sobre o protesto dos neonazis na Paulista em defesa de Bolsonaro.

No documentário comento também sobre as ameaças que jornalistas receberam de neonazis mais exaltados, os vídeos podem ser vistos aqui.

A entrevista com o "Capoeira" e comigo começa por volta dos 3:15.
Documentário sobre protesto pró-Bolsonaro na Paulista from Raphael Tsavkko on Vimeo.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Homofobia não é crime... Apenas para os criminosos. Uma resposta à folha de São Paulo

Leiam - não recomendo, mas é necessário para estômagos fortes - a leitura de artigo do jornalista (sic) João Pereira Coutinho na Folha onde ele defende abertamente o "direito" à homofobia, ou seja, o "direito" a pregar o ódio e que pode ser interpretada até na defesa do jornalista (sic) do fim da criminalização do racismo.

A Folha brir espaço para este tipo de escória não é incomum, muito pelo contrário, até Brilhantes Ustra já passaram por lá.

Mas, enfim, enviei uma carta à Folha e foi publicada:
Homofobia
Em "Homofobia não é crime" ("Ilustrada", ontem), João Pereira Coutinho argumenta que "é perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais. Como é perfeitamente legítimo o seu inverso". Não posso deixar de pensar que racistas pensem de forma semelhante. Ora, por que não posso odiar negros? Por que não posso odiar mulheres? Por que não posso odiar índios? Do ódio para a ação e para a violência.
Se pretender criminalizar a homofobia é errado, porque não gostar "deles" é aceitável, então vamos logo legalizar o Partido Nazista e importar a Ku Klux Klan, afinal, ter ódio é legítimo e somos todos "adultos" para entender a diferença entre odiar e agir baseados pelo ódio, não?
Raphael Tsavkko Garcia (São Paulo, SP)
Mas, vale notar, com algumas edições inexplicáveis, como é possível comparar com o texto que enviei originalmente (em vermelho o que foi excluído pela Folha):
João Pereira Coutinho raciocina (sic) que " é perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais. Como é perfeitamente legítimo o seu inverso.". Não posso deixar de pensar que racistas pensem de forma semelhante. Oras, porque não posso odiar negros? Porque não posso odiar mulheres? Porque não posso odiar índios? Do ódio para a ação, para a violência e o assassinato não resta sequer um passo. Se pretender criminalizar a homofobia é errado, porque não gostar "deles" é aceitável, então vamos logo legalizar o Partido Nazista e importar a Klu Klux Klan, afinal, ter ódio é legítimo e somos todos "adultos" para entender a diferença entre odiar e agir baseados pelo ódio... Não?
E, graças ao @senshosp, temos também um print jdo jornal impresso:
Não faço mais do que minha obrigação, aliás, é obrigação de tod@s, ao lerem absurdos como os do Coutinho, se manifestarem nas redes ou mesmo entupindo os jornais de cartas de repúdio.

Apenas unidos em prol de uma causa e abertamente repudiando aqueles que defendem o preconceito e o ódio em nome de uma tosca "liberdade" é que poderemos mudar alguma coisa.
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