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terça-feira, 22 de março de 2016

Alguns pensamentos enquanto o Islamofascismo ameaça Bruxelas

Ele é um refugiado. Não tem nada a ver com o que aconteceu e é também uma vítima dos terroristas.  Mas é solidário.
Eu adoro Bruxelas. Na verdade eu sou apaixonado pela cidade e já a visitei diversas vezes. Já me embebedei diversas vezes por lá, me encantei, conheci pessoas, participei de congressos, comi chocolate até não poder mais....

O sentimento é de raiva, tristeza e impotência. Exatamente aquilo que os terroristas esperam e, infelizmente, eles conseguiram. A tragédia já era anunciada há tempos. Era questão de quando.

Eu estava dormindo e acordei com um incômodo. Tentando voltar a dormir pensei "deixa eu ver o Twitter, tem algo errado". E tinha. Cenas chocantes, pessoas correndo, bombas explodindo e a notícia de mais e mais mortos no coração da Europa.

Além disso também surgiram os liberais de esquerda pra colocar panos quentes. E estes (os liberais de esquerda e os panos quentes) são os que ajudam a tornar impossível o combate ao fanatismo religioso e ao terrorismo islâmico.

Li, pasmado, um tuiteiro catalão tentar comparar os terroristas islâmicos aos judeus sob Hitler. Oras, os islâmicos são vítimas como os judeus foram, me disse um:
"TODO el terrorismo bolchevique-comunista se calificaba de judío por los nazis. Estudie la historia..."
Interessante. A diferença, digamos, básica é que os judeus eram ACUSADOS por Hitler, acusados falsamente, usados como bodes expiatórios, ao passo que os islamofascistas são, enfim, islâmicos.

Claro que precisamos diferenciar o islâmico do islamofascista, mas o segundo está contido no primeiro, pese a relação inversa não fazer sentido.

Sempre me incomoda quando, após atentados envolvendo muçulmanos, começam os gritos por "vocês muçulmanos tem que se manifestar, tem que se desculpar, se responsabilizar"... Discordo. A ação de fanáticos não é obra da maioria. De fato acho coerente que muitos se manifestem em pesar e repúdio - e muitos o fazem - mas não tenho direito a exigir nada e quem se cala diante do terrorismo praticado pelo ocidente contra o Oriente Médio tem menos direito ainda.

Porém, existe uma escala de responsabilidade que é preciso ter em mente: Aqueles que convivem nos mesmos bairros, nos mesmos espaços, nas mesmas mesquitas que radicais e fanatizados tem, penso eu, maior responsabilidade que os que não convivem com os radicais. Maior responsabilidade em denunciá-los ou mesmo em educá-los.

E todos nós temos responsabilidade também em pressionar nossos governos a parar com bombardeios criminosos, a parar com a política de fazer e desfazer ditaduras e ditadores. A parar com qualquer tipo de comércio, contato ou acordos com criminosos Sauditas, com militares assassinos e genocidas por todo o mundo (e, no caso aqui tratado, por todo o Oriente Médio).

Existem escalas de responsabilidade para todos nós.

Uma das responsabilidades pela situação também é do liberalismo europeu. Aquele que acha que censurar a internet é a solução ou mesmo parte dela para controlar os terroristas e o acabar com o terrorismo. Acham que lutando contra criptografia enquanto despejam bombas no Iêmen irão acabar com a reação terrorista.

Porque uma coisa é importante notar: O terrorismo é, por vezes (mas nem sempre) a reação do oprimido. Isso não quer dizer, no entanto, que a reação é justa ou tolerável. Não quer dizer que devemos cruzar os braços e aceitar. Não, pelo contrário, isso deveria nos dar mais força para combater as causas de parte dos problemas.

E digo parte porque nem todo terrorista vem do Iêmen bombardeado ou da Síria destruída. Muitos nascem e crescem em bairros europeus. Muitos até sofrem preconceito pela origem, outros não. Os backgrounds são extremamente diferentes. Muitos se radicalizam ao ver imagens do que o "ocidente" faz ao "seu povo", outros se radicalizam através do contato com outros já radicalizados. Outros são apenas malucos e há ainda de tudo, desde reprimidos sexuais e desajustados e criminosos que encontram no fanatismo religioso uma resposta às suas crises (não muito diferente do efeito de certas igrejas neopentecostais no Brasil, ressalvada a proporção). Em geral o neoterrorista islâmico na Europa é um indivíduo que busca uma identidade enquanto vive em uma constante tensão entre a tradição de sua família e a modernidade que o cerca.

Entender tudo isso não implica, no entanto, na concordância, aceitação ou mesmo legitimação de seus atos contra civis.

Se podemos entender parte do que se passa, não podemos concordar ou calar. E, mais importante, não podemos nos deixar encantar pelos discursos extremados de direitistas que buscam culpar os refugiados ou mesmo culpar o islamismo em si pelas ações de uma minoria fanatizada. As maiores vítimas do terrorismo islâmico são exatamente os islâmicos, não à toa estão fugindo para a Europa.

Voltando ao liberalismo europeu (e por liberalismo não me refiro ao econômico, imagino que tenha ficado claro, mas à interpretação liberal que mesmo a esquerda tem adotado dos direitos humanos e se mostrando cada vez menos capaz de lidar com as dicotomias entre direitos individuais e coletivos, algo que se expressa muito bem no fenômeno dos e das Social Justice Warriors), há os que simplesmente jogam a toalha dizendo que enquanto nós, ocidentais, não respeitarmos os direitos dos muçulmanos no Oriente Médio não mereceremos respeito em nossa terra. Há ainda quem ache mesmo legítimo sofrermos atentados pelo que "fazemos" com outros. Ou os que dizem ser impossível fazer alguma coisa contra os que pregam ódio porque... bem, apenas "porque".

Diante de posições como estas fica realmente difícil pensar em alternativas. E sim, ouso pensar que temos alternativas. Apenas retirar tropas do Oriente Médio, nesta altura, não resolveria nada. Como comentei, o terrorismo islâmico não é apenas reflexo disto, mas também de tensões identitárias que se apropriam a situação do Oriente Médio para legitimar ações. É preciso de políticas conjuntas, que vão desde políticas sociais amplas e concretas em bairros de maioria muçulmana buscando por um fim ou ao menos mitigar a guetização que muitos sofrem, à ações mais robustas de integração e melhoria da qualidade de vida.

Passa também, sem dúvida, pela não-tolerância à discursos religiosos de ódio. Passa por não aceitar excrescências como Sharia4Belgium e outros grupos proto-terroristas que são incubadores de soldados para o terrorismo religioso. Passa por uma interpretação menos liberal/individualista dos direitos humanos para uma interpretação mais coletiva, de responsabilidades sociais coletivas....

Passa por não permitir que aqueles que tenham ido à Síria possam retornar. Se foram capazes de tomar a decisão de ir (direito individual), não deveriam ter o direito de voltar e colocar em perigo o coletivo (direito coletivo).

Enfim, medidas e mudanças de mentalidade integradas, não isoladas, mas que dificilmente serão levadas a cabo. O futuro é sombrio. No momento resta chorar por Bruxelas, pelas vítimas e pelo que virá.

PS: Uso o termo "islamofascismo" por entender que há mais uma questão ideológica ou mesmo identitária envolvida que religião em si e concordando com Zizek.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Do petismo não praticante ao neoPTcostalismo

Deus, sua pastora e o papa do petismo
Sabe aquele católico não-praticante que existe em toda família? Ele exige que as crianças sejam batizadas, vai uma ou duas vezes por ano na igreja - em geral missas de sétimo dia ou algo semelhante -, defende casamento na igreja e tem sempre uma cruz numa correntinha no pescoço, mas em geral dá a mínima pra igreja, pras incontáveis regras e mesmo pro papa. Ele pode ser conservador, pode ser progressista, não importa, no fim a religião é pra ele algo que está sempre ali, mas ele não se importa muito com os rituais ou a instituição exceto em alguns momentos-chave.

Isso descreve uma parte considerável dos brasileiros, ao menos dos brasileiros que se declaram católicos, como todos sabemos. O católico não-praticante (em geral o mais progressista) é aquele que até tece críticas à igreja, mas por vezes torce o nariz quando a crítica vem "de fora".

Sabemos também que muitos outros brasileiros migraram do catolicismo (ou do catolicismo não-praticante) para o (neo)pentecostalismo (a Assembleia de Deus não é propriamente neopentecostal, mas como em geral se apresenta de forma tão tosca quanto as "igrejas" desse ramo, incluo apenas para facilitar a análise.

Certeza que Malafaia me perdoará), uma vertente que em geral exige um certo grau de fanatismo, exige mais "prática", mais observação de certas regras e em geral tudo isso vem acompanhado com uma defesa cega de dogmas, líderes-pastores e da própria instituição a que se filia.

Um fenômeno bastante semelhante ocorre no campo político, falo dos fenômenos do "petismo não praticante" e do mais grave "NeoPTcostalismo.

O Petismo não praticante é manifestado por aquele que em geral cresceu apoiando o PT, que vem de família de esquerda (petista, brizolista, comunista), e é incapaz de largar de vez o petismo. Critica sim aqui e ali, reclama do governo, do deputado, de algumas políticas, chega até a pensar em renegar a igreja, ops, o partido, mas nunca consegue forças para tanto.

Já o NeoPTcostal é o fanático. É o que enxerga uma total divindade no PT e em seus líderes, não critica ou quando o faz é sempre em benefício do partido, do "bem maior", mas mesmo assim as críticas são tímidas e muitas vezes nem parecem críticas, mas textos escritos de forma hermética apenas para convertidos serem capazes de compreender.

A palavra de Lula (ou Deus) é sagrada, sua profeta Dilma é humana, mas igualmente divina, assim como o presidente do partido (no momento Rui Falcão) é a personificação do Papa. o NeoPTcostal acredita numa luta entre o bem e o mal (ou o "mal maior"), e que são a linha de frente do "bem".

Neste grupo se inserem ainda os pastores, os cães de caça pagos ou não (e cuja "pregação" farta pode ser encontrada no tumblr Governismo, a doença infantil - mas fica um alerta, o conteúdo é grotesco) que passam seus dias a pregar e defender os dogmas (novos ou antigos) ditados por deus, seu filho (ou no caso sua filha) e pelos papas e outros santos (deputados, senadores, ministros). Eduardo Guimarães, José de Abreu, Stanley Burburinho são apenas alguns dos nomes mais conhecidos dentre os pastores NeoPTcostais.

E nesta defesa - assim como se observa na história dos santos católicos - não importa a mínima veracidade, qualquer coerência ou mesmo ética, vale tão somente a defesa cega dos interesses evangelizadores do partido/igreja cuja função final é a dominação (a manutenção do poder) e, claro, a divisão do lucro entre apoiadores (que raramente são os fanáticos seguidores). Qualquer semelhança com o modus operandi das igrejas neopentecostais NÃO é mera coincidência.

E claro que como boa igreja adepta da "teologia da prosperidade", o NeoPTcostal tem suas empresas de fachada: UNE, UBES, PSeudoB (também conhecido como PCdoB), CUT, etc., além de sua Folha Univers... ops, DCM, Brasil 171 (também Brasil 247), Portal Metrópole, O Cafezinho, etc, ou seja, mídia a favor, muitas vezes sustentada com dinheiro público ou com grana de estatais, de sindicatos cooptados ou de "doações" de outros membros da seita e por aí vai. O petista não praticante, por vezes, também dá voz a estes veículos religiosos, mesmo que em tom crítico, pensando que irá ajudar na luta contra o "mal maior" e que assim criará um debate que deixará a igreja mais perto do que pensam ser ideal. Ledo engano.

Claro que há, ainda, um encontro entre o NeoPTcostal e o petista não praticante, afinal são todos mais ou menos cristãos, perdão, petistas. Por vezes o fanático, carinhosamente apelidado de "membro da seita", precisa dar lições de fé ao praticante, fazê-lo voltar à observação dos mandamentos: "Não assumirás o roubo, mas se for pego acuse o inimigo de também fazê-lo", "Não terás ética, mas se questionado afirme que o inimigo foi anti-ético primeiro", "não defenderás os direitos humanos, mas vais jurar de pé junto ser o paladino da defesa das minorias" e daí em diante.

Em períodos eleitorais é que vemos melhor esta dinâmica. O NeoPTcostal sai em pregação (pelas redes sociais, porque essa turma já não sabe o que é ir às ruas tem tempo) atacando os infiéis (qualquer um que não seja membro da seita), buscando queimá-los na fogueira e atrás de almas não-praticantes para fazê-las retornar ao seio da religião.

E, em geral, o praticante sente que neste momento deve voltar à religião. Como o cristão que criticava a igreja e o papa, mas se emocionou com o novo papa e acompanhou com interesse e expectativa seus primeiros passos, o petista não-praticante encontra na eleição o momento de fazer as pazes com Lula e voltar ao seio da santa igreja. E dá seu voto ao PT contra o "mal maior", crente (ops) que o futuro será melhor, que tudo vai mudar, que a igreja será gay-friendly, que mulheres serão ordenadas... bem, essa é outra história.

O não-praticante escolhe, enfim, a eleição para voltar à religião verdadeira e segue entusiasmado e neste ponto se unem aos pastores e fiéis NeoPTcostais (neste ponto o petista é mais adepto da comunhão que os cristãos em si) numa verdadeira festa da democracia!

Este fanatismo político tornado religioso apenas contribui para que o país se afunde, para que a esquerda se encontre perdida em uma encruzilhada e incapaz de caminhar adiante. Esta insistência nesse "ecumenismo" nocivo, essa incapacidade de superar de vez o petismo ou ao menos de manter a coerência nas críticas (ou ao menos transformar as críticas em ações) joga a esquerda cada vez mais para um buraco que, em algum momento, será incapaz de sair. Uma Reforma faz-se urgente.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ataque ao #CharliHebdo e o jogo do medo

O ataque ao #CharlieHebdo é terrível e lamentável e pode ter consequências assustadoras. Independentemente de ter a ISIS como autora, se descobrirem que dentre os terroristas há emigrados, gente com cidadania francesa/europeia ou que tenham nascido na França/Europa, a pressão sobre os imigrantes de origem muçulmana será imensa (e já é).

É de se pensar que haverá reação violenta, com muito ódio, por parte da extrema-direita e, cada vez mais, de quem antes era moderado, mas foi se radicalizando sob o sentimento de "invasão", de que estão sendo invadidos por imigrantes, em especial muçulmanos, que muitas vezes não se integram e não adotam um estilo de vida "europeu".

Por outro lado, não podemos negar a existência de fanáticos perigosos dentro das comunidades de imigrantes muçulmanos. Sharia4Belgium é apenas um exemplo. O uso de burkas é outro. Se é verdade que muitas vezes a dificuldade de se integrar parte da negativa dos hospedeiros de aceitar algumas diferenças culturais e ter paciência e vontade, também é verdade que muitos chegam sem a menor intenção de se integrar, mas vivem em guetos autoimpostos professando versão radicais de sua religião.

No fim a intransigência de ambos os lados leva a que os moderados, os laicos, os humanistas, os integrados e integradores sejam alvos.

Veremos possivelmente políticas ainda mais restritivas aos muçulmanos na França e em toda a Europa, assim como mais ódio popular e, claro, mais ódio reativo da comunidade muçulmana, acuada. Cada vez mais os moderados perdem a batalha para os fanáticos.

E não vamos nos esquecer dos grandes responsáveis por criar e financiar grupos que posteriormente se tornam seus maiores algozes: EUA e aliados europeus - França inclusive.

Al Qaeda e agora ISIS são nada mais que crias desse grupo de países, financiados para derrotar inimigos pontuais (URSS antes e Assad hoje) que, dizem, saíram do controle. Outros, porém, duvidam que o controle tenha se perdido e que tudo não passa de cortina de fumaça para sustentar a indústria da guerra e do vigilantismo, impondo controles e dificuldades maiores à população mundial baseado no medo do terrorismo.

Ataques anteriores, como ao metrô de Londres ou de Madri levaram apenas à escalada de violência no Oriente Médio, África e à maior repressão na Europa. Quanto mais violência um lado pratica, com mais força o outro lado responde em um ciclo interminável.

Ciclo este que nubla reais problemas ideológicos, religiosos e de integração, criando um monstro impossível de lidar e anulando posições não-alinhadas ao fanatismo vigente.

Trata-se de um jogo baseado no medo para impor o controle. Os governos europeus irão dar declarações beligerantes, a população irá se voltar contra seus vizinhos, as comunidades atacaras irão se fechar ainda mais e veremos possíveis "respostas" contra o terrorismo que nada mais são que atos de terrorismo estatal, e estará criada a situação para a perpetuação do fanatismo e da violência.

É preciso deixar claro que não se trata de demonizar o islamismo ou os muçulmanos, e sim entender o jogo e o uso que as potências fazem. O dito islamismo radical não nasce do nada, mas de agressões claras do "ocidente", como a imposição do Xá no Irã, levando à Revolução Islâmica, a imposição de ditadores sanguinários laicos aliados aos EUA e Europa, como Mubarak, Saddam e tantos outros, o uso indiscriminado de Drones, como no Iêmen, ou mesmo a deposição violenta ou tentativa de ditadores como Kaddafi ou Assad.

Nasce ainda da negação da integração aos emigrados, pese ser uma via de mão dupla. Ódio cria ódio, é uma regra básica.

Enfim, devemos ter cuidado para analisar o cenário mais amplo, sem demonizações e sem nos deixar levar pelo fanatismo de qualquer dos lados.

Sobre a questão dos muçulmanos na Europa, recomendo: "A 'invasão muçulmana' da Europa"
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terça-feira, 30 de julho de 2013

A santa quebrada: Quando igualam o oprimido ao opressor

Se algo me surpreendeu em relação à santa quebrada durante a Marcha das Vadias, sem dúvida foi a repercussão por algo tão estúpido. E digo estúpido em todos os sentidos possíveis: Desde ter chegado a este ponto de repercussão negativa até o ato em si, que foi estúpido e mesmo burro. Mas legítimo.

Antes de mais nada, é preciso deixar claro: Não é aceitável de forma alguma igualar o oprimido em ato de revolta a seu opressor. E a Igreja Católica é a opressora.

Da mesma forma, não se iguala ato de opressor contra outro, como se isto deslegitimasse o oprimido de protestar.  Falo aqui dos exemplos toscos ou comparações toscas entre o ato de um pastor evangélico (opressor) quebrar uma santa católica em uma guerra entre opressores.

Tampouco procede a comparação entre a opressão de evangélicos destruírem terreiros (opressor versus oprimido) e o caso em tela, pois ocorreu o INVERSO, ou seja, seria como se, revoltados com a opressão e a devastação de seus terreiros, pais (e mães) de santo fossem até "templos" evangélicos descarregar sua justa raiva contra o opressor.

Seria burro, afinal os evangélicos (e católicos) tem mídia, ao passo que os oprimidos não. Mas não deixaria de ser legítimo. E até porque este tipo de violência é desnecessário e contraproducente.

No caso em tela, das "vadias", exigir q o oprimido por séculos "respeite" o opressor porque "ain, liberdade religiosa" é o mesmo que dizer que o negro tem que "ficar no seu lugar"... Isso não quer dizer que não haja exageros e burrices, mas igualar oprimido com o opressor por sua raiva incontida (e justa) é se juntar ao opressor. É fazer o jogo exato do opressor e ajudar a ampliar a opressão.

E sim, a Igreja Católica é opressora, repito. Por séculos manteve as mulheres em posição subalterna. Oras, as queimava vivas! E mesmo hoje ainda patrocina políticas retrógradas, contrárias aos direitos humanos e das mulheres (e dos gays, e de outros grupos).

E seus dogmas não mudaram. Ela não deixou de queimar mulheres vivas por ser boazinha, mas porque tal ato deixou de ser aceito ou mesmo de ser legal. A Igreja não parou de pregar o racismo e a inferioridade de povos indígenas, novamente, pro ser boa, mas porque foi forçada.

É preciso ainda separar atitude individual e coletiva. Alguém quebrar uma santa na Marcha das Vadias é burro se pensarmos em movimento. Mas é justo, justificável individualmente, enquanto ato individual de um oprimido. E, novamente, é bom lembrar que a falsa oposição "a maioria dos católicos não pensa como a igreja" não procede, visto que a Igreja não é uma democracia, senão uma teocracia. Só importa a opinião do Papa e de seus subordinados (Bispos, Cardeais e etc e olhe lá!), ou seja, para a Igreja, se você não segue seus dogmas você é que está errado.

Por mais que eu seja simpático a grupos como as Católicas pelo Direito de Decidir, sou forçado a admitir que elas é que estão erradas, pois acreditam que a Igreja seja passível de mudança pela base.

Não é.

E as Comunidades Eclesiais de Base ou mesmo a Teologia da Libertação estão aí para provar.

A cresça individual do fiel não importa para a Igreja. Se você "gosta" de gays e até acha que eles podem casar, ou que as mulheres tem direito a abortar, bom pra você, bom pra nós, mas para a Igreja você está errada. 

Da mesma forma, não me lembro de tanta revolta pelo gasto de milhões de dinheiro público em um evento religioso, que afronta a constituição brasileira, com direito a distribuição de livrinhos que pregam a homofobia e diminuem a mulher. Contra isso nem um "ai", mas quebrar a pobre santa?

E, vale lembrar, o ato de quebrar a santa não é um ato contra o fiel, não é uma ofensa dirigida a um ou outro indivíduo, é um ato político contra a Igreja, contra a estrutura. E exigir do oprimido respeito à Igreja é pedir à estuprada par respeitar o estuprador.

Algo que me veio a mente também é a hipocrisia de muitos em se revoltar contra a santa quebrada, mas achar lindo que Maomé tenha sido caricaturado. riram inclusive da revolta causada em países como o Paquistão. Oras, eles são muçulmanos, atrasados, presos ao passado...

Mas não é a mesma coisa? Trata-se de símbolos e dogmas que foram dessacralizados, mesmo quebrados. Mas porque com os muçulmanos é engraçado e com os católicos não é?

Por fim, é óbvio que o ato de quebrar a santa, or mais teatral e político que seja, e mesmo legítimo, foi burro. Foi e é contraproducente para o movimento. Mas só.

Não foi "errado", não foi "anti-ético" e muito menos "criminoso". Mulheres oprimidas não podem ser jamais igualadas a seu opressor. E muito menos a religião e seus símbolos são intocáveis, imexíveis ou sagrados para a sociedade. O são para uma parcela, mas isto não significa que não possam ser tocados.


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domingo, 31 de março de 2013

Alerta de laicidade nacional ameaçada: Malafaia e a eleição na Assembleia de Deus

Guest-post de Maurício Oliveira:

Eleição ao cargo mais alto das Assembleias de Deus no país pode aprofundar a onda conservadora e representar uma real ameaça à laicidade do estado e dar ainda mais visibilidade e poder a pastores como Silas Malafaia e Marco Feliciano

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quinta-feira, 14 de março de 2013

O novo papa e a falida reconquista da América Latina

A Igreja, ao decidir por um papa latinoamericano o faz baseado não em suposta santidade papal, mas de forma política, calculada. O Brasil é o país com mais catolicos no mundo - onde vem perdendo espaço para o neopentecostalismo - e a América Latina representa hoje 39% dos fiéis do mundo, ou seja, são a região com o maior número de católicos do mundo.

Decisão pensada, calculada. Mas vem muito tarde e vem ideologicamente comprometida, sequestrada até.

O novo papa, Francisco (Jorge Mario Bergoglio), argentino, envolvido com a ditadura local, com tortura e assassinato de militantes, inclusive de padres, com sequestro de bebês, foi, junto com Ratzinger, um dos responsáveis pela eliminação da Teologia da Libertação, ramo este responsável por aproximar a igreja dos pobres e necessitados, exatamente a camada social que é alvo preferencial (e é mais vulnerável) às investidas dos Marginais da Fé.

Em outras palavras, foi o trabalho insistente e tenaz de Ratzinger e Bergoglio que ajudaram a igreja a entrar em crise de fiéis, a perder, especialmente na América Latina, uma quantidade imensa de fiéis para seitas neopentecostais.


A igreja eliminou o ramo que conseguia chegar aos pobres, sobrou apenas os "evangelizadores" envoltos em riqueza e ouro, que conversam melhor com ditadores genocidas como Videla do que com o povo humilde nas favelas.

Talvez o único crime que não envolva o novo papa seja a pedofilia, pois ele não cosnta em nenhuma lista com nomes de "apoiadores", ainda que não seja também considerado um opositor, que discurse contra a prática tão comum na igreja.
Bergoglio e o ditador genocida Videla
Vale lembrar que Bergoglio é, como Ratzinger, um conservador que se opõe aos direitos LGBTs, casamento igualitário, aborto, contracepção, enfim, um típico fascista-moralista católico.

O problema é que este discurso conservador não consegue, na sua forma católica, penetrar mais nas camadas populares, que foram tomadas de assalto pelo discurso igualmente fascista-moralista neopentecostal, com o acréscimo de um estelionato ímpar e com promessas mil de arrebatamento, de mundos e fundos e de dinheiro rápido.

Aos pobres o discurso do dinheiro prometido por estelionatários da fé parece mais atraente que os pedidos de humildade e pobreza (ainda que não seguidos pela ostentosa cúria) para se chegar aos céus.

Pelo visto as "ovelhas" estão mais interessadas em viver bem e ter a promessa dos céus "apenas" odiando minorias que se privando para apenas depois da morte ter algum retorno.

Ou seja, um novo papa foi eleito pensando politicamente numa (tentativa de) reconquista da América Latina tomada por krents, mas que, ideologicamente, representa a mesma coisa que os recém-chegados, com o imenso problema de não trazer nada de novo, nenhuma nova "salvação" e de ter um discurso tão atraente quanto o de uma porta.
É óbvio que eleger um papa argentino - que, porém, ficará em Roma - talvez ajude momentaneamente a imagem da igreja junto aos latinoamericanos, talvez, por um tempo, consiga segurar um pouco a sangria de fieís, mas será por pouco tmepo e, enfim, será cosmético.

A alegria por um papa latino (que não vejo tão grande no Brasil, que mantém uma eterna richa com os argentisno, ainda que esta seja mais forte aqui do que lá) não parece ser maior que a "alegria" das conquistas terrenas e fáceis ao alcance de um cartão de crédito ou de um talão de cheques entregues ao pastor.

A igreja não apenas despertou tarde demais para o crescimento assustador do neopentecostalismo, mas também matou a única oposição viável no combate contra o medievalismo que, no fim, a igreja continua também ou ainda representando.
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No Facebook, a ativista Karla Joyce fez um alerta que, no entando, não muda o caráter (ou falta dele) do novo Papa:
"Pessoal, só um alerta: se não houver as fontes fidedignas do que denunciam, a mesma se esvai.

Não sou defensora do Papa, não duvido de seu conservadorismo, mas ontem pipocaram supostas imagens dele com o ditador argentino Videla. As fotos são verídicas, mas do Cardeal argentino Pio Laghi.

Agora estão publicando uma suposta declaração misógina (algo do tipo "mulheres não tem aptidão para política") que ele tenha feito em 2007, mas a fonte mais antiga que eu achei no Google foi de 20h horas atrás. Consideremos que em 2007 a internet já era "desenvolvida", alguém aí tem alguma fonte mais antiga para confirmar a tal declaração?

Não adianta ter essa onda de denúncias sem ter as provas de fato."
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terça-feira, 13 de março de 2012

O que há de errado com #Kony2012 ou a ingênua "boa vontade" estadunidense

Acredito que muitos (todos?) conheçam o vídeo da ONG "Invisible Children" #Kony2012:
O objetivo da ONG não era homenagear Kony, líder do grupo rebelde Lord’s Resistance Army, de Uganda, tristemente conhecido por sequestrar garotos de suas famílias e, pelo medo, transformá-los em guerrilheiros, matando e mutilando suas famílias e seus vizinhos. O anonimato facilitava a fuga de Kony pela África, por isso a Invisible Children se propôs a torná-lo uma celebridade divulgando seu rosto e fazendo com que cada pessoa no mundo possa identificá-lo e prende-lo ainda em 2012.
O vídeo bateu todos os recordes no Youtube, foi o mais visto da história e, à medida que se aproxima a data marcada para o evento mundial programado pela ONG, o sucesso da iniciativa ficou absolutamente claro.

O vídeo é muito bem feito - apesar de ter sido criticado por ser muito caro -, e a propsota de mobilização idem. Poucas vezes vi uma campanha basicamente online - mas com desdobramentos offline, claro, e com iniciativas offline - ser tão bem feita, ter atingido tão perfeitamente um alvo e causar tamanha repercussão.


Além das redes sociais, após imenso sucesso, o vídeo, a campanha e a ONG foram citadas e saudadas na mídia convencional, garantindo aind mais visibilidade.

Mas, enfim, porque critico e chamo-os de ingênuos.

Bem, a ONG basicamente nasce da iniciativa de um rapaz que, abismado e revoltado com a violência em Uganda perpetrada por Joseph Kony e pelo LRA (Exército de Resistência do Senhor), um grupo cristão fanático e assassino, resolve fazer alguma coisa para acabar com o grupo, através da prisão de seu líder.

Já acredito caber uma crítica inicial, a de que talvez seja ingênuo acreditar que um grupo com milhares de adeptos simplesmente se desmobilizaria pela prisão/morte (ainda que a ONG pregue a prisão e não a morte, mas sabemos que a segunda opção é até maisprovável) de seu líder. O grupo poderia se enfraquecer, é verdade, mas também poderia se dividir em pequenos e ainda mais fanatizados grupos, pulverizados e de maior mobilidade.

Mas este nem é o principal problema.

A grande questão está na forma escolhida para mobilizar, além da via online e através de ativistas, e no que pregam como solução para prender/matar Kony.

Primeiro, vamos à questão da mobilização.

A ong escolheu um numero de "celebridades" e políticos, mas sem se preocupar absolutamente com posições ideológicas, chegando a aceitar o apoio de Rush Limbaugh, um conhecido fanático racista de extremíssima direita.

Acho lindo que alguns queiram colocar as diferenças ideológicas acima de uma causa, mas para tudo há limite. E Limbaugh não é o único exemplo utilizável, talvez apenas o mais fácil.

A idéia de colocar a causa acima de ideologias pode esbarrar em obviedades, como a de um fanático participando de uma campanha contra outro fanático.

Segundo ponto, e talvez o mais problemático, é o de "como" a ong propõe uma solução: Através do envio de tropas dos EUA - mesmo que "apenas" como consultoras à Uganda.

Vejam bem, quem, de forma sensata, iria querer mandar marginais uniformizados, capazes de cometer os piores atos de genocídio, para resolver um problema em Uganda?

Não acredito que o exército local seja capaz - ou mesmo queira - resolver o problema, mas acredito que seja muito mais interessante - além de viável e politicamente mais simples - o envio de tropas da União Africana ou mesmo tropas de paz da ONU com mandato para agir (e não para servirem de palhaços como no Genocídio de Ruanda, país vizinho).

Me parece algo da típica ingenuidade de muitos estadunidenses, que acreditam piamente que seu exército e seu país são verdadeiros bastiões da liberdade e que servem como pacificadores no mundo. Nada poderia ser mais mentiroso.

Disfarçada de boas intenções (e acredito que seja isso mesmo), a campanha da ONG se propõe a ampliar a presença dos EUA na região, encruzilhada importante na África, em um país vizinho de países problemáticos e que interessam aos EUA, como o Sudão do Sul e o rico Congo, e a um pulo do Chifre da África.

Geopoliticamente - e economicamente - uma região de grande importância e interesse.

E que melhor chance para os EUA entrarem lá e andarem livremente do que à convite, motivados por uma campanha internacional pela paz na região?

É o momento em que a ingenuidade ativista se junta com a vontade política de um Estado criminoso e poderoso com permissão - carta branca - para treinar, "acessorar" e manipular um exército livremente, no caso, o de Uganda. Todos sabemos o que significa a intervenção dos EUA em países estrangeiros, não é preciso ir muito longe.

Abrir um precedente desses, de uma espécie de intervenção dos EUA como forma de dar vazão aos anseios de ativistas bem intencionados é extremamente perigoso. NAda impede que, futuramente, o próprio governo dos EUA possa se valer de alguma ONG de fachada com alguma campanha bem bolada para influenciar a opinião pública a apoiar invasões e terrorismo de Estado... Se bem que...

A campanha, mesmo bem intencionada - e estou dando um crédito a eles -, caiu como uma luva no colo dos interesses estadunidenses.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Fotos e vídeo da Marcha pelo Estado Laico - #EstadoLaicoJa

O Brasil é um Estado Laico, isso é, um Estado sem religião oficial, que não prega nenhuma religião, sendo esta de livre escolha de seus cidadãos. O termo laico remete-nos, obrigatoriamente, à idéia de neutralidade, indiferença.
O grande problema é que recentemente a religião tem interferido na política e em outras areas de uma forma assustadora. Recentemente o juíz de Goiás Jeronymo Pedro Villas Boas anulou uma união estável entre pessoas do mesmo sexo e disse que “agiu por deus”. Outro caso que chama a atenção também é um projeto de Lei criado pelo prefeito Eduardo Paes no qual torna o ensino religioso algo obrigatório em cerca de 1.063 escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro, o que poderia fazer alunos de religiões minoritárias serem discriminados, já que possivelmente só iriam ministrar aulas de cristianismo.
Discussões sobre aborto, liberdade religiosa, união civil entre pessoas do mesmo sexo, descriminalização da maconha e etc deveriam, dentro desse contexto de laicidade, ser discutidos sem a argumentação embasada em escrituras religiosas. Por isso convocamos pessoas de todas as religiões a manifestar o nosso desejo de um Estado Laico de fato.
Judeus, Budistas, Umbandistas, Católicos, Evangélicos, Espíritas e pessoas de todas as outras religiões estão convocados, assim como ateus, agnósticos a marchar por um Brasil Laico de fato.
Éramos entre 200 e 300 manifestantes numa gélida tarde de domingo na Av. Paulista marchando pelo Estado Laico, pelo nosso direito de não sermos bombardeados por propaganda e pregação religiosa na TV, nas escolas, nos locais públicos e, acima de tudo, pelo nosso direito de professar a religião que quisermos, ou mesmo de não termos religião alguma e de não termos nossos comportamentos, orientações ou costumes pautados pelo que medievalistas pensam ou acham.

A marcha serviu também para denunciar o uso de verba pública na promoção do proselitismo cristão e na imposição do cristianismo nas escolas e locais públicos, como tribunais e repartições.
Munidos com bexigas pretas e cartazes que exortavam o avanço das ideias fundamentalistas na sociedade e nos parlamentos ao redor do Brasil, os ativistas ocuparam a Avenida Paulista por volta das 16h30. Estavam presentes ativistas do movimento LGBT, feministas da Marcha Mundial das Mulheres, representantes de religiões afros e anarko punks.

Os manifestantes protestaram contra o uso de canais de televisão pelas igrejas. Na opinião dos ativistas, o uso desses canais serve para "disseminar ódio e preconceito" e que tal fato deveria ser banido, visto que o canal de televisão é uma concessão pública. Já as feministas pediram para decidirem sobre o seu corpo e o direito de abortar.
Era um movimento plural, reunindo desde membros do movimento LGBT, passando por ateus, até feministas e membros de religiões não-cristãs constantemente atacadas especialmente pelo fanatismo evangélico, como as religiões afro.

Éramos 300 na Paulista, mas éramos milhares nas redes sociais. Quase 20 mil apoiando a marcha no Facebook, outras marchas acontecendo pelo Brasil e, no Twitter, alcançamos os trending topics com a tag #EstadoLaicoJa, com mais de 15 mil tuitadas.

Ao som de "Não é Mole Não, Estado Laico Tá na Constituição" e "Menos Religião, Mais Educação", entre outros "gritos de guerra", a marcha seguiu por toda a Paulista. 

Um sucesso, sem duvida, devidamente ignorado pela maior parte da grande mídia, mancomunada com igrejas e templos ou mesmo parte do mesmo grupo francamente empresarial.

Fotos do protesto:








E o vídeo que fiz com os discursos durante a concentração para a Marcha:

Recomendo também o vídeo postado pelo Bule Voador:
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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Homofobia cristã ataca novamente: Prendam todos os Sodomitas!

Paul Evans Aidoo, Ministro Regional do Oeste de Gana pode ser considerado o Bolsonaro do país. A diferença é que o primeiro tem efetivo poder.

Ontem, seguindo ordens do "Conselho Cristão de Gana" que, como a maioria dos grupos cristãos diz defender o amor e a paz, mas apenas para aqueles que concordam com suas idéias, decretou a prisão de TODOS os gays e lésbicas da região sob seu controle imediato.

O "Conselho Cristão de Gana", obviamente, é  formado por 5 organizações evangélicas. Nenhuma delas neopentecostal e, inclusive, conta com a participação dos Anglicanos que, no Reino Unido e nos EUA tem dado passos largos na aceitação e respeito aos homossexuais, inclusive com a ordenação de um Bispo gay, nos EUA. O ramos africano, infelizmente, continua na era medieval.

Ele mandou o Bureau Nacional de Investigações (BNI) e todas as agências de segurança "desmascararem pessoas suspeitas de se envolverem em [atividades] homossexuais". Além disso, como toda boa caça às bruxas cristã, pede aos cidadãos uqe denunciem qualquer pessoa que lhes pareça suspeita.

Acredita-se que ao menos 8 mil pessoas, em sua região, estejam regstradas como gays ou lésbicas e o ministro exige que sejam afastados da sociedade.


Segundo o site Ghana to Ghana:
Sua ordem vem depois de meses de campanha contra a práticda (sic) da homossexualidade no país.
O Conselho Cristão de Gana, na segunda pasada, também condenou a crescent incidência da homossexualidade no país, depois de outros órgãos religiosos terem ido para as ruas protestar contra a prática (sic), urgindo aos ganenses que não votassem em políticos que acreditam nos direitos dos homossexuais.
[...]
Ele [Aidoo] disse que uma vez eles [os homossexuais] presos, serão levados perante o tribunal para testar a lei que condena a homossecualidade.
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Mais informações, em espanhol.
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A homossexualidade em gana é punida com prisão, manifestações homofóbicas já aconteceram no país e este é apenas mais um passo no caminho da medievalização final, do assassinato de gays em praça pública, com cânticos cristãos animando a "festa" e todos louvando o "senhor" em glória.

Mas não se enganem, Malafaias da vida e outros Marginais da Fé, assim como gente da laia de Bolsonaro, de Luiz Gonzaga Bergonzini (Bispo de Guarulhos) e Myrian Rios tem a MESMA intenção aqui no país.

Coisas absurdas em um país laico, como a existência de uma Bancada Evangélica ou mesmo a mera presença de símbolos religiosos em prédios públicos são um indício de que nunca a população LGBT estará segura.

Que fique claro que sei perfeitamente que nem todo cristão é homofóbico ou compartilha das opiniões criminosas de certas autoridades, de certos marginais, mas da mesma forma, o que fazem para combater este mal? Se insurgem quando seu padre ou pastor declara que a homossexualidade (ou o homossexualismo, para eles) é uma doença condenável? Se revoltam e denunciam a homofobia de suas lideranças? Ou continuam a louvar o Papa Reichtzinger e pastores caça-níquel?

A luta contra a homofobia não é apenas pela tolerância e respeito, mas é também pela defesa de um Estado inclusivo, em que TODO@S possam ser respeitad@s como cidadã(o)s e tenham seus direitos assegurados, não apenas os direitos ligados à orientação sexual e identidade de gênero, mas também os reprodutivos e os sociais.
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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre religião, blogs e como tratar do assunto "Intolerância"

O vídeo abaixo foi gravado por Naveen Naqvi, co-fundadora e editora responsávle pela ONG paquistanesa Gawaahi que trabalha com a divulgação de histórias de opressão, abuso e sobrevivência de violências várias no Paquistão e no mundo.

Naveen veio ao Brasil realizar diversas entrevistas com ativistas e eu fui um dos escolhidos e no vídeo abaixo falo - em inglês - dos desafios de se blogar sobre religião, intolerância e qual a função dos blogs e do jornalismo cidadão (o foco da entrevista foi meu trabalho no Global Voices Online e não neste blog) na questão, o que podemos fazer nesta área.

"Raphael Tsavkko Garcia, or ‘The Angry Brazilian’ as he calls himself on his blog, is a writer for Global Voices Online. Here he talks about what he envisages to be a growing religiosity in the world that he feels is directly related to progress. On a local scale, he finds that in Brazil, the influential Catholic Church can be authoritarian on issues such as women and gay rights.
I met him and his peers at the House of Digital Culture in São Paulo as part of a trip coordinated by the Brazilian Embassy in Islamabad."

Outro(a)s blogueiro(a)s/ativistas como Diego Casaes (Global Voices) e Ana Carmen Foschini (Ativista) também foram convidados a falar sobre outras questões.
Our purpose behind Global Gawaahi is to initiate a dialogue between us (Gawaahi.com), you (our readers, contributors, supporters, friends and partners) and others who are working with the Internet. It is also to explore the potential of online journalism, citizen journalism and the new media.

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sábado, 28 de maio de 2011

Pastor Marco Feliciano: Seriam os filhos de Jesus... os X-Men?

Quando você recebe um tuíte desses, o que faz? Se for do @Paiva_Thiago, ABRAM! Eu não podia esperar para o que viria, um choque!
Melhor que isto, apenas a "explicação" absolutamente científica para a sandice da figura (e eu pensando que esse povo era criacionista, odiasse biologia, não acreditasse na gravidade porque é coisa do capeta e etc...):

O pastor Marco Feliciano lançou uma enquete em seu Twitter ensinando aos internautas que se Jesus Cristo houvesse casado, poderia ter nascido uma raça superior.
O deputado federal tentava explicar que, como Cristo não era filho só de humanos, se Ele tivesse um filho seria uma outra raça. “Possivelmente o envolvimento carnal dele com uma mulher poderia culminar com o nascimento de um outro ser, que teria um DNA diferente do normal,” escreveu.
Aos seus seguidores ele explicou que o cromossomo Y vem do macho e o X da fêmea, como Jesus Cristo nasceu de Maria, o cromossomo X veio dela e o Y de Deus.
“Portanto o DNA de Jesus não era como o nosso. Ele tinha cromossomos X, todavia os cromossomos Y não eram humanos. Ele era em si Homem e Deus!”
As primeiras reações no Twitter eram esperadas:






Mas, apesar de toda a graça da situação, NÓS sabemos o quão imbecil é tal declaração, por "n" motivos, a começar pelo uso deturpado da ciência, pela ignorância de acreditar que Jesus - se existiu - nasceu de uma virgem (mas aí que os teólogos percam seu tempo) e, finalmente, algo que me pareceu absurdo, considerar que deus - pros que acreditam - teria DNA! Como assim?

E, pior de tudo não é a piada involuntária desta figura grotesca, deste marginal da fé, homofóbico, racista e ladrão, e sim que ele tem seguidores! Tem milhares de pessoas que caem na lábia deste infeliz e que, inclusive, o elegeram deputado apenas para que ele possa escarnecer da nossa constituição, pregando ilegalmente um Estado religioso medieval!

Podemos rir, mas logo depois devemos é nos desesperar.;
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A menção ao Pastor Zangieff (ou Pastor Pilão) se deve a este vídeo que é inteiramente hilário, mas fica melhor a partir dos 2 minutos.


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domingo, 22 de maio de 2011

Sobre religiões, práticas e tolerância, uma tentativa de diálogo

No começo de fevereiro, escrevi para o Amálgama o post “Quando confunde-se religião com práticas” em resposta a outro artigo, de Amâncio Siqueira, sobre as práticas religiosas e, em especial, sobre o Islamismo.
Considero ainda hoje as análises feitas sobre o Islamismo extremamente “orientalistas”, para citar Said. O cristianismo acaba sendo criticado, mas de forma mais branda, afinal, somos herdeiros desta cultura, a conhecemos muito bem. Mas já aquilo que desconhecemos sempre parece mais radical, mais terrível, mais grotesco e perigoso. Nada mais falso.

Minha resposta foi dada, enfim.
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Recomendo vídeo postado no Bule Voador sobre as interpretações incorretas no Corão e o preconceito que existe contra muçulmanos e sua religião.
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Mas eis que, em 20 de março, Eli Vieira escreve um post para o excelente blog ateísta Bule Voador rebatendo minha posição e, em conjunto, criticando também a posição de Bruno Cava sobre o assunto.
Um post muito bom, mas, em minha opinião, ainda impregnado do mesmo orientalismo de outro ator e, finalmente, com os mesmos preconceitos comuns a muitos ateus – admito também ter alguns, obviamente – quando o assunto é a religião e suas práticas.

Concordo que a religião, em si, deva ser fruto dos interesses de uns dominarem os demais, mas passados séculos e milênios, ela adota características próprias e se descola mesmo da figura de líderes ou liderança, passando a permear as vidas dos indivíduos. Mais que combater, é preciso conscientizar. Não estigmatizar, mas matizar. Em muitos casos falamos do norte, do elemento norteador, do fundador da moral e mesmo pai da ética dos seres humanos, algo que vai muito além da mera religião, do mero ato de se respeitar a um superior supostamente emissário ou intermediário de um deus.

Religião é muito mais um instrumento nas mãos de homens, mas também o cimento que deu origem às bases da sociedade – não sem críticas, não sem evolução, oposição e mesmo subversões.
Enfim, eis minha resposta ao Eli:

Muito interessante, mas ao menos para a “minha” parte, reafirmo o que havia dito antes. Em primeiro lugar, “livros sagrados” são nada mais que passíveis de interpretação. São livros feitos em determinada época, com linguagem e intenções de época que devem, enfim, ser interpretados continuamente. Oras, se existem muçulmanos moderados (penso que a maioria), que discordam da interpretação de radicais, logo, estamos diante de um livro em que um grupo de pessoas interpreta da forma A, e da forma B.

A questão como eu havia dito, volta à interpretação feita, à leitura feita. É possível apontar passagens da bíblia (especialmente no Antigo Testamento)  em que o teor e conteúdo são muito semelhantes aos do Corão, lembrando que o Corão bebe da fonte judaico-cristã diretamente e jamais foi negado o fato.

Mas, quantos cristãos efetivamente seguem estes preceitos “atrasados” encontrados na Bíblia? Temos até nosso grupo de fanáticos católicos da Opus Dei que se martiriza e mesmo pastores charlatões que interpretam a bíblia de sua forma deturpada e roubam dos fiéis, vide IURD, Silas Malafaia e cia. Interpretam da forma que querem, assim como muitos fundamentalistas islâmicos.

Religião em si é supremacia. Se você acreditam no deus A, logo, o deus B, C e D são inferiores, ou melhor, nem existem. Você está certo, é superior. Esta é premissa básica de qualquer religião, logo, não é estranho haver referências a como tratar infiéis em livros sagrados, mas, devemos nos lembrar, livros escritos em um período muito diferente do nosso.

Mas, na verdade, melhor exemplo para se tratar do Islamismo e das deturpações feitas é lembrar da era de iluminação islâmica, que durou até pelo menos a Reconquista. Se hoje temos ciência, alfabeto, medicina, enfim, boa parte da nossa base de pensamento, é porque os muçulmanos conservaram e desenvolveram pensamentos complexos e os espalharam pelo mundo.

Os “infiéis” eram tratados com respeito e apenas sofriam penalidades se desrespeitassem as leis que, como dentre os cristãos, estavam subordinadas à religião. Mas, em geral, judeus e cristãos viviam em perfeita harmonia com muçulmanos dentro de reinos islâmicos.

Estamos, enfim, diante de interpretações literais que se tornam deturpadas quando simplesmente apresentamos a realidade, o momento histórico, a própria história do desenvolvimento desta mesma religião e o que esta representou no passado e pode ainda representar.

Sobre a sharia, é importante lembrar que, como o próprio Corão, é passível de interpretações. Trata-se de um código legal, logo, não pode, nem deve ser interpretado ao pé da letra e, tampouco é universalmente aceito entre todos os muçulmanos como válido.

Mas algumas comparações são interessantes:

O Islã tem uma lei própria, a lei da Sharia, que explicitamente recomenda a morte como pena contra a apostasia, e é devidamente aplicada em alguns países islâmicos.

Ora, os EUA, em sua legislação, mandam para a morte pessoas com deficiência mental. A China tem punições exemplares para ladrões – a morte – enquanto países como a Arábia Saudita lhes cortam a mão. Pergunte a um texano médio sua opinião sobre e ele  defenderá a pena de morte com fervor quase religioso.
Mesmo em países islâmicos sob forte presença da Sharia existem os que se opõem à sua aplicação de forma literal, pois entendem que este não é o caminho.

Lembremo-nos então da Inquisição, da aplicação de preceitos “cristãos” que incluíam a tortura, a fogueira, a danação eterna… Algo que os EUA repetem hoje, com torturas e execuções de prisioneiros. E pior, sequer tendo uma legislação para apoiar tais ações!

É terrível que ateus sejam perseguidos em países muçulmanos, mas também é terrível que ateus sejam vítimas de preconceito no ocidente, nos EUA, mesmo no Brasil, por apenas quererem ter o direito de não acreditar.
Gays também são perseguidos no Brasil, no Irã, na Arábia Saudita e na maior parte do mundo. Independentemente da religião dominante.

Difere a punição, permanece o mesmo tipo de preconceito.

Há séculos o cristianismo também era indissociável da sociedade, da política, das leis e, com o tempo, evoluímos. não sem conflitos, dor e mortes. Durante boa parte desta época, ao menos da pior das épocas, os islâmicos viviam num período de ouro.

É necessário não confundir religiões com práticas, mas é verdade, as religiões são reflexo de suas práticas, mas não necessariamente das práticas radicais e intolerantes de alguns. Definiremos o Hinduísmo pelos fanáticos do partido Bharatiya Janata ou por Gandhi, por exemplo? Os islamismo é melhor representado por Ahmadinejad ou pelos jovens laicos que protestaram contra ele – e foram mortos por isto?

Trata-se com desconhecimento e temor a Ummah, que nada mais é que uma relação identitária de pertencimento a um grupo. Oras, os cristãos católicos sentem-se parte de uma comunidade ligada através do Vaticano. Os Ortodoxos de uma comunidade ligada a sua sé, em Moscou. Todo presidente dos EUA encerra seus discursos louvando não só a deus, mas àquilo que ele considera como uma comunidade cristão e, falando em EUA, é esta comunidade com valores cristãos indissociáveis que oprime afegãos, iraquianos, líbios, e mais meio mundo.

Mas esta ideologia de ódio e conquista, caso dos EUA, é compartilhada por todos? Ou mesmo, quantos Ateus não votam no Tea Party, nos Republicanos ou mesmo em Democratas que promovem a guerra e o ódio?

Trata-se o muçulmano como terrorista maluco e religioso fanático por explodir as torres gêmeas, mas os cristãos no comando dos EUA não sofrem qualquer tipo de reprovação quando explodem casas com mulheres e crianças no Afeganistão. Ou os judeus israelenses quando massacram os Palestinos.

A passagem: “Que atualmente haja mais muçulmanos obedecendo às passagens belicosas do que cristãos é tanto acidente histórico quanto maior insistência e clareza do Corão nesta mensagem de ódio, além de no ocidente a maior laicidade ter sido uma conquista dos valores seculares promovidos concomitantemente à revolução científica que nos levou de uma expectativa de vida de 30 anos para uma de 70.” É incorreta.

Não se trata de maior ou menor clareza, mas sim de transformações históricas, que passam pelas Cruzadas e especialmente pela Reconquista, por uma interpretação de alguns líderes muçulmanos de que as derrotas eram culpa de um afastamento de Allah. Tudo isto culmina com o fim do Império Otomano, a derrota final dos islâmicos frente aos cristãos que, não contentes em destruir seu Império, ainda os desmembra em fronteiras artificiais, incitando ódios tribais e desrespeitando as tradições locais.

Durante a idade das trevas no ocidente, o oriente vivia seu iluminismo.

Uma parte considerável de cristãos não se importa que se faça troça com o Papa, mas outra se importa. Uma parte dos cristãos não se importa com a prática do Aborto, até a defenda, mas uma minoria estridente não se limita a protestar, mas chega ao ponto de matar – vide casos documentados nos EUA.

Muitos muçulmanos – conheço vários – não deram a mínima para os desenhos de maomé, até riram! Não são fanáticos. Lembre-se dos protestos feitos por vários grupos cristãos contra exposições de imagens de Cristo ou de Nossa Senhora em poses não-ortodoxas ou em situações constrangedoras. Muitos não ligaram, outros tantos protestaram e até conseguiram proibir exposições.

Vamos dar uma olhada nas seitas cristãos que levam centenas e até milhares à morte. Jim Jones, os fanáticos do Reverendo Moon e tantas outras seitas, até tupiniquins, como as do bispo Macedo, que enganam e roubam milhões não só no Brasil, mas na África, nos EUA…

Mas, ainda assim, a maioria é laica, a maioria talvez seja até progressista em diversos aspectos. Mas, mesmo dentre os conservadoras, uma imensa parcela nem se importa com religião, mas com a base fundacional da sociedade como eles enxergam, permeados por valores – ora filosofia – que vem de fonte religiosa. Oras, temos ateus criminosos, ateus conservadores, ateus progressistas,… Culpar a religião em si pelos males do mundo é o mesmo que culpar a não-religião pelos ateus que cometem crimes, por exemplo.

Devemos, pois, entender a religião como um pano de fundo, mas são as práticas, o USO desta religião que, trazem os problemas. Assim como o uso de ideologias por grupos assassinos, por pessoas mal intencionadas.
Religião, ideologia, filosofia, são todas ferramentas de fanáticos. Basta algum querer usá-las. Religião ou filosofia, uma idéia na cabeça, um dogma ou uma certeza, todos são possíveis instrumentos para ódio, guerras e dor. Escolham.

As práticas dizem muito sobre a religião, mas devemos ter claro quais práticas estamos olhando.

O fanatismo independe de religião ou mesmo de ideologia. Mas é potencializado por ambas, conjunta ou individualmente.

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O Blog do Tsavkko - The Angry Brazilian está concorrendo mais uma vez ao Prêmio TopBlog! Ano passado o blog passou à segunda fase e terminou entre os 100 primeiros!

O link para votar está aqui neste post e também logo ali do lado, na barra lateral!

Vote e repasse!=)
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terça-feira, 26 de abril de 2011

A Grande Mídia encontrou o culpado pelo Massacre de Realengo

Não demorou e a grande mídia encontrou um culpado (ou uma culpada): A internet.

Agora de forma ainda mais descarada que nunca. Se aproveitam de um massacre para mostrar as garras e impor sua agente anti-democrática. Não respeitam os mortos, não respeitam a nossa inteligência. É impossível ligar à internet qualquer massacre. Diz a Frô:
Heloisa Villela mostra que um estudo do serviço secreto estadunidense de perfis das dezenas de atiradores que provocaram chacinas em escolas, universidades e locais de trabalho nos EUA aponta que além de serem do sexo masculino nada mais nos ajuda a perceber a existência de um futuro matador. Eles são inclassificáveis como bem mostrou Flávio Gomes.
Não podemos saber quem será um matador. Não podemos culpar a internet, que MILHÕES usam, pelos crimes de meia dúzia. Tivemos nosso primeiro massacre, e a mídia encontrou o culpado no mesmo dia, a única ferramenta que desafia a hegemonia desta mesma mídia. Coincidência?

São milhões de variáveis que podem definir um assassino, jamais saberemos as reais motivações de alguém que comete massacres. Ele pode até mesmo deixar uma carta com suas razões, mas o que serviu de gatilho, o que o fez chegar até a decisão final, ou mesmo o que o influenciou durante longo tempo a tomar tal decisão será sempre uma icógnita.

Mas pouco importa.

Mídia e o temor da rede

Apavorada pela força da rede, que não conseguem controlar, os grupos oligárquicos que detém o controle quase absoluto da mídia (salvo poucos e restritos veículos alternativos) buscam calar a rede, os blogs, as comunidades virtuais. Desta forma terão o controle total da opinião e da verdade.

Os jornais tem medo da internet. Podem ter milhões de acessos em seus portais, mas podem ser desmentidos por um blog de 5 acessos diários. Podem, e são.

Qual o poder de um leitor de jornal cuja única forma de aparecer num jornal é enviando uma carta, que passa pelo crivo de censores do mesmo jornal? Na internet este leitor passa também a ser produtor. não é mais passivo. Pode escrever livremente, não precisa depender dos censores e da boa vontade do jornal ou da revista.  E numa dessas pode se sobressair, ppode desmentir, pode envergonhar o jornal.

Isto eles não toleram.

E ainda jogam seus "argumentos" pró-controle fazendo a defesa de um suposto coletivo frente ao indivíduo, ao mesmo tempo em que são ferrenhos porta-vozes do capitalismo, que prega a satisfação pessoal, o consumismo e o individualismo frente ao coletivo, a classe.

Na hora que interessa, defendem deus e o diabo, até ao mesmo tempo. E muitos caem no conto.

No dia posterior ao Massacre, a Globonews, em horário nobre, defendeu com todas as letras que policiais se infiltrem na rede, invadindo nossa privacidade, e o controle da rede, tudo para "defender nossas crianças".

O "direito coletivo" deve prevalecer sobre a "individualidade"! Agora sim!

Os malditos videogames e Bin Laden

Sobrou também para os videogames, como não poderia deixar de ser - em especial para os que são jogados em rede, claro, temos e manter a crítica à internet! Bruno Cava acerta em cheio:
Sobrou até para a internet, novamente achincalhada pela velha mídia, desesperada ante a audiência perdida para a cauda longa de sites, blogues e redes sociais. Videogames? Que graça... a periferia do Rio já vive num regime de brutalidade permanente, direta e difusa. Nenhum morador do subúrbio carioca precisa jogar Counterstrike para vivenciar ao vivo e em cores a guerra. Sim, mais um caso em que negro pobre chacina negros e pobres, ou melhor, negras. Este crime tem cor e sexo. Vale lembrar como, no homicídio passional, a mulher geralmente morre (marido traído mata esposa e esposa traída, a amante). 
E ele ainda completa, passando por cima de todas as baboseiras inventadas e aventadas pela mídia:
Wellington é um cidadão como eu e você que, submetido a circunstâncias extremas por um longo período, acabou cometendo um ato extremo. Wellington nunca será santo nem demônio: um personagem demasiado real, tomado de dramas e carências, encharcado do fel da sociedade. Esquizofrenia não causa assassinato por si mesma. Nem todos levam na boa uma vida de opressão sistemática, vinda de todos os lados, sem rota de fuga.
É o #AI5Digital em sua versão mais crua, mais descarada. Devemos abrir mão de nossa privacidade em prol do coletivo, do mesmo coletivo que é imbecilizado pelas redes de TV. Ninguém pensa em proibir programas degradantes, em proibir programas policialescos que atentam contra os direitos humanos em nome das crianças. Mas a rede, que possui mecanismos de controle parental, promove a inclusão, transporta para um novo mundo, transcende fronteiras.

Por um caso em que a mídia resolveu culpar a internet, devemos punir todo o coletivo.

O jornal O Globo foi direto em sua estupidez:
Além da quebra do sigilo do correio eletrônico do assassino, os investigadores conseguiram rastrear um blog feito por Wellington, que usava a página na Internet para disseminar mensagens desconexas sobre religião e jogos como GTA e Counter Strike (CS), onde o jogador municia a arma com auxílio de um Speed Loader, um carregador rápido para revólveres, usado por ele no massacre de alunos na Escola Municipal Tasso da Silveira. Nos dois jogos, acumula mais pontos quem matar mulheres, crianças e idosos.
O fascínio de Wellington por jogos violentos também aparece no caderno apreendido na casa onde ele vivia desde outubro, em Sepetiba, na Zona Oeste do Rio. Nas páginas, textos curtos e incoerentes, assim como os do blog, misturam islamismo, cristianismo, terrorismo e jogos eletrônicos. Há entre os escritos diversas referências ao atentado de 11 de setembro em Nova York e ao líder da Al-Qaeda Osama Bin Laden.
O rapaz era claramente doente. Desequilibrado. O que realmente salta aos olhos é o teor religioso (ainda que eu dificilmente acredite na desculpa do islamismo, isso cheira muito mal) que impregnou o caso. Vindo de uma seita radical, as Testemunhas de Jeová, não surpreende parte de seu comportamento.

Mas se formos culpar os jogos, teremos então de nos preparar para os milhões de jogadores que podem virar, do dia para a noite, assassinos seriais! Oras, eu estudo e leio sobre terrorismo desde meus 12 ou 13 anos, então jajá começarei a atirar em pessoas por diversão! Aliás, escrever ou se interessar sobre um dos eventos e personagens mais emblemáticos do Século XXI (11 de Setembro e Bin Laden) deve ser mesmo razão pra se tornar um assassino. Claro que, vindo de uma pessoa doente, teologia e jogos violentos podem explicar alguma coisa, mas o mesmo não se aplica ao grosso da humanidade.

Como se não bastasse, em um dos subtítulos da matéria lê-se "Ação planejada pelo computador", dando a entender que a "culpa" é do computador, da internet. Será que se a ação fosse planejada por telefone, numa folha de papel ou em programas policalescos das redes de TV agora tão preocupadas com a família - #BolsonaroFeelings - seria notícia?

Sem dúvida o problema dos jovens é a internet, e não discursos carregados de ódio de parlamentares e nem o fanatismo de líderes evangélicos, verdadeiros canalhas, que roubam de fieis crédulos e desesperados enquanto lhes prometem o céu, desde que cumpram regras draconianas e infernizem a vida dos demais.

Upgrade da Record

A Record, em seu programa Domingo Espetacular do dia 24 de abril atacou diretamente os games.

Característica típica do jornalixo brasileiro, não se preocuparam em ouvir os dois ou mais lados da questão.

A mídia acredita que uma vez escolhido o alvo, ali está a verdade e não há nenhuma necessidade de ser plural, democrática ou minimamente honesta.

Diz Paulo Lopes:
O programa Domingo Especular, da TV Record, apresentou hoje uma reportagem que associa os games violentos a assassinos como o atirador que matou 12 adolescentes de uma escola de Realengo, no Rio.

No Twitter, por intermédio da hashtag #GamerscontraR7, a reação dos usuários de games ocorreu antes mesmo de a reportagem ter ido ar. O R7 -- portal da Record – já tinha anunciado que o game seria um dos assuntos do programa.

A reportagem ressaltou que Wellington Menezes de Oliveira, o atirador, passava horas no computador entretido com jogos de violência, de tiros. Lembrou de outro assassino, o estudante Matheus da Costa Meira, que em 1999 disparou uma metralhadora contra uma plateia de um cinema em São Paulo, matando três pessoas. O filme que passava era Clube da Luta, inspirado em um game.

O programa ouviu uma psiquiatra segundo a qual o game não altera só o comportamento de pessoas com transtornos mentais como o caso dos dois exemplos citados. Segundo ela, qualquer jovem que se vicia em game passa a agir de maneira agressiva na escola e na rua. O programa entrevistou uma mãe que teve problema com o filho por causa disso.

Embora o tema seja polêmico, Domingo Especular não entrevistou ninguém com o ponto de vista de que esse tipo de jogos ajudam a descarregar uma agressão que poderia extravasar no mundo real.
Controle da Rede e mídia preconceituosa
 
Guardar dados sem permissão judicial, logs, permitir a invasão de endereços de e-mail sem permissão da justiça, infiltrar policiais, censurar, bloquear acesso... É o sonho da mídia. E não há provas de que nada disto funcione - na verdade existem provas contrárias!
De acordo com grupo alemão especializado em liberdades civis, armazenar informações pode até mesmo prejudicar a segurança na web.
O armazenamento de dados de telecomunicação não ajuda a combater crimes, de acordo com um relatório da polícia alemã, divulgado nesta quinta-feira (27/1).
A Diretiva de Proteção de Dados da União Europeia, que atualmente está em revisão, exige que as empresas nacionais de telecomunicações armazenem informações de seus clientes, com o intuito de facilitar em casos de investigação e prevenção contra crimes graves.
A Diretiva foi implementada na Alemanha em 2008, mas não surtiu efeito contra a realização de crimes graves, de acordo com um estudo detalhado feito pelo grupos de liberdades civis AK Vorrat. No ano passado, autoridades alemãs concordaram com um veto sobre retenção de dados, por considerar que ela interfere nos direitos fundamentais dos cidadãos. Outro país que se declarou a ação inconstitucional foi a Romênia.
Mas a mídia não vê problema em defender racistas e homofóbicos como Bolsonaro, em empregar canalhas como Prates e Casoy, ou dar espaço para os defensores da tortura e do assassinato como Datena e tantos outros. Isto não é um perigo para o coletivo, isto não imbeciliza, não cria ódios, não coloca parcelas da sociedade na defensiva.... Jamais! É Liberdade de Imprensa (travestida de Liberdade de Expressão), que está acima de qualquer coisa.

A mídia grita e esperneia quando se fala em controle, quando se fala em impor limites e o respeito às leis, mas não vê contradição em defender a censura e o controle - aí sim -  para a rede!

TV's são concessões públicas, não privadas. Jornais e Revistas possuem responsabilidade enquanto veículos jornalísticos, enquanto personalidade jurídica. A internet não é nada disso. Um blogueiro deve ser responsável pelo seu blog, mas a internet não pode ser censurada para que todos sejam responsabilizados por um blog.

O interesse dos meios de comunicação é a imbecilização, o controle e conteúdo. Se na TV forçam o telespectador a ser um imbecil passivo, a rede permite a crítica. Se os jornais dão um lado apenas da história - e sempre o lado do patrão - a internet permite que se conheça os dois lados, ou os três lados, ou quantos lados a história tiver.

Estamos diante de mais um grande ataque contra nossa liberdade na rede. O #AI5Digital está a todo vapor na Câmara dos Deputados, Azeredo está atuando mais do que nunca e tem total apoio da mídia golpista, que quer ter o direito de chamar a Ditadura de Ditabranda sem ser incomodada pela verdade, que quer colocar fichas falsas da Dilma sem ser desmentida, que quer censurar e controlar sem ser molestada, voltando aos bons tempos da Ditadura, quando a voz das elites era soberana.






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