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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Batman, Rolezinho e a Copa: Um retrato da história do Brasil


O vídeo amplamente divulgado pelas redes em que moradores do Leblon, bairro de elite do Rio de Janeiro, esbravejam contra manifestantes - em especial o Batman carioca - durante um "rolezinho" no shopping local me faz ter apenas uma certeza: Estamos diante do quadro mais perfeito do que é o Brasil.

Racista, preconceituoso, burro, elitista... E mostra a irônica, mas comum "aliança" entre os piores fascistas, olavetes descaradas, e gente que se diz de esquerda e engole o discurso oficial do governo do PT.

O cidadão mais exaltado - aparentemente o fundador do bloco Simpatia é quase amor, Dodô Brandão -, que se revolta contra o Batman, por ser "símbolo do capitalismo americano", que chama o protesto de "factóide", não deixa a nada a dever aos discursos diários de #Zédia e outros fanáticos governistas. Ataca a "direita" a quem acusa de estar por trás das manifestações e, claro, defende a Copa.

Ao acusar o "cara de direita", o "merdinha pago pelo Garotinho" (no caso, o Batman) deixa claro que é assíduo leitor da blogosfera governista. "Garotinho" é, depois de "Psolento" a desculpa oficial do petismo para defender todas as ações de Cabral e Paes, como se a oposição fosse pior. Lembrando que a Dilma quer o palanque do Garotinho nas eleições, mas este fato a "militância" esconde.

Corta para uma senhora falando "o carnaval tá longe", em clara alusão ao único período do ano em que pretos e pobres tem acesso livre à região da elite carioca. O único período em que a favela pode descer sem ser perseguida pela PM, e pode se misturar a "gente de bem" do Leblon e do resto da Zona Sul.

Mas só no carnaval. Tem que ter data marcada, senão é mistura demais e zona demais. Imagina se misturar com essa rafaméia diariamente!

Então surge uma mulher exaltada, gritando "Manipulado!", pese claramente ser leitora de Olavo de Carvalho e Constantinos da vida. Sem medo de ser ridícula afirma de boca cheia que os manifestantes querem fazer uma "ocupação comunista". E diz com orgulho ser de direita - mas não fascista!
"Fascismo sim, mas de direita não porque eu sou de direita e não faria isso".

"Existe um plano de ocupação comunista, totalitarista no país. Será que ninguém vê isso?"

Enfim, direita e esquerda se juntando quando necessário para criminalizar o pobre, o preto, o periférico, o que se recusa a se isolar e não ficar no caminho da elite.

Mas o vídeo mostra algo mais: A aliança CLARA entre os setores mais radicais da direita com a suposta esquerda, a ex-querda governista para derrotar manifestações populares.

O racismo, o elitismo, a discriminação e o preconceito estão mais que claros, independentemente da suposta ideologia de cada um dos presentes. O absurdo é tanto que um repórter francês tenta entender o que se passa, pergunta sobre a discriminação, mas o senhor exaltado não consegue enxergar qualquer discriminação.

Preconceito? discriminação? No Rio? No Brasil? No País da Copa? ABSURDO!

O cara toma cerveja com pessoas que, ele alega, são de outra classe. ele aceita dividir alguns espaços com quem não é "dos seus"! Mas tão querendo o braço inteiro.

Ele ganhou muito dinheiro, informa não sem algum orgulho, enquanto critica a FIFA, mas defende com unhas e dentes a Copa, fazendo um malabarismo digno de #Stanley, para sustentar seus pífios argumentos.

Após vaias dirigidas aos manifestantes, em repetição quase que em looping da história do Brasil, e gritos de "vai trabalhar", o exaltado senhor de bem encerra com "eu ganho bem pra caralho", para demonstrar como é diferente da "direita" que ele tanto despreza.

Apesar das razões aparentemente diversas - ao fundo ouve-se a olavete criticando a Copa enquanto o cidadão de bem a defende com unhas e dentes -, o que se vê é um encontro o repúdio ao direito à manifestação, no direito à ocupar espaços que a elite pensa ser seus. É o desejo da limpeza social, a incitação ao apartheid.

Tirando o carnaval - contra o qual nada podem fazer - a elite do Leblon e adjacências só se relaciona com negros quando estes saem do quartinho de empregada, ou quando vão lhes servir em um restaurante ou quando olha com cara feia para o gari ou para o segurança do shopping. Para eles é algo intolerável ver que há revolta entre quem devia continuar calado e servindo.

E isso transcende a suposta ideologia da figura. Numa coisa a olavete tinha razão, não é preciso ser de direita para ser fascista, o cidadão de bem com discurso governista posando de esquerda é tão fascista quanto ela.

Os protestos de junho deixaram governistas dias sem dormir. Não conseguiram até hoje entender o que significaram e se limitaram a ora atacar, ora fazer coro à repressão, ora organizar pequenos núcleos para tentar tomar a frente das manifestações. Em todos os casos fez (e faz) papel ridículo e vergonhoso. Agora, com os Rolezinhos, se juntou ao coro dos que odeiam manifestações a direita mais reacionária, afinal uma coisa são protestos em muitos casos contra governos do PT ou aliados (ainda que não só, pois foram generalizados), outra é violarem locais sagrados do consumo e, pior, em bairros de elite!

Direita a ex-querda, enfim, estão de braços dados contra quem toma as ruas. contra o "bando de filhos da puta" que ousa entornar o caldo da revolta social e que, segundo fanáticos, buscam dar um golpe no governo...

Se é verdade que os rolezinhos são um fenômeno social sem grande politização (ou mesmo sem nenhuma politização), por outro traz consequências políticas claras. Oras, os rolezinhos são o reflexo mais escancarado do Lulismo, do incentivo ao consumo desenfreado, em que a cidadania se faz ou se dá apenas e exclusivamente através do consumo.

É a base do "consumo, logo existo" que o PT vem incentivando há 11 anos. Surpreende que aqueles menos capazes de ascender pelo consumo busquem se tornar visíveis através de "rolês" e afins?

Este vídeo é sem duvida um quadro riquíssimo sobre a história do Brasil. Sobre o que é (ex)esquerda e o que é direita, sobre apartheid social e Copa do mundo.

Em tempo, #NãoVaiTerCopa.

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Leitura recomendada: O rolezinho como ato político, os preconceitos de classe e suas consequências
e Os novos “vândalos” do Brasil


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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Joaquim Barbosa e a "esquerda" racista

Parece ser assim, quando uma pessoa negra se destaca em alguma posição é necessário sacar a origem escravizada da algibeira para lembrar-lhe seu lugar social. E lançam mão de todo tipo de inversão de idéias e recursos de pirotecnia semântica para adjetivar negativamente qualquer negro que confronte o poder branco.

Cidinha da Silva, liderança do Movimento Negro, explicando o racismo de governistas contra Barbosa

Artigo completo: http://is.gd/sCIFsQ
A frase acima vem de postagem de uma líder do movimento negro, Cidinha da Silva, em resposta aos ataques contra Barbosa ao estilo "Capitão do Mato" que muitos governistas vem fazendo. Gente que apoia privatizações, mas se diz de esquerda e que, ainda por cima, é racista.

Sim, qualquer acusação/ofensa contra Barbosa que leve em consideração ou lembre vagamente sua cor/raça é racismo. Repito, É RACISMO.

Se Barbosa fosse branco, ele seria objeto de comparações baseadas em sua cor? Não. Ele seria "apenas" canalha, filho da puta (me perdoem as feministas), safado, boçal, etc, etc, etc...

Mas é negro, logo, ele é um negro filho da puta, um negro safado, um capitão do mato, um negro isso e aquilo. Sim, é racismo.

Meus queridos governistas, xinguem o Barbosa, critiquem o Barbosa, esperneiem, façam greve de fome, mas PAREM de usar a cor/raça dele como arma. Vocês já não tem razão, e conseguem perder o que nem tinham!

O pior dessa história é que o mero fato da concentração dos ataques no Barbosa já denunciam racismo.

Sim, pois se por um lado é fato que Barbosa foi o relator do processo do Mensalão e [e uma das figuras mais destacadas no processo, por outro ele não foi o único a condenar. Ele não colocou uma arma na cabeça dos outros 9 juízes que, por exemplo, condenaram Genoíno (incluindo aí o ex-advogado do PT Toffoli).

Ele não chantageou, sequestrou a família ou fez ameaças aos demais juízes para condenar os mensaleiros. Ele argumentou - podemos discutir se com classe ou sem classe, são outros 500 -, impôs sua visão e venceu. Venceu e convenceu outros juízes, a ampla maioria nomeada pelo próprio PT, como ele próprio, nomeado pelo Lula.

Longe de mim achar que o PT deveria nomear juízes comprometidos com o partido (apesar do Toffoli....), mas sem dúvida o PT deveria ter nomeado juízes comprometidos com o social, progressistas. E este era, em tese, o perfil do Barbosa.

O PT o nomeou, assim como a vários outros de seus "algozes", não tem do que reclamar. Não há nenhum complô, nenhum golpe por parte do judiciário cuja composição foi escolhida pelo partido do poder e nem há "presos políticos" do partido no poder!

O que há é racismo. O racismo de escolher como alvo o único negro dentre os juízes que condenaram os mensaleiros do PT. O racismo de atacá-lo com referências à sua cor/raça, com termos baixos, com preconceito descarado e nada mal disfarçado.

Não cabe às viúvas de Genoínos e Dirceus decidirem quem é ou quem deve ser modelo ou herói para os negros. Não cabe a brancos decidirem quem representa os negros e mais ainda, não cabe a brancos decidirem como deve ser o comportamento de negros e muito menos os tomarem por alvos em sua cruzada contra as condenações.

Isso é, senhoras e senhores, puro racismo. E não é preciso ter qualquer simpatia pelo Barbosa para constatar o óbvio. Denunciar o racismo praticado contra ele é ser coerente e não concordar com suas atitudes ou decisões.

Para os de estômago forte, mais inúmeros exemplos de racismo contra o Barbosa no Governismo.

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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Os colunistas "do bem" ou o fascismo que enxergamos

O artigo do Marcelo Coelho na Folha, "fascistas do 'bem'" é ridículo por inteiro, mas esta parte é especial:
"Pelo que diz minha sensibilidade para o assunto, os dois manifestantes não tinham jeito de gays. Talvez, se tivessem, eu não estaria escrevendo este artigo. Não sei.

Tinham, isso sim, as características claras do jovem fascista urbano brasileiro. A voz desarticulada, o espírito do oba-oba cervejeiro, o celular na mão e a ideia pronta na cabeça."
Vejamos se entendi: O fato dos dois rapazes que escracharam o Feliciano serem heteros diminui a força ou a validade de seus atos? O colunista olhou pra cara deles e logo concluiu que são fascistas dando características... ridículas, pra afirmar seu ponto?

Então os escrachos que o Levante Popular fazia contra torturadores da Ditadura era algo fascista? Pois sim, a gênese é a mesma, o método é o mesmo.

Ele ainda se complica ao comparar a atitude legítima e política de escrachar o homofóbico, racista, ladrão, estelionatário (enfim, um bandido) que é o Feliciano com isso:
"Suponha a torcida de um time que acabou de ganhar o campeonato. Encontra, no meio da festa, uns quatro ou cinco adeptos do time derrotado. Não contente com a vitória, a torcida vencedora resolve hostilizar os perdedores. Hostiliza, xinga, cai de pancada em cima dos coitados —para lhes “dar uma lição”."
Em primeiro lugar, não há NADA de errado em um torcedor de time vitorioso provocar o torcedor do derrotado, faz parte e, aliás, é uma das coisas que torna o futebol prazeroso. Outra coisa, óbvio, é a violência. E no caso em tela, em segundo lugar, NÃO HOUVE violência alguma, tão somente provocação justa.

Claro que sequer comparar questão de direitos humanos com futebol dentro destes termos é ridículo, mas vamos em frente.

Em seu raciocínio torto ele continua:
Isso, para mim, é puro fascismo, e não depende de nenhuma orientação ideológica. Trata-se de oprimir, em grupo, o derrotado, o minoritário, o sem defesa.
Ele está errado sob qualquer perspectiva sociológica, mas, mesmo que concordemos com ele e esqueçamos do valor e peso da ideologia, ele continua... errado. E a razão é simples: Feliciano oprime o derrotado, o violentado, o minoritário, o sem defesa.

E digo "derrotado" e "sem defesa" lembrando por exemplo das travestis, violentadas todos os dias sem conseguir defesa, dos gays assassinados e torturados sem poder se defender e derrotados por este governo homofóbico do qual Feliciano não apenas faz parte, como tem trânsito e poder - junto com outros bandidos neopentecostais travestidos de pastores e deputados.

Fascista, pela definição de Marcelo Coelho é sua assumida vítima, Feliciano.

Mas ele deixa o melhor pior pro final:
Há 30 ou 40 anos, é possível que fizessem o mesmo se algum transexual estivesse a bordo. Qual o propósito de hostilizar Feliciano? Puni-lo por ser quem ele é? Em nome de que minorias você se levanta da cadeira do avião e puxa um coro para avacalhar quem quer que seja?
Sim, ele comparou um homofóbico e estelionatário com intenções claras de criminalizar LGBTs e mulheres com... a vítima! É realmente uma façanha.

Feliciano não está sendo "punido" por ser "quem ele é", está sendo "punido" por defender o que ele defende. Por defender o racismo e a homofobia. Minorias, em nome DELAS, se levantam para denunciar - ou "avacalhar, como diz o colunista - o opressor. E continuarão a fazê-lo à despeito da grita de colunistas que nunca souberam o que é ser vítima de preconceito.

Não sei se Marcelo Coelho é gay ou hétero, mas neste artigo ele sem dúvida se coloca ao lado e como um macho, branco, heterossexual de classe média. E isto diz tudo.
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terça-feira, 9 de abril de 2013

IV Ato conta Feliciano em São Paulo: Fotos e vídeos

O ato aconteceu no dia 7 de abril, domingo, começando na Praça do Ciclista (Av. Paulista) até o Largo da Batata, em Pinheiros, com centenas de ativistas de diversos coletivos e movimentos sociais repudiando não apenas o racista e homofóbico Marco Feliciano, mas também a influência da religião e de fundamentalistas na política e exigindo um Estado Laico e também repudiando a inércia de Dilma e a cumplicidade do PT.

(vídeos ao fim da postagem)


Márcia, advogada transsexual (vídeo com discurso dela ao fim do post)

O verdadeiro responsável.

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Governismo, a vertente tupiniquim do Stalinismo e o Sopão dos pobres

É interessante notar que desde que começamos, eu e o @elcapeto, a alimentar o tumblr Governismo, a doença infantil... as pérolas fanáticas dos governistas não deram pararam de chegar, na verdade a coisa vem piorando, chegando ao machismo, racismo e outros preconceitos lamentáveis e teorias conspiratórias sem pé nem cabeça.

Mas algo tem me chamado a atenção há alguns dias, que é a guerra civil que começa a crescer no seio dos governistas. Não que não sejam todos fanáticos, mas parece que há gradações. Desde bestas completas que não tem problema algum em passar por cima de qualquer um pelo dito desenvolvimento dilmista, através, por exemplo, da defesa fanática de Belo Monte, até quem critique pontualmente, por exemplo, aliança com Maluf ou o PP na Habitação de São Paulo - sem que isto abale seu apoio geral a tudo que faz ou manda o partido.

A questão é que, agora, estes que criticam minimamente tão sido ferozmente atacados pelos mais fanatizados, por aqueles que acham que Lula é deus e que o caminho lulista é a única resposta para os problemas da humanidade. Gente que sempre foi governista e/ou petista tem sido duramente atacada por essa horda de acéfalos que apenas sabem repetir ordens da direção. Uns chegam a sr chamados de Cabo Anselmo!

E a coisa é realmente feia, com acusações de traição, de falso-petismo e rompimento de amizades e relações. Não à toa o Governismo tem tido menos pérolas nos últimos dias: Os esforços parecem concentrados nos expurgos que os fanáticos tentam orquestrar contra os mooderados (se é que podem ser chamados assim).

E chamar de "expurgo" não é de graça. A semelhança não apenas com o stalinismo, como com outras ideologias de supremacia (ideológica, racial, étnica, etc) é clara. Repete-se fanaticamente, sem qualquer crítica, aquilo que vem de cima, da direção. Mesmo que as ordens sejam para que se esqueça todo o passado, tudo que se defendia antes - privatizações, direitos humanos, etc. Limite-se a obedecer e encontrar maneiras de justificar - memso que seja impossível - porque seu partido, sua direção e mesmo você mudaram de ideia, ou melhor, se neguem a aceitar que mudaram de idéia.

O ponto alto é dizer que SEMPRE defenderam o que estão fazendo, no máximo alterem o nome (chamar privatização de concessão) e, quando for impossível defender, mudar o nome ou disfarçar, ataquem o interlocutor de tucano, de vendido, de anti-patriota e etc....

Quando não for possível sustentar a defesa de algo tão absurdo quanto, por exemplo, remoções forçadas para obras feitas sob medida para a máfia da FIFA, a máfia do PMDB e etc, acusem o interlocutor.

Caso recente é o da re-privatização das empresas do setor elétrico patrocinada por Dilma. A maioria dos fanáticos e dos portais ligados ao PT, ao invés de criticar a privatização repetida - e desta vez pior, pois sequer o congresso é consultado -, se limita a acusar o PSDB de não querer se juntar à farra.

É óbvio, como já disse em artigo passado, que o PSDB se recusa a se juntar à farra por birra, mas é sintomático. O PT copia FHC sem o menor problema, mas seus militontos garantem o discurso de que são diferentes, mascarando a realidade e criando um mundo de fantasia que só eles enxergam - mas tentam forçar aos demais.

Meu temor é que estes expurgos acabem por piorar a situação. Mesmo que caminhando para o fanatismo e cegos para muitas coisas, os mais moderados tem o papel de, ao menos, servir como uma barreira de contenção apra o fanatismo pior. Mas estão falhando e sendo suplantados.

Podemos chamar estes fanáticos de stalinistas, mas outros termos servem da mesma forma. Como querem posar de esquerda, mesmo que não sejam, e que no fim apenas acabem denegrindo a imagem da esquerda, uso o termo.

Governo privatiza? O discurso é que vai "salvar" o povo, que ñão é privatização, é concessão. Governo é co-responsável pelos massacres contra indígenas? Oras, quem se importa com aqueles nômades invisíveis?

A ideologia por detrás nada mais é que o Lulo-Dilmismo (uma mistura de teoria lulista com praxis dilmista, talvez?). Ideologia esta que se entende por um misto de sopão dos pobres com incentivos pesados ao capitalismo, aliado com um entreguismo ímpar.

Em outras palavras, entrega-se ao pobre aquilo que é mínimo para sua sobrevivência, o básico do assistencialismo (que é necessário, diga-se de passagem), mas chega um ponto em que fica só nisso e tudo que vem depois é precarizado, feito nas coxas - vide ProUni que de boa ideia descambou pra garantir crescimento de UniEsquinas ao invés de forçar educação de qualidade.

E, passadas as necessidades mais básicas, resta o consumismo. O incentivo perpétuo a se ter mais, acumular. Ter uma TV de LCD e computador ultramoderno, mas morando em favela sem saneamento básico. Afinal, saneamento é caro, a TV é mais barata e, quem sabe, serve como cala-a-boca e garante votos.

De um necessário assistencialismo passamos para o consumismo incentivado e defendido com orgulho.

Uma classe média de 291 reais - que não é classe média nem aqui e nem no inferno - mas cujo mantra é repetido à exaustão até que vire verdade.

Se não pode convencer sem argumentos, repita incansavelmente até que, por osmose, sigam o que a direção do partido mandar.

E é óbvio que o assistencialismo - via Estado - tem outras intenções. O povo com mais dinheiro consome, gasta dinheiro com os parceiros e financiadores de campanha do Partido. Partido este que, além de incentivar o consumismo, garante o princípio do toma-lá-dá-cá com seus patrocinadores através de projetos megalomaníacos tirados da Ditadura ou fazendo vista grossa a abusos sitemáticos aos direitos humanos.

Aliás, um aparte: A Maria do Rosário é uma das figuras mais patéticas e cínicas da república com seu discurso simplesmente inverossímel de defesa dos Direitos Humanos ao passo que genocídios são lugar comum no país e o governo não prepara uma única política para melhorar a situação. Indígenas, LGBts, população negra... Nada. Dilma pessoalmente faz questão de agradar aliados e vetar políticas a favor de índios e LGBT's.

Um governo aliado de Katia Abreu, Bolsonaro, Malafaia, IURD e cia, não pode governar para o povo e para as minorias. Não faz "propaganda de oção sexual" enquanto gays morrem como moscas e ultrapassamos o récorde de mortes, não demarca terras e garante a segurança das diversas tribos ameaçadas pelo país, oras, índio atrapalha o progresso. Bom mesmo é que suas terras sejam usadas para mineração, soja ou hidrelétricas mil. E não surpreende almoço com militares e afagos aos bandidos enquanto quem fou torturado, perdeu amigos e parentes continua nas ruas tentando reparação e justiça.

Dilma só recebe quem tem poder - e farda.

Democratização das comunicações? Respeito aos direitos humanos? Desmilitarização da Polícia? Memória e justiça e revogação da Lei da Anistia? Direitos reprodutivos? Direitos LGBT's? Direitos Indígenas? Educação de qualidade para todos e todas? Salários decentes para professores?

Assuntos irrelevantes no entender governista. Mais importante é privatizar e garantir lucros ao Eike.

Mas, voltando, o Lulo-Dilmismo conseguiu o que parecia impossível. FHC apenas conseguia contentar os ricos, deixando trabalhadores com ódio e pobres abandonados, mas o Lula e a Dilma, com pesada propaganda e dinheiro para a grande mídia e para seus parceiros, conseguiram unir políticas assistencialistas eficazes e necessárias com lucros históricos para todos os principais setores capitalistas do país, ao passo que, graças ao esforço imenso dos seus fanáticos pagos e não-pagos, retira direitos atrás de direitos dos trabalhadores - privatização da previdência dos funcionários públicos e pretenção de flexibilizar a CLT.

Chegamos num ponto, porém, em que o processo de aprofundamento do capitalismo do mais violento no país acabou por causar algum desconforto entre as hostes menos fanáticas do governismo. É o momento em que veremos qual grupo prevalecerá. Pessoalmente não tenho dúvida de que o mais fanatizado irá prevalecer, e os mais moderados irão ter de se contentar a serem sacos de pancada ou terão de abandonar o Partido.

Para a maioria prevejo a conformação e a piada de que "lutam internamente", um eufemismo para "iremos fingir discordar internamente, mas votaremos TUDO com o governo", só que cada vez mais enfraquecidos, cada vez menores e cada vez menos eficazes e conscientes.

Estamos beirando um totalitarismo dentro do chamado "campo governista" e meu temor é que se espalhe, que transcenda esse campo já tão frágil em temros de resistência. Sou e sempre serei defensor de democratização das mídias, mas o que vemos hoje, em geral, é uma luta entre a mídia próxima do PT e a grande mídia, com raras exceções no meio. Lutas sociais são colocadas de lado em nome da governabilidade, direitos humanos são relativizados e, neste cenário, temo que tipo de processo de "democratização" possa vir de um governo que governa pro capital dando migalhas ao povo.

O mesmo vale pra "reforma política". Oras, com esta base aliada que tudo pode, que tudo ganha mesmo que não se preocupe em votar com o governo para justificar todas as benesses (e tem quem fale em voto de cabresto apenas exigir que "aliados" sejam... aliados! Na hora de privatizar o PMDB não vota "errado", mas pra questões populares...) , imaginem a maravilha que sairia a tal reforma!

Ano que vem a Dilma já declarou que seu objetivo é reduzir impostos. Educação? Direitos Humanos?

Não, reduzir impostos. E pra isso não se importa em privatizar, em subsidiar lucros das empresas, em manipular discursos sem, no fim, realizar uma necessária reforma tributária. É o Estado renunciando arrecadar, mas sem mexer no lucro dos amigos empresários. Temos a produção de carro mais barata do mundo, para dar apenas um exemplo, mas pagamos o valor mais alto do mundo pel oproduto final. O governo? Oras, reduz IPI, ou seja, impostos, pra baixar o preço de forma irrisória ao invés de FORÇAR uma menor margem de lucro às montadoras.

O Estado renuncia arrecadação (no caso criando um caso em municípios), mas mexer no lucro dos empresários? NUNCA! Isso seria ser de esquerda!

Militontos não cansam de xingar STF, não cansam de xingar qualquer opositor dentro ou fora do partido, mas batem palmas para higienismo e políticas genocidas repetindo cegamente que "quem não está conosco, é de direita", mesmo que o PT de hoje cause invejas ao PSDB que nunca conseguiu manipular tão perfeitamente as massas. É um nível de fanatismo que beira ou roça no totalitarismo.

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O blog entra hoje de férias e retorna em janeiro.
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sábado, 24 de março de 2012

Maria do Rosário, a oportunista ou a prisão dos bandidos do SilvioKoerich.org

Dois dos "controladores" do site homofóbico, machista, racista e incitador da violência "SilvioKoerich.org", Marcelo Valle (em Brasília, e figura já conhecida da blogosfera e reincidente no crime) e Emerson Rodrigues (em Curitiba) foram presos depois de uma ampla campanha nas redes sociais e também de uma mobilização de ativistas e mesmo políticos (em especial de Jean Wyllys, que foi ameaçado de morte por vários perfis fakes controlados pela gangue) que foram até a Polícia Federal e à Polícia Civil abrir inquéritos e buscar justiça.

A Safernet recebeu quase 70 mil denúncias de perfis relacionados à gangue e também direamente do site criminoso. O ativista @Caribé realizou uma ampla pesquisa - que juntei ao inquérito que o MP abriu em meu nome na Polícia Civil contra o Marcelo Valle - coletando diversos perfis do Twitter ligados à gangue, ao passo que o pessoal do Anonymous realizou outra grande pesquisa e entregou os dados para o Jean Wyllys que acionou a Polícia Federal.

Só para se ter uma noção, po exemplo, do trabalho feito pelo @Caribe, ele conseguiu linkar os perfis @frontnacional, @JuTedesco, @psycl0n, @danihallac, @homofobiasim, @Anjooslava, entre outros, a perfis no Orkut e de outras redes.

Assim como o Jean, também fui ameaçado de morte por perfis ligados ao Valle e Rodrigues e vários outros blogueiros e ativistas sentiram o gosto das ameaças covardes do grupinho. Pode-se falar efetivamente em uma mobilização para caçar estes criminosos e agora temos de manter a pressão e levar todos os processos e inquéritos em frente.

Agora, depois das prisões efetuadas, a surpresa: A Ministra da SEDH resolveu surfar na ação da PF e tomar para si os louros da prisão dos dois bandidos racistas e homofóbicos.

Não há sequer como disfarçar que a intenção da Maria do Rosário é  de disfarçar a completa inércia de sua secretaria, em especial no combate à homofobia. Existe a possibilidade de a SEDH ter se movido minimamente depois de anos de denúncias na Safernet, na polícia e etc, vendo a oportunidade de fingir que combatem a homofobia? Claro. Mas nada disso muda o quadro geral, de homofobia institucionalizada e oficial no governo Dilma.

Aliás, se o blog SilvioKoerich.org pregasse o ódio apenas contra gays - como fazem milhares de sites de Marginais da Fé e seus trouxas fiéis  - nada aconteceria. Mas como há ódio contra mulheres, pedofilia e incitação clara à violência e assassinato, alguém teve de se mover.

Vejam alguns comentários no Twitter:

Como se vê, a maioria não é "psolista", como gostam os governistas de chamar quem se opõe ao governo ou a setores deste.

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Por orientação de meu advogado, retirarei do ar a Representação Criminal que havia postado.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

2012 será longo: Começa o ano, começam os abusos

O ano nem bem começou e já temos motivos demais para lamentar que ele ainda será longo.

2011 foi um ano recheado de desgraças na área social. Dilma, eleita  sob a bandeira dos direitos humanos e que reforçou a vocação em discurso, se mostrou uma das maiores inimigas aos direitos humanos no Brasil.

Impôs Belo Monte pese condenação internacional e repúdio mundial, e nada parece fazê-la parar. a Homofobia chegou a níveis alarmantes, assim como os assassinatos motivados pelo ódio a gays e a presidente se limitou a declarar que não faria "propaganda de opções sexuais" e, hoje, não consigo mais reclamar de quem a chama diretamente de homofóbica.


As ações - ou falta delas - do governo na área dos direitos LGBT's demonstram que se Dilma não é homofóbica, então ela é simplesmente uma estúpida mau intencionada. Ou, outra possibilidade que não necessariamente elimina as anteriores, se vendeu aos Marginais da Fé que, ano começado, já mostraram sua força e o quanto vão colocar em perigo o país, com total conivência do governo federal.

Qual o problema se agora tem pastor tirando o "capeta" do corpo de um gay... E que o "capeta" é a homossexualidade?não podemos nos meter nas opções religiosas - aí sim OPÇÕES - dessa cambada de criminosos, não é, presidentA?


O ano começa ainda em meio à discussão sobre o Cadastro de Úteros proposto pelo Ministro Padilha, que de tanto se explicar tem apenas se complicado. A MP, imposta - como de costume neste governo que se recusa a ouvir os movimentos sociais ou, se uve, ignora, vide PNBL entregue às Teles e etc -, não paenas cria um cadastro absurdo, para a alegria dos Marginais da Fé, como também garante DIREITOS a FETOS. Isso mesmo, garante direitos a fetos em pé de igualdade aos das mães.

O ministro tenta tergiversar, mas tudo que consegue dizer é que "não é bem assim" e não dá nenhum argumento que faça qualquer ativista sério ou advogado mover o pé. Tem até governista fanático estranhando a história!

Mas não só de desgraças passada gira o Brasil, fabricamos novas, ou melhor, governos fabricam ou conseguem se enrolar ao ponto de parecer responsáveis - e normalmente são, de forma direta ou indireta.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Movimento Estudantil Ocupa, a PM Ameaça e Agride

É quase sempre na base da ação e reação: Os estudantes se mobilizam e a PM desce o cacete.

Comandados por Alckmin e Kassab, dão uma 'lição" aos estudantes universitários. Gente despreparada, violenta, criminosa com armas na mão e pseudo-autoridade que lhes foi dada por uma elite corrupta com a única intenção de "controlar" as classes mais baixas ou aqueles que desviem do padrão normativo desta elite, ou seja, qualquer um que seja preto, pobre, favelado ou mesmo branco, ams que resolva contestar a ordem vigente.


Será que impressiona que o ÚNICO negro no local tenha sido o alvo do ataque do PM, que saca a arma brevemente para ameaçá-lo?

Nada em comum com a paixão que a PM tem por agredir e matar negros? Será apenas uma coincidência que o PM, cercado de estudantes brancos, caminhe agressivamente em direção ao único negro no local, possivelmente duvidando que um negro - "estes inferiores"! - seja estudante da USP e não apenas mais um "provocador" no lugar errado?

Não se pode deduzir mais nada. Em meio a alunos brancos, possivelmente de classe média, o PM teve a necessidade de colocar pra fora todo o seu ódio insensato contra a humanidade. Mirou o negro, perguntou "delicadamente" se era aluno da USP - local onde negros não deveriam frequentar, segundo pensamento da figura fardada - mandou mostrar a carteiria e, diante da justa recusa, sacou sua arma para mostrar quem mandava ali.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mais um documentário sobre neonazismo, Carecas, violência e ignorância política

Documentário feito pelos estudantes de jornalismo Yuri Gonzaga e Bruno Fávero Leite para a disciplina de documentário do quarto ano da USP em que o foco está na entrevista de "representante" dos Carecas do Subúrbio, chamado de "Capoeira", que desfila toda sua ignorância e necessidade de se firmar através da violência insensata contra seus "inimigos" e na entrevista comigo, fazendo um contraponto ao discurso tosco do Careca e comentando sobre o protesto dos neonazis na Paulista em defesa de Bolsonaro.

No documentário comento também sobre as ameaças que jornalistas receberam de neonazis mais exaltados, os vídeos podem ser vistos aqui.

A entrevista com o "Capoeira" e comigo começa por volta dos 3:15.
Documentário sobre protesto pró-Bolsonaro na Paulista from Raphael Tsavkko on Vimeo.
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sábado, 28 de maio de 2011

Pastor Marco Feliciano: Seriam os filhos de Jesus... os X-Men?

Quando você recebe um tuíte desses, o que faz? Se for do @Paiva_Thiago, ABRAM! Eu não podia esperar para o que viria, um choque!
Melhor que isto, apenas a "explicação" absolutamente científica para a sandice da figura (e eu pensando que esse povo era criacionista, odiasse biologia, não acreditasse na gravidade porque é coisa do capeta e etc...):

O pastor Marco Feliciano lançou uma enquete em seu Twitter ensinando aos internautas que se Jesus Cristo houvesse casado, poderia ter nascido uma raça superior.
O deputado federal tentava explicar que, como Cristo não era filho só de humanos, se Ele tivesse um filho seria uma outra raça. “Possivelmente o envolvimento carnal dele com uma mulher poderia culminar com o nascimento de um outro ser, que teria um DNA diferente do normal,” escreveu.
Aos seus seguidores ele explicou que o cromossomo Y vem do macho e o X da fêmea, como Jesus Cristo nasceu de Maria, o cromossomo X veio dela e o Y de Deus.
“Portanto o DNA de Jesus não era como o nosso. Ele tinha cromossomos X, todavia os cromossomos Y não eram humanos. Ele era em si Homem e Deus!”
As primeiras reações no Twitter eram esperadas:






Mas, apesar de toda a graça da situação, NÓS sabemos o quão imbecil é tal declaração, por "n" motivos, a começar pelo uso deturpado da ciência, pela ignorância de acreditar que Jesus - se existiu - nasceu de uma virgem (mas aí que os teólogos percam seu tempo) e, finalmente, algo que me pareceu absurdo, considerar que deus - pros que acreditam - teria DNA! Como assim?

E, pior de tudo não é a piada involuntária desta figura grotesca, deste marginal da fé, homofóbico, racista e ladrão, e sim que ele tem seguidores! Tem milhares de pessoas que caem na lábia deste infeliz e que, inclusive, o elegeram deputado apenas para que ele possa escarnecer da nossa constituição, pregando ilegalmente um Estado religioso medieval!

Podemos rir, mas logo depois devemos é nos desesperar.;
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A menção ao Pastor Zangieff (ou Pastor Pilão) se deve a este vídeo que é inteiramente hilário, mas fica melhor a partir dos 2 minutos.


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terça-feira, 10 de maio de 2011

A Direita ataca, é hora de reagir! Racismo, Homofobia e a necessidade de mudanças - Parte 1

Quando, em nossa história recente, ao menos desde a revoada dos galinhas verdes (Integrallistas) ainda sob Getúlio Vargas, tivemos tamanha reunião de grupos tão diversos, como Fascistas, Carecas, Neonazistas, Integralistas e Nacionalistas em um mesmo espaço e com uma mesma bandeira?

Falo do protesto dos Neonazistas na Paulista em defesa do Bolsonaro e da "família" no começo de abril, que contou com o óbvio apoio posterior da Folha de São Paulo.

Ano passado, no mesmo dia do primeiro beijaço organizado em apoio ao PNDH-3, um grupo de uma dúzia de Integralistas e Libertários se reuniram no MASP, mas era diferente. Os grupos sentiam-se incomodados com a presença do outro e, no fim, eram CONTRA algo, mas não tinham uma mesma bandeira.

Neste sábado, havia uma única bandeira: A família, através das palavras e atos de Bolsonaro. Por mais deturpada que seja a visão de família destas gangues violentas, elas acharam uma figura de liderança. Grupos que atuam à margem da institucionalidade saíram de suas casas para protestar por um deputado, por um discurso único.

Mostraram a cara, forma ao centro da maior cidade da América Latina, num lugar lotado de policiais, demonstrar seu apoio a um político.

Não é pouca coisa.

Estamos falando de grupos que normalmente estariam se matando (gangues de fascistas, como os Carecas do Subúrbio, que te negros e nordestinos em seu meio lado a lado com neonazistas?), mas se uniram por uma causa, por uma pessoa. O que mais pode sair daí?

Não podemos subestimar esta pequena reunião, pois os que foram são ligados a grupos maiores que podem perfeitamente passar a agir de forma mais unificada se encontrarem uma liderança que os represente. Assim acontece na Europa, com partidos de orientação nazi-fascista se organizando e se legalizando, mas ainda mantendo a tropa de choque violentas nas ruas.

E não estou me precipitando, apenas aventando uma possibilidade que pode ser desastrosa para toda a esquerda, extremamente fragilizada nos dias atuais. ma parte acomodada, esperando que o PT faça tudo cair do céu, outra que diz ter orgulho de ser chapa-branca, soldadinhos disciplinados com orgulho e que agem como tropa de choque mesmo contra os movimentos sociais e uma parte dentro do PT, no PSOL e na Esquerda em geral que ainda tenta criar, inovar e combater. Hoje, a fragmentação da esquerda não se dá apenas em linhas partidárias.

Origens

Não estamos falando de um movimento ou de uma onda que surgiu agora, com Bolsonaro, mas do reflexo das eleições, em que José Serra se aliou com forças conservadoras da/e ligadas à Igreja Católica (como a TFP), atraindo outros grupos de caráter fascista para sua campanha, abrindo espaço para uma campanha baseada no ódio, no preconceito, no racismo e na homofobia. Marina Silva, a neopentecostal, foi a outra ponta de lança que, mesmo com discurso carregado de preconceito e medievalismo, conseguiu atrair parcela da classe média way of life, vazia, sem ideologia, que adotou o ecologismo - sem sequer saber do que se trata - como bandeira.

Juntos, estes dois candidatos conseguiram quase metade dos votos, e também deram espaço e voz aos grupos mais conservadores da sociedade. Junte isto a uma mídia oligárquica, controlada por pouquíssimas famílias (ou por igrejas evangélicas, o que é ainda pior), com interesses próximos, senão os mesmos, que fez o possível para espalhar as mensagens de ódio o mais longe que podiam.

Assim que a eleição terminou, supostamente derrotados, os grupos oligárquicos voltaram a se mexer.

A Folha de São Paulo, o grupo de mídia mais sujo do país, em conjunto com a eternamente golpista Rede Globo, logo de cara passou a abrir espaço para que a extrema-direita manifestasse todo seu ódio contra nordestinos, pobres e afins. Não bastou a Ditabranda ou a Ficha Falsa da Dilma, Otavinho queria sangue.

Hoje, somos forçados a aguentar o mesmo discurso fascista da mídia, com um governo que nada faz para mudar a situação e com uma esquerda extremamente dividida. Enquanto isso, a direita se organiza, os neopentecostais desfilam o máximo de preconceito, racismo e homofobia que podem, e Bolsonaros ganham fama.

Mais ataques

Não surpreende que estejamos vendo um crescimento dos casos de ataques de Skinheads de extrema-direita. Não para de aparecer notícias na mídia sobre casos do tipo. É marginal agredindo gente no metrô, se envolvendo em brigas no Jabaquara e tudo sem que haja uma resposta.

E uma resposta que vai além da legal - lembrando que os criminosos são sempre soltos depois, seja por falta de provas ou porque talvez dar porrada não seja um crime que valha pôr na cadeia -, mas passa por educação, democratização da mídia...

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tolerar racistas? Homofóbicos? Divagações sobre uma difícil questão

Muito se comentou no país sobre a tolerância à crimes de racismo e homofobia quando estourou o caso Mayara Petruso, reflexo da campanha de ódio durante as eleições brasileiras em que o candidato da direita se aproximou perigosamente da TFP e outros grupos extremistas.

Bucha de canhão, Mayara poderia servir de exemplo. Não eram poucos os que exigiam sua prisão, enquanto alguns poucos contemporizavam, outros consideravam que nada resolvia e a mídia - alinhada ao candidato da direita - a defendia abertamente.

Os argumentos, enfim, iam desde os que defendiam a punição da garota - e a punição de toda e qualquer ofensa racista e xenófoba - e dos que defendem o modelo americano de plena liberdade individual, de falar o que quiser e deixar que a sociedade regule o que é ou não aceitável.

Proibir a livre manifestação tendo por base conceitos abstratos do que é ou não preconceito foi questionado por isto abrir brechas para a censura e para a criminalização de opiniões, por outro lado, como garantir o controle sobre incitações ao ódio?

O caso mais recente do Deputado Federal Jair Bolsonaro e suas declarações racistas e homofóbicas no programa CQC e ao mesmo tempo as declarações no mesmo tom do também Deputado Federal e pastor Marco Feliciano, no Twitter, reacenderam o debate.

Mídia lá e aqui

Nos EUA a Klu Klux Klan (KKK) é tolerada e é residual -ainda que não exatamente sua ideologia, incorporada pelo Tea Party e por uma significativa parcela da população (basta observar as políticas anti-imigração em curso em vários estados americanos, especialmente no Arizona) -, além disto podemos dizer que nos EUA os vários lados, as várias opiniões, tem acesso à mídia, tem a possibilidade de divulgar suas idéias com um mínimo de igualdade, o que, mesmo assim, não garante que crimes de ódio não aconteçam.

 Nos EUA temos redes alinhadas aos Democratas, aos Republicanos e, em geral, outros grupos podem comprar espaço e terem a liberdade de propagar seus ideais.

A mídia é uma grande questão. No Brasil a mídia é dominada por um grupo de famílias de elite - com interesses bem distantes das do povo - e por igrejas evangélicas e ramos da igreja católica, logo, a mídia é usada ativamente para perpetuar o preconceito, a homofobia, o machismo e as idéias exclusivas dos grupos que detém os meios... Enquanto aqueles com pensamento diametralmente oposto são escondidos e tem limitado acesso.

 A liberdade de expressão que existe no Brasil confunde-se com a Liberdade de Empresa. A liberdade que as empresas, e apenas elas, tem de se manifestar. Chamar tal aberração de liberdade de imprensa é o escárnio máximo. A internet abre espaço para a quebra deste monopólio, mas seu alcance, enquanto veículo de massas, ainda é restrito.

Liberdade de expressão?

Devemos, em nome da liberdade de expressão, tolerar a homofobia em igrejas? Devemos tolerar a pressão que leva dezenas, quiçá centenas de jovens gays ao suicídio pelo preconceito que sofrem da sociedade, ou é necessário combater o preconceito?

Qual seria o limite entre a censura e a punição justa, ou melhor, qual o limite entre expressar uma opinião e ser preconceituoso? Está nas palavras de quem se expressa ou no receptor, em quem é vítima?
Muitos podem dizer que é muito fácil se fazer de vítima, e é verdade, mas também é igualmente fácil desmerecer a vítima e considerar que a ofensa sofrida não foi assim tão grave.

Qual a diferença entre um grupo de amigos contando piadas de gays e um padre pregando que gays devem ir pro inferno? A intenção? A recepção dos atores envolvidos? Ou a idéia de que um grupo de amigos contando piada é inofensivo, mas um padre, como líder, prega para uma audiência que encarará suas palavras como verdade e as repetirá e perpetuará? Estaria no alcance, então?

Responsabilidade e Ódio de Classe

A questão talvez passe pela responsabilidade ou pela responsabilização, por ser responsável pelas palavras, enfim. Passa pelo alcance, pela recepção da platéia, pelo local e, acima de tudo, pela intenção.
 E geral a esquerda é a primeira a levantar a questão do "preconceito ou ódio de classe" em escritos marxistas. poderia ser considerado como preconceito efetivamente?

De antemão deve-se ter em mente que o ódio de classe é anterior à ideologia, que tão somente o expôs, ou melhor, deu um nome ao que já era uma realidade, e que esta vem exatamente para tentar sanar as distorções. Melhor dizendo, existe um ódio de classe, perpetuado pela burguesia que explora o proletário e este se levanta contra esta exploração e encontra nos escritos marxistas apenas a tradução.

Podemos falar em preconceito contra o preconceito. Ainda que, sejamos honestos, playboy reclamando que sofre ódio de classe porque alguém o chamou de burguês ou porque defende a luta de classes seria uma novidade.

Estamos aqui falando não de preconceito de uma classe inferior - como noção de sua inferioridade -se rebelando contra a que lhe oprime, bem diferente da pregação de ódio e do preconceito irracional de grupos contra outros sem que haja nenhuma relação efetiva entre eles.

Por exemplo, é compreensível que um proletário se sinta agredido por seu patrão e busque reagir, mas qual a justificativa de um padre atacar um gay, tirar sua humanidade e condená-lo? Qual o sentido em colocar os problemas do país nas costas da população de um determinado local e pregar seu extermínio? O preconceito está intimamente ligado à ignorância e ao fanatismo.

Preconceito positivo ou liberar geral?

Estaríamos, aqui, falando e um "preconceito positivo", aquele usado contra outro preconceito anterior, a legítima defesa contra um preconceito ainda mais nocivo?

No fim,  a discussão se divide entre os que querem liberar geral, que separar ao ato de xingar com a ação em si e os que consideram tudo a mesma coisa, ou seja, os que defendem o direito dos homofóbicos serem homofóbicos, desde que não façam nada (violento, por exemplo), e os que acreditam que as palavras em si pressupõem crime, na medida em que perpetuam o estereótipo, o preconceito e incitam à ação (violenta).
Por violência não falo apenas da física, mas a humilhação, a violência psicológica, o impedimento, o cerceamento e por aí vai.

Como tratar da responsabilização do discurso?

Sem problemas dizer, numa igreja ou templo, que gays são pecaminosos, que devem ir pro inferno, mas o errado é quando algum destes "fieis", influenciado pelas palavras de seus líderes parte para a ação, para mandar o gay logo pro inferno? Mas, se não houvesse a incitação, o ódio perpetuado pelas palavras, teria acontecido o crime?

Raponsabilizamos apenas quem cometeu o ato violento ou quem o incitou, através das palavras? Ou melhor, esperamos até que haja a ação violenta para reagir? Esperamos que algum paulista afogue um nordestino para punir a Mayara?

A permissão da livre intolerância pode não dar em nada, pode simplesmente acabar pregando contra os que perpetuam o ódio, mas em alguns casos pode virar o nazismo, pode virar a intolerância contra muçulmanos que vemos na Europa, pode virar a expulsão de ciganos, como na França...

Até que ponto devemos tolerar os intolerantes, ou melhor, como definir exatamente o que é intolerância?
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Os vídeos do protesto dos neonazistas na Paulista em defesa de Bolsonaro

Retorno ao tema do protesto dos nazi-fascistas na Paulista, agora com vídeos. Me impressiona que praticamente nenhum veículo de mídia tenha se importando com o protesto, cujos desdobramentos vão muito além do seu tamanho relativamente pequeno.

>>Vídeos no fim da postagem<<

Jornais como a folha de São Paulo não só desdenharam do protesto como (mostrarei em post mais amplo ainda esta semana) acabaram por apoiar claramente os nazi-fascistas reunidos. Em sua tentativa torpe de "equilibrar" os lados, de não tomar partido, acabaram por mentir descaradamente sobre os fatos, omitindo dados, escondendo quem realmente protestava a favor do Bolsonaro (gangues, grupos de ódio, etc) e nos proporcionando mais um momento ímpar de vergonha alheia com o pior do jornalixo do jornal da ditabranda.

Blogosfera ausente

Não que outros meios de comunicação não tenham tentado diminuir a importância ou falsear a verdade, se negando a dar nome aos criminosos fascistas. Mas o pior foi a pouca repercussão mesmo na blogosfera. Blogs tradicionais, grandes, pouco ou nada citaram sobre o episódio. Outros preferiram citar jornalões e pouco buscaram saber de fontes que estiveram presentes, membros do movimento social e mesmo políticos.

Já tem tempo venho criticando alguns grandes blogs por dedicarem espaço demais a notícias e análises estrangeiras, com amplo e irrestrito acesso através de jornais. Não falo em não publicar, mas também em dar acesso a nós, brasileiros, blogueiros independentes e não apenas promover o que já tem amplo acesso.

E este caso dos neonazis na Paulista é um exemplo deste problema, desta falta de visibilidade que pequenos blogueiros tem e que não conseguem quebrar a barreira. Ontem tive mais de 3500 acesso, um recorde, mas não se compara aos acessos de grandes blogs. O que eu tive em um dia, alguns tem em uma hora.

Não critico quem não teve coragem de ir até o protesto. Pensar em ficar cara-a-cara com nazistas não é fácil, ter medo é normal. Mas critico quem se acovardou nas críticas, quem calou, quem apenas foi atrás da grande mídia para saber o que aconteceu (ou seja, leram e ouviram mentiras) e não repercutiu a verdade.

O perigo que se aproxima, ou o que significou o protesto

Mas, enfim, aos que pensam não ser grande coisa o protesto, porque os nazi-fascistas não passavam de trinta, alerto: Quando, em nossa história recente, ao menos desde a revoada dos galinhas verdes (Integrallistas) ainda sob Getúlio Vargas, tivemos tamanha reunião de grupos tão diversos, como Fascistas, Carecas, Neonazistas, Integralistas e Nacionalistas em um mesmo espaço e com uma mesma bandeira?

Ano passado, no mesmo dia do primeiro beijaço organizado em apoio ao PNDH-3, um grupo de uma dúzia de Integralistas e Libertários se reuniram no MASP, mas era diferente. Os grupos sentiam-se incomodados com a presença do outro e, no fim, eram CONTRA algo, mas não tinham uma mesma bandeira.

Neste sábado, havia uma única bandeira: A família, através das palavras e atos de Bolsonaro. Por mais deturpada que seja a visão de família destas gangues violentas, elas acharam uma figura de liderança. Grupos que atuam à margem da institucionalidade saíram de suas casas para protestar por um deputado, por um discurso único. Mostraram a cara, forma ao centro da maior cidade da América Latina, num lugar lotado de policiais, demonstrar seu apoio a um político.

Não é pouca coisa.

Estamos falando de grupos que normalmente estariam se matando (gangues de fascistas, como os Carecas do Subúrbio, que te negros e nordestinos em seu meio lado a lado com neonazistas?), mas se uniram por uma causa, por uma pessoa. O que mais pode sair daí?

Não podemos subestimar esta pequena reunião, pois os que foram são ligados a grupos maiores que podem perfeitamente passar a agir de forma mais unificada se encontrarem uma liderança que os represente. Assim acontece na Europa, com partidos de orientação nazi-fascista se organizando e se legalizando, mas ainda mantendo a tropa de choque violentas nas ruas.

E não estou me precipitando, apenas aventando uma possibilidade que pode ser desastrosa para toda a esquerda, extremamente fragilizada nos dias atuais. ma parte acomodada, esperando que o PT faça tudo cair do céu, outra que diz ter orgulho de ser chapa-branca, soldadinhos disciplinados com orgulho e que agem como tropa de choque mesmo contra os movimentos sociais e uma parte dentro do PT, no PSOL e na Esquerda em geral que ainda tenta criar, inovar e combater. Hoje, a fragmentação da esquerda não se dá apenas em linhas partidárias.

Origens

Não estamos falando de um movimento ou de uma onda que surgiu agora, com Bolsonaro, mas do reflexo das eleições, em que José Serra se aliou com forças conservadoras da/e ligadas à Igreja Católica (como a TFP), atraindo outros grupos de caráter fascista para sua campanha, abrindo espaço para uma campanha baseada no ódio, no preconceito, no racismo e na homofobia. Marina Silva, a neopentecostal, foi a outra ponta de lança que, mesmo com discurso carregado de preconceito e medievalismo, conseguiu atrair parcela da classe média way of life, vazia, sem ideologia, que adotou o ecologismo - sem sequer saber do que se trata - como bandeira.

Juntos, estes dois candidatos consequiram quase metade dos votos, e também deram espaço e voz aos grupos mais conservadores da sociedade. Junte isto a uma mídia oligárquica, controlada por pouquíssimas famílias (ou por igrejas evangélicas, o que é ainda pior), com interesses próximos, senão os mesmos, que fez o possível para espalhar as mensagens de ódio o mais longe que podiam.

Assim que a eleição terminou, supostamente derrotados, os grupos oligárquicos voltaram a se mexer.

A Folha de São Paulo, o grupo de mídia mais sujo do país, em conjunto com a eternamente golpista Rede Globo, logo de cara passou a abrir espaço para que a extrema-direita manifestasse todo seu ódio contra nordestinos, pobres e afins. Não bastou a Ditabranda ou a Ficha Falsa da Dilma, Otavinho queria sangue.

Hoje, somos forçados a aguentar o mesmo discurso fascista da mídia, com um governo que nada faz para mudar a situação e com uma esquerda extremamente dividida. Enquanto isso, a direita se organiza, os neopentecostais desfilam o máximo de preconceito, racismo e homofobia que podem, e Bolsonaros ganham fama.

É hora de abrir o olho! Estamos diante do que pode ser o começo da reorganização da direita e da extrema-direita no país. Enquanto o PT caminha para o Centro e flerta com parte da direita (PSD, PP, PR, cia), a esquerda fica perdida, se batendo, sem ação.

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A esquerda canta a Internacional
Fascistas respondem aos gritos da Esquerda, mas são logo sufocados
Esquerda canta!
Fascistas tentam, mas Esquerda sufoca seus discursos.
Homofobia Fascista.
Fascistas e neonazis louvam Bolsonaro, com um apoio desses....
Fascista tenta atacar militantes de esquerda e corre de volta ao seu grupo covardemente.
Fascista violentos fazem gestos para a esquerda e gritam "saco de pancada"
Fascistas ameaçam jornalistas. Um jornalista foi ameaçado por usar uma camisa vermelha. Foi o momento em que também fui xingado e ameaçado
Fascistas cantam "Dilma Terrorista, Comunista e Assassina".
Careca do Subúrbio (guange Fascista) tenta dar lição de moral à Esquerda.
Capitão da PM fala sobre o protesto.
Acuados, Fascistas e Neonazis se agrupam para ir embora.
Líder neonazi é entrevistado e solta a pérola "É direito humano pra humano"
Primeiras prisões feitas pelo DECRADI de Neonazis e Fascistas (dois são presos).
Segunda leva de prisões feitas pelo DECRADI de Neonazis e Fascistas (quatro são presos).
Já no fim do protesto, 2 anarcounks de esquerda são presos por não terem levado RG.
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domingo, 10 de abril de 2011

O protesto dos neonazistas na Paulista em defesa de Bolsonaro

Fascista provocador (esquerda) e o organizador do protesto, o neonazi Márcio Galante (direita). Mais fotos no fim do post.
Difícil conseguir deixar pra lá toda a revolta por ter que, em pleno século XXI - e no Brasil, país miscigenado -, presenciar um protesto reunindo fascistas e neonazistas.

Grupos como Ultra Defesa, União Nacionalista, Kombat RAC (Rock Against Communism - Rock Contra o Comunismo), Carecas do Subúrbio (Fascistas), Integralistas (galinhas verdes que já deveriam ter sumido do mapa) e Skinheads Nazistas com cruzes de ferro no peito, cabelos raspados e tatuagens características e muito ódio nos olhos reunidos pra defender a homofobia (pra dizer o mínimo).

Todos devidamente identificados, com camisas e simbologia típica. Camisas de gangues, de grupos de ódio...

O pior de tudo era ver ao menos quatro garotas do lado dos fascistas, do lado dos machistas que defendem sua submissão, negros - ao menos dois, membro dos Carecas do Subúrbio - e nordestinos (um exaltado dos Carecas, que fez um discurso risível no megafone dizendo que era filho de maranhense, trabalhador e todo o resto era playboy maconheiro) lado a lado com neonazistas, que obviamente os odeiam.

Muito exaltados, alguns fascistas e "nacionalistas" agiam como crianças doentes, gritando xingamentos esparsos de que quem estava do outro lado era gay, era viado, era isso ou aquilo e riam como se tivessem marcado um ponto. Completos incapazes.

Cantaram slogans contra Dilma, contra o Comunismo, basicamente odiavam a tudo e a todos.

De um lado estes fascistas e nazistas, junto com nacionalistas e gente de tudo quanto é direita, em comum o ódio contra gays, contra comunistas, contra a esquerda. Defendiam Bolsonaro, a família (dentro da visão doente deles), eram contra o "Kit gay" e, por incrível que pareça, não brigaram entre si. Eram não mais de 25-30 fanáticos de direita contra uma presença muito maior de contra-manifestantes, na casa dos 100 no auge, além de muita gente que passava pelo local e demonstrava repúdio pelos doentes carecas.

Entre os fascistas, havia negros e nordestinos, que eram observados com atenção e nojo pelos neonazis presentes. Era uma reunião estranha e detestável. Simplesmmente assustador ficar cara a cara com gente que transpirava ódio e aversão pela nossa mera existência.

Alguns marginais panfletavam, distribuíam papeis dizendo que não eram racistas, que defendiam a pátria, a família e o blablabla de sempre que, no fim, apenas recebia uma olhar de nojo dos que passavam, alguns destes que acabaram engrossando a fileira dos ligados à esquerda, aos movimentos LGBT e Skinheads (os RASH, Red and Anarchist Skinheads, ou Skinheads anarquistas e comunistas).

Todo o protesto esteve envolto em tensão. Em diversos momentos neonazis e similaris tentavam desviar do bloqueio da PM para provocar e tentar bater nos que se manifestavam contra essa escória humana.

Os neonazis e semelhantes adoram exigir pra si os direitos que negam ao resto da sociedade. querem ser homofóbicos, racistas, mas não permitem que alguém seja gay, negro... Sua resposta é a violência.

Em certo momento um neonazi do Kombat RAC (que saiu em várias fotos da mídia) resolveu passar pelo isolamento policial e provocar a esquerda, voltou logo correndo, mas não sem xingar e ameaçar quem estava próximo. Minha namorada chegou a ser duramente xingada por esse canalha e por outros que se agruparam em torno da figura. Um jornalista ao meu lado, de vermelho, foi interpelado por um manifestante pró-bolsonaro (possivelmente fascista) porque usava camisa vermelha e também foi xingado.

Um mascarado - que depois foi preso - a seguir me perguntou se eu era comunista. Obviamente não iria me fingir de acovardado e respondi que sim, ao que se seguiu uma torrente de ameaças de morte e palavrões. Os fotógrafos presentes naquele momento se juntaram na tentativa de evitar que os marginais nos atacassem, enquanto a política olhava um pouco mais atrás. Muitos dos fascistas, ao se verem fotografados e gravados resolveram também nos fotografar - para marcar nossas caras, segundo disseram, querendo nos fazer temer por nossas vidas.

Interessante foi circular pelos PM's, que estavam em ampla maioria no local, inclusive com tropas do choque preparadas do outro lado da rua para qualquer problema e também boa presença de policiais do DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), que realizaram ao menos 8 prisões (a mídia informa 10). Entre muitos soldados, ouvi coisas que me deixaram um pouco mais alegre, apesar de todo o clima no local.

Vi policiais conversando entre si e se perguntando porque tinham que apartar os lados, os "comunas" estavam em maioria e deviam acabar com a raça dos nazistas. Alguns diziam sentir nojo de ter que evitar que nazistas apanhassem ou queriam prender todos e mesmo descer o cacete nos que não conseguissem correr. Não que eu defenda a violência, mas ver PM's, que costumam se limitar a espancar manifestantes de esquerda, sentindo nojo da extrema-direita foi pra alegrar o dia.

Muitos gritos, de ambos os lados (quando cheguei, o povo da esquerda cantava "A Internacional" e os fascistas gritavam que o mundo era gay e eles salvariam a humanidade), muitas manifestações de racismo e homofobia por parte dos doentes (que me perdoem os enfermos) que, no fim, conseguiram seu espaço na mídia (jornais como a Folha deram um ibope imenso, colocando-os como coitados e o G1 tentou ser friminosamente imparcial em uma situação em que neonazistas estavam envolvidos).

Bolsonaro deve estar feliz em saber que é apoiado tão fervorosamente por fascistas e neonazistas, resta saber qual grupo ele prefere. Pelo racismo (contando que os fascistas aceitam negros) deve preferir os neonazis.

Durante o protesto, ameaças e tensão, e ao fim do protesto, prisões. A mídia fala em seis ou onze presos, mas vi  8 sendo presos, 6 fascistas e neonazis e 2 anarquistas de esquerda. Destes, 6 foram soltos logo depois, imagino que os dois anarquistas e outros 4 marginais.
Oito deles serão averiguados por possíveis envolvimentos em ações criminosas neonazistas ocorridas na capital paulista. Pelo menos um dos suspostos neonazistas também é investigado por participar de uma agressão ocorrida em uma das edições da Parada Gay.
Segundo a polícia, outros três supostos anarquistas, que estavam no grupo contrário a Bolsonaro, também foram detidos, dois deles estavam sem documentos de identificação.
Pelo que ouvi de quem estava lá e de policiais - especialmente do investigador Cássio Cardosi, do DECRADI - foram identificados dentre os fascistas e neonazis o responsável pela bomba na Parada Gay do ano passado e um dos homofóbicos que espancou gays com lâmpadas na Paulista. Ambos aparentemente foram detidos. Um outro detido tinha acusação de homicídio e era procurado e os demais foram presos por incitação ao ódio, por portar símbolos ilegais e etc.

Do nosso lado, infelizmente, ao menos 2 skinheads SHARP foram presos por não portarem RG's, o que é simplesmente ridículo, pois só pediram os RG's deles porque eram punks, uma clara demonstração de preconceito, pois em momento algum os dois rapazes ameaçaram alguém ou sequer se comportaram de maneira fora do normal.

Estas foram as prisões que acompanhei e o que ouvi da polícia e de jornalistas.

Apesar das 6 prisões (pelo menos) de fascistas, e da comemoração do pessoal da esquerda, que pareciam ter conseguido uma vitória, por estarem em maior número e de terem se mantido firme até a dispersão dos direitistas, não vejo vitória em saber que este tiipo de lixo humano existe.

Gente com cartazes chamando os que lutaram contra a Ditadura de terroristas, desejando a volta dos militares, dizendo que gays e esquerdistas não são humanos, logo, Direitos Humanos não valem pra "eles" e mais absurdos do tipo.

Seres cheios de ódio, prontos a expressar a mais pura violência contra quem não se encaixa nas suas visões deturpadas e criminosas.

É tudo MUITO triste e desalentador.
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Os vídeos do protesto virão em post separado, pois demoram para serem upados, neste vão apenas fotos. Vale também dar uma olhada e algumas fotos que tirei, postadas pelo blog Maria da Penha Neles ontem.
Porque, segundo a Folha, não haviam negros entre os Fascistas. Na foto, Carecas do Subúrbio, e de branco, na direita, Márcio Galante, indivíduo com tendências neonazi que organizou a palhaçada toda.
Cartaz acusando os guerrilheiros que lutaram contra a Ditadura de serem terroristas. No centro do cartaz, um dos fascistas mais exaltados e possivelmente gay enrustido dado o tom de seus xingamentos contra a esquerda do outro lado.
Em primeiro plano, fascista dos Carecas do subúrbio, ao fundo reparem no careca de casaco, no peito uma Cruz de Ferro Nazista. Seu tênis Adidas - assim como o casaco da garota logo atrás - denunciam a ideologia. Segundo policial do DECRADI, são marcas típicas dos nazistas. Também do seu lado, skkinhead nazista mais do que característico (e assustador).
Cordão policial isolando a esquerda - ainda no começo da manifestação, então havia pouca gente. Engraçado que o cordão era MUITO maior do que o que cercava (ou na verdade fazia apenas uma linha) os criminosos do outro lado.
Linha policial em frente aos fascistas.

Início do protesto com fascistas e demais grupos gritando e segurando cartazes.
Bandeiras do Brasil, cartazes nonsense e o negro que a Folha não viu. O camarada encapuzado foi um dos que me ameaçou e que foi posteriormente preso.

Mais doentes e seus cartazes e bandeiras.

Grupo de fanáticos já um pouco maior.
O grupo assustador
E novamente os simpáticos.
Marginais encapuzados e exaltados.
Neonazi de paletó discursando e ofendendo os manifestantes de esquerda. Reparem à direita dele duas garotas, as únicas que a Folha conseguiu identificar.
Isolamento em torno da esquerda.
Destaque ao neonazi mal encarado, ao encapuzado e ao imbecil do grupo Kombat RAC que tentou se infiltrar na esquerda, ameaçou dar porrada mas correu como um covarde de volta pro seu grupo quando surgiu reação. Mais um que ameaçou a mim, outro jornalista e à minha namorada.
Sorrisos antes da prisão.


"Nacionalistas".
E a quarta garota do protesto, nacionalista com bandeira de São Paulo, daquele grupo que odeia nordestinos e os quer expulsar de São Paulo. O que será que o maranhense dos Carecas do Subúrbio pensa (pensa?) disso?
Homofobia ainda será crime!
Os perigosos. Com o cartaz um neonazi que agiu como moderador do grupo, segurando os mais violentos e posando de pacificador e inocente. Ao lado, de mochila, outro radical, mas sem nenhuma marca característica, fez um dos discursos mais violentos e mais atrás ainda, de paletó, neonazi tatuado com símbolos de ódio.

Criminosos sendo revistados pelos policiais do DECRADI.
Faixa contra o racismo e a discriminação ostentada pela esquerda.
Bandeira dos AnarcoPunks presentes ao protesto.
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