Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Berlusconi caiu....
Não significa, pois Berlusconi sai do governo, mas continua no poder. Ainda é o homem mais rico e poderoso da Itália, continua sendo a eminência parta da direita italiana e detém amplo poder midiático no país.
Sua queda significa o mesmo que a de Papandreou na Grécia. Ambos saem chamuscados (ainda que o grego saia mais por cima, tendo conseguido enganar todo o país com um pseudo-referendo que resultou em uma coalizão ampla com a direita para aprofundar as políticas opressivas européias), mas não deixam o cenário político, ainda que possam cair em uma auto-induzida invisibilidade pública momentânea, esperando a poeira baixar.
Berlusconi, porém, dificilmente conseguiria ficar invisível. Não necessariamente pela política, mas por suas amantes e sua vida pra lá de... animada. Como cheguei a ouvir (não me recordo a autoria), Berlusconi sai da vida para entrar na boate.
Porém, aquilo que realmente importa, partidos, políticos e sistema corrupto continuam sendo os mesmos.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Berlusconi leva o troco?
As imagens falam por si, são um verdadeiro show de justiça feita com as próprias mãos.
A Itália de hoje está entregue a um clã mafioso chefiado por Berlusconi, que tem em seu bolso juízes, advogados, parlamentares e, como Mussolini, tem o carisma (só pode ter, afinal, é sempre vencedor) necessário para vencer sempre que quer, em qualquer questão.
A ascendência de Berlusconi, obviamente, não se explica apenas per se, por sua figura ou sua habilidade política (em comunhão com os setores mais podres da sociedade italiana, com partidos e indivíduos xenófobos e rascistas da Liga Norte e outros e detendo um verdadeiro monopólio das comunicações que o tornam figura central da Itália em qualquer aspecto), mas também pela debilidade e quase comicidade da oposição, encabeçada por ex-comunistas arrependidos em aliança formal com cristãos e social-democratas de índole duvidosa.
O lado vencedor desta disputa sinaliza uma derrota para os italianos, mas a vitória quase incontestável de Berlusconi e seus aliados chega à galhofa completa. Mas, convenhamos, a história Italiana não é das mais reconfortantes em termos de lideranças de caráter fascista e similares.
Voltando ao caso, posso até estar me adiantando, pois não conheço a posição do agressor de Berlusconi, mas no geral eu enxergo o ataque como uma resposta da população que ainda possui alguma consciência política, social e um pingo de humanidade e que se vê vítima de um Estado aparelhado, desigual, comandado por uma família mafiosa sem que haja oportunidade de mudanças concretas a longo prazo.
É o desespero de um setor social que se vê vítima sem qualquer ajuda, sem qualquer alento.
Na Itália de Brigadas Vermelhas, Proletários Armados para o Comunismo e afins, é surpreendente o caminho que a história tomou. Ou talvez, sejam apenas os dois lados de uma moeda, para ficarmos no clichê.
Resta saber se a insatisfação é geral, tem respaldo popular ou se, como esperado, foi apenas isolado e encontrará repúdio de todas as demais forças
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O sakamoto fez um post magistral sobre o assunto, reproduzo parte:
Um amigo comentou há pouco que “justiça” havia sido feita contra o fanfarrão. Discordo. Nem, chegou perto. Igual a quando quase acertaram o imbecil do ex-presidente americano com um sapato e falaram em justiça. Isso, aliás, é contraproducente. Alguém tem dúvida de que Berlusconi usará o caso para se fazer de vítima? Que seus aliados chamarão o ato de isolado de um cidadão de “terrorismo”? Que dirão que a esquerda na Itália, organizou uma tentativa de desestabilizar o seu governo – como se a esquerda italiana fosse, hoje, capaz de organizar alguma coisa…
Tenho cada vez mais a certeza de que a sociedade italiana não irá condená-lo nas urnas por nada. Aliás, deve haver algumas nonas acendendo uma vela por ele neste momento.
E não estou com uma sanha justiceira, de maneira alguma. Mas creio que todos os que lutam para que os direitos humanos não sejam um monte de palavras bonitas emolduradas em uma declaração cinqüentenária não se sentiram plenamente contemplados com a cena. Não quero uma saída “Nicolas Marshall”, de justiça com as próprias mãos. Quero apenas que a justiça, na Itália, no Brasil, em qualquer lugar, funcione.
É pedir muito?Para o artigo completo visite o blog.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
A Falsa Moralidade da Mídia (e da Sociedade) e a criação de factóides
Me recordo das acusações que pipocavam nos jornais sobre o fato de Lula gostar de beber e - dizia a mídia - ser um cachaceiro, de perder a noção quando bebia, de ser uma vergonha para o país e etc.
Tudo bem, a imagem de um presidente bêbado não é agradável nem boa para o país, mas não vejo grande diferença entre o Lula tomar um copo ou outro de cachaça e o Gordon Brown, por sua vez, tomar um uísque vez ou outra.
A diferença é que não imagino o Daily Mirror anunciando ou denunciando o Brown por cachaceiro, desregrado e beberrã. O nosso PIG, em muitos casos, assusta pela banalidade e falta de noção de suas acusações.Até hoje procuro saber de que fonte vieram as acusações de que o presidente teria um problema com bebidas.
Aliás, o PIG dos EUA também está na jogada, afinal, as acusações mais contundentes vieram de Larry Rother, do NYT. Vale , porém, que a reação contra o artigo também foi absurdamente desproporcional por parte do governo, expulsar o jornalista seria nada mais que uma maneira de aplicar a censura.
Enfim, o ponto crítico é a confusão entre vida privada e vida pública dos presidentes, dos políticos em geral. Uma coisa é Lula beber, o que não é problema, outra é tomar um porre numa reunião diplomática. O primeiro caso não deveria importar à imprensa nem a ninguém, o segundo é caso sério. E, como se verificou, a imprensa buscou criar um factóide para impor o segund ocaso como verdade. Basta apenas verificar as fotos tiradas à época, a clara intenção de denegrir a imagem do Lula em cliques bem planejados.
Era engraçado, na época, encontrar amigos bons de copo criticando o presidente, oras, quer dizer que o presidente não pode dar suas "bicadas" numa cachaça, mas os falso-moralistas podem encher a cara cotidianamente que não tem problema?
A crítica vale para a sociedade que criticou tanto quanto para a mídia, que criou um factóide ridículo.
O mesmo raciocínio vale para o caso do ex-presidente Bill Clinton. Se ele traiu a mulher com a secretária é/era problema só dele e da esposa, uma questão familiar. Mas a mídia caiu em cima e o país chegou à loucura de propor impeachment!Até onde vão os factóides e o denuncismo da mídia! A exposição da vida pessoal de um político, sem qualquer relação com a vida pública, comprometendo até a política nacional por algo absolutamente estúpido.
Se tivesse havido coação, se a Lewinsky tivesse sido forçada a alguma coisa - o que ela negou - aí sim teríamos um crime, algo que, finalmente, interessaria à opinião pública, à mídia, à vida política. O que Bill Clinton faz ou deixa de fazer em sua vida privada - desde que dentro da lei - é problema apenas dele e de sua família.
Imagino quantos congressistas não apoiaram a deposição de Clinton pelo seu adultério - posteriormente perdoado por sua esposa, Hillary, mas às escondidas mantinham suas próprias amantes, "pegavam" suas próprias secretárias. E quantos americanos-médios não ficaram escandalizados com o episódio e continuaram com suas amantes.
Não sei se existe um aura de infalibilidade em torno dos políticos - ao menos nos EUA isto parece existir mesmo -, estes não podem ser impuros, cometer erros que qualquer cidadão comum cometeria, ou se, na verdade, vemos apenas a hipocrisia e o falso moralismo da sociedade e, em especial, da mídia que faz de tudo por uma boa história, mesmo que inventada, fabricada ou deturpada.
Todo este périplo apenas para chegar onde eu queria, no Berlusconi.
Sim, este crápula está envolto em denúncias mil, desde ser parte da máfia, passando por ser responsável por desvios e corrupção monstruosas chegando até a recente crise de suas festas fechadas com prostitutas, drogas e transporte público em aviões do Estado.
Hoje me chega a notícia de que a popularidade de Berlusconi caiu 4 pontos, o que, na verdade, não é quase nada. A minha surpresa - não só pela queda risível - recai no fato de que a mídia pouco explorou os aspectos realmente escandalosos e, especialmente, no fato da popularidade do crápula cair apenas por causa deste episódio e não por ser quem é, pelas acusações sérias de manipulação e corrupção ou mesmo pelas declarações absurdas e machistas que fez na cidade destruída de l'Áquila!
Berlusconi é um palhaço, um palhaço perigoso, um mafioso e criminoso não só conhecido mas, infelizmente reconhecido por outros meios. É o Premier, líder incontestável de um país que parece ter prazer em ter um marginal como seu governante.Mas o falso moralismo que recai sobre a sociedade italiana e tema central deste artigo se configura na crítica e na reprovação da sociedade à orgia em si, às prostitutas levadas por Berlusconi para suas festas, exatamente o ponto mais insignificante de tudo.
Se Berlusconi gosta de orgias, gosta de prostitutas e etc é problema dele. Esta é a vida privada do homem. A crítica deve recair - para ficarmos só neste episódio, no uso de drogas e no uso de aviões da força aérea para o uso pessoal do presidente e seus amigos. Mas, na mídia, ouvimos basicamente os mesmos bordões moralistas e não duvido que o assunto nas ruas de Roma sejam os mesmos, tudo isto dito por quem provavelmente adoraria participar de orgias se tivesse a chance, que morrem de inveja das prostitutas do Berlusconi e dele próprio por seu poder.
A imprensa vem chegando ao absurdo de publicar diálogos quase-eróticos de Berlusconi, acessores e prostitutas, algo que beira o nonsense completo ou um filme B de pornochanchada moderna.
Aliás, voltando ao país, é este moralismo torpe e burro (talvez nem tanto neste caso, logo depois a decisão se mostrou acertada) foi o mesmo que impediu FHC de se eleger prefeito de São Paulo contra o Jânio Quadros, em 1985. Por ser Ateu a sociedade o boicotou, uma eleição ganha foi rapidamente perdida. Alguma dúvida de que muitos que resolveram não votar no FHC raramente sequer pensavam em religião ou Deus? Votaram contra apenas por um resquício de moralismo, a idéia de que Ateus são errados, criminosos, impuros, coisa do capeta e outras besteiras.
Enfim, chego à conclusão de que o povo (não todo, obviamente, mas parte significativa) gosta mesmo é de circo. Sente uma imensa inveja do poder, dos poderosos e não duvido que, "chegando lá", fariam igual. Esta mesma inveja, este falso-moralismo e em alguns casos a crença real na bondade e infalibilidade dos políticos, acaba rapidamente quando estes cometem atos mundanos, se mostram homens (e mulheres) comuns, apenas eleitos, mas não diferentes.
À mídia, cabe o papel de interpretar estes anseios burros da sociedade e ir até à beira do ilegal (às vezes passando para o lado de lá) para denunciar, criar os factóides, fabricar notícias e escândalos ou aumentá-las, deturpá-las até não mais poder.
Ainda é cabível notar a alarmante confusão entre vida pública e vida privada, a diferença entre o que se faz na privacidade do lar, como homem, e os atos e ações públicas, como governante, líder, homem público.
Uma confusão perigosa, descabida e aproveitada pela mídia que, como abutres, divulgam fatos da vida pessoal dos indivíduos como se estivéssemos num big brother eterno enquanto, do outro lado, a "sociedade" se refestela reclamando das mesmas coisas que fazem ou gostariam de fazer mas, por qualquer motivo (banal), preferem apenas reclamar dos erros dos outros.
Enfim, cabe apenas ressaltar que, a barreira entre a vida pública e a privada, salvo o vigilantismo constante da mídia, termina ou vale ser burlada apenas quando um crime, um deslize, é cometido na esfera privada e traga consequências à pública, à sociedade, ao Estado.
A falsa moralidade criada e sustentada seja pela mídia ou pela sociedade amante do espetáculo, chega por vezes à beira da loucura, descambando em denuncismo torpe, crises institucionais fabricadas e o total nonsense.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Pelo mundo! [Update]
Hoje ocorreram eleições em Moldova e os comunistas devem vencer, como fazem desde o fim da URSS.
Moldovans went to the polls on Sunday to elect a new parliament, with the ruling Communist party expected to claim a victory.The new parliament will then elect a successor to incumbent President Vladimir Voronin who has served two four-year terms and must step down soon.
Over 2.6 million eligible voters are electing 101 members of parliament from among 12 political parties and five independent candidates. Some 5,500 local and international observers are monitoring the country's parliamentary elections.
Vale sempre lembrar que Moldova possui dois "problemas" internos. De um lado a República da Gagaúzia, região autônoma mas integrada à Moldova. É comum a vontade de muitos Moldávios a unificação com a Romênia, país com o qual compartem grande semelhança cultura e histórica, e no caso de uma união a Gagaúzia teria o direito de decidir seu futuro.
Por outro lado existe ainda a República da Transdniestria, região rebelde, controlada por Russos e de maioria Russa e Ucraniana e que não participa de qualquer esforço eleitoral Moldávio.
É uma região independente de facto da Moldova e uma pedra no sapato do país que não aceita seu desmembramento tampouco tem forças para assegurar a união.
Update: Com 93% dos votos contados, o Partido Comunista venceu com ampla margem, 49,85% dos votos contra 12,97 do Partido Liberal, 12,22% do Partido Liberal Democrático e 9,88% da aliança "Nossa Moldova".
O Partido Comunista deterá entre 60 e 62 cadeiras no parlamento de 101 membros, sendo, para eleger o president,e necessários 61 cadeiras.
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Gasparovic foi eleito ontem para a presidência da Eslováquia, um cargo cerimonial mas importante no apoio ao Primeiro-Ministro do país, Socialista.
Slovak President Ivan Gasparovic has won a clear victory in the presidential election runoff with a decisive 55.5% of the votes, the country's central election commission said on Sunday.Slovakia held the second round of the presidential elections on Saturday. Gasparovic, 68, gained 55.53% of the vote while his center-right challenger Iveta Radicova won 44.47%, the central election commission said after processing the data from all of the country's polling stations.
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Na Macedônia foi eleito ontem, o novo presidente, ligado ao partido conservador no poder do Primeiro-Ministro, Gjorge Ivanov, com a promessa de resolver os problemas comuns com a Grécia (como a questão do nome "Macedônia!, que a Grécia se recusa a ceitar) e a entrada do país na OTAN.
Macedonia's ruling party presidential candidate was set for a landslide victory on Sunday and said he could repair relations with neighbor Greece which have hampered its efforts to join NATO and the European Union.Gjorge Ivanov, 49, who has never run for office before, was ahead by about two to one against former Foreign Minister Ljubomir Frckovski of the main opposition SDSM party with more than half of the votes counted.
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Depois de 25 anos um dos conflitos mais sangrentos da história está por um fio. Os tigres Tâmil, do Sri Lanka, estão reduzidos a menos de mil combatentes e a um território ínfimo, no norte do país e o exército do Sri Lanka rejeitou qualquer tipo de cessar-fogo.
Three separate units killed at least 420 rebels after surrounding them in a triangle-shaped single square kilometer (0.5 square mile) during a three-day battle, the military said.Este talvez seja o fim de uma das guerrilhas historicamente mais bem sucedidas detodos os tempos mas que, no fim das contas, acabou derrotada. Os Tiges Tâmil (LTTE- Liberation Tigers Tamil Eelan) possuíam todo um aparato militar, desde um exército forte até uma marinha considerável e uma força aérea que atacou por diversas vezes a capital do Sri Lanka, Colombo.That means the remaining rebel-held area is less than 20 square km (8 sq miles) of coconut groves on the Indian Ocean island's northeast coast where the United Nations has said the Tigers have kept more than 100,000 civilians as human shields.
Os Tigres Tâmil foram o primeiro grupo a utilizar os atentados suicidas com homens bomba como arma na guerra contra a ocupação mas perderam muito apoio com as críticas contra o uso de civis como escudos e torturas além de terem sofrido algumas divisões internas.
Nos próximos dias espera-se um resultado final.
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Ainda ontem, um protesto contra Berlusconi reuniu mais de 2 milhões e meio de pessoas no centro de Roma.
La masiva protesta, que convocó a los manifestantes con el lema "Futuro sí, hacia atrás no", fue una expresión de la preocupación de los trabajadores italianos por las consecuencias de la crisis económica. Fuentes de la Confederación General Italiana del Trabajo (CGIL) indicaron que la protesta convocó a unas 2,7 millones de personas en el Circo Máximo, una plaza del centro de la ciudad, pero la policía cifró la asistencia en 200.000.
Os protestos se deram contra as propostas e políticas anticrise do govenro Berlusconi. surpreende, no entanto, o apoio que tem o Governo que venceu quase todas as eleições regionais nos ultimos meses.
