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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

PT busca usar as ruas para salvar “legado” de Dilma

O PT jogou bem. Livraram Cunha e ainda contam com apoio da esquerda, até de racha do PSTU. Vão cozinhar até 2018 pra volta do Messias. O PT agora tem sua mártir. Permanece no jogo, segue jogando sujo, mas tem uma legião agora pra empunhar bandeira.

Será que é suficiente pra dar uma volta em 2013? Cooptar todos ou pelo menos parte considerável daqueles que apanharam em Junho enquanto estes mesmos petistas apontavam e riam?

Meu maior medo é esse, que o PT consiga agora não apagar, mas manobrar Junho a seu favor através da conquista da massa que saiu às ruas naquela época. Oras, se até Sininho e outros que foram presos políticos em 2013–14 passaram pro lado do partido nessa história de impeachment/golpe….

A narrativa sendo vendida e, pior, sendo comprada, é a da Dilma que defende a democracia. É cuspir na história e nas vítimas do governo dela. É cuspir em 2013. Isso é loucura ou desonestidade, ou desonestidade tornada loucura.
Em 2013 criminalizava manifestações, agora as usa para defender o PT
A quantidade de pessoas que até 2 dias atrás eram críticos ácidos de Dilma e do PT e que hoje só faltam sair às ruas com bandeira da Dilma e colocar avatar da “Coração valente” é assustadora. Parece que deu tilt geral no cérebro das pessoas. Fora as cobranças, quem se exclui da narrativa é tratado como inimigo. Isso sem falar nos que se esconderam em 2013 (ou ativamente criminalizaram as lutas) e que agora saem para protestar como se nada tivesse acontecido, lado a lado com que foi vitimado pela mesma PM que antes apoiavam.

O discurso de muitos é de que a democracia chegou ao fim em 31 de agosto de 2016, e que antes tudo estava lindo. A repressão começou ontem, antes era diferente. Os eventos de Junho de 2013 passam a ser normalizados, tratados como uma vírgula. A violência cotidiana e a total falta de democracia nas favelas (com direito a exército enviado pela “coração valente”) é mero detalhe. Foi a partir do impeachment que a democracia acabou.

Eu não tenho nada contra quem quer achar que foi golpe, mesmo que eu discorde da leitura, mas daí a defender Dilma em si? Defender seu “legado” como se este tivesse alguma coisa positiva além de terra arrasada? O que está acontecendo?

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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Dilma perdeu na câmara para seus aliados e por suas próprias políticas

O PT se aliou e deu força aos conservadores e de quebra quando a esquerda tomou as ruas em 2013 os petistas gritaram VAI PM e nos chamaram de vândalos.

O saldo de 13 anos do PT no poder será um período terrível pra esquerda e pros direitos humanos. O que vem pela frente será terrível. O que vivemos hoje já é terrível, é bom lembrar.

Foram 13 anos de cooptação e neutralização de movimentos sociais, o preço vai ser caro e virá mais rápido que dívida do cartão. Teremos uma lei antiterrorista pra quem governar usar como quiser, mais uma obra do PT, partido inconsequente que achou que ia se entronizar.

Foram 13 anos dando moral, verba e força pro lixo conservador, fascista, religioso e ruralista que hoje derruba(m) o governo.

De que adiantou Dilma afirmar que "Feliz é a nação cujo deus é o senhor"? De que adiantou Dilma dizer que não faria "propaganda de opção sexual"? Deu força à corja mais reacionária, fanática, corrupta e perigosa.

É um horror ouvir a turma falar "em nome de deus"? Falar em nome da família? Carregar livros do Olavão? Sim, como é horror ver deputado petista falando que defende indígenas, quilombolas ou trabalhadores. Maluf votou contra o PT. Marco Feliciano, pra quem o PT entregou a CHD, votou contra o PT... Valeu à pena?

Não estaremos entregues à turma contra "ensino de sexo nas escolas" ou pela "paz de Jerusalém", porque estes em peso já governavam com o PT e ganhavam benesses do Estado, mas estaremos mais fracos do que nunca.

O PT voltará pra oposição e, infelizmente, será recebido de braços abertos pela esquerda para, uma vez mais fortalecido, voltar a governar com os mesmos fascistas de sempre. O PT irá mais ainda se apoiar na esquerda, em quem o PT batia nas ruas e aplaudia quem batia, que xingava de "esquerda que a direita gosta". E notem, o PT não irá fazer NENHUMA autocrítica. A narrativa do Golpe é, como de costume ao PT, forma de culpar os outros pelos seus erros. O PT irá impor a narrativa do golpe e exigirá em 2018 apoio cego da esquerda ao Lula para repetir os MESMOS erros (que não são erros, é apenas estratégia).

O PT tem (ou teria) que ser derrotado nas urnas e nas ruas pela esquerda. Não por impeachment comandado por (ex-aliados) bandidos 

O país ainda vai sofrer muito por essa decisão. Por mais que eu deteste Dilma, abriram uma brecha tremenda. Não que Dilma não tenha cometido crime, beleza, mas a questão é outra, os caras acham q é parlamentarismo, não é. Tanto que praticamente nenhum, ao votar, votou pelas razões na mesa. Simplesmente cansaram de ter outro administrando os roubos, quiseram tomar o controle de volta. Qualquer presidente agora terá de ceder muito mais, o parlamento ganhou um poder imenso...
 
A merda vai continuar, a crise via continuar, mas o maior poço de bandidos do país terá ganho um poder imenso. Qualquer um que não tiver maioria estará lascado. E por maioria digo o próprio partido mais um ou dois extremamente fiéis. E com 32 partidos no país a gente sabe a real.
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segunda-feira, 14 de março de 2016

A culpa é da esquerda? O protesto do dia 13 de março e a nova direita

Grafo: Fabio Malini
O protesto do dia 13 de março foi em grande parte de revolta contra tudo e todos, foi extremamente despolitizado, com grupos às margens. Tem gente de esquerda, tem monarquista, fascista, tem pró-milicos, tem de tudo - mas tem uma nova direita forte. Que fique claro, minha análise se centra em São Paulo e em menor parte no Rio, mas em geral reflete o panorama geral do que aconteceu.

Tentar deslegitimar apenas - como faz o grupinho petista lá embaixo do grafo - não serve a ninguém e nos isola. Apenas nos faz não compreender o fenômeno e deixar que a nova direita assuma o comando (ou se entronize nesse comando). Bolsonaro está doido pra assumir a liderança dessa insatisfação. Alckmin, Aécio e a turma do PSDB foram vaiados na Paulista? Legal, mas tem uma direita perigosa surgindo e/ou se fortalecendo.
Alckmin, Aécio, Marta, Matarazzo vaiados...o descontentamento é geral.Erra quem pensa que é só contra o PT.É a figura do político tradicional que ninguém parece suportar mais. Esther Solano, no Facebook
Os EUA passam por um momento semelhante, em que a desconfiança dos políticos tradicionais e da própria política levaram a um fortalecimento das margens: Trump de um lado, Bernie Sanders do outro.
No Brasil temos Bolsonaro de um lado, com outros nomes menos relevantes orbitando, mas um vazio completo à esquerda. 
 
Penso que o maior problema não é a direita em si nas ruas ou os despolitizados - o discurso puro "contra corrupção" ou "fora A ou B" não é, em si, politizado - e sim a esquerda que é incapaz de se apresentar como alternativa, porque na hora em que o PT estala os dedos vão todos correndo pra ajudar e defender o partido do "golpe". A esquerda parece não entender que o problema é ela (ou nós) e não o resto. Somos nós que damos espaço pra direita crescer e aparecer.

Não existe vácuo na política que dure. Se a esquerda for incapaz de conquistar os despolitizados e os que gritam contra tudo e todos, a direita irá conquistá-los e no momento parece que estão na frente na disputa, virando o jogo de Junho.

E nós demos este espaço à direita porque em Junho e nas manifestações posteriores muitos que SE DIZEM de esquerda aplaudiam e incitavam a violência da PM. Porque movimentos sociais foram neutralizados e se transformaram em braços do petismo. Porque na hora que o PT fica acuado a esquerda que paga de combativa vai lá salvar o partido. Porque fomos incapazes de organizar, após Junho, uma alternativa de esquerda efetiva. 

E continuamos incapazes, aliás, sequer queremos nos reinventar, é mais fácil o joguinho de morde-assopra com o PT. Se é verdade que o PT destruiu a esquerda, é verdade também que nos temos culpa, pois só há cooptação se existir aqueles que aceitam e/ou querem ser cooptados. Será que já é tarde demais?
QUE SE VAYAN TODOS ????? (Por Fabio Malini)

Coletei no Twitter os seguintes termos a partir das 15h do sábado (12/3): protesto, manifestacao, manifestante, manifestacoes, vempraruabrasil, marchadoscorruptos, carnadogolpe2016, marchadoscoxinhas, vemprarua e "vem pra rua".

Optei por trabalhar palavras do senso comum e as hashtags oficiais dos governistas e oposicionistas, assim garantiria uma análise mais amplas dos discursos sobre os protestos.

A palavra mais mencionada nos tweets, excetuando os termos das coleta, foi CORRUPÇÃO. Uma supresa para mim. Engana-se, ao meu ver, quem se dirige aos movimentos de hoje interpretando-os como algo restrito a um campo estritamente de direita. O que vemos hoje foi uma reação à classe política - e a mega máquina de destruição do comum vigente - do país. Agora os governo de Dilma, do PSDB e do PMDB viraram os alvos da indignação popular. Não sabemos precisar ainda o tamanho disso dentro da massa de manifestantes. E não sei como os partidos de direita vão reagir a isso, porque, pela primeira vez, as ruas os rejeitaram. O efeito colateral da Lava Jato viralizou não apenas contra Lula, mas contra Aécio, Alckmin, Renan, Cunha etc.

Plotei a rede de compartilhamentos no Twitter, a partir de 236.612 retweets, coletados a partir dos termos e período já mencionados. Ao total, 100.298 perfis retuitando e sendo retuitados. Há um isolamento das redes mais governistas, que sustentam que há um golpe contra a Democracia em curso. Mas o outro pólo conservador foi engolido por uma população feita de celebridades, youtubers, nativos do Twitter e perfis que não são muito de discutir ou satirizar a política.

Há muito humor, é verdade, nesssa rede. O perfis mais periféricos deitaram e rolaram hoje, viralizando memes de situações grotescas.

Mas,pela primeira vez entendo que a rede não se polarizou com a dos governistas, mas a deixou isolada, conversando entre si. A rede amarela foi formada por muitos seguidores que compartilharam veículos de comunicação Revista Época, Globo NEws, Estadão, os organizadores dos atos (VemPRaRuaBR, o MBL, o Revoltados ONline), como ainda políticos e perfis mais conservadores, mas circundando-os há uma multidão de perfis independentes (em maior número). Esses protestos embaralharam mais as ideologias políticas. Seu efeito é colocar um problema enorme para a política: "quse se vayan todos". Mas será??? Será que agora não vai rolar o acordão, por cima, para tentar destruir o monstro das ruas?

Não passarão em branco os gritos de "ladrão de merenda" (endereçados a Alckmin), fora vagabundo (endereçados a Aécio) e fora ladrão (endereçados a Lula), como ainda o forte grito de impeachment.

Não há horizonte político seguro. Tudo em aberto. A velha direita foi expulsa da festa, a esquerda, humilhada e a nova direita dá andamento e organiza as ruas, mas não controla mais tudo.
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segunda-feira, 27 de julho de 2015

O maior inimigo da esquerda é a própria esquerda?

Graças a este texto, "O Brasil NÃO precisa de um novo junho de 2013", que publiquei em resposta e com algumas críticas à outro texto publicado pela Luciana Genro (com críticas à defesa dela de um novo Junho e ao projeto tosco e petista de "constituinte" e com críticas a alguns quadros do PSOL pelo apoio crítico ao PT e por - alguns - não terem sequer apoiado as manifestações em 2013) eu não apenas fui bombardeado por críticas canalhas da turma ligada à corrente interna da Luciana, MES/Juntos, que agiram como uma perfeita seita coordenada destilando ódio e inclusive manipulando meu texto, mas também fui EXPULSO de um grupo do PSOL no qual eu estava há anos.

Fui banido do grupo sem qualquer tipo de discussão, apenas pela força e vontade de uma corrente que se mostrou incapaz de dialogar críticas pontuais a alguns posicionamentos de sua líder.

É lamentável ver que à medida que o tempo passa a esquerda fica pior. Ou fica igual, sectária, se comportando como seita, incapaz de dialogar ou assumir erros. Se é verdade que o PT é um grande inimigo da esquerda hoje, a própria esquerda é sua maior inimiga.
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quinta-feira, 2 de abril de 2015

O não-debate da maioridade penal: O que queremos é vingança?

Justiça ou vingança?
Aqui na Europa uma boa quantidade de países - como Espanha, Alemanha, etc - tem a maioridade penal aos 18 e em alguns casos até aos 21 usando um instrumento particular que permite que o jovem de 18-21 anos cumpra pena como adolescente em alguns casos (o sistema de justiça juvenil). A questão não é ~consciência~, é capaz de ter jovem de 14 com mais consciência que muito adulto de 40, a questão é que simplesmente NÃO funciona jogar um adolescente na cadeia e ponto.

É apenas vingança. É uma forma da sociedade se vingar e achar que resolveu um problema social apenas trancafiando adolescentes e mesmo crianças (cansei de ver gente dizendo que tem que prender até com 10 anos e etc e não foi só no Sensacionalista).

Esse é um não-debate, só faz crescer o ódio e não se resolve nada - apenas mantem aqueles que impulsionam o ódio no poder. O Brasil vê a cada dia mais os índices de criminalidade crescer - lembrando que 20% dos homicídios forma causados pela PM, mas aí ninguém fala, ninguém exige penas mais duras pra PM e etc, joga-se pra debaixo do tapete - e no que a cadeia resolveu?

Temos a terceira população carcerária do mundo e somos um dos países mais violentos do mundo. Será que ninguém parou pra pensar nisso? Ou é apenas sede de vingança?

Porque o debate não é sobre o fim da violência policial? Sobre o fim do exército em favelas? O fim do genocídio da população negra? Porque não se discute que o filho branco e rico do Eike pode matar que nada acontece com ele - e ele tem mais de 18 anos! -, mas querem mandar pra cadeia um adolescente preto e pobre de 16? Quantos filhos da elite vão presos nesse país, independentemente da idade? Quantos deputados corruptos vão presos?

A esquerda

É lógico que parte da culpa nesse debate raso é da esquerda (de setores, que fique claro) que se recusa a debater com a sociedade a questão. Há uma percepção generalizada de impunidade, há de se lidar com isso. "Ah, mas é uma percepção errada", e daí? Se existe a percepção é preciso lidar com ela.

Muitas vezes a esquerda adota posições puristas, não dialoga, porque dialogar seria "conversar com reaças", então estamos mal quando mais de 90% da população defende redução da maioridade penal e são todos tratados uniformemente como reaças não dialogáveis. Nos fechamos no nosso mundinho.

Algo que me incomoda muito é o papo que infelizmente vem crescendo no seio da esquerda de "antipenalismo" ou "abolicionismo" em uma versão tupiniquim assustadoramente torpe, infantil, que me lembra muito as esquerdas dos anos 60-70 que diziam que quando a revolução chegasse problemas como racismo, machismo e homofobia (isso quando viam problema na homofobia) se resolveriam por mágica com o "novo homem" que iria surgir. Entrementes, deixavam de lado todas estas lutas "menores".
Estado Laico? Onde?

É o que acontece hoje com o debate sobre maioridade penal e cadeias.

Um grupo de iluminados que acha que todos os problemas se resolverão nesse futuro maravilhoso e que esquecem da realidade e do debate agora. E se recusam a debater, aliás, caso você não concorde com seus postulados.

E os presídios?

Temos um problema principal, na verdade dois, quando se faz uma pergunta simples: Para que existe a pena?

Se a resposta for "para ressocializar o indivíduo além de para fazê-lo pensar no que fez e também para garantir a segurança da sociedade e dele pró
prio" então temos:

1) O tempo em si não quer dizer nada, ou seja, o cara pode se recuperar em 1 ano, pode se recuperar em 8 anos, pode não se recuperar.

2) mas o principal é, fazemos algo para que haja recuperação? Como são as cadeias e Fundações Casa? É possível recuperar alguém ali, é esta a intenção?

Sem começar por este ponto, pode botar a maioridade aos 2 anos de idade e prisão perpétua, só vai piorar.


Enfim, reduzir a maioridade não resolve absolutamente nada. Menos de 1% dos crimes hediondos são cometidos por menores, a mídia, no entanto, os supervaloriza. Este 1% tem que ser tratado, lógico, mas uma punição coletiva à toda a juventude (e quase exclusivamente à pobre e negra) é a solução? Nos sentiremos vingados?

Quando, depois de algum tempo, a redução para 16 anos não resolver o problema, mas piorá-lo, apenas baixaremos para 14? 12? Brigou no parquinho do jardim de infância pega 6 meses em Pedrinhas, aquela cadeia MARAVILHOSA no Maranhão onde presos cortam as cabeças uns dos outros e são tratados como animais?

Soluções?

É tão difícil enxergar que a solução do problema passa pela humanização das cadeias que precisam ser entendidas não como um depósito de corpos e de "marginais", mas sim como um espaço de ressocialização, educação e de recuperação?

Crianças precisam de amor, compreensão, educação, inclusão, assim como adultos. Não se trata de passar a mão na cabeça de quem comete crimes,  mas de estender nossa humanidade a eles. De puni-los (talvez "punir" não seja um bom termo, mas é o que tem pra hoje), sem dúvida, mas não de nos vingar ( e por "punição" não falo apenas em fechar na cadeia, mas como um conjunto de medidas que vá além, privar a liberdade não é nem de longe a única forma válida de agir, na verdade deveria ser a última).

"Punição" não é apenas coloca na cadeia, não é torturar, é também um conjunto de medidas socioeducativas que garantam a dignidade e o futuro desse menor.

A solução da criminalidade entre jovens não passa por enfiá-los em prisões para que se graduem e pós-graduem no crime, e sim em evitar de todas as formas possíveis que cometam o crime, os humanizando, dando oportunidades na vida, não os submetendo a ocupações militares na porta de suas casas e, caso cometam o crime, que tenham a possibilidade de se arrepender, de serem educados, de serem aceitos e reinseridos na sociedade e não serem estigmatizados e tratados como animais.

Prestem atenção à imagem que abre esta postagem. Busca-se justiça ou apenas vingança? O filho dos dois que seguram o cartaz voltará à vida se o menor for para uma cadeia como adulto? Não seria melhor pensar em formas deste jovem encontrar outro caminho, se recuperar e também permitir que outros sigam o exemplo, mas não seu caminho para o crime.

Sim, eu sei e concordo que o jovem não se vira para o crime ~porque quer~, há muitas variáveis, mas ENTENDER isso não significa simplesmente desprezar a necessidade de justiça - que não necessariamente é uma pena, uma prisão, mas educação, medidas efetivamente socioeducativas e etc.

Enfim, é preciso responder, ou ao menos dialogar com a sociedade, buscar entender os lados - entender não significa concordar, que fique claro - e ser capaz de impor uma agenda tendo ao menos algumas respostas e propostas viáveis.

Nossas prisões são centros de tortura superlotados. Imaginem o que vai acontecer se colocarmos mais e mais jovens lá. Apenas imaginem.

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terça-feira, 31 de março de 2015

"Direitização": De alarmismos à responsabilidade da esquerda

Paulo Arantes, durante o encontro dos seminários de quarta que acontece na FFLCH-USP ao qual fui convidado na semana passada pra expor imagens e impressões sobre a "nova direita" no Brasil: "Vendo o vídeo do Caio eu me lembrei (eu era militante na época) da marcha da família com deus em 64 que também foram bem numerosas e bem impressionantes. Depois do golpe ainda houve uma outra marcha de confraternização. Então é a primeira vez que eu vejo isso vivo novamente em 50 anos. Portanto eu vi a direita desfilando, mas era uma direita que não tem nada a ver com
essa, eram senhoras de salto alto, padres, advogados, donas de casa bem vestidas, com algumas panelas, terço... Aquilo não metia medo em ninguém, uma semana antes do golpe nós ficamos impressionados com o número de pessoas na rua, que dava de 10 a zero no comício da cut do dia 13... Mas era só, o resto não metia medo. Hoje vendo essas imagens que o Caio escolheu, aqui dá medo e a impressão é que a repetição é
muito mais sinistra do que a farsa. E assusta muito mais porque não existe o outro lado, não tem esquerda e nós estamos sozinhos esperando sermos linchados quando dermos a cara pra bater. Estamos sozinhos e por outro lado tem uma energia social solta aí... Bom, isso é uma tese clássica da esquerda européia dos anos 30, do marxismo europeu a respeito do fascismo que diz que: o fascismo é a expressão de uma derrota da esquerda, quando o fascismo surge nos anos20 na Itália é quando a esquerda já perdeu a energia revolucionária. O fascismo era a pulsão plebéia à todo vapor pra acabar com aquilo. Tinha crise, tinha desemprego, tinha humilhação, tinha classe operária desorganizada, tinha guerra, tinha tudo. A massa fascista era uma massa revoltada e por isso ela foi organizada. Se você tem uma massa revoltada, proletária e que vai te massacrar é porque você perdeu. É isso que vai acontecer conosco agora, não há dúvida... A outra coisa que nos dá medo é o que nós perdemos. Todos os "Renans"que estão aí é o que nós perdemos. A gente precisa saber o que faz isso." via Caio Castor, no FB
O comentário do professor Paulo Arantes descrito pelo Caio Castor é alarmista, mas em geral correto.

A leitura geral me parece correta, de fato é mais preocupante uma marcha de direita hoje do que em 64 onde as coisas eram mais demarcadas (pese não poder dizer apenas que a marcha do dia 15 foi só de direita ou majoritariamente pedia ditadura, tinha muita gente mais perdida que carioca em tiroteio), e sem duvida a direita está onde está por culpa da esquerda, que virou direita. 

É claro que, no entanto, não podemos resumir ou reduzir a marcha do dia 15 à "direita", tampouco a "golpismo", mas é fato que uma ampla maioria se não era de direita, subscrevia crítica ou acriticamente ao pensamento dos grupos que convocaram a marcha. Aí está o nó, a direita está liderando o centro.


Sem dúvida muitos ali são disputáveis, mas quem está fazendo esta disputa?

E não quero me repetir, mas é óbvio, o PT é o grande responsável por essa direitização e também pela situação ter chegado a este ponto, mas não só.

Setores da esquerda "radical" também tem responsabilidade, por um discurso descolado do povo, que não consegue dialogar com divergências, não conseguem dialogar sobre pautas específicas com a maioria da população (oras, não conseguem discutir entre si! É um tal de jogar pedra à mínima discordância...). Mas, enfim, a culpa é nossa enquanto esquerda, seja da que se vendeu, seja da que não consegue dialogar, seja da que se limita a ver o barco passar.


É difícil pensar em um caminho ou caminhos para superar a atual crise, mas sem dúvida este passa pela total e completa superação do PT. Sem remorso, sem olhar pra trás. E, claro, pelo combate franco às forças de direita e fascistas que crescem.

E por "forças de direita e fascistas" não me refiro apenas à grupos pró-Ditadura, que felizmente AINDA são pequenos, mas que devem ser ferozmente combatidos, mas também aos grupos neopentecostais que estão hoje formando exércitos como os Gladiadores do Altar, que saem por aí atacando praticantes de religiões afro e seus centros, perseguindo os discordantes, espalhando medievalismo e ignorância, incutindo ódio religioso e buscando controlar a política brasileira e impor sua visão deturpada de mundo à constituição e à população.

Se estes grupos não forem parados agora, poderemos não ter nova chance no futuro. Se hoje os evangélicos são 20% da população (e os fundamentalistas provavelmente metade disso e obviamente estes são os inimigos) e já praticamente controlam o congresso, imaginem se não forem impedidos de pregar seu ódio.

Mas e o resto da esquerda?

Não faz muito tempo chegou até mim um manifesto em que pese algumas críticas ao PT (e obviamente ao PSDB), não conseguia superar o sentimento enraizado de amor ao PT ou de que se deve algo ao PT, um saudosismo dos tempos de esquerda do partido, uma insistência em não enxergar o óbvio e a realidade e de embarcar no discurso fácil dos fundamentalistas neoPTcostais de que ainda há alguma disputa a ser feita no e pelo partido.

No manifesto, após críticas, o velho morde e assopra. O PT é responsável pela crise da Petrobrás, sem dúvida ~subtraiu~ valores da empresa, MAS (notem o "mas"), o PSDB... Não, meus amigos, não tem "mas". O PSDB se pudesse privatizaria a empresa sem dó e dividiria o lucro com seus amigos (como já o fez em outros caoss), mas o PT vem efetivamente privatizando lentamente a empresa e, no meio tempo, tem se refestelado com ampla corrupção.

Não é uma questão de escolher, é necessário denunciar igualmente AMBOS os partidos e seus respectivos aliados, sem continuar no joguinho de encobrir e escolher o "menos pior". De quebra, o texto ainda busca dar um tom passivo aos atos do PT, como se o partido tivesse sido LENIENTE com os roubos da Petrobrás e não parte ativa, enquanto mandantes, da roubalheira.

A linguagem diz muito. A escolha das palavras é fundamental. Recuar ou buscar de qualquer forma justificar ou acobertar, ou mesmo diminuir, o papel do PT na direitização do país é bater palmas para este processo. Tentar criar alternativas enquanto se passa o pano pro PT equivale a enxugar gelo e até que entendamos isso, é melhor nem insistir, pois todo e qualquer projeto estará fadado ao fracasso.
"(...) Camaradas, reconheçam agora que esse 'mal menor'
Que ano após ano foi usado para afastá-los de qualquer luta
Logo significará ter que aceitar os nazistas.
Mas nas fábricas e nas filas dos desempregados
Vimos a vontade de lutar dos proletários (...)"
Bertolt Brecht, 'Quando o fascismo se tornava cada vez mais forte' In: Poemas 1913-1956, 2000 [1967], p. 95.
Com o perigo de mais uma vez me repetir, fica o apelo: Superem o PT. Parem de justificar, de "entender" os atos do partido. Não fiquem excitados porque no mar de lama surgiu um Janine Ribeiro que, sozinho, irá salvar a pátria. Não, ele não vai.

Não se trata te ~torcer contra~ mas de ser realista. Uma andorinha não faz verão, um Janine Ribeiro não fará a revolução na educação. Se ele conseguir ao menos brecar parte das "reformas" que Dilma vem fazendo ou debatendo até aqui (chegando ao ponto de aventar terceirizar a contratação de professores federais) já será um ganho, mas ainda assim, mais por obra dele que do PT que, sem dúvida, se vendo nas cordas e atacados por todos os lados, da direita à esquerda, resolveu fazer um aceno contando com a boa vontade dos ainda adeptos da tese do mal maior (ou mal menor, para ficarmos com o velho Brecht).

Aceitem de uma vez por todas que não há salvação - a não ser que você acredite na volta de jesus e afins, porque se acredita no PT.... - e vamos construir alternativas antes que seja tarde.
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terça-feira, 24 de março de 2015

La sociedad brasileña necesita apoyo internacional y que conozcan lo que pasa en nuestro país

Escribo este post por razón de la participación de João Pedro Stédile (MST) junto a otras personalidades internacionales de izquierda en el pedido por la libertad de Arnaldo Otegi y por los presos políticos vascos. Y lo hago en castellano con la esperanza de que los amigos y las amigas de izquierda de Euskal Herria, Catalunya y Estado Español puedar no solo entender lo que escribo, pero también entender mejor  la situación política de Brasil y las luchas de izquierda contra el gobierno Dilma (PT).

El MST aún es un grupo muy importante fuera de Brasil (y en Brasil, por supuesto) a pesar de las tentativas de su lider, Stédile (que firma la carta contra la dispersión y por Arnaldo Otegi), de mobilizar el grupo solo para y dentro de los intereses del partido en el poder en Brasil, el PT de Dilma, que recusa hacer la reforma agrária, que pone una genocida de indígenas y defensora de la esclavitud de campesinos en el ministério de agricultura (Katia Abreu) que ataca con violencia a la gente que protesta en las calles, que pone el ejército en favelas para controlar y matar a los negros y pobres, que vulnera los derechos humanos, que privatiza, que... Bueno, que es un gobierno de derechas, neoliberal en muchos aspectos.

Me acuerdo que hace un rato Emir Sader, que muchos de nosotros llamamos de Poodle del PT (término creado por los del MTST - http://is.gd/bd24HJ), estuvo en Iruñea para una actividad de Iratzar Fundazioa invitado por Floren Aoiz Monreal para presentar su libro en que, y no es un chiste, dice que los gobiernos Lula y Dilma son "post-neoliberales". Es para reírse.

Emir Sader representa lo que existe de peor en el PT, defiende de manera radical políticas de derecha y contra el pueblo y mismo sale vez o otra con frases (o tuíts) racistas (http://is.gd/fWEhhg), sexistas (http://is.gd/Vo0gCa) y cargadas de perjuicio conta los movimientos sociales y la izquierda (http://is.gd/4JGdSk, http://is.gd/6lt6Ds o http://is.gd/aqkKZh).

Pero, desafortunadamente, aún merece el respeto de sectores internacionales de izquierda, pero este "respeto" debe ser denunciado, es necesario que la izquierda del mundo sea solidaria a las luchas de los pueblos indigenas brasileños contra las imposiciones del gobierno (y el genocidio promocionado por este gobierno) que este señor Sader defiende, o con las luchas de las mujeres que no tienen sus derechos respetados y quetinen sus derechos intercambiados por favores de la "Bancada Evangélica" o fundamentalista o con los negros que son muertos todos los dias en las favelas bajo órdenes o con el permiso o mismo la inmovilidad del gobierno que este señor defiende.

En fin, las izquierdas del mundo y en particular la izquierda de Euskal Herria necesita conocer un poco más de la realidad brasileña y de la izquierda que, en las calles, favelas y campo, es victima del gobierno del PT.

Una cosa es reconocer los cambios impulsados por Lula en su primer gobierno, otra es mantener la farsa de que este es un gobierno (aún) de izquierdas.

Doy la bienvenida, sin duda, al documento firmado por las personalidades por la libertad de Otegi e por los presos políticos vascos, pero, utilizando este evento como fondo, es importante que las izquierdas del mundo miren com más atención a Brasil y entiendan mejor nuestra situación y toda la violencia y represión contra nosotros y nosotras.
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sábado, 14 de março de 2015

Superar o PT? Jamais!

O que mais (me) irrita hoje é a incapacidade das pessoas enxergarem um palmo diante do nariz, de conseguirem manter o mínimo de coerência.

Vejam a foto do protesto pró-PT em São Paulo.
Nela, ao lado de bandeiras da Dilma, pessoas protestando contra contaminação do solo, contra, penso eu, transgênicos e etc.

Do lado de bandeiras da Dilma, repito, cuja principal aliada é... Katia Abreu! Precisa dizer mais?

É a incapacidade máxima de entender que sua(s) pauta(s) simplesmente NÃO INTERESSA a Dilma e ao PT e MESMO ASSIM você sai na rua pra defender a porra do governo.

Em outra foto de protesto no Rio, uma faixa em defesa da Caixa... A Caixa que Dilma queria abrir capital. A defesa do governo Dilma e das pautas citadas simplesmente não combinam, não funcionam.

E o mais triste é que se você for perguntar, dirão que é óbvio que o PT defende estas pautas (contra privatização da Caixa, contra o agronegócio) e que, NO MÁXIMO fazem "aliança tática" com alguns setores ~malvados~ pela "governabilidade".

Sempre usarão alguma desculpa. Algumas inclusive mirabolantes e que fariam uma criança ter crise de risos. Mas falam com seriedade, realmente acreditando.

Lembrando, aliás, que a manifestação de ontem era "em defesa da Petrobrás", mas ninguém lembrou que o rombo de 88 bilhões na empresa, o rebaixamento de seu grau de investimento e mesmo o processo de privatização que já se iniciou é obra... do PT!

Desenhando: Defender a Petrobrás SEM ter o PT como (um dos) alvo(s) não é defender a Petrobrás, é usar a empresa como desculpa para um ato unicamente em defesa do PT (como foi o caso).

Claro que se o PSDB puder meter a mão mete, quem criou o esquema foi, afinal, o PSDB (que o PT se beneficia, e isso não diminui a responsabilidade do partido, como petistas querem fazer crer), claro que querem privatizar, mas opor privatização tucana à roubalheira (e também privatização "de leve") petista é coisa que, honestamente, só um imbecil pode fazer.

Amplos setores da esquerda são simplesmente INCAPAZES de superar o PT. Simplesmente não querem. Não há espaço para a esquerda que inclua o PT. Não há superação da situação atual de destruição de direitos com o PT sendo salvo nas ruas pela esquerda.

É uma questão muito simples, se a esquerda sempre que o PT gritar por socorro - seja nas eleições, seja agora - correr para salvar o PT, por favor, DESISTAM de criar alternativas porque simplesmente será impossível. Estes setores de esquerda não querem alternativa, não querem ser nem criar, resta apenas o grito de revolta sem capacidade de direcionar a revolta em si, e acaba no eterno retorno ao seio petista.

Já deu.
Coisas estranhas:
Stédile dizendo que a direita ta destruindo a Petrobrás e enchendo o ministério de inimigos dos trabalhadores. Em seguida chamou um 'olê olê olá, Dilma, Dilma'. Oi? Quem é a direita nessa frase?
UNE, FUP, CUT, MST, UJS e PT dizendo que estavam ali pra chamar "os direitistas" pra guerra, em defesa do governo. E como aquele aviso no final de comercial de bebida, um corrido "e contra os ataques aos trabalhadores" sem dizer que eles vem justamente do governo.
"Petroleiros" (entrevistei duas que nunca foram petroleiras e outro que não quis falar) que vieram de ônibus de Campos e Macaé com cartazes como esse da foto. Além de outras como "A Petrobrás é nossa e ninguém tasca" ou "Fora FHC e FMI, o petróleo é nosso". Oi???

Umas 40-50 mil pessoas compareceram à marcha petista do dia 13 em são Paulo (eis um relato de quem estava lá e atesta que era uma marcha PETISTA de nada mais), e se contarmos com o país inteiro poderíamos pensar em 200 mil pessoas. Aparentemente é o teto do apoio do PT. Mesmo com os números inflados do PT não passaria de 300 mil.

Muita gente, mas em Junho o MPL - sem 1% da verba da CUT que alugou ônibus e fora as denuncias de pagamento a manifestantes - juntou muitas vezes mais que isso. Dentro da previsão de 40 mil da CUT pode-se considerar um sucesso, mas frente a outros protestos SEM o poder e a verba da CUT, um fracasso.

Ainda que o objetivo do PT era criar um "fato novo" e nisso foi bem sucedido, assim como conseguiu manter acesa a chama da cooptação e do nefasto efeito do "mal maior".

Mas o mais engraçado era gente querendo jurar que era um ato "de esquerda em defesa da Petrobrás" e não um ato montado com pesado apoio (e verba) da CUT/PT/PseudoB/UNE/CTB pra apoiar o governo cada vez mais direitista e tentar criar um fato novo e mostrar uma suposta força que o governo definitivamente não tem.

Como questionado pela Luka (do link acima), cadê essa força na hora de pressionar por pautas progressistas e em prol dos direitos humanos? Ah, ai não interessa. Só pra defender o PT.

Agora voltamos à programação normal com parte considerável desse povo que estava nas ruas defendendo criminalização de protestos e gritando "VAI PM".

"Ain, mas há um movimento golpista contra Dilma".

Bem, existe - e sempre existiu - uma minoria golpista, saudosa da Ditadura, não é novidade. Agora, IMPEACHMENT não é golpe. É do jogo.

Desenhando (de novo): Impeachment é golpe? Collor foi vítima de golpe? Impeachment é legal, é da democracia, Dilma não vendeu o país inteiro e todas as bandeiras do PT pra comprar PMDB e dezenas de partidos? Quer dizer que ela será traída pelos queridos aliados? E se for, a esquerda deve sair para defendê-la? A mesma esquerda que, em Junho, durante a Copa e depois foi BRUTALIZADA pelas polícias à serviço do PT, PMDB (e PSDB) com oferta de Força Nacional e ocupação militar (na Maré)?

Seria estelionato eleitoral razão para impeachment? Bem, IDEALMENTE todo governo deveria cair com base em estelionato eleitoral. 

 Mas, no mais, impeachment é constitucional, se o governo tem maioria - e o PT fez o possível para ter - não cai. É parte do jogo. Eu que não vou mover uma palha, offline ou online, para defender, justificar, minimizar ou dar espaço a este governo canalha. Vamos confrontar aqueles que EFETIVAMENTE são golpistas? Tamos junto, ao lado de bandeiras do PT e de movimentos cooptados pelo PT? Não, aí não.
PT e PSDB ativamente defendem a repressão de movimentos populares que saem às ruas, ambos partidos fecham os olhos (quando não incentivam) chacinas e assassinatos contra pobres e negros, ambos privilegiam o agronegócio, privilegiam os bancos, o capital financeiro, desprezam educação pública... Sair às ruas dia 13 ou dia 15 significa a mesma coisa: A defesa de políticas de austeridade, da direita, de políticas contra a população.

Nem 13, Nem 15, Nem 45! Nem PT, nem PMDB, nem PSDB!  
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segunda-feira, 9 de março de 2015

Panelaço contra pronunciamento da Dilma, um fato novo?

Brasília, São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Curitiba... Em várias cidades do país gritos, panelaço, buzinas e muito xingamento durante o discurso (mentiroso, obviamente) de Dilma no dia 8 de março.

Coordenado ou não (alguns falam em coordenação via Whatsapp, o que é uma forte possibilidade, ou de incentivo via twitter durante o pronunciamento via tag #vaiaDilma), o "protesto" nas salas e sacadas de várias cidades brasileiras denuncia uma radicalização visível de setores sociais diversos. Obviamente não se pode medir o alcance de tal protesto, mas as redes sociais foram inundadas com comentários (descartando os gritos de GOLPE e de FORA DILMA) sobre o fato e vídeos com os gritos e afins.

E digo que pouco importa se coordenado ou não porque o fato político é o protesto em si. Claro que seu peso (e periculosidade) seria maior caso fosse espontâneo, o que é pouco provável, mas de qualquer forma, o "protesto" é ou foi uma realidade.

Trata-se de um protesto contra uma pronunciamento na TV. Sem dúvida todos conhecemos casos de quem acaba revoltado e xinga a TV em algum momento, mesmo um discurso de políticos, mas a coordenação desse protesto quase virtual prenuncia algo diferente. E por "coordenação" neste caso não falo em um ou vários líderes, mas sim na sincronicidade do ato.

É preocupante para o PT, pese também sê-lo para o país. É um clima de polarização tremendo em meio à tentativas (supostas, mas que preocupam mesmo petistas destacados) do PT se aproximar com o PSDB, de partidos envolvidos até o pescoço na lama (e no STF)...

Obviamente não é o fim do mundo, nem prenúncio de um GOLPE ou coisa do tipo, não podemos ou devemos supervalorizar o fato, mas também é impossível descartar como se fosse apenas o "grito da elite", algo repetido muitas vezes pelo eleitorado petista sempre que busca deslegitimar qualquer oposição.

Primeiro, MESMO que se tratasse da elite, na política e na democracia a elite também vota, também tem espaço e direito a se manifestar (mesmo que discordemos de tudo nesse pacote democrático), e segundo, não há como afirmar que efetivamente se tratou exclusivamente da elite. Quem afirma tal coisa está apenas mentindo ou num wishful thinking bestial.

Essa radicalização é péssima, pois o ódio não constrói, apenas cria trincheiras. E quem fica no meio termo - que por exemplo seja contrário ao PT/Dilma no poder, mas não defende golpe - acaba sendo pego no fogo cruzado, inviabilizando qualquer tipo de discussão política séria e proveitosa.

É a política do futebol, você grita "chupa" de sua varanda quando o time que você detesta toma gol, se esgoela de ódio quando seu time é derrotado... Política como arquibancada, sem conteúdo, apenas com "paixão".

Mas, enfim, é um fato político, uma novidade no cenário político polarizado brasileiro em que todas as possíveis saídas parecem ruins. Seus desdobramentos ainda serão sentidos, fiquemos de olho. A certeza imediata, porém, é de que o clima político no país está insuportável e a corda está no limite. Como ela vai romper não sabemos, mas ela irá romper.

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Atualização:

O machismo usado nos ataques à Dilma é lamentável, mas é igualmente lamentável que este fato novo seja tratado apenas como isso, como "machismo", como expressão de elite e ponto. É uma tentativa torpe de diminuir sua relativa importância e novidade. Como sempre, tenta-se desqualificar a crítica de imediato, sem pesar as consequências.

Reparem na posição generalizada dos blogs e sites ligados ao PT: Machismo, Golpe, Elite... Não há o menor esforço em se analisar o porque do protesto, do fato novo. Nada. Apenas a eterna busca dos petistas pela desqualificação, por negar a realidade, por negar o mundo que os cerca.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Com o "voto crítico" o Syriza jamais teria chegado ao poder

O partido grego de esquerda Syriza bateu na trave da maioria absoluta pese sua imensa e elástica vitória nas eleições do último domingo. Terá de negociar para conseguir ao menos os 2 votos, já que conseguiu 149 cadeiras ao invés das 151 necessárias para a maioria absoluta no parlamento. De fato, caso o partido consiga estes dois votos necessários e forme um novo governo forte, a Europa poderá ver mudanças significativas nos próximos anos, especialmente com o Podemos na Espanha crescendo e podendo até mesmo governar o país.

Mas o que me interessa aqui não é analisar o Syriza e sua vitória, e sim chamar à atenção para a derrocada do PASOK, o Partido "socialista" ao estilo do PS francês, PSOE espanhol e... do PT.

O partido derreteu, não chegou aos 5% dos votos, e se tornou basicamente irrelevante. O objetivo das esquerdas no Brasil deveria ser não apenas o de formar algo como Syriza/Podemos, mas relegar o PT, como o PASOK ,à irrelevância, mas esbarra em um problema (dentre muitos): O "voto crítico".

Como já escrevi antes, o "voto crítico" no PT é um câncer, a tese do "mal maior" apenas perpetua este câncer e impede seu tratamento. Ou melhor, ajuda a espalhar o câncer ao invés de tratá-lo. Não puxa o PT para a esquerda, Levy e os cortes em direitos deixam claro, mas simplesmente acomoda o partido que pensa ter votos garantidos sempre que no aperto. Pensa e realmente os tem.

Sabem como o PASOK (o PT grego) afundou? Galera de esquerda parou de votar neles, de dar "voto crítico" e buscou alternativa. É uma receita simples. Claro, foi preciso nascer uma alternativa, mas ao invés de simplesmente repetir "não há alternativa" os gregos (e espanhóis) foram às ruas e criaram uma. E a dica vale também para os sectários de esquerda, o Syriza originalmente era uma coalizão, mas (os partidos) conseguiram superar as principais divergências e concorrer como um só.

Imaginem se a esquerda grega ficasse repetindo o mantra do "voto crítico para combater o mal maior" e continuasse a votar no PASOK? O Syriza continuaria como um partido pequeno, pese incômodo. O PASOK no fim se aliou ao ND, apoiando políticas criminosas de austeridade, veremos o PT e o PSDB aliados em algum momento? Possivelmente, e há petistas que já pedem por isso.

O Syriza prova que é sim possível lutar contra a direita e contra os amigos da direita travestidos de esquerda, basta querer e se mobilizar. O Brasil precisa prestar muita atenção e buscar seguir o exemplo, ao contrário do Syriza que já foi questionado pelo FT se iria ser mais Lula ou mais Chávez.

Eu diria que nenhum deles, a Grécia não é a Venezuela ou o Brasil, mas sem dúvida, não devem nem sonhar em copiar o Lula, ou em pouquíssimo tempo terão se transformado no PASOK ou no PT e estarão basicamente pactando com a pior direita e realizando os "ajustes" exigidos pela troika e fazendo o povo grego sofrer novamente.

O desafio do Syriza é exatamente não copiar Chavez e muito menos Lula, mas inovar, buscar uma via grega para a saída da crise e inspirar.

A nós, brasileiros, cabe buscar inspiração, mas também buscar um caminho ou uma via própria e parar de uma vez por todas de manter no poder aqueles que se submetem aos mandos e desmandos das elites.

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Atualização 26/01/15:

Tem gente (corretamente) criticando a aliança do Syriza com o Gregos Independentes, de direita. Mas é preciso ter algumas coisas em mente.

O apoio do KKE (Comunistas) teria evitado isso, mas como os stalinistas se acham puros demais pra apoiar o Syriza...

Mas tem uma questão, o Gregos Independentes é sim de direita, mas fechou um acordo baseado num programa que é capitaneado pelo Syriza, que é o combate à austeridade. Ou seja, o Syriza não rebaixou (até o momento) seu programa, mas incluiu um partido que concorda com esse programa, seria como se a Katia Abreu defendesse reforma agrária ao invés do PT ir defender o agronegócio. Vamos ver no que dá. Aliás, era o que o PT deveria ter feito ha 12 anos, ter aproveitado o apoio crítico de setores da esquerda (mesmo internos) e imposto um programa aos aliados, não o contrário. É uma diferença fundamental.

O problema principal do Syriza (ou do PT) não foi em si ter se aliado com "a direita", mas sim ter rebaixado ou mesmo abandonado seu programa pelo da direita. E no caso do PT com um agravante, com claro e descarado estelionato eleitoral. Esta última eleição de Dilma, aliás, chega a ser um acinte.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Encruzilhadas do PT e responsabilidades do PSDB: De mãos dadas com a direita e com porrete na esquerda

Retomo mais uma vez o tema da "readequação conservadora" enquanto aponto as responsabilidades do PT por esta retomada direitista e mesmo florescimento da agenda e dos discursos fascistas motivado não apenas para assustadora manifestação pró-Golpe militar na Avenida Paulista (cuja convocatória no Facebook passava das 100 mil almas perdidas confirmadas, pese entre 1000-2500 terem aparecido), mas também pelo discurso raivoso e de ódio que alguns petistas e agregados tem promovido mesmo após a vitória, além do discurso de "abafa" promovido por outros.

É sabido que a esquerda apoiou criticamente (uns mais, outros menos) Dilma apenas para barrar o PSDB, o "mal maior" na visão de muitos. Esperavam os inocentes e incautos que fosse possível uma guinada à esquerda de Dilma e do PT, enquanto outros, mais espertos e pé no chão esperavam apenas barrar o PSDB para logo voltarem às ruas e à oposição.

Mas ambos, penso eu, esperavam ao menos uma mínima autocrítica por parte da militância petista, um arrefecimento do fanatismo desmedido e muitas vezes fascista (não era incomum ver governistas ensaiando um "VAI PM" enquanto militantes de esquerda eram brutalizados nas ruas pós-Junho). Esta autocrítica, porém, não virá.


A tosquice pós-eleitoral

A chamada Veja Governista (A Carta Capital, não o Brasil 247, que responde pela mesma alcunha) e seus jornalistas imediatamente saíram ou em defesa da "governabilidade", ou simplesmente resolveram combater o ódio com mais ódio.

Cynara Menezes, também conhecida pelos íntimos como Alucynara, imediatamente pôs-se ao trabalho atacando o eleitorado do PSDB. O que melhor para combater o ódio do que incitá-lo?

Eu tenho profundo horror ao PSDB e a tudo que ele representa, mas daí a atacar todo e qualquer eleitor do partido (até porque tenho vários amigos que preferiram votar no Aécio por centenas de razões diferentes e tenho por eles o maior respeito) vai uma distância imensa.

Na mesma leva há o Lino Bocchini (a quem respeito e nutro admiração, mas que entrou no jogo sujo de cabeça) que usou seu espaço na revista para dar um cala boca na esquerda e justificar previamente um possível ministério para o Kassab. O argumento é simples: Obrigado esquerda, já usamos vocês, agora caladinhos que temos de governar (com a direita, claro).

Ninguém à esquerda pode, porém, declarar ignorância ou surpresa. Depois de 4 anos de um governo que flertou com o fascismo não seriam diferentes as primeiras reações da linha de frente do governismo. Dou apenas estes dois exemplos porque circularam amplamente pelas redes, mas outros não faltam em perfis governistas que já se preparam para justificar tudo e qualquer coisa, ou melhor, para continuar a justificar qualquer coisa.

Este artigo do Lino, aliás, é o perfeito exemplo do que alerto há muito tempo, de que o combate ao "mal maior" no fim acaba sendo promotor deste mesmo mal. Como comentei no Facebook:
O governismo é um câncer. Durante as eleições era crime se recusar a votar n PT. Oras, anular seria despolitizado e ajudaria o Aécio, como se magicamente votos nulos virassem votos no PSDB. A chantagem e até as ameaças dominavam.
Dilma pagou de esquerda, atraiu incautos e inocentes que caíram no papo mole após 4 anos de um governo que chegou a flertar com o fascismo.
Agora, mais 4 anos garantidos Dilma e o PT não precisam mais sequer fingir ser de esquerda. Quem votou criticamente faça o favor de voltar pro lado de cá da trincheira e quem votou ACREDITANDO em uma mudança, por favor, cresça. Depois venha pra trincheira.
Mais uma vez tenho a certeza de que acertei ao me recusar a participar dessa farsa.
E meu comentário foi como complemento a outro impecável do Bruno Cava, do qual copio trecho:
O texto chega a culpar o leitor, por ter votado mal pra deputado e senador.
Diferente de quem entrou na campanha pra voltar às ruas no-dia-seguinte, conclui friamente que "o caminho passa por um debate político diário, maduro e que precisa ser feito à luz da realidade".
Da realidade, crianças, não de seus sonhos, ruas, lutas, pequenos partidos ou movimentos. Da realidade: o Michel Temer, o Kassab, a Kátia Abreu.
Reclamar disso virou "mimimi despolitizado".
Foi escrito por um dos editores.
A Carta Capital corre seriamente o risco de se tornar um panfleto governista.
São dois exemplos (Lino e Alucynara) que ajudam a exemplificar que quando falamos de "ódio", este vem tanto da extrema-direita (e sim, de alguns ou mesmo muitos eleitores do PSDB) quanto da ex-querda (muitos alinhados oficial ou extra-oficialmente com o PT). Os discursos são os mesmos: Há um golpe em curso, quem não apoia o PT integralmente é "tucanalha e golpista", o PSOL é de direita, os "black bostas" são "tucanalhas", a mídia é malvada (pese ser financiada pelo PT), o judiciário/STF  é malvado (pese a maioria absoluta do STF ter sido nomeada pelo PT)...

Eleição vencida, o discurso é o mesmo.

O Pablo Ortellado fez um comentário importante:
Manifestação anti-Dilma ultraconservadora cheia de gente na Paulista. É bom assimilarmos a novidade e reagirmos rápido à ascensão poíltica dos conservadores. Não se trata mais de eleição, mas de domínio do discurso público -- o que em outros tempos chamaríamos de disputa por hegemonia. Estamos caminhando muito rapidamente para um cenário sombrio dominado por esses profetas do ódio.
Mas não é tão simples a contra-mobilização. Junho foi um levante de esquerda que, pese infiltrado aqui ou ali por elementos de direita ou mesmo classe média sofre, impôs pautas que foram sumariamente ignoradas pelo PT.  Por outro lado fica a questão: O que fazer, se quando a esquerda se mobiliza nas ruas é o PT que manda dar porrada ou se limita a aplaudir e oferecer tropas?

Como escrevi para o Amalgama, o petismo é também culpado por esse descaramento da extrema-direita.

E não, "reforma política" sem qualquer debate e através de um plebiscito não tem nada a ver com o que pediam as ruas, não passa de uma desculpa péssima e interessada do PT para fingir que escutou alguém.

Como esperar que a esquerda se levante contra a extrema-direita golpista se quando a esquerda se manifestou foi o próprio PT o primeiro a querer acabar com a festa?

E o PSDB?

Vimos setores absolutamente fascistas tentarem ocupar as ruas após as eleições. Ainda que apenas em São Paulo a manifestação pela volta à Ditadura tenha juntado mais de 100 pessoas, é preocupante.

Me recordo alguns anos atrás de ter gravado e fotografado manifestações da extrema-direita (E de ser ameaçado, claro). Pequenas, residuais, carregadas de ódio, de integralistas, nazistas, carecas e fascistas. Uma ou outra, porém, contava com o que podemos compreender como uma classe média raivosa. Mas sempre pequenas, quase residuais.

Esta não. Tomou corpo, junto pelo menos 2 mil pessoas. É assustador. Mais ainda porque sabemos que há muito mais gente que pensa (?) daquela forma.

E esta direita não saiu da toca de graça. Se é verdade que o PT tem responsabilidade na exacerbação do ódio pré e pós eleitoral pelas várias razões que dei neste e em outros artigos, o PSDB não deixa de ter sua imensa parte no bolo.

É verdade que setores amplos da extrema-direita passaram a apoiar o PSDB/Aécio apenas como forma de derrotar o PT, ou seja, não era em si por proximidade ideológica, mas na base do combate ao inimigo comum (oras, o que explica gente que bradava contra o Bolsa Família, vulgo Bolsa Esmola para esta gente, apoiar o PSDB que claramente defendia a manutenção do programa - e de outros?), porém o PSDB em momento algum buscou se desmarcar destes grupos e setores.

Pelo contrário, os alimentou.

A campanha suja não veio apenas do PT e de sua "militância" fanatizada, mas muito veio também das hostes tucanas nas redes e nas ruas. Veio dos tucanos orgânicos e dos tucanos de ocasião. Caberia ao PSDB deixar claro seu rechaço a estes setores, mas não o fez, pelo contrário, fez questão de usá-los.

Fez questão também de impor uma agenda francamente conservadora, como a defesa da redução da maioridade penal, algo que cai como uma luva para atiçar o discurso mais fascista possível, anti pobres, anti negros, francamente racista e reacionário.

E não nos esqueçamos, Coronel Telhada é tucano. Ele, assim como outros são a fina flor do fascismo e em momento algum foram desautorizados pelo PSDB pelas suas declarações por vezes criminosas. Se por um lado o PT tem um Stanley, o PSDB tem sua Deborah Albuquerque Chlaem. E nenhum dos lados se moveu para desautorizar ou desmentir o que relincham falam em seu nome. São coniventes.

Por mais que seja legítimo - pese desesperado - da parte do PSDB exigir auditoria das urnas, tal pedido gera consequências, dentre elas a de incentivar setores fascistas e golpistas a reclamar de fraude e ganhar força. E o PSDB sabe disso, se aproveita disso.É responsável, como o PT, pelo clima de guerra no país.

Como bem comentou o Samuel Braun:
O movimento reaça se baseia numa falsa dicotomia, ele existe não por afirmação, mas por negação, sua identidade se baseia na sua obsessão, o PT e o que supõe que ele representa. O fato de muitos malucos projetarem suas fantasias num outro ente não faz deste ente o que eles pensam que ele seja. O fato de acharem o PT comunista, socialista, de esquerda, não prova nada quanto a ele ser alguma destas coisas. Só prova que "meia dúzia de muitos" pirados pensa assim. Assumir isso como parâmetro de verdade é fazer côro, indiretamente, com esses desmiolados. Mesmo que pra supostamente se opor a eles.
Defender o governismo como antagônico a essa esquizofrenia reacionária é legitimar a esquizofrenia. O oposto de reacionário não é conservador, ok? Existirem direitaços como Lobão e companhia não faz de Maluff, Katia Abreu, Vacarezza, Mercadante, Afif Domingos et caterva de esquerda não, beleza?
Enfim, não podemos falar de surgimento da extrema-direita, mas sim, podemos dizer que esta saiu do armário de vez. Perdeu o medo e foi até mesmo incitada (analiso mais profundamente este fenômeno aqui). Da mesma forma que o congresso passou por uma readequação conservadora, estes perderam completamente a vergonha. O problema nem é, em si, este, mas que qualquer reação poderá ser criminalizada e brutalizada pelo partido que se diz de esquerda no poder, como aconteceu em Junho.

A esquerda encontra-se em uma encruzilhada difícil de superar, e o PT mais ainda. Para a esquerda, porém, a superação da encruzilhada passa por superar também o PT.

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Uma nota final: Os fascistas que tomaram um pedaço da paulista tem horror à democracia porque perderam, mas se aproveitam da existência da democracia para poder exigir seu fim... Não é irônico, é tosco.
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