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quarta-feira, 14 de abril de 2010

The Angry Brazilian na TV Cultura - Os vídeos

Os vídeos das 4 partes do programa e, primeiro, o especial que foi ao ar só pela internet com 15 minutos em que discuto também a ALTERCOM e o Global Voices Online, além de outros projetos.




TV Cultura - YouLog from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Parte 1:

TV Cultura - Login from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Parte2:

TV Cultura - Login from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Parte3:

TV Cultura - Login from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Parte4:

TV Cultura - Login from Raphael Tsavkko on Vimeo.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010

The Angry Brazilian hoje na TV Cultura [Update2]

Meus camaradas e minhas camaradas, hoje pagarei o mico do ano e participarei ao vivo de um debate no programa Login da TV Cultura entre 19-20h onde falarei - ou engasgarei - sobre "o ativismo político dos jovens".

Aos que quiserem rir um pouco, recomendo que assistam!=P

Ao @caribe que me colocou nesta fria... Deixa pra lá!=)

Mas falando sério, não sei quanto tempo terei para falar, segundo informações que me passaram duas diretoras do programa, o debate deve durar uns 20 minutos e outras duas pessoas estarão presentes - uma delas algum diretor ou o presidente da UBES - então o tempo é escasso para um debate aprofundado.

Mas minha linha de raciocínio, já adianto, é a de que os jovens de hoje são sim extremamente alienados. Na minha visão, sem qualquer estudo aprofundado ou números, os jovens estão muito mais alienados e distantes da política que no passado e hoje são presas fáceis para a falsa-política, como o caso do Fora Sarney, por exemplo. Sub-celebridades hoje conseguem mobilizar - manipular - a juventude melhor que muitos partidos ou organizações e a apatia impera.

Se tiver tempo eu tentarei dar as razões que, para mim, são três:

Primeiro, a falta de uma quebra real, de uma mudança profunda na política e na sociedade após o fim da Ditadura. O Brasil não teve uma real ruptura com o passado, as mesmas elites, os mesmos políticos que deram sustentação à ditadura continuam no poder, sem terem sofrido nada. A isto somem o fato dos militares - TODOS - terem escapado ilesos.

Torturadores, assassinos, ditadores, nenhum jamais sofreu nada e a estrutura das forças armadas permanece lotada de assassinos e criminosos, assim como a PM que dispensa apresentações. A não-condenação da tortura de ontem legitima a de hoje. A sensação de que toda a luta política e armada durante o regime ditatorial não serviu para mudar muitas coisas existe. Toda uma geração que era jovem na época da ditadura se desanimou e isto criou uma cultura própria de apatia e alienação que foi se perpetuando.

Segundo, a impunidade, o judiciário e a corrupção. Uma tríade que não se separa. Um judiciário político e ineficiente que ajuda a perpetuar a idéia de que só pobre vai preso, uma classe política corrupta - o que não difere de meio mundo -, mas uma impunidade galopante. Todos sabemos quem são os ladrões, mas a justiça parece que nunca tem a mesma visão. Há uma sensação generalizada de que TODOS os políticos são corruptos e jamais serão condenados, isto leva, também à apatia. Para que votar em quem vai roubar? São todos canalhas!

E, terceiro, e hoje talvez o mais importante, a mídia. Não é a toa que PHA chama a grande mídia de PIG, Partido da Imprensa Golpista. A mídia hoje - e ontem - não propicia o debate, não informa e sim deforma.

A mídia age como um partido, influencia negativamente o debate que ainda existe, mente, descaracteriza e apenas contribui para que a alienação seja ainda maior ao coibir o debate, a troca de idéias e ao não mostrar a verdade dos fatos nem pressionar para que a verdade venha a tona. Os escândalos são sempre os da oposição, os corruptos são sempre os inimigos, a justiça nunca funciona apenas para os inimigos e por aí vai.

E nem penso em entrar na questão das famílias mafiosas donas dos jornais e o fato de que os políticos em grande parte são donos das mesmas ou fortemente ligados à elas!

Claro que existme outras razões, mas acredito que estas três sintetizem o principal.

Se terei tempo para tanto, não sei, mas gostaria ainda de citar a ALTERCOM e lembrar que os Blogs são, hoje, o melhor contraponto tanto à mídia quanto à generalizada apatia e dar o caso do AI5Digital como exemplo de mobilização política que mostra que, mesmo com todo pessimismo, ainda há esperança.

Opiniões, comentários, xingamentos?=)
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Os vídeos do debate de hoje, os quatro blocos completos:

Bloco 1: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24506

Bloco 2: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24520

Bloco 3: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24522

Bloco 4: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24523

Mais tarde - ou amanhã - deve sair o vídeo que só foi ao ar pela internet, o YouLog, postarei assim que sair!=) Nele consegui falar sobre o Global Voices Online e sobre a fundação da ALTERCOM.
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Update 2:

Saiu o vídeo do YouLog que foi feito apenas para a internet onde discutimos mais sobre a participação dos jovens e eu falo da ALTERCOM e do Global Voices Online: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/programaparalelo/0000-00-00/24543

PS: Se alguém conseguir descobrir como fazer o download dos vídeos da Cultura eu agradeço porque não teve jeito de baixar e pôr no Youtube!
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sábado, 30 de maio de 2009

Toque de recolher: Europa.

Já comentei aqui sobre a questão do Toque de Recolher, imposto por algumas cidades do interior de São Paulo aos seus jovens. Minha opinião: Vergonhoso, é o Estado se eximindo da responsabilidade de educar e garantir a segurança da população e atentando contra o direito de ir e vir - garantia constitucional - e passando por cima da prerrogativa dos pais de controlar seus filhos (ainda que estes também sejam culpados pelo descontrole de muitos jovens).
"Alarmados com o aumento da delinquência e do alcoolismo entre os jovens, alguns países europeus começam a adotar o toque de recolher para adolescentes como forma de combater o problema"
Acredito que a análise feita para o caso brasileiro sirva igualmente para o europeu. Falta de controle por parte do Estado, falta de controle por parte dos pais, falta de perspectivas - especialmente nas pequenas cidades - de entretenimento (tudo hoje se resume ao capitalismo, ao comercial, as opções diminuem, tornam-se inalcançáveis) e etc.

Os Estados adotam o caminho, aparentemente, mais fácil, isolam os jovens sem, porém, atacar os reais problemas, os reais motivos que levaram os jovens à violência e ao alcoolismo e deixam para mais tarde os reflexos maléficos da revolta e das condições sexuais. Jovens insatisfeitos serão adultos e velhos insatisfeitos, por mais que o Estado tente esconder os efeitos agora.

Na Rússia, o presidente Dmitri Medvedev acaba de conseguir no Parlamento a aprovação de uma nova lei que permite a imposição do toque de recolher para o período das 22h às 6h aos jovens desacompanhados de maiores de idade. As restrições, no entanto, devem variar de cidade para cidade. Em Volgogrado (a antiga Stalingrado), as autoridades já anunciaram que pretendem implementar a lei ao pé da letra. Moscou também deve aderir, mas, pelo menos por enquanto, não tem a intenção de ser tão rígida. Na cidade que nunca dorme - há todo tipo de comércio aberto 24 horas por dia - existe apenas a recomendação aos pais de saber por onde andam os filhos no período vetado.
O caso russo é emblemático. Um país ainda afundado em problemas sociais, étnicos (como mostrei algumas vezes aqui, aqui e aqui), uma completa falta de perspectiva de futuro para muitos jovens - em especial das pequenas cidades, como pode ser visto aqui - e uma situação econômica problemática (que era terrível depois do fim da URSS, deu uma melhorada e depois voltou ao caos), além de níveis extremos de desemprego.

Dado o gosto Russo para medidas restritivas e punitivas, o toque de recolher não surpreende, na verdade seria até esperado.

A proibição vale para locais públicos como bares, restaurantes, parques, transportes, cibercafés, estádios e praças. Mas pode ser estendida de acordo com a leitura das autoridades dos lugares que consideram prejudiciais para o "desenvolvimento físico, espiritual e moral" das crianças. Os jovens infratores desacompanhados poderão ser detidos. E os pais ou responsáveis terão que se entender com as autoridades e estarão sujeitos a multas.

Já na Alemanha, segundo a lei de proteção da juventude, uma das mais rigorosas da Europa, jovens de até 16 anos não podem andar nas ruas ou frequentar shows de rock, discotecas ou restaurantes depois das 22h. O toque de recolher para adolescentes entre 16 e 18 anos é meia-noite. A vida noturna de Munique, no sul da Alemanha, por exemplo, ficou mais pobre com o fechamento do famoso clube Maxsuite. O clube, o principal ponto de encontro dos jovens da cidade, perdeu a licença de funcionamento por ter permitido o ingresso de adolescentes de 15 anos.

A proibição de menores em shows, discotecas e afins não surpreende, tal instrumento é aplicado em vários países, nada a comentar, porém é interessnate ver a completa proibição da circulação de menores, uma verdadeira limitação da liberdade de locomoção. E, pior, com a desculpa de que isso é para defender os jovens!

Na Espanha, por sua vez, o alvo é o chamado "botellón" (garrafão), bebedeira multitudinária ao ar livre, em praças e parques de todo país, de onde alguns adolescentes saem diretamente para o hospital em coma alcoólico. Lei antiálcool aprovada em 2006 proibindo que se beba ao ar livre também procurou secar a fonte dos jovens: não se pode vender bebidas alcoólicas em lojas e mercados entre 22h e 8h. Se o estabelecimento infringir a norma e vender para um menor de idade, a multa é de 600 a 10 mil euros. No entanto, um estudo divulgado há dois meses pela Organização de Consumidores constata que a lei não está sendo respeitada: 75% das vezes os menores compram bebidas alcoólicas sem problemas.
Já na Exspanha, ao menos buscarma atacar o problema e não os jovens, louvável, proibi-se a venda de álcool em determinado horário e em especial para os jovens, atacando assim um problema prático, o alcoolismo, e não limitando a liberdade dos jovens e da população em geral. Surpreende, porém, que uma medida não punitiva venha da Espanha, Estado que é célebre por suas medidas opressoras, tortura e perseguições.

Quanto ao fto da lei não ter "pego", esperamos que a Espanha não passe à repressão abertae irrestrita, como seria de esperar de tal país.

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A questão, no fim das contas, não é sobre a efetividade ou não do Toque de Recolher. É de se esperar que, fato, a violência diminua pelo maior policiamento, pela maior visibilidade e fiscalização, porém, a medida me parec epaliativa. O jovem violento de hoje não deixará de sê-lo poruqe existe um toque de recolher. Apenas irá desviar sua raiva para outro horário, para outro fim e, no fim das contas, não muda muita coisa.

Atacar um direito fundamental não é solução.
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