Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
quinta-feira, 24 de maio de 2012
O rapaz pobre, "estuprador", e o jornalismo de esgoto, branco e rico.
Escrevi recentemente um artigo para o Global Voices sobre o rapaz Paulo Sérgio, negro e pobre, humilhado em um programa da Bandeirantes da Bahia por uma jornalista branca e obviamente privilegiada, mas acredito que eu precise expressar minha opinião de forma ainda mais clara. E o faço a seguir.
No vídeo, Paulo Sérgio chora, se desespera, enquanto é chamado de estuprador - o que ele nega - mas, no fim, pouco importa. O desrespeito da repórter - e do programa, da Bandeirantes e da falta de regulação da mídia que o governo nega à sociedade - não é só ao rapaz, mas também à suposta vítima de estupro, pois se tivesse efetivamente sido estuprada estaria vendo o crime ser tratado como galhofa na TV.
Mesmo que um ladrão - e confesso, mesmo que sem julgamento - Paulo Sérgio não merecia ser tratado da forma que foi. aos criminosos a lei, a prisão, e não a humilhação pública sob a tese de que estaria "pagando" pelo que fez. Ser humilahdo e ter a vida destruída em público não é "pagamento", é tortura.
A jornalista, branca, bonita, com educação (em tese), não faz ideia, por exemplo, de onde vem Paulo Sérgio, do que passou. Não que isto, em si, desculpe atos criminosos, mas ao menos nos permite compreender parte do problema. E a própria jornalista não é a única culpada, mas sim um produto do jornalismo brasileiro atual, com felizes ecxeções, que busca apenas o entretenimento e que é capaz de transformar até o estupro (suposto) em uma forma de fazer rir.
Processo
O ministério Público da Bahia irá processar a jornalista... Mas só ela? Ela é culpada, claro, mas não é a única. Não saiu só de sua cabeça a ideia de humilahr o rapaz, mas este é o mote do programa da qual faz parte, assim como de vários outros, e de sua rede de TV. Não partiu dela unicamente a iniciativa de humilahr o rapaz, ou qualquer pessoa em situação semelhante, mas é a regra deste tipo de programa, incentivado por seus diretores e donos de TV.
Não faltam jornais que pingam sangue, com closes grotescos de vítimas - inocentes ou não - que tratam o ser humano como lixo sem respeito por sua dignidade e pelos direitos humanos. Na TV a mesma coisa.
Não adianta punir (apenas) a jornalista, reclamar do programa e dar um tapinha na cabeça da Band a título de "não façam mais isso, ok?". É preciso ir atrás da concessão da rede, realmente causar algum dano, ameaçar de forma que haja uma mudança. Da forma como tudo acontece hoje, a rede finge que reconehceu o erro e o repete na semana seguinte. E é isto mesmo que acontecerá, já que a Band ameaça demitir a jornalista, mas não comenta sobre o nojo que é seu programa e dificilente mudará alguma coisa.
E não podemos nos esquecer da conivência de agentes do Estado - policiais - e do governo da Bahia por permitir que um canal de TV entre da forma como fazem em delegacias para humilhar presos, que estão sob a tutela e responsabilidade do Estado.
Comédia versus jornalismo
Será que teremos no futuro repórteres fazendo paidas de desastreas aéreos? Já temos o CQC, cujos comediantes se auto-declaram "jornalistas", mas são repudiados por muitos dos verdadeiros trabalhadores de jornais, rádios e TV's, pois não exercem a profissão com ética e dignidade, mas transformando tudo nuam grande piada. E, infelizmente, os policialescos que pipocam pela TV fazem um serviço semelhante, mas adicionando a degradação social no hall da comédia.
Trata-se de um jornalismo feito pela elite e para as elites, para que estas possam rir da desgraça alheia, de onde não querem se aproximar. Estereotipam a periferia, aplaudem a violência contra o pobre, contra o negro, criminalizam as lutas e tem medo, pavor, de que haja uma reação capaz de subverter essa realidade. É o serviço oficial da elite para manter seus privilégios e manipular mesmo - ou especialmente - aqueles "do andar de baixo" para que aceitem sua posição.
Oras, riam de sua desgraça e da de seus semelhantes. Mas façam isso em casa.
A Confecom aconteceu ha anos, o Ministério das Comunicações não se moveu desde então e a farra continua.
Manipulação é a regra
Um jornalismo emancipatório, crítico, faria com que houvesse ação, revolta, talvez até mudanças. Uma regulação da mídia, impondo a ética e punindo coisas grotescas como programas policalescos onde as vítimas são ridicularizadas tanto quanto os que as vitimam em um show de horrores em busca de ibope, apavora os donos do poder, que perderiam seu principal instrumento de doutrinamento e controle.
É interessante que na mesma semana em que surge este caso - apesar do vídeo não ser exatamente novo - tenhamos (com seus respectivos limites de comparação e tamanho, claro)por exemplo um jornalsita da Globo chamando de 'babaca" um jogador que se recusou a participar de um quadro do principal dominical da rede. Ao fazer 3 gols, Herrera, do botafogo, teria "direito" a pedir uma música no programa. E se recusou, dando a entender que achava uma tolice.
E é de fato uma tolice. Em seu direito de se recusar a participar involuntariamente de um programa de TV, Herrera despertou a ira daqueles que tomam o jornalismo (seja o policial, o esportivo ou qualquer outro) como simples entretenimento, até mesmo humor. Me recordo de quando um jogador de futebol americano ao fazer 3 touchdowns pediu uma musica de uma banda de metal extremo em outro programa da mesma Globo, mas editaram o vídeo fazendo aprecer que ele pedira o de uma cantora qualquer, porque o metal, talvez, fosse demais para os ouvidos do pobre telespectador e, afinal, a cantora era parte do cast era da gravadora da... Globo!
A manipulação é clara, a falta de ética mais clara ainda.
É um exemplo que parece não ter relação, mas mostra como é fácil e comum a manipulação da mídia, a falta de ética e como tudo fica impune, apesar do governo ter noção do que acontece. Mas nada faz.
Em São Paulo, estamos no meio de uma greve do Metrô e trens e em todos os jornais não ouvimos a voz ou não lemos a opinião de nenhum metroviário, apenas do governador e de seus imediatos. Não há espaço para as reividnicações dos trabalhadores, apenas para a criminalização da greve através de frases como "São paulo está um caos" e afins. Esta é a regra. A voz dos patrões frente o resto.
A mídia faz o que quer, como quer e nada a impede.
Não se trata, porém, apenas de regular a mídia, de impor limties éticos, mas de se investir em educação, em cultura. Há quem consuma este lixo, há uma retroalimentação. Esta que só pode mudar com cosncientização, com longo trabalho de ensinar direitos humanos, com educação de qualidade e emancipatória e a intenção de mudar a sociedade.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
"Censura" e Mídia Golpista
O caso é que a justiça da Venezuela - e não o Chávez, mas pra mídia não importa - proibiu o jornal El Nacional de estampar em suas páginas imagens com extrema violência, enfim, degradantes, violentas, ofensivas... Como a imagem abaixo, capa de uma edição de alguns dias.
O que a justiça fez foi, apenas, prezar pelos direitos humanos e pelo mais básico respeito ao próximo. De um lado o respeito às famílias dos mortos e às pessoas que serão obrigadas a se deparar com tais imagens. A justiça venezuelana defendeu a dignidade humana em oposição ao espetáculo da carnificina, glorificada pelo jornal e que, infelizmente, encontra eco na maioria dos jornais ditos populares do Brasil.
La imagen muestra una decena de cadáveres desnudos, amontonados en una morgue de Caracas. Unos están en el suelo. Otros comparten camillas pensadas para una sola persona. La fotografía fue publicada el viernes en el diario venezolano El Nacional, crítico con el Gobierno del presidente Hugo Chávez. La fiscalía venezolana ha abierto una investigación por la filtración de la imagen y, el viernes, la Defensoría de Pueblo ordenó al diario que se abstenga de "difundir imágenes que atenten contra los derechos de los niños".A diferença é que, por aqui, os princípios dos Direitos Humanos são debatidos, mas não aplicados. A CONFECOM ainda aguarda para ver suas resoluções aplicadas e respeitadas, e o PNDH-3, que previa um controle social sobre os meios de comunicação foi, quase totalmente, enterrado pela oposição de direita, com medo de perder seus privilégios, dentre estes, o de controlar a mídia - mas não mais o de controlar a INFORMAÇÃO. Com a internet tivemos uma quebra do paradigma e é através dela que podemos saber que, se o tal jornal acusa o Chávez de ser o responsável, a verdade é bem diferente, o presidente não teve qualquer relação e tudo não passa de uma tentativa de capitalizar sobre uma decisão correta judicial contra o legítimo governante do país.
Este expediente, aliás, é o mesmo usado por jornalecos e revistas que não servem nem pra limpar a.... aqui no Brasil, como Veja, Folha e cia. Denúncias vazias, fichas falsas, dossiês inexistentes, exaltação de vices tresloucados, propaganda eterna e ferrenha contra política externa modelo... são todos artifícios comuns à imprensa golpista, que tenta esconder seu rosto mas cai na obviedade de seus métodos.
A mídia ainda não aprendeu que existem limites. O direito à liberdade de Imprensa é diferente da Liberdade de Expressão. A Imprensa tem limites e, se não sabe se auto-regular, precisa do Estado para impor estes limites, que responde ao povo. É aí que entra o controle social, onde o povo tem o poder de fiscalizar os abusos cotidianos dos meios de comunicação que usam concessões públicas para fazer política ou meios privados para fazer o mesmo fingindo isenção, sem admitir seu lado, o que não é apenas um problema ético, em muitas ocasiões é caso de polícia.
O jornal do caso acusa a justiça de censurar e proibir a imagem da violência que assola a Venezuela, quando, na verdade, a imagem não tem qualquer relação com a matéria específica, foi uma foto aleatória, escolhida para chocar e aumentar o repúdio de seus leitores ao Presidente Chávez, acusado de não dar um jeito na violência. A tentativa não era informar, não era meramente ilustrar, era chocar e fazer política.
Não surpreende que parte do PIG brasileiro tenha corrido em socorro. Correio Braziliense e a RBS deixam claro: Censura. A SIP agradece. Mas a democracia, não.
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Update:
Antes mesmo de publicar este post, leio no JB que a medida de proibir todos os meios impressos do país de publicar imagens violentas, sangrentas ou grotescas havia sido estendida para todos os jornais do país e que, logo depois, ela foi restringida apenas ao El Nacional e ao Tal Cual.
Os dois jornais são opositores de Chávez - dentre os vários que continuam a fazer oposição e não foram atingidos depois da revogação da chamada censura total. Mas para a mídia é um prato cheio. Por mais que as notícias deixem claro se tratar de uma decisão da justiça, de um pedido da promotoria do país, as chamadas para as notícias tentam culpar o presidente pela decisão. É o mesmo que culpar o Lula pelas decisões do Gilmar Mendes, ou as do Toffoli, que foi nomeado por ele.
No Globo, a coisa é ainda mais feia. Uma manipulação absurda:
Em mais um capítulo das rixas entre a imprensa e o governo, o presidente Hugo Chávez promulgou também nesta quinta uma reforma na lei de bancos, aprovada pelo Parlamento, que proíbe donos de meios de comunicação de ter qualquer participação acionária em instituições financeiras.Propositadamente colocam no governo, a culpa pela "censura", feita pela justiça. Daqui ha pouco o Estadão irá colocar a culpa no PT ou no governo por sua "censura". O paralelo é simplesmente perfeito.
- São uns ladrões, mas são donos de televisões, de grandes capitais e vão correr todos para os Estados Unidos, onde são protegidos - declarou Chávez ao assinar a lei.
A aprovação da medida foi pedida no dia 11 passado. Então, o empresário Nelson Mezerhane, um dos maiores acionistas da emissora opositora Globovisión, foi acusado por funcionários de Chávez de usar sua influência para atrair clientes para seu banco, o Banco Federal, que sofreu intervenção do governo em junho por "falta de solvência".
A agenda da mídia é clara... e é criminosa. Se comporta como se fosse dona da verdade, passando pro cima de fatos e criando factóides, ou melhor, mentindo descaradamente.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Falha CONTINUA tentando ligar greve ao PT e livrar cara de Serra
Mas, agora, começaram a ligar pontos inexistentes e criaram uma verdadeira conspiração onde o PT, através dos Professores, estariam atacando o pobre Serra.
O fato do salário dos professores estaduais de São Paulo ser uma miséria, da greve estar crescendo a cada dia e das condições de trabalho deles ser ridiculamente ruins - lembrem-se que algumas escolas sequer tem cadeiras para os alunos sentarem, patrocínio do Poste do Serra, vulgo Kassab - parece não importar ao PIg que resolveu adotar um tom conspiratório e dizer que a greve não passa de jogada eleitoreira do PT.
Nada mais risível.
Ligada ao PT, entidade nega que greve seja ação eleitoral Movimento foi definido em dezembro, diz Paulo Renato, que vê motivo políticoAlguma dúvida que, se a presidente da APEOESP fosse filiada ao PSTU ou ao PSOL a grita seria parecida? O sindicato seria chamado de radical, sectário, irreal, aloprado e etc? Aliás, qual a novidade que a maior parte dos grandes sindicatos e organizações estão nas mãos do PT ou do PCdoB, com raras exceções? O PIG descobriu isto só agora?
Presidente da Apeoesp é filiada ao PT e antecessor é um dos suplentes de Suplicy no Senado; dirigente diz que governo não negocia
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Hoje no encalço do governador e potencial candidato à Presidência, José Serra (PSDB), a Apeoesp (sindicato dos professores da rede de São Paulo) tem a imagem associada ao PT, o que alimenta, no governo, o discurso de que sua mobilização tem inspiração eleitoral.
Filiada ao PT, a atual presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, teve como antecessor Carlos Ramiro Castro, o Carlão, suplente do senador Eduardo Suplicy (PT).
Na eleição da direção do sindicato, em 2008, a chapa vitoriosa, Articulação Sindical, era apresentada pela oposição (integrada por PSTU e PSOL) como petista.
A composição da diretoria é proporcional ao resultado das eleições, contemplando correntes à esquerda do PT.
Ao deixar a presidência da Apeoesp, Ramires assumiu o comando do Conselho de Servidores, encarregado da negociação com o governo.
Enquanto os sindicatos negam qualquer motivação eleitoral, integrantes do governo insistem na vinculação política. "Essa greve é, desde o começo, eleitoral. A greve foi decidida em dezembro", disse o secretário da Educação, Paulo Renato Souza, para quem o sindicato tenta se vitimizar.
Afirmando que defende uma política salarial para a categoria, Maria Izabel reage ao discurso corrente no governo Serra: "Não estamos num estado democrático de direito? Ele não é do PSDB?".
Na queda de braço, a Apeoesp acusa o governo de autoritarismo. "O governo não abre canal de negociação. O que é lamentável", diz ela.
Já o governo recorre a textos do ano passado em que a Apeoesp conclamava o "bota-fora" de Serra para alegar que o movimento estava decidido.
Líder do PT na Assembleia, Antonio Mentor afirma que o governo está terceirizando sua responsabilidade pela insatisfação da categoria. "Quiséramos nós ter esse poder de fogo para estar em todos os lados."
Simplesmente absurda a cobertura feita pelo PIG da greve dos professores. Dos protestos e dos milhares nas ruas apenas notinhas, silêncio ou mentiras deslavadas. Mas para acusar o movimento inteiro de cooptação e de ter caráter eleitoreiro, ao menos duas matérias com destaque.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Protesto dos professores em greve! [2] 50 mil nas ruas!
Professores de todos os cantos do Estado fizeram um grandioso protesto que contou com a participação de estudantes - notadamente da UNESP Araraquara e Rio Claro, que fizeram muito barulho -, de membros de outros sindicatos - como o Sindisaude - e com muita gente que passava pelo local e resolveu aderir à marcha.
Apesar da imprensa golpista calcular (sic) o número de manifestantes entre 8 mil e 10 mil, um número simplesmente ridículo e mentiroso - as fotos e vídeos falam por si -, a organização da APEOESP calculou em mais de 50 mil. E dificilmente os professores estavam me menor número! Aliás, o PIG é tão descarado e mentiroso que, segundo o Estadão, haviam 12 mil manifestantes sexta passada e nesta o número diminuiu?
Definitivamente, o PIG não sabe contar e precisa (re)aprender a manipular!
Novamente o único helicóptero presente era o da PM e no máximo algumas coberturas parciais e tendenciosas foram feitas, normalmente os repórteres se limitavam a dizer que o trânsito estava sendo prejudicado enquanto a massa de milhares de professores e estudantes era ignorada e suas reivindicações deixadas de lado. Um repórter da Rede TV e sua equipe foram vaiados por longos minutos e muito xingados quando, ao invés de filmar a multidão ou buscar alguém do protesto para entrevistar, se limitavam a gravar a Elite Cansada buzinando na R. Caio Prado e reclamando que estavam atrasados para algum compromisso ou queriam chegar logo em casa. Este repórter se limitou a entrevistar uma senhora revoltada - devia ter perdido a hora do cabelereiro - e a fingir que não via os milhares que passavam ao seu lado.
"Pq o Serra e a elite não se importam com os professores? Pq ensinamos aos filhos dos trabalhadores!" Disse uma professora.
O PIG faz seu serviço. Criminaliza o movimento, reduz seu tamanho, repassa as informações que Serra manda e, claro, foca no trânsito. Não importam as reivindicações de nenhuma categoria... Importa o trânsito!
Ainda no início do protesto, enquanto eram feitos discursos e a multidão se reunia no MASP, lotando o vão, as duas pistas da Paulista e enchendo 3 quarteirões, foi feita uma mini-assembléia na qual foi decidido que a luta dos professores é por salário, estabilidade, concurso para admissão e, ainda, decidiram que será feito um novo protesto dia 26, na próxima sexta-feira, em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado para, assim, tentar mostrar ao Governador (sic) Serra que os professores existem e que ele não conseguirá se esconder indefinidamente!
Claro, muitos também se mostravam contra. Tivemos o péssimo exemplo de alguns professores da E.E. Marina Cintra que resolveram boicotar a greve - e foram vaiados e chamados de "pelegos" - ou vários motoristas que xingavam os professores, querendo chegar logo em casa. Cheguei a ouvir uma garota - obviamente aluna de colégio particular e privilegiada - reclamando a um amigo que os professores eram inúteis e vagabundos e estavam atrapalhando a vida de todos ao invés de ir ensinar os "pobres de merda o seu lugar"....
Enfim, sexta que vem tem mais, desejo toda sorte aos professores e torço para que consigam o que lhes é de direito e que, como eles pedem, Serra vá para o inferno e que nunca mais São Paulo vote em um Tucano.
Discursos dos professores no início da manifestação:
segunda-feira, 22 de março de 2010
A brutalidade dos outros.... Lá é inaceitável, aqui é corriqueiro e comum
Vejam a forma como os protestos das "Damas de Branco" foram tratadas pela mídia. Violentadas, agredidas, reprimidas... Parece que foram espancadas cruelmente.
Reparem que, de fato, as mulheres não foram acariciadas. Nenhuma dúvida quanto a isto. Interessante, porém, notar as roupas dos que as puxam... Parecem policiais? Ou talvez sejam outros cubanos revoltados com os dissidentes?
Mas agora reparem na notícia abaixo:
Manifestante é retirado à força de discurso de Serra em inauguração de escolaReparem que, na primeira notícia, pululam palavras como "Barbárie", "agressão brutal", "brutal espancamento".... Seja parte da reprodução de discursos de dissidentes ou a opinião do jornal, não faz diferença.
MOGI GUAÇU (SP) - O dono de uma loja de sucata de automóveis foi retirado à força de um discurso do governador José Serra, durante a inauguração de uma escola técnica em Mogi-Guaçu, no interior de São Paulo, na tarde desta sexta-feira. O comerciante Wagner Menezes, de 33 anos, protestava contra o número de pedágios em rodovias da região quando foi retirado do local por seguranças que disseram não ser do governo do estado.
O rapaz, gostaria de perguntar ao governador quando ele voltaria à cidade para inaugurar um pedágio.
- O governo colocou um pedágio a cada 12 quilômetros aqui. Estou protestando não só por causa própria, mas por todos - afirmou Menezes, que disse não integrar nenhum partido político.
Antes de tentar fazer a pergunta, o comerciante já havia feito gestos durante o discurso de Serra, sinalizando que o governador 'estaria roubando'. Ele já havia sido intimado pela segurança.
O O Globo foi até mais gráfico nas palavras:
"A polícia cubana reprimiu com violência o terceiro dia de protesto das Damas de Branco, em Havana. As cerca de 30 integrantes do movimento foram puxadas pelos cabelos, seguradas pelas pernas e pelos braços e levadas à força para dentro de um ônibus, que as deixou na casa da líder do grupo, Laura Pollán, em Havana Central. Na tentativa de se livrar dos policiais, muitas delas ficaram com as roupas sujas de lama."É possível sentir o repúdio!
No caso do brasileiro que protestava por um motivo justo, o abuso de pedágios patrocinados por José Serra - quanto será que ele ganha nessa jogada? - a mídia se limita a narrar com frieza e economia de adjetivos a forma brutal pela qual o manifestante foi retirado. A foto, aliás, é bastante direta.
Sem dúvida, por ser um Anti-Serrista, merece apanhar. Já as pobres dissidentes...
PS: Vale citar, esparsas notas sobre o protesto com 50 mil pessoas na paulista... PIG fala em 8, 10 mil, algo risível... Já das Damas de Branco, não passam um dia sem sair na mídia! Meia dúzia de dissidentes ligadas à ultradireita yankee devem mesmo ser mais importantes que os professores de São Paulo!
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Aliás, caiu como uma luva notícia enviada via twitter pela @Nynaeve (quem se interessa pelo País Basco deve seguí-la) sobre um Nigeriano que morreu em greve de fome para protestar contra sua possível deportação. Aconteceu... na Suíça! Imaginem!
Será que algum jornal dará primeira capa a esta notícia ou só interessa bater em Cuba? Bem, a Suíça é uma amiga capitalista, tem bancos importantes, Maluf deve ter conta por lá...
Polémica en Suiza tras la muerte de un inmigrante nigeriano en huelga de hambre que iba a ser extraditado
Falleció en el aeropuerto de Zurich mientras era trasladado por la policía hacia el avión en el que iba a ser devuelto a su país junto con otros 15 compatriotas.
Algunos de ellos han denunciado el trato que reciben por parte de los agentes que les custodian, calificándolo de inhumano: “Me ataron así, y después, con este cinturón, me atarón por aquí. Después me ataron las rodillas y los pies. Me ataron y me dejaron en esta posición. Yo les decía: “Esto esta muy fuerte, ¿por qué me atáis tan fuerte y apretáis tanto?”. Ellos me han dicho: “Así es este negocio”, eso es lo que me han respondido”.
El fallecido había solicitado asilo pero su petición fue rechazada al pesar sobre él una denuncia por tráfico de estupefacientes. Amnistia Internacional ha pedido a las autoridades que ordenen una investigación independiente sobre lo ocurrido.
sábado, 13 de março de 2010
O PIG brasileiro e o PIG Espanhol: Notáveis semelhanças
Nisto, são iguais ao Brasil.
Currin responde que, de fato, a mídia apenas dá o seu lado, um dos lados. Acrescenta que é preciso trabalhar junto com ela para que ajude na solução do conflito e não que o piore ou incentive. E dá o exemplo da África do Sul e da Irlanda do Norte onde os jornais faziam troca de editoriais e cooperavam para tentar chegar a um denominador comum.
No País Basco e na Espanha, não vejo como tal coisa possa ser alcançada. Se mesmo jornais ditos de esquerda, como o El País se limitam a perpetuar as mentiras contadas pela Espanha, como acreditar que periódicos ligados ao PP ou às oligarquias de direita iriam aceitar dialogar?
Notam alguma semelhança com o Brasil? Toda. Não temos conflito armado aos moldes da Espanha ou separatismo, mas temos luta armada e massacres no campo, nas cidades. Temos nossos conflitos. De um lado os periódicos alternativos ou ligados aos movimentos sociais (como no País Basco e Espanha temos Gara, Diagonal e etc) e do outro temos os jornalões, ligados à grupos de interessses nem sempre claros que manipulam a verdade de acordo com seus gostos.
Currin: "Entre los partidos políticos se ha establecido cierta confianza a raiz del documento de la Izquierda Abertzale"
"Zutik Euskal Herria es un compromiso inequívoco con un proceso de paz. Es muy esperanzador"
"Zutik Euskal Herria apuesta por un proceso democrático en ausencia total de la violencia"Faço um parêntese no caso brasileiro:
Não quero, porém, afirmar que do lado "alternativo" não existam lados, não exista aquela tentativa de "puxar a sardinha" pro seu lado. Existe. A diferença básica é a identificação, a verdade. Do "nosso" lado deixamos claro o que e quem defendemos. Não há subterfúgios. Revistas como a Fórum, Brasil Atual, Brasil de Fato e etc defendem claramente os Movimentos Sociais, os Direitos Humanos, a Esquerda.... Quem neles escreve admite sua ideologia, sua ligação partidária. E o fazem e admitem com todas as letras.
Já Folha, O Globo, Globo, Bandeirantes e etc continuam a bater na tecla já quebrada da isenção, da imparcialidade. Não admitem para quem jogam, quais as intenções por detrás. Eu, você e os que me lêem sabem a verdade, mas e os milhões que lêem todos os dias e de forma desavisada reproduzem todas as inverdades lá escritas, divulgadas e disseminadas?
Na Espanha, ao menos, em muitos casos - e nisto a Europa como um todo e os EUA tem mérito - os jornais ao menos costumam admitir seu lado. O El País é ligado ao PSOE, o Gara à Izquierda Abertzale, o El Correo ao PP e por aí vai. Você já pode esperar que haverá uma tendência, uma "queda" pra um lado ou outro.
O que, claro, não impede manipulações. Como bem sabe Brian Currin e sabemos todos nós.
Currin: "La transformación de conflictos nunca puede ser unilateral. En el País Vasco debe ser multilateral"
Veja um exemplo de clara manipulação por parte do periódico "Libertad Digital" (aliás, vejamcomo a direita adora falar em liberdade, liberdade de expressão e etc quando a usam apenas para subverter a verdade), via o excelente blog Quemando Iglesias:
Na Espanha, aliás, a coisa ainda tem tons mais perigosos e marcantes: Há o separatismo. Existe uma oligarquia, um empresariado que ferrenhamente se apega à questão da unidade espanhola - que é uma farsa.
Rio Branco já dizia há quase 200 anos que "Território é poder". Fato, mas qual o poder que você pode conseguir de submeter povos contra sua vontade à uma dominação violenta e repressora? E sob a pena de constantes ataques ditos terroristas. À base de mortes, desconfiança, conflito e medo perpétuo de que seu carro exploda, de que sua família seja sequestrada, de que seu filho seja torturado e morto?
Território, neste ponto, deixa de ser poder e se torna fetiche.
Chegamos ao ponto de perguntar: O que é liberdade de expressão? Até onde ela vai e como pode ser usada?
Ou melhor, estamos mesmo falando de liberdade de expressão ou liberdade de mentir, de manipular, de enganar? Quando passamos a mentir não exercemos nenhum direito de se expressar, mas de enganar e manipular. O direito cessa. Nosso PIG e o PIG deles chegou tal ponto.
sábado, 6 de março de 2010
A PM, o crime e a mídia
Qual a novidade? Qual a surpresa? Será que as redes de TV forçam seus jornalistas a usar uma cara absurdamente fake de surpresa apenas para fingir que este simples fato não é comum, é corriqueiro?
Mas o que ganhariam os tubarões da mídia e a elite em geral com esse teatrinho? Ou melhor, o que perderiam se fossem desmascarados?
O que perderiam se todos soubessem que, hoje, a Polícia é o antro de bandidos que é - salvo raríssimas exceções visíveis - graças ao abandono completo de seus quadros? Salários irrisórios, linhas de comando caducas, materiais e armas de péssima qualidade... Isso sem contar os PM's e Civis que vivem em favelas, lado-a-lado com bandidos, se escondendo, sem dignidade!? Quem, a não ser pessoas altamente altruístas ou simplesmente criminosos querendo uma forma de escapar de penas iria querer ser policial hoje em dia?
O que a elite midiática quer é que o povo também fique surpreso, revoltado quando vê quem deveria lhes proteger agindo como algoz. Mas tudo isto sem questionar, com a surpresa de quem não acredita no que vêem seus olhos, como se novidade fosse!
Desta forma podemos todos seguir como gado que se surpreende, ou melhor, como cabras que ficam paralisadas de surpresa quando à sua frente passam as notícias mais corriqueiras possíveis.
Talvez pareça radical demais? Assumir que todo policial ou a maioria é desonesta não seria o correto? Bem, trabalhamos com o que vemos. Das ações policiais que já vi, das conversas que tentei manter com policiais ou a de que amigos meus tiveram me fazem ter esta idéia e, sem dúvida, é compartilhada por boa parte da população.
A polícia serve para proteger a elite. É o pobre que defende a elite do outro pobre. É parte do aparelho repressor do Estado e realiza esta função com orgulho. Por vezes se revolta contra esta própria elite, mas não passando para o lado do pobre, do humilhado, mas agindo como algoz de sua classe e também de sua classe antagônica.
É o lado visível, paupável.
quinta-feira, 4 de março de 2010
O PIG como ele é: Fórum Democracia e Liberdade de Expressão
Oras, O PIG agora de organização informal, passará a agir de fato como um partido, de forma identificada!
De certa forma nós vencemos, conseguimos fazer, finalmente, o PIG admitir seu partidarismo.
Participaram deste congresso de golpistas:
Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.O pavor da direita com a possível vitória de Dilma é tão grande que resolveram corroborar todas as nossas acusações de que são um partido mafioso e há muito integrado para bater no governo! O PIG acabou de nos dar mais munição do que podíamos sonhar! Se antes alguns consideravam a alcunha de exagerada e fingiam não ver que os meios de comunicação agiam em bloco e como bloco para atacar o governo e tudo que cheire a esquerda, agora terão de reconhecer que, de fato, o PIG é mesmo o PIG.
O teor dos debates em si é descartável, pouco importa quais novos ataques fizeram Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, a Opus Dei e outras figuras e organizações detestáveis. É mais do mesmo neste ponto.
O que importa, obviamente, é que finalmente a direita se identificou como tal e, melhor ainda, que tem a intenção de se identificar sempre, de identificar de que lado está. Não será surpresa para muitos, mas sem dúvida o será para o grosso da população, que a quase totalidade dos jornais, revistas e redes de televisão irão se alinhar à direita, irão fazer campanha - aberta - ao Serra ou a qualquer DEmoTucano - na verdade já o fazem, só não admitem.
Me atendo por um momento ao fórum em si, é emblemática a participação - como convidado de honra, de Marcel Grainer, presidente da RCTV, televisão venezuelana implicada no golpe que derrubou Chávez em 2002. Nada mais coerente à mídia golpista que convocar um golpista que, ao menos por algumas horas, se saiu bem e realizou o sonho de Folhas, Globos e Vejas....
A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra.Sobraram críticas ao governo, à CONFECOM, ao PNDH-3... Tudo esperado. Surpreende que não tenham convocado para palestrar o pseudo-filósofo e pseudo-tudo do Olavo de Carvalho. Aí sim o show estaria completo e todos receberiam de brinde armas para se preparar para a Revolução Comunista Mundial que, sem dúvida, se aproxima!
E, relembrando, o ponto alto que espero seja cumprido:
Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira.O grupelho, que em parte é formado por - dizem - ex-comunistas, não poupou MST, Quilombolas, ONGs, Movimentos Sociais... Tudo e todos fazem parte da organização Comunista mundial para derrotar o livre-mercado. Seria risível, se não fosse sério e se estas opiniões absurdas não encontrassem eco em vários setores e não fossem fielmente reproduzida em basicamente todos os jornais, revistas e TV's do país.
Do outro lado, foi proposta em encontro em São Paulo no sábado passado, a criação da ALTERCOM (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação), a assossiação da mídia alternativa e blogueiros. Para maiores informações sobre a ALTERCOM vejam na Agência Carta Maior, no Blog do Rovai e no Blog do Rodrigo Vianna.
Minha opinião é a mesma que em relação à Rede de Solidariedade à Blogosfera. Vamos ver se sai do papel e, desde já, me prontifico a ajudar e participar.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Caso da revista MAD: E o desespero da mídia começa a cansar [Update]
A criação incessante de mentiras e factóides do PIG já está dando nos nervos. A mídia não se limita a denfeder apenas o DemoTucanato, faz questão de tentar criar factóides contra Dilma, PT e a Esquerda em geral. É incessante. E está beirando o ridículo.Aliás, já ultrapassou o ridículo! O PIG não tem qualquer argumento factível para desmontar o governo, para bater no governo.
A questão é bem simples, o governo atual e o de FHC (DemoTucano) tem marcantes semelhanças. Neste ponto, o que pode o PIG fazer? Criticar o que antes elogiava?
Na verdade, vez ou outra fazem isto mesmo, vejam o caso do PNDH-3 ou em muitos aspectos a política econômica que até mesmo Mirian Leitão tenta criticar mas começou a notar que está fazendo papel de palhaço.
Nos pontos em que o atual difere do governo FHC é um sucesso. Bolsa Família, PROUNI... Por mais que eu discorde de alguns aspectos dos programas, não posso deixar de reconhecer seus méritos.
O PIG simplesmente não tem como bater. E, quando tenta, faz papel ridículo e desce o nível, como no caso da ficha falsa da Dilma, no caso da Ditabranda.
O desespero é tanto que começam até a se desmascarar, a demonstrar que, de fato, tem imensa saudade da ditadura, quando reinavam incontestes e seus donos enchiam os bolsos - hoje perdem ibope, diminuem tiragem, são duramente desmascarados pelos blogs, pela realidade...
Se o PIG fala do suposto apagão - que seria culpa do governo - temos o apagão - este sim de verdade - e o racionamento de FHC. Como golpe de misericórdia, enquanto a mídia ainda tentava capitalizar em cima deste episódio, caiu o Rodoanel.
PIG tenta barrar o PNDH-3 e se dá mal com a história: Os dois primeiros PNDH's foram criação DemoTucana.
PIG tenta, ainda, desqualificar a Dilma, chamá-la de terrorista e etc mas esbarra na verdade, no reconhecimento de que lutar contra a Ditadura é ato heróico e, neste caso, a Folha perde assinantes devido aos protestos convocados contra ela e boicotes.
PIG tenta capitalizar no Mensalão do PT, querendo pintar um quadro de honestidade por parte do DemoTucanato e logo vem o Mensalão do DEM, vem a cassação do Kassado...
Exemplos são vários. Inesgotáveis. A cada dia o PIG surge com um novo factóide, com uma nova tentativa de derrubar o governo - já que não tem como puxar votos pro DemoTucanato por suas realizações (cof, cof) - e rapidamente seus argumentos - falsos - são desmascarados e derrotados.
A nova, agora, é o caso da revista MAD.
A revista, em eu blog, acusou a Panini de ter supostamente censurado a capa da edição de número 23 que teria a Dilma na capa e críticas ao governo Lula. De uma acusação de uma revista humorística - de cara é impossível saber se a acusação é séria ou só uma brincadeira típica - contra a Panini, sua editora, o PIG rapidamente montou o circo.
Agora foi o governo Lula quem mandou censurar a revista!
A má fé é clara.
"A notícia teve enorme repercussão no Twitter. O músico Roger Moreira (Ultraje a Rigor) escreveu: “Não é o primeiro exemplo de censura deste governo.” O ator Ary França fez coro: “Agora só falta você votar na Dilma, e endossar de vez o stalinismo!”. O humorista Rafael Cortez, do CQC, analisou: “Não sei o que o governo ganha censurando a MAD. Estar numa capa popular com Alfred E. Neuman é uma das maiores honras que Lula e Dilma podem ter”.CQC's, Olavates e DemoTucanos de primeira hora não tardaram em implicar o governo na piada, o que foi desmentido pelo próprio editor da revista! O que, obviamente, não importa para o PIG em geral, que faz de tudo para capitalizar e ter alguma munição.
Percebendo o impacto da notícia, a revista acrescentou, no final da manhã de quinta-feira, uma “nota esclarecedora” no blog, informando que não foi censurada pelo governo. “Você acha mesmo que os caras se importam com a MAD? É uma espécie de ‘autocensura’ covarde. A MAD é uma revista de humor e tem o direito de brincar com todas as figuras políticas do Brasil, pois isso ajuda as pessoas a desenvolverem seu senso crítico.”
Procurado pelo blog, o editor da revista, Raphael Fernandes, esclareceu que a capa com Dilma foi vetada pela direção da editora Panini, que publica a “Mad”. Por volta das 16hs, o post de Fernandes no blog da revista "Mad" foi apagado. O blog entrou em contato com a assessoria de imprensa da Panini às 14hs. Três horas depois, a editora informou: "A Panini esclarece que, com relação à questão da capa da edição 23 da revista MAD, as decisões sobre a publicação das capas fazem parte de processos internos da empresa, não se tratando de qualquer tipo de censura ou veto."
O desespero começa a cansar. O que será que o chefe do Rafael Cortez, o nosso querido DEMO juvenil @Marcelotas, acha disso tudo? Deve estar orgulhoso, não?
Até mesmo algo tão irrelevante quanto uma suposta censura a uma revista humorística vira assunto relevante para os que querem, de toda forma, derrubar o governo e não vêem como através de um jogo limpo.
Ficamos no aguardo de qual será a reposta natural para mais este factóide. Nos últimos tempos a natureza tem se encarregado de responder. Kassab foi Kassado, Arruda está preso, o diretório do DEMO de Brasília foi pro espaço... Será que agora Serra entrega os pontos?
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Update:
E o PIG foi novamente atropelado. Assim como a farsa do caso da Eletrobrás, que o PHA e o Azenha logo divulgaram como sendo uma piada para acusar o Dirceu - que não é flor que se cheira, mas desta vez não tem culpa no cartóiro - o caso da MAD se resolveu em 24 horas. Mais um factóide midiático foi por água abaixo! Esta fácil demais! Sequer precisamos nos mobilizar para derrubar mais as mentiras, a natureza cuuida de tudo!
E eles continuam tentando. Macaco Simão deve ter mais material do que nunca! Qual será o próximo?
No blog da própria revista o responsável, Raphael Fernandes, publicou um post dizendo simplesmente:
"Não é possível que vocês tenham caído nessa!Ou foi MESMO uma brincadeira inconsequente ou os editores da revista não seguraram o tranco e resolveram fingir que não houve censura alguma por parte da Panini e resolveram dizer que era brincadeira.
A CAPA ERA MAIS FALSA QUE DVD DE AVATAR 2!!!"
De qualquer forma, não importa. Tudo não passou de um factóide, mais um, do PIG interessado em bater n o governo de forma desesperada.
* Obrigado ao Luis Henrique por ter postado o link da "desculpa" da MAD nos comentários do blog
sábado, 9 de janeiro de 2010
O 3º Programa Nacional de Direitos Humanos e a reação da direita
Mas uma certeza fica, se a direita – encabeçada pela Igreja, Ruralistas, Milicos, PIG e pelo que há de mais detestável no país – não gostou, é porque o projeto é excelente.
E, de fato, o projeto traz avanços substanciais na discussão em torno dos Direitos Humanos e na efetivação de alguns mecanismos que, espera-se, tornem a vida do povo brasileiro muito mais fácil (licença poética) e justa.
Tem para todos os gostos, desde um processo mais justo e participativo de resolução de conflitos agrários e posse de terras por parte dos verdadeiros donos – o povo e não os latifundiários que usurparam nossa terá, vide Kátia Abreu e Cia -, passando por uma chamada à democratização da mídia – o que causa pavor na mídia tradicional, de extrema-direita e totalmente descompromissada com a verdade dos fatos – até a tentativa de, senão revogar, passar por cima de alguns dispositivos da Lei da Anistia e buscar, através da Comissão da Verdade, investigar definitivamente o que foi feito com os militantes políticos assassinados e “desaparecidos” pela Ditadura Militar (Ditadura, Otavinho, lembre bem!).
O programa talvez peque por não afrontar diretamente a Lei da Anistia, não buscar derrubá-la, com todas as letras, mas pela reação absurdamente desmedida e apavorada do entorno militar – inclusive com o Ministro da Defesa, homem de ligação DemoTucano ou FHC-Serrista e a cúpula militar ameaçando a demissão em massa – podemos ter a certeza de que o estrago foi feito e que os reflexos serão imensos. Enfim, haverá (esperamos) uma devassa na área militar, o que é benéfico em todos os sentidos.
Do lado da Imprensa, o programa visa garantir a gestão social da mídia, ou seja, permitir que o povo tenha em suas mãos o poder que, hoje, está apenas nas mãos de meia dúzia de famílias mafiosas e arraigadas no poder – vide Confecom. Mas, é claro, a Confecom ameaça muito mais os tubarões da mídia do que o Programa em si. Gritam por “A” quando querem dizer “B”.
Raphael Neves, meu xará, do Politika etc acertou em cheio, a reação foi exagerada. O governo FHC já tinha dado alguns contornos no segundo PNDH e pesem as novidades neste novo programa, nada justifica a grita geral – ao menos não no tom usado, e especialmente por parte do PIG.
Mas, como não deixa de ser óbvio, o governo é do PT, é Comunista, é estatizante – como adora afirmar o boneco de macumba da Globo, Alexandre Garcia, sempre que tem nas mãos o microfone no Bom Dia Brasil. Deve ser alguma espécie de fetiche.
De qualquer maneira, o projeto veio de um governo revanchista, um governo coalhado de terroristas e isto a Direita não pode nem jamais aceitará. (ironia à toda)
Ouvir a voz do povo, dar voz ao povo, democratizar os processos decisórios em diversas áreas, tornar mais fácil o acesso à informação, facilitar a resolução de conflitos agrários dentre outras propostas são, em geral, inaceitáveis para as elites que controlaram o país por mais de 500 anos.
E não é à toa que falamos em 500 anos, salvo curtose raros períodos (todos com suas falhas óbvias, rompantes magalomaníacos, flertes com totalitarismo ou totalitarismo descaradoe etc), o Brasil sempre esteve nas mãos de regimes entreguistas, de regimes que preferiam usufruir das benesses de um Estado controlado de fora e por fora.
Vivemos em eras extremas, ora o nacionalismo com cores que nos lembravam Mussolini ou megalomaníacos quaisquer (sinônimos quase) ou a inveterada e constante venda de tudo que pudesse ser privatizado por algum preço e de preferência o menor (e neste ponto FHC foi um mestre, Serra é seu pupilo).
Mas, enfim, da mesma forma que não consigo enxergar razão para tanto desespero da direita, não posso também assumir um tom ufanista de que tudo se resolverá como que por um passe de mágica apenas por um programa.
Sejamos francos, se o governo quisesse, tivesse vontade política, a Anistia seria revogada e não precisaríamos de subterfúgios ou atalhos – o que será que escondem Dirceus, Genoínos e Cia que não pressionam pela abertura dos arquivos? – e diversas reformas na área de comunicação e mídia e, sem dúvida, na reforma agrária que este país tanto precisa, poderiam caminhar muito mais rapidamente do que vemos hoje.
Temos ministros que se odeiam, das mais diversas correntes ideológicas, ou melhor, vendidos ao patrão eu paga mais. Temos um ministro da Defesa que defende os crimes dos militares, um ministro das Telecomunicações vendido à Telefônica e um ministro da Agricultura que prefere apoiar o que fala Kátia Abreu – e sua defesa do extermínio de qualquer coisa que cheire ao MST ou à justiça social - do que trabalhar por uma agricultura social e justa.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que o programa "aumentará a insegurança jurídica no campo", além de "fortalecer organizações radicais", como o Movimento dos Sem-Terra (MST). Ele endossou as críticas da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), contrária ao item do decreto que prevê a audiência de uma câmara de conciliação antes da reintegração de posse de uma propriedade invadida.
Enfim, a ideia antiga de que o governo está em disputa permanece, mas, hoje, vejo que o governo parece gostar e se alimentar desta disputa. Pelo menos, no caso da SEDH, conseguimos algumas vitórias.
Mas o que fica é, por mais que tenha falhas, por mais que não seja perfeito e segurando o tom ufanista e triunfalista, o Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, se aplicado em sua totalidade, nos trará avanços claros e a possibilidade de uma sociedade um pouco mais justa.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Vídeos do protesto contra a Falha!
Veja a lista de blogs que apoiam a campanha de boicote e contra a censura.
Resumo do episódio no Global Voices Online (inglês).
Análise do resultado e desdobramentos do protesto.
Selos da campanha A Folha apoia a Ditadura.
Selos da campanha #CancelandoFOLHA, #CancelandoUOL
Discurso do Eduardo Guimarães (@eduguim e Cidadania) e leitura do manifesto contra a Falha:
Depoimento do Arles (@aarles e Arlesophia) sobre a censura sofrida:
Celso Lungaretti (Náufrago da Utopia):
Antônio Borges (@Antonio_Borges_), dirigente da CTB/Metrôviários:
Diretor Jurídico do Movimento dos Sem Mídia (MSM):
terça-feira, 23 de junho de 2009
O Conceito de Terrorismo: Breve análise
Uma análise curta, até simples - porém não simplista - e que serve para ilustrar não só o caso Basco, mas também toda a visão (pré)estabelecida sobre o Terrorismo.
A primeira idéia que o leitor desavisado e a maioria dos analistas (intencionalmente na maioria das vezes mas não só) tem ou aventam é a de que os "terroristas" matam porque gostam, matam por matar.Raramente encontramos uma análise mais profunda, que vá até o cerne da questão, as razões, que são tão díspares quanto a luta pela independência, a guerra revolucionária, a guerrilha até o terrorismo religioso e a Al Qaeda, que está em outro patamar.

Mais raramente ainda é encontrar àqueles que conhecem a origem do termo e que por longo tempo foi utilizada de forma positiva, por assim dizer. O termo e a idéia nascem durante a Revolução Francesa, época do "Terror", e apenas depois recebeu a conotação que tem hoje, com definições que vão desde a idéia de Brian Jenkins ("O uso ou ameaça de emprego da força de modo a provocar mudança política"), passando pelo FBI ("O uso ilegal da força ou violência contra pessoas ou propriedades para intimidar ou coagir um governo, uma população civil, ou qualquer segmento dela, em apoio a objetivos políticos ou sociais") até a definição de Walter Laqueur ("A contribuição para o ilegítimo uso da força de modo a conseguir um objetivo político, quando pessoas inocentes são os alvos").
É interessante notar que, apesar de parecidos, as definições são extremamente diferentes e em alguns pontos chegam à se anular.
Vale ainda acrescentar a definição do Departamento de Estado dos EUA:
"Violência premeditada e politicamente motivada perpetrada contra alvos não-combatentes por grupos subnacionais ou agentes clandestinos, normalmente com a intenção de influenciar uma audiência"
Jenkins considera QUALQUER uso de força ou ameaça do uso deste intrumento como "terrorismo". Apenas por esta definição podemos considerar até a guerra como terrorismo, assim como a guerrilha ou qualquer tipo de ação armada.
Já o FBI fala em lei, obviamente a lei aplicada pelo Estado, qualquer movimento subnacional, logo, ilegal, se enquadra como Terrorismo. Seria engraçado, senão lamentável, notar que os EUA são o país que mais usam ilegalmente sua força em ataques ilegais (basta recordar a invasão do Iraque, ilegal segundo a ONU), e que mais apóiam governos genocidas, grupos e bandos armados, subnacionais que aterrorizam e matam populações.
A idéia de "legalidade" do FBI concorda com a adotada pelo Departamento de Estado que, vai laém, e explicita a idéia de legitimidade da força MENOS quando se tratando de grupos subnacionais e "agentes clandestinos".
Em ambos os casos, os EUA deixam as portas abertas para o uso da violência Estatal, o Terrorismo Estatal não é citado de qualquer maneira e, nos parece, é legitimado, em especial pelo Departamento de Estado que cita explicitamente duas categorias, excluindo o Estado de responsabilidade ou imputabilidade.A outra definição usada, a de Laqueur, passa da questão legal para a "legitimidade", conceito muito mais abrangente e, na minha opinião, mais correto e de melhor aplicabilidade. Cabe analisar a legitimidade do uso desta força pelos Estados ou por grupos. Qual o objetivo, quais as intenções?
Em minha opinião o Terrorismo não pode ser analisado sem se ter em conta o legítimo, as razões, os objetivos e os meios. É legítimo o meio usado para determinado fim? É legítima a luta?
Em exemplos claros, foi legítimo o uso da força e de táticas ditas terroristas pela FLN naArgélia para conseguir sua independência da França? Na minha opinião, e a história concorda, sim.
Em outro extremo, será que os ataques da Al Qaeda, com milhares de mortos - civis ou não - tendo em vista a criação e um "califado universal", impondo sua religião/ideologia é legítimo? Não, não é.
E, num caso interessante, será que os ataques à bomba, os atentados suicidas, os mísseis e etc por parte do Hamas e dos Palestinos em geral contra osgenocidas de Israel são legítimos para conseguir a libertação da Palestina? Sim, são atos legítimos e justos e, na maioria das vezes, reação aos ataques israelenses.
Tudo isto visa demonstrar quão simplistas são por vezes - quase todas as vezes - as análises que lemos em jornais, revistas ou vemos na TV. Um discurso de Bush era algo simplista e simplório, eram os "bons" contra o "eixo do mal", o "diabo" e etc, a banda podre. Não importava qualquer análise, qualquer pensamento desviante ou racional.
E a mídia comprou feliz, até que notou a desaprovação mundial e resolveu bater um pouco no infeliz. Mas é outra história.

Enfim, toda esta introdução para apresentar o artigo abaixo, que coloca em xeque algumas predefinições sobre a ETA, sobre um grupo supostamente sanguinário e repudiável, que mata por matar e que deve ser esmagado. A mídia espanhola não para um minuto para analisar, e o mesmo fazem os fascistas e sociofascistas espanholistas de PP e PSOE, as causas do conflito, apenas os meios.
Não notam que a ETA já estendeu diversas vezes as mãos para negociar, mas o governo não enxerga - ou não quer enxergar - e continua a reprimir a cidadania Basca, sem entender que quanto mais reprima, mais resposta terá. A ETA não ataca de graça, não nasceu de graça pelo prazer de matar. Nasceu para combater Franco e dar ao País Basco sua devida independência. O massacre que impôs Franco ao País Basco foi monumental, proibiu a língua, proibiu manifestações culturais, proibiu o autogoverno...
Massacrou a população, em resumo. Depois da ditadura iniciou-se um novo período, com igual repressão, com igual opressão da população, talvez em menor escala mas, na verdade, de forma mais velada e com uma capa de democracia por cima, quando levamos em conta que, para a maioria dos países, democracia é meramente exercer o voto, não ser cidadão, ter direitos e decidir seu futuro livremente.
Neste link, o Eusko Blog nos dá uma mostra de como um governo pode ser ignorante (intencionalmente, neste caso) quando se trata de analisar o Terrorismo. Tudo é Terrorismo, tudo é motivo de medo, de ilegalização, de punião.
E neste link, do Gara, a resposta, a necessidade de diálogo, de se respeitar idéias, opiniões, e de se entender a situação, ter visão ampla.
A questão?
Uma nova ilegalização, seria a segunda da Iniciativa Internacionalista. Intolerância, desrespeito, tudo é terrorismo. É o Estado se tornando terrorista. Ilegítimo, porém, "legal".
Quanto à questão específica da democracia, este artigo "Ni democrático, ni de derecho" explica muito bem como funciona a "democracia" em alguns países e o que significa realmente terrorismo de Estado, o uso "legal" porém ilegítimo da força do Estado sobre os cidadãos - algo mais marcado quando é usado por um Estado contra cidadãos que querem a separação deste Estado opressor.
Do Kaos en la Red:
¿Una ETA, más de una, o ninguna?
De corrido se sabe que sobre Euskadi y su vida teñi
da de sangre hay la friolera de cinco teorías.
Algunos creen y quieren creer, como sucede también con el terrorismo internacional, que sólo hay una realidad: la impuesta por el pensamientoúnico. Impera rotundamente de Madrid para abajo. Está blindada, no admite réplicas, ni objeciones, ni matices. Es ésta: ETA es una banda de asesinos que mata por matar. No hay objetivos. Esta es la teoría oficial de todos los medios, de todos los periodistas y de todos los políticos. Fijémonos bien de que nunca hablan deindependentistas, lo que propicia otras hipótesis...
Pero hay también otras cuatro que circulan subterráneamente como verosímil es y son aceptadas por grupos de población librepensadora que suele
habitar en la periferia o en el extranjero.
1) ETA es un maquis que asesina por la independencia de Euskadi. La histórica.
2) ETA no existe. Se aprovecha de la coyuntura y de las siglas un Jack el Destripador mezclado con la gente, que se hincha a matar por tiempos. La fabulosa.
3) ETA no es sino un pretexto para convertir a Euskadi en un campo de tiro libre para asesinos de todas clases amparados en la teoría oficial. La del caos.
4) ETA es un cibercerebro autónomo que ordena matar para mantener un clima de terror en Euskadi que, luego, por turnos, rentabilizan bandas políticas impecables. La moderna.
Así de simplista. Así de difuso.
Elija cada cual, o quédese cada cual con su teoría personal que a buen seguro no será otra que la que inspira el espíritu de todos los medios de comunicación oficialistas y el de todos los ciudadanos de bien aunque no gasten un solo gramo de masa gris para descifrar los misterios de la vida.
En todo caso esto para la historia del futuro que lo esclarecerá. Aunque pensándolo bien, tampoco se ha aclarado lo del Destripador. Y mira que abundan los sabihondos y los sabelotodo…
domingo, 26 de abril de 2009
MST e a Mídia
Lendo hoje a Istoé, uma das poucas revistas que eu ainda consigo aguentar, acabei lendo um artigo simplesmente infeliz, tratando o MST.
Quando eu vejo algum veículo de comunicação atualmente falando do MST eu já começo a ficar enjoado.
Depois daquele episódio do assassinato dos seguranças de uma fazenda por membros do MST, a coisa tomou proporções absurdas...
Ao mesmo tempo em que vemos todo esse processo de destruição da imagem do MST na mídia, ninguém comenta sobre o fato do procurador do RS ter fechado as escolas do MST, um ataque covarde à educação e à luta social.
Vamos por parte, primeiro o procurador:
Não me recordo o nome do infeliz, e nem faço questão de lembrar de figura tão desgraçada.
Apenas sei que ele anda se sentindo perseguido e pensa em largar os processos - ou já largou. Sofreu pressões de todos os lados - menos do governo Yeda, uma verdadeira nojenta e envolvida em toda sorte de falcatruas - inclusive dos demais procuradores do país.
Em si, ir contra o MST não é novidade e, convenhamos, não seria algo fora de sua prerrogativa como Procurador do Estado e nem de sua (falta de) consciência enquanto homem da direita. Pode investigar, pode reclamar, sem problemas, estamos em uma democracia e sempre vai ter gente do lado do capital, do lado dos fazendeiros e etc.
Por mais que, para mim, este tipo de gente deveria ser toda presa com a chave jogada fora, vivemos, repito, em uma democracia, por pior e mais imperfeita e perversa que seja.
Seguindo, nada contra vasculhar, reclamar e até querer abrir processos, muitos tentaram e o MST continua lá, felizmente, vivo e forte! O maior Mov. Social que temos nesse país e qualquer pessoa sensata e humana teria o maior orgulho de poder contar com o grupo.
A grande questão em tudo isso é que o processo aberto por ele - ou os processos - não foram porque sua consciência humana e ilibada lhe mandaram, fazê-lo. Não foi porque este indivíduo de fato encontrou irregularidades gritantes dentro do MST (se este quisesse mesmo vasculhar desvios e falcatruas bastaria olhar para sua chefe, Yeda, e para o nosso nobre parlamento, imagino que o do RS não seja muito melhor que o nacional), e tampouco por algum altruísmo, buscando de fato desmascarar algumas maçãs podres dentro da estrutura do MST, que de fato, existem. Todo este processo se limitou à sua vontade de aparecer, à vontade de ir contra um movimento social poderoso e importantíssimo para o país, à vontade de seus chefes que tem nele um capanga forte e demais motivos semelhantes. Resumindo, por mera safadeza e falta de caráter, à serviço dos poderosos ameaçados em suas propriedades pelo MST e pelo povo mobilizado.
Atacar as escolas foi o golpe mais baixo que este ser poderia dar. Negar a educação ao povo, à quem mais precisa, a quem vive no campo, constantemente atacado, em movimento para encontrar um lugar para viver é o cúmulo. Não sei nem o cúmulo do que, de tão absurda que foi a atitude!
As intenções são claras.
Desmoralizar o movimento, de duas maneiras, uma usando a força para mostrar quem manda e a outra é mantendo as crianças na ignorância para posteriormente anunciar na mídia: "MST não educa suas crianças, crianças do MST fora da escola" e coisas do tipo. Preparação do terreno para ataques posteriores.
Manter as crianças na ignorância, sem conhecer direitos, sem ter educação, oportunidades de crescer, de fazer uma universidade e, após isso, reverter seu conhecimento em prol do movimento, dificultando ainda mais a vida dos poderosos em destruir o movimento.
Visitei ha alguns anos um acampamento do MST em Franco da Rocha, São Paulo, fui como monitor e tradutor de um grupo de estrangeiros, todos do terceiro mundo, que participavam do Colóquio de Direitos Humanos da Conectas, ONG daqui de São Paulo, e me surpreendeu a educação dos líderes do movimento - pessoas simples, vivendo em comunidade, distribuindo e dividindo tudo, trabalhando debaixo do sol com suas próprias mãos, cultivando a terra e falando com amor de sua luta - comentando como grandes conhecedores dos métodos de Freire, Piaget, falando de política como grandes conhecedores de economia, das lutas sociais... É isto que assusta as elites: Pobres e excluídos conscientes de seu lugar, de sua luta, de seus direitos!
A visita surpreendeu a mim e a todos os que foram comigo. Todos militantes de Direitos Humanos de países como Camboja, Índia, China, Zimbábue e etc.
Isto este procurador não iria permitir! Mas felizmente, por ampla pressão, cedeu.
Agora, depois disso tudo, chego à questão da mídia.
Não é novidade para ninguém que quando abrimos o jornal, uma revista, ou assistimos aos jornais diários que, quando falam no MST, é para denunciar algo, para dizer que a propriedade privada dos pobres fazendeiros está a perigo (nunca lembram que as fazendas são improdutivas, deixadas de lado, adquiridas ilegalmente e etc) e barbaridades do tipo.
Recentemente o MST matou capangas de uma fazendo. Nossa, a mídia os chamou de criminosos, chamou de milícia, de perigo à sociedade...
Só "esqueceram" de notar que os capangas estavam armados e prontos para matar e que o MST agiu em legítima defesa. Mas, para as elites - inclusive para o Lula, surpreendentemente - legítima defesa não vale para o MST! Eles devem ficar quietinhos, devem ser mortos de braços abertos. Carajás não precisa ser lembrado.
Que me desculpem mas o MST tem SIM que se armar e se defender. Não é possível que permitamos uma nova Carajás e outros massacres menos lembrados. Dia após dia os membros do movimento são assassinados, NUNCA pegam os culpados e todos fingem que nada aconteceu. A "justiça", do querido procurador covarde nunca pega ninguém, o governo não acelera a reforma agrária e aparentemente esqueceu até o significado da palavra, haja visto que o número de famílias assentadas com Lula não anda, é medíocre.
E o MST permanece refém. Luta só e ainda o obrigam a morrer sem qualquer resistência.
Indo ao ponto que me levou a escrever este desabafo, na Istoé de hoje, Domingo, edição 2059, encontro uma matéria absurda com o título: "Prejuízo à mão armada".
Impressionante! O MST invadiu uma fazenda de Daniel Dantas, um criminoso, é recebido à bala e ainda aparecem como culpados por revidar! É simplesmente inominável o tamanho do absurdo!
A fazenda não era improdutiva? Ok, mas o MST não é um movimento que meramente reivindica terra, é político. Invadiu uma fazenda cujo dono é um dos capangas de Gilmar Mendes, Daniel Dantas. Invadiu e deveria ter invadido mesmo. E não deve sair até que Daniel antas seja preso e esquecido em uma solitária.
A podridão da mídia não surpreende, o que surpreende é a coordenação atual que todos os veículos da grande mídia vem conseguindo nos ataques contra um movimento legítimo nacional, que responde aos anseios da camada mais miserável do país.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Midia tendenciosa como sempre...
A luta dos bascos nas páginas da imprensa portuguesa
http://paisbasco.blogspot.com/2009/03/eta-nas-paginas-da-imprensa-portuguesa.html
O Diário de Notícias acaba de publicar a resposta do seu provedor a um leitor que contestou a forma como o jornal português noticia o conflito basco servindo-se do exemplo da notícia sobre a vandalização de uma taberna basca em Lazkao. À Associação de Solidariedade com Euskal Herria chegou, na íntegra, o conteúdo da carta do leitor João de Matos Cunha.
"Caro provedor [do Diário de Notícias],
porventura, seria necessário um texto mais extenso e profundo que este para que se percebesse a minha indignação em relação ao que publica o Diário de Notícias sobre o conflito basco.
Há vários anos que visito o País Basco. Não pretendo sequer esconder a minha simpatia pela luta daquele povo. Estou e estarei ao lado de todos os povos que lutam contra a opressão. Não só porque fui educado com os valores elementares da justiça mas também porque a Constituição da República Portuguesa o afirma. Contudo, admito que outros possam ter posições divergentes das minhas. Com todo o respeito, não concordo mas aceito que se possa ter uma visão diametralmente oposta àquela que tenho sobre o conflito basco.
As opiniões pessoais da jornalista Patrícia Viegas devem ficar à porta do Diário de Notícias. E não admito que um jornalista imponha a sua posição ou ceda a pressões construindo artigos que não fazem mais do que exacerbar uma das partes.
Venho contestar o artigo com o título "Emilio revoltou-se contra a ETA e agora teme pela vida" de 27 de Fevereiro de 2009. Apesar do título denunciar o que aí vem - e declara a inclinação da jornalista -, Patrícia Viegas até nem começa mal dizendo que "Ataque de fúria suscita aplausos e condenações". O que é bem verdade. Houve reacções de ambas as partes e é justo que se o afirme. Contudo, a seguir diz que Emilio Gutiérrez é o "justiceiro do povo para os que admiram o facto de ter destruído as vitrinas de uma taberna basca que", atenção, "serve para financiar a ETA". Note-se a gravidade da acusação: "serve para financiar a ETA". A partir daqui o texto fica contaminado e a opinião do leitor não deixará de estar jamais com Emilio Gutiérrez que destruiu um espaço "que serve para financiar a ETA". É aqui que se impõem as primeiras perguntas. Como soube Patrícia Viegas que esta taberna financia a ETA? Primeiro, escuda-se num embargo decretado pela Justiça em 2002. Mas porque continua aberta quando não há qualquer decisão judicial por executar no conflito basco? Aliás, que se saiba o Estado espanhol peca por exagero. E porque se tem de tomar a Justiça do Estado espanhol como dono da verdade absoluta quando existem demasiadas evidências de conluio entre o poder político e o poder judicial. O Estado espanhol já foi várias vezes acusado pelo Relator da ONU Contra a Tortura de praticar a violência física e psicológica contra os detidos. Coisa que os media portugueses nunca informam, curiosamente.
Na segunda frase, Patrícia Viegas diz que Emilio Gutiérrez, por sua vez, é considerado "fascista para os que simpatizam com os etarras e seguem a lei por eles imposta". Supondo que para saber o que acham os que admiram Emilio Gutiérrez, a jornalista tenha contactado com os mesmos, também devo supor - conhecendo as regras da investigação jornalística - que deva ter feito o mesmo com os que não o admiram. E utilizo a expressão "devo supor" porque desconfio que Patrícia Viegas não se deu ao trabalho de ouvir os "que simpatizam com os etarras". Primeiro porque a expressão "etarra" foi criada pelo Estado espanhol e pelos órgãos de comunicação social "espanholistas". "Etarra" não significa nada. É possivel que depois de a palavra ter sido mil vezes repetida que se ache que "etarra" é um militante da ETA mas não. Em basco, um militante da ETA é designado como "etakide" e é assim que dizem todos os que falam basco e são independentistas. Portanto, da mesma forma que denegri, há poucas linhas, a imprensa do Estado espanhol com o epíteto de "espanholistas", Patrícia Viegas utiliza a expressão "etarras" com o mesmo objectivo. Com uma diferença: eu não estou a fazer trabalho jornalístico.
Mas não é tudo. Patrícia Viegas afirma que os mesmos simpatizantes dos "etarras" - fazendo-nos crer que só estão contra a destruição da taberna aqueles que são simpatizantes da ETA - "seguem a lei do silêncio por eles imposta". De que lei do silêncio fala Patrícia Viegas? Do encerramento de jornais e rádios da esquerda independentista basca por parte do Estado espanhol? Da ilegalização de dezenas de partidos e de associações da esquerda independentista basca?
Depois faz-se o nexo acção-reacção entre o atentado e o acto de vandalismo contra a taberna de Lazkao. É correcto faze-lo. Mas mais correcto seria faze-lo sempre quando analisamos o conflito basco. Ou seja, quando um jovem queima caixotes do lixo e caixas multibanco porque o seu irmão foi detido e torturado simplesmente porque militava numa organização juvenil podemos então passar a afirmar "Esta foi a sua forma de dizer basta ao Estado espanhol, que deteve e torturou o seu irmão". Já viu isto escrito em alguma notícia do Diário de Notícias? Eu não.
Não vou discutir o facto de Patrícia Viegas caracterizar a luta da ETA como terrorista. Essa palavra já foi tão violada e manipulada que perdeu todo o sentido. Deveria ser proibida nas redacções dos jornais mas compreendo a sua utilidade no trabalho de semear o medo na sociedade através da propaganda. Aliás, como afirmei no inicio, não tenho qualquer pretensão de convencer quem quer que seja a apoiar a causa da esquerda independentista basca. Apenas peço que os jornalistas cumpram com o seu papel: recolher os dados sobre um determinado acontecimento e exporem-nos aos leitores. E deixemos que cada um decida por si próprio a opinião que quer ter. Não precisamos que nos mastiguem a informação para que a engulamos.
E já agora, pense no desequilibrio brutal nas notícias que se dão sobre o País Basco. Ou se referem a manifestações contra a ETA ou referem-se a atentados. Poucas vezes, temos acesso ao que se passa. Às manifestações da esquerda independentista. Às denúncias de tortura. Às denúncias de ilegalizações. O objectivo é claro. Criar a ideia de que são poucos os que defendem a independência e o socialismo no País Basco, de que a ETA não é mais do que um grupo de terroristas sem qualquer apoio popular e, finalmente, de que o Estado espanhol está do lado da democracia e da liberdade.
Com os melhores cumprimentos.
João de Matos Cunha"










