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quinta-feira, 21 de julho de 2016

A minha geração protestava nos copos do Starbucks

Talvez possamos ligar diretamente a chegada do PT ao poder e o fato do partido ter praticamente impossibilitado grandes lutas que foram, então, substituídas por questões mais pontuais (daí em parte explicamos o fortalecimento assustador de SJW - Social Justice Warriors - nos últimos tempos também) ao fortalecimento de iniciativas simbólicas que eu considero eminentemente toscas e mesmo contraproducentes...

Este é só um exemplo: Terceirização de protesto que fica bonitinho em foto do Instagram e em textão de Facebook.

Enquanto em 2013 milhões foram às ruas e com as ocupações de escolas outros milhares pelo país se mobilizaram e tem se mobilizado de forma autônoma diante de partidos e suas limitações. Isto causava a inveja e ódio nestes mesmos partidos que em 2013 defenderam a repressão - caso do PT e do PSeudoB - e mesmo, num grau abaixo, levou às críticas do PSOL aos Black Blocs, por exemplo. Já nas ocupações, UNE e UBES tentaram se apropriar dos protestos, sem sucesso.

Aqueles remanescentes no campo governista (hoje criptogovernista, mesmo necrogovernista) e os que voltaram a aderir a este campo passaram a inventar formas extremamente simbólicas de protesto.

Simbólicas e burras, como fica claro na imagem que abre esta postagem.

Terceirização de protestos, protestos absolutamente simbólicos, protestos que visam apenas fotos em redes sociais, mas sem absolutamente nenhum objetivo, protestos que passam longe de pautar qualquer forma de mudança social, enfim, protestos apenas para dizer que estão protestando - mesmo que terceirizando. E vamos lembrar que este é o pessoal que achava um horror o panelaço como forma de protesto, mas não veem problema algum em expor trabalhadores ao ridículo.

Ocupar as ruas - sem estrutura partidária e pelega, claro - não é opção. Só o fazem pra ouvir Lula discursar e quando a CUT ou outra organização vendida contrata carro de som. Nem falo em mobilização de movimentos sociais e etc porque os que restaram alinhados ao governismo foram esvaziados ao ponto de sequer saberem mais quem são ou pra que servem. Tampouco posso falar em pressão parlamentar, já que o PT e o PSeudoB deixaram claro que preferem o próprio PMDB ou até o DEM à tomar atitudes reais em protesto contra o que enxergam como "golpe".

O mais triste nem é a posição dessa militância francamente fracassada, derrotada e perdida, é a insistência de outras forças comumente de oposição a tudo isso que se submetem ao ridículo e ficam batendo palmas pra maluco dançar.

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Depois de escrever a postagem descobri que outro gênio do "protesto com o pau dos outros" resolveu ao invés de forçar um atendente a dizer "Fora Temer", o forçou a gritar "Dilma Rousseff" e passar ridículo na frente de dezenas de pessoas.
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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quando o PSOL largará o osso e fará oposição real ao PT?

Comenta um amigo:

Assisti ao programa do PSOL ontem. Gostei muito. Mostrou bem o descalabro em que deixaram o país estes treze anos e meio de governo do PMDB.
Ironia, creio, clara. 

O programa do PSOL passou minutos arengando contra o PMDB, partido que pese merecer todas as críticas, foi sócio do PT por menos da metade dos 13 anos do partido no poder. No caso do Rio, o PMDB governa, mas não sem o imenso apoio e sustentação dados por PT e PseudoB.

O problema é que o discurso do PSOL é eternamente o de "ah, o PT não é tão mal assim, dá até pra gente compor com eles". Não larga o osso. Parece que o PSOL não quer jamais andar sozinho, com as próprias pernas, precisa ter o irmão mais velho sempre ali, vigilante, aprovando, dando tapinha nas costas ou dando umas palmadas de vez em quando. O PT governa o país há 13 anos, governa o Rio com o PMDB há década, mas conseguem atacar o PMDB esquecendo o PT? Isso não é tática, estratégia, não é nada, é só covardia.

É medo de alienar a turminha "mais amor por favor" que pode acabar votando num candidato do PSOL diante de alguma eventualidade. Parece cachorro tomando porrada, mas voltando pra lamber a mão do dono esperando ganhar biscoito. No final o PSOL sempre embarca no voto critico e ajuda a sustentar governos PIORES do que os que se opõe de forma mais radical.


É possível compreender (ainda que não aceitar) que o PSOL dispute parte da base do PT, que tente se aproximar daqueles insatisfeitos, mas que ainda não estão dispostos a largar o PT. Mas fica aquela questão: Tantos anos investindo nessa tática renderam frutos? O país melhorou? O PT foi pra esquerda ou o PSOL teve um crescimento que justifique a insistência? Adianto a resposta a todas as perguntas: Não. 

E fica a dica, quem colocou Temer no poder (como vice) foi o PT, e com votos e campanha do PSOL. 

E eu sinto informar, mas um partido que passa seus dias na base do morde e assopra não inspira confiança. Não vai atrair eleitores petistas e periga perder até apoio dentre sua base tradicional pra partidos que sejam capazes de sustentar críticas sem afinar algumas horas depois.
Nas eleições cariocas, em que Freixo e Molon (Rede) foram tirar fotos com Jandira - que jura de pé junto não ter nada a ver com a falência do Rio ou com todos os crimes do PMDB que ela apoiava -  fiquei com uma dúvida: 

Se a Jandira chegar no segundo turno e o Freixo não, o PSOL vai apoiá-la? Eu já sei a resposta, mas... Perguntar não ofende. Vai ter Jean de joelhos chorando e a chamando de Jandiramãe e o Freixo dizendo que é pelo bem do Rio - como fez com a Dilma?

E não me venham com "ain, você é anti-petista" porque sim, eu sou. Já assumi publicamente e não há problema algum nisso. É como ser anti-tucano ou antifascista, uma obrigação.
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quarta-feira, 9 de março de 2016

"Feministas" do PT e PSeudoB agridem mulheres e tentam sequestrar manifestação em São Paulo

Petistas e turma do PseudoB tentam sequestrar manifestação. Foto via Democratize
O PT resolveu passar do malufismo à aberta criminalidade. No dia seguinte à pixação da sede do PSOL no Rio Grande do Sul, ativistas (homens e mulheres) do PT e do PSeudoB agrediram mulheres do PSTU, PSOL e outros movimentos durante ato pelo Dia Internacional de Luta das Mulheres (8 de março).

O primeiro meio a divulgar os fatos foi o excelente Democratize:
Segundo informações da nossa colaboradora Carol Nogueira, que inclusive participou das diversas reuniões que foram feitas para elaborar o ato de hoje, militantes feministas que participaram da organização acusaram os movimentos pró-governo federal de intervir na mobilização, querendo “sequestrar o ato”.
Tais movimentos seriam a UJS e a CUT, além de organizações feministas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. A intenção desses grupos teria sido pautar a manifestação desta noite em São Paulo como uma espécie de “Mulheres por Lula”, ou “Mulheres contra o Golpe” - ou seja, contrariando a decisão já estabelecida nas reuniões de organização do ato.
Petistas e PseudoBistas atacam feministas. Foto via Democratize
E continuaram:
Após a ativista Silvia Ferrano criticar no carro de som a postura do governo federal diante das pautas feministas no Brasil, a situação saiu do controle.
Militantes pró-governo, incluindo até mesmo homens, cercaram a saída do carro de som, e tentaram agredi-la junto com outras companheiras. Houve confusão e ameaças, que acabaram desencadeando na divisão da manifestação deste dia 8 de Março em duas frentes.
O Movimento Pró Corrupção escreveu no Facebook:
Militantes feministas que participaram de toda organização acusaram os movimentos pró-governo federal de intervir na mobilização, querendo “sequestrar o ato”.
Tais movimentos seriam a UJS e a CUT, além de organizações feministas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. A intenção desses grupos teria sido pautar a manifestação desta noite em São Paulo como uma espécie de “Mulheres por Lula”, ou “Mulheres contra o Golpe” - ou seja, contrariando a decisão já estabelecida nas reuniões de organização do ato.
O perfil Fora Eduardo Cunha, também no Facebook, não deixou espaço para dúvidas:
O que aconteceu no Ato das Mulheres em São Paulo é um completo absurdo. Militantes - homens e mulheres - do PT e do PCdoB agrediram fisicamente mulheres do PSOL e do PSTU, que não queriam participar de uma manifestação em defesa do Governo Dilma e do Lula.
Esse tipo de atitude é inaceitável.

O perfil ainda denunciou que ativistas do PT e do PCdoB estariam defendendo as agressões nas redes sociais:
Infelizmente, as agressões no Ato das Mulheres em São Paulo estão sendo apoiadas por muitos apoiadores do PT e do PCdoB.

Em uma das intervenções, pelo Facebook, uma militante do PT defendeu que todos que não apoiarem Dilma devem ser agredidos fisicamente:
Sem medo de ser criminosa! A "ativista" é militante do PCO, partido alugado pelo PT.
Silvia Ferraro, do PSTU e MML, denunciou as agressões:

|São Paulo| O ato do 8 de março - Dia Internacional da Mulher - foi marcado por uma tentativa de golpe.Não por acaso,...

Publicado por CSP - Conlutas em Terça, 8 de março de 2016

A situação poderia ser resumida como "'Feministas' petistas e do PSeudoB AGREDIRAM ativistas feministas de esquerda na Avenida Paulista por estas criticarem Dilma e se recusarem a ter marcha sequestrada pelo governismo."
Foto via Aldo Sauda

O professor Valério Arcary, liderança do PSTU, se manifestou:
Nada pode explicar ou justificar o que aconteceu neste 8 de março na Paulista. Militantes que apoiam o governo Dilma tentaram impedir Silvia Ferraro do MML (Movimento Mulheres em Luta) de fazer um discurso com críticas às políticas do governo Dilma que atingem as mulheres. Não satisfeitos com esta barbaridade, depois tentaram espancar Silvia Ferraro quando ela desceu do caminhão de som além de outras ativistas vinculadas aos partidos da oposição de esquerda ( PSTU, PSOL, PCB) que se uniram para defendê-la.
Não fosse tudo isso o bastante sequestraram o Ato unificado do 8 de março, o que é imperdoável.
Estes métodos são monstruosos, desprezíveis, abjetos.
São uma aberração burocrática.
São intoleráveis.
O monolítismo e o aparelhismo são uma perversão.
O perigo de uma confrontação física esteve realmente presente.
Claro que este episódio grotesco tem relação com a crise política.
A prisão de Lula no passado 4 de março, mascarada de legitimidade jurídica sob o pretexto de "proteger" a sua segurança, foi uma ação autoritária. Merece se repudiada por todos aqueles que valorizam as liberdades democráticas.
Além de indefensável, juridicamente, foi uma provocação política que apresentou Lula sendo preso pela Polícia Federal dez dias antes da manifestação que está convocada para o próximo domingo.
Disso não decorre que Lula seja inocente.
Ao contrário, as informações disponíveis sugerem, fortemente, que Lula tinha relações obscuras com as empreiteiras e merece ser investigado.
Posso compreender que alguns militantes do PT e do PCdB estejam exaltados com a iminência de um possível impeachment de Dilma.
Eu preferiria que a situação fosse outra, e o governo Dilma estivesse ameaçado por uma greve geral contra a reforma da Previdência que pretende introduzir a idade mínima.
Mas não é assim.
Estou entre aqueles que consideram que este Congresso não tem autoridade para derrubar o governo, e muito menos para empossar Michel Temer.
Mas os métodos brutais são mais uma demonstração da decadência e do desespero das direções do PT e do PCdB.
Lamentável.
Quem merece solidariedade é Silvia Ferraro.

SÃO PAULO (SP) | #8deMarço Companheiras foram ameaçadas de agressão por governistas. Leia o depoimento de Silvia...

Publicado por PSTU Nacional em Terça, 8 de março de 2016

Apenas lembrando as realizações do PT e de Dilma para as mulheres:

2012: Dilma manda ministra Menicucci calar a boca e garante que com ela não haverá legalização do aborto
2012: Ministro Gilberto Carvalho pede perdão à bancada evangélica por declarações sobre aborto 
2013: Padilha veta campanha voltada a prostitutas
2014: Ministério da Saúde revoga portaria 415 que regulamenta a interrupção da gravidez nos termos da lei.

Como eu já cansei de dizer, a turma neoPTcostal só é militante do PT e de mais nada. Morreriam ou matariam as próprias mães se recebessem uma ordem do partido. Não existe feminista petista, LGBT petista, existe petista que se apropria de uma causa pra conseguir o poder e manter o poder.

Petismo cada dia mais é sinônimo de malufismo e fascismo.
No Rio o governo do PTMDB põe abaixo a casa da Maria da Penha, liderança comunitária na Vila Autódromo, que já teve seu nariz quebrado pela guarda municipal. Enquanto isso, preparam Pedro Paulo, conhecido por agredir mulheres, para as próximas eleições
Em Fortaleza a PM do PT reprime manifestação das mulheres
Em São Paulo petistas tentam fazer ato das mulheres virar ato pró governo e acabam agredindo militantes feministas que se colocaram cotra a cooptação
E nada do governo se colocar na defesa de pautas urgentes para as mulheres, como a defesa do direito ao aborto
Definitivamente, um 8 de Março cheio de golpes
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segunda-feira, 27 de julho de 2015

O maior inimigo da esquerda é a própria esquerda?

Graças a este texto, "O Brasil NÃO precisa de um novo junho de 2013", que publiquei em resposta e com algumas críticas à outro texto publicado pela Luciana Genro (com críticas à defesa dela de um novo Junho e ao projeto tosco e petista de "constituinte" e com críticas a alguns quadros do PSOL pelo apoio crítico ao PT e por - alguns - não terem sequer apoiado as manifestações em 2013) eu não apenas fui bombardeado por críticas canalhas da turma ligada à corrente interna da Luciana, MES/Juntos, que agiram como uma perfeita seita coordenada destilando ódio e inclusive manipulando meu texto, mas também fui EXPULSO de um grupo do PSOL no qual eu estava há anos.

Fui banido do grupo sem qualquer tipo de discussão, apenas pela força e vontade de uma corrente que se mostrou incapaz de dialogar críticas pontuais a alguns posicionamentos de sua líder.

É lamentável ver que à medida que o tempo passa a esquerda fica pior. Ou fica igual, sectária, se comportando como seita, incapaz de dialogar ou assumir erros. Se é verdade que o PT é um grande inimigo da esquerda hoje, a própria esquerda é sua maior inimiga.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A vitória de Dilma e as lições do Rio de Janeiro

Sabido o resultado das eleições presidenciais, vitória de Dilma, é o momento das análises.

Dilma foi eleita com pouco menos de 52% dos votos (mais de 54 milhões de votos frente a pouco mais de 51 milhões de Aécio) uma diferença de mais ou menos 3 milhões de votos frente a Aécio. Os votos nulos e brancos passaram dos 7 milhões, enquanto a abstenção foi alta, chegando perto dos 30 milhões, totalizando cerca de 37 milhões de pessoas que não queriam nem um e nem outro.

Dilma foi eleita, mas em um país dividido. O PT perdeu porcentagem significativa de eleitores, sobreviveu mais do que qualquer coisa. É uma vitória, não podemos negar, mas não veio fácil.

Quase metade da população votou em seu adversário, e outros milhões não quiseram sequer votar nos dois candidatos que disputavam o segundo turno. Dilma foi eleita, mas nem de longe pela maioria da população. É preciso, então, responsabilidade e reavaliações.

Mudanças
 
Dilma ensaiou uma revolta contra a Veja/Abril, irá levar adiante não apenas um processo contra a revista e a editora, mas também imporá a discussão real de uma reforma da mídia? Irá rever a forma pela qual o governo injeta rios de dinheiro na grande mídia e, claro, o PT irá rever a verba que paga (admita ou não) à mídia amiga que no fim é apenas a Veja de sinal trocado?

Dilma irá manter sua política francamente criminosa nas comunicações, privilegiando sempre as teles e prejudicando o compartilhamento de conhecimento? O mesmo vale, por exemplo, para a Cultura, assim como precisamos de mudanças profundas na capacidade e vontade do governo dialogar com populações indígenas, nos direitos LGBTs (e nos recuos e submissão frente ao atraso fundamentalista), das mulheres e no trato à questões relacionadas ao meio ambiente e grandes obras de infraestrutura.

Com Dilma foram 4 anos de inexistência de diálogo e de imposição de pautas. Imposição de obras, de eventos, mesmo a tal constituinte por uma reforma política foi uma imposição sem que as ruas tivessem sido consultadas, uma imposição do PT em conjunto com seus movimentos cooptados, como a UNE.

Teremos ainda um ministro como o Cardozo oferecendo tropas federais para brutalizar ativistas, manifestantes e até grevistas, como no caso da greve do metrô este ano?

Irão continuar os gritos fanáticos e dementes de figuras como #Stanley, Eduardo Guimarães, PHA e outros, tidos como arautos por quem se dedica diariamente a espalhar ódio e desinformação ou o PT irá buscar construir uma relação de verdade com a esquerda baseada em respeito e colaboração?

O sentimento de mudança está mais claro do que nunca. Ainda que este sentimento seja difuso. Encontra-se à direita e à esquerda, e mesmo dentre o eleitorado que voltou criticamente em Dilma. É preciso contar que destes votos de Dilma uma parcela quiçá significativa foi de votos críticos. Se assumirmos que a maior parte dos votos de Luciana migraram para Dilma, ao menos 1,5 milhão de votos foram absolutamente críticas, contra o "mal maior". E eram votos que exigiam e exigem mudanças.

Como comentou o professor Pablo Ortellado:
Espero honestamente que o PT entenda que essa vitória só foi conseguida com uma união e engajamento sem precedentes da esquerda para evitar a volta do neoliberalismo. Espero também que esse reconhecimento se reverta numa ação mais progressista, sobretudo na cultura, na comunicação e no meio ambiente.
Superar o ódio e ir para a esquerda?
 
Este é o ponto. Durante as eleições era comum ver militantes petistas, especialmente nas redes, exigindo que a esquerda votasse em Dilma sem exigir nada. Era "obrigação" nossa votar no PT contra o "mal maior" e qualquer recusa era suficiente para xingamentos de fascista, coxinha e etc.

Se é verdade que o PT precisa entender que não apenas venceu por pouco, mas que a esquerda crítica foi crucial para a vitória, por outra o partido terá o trabalho de domar a militância raivosa e suja que criou e manteve nos últimos 12 anos.

E precisa, obviamente, guinar à esquerda.

A esquerda (ou setores dela) não apenas a apoiou criticamente, mas muitos fizeram campanha, empenharam sua credibilidade por Dilma, indo além de repudiar Aécio, mas efetivamente endossando a candidatura do PT. Isto, aliás, poderá inclusive criar rusgas dentro da própria esquerda, mas este é outro assunto.

Pessoalmente não acredito que isso acontecerá. Se a governabilidade foi usada indiscriminadamente por 12 anos para garantir, legitimar e justificar todo retrocesso petista (inclusive projetos nascidos do PT, ou seja, sequer projetos impostos por aliados incômodos que o partido tinha de lidar), o que esperar agora que o congresso eleito é ainda mais conservador? E é preciso também lembrar que é mais conservador também por obra do PT que se engajou em campanhas de fascistas como Collor, Katia Abreu, dentre outros.

E a contar pelo discurso da Dilma após a vitória, não veremos qualquer mudança substancial do primeiro para o segundo governo. Discurso de conciliação, de diálogo (que nunca existiu com as ruas e com as minorias, e ela afirma que fará com "as forças produtivas"), de "paz". Nenhuma ponta de autocrítica, mas a manutenção do caminho já traçado.

Dilma se manteve aferrada à piada da Reforma Política como solução pros problemas (seria uma solução, mas não dentro dos moldes propostos, muito menos após uma vitória apertada), pregando o diálogo com setores específicos, citando mulheres, negros e jovens, "esquecendo" de citar Indígenas e LGBTs, em um palanque onde o que faltava era gente de esquerda.

Pelo discurso podemos imaginar que a guinada à direita se aprofundará, pese o apoio crucial da esquerda à sua vitória.

Os próximos 4 anos

O PT não apenas terá de lidar com um congresso mais conservador, como é também responsável pela eleição de muitos desses conservadores. Tendo isto em mente, fica difícil imaginar um governo mais à esquerda. Espero estar errado, mas acho muito difícil que esteja.

Os próximos 4 anos serão difíceis. Dilma foi, como comentei, eleita por margem estreita, não chegou a 4 milhões de votos sua vantagem. No geral, a maior parte do país não votou em Dilma, logo, o governo terá de trabalhar muito para garantir sua legitimidade, precisará realizar mudanças profundas e, acima de tudo, realizar uma autocrítica que está atrasada pelo menos uma década.

A continuidade das baixarias patrocinadas pelos MAVs, pelos "militantes" virtuais, pela mídia "amiga" acrítica e suja poderá dificultar a vida de Dilma, ampliando o ódio que já vimos se espalhar pelas ruas que virá junto com gritos contra a frágil legitimidade eleitoral conseguida pelo PT.

Como comentou o Maurício Caleiro no Twitter, é importante ter em mente 
Essa eleição coloca uma grande questão ao Brasil: como fazer com q as disputas se deem em torno de programas e não de ataques baixos.

Serão 4 anos duros, independentemente do caminho que o PT escolher trilhar, mais do que nunca precisamos de uma esquerda forte e atuante, que se reinvente.

O exemplo do Rio para a esquerda

A votação do Tarcísio no Rio, assim como de Freixo, Jean, dentre outros, demonstra que há espaço para o crescimento da esquerda e daí precisamos tirar forças e lições.

Aliás, a eleição no Rio é emblemática. Os votos Nulo/Branco/Abstenção, somados, VENCERAM Pezão que foi eleito em absoluta minoria. Ele recebeu 4.343.298 votos enquanto o chamado "não-voto" recebeu 4.348.950, ou seja, perdeu por 5.652 votos. É uma situação bastante interessante e mostra que Junho teve um papel relevante nas eleições do Rio. E é bom lembrar que muitos votaram em Pezão apenas para evitar a vitória de Crivella e da IURD.

Pezão tem legitimidade bastante limitada e o Rio pode voltar a ver manifestações no ano que vem.

Cabe à esquerda ter a capacidade de superar diferenças pontuais e se unir, cerrando fileiras e as ampliando, buscando criar um polo alternativo à PT e PSDB (e eventualmente à Marina, que não é uma opção e saiu bastante queimada dessas eleições) para que em 2018 não se veja novamente numa encruzilhada e apoiando novamente a continuidade do PT, jogando no lixo projetos e militância.

Jean terá a responsabilidade de cobrar as promessas feitas a ele por Dilma, assim como outras figuras do partido terão de pressionar fortemente por pautas progressistas. Mas todos tem que tomar cuidado para não cair no canto do PT e não afrouxarem na construção de uma alternativa e de se fazer presente nas ruas e no parlamento como uma voz alternativa, de esquerda.

Dois tuítes de Luciana Genro, no fim, me dão esperança:
Venceu o PT contra o retrocesso. Menos mal. Mas é a esquerda que abandonou suas bandeiras que abriu espaço para o PSDB crescer tanto. Por isso não abrimos mão de ser oposição e construir uma esquerda coerente.Nossas lutas não são decididas nas urnas mas sim nas ruas!A elas!
Vamos à luta!

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O que os candidatos pensam sobre...?

Uma pequena lista em constante atualização de perguntas formuladas pelo @cadulorena e por mim, direcionadas aos candidatos a presidência sobre questões econômicas, de direitos humanos e sociais do país e que gostaríamos de ver perguntadas em debates:

O que os candidatos pensam sobre desmilitarização das policias?

O que os candidatos pensam sobre #CasamentoIgualitario, #CriminalizaçãoDaLGBTsfobia, adoção de crianças por casais homoafetivos e educação inclusiva?

O que os candidatos pensam sobre 10% do PIB exclusivamente e já pra educação pública?

O que os candidatos pensam sobre revisão da Lei da Anistia?

O que os candidatos pensam sobre alternativa ao modelo "desenvolvimentista" predatório e explorador financiado pelo Estado?

O que os candidatos pensam sobre privatização /concessão de bens públicos sem qualquer consulta aos maiores interessados, o povo?

O que os candidatos pensam sobre legalização do aborto e atendimento pelo SUS?

O que os candidatos pensam sobre verbas públicas do Estado financiando saúde e educação privada?

O que os candidatos pensam sobre Estado atacando manifestações e criminalizando/espionando movimentos sociais e ativistas?

O que os candidatos pensam sobre gastos públicos com a Copa, com grandes eventos esportivos e religiosos, com Olimpíadas?

O que os candidatos pensam sobre remoções forçadas de pobres pra dar lugar a obras de eventos onde quem lucra são os ricos?

O que os candidatos pensam sobre democratização dos meios de comunicação? Sobre verbas públicas gastas em propaganda?

O que os candidatos pensam sobre financiamento milionário de empresários pras campanhas partidárias, a começar pela deles?

O que os candidatos pensam sobre grandes obras hidrelétricas na Amazônia, feitas por empreiteiras e com grana pública?

O que os candidatos pensam sobre legalização da maconha e outras drogas?

O que os candidatos pensam sobre direitos indígenas, demarcação de terras, respeito às culturas tradicionais, uso de terras indígenas para
mineração/extração de gás e petróleo?

O que os candidatos pensam sobre verbas públicas nas mãos de organizações religiosas que "tratam" de dependentes químicos?

O que os candidatos pensam sobre Belo Monte, Transposição do São Francisco e outras obras megalomaníacas incluídas ou não no PAC?

O que os candidatos pensam sobre o crescimento do fanatismo religioso, em especial neopentecostal, e sua tomada de assalto de instituições públicas como câmaras de deputados, vereadores, etc?

O que os candidatos pensam sobre o Estado Laico?

O que os candidatos pensam sobre o Passe Livre nos transportes públicos?

O que os candidatos pensam sobre a superação do modelo "carrocêntrico" e pela diversificação de modalidades de transporte público?
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Nota de solidariedade aos lutadores do PSOL: Macapá não representa o partido

O PSOL não é puro. Nunca pregou "pureza", como repetem seus detratores, porém sempre pregou alianças ideológicas. Há uma enorme diferença entre pureza e ideologia. Infelizmente para os petistas a diferença não existe mais, na verdade, nem a ideologia parece ter restado para a maioria.

Randolfe Rodrigues, Senador do PSOL pelo Amapá e Clécio Luis, candidato a prefeito de Macapá estão passando por cima da decisão do partido de não realizar alianças com partidos opostos ideologicamente ao PSOL (DEM, PSDB, etc) e aparentemente não sofrerão nada por isso.

No Rio Grande do Sul e em outros estados, as direções estaduais tem expulsado aqueles que insistem ou insistiram em se aliar com partidos não aprovados pela direção nacional ou estadual, mas no Amapá nada acontece.

Ivan Valente, presidente do partido - figura que admiro - e membro da mesma tendência que Randolfe e Clécio, não se manifesta, para desgosto dos militantes e simpatizantes do partido e alegria dos petistas que podem - ou acham que podem - rir à toa pelo fato do PSOL ter, em teoria, se prostituído como o PT.

Mas o buraco é mais embaixo.

Não nego que a decisão do Amapá e o silêncio da direção nacional não sejam vergonhosos e criminosos, porém temos de lembrar que várias direções estaduais e municipais já repudiaram tal aliança, assim como vários militantes e membros de diretórios também o fizeram por notas e comunicados.

Em outras palavras, a direção do PSOL do Amapá está, no mínimo, isolada, e sendo sustentada por alguns elementos do Diretório Nacional, mas não encontra apoio ou eco junto à parte significativa da militância.
Ora, o PSOL de todo o país, que acabou de brilhar com uma campanha eleitoral de esquerda, não merece uma agressão como esta que está sendo feita contra ele. É evidente que a candidatura a prefeito de um deputado federal do DEM, apoiada por DEM, PTB e PSDB, só pode ser uma candidatura de direita, da qual não devemos buscar o apoio, e com a qual, muito menos, podemos fazer qualquer aliança programática. Tampouco faz nenhum sentido fazer com estes partidos uma “aliança pela moralidade”. DEM, PTB e PSDB estão na lista de partidos com os quais o DN do PSOL proibiu qualquer aliança nas eleições de 2012. Se esta aliança se mantiver, representará uma mancha que envergonhará e indignará todo o PSOL; obviamente, não se trata de um assunto do PSOL do Amapá apenas.

Um partido cuja razão de ser é representar uma alternativa de esquerda à adaptação da maior parte da antiga esquerda brasileira ao social-liberalismo não pode tolerar esta aliança em Macapá, sob pena de se desmoralizar e de comprometer todo o seu discurso político. A desastrada política encaminhada em Macapá deve ser revertida, ou os responsáveis por ela deverão ser sancionados pelo partido. Se não adequarem sua atuação à linha do partido, não deverão ter lugar nas suas fileiras.
Petistas que comemoram este caso devem esquecer que apoiaram Dudu "Milícia" Pas e que estão eles próprios coligados com o DEM, o PSDB e o PTB em diversos estados e cidades do país - sem qualquer constrangimento, mesmo com a aliança com Maluf e o PP. Apenas alguns poucos petistas ainda conscientes de seu papel e de sua ideologia se insurgiram no Rio e apoiaram Marcelo Freixo contra as milícias, empreiteiras e o imenso poder econômico do PMDB que usa o PT para remover à força famílias de suas casas.

E pelo país podemos citar o apoio do PT ao candidato Edmilson, do PSOL, em Belém. Mas fora isso, vemos um partido aliado de qualquer outro disposto a ceder algumas vagas, cargos e dividir o poder com os Lulo-Dilmistas. Alias, é precciso deixar bem clara a diferença entre os petistas ideológicos e os adeptos do NeoPT e Lulo-Dilmistas. São categorias diferentes, ainda que os ideológicos, na maioria das vezes, se limitem a servir como basse de apoio à direção de direita que os usa para mostrar que ainda são de esquerda, apesar das privatizações, remoções forçadas, homofobia, obras criminosas e etc...
De Milton Temer no Facebook:
Diante de vídeos sobre o ato político em Macapá, comprovando aliança inaceitável do PSOL no 2°turno, reitero meu acordo com a nota divulgada pela Presdiência do Partido, onde fica claro não haver anuência da direção com opções adotadas no Amapá. Mais, não afirmo publicamente, reservando-me para o debate que o partido fará, concluído o atual processo eleitoral. Luta que Segue!!
O PSOL de fato enfrenta uma crise interna, mas definitivamente uma crise localizada e que não altera a concepção de partido e de ideologia da ampla maioria de seus membros que devem, porém, se manter firmes no reúdio a qualquer aproximação com o DEM, PSDB e semelhantes.

Toda essa história começou como um "apoio" - e não aliança - por parte do candidato derrotado do DEM em Macapá e acabou por se desenvolver até uma verdadeira aliança. Oras, mesmo o apoio deveria ter sido repudiado, não se aceita o apoio da direita fascista, racista  escravista brasileira nem de graça, que o diga aceitar se coligar ou mesmo incorporar pontos do programa de governo (sic) do inimigo.

É urgente que os militantes e dirigentes do PSOL se movam e consigam barrar esta aliança que é um desrespeito ao partido e à sua lutae põe em cheque o papel do partido enquanto alternativa de esquerda - ao menos localmente. Uma decisão rápida e dura é a única aceitável a fim de evitar que cresça o descontentamento e desconfiança que já é possível observar e, claro, para que não se permita ao NeoPT e seus aliados da direita e extrema-direita aproveitem a situação.

O PSOL nasceu como uma alternativa e após as últimas eleições mostrou que há espaço para crescer e para ocupar e não merece ter sua história manchada desta forma.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Eu apoio Maringoni vereador! PSOL 50550!

Voto em Maringoni porque a política precisa não só de renovação, mas de ideologia.

De uma nova ideologia política que não seja travestida de malufismos, nem seja azulada ou disfarçada de bons costumes. Uma política que seja ligada aos movimentos sociais, à cultura e que seja feita com seriedade, mas sem esquecer o humor.

Precisamos desenhar uma nova cidade, caminhar juntos e lutar pelos direitos das minorias, dos criminalizados e marginalizados e tenho certeza de que Gilberto Maringoni será um aliado nesta e em outras causas. Maringoni e o PSOL não estão aliados com o que há de pior na direita brasileira, não estão aliados com setores fundamentalistas das igrejas e não fazem promessas que, mesmo que cumpridas, não passarão de uma farsa populista inócua.

Conheço o Maringoni por sua atuação tanto no ensino quanto nos movimentos sociais e, especialmente, por seus desenhos, seus cartoons e por toda a politização que busca, através da cultura, levar a todos e todas e recomendo o voto, não irão se arrepender.

Conheça o site da campanha do Maringoni, participe da campanha e, no dia da eleição, vote 50550

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Os ataques contra o PSOL: Babá e a bandeira de Israel

Causou certa comoção - especialmente entre os fanáticos petistas - um vídeo em que o Babá, candidato a vereador pelo PSOL no Rio, queima, junto com uma multidão, uma bandeira de Israel. O título do vídeo? "PSOL de Freixo e Babá queimam nossa bandeira de Israel", uma clara tentativa de ligar uma ação individual ao partido e ao Freixo, que sequer estava por lá, ou ao menos não é visto nas imagens.

E, aliás, ligar fatos antigos a uma eleição atual e também tornar a luta contra o Estado NaziSionsita de Israel algo errado ou criminoso, quando é uma OBRIGAÇÃO de quem se diz de esquerda.

O vídeo segue abaixo.
O vídeo foi postado por um tal de Ari Samuel, cuja identidade não pode ser comprovada e cujo canal de vídeos no Youtube conta com apenas 3 vídeos, todos atacando Freixo.

O canal, aliás, foi criado no dia 24 de agosto e é consistente com os perfis falsos e grupos criados por petistas pagos, em sua maioria, para atacar o Freixo e sua candidatura e vem junto com o crescimento a olhos vistos da militância petista anti-Freixo.
Fanatismo petista agindo

Vejam, por exemplo, o perfil falso criado por militantes petistas contra Freixo no Facebook ou o site anônimo (costa um nome falsa como criador do site) atacando o Freixo com argumentos que o PSDB sempre usou contra o próprio PT. O absurdo deste último é tanto que mesmo o Acerto de Contas sentiu necessidade de rebater tanta calhordice.

Mas, voltando ao vídeo em questão, pude pesquisar e sei que ele ocorreu no dia 8 de janeiro de 2009, na cinelândia (Rio de Janeiro) e contou com a presença de DIVERSOS partidos e grupos de esquerda.

O site da LER-QI, na época, comentou:
O ato foi realizado na Cinelândia (região central do Rio) que seguiu em passeata até o Consulado Americano onde se realizou um “sapataço” , retornando à Cinelândia para finalizar o ato. Contou com mais de 600 presentes e foi convocado pelo Comitê de Solidariedade com o Povo Palestino ’ RJ. Estiveram presentes neste ato além de organizações da comunidade árabe, partidos e organizações políticas como PSTU, PSOL, PCB, PT, PCdoB, Coletivo Marxista, nós da LER-QI e diversas outras organizações, sindicatos, centrais sindicais como CUT, CTB, Intersindical e Conlutas e ainda movimentos sociais como MST e MTD.
E deixando explícita a queima das bandeiras de Israel e dos EUA, a Agência Carta Maior informou:
Na quinta-feira, cerca de mil pessoas participaram de um ato público na Cinelândia, no centro do Rio. Da Cinelândia, os manifestantes saíram em passeata até a porta do Consulado dos Estados Unidos. Em protesto, jogaram sapatos nas paredes do consulado, num gesto simbólico de repúdio à política do governo norte-americano. Bandeiras dos EUA e de Israel foram queimadas. O ato no Rio reuniu representantes de sindicatos, entidades humanitárias, movimentos sociais, partidos políticos (PT, PCdoB, PSTU, PCB e P-SOL) e centrais sindicais (CUT, Intersindical, Conlutas e CTB). O Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro convocou o ato que também contou com a presença da Sociedade Brasileira Muçulmana.
E o site do Inverta, do PCLM, arrematou:
Em seguida, por volta das 17 horas, o ato deu início com uma caminhada até o Consulado dos Estados Unidos da América, onde foram queimadas bandeiras de Israel e dos EUA por manifestantes, e em seguida foram jogados dezenas de sapatos sobre uma foto do presidente norte americano George W. Bush, colocada em frente a sede da diplomacia dos EUA no Rio. Os guardas do Consulado contactaram a tropa de choque da Polícia Militar, causando uma certa tensão no local. Sob palavras de ordem que foram cantadas pelas pessoas que estavam na manifestação, o choque acompanhou a passeata até o fim, a partir dos “atentados” com as sapatadas.
Em outro vídeo mais longo e completo do ato (acima) postado por "fmauro64", que parece ser milico ou chegado aos fascistas de farda, podemos ver, por exemplo, a bandeira do PCdoB na manifestação (0:45), do PSTU (0:18, 0:25, 0:32), da MEPR e ILPS (0:21), PCB (0:23, 0:32) e por aí vai. E, segundo fontes (Carta Maior, por exemplo), o PT estava representado no ato.

Representando ou não os "partidos", o ato representou a militância e, não posso negar, me representou.

Representou a militância do PSOL, do PT, do PCdoB, do PCB, PSTU e etc. Ou ao menos, no caso de PT e PCdoB, represenTAVA.

Usar este evento de 3 anos atrás não é apenas canalha, como é podre. Demonstra o nível a que militontos e milicianos podem chegar na luta contra o Freixo, o único candidato de esquerda nas eleições do Rio.

Participaram do ato partidos que hoje se aliam ao que há de mais podre no país - Dudu Paes, Maluf, Katia Abreu e cia - e que em momento algum repudiaram ou condenaram o genocídio israelense contra os palestinos e, pior, promovem um genocídio aqui mesmo, contra os Guarani-Kaiowá.

Quem divulga este(s) vídeo(s) não merece respeito, não merece ser tratado como esquerda, mas como escória que abandona seus princípios - se é que já tiveram - para atacar cegamente.
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Análise do III Congresso do PSOL


Chegou ao fim mais um congresso do PSOL, o terceiro que, infelizmente, mostrou que o PSOL quer ficar mal das pernas. Não eleitoralmente, pois vem numa crescente, com bons parlamentares e uma base que se amplia nas lutas diárias, mas mal das pernas internamente, ideologicamente e, enfim, em sua coerência.

Motivo de imensa crítica e mesmo uma das razões para a própria formação do PSOL foi a política de alianças promovida pelo PT que, basicamente, aceitava qualquer porcaria que tivesse um voto e estivesse disposto a alugar o passe por alguma boquinha, mamata ou mesmo corrupção descarada.

Mensalão é pouco perto do que está por trás das negociatas do PT, que agora paga aos "investidores" com abusos aos direitos humanos (Belo Monte é só um exemplo), com cargos mil, farras com dinheiro público e as famosas privatizações.

Derrocada

Mas, enfim, o PSOL nasceu como forma de combater tudo isto, de resgatar velhas bandeiras rasgadas pelo PT e pisoteadas pela militância fanática sempre pronta a se vender por pouco ou nada.

Mas já em seu terceiro congresso o PSOL demonstra uma fraqueza mortal, a mesma que acometeu o PT: A sede pelo poder a qualquer custo.

Não falo em corrupção, não chegamos a este ponto e sobra pouco espaço para isto entre dois gigantes do ramo, o PT e o PSDB, mas sim em uma fraqueza ideológica em se manter fiel aos princípios fundadores e se afastar dos aliados de primeira hora (PSTU e PCB) para arrastar asas para o PV (no Rio) e até para o PTB (no Amapá), e isso só pra começar a discussão.

Segundo fontes, as alianças do partido com outros não-alinhados ao ideário de esquerda foram liberadas.
*Política de alianças eleitoral: O Diretório Nacional avaliará caso a caso as alianças políticas e sociais que avançarem para além da Frente de Esquerda (PSTU e PCB), cabendo somente somente a essa instãncia a decisão final sobre concretização das ampliações tendo como parâmetros a firme defesa do nosso programa.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fanatismo sem limites, de patológico a criminoso: É possível piorar?

Alguns governistas começaram agora a acusar o PSOL de estar "aliado" com a Globo...

Só rindo!

Não está, obviamente, mas tem quem sonhe com isso! Afinal, é mais fácil atacar o inimigo para esconder seus problemas do que, oras, resolver seus problemas!

Usam a possível aliança do PSOL com o PV de Gabeira para tentar criar um factóide simplesmente lamentável.Uma aliança que, aliás, desagrada à maioria dos militantes e simpatizantes!

A verdade é que eles queriam que a Globo e a mídia em geral fizesse silêncio sobre o Freixo, afinal, eles apoiam o midiático Paes, chefe de milícia, e torcem pro Freixo morrer. O engraçado é que comemoram quando Dilma vai dar entrevista no JN, vai na festa da Folha... E o governo deles, obviamente, financia a mídia que tanto odeiam.

Mas é mais fácil criar um inimigo para justificar a corrupção, as privatizações, as criminalizações de greves e todas as demais mazelas do governo Dilma.

Mídia só pra eles, o resto não presta.

E as acusações de que o PSOL está aliado com o PSDB e o DEM? Aí quando a gente lembra que o PT é aliado do PSDB-MG e do DEM-MA eles se calam...

Se calam por alguns momentos, claro, depois o disco volta ao ponto inicial e continuam com a carga.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Marcelo Freixo: Entre o fanatismo e o.... assassinato desejado?

Marcelo Freixo, deputado estadual de destaque na luta contra as milícias está na Europa com sua família a pedido/convite da Anistia Internacional e da Front Line Defenders por 2 razões: Para dar palestras e para readequar sua segurança após as 7 ameaças de morte descobertas em menos de um mês contra ele.

A mídia - e jornalistas ligados à "blogosfera progressista" (que a cada dia mais vira uma blogosfera fanática petista, com raras exceções) - disseram que ele estaria se auto-exilando à convite da AI.
Enquanto Freixo segue para o exílio forçado, milicianos que trabalham a mando e sob os cuidados de políticos fluminenses, seguem dominando bairros e comunidades inteiras da Zona Oeste da cidade, numa microrreprodução do que ocorre em países como a Colômbia, onde as Farc e grupos paramilitares dominam grandes regiões nacionais – as quais não têm representatividade política oficial. Não obstante, o governo Cabral se gaba por sua política de segurança pública.
Marcelo Freixo, porém, JAMAIS afirmou que estaria se exilando, e sim que a AI há algum tempo insiste para que ele "saia desse foco", ou seja, o convite para palestras foi, também, uma forma de preservá-lo.

Mas a palavra "exílio", em momento algum saiu de sua boca. Este termo foi usado pela mídia e por jornalistas ligados aos "progressistas".

Ele afirmou que se ausentaria para reorganizar sua vida, para readequar sua segurança e que logo voltaria.
"Vou deixar o país, mas é por pouco tempo. Recebi um convite da Anistia Internacional e em função das várias ameaças e da pressão que isso envolve estou aceitando o convite. Só nesse último mês foram sete ameaças de morte. Mas volto antes de dezembro"
O blogueiro Marcos Pedlowski acerta:
Há quem veja na saída de cena do deputado Marcelo Freixo um ato de fraqueza pessoal. Em suma, Marcelo Freixo seria, na verdade, um frouxo. Mas como o conheço um pouco, sei que Freixo de frouxo não tem nada. Se está indo para a Europa a convite da Anistia Internacional é quase certo que algumas coisas o tenham levado a essa saída momentânea da cena política fluminense. Uma delas, e a mais evidente, é a incapacidade e até mesmo a falta de vontade política do governador Sérgio Cabral em igualar as milícias aos grupos narcotraficantes tradicionais. Uma evidência disto é que ao contrário dos narcotraficantes tradicionais, os líderes das milícias continuam presos em locais de onde saem pela porta da frente ou que quando dentro deles podem promover festas homéricas regadas a álcool e outras coisas mais.
O que fica claro é que o governo e a prefeitura do Rio não estão nem aí para investigar as ameaças contra Freixo, que comprovou inclusive com documentos o descaso do governo. Basta lembrar o caso da juíza Patrícia Acioli, que pediu proteção à justiça e ao governo, não recebeu, e foi morta pela mesma milícia que tenta matar o Freixo (ou milícias)
Aliás, o próprio Paes pode falar em nome das milícias.


De qualquer forma, a insegurança do Freixo é justificável. Ainda que ele tenha, novamente, declarado, que tenha resistido a sair, pois ele tme uma função pública a exercer e que não pode demonstrar fraqueza frente às milícias.

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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Conveniência e oportunismo: O filiado do PSOL que trabalha para o Anastasia

Às vésperas do fim de semana, militantes petistas não cansaram de espalhar pla rede a notícia de que um militante do PSOL de Minas teria um cargo de segundo escalão no governo Anastasia (PSDB) e que teria até chegado a defender uma aliança ampla do PSOL com o PSDB.
“Existe uma orientação nacional de ser oposição sistêmica e haverá uma discussão para deixar de ser assim. Este assunto está sendo discutido. Tem uma pendência interna. O governador (Anastasia) sabe da minha movimentação”, disse Periquito, que disputou a prefeitura de Belo Horizonte pelo nanico PRTB em 2008. Questionado sobre o motivo de escolher o PSOL, Periquito disse que o partido deixa seus filiados terem autonomia de escolha.
A situação é obviamente ridícula.

Questionados por mim no Twitter, o vereador do Rio Eliomar Coelho e o Milton Temer responderam:


Sem dúvida, é o mínimo a ser feito. Desfiliar o oportunista e limpar a imagem do PSOL.

Porém, não surpreende a reação e a insistência de vários petistas em espalhar este absurdo no tom de quem coloca o dedo na cara. E a coisa se torna ainda mais ridícula quando vemos que muitos dos que espalham são os mesmos que pouco fizeram quando das denúncias do Estuprador e Pedófio do PT de BH, o Nartagman.

Mais que disputa política infantil e oportunismo, trata-se, em muitos casos, de pura estupidez e vingancinha, mas que não cola.

Está claro que o responsável por filiar o tal do "Periquito" mereceria, ele próprio, ser punido de alguma forma pela falta de noção em aceitar este desqualificado no partido sem qualquer tipo de consulta. E, é mais óbvio ainda, que o PSOL errou, ainda que o indivíduo fale apenas por si e o que ele proponha seja absolutamente irreal - uma aliança com o PSDB, Anastasia e etc

Mas as críticas vindas de petistas são simplesmente toscas.

Em primeiro lugar, petistas que fizeram campanha para Hélio Costa pouco podem falar da política de Minas. Especialmente num tom acusatório no que tange alianças políticas.

Segundo lugar, novamente sobre alianças, quem tem Sarney, Collor, Garotinho e Magno Malta (e logo terá Kassab e Kátia Abreu) realmente não tem NENHUMA moral para falar de ninguém.

E em terceiro lugar, o PSOL já demonstrou não aceitar certos tipos de filiados quando se recusou a filiar Rose Bassuma, da Bahia.

Enfim, trata-se de um problema que o PSOL deve resolver, mas de UM filiado irresponsável que logo-logo deverá seguir seu rumo, o que é muito diferente dos apoios dados oficialmente pelo PT a desqualificados em geral da política brasileira.

O PSOL errou? Claro que sim. A partir do momento em que aceitou entre seus quadros alguém deste naipe torna-se responsável.

Mas deixo novamente claro que, em se tratando de apenas um filiado desviante, as cobranças colocadas são estúpidas e o oportunismo de muitos petistas, vergonhoso.

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convido os governistas que lerem este post a responderem às perguntas alencadas aqui.
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 A filiação foi rejeitada pela Executiva Nacional:

A ENPSOL (Executiva Nacional do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL), reunida em São Paulo (SP) no dia 14 de outubro, sexta-feira, decidiu o seguinte:
*Por unanimidade dos presentes REJEITAR o pedido de filiação de JORGE PERIQUITO;
*Por maioria de votos decidiu REJEITAR os pedidos de filiações de todos os membros de seu grupo político efetuadas no período compreendido de abril a outubro de 2011.
A ENPSOL, assim, determina que a Direção Regional do PSOL de Minas Gerais cumpra essa resolução nos termos estatutários. A resolução é assinada por Afrânio Boppré, presidente do PSOL nacional em exercício.
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segunda-feira, 4 de julho de 2011

#Eblog, muito mais que virtual: Anticapitalista e libertário

#Eblog, muito mais que virtual: Anticapitalista e libertário

Quem somos

O #Eblog é um grupo de blogueir@s de esquerda, unidos ao redor das bandeiras anticapitalista, antirracismo, antihomofobia, antimachismo, feminista, ecossocialista, em defesa dos povos indígenas e quilombolas, sobretudo pelas lutas cotidianas das trabalhadoras e dos trabalhadores pela emancipação de sua classe internacionalmente, que defende uma concepção material de democracia socialista, revolucionária, de baixo para cima e feita e vivida e instaurada cotidianamente pelos de baixo, isto é, que não se restrinja à democracia capitalista liberal e sua liberdade formal e seus direitos abstratos.

Progressismo ou anticapitalismo?

O #Eblog não se propõe ser uma associação orgânica de “blogueir@s de oposição ao governo” (embora conosco possam atuar opositores/as de esquerda ao atual governo), ou uma associação jornalística extraoficial, mas um agrupamento de lutadores e lutadoras que, reunid@s numa frente de lutas comuns, pretende ocupar e resistir no caminho abandonado por forças outrora de esquerda.

A atual guinada liberal-conservadora do Governo Dilma, sob o argumento da “correlação de forças”, está acometendo parte da blogosfera que se coloca no campo de esquerda, e que, recentemente, assumiu para si o adjetivo “progressista”. Não negamos o fato de que a política também se faz no jogo de forças entre as classes sociais, na chamada “correlação de forças”, mas é preciso reconhecer o momento em que essa expressão se torna um argumento universal para se responder a qualquer questionamento e se esquivar de todas as críticas políticas. É preciso construir projetos políticos capazes de ir além da consolidação de burocracias e aparelhos, que acabam ficando pra trás do movimento das forças sociais vivas de resistência e luta em geral.

Propomos, pois, lutar por alternativas a essas práticas políticas, colocando-nos sempre à disposição de ações de luta unificadas em favor de bandeiras políticas emancipatórias em comum que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido, e sim de emancipações inadiáveis e urgentes.

Pontes e limites

Não abrimos mão da impaciência e do combate a atual conciliação/colaboração de classes da qual é cúmplice e conivente uma maioria dos que se dizem progressistas, que, por sua vez, instauram o silêncio sobre questões essenciais em nome de um pragmatismo que já perdeu toda razão de ser. Sem perder o senso prático, questionamos: qual a correlação de forças que justifica o ataque à reputação d@s blogueir@s que se propõem defender as causas emancipatórias de esquerda, às quais os “progressistas” sistematicamente e sintomaticamente se omitem e se calam, desviando o assunto e por vezes desqualificando debatedores/as?

As pontes tem limites, não aguentam todas as intempéries e hoje estão em obras, sem data para terminar e com orçamentos sigilosos. O macartismo, o senso de ombudsman em defesa do Governo Dilma ou de Lula não é à toa, não é pessoal, não é só dos “blogueiros progressistas”: é comum em qualquer discussão com a maioria d@s apoiadores/as do atual governo. Infelizmente, isso não ocorre de modo isolado, pois tornou-se tática constante.

A coordenação dos autoproclamados “blogueiros progressistas” vem praticando um jornalismo tão vertical que até a forma de reagir às críticas tem seguido um corporativismo que remete às práticas da grande imprensa oligárquica. Telefonam uns para os outros e vão coordenando ataques de descrédito: deslegitimar a fonte, desviar a questão política para verdade/mentira, estabelecer o “fato” e a “verdade” como resultado de uma técnica específica, de certo efeito de discurso jornalístico. A campanha empreendida por alguns líderes do BlogProg contra  Idelber Avelar, logo após o processo eleitoral de 2010, foi sintomática e exemplar nesse sentido, acabando por reproduzir o típico denuncismo da mídia oligarca sobre o “mensalão” - que, aliás, os mesmos “progressistas” criticam! A reação corporativista dos jornalistas do BlogProg às críticas políticas parece-nos entrar no mesmo modus operandi da grande imprensa - que dizem  combater, chamando-os de “Partido da imprensa Golpista - PIG” em função de constantes ataques, fruto do ódio de classe elitista, contra Lula e o Partido dos Trabalhadores, ou seja, agindo como verdadeiro “Partido da Imprensa Favorável - PIF”.

Dentre muit@s que participam dos Encontros dos Blogueiros Progressistas na esperança de construir uma alternativa, sabemos que nem tod@s adotam este posicionamento, mas entendemos também que acabam, de um modo ou outro, alinhad@s e/ou coniventes com as orientações políticas hegemônicas de sua direção. Para alguns destes “blogueiros progressistas” as dissidências e/ou a oposição de esquerda frente a linha política hegemônica (simpática ao atual governo) são tratadas como “esquerda que a direita gosta”, “psolismo”, “jogo da direita” ou “ultraesquerdismo”. Inclusive, alguns dos participantes das listas de discussão dos “progressistas” ou mesmo pelo Twitter, tratam a suas próprias dissidências com sufocamento por meio de ataques virulentos e desqualificadores.

Na realidade, percebemos que os “blogueiros progressistas” não constituem uma alternativa efetiva, mas uma mera luta de hegemonia contra a grande imprensa oligarca, enquanto proclamam ser os principais porta-vozes da democracia midiática. Esta luta acaba por cair em um maniqueísmo que em nada colabora politicamente, pelo contrário: tornam rasas as análises e, consequentemente, adotam posições políticas de apoio cada vez mais acríticas, cegas e fanáticas, sempre defendendo o legado de governos e pessoas, e não as bandeiras e programas socialistas. Assim, visam tornarem-se as principais referências políticas na blogosfera brasileira. Estas práticas tem levado muitos “blogueiros progressistas” a prestarem-se ao papel de correia de transmissão das políticas da máquina partidária do atual governo, diga-se, a mais bem acabada e incorporada à institucionalidade da democracia liberal de nosso país. Portanto, parece-nos que o sonho destes blogueiros tem sido tornarem-se uma “grande imprensa”, com um público enorme, com plateia de milhares e milhares, ao invés de radicalizar a democracia na produção midiática em sua cauda longa, ou seja, na práxis cotidiana, multitudinária e concreta das lutas.

Estamos falando de um grupo  de blogueiros que vem tentando construir uma certa hegemonia na blogosfera, tentando torná-la politicamente uniforme no apoio ao atual governo e adjetivando-a enquanto “militância progressista” e, por fim, ligando-a de forma indelével às políticas liberais-conservadoras deste novo petismo que vai se consolidando no e por meio do governo, que já não possui qualquer tintura de esquerda, e, por vezes pior, está ligado a um governismo pragmático que historicamente  faz política de mãos dadas com a direita oligárquica e rentista.

Contestamos, pois, esta prática de considerarem-se como “a blogosfera progressista” e não como parte de uma blogosfera política muito mais antiga, ampla, diversa e de rico potencial emancipatório.

Tendo em vista estas reflexões críticas, propomo-nos a lutar para criar e fomentar alternativas a este tipo de prática na blogosfera, colocando-nos sempre à disposição de ações unificadas em favor de bandeiras comuns que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido.

Governo Progressista?

Somente nos primeiros seis meses do Governo Dilma, o povo brasileiro foi derrotado sucessivas vezes, a começar pelas nomeações de liberais e conservadores para os ministérios. Entre os exemplos mais gritantes, evidenciamos a posição do governo e sua “base aliada”: em defesa do salário mínimo de R$ 545,00 aprovado enquanto aprovaram salários de R$ 26.723,13 para os parlamentares;  a não aprovação do Projeto de Lei 122 e o kit antihomofobia (em nome da “governabilidade” com a bancada reacionária dos evangélicos, que integram a “Base Aliada”); o imobilismo em favor de um projeto de reforma agrária; a  aprovação do Código (des)Florestal para favorecer a expansão das fronteiras do agronegócio exportador; a privatização de vários dos principais aeroportos do país; a conivência e defesa da manutenção de um grande retrocesso na pauta cultural; se colocando contra a liberdade na rede e o compartilhamento livre; respondendo processos na Organização dos Estados Americanos - OEA por violações dos direitos humanos (em função da criminosa anistia aos torturadores ao caso de Araguaia); e, principalmente, a repressão aos povos indígenas do Xingu com a finalidade de construir a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que favorecerá as oligarquias e a instalação de grandes transnacionais eletrointensivas na região.

Este é um governo cujo Ministro da Defesa atua diariamente contra os interesses nacionais, agindo como cúmplice dos EUA e parceiro de Israel, chegando ao ponto de anunciar ter “perdido” os documentos militares sobre a repressão da ditadura militar brasileira. Um governo que atropela os interesses populares ao continuar impondo a criminosa transposição das águas do rio São Francisco ignorando o diálogo com as populações atingidas, os impactos socioambientais envolvidos e as alternativas de convivência com o semiárido proposta pelo povo e sociedade civil organizada.

Este é um governo que atua lado a lado com o grande capital e as oligarquias em detrimento dos interesses da população, garantindo grandes volumes de verba às “UniEsquinas” sem qualquer garantia de qualidade no ensino (ao mesmo tempo em que não realiza qualquer investimento significativo em educação básica) ou às empresas de telecomunicação com um PNBL (Plano Nacional de Banda Larga, hoje apelidado de Plano Neoliberal de Banda Lerda) risível, que não garante qualidade ou velocidade e, pior, ainda impõe um limite absurdo aos dados durante a navegação. Além de financiar com dinheiro público, via BNDES, quase todos os megaempreendimentos privados e socioambientalmente impactantes das indústrias de papel e celulose, das eletrointensivas e das empresas do agronegócio, entre outros.

Este é um governo que se diz preocupado com os direitos humanos e que quer ser potência global, mas atua de modo imperialista em defesa dos interesses de seu capital monopolista nacional, com as empreiteiras, Petrobras, Vale, enquanto renuncia à política soberana e ativa, que Celso Amorim conquistou em termos de política externa, por uma aproximação torpe com os EUA - com direito a presos políticos na visita de Obama à cidade do Rio de Janeiro para silenciar a voz crítica da população. Que diz que irá priorizar a educação mas continua reduzindo o orçamento estrangulado, assim como faz com a saúde, enquanto o bolsa rentista semanalmente paga um programa bolsa família em dinheiro para os credores da dívida interna.

Este é o governo que atua com desenvoltura na condução, em parceria com governos estaduais e municipais, de uma política danosa para as populações atingidas pelos mega eventos esportivos. As remoções no Rio de Janeiro são exemplo da implementação de um modelo de política urbana que despreza o direito à cidade e atende a uma lógica privatizante qualificada como radicalmente danosa pelo Ministério Público Federal. Exemplo disso é a cessão ao estado e ao município do Rio de Janeiro de imóveis públicos federais para repasse à iniciativa privada. Esta cessão não é para a criação de projetos de moradia, mas para uma “revitalizaçãoda área Portuária que será cedida a um consórcio privado, atendendo às necessidades do mercado imobiliário especulativo. Este tipo de ação não é restrita ao estado e município do Rio de Janeiro, pois acontece com igual gravidade, por exemplo, em Fortaleza cuja prefeitura do PT utiliza os mesmos métodos adotados por Eduardo Paes (PMDB). Em várias cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, está em curso um violento processo de remoção, inclusive comandados por governos de “esquerda” que em nada se diferem de administrações tucanas que em São Paulo, por exemplo, agem violentamente contra moradores/as amedrontados/as pelas remoções em Itaquera, onde a favela do Metrô também é alvo desta política vil. Em quase todas as cidades que sediarão a Copa do Mundo, populações vulnerabilizadas tem sofrido com remoções forçadas que desrespeitam sua história e os laços criados com seus territórios de vida. 

Estes crimes são cometidos em nome de uma “imagem” do país no exterior, de um modelo de desenvolvimento que despreza tudo e tod@s em prol de números favoráveis para a propaganda governamental e eleitoral, ignorando inclusive acordos internacionais firmados com relação aos direitos humanos e ao meio ambiente. O resultado é o agravamento dos problemas socioambientais e o desrespeito às populações atingidas pelo avanço impiedoso de uma máquina que premia o capital e marginaliza a população que sofre com o processo de criminalização da pobreza por meio do avanço das forças de repressão travestidas de política de segurança, mas que trazem no fundo um terrível sentido de manutenção de uma vigilância feroz ao que foge do sonho de consumo das elites.

O que queremos e pelo que vamos lutar

Não é este o “desenvolvimento social” e o “crescimento econômico” que a esquerda anticapitalista  precisa reivindicar, e sim alternativas com base nas experiências e lutas populares que contemplem a reivindicação intransigente da reforma agrária, da democratização da comunicação, da justiça ambiental, da abertura dos arquivos da ditadura e da redução de jornada de trabalho, de uma sociedade mais justa e com plenos direitos para seu povo. As bandeiras devem progredir, não a paciência, pois só se avança resistindo e lutando.

Lutamos pela democratização da comunicação e da cultura, pela possibilidade de ampliação dos meios de vivência e produção midiática, por universidades públicas para tod@s, gratuita e de qualidade, bem como uma Educação básica que possa ser pilar para novas gerações, com salários dignos a noss@s professores/as; assim como também lutamos pela saúde pública de nosso povo, pelo direito a um meio ambiente produtivo e saudável, pela igualdade de raça, gênero e etnia. Para avançar em tudo isto, defendemos a auditoria cidadã das dívidas da União para viabilizar estes recursos.

Lutamos pela verdade das lutas, pela abertura irrestrita dos arquivos da ditadura militar e justiça como reparação às vítimas e à verdade sobre quem participou e corroborou com este regime, direta ou indiretamente, e, claro, todos os métodos autoritários, tão comuns no Brasil inclusive antes e depois dos anos de chumbo.

Lutamos para que se coloquem em marcha processos de empoderamento d@s sem-voz, d@s sem terra, d@s sem renda, d@s sem teto, d@s sem universidade, d@s sem internet, d@s despossuíd@s, d@s sem acesso à cultura, d@s sem educação de qualidade, e, principalmente, daqueles e daquelas sem a possibilidade de viver e produzir dignamente.

O Eblog convida tod@s que se identificam com estas lutas a se unirem conosco para organizar diversas blogagens coletivas, campanhas, encontros, oficinas, discussões, cobertura  e divulgação de lutas. É hora de nos organizarmos e avançarmos com as lutas históricas sem esperar que governos e partidos o façam por nós.

A partir do Eblog, defendemos a DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO como princípio, o que significa dizer que lutamos por: a) Um Plano Nacional de Banda Larga que universalize o acesso oferecendo internet de alta velocidade em regime público; b) A luta pela aprovação do Marco Civil da Internet que endosse a liberdade civil na rede; c) Um novo Marco Regulatório dos Meios de Comunicação (“Ley de Medios”) que ponha fim nos monopólios e oligopólios da comunicação brasileira. Paralelo a isso, estamos atent@s e somos combatentes nas lutas: d) pelo fortalecimento do Estado laico; e) pelo fim do machismo e do patriarcado com o fim da violência contra as mulheres e pela descriminalização do aborto; f) contra o racismo; g) contra a homofobia e pela aprovação do PLC 122 sem nenhuma alteração que privilegie os interesses de grupos religiosos; h) contra todas as formas de discriminação; i) pela abertura dos arquivos da ditadura militar e pela punição legal dos torturadores e cumprimento das decisões da Corte Interamericana de direitos Humanos (CIDH); j) pela justiça socioambiental e contra Belo Monte; l) contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais; m) por uma reforma agrária ampla e popular; n) contra toda e qualquer forma de censura, na Internet ou fora dela;

Para não ficarmos apenas elencando lutas, estamos propondo uma blogagem coletiva pela DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO (que incluem os itens “a”, “b” e “c” das nossas lutas/bandeiras) para JÁ, de 7 a 10 de Julho de 2011. Está na hora de tod@s  arregaçarmos as mangas - blogueir@s progressistas, de esquerda, nerds, independentes, músic@s, escritores/as, jornalistas etc. - e somarmos esforços em torno das lutas que nos unificam.

Escreva seu texto pela democratização da comunicação e divulgue nas redes com a hashtag #DemoCom e não esqueça de “taguear” a postagem também como “blogagem coletiva pela democratização da comunicação” e “democom” entre os dias 7 e 10 de Julho.

Se você concorda com nossos princípios (ou com a maioria deles), pode aderir e assinar esta nota publicando-a em seu blog e incluindo sua assinatura ao final. Temos identidade e temos lado, mas não queremos ficar restritos a guetos e nem apenas organizando encontros. Ousemos lutar!

Eblogs que assinam este documento:


Alexandre Haubrich – www.jornalismob.wordpress.com – Jornalismo B
Amanda Vieira – www.amanditas.wordpress.com – Nós
Bárbara de Castro Dias - http://eacritica.wordpress.com - Educação Ambiental Crítica
Bruno Cava – www.quadradodosloucos.com.br – Quadrado dos Loucos
Danilo Marques – www.dandi.blogspot.com – Inferno de Dandi
Gilson Moura Jr. – www.tranversaldotempo.blogspot.com - Transversal do Tempo
Givanildo Manoel - http://infanciaurgente.blogspot.com - Infância Urgente!!
Israel Sassá Tupinambá -www.uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com - Uniao Campo Cidade e Floresta
Jéssica Evelyn Santos - http://dezminutosdesolidao.wordpress.com/  - Dez Minutos de Solidão
Lucas Morais – www.diarioliberdade.orgCrítica Radical
Luciano Alves - http://venosoearterial.blogspot.com/ - Venoso e Arterial
Luciano Egidio Palagano – www.razaoaconta-gotas.blogspot.com – Razão à Conta-Gotas!
Luka – www.bdbrasil.org – Bidê Brasil / A segunda luta
Mario Marsillac Lapolli e Sturt Silva – www.ousarlutar.blogspot.com/ -  Ousar Lutar Ousar Vencer
Mayara Melo – www.mayroses.wordpress.com – May Roses
Niara de Oliveira –  www.pimentacomlimao.wordpress.com – Pimenta com Limão
Paulo Piramba – www.ecossocialismooubarbarie.blogspot.com – Ecossocialismo ou Barbárie
Pedro Henrique Amaral – www.terezacomz.blogspot.com – Tereza Com Z
Raphael Tsavkko – www.tsavkko.com.br – The Angry Brazilian / Defendei a casa de meu pai
Renata Lins – www.chopinhofeminino.blogspot.com – Chopinho Feminino
Rodolfo Mohr - http://rodomundo.juntos.org.br - Rodomundo
Rodrigo Dugulin - http://lavandoloucas.blogspot.com - Lavando Louças
Rogélio Casado - http://rogeliocasado.blogspot.com - Picica
Sandro Ivo - http://noticiasfragmentos.wordpress.com - Fragmentos Ativos Notícias
Sérgio Domingues - http://pilulas-diarias.blogspot.com - Pílulas Diárias
Tiago Costa - http://tapesinmyhead.wordpress.com - Tapes in my Head

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Os que concordarem com o texto e quiserem assinar, tendo blog ou não, podem colocar seus nomes nos comentários que acrescentarei à lista!=)

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