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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

PT busca usar as ruas para salvar “legado” de Dilma

O PT jogou bem. Livraram Cunha e ainda contam com apoio da esquerda, até de racha do PSTU. Vão cozinhar até 2018 pra volta do Messias. O PT agora tem sua mártir. Permanece no jogo, segue jogando sujo, mas tem uma legião agora pra empunhar bandeira.

Será que é suficiente pra dar uma volta em 2013? Cooptar todos ou pelo menos parte considerável daqueles que apanharam em Junho enquanto estes mesmos petistas apontavam e riam?

Meu maior medo é esse, que o PT consiga agora não apagar, mas manobrar Junho a seu favor através da conquista da massa que saiu às ruas naquela época. Oras, se até Sininho e outros que foram presos políticos em 2013–14 passaram pro lado do partido nessa história de impeachment/golpe….

A narrativa sendo vendida e, pior, sendo comprada, é a da Dilma que defende a democracia. É cuspir na história e nas vítimas do governo dela. É cuspir em 2013. Isso é loucura ou desonestidade, ou desonestidade tornada loucura.
Em 2013 criminalizava manifestações, agora as usa para defender o PT
A quantidade de pessoas que até 2 dias atrás eram críticos ácidos de Dilma e do PT e que hoje só faltam sair às ruas com bandeira da Dilma e colocar avatar da “Coração valente” é assustadora. Parece que deu tilt geral no cérebro das pessoas. Fora as cobranças, quem se exclui da narrativa é tratado como inimigo. Isso sem falar nos que se esconderam em 2013 (ou ativamente criminalizaram as lutas) e que agora saem para protestar como se nada tivesse acontecido, lado a lado com que foi vitimado pela mesma PM que antes apoiavam.

O discurso de muitos é de que a democracia chegou ao fim em 31 de agosto de 2016, e que antes tudo estava lindo. A repressão começou ontem, antes era diferente. Os eventos de Junho de 2013 passam a ser normalizados, tratados como uma vírgula. A violência cotidiana e a total falta de democracia nas favelas (com direito a exército enviado pela “coração valente”) é mero detalhe. Foi a partir do impeachment que a democracia acabou.

Eu não tenho nada contra quem quer achar que foi golpe, mesmo que eu discorde da leitura, mas daí a defender Dilma em si? Defender seu “legado” como se este tivesse alguma coisa positiva além de terra arrasada? O que está acontecendo?

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quinta-feira, 21 de julho de 2016

A minha geração protestava nos copos do Starbucks

Talvez possamos ligar diretamente a chegada do PT ao poder e o fato do partido ter praticamente impossibilitado grandes lutas que foram, então, substituídas por questões mais pontuais (daí em parte explicamos o fortalecimento assustador de SJW - Social Justice Warriors - nos últimos tempos também) ao fortalecimento de iniciativas simbólicas que eu considero eminentemente toscas e mesmo contraproducentes...

Este é só um exemplo: Terceirização de protesto que fica bonitinho em foto do Instagram e em textão de Facebook.

Enquanto em 2013 milhões foram às ruas e com as ocupações de escolas outros milhares pelo país se mobilizaram e tem se mobilizado de forma autônoma diante de partidos e suas limitações. Isto causava a inveja e ódio nestes mesmos partidos que em 2013 defenderam a repressão - caso do PT e do PSeudoB - e mesmo, num grau abaixo, levou às críticas do PSOL aos Black Blocs, por exemplo. Já nas ocupações, UNE e UBES tentaram se apropriar dos protestos, sem sucesso.

Aqueles remanescentes no campo governista (hoje criptogovernista, mesmo necrogovernista) e os que voltaram a aderir a este campo passaram a inventar formas extremamente simbólicas de protesto.

Simbólicas e burras, como fica claro na imagem que abre esta postagem.

Terceirização de protestos, protestos absolutamente simbólicos, protestos que visam apenas fotos em redes sociais, mas sem absolutamente nenhum objetivo, protestos que passam longe de pautar qualquer forma de mudança social, enfim, protestos apenas para dizer que estão protestando - mesmo que terceirizando. E vamos lembrar que este é o pessoal que achava um horror o panelaço como forma de protesto, mas não veem problema algum em expor trabalhadores ao ridículo.

Ocupar as ruas - sem estrutura partidária e pelega, claro - não é opção. Só o fazem pra ouvir Lula discursar e quando a CUT ou outra organização vendida contrata carro de som. Nem falo em mobilização de movimentos sociais e etc porque os que restaram alinhados ao governismo foram esvaziados ao ponto de sequer saberem mais quem são ou pra que servem. Tampouco posso falar em pressão parlamentar, já que o PT e o PSeudoB deixaram claro que preferem o próprio PMDB ou até o DEM à tomar atitudes reais em protesto contra o que enxergam como "golpe".

O mais triste nem é a posição dessa militância francamente fracassada, derrotada e perdida, é a insistência de outras forças comumente de oposição a tudo isso que se submetem ao ridículo e ficam batendo palmas pra maluco dançar.

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Depois de escrever a postagem descobri que outro gênio do "protesto com o pau dos outros" resolveu ao invés de forçar um atendente a dizer "Fora Temer", o forçou a gritar "Dilma Rousseff" e passar ridículo na frente de dezenas de pessoas.
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segunda-feira, 14 de março de 2016

A culpa é da esquerda? O protesto do dia 13 de março e a nova direita

Grafo: Fabio Malini
O protesto do dia 13 de março foi em grande parte de revolta contra tudo e todos, foi extremamente despolitizado, com grupos às margens. Tem gente de esquerda, tem monarquista, fascista, tem pró-milicos, tem de tudo - mas tem uma nova direita forte. Que fique claro, minha análise se centra em São Paulo e em menor parte no Rio, mas em geral reflete o panorama geral do que aconteceu.

Tentar deslegitimar apenas - como faz o grupinho petista lá embaixo do grafo - não serve a ninguém e nos isola. Apenas nos faz não compreender o fenômeno e deixar que a nova direita assuma o comando (ou se entronize nesse comando). Bolsonaro está doido pra assumir a liderança dessa insatisfação. Alckmin, Aécio e a turma do PSDB foram vaiados na Paulista? Legal, mas tem uma direita perigosa surgindo e/ou se fortalecendo.
Alckmin, Aécio, Marta, Matarazzo vaiados...o descontentamento é geral.Erra quem pensa que é só contra o PT.É a figura do político tradicional que ninguém parece suportar mais. Esther Solano, no Facebook
Os EUA passam por um momento semelhante, em que a desconfiança dos políticos tradicionais e da própria política levaram a um fortalecimento das margens: Trump de um lado, Bernie Sanders do outro.
No Brasil temos Bolsonaro de um lado, com outros nomes menos relevantes orbitando, mas um vazio completo à esquerda. 
 
Penso que o maior problema não é a direita em si nas ruas ou os despolitizados - o discurso puro "contra corrupção" ou "fora A ou B" não é, em si, politizado - e sim a esquerda que é incapaz de se apresentar como alternativa, porque na hora em que o PT estala os dedos vão todos correndo pra ajudar e defender o partido do "golpe". A esquerda parece não entender que o problema é ela (ou nós) e não o resto. Somos nós que damos espaço pra direita crescer e aparecer.

Não existe vácuo na política que dure. Se a esquerda for incapaz de conquistar os despolitizados e os que gritam contra tudo e todos, a direita irá conquistá-los e no momento parece que estão na frente na disputa, virando o jogo de Junho.

E nós demos este espaço à direita porque em Junho e nas manifestações posteriores muitos que SE DIZEM de esquerda aplaudiam e incitavam a violência da PM. Porque movimentos sociais foram neutralizados e se transformaram em braços do petismo. Porque na hora que o PT fica acuado a esquerda que paga de combativa vai lá salvar o partido. Porque fomos incapazes de organizar, após Junho, uma alternativa de esquerda efetiva. 

E continuamos incapazes, aliás, sequer queremos nos reinventar, é mais fácil o joguinho de morde-assopra com o PT. Se é verdade que o PT destruiu a esquerda, é verdade também que nos temos culpa, pois só há cooptação se existir aqueles que aceitam e/ou querem ser cooptados. Será que já é tarde demais?
QUE SE VAYAN TODOS ????? (Por Fabio Malini)

Coletei no Twitter os seguintes termos a partir das 15h do sábado (12/3): protesto, manifestacao, manifestante, manifestacoes, vempraruabrasil, marchadoscorruptos, carnadogolpe2016, marchadoscoxinhas, vemprarua e "vem pra rua".

Optei por trabalhar palavras do senso comum e as hashtags oficiais dos governistas e oposicionistas, assim garantiria uma análise mais amplas dos discursos sobre os protestos.

A palavra mais mencionada nos tweets, excetuando os termos das coleta, foi CORRUPÇÃO. Uma supresa para mim. Engana-se, ao meu ver, quem se dirige aos movimentos de hoje interpretando-os como algo restrito a um campo estritamente de direita. O que vemos hoje foi uma reação à classe política - e a mega máquina de destruição do comum vigente - do país. Agora os governo de Dilma, do PSDB e do PMDB viraram os alvos da indignação popular. Não sabemos precisar ainda o tamanho disso dentro da massa de manifestantes. E não sei como os partidos de direita vão reagir a isso, porque, pela primeira vez, as ruas os rejeitaram. O efeito colateral da Lava Jato viralizou não apenas contra Lula, mas contra Aécio, Alckmin, Renan, Cunha etc.

Plotei a rede de compartilhamentos no Twitter, a partir de 236.612 retweets, coletados a partir dos termos e período já mencionados. Ao total, 100.298 perfis retuitando e sendo retuitados. Há um isolamento das redes mais governistas, que sustentam que há um golpe contra a Democracia em curso. Mas o outro pólo conservador foi engolido por uma população feita de celebridades, youtubers, nativos do Twitter e perfis que não são muito de discutir ou satirizar a política.

Há muito humor, é verdade, nesssa rede. O perfis mais periféricos deitaram e rolaram hoje, viralizando memes de situações grotescas.

Mas,pela primeira vez entendo que a rede não se polarizou com a dos governistas, mas a deixou isolada, conversando entre si. A rede amarela foi formada por muitos seguidores que compartilharam veículos de comunicação Revista Época, Globo NEws, Estadão, os organizadores dos atos (VemPRaRuaBR, o MBL, o Revoltados ONline), como ainda políticos e perfis mais conservadores, mas circundando-os há uma multidão de perfis independentes (em maior número). Esses protestos embaralharam mais as ideologias políticas. Seu efeito é colocar um problema enorme para a política: "quse se vayan todos". Mas será??? Será que agora não vai rolar o acordão, por cima, para tentar destruir o monstro das ruas?

Não passarão em branco os gritos de "ladrão de merenda" (endereçados a Alckmin), fora vagabundo (endereçados a Aécio) e fora ladrão (endereçados a Lula), como ainda o forte grito de impeachment.

Não há horizonte político seguro. Tudo em aberto. A velha direita foi expulsa da festa, a esquerda, humilhada e a nova direita dá andamento e organiza as ruas, mas não controla mais tudo.
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domingo, 5 de outubro de 2014

Esquerda no Brasil: Junho morreu na praia?

"Por que a onda de 2013 vai morrer na praia? Entre outros motivos, porque as redes e organizações ditas horizontais que chamaram os protestos do ano passado não produzem lideranças. A democracia representativa depende de líderes, o poder não admite vácuo. Os manifestantes não se organizaram para preenchê-lo, mas os profissionais sim. É a volta dos que nunca foram embora.

Por essa contradição mal-resolvida, pela aridez econômica e climática, 2015 deve ser ano de mais nuvens lacrimogêneas. Melhor estocar água e vinagre."

Infelizmente faz sentido. Aliás, eu lembro de ter conversado longamente com muita gente sobre isso. O problema em si não está na horizontalidade (o Podemos mostrou que é possível manter a horizontalidade e criar lideranças e esperança), mas sim na falta de líderes e na insistência de alguns grupos de repudiar a política (eleitoral) como um todo.

Ao invés de "Só a luta muda a vida", o "vote nulo". O primeiro lema agrega a luta nas ruas, mas não esquece que até algo mudar teremos de também preencher espaços no parlamento. É triste ver que algumas pequenas lideranças surgidas das ruas encham a boca pra falar que políticos são todos iguais e pregando voto nulo. Oras, isso é o mesmo que dizer que não há diferença entre votar num Bolsonaro ou num Jean Wyllys.

É despolitizante.

É óbvio que o voto nulo em si não é despolitizante, há casos em que é a única alternativa, mas o voto nulo e ponto, como solução enquanto negação da política eleitoral e partidária é despolitizante, pois negamos um direito, reduzimos tudo ao zero, igualamos desiguais e nos recusamos a nos comprometer e a ter esperanças.

No fim, nos descolamos da sociedade adotando uma posição pseudo-vanguardista e iluminada e nos fechamos em casulos.

Na Espanha a esquerda soube se juntar e criar uma força política que agregou boa parte dos movimentos nas ruas, e no Brasil? Ainda não fomos capazes.

Não significa que junho tenha "morrido na praia" - ainda -, significa, neste momento, que a esquerda ainda não foi capaz de passar por cima de diferenças e buscar uma politização conjunta agregando ruas e urnas.

Ainda há muito o que nadar.
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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Dilma no El País: Ela não entendeu nada dos protestos de junho

E o povo ó!
Ao ler a pífia entrevista com Dilma que o El País fez, chego a uma conclusão básica:

Ela NÃO ENTENDEU NADA dos protestos de junho! A figura acredita piamente q os protestos são resultado dos esforços do governo dela em MELHORAR o país, a renda... Sério?

Ou seja, só ocorreram protestos porque o PT melhorou a qualidade de vida do povo!O.o

A mulher acredita ainda que houve diálogo, que a violência estatal foi localizada, que os governadores escutaram o povo... Só internando!

As "soluções" apresentadas por Dilma: 1. Gambiarras na Saúde ao invés de investimentos de verdade, sérios e a longo prazo. 2. Privatizações 3. Dizer que a piada das "obras de mobilidade" pra Copa são resposta para protestos posteriores (obras que NÃO ficarão prontas, aliás). 4. Só isso.

Poderia ainda citar a "Constituinte", mas foi algo tão tosco, mal pensado e risível que é melhor deixar pra lá. E a "reforma política" é outra lenda contada repetidas vezes.

As pessoas foram às ruas porque estavam cansadas de ser roubadas, sacaneadas e vilipendiadas e de ver na TV propagandas maravilhosas de como suas vidas tinham mudado. A realidade não era comparável à beleza das propagandas.

O aumento das passagens foi o estopim para a revolta de quem não vê esse maravilhoso mundo petista da inclusão social. A violência policial, que Dilma minimiza, foi o catalisador para mais revolta.

O MPL está desde sempre nas ruas, está protestando há anos - inclusive com o apoio de políticos do PT contra os aumentos de passagem do neoaliado e neoquerido Kassab -, mas este ano a repressão acabou por se voltar contra os governos. A insatisfação popular foi maior do que os governos podiam esperar.

Não, não se trata de uma "classe média" de 291 reais que apenas quer mais, que com mais renda notou milagrosamente que os serviços públicos são ruins e quer mais. Se trata de um povo que cansou de serviços públicos que são simplesmente péssimos, medíocres e que subir ou descer a renda não mudam o panorama de exclusão.

Foram protestos de pura insatisfação popular com a falta de diálogo, com a repressão e com a intransigência eterna dos que estão no alto de seus cargos acenando com o dedo do meio para o povo.

Em meio à todo o cenário de exclusão estádios de bilhões de reais, promessas de obras faraônicas que não saíram do papel ou que foram (e estão) sendo executadas sem qualquer diálogo com a sociedade, regras impostas de fora, pela FIFA, de exceção e tudo tratorado.

Mas num ponto Dilma tem razão, mesmo que de forma involuntária: O PT te muita responsabilidade pelos protestos. Mas não porque "elevou a renda", mas porque o PT representou por anos a esperança e a mudança e, no poder, acabou por se comportar em geral como o PSDB.

Mas um PSDB que funciona, "melhorado", melhor gestor do capitalismo no país, capaz de vender o país, privatizar e defender abertamente a repressão policial (né Cardozo?), mas ao mesmo tempo mantendo o discurso fake de mudança, distribuindo bolsas como solução final para problemas históricos.

Não sou contra bolsas, não sou contra o Mais Médicos, mas não vejo estes programas (no caso do último feito às pressas e nas coxas) como a salvação da pátria e sim como paliativos pensados para problemas pontuais e usados politicamente (o que é legítimo até certo ponto) para contentar as massas de tempos em tempos.

Não são mudanças estruturais. Não são mudanças pensadas a longo prazo, são paliativos.

E nisso o PT é mestre.

Os protestos, de certa forma, mostram o limite dessas políticas. O limite da propaganda dessas "mudanças". Não se trata, como diz Dilma, de uma população que ascendeu socialmente e quer ter acesso a mais, e sim de uma população que nunca teve acesso e CONTINUA sem ter. A diferença parece pequena, mas não é.

O discurso baseado apenas em renda mostra seus limites. Ganhar 291 reais não leva ninguém à classe média. Permite comprar mais a prazo, comprar geladeira, fogão, TV, som... Mas não permite viver em local com saneamento básico, dar educação de qualidade aos filhos... Não permite sobreviver à chacinas comandadas pela PM ou a ser morto "por engano" pela PM.

Os protestos de junho mostraram o fracasso da política de paliativos e imediatismo mal planejado do PT (e o fracasso das políticas históricas do PSDB e aliados, que jamais vislumbraram o pobre como sujeito de direitos) e a semelhança entre os projetos de poder do PT e do PSDB, tendo no primeiro um gestor muito melhor do projeto do segundo.

Pra quem tiver estômago, a entrevista bit.ly/1endbAV
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