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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Esse é o desenvolvimento de vocês

Comentário do @Gugapotter recebido no post "Zara, Belo Monte e a justificativa da escravidão por interesses" que merecia virar um post a parte. Excelente. Um apanhado sobre a visão do governo dilma e deste neo-PT sobre o real significado do desenvolvimento e o papel do trabalhador em unicamente garantir a ampliação dos lucros do andar de cima.
Primeiro, já sabemos do passado das outras hidrelétrcias. Não lembro o nome, mas uma no Pará deslocou forçadamente SEM INDENIZAÇÃO milhares de famílias.
Aqui no Piauí, para fazer a Transnordestina estão pagando indenizações de 5 reais. O juiz, pra derrubar uma bananeira, indenizou a família pelo preço de uma penca de bananas

E salvar quem cara-pálida?
Salvar a burguesia?? é isso?

Porque Belo Monte vai fornecer energia barata para as empresas, que explorarão os trabalhadores.
Para que empresas paguem merrecas a trabalhadores, quiça em condições iguais às da Zara.

Estudos do ILAESE (Instituto Latino Americano de Estudos Sócio-Econômicos) , o valor arrecadado com vendas pelas 500 maiores empresas sediadas no Brasil em 2010 foi de 1,3 TRILHÃO de DÓLARES!
Todas elas juntas empregam 2.874.961 trabalhadores.
ISSO SIGNIFICA QUE CADA TRABALHADOR PRODUZIU 452 MIL DÓLARES.
A pergunta que fica é: quanto eles receberam?

Esse é o desenvolvimento de vocês.
Lucro pro patrão, e trabalho pesado ao trabalhador??

Belo Monte salvará a quem?
Ao clã Sarney, um dos principais defensores do projeto, desde a década de 80?

Eu moro no NORDESTE e digo: Não, não trará desenvolvimento algum. Trará dinheiro às grandes empresas. Só isso.
Se quisessem tirar o trabalhador da agricultura de subsistência, que se investisse em AGRICULTURA, em COOPERATIVAS, em LINHAS DE CRÉDITO AO PEQUENO PRODUTOR.
Esse dinheiro poderia ser empregado pra melhorar a vida de trabalhadores, mas será usado pra fornecer energia a patrão...que explorará trabalhadores.

E sim, defendemos que os pobres tenham energia elétrica. Mas Belo Monte não é para isso. Repito, é para as empresas, não para as pessoas!

E não estamos colocando o abstrato acima do concreto.

Queremos que concretamente o governo invista nos trabalhadores. Que não idealize um mundo sem miséria, sendo aliado da classe dominante - isso sim é um idealismo puramente abstrato.
Que defenda a classe trabalhadora contra os patrões, que vivem querendo reduzir seus salários e reprimir suas greves!
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Flash Mob e Criminalização do Mov. Social


Que a criminalização dos movimentos sociais e dos atos de protesto, greves e reivindicações vem de longa data, todos sabemos, mas atualmente vemos uma evolução na forma de protestar que vem causando pânico nos patrões.

Se não é possível proibir ou criminalizar todo e qualquer protesto reivindicativo da classe trabalhadora, os patrões agora partem para tentar proibir o meio, o veículo de difusão e convocação dos protestos.


Li um interessante artigo sobre a tentativa das patronais de proibir protestos convocados, na Alemanha, via Flash Mob.

O crime não é mais o protesto em si e por si só, mas a forma como ele é convocado e seu resultado.

O sindicato alemão Verdi resolveu radicalizar, se as greves não surtem o efeito desejado, se os donos de grandes empresas não se sensibilizam ou são demovidos de sua eterna vontade de ferrar o máximo possível com o trabalhador, então a ação, a luta sindical deve partir para outro patamar, deve se valer do que há de mais eficaz e moderno para convencer, por bem ou por mal, aos patrões em ceder às reivindicações - sempre justas - dos trabalhadores.

A ideia para a flash mob de 2007 veio depois que as negociações salariais terminaram num impasse, disse Erika Ritter, responsável pelo setor de vendas em Berlim-Brandemburgo do sindicato Verdi, ao jornal Berliner Morgenpost. As greves não haviam ajudado - e foi por isso que eles tiveram a ideia de fazer uma ação no estilo das flash mob. Ela teve um efeito imediato em nossas negociações, disse Ritter, e o Verdi considerará fazer ações similares no futuro. "Mas só quando as conversações não tiverem nenhum efeito", observou ela.
É um fenômeno interessante o do uso do Flash Mob como arma na luta por melhores salários e condições de trabalho. Tal instrumento exige apenas alguns minutos, pouco esforço na organização e, com as tecnologias móveis de hoje (Computadores Coletivos Móveis [CCm], no falar de André Lamos) a organização/convocação dos trabalhadores para ações de enfrentamento e desafio do patronato se torna mais fácil e ainda mais eficaz, certeira.

Não é mais necessária uma paralisação completa do trabalho, apenas ações pontuais e localizadas de "terrorismo sindical" com o uso de ferramentas modernas para aterrorizar o patronato incapaz de compreender desde as razões que levam os trabalhadores a protestar, até o que há de mais moderno em termos de tecnologia. Na verdade, a elite tem pavor da tecnologia nas mãos de seus subalternos, tudo pode e será usado como arma contra a dominação e a exploração.

Isto, aliás, resgata o post anterior sobre a neutralidade da e na internet, se esta seria progressista ou reacionária (post que, por sua vez, retoma idéia do Sakamoto). O que se pode afirmar com certeza é que a internet PODE e DEVE ser usada como ferramenta ao progresso, atacando as bases da elite em seu próprio jogo.

Se não podem interromper - ainda que tentem - as greves e as justas reivindicações dos trabalhadores, acabou sobrando apenas a tentativa de proibir os "flash mobs", como se existisse alguma forma de fazê-lo, sem que isto signifique a censura aberta à internet - e à toda ferramenta de comunicação móvel - e ao direito à livre manifestação - na verdade, à sua mera convocação!

"Não é surpresa que a Associação de Comércio de Berlim-Brandemburgo não esteja impressionada. "Essa forma de ação industrial é intolerável", disse o chefe da organização, Nils Busch-Petersen ao Berliner Morgenpost. Foi a Associação de Comércio de Berlim-Brandemburgo que levou o caso da flash mob de 2007 para os tribunais.

A Associação de Varejistas Alemães (HED) concorda. A decisão do tribunal trabalhista levaria a "desigualdades perigosas durante as negociações, que favoreceriam os sindicatos", disse Heribert Jöris, especialista em salários da HDE ao jornal Badische Zeitung."
O mais divertido das desculpas esdrúxulas dos patrões e das associações comerciais é a de que há desigualdade nas negociações quando os funcionários encontram meios além do controle dos patrões para se manifestar e exigir direitos! Como se o mero poder econômico não fosse desigualdade suficiente numa negociação! Como se o mero fato de serem patrões já não lhes dessem vantagem suficiente!

Vale tudo na luta por direitos e garantias, por salário e trabalho. O recado é claro, os patrões devem se sujeitar às reivindicações vindas de seus funcionários sob penas tremendas, sob a pena de terem subvertidas suas estruturas de poder.
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