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segunda-feira, 26 de março de 2012

Neonazis na Sé: Pró-Vida, a deles.

Vocês não acham engraçado e curioso como todo defensor da vida (sic) - cristãos fanáticos em sua maioria - também defendem pena de morte, "direitos humanos para humanos direitos", porte de armas e afins?

E não conseguem notara menor contradição naquilo que pregam - bem, acreditam em Adão e Eva e que Maria não pulou a cerca, então a gente aceita qualquer coisa.

A Vice publicou uma pequena matéria recheada de fotos de uma manifestação de extrem-adireita "pró-vida", contra o aborto e provavelmente contra a democracia, pela imposição de uma teocracia neonazi no país.  E não digo "neonazi" por brincadeira.

A matéria, inclusive, linka um post meu quando cobri a manifestação dos neonazis, fascistas, integralistas e mais toda a corja da minúscula, mas barulhenta extremíssima direita paulista e qaula não foi minha surpresa ao encontrar dois "velhos amigos" em fotos de ambas as manifestações!

Reparem nestas duas fotos da Vice:
Agora reparem nesta foto que eu tirei no protesto dos neonazis:
O rapaz simpático da segnda foto da Vice é, claramente, o mesmo que segura o cartaz extremamente cristão contra os direitos humanos (coitados dos cristãos de verdade, claro, e não estes fundamentalistas acéfalos). Seu nome é Eduardo Thomaz do grupo neonazi Ultra Defesa.

Já o neonazi pimpão da primeira foto da vice, com boné do UFC e uma tatuagem na cabeça onde se lê "Oi", estilo de música adorada pelos neonazi (mas não só, Garotos Podres é uma banda Oi e são comunistas), e a cruz nas mãos, é o camarada de paletó e barbinha, atrás do colega de mochila.

Sim, como eu sei disso? Por esse vídeo que publiquei no Vimeo e que fez algum sucesso. Não produzi o vídeo que, porém, contém vários vídeos que eu fiz no dia. Dêem uma olhada no minuto 03:35 momentos mágicos do Thomaz e no minuto 4:50 você vê a tatuagem da mão do rapaz de boné, possivelmente irmão do Thomaz e logo depois a tatuagem em sua cabeça. Vejam o vídeo:


Aliás, gravei também um vídeo do simpático neonazi Thomaz falando sobre o que mais gosta: Direitos Humanos:


Gente da melhor estirpe, todos cristãos, defensores da "vida" - desde que eles decidam qual vida. Amigos e adoradores de Bolsonaro e da mais extremíssima direita paulista.  Suas bandeiras são o uso de violência contrat todo grupo que discorde deles - ou mesmo que concorde, afinal, eles odeiam a tudo e todos em seu supremacismo estúpido.

O triste é verificar a proximidade ideológica destes "manifestantes" com as ações e discurso do governo federal, já que o governo é contra o aborto (que é muito mais pró-vida que estes canalhas, visto que defende a vida da mãe e não de um amontoado de células), é contra os direitos LGBTs e vem se mostrando contrário aos Direitos Humanos (se serve para o "desenvolvimento" a Maria do Rosário não acha que é abuso, né?).

Triste, muito triste.
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sério que agora a blogosfera petista vai atacar o aborto tb e se rebaixar ao fundamentalismo marinista?

Li e não acreditei no post do "Os Amigos do Presidente Lula". Li e reli, procurei verificar se estava no blog certo ou se tinha, por acaso, digitado errado e caído em algum site feito ou por Serristas ou por fundamentalistas religiosos ligados à Marina.

Para minha tristeza, estava no blog certo.

De início, senti meu estômago embrulhar só de ler o título do post " Serra causou polêmica ao legalizar o aborto em 1998". À medida que ia lendo o texto o desespero só fez aumentar:Será mesmo que, para conquistas os fanáticos marinistas anti-Aborto alguns do PT iriam realmente adotar o mesmo discurso e se posicionar contra o aborto? Pior, atacando Serra por um dos raros momentos em que acenou com uma atitude decente em toda sua carreira?

Serra, quando ministro, normatizou o aborto, ou seja, adequou à lei a prática do aborto nos hospitais públicos. Em resumo, garantiu ao menos que mulheres estupradas (e outros casos previstos na lei) tivessem o direito à realizar o que a lei lhes garante.
Em 1998, quando era ministro da Saúde, José Serra foi acusado de atender a grupos pró-aborto por normatizar a realização do aborto nos casos previstos em lei (risco de vida para a grávida ou gravidez após estupro).
Mesmo permitido desde 1940, poucos serviços públicos faziam o aborto. A normatização deu respaldo político e técnico para que mais hospitais o realizassem.
Acho justo e correto que Serra seja atacado por tudo que fez e desfez dirante seus anos de ministro, de governador ou de prefeito, mas é inaceitável que setores petistas se apropriem do discurso anti-aborto de fanáticos religiosos e o usem para atacar de forma medíocre e insensata opositores.

Isto simboliza apenas que setores petistas se apropriaram do mesmo discurso lamentável do DemoTucanato e dos fanáticos em geral. É se rebaixar à lama e, pior, é continuar a querer ditar às mulheres como devem se comportar, como devem viver.

No "Maria da Penha Neles", excelente blog que recomendo fortemente, @LaPasionaria escreveu:
Quem é o senhor da verdade neste tema? Começa por aí né? Deveria perguntar quem é a sra. da verdade nesse tema. Afinal o Sr. não engravida, portanto não pode abortar ou deixar de abortar.
Será que a nossa tutela ( ou dominação) histórica não nos dá o direito de ser protagonistas num tema tão feminino como este?
Por que usar um tema tão complexo, e cheio de valores, morais, religiosos, éticos e de foro íntimo, para desmerecer um candiato a presidência da república?
Exato. O Aborto é, em primeiro lugar, um assunto que diz respeito ao direito das mulheres de serem protagonistas de suas próprias vidas, de terem controle sobre seus próprios corpos e, em segundo lugar o aborto não deveria ser agenda ou peça de troca em uma eleição presidencial.

Estamos, pois, discutindo o direito das mulheres como se objeto de barganha fossem. Isto é inaceitável.

Se por um lado considero lamentável o recuo ou possível recuo do PT no tema, retirando do programa a questão, por outro denuncio como ainda mais grave o uso que gente do próprio PT vem fazendo do tema, usando-o de forma baixa e suja e se igualando aos fundamentalistas cristãos.

Acho ainda mais assustador que, em meio aos e-mails carregados de mentiras e difamação que a direita vem espalhando contra Dilma, um blog que se propõe militante queira fazer EXATAMENTE o MESMO contra Serra, ou seja, espalhar propaganda difamatória, que prega a não discussão política, mas a pseudo discussão moral.
Repasse este link  http://www.youtube.com/watch?v=yst5IM8Q2os  o Padre Leo criticando Serra e FHC por permitir o aborto no Brasil PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 78 de 1993
Dilma defende o aborto (como questão de saúde pública) e é bombardeada pela direita com vídeos apócrifos a difamando e a colocando como uma assassina de crianças e etc, e  o que faz a esquerda? Coloca um vídeo de outro fanático religioso atacando o Serra por este ter defendido que a porra da lei seja cumprida em relação ao aborto.

É enojante e espero que a campanha não tome este rumo e que não nos rebaixemos ao mesmo nível da direita raivosa.
@LaPasionaria continua:
Li ,hoje, no blog do PHA que Serra quando foi ministro da saúde regulementou a lei que autoriza o aborto em casos de risco de vidapara a mãe. Não vejo nenhum demértio nessa atitude do Serra, se regulamentou a lei cumpriu com sua obrigação.
O que devemos nos perguntar é por que tanta celeuma e intrigas como o nome de Dilma Rousseff, as Igrejas e o aborto.
Será que em campanha eleitoral vale tudo?
Nós mulheres deveriamos exigir dos dois candidatos que essa discussão fosse inserida num debate muito mais amplo, pois o aborto é apenas um elemento de temas que interessam a todos os brasileiros e às brasileira em particular.
Deveriamos saber dos dois candidatos que propostas tem para efetivamente melhorar o atendimento da sáude da mulher.
Para piorar, o blog ainda se apóia em Chalita. Cria DemoTucana que, por melhores cargos e perspectivas, debandou para o "Lulismo", mas continua sendo o mesmo Chalita que afundou a educação em São Paulo e que os petistas tanto acusavam.
É esta a campanha que teremos pela frente? O rebaixamento do petismo ao nível do DemoTucanato aliado aos fundamentalistas? Usando o aborto e, em consequência, as mulheres como moeda de troca.
Querer desviar a discussão de um tema tão sério é desonestidade política e canalhice masculina.

Quanto às igrejas, elas tem todo o direito de dizer aos seus membros como devem se comportar dentro dos preceitos morais de cada religião. Se as mulheres não concordarem com as proibições de suas igrejas, mudam de religião.E direito constitucional a liberdade religiosa.
O que não podem é usar Deus e a crença das pessoas para manipular uma eleição e muito menos para criar armadilhas para um dos candidatos
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Outro blog a enveredar pelo mesmo caminho absurdo é o Blog da Dilma:
Os Evangélicos e os Católicos deveriam espalhar um importante depoimento do saudoso PADRE LÉO da TV Canção Nova que acusa o então Ministro da Saúde no Governo FHC, José Serra. O candidato José Serra organizou o Grupo Guararapes somente para fabricar dossiê e boatos contra Dilma Rousseff. Serra não fala que Assinou Portaria a FAVOR DO ABORTO. Gostaríamos de saber como ficam os Pastores e Padres que acusaram Dilma Rousseff. Assista e espalhe por e-mail para o maior número de pessoas do Brasil e do Exterior.
O Evangélico e o Católico tem que deixar o fanatismo de lado e votar com consciência. Devme compreender que religião e Estado não combinam. E cabe à Esquerda não entrar neste jogo suicida e estúpido.

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terça-feira, 23 de março de 2010

O PIG não sabe contar [3] A Saga continua!

Vejam bem estas imagens... A primeira é a da Marcha dos católicos conservadores contra o aborto e pelo direito à vida (sic). Claro, falta dizer pelo direito à vida de quem? Não das mulheres pobres que morrem em abortos clandestinos ao tempo em que as ricaças e gente da classe média pagam por médicos caros e escapam ilesas.


Segundo o PIG, 3 mil pessoas estavam presentes.

Repito, prestem bastante atenção às imagens e façam um pequeno cálculo mental.

Agora vejam as imagens do protesto dos professores na Paulista no dia 12 de março, feitas pela mesma Globo:



Segundo a Globo, 12 mil pessoas. E foram gentis, a PM, via  Uol, disseram ser meros 8 mil os professores presentes.

Não está convencido? Veja as fotos:
Cabe notar, também, que o protesto dos conservadores foi convocada pela Igreja, teve presença do showman Padre Marcelo Rossi, do Cardeal Dom Pedro Schere... Enfim, teve cobertura da mídia e uma instituição poderosa por trás... A dos professores foi boicotada pela mídia, chamada de "trololó" pelo governador (sic) Serra... E ainda assim teve a presença de mais de 30 mil professores.

E nem vou comentar sobre a segunda manifestação dos professores e dos mais de 50 mil nas ruas. O PIG disse que foi ainda menor que a primeira! Entre 8 mil e 10 mil, dá pra acreditar?

Vejam as imagens e pensem um pouco. O PIG continua sem saber o que é matemática... ou bom senso e a verdade.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ato pela Legalização do Aborto!



Um direito da mulher que deve ser assegurado pelo Estado em toda sua extensão.Não tem qualquer cabimento a criminalização da mulher que toma uma decisão sobre seu próprio corpo.

As desculpas comumente usadas são religiosas, pseudo-morais, estas não tem ou não deveriam ter vez em um país laico e democrático. As mulheres não podem ser reféns de um falso-moralismo torpe e ultrapassado, de um fanatismo religioso indesculpável. São e devem ser livres. O Estado não pode se esconder, não pode fingir não vê e cabe ao povo, todos, lutarem por este direito básico.

As mulheres devem ser livres para ter um filho e para decidir não tê-los.
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sábado, 14 de março de 2009

Agora Dom Dedé agiu errado?

Curiosa matéria veiculada pela ANSA hoje, "em artigo, Vaticano critica excomunhão de envolvidos em aborto em menina brasileira", e segue ""Antes de pensar em excomunhões seria necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente, devolvendo a ela um nível de humanidade", disse o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Salvatore Rino Fisichella, em artigo publicado pelo jornal vaticano L'Osservatore Romano com data de domingo, 15/3."

Curioso, não foi o mesmo vaticano que, dias atrás, apoiou a decisão de Dom Dedé?

Gianfranco Grieco, chefe do departamento do Conselho Pontifício para a Família, deixou claro seu apoio ao Dom Dedé, como pode ser visto aqui e aqui.

Agora o Vaticano "desdisse" seus comunicados anteriores e seu apoio ao Dom Dedé?

Curioso... Até onde eu saiba, o Papa é infalível e, imagino, referenda as decisões de seus cardeais e representantes mas não é a primeira vez essa semana que Ratzinger e o Vaticano admitem um erro... O Bispo Nazista foi perdoado e agora Ratzinger se odeia por tê-lo aceito de volta...

Qual será a próxima da igreja?
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sexta-feira, 13 de março de 2009

Era só pra chamar a atenção, Dom Dedé?

"'Na verdade, o arcebispo não excomungou ninguém. Ele anunciou que este tipo de ato traz consigo tal possibilidade e fez isso movido por sua sensibilidade. Às vezes a pena da excomunhão é colocada para chamar a atenção não só da pessoa, mas da comunidade eclesial da gravidade do ato', afirmou o presidente da entidade, Dom Geraldo Lyrio Rocha."

Fonte: G1

Resumindo, Dom Dedé queria "só" chamar a atenção.

Vai realmente morrer sendo lembrado como o padreco que quis só chamar a atenção. E Dom Helder se revira no túmulo!
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quinta-feira, 12 de março de 2009

O desrespeito à vida humana

O desrespeito à vida humana

por Ivone Gebara, na Adital

Se a Igreja Católica Romana continuar a educar os seus fiéis através de comportamentos de choque tais como os que estão acontecendo no Rio de Janeiro em relação ao aborto, estará incentivando a franca decadência dos costumes e a violência cultural.

Já imaginaram que daqui a pouco poderemos ter estátuas de pedófilos, e talvez alguns deles vestidos de batina expressando gestos de sexo explícito com crianças. Alguém de bom senso seria capaz de pensar que essas eventuais obras de plástico, fabricadas em série, expostas nos altares ou apresentadas no rito penitencial educariam os membros da Igreja e outros a não usar as crianças para suas fantasias sexuais? Ou talvez, poderiam apresentar slides com cenas de violência doméstica focalizando nas figuras masculinas que têm mutilado centenas de mulheres anualmente no Brasil. Poderiam até carregar nas cores e focalizar especialmente as cenas de sangue derramado. Acreditariam acaso estar educando os fiéis a combater a violência contra as mulheres?

A imaginação não me falta para tentar apresentar as mais diversas cenas, analogias e associações em relação ao caso atual dos embriões, aliás, de falso tamanho, expostos nos altares de algumas igrejas do Rio de Janeiro.

Sinto tristeza e vergonha que tenhamos chegado a este ponto. Sinto tristeza e vergonha dos comportamentos retrógrados da maior parte da hierarquia católica romana que não compreendeu os gestos de vida de Jesus de Nazaré e não aprendeu dos efeitos negativos dos comportamentos fascistas e ditatoriais que a Igreja teve ao longo de sua história em relação à ciência, às diferentes culturas e às mulheres. Sinto tristeza e vergonha da insensibilidade com que se trata um problema de saúde pública e da maneira como se usam os textos bíblicos descontextualizados para justificar posturas de um grupo como se fossem posturas da Igreja.

Como entender que o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, D. Antonio Augusto Dias Duarte afirme que a imagem do feto é singela e que a Igreja tem o direito de conscientizar a população? Por que não apresenta então os retratos das milhares de mulheres que morreram por abortos mal feitos. As imagens das mulheres mortas seriam menos singelas? Seriam impuras? Seriam acaso menos conscientizadoras?

Justificar estas ações de violência cultural, acobertadas pelo lema da Campanha da Fraternidade "Escolhe, pois a Vida" é ambíguo, contraditório e até certo ponto de má fé. Supõe que a hierarquia toda poderosa da Igreja, sem acolher um consenso mínimo entre a diversidade dos fiéis, visto que não acolhe as várias pesquisas de opinião pública e nem as reflexões de muitas mulheres, é capaz de afirmar o que é o melhor para as vidas humanas. Usa de sua autoridade e privilégio para fazer valer suas posições em desrespeito a um pluralismo real, necessário e salutar. Acredita com isso defender a vida sem pensar que a vida em geral não se defende de forma geral. Cada um de nós escolhe as vidas que vai defender de forma prioritária e as formas de defendê-las. Cada um de nós tem que arcar com a dose de contradição inerente a qualquer escolha. A instituição eclesiástica não foge à regra e, portanto está faz a mesma coisa. Fica claro quem defende em primeiro lugar. Por isso, vale a pergunta: por que o embrião e não a mulher? Não estaríamos ainda vivendo no mundo dos princípios abstratos, dos mitos de pureza sem conexão com a vida real? Estas e muitas outras perguntas são convites ao pensamento diante dos problemas reais de nosso tempo.

Como a Igreja hierárquica sempre fez e continua fazendo quando seus fiéis se desviam das normas que estabeleceu, creio que, o mínimo que se poderia esperar, é que não só o bispo D. Antonio Augusto, mas também, os padres e conselhos paroquiais que acolheram sua diretiva sejam considerados cúmplices do mesmo crime de violência cultural e de desrespeito simbólico aos corpos humanos. O mínimo que a presidência da CNBB deveria fazer é alertá-los e instá-los a retirar imediatamente de suas Igrejas os embriões de plástico. Além disso, se possível, convidá-los a pedir perdão publicamente por esse ato de terrorismo religioso, especialmente contra as mulheres e as crianças.

No caso dos embriões de plástico expostos nas igrejas do Rio não se trata de respeito às opiniões da Igreja ou à autonomia de cada diocese. Dar e respeitar opiniões inclui um limite ético. Estas ações vão além desses limites. A Igreja sempre usou do direito de opinar sobre várias questões sociais e, sobretudo ultimamente. Nesse caso particular como em outros semelhantes, que têm acontecido, trata-se de uma usurpação de poder, trata-se de uma instrumentalização das consciências, trata-se de uma violência praticada, sobretudo num momento em que os fiéis se reúnem para uma celebração da memória da vida de Jesus de Nazaré. Mais uma vez o desejo de poder, de influir nas decisões do Estado, de acreditar que seus princípios e suas propostas são as melhores para a vida em sociedade fortalece uma visão retrógrada do cristianismo e uma visão contraria ao pluralismo social. Além disso, distancia a Igreja Católica Romana de um possível discipulado entre iguais e da urgência de diálogo a partir das dores concretas de corpos concretos.

O que está acontecendo é vergonhoso e totalmente ilegítimo. AGUARDAMOS MEDIDAS DAS AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS assim como uma reação mais contundente dos FIÉIS e dos movimentos sociais. Não podemos mais aceitar que a ignorância disfarçada em fé, o autoritarismo disfarçado em serviço e a intransigência obscurantista disfarçada em educação conscientizadora tenham a última palavra nas comunidades cristãs. Em vez de usar a expressão "Escolhe, pois a vida" como álibi para manter sua luta contra o aborto terapêutico, poderiam simplesmente convidar os fiéis a respeitar as escolhas diferentes ajudando-os na construção de relações para além dos dogmatismos e sectarismos religiosos.

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