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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Haddad confirma: Promessas ao PP valem mais que as feitas ao povo

Movimentos sociais de Luta por Moradia acabam de confirmar que a Habitação irá para o PP de Maluf.

Está comprovado que o PT governa para seus aliados e não para os movimentos sociais e para o povo, o PT não precisa dos setores populares, a não ser durante as eleições ou em momentos decisivos em que coopta suas lideranças a aprovar projetos para amigos do PP, PMDB, PTB e, agora, PSD e Kassab.

Nenhuma surpresa. Parabéns aos que votaram conscientes em Haddad, recebam o PP de braços abertos! Aliás, recebam o PP e recebam Kassab, em quem, provavelmente, votarão para senador com apoio do PT até que aprendam a colocar seus direitos e os direitos humanos à frente de partidos vendidos e corruptos.
Lideranças de entidades reafirmam a Haddad que não aceitam Maluf e PP na Habitação de SP

Na tarde desta quarta-feira (05/12), em reunião com o prefeito eleito Fernando Haddad, na sede do governo de transição, dirigentes de várias Entidades e Movimentos que lutam por moradia na cidade, reafirmaram à Haddad que não aceitam que a área de habitação seja entregue ao PP de Paulo Maluf.

As lideranças relataram ao prefeito eleito que diante do histórico de antagonismo entre eles e o Maluf e o PP na capital paulista não há espaço para diálogo.

E afirmaram que o PP e Maluf não terão condições políticas de implementarem o programa habitacional apresentado por Haddad durante a campanha eleitoral, por isso reivindicaram que a pasta fique no comando do PT.

Mesmo diante do duro e corajoso posicionamento das lideranças, para decepção e frustração dos Movimentos, Haddad confirmou que vai cumprir um compromisso já assumido com PP de Maluf no início de sua campanha e vai entregar a este partido a responsabilidade de comandar a área de Habitação.

As lideranças saíram insatisfeita do encontro e reafirmando a contrariedade e a disposição de continuarem sua trajetória de luta contra a especulação imobiliária e em defesa da reforma urbana e da moradia digna.

As lideranças entendem que a sustentação de um governo que se diz democrático e popular passa também pelos movimentos populares, para além dos vereadores e partidos políticos.

São Paulo, 06 de dezembro de 2012.

União dos Movimentos de Moradia
Central de Movimentos Populares
Frente de Luta por Moradia
Movimento Nacional da População em Situação de Rua.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Carta Aberta: PP e Maluf na Secretaria de Habitação e COHAB, não!! Xô Maluf e PP!!!

Carta aberta dos movimentos sociais que muito provavelmente apoiaram Haddad, mesmo criticamente, e que agora podem ser pagos com traição, o que não surpreende. Maluf e o PP são parasitas que controlam o importante Ministério das Cidades e não escondem o interesse em comandar (ou dilapidar) a habitação de São Paulo, uma das áreas mais importantes e problemáticas da cidade.

Uma das áreas prioritárias, especialmente no repovoamento e revitalização do Centro, com a necessidade de construção de centenas de unidades populares para milhares de pessoas que vivem em situação precária ou nas ruas.

Entregar tal secretaria e entidades ao PP é deixar claro não se importar com a cidade e dar uma banana aos movimentos sociais. Claro que com a possívle nomeação de uma figura que enfrenta processo por desvios milionários em São Bernardo do Campo para a secretaria de Educação - outra área prioritária - em conjunto com as demonstrações por parte do govenro federal de não dar a mínima pra educação - criminalização de greves, salários pífios, bolsas para uniesquinas e agora a indicação da tucana Claudia Costin para cargo no MEC - mostram que não se pode confiar no Pt, é preciso pressão constante e vigilância.

Segue a carta:
Nós, lideranças dos Movimentos de Moradia, Entidades Populares e Comunitárias,  de várias regiões da Cidade de São Paulo, preocupadas com os encaminhamentos dados ao processo de transição e discussão em relação à Secretaria de Habitação e COHAB do Município de São Paulo, viemos manifestar o nosso veemente repúdio a qualquer possibilidade do Partido Progressista e Paulo Maluf interferirem ou indicarem representantes deste nefasto partido para Secretaria de Habitação e COHAB do Município de São Paulo.
A história do PP e de Paulo Maluf é conhecida em São Paulo, com perseguição e criminalização aos movimentos sociais e populares, agressões aos trabalhadores informais e população em situação de rua, agenda de despejos e remoções, paralisação dos programas de mutirões e habitação popular, corrupção, abandono e falta de políticas para as áreas centrais, além do trágico projeto Cingapura.
Além disso, o Ministério das Cidades, ocupado pelo PP, na verdade, funciona como balcão de negócios. Toda política do PAC e do Programa Minha Casa, Minha Vida é feita de forma direta entre o Ministério do Planejamento e a Secretaria Nacional de Habitação. No Estado de São Paulo, o PP comanda a CDHU e todas suas ações na área de habitação são pífias ou medíocres. Foram os representantes do PP que enrolaram os movimentos e privatizaram a CDHU durante a gestão do PSDB no Estado São Paulo.
O Prefeito eleito Haddad, disse que iria ouvir os movimentos sociais e a hora é esta, para que possamos manifestar nossa indignação com esta possibilidade.
Nunca aceitamos e não aceitaremos esta aliança. O que esperar de uma situação desta? Que o PP dê conta desta grave situação da habitação em São Paulo? Este partido nem de longe está ao alcance das responsabilidades assumidas na campanha de Haddad à prefeitura de São Paulo, nem está à altura do plano de governo na área de habitação, construído de forma ampla e participativa com os movimentos de moradia e os setoriais do PT, propiciando um grande envolvimento na campanha de Haddad à prefeitura de São Paulo.
Os Movimentos Populares não engoliram de forma alguma esta aliança com o PP de Paulo Maluf que, durante a campanha, gerou grande constrangimento ao Partido dos Trabalhadores, à sua Militância, aos Movimentos Sociais e ao próprio candidato Haddad. Em nossa opinião, os únicos que ficaram felizes com esta aliança foi o PP e o próprio Maluf,  que condenado por corrupção, com toda cara de pau,  se promoveram e beneficiaram às nossas custas.
Fora Maluf e fora PP da Secretaria de Habitação e COHAB de São Paulo!
São Paulo, 19 de novembro de 2012.

Central de Movimentos Populares (CMP)
União dos Movimentos de Moradia da Grande São Paulo e Interior (UMMSP)
Frente de Luta pela Moradia (FLM)
Grupo de Articulação de Moradia do Idoso (GARMIC)
Movimento de Moradia da Região Centro (MMRC)
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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mercadante: De grevista a traidor

Mercadante é o perfeito retrato do PT. Um dia foi grevista, apoiou e organizou greves, hoje faz o possível para desmobilizá-las, para aparelhar movimentos e tratar trabalhadores como lixo. Rrcebi esta imagem do grupo do Tribunal Popular.

PT e Mercadante, quem te viu (grevista em 1984), quem te vê (pelego em 2012)!
Clique para ampliar

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domingo, 26 de dezembro de 2010

Chantagem ou Exercício Democrático?

Imagine que você faça parte de um grupo que, por alguma razão - não vem ao caso - é considerado inimigo do Estado, logo, ilegal. Você acaba preso por se associar a este grupo, mas é fiel aos seus ideais - mesmo que tenha críticas aos métodos empregados pelo grupo, por exemplo - e aos seus companheiros e sabe que, no fim das contas, apesar das críticas a história do grupo merece ser respeitada e lembrada.

Feita a introdução, agora pense que, preso, o Estado te oferece um "acordo". Você pode ter uma redução de pena, regalias e até mesmo ser transferido para uma prisão mais próxima da sua família.

Nesta pequena alegoria sem nenhuma relação com a realidade (ok, talvez tenha), você e seus companheiros, ao serem presos, são colocados em cadeias muito distantes das suas famílias, numa prática conhecida como "dispersão de presos".

Quem sabe como parte do acordo você até receba o status de preso político? Difícil, mas....

Mas, para conseguir estes benefícios você deve fazer algo muito simples: Trair seu grupo e seus companheiros.

Você deve basicamente renunciar ao grupo e denunciá-lo, usando as mesmas palavras e a mesma interpretação do Estado e, de quebra, ainda talvez tenha que denunciar uma ou outra atividade, esconderijo, companheiros....

Nada demais, não é?

O que você faz? Se recusa, enfrenta as consequências junto aos seus companheiros, mas mantém intacta sua honra e se respeito pelo grupo ou simplesmente adota a posição egoísta e trai todo o movimento para ganhar regalias e benefícios?

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Toda a introdução acima serve apenas para ilustrar a mais recente oferta por parte do governo espanhol aos presos políticos bascos - acusados de ligação com a ETA, mesmo que com escassas provas na franca maioria dos casos. Muitos dos presos são ligados à EPPK (Euskal Preso Politikoen Kolektiboa ou Coletivo de Presos Políticos Bascos).

A oferta é simples: Entregue seus companheiros, renuncie ao grupo, condene o grupo e você receberá benefícios. Seja egoísta, traia a todos e seja beneficiado pelo Estado.
El portavoz parlamentario del PSE, José Antonio Pastor, ha asegurado que el comunicado de los presos de ETA acusando al Gobierno de ofrecerles beneficios penitenciarios por desmarcarse de la banda demuestra que la apuesta política de Batasuna no llegado a "calar" entre los reclusos de la banda. Además, ha insistido en que esta política "no se trata de ningún chantaje, sino de un simple ejercicio democrático".
En declaraciones a 'RNE', Pastor ha recordado que "cuando alguien se inserta en la vida democrática tiene que aceptar las reglas de la democracia". Por ello, considera que si los presos de ETA creen que esa actitud "escrupulosamente democrática" supone un chantaje, significa que "no tienen ni mucho menos interiorizado que se ha acabado su tiempo y que la violencia de ETA no tiene ningún sentido".
Por esta razón el dirigente socialista opina que el documento de los presos "dice muy poco a favor" de que la apuesta de la izquierda abertzale ilegalizada "haya llegado a calar de verdad en el colectivo de presos". A su vez, la portavoz del Gobierno vasco, Idoia Mendia, ha restado valor a la carta de los presos por considerar que no hay novedad en ella. No obstante, sí que ha reconocido, en declaraciones a ETB, que el colectivo "tendrá que tener su papel en todo este debate que dentro de la izquierda abertzale se está montando".
A ETA declarou uma trégua já ha algum tempo, e passou a apoiar as iniciativas pela paz e pela normalização da situação no País Basco. Concordaram com os princípios do documento Zutik Euskal Herria e, mesmo assim, continuam a ser perseguidos, presos... Tanto membros da ETA quanto pessoas do seu entorno.

Ao governo espanhol - em especial PP e PSOE - interessa manter Euskal Herria em eterno Estado Policial, com medo, cercado. A ETA interessa ao Estado, mas jamais seu fim ou a trégua. Não surpreende que todas as provocações possíveis sejam feitas para testar a paciência do grupo.

Líderes de movimentos juvenis nacionalistas -  como o Segi - são presos acusados de ser parte da ETA, o líder do Batasuna, Arnado Otegi, e toda a direção do grupo são presos - mesmo inocentes - para evitar que coloquem em marcha acelerada o processo de discussão interna entre o movimento nacionalista e a ETA em torno do ideal de uma via pacífica para a resolução do conflito basco...

O Batasna permanece ilegalizado e o Estado ameaça qualquer nova formação que tenha ligação direta ou indireta com seus membros...

É o mais completo e perfeito Estado Terrorista usando todas as suas armas - legais ou ilegais - para tentar manter viva a ETA, para tentar fazê-la responder com igual violência os ataques do Estado. Este é o legitimador do próprio Estado. O inimigo perigoso a ser destruído.

Claro que isto não quer dizer, como talvez pensem alguns fanáticos por teorias da conspiração, que a ETA tenha qualquer tipo de ligação com o Estado ou seja apenas bucha de canhão, mas tão apenas que a contínua violência, hoje, serve aos propósitos do Estado mais do que aos propósitos de independência.

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

A mídia se refestela... e o PSOL se esfacela!

Leiam a seguinte notícia da Falha:
Na sábado, um congresso do partido no Rio de Janeiro escolheu Plínio como pré-candidato. No entanto, o grupo de Heloisa Helena se recusou a participar do encontro e fez uma reunião paralela contestando a escolha de Plínio.
Segundo os aliados da ex-senadora, o Diretório Nacional do PSOL fez uma jogada para tirar delegados favoráveis a Martiniano Cavalcante. Plínio foi escolhido por 89 delegados. O grupo de Heloisa Helena diz ter 91.
"Não satisfeitos em impor burocraticamente o candidato do PSOL à Presidência, nesta mesma suposta reunião do Diretório Nacional rasgaram o estatuto partidário e retirou as atribuições de nossa presidente nacional, Heloisa Helena", diz manifestou divulgado pelo grupo da vereadora.
De acordo a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), que também apoiou Martiniano, o partido deve se reunir depois das eleições para eleger uma nova diretoria. "Decidimos mesmo contrariados, não recorrer dessa decisão e aceitar Plínio como candidato. Optamos por fazer isso em beneficio do PSOL", disse a deputado.
Segundo ela, Martiniano tinha o apoio da maioria da base do partido e não da cúpula. Mas, a deputada disse que a briga interna prejudica apenas ao PSOL. 
O mesmo conteúdo sob diversas formas foi divulgado pela grande mídia nos últimos dias. O PSOL chegou ao fim?

Mas esta não é a análise que quero fazer neste momento, sobre o possível fim do PSOL como alternativa viável na política já fiz no artigo "O que resta ao PSOL", meu objetivo aqui é analisar os discursos e o que está por trás da crise - mais uma - da Convenção e da candidatura do Plínio.

Comecemos pela desgraçada Deputada Luciana Genro. Ela e sua tendência tem um histórico incrível de chorar ante a derrota. De rachar quando se vêem em desvantagem. No último Congresso do PSOL - do qual participei - o MES, corrente de Genro, ameaçou se retirar do mesmo se as demais tendências aventassem a possibilidade de discutir a questão do Aborto. A razão? HH não queria, é contra o Aborto.

Se não respeitada esta vontade, este personalismo, o MES melaria a Convenção.

Eu comentei na época:
Eis que, no meio da discussão sobre o aborto - todos sabem que a HH é contra e ela faz questão de deixar sua opinião pública - o MES resolve abandonar o congresso porque não achava que o tema era apropriado para ser debatido!
"Sou do PSOL, sou radical, eu não aceito o dinheiro da Gerdau"
Musiqunha da CSOL/APS para o MES
O MES é o grupo, hoje, mais próximo da HH, ainda que a CST idolatre de forma quase religiosa a ex-senadora, e em uma deturpada noção de solidariedade, resolveu que não iria discutir nada sobre o Aborto e pôs um ponto final na discussão quando ameaçou se retirar do congresso. Uma demonstração absurda de sectarismo e desrespeito.

Por ser um partido de tendências, ninguém pode impor ao MES absolutamente nada, porém, sendo minoria, cabia ao MES aceitar a opinião dos demais. A Heloísa Helena, aliás, deveria se colocar em sue lugar e, como Lula, acatar a posição do partido.

Vejam que agora, novamente, a Luciana Genro esperneia quando se vê em minoria. Fazer algo em benefício do PSOL não é feitio da nobre Deputada ou de sua corrente, aliás, sobre o MES, vale a leitura de um pequeno resumo sobre o que considero a direita do PSOL. Não dá para confiar nesta figura.

Os problemas não pararam por aí.

Logo depois veio a piada da aliança com o PV e com a Marina Silva, a neocom ambientalista que, assim como a HH, é contrária ao Aborto. HH definiu que queria porque queria a aliança, mas felizmente foi derrotada. Mais uma crise temporariamente superada.

Desde o início, vale citar, o nome da Heloísa Helena era certo para a presidência, mas esta preferiu garantir sua eleição, seu salário e sua notoriedade concorrendo ao Senado. Escolheu o viés eleitoreiro ao invés da construção de uma base e do debate. E, no fim, descambou para o racha do partido.

Lembrem-se, antes de mais nada, que a chapa que serve de sustentação à candidatura do Plínio saiu vencedora do Congresso, como mostrei aqui, com uma margem de 30 votos, quase o tamanho da CST do Babá que, agora, apoiou a candidatura do Plínio.

Tendo estes números em mente, é interessante notar que a alegação do grupo dos insatisfeitos de que teriam uma suposta maioria absoluta dos votos é, no mínimo, descabida. Do Congresso, o campo do Plínio e do Babá, somados, tinham mais de 60 votos (68 no total)  além dos do grupo da HH, Martiniano, Genro e cia, então como explicar que poucos meses depois o MES e MTL cresceram de forma nunca antes vista e viraram a franca maioria?

Fraude talvez?

Sim, exatamente a fraude que foi detectada pela direção do partido, denunciada e revista. O que garantiu a derrota de Martiniano e da manipulação.

No site de Martiniano, algo para rir:
Nem no primeiro, nem no segundo Congressos do PSOL aconteceram eleições na base tão disputadas e tão fiscalizadas.
Nesta conferência seguimos todas as regras e elegemos de maneira legal e legítima uma maioria incontestável de 90 delegados contra 86 delegados somados por Plínio e por Babá.

Segundo o derrotado, especificamente NESTA eleição interna - que ele não vai recorrer, porque será, se tem a razão? - é que o processo foi o mais justo, democrático, legal, fiscalizado... E os outros não foram? De uma minoria considerável seu grupo passou para a maioria absoluta em eleições fiscalizadas? Isto seria crível se a eleição anterior - que indicou uma grande maioria dos opositores da HH - tivesse sido contestada. Como uma diferença tão grande e gritante passou despercebida?


Martiniano completa:
"Este conjunto de iniciativas espúrias tomadas pela insignificante maioria burocrática instalada no Diretório Nacional e em sua Executiva violaram definitiva e irreparávelmente a legitimidade e a legalidade da III Conferência Eleitoral Nacional do Partido Socialismo e Liberdade."
A "insignificante maioria" - 68 votos, que fique claro, quase metade da votação do MES/MTL - foi decidida em congresso, com debate, votação, com direção anterior presente, com HH presente... Então eis que Martiniano considera ilegítimo o Congresso do PSOL?

O fato de gente intransigente e revoltada como os derrotados sequer aventarem a possibilidade de recorrer significa apenas que sabem que tentaram ganhar no grito, no roubo e não pela base, com debate, embate de idéias. Dizer que aceitam a derrota para não rachar o PSOL é mentiroso e risível, mas afirmar que não farão campanha para o Plínio, ou seja, para o próprio PSOL, é criminoso.

Ao contrário de alguns, porém, sou contra a expulsão destes péssimos elementos. Seria prejudicial para o PSOL e para a democracia como um todo. Acredito que estes revoltosos devessem ser proibidos de votar e ser votados nas instâncias partidárias e tivessem suas tendências diluídas pelo tempo que fosse necessário para aprenderem um pouco de humildade e a respeitar o jogo democrático dentro da própria agremiação.

E que se sintam livres para abandonar o barco no primeiro caso em que os ratos sairão primeiro.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Carta aberta ao Senador Mercadante

Prezado senador Mercadante,

Escrevo estas linhas para parabenizá-lo e agradecê-lo por ter, em caráter irrevogável - e pela segunda vez seguida - voltado atrás em uma de suas decisões, enfim, em ter mentido para seus eleitores e demais brasileiros de bem.

Tudo bem, compreendo - ou tento compreender - a primeira traição, afinal, ao abdicar - em caráter irrevogável - da liderança do partido, "Vossa Eçelência" talvez perdesse a chance de passar a mão em excelentes oportunidades de neg..., quer dizer, em excelentes emendas parlamentares e talvez ficasse um pouco afastado, alienado até, da "boquinha" parlamentar. Eu jamais poderia exigir tal coisa! Sei que "ética" não é algo bem visto entre seus colegas de parlamento.

É compreensível, talvez até aceitável, afinal todos sabemos como funcionam as coisas aí no Senado. Ser honesto, para seus pares, é mal visto e não poderíamos pedir para "Vossa Eçelência" que fosse intencionalmente mal visto. Dizem que mal olhado é realmente ruim! Aliás, veja o que aconteceu com Celso Daniel por tentar ser honesto ou, ao menos, denunciar algumas falcatruas inocentes, não funciona, não é mesmo?

Pois bem, tentamos aceitar a primeira traição, mas esta? A censura à internet é inaceitável. "Vossa Eçelência" nos impediu de saber quem são os Senadores que votam pela nossa censura, senador Mercadante!

"Vossa Eçelência" nos impediu de conhecer, através do voto nominal, quem tem a cara de pau de censurar a voz do povo, a internet. Os saudosistas da ditadura, os que se perpetuam indefinidamente no poder, os que ganham pelo voto de cabresto e pela ignorância do povo, submetidos eternamente à esta situação por suas "representações"!

Desculpe, Senador, mas esta traição não pode ser perdoada. Acreditamos em "Vossa Eçelência" quando dizia que iria levar nossa voz, a de centenas, milhares de ciberativistas, até o Senado e iria barrar o projeto do AI5 Digital do Senador Azeredo.

Não esperávamos mais esta traição, o ato de compactuar com a falácia do direito de resposta no ambiente virtual! Senador, me explique, como acreditas ser possível o direito de resposta no twitter? Serei eu obrigado a escrever algo que um Senado ou Deputado queira por eu tê-lo supostamente ofendido? E onde fica minha liberdade de expressão, meu direito de não escrever o que não acredito?

Senador, realmente acreditas que os dinossauros do Senado sabem o que é o Facebook, o Twitter, quiçá o Orkut? Estas figuras nefastas ainda pedem às suas secretárias para imprimir os e-mails que lhes chegam diariamente! E "Vossa Eçelência" foi tão facilmente enganado!

Pense apenas por um minuto, como o TSE irá julgar os milhões de pedidos de resposta que sem dúvida surgirão? Como verificar o twitter, os milhões de blogs? Quem vai realizar todo este trabalho?

Não me diga que já está programada a contratação por debaixo dos panos de milhares de trabalhadores - filhos, sobrinhos, netos, namorados das primas de oitavo grau dos senadores - para especificamente censurarem a internet? Teremos milhares de funcionários temporários recebendo megasalários verificando 24 horas o conteúdo de todo e cada blog, perfil de mídia social e twitter dos brasileiros atrás de possíveis direitos de resposta?

Mas não só isso, Senador, você aprovou o fim do anonimato! Veja bem, "Tsavkko" é apenas um apelido, por mais que eu assine também com meu nome verdadeiro serei privado do meu direito a usar um nome qualquer? De assinar só com uma alcunha? E quem simplesmente posta anonimamente para não sofrer pressões familiares ou no ambiente de trabalho? Será proibido de se expressar, deixou de ser sujeito, cidadão?

Compreenda, Senador, eu não apóio o anonimato para livrar a cara de criminosos ou de "trolls", mas tampouco posso compactuar com a proibição completa desta opção que tem sua validade, seu sentido. Aliás, existe uma coisa muito simples chamada IP, é fácil descobrir quem está por trás de qualquer postagem sem que esta precise assinar como tal. Mas seria pedir demais aos Dinos do Senado para sequer tentar compreender como a internet funciona.

O engraçado nessa história é que o Senado não hesitou em aprovar o anonimato para doações de campanha! Um Senador pode receber dinheiro sujo, dinheiro de origem duvidosa e não terá de prestar contas em momento algum! Mas quanto ao nosso direito de nos expressar sem nos identificar... Censura! O que é mais perigoso, um blog anônimo falando da chuva que cai lá fora ou um Senador recebendo milhões de dinheiro de corrupção? O Senado deu seu veredito!

Fernando Rodrigues nos chama à atenção para um fato interessante:
"Não deram a devida atenção a um outro contrabando no texto feito por Azeredo. Ele e Marco Maciel (DEM-PE) só concordaram em desidratar o 57-D porque tinha incluídoo todas as restrições para vídeo e áudio em debates na web (que estavam no artigo 57-D) em outro trecho da lei. Dessa forma, a principal, repito, principal restrição normativa à web foi totalmente mantida para o período eleitoral do ano que vem. Não há como conceber a cobertura da eleição pela internet sem usar imagem e áudio de debates. No Brasil, essa será a regra --a menos que o portal, site, blog etc. se disponha a dar espaço igual a todos. Uma anomalia.
Mercadante depois disse que tinha entendido que havia um acordo para que, com a definição de internet livre no artigo 57-D, ficaria “prejudicada” a equiparação da web ao rádio e à TV para debates. Azeredo desdenhou. Deu de ombros. E nada.
Fica a lição. Em votações importantes no Congresso não se pode entender nada. É preciso fazer acordos muito claros."

Resumindo, a censura permanece.

Senador, como "Vossa Eçelência" foi tão facilmente enganado? E digo "enganado" apenas para ser simpático, porque não há desculpas para a aprovação deste projeto nefasto e ridículo. Para os Senadores e políticos em geral, doações anônimas, que não deixam rastros, corrupção ativa e legalizada, para os ciberativistas e usuários de internet no geral, a censura, a proibição.

Os tempos negros da ditadura, pelo visto, não chegaram ao fim, o Senado encarna o que há de pior, perpetua a censura.

Mas admito, depositamos muita fé em um político e nos esquecemos que, por definição, político não é de confiança. Também erramos. Imagina então quando depositamos alguma confiança em um político que já tinha tão descaradamente mudado de opinião em troca de deus sabe o que.

Obrigado senador, não nos esqueceremos de sua ajuda nas próximas eleições.

E isto sim é em caráter irrevogável.
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