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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Aécio, o ébrio. Ou o teto de vidro de alguns.

Causou histeria o vídeo de Aécio Neves, mamado em um bar de Minas Gerais. Histeria especialmente naqueles que mais teto de vido tem, os petistas.
Não discordo que uma figura pública deva ter mais responsabilidade com sua imagem que nós, reles mortais, mas da mesma forma não acredito que figuras públicas sejam super-humanos puros e límpidos que não tem o direito de tomar umas ou mesmo fazer uma cagada inocente de vez em quando (cagada inocente me refiro a, por exemplo, ficar bêbado e não roubar ou, como já fez o Aécio, digrigir bêbado, o que é cime).

Aécio é humano. Lula é humano e não amos nos esquecer das fotos em que ele aparecia visivelmente bêbado, com os olhos vermelhos e a cara de quem tinha passado da conta. As críticas - e foram muitas - da mídia eram hipócritas, as ríticas dos tucanos eram hipócritas e muitos ainda continuam na mesma pegada.

Logo, o contrário, a crítica dos petistas ao Aécio são tão hipócritas quanto. Apenas repetem a estupidez uma vez dita contra eles.

Quem nunca se embebedou e perdeu a noção? Atire a primeira pedra o puro que nunca pagou um mico depois de beber demais, que nunca trocou as pernas e nunca saiu em foto/video comprometedor(a) em decorrência da mardita pinga.

E não me importa que estejamos falando de figura pública ou não, pois em horário de folga somos todos humanos. Se o episódio tivesse ocorrido em evento oficial, em horário de trabalho e etc, aí sim a crítica seria válida, mas não foi isso que aconteceu. Era de noite, era um bar e não um jantar oficial.

Já virou costume que petistas usem qualquer coisa para atacar seus desafetos - e mais alguns oportunistas que se juntaram ao coro -, mas é impressionante como são incapazes de enxergar seu próprio teto de vidro e mesmo a si próprios.

Apenas como exemplo do oportunismo petista cito o episódio do Babá queimando uma bandeira de Israel, oras, petistas chegaram a praticamente APOIAR Israel apenas para atacar o PSOL!

Não tenho qualquer simpatia pelo Aécio - na verdade é o próprio PT de Minas que gosta dele -, mas sou totalmente solidário neste momento.

Faço minhas as palavras do Futepoca:
Este blogue, por uma questão evidente de coerência, vem defender a pessoa do senador Aécio Neves, a despeito das diferenças políticas abissais que possamos ter com ele. O vídeo acima, que vem fazendo sucesso nas redes e mostra o tucano aparentemente embriagado, tem servido para uma série de ataques que beiram (ou carregam e atravessam) a hipocrisia. Quem nunca tomou um porrezinho, ficou em um estado semelhante ou conhece alguém que tenha procedido de modo similar?
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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Direção alcoolizada: Apenas parte do problema em meio à ausência de alternativas

Sei que estarei sendo simplista neste texto, mas acredito que preciso comentar sobre um dos aspectos - dos vários - que reforçam o uso do carro por pessoas potencialmente embriagadas, causando os acidentes e mrotes que nós já, infelizmente, estamos acostumados a ver.

Falo da completa ausência de alternativas - durante a noite e madrugada - de transporte público (de qualidade). Em muitos casos depois da meia noite até 4-5 da manhã não há efetivamente nenhum alternativa, não há ônibus ou metrô disponível, e muitos "points" de bares - como a Vila Madalena, em São Paulo - são pessimamente servidos por transporte público a qualquer hora do dia.

Há em alguns momentos/lugares a total falta de transporte público e em outros a ineficiência cmpleta daqueles que prestam serviço nos locais mais badalados.

Ampliar penas e multas para quem bebeu e está dirigindo, como vem sendo discutido pela Câmara não faz nada além de ampliar uma criminalização muitas vezes inócua. Já se viu que pouco tempo depois da lei mais dura passar a valer os índices de acidentes, de apreensões e afins continuam altos. A violência no trânsito não diminui devido a estas medidas - talvez - draconianas.

Temos uma mania persistente de achar que tudo no país se resolve através de leis e de medidas duras, de punição simplesmente, mas não damos nenhuma alternativa viável para que se evite cometer o crime/infração.

Direção alcoolizada muitas vezes não é uma opção, não é algo que o motorista simplesmente decide. "Hoje eu vou dirigir bêbado porque é legal". Muitas vezes a pessoa vai num bar, na casa de um amigo e não tem como voltar para casa. Numa cidade como São Paulo em que já se paga absurdos em um bar, não é factível esperar que se percorra grandes distâncias em um taxi com bandeira 2. A "solução" é dirigir, torcer para não ser pego e, claro, para não fazer nenhuma besteira.

É óbvio que não aprovo tal comportamento, tão somente descrevo a realidade.

É óbvio que apenas transporte público de qualidade, 24h por dia, não resolve ou resolverá todos os problemas. Há sempre o playboy que quer exibir seu carro, há o total inconsequente, e quem simplesmente não queira seguir a lei porque pouco se importa com ela.

É uma questão até engraçada considerar que estar bêbado torna-se um crime no momento em que se entra num carro - mas não em qualquer outra situação -, mas em nenhum momento alguém - poder público - para para pensar que cabe também a ele tomar medidas não apenas punitivas para evitar o "problema".

É muito mais fácil punir, condenar e lavar as mãos, colocar todos os problemas apenas em irresponsabilidade e na bebida - que é uma droga lícita, com aval do Estado, é sempre bom lembrar, e até incentivada, visto que o governo faz questão de agradar a FIFA liberando bebida em estádios, logo, fazendo propaganda de seu uso - do que enxergar a profundidade da questão.

O que se vê é a total falta de preocupação com alternativas e com solução. Pune-se o motorista (novamente, não digo que está certo beber e dirigir), mas não se oferece nenhuma alternativa.

Acredito ser necessário pensar em alternativas, em ampliação do transporte público durante à noite, em campanhas sérias de conscientização que possam ir além da mera criminalização e medo de punição e em medidas para reforçar que direção alcoolizada é, antes de tudo, um perigo para o pedestre e também para o motorista, mais do que apenas pintar o motorista como um assassino inconsequente - mas consciente.

Claro que ainda seria necessário uma série de medidas como reformar a polícia - é muito fácil escapar de punição com uma not de 20 ou 50 dadas a um guarda -, reformar o transporte público que é um lixo mesmo durante o dia, reformar a cidade e evitar a concentração de polos de lazer em poucos locais obrigando s pessoas a grandes deslocamentos e por aí vai.
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sábado, 30 de maio de 2009

Toque de recolher: Europa.

Já comentei aqui sobre a questão do Toque de Recolher, imposto por algumas cidades do interior de São Paulo aos seus jovens. Minha opinião: Vergonhoso, é o Estado se eximindo da responsabilidade de educar e garantir a segurança da população e atentando contra o direito de ir e vir - garantia constitucional - e passando por cima da prerrogativa dos pais de controlar seus filhos (ainda que estes também sejam culpados pelo descontrole de muitos jovens).
"Alarmados com o aumento da delinquência e do alcoolismo entre os jovens, alguns países europeus começam a adotar o toque de recolher para adolescentes como forma de combater o problema"
Acredito que a análise feita para o caso brasileiro sirva igualmente para o europeu. Falta de controle por parte do Estado, falta de controle por parte dos pais, falta de perspectivas - especialmente nas pequenas cidades - de entretenimento (tudo hoje se resume ao capitalismo, ao comercial, as opções diminuem, tornam-se inalcançáveis) e etc.

Os Estados adotam o caminho, aparentemente, mais fácil, isolam os jovens sem, porém, atacar os reais problemas, os reais motivos que levaram os jovens à violência e ao alcoolismo e deixam para mais tarde os reflexos maléficos da revolta e das condições sexuais. Jovens insatisfeitos serão adultos e velhos insatisfeitos, por mais que o Estado tente esconder os efeitos agora.

Na Rússia, o presidente Dmitri Medvedev acaba de conseguir no Parlamento a aprovação de uma nova lei que permite a imposição do toque de recolher para o período das 22h às 6h aos jovens desacompanhados de maiores de idade. As restrições, no entanto, devem variar de cidade para cidade. Em Volgogrado (a antiga Stalingrado), as autoridades já anunciaram que pretendem implementar a lei ao pé da letra. Moscou também deve aderir, mas, pelo menos por enquanto, não tem a intenção de ser tão rígida. Na cidade que nunca dorme - há todo tipo de comércio aberto 24 horas por dia - existe apenas a recomendação aos pais de saber por onde andam os filhos no período vetado.
O caso russo é emblemático. Um país ainda afundado em problemas sociais, étnicos (como mostrei algumas vezes aqui, aqui e aqui), uma completa falta de perspectiva de futuro para muitos jovens - em especial das pequenas cidades, como pode ser visto aqui - e uma situação econômica problemática (que era terrível depois do fim da URSS, deu uma melhorada e depois voltou ao caos), além de níveis extremos de desemprego.

Dado o gosto Russo para medidas restritivas e punitivas, o toque de recolher não surpreende, na verdade seria até esperado.

A proibição vale para locais públicos como bares, restaurantes, parques, transportes, cibercafés, estádios e praças. Mas pode ser estendida de acordo com a leitura das autoridades dos lugares que consideram prejudiciais para o "desenvolvimento físico, espiritual e moral" das crianças. Os jovens infratores desacompanhados poderão ser detidos. E os pais ou responsáveis terão que se entender com as autoridades e estarão sujeitos a multas.

Já na Alemanha, segundo a lei de proteção da juventude, uma das mais rigorosas da Europa, jovens de até 16 anos não podem andar nas ruas ou frequentar shows de rock, discotecas ou restaurantes depois das 22h. O toque de recolher para adolescentes entre 16 e 18 anos é meia-noite. A vida noturna de Munique, no sul da Alemanha, por exemplo, ficou mais pobre com o fechamento do famoso clube Maxsuite. O clube, o principal ponto de encontro dos jovens da cidade, perdeu a licença de funcionamento por ter permitido o ingresso de adolescentes de 15 anos.

A proibição de menores em shows, discotecas e afins não surpreende, tal instrumento é aplicado em vários países, nada a comentar, porém é interessnate ver a completa proibição da circulação de menores, uma verdadeira limitação da liberdade de locomoção. E, pior, com a desculpa de que isso é para defender os jovens!

Na Espanha, por sua vez, o alvo é o chamado "botellón" (garrafão), bebedeira multitudinária ao ar livre, em praças e parques de todo país, de onde alguns adolescentes saem diretamente para o hospital em coma alcoólico. Lei antiálcool aprovada em 2006 proibindo que se beba ao ar livre também procurou secar a fonte dos jovens: não se pode vender bebidas alcoólicas em lojas e mercados entre 22h e 8h. Se o estabelecimento infringir a norma e vender para um menor de idade, a multa é de 600 a 10 mil euros. No entanto, um estudo divulgado há dois meses pela Organização de Consumidores constata que a lei não está sendo respeitada: 75% das vezes os menores compram bebidas alcoólicas sem problemas.
Já na Exspanha, ao menos buscarma atacar o problema e não os jovens, louvável, proibi-se a venda de álcool em determinado horário e em especial para os jovens, atacando assim um problema prático, o alcoolismo, e não limitando a liberdade dos jovens e da população em geral. Surpreende, porém, que uma medida não punitiva venha da Espanha, Estado que é célebre por suas medidas opressoras, tortura e perseguições.

Quanto ao fto da lei não ter "pego", esperamos que a Espanha não passe à repressão abertae irrestrita, como seria de esperar de tal país.

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A questão, no fim das contas, não é sobre a efetividade ou não do Toque de Recolher. É de se esperar que, fato, a violência diminua pelo maior policiamento, pela maior visibilidade e fiscalização, porém, a medida me parec epaliativa. O jovem violento de hoje não deixará de sê-lo poruqe existe um toque de recolher. Apenas irá desviar sua raiva para outro horário, para outro fim e, no fim das contas, não muda muita coisa.

Atacar um direito fundamental não é solução.
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