Mostrando postagens com marcador Tuma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tuma. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Torturada no regime militar relata papel de Tuma durante a Ditadura

E mesmo sabendo de tudo que a carta abaixo descreve, ainda existem aqueles que acreditam na santidade de Romeu Tuma e dizem que relembrar seu passado, que não apagar a memória nacional é tripudiar. E por isto censuram.

A carta abaixo foi escrita como resposta a uma matéria da Carta Capital em que a memória de um assassino e torturador era louvada. Na morte, todos viram santos.

Queridos amigos,

A revista Carta Capital publicou, na edição dessa semana, matéria referente à morte do senhor Romeu Tuma que me chocou por algumas afirmações que não condizem com a verdade. Muitos veículos já deram o mesmo tratamento ao propagar o currículo do cidadão em questão, no entanto, como se trata do único veículo impresso que ainda assinamos em minha casa, me senti na obrigação de responder .

A carta é longa, portanto, não será publicada, por isso reproduzo-a abaixo e compartilho, pelo menos com vcs, minha indignação.

Grande beijo a todos,
Márcia Bassetto Paes
 

São Paulo, 03 de novembro de 2010.
SR. MINO CARTA
DIRETOR DE REDAÇÃO
REVISTA CARTA CAPITAL
Caro Sr. Mino Carta,
Antes de entrar no assunto que me motivou a escrever, quero parabenizar a toda a equipe da Carta Capital e ao senhor pelo excelente trabalho jornalístico ao longo desses anos e agradecer, particularmente, a postura séria e transparente adotada na cobertura das eleições. Acompanhei, estarrecida, os atos persecutórios da vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Coureau e, com admiração, a forma como o senhor enfrentou e provou o quão absurdas eram as acusações.
Faço questão de frisar, ainda, que Carta Capital é a única publicação impressa que assinamos em minha casa e recomendamos, eu e meu marido, aos amigos e todos aqueles que prezam o jornalismo de qualidade.
No entanto, me chama atenção a matéria “Servidor do Estado – Romeu Tuma, exemplar responsável e muito competente” publicada na edição de 03 de novembro  em referência ao falecimento desse senhor. Sinto na obrigação de expressar o meu espanto com o equívoco de algumas informações e omissão de outras.
A matéria se refere a esse senhor como tendo “atuado no DOPS ainda sob as ordens de Sérgio Paranhos Fleury, na qualidade de “analista de informações” (com aspas na publicação), em plenos anos de chumbo, Romeu Tuma participou do combate às organizações de esquerda”.
O artigo, mais à frente, afirma ainda que “sempre se declarou contra a violência, e expressamente a proibiu desde sua nomeação à chefia do DOPS em 1977”.
Ao longo destes anos, tenho lido em vários veículos de comunicação referências equivocadas ao período que Romeu Tuma esteve no comando do DOPS. Porém, o fato da Carta Capital incorrer nos mesmos equívocos, me obriga a testemunhar a respeito.
Fui presa, junto com Celso Giovanetti Brambilla e José Maria de Almeida, na madrugada de 28 de abril de 1977. Na época éramos militantes de uma organização clandestina, trabalhávamos em indústrias metalúrgicas e morávamos em São Bernardo do Campo.  Estávamos em plena ditadura e a falta de liberdades democráticas e a supressão do Estado de Direito eram o combustível que nos impelia a fazer parte de uma organização  que lutava pelo restabelecimento da  democracia. Tínhamos eu, 20, Zé Maria, 19, e Celso, 22 anos.
No momento da prisão distribuíamos panfletos que aludiam ao 1 de maio,  data histórica de conquistas sociais pelos trabalhadores, e chamávamos a atenção ao fato do Brasil estar vivendo sob total falta de liberdades democráticas.
A prisão aconteceu por volta da 01 da manhã (distribuíamos panfletos para o turno da noite) quando fomos abordados e presos por policiais militares  que nos encaminharam para uma delegacia em Ribeirão Pires. Depois de sumariamente interrogados, fomos algemados e colocados na “gaiola” de um camburão. Os mesmos policiais militares rodaram conosco por muitas horas, dando a entender que não sabiam onde nos levar. Percebemos que havia um conflito nas orientações recebidas pelo rádio, ora nos encaminhavam ao DOPS ora ao DOI CODI. Finalmente fomos, por volda das 06h00 da manhã,  deixados no DOPS. Após rápida identificação fomos levados às salas de torturas e barbaramente torturados por vários dias.
Tivemos a incomunicabilidade decretada por dez dias e depois prorrogada por mais dez e o enquadramento na Lei de Segurança Nacional.  Nos últimos dias de incomunicabilidade foram administrados tratamentos médicos para que lesões, hematomas, feridas e outras marcas de tortura fossem amenizadas e assim pudéssemos ser apresentados aos advogados e familiares. Procedimentos que pouco valeram a Celso Brambilla que sofreu perda da audição total em um ouvido e parcial em outro,  em conseqüência das torturas e maus tratos.
A indecisão da polícia militar em saber qual seria nosso destino, se devia à uma disputa de poder que se dava naquele momento entre os dois  órgãos de repressão. Tal fato levou à que o então Diretor da Divisão de Ordem Social Sérgio Paranhos Fleury enviasse memorando de esclarecimento, com data de 30 de abril, ao “ILMO. Sr. Dr. Diretor do Departamento Estadual de Ordem Política e Social Romeu Tuma” (sic no documento em questão), relatando as atrapalhadas das polícias Militar,  Civil e Exército. Anexado ao memorando constava um relatório do então Delegado Adjunto da Divisão da Ordem Social Luiz Walter Longo (os memorandos hoje constam do Arquivo do Estado e referem-se às cópias em anexo 01, 02 e 03). O mesmo memorando culpa a confusão entre esses poderes pelo vazamento da notícia à imprensa. Fato que não é verdade, pois a denúncia à imprensa foi empreendida pelos meus companheiros de organização que denunciaram as prisões ao DCE da USP e convocaram uma mobilização contra as prisões.
A hierarquia do DOPS naquele ano de 1977 e no caso da equipe que investigou meu caso, como atestam os documentos em anexo, era a seguinte:
1.   Na base: Sr. Luiz Walter Longo – chefiava a equipe de investigadores que torturaram a mim, ao Celso Brambilla e ao Zé Maria, tendo, inclusive participado de várias seções; que se reportava ao
2.   Intermediário: Sr. Sérgio Paranhos Fleury: desceu várias vezes aos porões para ver in loco como iam os “interrogatórios” e, inclusive, ia checar, no período de tratamento, se já estávamos em condições para sermos apresentados aos parentes, que se reportava ao
3.  Sr. Romeu Tuma.
Portanto, é falsa a afirmação que Romeu Tuma “atuou no DOPS sob as ordens de Sérgio Paranhos Fleury, na qualidade de ‘analista de informações’ “. Ele era o Diretor Geral, superior a Sergio Paranhos Fleury.
É possível, ainda, resgatar nos Arquivo do Estado, a relação de presos emitida no dia 29 de abril de 1977 (documento também em anexo). São exatamente 20 presos, sendo  13 estrangeiros acusados de estarem ilegais no País, os outros 7, presos para “averiguações”, dentre os quais figurávamos eu, Celso Brambilla e Zé Maria. Este documento fora assinado pelo sr. Amadeu Marastoni, então Guarda das Prisões (carceireiro) que presenciou, inúmeras vezes, o traslado dos presos das celas para as salas de tortura (saíamos mais ou menos andando e voltávamos, a maioria das  vezes desacordados,  ensangüentados e arrastados).
Pergunto:
1.   Que tipo de Diretor “muito competente” é esse que recebe de um subordinado um memorando relatando uma enorme confusão envolvendo o departamento da Secretaria de Segurança Pública ao qual dirige, o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) órgão subordinado ao Exército e a Polícia Militar do Estado e não procura saber de quem e do que se trata (quando foi formalizado esse memorando, em 30 de abril, estávamos há 2 dias sendo torturados quase que ininterruptamente)?  Obs: Romeu Tuma sempre afirmou que não sabia das torturas.
2.  Como pudemos ficar 3 meses presos no DOPS até sair a ordem de transferência para o presídio especial, sob regime de prisão preventiva, torturados por mais de dez dias, sendo que um dos presos ficou surdo e precisava de atendimento médico especializado, sem que este “Servidor do Estado, exemplar responsável” tomasse conhecimento?
3.  Que competência é esta que desconhece o que se passava em um estabelecimento não muito grande, como eram as dependências do DOPS, sem revestimento acústico nas salas de tortura, com apenas 20 presos sob sua guarda, sendo 3 acusados de “ligações subversivas internacionais com o intuito de tomar o poder” – acusação bastante séria e passou batido pelo Diretor Geral?
4.         E, ainda, se fosse verdade que Romeu Tuma era contra a violência e “expressamente a proibiu  desde a sua nomeação à chefia do DOPS em 1977” então ele não passava de um incompetente na Direção daquele Departamento, pois suas ordens de nada valiam, pois a tortura era praticada sob seu bigode.
Acrescento, inclusive, que meu advogado Idibal Piveta (esse sim competentíssimo), moveu processo quando estávamos sob regime de prisão preventiva contra  4 investigadores e o delegado Luiz Walter Longo, identificados por mim e Celso Brambilla, por prática de torturas,  e como esse “exemplar cidadão” desconhecia esse processo contra subordinados?
Estas prisões tiveram enorme repercussão na sociedade como um todo. Aconteceram inúmeras passeatas e manifestações de estudantes em todo Brasil, com repercussão internacional. Artistas promoveram uma jornada pela anistia e fim da tortura, em São Paulo, em maio daquele ano, quando todos os teatros abriram gratuitamente suas portas. Um curta produzido por estudantes da Faculdade Medicina e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – O Apito da Panela de Pressão – documentou as manifestações da chamada  ‘geração 77’.
Graças a essas mobilizações estou aqui hoje para contar essa história. Se eu e meus companheiros dependêssemos desse “Servidor do Estado”, estaríamos fazendo parte das estatísticas dos mortos pelas torturas.
Estas ponderações deduzem que, no mínimo, o sr. Romeu Tuma deveria ser acusado de omissão.
Por isso  se faz tão necessário o  levantamento dos responsáveis pelas torturas e mortes que aconteceram nos anos da ditadura militar, bem como a  revisão da Lei da Anistia. Igualmente necessário avaliar seriamente a proposta do juiz Baltasar Garzón  de criação da Comissão da Verdade, para investigar crimes da ditadura militar e a abertura dos arquivos de torturas e desaparecimentos.
Concordo também  com a idéia de que é à sociedade e ao Judiciário que competem dar impulso maior para que o Legislativo crie a Comissão da Verdade e assim assente  a primeira pedra numa reconciliação nacional verdadeira.
Muitos relutam e relutarão em abrir essa discussão, afirmando que é questão fechada. No entanto ela  está viva e respira . Foi colocada, despudoradamente, pela campanha de José Serra,  na mesa do jogo eleitoral, nas acusações contra Dilma Rousseff.  Milhares de e-mails e mensagens acusando a candidata de terrorista foram replicados nas redes sociais. Acusações que há um ano atrás jamais poderíamos supor que tivesse o aval do candidato Serra.  Muitos jovens de 17, 18, 20 anos passaram a argumentar que não votariam em terrorista sem ter idéia do que estavam falando e a que período da história do País se referiam. Estes jovens já demonstram o quão é absolutamente necessário ler essa página da nossa história para entendê-la e passá-la a limpo.
Peço desculpas por ter  me alongado tanto nas digressões a respeito desse caso. Se o artigo em questão tivesse sido publicado em qualquer outro veículo da grande mídia não teria me estendido em  tantos pormenores. Como se trata da Carta Capital, me senti na obrigação moral de fazê-lo.
Atenciosamente,
Márcia Bassetto Paes
 
------

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O que é preciso para transformar em herói a um assassino e torturador?

O que é preciso para transformar em herói a um assassino e torturador? O que é preciso para que um criminoso se torne santo? O que é preciso para se apagar a memória?

Baste que a nefasta figura morra.

E que a mídia resolva tomar as dores e louvá-lo, pelo seu maravilhoso trabalho na eliminação da praga comunista do país, ou melhor, que convenientemente apaguem a verdadeira história do delegado que de um lado "encontrava" Mengele e do outro mandava matar militantes de esquerda e que controlava um dos piores carniceiros da ditadura, Fleury.

Romeu Tuma já foi tarde, mas infelizmente não pagou em vida por seus crimes. E são incontáveis.

Diferentemente do Sakamoto, eu não respeito o sofrimento de sua família. Eles podem chorar, mas seu "sofrimento" me parece escárnio.
Respeito o sofrimento de sua família. Mas todos – políticos, jornalistas, cientistas sociais – os que foram críticos a ele em vida não podem se atirar na estúpida condescendência para com os mortos, seja atrás de sua herança eleitoral, seja em nome de uma demagogia barata ou do apaziguamento tupiniquim. Não nos esqueçamos que ele dirigiu o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) durante a ditadura, instituição que moeu gente contrária aos verde-oliva e ao “Ame-o ou Deixe-o” dos anos de chumbo. Isso só para citar um ponto de sua controversa biografia, agora incensada.
Respeito merecem as famílias de suas vítimas.

Quem deve chorar são os que perderam filhos, irmãos, pais, amigos, companheiros e companheiras, são as vítimas e seus parentes e não quem olhava nos olhos de um monstro e fingia não ver a realidade.

Quem deve chorar, ainda, são os que tiveram os corpos de seus parentes ocultados por este monstro e que até hoje não puderam enterrá-los.

A família de Romeu Tuma enterrará um corpo. E quanto aos que não poderão jamais fazê-lo pelas ações deste que, hoje, é louvado pela mídia como grande policial e senador?

A morte santifica, faz esquecer, torna heróis mesmo aos piores assassinos.

Tuma morreu sem pagar por seus crimes. Quantos mais, delegados, policiais, civis e militares, estão vivos, morrendo ou já mortos e jamais pagarão por seus crimes, pela tortura e morte de brasileiros que lutavam (ou mesmo que sequer lutav[r]am)?

Esta miserável Lei da Anistia que não só garante a liberdade aos assassinos, mas também promove o esquecimento, passa a falsa imagem de perdão, quando na verdade ninguém jamais pediu desculpas - e não faria diferença se o fizessem. Uma lei que serve apenas para confirmar o caráter de um país conivente com a violência, com a barbárie e que convive diariamente com as mesmas práticas da Ditadura, mas apenas se revolta se a vítima for da Zona Sul ou dos Jardins ou se a mídia se interessar pelo caso e alguma celebridade estiver envolvida.

Aos negrinhos da favela, aos pobres da periferia, a Rota (novamente nos lembramos do Tuma) toma conta, dá o recato. Ou talvez o Bope ou mesmo a polícia "comum". A barbárie se perpetua. Os crimes de ontem foram "perdoados", os de hoje são comuns, aceitos. Serão perdoados no futuro ou já foram internalizados pelos brasileiros.

Comentários, quase depoimentos emocionados, como os do Nassif apenas me envergonham:
O delegado Romeu Tuma foi uma das pessoas mais educadas que conheci em minha carreira profissional. Mas também um dos grandes enigmas. Sempre foi o bom policial, em contraposição ao delegado Fleury, o mau.
[...]
Depois disso, cruzamos algumas vezes em eventos. Ele sempre educado, voz mansa, tipo agradável. Mas com muitas e muitas histórias que certamente jamais registrou.
Enfim, Romeu Tuma merece apenas nosso desprezo mais profundo, as louvações à sua memória por sua vez merecem nosso repúdio e em nome das vítimas, devemos continuar lutando por seu reconhecimento, por seus direitos, pela punição dos torturadores e para que a memória dos que torturaram seja manchada e jogada no lixo da história.

Uma pena que Tuma morreu sem dor, sem pagar por seus crimes.
------

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Romeu Tuma, o Santo.

Os "bons companheiros" Sérgio Fleury (1º, da esq. p/ a dir.) e Romeu Tuma (3º), no auge da ditadura, quando atuavam no Dops.
Romeu Tuma - pena - ainda não morreu. Mas há quem o considere um santo. E, infelizmente, esta idéia não vem de nenhum blog de direita ou saudosista da Ditadura.

Mas existem coisas inaceitáveis, uma delas é, em nome de uma eleição e de um suposto aliado, tripudiar sobre a memória histórica do país e sobre as vítimas da Ditadura e seus familiares.

Neste post, o Vi o Mundo reproduz uma mensagem do filho do Torturador, reclamando da barrigada da Folha de são Paulo que, para ajudar a candidatura de Aloysio Nunes (PSDB) anunciou que Tuma havia morrido (infelizmente está só quase). A atitude da Folha, como comentei aqui, é ridícula, abusiva, lamentável, criminosa. chamem como quiserem. Mas pra mim é igualmente repudiável abrir espaço para a família do torturador se mostrar ofendidinha.

Eis o que eu disse nos comentários:
A Folha matou o jornalismo, o Tuma matou militantes de esquerda. Matou, torturou... Vergonhoso o Vi o Mundo republicar uma carta do filho desse assassino, isso é um vale tudo vergonhoso.
E o que a Conceição me respondeu:
Raphael, para de falar besteira. O Tuma não matou militantes de esquerda. Quem matou foi o Sérgio Paranhos Fleury, quando dirigia o DEOPS de São Paulo, e gente da equipe dele. Para vc ter uma ideia na ante-sala dele (Fleury) no DEOPS ficavam dois policiais com duas poderosas metralhadoras. Outro lugar onde se matou militantes foi no DOI-CODI, na rua Tutóia. Lá morreram Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho. Naquela altura, quando o pessoal era transferido para o DEOPS era um alívio. Sabia que ia sobreviver. Na época em que o Lula esteve preso, o Tuma é quem chefiava o DEOPS. Teve um dia que o Lula teve um tremendo problema no dente, ele arrumou dentista para cuidar do Lula. A tua intervenção é tão sacana, inclusive conosco do Viomundo, que não merecia resposta. Mas em respeito à verdade dos fatos, aos leitores do Viomundo e ao senador Romeu Tuma, eu não podia deixar passar batido a sua estupidez.



Eis minha tréplica:
Conceição, me desculpa, mas o fato de Tuma ter virado amiguinho do PT não o torna decente. Tuma encobriu torturas, defendeu torturadores, assinava documentos dizendo que presos assassinados haviam se suicidado.

O fato dele ser, hoje, "aliado" não torna seu passado menos execrável e por ter ajudado o Lula muito menos. Um Minuto de lucidez - imaginando provavelmente que Lula seria alguém algum dia, mais do que o que ele já era - não o exime de ter sido quem foi.
http://correiodobrasil.com.br/dops-nao-escapara-d... http://dojival65788.blogspot.com/2010/09/depoimen...

Quem sofreu as consequências da invasão da PUCSP também sabe quem é Tuma.
http://flitparalisante.wordpress.com/2007/07/09/d...

Ocultação de cadáveres (junto com Maluf) também não é nada?
http://www.torturanuncamais-rj.org.br/noticias.as... http://www.prsp.mpf.gov.br/prdc/sala-de-imprensa/...

Querer colocar um delegado do DOPS, Tuma, como bonzinho é uma OFENSA à memória das famílias que perderamj seus entes queridos durante a ditadura. Uma eleição não vai mudar ou apagar o passado.

Romeu Tuma era um delegado do regime, que mandava matar e torturar. 

Tuma pode até não ter matado com as próprias mãos, pois se comportava como um político, não se sujava no sangue dos que MANDAVA torturar e matar, mas mandar matar é o mesmo que ser ele mesmo o assassino.

Me desculpem, mas alguém acredita que um homem chega a delegado do temível DEOPS sendo um santo? Em plena Ditadura Militar alguém tem coragem de dizer que Tuma era um santo?

O episódio com o Lula é tão único e emblemático que o próprio Tuma o usou em sua propaganda política, alguém duvida que ele tenha sentido cheiro de sucesso no Lula já naquela época e resolveu pegar leve esperando ganhos futuros?

Tuma era PFL, filhote da ARENA, Delegado da central de torturas da Ditadura. Só este currículo já basta.

Mas sempre tem mais. O santo Tuma está sendo acusado, junto com outro santo, Maluf, do também aliado PP, de ocultação decadáver. Isso mesmo, de oculta cadáver de guerrilheiro de esquerda:
O Ministério Público Federal em São Paulo ingressou nesta quinta-feira na Justiça Federal com duas ações civis públicas para que sejam responsabilizados agentes públicos da União, Estado e prefeitura por ocultação de cadáveres nos cemitérios de Perus e Vila Formosa. Os cadáveres seriam de opositores do regime militar instaurado no País a partir de 1964.

Entre as autoridades, o MPF recomenda a responsabilização do delegado e hoje senador Romeu Tuma e do ex-prefeito da capital paulista Paulo Maluf. Além deles, do médico legista Harry Shibata, ex-chefe do necrotério do Instituto Médico Legal de São Paulo; , atualmente deputado federal, e Miguel Colasuonno (gestão 1973-1975), e de Fábio Pereira Bueno, diretor do Serviço Funerário Municipal entre 1970 e 1974.
Mas, realmente, hoje ele é "aliado", porque se importar com o passado? Porque respeitar as vítimas e suas famílias? É este o vale-tudo eleitoral, onde um canalha capacho da Ditadura é elogiado e defendido pela própria esquerda?

Ser mandante é crime menor, ou sequer crime?
O hábil Vice-Rei continuava o profissional de imagem ilibada — que trabalhara ao lado do truculento delegado Fleury, sem se contaminar pela péssima fama do colega E que estava ao lado do Coronel Erasmo Dias na invasão da PUC paulista, mas transferindo o peso da desastrada operação para cima do Secretário de Segurança. O episódio, aliás, demonstrou como um bom artista pode se sair bem em qualquer enredo. Enquanto o canastrão Erasmo Dias atropelava os estudantes, o habilidoso Tuma reservava para si o simpático papel de fazer a triagem dos prisioneiros — depositando os inocentes, a grande maioria, nos braços agradecidos dos pais. Virou herói. Com direito a reprise. Em 79, na greve dos jornalistas, foi esse herói quem delegou aos seus auxiliares a tarefa de prender, fichar e interrogar os presos, enquanto na outra sala consolava e tranqüilizava os parentes dos jornalistas
Podemos trazer o Marighella pra roda?
"Em 1969, ano em que Marighella foi assassinado, o chefe do serviço secreto era Romeu Tuma, hoje senador pelo PTB e corregedor da Casa", salienta Sacchetta para depois acrescentar que "os culpados pela morte de Marighella devem ser responsabilizados sem revanchismo".
Mas, talvez, assinar documentos falseando a realidade, colocando mortos sob tortura como suicidas não seja grande problema:
E meu professor de Direito na UPS, Gofredo da Silva Telles, falou assim para a Folha, em outubro de 2000:

Romeu Tuma assinava documentos comprometedores. Os papeis avalizariam versões policiais de que presos mortos sob tortura haviam de suicidado.
Felizmente eu não sou o único que se revolta contra Tuma "aliado" (recomendo a leitura completa do post linkado):
Outra coisa: quem tem um mínimo de conhecimento da história - e não perdeu a memória - jamais chamará Tuma de "meu mano". Meu mano, ele não é. Nunca será!
Que me desculpe o pessoa do Vi o Mundo, um dos melhores blogs brasileiros, mas Tuma é um criminoso, um torturador e assassino que defendeu o Regime Militar e foi um de seus cãos mais fiéis e não merece, aliás, não terá meu respeito, apenas meu mais profundo desprezo.

Para finalizar, fico com as palavras do grande Lungaretti, que dispensa apresentações, sobre quem é Romeu Tuma:
Para quem não se lembra, Tuma era superior hierárquico do pior assassino serial da Polícia Civil durante a ditadura militar, o delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Diretor-geral da Delegacia de Ordem Política e Social no auge do terrorismo de Estado, Tuma passou depois a chefiar o Serviço de Informações do seu sucessor, o Departamento Estadual de Ordem Política e Social -- função que ocupava durante o Caso Herzog.
[...]
Da mesma forma, Tuma sempre conseguiu manter "uma distância oceânica" das torturas e assassinatos cometidos por Sérgio Fleury. Nenhum ex-preso político se lembra dele como torturador, mas Ivan Seixas garante que ele analisava as informações arrancadas nas torturas e decidia quem (e quanto) seria torturado.
Aliás, ainda cabe mostrar (no vídeo que segue) quem é Ivan Seixas, militante do Movimento Revolucionário Tiradentes - e filho do grande Joaquim Seixas -, que tem total propriedade para acusar Romeu Tuma de ser responsável por torturas.



Ivan Seixas na USP from Raphael Tsavkko on Vimeo.
------