terça-feira, 10 de maio de 2011

A Direita ataca, é hora de reagir! Racismo, Homofobia e a necessidade de mudanças - Parte 1

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Quando, em nossa história recente, ao menos desde a revoada dos galinhas verdes (Integrallistas) ainda sob Getúlio Vargas, tivemos tamanha reunião de grupos tão diversos, como Fascistas, Carecas, Neonazistas, Integralistas e Nacionalistas em um mesmo espaço e com uma mesma bandeira?

Falo do protesto dos Neonazistas na Paulista em defesa do Bolsonaro e da "família" no começo de abril, que contou com o óbvio apoio posterior da Folha de São Paulo.

Ano passado, no mesmo dia do primeiro beijaço organizado em apoio ao PNDH-3, um grupo de uma dúzia de Integralistas e Libertários se reuniram no MASP, mas era diferente. Os grupos sentiam-se incomodados com a presença do outro e, no fim, eram CONTRA algo, mas não tinham uma mesma bandeira.

Neste sábado, havia uma única bandeira: A família, através das palavras e atos de Bolsonaro. Por mais deturpada que seja a visão de família destas gangues violentas, elas acharam uma figura de liderança. Grupos que atuam à margem da institucionalidade saíram de suas casas para protestar por um deputado, por um discurso único.

Mostraram a cara, forma ao centro da maior cidade da América Latina, num lugar lotado de policiais, demonstrar seu apoio a um político.

Não é pouca coisa.

Estamos falando de grupos que normalmente estariam se matando (gangues de fascistas, como os Carecas do Subúrbio, que te negros e nordestinos em seu meio lado a lado com neonazistas?), mas se uniram por uma causa, por uma pessoa. O que mais pode sair daí?

Não podemos subestimar esta pequena reunião, pois os que foram são ligados a grupos maiores que podem perfeitamente passar a agir de forma mais unificada se encontrarem uma liderança que os represente. Assim acontece na Europa, com partidos de orientação nazi-fascista se organizando e se legalizando, mas ainda mantendo a tropa de choque violentas nas ruas.

E não estou me precipitando, apenas aventando uma possibilidade que pode ser desastrosa para toda a esquerda, extremamente fragilizada nos dias atuais. ma parte acomodada, esperando que o PT faça tudo cair do céu, outra que diz ter orgulho de ser chapa-branca, soldadinhos disciplinados com orgulho e que agem como tropa de choque mesmo contra os movimentos sociais e uma parte dentro do PT, no PSOL e na Esquerda em geral que ainda tenta criar, inovar e combater. Hoje, a fragmentação da esquerda não se dá apenas em linhas partidárias.

Origens

Não estamos falando de um movimento ou de uma onda que surgiu agora, com Bolsonaro, mas do reflexo das eleições, em que José Serra se aliou com forças conservadoras da/e ligadas à Igreja Católica (como a TFP), atraindo outros grupos de caráter fascista para sua campanha, abrindo espaço para uma campanha baseada no ódio, no preconceito, no racismo e na homofobia. Marina Silva, a neopentecostal, foi a outra ponta de lança que, mesmo com discurso carregado de preconceito e medievalismo, conseguiu atrair parcela da classe média way of life, vazia, sem ideologia, que adotou o ecologismo - sem sequer saber do que se trata - como bandeira.

Juntos, estes dois candidatos conseguiram quase metade dos votos, e também deram espaço e voz aos grupos mais conservadores da sociedade. Junte isto a uma mídia oligárquica, controlada por pouquíssimas famílias (ou por igrejas evangélicas, o que é ainda pior), com interesses próximos, senão os mesmos, que fez o possível para espalhar as mensagens de ódio o mais longe que podiam.

Assim que a eleição terminou, supostamente derrotados, os grupos oligárquicos voltaram a se mexer.

A Folha de São Paulo, o grupo de mídia mais sujo do país, em conjunto com a eternamente golpista Rede Globo, logo de cara passou a abrir espaço para que a extrema-direita manifestasse todo seu ódio contra nordestinos, pobres e afins. Não bastou a Ditabranda ou a Ficha Falsa da Dilma, Otavinho queria sangue.

Hoje, somos forçados a aguentar o mesmo discurso fascista da mídia, com um governo que nada faz para mudar a situação e com uma esquerda extremamente dividida. Enquanto isso, a direita se organiza, os neopentecostais desfilam o máximo de preconceito, racismo e homofobia que podem, e Bolsonaros ganham fama.

Mais ataques

Não surpreende que estejamos vendo um crescimento dos casos de ataques de Skinheads de extrema-direita. Não para de aparecer notícias na mídia sobre casos do tipo. É marginal agredindo gente no metrô, se envolvendo em brigas no Jabaquara e tudo sem que haja uma resposta.

E uma resposta que vai além da legal - lembrando que os criminosos são sempre soltos depois, seja por falta de provas ou porque talvez dar porrada não seja um crime que valha pôr na cadeia -, mas passa por educação, democratização da mídia...

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