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domingo, 17 de abril de 2016

Posicionamento diante da possibilidade de impeachment de Dilma

Antes de mais nada, eu sou CONTRA o impeachment, mas admito que parte de mim sentirá prazer ao ver o PT afundar. Merecem.

Se MST e demais movimentos tivessem colocado as milhares de pessoas nas ruas que dizem que vão colocar hoje, bloqueando estradas, incendiando pneus (vandalismo?) para lutar por reforma agrária ou por um governo efetivamente de esquerda, imaginem só onde estaríamos!

Quantos que hoje gritam #NãoVaiTerGolpe não gritavam VAI PM em 2013? Quantos não faziam coro de "vandalismo" por vidraças quebradas de bancos, mas acham lindo e revolucionário estourar bonecos de plástico?

Com essa gente, honestamente, eu não me junto, não quero nem respirar perto, que o diga sair de braços dados. Num dia lado a lado, no outro correndo de balas de borracha e sendo enquadrados na lei antiterrorismo diante de quem aponta e ri.

O que mais me irrita nisso tudo é a hipocrisia e a desmemória. Gritam contra a Globo como se o governo não tivesse passado TODOS os anos no poder enchendo a Globo de grana (mais de 6 bilhões de reais). O PT nunca ousou levantar o dedo contra a mídia ou contra os interesses de poderoso algum. Como disse o Gustavo Gindre
"O grande responsável por esse massacre mediático é a omissão e mesmo a cumplicidade dos 13 anos de governos petistas em relação aos grandes grupos de mídia." 
Na verdade o PT se dedicou a criar também uma mídia própria, tão suja e mentirosa quanto a que diz se opor.

O PT ESCOLHEU esse caminho.

Escolheu seu caminho e escolheu a altura do precipício do qual se jogou. Escolheu os aliados, escolheu Temer. E escolheu as empreiteiras ao invés dos movimentos sociais.

Não importa quem vença, se o PT ou a oposição (oposição esta que era, em sua ampla maioria, aliada do PT até ontem), nós perderemos. Já perdemos, aliás. Os acordos feitos para manter ou derrubar o governo irão dilapidar ainda mais o Estado. Iremos provavelmente passar por reformas profundas que irão prejudicar milhões de brasileiros.
O PT não pode ser julgado por bandidos... Mas se aliar, ser apoiado e governar com bandidos pode? É uma lógica que eu não entendo... Mas nunca nos esqueçamos da máxima "Lulou, tá novo".
Não duvidem se logo na semana posterior ao impeachment (sim, ainda faltaria o Senado caso o processo fosse aprovado hoje, mas por lá a queda da Dilma seria certa) vierem reformas da previdência (mais agressiva que a que o PT já vem impondo), mais criminalização de movimentos sociais (o que o PT também vem fazendo), corte de direitos (novamente, o PT faz)...

Eu não consigo compreender como alguém consegue ir às ruas e gritar por qualquer um dos lados. Não é pela democracia, é pelo PT que protestam. Não é contra a corrupção, é contra o PT que votam impeachment.
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quarta-feira, 9 de março de 2016

"Feministas" do PT e PSeudoB agridem mulheres e tentam sequestrar manifestação em São Paulo

Petistas e turma do PseudoB tentam sequestrar manifestação. Foto via Democratize
O PT resolveu passar do malufismo à aberta criminalidade. No dia seguinte à pixação da sede do PSOL no Rio Grande do Sul, ativistas (homens e mulheres) do PT e do PSeudoB agrediram mulheres do PSTU, PSOL e outros movimentos durante ato pelo Dia Internacional de Luta das Mulheres (8 de março).

O primeiro meio a divulgar os fatos foi o excelente Democratize:
Segundo informações da nossa colaboradora Carol Nogueira, que inclusive participou das diversas reuniões que foram feitas para elaborar o ato de hoje, militantes feministas que participaram da organização acusaram os movimentos pró-governo federal de intervir na mobilização, querendo “sequestrar o ato”.
Tais movimentos seriam a UJS e a CUT, além de organizações feministas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. A intenção desses grupos teria sido pautar a manifestação desta noite em São Paulo como uma espécie de “Mulheres por Lula”, ou “Mulheres contra o Golpe” - ou seja, contrariando a decisão já estabelecida nas reuniões de organização do ato.
Petistas e PseudoBistas atacam feministas. Foto via Democratize
E continuaram:
Após a ativista Silvia Ferrano criticar no carro de som a postura do governo federal diante das pautas feministas no Brasil, a situação saiu do controle.
Militantes pró-governo, incluindo até mesmo homens, cercaram a saída do carro de som, e tentaram agredi-la junto com outras companheiras. Houve confusão e ameaças, que acabaram desencadeando na divisão da manifestação deste dia 8 de Março em duas frentes.
O Movimento Pró Corrupção escreveu no Facebook:
Militantes feministas que participaram de toda organização acusaram os movimentos pró-governo federal de intervir na mobilização, querendo “sequestrar o ato”.
Tais movimentos seriam a UJS e a CUT, além de organizações feministas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. A intenção desses grupos teria sido pautar a manifestação desta noite em São Paulo como uma espécie de “Mulheres por Lula”, ou “Mulheres contra o Golpe” - ou seja, contrariando a decisão já estabelecida nas reuniões de organização do ato.
O perfil Fora Eduardo Cunha, também no Facebook, não deixou espaço para dúvidas:
O que aconteceu no Ato das Mulheres em São Paulo é um completo absurdo. Militantes - homens e mulheres - do PT e do PCdoB agrediram fisicamente mulheres do PSOL e do PSTU, que não queriam participar de uma manifestação em defesa do Governo Dilma e do Lula.
Esse tipo de atitude é inaceitável.

O perfil ainda denunciou que ativistas do PT e do PCdoB estariam defendendo as agressões nas redes sociais:
Infelizmente, as agressões no Ato das Mulheres em São Paulo estão sendo apoiadas por muitos apoiadores do PT e do PCdoB.

Em uma das intervenções, pelo Facebook, uma militante do PT defendeu que todos que não apoiarem Dilma devem ser agredidos fisicamente:
Sem medo de ser criminosa! A "ativista" é militante do PCO, partido alugado pelo PT.
Silvia Ferraro, do PSTU e MML, denunciou as agressões:

|São Paulo| O ato do 8 de março - Dia Internacional da Mulher - foi marcado por uma tentativa de golpe.Não por acaso,...

Publicado por CSP - Conlutas em Terça, 8 de março de 2016

A situação poderia ser resumida como "'Feministas' petistas e do PSeudoB AGREDIRAM ativistas feministas de esquerda na Avenida Paulista por estas criticarem Dilma e se recusarem a ter marcha sequestrada pelo governismo."
Foto via Aldo Sauda

O professor Valério Arcary, liderança do PSTU, se manifestou:
Nada pode explicar ou justificar o que aconteceu neste 8 de março na Paulista. Militantes que apoiam o governo Dilma tentaram impedir Silvia Ferraro do MML (Movimento Mulheres em Luta) de fazer um discurso com críticas às políticas do governo Dilma que atingem as mulheres. Não satisfeitos com esta barbaridade, depois tentaram espancar Silvia Ferraro quando ela desceu do caminhão de som além de outras ativistas vinculadas aos partidos da oposição de esquerda ( PSTU, PSOL, PCB) que se uniram para defendê-la.
Não fosse tudo isso o bastante sequestraram o Ato unificado do 8 de março, o que é imperdoável.
Estes métodos são monstruosos, desprezíveis, abjetos.
São uma aberração burocrática.
São intoleráveis.
O monolítismo e o aparelhismo são uma perversão.
O perigo de uma confrontação física esteve realmente presente.
Claro que este episódio grotesco tem relação com a crise política.
A prisão de Lula no passado 4 de março, mascarada de legitimidade jurídica sob o pretexto de "proteger" a sua segurança, foi uma ação autoritária. Merece se repudiada por todos aqueles que valorizam as liberdades democráticas.
Além de indefensável, juridicamente, foi uma provocação política que apresentou Lula sendo preso pela Polícia Federal dez dias antes da manifestação que está convocada para o próximo domingo.
Disso não decorre que Lula seja inocente.
Ao contrário, as informações disponíveis sugerem, fortemente, que Lula tinha relações obscuras com as empreiteiras e merece ser investigado.
Posso compreender que alguns militantes do PT e do PCdB estejam exaltados com a iminência de um possível impeachment de Dilma.
Eu preferiria que a situação fosse outra, e o governo Dilma estivesse ameaçado por uma greve geral contra a reforma da Previdência que pretende introduzir a idade mínima.
Mas não é assim.
Estou entre aqueles que consideram que este Congresso não tem autoridade para derrubar o governo, e muito menos para empossar Michel Temer.
Mas os métodos brutais são mais uma demonstração da decadência e do desespero das direções do PT e do PCdB.
Lamentável.
Quem merece solidariedade é Silvia Ferraro.

SÃO PAULO (SP) | #8deMarço Companheiras foram ameaçadas de agressão por governistas. Leia o depoimento de Silvia...

Publicado por PSTU Nacional em Terça, 8 de março de 2016

Apenas lembrando as realizações do PT e de Dilma para as mulheres:

2012: Dilma manda ministra Menicucci calar a boca e garante que com ela não haverá legalização do aborto
2012: Ministro Gilberto Carvalho pede perdão à bancada evangélica por declarações sobre aborto 
2013: Padilha veta campanha voltada a prostitutas
2014: Ministério da Saúde revoga portaria 415 que regulamenta a interrupção da gravidez nos termos da lei.

Como eu já cansei de dizer, a turma neoPTcostal só é militante do PT e de mais nada. Morreriam ou matariam as próprias mães se recebessem uma ordem do partido. Não existe feminista petista, LGBT petista, existe petista que se apropria de uma causa pra conseguir o poder e manter o poder.

Petismo cada dia mais é sinônimo de malufismo e fascismo.
No Rio o governo do PTMDB põe abaixo a casa da Maria da Penha, liderança comunitária na Vila Autódromo, que já teve seu nariz quebrado pela guarda municipal. Enquanto isso, preparam Pedro Paulo, conhecido por agredir mulheres, para as próximas eleições
Em Fortaleza a PM do PT reprime manifestação das mulheres
Em São Paulo petistas tentam fazer ato das mulheres virar ato pró governo e acabam agredindo militantes feministas que se colocaram cotra a cooptação
E nada do governo se colocar na defesa de pautas urgentes para as mulheres, como a defesa do direito ao aborto
Definitivamente, um 8 de Março cheio de golpes
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Vídeo censurado: Mães de Maio denunciam promotora por “criminalizar” movimento

Este vídeo foi postado originalmente pelo site jornalístico Ponte e posteriormente censurado a pedido da promotora Ana Maria Frigério Molinari - ex-promotora do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) - que acusa as Mães de Maio de envolvimento com o tráfico de drogas.

A acusação, flagrantemente falsa, foi feita durante uma audiência de instrução na 3ª Vara Criminal de Cubatão. Nela a promotora responde a perguntas feitas pelo advogado de três policiais militares, Cristian David Almeida de Castro, José Roberto de Andrade e Rudney Queiroz de Almeida, acusados de “sequestro e denunciação caluniosa”. Segundo a denúncia do Ministério Público, em 2009, o trio teria sequestrado um suspeito com o objetivo de assassiná-lo no acostamento da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, mas, surpreendidos por policiais rodoviários, disseram que haviam prendido o homem por porte ilegal de arma.

As Mães de Maio são um dos movimentos sociais mais importantes, respeitados e coerentes do Brasil, com anos de luta pelo reconhecimento da responsabilidade do Estado no assassinato de seus filhos em maio de 2006 por ações de policiais militares que afirmavam combater o PCC.
"As Mães de Maio já receberam o Prêmio dos Direitos Humanos, do Ministério da Justiça, e há dois anos foram homenageadas com uma lei estadual que transformou o 12/5 em Dia Mães de Maio. Os crimes que motivaram a criação do grupo ocorreram após o PCC matar 43 agentes públicos, a maioria nos dias 12 e 13 de maio de 2006. Entre 12 e 20 de maio, o Estado de São Paulo registrou a morte de outras 493 pessoas, muitas baleadas por policiais em supostos confrontos ou por homens encapuzados.

Entre as vítimas, estava o filho de Débora, Edson Rogério Silva dos Santos, que, segundo ela, trabalhava como gari e “levava no bolso o holerite do emprego, que ficou manchado de sangue”. Outra Mãe de Maio, Vera Lúcia dos Santos, entrou para o grupo após sua filha, Ana Paula Gonzaga dos Santos, grávida de nove meses, ter sido morta por tiros que também atingiram o feto que levava na barriga, uma menina chamada Bianca que estava com a cesariana marcada para dali a três dias."
Leia mais: http://ponte.org/maes-de-maio-denunciam-promotora-por-criminalizar-movimento/

Pede-se que o vídeo seja espalhado. Repostem em suas redes sociais, em seus canais do youtube, vimeo e etc para furar a censura imposta pela justiça de São Paulo. Que a promotora Ana Maria Frigério Molinari prove suas acusações ao invés de esconder-se detrás de medidas que visam censurar a imprensa.
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sexta-feira, 3 de abril de 2015

A redução da maioridade penal junto à pena de morte já é realidade nas favelas brasileiras

Uma criança de 10 anos, Eduardo de Jesus Ferreira, foi baleada no Complexo do Alemão ontem. As suspeitas (ou certezas) são sempre as mesmas: Policiais Militares da UPP.

Sim, a foto é gráfica, mas é importante para que se entenda: É este tipo de imagem que crianças vêem quase todos os dias nas favelas brasileiras. Não, não é na Síria, não é no Iraque, não é a ISIS, é o Rio de Janeiro, é a PM carioca, é o tráfico, a milícia, é o Brasil.

Se a criança que vive na favela vê esse tipo de imagem todo dia você que lê este blog também pode ver. 

Enquanto 90% da população defende a redução da maioridade penal crianças são mortas violentamente ou são forçadas a conviver com esta realidade de medo. Podem ser mortas a qualquer momento. São submetidas desde a infância à violência, são alvos. Não tem direito nem dignidade.

E isso gera revolta.

CRIANÇA DE 10 ANOS MORTA PELA UPP NO COMPLEXO DO ALEMÃO
COVARDES, VIERAM PARA MATAR UMA CRIANÇA DE 10 ANOS.É ISSO MESMO GOVERNADOR.#SOSCOMPLEXODOALEMAO Quero ver nas #Olímpiadas2016#Rio2016 #Olimpiadas#FoxNews#Bbc#Itv#Cnn#Abc#Cbs#TheNewYorkTimes#TheGuardian#ERREJOTA#ElPaís#TheNewYorkTimes #Brasil2016#RioDeJaneiro#Rio2016
Posted by Complexo Alemao on Quinta, 2 de abril de 2015
Não estou justificando a revolta, mas apenas deixando claro que ela existe, e que há nela alguma legitimidade. Você consegue imaginar o que é ser discriminado, violentado e abusado desde criança? De ser tratado como lixo, de ver seus amigos, pais, parentes, serem humilhados, violentados e mortos pela polícia que deveria os proteger? Aceitaria passível toda a desgraça que te cerca? Uns sim. Outros não.

É lógico que a revolta acaba gerando apenas mais resposta violenta alimentando o ciclo, mas é importante entendê-la para poder debater, propor saídas.

E não estou tirando a autonomia dos indivíduos, nem todos "viram bandidos", nem todos seguem o caminho do ódio - pese muitos sentirem esse ódio -, mas acreditar apenas que estes são "ruins", que escolheram e ponto seu caminho é de uma infantilidade, torpeza e desumanidade incrível.

Vejam só o comentário de um garoto, no Facebook, numa das várias postagens sobre o assassinato dessa criança (o garoto da postagem deve ter a mesma idade da criança morta):
Se esse garoto tiver mais de 10 anos é muito. E já sente ódio.
Qual o futuro dele? Se tornar um traficante? Um assaltante? Um assassino? Acabar morto ou trancafiado numa cadeia onde irá sentir ainda mais ódio da sociedade?

É incompreensível o ódio que ele sente? Não. Incompreensível é a negação de amplos setores sociais da realidade de violência e exclusão a que crianças são submetidas. Negação da realidade seguida de pura vingança: Vamos meter mais e mais adolescentes em centros de tortura estatal para se pós-graduarem no crime e sentirem ainda mais ódio - que se voltará contra a própria sociedade.
Postagem de um rapaz já mais velho, mas no mesmo tom de revolta. A lógica dele é incompreensível?
Longe de APOIAR a violência ou respostas violentas, eu busco entender para, então, ser capaz de enxergar que TODO o sistema precisa de reforma. Educação, inclusão, direitos humanos, o fim da PM, o tratamento humano a todos, políticas de promoção de igualdade, ajuda psicológica, enfim, o pobre, o favelado tem que parar de ser tratado como marginal ou marginal em potencial, ser vigiado, violentado e deve ser tratado como... ser humano. Como todos temos de ser tratados, mas apenas poucos somos.

A redução da maioridade penal vai apenas piorar o quadro de violência, mas os defensores irão apenas lavar as mãos e, no fim, irão defender penas mais duras para crianças como esta da foto que abre a postagem, isso se não chegarem ao cinismo de comemorar: Que bom, morreu antes de poder cometer crimes.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ataque ao #CharliHebdo e o jogo do medo

O ataque ao #CharlieHebdo é terrível e lamentável e pode ter consequências assustadoras. Independentemente de ter a ISIS como autora, se descobrirem que dentre os terroristas há emigrados, gente com cidadania francesa/europeia ou que tenham nascido na França/Europa, a pressão sobre os imigrantes de origem muçulmana será imensa (e já é).

É de se pensar que haverá reação violenta, com muito ódio, por parte da extrema-direita e, cada vez mais, de quem antes era moderado, mas foi se radicalizando sob o sentimento de "invasão", de que estão sendo invadidos por imigrantes, em especial muçulmanos, que muitas vezes não se integram e não adotam um estilo de vida "europeu".

Por outro lado, não podemos negar a existência de fanáticos perigosos dentro das comunidades de imigrantes muçulmanos. Sharia4Belgium é apenas um exemplo. O uso de burkas é outro. Se é verdade que muitas vezes a dificuldade de se integrar parte da negativa dos hospedeiros de aceitar algumas diferenças culturais e ter paciência e vontade, também é verdade que muitos chegam sem a menor intenção de se integrar, mas vivem em guetos autoimpostos professando versão radicais de sua religião.

No fim a intransigência de ambos os lados leva a que os moderados, os laicos, os humanistas, os integrados e integradores sejam alvos.

Veremos possivelmente políticas ainda mais restritivas aos muçulmanos na França e em toda a Europa, assim como mais ódio popular e, claro, mais ódio reativo da comunidade muçulmana, acuada. Cada vez mais os moderados perdem a batalha para os fanáticos.

E não vamos nos esquecer dos grandes responsáveis por criar e financiar grupos que posteriormente se tornam seus maiores algozes: EUA e aliados europeus - França inclusive.

Al Qaeda e agora ISIS são nada mais que crias desse grupo de países, financiados para derrotar inimigos pontuais (URSS antes e Assad hoje) que, dizem, saíram do controle. Outros, porém, duvidam que o controle tenha se perdido e que tudo não passa de cortina de fumaça para sustentar a indústria da guerra e do vigilantismo, impondo controles e dificuldades maiores à população mundial baseado no medo do terrorismo.

Ataques anteriores, como ao metrô de Londres ou de Madri levaram apenas à escalada de violência no Oriente Médio, África e à maior repressão na Europa. Quanto mais violência um lado pratica, com mais força o outro lado responde em um ciclo interminável.

Ciclo este que nubla reais problemas ideológicos, religiosos e de integração, criando um monstro impossível de lidar e anulando posições não-alinhadas ao fanatismo vigente.

Trata-se de um jogo baseado no medo para impor o controle. Os governos europeus irão dar declarações beligerantes, a população irá se voltar contra seus vizinhos, as comunidades atacaras irão se fechar ainda mais e veremos possíveis "respostas" contra o terrorismo que nada mais são que atos de terrorismo estatal, e estará criada a situação para a perpetuação do fanatismo e da violência.

É preciso deixar claro que não se trata de demonizar o islamismo ou os muçulmanos, e sim entender o jogo e o uso que as potências fazem. O dito islamismo radical não nasce do nada, mas de agressões claras do "ocidente", como a imposição do Xá no Irã, levando à Revolução Islâmica, a imposição de ditadores sanguinários laicos aliados aos EUA e Europa, como Mubarak, Saddam e tantos outros, o uso indiscriminado de Drones, como no Iêmen, ou mesmo a deposição violenta ou tentativa de ditadores como Kaddafi ou Assad.

Nasce ainda da negação da integração aos emigrados, pese ser uma via de mão dupla. Ódio cria ódio, é uma regra básica.

Enfim, devemos ter cuidado para analisar o cenário mais amplo, sem demonizações e sem nos deixar levar pelo fanatismo de qualquer dos lados.

Sobre a questão dos muçulmanos na Europa, recomendo: "A 'invasão muçulmana' da Europa"
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terça-feira, 29 de julho de 2014

A legitimidade e os legitimadores da violência estatal

É impressionante como as pessoas tem dentro delas um mecanismo de legitimação da violência estatal.

Se é o Estado que agride então é legítimo. Reclamar não pode e, se puder, só vale gritar enquanto apanha.

Reagir é crime. Estou longe de me alinhar automaticamente à tática Black Bloc ou de negar minhas infinitas críticas a seu uso - já deixei claro que defendo o uso da tática em termos defensivos e em casos específicos -, mas me impressiona o repúdio que pessoas ditas intelectuais expressam pelo seu uso.

Não faltam palavras para qualificar o absurdo e o horror que é pessoas se organizarem para se defender do Estado, mas faltam palavras para condenar uma polícia armada até os dentes, que assassina milhares de pessoas nas favelas e que, no asfalto, se contenta "apenas" em cegar jornalistas e brutalizar quem passar pela frente.

Temos 23 perseguidos políticos no Rio, temos o Fabio Hideki, temos o Rafael Braga e centenas, quiçá milhares de outros exemplos de pessoas presas - em geral pretas e pobres - ou mortas pela polícia sem direito à defesa. Atacados com armas letais ou "menos letais" e frente a tudo isso devemos nos limitar a gritar enquanto apanhamos ou a buscar as estruturas do mesmo Estado que criminaliza.

Mas reagir? Jamais.

E as razões desses críticos não são na base do "reagir com violência é burro porque atrairia uma resposta maior do Estado e não temos condições de vencê-lo no jogo da violência", que até faz sentido, mas sim no jogo do respeito à instituições falidas.

Realmente eu não entendo.

Por vezes estas pessoas me soam como legitimadoras da violência estatal. Se arrepiam ao imaginar um coquetel molotov, mas não vêem nada demais com balas de borracha. O Estado, dizem eles, pode. alguns até dizem que tem o dever de agir contra "arruaceiros" e "vândalos".

Claro, há os que se revoltam com a violência do Estado, mas se juntam ao coro dos protofascistas para dizer que devemos apenas e unicamente recorrer ao mesmo Estado esperando sentados pela cega e perdida justiça.

No fim isto apenas legitima a violência do Estado, ao encará-la como normal, como parte do jogo, ao passo que a reação é criminalizada. E este tipo de legitimação serve a quem?
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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Somos todos culpados: Sheherazade, Bolsonaro e o crescimento do fascismo no Brasil

"Sou a primeira a achar que Sheherazade e demais propagadores de ódio devem ser processados, que Bolsonaros e Felicianos da vida são responsáveis por cada LGBT morto e torturado, e assim por diante. Mas isso não pode diminuir ou isentar a culpa disseminada da sociedade. Se há turbas prontas para seguir esses canalhas dementes, e inclusive para votar neles, este é nosso maior problema. Colocar a culpa só nos líderes é uma ótima maneira de não tratar do problema maior, de não mexer na ferida. É escolher um bode espiatório pra essa situação tão grave que vivemos, e tirar do debate público a situação maior, porque há tanto fascismo e ódio crescendo no Brasil...." Mariana Parra
Uma coisa é afirmar que a Sheherazade (e Bolsonaro, dentre outros) tem responsabilidade pelos linchamentos país afora, outra é achar que SÓ ela tem responsabilidade.

Quem incita tem culpa, mas é preciso seguidores dispostos para fazê-lo. O fascismo está na sheherazade E em quem executa seus desejos. Lembrem-se, Hitler só chegou ao poder porque milhões confiaram nele e impuseram sua agenda.

Quem lincha é tão culpado quanto quem incita.

O fascismo está crescendo no Brasil, e a culpa não é só de Sheherazades e Bolsonaros da vida, ou de Felicianos e pastores neopentecostais. É culpa de um sistema educacional péssimo (não-emancipatório) e de um governo incapaz de se libertar da agenda conservadora dos aliados que escolheu. Incapaz não, simplesmente não tem interesse.

E quando eu falo "governo" não me refiro apenas ao PT, e sim aos sucessivos governos brasileiros, ainda que nunca vi um governo tão feliz em ser refém da agenda conservadora quanto o PT.

Acredito que o fascismo esteja crescendo mais em grande parte devido ao consumismo promovido pelo atual governo, sem preocupação com politização e formação de bases sociais. Consumismo jogado na cara da população que não vê sua qualidade de vida se elevar da mesma forma que o suposto poder de compra. Direitos sociais continuam sendo uma farsa, a polícia se torna cada dia mais violenta e, senão mais violenta, mais disposta a violentar com a certeza da impunidade.

Legítimas revoltas populares contra a violência policial/estatal e contra abusos estatais (como desvio de dinheiro, obras faraônicas e absolutamente nenhuma transparência) são tratadas como tentativas de golpe e esmagadas com violência. Isso gera ódio, revolta e nem sempre encontra o melhor canal para explodir.

Em uma sociedade onde o status está em ter um tênis da moda mais do que nas realizações pessoais, e no trabalho em si( nem preciso começar a falar da farsa do "pleno emprego" brasileiro que se pauta em sub-emprego), há espaço amplo para que cresça o fascismo sob o nome de defesa da propriedade, por menor que ela seja.

Em uma sociedade onde se vê a total impunidade de líderes políticos (salvo raras exceções, como no caso dos mensaleiros) e de, por exemplo, policiais violentos e assassinos, é esperado que pedaços da população se sintam livres para agir como querem ou mesmo para agirem com as próprias mãos - com a conivência e incentivo de gente como Sheherazade.

Enfim, as condições sociais para o crescimento do fascismo no Brasil estão dadas, as lideranças midiáticas e políticas que incitam apenas jogam fogo na gasolina já espalhada. A responsabilidade não é apenas deles, mas também deles.

Os discursos de Sheherazade, Bolsonaro, Feliciano e outros legitimam as ações violentas de justiceiros, promovem a ideia de que está tudo bem fazer "justiça" com as próprias mãos e dão as bases ideológicas para que o fascismo finque raízes mais profundas na sociedade. 
Mas os autores são vítimas, em boa medida, repito, da disseminação do ódio praticado por comunicadores como Sheherazade, que ganha dinheiro clamando por justiceiros. E não por justiça. E que vai continuar fazendo isso enquanto nossa mídia for esse mar de lama atual. E vai continuar fazendo pose por aí, enquanto Valmir vai apodrecer numa cadeia pelo ato bárbaro que cometeu e seus filhos vão ficar desprotegidos. E enquanto Fabiane está morta. É por isso que lutar contra insanidades que Sheherazade vocifera não é censura. É lutar pelos direitos humanos. E impedir a barbárie.
É complicado considerar os autores de linchamentos como "vítimas", como discute o jornalista Renato Rovai. Ou mesmo qual o limite entre ser uma vítima e um algoz. Oras, será que alguém se acha no direito de assassinar pessoas apenas porque "viu na TV"? Não seria este argumento simplista e mesmo paternalista? Não seria mais útil discutir o papel da mídia e também todo mais que cerca os indivíduos e moldam seu caráter?

Nesta linha de argumentação, e lembrando que citei Hitler mais acima (e não se configura como Lei de Godwin), deveríamos desculpar toda a população alemã pelo seu apoio ao regime genocida, ou mesmo aos generais e soldados, afinal estavam apenas cumprindo ordens e seriam, então, também vítimas?

A responsabilidade é de todos nós. Sociedade, governo e mídia.

Se por um lado a mídia tem poder de influenciar, por outro é impossível apontar apenas a mídia como disseminadora de ódio e promotora do fascismo que cresce. Aliás, é impossível e fácil, pois retira da sociedade sua parcela de culpa e retira do governo sua parte da culpa. Do governo que, aliás, também não regula as comunicações e permite que expressões de ódio sejam disseminadas em concessões públicas.
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A estética e a ação Black Bloc

Black Bloc não é um grupo. Black Bloc é uma tática. Uma tática cujo cerne está na ação direta e numa estética particular.

Sejamos diretos: Quem não se veste de preto NÃO é Black Bloc. Um manifestante de vermelho violento é... um manifestante de vermelho violento e não um Black Bloc. E explico o porque.

Black Bloc é, novamente, estética. O estar de preto faz parte da tática, faz parte da ideia anarquista de um coletivo agindo como um só braço, de indivíduos juntos agindo como um só. Rostos cobertos e todos de preto significa que não são indivíduos agindo contra a PM ou contra símbolos do capitalismo (como bancos), mas sim um corpo único, um coletivo agindo uniformemente.

Sem este elemento não há Black Bloc, há apenas a venha violência em manifestações e protestos. Um Black Bloc pode ser considerado um manifestante violento, mas o inverso não se aplica.

Os Black Blocs não inovaram ao trazer a violência revolucionária às manifestações, inovaram ao transformar a raiva coletiva em uma ação conjunta uniforme. Despersonalizaram a autodefesa transformando-a em uma ação coletiva em que é difícil identificar individualmente os defensores.

O caso recente da morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade foi atribuído à ação de um Black Bloc, mas não poderia existir maior equívoco. O rapaz acusado, Caio, estava de cinza quando supostamente acendeu o rojão que vitimou o cinegrafista (e cujo alvo era a PM) e este detalhe é tudo que precisamos para afirmar que ele não era um Black Block, ou melhor, que naquele momento não estava pondo em prática a tática, ainda que nada impeça que ele tenha adotado a tática em outros momentos.

Uma pessoa não "é" Black Bloc, mas tão somente ela emprega a tática. Ainda que falemos, por costume, sobre "o" ou "os" Black Blocs.

Nada impede que em outros protestos ele tenha adotado a tática, se vestido de preto e atuado contra o Estado, mas no caso específico afirmar que ele era ou adotava a tática não é apenas um equívoco, é má fé.

Como escreveu o Pablo Ortellado:
Aqui, a tática tem sido empregada já há alguns anos segundo os princípios estabelecidos pelos primeiros black blocs norte-americanos: não atacar pessoas nem destruir propriedade dos pequenos comerciantes. [...] os manifestantes do Black Bloc entendem que a tática utilizada por eles é não violenta e de caráter fundamentalmente simbólico; entendem também que o ataque a pessoas e pequenos comércios deve ser condenado.
É por esse motivo que vincular a morte de Santiago aos black blocs não faz sentido, assim como não faz sentido tratar como uma violência da mesma natureza a destruição de vidraças de bancos e o ataque violento a seres humanos, parta ele de manifestantes ou da própria polícia. Há pelo menos sete outros casos de cidadãos que, desde junho de 2013, morreram ao fugir de ataques da polícia a manifestantes. A imprensa quase não cobriu essas mortes - como se elas não existissem. Há, na verdade, uma gradação de destaque na cobertura dos protestos: em primeiro lugar, a violência dos manifestantes; em seguida, a destruição de propriedade; por último e nem sempre citados, a violência da polícia e a causa das manifestações. Essa desproporção está na raiz do fenômeno Black Bloc, que busca atrair a atenção dos meios de comunicação para comunicar uma insatisfação política.
PT e Mídia: Os interesses...

Mas a quem interessa reduzir todo manifestante a um Black Bloc tendo em mente que "Black Bloc" virou sinônimo de "violento" para a grande mídia e para o PT?

Por mais irônico que pareça ao incauto, PT e Globo (e mídia me geral) operam em conjunto na criminalização dos protestos. Por mais que interesse à Globo o desgaste do PT por mil razões, não interessa desgastar ou prejudicar a Copa.

E é a Copa que une a todos os poderosos. A Globo investiu pesado, o governo investiu pesado. Logo, há um campo para junção de forças na criminalização das ruas.

E os fanáticos (pagos ou não) petistas estão animados na reprodução das mentiras espalhadas pela grande mídia, mesmo pela Veja, desde que isso signifique atacar às ruas (e também atacar o PSOL, outro alvo preferencial).

Ditadura

No Facebook o Rudá Ricci fez um comentário certeiro:
"Poxa! Tem gente de esquerda que fica postando marcha de estudantes com a inscrição "Geração 1968: não havia covardes, nem mascarados". Além de gosto duvidoso, fico pensando o que desejam com esta comparação. Não houve quem pegou em armas e se tornou clandestino? Eram covardes? Será que não daria para elevar o nível do debate político? Entrar nesta seara ou é autoelogio ou é ignorância."
Acrescento: Eu queria ver esse povo que odeia máscaras falar isso na cara dos Zapatistas...

Covarde é quem aplaude a PM, é quem aplaude movimento social, estudantes, ativistas tomando porrada. É quem aplaude jornalista tomando bala de borracha na cara, é quem aplaude repressão. aliás, covarde não, fascista.

Quem usa a memória dos que lutaram contra a Ditadura para defender repressão é pior que lixo, não merece o ar que respira, merece apenas desprezo e ostracismo.

Cobrir o rosto não é apenas uma forma de proteger a identidade, ainda que faça parte. Temos relatos de manifestantes sendo perseguidos pela PM até em casa, sendo ameaçados. Os governistas enchem a boca para defender a brutalidade da PM, que eles tem mesmo que bater em quem usa máscara, mas não gastam um só segundo para questionar as ameaças e intimidações que quem não cobre o rosto se depara.

Mas, como disse, cobrir o rosto não é apenas para proteção, mas é parte da estética do anonimato e do coletivo em torno da tática Black Bloc. E o princípio é muito semelhante ao do Anonymous. A máscara do Guy Fawkes não é um mero adereço divertido, e sim uma forma de centenas, milhares de ativistas agirem como um só, como uma só ideia, tendo na máscara a imagem do coletivo.

A cada dia que passa os governistas se enterram mais e mais. Não passam de fascistas. A criminalização dos Black Blocs é apenas a criminalização das ruas, dos movimentos sociais, da luta social. Não é fazer o "jogo da direita" é ser a própria direita.

230 presos em São Paulo...

No sábado, dia 22, ao menos 230 pessoas foram presas pela PM. Acusação? Serem Black Blocs.

A manifestação, segundo a PM, contava com 1000 pessoas. Manifestantes falavam em 2000. Seja como for, a PM prender entre 10 e 20% das pessoas que estavam na rua! Nem na Venezuela, com confrontos violentíssimos, chegou-se perto dessa cifra. Em uma semana o número não chegou perto dos 230 da PM paulista.

Inclusive foram detidos ao menos 5 jornalistas, chegando ao ponto da polícia anunciar que Black Blocs estariam usando crachás de imprensa para escapar da prisão. Seria risível se não fosse o reconhecimento de que a polícia brasileira é vergonha mundial.

Vejam a foto abaixo:
A maioria das pessoas de vermelho. Ou seja, nenhum deles pode ser chamado de Black Bloc. Mesmo os de preto não necessariamente o são. Pouco importa.

Vale a criminalização, a violência e a brutalidade contra manifestantes, jornalistas e advogados. Tudo com a torcida entusiasmada de petistas em geral.

Estamos perigosamente nos aproximando de um Estado fascista.
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Venezuela: Separar o golpismo do legítimo protesto das ruas

O direito ao protesto, a se revoltar e ir às ruas denunciar aquilo que vê de errado deve ser garantido.

Seja no Brasil, onde os governos do PT e PSDB tentam sufocar as manifestações chamando a todos de terroristas e vândalos, seja na Venezuela, onde o discurso não é muito diferente.

Mas há uma diferença fundamental entre os manifestantes de lá e daqui: A Venezuela sofreu um golpe em 2002 e vive constantemente ameaçada pelos EUA e aliados. Há um clima de golpe pairando sobre a Venezuela desde que Chávez foi eleito e a falta de habilidade de Maduro na condução do país, que tem sofrido com altíssimos índices de violência, inflação e escassez de produtos básicos, tem aberto as portas para os brios golpistas de setores da sociedade.

Mas não podemos, de início, compreendendo a situação social e econômica do país, apontar o dedo e aplaudir a repressão.

A Venezuela é um país armado, um país coalhado por tensão entre classes e absurdamente polarizado entre dois espectros políticos, tornando muito difícil o surgimento ou mesmo a manifestação de uma terceira via.

Declarar, de início, em um país em grave crise social, que estamos diante de um golpe é um erro. Mas é um erro ainda maior não ficar vigilante.

Mas uma coisa fica clara: A repressão serve apenas para incitar tanto o público interno quanto, especialmente, o externo. A mídia internacional, qual abutres, se refestela com o sangue que corre pelas ruas da Venezuela. Arregala os olhos na esperança de poderem transmitir cenas de violência e, claro, de poder transmitir em primeira mão a queda do regime.

Sabemos por experiência própria que violência gera apenas mais violência e que repressão às ruas gera apenas maiores e mais radicais manifestações. Dois lados exaltados e sem disposição para qualquer diálogo levam à fratura social. E estamos vendo acontecer de camarote. No Brasil o movimento social ainda estende a mão, pede diálogo, mas o governo responde apenas com mais e mais violência, com manipulações e criminalização.
Censura estatal

Na Venezuela o governo impede transmissões, censura meios de comunicação... Mas não podemos inocentar o outro lado, a oposição, que difunde pelas redes sociais imagens falsas de violência e pintam o governo como se fosse um carniceiro, quando a verdade é bem outra.

Não há santos na Venezuela, mas há um lado que vez fazendo o possível, mesmo com erros, para tentar livrar o país da crise. Caberia ao governo e àqueles que ainda pensam, buscar entender as ruas, e separar aqueles que legitimamente cansaram das privações, dos que se aproveitam disso para impor sua agenda.

Caberia, é verdade, aos manifestantes nas ruas denunciar as armações feitas, mesmo que supostamente com a intenção de beneficiá-los, assim como fazem os movimentos sociais no Brasil, denunciando toda e qualquer manipulação, não importando de que lado venha.

No Brasil, aliás, a manipulação vem da situação, do governo e dos governistas, buscando criminalizar as ruas. É triste constatar, mas os métodos do governo e dos governistas brasileiros são os mesmos da oposição fascista venezuelana que se apropria do legítimo clamor das ruas para impor sua agenda golpista.

E, no meio tempo, setores golpistas da oposição se aproveitam para atacar a televisão estatal venezuelana e jornalistas que não noticiam a versão enviesada da oposição - igual faz a PM no Brasil.

Não é uma tarefa fácil separar a manifestação legítima do golpismo puro, mas é necessário, sob pena de mais derramamento de sangue e nova crise generalizada. E cabe à esquerda brasileira que está nas ruas ter a cabeça fria para analisar os fatos e atos e compreender o papel de seu discurso na sua própria criminalização.

Podemos discordar de quem está nas ruas da Venezuela (e eu discordo), mas não podemos negar-lhes o direito à se manifestar e, no fim, a repressão apenas facilita que os descontentes sejam influenciados e mesmo manipulados pelos verdadeiros golpistas.

O Chavismo - ainda que sem Chávez - precisa avançar, impor mudanças, mas ao mesmo tempo precisa estar aberto a dialogar com amplos setores sociais insatisfeitos, confusos e que não podem ser simplesmente reduzidos a simples golpistas (ainda que estes existam, sejam muitos e estejam também nas ruas).
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sobre Black Blocs e a necessidade da unidade de esquerda e mudança de tática

Escrevi há um tempo um texto que gerou muita polêmica, a ponto de certos governistas da tropa de choque, delatores fascistas como #SubEduBoilesen, atores homofóbicos que “saem do armário” para somar ganhos políticos como #Zedia, fakes como #Stanley, dentre outros capachos que orbitam em torno dessa corja, me ameaçarem, correrem atrás dos meus dados, meu nome (como se eu algum dia tivesse escondido meu nome ou que o “Tsavkko” não é de fato meu sobrenome, mas um nome que utilizo há anos na internet, na academia e no jornalismo), meu CPF...

Falta pouco para surgirem ameaças de morte.

Aliás, já recebo quase semanalmente ameaças de neonazistas e integralistas, receber de governistas cujo modus operandi e, em muitos casos, ideologia é tão semelhante a desses grupos de ódio não surpreende.

Mas, voltando...

O texto, enfim, fala sobre o uso da violência simbólica por parte dos Black Bloc e da necessidade de se ampliar o escopo dessa violência, buscando migrar de ações foquistas/vanguardistas contra agências bancárias, ônibus e infraestrutura pública – cuja destruição acaba por ser ou inútil ou mesmo contraproducente, ainda que compreensível em termos de revolta social – para ações mais amplas e mais eficazes.

Estas ações “mais eficazes” seriam buscar atingir os algozes da população, atingir os mandantes e os capachos que cumprem as ordens de reprimir.

Seriam PM's identificados por suas vítimas, seriam os políticos responsáveis pela repressão (escrevia, na época, com foco nos protestos do Rio, logo, os alvos seriam Cabral, Paes, Dilma e sua corja de apoiadores no legislativo, mas é preciso deixar claro que não podemos nos limitar a estes. Temos o PSDB em São Paulo e pelo país afora. Temos o DEM, o PP, o PTB... Falo de TODOS os políticos diretamente responsáveis pela repressão e violência contra o povo), enfim, seriam todos os agentes públicos responsáveis pelas tentativas de assassinar manifestantes nas ruas e que até agora cegaram e feriram dezenas.

E, obviamente, eu me referia à “violência política” não apenas como ato de jogar um coquetel molotov no PM que agrediu centenas, mas em “violência” de forma ampla. No ato de jogar ovos, tortas e afins em políticos, de impedir suas falas em eventos públicos, em impedir que votem projetos contra o povo, em ocupar câmaras e assembleias, em tornar a vida destes crápulas insustentável. Suponho que não tenha me expressado bem, admito, mas "violência" é muito mais do que apenas partir pra porrada.

Mas sim, a pura e simples violência como ato de revolta também. Sempre que necessário e visto como eficaz.

E deixei claro: em momento algum falei em matar. Não vejo como positivo levar a reação ao mesmo nível da ação violenta do Estado. O que devemos é ser mais inteligentes e saber usar nossa maioria contra as armas da minoria que comanda o Estado. Não sou pacifista, nunca fui, mas sem dúvida não calculei a repercussão e o alcance de minhas palavras. E a inviabilidade destas.

E, sejamos honestos, alguém acredita que teríamos sucesso batendo de frente com a PM ou formando guerrilhas? Seria suicídio e, pior, seria algo que iria contra os anseios de toda a população.

Infelizmente, nem todos tem a capacidade de entender textos simples ou mesmo foram capazes de ler e entender os livros de Marx, Lênin e afins que disseram ter lido quando ainda eram de esquerda – e quando o PT era de esquerda. Ou apenas se aburguesaram (ou sempre foram), tendo medo da violência como arma política nas mãos de quem temem: o povo.

Esses mesmos petistas e governistas, aliás, que enchem a boca para falar que nunca usaram máscaras, oras, então deveriam começar a criminalizar os Zapatistas e o Subcomandante Marcos, ou várias guerrilhas cujos membros e/ou líderes usavam máscaras para evitar que fossem reconhecidos e suas famílias sofressem represálias.

E sabemos do que a “nossa” PM é capaz.

Mas a reação...

Mas devo dizer que, em parte, me equivoquei. Não por defender o uso da violência revolucionária e popular contra a violência do Estado, mas em relação à capacidade de resposta do Estado frente à desorganização das forças populares cooptadas ou mesmo destruídas pelo PT, PSeudoB e aliados.

Não havia previsto que a resposta do Estado seria a óbvia: a de reprimir a periferia.

A de descontar sua raiva entre os mais vulneráveis. Em maio de 2006, mais de 500 jovens foram assassinados pela PM. A ampla maioria deles nunca tinha cometido um crime sequer, nenhum foi julgado, foram todos fuzilados.

E não se enganem, a periferia não tem aliados. Nenhum de nós tem. PT e PSDB são irmãos na repressão, com o ministro da Justiça (sic) declarando sua intenção de federalizar os “crimes de vandalismo” com o objetivo de esmagar os protestos e garantir uma Copa segura e feliz para os filhos da elite.

Já sobre os Crimes de Maio nenhuma palavra sobre a sua federalização. E exatamente esses crimes que me levam à conclusão atual. E, no fim, tivemos a morte de um cinegrafista. Uma morte infeliz, lamentável e cujos responsáveis merecem ser punidos. Mas não nos esqueçamos, a PM começou atirando. E isto importa. A violência da PM é sempre o estopim para a resposta. Por pior que seja a resposta.

Não temos a capacidade de enfrentar a PM, não temos a capacidade de enfrentar a violência do Estado, ao menos não com as suas armas. E nem devemos querer fazê-lo, já que as vítimas sempre são as mais vulneráveis e, em geral, são as do nosso lado.

Continuo achando válido o uso da violência simbólica, mas é preciso, antes, conseguirmos uma tática conjunta entre a esquerda, partidos, movimentos e mesmo adeptos do Black Bloc. Ações vanguardistas descoladas das massas são contraproducentes se levadas adiante em um cenário de ampla repressão policial. Não é inteligente.

Sou capaz de admitir meu erro e justificar: assim como muitos, a impotência diante da brutalidade apenas faz crescer nossa raiva. Faz-nos não calcular o alcance das ações (nossas e de outros).

Mudar...

Precisamos reconhecer o papel dos Black Blocs na defesa de movimentos, mas temos de exigir que seja só isso, uma tática de autodefesa. E que ela tenha o mínimo de organização, o mínimo de coordenação, mas se estivermos falando de grupos em si descoordenados. Os Black Blocs não são responsáveis pela violência reativa do Estado, mas são sim usado como desculpa para esta. A PM desconta sua raiva onde a mídia não vai, onde a classe média não se importa e onde o genocídio da população negra já é uma triste realidade.

Recai sobre eles a violência do asfalto.

Não é possível que o asfalto reaja sem antes ter em mente o papel da periferia, sem ter em mente a necessidade de uma coordenação. Mas, infelizmente, o Estado encontra formas de criminalizar e justificar sua violência contra os mais pobres, seja fazendo vista grossa para o aparente descontrole da PM, seja arranjando desculpas, como supostas infiltrações do PCC nos protestos.

Sou ainda defensor da resposta, do uso da violência simbólica defensiva, e acredito que é preciso ampliar a ação para escrachos, para ataques a políticos (repetindo que não faço em ataques buscando matar, mas sim em dar uma mensagem, como as manifestações no Rio que tem impedido, por exemplo, palestras do secretário de segurança Beltrame), mas de forma coordenada, de forma compactuada com as forças sociais estabelecidas.

A violência da PM deve ser combatida ali, na rua, mas tendo em mente as consequências desse combate. Infelizmente, não combatemos qualquer polícia, mas a polícia da Ditadura, a polícia que mais mata e tortura, e que não é controlada sequer pelos políticos, mas tem vida própria e sua vida significa a morte de outros.

Os Black Blocs são um fenômeno social relevante, mesmo importante, mas é preciso ter em mente o alcance de suas ações e a resposta a elas. Como disse Antônio Martins (e seu texto foi em grande parte a razão para este meu texto), os Black Blocs não devem sumir ou assumir derrota, pelo contrário, devem ser incorporados ao debate junto com as forças políticas e sociais estabelecidas.

Ser incapaz de mudar de tática revelaria inteligência reduzida – como a das moscas que se batem contra o vidro, recuando a cada choque, mas insistindo no mesmo trajeto, condenado de antemão. É preciso buscar outros caminhos, e essa responsabilidade cabe a todos, solidariamente.

Para que todos sejamos capazes de escapar à cilada, ninguém pode ser humilhado. Haverá muito tempo para os debates político-ideológicos entre as várias culturas anticapitalistas e suas nuances – mas insistir neles agora seria desastroso para todos.

A violência simbólica nas manifestações precisa refluir, rapidamente.

Como os Black Blocs não estão inseridos nos debates que outros coletivos travam costumeiramente entre si, será decisiva para isso a ação de grupos que souberam manter diálogo com eles – em especial o Movimento Passe Livre (MPL), um caso notável, por ligar-se simultaneamente às duas culturas políticas de esquerda. Mas este silêncio da tática do bloco negro não pode (inclusive para que funcione) significar que foram derrotados. Ao contrário, deve abrir espaço para incorporá-los ao debate.

É preciso compreender que o problema em si não são os Black Blocs, mas sim a falta de unidade da esquerda, da unidade de ação, de controle e direcionamento da tática.

É preciso enxergar a política absurda de criminalização levada a cabo pela mídia e pelos fascistas ligados ao PT. Factóides com o fusca, quase um novo Rio Centro e agora a morte do jornalista - que, em mais um factóide, tentaram creditar ao Marcelo Freixo -, demonstram o poder da mídia e do governo. É preciso responder com inteligência.

É preciso agrupar as forças populares para resistir à violência do Estado, mas antes de respondermos com violência, precisamos nos preparar para as consequências. A morte do colega cinegrafista é algo intolerável, um "dano colateral" inaceitável. Frente a isto fica claro que há algo errado e não é apenas a violência do Estado, a criminalização patrocinada pelos fanáticos petistas ou qualquer outra coisa.

A nossa resposta está errada ou, ao menos, desfocada.

Mesmo que a morte do cinegrafista nada tenha a ver com os Black Blocs - e tudo leva a crer que realmente não tenha - é preciso repensar a tática por uma simples razão: ela abriu espaço para a criminalização de todo o conjunto da sociedade. Não apenas de manifestantes, mas da sociedade como um todo, que pode ser enquadrada como "terrorista" por levantar a voz.

Sobre os acontecimentos recentes, um triste resumo:
Faltava um corpo. Uma pessoa morta pra servir de mártir e justificar a barbárie de Estado.

Amarildo não deu conta. Morto justamente por essa barbárie, não atendia aos interesses da "lei e ordem" contra as "forças oponentes". O menino amarrado ao poste também não. Vivo, mas sem voz, é também objeto do medo que aceita o genocídio como mecanismo de segurança.

Agora sim, agora chegou o cadáver que servirá de exemplo. E que será diariamente vilipendiado como meio de legitimar a violência de antes (com um efeito retroativo que esconde a genealogia por trás da reação popular) a de agora é a que ainda está por vir - e não será pouca.

Os discursos que se seguirão usarão dele e da compaixão pela dor da família e pela morte precoce e estúpida pra criar o medo e trazer à reboque mais repressão. O cidadão de bem, assustado, agora sim, irá se sensibilizar da fatalidade e, como é de ser nesse ciclo da fabricação do medo, estará junto da violência estatal, que defenderá por ser necessária para sua segurança contra os "terroristas".

Sim, é, terroristas. Chegou aquele dia em que o termo ganha os jornais e rádios e tvs brasileiros, inserindo o país nessa "onda global" contra o terrorismo que ignora o verdadeiro terrorismo - o de Estado - e anuncia caricaturas de inimigos, rifando a vida dos mais frágeis e usando a morte de um homem como símbolo.

O jornalista bigodudo da academia brasileira de letras usou hoje o termo ao comentar a morte do cinegrafista.

Está só começando. E não é de se surpreender. Cantamos essa bola TANTAS vezes no ano passado.

O desafio é não comprar o novo inimigo que te vendem.

Estado de exceção FIFA.

GAME: ON.
E um texto necessário do Bruno Cava como comentário final:
É lamentável que o Santiago, o cinegrafista, tenha sido seriamente ferido com um rojão e, hoje, morrido em decorrência do ferimento, deixando arrasada a família, amigos, colegas. É muito triste e eu torço, sinceramente, por todos eles nesse momento péssimo. Também considero um erro deixar um rojão imprevisível aceso no chão, mesmo no momento de maior stress.

Eu não faria, e não pode ser recomendado. Dito isto, está mais do que evidente que a grande mídia esteja arrancando tudo de perspectiva. O que está acontecendo é um clássico clima de caça às bruxas, pra tirar todo tipo de casquinha, inclusive eleitoral. Essa é a mesma grande mídia que não tarda em justificar assassinatos, chacinas, abusos e sumiços com suas senhas características: "envolvido com o tráfico", "ficha na polícia", "seguia página de protesto" etc.

Cadê os peritos da Globo na chacina da Maré de 24/6/13, ou no incêndio da casa de Gleise? Com a novidade, agora, do reforço de blogueiros e comentadores de "esquerda", que parecem comemorar diante da momentânea vitória dos grandes meios em impor a sua pauta. Passam anos criticando o PIG para ser o PIG, na mesma narrativa, apesar do estilo "humanizado".

Invertendo a relação de causa e efeito, atribuem a responsabilidade sobre a violência para o lado dos manifestantes (é exceção e raridade machucarem alguém), e não na polícia (é regra e modus operandi machucarem muitos, sob ordens superiores). Nesse raciocínio invertido, os não-violentos deveriam cessar a violência para que os violentos de sempre não possam ter mais um pretexto para ser violentos.

A violência policial é naturalizada e transformada numa constante imutável. Digamos novamente o óbvio: é realmente lamentável o que aconteceu com o cinegrafista, isso deve ser objeto de autocrítica e muita reflexão sobre meios, táticas e, sobretudo, a organização do movimento. Também é lamentável o caso de milhares de manifestantes espancados, humilhados, feridos gravemente, difamados, presos sem provas, cegados e inclusive baleados pelas forças, sob o comando dos governos, desde junho de 2013.

Isto não é desviar o assunto, nem nivelar violências, justificando-se reciprocamente. Este é o próprio assunto, e isto é justamente mostrar o painel completo de violências, todas elas lamentáveis, para se compreender a relação de causa e efeito. Quem quer nivelar violências é o próprio poder, onde a polícia reage, ou onde a polícia encontra um pretexto para ser o que ela é: a violência institucionalizada.

Desculpem, mas eu não vou entrar nos automatismos de ficar no sofá e condenar a violência enquanto violência, ignorando o cenário geral, suas causas e efeitos. Mas é bom se preparar, e continuar construindo narrativas alternativas. Porque vai aumentar o linchamento corporal, político e midiático das mobilizações democráticas no Brasil.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Cinegrafista, a Globo e o PT: Um novo Rio Centro?

Muita gente tem comentado que este caso do cinegrafista seria um "Rio Centro" moderno.

Começo a acreditar. Globo e governistas estão afiados na criminalização dos manifestantes.

Vocês viram qualquer palavra de lamento vinda de governistas quando o rapaz em São Paulo foi baleado no peito pela PM? Ou lamentações pela jornalista da Folha com tiro no olho ou do fotógrafo que foi cegado pela PM? Ou mesmo qualquer repúdio à imensa violência contra manifestantes tanto em junho quanto depois?

Não.

Mobilização de governistas pelo Amarildo? Não, eles defendem as UPPs (projeto de seu governo com o PMDB, aliás). Mobilização contra as denúncias de que o governo espiona e se infiltra em movimentos sociais e de trabalhadores? Não, eles apoiam tudo isso.

Não viram e nem vão ver, porque pros governistas só interessa defender a repressão, defender os interesses do PT, e que maior interesse há que a Copa? O sucesso da Copa é a base para a reeleição de Dilma. E os governistas farão de TUDO para garantir que ela aconteça (Copa e reeleição).

Dilma em momento algum foi à TV repudiar a violência da PM. Mas repudiou a reação à esta violência. E nem estou dizendo que alguém é obrigado a DEFENDER, por exemplo, a tática Black Bloc. O buraco é bem mais embaixo.


Usam e usarão os métodos mais baixos para conseguir isso. Seja manipulando fotos para pintar os Black Bloc como nazistas (http://is.gd/YlidVN), seja chamando manifestantes de terroristas em claro apoio à tentativa de senadores da "Base Aliada" (como aquele povo de esquerda tipo Crivella) de tipificarem o "crime de terrorismo" (http://is.gd/tNIO1p) ou, de forma mais "branda" exigindo que se manifestar nas ruas seja "crime inafiançável" (http://is.gd/blUHZ5).

Sim, pedir que o "protesto violento" seja considerado "crime inafiançável" basicamente quer dizer que QUALQUER reação popular aos abusos da PM (comandadas pelo PT, PMDB ou PSDB) deve ser motivo para prisão sem qualquer discussão.
"Coxinha" na boca da esquerda, está para "vagabundo e maconheiro" na boca da direita. Estereótipos, falta de politização nos debates e arrogância de quem se acha portador de grandes verdades.. Como se a luta de classes, a complexidade ideológica e o jogo de interesses pudesse se resumir a simplificações tão imbecis... Via Gabriel de Barcelos, sobre governistas
Isso inclui movimentos sociais, MST, movimento sem teto, enfim, TODO e QUALQUER movimento que simplesmente jogue uma garrafa de plástico, por exemplo, contra um PM que, armado com pimenta, bombas e bala de borracha, tenta matar quem está nas ruas exigindo direitos.

Estamos diante de duas possibilidades:

a) Uma orquestração por parte dos governistas, junto com a grande mídia (chamada por eles de PIG, mas FINANCIADA pelo PT e, logo, com dívidas a serem pagas), para criminalizar qualquer protesto a fim de assegurar a reeleição de Dilma.

b) A criação destes e de outros factóides não necessitam de uma ligação direta entre Globo/Mídia e governistas (por mais que haja a imensa possibilidade), podemos estar diante apenas de um encontro de interesses extremamente feliz (para eles). Um processo medonho de retroalimentação em que um lado se aproveita dos dejetos liberados pelo outro.


Mas porque digo tudo isso?

Em parte por essa belezinha abaixo:


E a resposta do Freixo:
Nota de esclarecimento:

A acusação publicada hoje pelo portal G1 é irresponsável e leviana. Segundo a matéria, uma ativista teria ligado para o estagiário do advogado de Fábio Raposo e dito que o responsável por acender o rojão que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade é ligado a mim.

Além de a fonte da informação ser de uma fragilidade absurda e de a própria ativista negar ter me associado ao ocorrido, nenhuma prova concreta foi apresentada. Aqueles que afirmarem que o responsável pela explosão é ligado a mim terão que provar. Caso contrário, serão devidamente processados.

Sempre repudiei a violência nos protestos, seja ela praticada por manifestantes ou policiais. Discordo dela como princípio e como método para conquistar qualquer coisa.

As investigações sobre essa tragédia apenas começaram e é triste ver que um assunto tão importante e delicado é tratado com tamanha irresponsabilidade. A quem interessa transformar uma informação tão frágil num acusação tão grave?
Mas o Freixo não tem nem a Globo e nem a chave do cofre que sustenta a Globo para rebater as acusações que, aliás, são reproduzidas por governistas, como #Eduguim.

Mais um exemplo?
E nem vou entrar na manipulação do fusca, assunto já resolvido e que apenas serve como cavalo de tróia para a "militância" fanatizada.

É impressionante, mas vislumbramos um SEGUNDO Rio Centro patrocinado por Globo/Governistas: O Fusca e o "estagiário-bomba-que-acusa-o-freixo-de-ser/apoiar-black-bloc".

Enfim, estamos diante de um assustador quadro de criminalização, com o PT capitaneando o processo.

É assustador e perigoso, pois o alcance é geral, atingirá a TODOS os movimentos sociais. Qualquer reação à brutalidade do Estado será considerada terrorismo, mesmo quando não houver reação manifestantes poderão ser enquadrados, assim como hoje são presos por "desacatar" a autoridade (sic) de bandidos fardados.

Este é o país que o PT tem construído. Junto com PMDB, PSeudoB e demais aliados e, claro, em muitos pontos, com o apoio entusiasmado do PSDB que neste momento deve sentir inveja da capacidade do PT fazer tudo aquilo que eles tentaram por anos. Mas o PT barrava.

Os governistas não conseguiram seu Rio Centro com o fusca, agora tentam de novo. Com o apoio da Globo.

Como definiu bem, no Twitter, o Bruno Borges (@borgesbm): "É amigos. 2014 promete bater todos os recordes de sordidez política. Apertem os cintos"
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Opressão, repressão, violência, medo: É o que significa "Espanha" no País Basco [Atualização]

[Atualização ao final da postagem]
Estava caminhando calmamente com minha esposa até o mercado no fim da tarde de ontem (8 de janeiro) quando nos deparamos, na praça logo no fim de nossa rua, a Plaza Encarnacion, em Atxuri, com uma quantidade significativa de pessoas paradas (e revoltadas) olhando para uma cena ridícula, mas extremamente comum em Bilbao e em todo o País Basco:

Coisa de meia dúzia de carros da Guarda Civil Espanhola, uns 10 guardas civis em volta de um cordão de isolamento que fechava o acesso entre a Plaza Encarnacion e a Bosque Bidea e em volta disso carros da Ertzaintza e da polícia municipal.

O objetivo era prender um dos 8 advogados ligados à EPPK, o coletivo de presos políticos bascos que não faz uma semana deu passos concretos para a paz no País Basco. Mas a Espanha não quer paz, os franquistas do PP não querem paz.

Em outras partes de Bilbao, como na Calle Elcano, houve agressões por parte da Guarda Civil e Ertzaintza contra quem se manifestava contra as prisões arbitrárias.

Demos a volta no cordão para ver o que se passava do outro lado - naquele momento ainda não sabíamos do que se tratava o cordão de isolamento e a presença dos espanhóis -, e estávamos justo na Bosque Bidea, perto da estação de trens de Atxuri quando um homem descia a ladeira em nossa direção em seu carro e, passando devagar, disse algo em voz alta em direção a uns 3 guarda-civis que estavam parados com fuzil na mão e cara de poucos amigos.

Disse algo como "vão pra casa", em clara referência ao fato de serem espanhóis à serviço do PP invadindo o País Basco, prendendo seus cidadãos e violando seus direitos.

Imediatamente dois deles foram rápido em direção ao carro, que tinha parado no sinal logo à frente, na Calle Atxuri, e começaram a discutir. Comecei a gravar a ação com o celular, ao que o terceiro guarda-civil me mandou parar.

Acostumado com o morde e assopra da PM brasileira, que sempre nos manda parar de gravar e depois nos esquece quando não o fazemos, disse que era jornalista, me afastei e continuei a gravar.

A cena era ridícula, dois guardas fortemente armados, um empoleirado na janela do carro e outro na frente bloqueando a passagem, fazendo ameaças (não era possível ouvir, senão ver a atitude deles), e o homem no carro tentando avançar e desviar dos guardas ameaçadores.

Um deles então enfiou a mão pela janela tentando agarrar o homem que felizmente conseguiu acelerar e fugir.

Raivosos, vieram em minha direção e tentaram tomar meu celular, gritando que eu não podia gravar e que seria preso. Informei ser jornalista e brasileiro (apenas o segundo fato me livrou da cana certa), e democraticamente me forçaram a apagar o vídeo e me ficharam.

Um adendo, devo agradecer aos sindicatos de jornalistas brasileiros e seu corporativismo estúpido, mais interessados em garantir feudos com o diploma do que proteger jornalistas efetivamente. Meu vídeo poderia ter sido salvo caso eu portasse alguma identificação, coisa que os sindicatos brasileiros me negam - e a todos que não tem o diploma, mas arriscam mais o pescoço que toda a direção sindical burocrática.

Fui, então, puto da vida, fazer minhas compras e me informei que a ação era parte de algo maior, da prisão de oito advogados nacionalistas por toda a cidade. Fizemos compras, voltamos pra casa e o cerco continuava.

Depois de um tempo decidi pegar minha câmera e ir até a Plaza Encarnacion, logo no momento em que uma prisão era efetuada, enquanto pessoas gritavam palavras de ordem e de apoio ao advogado que estava sendo preso e crescia o efetivo repressor no entorno mas, felizmente, não agrediram ninguém.
Como escrevi para o Opera Mundi esta semana:
Após uma manifestação em Durango, na região de Bizkaia, no meio da semana, 63 ex-presos da ETA, e membros do EPPK, em liberdade (uma parcela de presos políticos foi recentemente libertada após a derrogação da Doutrina Parot, mas 527 ainda permanecem presos na Espanha e França) tornaram público um documento no qual reconhecem os "danos multilaterais" do Conflito Basco, abrindo caminho para o reconhecimento que não apenas o Estado, mas também a luta armada causaram danos e sofrimento.
E foram além, afirmando que, baseados em decisão coletiva, iriam buscar saídas individuais para a redução de suas penas e para que possam ser transferidos para cadeias mais próximas do País Basco. Em outras palavras, a declaração do EPPK dá luz verde para que os presos possam aceitar benefícios penitenciários de forma individual, algo que até o momento era considerado ato de traição e passível de expulsão do coletivo.
Esta declaração foi vista por muitos analistas como a aceitação por parte do coletivo de presos políticos do sistema penal espanhol e uma forma de pressionar o governo, hoje nas mãos do Partido Popular, de ideologia próxima ao Franquismo, a dialogar.
A ação espanhola se insere no contexto do interminável conflito basco, interminável por parte da Espanha, obviamente, que se recusa a dialogar e reconhecer os passos dados pela Esquerda Nacionalista e pela ETA.

Qual seria o sentido de prender 8 advogados de presos políticos ligados ao EPPK menos de uma semana depois deste coletivo ter declarado que aceitará o sistema legal espanhol e que se submeterá a ele? A resposta é simples: A guerra contra os bascos garante mais votos ao PP que a paz. E também ao PSOE, que fique claro.

Enfim, a violência policial e judiciária espanhola é conhecida e reconhecida. Dei sorte, mas o que eu sofri não é nada comparado à violência diária a que são submetidos os bascos. É fácil compreender o ódio que muitos sentem não só da Guarda Civil, que age como um exército colonial de ocupação, mas contra a Espanha, que controla esse exército.

Fosse eu basco, estaria preso. Acusação? Gravar um vídeo. Poderia, como centenas de bascos ao longo dos anos, ter sido torturado e/ou "desaparecido", como Jon Anza e outros. O destino dos bascos está inteiramente nas mãos da Espanha e, dessa forma, passos adiante da esquerda nacionalista no caminho da paz e da autodeterminação são tratados como ofensa, como crime.

Imaginem só como é viver assim. A lei não existe para a Guarda Civil, ela faz a lei e é a lei.

Atividades políticas, exceto as dos fascistas PP e PSOE, são criminalizadas, condenadas e qualquer cidadão basco pode ser preso, torturado, "desaparecido" e morto apenas por protestar contra sua situação e a situação do seu povo.

Mais fotos da prisão em Atxuri: http://www.flickr.com/photos/48788736@N03/sets/72157639561866494/

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Atualização:

Ontem ocorreu uma pequena manifestação no centro de Bilbao contra as prisões arbitrárias dos advogados do EPPK, gravei um vídeo e tirei algumas fotos.
 
A "justiça" espanhola, via um juiz que é ex-conselheiro do fascista PP, Eloy Velasco, PROIBIU a manifestação de amanhã em Bilbao convocada pelo coletivo Tantaz Tanta (Gota em gota).

No entanto, as esperadas mais de 50 mil pessoas devem comparecer à manifestação de qualquer forma, permita ou não a Espanha.

O mesmo juiz fascista do PP passou por cima da imunidade de um senador nacionalista basco e mandou a polícia invadir seu escritório. O senador do EH Bildu, Goioaga, é também advogado de presos políticos. Seu escritório goza de imunidade.

Pro PP não importa.

Sinto que o protesto de amanhã será um dos maiores da historia do País Basco. O PP só contribui para que cresça o ódio contra a Espanha.
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