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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mercadante: De grevista a traidor

Mercadante é o perfeito retrato do PT. Um dia foi grevista, apoiou e organizou greves, hoje faz o possível para desmobilizá-las, para aparelhar movimentos e tratar trabalhadores como lixo. Rrcebi esta imagem do grupo do Tribunal Popular.

PT e Mercadante, quem te viu (grevista em 1984), quem te vê (pelego em 2012)!
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"Não tive vice condenado pelo Ficha Limpa" e a criminalização dos movimentos sociais

Eu havia imaginado escrever um post com elogios tanto ao Bufalo quanto ao Mercadante no debate de ontem na Globo. Ambos falaram bem, propuseram, fizeram seu papel. Mas eis que Mercadante cometeu um erro terrível, indefensável, logo no fim do debate.

Ao ser criticado e questionado por Bufalo, Mercadante perdeu a compostura e retrucou: "Não tive vice condenado pelo Ficha Limpa".

O vice em questão é Aldo Santos, vice de Bufalo, pego pelo Ficha Limpa. Mas, antes que pensem "e daí"? eu reproduzo post do PSOL de São Paulo explicando o caso:
Não pesa contra Aldo Santos nenhuma suspeita de corrupção. Os motivos pelos quais buscam impedi-lo de concorrer são de outra ordem.Aldo é acusado de usar seu mandato como vereador em São Bernardo do Campo para dar apoio ao Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) em 2003, na ocupação de um terreno por 7 mil pessoas que reivindicavam condições dignas de moradia.
Na ocasião, Aldo Santos autorizou o uso de um carro da Câmara Municipal para retirar mulheres, crianças e idosos do local diante de uma ameaça de  desocupação pela Tropa de Choque da Polícia Militar.
A própria Câmara de São Bernardo abriu uma sindicância para apurar o caso, que foi arquivada diante da comprovação de que o carro oficial havia sido utilizado para socorrer munícipes. Outra ação proposta pelo então prefeito Willian Dib também foi arquivada.
A ação judicial na qual baseou-se agora o TRE também foi julgada improcedente em primeira instância, o que comprova que a utilização do veículo para retirada de mulheres, crianças e idosos do local em que ocorria a ocupação não feriu a lei nem os princípios administrativos.
Aldo Santos, enfim, usou seu mandato para o que foi eleito, para defender o povo e os movimentos sociais, o que fez com maestria e, por isto, sofre na "justiça".

Por, como tantos outros, defender os movimentos sociais, foi punido em um país onde reforma agrária é um crime. Onde ser do MST equivale a ser um perigoso terrorista e lutar por moradia digna é o mesmo que pedir para ser violentado pela polícia.

O mais doloroso foi, ainda, ter que aguentar gente no Twitter defendendo essa postura VERGONHOSA do Mercadante que OFENDEU os movimentos sociais e criminalizou a luta por moradia.

Quer rebater as críticas do Bufalo, Mercadante? Rebata. Mas como homem, com HONRA. O "candidato irrevogável" ataca novamente. Não satisfeito em defender a Lei Azeredo ou AI5Digital, resolveu atacar os Movimentos Sociais.

Mais sobre o caso:
O TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo suspendeu por cinco anos os direitos políticos do ex-vereador de São Bernardo Aldo Santos (Psol) e o condenou ao pagamento de multa de cerca de R$ 70 mil. A punição decorre de processo por suposto uso indevido de carro oficial durante a invasão do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) ao terreno da automobilística Volkswagen, em julho de 2003.

Na decisão, o Tribunal analisou recurso do Ministério Público, que havia perdido em primeira instância, quando a ação havia sido julgada improcedente. O despacho de condenação surpreendeu Aldo Santos, que irá recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), de Brasília (leia reportagem ao lado).

A incursão do MTST na área de propriedade da montadora de veículos teve início em 19 de julho de 2003. Começou com 400 pessoas e chegou a ter 7.000 invasores, que lutavam por moradia e consideravam a área ociosa. O movimento é considerado, até hoje, a maior ocupação urbana do País.
Nessas horas me questiono onde está a ética da militância petista que não se revoltou com este absurdo. É muito fácil criticar Alckmin e cia, mas mais fácil ainda é descer ao nível deles, atacar e fingir que não viram nada, viver num mundo de fantasias.

Ainda aguardo o pronunciamento dos petistas mais radicais: Vocês concordam com a impugnação do Aldo Santos, que ficou no mesmo saco de Roriz e cia, por defender a luta dos Sem Teto?

Quem luta junto com os movimentos sociais deve ser proibido de concorrer a cargos públicos?

Decepção e vergonha.

Espero que Mercadante peça desculpas de joelhos por este comentário grotesco.

E para os petistas que resolverem criticar, vão tirar satisfação do Mercadante antes.





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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Carta aberta ao Senador Mercadante

Prezado senador Mercadante,

Escrevo estas linhas para parabenizá-lo e agradecê-lo por ter, em caráter irrevogável - e pela segunda vez seguida - voltado atrás em uma de suas decisões, enfim, em ter mentido para seus eleitores e demais brasileiros de bem.

Tudo bem, compreendo - ou tento compreender - a primeira traição, afinal, ao abdicar - em caráter irrevogável - da liderança do partido, "Vossa Eçelência" talvez perdesse a chance de passar a mão em excelentes oportunidades de neg..., quer dizer, em excelentes emendas parlamentares e talvez ficasse um pouco afastado, alienado até, da "boquinha" parlamentar. Eu jamais poderia exigir tal coisa! Sei que "ética" não é algo bem visto entre seus colegas de parlamento.

É compreensível, talvez até aceitável, afinal todos sabemos como funcionam as coisas aí no Senado. Ser honesto, para seus pares, é mal visto e não poderíamos pedir para "Vossa Eçelência" que fosse intencionalmente mal visto. Dizem que mal olhado é realmente ruim! Aliás, veja o que aconteceu com Celso Daniel por tentar ser honesto ou, ao menos, denunciar algumas falcatruas inocentes, não funciona, não é mesmo?

Pois bem, tentamos aceitar a primeira traição, mas esta? A censura à internet é inaceitável. "Vossa Eçelência" nos impediu de saber quem são os Senadores que votam pela nossa censura, senador Mercadante!

"Vossa Eçelência" nos impediu de conhecer, através do voto nominal, quem tem a cara de pau de censurar a voz do povo, a internet. Os saudosistas da ditadura, os que se perpetuam indefinidamente no poder, os que ganham pelo voto de cabresto e pela ignorância do povo, submetidos eternamente à esta situação por suas "representações"!

Desculpe, Senador, mas esta traição não pode ser perdoada. Acreditamos em "Vossa Eçelência" quando dizia que iria levar nossa voz, a de centenas, milhares de ciberativistas, até o Senado e iria barrar o projeto do AI5 Digital do Senador Azeredo.

Não esperávamos mais esta traição, o ato de compactuar com a falácia do direito de resposta no ambiente virtual! Senador, me explique, como acreditas ser possível o direito de resposta no twitter? Serei eu obrigado a escrever algo que um Senado ou Deputado queira por eu tê-lo supostamente ofendido? E onde fica minha liberdade de expressão, meu direito de não escrever o que não acredito?

Senador, realmente acreditas que os dinossauros do Senado sabem o que é o Facebook, o Twitter, quiçá o Orkut? Estas figuras nefastas ainda pedem às suas secretárias para imprimir os e-mails que lhes chegam diariamente! E "Vossa Eçelência" foi tão facilmente enganado!

Pense apenas por um minuto, como o TSE irá julgar os milhões de pedidos de resposta que sem dúvida surgirão? Como verificar o twitter, os milhões de blogs? Quem vai realizar todo este trabalho?

Não me diga que já está programada a contratação por debaixo dos panos de milhares de trabalhadores - filhos, sobrinhos, netos, namorados das primas de oitavo grau dos senadores - para especificamente censurarem a internet? Teremos milhares de funcionários temporários recebendo megasalários verificando 24 horas o conteúdo de todo e cada blog, perfil de mídia social e twitter dos brasileiros atrás de possíveis direitos de resposta?

Mas não só isso, Senador, você aprovou o fim do anonimato! Veja bem, "Tsavkko" é apenas um apelido, por mais que eu assine também com meu nome verdadeiro serei privado do meu direito a usar um nome qualquer? De assinar só com uma alcunha? E quem simplesmente posta anonimamente para não sofrer pressões familiares ou no ambiente de trabalho? Será proibido de se expressar, deixou de ser sujeito, cidadão?

Compreenda, Senador, eu não apóio o anonimato para livrar a cara de criminosos ou de "trolls", mas tampouco posso compactuar com a proibição completa desta opção que tem sua validade, seu sentido. Aliás, existe uma coisa muito simples chamada IP, é fácil descobrir quem está por trás de qualquer postagem sem que esta precise assinar como tal. Mas seria pedir demais aos Dinos do Senado para sequer tentar compreender como a internet funciona.

O engraçado nessa história é que o Senado não hesitou em aprovar o anonimato para doações de campanha! Um Senador pode receber dinheiro sujo, dinheiro de origem duvidosa e não terá de prestar contas em momento algum! Mas quanto ao nosso direito de nos expressar sem nos identificar... Censura! O que é mais perigoso, um blog anônimo falando da chuva que cai lá fora ou um Senador recebendo milhões de dinheiro de corrupção? O Senado deu seu veredito!

Fernando Rodrigues nos chama à atenção para um fato interessante:
"Não deram a devida atenção a um outro contrabando no texto feito por Azeredo. Ele e Marco Maciel (DEM-PE) só concordaram em desidratar o 57-D porque tinha incluídoo todas as restrições para vídeo e áudio em debates na web (que estavam no artigo 57-D) em outro trecho da lei. Dessa forma, a principal, repito, principal restrição normativa à web foi totalmente mantida para o período eleitoral do ano que vem. Não há como conceber a cobertura da eleição pela internet sem usar imagem e áudio de debates. No Brasil, essa será a regra --a menos que o portal, site, blog etc. se disponha a dar espaço igual a todos. Uma anomalia.
Mercadante depois disse que tinha entendido que havia um acordo para que, com a definição de internet livre no artigo 57-D, ficaria “prejudicada” a equiparação da web ao rádio e à TV para debates. Azeredo desdenhou. Deu de ombros. E nada.
Fica a lição. Em votações importantes no Congresso não se pode entender nada. É preciso fazer acordos muito claros."

Resumindo, a censura permanece.

Senador, como "Vossa Eçelência" foi tão facilmente enganado? E digo "enganado" apenas para ser simpático, porque não há desculpas para a aprovação deste projeto nefasto e ridículo. Para os Senadores e políticos em geral, doações anônimas, que não deixam rastros, corrupção ativa e legalizada, para os ciberativistas e usuários de internet no geral, a censura, a proibição.

Os tempos negros da ditadura, pelo visto, não chegaram ao fim, o Senado encarna o que há de pior, perpetua a censura.

Mas admito, depositamos muita fé em um político e nos esquecemos que, por definição, político não é de confiança. Também erramos. Imagina então quando depositamos alguma confiança em um político que já tinha tão descaradamente mudado de opinião em troca de deus sabe o que.

Obrigado senador, não nos esqueceremos de sua ajuda nas próximas eleições.

E isto sim é em caráter irrevogável.
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