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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Caso da revista MAD: E o desespero da mídia começa a cansar [Update]

Chega uma hora em que o desespero do PIG - que antes até nos fazia rir - começa a cansar e irritar.

A criação incessante de mentiras e factóides do PIG já está dando nos nervos. A mídia não se limita a denfeder apenas o DemoTucanato, faz questão de tentar criar factóides contra Dilma, PT e a Esquerda em geral. É incessante. E está beirando o ridículo.Aliás, já ultrapassou o ridículo! O PIG não tem qualquer argumento factível para desmontar o governo, para bater no governo.

A questão é bem simples, o governo atual e o de FHC (DemoTucano) tem marcantes semelhanças. Neste ponto, o que pode o PIG fazer? Criticar o que antes elogiava?

Na verdade, vez ou outra fazem isto mesmo, vejam o caso do PNDH-3 ou em muitos aspectos a política econômica que até mesmo Mirian Leitão tenta criticar mas começou a notar que está fazendo papel de palhaço.

Nos pontos em que o atual difere do governo FHC é um sucesso. Bolsa Família, PROUNI... Por mais que eu discorde de alguns aspectos dos programas, não posso deixar de reconhecer seus méritos.

O PIG simplesmente não tem como bater. E, quando tenta, faz papel ridículo e desce o nível, como no caso da ficha falsa da Dilma, no caso da Ditabranda.

O desespero é tanto que começam até a se desmascarar, a demonstrar que, de fato, tem imensa saudade da ditadura, quando reinavam incontestes e seus donos enchiam os bolsos - hoje perdem ibope, diminuem tiragem, são duramente desmascarados pelos blogs, pela realidade...

Se o PIG fala do suposto apagão - que seria culpa do governo - temos o apagão - este sim de verdade - e o racionamento de FHC. Como golpe de misericórdia, enquanto a mídia ainda tentava capitalizar em cima deste episódio, caiu o Rodoanel.

PIG tenta barrar o PNDH-3 e se dá mal com a história: Os dois primeiros PNDH's foram criação DemoTucana.

PIG tenta, ainda, desqualificar a Dilma, chamá-la de terrorista e etc mas esbarra na verdade, no reconhecimento de que lutar contra a Ditadura é ato heróico e, neste caso, a Folha perde assinantes devido aos protestos convocados contra ela e boicotes.

PIG tenta capitalizar no Mensalão do PT, querendo pintar um quadro de honestidade por parte do DemoTucanato e logo vem o Mensalão do DEM, vem a cassação do Kassado...

Exemplos são vários. Inesgotáveis. A cada dia o PIG surge com um novo factóide, com uma nova tentativa de derrubar o governo - já que não tem como puxar votos pro DemoTucanato por suas realizações (cof, cof) - e rapidamente seus argumentos - falsos - são desmascarados e derrotados.


A nova, agora, é o caso da revista MAD.

A revista, em eu blog, acusou a Panini de ter supostamente censurado a capa da edição de número 23 que teria a Dilma na capa e críticas ao governo Lula. De uma acusação de uma revista humorística - de cara é impossível saber se a acusação é séria ou só uma brincadeira típica - contra a Panini, sua editora, o PIG rapidamente montou o circo.

Agora foi o governo Lula quem mandou censurar a revista!

A má fé é clara.
"A notícia teve enorme repercussão no Twitter. O músico Roger Moreira (Ultraje a Rigor) escreveu: “Não é o primeiro exemplo de censura deste governo.” O ator Ary França fez coro: “Agora só falta você votar na Dilma, e endossar de vez o stalinismo!”. O humorista Rafael Cortez, do CQC, analisou: “Não sei o que o governo ganha censurando a MAD. Estar numa capa popular com Alfred E. Neuman é uma das maiores honras que Lula e Dilma podem ter”.
Percebendo o impacto da notícia, a revista acrescentou, no final da manhã de quinta-feira, uma “nota esclarecedora” no blog, informando que não foi censurada pelo governo. “Você acha mesmo que os caras se importam com a MAD? É uma espécie de ‘autocensura’ covarde. A MAD é uma revista de humor e tem o direito de brincar com todas as figuras políticas do Brasil, pois isso ajuda as pessoas a desenvolverem seu senso crítico.”
Procurado pelo blog, o editor da revista, Raphael Fernandes, esclareceu que a capa com Dilma foi vetada pela direção da editora Panini, que publica a “Mad”. Por volta das 16hs, o post de Fernandes no blog da revista "Mad" foi apagado. O blog entrou em contato com a assessoria de imprensa da Panini às 14hs. Três horas depois, a editora informou: "A Panini esclarece que, com relação à questão da capa da edição 23 da revista MAD, as decisões sobre a publicação das capas fazem parte de processos internos da empresa, não se tratando de qualquer tipo de censura ou veto."
CQC's, Olavates e DemoTucanos de primeira hora não tardaram em implicar o governo na piada, o que foi desmentido pelo próprio editor da revista! O que, obviamente, não importa para o PIG em geral, que faz de tudo para capitalizar e ter alguma munição.

O desespero começa a cansar. O que será que o chefe do Rafael Cortez, o nosso querido DEMO juvenil @Marcelotas, acha disso tudo? Deve estar orgulhoso, não?

Até mesmo algo tão irrelevante quanto uma suposta censura a uma revista humorística vira assunto relevante para os que querem, de toda forma, derrubar o governo e não vêem como através de um jogo limpo.

Ficamos no aguardo de qual será a reposta natural para mais este factóide. Nos últimos tempos a natureza tem se encarregado de responder. Kassab foi Kassado, Arruda está preso, o diretório do DEMO de Brasília foi pro espaço... Será que agora Serra entrega os pontos?

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Update:

E o PIG foi novamente atropelado. Assim como a farsa do caso da Eletrobrás, que o PHA e o Azenha logo divulgaram como sendo uma piada para acusar o Dirceu - que não é flor que se cheira, mas desta vez não tem culpa no cartóiro - o caso da MAD se resolveu em 24 horas. Mais um factóide midiático foi por água abaixo! Esta fácil demais! Sequer precisamos nos mobilizar para derrubar mais as mentiras, a natureza cuuida de tudo!

E eles continuam tentando. Macaco Simão deve ter mais material do que nunca! Qual será o próximo?

No blog da própria revista o responsável, Raphael Fernandes, publicou um post dizendo simplesmente:
"Não é possível que vocês tenham caído nessa!

A CAPA ERA MAIS FALSA QUE DVD DE AVATAR 2!!!"
Ou foi MESMO uma brincadeira inconsequente ou os editores da revista não seguraram o tranco e resolveram fingir que não houve censura alguma por parte da Panini e resolveram dizer que era brincadeira.

De qualquer forma, não importa. Tudo não passou de um factóide, mais um, do PIG interessado em bater n o governo de forma desesperada.

* Obrigado ao Luis Henrique por ter postado o link da "desculpa" da MAD nos comentários do blog
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domingo, 27 de setembro de 2009

O Sensacionalismo estúpido



Por vezes a tentativa de se fabricar uma notícia beiram o ridículo, a pura estupidez. Outras vezes, ultrapassa essa barreira.

Buscarei, com a ajuda de uma manchete absurdamente sensacionalista sobre Michal Jackson, analisar o fenômeno da fabricação de notícias, criação de factóides, ganhos do PIG - diferenciando-os dos meros tablóides de fofocas - e demais aspectos.

Desde que Michael Jackson morreu que sua imagem e suas polêmicas não saem do noticiário, nada de incomum, quando vivo todos os seus passos eram igualmente divulgados como se fossem o que mais relevante poderia acontecer no mundo.

Esta febre pelo consumo de notícias de celebridades, como se fossem as figuras mais importantes e relevantes da terra, foi uma das causas da morte da Princesa Diana, como todos sabem muito bem. Por mais que eu não consiga compreender qual o sentido em se saber até a cor da cueca de um determinado ator - como se isso fosse fazer qualquer diferença em minha vida - é fato que este tipo de futilidade/estupidez é consumida vorazmente por todo o mundo.

Com a crescente necessidade de se fabricar constantemente este tipo de "notícia", chegamos em um ponto em que ou o que é possível noticiar não é "empolgante", não é nenhuma fofoca de nível. Parte-se, então, para a franca fabricação de factóides e a ampliação descontextualizada de uma frase, uma situação para vender revistas e criar escândalo.

Obviamente que nos jornalões - saindo do espectro da fofoca, das celebridades e tablóides - a fabricação dos factóides é constante e absurda, lembrem-se do caso da ficha policial da Dilma e outras barbaridades, o objetivo é não só vender mas também desmoralizar o alvo, causar um fato político, uma ficção política.

São dois momentos diferentes, enquanto os tablóides de fofoca destroem a imagem de um determinado ator, cantou ou celebridade, mas não tem por objetivo ganhar em cima desta queda teórica - e sim do fato - os jornalões políticos ganham em cima tanto do escândalo, do fato com a vendagem, mas também olham para o futuro, buscando ganhos políticos posteriores à derrubada ou quebra de uma imagem.

Em termos simples, o tablóide busca, através da manipulação da imagem ou de fatos, ganham em cima deste fato isolado, a destruição completa do objeto manipulado seria danoso para o tablóide que se alimenta dos novos escândalos. O Jornalão do PIG manipula e fabrica notícias para ganhar no ato, com o fato e também preparando o caminho para ganhos futuros com a quebra da imagem alheia. Existe um ganho político no caso do PIG que não é vislumbrado pela mera fofoca de celebridades. A destruição do objeto é a meta do PIG.

Voltando ao Michael Jackson, o assunto mais recente sobre sua carreira e sua vida é a de que ele teria "elogiado" Hitler. Colocado desta forma todos ficamos de cabelos em pé, mas basta uma leitura cuidadosa de qualquer uma das notícias para compreender que o seu comentário, em um contexto, não só é inocente mas inclusive tem sentido!

O youpode noticia:

"Foi revelado que Michael Jackson confessou a seu amigo, o estudioso judeu Rabbi Shmuley Boteach, que admirava o carisma de Hitler e que achava que não conseguiria se libertar do mesmo mal de Hitler. Durante essa conversa, Michael disse também que gostaria de ter abraçado os jovens assassinos de um menino.

Rabbi Shmuley, de 42 anos, apareceu hoje com 30 horas de entrevistas gravadas com o Rei do Pop. Nelas há uma extensa lista de barbaridades que Michael desfila para o gravador do mui amigo.
  • ‘Hitler era um orador genial. Para fazer as pessoas mudarem e odiarem daquele jeito, ele tinha de ser bom’
 Em primeiro lugar, a noticia teria por objetivo ligar Jackson ao Nazismo ou ao menos à uma apreciação da ideologia. Argumento derrubado rapidamente pela simples verificação de que a tal entrevista onde esta "admiração" é anunciada foi dada a um amigo do cantor, um estudioso judeu!

A frase em si não tem nada demais, "Hitler era um orador genial". É um fato. Hitler era, sem sombra de dúvidas, um grande orador e que era este talento que o diferenciava dos demais e o tornou o líder que foi, com tamanha penetração, relevância e alcance. Isto, por si só, não quer dizer que exista qualquer simpatia da parte do cantor - ou minha - pela nefasta figura de Hitler - ainda que, sem os Sionistas os efeitos de suas ações não teriam sido tão amplas.

Todos sabem que as declarações de Jackson nunca forma ortodoxas, nem suas ações por vezes, mas em certos momentos algumas coisas absurdamente descontextualizadas surgem do anda para manchar o que ainda lhe resta de reputação.

Não é diferente do que o PIG faz ou tenta fazer contra Dilma ou não deixou de fazer contra Lula até que este fosse eleito - a contragosto.

Como dito antes, a diferença básica é que os tablóides se alimentam das fofocas, é de seu interesse que estas continuem a fluir, enquanto os Jornalões tem a intenção de derrubar de uma vez por todas, de neutralizar seus desafetos com factóides e mentiras deslavadas.

Vale notar, também, que o efeito de uma manipulação sobre um político é diferente do efeito da mesma manipulação sobre uma celebridade, especialmente uma que já seja notória por seu desequilíbrio. Uma declaração dada com o mesmo tom por um político seria o fim de uma carreira, por Jackson, apenas mais uma de suas declarações "famosas".

Mas, no fim das contas, o que fica é o sensacionalismo estúpido, sem limites, da criação de mentiras e descaracterização de frases e declarações com o objetivo de minar a credibilidade, destruir uma carreira, humilhar ou meramente tornar mais vendável uma determinada publicação.
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quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Falsa Moralidade da Mídia (e da Sociedade) e a criação de factóides

Uma coisa interessante para se analisar é o recorrente sintoma de falsa moralidade da sociedade, tanto da brasileira quanto da do resto do mundo e, em especial, da mídia, que faz de tudo para vender, para criar um caso, para criar um monstro.

Me recordo das acusações que pipocavam nos jornais sobre o fato de Lula gostar de beber e - dizia a mídia - ser um cachaceiro, de perder a noção quando bebia, de ser uma vergonha para o país e etc.

Tudo bem, a imagem de um presidente bêbado não é agradável nem boa para o país, mas não vejo grande diferença entre o Lula tomar um copo ou outro de cachaça e o Gordon Brown, por sua vez, tomar um uísque vez ou outra.

A diferença é que não imagino o Daily Mirror anunciando ou denunciando o Brown por cachaceiro, desregrado e beberrã. O nosso PIG, em muitos casos, assusta pela banalidade e falta de noção de suas acusações.

Até hoje procuro saber de que fonte vieram as acusações de que o presidente teria um problema com bebidas.

Aliás, o PIG dos EUA também está na jogada, afinal, as acusações mais contundentes vieram de Larry Rother, do NYT. Vale , porém, que a reação contra o artigo também foi absurdamente desproporcional por parte do governo, expulsar o jornalista seria nada mais que uma maneira de aplicar a censura.

Enfim, o ponto crítico é a confusão entre vida privada e vida pública dos presidentes, dos políticos em geral. Uma coisa é Lula beber, o que não é problema, outra é tomar um porre numa reunião diplomática. O primeiro caso não deveria importar à imprensa nem a ninguém, o segundo é caso sério. E, como se verificou, a imprensa buscou criar um factóide para impor o segund ocaso como verdade. Basta apenas verificar as fotos tiradas à época, a clara intenção de denegrir a imagem do Lula em cliques bem planejados.

Era engraçado, na época, encontrar amigos bons de copo criticando o presidente, oras, quer dizer que o presidente não pode dar suas "bicadas" numa cachaça, mas os falso-moralistas podem encher a cara cotidianamente que não tem problema?

A crítica vale para a sociedade que criticou tanto quanto para a mídia, que criou um factóide ridículo.

O mesmo raciocínio vale para o caso do ex-presidente Bill Clinton. Se ele traiu a mulher com a secretária é/era problema só dele e da esposa, uma questão familiar. Mas a mídia caiu em cima e o país chegou à loucura de propor impeachment!

Até onde vão os factóides e o denuncismo da mídia! A exposição da vida pessoal de um político, sem qualquer relação com a vida pública, comprometendo até a política nacional por algo absolutamente estúpido.

Se tivesse havido coação, se a Lewinsky tivesse sido forçada a alguma coisa - o que ela negou - aí sim teríamos um crime, algo que, finalmente, interessaria à opinião pública, à mídia, à vida política. O que Bill Clinton faz ou deixa de fazer em sua vida privada - desde que dentro da lei - é problema apenas dele e de sua família.

Imagino quantos congressistas não apoiaram a deposição de Clinton pelo seu adultério - posteriormente perdoado por sua esposa, Hillary, mas às escondidas mantinham suas próprias amantes, "pegavam" suas próprias secretárias. E quantos americanos-médios não ficaram escandalizados com o episódio e continuaram com suas amantes.

Não sei se existe um aura de infalibilidade em torno dos políticos - ao menos nos EUA isto parece existir mesmo -, estes não podem ser impuros, cometer erros que qualquer cidadão comum cometeria, ou se, na verdade, vemos apenas a hipocrisia e o falso moralismo da sociedade e, em especial, da mídia que faz de tudo por uma boa história, mesmo que inventada, fabricada ou deturpada.

Todo este périplo apenas para chegar onde eu queria, no Berlusconi.

Sim, este crápula está envolto em denúncias mil, desde ser parte da máfia, passando por ser responsável por desvios e corrupção monstruosas chegando até a recente crise de suas festas fechadas com prostitutas, drogas e transporte público em aviões do Estado.

Hoje me chega a notícia de que a popularidade de Berlusconi caiu 4 pontos, o que, na verdade, não é quase nada. A minha surpresa - não só pela queda risível - recai no fato de que a mídia pouco explorou os aspectos realmente escandalosos e, especialmente, no fato da popularidade do crápula cair apenas por causa deste episódio e não por ser quem é, pelas acusações sérias de manipulação e corrupção ou mesmo pelas declarações absurdas e machistas que fez na cidade destruída de l'Áquila!

Berlusconi é um palhaço, um palhaço perigoso, um mafioso e criminoso não só conhecido mas, infelizmente reconhecido por outros meios. É o Premier, líder incontestável de um país que parece ter prazer em ter um marginal como seu governante.

Mas o falso moralismo que recai sobre a sociedade italiana e tema central deste artigo se configura na crítica e na reprovação da sociedade à orgia em si, às prostitutas levadas por Berlusconi para suas festas, exatamente o ponto mais insignificante de tudo.

Se Berlusconi gosta de orgias, gosta de prostitutas e etc é problema dele. Esta é a vida privada do homem. A crítica deve recair - para ficarmos só neste episódio, no uso de drogas e no uso de aviões da força aérea para o uso pessoal do presidente e seus amigos. Mas, na mídia, ouvimos basicamente os mesmos bordões moralistas e não duvido que o assunto nas ruas de Roma sejam os mesmos, tudo isto dito por quem provavelmente adoraria participar de orgias se tivesse a chance, que morrem de inveja das prostitutas do Berlusconi e dele próprio por seu poder.

A imprensa vem chegando ao absurdo de publicar diálogos quase-eróticos de Berlusconi, acessores e prostitutas, algo que beira o nonsense completo ou um filme B de pornochanchada moderna.

Aliás, voltando ao país, é este moralismo torpe e burro (talvez nem tanto neste caso, logo depois a decisão se mostrou acertada) foi o mesmo que impediu FHC de se eleger prefeito de São Paulo contra o Jânio Quadros, em 1985. Por ser Ateu a sociedade o boicotou, uma eleição ganha foi rapidamente perdida. Alguma dúvida de que muitos que resolveram não votar no FHC raramente sequer pensavam em religião ou Deus? Votaram contra apenas por um resquício de moralismo, a idéia de que Ateus são errados, criminosos, impuros, coisa do capeta e outras besteiras.

Enfim, chego à conclusão de que o povo (não todo, obviamente, mas parte significativa) gosta mesmo é de circo. Sente uma imensa inveja do poder, dos poderosos e não duvido que, "chegando lá", fariam igual. Esta mesma inveja, este falso-moralismo e em alguns casos a crença real na bondade e infalibilidade dos políticos, acaba rapidamente quando estes cometem atos mundanos, se mostram homens (e mulheres) comuns, apenas eleitos, mas não diferentes.

À mídia, cabe o papel de interpretar estes anseios burros da sociedade e ir até à beira do ilegal (às vezes passando para o lado de lá) para denunciar, criar os factóides, fabricar notícias e escândalos ou aumentá-las, deturpá-las até não mais poder.

Ainda é cabível notar a alarmante confusão entre vida pública e vida privada, a diferença entre o que se faz na privacidade do lar, como homem, e os atos e ações públicas, como governante, líder, homem público.

Uma confusão perigosa, descabida e aproveitada pela mídia que, como abutres, divulgam fatos da vida pessoal dos indivíduos como se estivéssemos num big brother eterno enquanto, do outro lado, a "sociedade" se refestela reclamando das mesmas coisas que fazem ou gostariam de fazer mas, por qualquer motivo (banal), preferem apenas reclamar dos erros dos outros.

Enfim, cabe apenas ressaltar que, a barreira entre a vida pública e a privada, salvo o vigilantismo constante da mídia, termina ou vale ser burlada apenas quando um crime, um deslize, é cometido na esfera privada e traga consequências à pública, à sociedade, ao Estado.

A falsa moralidade criada e sustentada seja pela mídia ou pela sociedade amante do espetáculo, chega por vezes à beira da loucura, descambando em denuncismo torpe, crises institucionais fabricadas e o total nonsense.
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