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sábado, 7 de março de 2015

Se avizinha uma aliança da #PatriaEducadora com o MAL MAIOR?

Muitos vem pensando que tanto a crise da água em São Paulo quanto o chamado Petrolão (e a crise energética que se avizinha) poderiam levar PT e PSDB, juntos, ao buraco de onde nunca deveriam ter saído.

A realidade, porém, pode nos pregar uma peça.

Avizinha-se uma aliança ampla entre PT e PSDB, incluindo um amplo aspecto de corruptos partidos, da direita à extrema-direita (esquerda? Faz-me rir) para, dentre outras, sufocar qualquer tipo de ação que possa colocar em perigo os interesses da elite que ambos partidos representam.

A presença de nomes de políticos graúdos de ambos os partidos na lista do procurador Janot pode ser o pontapé inicial para a aliança, que já é vista com desespero mesmo por destacados petistas - cuja análise está correta, pese vir de quem há tempos faz contorcionismos para justificar um governo francamente de direita.

Anastasia, aliado próximo de Aécio (que escapou de processo), e a penca de petistas graúdos como Gleisi Hoffman ou Palocci (aquele que para ser salvo anteriormente resultou em acordo para Dilma rifar direitos LGBTs)  podem facilitar uma aliança entre PT e PSDB para neutralizar os efeitos dessa onda.

O resultado de uma aliança dessas seria catastrófica, não apenas por jogar pra debaixo do tapete a corrupção assustadora de ambos os partidos e a total ineficiência de ambos em gerir o país, deixando São Paulo à beira do caos com a falta d'água (que pode vir a ser realidade também em Minas governada pelo PSDB e no Rio, governado pelo PTMDB) ou o país sem energia baseando o "desenvolvimento" do país no consumo desenfreado e desregrado (criminosos?) dos recursos naturais.

Uma aliança PT/PSDB/PMDB com outros partidos menores orbitando seria a pá de cal em processos e cassações de políticos corruptos e em efetiva investigação de seus crimes que vão além do "mero" roubo, mas chegam à beira de colocar todo o país no caos completo.

Primeiro ato, sem dúvida, de tal aliança, seria acabar de vez com qualquer tipo de investigação sobre suas malversações. O PSDB esqueceria os crimes do PT e o PT pararia de pressionar para uma ampliação de investigações que incluísse os crimes do PSDB. Segundo ato, sem duvida, seria acertar ponteiros localmente, e podemos dar adeus à imensa greve dos professores no Paraná.

Os petistas iriam rapidamente ser "convidados" pela direção a não apenas retirar apoio (e com isso CUT, UNE e afins iriam silenciosamente se afastar), mas também a criminalizar com gritos de "vandalismo" e "VAI PM", como já fazem de forma quase diária país afora.

A intenção de tal aliança é muito simples: Segurar a bomba da crise hídrica e elétrica e impedir que a república venha abaixo com o processo de mais e mais figuras-chave envolvidas em escândalos de corrupção. Com polícia nas mãos e centrais sindicais na coleira, PT e PSDB poderiam tirar imensos proveitos de tal aliança, algo que há muito tempo se desenha, mas apenas a seita neoPTcostal busca(va) negar.

A #PatriaEducadora e o MAL MAIOR são irmãos siameses, são o mesmo lado da mesma moeda, representam os mesmos interesses e são financiados pelos mesmos grupos. A única diferença paupável é que um grupo soube distribuir melhor as migalhas enquanto outro teve preferência maior pelos métodos mais visíveis de repressão - pese o grupo da migalha ter aprendido rápido que o porrete é o melhor amigo do poder.

No fim das contas, uma aliança entre PT e PSDB apenas os faria parar de perder tempo com briguinhas cosméticas quando tudo o que querem é sugar ao máximo o país - e o PMDB é um excelente professor e parceiro. Para nós, brasileiros, é um cenário terrível, mas talvez o único capaz de fazer finalmente s últimos dormentes acordarem para a realidade: PT e PSDB são nossos inimigos.
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quinta-feira, 7 de março de 2013

Nota de esclarecimento ao senador Paulo Paim e à Sociedade Brasileira

NOTA PÚBLICA DE ESCLARECIMENTO
AO SENADOR PAULO PAIM E À POPULAÇÃO BRASILEIRA

A Lei nº 7.716/89 (conhecida como lei antirracismo), originalmente punia APENAS manifestações de preconceito decorrentes de “RAÇA OU COR”. Posteriormente foi aprovada a Lei nº 9.459/97, que acrescentou (nos artigos 1º e 20º) “ETNIA, RELIGIÃO E PROCEDÊNCIA NACIONAL”. São conquistas importantes decorrentes da luta de cidadãos por visibilidade e respeito. Entretanto, há outros grupos vulneráveis que precisam de proteção legal. Como aceitar que se criminalize a discriminação por religião, mas não o preconceito contra a pessoa com deficiência, por exemplo? Logo, como aceitar a não-criminalização de outras formas de discriminação que notoriamente assolam a sociedade?

A Constituição da República, desde 1988 – portanto há vinte e quatro anos e exatos cinco meses – estabelece entre os OBJETIVOS FUNDAMENTAIS da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução das desigualdades sociais e regionais, bem como a promoção do bem de todos, sem preconceitos e discriminações de quaisquer espécies (artigo 4º, incisos I a IV). Esta mesma Constituição também destaca que todos são iguais perante a lei, não admitidas distinções de quaisquer natureza, garantindo-se a todos a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade e à segurança (dentre muitos outros), bem como determina a obrigatoriedade da criminalização do racismo e de quaisquer discriminações atentatórias a direitos e liberdades fundamentais (artigo 5º, 'caput' e incisos XLI e XLII).

Em razão disso, a Senadora Fátima Cleide (PT-RO), após ampla discussão, inclusive com os setores mais conservadores, elaborou uma emenda, aprovada pela Comissão de Assuntos Sociais (Emenda nº 01 - CAS), incluindo as demais modalidades de discriminação NA LEI EM VIGOR (Lei nº 7.716/89, c/redação dada pela Lei nº 9.459/97). Essa emenda, em síntese, se limitou a incluir, entre as discriminações criminalizadas por esta lei, aquelas praticadas em razão da orientação sexual, da identidade de gênero, do gênero, do sexo, da condição de pessoa idosa e da condição de pessoa com deficiência, fazendo-o também relativamente ao crime de injúria qualificada constante do artigo 140, §3º, do Código Penal. Em suma, o que o Substitutivo de Fátima Cleide fez foi simplesmente garantir uma igual proteção pena a vítimas de tais discriminações às vítimas de discriminações por cor, etnia, procedência nacional e religião, garantindo àquelas a mesma punição que se atribui a estas.

Parece, portanto, que o Senador Paulo Paim não entendeu qual é o texto que toda a população LGBT e demais pessoas comprometidas com a luta contra toda e qualquer forma de discriminação têm se empenhado para que seja aprovado. O que Paim deveria fazer, portanto, era tentar convencer seus pares de que o PLC 122/06 não viola a liberdade de expressão por visar apenas garantir que as discriminações por orientação sexual, por identidade de gênero, por condição de pessoa idosa e com deficiência sejam punidas da mesma forma que as discriminações por cor, etnia, procedência nacional e religião. Deveria se esforçar para fazê-los ver que liberdade de expressão não é liberdade de opressão, como disse paradigmática faixa da última Marcha Nacional contra a Homofobia (2012). Deveria tentar convencê-los, portanto, que somente discursos de ódio, ofensas individuais e coletivas, discriminações e incitações/induzimentos ao preconceito e à discriminação são objeto de repressão pelo PLC 122/06. Um critério didático é o seguinte: "se não pode contra negros/religiosos, também não pode contra pessoas LGBT"... Jamais deveria simplesmente se conformar com a oposição arbitrária ao projeto...

Não é admissível se pretender criar hierarquias entre as formas de discriminação. Nem admissível nem constitucional.

O que se pretende é só e somente uma LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO. Tudo o mais são falácias e esforços no sentido de construir animosidades e mal-entendidos: criar uma lei específica para a homofobia distinta e de forma mais branda do que a punição constante da Lei de Racismo gerará tal hierarquização de opressões e, com isso, não se pode concordar de forma alguma.

Sabe-se que a explicitação dos vetos ao racismo e à intolerância religiosa decorreram de lutas pela visibilidade e erradicação de tais práticas discriminatórias, que requereram historicamente o veto explícito na forma das mencionadas leis, dada a insuficiência do veto universal à discriminação, presente desde a Constituição Federal de 1988, para o enfrentamento de tais prejuízos aos referidos grupos específicos. Portanto, nada mais justo que incluir - na mesma perspectiva do reconhecimento de que grupos são vulneráveis a terem seu direito à não discriminação violado – o veto explícito à discriminação associada à condição idosa, à pessoa com deficiência, à orientação sexual e à identidade de gênero na nossa Lei de Racismo, que é, como diz o jurista Roger Raupp Rios, a nossa Lei Geral Antidiscriminatória que já pune as opressões relacionadas à cor, à etnia, à procedência nacional e à religião. Dado que não cabe do ponto de vista constitucional hierarquizar discriminações, visto que todas são inconstitucionais, pretende-se, portanto, igualdade no tratamento legal a diferentes grupos vitimados pela discriminação, fazendo justiça à igualdade do direito à não discriminação. Cabe, portanto, inclusão explícita do veto aos grupos referidos posto que os mesmos têm sido objeto de intensa discriminação na sociedade brasileira.

Ocorre que, com argumentos semelhantes aos que lutaram contra avanços como a Lei do Divórcio, por exemplo, setores conservadores visam impedir a promulgação da lei. Seu principal argumento é que esta feriria a liberdade de expressão – já consagrada na Constituição Federal – quando, de fato, desejam manter a liberdade de oprimir pessoas que discordam de seus preceitos morais. Nesse contexto, o Sr. Relator pretende procurar, como já foi feito anteriormente, uma "solução de consenso". Nessa matéria, entretanto, a expressão "de consenso" tenta demonstrar uma suposta disposição dos antagonistas ao PLC 122/2006 mas, na verdade, condena as LGBT a uma cidadania de segunda classe, como querem esses mesmos antagonistas, que nunca demonstraram disposição nenhuma com o projeto (só quiseram destruí-lo, nunca melhora-lo). É curioso como se insiste em chamar tais antagonistas ao debate, afinal, como escreveu o criminalista Túlio Vianna em antológico artigo: “O Congresso Nacional brasileiro não costuma convidar traficante de drogas para audiências públicas destinadas a debater se o tráfico de drogas deve ou não ser crime. Também não convida homicidas, ladrões ou estupradores para dialogarem sobre a necessidade da existência de leis que punam seus crimes. Já os homofóbicos têm cadeiras cativas em todo e qualquer debate no Congresso que vise a criar uma lei para punir suas discriminações. Estão sempre lá, por toda a parte; e é justamente por isso que a lei ainda não foi aprovada [...] O Direito Penal tem, neste momento histórico, um importante papel como instrumento de promoção de direitos. A Lei 7.716/89 tem sido, desde sua entrada em vigor, uma poderosa ferramenta no combate à discriminação racial. Que sirva também para combater a homofobia [do mesmo jeito que serve para combater o preconceito religioso]. Assim como hoje é considerado criminoso quem discrimina o negro [bem como o evangélico e o judeu], amanhã também deve ser quem discrimina a(o) homossexual, a(o) travesti, a mulher, a(o) idosa(o) e a(o) deficiente físico.

Em razão disso, nós, cidadãs e cidadãos comprometidos com a erradicação de todas as formas de discriminação neste país, não aceitaremos nada menos do que a LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO, conforme elaborada pela Senadora Fátima Cleide, em 2009.

Esta mesma posição já havia sido objeto de consenso em 28 de Julho de 2011, na sede da APEOESP na capital paulista, após um intenso, rico e democrático debate, realizado em Plenária do Movimento LGBT de São Paulo em que estiveram presentes as seguintes organizações: ILGA; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS – ABGLT; ARTICULAÇÃO BRASILEIRA DE GAYS – ARTGAY; FRENTE PAULISTA CONTRA A HOMOFOBIA; FÓRUM PAULISTA LGBT; CONEXÃO PAULISTA LGBT; APEOESP; ASSESSORIA DA SENADORA MARTA SUPLICY – PT; ASSOCIAÇÃO DA PARADA DO ORGULHO GLBT DE SP; ABCDS; ATO ANTI-HOMOFOBIA; CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE; CIRANDA DA INFORMAÇÃO INDEPENDENTE; COLETIVO DE FEMINISTAS LÉSBICAS; COLETIVO LGBT 28 DE JUNHOCOLETIVO LGBT DA CUT/SP; COORDENADORIA DE ATENÇÃO ÀS POLÍTICAS DA DIVERSIDADE SEXUAL DO MUNICÍPIO DE SP - CADS; COORDENAÇÃO DE POLÍTICAS PARA A DIVERSIDADE SEXUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO; DIRETÓRIO CENTRAL DE ESTUDANTES DA USP; FRENTE ANTI-FASCISTA; HOMOFOBIA JÁ ERA; GADVS – GRUPO DE ADVOGADOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL; GRUPO DE ESTUDOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL DA USP; GRUPO DE PAIS DE HOMOSSEXUAIS; GRUPO ROSA VERMELHA; IDENTIDADE – GRUPO DE LUTA PELA DIVERSIDADE SEXUAL; IGREJA DA COMUNIDADE METROPOLITANA; INSTITUTO EDSON NÉRIS; MARCHA DA MACONHA; MARCHA MUNDIAL DE MULHERES; NÃO HOMOFOBIA; ONG CASVI; ONG REVIDA; SETORIAL LGBT CSP-CONLUTAS; SINDICATO DOS TREINADORES DO BRASIL; DIVERSIDADE TUCANA - PSDB; MILITANTES LGBT DO PSOL; MILITANTES LGBT DO PT; SECRETATIA LGBT DO PSTU.

Brasil, 05 de março de 2013.

Paulo Roberto Iotti Vecchiatti Mestre em Direito Constitucional pela Instituição Toledo de Ensino. Advogado militante em Direito da Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo. Membro do GADvS - Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual.

Rita de Cássia Colaço Rodrigues – Doutora em História Social e Mestre em Política Social pela UFF; Bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas pela UFRJ; ativista social autônoma em direitos humanos; responsável pelos blogs Comer de Matula e Memória / História MHB / LGBT; colunista do portal Brasília em Pauta; delegada Sindical; integrante do Comitê Carioca da Comissão Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro – CEDs-Rio. 

Thiago G. Viana Advogado, Presidente do Conselho Jurídico da Liga Humanista Secular do Brasil - LiHS, Pós-graduando em Ciências Penais pela Universidade Anhanguera-Uniderp/LFG, Presidente da Comissão de Direitos da Diversidade Sexual, Membro da Comissão de Estudos Constitucionais, Institucionais e Acompanhamento Legislativo e da Comissão de Jovens Advogados, todas da OAB/MA. 

Alexandre Gustavo Melo Franco Bahia – Doutor e Mestre em Direito Constitucional pela UFMG; Professor Adjunto na Universidade Federal de Ouro Preto e na Faculdade de Direito do Sul de Minas; Advogado.

Tatiana Lionço – Ativista da Cia. Revolucionária Triângulo Rosa, Doutora em Psicologia pela UnB.

Anahí Guedes de Mello – Cientista Social e ativista dos movimentos pelos direitos das pessoas com deficiência e LGBT.

Ubirajara Caputo Ativista independente. 

Davi Godoy – Museólogo pela UPM, Militante Independente e responsável pelo Blog ATOS420.

João Bôsco Hora Góis Professor da Universidade Federal Fluminense. Pesquisador do CNPq. Pós-Doutorado em Sociologia.

Marcelo Gerald – Militante independente, representante dos sites Eleições Hoje e PLC122.

Jandira Queiroz – Ativista lésbica feminista, pesquisadora social, assessora da Relatoria para o Direito Humano à Saúde Sexual e Reprodutiva da Plataforma Dhesca Brasil.

Raphael Tsavkko Garcia – Mestre em comunicaçao, bacharel em Relaçoes internacionais, Jornalista e autor/tradutor do Global Voices Online.

Aline Freitas – Ativista independente.

Ivone Pita – Ativista Independente de Direitos Humanos; Colunista do portal Gay 1, Colunista do portal Todos Iguais; Fundadora do grupo Todos contra a homofobia, a lesbofobia e a transfobia; e das páginas Cartazes e Tirinhas LGBT, Livro aberto - Histórias e sexualidades, Um livro de família - amor e diversidade; Especialista em literatura brasileira; Especialista em educação; Educadora social.

Daniela Andrade – Ativista Independente de Direitos Humanos; Colunista so site Transexualidade.com.br; Fundadora e Administradora da página Transexualismo da Depressão; Membro da ANTRA – Articulação Nacional de Travestis e Transexuais; Membro do FPTT – Fórum Paulista de Travestis e Transexuais; Membro da ABRAT – Associação Brasileira de Transgêneros.

Janete Peixoto – Gerente do CTA Itaim Paulista.

Comissão Suprapartidária LGBT– Coletivo Militante.

Cássia Barbosa Reis – Professora-doutora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Enfermeira (Coren/MS 50.816).

Prof. Dr. Emerson Inácio – Área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa - Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH - Universidade de São Paulo USP.

Marcio Caetano – Professor-Doutor da Universidade Federal do Rio Grande – UFRG; Pesquisador do CNPq; Integrante da Direção da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura,  ABEH.

Isaque Criscuolo – Jornalista, ativista e blogueiro. Representa o blog O Quarto.

Luth Laporta, orgulhosamente gay, estudante de Serviço Social, constrói a Assembléia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL) e é militante da Cia. Revolucionária Triângulo Rosa.

Bruno Martins Soares – Mestrando em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Paul Beppler – Bacharel/B.A in International Relations (BYU/USA/1988), Software Localizer/PM em Informática (WordPerfect Corp./Microsoft Corp./RIOLINGO/Tradutor Freelancer); Ativista independente (GAY/LGBT/Deutschbrasilianer), Membro Honorário do Grupo Gay da Bahia (2013).

Fátima Tardelli, militante feminista e pelos Direitos Humanos; Editora do Subjudice.net; Membra da Liga Humanista Secular e Editora do Bule Voador.

Maria Auxiliadora G. P. Ferreira, integrante do Grupo “Mães pela Igualdade”; Assistente Social; Militante LGBT Independente.

Júlio Marinho, Militante LGBT; Autor do Blog Nossos Tons e Colaborador do Portal Gay1.

Hailey Kaas, Ativista Transfeminista.

Luis Arruda – Militante Independente. Advogado. Ex-colaborador do All Out. Um dos administradores do Grupo Ato Anti-Homofobia.

Leda Beck – Jornalista, escritora.

Majú Giorgi, integrante do Grupo Mães pela Igualdade; Colunista no IGay e no Todos Iguais; Moderadora no Grupo Todos Contra a Homofobia, a Lesbofobia e a Transfobia.

Profa Dra. Ana Cristina Nascimento Givigi
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Coordenadora do Núcleo de Gênero, Diversidade Sexual e Educação da UFRB. Coordenadora do Núcleo Capitu Pesquisa e Estudos em Gênero e Sexualidade.

Leandro Colling, professor-doutor da Univesidade Federal da Bahia, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura.

Manoel Antonio Ballester Zanini, militante LGBT da ONG ABCDs e Coordenador-Geral da Parada de São Paulo, de 2008 a 2010.

Alexandre Bogas Fraga - Ativista Gay, Conselheiro Fiscal ADEH Associação em Defesa de Direitos Humanos, Secretario Adjunto Regional Sul da ABGLT, Administrador, Pós-Graduado em Tecnologia da Informação.

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A eleição no Senado e as lições da conjuntura ou Textos que justificam tudo: O governismo de direita

O artigo do mestrando da USP Antônio David, publicado pelo Vi o Mundo e do qual seleciono parte que posto a seguir é emblemático para entender como o PT abandonou todas as usas bandeiras históricas e hoje luta apenas para remediar algumas mazelas - e em muitos casos porcamente.

Não há ideologia mais por detrás, apenas a conformidade com o capitalismo em doses liberais e neoliberais. Tudo que diferencia o PT do PSDB, hoje, é o sucesso das medidas que, em muitos casos, são semelhantes. O PT apenas soube aplicar melhor medidas criadas e idealizadas pelo PSDB e se beneficiou da incapacidade da oposição se recriar, da incapacidade da oposição denunciar crimes que, afinal, cometia e comete quando consegue uma parte do poder.

O PT encontrou terreno livre para re-aplicar as teses do PSDB, mas não encontrou a oposição que, por exemplo, fazia.
Qual é o problema? O problema é que criticar a política de alianças do PT é fácil, sobretudo quando a crítica é no varejo. É fácil criticar o apoio a Renan na eleição. Qualquer um critica. O problema é que crítica séria tem de ser no atacado, ou seja, o problema não é apoio, eleição, mas a estratégia do PT. E aí a coisa complica. Porque a estratégia que prevê alianças com a direita, que fortalece o agronegócio, que financia a imprensa golpista com publicidade etc., é a mesma que está aumentando o emprego e a massa salarial, diminuindo a pobreza e a desigualdade, viabilizando a expansão do ensino, cotas nas universidades etc.
É possível jogar fora alianças com a direita, e seguir avançando? É possível jogar fora a “governabilidade”, e seguir avançando? É possível corrigir os erros, mudar tudo o que tem de atraso na política do governo, e seguir avançando no que tem de bom, sem “governabilidade”, sem maioria no Congresso?
Para a esquerda, essa é a questão central, ou uma das questões centrais. Não tenho resposta pronta no bolso. O que eu sei é que não dá para se acomodar, como se a estratégia de conciliação e de composição fosse boa, como também não dá para dar uma resposta simplista, como uma parte da esquerda faz.
Realmente, é fácil criticar o fato do PT apoiar um bandido e inimigo histórico do partido e dos trabalhadores com entusiasmo e pregando que ele "mudou", que é um cara legal, comprometido e decente. Manter a ética e a coerência é, de fato, fácil.

Mas mais fácil ainda é fechar os olhos, se embrenhar no fanatismo e chamar todos os picaretas inimigos históricos de "companheiros" se estes pagarem o preço correto.

Para alguns - em especial o NeoPT - caráter e ideologia são algo desimportante, mas para muitos, para a esquerda, ainda vale alguma coisa.

"a estratégia que prevê alianças com a direita, que fortalece o agronegócio, que financia a imprensa golpista com publicidade etc., é a mesma que está aumentando o emprego e a massa salarial, diminuindo a pobreza e a desigualdade, viabilizando a expansão do ensino, cotas nas universidades etc."
Pois é. Em suma, o PT está disposto a apoiar o agronegócio, apoiar a medievalização do país, defender o extermínio dos povos indígenas, abusar dos direitos humanos, privatizar tudo o que puderem em troca de... emprego?

Vamos garantir os maiores lucros históricos aos bancos e empresários em troca de salários e uma classe média que não chega a ganhar 300 reais? Vamos diminuir a pobreza e a desigualdade garantindo que os ricos ganhem mais? E, pior, falamos em "expansão" do ensino sem questionar a qualidade deste ensino?

 O PT e seus militantes entraram na fase do "é ruim, mas tem". E a isto chamam de "avanço".
Renan é sujo igual a todos os outros – inclusive o outro candidato – mas a diferença é que todo mundo (inclusive a classe média) sabe que Renan é sujo.
Como o candidato do governo foi um candidato descaradamente sujo, a oposição aproveitou a oportunidade para posar de preocupada com a Ética e a moralidade pública. A imprensa ajudou, e eles de certa forma conseguiram o que queriam. O que eles queriam não era ganhar a eleição. O objetivo era alimentar, na classe média, a ideia de que eles são éticos, preocupados com a moralidade. E de fato saíram com pontos positivos junto à classe média. Graças a Deus, o povo não se preocupa com eleição de presidente do Senado.
O argumento aqui é basicamente, "apoiamos um bandido sujo, mas... GRAÇAS A DEUS o povo não se preocupa com isso". Tudo podemos enquanto o povo continaur amortecido na TV que fingimos odiar, mas financiamos.

Há forma mais direta de justificar safadeza do que isso?

Não vou perder meu tempo com os ataques ao PSOL do fim do texto porque não me interessam, mas o texto além de ser uma defesa intransigente do "fazemos o que queremos porque o povo não se importa" denuncia claramente que o PT busca avidamente trocar suas bandeiras históricas por emprego, salários baixos, consumo e educação de qualidade duvidosa.

Tudo que pode para contentar as classes mais baixas com um "cala boca" paliativo enquanto administra e garante as riquezas do andar de cima. Não há nenhum teor emancipatório, apenas a justificativa de alianças com figuras sujas e nefastas através de migalhas dadas ao povo.

E sim, são migalhas, porque se o PT resolvesse governar com o povo, estatizar, realizar a reforma agrária, defendesse os direitos humanos e combatesse os corruptos dentro e fora de suas estruturas nós teríamos condições melhores no país como um todo. Mais emprego, mais salário, educação de qualidade...

Mas não interessa pois é mais difícil e poderia dificultar o culto perfeito à personalidade do deus Lula.

O texto, porém, tem um mérito. Ataca de graça o PSOL ao final porque sabe que, assim, irá angariar o apoio dos fanáticos governistas que passarão mais tempo xingando o partido do que raciocinando (sic) sobre o próprio PT e o conteúdo do texto. Coisa de gênio.
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Marta, PT e o fundamentalismo no senado

Marta deixou o senado para assumir a pasta da Cultura. Comemoremos a queda de Ana de Hollanda - ainda que talvez seja tarde para consertar o que ela destruíu -, mas não há o que comemorar com a chegada de Marta. E dou as razões.

Marta teve, em sua gestão como prefeita, uma política cultural elogiada, mas não pela capacidade dela na área e sim por ter um grupo de ótimos assessores. Sim, é fato que ela pode se cercar de gente certa no ministério, mas a gestão cultural de um país não é a mesma de uma cidade. Mas este primeiro ponto pode-  e espero - nem ser um grande problema.

Marta, porém, foi nomeada como um toma-lá-dá-cá pelo apoio dado ao Haddad, e não importa o quanto negue, não somos imbecis ao ponto de acreditar que ela tenha sido convencida a apoiar Haddad de graça e que nem uma semana depois de entrar na campanha o minsitério tenha ficado vago. Não nos esqueçamos que Marta foi chamada até de tucana (serrista, no caso) por petistas fanáticos quando se recusou a apoiar Haddad - mesmo destino de Erundina, que não aceitou ser vice numa chapa com Maluf.

Não bastasse essa nomeação que foi mais um prêmio que realente a tentativa de consertar o ministério, fica o restro da Marta no Senado: assume eu seu lugar o candidato do PR, Antônio Carlos rodrigues, um homofóbico de direita que pode destruir de vez o PLC122 (que jão não era grande coisa nas mãos da Marta) e que será mais um crápula a ser contentado pelas benesses do dinheiro público para votar com o governo (não que uma figura dessas precise de muito para votar por projetos ruralistas, religiosos e afins).

Oras, porque Marta, eleita senadora, pode dar feliz e alegre seu lugar a um suplente homofóbico de direita e fica por isso mesmo?
Mas claro, o problema em si não é deixar o cargo e sim deixar o cargo para quem possa ser ideologicamente oposto. Na política de alianças atual, ideologia não importa e sim poder.

A política de alianças do PT nos levou a chegar a um ponto em que o suplente de uma senadora que bem ou mal se diz de esquerda, é diametralmente oposto a ela em todos os sentidos.
Ligado a 22 paróquias da Igreja Católica na zona sul, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), suplente que vai assumir a vaga de Marta Suplicy (PT) no Senado, é contra o casamento gay e o aborto. "Vou seguir sempre as posições da Igreja Católica nas votações. Para mim homem é homem e mulher é mulher. Também sou contrário ao aborto e à eutanásia", afirmou nesta quarta-feira o vereador paulistano, após uma sessão na Câmara Municipal marcada pelas homenagens dos colegas ao novo senador por São Paulo.

Para mim, político que diz que vai seguir posições de religião ou grupo religioso deveria perder imediatamente o cargo. Mas estamos no Brasil, onde o Estado Laico é apenas uma piada e uma "chateação" quase insignificante no caminho dos fundamentalistas - quase todos aliados do PT.

Para piorar o novo senador Rodrigues e seu PR apoiaram (apoiam) Serra na candidatura a prefeito contra o candidato do PT! Isso denunciar de forma claríssima não apenas o modelo político brasileiro que permite alianças sem absolutamente qualquer ideologia, mas especialmente o PT e sua política totalmente nonsense de alianças. Ou melhor, há um sentido, o do puro e simples poder, custe o que custar.
Não surpreende, por exemplo, os ataques de petistas à candidatura de Russomano que, aliado da Universal e da Record, é também aliado do governo federal (ele, a Record e a Universal). E, novamente, não surpreenderá a ninguém que, ganhando o PT ou o PRB, ambos estarão no governo da cidade de São Paulo - assim como provavelmente o PR que, hoje, apoia Serra e o PSD, do ex-neo-companheiro Kassab.

É possível que a Marta seja uma boa ministra? Sim. Mas é impossível que um homofóbico fundamentalista como o Rodrigues seja um bom senador. E, hoje, é (parece) impossível  ter esperanças na política brasileira.

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Atualização: Aparentemente o Rodrigues não assumirá a vaga no Senado. Felizmente. Por pior que seja sua ideologia, ao menos preferiu responder a seus eleitores que deixá-los por outro cargo.
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domingo, 3 de outubro de 2010

Netinho de Paula, o espancador arrependido (?)

Eu não preciso de mais motivos para NÃO votar em Netinho, mas ele teima em sempre me arranjar mais e mais.

Não bastou ter espancado a mulher, nem mesmo ter espancado um apresentador do programa Pânico - Vesgo -, Netinho parece achar que eles mereceram. Pobre coitado, foi uma vítima. Aparentemente esta figura ainda bateu em outra mulher, uma funcionária da VASP, em 2001.

É este tipo que queremos no Senado?

Na época do espancamento de sua mulher, Netinho já havia se feito de vítima:
O apresentador do Domingo da Gente, da Record, Netinho de Paula, 34 anos, admitiu ter batido na mulher, Sandra Crunfi, 36, depois de uma discussão na quarta-feira 2 na casa onde vivem, em Alphaville. Os dois nunca foram casados, apesar de dividirem o mesmo teto há dois anos. Amigos contaram que Netinho queria a separação sem repartir bens.
Sandra, com vários hematomas nos olhos, registrou queixa na delegacia. “De repente, eu virei o pior homem do mundo”, disse ele.
Realmente, pobre coitado. Um homem maravilhoso que "apenas" espancou uma mulher, que merecia!

Aparentemente a mulher de Netinho, Sandra, o havia traído. Claro que esta é uma bela razão para um espancamento! Corrigir um erro com outro MUITO pior é realmente uma forma decente de resolver as coisas. Pena que isto seja crime.Infelizmente a Lei Maria da Penha só passou a valer um ano depois de seu crime (ele espancou a mulher em 2005 e a lei passou a valer em 2006) mas, por ser famoso, dificilmente sofreria qualquer coisa. Que o diga a vítima do goleiro Bruno, Eliza Samudio.

Mas a política é uma coisa engraçada. Interesses passam por cima de tudo. Vejam o que dizem as feministas do PCdoB, seu partido:
Netinho já fez profunda autocrítica de seu ato. Publicamente pediu “perdão a todas as mulheres brasileiras” por seu ato, que considerou injustificável. Reconheceu que cometeu um erro e que nada justifica a violência contra a mulher. Convidou para seu programa de estréia no SBT, o Show da Gente , em 9 de maio do ano passado, a companheira Maria da Penha, que deu nome à lei de combate à violência contra a mulher.[...] Nós, mulheres que temos uma longa trajetória de luta em defesa dos direitos femininos e contra a violência doméstica, votamos em Netinho porque ele teve coragem e dignidade para mudar. E com esta atitude clara e transparente presta um imenso serviço à causa do combate a violência contra a mulher.

Vamos então exigir apenas "autocrítica" dos espancadores. Pra que Maria da Penha se todos podem apenas se desculpar? "Apenas" metade dos que espancam suas mulheres são reincidentes, não é mesmo?

Alguns comentários que leio por aí são interessantes quando toco no assunto. Alguns me perguntam se ele terá de pagar eternamente pelo erro, se ele deve ser punido eternamente...

Me desulpem mas... punido? Pagar? O que ele pagou? Onde e quando ele foi punido? Uma vaga no Senado é punição? Só se for, porque não me recordo dele ter passado uma noite sequer na cadeia, lugar para onde TODOS os que espancam mulheres deveriam ir.

Depois que ele cumprir sua pena aí sim podemos falar em perdão.

Não importa se ele supostamente não reincidiu. Um assassino só vai preso se matar duas pessoas? A primeira não vale? E não me venham com "você está exagerando", porque espancar mulheres não é crime menor, não é uma besteira qualquer. É crime grave.

E graças à política, alguns tentam fingir que não é nada. Tentam diminuir a força do crime, o significado. Justificar o injustificável. "Pedir perdão" é parte do processo, é louvável .Reconhecer o erro é importante. Mas cumprir a pena também. O que Netinho pagou? Ele ganhou um programa de TV e agora uma cadeira no Senado.

E, para os que falam que ele genuinamente se arrependeu, atenção:
O candidato do PCdoB ao Senado por São Paulo, Netinho de Paula, repetiu neste domingo (26) o mesmo discurso que fez há um mês durante um culto na igreja evangélica Assembleia de Deus, em que disse se arrepender de ter agredido sua ex-mulher em 2005.
Acompanhado do candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, Netinho participou neste domingo de um encontro das mulheres evangélicas da Assembléia de Deus, na região central de São Paulo. Os candidatos foram apresentados aos membros da igreja pelo vereador Carlos Apolinário (DEM), que apoia as candidaturas.
Ao receber o microfone, Netinho disse que não iria aproveitar o espaço para falar de política. "Eu vivia uma vida de sucesso, dinheiro, glamour e em função de uma traição eu perdi a moral. Perdi a calma e agredi a minha mulher. Fui à TV, admiti o que fiz, pedi perdão e esse povo de Deus sempre dizia que orava por mim. Tudo o que eu for fazer daqui para a frente vou colocar Deus na frente", disse, antes de ser calorosamente aplaudido.
O que podemos tirar daí?

Em primeiro lugar tenho ainda mais certeza de que jamais darei meu voto ao Netinho pois não voto em quem "coloca deus na frente". O Estado é laico. "deus" não interessa para o Estado, não pode ter influências sobre o Estado.

E, em segundo lugar, Netinho realmente se arrependeu? "em função de uma traição eu perdi a moral. Perdi a calma e agredi a minha mulher." Então está tudo bem? Ele foi supostamente traído, perdeu a moral (sic) e tá valendo meter a mão na mulher?

Mas ele foi na TV e admitiu... Que graça, será que um zé ninguém, sem acesso aos meios de comunicação e sem dinheiro teria a mesma sorte?

Aparentemente Netinho entrou em acordo com a mulher, pagou alguma grana e pronto. Se fosse pobre o desfecho seria igual?

Mas independentemente disto tudo, Netinho realmente se arrependeu ou acredita que a "traição" e a perda de sua "moral" justificaram seus atos? O arrependimento da figura se deu pelo ato ou simplesmente por ter perdido a calma?

Engraçado como a mulher dele foi simplesmente esquecida em toda essa história, e como se pagar uma multa, pagar o valor de um acordo fosse o suficiente para tornar alguém decente. Belo capitalismo que acredita que o dinheiro pode comprar tudo, até mesmo a inocência. E Netinho, vejam só, é Comunista (sic)!


Mas de uma coisa apenas eu tenho certeza: Netinho jamais terá meu voto. Votar nele porque supostamente a alternativa é "pior" não cola. Fosse um assassino confesso, um pedófilo, seria ainda melhor que a opção? Há quem acredite que sim.

Uma figura que espancou duas mulheres, pagou às duas pelo silêncio e depois espancou um apresentador de programa humorístico não tem a capacidade de ser um Senador.

Pagar uma multa não muda o caráter de uma pessoa.

Termino com as sábias palavras de uma feminista:
Com o lance do Netinho. Saiu um manifesto feminista (?) apoiando o cara. Um manifesto de todo patético e que recoloca a maneira como temos tratado a questão. Em determinado momento, diz o seguinte. Ele se arrependeu, pediu desculpas, o que mais podemos querer? Eu não sei se podemos querer coisas. Mas eu queria, sinceramente, que ele não se tornasse senador com endosso do movimento. Desculpas, o Dado também pediu. Na esfera privada, ele pode tudo. Casar outra vez, fazer terapia e se tornar um novo homem. Na esfera pública, ele pode um monte de coisas também. Menos ser representante feminista. Ou melhor. Ele pode ser representante feminista. Mas desde que faça algo pra merecer isso. Pedir desculpa está longe de ser suficiente.A Zuleika Alembert relata algumas coisas sobre a dupla militância dela no partido comunista. Ela faz um retrato bastante sincero do que era debater feminismo dentro da organização. Conta coisas cotidianas. Tipo que às mulheres era designado passar um cafezinho mesmo no meio das discussões. Para mim, essas mulheres que assinaram o manifesto continuam passando cafezinho. Primeiro por endossar uma candidatura com base nesse argumento de "pediu desculpas". Fizemos uma lei, hein? Para evitar que pedidos de desculpas eliminassem a responsabilidade. Que era o grande problema dos processos referentes a violência doméstica. Os agressores serem perdoados. Pelas esposas, pelas filhas, pelas vizinhas e pelas feministas do PC do B. Mas antes, essas mulheres já tinham passado um cafezinho. Porque ele é o candidato, né? Quer dizer que não teve feminista porra nenhuma nas reuniões do partido que definem candidaturas. Ele é candidato porque as feministas se omitiram e deve ser eleito com o endosso delas. É de cagar, sinceramente. E pelo visto, muito mais gente está disposta a atropelar a nossa agenda em prol de interesses partidários. No caso, nem vejo como o PT se beneficia tanto. Quem mais se beneficia mesmo é o PC do B. Não faria grande falta pra base da Dilma e seria um grande feito pra um movimento que vê a sua bandeira (violência doméstica) ser continuamente menosprezada no plano simbólico. Então eu não acho que é somente escolher se é a hora do partido ou a hora do movimento. Acho que se trata de pensar no significado mesmo. Há muita sinalização recente de que agredir mulheres não seria tão grave e poderia ser revertido com arrependimento. Não é onde eu achei que estaríamos em 2010. Mas é onde estamos. Daí que temos que vigiar a bandeira ué.

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sábado, 25 de setembro de 2010

PSOL e Paim juntos: A superação do sectarismo? [Update]

A decisão do PSOL do Rio Grande do Sul, de abrir mão de uma de suas candidaturas ao Senado e passar a apoiar o petista Paulo Paim caiu como uma bomba.

Sai o Professor Carlos Lucas (MES/PSOL) e permanece Berna (CST/PSOL, próximos ao PSTU). Pairam dúvidas sobre se Berna apoiará Paim ou puxará votos para o PSTU. Aparentemente a decisão da Executiva do PSOL/RS não foi unânime e há descontentes.
Assim sendo, nosso partido, coerente com sua história e programa, comunica a decisão de retirar a candidatura do Companheiro Luiz Carlos Lucas, em perfeita consonância com a vontade individual deste militante, recomendando o segundo voto ao Senado em Paulo Paim.

Seguimos nosso perfil, como Partido Socialista e necessário, preservando nossa independência, reforçando o chamado à militância para eleger Pedro Ruas governador, Berna Menezes para o Senado na reta final de campanha.
De um lado, é um acréscimo importante e significativo à campanha do Paim, um excelente senador e que, segundo a própria Luciana Genro, defende muitas das bandeiras do PSOL - e, além disto, aparentemente aceitou um acordo de três pontos com o PSOL relacionados à questões previdenciárias, um dos estopins da expulsão dos "radicais" do PT e formação do PSOL -, de outro, uma demonstração de maturidade política que, pessoalmente, eu jamais acreditaria poder vir do MES.

Claro, podemos mais pra frente descobrir que houve, na verdade, uma negociata, troca de cargos e favores, mas pelo que temos hoje, não podemos chegar a esta conclusão.
Preocupados com as pesquisas que tem indicado a possibilidade de Ana Amélia Lemos (PP) e Germano Rigotto (PMDB) serem os dois candidatos eleitos, Paim e PSOL vinham conversando nos últimos dias sobre a possibilidade que agora se concretiza.
O PSOL resolveu apoiar Paim para que, junto com Luciana Genro, candidata do partido a deputada federal, o senador possa defender três pontos fundamentais: o fim do fator previdenciário, o reajuste das aposentadorias vinculado ao salário mínimo, e propostas contrárias aos “futuros ataques à previdência”, que, segundo o partido, se avizinham com as discussões sobre a reforma previdenciária.
A decisão foi tomada com votação na diretoria, hoje pela manhã, e decidida com 10 votos favoráveis e um contrário. Pedro Ruas, candidato do PSOL ao Piratini, anunciou a decisão, ressaltando que, apesar de algumas divergências com Paim, “nessa circunstância, com as candidaturas da direita ameaçando tomar um mandato que nós consideramos importante, e com o apoio e a total concordância do professor Lucas, resolvemos chamar o segundo voto do PSOL para o senador Paulo Paim”.
A decisão demonstra um profundo amadurecimento, e vem de uma das tendências mais desconectadas com os princípios do PSOL. É, sem dúvida, uma bela notícia. Ao invés do sectarismo que muitos acusam o PSOL de ter/ser bastião, uma atitude solidária que apenas fortalece a esquerda brasileira.

Mas o ponto mais importante da decisão talvez seja não só a superação do sectarismo de algumas alas do PSOL, mas a lição que o partido dá nos que acusam sua totalidadede um sectarismo que caberia melhor no PCO. Muitos acusam o PSOL de absurdos inaceitáveis, até mesmo de jogo da direita e, neste momento, a lição foi dada, e de forma magistral.

No Twitter li diversas reações. A maioria favorável à decisão do partido, mas muitos revoltados, inconformados com a decisão de apoiar um partido que chamam de traidor. Um sectarismo grotesco.
Claro, acredito que não é o momento para ufanismos deslocados. Se por um lado é acertada a decisão de buscar reaproximar a Esquerda, por outro ainda precisamos saber de todos os detalhes da decisão. Do que foi negociado. Do que está efetivamente por trás do acordo.

Acredito que a decisão possa ser debatida, discutida e questionada. É legítimo. Mas outra coisa é o sectarismo que defende um pseudo-purismo de candidaturas. Um purismo, aliás, que impediu até mesmo uma aliança entre as esquerdas (PSOL, PCB e PSTU).

Seriam justos argumentos tais como o de que não seria o momento para tal aliança, ou mesmo de que Paim não representaria bem as bandeiras do PSOL, mas outra coisa é o ataque nonsense, é deixar de bandeja uma importante vaga no Senado nas mãos de Ana Amélia ou Rigotto.

O PSOL teve a compreensão de que, mesmo não sendo absolutamente ideal apoiar o PT, que é sim possível negociar acordos de possibilidades e abrir mão do sectarismo e do purismo e pensar no que pode ser melhor para os trabalhadores, para o estado e para o país. Se a reclamação de alguns de que Paim não é perfeito, o melhor, sem dúvida não irão discordar que as opções possíveis existentes são ainda piores.

Agora resta apenas esperar para ver qual será a reação da militância como um todo quando a notícia se espalhar e se resultará em alguma mudança nas urnas em favor do Paim.
Ao ser questionado se as críticas do PSol contra o PT e a candidatura de Tarso Genro vão ser mantidas, o presidente do PSol afirmou que "nada muda". De acordo com Roberto Robaina, a solidariedade a Paim se dá através de um encontro de divergências que o PSol e o candidato têm com relação, inclusive, a práticas do PT. O PSol ainda não definiu se vai ceder os espaços de rádio e TV ao petista. Em nota à imprensa, uma minoria de correligionários do PSol se mostrou contrária à decisão.
Mas o saldo positivo está claro, a superação da infantil birra entre PT e PSOL que, embora sejam efetivamente diferentes, podem encontrar pontos em comum se assim buscarem. O sectarismo exacerbado não leva a lugar algum e apenas facilita para a direita a entrada no parlamento e o fortalecimento de suas posições.

Seria ideal que outros partidos de esquerda dessem passos semelhantes, buscando acordos sérios que aproximassem as bases e viabilizassem acordos contra a ascensão da direita em alguns estados. De forma alguma as diferenças entre os partidos seria anulada, mas seria possível a construção de bases mais sólidas de diálogo e aproximaria as esquerdas, propiciando futuros diálogos.

Mas algo que não podemos esquecer é que gestos como este do PSOL não podem nem serão corriqueiros. Abrir mão de uma candidatura não é algo que se faça apenas por boa vontade, mas apenas depois de profunda reflexão e comprometimento de ambas as partes.
Alguns já começaram a criticar o PSOL por ter tomado esta decisão no RS, mas não apoiar o Lindberg no Rio. São situações totalmente diferentes. Lindberg não tem um décimo da história de Paim, apenas para evitar ir muito além nas críticas quanto ao caráter do primeiro e suas alianças.

Esta decisão foi inédita e é absolutamente política. Não virou oba-oba.

O PSOL, porém, permanece como um partido visivelmente dividido e contraditório. Mas deu um passo tremendo no caminho de uma composição real de esquerdas e demonstrou profundo respeito pelo eleitor, pelo povo.
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Update:

O PSOL do Ceará chiou da decisão. Os pontos alencadosm enfim, são válidos. E agora?
Nota da Executiva Estadual do PSOL CE
 
O PSOL Ceará manifesta seu desacordo com a posição política da Executiva do PSOL Rio Grande do Sul relacionada à disputa do Senado. Retirar uma das candidaturas ao Senado para apoiar a reeleição de Paulo Paim do PT é desrespeitar nossas resoluções da conferencia eleitoral e do estatuto.
O documento apresentado pela III Conferência Eleitoral do PSOL declara que: “...A conjuntura atual, em cenário de falsas polarizações políticas para enganar o povo brasileiro, impõe a necessidade de se construir a unidade na esquerda socialista...” e logo adiante delimita esta esquerda no campo partidário: “ ...O PSOL conclama à unidade e à disposição necessária para se construir uma Frente de Esquerda como na exitosa unidade conquistada nas eleições de 2006 com o PSTU e PCB, e buscando os movimentos sociais e ecológicos autênticos...”.  Nosso programa esclarece em que campo político se localiza esta Frente de Esquerda, ao pautar a independência política da classe trabalhadora.
As chapas apresentadas pelo PT nessas eleições  representam o governo de coalizão de Lula, e, portanto a candidatura Paim expressa os compromissos com o projeto de desigualdade social, concentração de renda e enriquecimento das elites políticas e econômicas. Paulo Paim é favorável à transposição do rio São Francisco e apresentou voto favorável à liberação dos transgênicos. Em 2003, votou a favor da reforma da Previdência, a mesma que motivou a ruptura e expulsão de diversos militantes petistas que agora encontram-se no PSOL. Votar Paim é enfraquecer o PSOL e nossas candidaturas, sobretudo ao do nosso valoroso camarada Plínio de Arruda.
O PSOL deve manter a sua posição de completa independência e oposição ao governo federal. Devemos ser uma alternativa de esquerda à política vigente no país. Portanto, não devemos submeter nosso partido a nenhuma aliança, seja formal ou branca, a nenhum candidato ou partido que não esteja comprometido com o programa da esquerda socialista e democrática. Logo, reinvidicamos que a Executiva Nacional do Partido se manifeste para vetar tanto a iniciativa já criticada no Rio Grande do Sul, mas também o apoio informal ao PTB no Amapá.
Fortaleza - CE, 27 de setembro de 2010


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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cacique Cobra Coral no Senado [Update]

Não tenho como objetivo discutir a seriedade ou não da Fundação Cobra Coral (ver notícia no final da postagem).

De família espírita que sou - mas ateu - devo, no mínimo, respeitar a instituição, mas o que não posso é aceitar a falta de noção, de decência, respeito e de tino político da DemoTucanalhada ao convocar para depor ou dar explicações sobre o blecaute da semana passada tal instituição.

Em primeiro lugar salta aos olhos a indecência de convocar uma entidade religiosa para qualquer coisa que seja dentro de uma casa pública, do Senado Federal. O Brasil é laico, as explicações e análises de entidades religiosas não valem de nada - ou não deveriam valer - enquanto para que alguma explicação seja dada ou análise seja feita, estas instituições se valham de artifícios não científicos ou de cunho religioso, se valendo da fé.


Com todo respeito que ainda tenho por organizações próximas do espiritismo, não posso deixar de concordar com o governo ao não se preocupar com qualquer mensagem vinda de uma psicografia ou de qualquer instituição religiosa que diga prever o futuro - por mais que alguns acreditem nisso.

Mas, na verdade, o grande problema é o segundo ponto, o do aberto e canalha desrespeito por parte da DemoTucanada por uma organização religiosa. Convocar uma entidade deste cunho para protestar contra o governo significa denunciar o grau de desespero e despreparo da oposição (sic, pois oposição deve saber ao que se opõe, os DemoTucanos parecem não fazer idéia, só atiram para onde apontam) e o nível de desrespeito a que chegam ao convocar uma organização séria - para seus seguidores ao menos - apenas para fazer papel de ridícula e servir a um show midiático infame da dita oposição.

O desrespeito, o ataque, é contra a instituição, contra o governo e, obviamente, contra o país que quer ver esclarecida a questão do blecaute - que qualquer pessoa com discernimento compreende como um evento imprevisível e que simplesmente aconteceu, diferente do apagão de FHC e da piada do racionamento - e não um circo.

Já basta que os parlamentares ganhem absurdos para trabalhar 3 dias por semana, que ganhem para viajar à turismo para onde quiserem e ainda de quebra levarem suas famílias e já basta das falcatruas, roubalheiras e corrupção endêmicas no mundo política, não precisamos de mais piadas, de mais circo e de mais desrespeito.

Entidade esotérica diz ter alertado governo sobre blecaute

MELINA CARDOSO
colaboração para a Folha Online
O requerimento da oposição que convida os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Edison Lobão (Minas e Energia) para explicar as causas do apagão na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado se estendeu a uma entidade esotérica: a Fundação Cobra Coral.
Em seu site na internet, a fundação diz "intervir nos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza". Explica também ter uma médium que incorpora o "espírito e mentor Cacique Cobra Coral" --que já teria sido de Galileu Galilei e Abraham Lincoln. A oposição pediu a presença do representante da Cobra Coral como forma de protesto contra o governo.
Segundo o diretor de assuntos corporativos e governamentais da Fundação Cobra Coral, Osmar Santos, a entidade já sabia do blecaute --que atingiu 18 estados do país no dia 10 de novembro-- desde janeiro do ano passado.
"Em 2008 encaminhamos um relatório para o ministério [Minas e Energia] com linguagem técnica alertando para o apagão, mas não houve nenhuma manifestação em relação a este alerta da Fundação", explica Osmar Santos
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Update:

Caiu por terra a piada de convocar a entidade espírita (com trocadilhos) para "depor" no Senado.
 "O convite era um protesto pela maneira com que o governo debochava do Senado ao convocar tantas autoridades", disse Virgílio. O tucano chegou a trocar farpas com o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que também havia apresentado requerimento para retirar o convite à Fundação Cobra Coral.
A forma encontrada pelo Grande Inútil de protestar foi fazendo pouco caso de uma instituição que muitos consideram séria, de uma determinada posição religiosa e do senado como um todo, enfim, do Brasil.

Protestar com nosso dinheiro é extremamente fácil, melhor seria se o nobre senador protestasse com o dinheiro que vem apenas de seu bolso e não fizesse o Brasil perder tempo com seus melindres e tosquices.

Mais um episódio lamentável nas costas do Senado Brasileiro.

Mas vale uma nota, também, sobre o Senador Marcelo Crivella (vergonha de ser brasileiro de termos um ladr.... Bispo no Senado à mando da IURD), que demonstrou extremo preconceito religioso em todo este episódio. Não se pôs contra o convite à instituição de caráter espírita pela convocação ser um protesto imbecil e sim por ter enormes preconceitos contra o que não signifique lavagem de dinheiro de sua própria instituição religiosa (sic). O resto que fique com o capeta.

A participação do "vidente" foi a maneira encontrada pela oposição para protestar contra a audiência conjunta. Em seu site na internet, a Fundação Cacique Cobra Coral se apresenta como uma entidade criada para "intervir nos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza".
Com o meu, o NOSSO dinheiro, é muito fácil protestar.

Realmente, vejam como os nobres (sic) parlamentares se preocupam com o povo brasileiro.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sim, nós temos poder!

Esta notícia veiculada ontem pelo Estadão sobre os projetos de lei do Senador Azeredo (conhecidos popularmente como AI 5 Digital) demonstram dois fatos curiosos e de máxima importância.

Primeiro, a de que é necessária vigilância constante contra os vigilantes, e não há qualquer paradoxo. É preciso vigiar e, se possível, punir nas urnas, com o ostracismo merecido, a estes crápulas que buscam censurar a internet, nosso direito de nos expressar livremente, nossa liberdade.

E, segundo, a de que nós temos força. MUITA força! Vejam o parágrafo:
"A pressão da sociedade foi tão grande, com abaixo assinado feito por 140 mil pessoas, que o Projeto de Lei 84/1999, já aprovado no Senado, perdeu força política para ser aprovado na Câmara."
Estes, meus amigos, somos nós, que lutamos dia-após-dia contra a censura, pelo Mega Não!

Mostramos nossa força, nossa vontade de sermos livres, de não sermos censurados por um dinossauro que sequer sabe diferenciar um blog de um twitter, que confunde TV aberta com youtube e acredita que será possível dar "direito de resposta" a cada político corrupto que se sentir ofendido pelo nosso direito de nos expressar livremente e chamá-los pelos seus verdadeiros nomes: Canalhas, corrupções, ladrões, borra-botas, safados, larápios....

A luta tem que continuar, a aprovação do projeto temerário para cadastrar usuários de Lan Houses passou no Senado, cabe à nós, novamente, pressionar pela não aprovação na Câmara dos Deputados. Façam pressão nos seus deputados, nos deputados dos outros ou nos deputados que você mais odeia e não permitam que mais um projeto de censura do Senador Azeredo passe adiante e vá contra nossa liberdade!

Nossa voz já foi e continuará a ser ouvida.

Temos de estar preparados para traições, como a do Senador Mercadante, que acabou compactuando com o AI 5 Digital e apoiou o projeto Azeredo, mas nunca desistir, cansar, deixar pra lá, é nosso futuro em jogo, o futuro da rede!

A dica para este pequeno post veio do @Caribe, vale à pena seguir este grande Cibermilitante no Twitter!

Mas, tocando na notícia em si, na ridícula proposta de cadastrar todo usuário de lan houses, vê-se a veia ditatorial do Senador Azeredo, sua vontade/necessidade de controle, de controlar a tudo e a todos. O projeto é um claro atentado contra a privacidade, contra a liberdade, enfim, censura pura e simples, típica de elementos saudosos da Ditadura, ou, na linguagem deles, da Ditabranda.

Democracia é apenas um cosmético, a idéia é controlar e fingir que tudo não passa de uma tentativa de garantir segurança ao povo. Na verdade, segurança para os políticos, dinossauros sem qualquer conhecimento da internet e que a temem mais do que um processo de cassação de mandato (afinal, invariavelmente escapam ajudados pelos seus comparsas).

E o senado (assim como a Câmara) é isso aí, um antro de corruptos que legislam para si e contra o povo, com raríssimas e cada vez mais escassas exceções.

No fim das contas, sim, nós temos força. O que nos falta é uma maior organização, maior coordenação de ações e pressão constante. Seremos ouvidos, seja por bem ou por mal.Não seremos censurados!

Identificação em lan houses não fere privacidade, diz Azeredo

Senador afirma que medida é complementar a outro projeto do qual é relator, conhecido como Lei Azeredo
Rodrigo Martins - estadao.com.br
São Paulo - O projeto de lei que obrigaria lan houses e cybercafés a guardarem por três anos informações pessoais dos usuários não fere a privacidade. A afirmação foi feita ao estadao.com.br pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Ele é relator do projeto aprovado hoje na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e que ainda falta ser aprovado na Câmara. Para ele, guardar nome, documento de identidade, dados do computador usado e tempo de permanência "é bom até para o dono da lan house ter mais controle."

Azeredo justifica o projeto como uma forma de investigar crimes virtuais. Ele afirma que "estatísticas mostram que 50% desses crimes são feitos a partir de lan houses". Entretanto, não apontou a fonte. Segundo ele, o projeto de lei aprovado hoje é um complemento a um outro projeto do qual também é relator e que causou polêmica a ponto até de o presidente Lula classificá-lo como "censura".


O Projeto de Lei (PL) 84/1999, conhecido informalmente como "Lei Azeredo", é descrito pelos defensores como uma forma de coibir crimes virtuais. Para tanto, seriam estabelecidas penalidades para quem roubasse informações pela internet e os provedores seriam obrigados a guardar informações de navegação dos usuários. Os críticos apontam que há brechas no texto que poderiam levar a punir com cadeia quem baixa músicas com proteção de direitos autorais e que dar poder aos provedores para obter informações do acesso dos internautas é um atentado à privacidade.

A pressão da sociedade foi tão grande, com abaixo assinado feito por 140 mil pessoas, que o Projeto de Lei 84/1999, já aprovado no Senado, perdeu força política para ser aprovado na Câmara.

Azeredo espera que "um dia", o (PL) 84/1999 seja aprovado. "Seria uma forma de complementar o projeto aprovado hoje. O governo se manifestou contra porque foi informado erroneamente sobre o outro projeto", afirma. Pela lógica do senador, quando se tem o nome, o RG e o computador usado por um usuário em determinado tempo, o que prevê o projeto aprovado no Senado hoje, é possível cruzar com as informações de acesso guardadas pelo provedor de internet, o que prevê o polêmico PL 84/1999. "Sem esses dois projetos aprovados, não haverá uma eficácia completa", conclui.

E isso não iria ferir a privacidade, ao direito de se navegar anonimamente pela internet? Azeredo diz que não. "Quando você vai a um hotel, eles já guardam as informações de quem acessou a internet em determinado período de tempo. O Estado de São Paulo já exige que as lan houses guardem o nome e o RG dos frequentadores. Essas informações poderão ser acessadas apenas mediante a uma ordem judicial."

Pelo projeto de lei aprovado hoje no Senado, o qual ainda será encaminhado à Câmara, as lan houses que não cumprirem a regra poderão sofrer sanções que variam de multa (de R$ 10 mil a R$ 100 mil) até perda do alvará de funcionamento.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O povo, realmente, não importa

O salário daquele pobre coitado que varre todo dias as ruas não chega à dois salários mínimos.

O salário de uma empregada doméstica, que todos os dias sai de sua casa humilde para ir até as ricas casas dos patrões, passando horas em um ônibus lotado, mal passa do salário mínimo.

Um carteiro ganha pouco mais de um salário mínimo para passar o dia inteiro debaixo do sol, andando e entregando cartas por kilômetros sem descanso. Todo dia.

A maior parte dos brasileiros sobrevive com salários ínfimos, um, dois salários mínimos ou até menos do que isto.

Em comum há o trabalho, o esforço, o sofrimento diário e as humilhações. A casa humilde, as horas perdidas no transporte, a falta de condições de se estudar e ter um lazer decente e dar a chance de seus filhos superarem a pobreza.

Estes - e mesmo os que estão acima, ganhando seus 4, 5 salários - são criminalizados em suas greves, em suas reivindicações e são forçados a lutar ano após ano para conseguir algum, qualquer aumento que lhes permita comprar o arroz que está mais caro, o feijão que está nas alturas... Se ganham 5, 10 reais de aumento, é uma vitória!

Esta é a realidade do que o PHA chama de "Chuiça", nosso querido e amado Brasil, do patriotismo forçado e dos políticos corruptos.

Mas, no mundo mágico dos políticos, esta realidade é só uma ilusão. O povo é feliz e deveria se contentar a não receber qualquer aumento, greve é um crime, trabalhar 3 ou 4 dias por semana é prerrogativa só dos parlamentares - afinal, eles tem que pegar um avião e visitar suas famílias em suas mansões, o pobre apenas tem que pegar um "busão" pra chegar até sua favela, se tiver casa pra morar! - e nada de reclamar que a inflação te impede de comprar comida pois as Casas Bahia parcelam aquela TV de plasma de última geração em 800 vezes com juros amigáveis de 80% ao mês!

Enfim, não há dúvida de que os políticos vivem em um mundo à parte. A declaração do Senador Marco Maciel demonstra o caráter corporativista e criminoso do parlamento:

"Consideramos justo que se promova a recomposição do subsídio dos ministros do STF, visto que o valor foi alterado pela última vez em 1º de janeiro de 2006, tendo sofrido, desde então, significativa depreciação em decorrência da inflação"
E, para piorar ainda mais, o Senador Wellington Salgado arremata:
"Toda vez que vem aumento dos deputados e senadores vira um problema enorme e nós não aprovamos. Parece que temos vergonha de aumentar nosso salário".
Destas declarações podemos extrair duras verdades. "Povo" só existe nas eleições. Político não tem qualquer comprometimento com nada nem ninguém, apenas com eles mesmos, com sua classe corrupta e venal.

Porque será que para os "nobres" ministros do STF - e também os "nobres" senadores - a inflação lhes corrói o salário mas, para o povo, é melhor aceitarem seus 0,1% de aumento? E isto porque houve greve e amplas manifestações! Sem reclama sequer receberiam 0,1% de aumento real!

O Senador Wellington Salgado, por outro lado, merecia ser preso. Não pode ser compatível com qualquer ética sua afirmação tosca de que parlamentar tem vergonha de aumentar seus salários. Político, na verdade, deveria ter vergonha de sê-lo. Não basta desviar verba, querem ganhar mais do que merecem às claras também! É a política do ganha-ganha. O povo, perde sempre.

O salário de Gilmar Mendes chegará, ano que vem, aos R$ 26.723,13. Qual a explicação para este disparate? O aumento equivale à quase 9%, coisa que o trabalhador comum não vê desde.... Bem, NUNCA viu na vida!

E tudo isto sem greves, sem reclamações... Tudo na mais comum normalidade política. é a máfia que controla nossas instituições e as corrói. Sem dúvida um Senador merece seus milhares de reais por mês, afinal, sem eles não teríamos as ruas limpas - Kassab que o diga! -, saúde de primeiro mundo, educação em excelentes escolas públicas, uma segurança de fazer inveja à Finlândia.... Realmente, é dinheiro público, dos NOSSOS impostos, bem alocados onde realmente interessa.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Patriotismo Fake Tupiniquim

No Brasil não temos saúde (SUS é piada de mal gosto na maioria das vezes), mas o governo dá "sua" solução: Nos força a ter plano de saúde (piada também na maioria das vezes e nas doenças mais sérias) ou então nos resta morrer na fila para um atendimeto;

No Brasil não temos educação (Escola pública é simplesmente uma lástima, os professores são mal pagos e não tem qualquer incentivo, as escolas são um lixo, caem aos pedaços) mas o governo basicamente nos força a ir para escolas particulares, onde aprendemos a competir, a superar os "adversários" e a nos preparar para uma carreira (claro, existem as exceções, felizmente o colégio onde estudei não era assim, mas na maioria dos casos...) e não a ter uma visão crítica do mundo e muito menos a sermos solidários e preocupados com o próximo;

No Brasil não temos segurança (é melhor confiar em bandido ou na PM e na Civil? Aliás, dá no mesmo pois os bandidos costumam também usar fardas nas horas vagas da criminalidade), mas o governo nos "ajuda" a ter segurança privada de qualidade (sic), normalmente prestada pelos mesmos bandidos de farda que, nas horas ainda vagas fazem bicos de segurança (nossa [in]segurança, enfim, é ímpar);

A partir de amanhã (22), as escolas públicas e particulares de ensino fundamental terão que executar o Hino Nacional pelo menos uma vez por semana. A lei com a obrigação foi sancionada hoje (21) pelo presidente em exercício, José Alencar, que recebeu alta médica no último sábado (19). A autoria da proposta é do deputado federal Lincoln Portela (PR-MG). Em 2009, a letra do hino, escrita por Joaquim Osório Duque Estrada, completou 100 anos.
E, finalmente, no Brasil não temos patriotismo (que fique claro, não estou falando da final da copa do mundo de futebol quando o brasileiro diz ter orgulho do país ou da final do mundial de vôlei e sim patriotismo de fato, que faz o povo protestar, reclamar seus direitos, lutar pelo país e ter orgulho ou possibilidade de ter orgulho do país e de suas conquistas) mas, como não poderia deixar de ser, o Estado se encarregará de nos enfiar esta noção impraticável dentro de nossa realidade - onde falta tudo - ao forçar as crianças a cantar o Hino Nacional uma vez por semana.

Tentativa clara e absurda de enfiar goela abaixo um patriotismo fake, forçado, nas crianças do país. Uma lavagem cerebral descabida, que vai contra as liberdades individuais do cidadão e cria robôs pseudo-patriotas.

Visto que o Estado não dá qualquer condição real de que o sentimento de patriotismo puro nasça nos brasileiros, este resolveu adotar o caminho mais simples, não resolverá - nem de longe - qualquer um dos nossos problemas imediatos mas fará com que o ufanismo tolo e torpe seja ensinado e enfiado nas cabeças infantis.

Que fique claro que o "patriotismo" que trato aqui não é aquele boçal dos milicos ou de gente de extrema direita saudosista da ditadura ou membros da TFP e sim um patriotismo saudável que nasce do real orgulho de pertencer a um país decente. Não é nosso caso, de qualquer maneira.

Aliás, cabe lembrar, vai ser interessante forçarem as crianças a cantar o hino ou, de maneira alternativa, encontrar uma forma de executá-lo nas escolas, estas com excelente infra-estrutura, com ensino de primeiro mundo, fazendo com que todas compreendam cada palavra do nosso hino e sintam orgulho de, mesmo morando em uma favela, com pai e mãe desconhecidos e sem futuro algum, serem brasileiros!

No Brasil querem fazer o patriotismo fake aparecer antes e de maneira forçada do que dar reais condições para que ele nasça normalmente....

Agora é aguardar o grito de Tradição, Família o e Propriedade.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Carta aberta ao Senador Mercadante

Prezado senador Mercadante,

Escrevo estas linhas para parabenizá-lo e agradecê-lo por ter, em caráter irrevogável - e pela segunda vez seguida - voltado atrás em uma de suas decisões, enfim, em ter mentido para seus eleitores e demais brasileiros de bem.

Tudo bem, compreendo - ou tento compreender - a primeira traição, afinal, ao abdicar - em caráter irrevogável - da liderança do partido, "Vossa Eçelência" talvez perdesse a chance de passar a mão em excelentes oportunidades de neg..., quer dizer, em excelentes emendas parlamentares e talvez ficasse um pouco afastado, alienado até, da "boquinha" parlamentar. Eu jamais poderia exigir tal coisa! Sei que "ética" não é algo bem visto entre seus colegas de parlamento.

É compreensível, talvez até aceitável, afinal todos sabemos como funcionam as coisas aí no Senado. Ser honesto, para seus pares, é mal visto e não poderíamos pedir para "Vossa Eçelência" que fosse intencionalmente mal visto. Dizem que mal olhado é realmente ruim! Aliás, veja o que aconteceu com Celso Daniel por tentar ser honesto ou, ao menos, denunciar algumas falcatruas inocentes, não funciona, não é mesmo?

Pois bem, tentamos aceitar a primeira traição, mas esta? A censura à internet é inaceitável. "Vossa Eçelência" nos impediu de saber quem são os Senadores que votam pela nossa censura, senador Mercadante!

"Vossa Eçelência" nos impediu de conhecer, através do voto nominal, quem tem a cara de pau de censurar a voz do povo, a internet. Os saudosistas da ditadura, os que se perpetuam indefinidamente no poder, os que ganham pelo voto de cabresto e pela ignorância do povo, submetidos eternamente à esta situação por suas "representações"!

Desculpe, Senador, mas esta traição não pode ser perdoada. Acreditamos em "Vossa Eçelência" quando dizia que iria levar nossa voz, a de centenas, milhares de ciberativistas, até o Senado e iria barrar o projeto do AI5 Digital do Senador Azeredo.

Não esperávamos mais esta traição, o ato de compactuar com a falácia do direito de resposta no ambiente virtual! Senador, me explique, como acreditas ser possível o direito de resposta no twitter? Serei eu obrigado a escrever algo que um Senado ou Deputado queira por eu tê-lo supostamente ofendido? E onde fica minha liberdade de expressão, meu direito de não escrever o que não acredito?

Senador, realmente acreditas que os dinossauros do Senado sabem o que é o Facebook, o Twitter, quiçá o Orkut? Estas figuras nefastas ainda pedem às suas secretárias para imprimir os e-mails que lhes chegam diariamente! E "Vossa Eçelência" foi tão facilmente enganado!

Pense apenas por um minuto, como o TSE irá julgar os milhões de pedidos de resposta que sem dúvida surgirão? Como verificar o twitter, os milhões de blogs? Quem vai realizar todo este trabalho?

Não me diga que já está programada a contratação por debaixo dos panos de milhares de trabalhadores - filhos, sobrinhos, netos, namorados das primas de oitavo grau dos senadores - para especificamente censurarem a internet? Teremos milhares de funcionários temporários recebendo megasalários verificando 24 horas o conteúdo de todo e cada blog, perfil de mídia social e twitter dos brasileiros atrás de possíveis direitos de resposta?

Mas não só isso, Senador, você aprovou o fim do anonimato! Veja bem, "Tsavkko" é apenas um apelido, por mais que eu assine também com meu nome verdadeiro serei privado do meu direito a usar um nome qualquer? De assinar só com uma alcunha? E quem simplesmente posta anonimamente para não sofrer pressões familiares ou no ambiente de trabalho? Será proibido de se expressar, deixou de ser sujeito, cidadão?

Compreenda, Senador, eu não apóio o anonimato para livrar a cara de criminosos ou de "trolls", mas tampouco posso compactuar com a proibição completa desta opção que tem sua validade, seu sentido. Aliás, existe uma coisa muito simples chamada IP, é fácil descobrir quem está por trás de qualquer postagem sem que esta precise assinar como tal. Mas seria pedir demais aos Dinos do Senado para sequer tentar compreender como a internet funciona.

O engraçado nessa história é que o Senado não hesitou em aprovar o anonimato para doações de campanha! Um Senador pode receber dinheiro sujo, dinheiro de origem duvidosa e não terá de prestar contas em momento algum! Mas quanto ao nosso direito de nos expressar sem nos identificar... Censura! O que é mais perigoso, um blog anônimo falando da chuva que cai lá fora ou um Senador recebendo milhões de dinheiro de corrupção? O Senado deu seu veredito!

Fernando Rodrigues nos chama à atenção para um fato interessante:
"Não deram a devida atenção a um outro contrabando no texto feito por Azeredo. Ele e Marco Maciel (DEM-PE) só concordaram em desidratar o 57-D porque tinha incluídoo todas as restrições para vídeo e áudio em debates na web (que estavam no artigo 57-D) em outro trecho da lei. Dessa forma, a principal, repito, principal restrição normativa à web foi totalmente mantida para o período eleitoral do ano que vem. Não há como conceber a cobertura da eleição pela internet sem usar imagem e áudio de debates. No Brasil, essa será a regra --a menos que o portal, site, blog etc. se disponha a dar espaço igual a todos. Uma anomalia.
Mercadante depois disse que tinha entendido que havia um acordo para que, com a definição de internet livre no artigo 57-D, ficaria “prejudicada” a equiparação da web ao rádio e à TV para debates. Azeredo desdenhou. Deu de ombros. E nada.
Fica a lição. Em votações importantes no Congresso não se pode entender nada. É preciso fazer acordos muito claros."

Resumindo, a censura permanece.

Senador, como "Vossa Eçelência" foi tão facilmente enganado? E digo "enganado" apenas para ser simpático, porque não há desculpas para a aprovação deste projeto nefasto e ridículo. Para os Senadores e políticos em geral, doações anônimas, que não deixam rastros, corrupção ativa e legalizada, para os ciberativistas e usuários de internet no geral, a censura, a proibição.

Os tempos negros da ditadura, pelo visto, não chegaram ao fim, o Senado encarna o que há de pior, perpetua a censura.

Mas admito, depositamos muita fé em um político e nos esquecemos que, por definição, político não é de confiança. Também erramos. Imagina então quando depositamos alguma confiança em um político que já tinha tão descaradamente mudado de opinião em troca de deus sabe o que.

Obrigado senador, não nos esqueceremos de sua ajuda nas próximas eleições.

E isto sim é em caráter irrevogável.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mega Não: Desobediência Civil pela liberdade na internet!

Me uno aos diversos Ciberativistas e blogueiros no ato de Desobediência Civil contra a aprovação do AI5 Digital. Se aprovado, o projeto Azeredo irá censurar a internet, limitar o nosso direito de nos expressar, minará nossa liberdade de expressão e, como tal, é inadmissível.

A única solução viável, já que não somos ouvidos pelo parlamento - nunca somos ouvidos pelo parlamento, que governa para si - é bater de frente! Se recusar a aceitar a censura, denunciar e desobedecer.

Tod@s @s blogueir@s e Ciberativistas devem se unir em prol desta iniciativa e lutar contra a limitação absurda e abusiva de nossa liberdade e não só escolher nossos candidatos como também divulgá-los, opinar, criticar, denunciar, enfim, exercer a democracia de forma livre e irrestrita.

A internet é livre, não é concessão e, mesmo estas, como sabemos, desrespeitam descaradamente a lei, como então esperam nos controlar, nos impor restrições? O Senado não entende nada de internet, os parlamentares não entendem nada de internet e muito menos de liberdade! São filhos da ditadura, uma corja de corruptos interessados em esconder a verdade, em proibir a livre circulação de informação independente, sem relação com o PIG e com os demais meios de comunicação, todos de propriedade de políticos ou seus amigos.

A internet assusta, aterroriza os que não podem controlá-la como fazem com todos os demais meios de comunicação. A Solução é tentar censurar, impor restrições por alguns meses - segundo azeredo, são apenas 3 meses, não há porque tanta grita! Sim, Senador, são 3 meses, mas censura é censura, não importa se por um ano ou um minuto. Não será tolerada!

Absurdos como considerar o Youtube algo semelhante à TV, ou querer conceder "direito de resposta" via Twitter, ou ainda exigir que sites saiam do ar alguns dias antes da eleição - nem adianta explicar o que é "cachê" para os Senadores, "e-mail" já é um conceito complicado - e, pior ainda, a idéia de que é possível fiscalizar e punir a todos os blogueiros e usuários que manifestarem sua opinião em artigos e vídeos quanto À um candidato e partido, demonstram a inutilidade do Senado, a inutilidade dos políticos dinossauros que se perpetuam no poder sem, porém, entender o mundo que os cerca.

A internet é livre e permanecerá livre! A Desobediência Civil é o caminho, não vamos acatar nenhuma decisão que nos censure!

Mega Não pela liberdade eleitoral na web

É inadimissivel em um país democrático que exista qualquer tipo de restrição aos eleitores. Será que nossos legisladores esqueceram o conceito fundamental da democracia?
Todo poder emana do povo para o povo.
O Senado federal que não entende absolutamente nada de Internet, quer impor restrições absurdas, comparando a internet com meios de difusão como o radio e a tv que são concessões públicas, muito diferente de um blog ou rede social. Nem mesmo o direito de resposta deveria ser obrigatório na Internet, afinal midias sociais são conversações. Chega a ser ridículo ver nossos Senadores propalando uma bobagem atrás da outra, tentando legislar sobre o que desconhecem. Para isto tentam criar comparações estupidas como Youtube = TV, e outras bobagens do gênero.

Seria cômico se não fosse trágico, pois a Internet é a ultima janela de oportunidade aberta para a verdadeira democracia e liberdade de expressão, com campanhas livres pela Internet a sociedade poderá eleger novos e interessantes candidatos que antes não tinham condições de concorrer à uma campanha que custa milhões.

Para evitar este trágico retrocesso, vamos pedir LIBERDADE TOTAL ELEITORAL NA WEB, assine a petição e coloque o selo abaixo em seu site ou blog, mostre que você esta disposto(a) a lutar pelo seu direito de liberdade, seu direito de apoiar quem desejar sem ser criminalizado por isto, coloque um link do selo para este post se desejar.
stf2010

Aproveite e faça posts, videos, e tudo mais, junte-se a campanha pela Internet livre nas eleições use a tag #tse2010 para acompanharmos ou link este post.
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