Por Reginna Sampaio, @BrazilPalestine, para o Blog do Tsavkko.
Já é normal a grande quantidade de acontecimentos estranhos vindos do MinC mas o que nos chama atenção agora é o Festival Europalia. Esse festival, já em sua 23.ª edição, é um megaevento cultural europeu que acontece na Bélgica ( que se estenderá por mais cinco países - Luxemburgo, Holanda, Alemanha e França - ) e que terá em 2011 o Brasil como tema.
A importância do Festival é tamanha que será aberto esse ano , dia 04 de outubro , pela Presidente Dilma.
Até ai tudo normal não fosse um curioso fato: O descontentamento dos organizadores belgas com as atrações culturais que serão levadas pelo Brasil ao evento. Esse descontentamento se daria porque as atrações culturais que estarão sendo levadas seriam de pouca expressividade .
Essa pouca expressividade, segundos os belgas, fica notória principalmente no tocante as atrações musicais e literárias. Esperava-se que o Brasil levasse à Bélgica grandes nomes da música popular brasileira o que não vai acontecer. Porém o que trouxe mais indignação aos organizadores do evento tem nome e sobrenome: Paulo Coelho .
Não é novidade alguma que Paulo Coelho é hoje a maior referência que se tem no exterior da produção cultural brasileira e exatamente por isso a organização do evento achava vital a presença dele no festival. Usando-se sabe lá quais critérios o MinC foi contra o que foi proposto pela organização do evento e decidiu não levar o escritor carioca ao festival.
A partir daí as relações entre a organização do festival e o MinC desandaram de vez. Declarou a Ministra Ana de Hollanda: "A visão dos belgas não é a mesma que a nossa, precisa haver um afinamento". Bem, a visão dos belgas é clara: levar ao festival os nomes mais expressivos da produção cultural e artística brasileira. Resta então a dúvida: Qual será a visão do MinC?
Diante toda essa celeuma entre os organizadores do festival e o MinC a curadora Flora Süssekind se posicionou da seguinte forma, referindo-se aos organizadores belgas: "São pessoas despropositadas que não tem informações sobre o que está acontecendo".
Apesar disso Flora Süssekind solicitou aos organizadores do festival a utilização do centro cultural Bozar, um dos mais importantes centros culturais europeus, tendo ouvido a seguinte resposta: "não podemos receber nesse espaço ninguém menos que o escritor Paulo Coelho" resposta essa baseada no fato de que apenas ele conseguiria lotar o espaço.
Então Flora Süssekind decidiu dispensar a utilização do espaço cultural Bozar pelo Brasil .
Ante todos esses fatos e somado ao fato de que o Brasil gastará nesse evento 30 milhões de reais, o mais caro projeto até agora realizado pelo MinC, ficam algumas questões:
1 - Quais os critérios utilizados pelo MinC na escolha daqueles que vão representar o Brasil em eventos nos quais são utilizados verbas públicas?
2 - Sendo o Festival Europalia o maior evento cultural da europa porque, e justamente no ano em que o Brasil será homenageado, decidiu o MinC levar atrações culturais de menor expressividade tanto no Brasil quanto no exterior?
3 - Será que não houve realmente um preconceito do MinC contra o escritor carioca Paulo Coelho como ele mesmo disse na rede social twitter (mas para usar a imagem do escritor como um dos propagandistas da Rio 2016 não houve qualquer preconceito. Dois pesos e duas medidas ? ). Links para tuítes do Paulo Coelho: 1, 2 e 3.
4 - A produção artística e cultural brasileira, apesar da pouca expressividade das atrações, está realmente sendo bem representada no Festival Europalia? Se está então porque os produtores do evento ficaram tão chateados e segundo a própria Flora Süssekind estão demonstrando agora "total desinteresse"?
5 - Os 30 milhões que estão saindo dos cofres públicos estão sendo bem empregados ?
Com a palavra o MinC ....
Links pertinentes: "Barrado na Belgica", do blog do Paulo Coelho, Barrados na Bélgica, da Folha e matéria sobre como ana de Hollanda é amada.
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Faço alguns comentários:
É um assunto interessante. Quem são os artistas de "menor expressividade" convidados pelo MinC? Há, aí, alguma tentativade promover artistas menores ou é apenas jogo de cena do ministério?
A pergunta é pertinente, pois o que mais vemos são financiamentos sem qualquer propósito - relembrem o caso da bolada para um blog da Maria Bethânia - para medalhões, enquanto os verdadeiros promotores de cultura livre e alternativa ficam à mingua. O caso dos Pontos de Cultura são apenas um exemplo da exclusão ao alternativo e popular promovido por Ana de Hollanda, ministra da Cultura (de qual cultura não se sabe).
Não sou leitor do Paulo Coelho, não tenho grande interesse por seus temas, mas nutro alguma simpatia por sua defesa do compartilhamento livre de cultura, algo que o faz se chocar diretamente com o MinC. Paulo Coelho chegou a escrever para grandes jornais defendendo o que conhecemos por pirataria, enqunto o MinC sob a (falta de) gestão de ana de Hollanda se aproximou do ECAD, pôs um ponto final na discussão da cultura livre e até mesmo ensaiou aproximação com gravadoras e detentores de copyright.
Não surpreende, pois, se a questão toda não se basear apenas em briguinha pessoal da Ministra com Paulo Coelho, usando "artistas de menor expressão" como desculpa.
A idéia de levar artistas menores, mas bons, não é ruim. Ou não seria, se Ana de Holanda tivesse algum histórico de incentivar esta classe. Seus incentivos se limitam aos mais abonados e famosos, tanto via financiamentos gigantes a medalhões, como seu apoio ao ECAD.
Enfim, é pertinente questionar quais os critérios usados pelo MinC na seleção dos artistas e porque investir tanto dinheiro em um evento que, aparentemente, não receberá ou não recebe tanta atenção do ministério?
As ações de Ana de Hollanda como ministra contradizem qualquer boa vontade e tentativa de inovar e promover diversidade na questão do festival.
Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Do ECAD ao Paulo Coelho: A saga do MinC continua ...
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Raphael Tsavkko Garcia
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10:30
Do ECAD ao Paulo Coelho: A saga do MinC continua ...
2011-09-28T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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terça-feira, 12 de julho de 2011
Combate à Miséria: A Equivocada política correta do PT
O título do post parece contraditório, mas não é.
O combate à miséria é uma bandeira importantíssima, e a primeira que alçou Lula ao panteão dos grandes estadistas, e o fez ser respeitado em todo mundo.
Não se constrói um país onde o povo passa fome e não tem condições de viver e não sabe se estará vivo no dia seguinte (claro que com a violência das polícias o favelado, em geral negro, continua vítima de sua condição, mas é outro assunto), mas da mesma forma, não se constrói um país APENAS com a bandeira do combate à miséria, deixando pra lá políticas de inclusão efetivas para quem SUPEROU a situação de miséria.
Este é o retrato do governo do PT.
Políticas efetivas de combate à miséria mas que, no fim, acabam se voltando contra o próprio partido quando consideramos que a população agora come, mas continua conservadora, sem educação e refém de Marginais da Fé e enganadores semelhantes. Não se emancipou.
O caso do Salário Mínimo no começo do ano é emblemático. Amplia-se o Bolsa Família mas achata-se o salário de quem conseguiu caminhar para o patamar acima.
O ProUni, um bom programa, peca em aceitar toda e qualquer UniEsquina, formando profissionais de má qualidade que, muitas vezes, já chegaram nessas universidades em estado de quase analfabetismo funcional, pois não houve nenhum investimento sério em educação básica.
Os investimentos são feitos quase que exclusivamente na etapa final do processo educacional, abandonando as primeiras etapas onde o jovem, a criança, aprende a pensar, forma sua identidade e adquire pensamento crítica. A idéia é apenas formar para o mercado. Não é emancipar, não é efetivamente educar, mas formar mão de obra (nem tão) qualificada.
Outra ferramenta importante para a emancipação do povo, hoje, é a internet.
Inclusão digital, desde que feita com método e acompanhamento (novamente, educação) é uma forma impressionante de empoderar a população, mas na hora de criar um plano para levar internet ao povo o governo me sai com a piada do PNBL entregue para as teles, sem qualidade e feito quase como forma de humilhar o pobre, como se este não merecesse respeito e um serviço digno.
Como dar dignidade ao povo se enfiam uma Ana de Hollanda no MinC? Uma figura que quer afastar ainda mais a cultura do povo, dificultando acesso e compartilhamento?
Mas, além disso, é preciso também lembrar qual é a base social história do PT e também compreender os efeitos do crescimento da classe C.
O PT é historicamente um partido de classes médias urbanas, de intelectuais, de operários qualificados que, com Lula, conseguiu atrair o "povão" mas, nem de longe, conseguiu(e) controlá-lo ideologicamente, ou mesmo seuduzí-lo ideologicamente.
O faz pelo bolso.
Enquanto houver dinheiro entrando, enquanto for possível consumir, votarão nos candidatos do PT, mas nem isso somente é garantia, vide o sufoco de Dilma quando o discurso conservador entrou em campo e a configuração absolutamente conservadora do congresso nacional (que em grande parte é culpa do próprio PT e de suas alianças com figuras deploráveis, Marginais da Fé e afins).
Hoje, com a maior parte dos brasileiros na Classe C, ou seja, na Classe Média, a insistência na quase exclusividade de políticas contra a Miséria (ao menos políticas sérias e efetivas, coisa que o PNBL não é, por exemplo), que não atingem mais esta Classe C, são um tiro no pé.
Não, não falo que devamos abolir estas políticas, jamais, a questão é tê-las como prioridade, mas não como exclusividade. É preciso recuperar o tempo perdido e buscar conquistar a nova classe não só pelo bolso, pelo consumo, mas buscando meios de reformá-la, de dotá-la de identidade.
É preciso uma política cultural que permita o acesso livre à cultura em todas as camadas. O MinC dificultando a vida dos Pontões de Cultura é um exemplo do que não deve/pode ser feito.
Uma política de inclusão digital é mais que necessária, mas o PNBL é lastimável. Uma política de acesso universal à educação é talvez o mais necessário, mas não investe-se em educação básica, apenas no final do processo, visando exclusivamente a formação de mão de obra mais ou menos qualificada e uma sensação ilusória de inclusão através do diploma, o que efetivamente não existe.
O processo de retirada do povo da miséria, enfim, não se deu pelas vias da inclusão, mas do consumo. E aí está o grande erro do governo Lula, perpetuado e até ampliado por Dilma, que conseguiu destruir até mesmo as boas políticas iniciadas ou incitadas por ele.
O combate à miséria é uma bandeira essencial, sem isso não se pode dar dignidade ao povo e construir uma nação, mas ao mesmo tempo o modelo de desenvolvimento escolhido pelo PT é completamente equivocado.
Privilegiar os excluídos é diferente de praticamente abandonar aqueles que não estão exatamente incluídos, mas ascenderam socialmente. E tampouco dar migalhas (como o PNBL) achando que se estáplantando as sementes da revolução.
O combate à miséria é uma bandeira importantíssima, e a primeira que alçou Lula ao panteão dos grandes estadistas, e o fez ser respeitado em todo mundo.
Não se constrói um país onde o povo passa fome e não tem condições de viver e não sabe se estará vivo no dia seguinte (claro que com a violência das polícias o favelado, em geral negro, continua vítima de sua condição, mas é outro assunto), mas da mesma forma, não se constrói um país APENAS com a bandeira do combate à miséria, deixando pra lá políticas de inclusão efetivas para quem SUPEROU a situação de miséria.
Este é o retrato do governo do PT.
Políticas efetivas de combate à miséria mas que, no fim, acabam se voltando contra o próprio partido quando consideramos que a população agora come, mas continua conservadora, sem educação e refém de Marginais da Fé e enganadores semelhantes. Não se emancipou.
O caso do Salário Mínimo no começo do ano é emblemático. Amplia-se o Bolsa Família mas achata-se o salário de quem conseguiu caminhar para o patamar acima.
O ProUni, um bom programa, peca em aceitar toda e qualquer UniEsquina, formando profissionais de má qualidade que, muitas vezes, já chegaram nessas universidades em estado de quase analfabetismo funcional, pois não houve nenhum investimento sério em educação básica.
Os investimentos são feitos quase que exclusivamente na etapa final do processo educacional, abandonando as primeiras etapas onde o jovem, a criança, aprende a pensar, forma sua identidade e adquire pensamento crítica. A idéia é apenas formar para o mercado. Não é emancipar, não é efetivamente educar, mas formar mão de obra (nem tão) qualificada.
Outra ferramenta importante para a emancipação do povo, hoje, é a internet.
Inclusão digital, desde que feita com método e acompanhamento (novamente, educação) é uma forma impressionante de empoderar a população, mas na hora de criar um plano para levar internet ao povo o governo me sai com a piada do PNBL entregue para as teles, sem qualidade e feito quase como forma de humilhar o pobre, como se este não merecesse respeito e um serviço digno.
Como dar dignidade ao povo se enfiam uma Ana de Hollanda no MinC? Uma figura que quer afastar ainda mais a cultura do povo, dificultando acesso e compartilhamento?
Mas, além disso, é preciso também lembrar qual é a base social história do PT e também compreender os efeitos do crescimento da classe C.
O PT é historicamente um partido de classes médias urbanas, de intelectuais, de operários qualificados que, com Lula, conseguiu atrair o "povão" mas, nem de longe, conseguiu(e) controlá-lo ideologicamente, ou mesmo seuduzí-lo ideologicamente.
O faz pelo bolso.
Enquanto houver dinheiro entrando, enquanto for possível consumir, votarão nos candidatos do PT, mas nem isso somente é garantia, vide o sufoco de Dilma quando o discurso conservador entrou em campo e a configuração absolutamente conservadora do congresso nacional (que em grande parte é culpa do próprio PT e de suas alianças com figuras deploráveis, Marginais da Fé e afins).
Hoje, com a maior parte dos brasileiros na Classe C, ou seja, na Classe Média, a insistência na quase exclusividade de políticas contra a Miséria (ao menos políticas sérias e efetivas, coisa que o PNBL não é, por exemplo), que não atingem mais esta Classe C, são um tiro no pé.
Não, não falo que devamos abolir estas políticas, jamais, a questão é tê-las como prioridade, mas não como exclusividade. É preciso recuperar o tempo perdido e buscar conquistar a nova classe não só pelo bolso, pelo consumo, mas buscando meios de reformá-la, de dotá-la de identidade.
É preciso uma política cultural que permita o acesso livre à cultura em todas as camadas. O MinC dificultando a vida dos Pontões de Cultura é um exemplo do que não deve/pode ser feito.
Uma política de inclusão digital é mais que necessária, mas o PNBL é lastimável. Uma política de acesso universal à educação é talvez o mais necessário, mas não investe-se em educação básica, apenas no final do processo, visando exclusivamente a formação de mão de obra mais ou menos qualificada e uma sensação ilusória de inclusão através do diploma, o que efetivamente não existe.
O processo de retirada do povo da miséria, enfim, não se deu pelas vias da inclusão, mas do consumo. E aí está o grande erro do governo Lula, perpetuado e até ampliado por Dilma, que conseguiu destruir até mesmo as boas políticas iniciadas ou incitadas por ele.
O combate à miséria é uma bandeira essencial, sem isso não se pode dar dignidade ao povo e construir uma nação, mas ao mesmo tempo o modelo de desenvolvimento escolhido pelo PT é completamente equivocado.
Privilegiar os excluídos é diferente de praticamente abandonar aqueles que não estão exatamente incluídos, mas ascenderam socialmente. E tampouco dar migalhas (como o PNBL) achando que se estáplantando as sementes da revolução.
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
Mais do mesmo: A Audiência com Ana de Hollanda na ALESP #ForaanadeHollanda #mobilizacultura
Um encontro tenso - ao menos pelo que foi possível acompanhar pelo péssimo streaming da TV ALESP - em que a Ministra Ana de Hollanda buscou escapar das perguntas incômodas e se fazer de desentendida.
Duramente questionada por muitos, Ana de Hollanda falou, mas não disse nada. Sobre falta de pagamento dos pontos de cultura se limitou a dizer que o orçamento do ministério está comprometido e que não pagou porque não tinha dinheiro.
Ponto.
Oras, fico me perguntando, se eu estiver sem dinheiro e não pagar minhas contas corro o risco de ficar sem luz, água, telefone e posso até perder meu imóvel, não é mesmo?Mas se o MinC não paga suas contas, o que acontece? Nada. A Ministra pede desculpas - ou nem isso, pois ela se justificou, mas não se desculpou, coisas diferentes - e fica tudo bem.... pra ela! Porque quem precisa pagar as contas fica no prejuízo sem nem a promessa de que será pago.
Sobre burocracia, Ana de Hollanda bateu de frente com o grande Zé Celso Martinez, que por várias vezes a interrompeu para criticá-la pelas besteiras, absurdos e mentiras que contava. O mesmo Zé Celso fez um excelente discurso, questionando a gestão da ministra e sua falta de realizações ou mesmo de interesse me ouvir a classe artística (segundo ele forma 4 meses tentando contato e nada de resposta).
Zé Celso ainda criticou o encontro da Ministra com um emissário dos EUA para discutir copyright (os EUA defendem uma lei ainda mais rígida na proteção dos direitos autorais e na máxima criminalização de quem quer apenas ter acesso à cultura), ao que ela desconversou afirmando ser o Brasil país soberano.
Esta visita se deu ao mesmo tempo que a de Obama, que resultou na vergonhosa prisão de 13 militantes e no pedido - acatado - de Obama a Dilma para que o Brasil condenasse o Irã.
A certeza é a de que a ministra teve uma excelente conversa com o representante dos EUA, mas podemos apenas conjecturar se foi esta conversa que motivou o abandono completo dos anos de discussão sobre a reforma da LDA (Lei de Direitos autorais) e a re-criação da mesma reforma de forma analógica e anti-democrática.
No evento de ontem Ana de Hollanda disse que a razão da nova consulta (e abandono da anterior) vem da reclamação de alguns "grupos" insatisfeitos, que não se sentiram contemplados. Nenhuma palavra sobre QUAIS grupos e quais foram as reclamações. Se pudesse apostar eu diria: Gravadoras, distribuidoras e EUA. Além dos medalhões da música que ganham alto e não querem compartilhar.
O IDEC questionou a nossa atual LDA, a quarta pior do mundo, e a resposta única foi a de que o MinC está preocupado com a questão. A proposta do MinC, aparentemente, é a de querer sair do quarto para o primeiro lugar.
Questionada sobre o ECAD, Ana de Hollanda falou que seria uma boa idéia e que é estudada uma "supervisão" ao organismo, mas, claro, disse que é preciso ter em mente os limites legais. Tradução: não faremos nada, mas vamos fingir que trabalhamos.
Confrontada com a carta do Mobiliza Cultura, com várias críticas à gestão do MinC, a ministra preferiu dizer que não era com ela - mas direcionadas à Dilma - e escapar do incômodo de responder. Zé Celso, mais uma vez, criticou a ministra duramente por isto. Não fez nenhuma diferença, a carta foi ignorada.
Um exemplo de democracia,a reunião garantia dois minutos de fala para os críticos, mas deputados como Ênio Tatto e Telma de Souza falavam livremente - e puxavam o saco da Ministra.
Telma de souza, democrata nata que ameaçou processar o Eleitor 2010 por uma denúncia de que seu material de campanha atrapalhava o trânsito em Santos ao invés de dialogar e resolver o problema, tomou o microfone para usar e abusar de retórica stalinista, ameaçando claramente os críticos de Ana de Hollanda oa dizer que criticar a gestão do MinC é fazer coro à mídia e ir contra o governo.
Este expediente é antigo, usado mesmo por blogueiros fanáticos seja em períodos eleitorais ou apenas por costume, para calar a oposição. Coisas como "ou você está com Dilma ou com Serra" ou "não é hora de criticar pois a direita é forte" são faces do mesmo stalinismo que busca limitar o debate.
Minha cara Telma de Souza, criticar o MinC é criticar o... MinC e sua gestão desastrosa. Mas, se Dilma está efetivamente bancando esta gestão vergonhosa então sim, é criticar com toda propriedade a presidente que está dando um tiro no pé e contribuindo não só para afastar parte da militância como também contribuindo para destruir a cultura brasileira.
O que Telma de Souza tenta fazer é algo já conhecido, é o velho "cala-boca" stalinista internalizado por parte da esquerda - e da dita esquerda - brasileira.
Uma coisa é fato, Ana de Hollanda conta - ao menos publicamente - com total apoio das lideranças do PT. Desde o presidente do PT Rui Falcão até a presidente Dilma. Estes aparentemente não se importam com as críticas da militância, de muitos artistas e de quem está ligado à cultura digital.
Preferem continuar bancando uma figura que defende apenas os interesses de uma elite ligada à cultura e, pior, de gravadoras e grandes empresários, contra o grosso da população, que permanece alheia aos benefícios de uma cultura livre.
Não podemos compartilhar músicas, vídeos porque é crime, não podemos copiar livros para estudar porque é crime, não podemos nem cantar musicas em festinhas de aniversário, porque se não pagarmos ao ECAD, é crime. Todas as práticas culturais livres, o compartilhamento e a troca de cultura são consideradas ilegais e o MinC não dá mostras de que tentará mudar a situação.
Pelo contrário, a intenção é criminalizar ainda mais.
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Para completar, Ana de Hollanda - segundo o excelente blog Maria da Penha Neles - deve ter feito estágio com o Serra no caso da Bolinha de Papel.
Ao se retirar do auditório da ALESP, Ana de Hollanda, sempre muito democrática, mandou a PM "afastar gentilmente" os jornalistas que esperavam do lado de fora e saiu com as mãos na cabeça, como se tivesse sido atingida por uma bolinha de papel ou simplesmente quisesse, como criminosa, esconder o rosto.
Mas, segundo fontes locais me informaram, não passou de um passarinho cantor que deu uma belacagada defecada na cabeça da ministra, pois recebeu notificação do ECAD para só cantar suas músicas depois de pagar à organização mafiosa.
Ana de Hollanda só permite fotos suas se passando por toda a burocracia do MinC e pagando direitos... Só pode!
Duramente questionada por muitos, Ana de Hollanda falou, mas não disse nada. Sobre falta de pagamento dos pontos de cultura se limitou a dizer que o orçamento do ministério está comprometido e que não pagou porque não tinha dinheiro.
Ponto.
Oras, fico me perguntando, se eu estiver sem dinheiro e não pagar minhas contas corro o risco de ficar sem luz, água, telefone e posso até perder meu imóvel, não é mesmo?Mas se o MinC não paga suas contas, o que acontece? Nada. A Ministra pede desculpas - ou nem isso, pois ela se justificou, mas não se desculpou, coisas diferentes - e fica tudo bem.... pra ela! Porque quem precisa pagar as contas fica no prejuízo sem nem a promessa de que será pago.
Sobre burocracia, Ana de Hollanda bateu de frente com o grande Zé Celso Martinez, que por várias vezes a interrompeu para criticá-la pelas besteiras, absurdos e mentiras que contava. O mesmo Zé Celso fez um excelente discurso, questionando a gestão da ministra e sua falta de realizações ou mesmo de interesse me ouvir a classe artística (segundo ele forma 4 meses tentando contato e nada de resposta).
Zé Celso ainda criticou o encontro da Ministra com um emissário dos EUA para discutir copyright (os EUA defendem uma lei ainda mais rígida na proteção dos direitos autorais e na máxima criminalização de quem quer apenas ter acesso à cultura), ao que ela desconversou afirmando ser o Brasil país soberano.
Esta visita se deu ao mesmo tempo que a de Obama, que resultou na vergonhosa prisão de 13 militantes e no pedido - acatado - de Obama a Dilma para que o Brasil condenasse o Irã.
A certeza é a de que a ministra teve uma excelente conversa com o representante dos EUA, mas podemos apenas conjecturar se foi esta conversa que motivou o abandono completo dos anos de discussão sobre a reforma da LDA (Lei de Direitos autorais) e a re-criação da mesma reforma de forma analógica e anti-democrática.
No evento de ontem Ana de Hollanda disse que a razão da nova consulta (e abandono da anterior) vem da reclamação de alguns "grupos" insatisfeitos, que não se sentiram contemplados. Nenhuma palavra sobre QUAIS grupos e quais foram as reclamações. Se pudesse apostar eu diria: Gravadoras, distribuidoras e EUA. Além dos medalhões da música que ganham alto e não querem compartilhar.
O IDEC questionou a nossa atual LDA, a quarta pior do mundo, e a resposta única foi a de que o MinC está preocupado com a questão. A proposta do MinC, aparentemente, é a de querer sair do quarto para o primeiro lugar.
Questionada sobre o ECAD, Ana de Hollanda falou que seria uma boa idéia e que é estudada uma "supervisão" ao organismo, mas, claro, disse que é preciso ter em mente os limites legais. Tradução: não faremos nada, mas vamos fingir que trabalhamos.
Confrontada com a carta do Mobiliza Cultura, com várias críticas à gestão do MinC, a ministra preferiu dizer que não era com ela - mas direcionadas à Dilma - e escapar do incômodo de responder. Zé Celso, mais uma vez, criticou a ministra duramente por isto. Não fez nenhuma diferença, a carta foi ignorada.
Um exemplo de democracia,a reunião garantia dois minutos de fala para os críticos, mas deputados como Ênio Tatto e Telma de Souza falavam livremente - e puxavam o saco da Ministra.
Telma de souza, democrata nata que ameaçou processar o Eleitor 2010 por uma denúncia de que seu material de campanha atrapalhava o trânsito em Santos ao invés de dialogar e resolver o problema, tomou o microfone para usar e abusar de retórica stalinista, ameaçando claramente os críticos de Ana de Hollanda oa dizer que criticar a gestão do MinC é fazer coro à mídia e ir contra o governo.
Este expediente é antigo, usado mesmo por blogueiros fanáticos seja em períodos eleitorais ou apenas por costume, para calar a oposição. Coisas como "ou você está com Dilma ou com Serra" ou "não é hora de criticar pois a direita é forte" são faces do mesmo stalinismo que busca limitar o debate.
Minha cara Telma de Souza, criticar o MinC é criticar o... MinC e sua gestão desastrosa. Mas, se Dilma está efetivamente bancando esta gestão vergonhosa então sim, é criticar com toda propriedade a presidente que está dando um tiro no pé e contribuindo não só para afastar parte da militância como também contribuindo para destruir a cultura brasileira.
O que Telma de Souza tenta fazer é algo já conhecido, é o velho "cala-boca" stalinista internalizado por parte da esquerda - e da dita esquerda - brasileira.
Uma coisa é fato, Ana de Hollanda conta - ao menos publicamente - com total apoio das lideranças do PT. Desde o presidente do PT Rui Falcão até a presidente Dilma. Estes aparentemente não se importam com as críticas da militância, de muitos artistas e de quem está ligado à cultura digital.
Preferem continuar bancando uma figura que defende apenas os interesses de uma elite ligada à cultura e, pior, de gravadoras e grandes empresários, contra o grosso da população, que permanece alheia aos benefícios de uma cultura livre.
Não podemos compartilhar músicas, vídeos porque é crime, não podemos copiar livros para estudar porque é crime, não podemos nem cantar musicas em festinhas de aniversário, porque se não pagarmos ao ECAD, é crime. Todas as práticas culturais livres, o compartilhamento e a troca de cultura são consideradas ilegais e o MinC não dá mostras de que tentará mudar a situação.
Pelo contrário, a intenção é criminalizar ainda mais.
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| "Uma bolinha de papel me acertou!" |
Para completar, Ana de Hollanda - segundo o excelente blog Maria da Penha Neles - deve ter feito estágio com o Serra no caso da Bolinha de Papel.
Ao se retirar do auditório da ALESP, Ana de Hollanda, sempre muito democrática, mandou a PM "afastar gentilmente" os jornalistas que esperavam do lado de fora e saiu com as mãos na cabeça, como se tivesse sido atingida por uma bolinha de papel ou simplesmente quisesse, como criminosa, esconder o rosto.
Mas, segundo fontes locais me informaram, não passou de um passarinho cantor que deu uma bela
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| "Imprensa má, seus flashes me farão virar pó!" |
Ana de Hollanda só permite fotos suas se passando por toda a burocracia do MinC e pagando direitos... Só pode!
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Mais do mesmo: A Audiência com Ana de Hollanda na ALESP #ForaanadeHollanda #mobilizacultura
2011-05-11T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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terça-feira, 19 de abril de 2011
Ana de Hollanda, você está fazendo isto errado!
A estupidez e a incapacidade de Ana de Hollanda de sair dos anos 70 impressiona. E o PT, infelizmente, parece não ter entendido a piada. Mesmo sem querer, Ana nos faz rir - especialmente de desespero.
A Ministra da Cultura falar em inclusão, ao mesmo tempo em que louva a indústria cultural (ela não consegue superar a indústria), é o mesmo que o Azeredo falar em liberdade. Simplesmente não combina.
Sua idéia de inclusão é a mesma que as grandes gravadoras tem: Vamos patrocinar shows do Luan Santana achando que é cultura ou da Ivete Sangalo... Ou melhor, vamos dar milhões pra um blog da Maria Bethânia e achar que, agora sim, a "cultura" irá se espalhar pelo país.
Não estou dizendo que os dois primeirosrefugos artistas da lista não promovam ou sejam parte do que chamamos de cultura, mas sim que já há muito a "cultura" tem se resumido a eles e semelhantes. Tem se resumido a mega eventos de quem está longe de precisar de qualquer incentivo. Abandona-se o local, o tradicional e mesmo o original em troca do puramente midiático e supervalorizado.
Com o Vale Cultura, idéia inicialmente boa, a ministra deve esperar que quem ganha Bolsa Família compre um CD - no máximo, ainda faltando um pouco pra "inteirar", dois - da EMI ou da Sony todo mês. Não há qualquer iniciativa para fomento de cultura popular, de cultura genuinamente local, apenas incentivo aos que já tem dinheiro suficiente e capacidade para captá-lo sem necessidade de incentivo fiscal algum.
Privilegia-se eternamente a indústria e seus protegidos. A indústria que muitas vezes fabrica o artista e ao mesmo tempo o anula, impondo contratos que limitam a mínima capacidade criativa (dos que chegam a ter alguma).
Para Ana de Hollanda, incentivar cultura é dar ainda mais espaço pra artista que está todo domingo no Faustão. É vender ingresso de blockbuster, é financiar a indústria cultural, achando que isto significa incentivar a cultura. E está errada.
Curioso o papo da "inclusão" quando os Pontos de Cultura são ameaçados e tem de brigar ferozmente para receber o que lhes é devido. Difícil entender o que, em época de PNBL, se entende por cultura excluindo a Cultura Digital da jogada.
O MinC defende descaradamente a indústria, é contra o compartilhamento e se alinha com os EUA na busca por um endurecimento do direito autoral. Veja, aliás, o que diz um "amigo" da Ministra:
Sobre Creative Commons, aliás, recomendo este post. Vale também retomar o post sobre o caráter (ou a falta) da ministra, que se vale de capangas e jogo sujo para se manter no poder e destruir nossa cultura.
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Ana de Hollanda pensa unicamente em termos de consumo, consumo de bens. O Vale Cultura exigirá que o beneficiário tenha carteira assinada, logo, impedirá muitos brasileiros de terem acesso à cultura... E que cultura? CD's de grandes gravadoras, shows financiados com dinheiro público ou através da Lei Rouanet (que no fim também é dinheiro público através de isenção de impostos) de quem não precisa (os mesmos que vendem CD's pela indústria) e por aí vai...
Mas cultura popular, cultura digital, nem uma palavra. Ou melhor, o silêncio aparente esconde ações nos bastidores para destruir as conquistas alcançadas.
A ideia de promover cultura através do Vale-Cultura, com esse MinC, é a de dar dinheiro para cinemas caríssimos e muito acima do preço justo (sem explicar, com o preço absurdo das passagens do transporte público em diversas cidades, como as pessoas chegariam ao cinema, sem falar na ampla maioria das cidades que nem cinema tem!), é dar dinheiro para comprar CD's a 40 ou 50 reais da indústria predatória...
Mas o MinC promover cultura de graça, cinemas populares, artistas novos e alternativos que produzem a baixíssimo custo, cultura digital e etc...? Nem pensar!
O Ministério da Cultura representa a indústria. E apenas a indústria. O povo é apenas um detalhe.
A Ministra da Cultura falar em inclusão, ao mesmo tempo em que louva a indústria cultural (ela não consegue superar a indústria), é o mesmo que o Azeredo falar em liberdade. Simplesmente não combina.
Sua idéia de inclusão é a mesma que as grandes gravadoras tem: Vamos patrocinar shows do Luan Santana achando que é cultura ou da Ivete Sangalo... Ou melhor, vamos dar milhões pra um blog da Maria Bethânia e achar que, agora sim, a "cultura" irá se espalhar pelo país.
Não estou dizendo que os dois primeiros
Com o Vale Cultura, idéia inicialmente boa, a ministra deve esperar que quem ganha Bolsa Família compre um CD - no máximo, ainda faltando um pouco pra "inteirar", dois - da EMI ou da Sony todo mês. Não há qualquer iniciativa para fomento de cultura popular, de cultura genuinamente local, apenas incentivo aos que já tem dinheiro suficiente e capacidade para captá-lo sem necessidade de incentivo fiscal algum.
Privilegia-se eternamente a indústria e seus protegidos. A indústria que muitas vezes fabrica o artista e ao mesmo tempo o anula, impondo contratos que limitam a mínima capacidade criativa (dos que chegam a ter alguma).
Para Ana de Hollanda, incentivar cultura é dar ainda mais espaço pra artista que está todo domingo no Faustão. É vender ingresso de blockbuster, é financiar a indústria cultural, achando que isto significa incentivar a cultura. E está errada.
Curioso o papo da "inclusão" quando os Pontos de Cultura são ameaçados e tem de brigar ferozmente para receber o que lhes é devido. Difícil entender o que, em época de PNBL, se entende por cultura excluindo a Cultura Digital da jogada.
O MinC defende descaradamente a indústria, é contra o compartilhamento e se alinha com os EUA na busca por um endurecimento do direito autoral. Veja, aliás, o que diz um "amigo" da Ministra:
Eles [defensores do Creative Commons] nem sempre concordam com o que pregamos. E você está falando em democratizar a cultura, isso não está entre os nossos interesses. Realmente não é a minha seara.---
Sobre Creative Commons, aliás, recomendo este post. Vale também retomar o post sobre o caráter (ou a falta) da ministra, que se vale de capangas e jogo sujo para se manter no poder e destruir nossa cultura.
---
Ana de Hollanda pensa unicamente em termos de consumo, consumo de bens. O Vale Cultura exigirá que o beneficiário tenha carteira assinada, logo, impedirá muitos brasileiros de terem acesso à cultura... E que cultura? CD's de grandes gravadoras, shows financiados com dinheiro público ou através da Lei Rouanet (que no fim também é dinheiro público através de isenção de impostos) de quem não precisa (os mesmos que vendem CD's pela indústria) e por aí vai...
Mas cultura popular, cultura digital, nem uma palavra. Ou melhor, o silêncio aparente esconde ações nos bastidores para destruir as conquistas alcançadas.
A ideia de promover cultura através do Vale-Cultura, com esse MinC, é a de dar dinheiro para cinemas caríssimos e muito acima do preço justo (sem explicar, com o preço absurdo das passagens do transporte público em diversas cidades, como as pessoas chegariam ao cinema, sem falar na ampla maioria das cidades que nem cinema tem!), é dar dinheiro para comprar CD's a 40 ou 50 reais da indústria predatória...
Mas o MinC promover cultura de graça, cinemas populares, artistas novos e alternativos que produzem a baixíssimo custo, cultura digital e etc...? Nem pensar!
O Ministério da Cultura representa a indústria. E apenas a indústria. O povo é apenas um detalhe.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Ana de Hollanda, você está fazendo isto errado!
2011-04-19T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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sábado, 2 de abril de 2011
Creative Commons, Controle da rede e os inocentes bem intencionados
Desde antes das eleições eu já havia notado - na verdade eu sempre soube - que o PT era um partido blindado por uma militância muitas vezes acrítica.
Parece, como bem comentou o @Caribe,que há uma tensão entre velha guarda e nova guarda, entre aqueles que se apegam ferrenhamente aos antigos modelos - de poder, de política, de compartilhamento, de modelo de gestão social - e os que são ligados às novas mídias, à flexibilidade de novos modelos e interessados em promover a cultura digital, o compartilhamento de cultura e conhecimento.
Eu iria além, para mim estamos diante de uma militância petista ligada efetivamente aos interesses populares e uma militância alienada, interessada apenas no poder e em pactuar com os antigos poderes, enfim, lucrar com a velha mídia - por mais que continuem a apanhar dela. Parte desta militância alienada é formada por aqueles que são como cães da direção petista: Repetem tudo e defendem as decisões desta direção com afinco... mesmo totalmente erradas.
Cheguei até mesmo a ter o desprazer de ler, em um grupo de e-mails, uma petista anunciar com orgulho ser uma solada obediente, que jamais criticaria nada do governo. Ou seja, uma seguidora cega e acrítica, pronta a se sacrificar sem pensar. O tipo de soldados que, no fim, acabam sendo mais uma propaganda negativa que motivo de orgulho para qualquer partido.
Claro que neste grupo existem também os que são simplesmente alienados, no sentido direto da palavra.
Repetem por desconhecimento, por inocência, por achar que a direção é divina e por aí vai. Mas continuam sendo nocivos.
E isto pode rachar o PT - está já rachando a militância que, em pouco mais de um mês de governo Dilma ainda não viu uma única razão para comemorar. Pelo contrário.
Eu já comentei antes sobre a mania que muitos tem de achar que entendem o funcionamento da internet por simplesmente ter uma conta de e-mail, um perfil no Facebook e blogarem vez ou outra. Internet é muito mais do que isso. E não é tão simples de entender como parece. E deputados e senadores, daqueles que ainda lêem e-mails impressos pelas secretárias até alguns que já sabem usar o Twtitter, estão sempre prontos a pegar carona nas idéias dos pseudo-especialistas e tentar nos censurar.
Pedofilia, anonimato e tantas outras coisas que os vigilantes usam para atacar a internet e contam sempre com os bons inocentes para apoiar.
Este debate sobre o MinC ter retirado a licença Creative Commons de seu site é mais um dos casos em que esta militância acrítica e "canina" aparece. E uma outra parte da militância, que considera absurda a decisão, some. Poucos são os que realmente se insurgem.
O caso é simples e antigo, mas merece ser retomado, o Ministério da Cultura resolveu tirar do site do ministério a licença de compartilhamento do Creative Commons, sem qualquer explicação, em um claro retrocesso frente ao trabalho feito por Gil e Juca no ministério.
O debate vai além, aliás, e está opondo os defensores da mídia livre dos defensores dos antigos modelos proprietários em um debate que também junta questões relacionadas ao Ministério das Comunicações e políticas de controle social da mídia e regulação da mídia.
O fato é que há muita insatisfação com estes dois ministérios. E não de graça.
Se é fato que nossa legislação garante o compartilhamento de conteúdo, também o é que a licença Creative Commons garante estes mesmos direitos para o mundo inteiro, em uma linguagem universal e perfeitamente adaptada à rede. Isto para ficar em termos simples.
A utilização do CC elimina possíveis "poréns", como reclamações insensatas de direitos autorais e o surgimento de qualquer problema no compartilhamento. É a garantia de que um documento ou arquivo, ou mesmo vídeo, estará livre para ser compartilhado dentro das regras claras e diretas da organização (e da licença) e não através de regras confusas e cheias de subterfúgios em que defensores de direitos autorais podem dificultar nossa vida.
Críticas à atitude da ministra, Ana de Hollanda, não faltaram. Uma das mais contundentes feitas por Sérgio Amadeu, especialista na área, assim como por Renato Rovai, outro que, sem dúvida, entende mais do assunto que a própria ministra. No Trezentos há outro bom post.
Recomendo a leitura dos posts dos referidos especialistas para entender melhor a situação em si e também a relação que existe com o ECAD, prefiro me centrar no CC em si e em algumas falácias disseminadas pela rede:
Algo que vem sendo dito é que o Creative Commons não passa de uma ONG americana e, logo, responde aos interesses dos EUA:
CC não é uma ONG apenas e sim uma licença que tem uma ONG por trás para promovê-la e gerir as regras – como a ABNT gere as regras de publicações, por exemplo. Estamos falando de uma organização que apenas zela pelo funcionamento e pela criação de normas, mas o que importa é a licença em si, que tem validade e aceitação quase universal.
Esta idéia de que há uma conspiração americana é simplesmente ridícula e fruto de um ultra-esquerdismo que simplesmente não combina com o setor privatista que vem defendendo o fim do uso do CC. É simplesmente o empréstimo de um discurso totalmente diverso das práticas do grupo que defende ECAD e a indústria musical.
Aliás, convenientemente esquecem estes pseudo-especialistas que o Brasil também "está" no CC, temos representantes nacionais que também são responsáveis pelo uso das normas do CC.
Leis brasileiras de compartilhamento:
Não importa se as leis brasileiras permitem ou não o compartilhamento e sim que não estamos falando só do Brasil, mas da internet e de um mundo globalizado. O CC é aceito (quase) universalmente, logo, tem alcance MUITO maior que a legislação brasileira. Daí sua importância para o compartilhamento GLOBAL – e não local – de conteúdo. além da própria linguagem do CC ser adaptado à internet, coisa que nossa legislação não é.
Ignorância dos internautas versus "nerds iluminados"
Suposta ignorância dos brasileiros em relação ao CC não é justificativa para não usá-lo, não só pelo que já disse acima, mas também porque não se desiste de algo porque supostamente A ou B não vão entender, especialmente porque é possível usar um texto bem semelhante ao que o MinC está usando – que é permitido o compartilhamento – e ainda assim usar o CC.
Se ignorância for razão pra desistir do uso de algo então vamos desistir da nossa constituição, porque muitos pontos são obscuros pra franca maioria da população.
Ao invés de ensinar e promover o compartilhamento vamos defender o obscurantismo?
Os “nerds” entendem do assunto, oras, então estão errados? Vamos nivelar por baixo ao invés de ter a chance de evoluir? Isso me lembra um artigo que escrevi criticando esta mania que muitos tem de achar que entendem ou compreendem a rede, mas no fim estão redondamente enganados.
Insegurança jurídica
A reação do CC não foi prepotente e causa sim insegurança jurídica. Ao aceitar usar a licença você concorda que TODO material sob ela está livre para ser compartilhado (dentro dos termos) e não só no país, mas globalmente. Ao retirar a licença você cria dúvidas sobre novos conteúdos e sobre o compartilhamento global, pois se O CC funciona no mundo inteiro, a legislação brasileira não.
Qual tratamento será dado ao conteúdo antigo que estava sob CC? qual era? Como funciona agora?
Sim, causa insegurança.
O principal problema é que o governo continua achando que entende mais de internet do que os especialistas. Aliás, este é um problema de praticamente todos os governos. Estados pensam em termos de soberania, esta é limitada à regras, ao território, ao espaço, enquanto a internet não respeita estes limites.
Não importa que, no Brasil, valha a legisla de um ambiente global em que as regras de compartilhamento e fronteiras – assim como legislações estatais – são compreendidas e interporetretadas de maneiras diferentes e o CC é exatamente a tentativa de adequar o compartilhamento em um ambiente transfronteiriço e fluido.
Não é a invenção de uma suposta ONG dos EUA e sim a solução encontrada por ativistas, hackers e especialistas para propiciar compartilhamento global dentro de regras comuns.
Um exemplo de insegurança?
Você dizer que seu site permite compartilhamento e etc não vale muita coisa, porque você pode mudar de idéia. Ou qualquer outra pessoa. Não há segurança jurídica pra você ou pra quem usar o conteúdo.
Você pode mudar de idéia sobre os artigos em um blog serem livres de um dia pro outro e processar quem usou, afinal, não há nenhuma licença que garanta nada. O CC não perde a validade. Aquilo que foi compartilhado com CC continuará a estar regido sob a licença, mesmo que você mude de idéia sobre novos artigos (ou filmes, músicas e etc).
Por outro lado, um alemão que quiser usar um texto seu e não citar a fonte não sofrerá nada, porque a legislação brasileira não o atinge, mas com o CC você tem base legal para processá-lo mesmo na Alemanha.
E, se você escreveu 500 textos com CC e resolveu retirar do site a permissão e escreveu 5 novos, os antigos continuam valendo dentro da lógica do CC, pois conteúdo uma vez compartilhado com a licença fica perpetuamente obrigado. Só os novos que não.
Parece, como bem comentou o @Caribe,que há uma tensão entre velha guarda e nova guarda, entre aqueles que se apegam ferrenhamente aos antigos modelos - de poder, de política, de compartilhamento, de modelo de gestão social - e os que são ligados às novas mídias, à flexibilidade de novos modelos e interessados em promover a cultura digital, o compartilhamento de cultura e conhecimento.
Eu iria além, para mim estamos diante de uma militância petista ligada efetivamente aos interesses populares e uma militância alienada, interessada apenas no poder e em pactuar com os antigos poderes, enfim, lucrar com a velha mídia - por mais que continuem a apanhar dela. Parte desta militância alienada é formada por aqueles que são como cães da direção petista: Repetem tudo e defendem as decisões desta direção com afinco... mesmo totalmente erradas.
Cheguei até mesmo a ter o desprazer de ler, em um grupo de e-mails, uma petista anunciar com orgulho ser uma solada obediente, que jamais criticaria nada do governo. Ou seja, uma seguidora cega e acrítica, pronta a se sacrificar sem pensar. O tipo de soldados que, no fim, acabam sendo mais uma propaganda negativa que motivo de orgulho para qualquer partido.
Claro que neste grupo existem também os que são simplesmente alienados, no sentido direto da palavra.
Repetem por desconhecimento, por inocência, por achar que a direção é divina e por aí vai. Mas continuam sendo nocivos.
E isto pode rachar o PT - está já rachando a militância que, em pouco mais de um mês de governo Dilma ainda não viu uma única razão para comemorar. Pelo contrário.
Eu já comentei antes sobre a mania que muitos tem de achar que entendem o funcionamento da internet por simplesmente ter uma conta de e-mail, um perfil no Facebook e blogarem vez ou outra. Internet é muito mais do que isso. E não é tão simples de entender como parece. E deputados e senadores, daqueles que ainda lêem e-mails impressos pelas secretárias até alguns que já sabem usar o Twtitter, estão sempre prontos a pegar carona nas idéias dos pseudo-especialistas e tentar nos censurar.
Pedofilia, anonimato e tantas outras coisas que os vigilantes usam para atacar a internet e contam sempre com os bons inocentes para apoiar.
Este debate sobre o MinC ter retirado a licença Creative Commons de seu site é mais um dos casos em que esta militância acrítica e "canina" aparece. E uma outra parte da militância, que considera absurda a decisão, some. Poucos são os que realmente se insurgem.
O caso é simples e antigo, mas merece ser retomado, o Ministério da Cultura resolveu tirar do site do ministério a licença de compartilhamento do Creative Commons, sem qualquer explicação, em um claro retrocesso frente ao trabalho feito por Gil e Juca no ministério.
O debate vai além, aliás, e está opondo os defensores da mídia livre dos defensores dos antigos modelos proprietários em um debate que também junta questões relacionadas ao Ministério das Comunicações e políticas de controle social da mídia e regulação da mídia.
O fato é que há muita insatisfação com estes dois ministérios. E não de graça.
Se é fato que nossa legislação garante o compartilhamento de conteúdo, também o é que a licença Creative Commons garante estes mesmos direitos para o mundo inteiro, em uma linguagem universal e perfeitamente adaptada à rede. Isto para ficar em termos simples.
A utilização do CC elimina possíveis "poréns", como reclamações insensatas de direitos autorais e o surgimento de qualquer problema no compartilhamento. É a garantia de que um documento ou arquivo, ou mesmo vídeo, estará livre para ser compartilhado dentro das regras claras e diretas da organização (e da licença) e não através de regras confusas e cheias de subterfúgios em que defensores de direitos autorais podem dificultar nossa vida.
Críticas à atitude da ministra, Ana de Hollanda, não faltaram. Uma das mais contundentes feitas por Sérgio Amadeu, especialista na área, assim como por Renato Rovai, outro que, sem dúvida, entende mais do assunto que a própria ministra. No Trezentos há outro bom post.
Recomendo a leitura dos posts dos referidos especialistas para entender melhor a situação em si e também a relação que existe com o ECAD, prefiro me centrar no CC em si e em algumas falácias disseminadas pela rede:
Algo que vem sendo dito é que o Creative Commons não passa de uma ONG americana e, logo, responde aos interesses dos EUA:
CC não é uma ONG apenas e sim uma licença que tem uma ONG por trás para promovê-la e gerir as regras – como a ABNT gere as regras de publicações, por exemplo. Estamos falando de uma organização que apenas zela pelo funcionamento e pela criação de normas, mas o que importa é a licença em si, que tem validade e aceitação quase universal.
Esta idéia de que há uma conspiração americana é simplesmente ridícula e fruto de um ultra-esquerdismo que simplesmente não combina com o setor privatista que vem defendendo o fim do uso do CC. É simplesmente o empréstimo de um discurso totalmente diverso das práticas do grupo que defende ECAD e a indústria musical.
Aliás, convenientemente esquecem estes pseudo-especialistas que o Brasil também "está" no CC, temos representantes nacionais que também são responsáveis pelo uso das normas do CC.
Leis brasileiras de compartilhamento:
Não importa se as leis brasileiras permitem ou não o compartilhamento e sim que não estamos falando só do Brasil, mas da internet e de um mundo globalizado. O CC é aceito (quase) universalmente, logo, tem alcance MUITO maior que a legislação brasileira. Daí sua importância para o compartilhamento GLOBAL – e não local – de conteúdo. além da própria linguagem do CC ser adaptado à internet, coisa que nossa legislação não é.
Ignorância dos internautas versus "nerds iluminados"
Suposta ignorância dos brasileiros em relação ao CC não é justificativa para não usá-lo, não só pelo que já disse acima, mas também porque não se desiste de algo porque supostamente A ou B não vão entender, especialmente porque é possível usar um texto bem semelhante ao que o MinC está usando – que é permitido o compartilhamento – e ainda assim usar o CC.
Se ignorância for razão pra desistir do uso de algo então vamos desistir da nossa constituição, porque muitos pontos são obscuros pra franca maioria da população.
Ao invés de ensinar e promover o compartilhamento vamos defender o obscurantismo?
Os “nerds” entendem do assunto, oras, então estão errados? Vamos nivelar por baixo ao invés de ter a chance de evoluir? Isso me lembra um artigo que escrevi criticando esta mania que muitos tem de achar que entendem ou compreendem a rede, mas no fim estão redondamente enganados.
Insegurança jurídica
A reação do CC não foi prepotente e causa sim insegurança jurídica. Ao aceitar usar a licença você concorda que TODO material sob ela está livre para ser compartilhado (dentro dos termos) e não só no país, mas globalmente. Ao retirar a licença você cria dúvidas sobre novos conteúdos e sobre o compartilhamento global, pois se O CC funciona no mundo inteiro, a legislação brasileira não.
Qual tratamento será dado ao conteúdo antigo que estava sob CC? qual era? Como funciona agora?
Sim, causa insegurança.
O principal problema é que o governo continua achando que entende mais de internet do que os especialistas. Aliás, este é um problema de praticamente todos os governos. Estados pensam em termos de soberania, esta é limitada à regras, ao território, ao espaço, enquanto a internet não respeita estes limites.
Não importa que, no Brasil, valha a legisla de um ambiente global em que as regras de compartilhamento e fronteiras – assim como legislações estatais – são compreendidas e interporetretadas de maneiras diferentes e o CC é exatamente a tentativa de adequar o compartilhamento em um ambiente transfronteiriço e fluido.
Não é a invenção de uma suposta ONG dos EUA e sim a solução encontrada por ativistas, hackers e especialistas para propiciar compartilhamento global dentro de regras comuns.
Um exemplo de insegurança?
Você dizer que seu site permite compartilhamento e etc não vale muita coisa, porque você pode mudar de idéia. Ou qualquer outra pessoa. Não há segurança jurídica pra você ou pra quem usar o conteúdo.
Você pode mudar de idéia sobre os artigos em um blog serem livres de um dia pro outro e processar quem usou, afinal, não há nenhuma licença que garanta nada. O CC não perde a validade. Aquilo que foi compartilhado com CC continuará a estar regido sob a licença, mesmo que você mude de idéia sobre novos artigos (ou filmes, músicas e etc).
Por outro lado, um alemão que quiser usar um texto seu e não citar a fonte não sofrerá nada, porque a legislação brasileira não o atinge, mas com o CC você tem base legal para processá-lo mesmo na Alemanha.
E, se você escreveu 500 textos com CC e resolveu retirar do site a permissão e escreveu 5 novos, os antigos continuam valendo dentro da lógica do CC, pois conteúdo uma vez compartilhado com a licença fica perpetuamente obrigado. Só os novos que não.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
13:30
Creative Commons, Controle da rede e os inocentes bem intencionados
2011-04-02T13:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Carta Aberta a Dilma Rousseff sobre mudanças no Ministério da Cultura
Temos esperança que o Ministério da Cultura (MinC) continuará
sua liderança em políticas de inclusão cultural para o século 21. O
Brasil tem sido pioneiro nesta matéria, nos permita mencionar apenas alguns dos
elementos que contribuíram para atrair a atenção do mundo para as políticas
culturais do seu país.
De acordo com a Lista de Vigilância da Consumers International, a lei de direitos autorais vigente no Brasil é uma das mais estritas do mundo quando avaliada a partir das perspectivas de acesso ao conhecimento. A lei carece de muitas das exceções ao direito autoral que outros países tem previstas nos seus regulamentos e proíbe muitos dos comportamentos mais comuns do comércio (incluindo a exibição de filmes para fins acadêmicos, a cópia de livros que estão esgotados e fora de impressão, a mudança do formato dos conteúdos digitais, tais como a conversão de música do CD para MP3). A lei de direitos autorais do Brasil é mais restritiva, de fato, que os tratados internacionais. Por sua vez, o ECAD, a gestora coletiva do Brasil, carece de transparência e de uma auditoria pública eficaz, ao contrário do que acontece em muitos outros países do mundo. Acreditamos que as mudanças propostas na lei de direitos autorais irá beneficiar tanto os autores como os cidadãos.
A discussão pública promovida pelo Brasil - o debate público em todo o país, complementado por uma consulta formal pública realizada pelo governo na Internet - pode servir como um exemplo de democracia. Mas isto estará garantido apenas se os resultados da consulta forem verdadeiramente levados em consideração, como prometido no início do processo. Isso é o que os cidadãos legitimamente esperam dos governos democráticos.
Estamos de acordo com os nossos colegas do Brasil, onde os resultados de um processo aberto e democrático não podem ser negligenciados pela opinião de juristas ou de qualquer "comissão de notáveis".
Como numerosos acadêmicos, advogados, organizações sem fins lucrativos e da sociedade civil, artistas e outros, disseram em sua carta aberta à presidenta Rousseff e à ministra da Cultura Ana Buarque de Holanda em 28 de dezembro de 2010:
O tesouro mais importante do Brasil é sua enorme diversidade cultural. Um contingente de milhões de novos criadores é parte do tecido cultural do Brasil. Isso é o que chamamos de emancipação.
Durante anos, em incontáveis ensaios, análises e artigos de blogs, temos assinalado o Brasil como um líder internacional, como um exemplo de país comprometido em apoiar o acesso ao conhecimento e expandir sua cultura democrática. A adoção pelo Ministério da Cultura das licenças Creative Commons em 2003 foi realmente um dos maiores e mais admirados exemplos de tal liderança.
Nós,como parte da comunidade internacional, estamos preocupados com as recentes e significativas mudanças na política cultural no Brasil, que se nota em uma variedade de decisões, entre as quais a retirada da licença Creative Commons do site do MinC. Ainda assim, temos esperanças de que o processo para garantir, por lei, o acesso ao conhecimento está garantido e que o diálogo para manter uma Internet aberta, uma cultura digital aberta e colaborativa, a expansão dos recursos educacionais abertos e s reforma da lei de direitos do autor (Copyright)continuarão durante sua administração.
Enviamos esta carta aberta para pedir à presidenta Dilma Rousseff que assegure que as políticas progressistas no campo cultural no Brasil terão continuidade e serão ampliadas, para que a sociedade civil brasileira seja escutada e que o Brasil continue a ser um exemplo para o resto do mundo!
Mantemos a profunda esperança de que podemos continuar a falar da política cultural do Brasil como a mais progressistas do mundo!
Assinado, Commons Strategies Group
Fundación Vía Libre
e outros
Versão do texto em inglês e espanhol.
* O diálogo aberto entre o governo e a sociedade, formando uma visão de democracia que partilhamos;
* Os Pontos de Cultura, o Fórum da Cultura Digital, o Fórum de Mídia Livre e outros projetos que demonstram novas e inovadoras redes culturais adaptadas ao século 21;
* O apoio e desenvolvimento de software livre e sua adoção em instituições públicas que finalmente tem estimulado uma nova abordagem para o gerenciamento de recursos compartilhados. A adoção de software livre no Brasil transcende a esfera cultural e tem uma enorme relevância, pois é uma das poucas iniciativas globais para promover os commons digitais como estratégia de governo;
* A adoção de modelos de licenciamento aberto - como o Creative Commons - por instituições governamentais e organizações culturais financiados por fundos públicos;
* A liderança do Brasil para incluir outros países e ajudar na implementação da Agenda do Desenvolvimento da WIPO/OMPI (World Intellectual Property Organization/Organização Mundial de Propriedade intelectual). Isso contribui para equilibrar o sistema de propriedade intelectual em conformidade com os diferentes níveis de desenvolvimento e novas formas de produção cultural, assegurando o acesso ao conhecimento;
* A promoção impulsionado pelo Brasil em um debate mais amplo sobre as exceções e limitações das pessoas com deficiência visual na OMPI, em conjunto com outros países e com a sociedade civil internacional;
* A abertura do Brasil aos novos paradigmas de produção e disseminação do conhecimento. Sua liderança foi crucial porque os paradigmas digitais abertos serão de grande influência na construção da cultura e dos negócios do século 21;
* A construção do Marco Civil da Internet e a rejeição da ACTA (Acordo Comercial Anticontrafação, na sigla em inglês).Mas o tema contemporâneo mais urgente no qual o Brasil é pioneiro é, no entanto, a reforma da lei de direitos autorais, que visa ajudar os criadores e artistas a expressar sua criatividade e distribuir em um ambiente legal menos restritivo, para garantir que a sociedade goze de um equilíbrio de direitos no acesso ao conhecimento.
De acordo com a Lista de Vigilância da Consumers International, a lei de direitos autorais vigente no Brasil é uma das mais estritas do mundo quando avaliada a partir das perspectivas de acesso ao conhecimento. A lei carece de muitas das exceções ao direito autoral que outros países tem previstas nos seus regulamentos e proíbe muitos dos comportamentos mais comuns do comércio (incluindo a exibição de filmes para fins acadêmicos, a cópia de livros que estão esgotados e fora de impressão, a mudança do formato dos conteúdos digitais, tais como a conversão de música do CD para MP3). A lei de direitos autorais do Brasil é mais restritiva, de fato, que os tratados internacionais. Por sua vez, o ECAD, a gestora coletiva do Brasil, carece de transparência e de uma auditoria pública eficaz, ao contrário do que acontece em muitos outros países do mundo. Acreditamos que as mudanças propostas na lei de direitos autorais irá beneficiar tanto os autores como os cidadãos.
A discussão pública promovida pelo Brasil - o debate público em todo o país, complementado por uma consulta formal pública realizada pelo governo na Internet - pode servir como um exemplo de democracia. Mas isto estará garantido apenas se os resultados da consulta forem verdadeiramente levados em consideração, como prometido no início do processo. Isso é o que os cidadãos legitimamente esperam dos governos democráticos.
Estamos de acordo com os nossos colegas do Brasil, onde os resultados de um processo aberto e democrático não podem ser negligenciados pela opinião de juristas ou de qualquer "comissão de notáveis".
Como numerosos acadêmicos, advogados, organizações sem fins lucrativos e da sociedade civil, artistas e outros, disseram em sua carta aberta à presidenta Rousseff e à ministra da Cultura Ana Buarque de Holanda em 28 de dezembro de 2010:
"Se tem progredido muito nos últimos anos. E falta muito para fazer.Uma mudança na direção do Ministério da Cultura significa perder todo o trabalho realizado, assim como perder uma oportunidade histórica do Brasil para liderar, como vem fazendo, essa discussão em nível global, mostrando soluções e alternativas inovadoras e racionais, sem medo de tomar novos caminhos,sem ficar preso em modelos promovido pela indústria cultural dos Estados Unidos ou da Europa."É importante destacar que existe uma narrativa subjacente a todos esses novos caminhos que o Brasil tomou como políticas públicas de cultura: estão inspiradas no reconhecimento pioneiro e aberto de que a cultura se faz em toda parte e por todas as pessoas, e que a cultura e a educação são direitos constitucionais básicos.
O tesouro mais importante do Brasil é sua enorme diversidade cultural. Um contingente de milhões de novos criadores é parte do tecido cultural do Brasil. Isso é o que chamamos de emancipação.
Durante anos, em incontáveis ensaios, análises e artigos de blogs, temos assinalado o Brasil como um líder internacional, como um exemplo de país comprometido em apoiar o acesso ao conhecimento e expandir sua cultura democrática. A adoção pelo Ministério da Cultura das licenças Creative Commons em 2003 foi realmente um dos maiores e mais admirados exemplos de tal liderança.
Nós,como parte da comunidade internacional, estamos preocupados com as recentes e significativas mudanças na política cultural no Brasil, que se nota em uma variedade de decisões, entre as quais a retirada da licença Creative Commons do site do MinC. Ainda assim, temos esperanças de que o processo para garantir, por lei, o acesso ao conhecimento está garantido e que o diálogo para manter uma Internet aberta, uma cultura digital aberta e colaborativa, a expansão dos recursos educacionais abertos e s reforma da lei de direitos do autor (Copyright)continuarão durante sua administração.
Enviamos esta carta aberta para pedir à presidenta Dilma Rousseff que assegure que as políticas progressistas no campo cultural no Brasil terão continuidade e serão ampliadas, para que a sociedade civil brasileira seja escutada e que o Brasil continue a ser um exemplo para o resto do mundo!
Mantemos a profunda esperança de que podemos continuar a falar da política cultural do Brasil como a mais progressistas do mundo!
Assinado, Commons Strategies Group
Fundación Vía Libre
e outros
Versão do texto em inglês e espanhol.
------
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Raphael Tsavkko Garcia
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10:30
Carta Aberta a Dilma Rousseff sobre mudanças no Ministério da Cultura
2011-02-18T10:30:00-02:00
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Ministra Ana de Hollanda desmascarada: A política suja ministerial
Em meio a toda polêmica em torno das últimas decisões da Ministra da Cultura Ana de Hollanda, muita coisa ficou mal contada.
Ciberativistas como Sérgio Amadeu e João Carlos Caribé, dentre outros, e o Deputado Federal Paulo Teixeira (PT/SP) não tardaram em discordar publicamente das atitudes da ministra, como a retirada da licença Creative Commons do site do ministério e o visível fortalecimento do ECAD, além do silêncio que a mesma mantém frente às críticas que recebe até mesmo do ex-ministro Gilberto Gil.
Boa parte dos movimentos alinhados à cultura digital e coletivos logo se insurgiram, com muitos chegando a pedir a cabeça da ministra e a reação não tardou. Ignorando completamente as declarações e textos de Sérgio Amadeu, Ronaldo Lemos, Rodrigo Savazoni e outros especialistas em cultura digital, a ministra resolveu "se defender" partindo para o ataque e usando o próprio site do ministério.
Ministério ao Ataque
Sua arma foi o neo-direitista Caetano Veloso, em texto pego "emprestado" do jornal O Globo e devidamente aparado, ou melhor dizendo, visivelmente mutilado e tendo as partes em que Veloso critica Lula, cortadas (vejam aqui o texto na íntegra). Caetano defende uma posição extremamente conservadora, anti-internet e compartilhamento livre, fazendo ode ao direito autoral e, sem dúvida, servindo aos propósitos pró-ECAD do MinC atual.
Ficou no texto o que interessava... à Ministra. Foram copiados os dois primeiros parágrafos do texto, enquanto o resto, coalhado de críticas a Lula, foi limado. É o mesmo tom adotado pela grande mídia que agora passou a tentar apagar o legado de Lula, elogiando Dilma naquilo que não atrapalhe muito seus interesses e opondo estes pontos ao que foi feito por Lula.
Além disso, aquilo que era escrito pelos ativistas, contrários às posições adotadas pelo ministério, foi sumariamente ignorado. Não há direito ao contraditório.
O texto, ao ser mutilado e adaptado às necessidades do ministério, deixa clara a posição oficial de Ana de Hollanda - e por conseguinte, a do Ministério da Cultura - de entrar em confronto direto com os defensores do livre compartilhamento. Além disso, o título escolhido para o texto, "Pontos Teimosos" nos faz temer sobre o futuro de uma das melhores iniciativas do MinC nos últimos anos: Os Pontos de Cultura.
Isto reflete qual será a prioridade do MinC nos próximos anos, a de privilegiar a classe artística formada por medalhões e aqueles que costumam estar nas paradas de sucesso ou serem muito regravados - através da já visível pressão do ECAD - em detrimento dos que fazem cultura livre, dos que buscam incluir através da arte e da cultura através de projetos e programas alternativos. Hoje, os pontos de cultura contemplam pelo menos 8,4 milhões de brasileiros, mas o interesse da ministra é privilegiar apenas 50 ou 60 grandes cantores/compositores, enfim, a indústria. Por não aceitar as mudanças previstas, os Pontos de Cultura são, então, chamados de "Teimosos".
A posição do Ministério é, enfim, clara. E assustadora. E a reação está bem visível nos comentários da postagem do ministério. A população e os ativistas rejeitam as mudanças que irão beneficiar meia dúzia em detrimento de todo o país.
Vale também acrescentar que o conteúdo do jornal O Globo é fechado, proprietário, intocável e de reprodução proibida. Mas neste caso o Ministério não viu problemas em passar por cima da lei que diz defender e usá-lo. Estamos diante de um texto pirateado pelo MinC e, pior, remixado, pois foi mutilado e teve seu conteúdo alterado depois que o ministério notou que manter no site críticas tão diretas a Lula poderia pegar mal.
Mas, para além desta questão, há algo ainda mais perigoso, as relações ocultas da ministra.
Sobre gravadora e movimento estudantil: o MR8 aparece
Pese o silêncio do MinC e da presidenta Dilma Roussef, o nanico Partido Pátria Livre (antigo MR8, parte do PMDB) resolveu utilizar seu jornal, o A Hora do Povo, para atacar a posição dos ativistas e, em especial, o deputado Paulo Teixeira.
Não seria problema a crítica de um partido - insignificante - que nasceu unicamente para viver como apêndice do PT, como se vê no ato de lançamento do partido, em 2009:
A UMES é controlada há anos pelo MR8/PPL. Isto não é só conhecimento comum, como também basta uma rápida olhada nas notícias e destaques do site da UMES para notar a desproporcionalidade de citações do A Hora do Povo, declarações de membros do MR8 e JR8 (Juventude da organização) e citações ao grupo.
Na verdade, o mais importante é conhecer um pouco não sobre a UMES, mas sobre a CPC-UMES, ou Centro Popular de Cultura da UMES e, mais especificamente, sua gravadora, de mesmo nome.
O logo desta gravadora encontra-se claramente no topo da página principal do jornal A Hora do Povo o que, por si só, não seria grande problema, se seu presidente, Valério Bemfica - guardem bem esse nome -, não fosse também membro do Comitê Central do MR8. Vejam o que diz o próprio jornal A Hora do Povo:
A Ministra e suas relações perigosas
Até agora, nada demais. Todos sabem que o movimento estudantil está nas mãos de partidos e organizações, a UNE e UBES com a UJS/PCdoB e a UMES com o MR8/JR8/PPL. O problema começa realmente quando notamos a ligação desta gravadora com a ministra Ana de Hollanda e com as críticas dirigidas à militância pró-CC, em especial ao deputado Paulo Teixeira.
A gravadora CPC-UMES é a mesma da Ministra Ana de Hollanda.
Reparem na relação entre a ministra, a CPC-UMES e Valério Bemfica, do MR8. Este rapaz foi o responsável pela "reportagem" na página 4 do A Hora do Povo de 9/10 de fevereiro de 2001, edição número 2.934 cujo título e primeiros parágrafos lêem:
A história fica ainda mais interessante quando observamos o "manifesto" promovido pelo maestro Marcus Vinicius de Andrade (que por alguma razão acabou com o Marcus Vinicius grafado como Marco Venicio, ainda que o e-mail seja grafado como o primeiro) em defesa da Ministra, utilizando os mesmos argumentos nacionalistas e ultrapassados de Bemfica e contando com o apoio de ao menos três compositores - todos com mais de 50 ano.
O maestro Marcus Vinicius de Andrade nada mais é que o diretor artístico da CPC-UMES, a mesma entidade/gravadora comandada por Bemfica!
Marcus Vinicius de Andrade é ligado diretamente ao ECAD, através da Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes (AMAR-SOMBRÁS), da qual ele é presidente. à idéia de se criar um órgão para supervisionar o ECAD, proposta discutida durante a gestão de Gilberto Gil e Juca Ferreira no Ministério, o maestro foi veemente:
Ele vai além, atacando as políticas adotadas, como pro exemplo o compartilhamento de conehcimento em um discurso que mistura teorias pseudo-marxistas e dependentistas com a defesa do direito autoral, que inibe o conhecimento:
O maestro ainda diz defender a Lei HADOPI, que criminaliza e ameaça com corte da internet o usuário que baixa conteúdo sob proteção de direitos autorais, sempre tentando unir o "direito à propriedade" com um discurso pseudo-marxista transformado para defender a propriedade privada em direito de todos.
Por fim, o maestro finaliza dando a deixa para sua atual posição (ou a posição da ministra Ana de Hollanda) contrária ao uso do Creative Commons (grifo meu):
Não é surpresa, dada a posição anti-Creative Commons e pró ECAD do maestro que o mesmo tenha preparado manifesto em defesa da Ministra.Estranho apenas é sua ligação com a gravadora da ministra (CPC-UMES), comandada pelo MR8 de Valério Bemfica (ele mesmo responsável pela gravadora) que agora escreve textos atacando opositores de Ana de Hollanda.
Conclusão e hipóteses
Não é preciso, enfim, um grande esforço para notar que não é coincidência o fato do jornal A Hora do Povo, do minúsculo PPL/MR8, ter sido usado para atacar os defensores do Creative Commons.
Ana de Hollanda pertence à mesma gravadora comandada por um membro do Comitê Central do MR8 - autor do texto anti-CC - e cujo diretor artístico é o responsável pelo manifesto em sua defesa.
São no mínimo suspeitas estas ligações diretas entre a Ministra e um partido cuja gravadora (comandada via movimento estudantil) faz franca defesa de suas posições. Podemos estar diante de um flagrante sequestro de uma organização estudantil usada para fins particulares e de uma política suja de ataques velados através de laranjas e da defesa interessada da ministra.
Resta saber quem foi o mandante, o responsável por encomendar o texto e o manifesto. Até que ponto a ministra está envolvida. Seja como for, é preocupante que Ana de Hollanda se valha, direta ou indiretamente, deste tipo de artifício para tentar atacar seus opositores. Esta novidade apenas reforça nossa campanha que exige e saída imediata da ministra, que vem demolindo tudo que foi construído por Gil e Juca.
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Este texto contou com a inestimável contribuição de Sergio Pacheco (@sergiorauber) e Bruno Cava (@BrunoCava ).
Ciberativistas como Sérgio Amadeu e João Carlos Caribé, dentre outros, e o Deputado Federal Paulo Teixeira (PT/SP) não tardaram em discordar publicamente das atitudes da ministra, como a retirada da licença Creative Commons do site do ministério e o visível fortalecimento do ECAD, além do silêncio que a mesma mantém frente às críticas que recebe até mesmo do ex-ministro Gilberto Gil.
Boa parte dos movimentos alinhados à cultura digital e coletivos logo se insurgiram, com muitos chegando a pedir a cabeça da ministra e a reação não tardou. Ignorando completamente as declarações e textos de Sérgio Amadeu, Ronaldo Lemos, Rodrigo Savazoni e outros especialistas em cultura digital, a ministra resolveu "se defender" partindo para o ataque e usando o próprio site do ministério.
Ministério ao Ataque
Sua arma foi o neo-direitista Caetano Veloso, em texto pego "emprestado" do jornal O Globo e devidamente aparado, ou melhor dizendo, visivelmente mutilado e tendo as partes em que Veloso critica Lula, cortadas (vejam aqui o texto na íntegra). Caetano defende uma posição extremamente conservadora, anti-internet e compartilhamento livre, fazendo ode ao direito autoral e, sem dúvida, servindo aos propósitos pró-ECAD do MinC atual.
Ficou no texto o que interessava... à Ministra. Foram copiados os dois primeiros parágrafos do texto, enquanto o resto, coalhado de críticas a Lula, foi limado. É o mesmo tom adotado pela grande mídia que agora passou a tentar apagar o legado de Lula, elogiando Dilma naquilo que não atrapalhe muito seus interesses e opondo estes pontos ao que foi feito por Lula.
Além disso, aquilo que era escrito pelos ativistas, contrários às posições adotadas pelo ministério, foi sumariamente ignorado. Não há direito ao contraditório.
O texto, ao ser mutilado e adaptado às necessidades do ministério, deixa clara a posição oficial de Ana de Hollanda - e por conseguinte, a do Ministério da Cultura - de entrar em confronto direto com os defensores do livre compartilhamento. Além disso, o título escolhido para o texto, "Pontos Teimosos" nos faz temer sobre o futuro de uma das melhores iniciativas do MinC nos últimos anos: Os Pontos de Cultura.
Isto reflete qual será a prioridade do MinC nos próximos anos, a de privilegiar a classe artística formada por medalhões e aqueles que costumam estar nas paradas de sucesso ou serem muito regravados - através da já visível pressão do ECAD - em detrimento dos que fazem cultura livre, dos que buscam incluir através da arte e da cultura através de projetos e programas alternativos. Hoje, os pontos de cultura contemplam pelo menos 8,4 milhões de brasileiros, mas o interesse da ministra é privilegiar apenas 50 ou 60 grandes cantores/compositores, enfim, a indústria. Por não aceitar as mudanças previstas, os Pontos de Cultura são, então, chamados de "Teimosos".
A posição do Ministério é, enfim, clara. E assustadora. E a reação está bem visível nos comentários da postagem do ministério. A população e os ativistas rejeitam as mudanças que irão beneficiar meia dúzia em detrimento de todo o país.
Vale também acrescentar que o conteúdo do jornal O Globo é fechado, proprietário, intocável e de reprodução proibida. Mas neste caso o Ministério não viu problemas em passar por cima da lei que diz defender e usá-lo. Estamos diante de um texto pirateado pelo MinC e, pior, remixado, pois foi mutilado e teve seu conteúdo alterado depois que o ministério notou que manter no site críticas tão diretas a Lula poderia pegar mal.
Mas, para além desta questão, há algo ainda mais perigoso, as relações ocultas da ministra.
Sobre gravadora e movimento estudantil: o MR8 aparece
Pese o silêncio do MinC e da presidenta Dilma Roussef, o nanico Partido Pátria Livre (antigo MR8, parte do PMDB) resolveu utilizar seu jornal, o A Hora do Povo, para atacar a posição dos ativistas e, em especial, o deputado Paulo Teixeira.
Não seria problema a crítica de um partido - insignificante - que nasceu unicamente para viver como apêndice do PT, como se vê no ato de lançamento do partido, em 2009:
“o que nós desejamos é compartilhar com todas as demais forças políticas e sociais que dão sustentação ao governo do presidente Lula as nossas idéias e propostas para que o Brasil ao invés de mergulhar no abismo da crise, abra as asas e alce vôo sobre ela. É nisso que se concentra o nosso programa. E ele pode ser resumido em quatro pontos básicos: Ampliar o mercado interno. Reduzir os juros. Concentrar os recursos do Estado para financiar a produção das empresas genuinamente nacionais – privadas e estatais. E dar prioridade a elas nas encomendas”tudo começa a se complicar quando pesquisamos um pouco mais fundo o relacionamento entre o partido, a Ministra Ana de Hollanda e a insuspeita União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES).
A UMES é controlada há anos pelo MR8/PPL. Isto não é só conhecimento comum, como também basta uma rápida olhada nas notícias e destaques do site da UMES para notar a desproporcionalidade de citações do A Hora do Povo, declarações de membros do MR8 e JR8 (Juventude da organização) e citações ao grupo.
Na verdade, o mais importante é conhecer um pouco não sobre a UMES, mas sobre a CPC-UMES, ou Centro Popular de Cultura da UMES e, mais especificamente, sua gravadora, de mesmo nome.
O logo desta gravadora encontra-se claramente no topo da página principal do jornal A Hora do Povo o que, por si só, não seria grande problema, se seu presidente, Valério Bemfica - guardem bem esse nome -, não fosse também membro do Comitê Central do MR8. Vejam o que diz o próprio jornal A Hora do Povo:
A juventude também debateu a atuação no movimento estudantil, após a exposição feita por Márcio Cabreira e, na quinta-feira, foi realizado o debate sobre Cultura, com a palestra de Valério Bemfica, membro do Comitê Central do MR8 e presidente do Centro Popular da Cultura da UMES (CPC-UMES).Bemfica preside o CPC-UMES desde pelo menos 2007 e, aparentemente, ainda está no comando (seu sobrenome foi grafado Benfica e não Bemfica neste link), palestrando na Bienal da UNE, em janeiro deste ano.
A Ministra e suas relações perigosas
Até agora, nada demais. Todos sabem que o movimento estudantil está nas mãos de partidos e organizações, a UNE e UBES com a UJS/PCdoB e a UMES com o MR8/JR8/PPL. O problema começa realmente quando notamos a ligação desta gravadora com a ministra Ana de Hollanda e com as críticas dirigidas à militância pró-CC, em especial ao deputado Paulo Teixeira.
A gravadora CPC-UMES é a mesma da Ministra Ana de Hollanda.
Reparem na relação entre a ministra, a CPC-UMES e Valério Bemfica, do MR8. Este rapaz foi o responsável pela "reportagem" na página 4 do A Hora do Povo de 9/10 de fevereiro de 2001, edição número 2.934 cujo título e primeiros parágrafos lêem:
Deixemos de lado o tom nacionalista estúpido e a completa ignorância sobre o tema por parte do autor, Valério Bemfica, e apenas nos concentremos no alvo de seus ataques, o Deputado Paulo Teixeira, um dos raros petistas a discordar da posição da ministra e deixar isto claro. Em entrevista concedida à Agência Carta Maior, o deputado defendeu com todas as letras o uso do Creative Commons e se opôs à ministra:Retirada de propaganda de ONG dos EUA do site do MinC foi ato soberanoAo contrário do que afirmou o deputado Paulo Teixeira (SP), líder do PT na Câmara dos Deputados, a licença Creative Commons não está, felizmente, dentro de uma política de governoVALÉRIO BEMFICAO deputado Paulo Teixeira (PT/SP) acaba de ser guindado ao posto de líder do PT na Câmara dos Deputados. Precisa dar-se conta de que, quando se chega a um posto tão importante, é preciso manter os olhos bem abertos. Vai aparecer muita casca de banana no caminho do nobre parlamentar. Causas que, abaixo de uma fina – e falsa – embalagem libertária, escondem interesses tão escusos quanto poderosos. Preste atenção, deputado, pois o senhor já deu a primeira escorregada.Trata-se do episódio recente em que a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, retirou do site do MinC a acintosa propaganda de uma ONG norte-americana abertamente financiada pelos monopólios da indústria da internet (Google, Yahoo!, Facebook, entre outros) e por fundações para lá de suspeitas (Ford, Rockefeller, Soros, etc.). Um ato de soberania e de respeito às leis do país.Mas eis que o deputado deu uma entrevista à Agência Carta Maior questionando a atitude da ministra. Vamos rapidamente esclarecê-lo, pois não pega bem o líder do partido da presidenta afirmar coisas que não têm a mínima sintonia com a realidade.Comecemos pela afirmação de que “A licença Creative Commons está dentro de uma política de governo”, que abre a entrevista. Não, deputado, felizmente não está. Aliás, se os ditames de uma ONG suspeita fossem inseridos em políticas de governo, não passaríamos de uma república de bananas. E muito menos tem respaldo na política do Itamaraty, que foi conduzida nos últimos oito anos por dois profundos conhecedores das questões culturais: o ministro Celso Amorim e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Pelo contrário, longe de criticar a Lei Brasileira de Direitos Autorais, nossa política externa, entre outras coisas, foi defensora intransigente da Convenção da Diversidade Cultural da UNESCO, que tem como um de seus pilares principais a proteção à criatividade dos povos e à figura dos criadores.
A licença Creative Commons está dentro de uma política de governo, de democratização do acesso ao conhecimento e à cultura. Tem respaldo na política externa praticada pelo Itamaraty, crítica da lei de direitos autorais aprovada pelo país. Ela é usada em vários órgãos da administração federal. A sua retirada contrasta com decisões anteriores que vêm do governo Lula.Um novo elemento complicador
O maestro Marcus Vinicius de Andrade nada mais é que o diretor artístico da CPC-UMES, a mesma entidade/gravadora comandada por Bemfica!
Marcus Vinicius de Andrade é ligado diretamente ao ECAD, através da Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes (AMAR-SOMBRÁS), da qual ele é presidente. à idéia de se criar um órgão para supervisionar o ECAD, proposta discutida durante a gestão de Gilberto Gil e Juca Ferreira no Ministério, o maestro foi veemente:
Além do mais, as associações autorais receiam que, afora o ímpeto controlador característico do atual governo, o MinC esteja querendo avançar nesse setor economicamente relevante para criar mais um cabide de empregos para os aliados do governo (isso fora os 153 mil novos funcionários contratados nos últimos sete anos, cf. Revista Veja n° 2152, de 17/2/2010), fato deplorável que a opinião pública brasileira repudia sumariamente.Sobre a gestão participativa do MinC, mais veneno e já começa a aparecer a tese nacionalista do "estrangeiro" intervindo:
[...]é absolutamente descabido pensar no Estado interferindo na gestão de bens e direitos privados. Se você quer saber, o que eu sou mesmo é defensor do controle do Estado pelos cidadãos...
[...]o MinC sucumbiu ao assembleísmo pueril e preferiu discutir os temas culturais e autorais em “plenárias” de qualificação e legitimidade duvidosas, porque quase sempre compostas por claques de palpiteiros e meros curiosos.
Desse debate apressado e - por que não dizer?- leviano, no qual foram ouvidos até usuários inadimplentes e representantes de interesses estrangeiros desejosos de enfraquecer a relevância autoral do Brasil, saíram as novas ideias do MinC sobre Direito de Autor, inclusive o apregoado projeto de lei autoral (que ainda ninguém viu).
Ele vai além, atacando as políticas adotadas, como pro exemplo o compartilhamento de conehcimento em um discurso que mistura teorias pseudo-marxistas e dependentistas com a defesa do direito autoral, que inibe o conhecimento:
[...] foi extremamente negativo ver o MinC de Gil abraçando ideias de fundo neoliberal, como a flexibilização dos direitos dos cidadãos, a cultura da (falsa) "gratuidade", a informalidade na produção da cultura, a desmonetização dos bens e serviços culturais, etc.
Um país como o Brasil, que é produtor de cultura, que já foi o 6° mercado discográfico do mundo e que tem uma música popular reconhecida e valorizada internacionalmente, não pode dar-se à leviandade de jogar essa riqueza por terra para assumir uma postura coitadinha, despossuída, como se fosse um país de Terceiro Mundo em que a cultura só pode circular se estiver desprovida de valor econômico. Não dá pra aceitar essa cultura de camelô, que flerta com a informalidade, com a pirataria e até com a contravenção, tudo isso sob o pretexto de facilitar o acesso das comunidades ao conhecimento.
O maestro ainda diz defender a Lei HADOPI, que criminaliza e ameaça com corte da internet o usuário que baixa conteúdo sob proteção de direitos autorais, sempre tentando unir o "direito à propriedade" com um discurso pseudo-marxista transformado para defender a propriedade privada em direito de todos.
Por fim, o maestro finaliza dando a deixa para sua atual posição (ou a posição da ministra Ana de Hollanda) contrária ao uso do Creative Commons (grifo meu):
O grande conflito está em que temos, de um lado, as grandes corporações da indústria cultural, que lutam para ter “conteúdo de graça” para aumentar seus lucros e o valor de seus acervos no mercado; para isso, elas contam com o apoio ideológico de modelos supostamente inovadores (como o Creative Commons e outros), que visam tão-somente atrair os criadores incautos a ceder seus direitos e irem quietinhos para a boca do lobo; de outro lado, temos os criadores e produtores culturais, que necessitam ter a justa recompensa pelo uso de suas obras/produtos numa nova realidade cada vez mais capitalizada, onde tudo pode ser virtual – menos o dinheiro!
Não é surpresa, dada a posição anti-Creative Commons e pró ECAD do maestro que o mesmo tenha preparado manifesto em defesa da Ministra.Estranho apenas é sua ligação com a gravadora da ministra (CPC-UMES), comandada pelo MR8 de Valério Bemfica (ele mesmo responsável pela gravadora) que agora escreve textos atacando opositores de Ana de Hollanda.
Conclusão e hipóteses
Não é preciso, enfim, um grande esforço para notar que não é coincidência o fato do jornal A Hora do Povo, do minúsculo PPL/MR8, ter sido usado para atacar os defensores do Creative Commons.
Ana de Hollanda pertence à mesma gravadora comandada por um membro do Comitê Central do MR8 - autor do texto anti-CC - e cujo diretor artístico é o responsável pelo manifesto em sua defesa.
São no mínimo suspeitas estas ligações diretas entre a Ministra e um partido cuja gravadora (comandada via movimento estudantil) faz franca defesa de suas posições. Podemos estar diante de um flagrante sequestro de uma organização estudantil usada para fins particulares e de uma política suja de ataques velados através de laranjas e da defesa interessada da ministra.
Resta saber quem foi o mandante, o responsável por encomendar o texto e o manifesto. Até que ponto a ministra está envolvida. Seja como for, é preocupante que Ana de Hollanda se valha, direta ou indiretamente, deste tipo de artifício para tentar atacar seus opositores. Esta novidade apenas reforça nossa campanha que exige e saída imediata da ministra, que vem demolindo tudo que foi construído por Gil e Juca.
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Este texto contou com a inestimável contribuição de Sergio Pacheco (@sergiorauber) e Bruno Cava (@BrunoCava ).
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Ministra Ana de Hollanda desmascarada: A política suja ministerial
2011-02-11T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
The Angry Brazilian na TV Cultura - Os vídeos
Os vídeos das 4 partes do programa e, primeiro, o especial que foi ao ar só pela internet com 15 minutos em que discuto também a ALTERCOM e o Global Voices Online, além de outros projetos.
TV Cultura - YouLog from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Parte 1:
TV Cultura - Login from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Parte2:
TV Cultura - Login from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Parte3:
TV Cultura - Login from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Parte4:
TV Cultura - Login from Raphael Tsavkko on Vimeo.
TV Cultura - YouLog from Raphael Tsavkko on Vimeo.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
The Angry Brazilian hoje na TV Cultura [Update2]
Meus camaradas e minhas camaradas, hoje pagarei o mico do ano e participarei ao vivo de um debate no programa Login da TV Cultura entre 19-20h onde falarei - ou engasgarei - sobre "o ativismo político dos jovens".
Aos que quiserem rir um pouco, recomendo que assistam!=P
Ao @caribe que me colocou nesta fria... Deixa pra lá!=)
Mas falando sério, não sei quanto tempo terei para falar, segundo informações que me passaram duas diretoras do programa, o debate deve durar uns 20 minutos e outras duas pessoas estarão presentes - uma delas algum diretor ou o presidente da UBES - então o tempo é escasso para um debate aprofundado.
Mas minha linha de raciocínio, já adianto, é a de que os jovens de hoje são sim extremamente alienados. Na minha visão, sem qualquer estudo aprofundado ou números, os jovens estão muito mais alienados e distantes da política que no passado e hoje são presas fáceis para a falsa-política, como o caso do Fora Sarney, por exemplo. Sub-celebridades hoje conseguem mobilizar - manipular - a juventude melhor que muitos partidos ou organizações e a apatia impera.
Se tiver tempo eu tentarei dar as razões que, para mim, são três:
Primeiro, a falta de uma quebra real, de uma mudança profunda na política e na sociedade após o fim da Ditadura. O Brasil não teve uma real ruptura com o passado, as mesmas elites, os mesmos políticos que deram sustentação à ditadura continuam no poder, sem terem sofrido nada. A isto somem o fato dos militares - TODOS - terem escapado ilesos.
Torturadores, assassinos, ditadores, nenhum jamais sofreu nada e a estrutura das forças armadas permanece lotada de assassinos e criminosos, assim como a PM que dispensa apresentações. A não-condenação da tortura de ontem legitima a de hoje. A sensação de que toda a luta política e armada durante o regime ditatorial não serviu para mudar muitas coisas existe. Toda uma geração que era jovem na época da ditadura se desanimou e isto criou uma cultura própria de apatia e alienação que foi se perpetuando.
Segundo, a impunidade, o judiciário e a corrupção. Uma tríade que não se separa. Um judiciário político e ineficiente que ajuda a perpetuar a idéia de que só pobre vai preso, uma classe política corrupta - o que não difere de meio mundo -, mas uma impunidade galopante. Todos sabemos quem são os ladrões, mas a justiça parece que nunca tem a mesma visão. Há uma sensação generalizada de que TODOS os políticos são corruptos e jamais serão condenados, isto leva, também à apatia. Para que votar em quem vai roubar? São todos canalhas!
E, terceiro, e hoje talvez o mais importante, a mídia. Não é a toa que PHA chama a grande mídia de PIG, Partido da Imprensa Golpista. A mídia hoje - e ontem - não propicia o debate, não informa e sim deforma.
A mídia age como um partido, influencia negativamente o debate que ainda existe, mente, descaracteriza e apenas contribui para que a alienação seja ainda maior ao coibir o debate, a troca de idéias e ao não mostrar a verdade dos fatos nem pressionar para que a verdade venha a tona. Os escândalos são sempre os da oposição, os corruptos são sempre os inimigos, a justiça nunca funciona apenas para os inimigos e por aí vai.
E nem penso em entrar na questão das famílias mafiosas donas dos jornais e o fato de que os políticos em grande parte são donos das mesmas ou fortemente ligados à elas!
Claro que existme outras razões, mas acredito que estas três sintetizem o principal.
Se terei tempo para tanto, não sei, mas gostaria ainda de citar a ALTERCOM e lembrar que os Blogs são, hoje, o melhor contraponto tanto à mídia quanto à generalizada apatia e dar o caso do AI5Digital como exemplo de mobilização política que mostra que, mesmo com todo pessimismo, ainda há esperança.
Opiniões, comentários, xingamentos?=)
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Os vídeos do debate de hoje, os quatro blocos completos:
Bloco 1: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24506
Bloco 2: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24520
Bloco 3: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24522
Bloco 4: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24523
Mais tarde - ou amanhã - deve sair o vídeo que só foi ao ar pela internet, o YouLog, postarei assim que sair!=) Nele consegui falar sobre o Global Voices Online e sobre a fundação da ALTERCOM.
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Update 2:
Saiu o vídeo do YouLog que foi feito apenas para a internet onde discutimos mais sobre a participação dos jovens e eu falo da ALTERCOM e do Global Voices Online: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/programaparalelo/0000-00-00/24543
PS: Se alguém conseguir descobrir como fazer o download dos vídeos da Cultura eu agradeço porque não teve jeito de baixar e pôr no Youtube!
Aos que quiserem rir um pouco, recomendo que assistam!=P
Ao @caribe que me colocou nesta fria... Deixa pra lá!=)
Mas falando sério, não sei quanto tempo terei para falar, segundo informações que me passaram duas diretoras do programa, o debate deve durar uns 20 minutos e outras duas pessoas estarão presentes - uma delas algum diretor ou o presidente da UBES - então o tempo é escasso para um debate aprofundado.
Mas minha linha de raciocínio, já adianto, é a de que os jovens de hoje são sim extremamente alienados. Na minha visão, sem qualquer estudo aprofundado ou números, os jovens estão muito mais alienados e distantes da política que no passado e hoje são presas fáceis para a falsa-política, como o caso do Fora Sarney, por exemplo. Sub-celebridades hoje conseguem mobilizar - manipular - a juventude melhor que muitos partidos ou organizações e a apatia impera.
Se tiver tempo eu tentarei dar as razões que, para mim, são três:
Primeiro, a falta de uma quebra real, de uma mudança profunda na política e na sociedade após o fim da Ditadura. O Brasil não teve uma real ruptura com o passado, as mesmas elites, os mesmos políticos que deram sustentação à ditadura continuam no poder, sem terem sofrido nada. A isto somem o fato dos militares - TODOS - terem escapado ilesos.
Torturadores, assassinos, ditadores, nenhum jamais sofreu nada e a estrutura das forças armadas permanece lotada de assassinos e criminosos, assim como a PM que dispensa apresentações. A não-condenação da tortura de ontem legitima a de hoje. A sensação de que toda a luta política e armada durante o regime ditatorial não serviu para mudar muitas coisas existe. Toda uma geração que era jovem na época da ditadura se desanimou e isto criou uma cultura própria de apatia e alienação que foi se perpetuando.
Segundo, a impunidade, o judiciário e a corrupção. Uma tríade que não se separa. Um judiciário político e ineficiente que ajuda a perpetuar a idéia de que só pobre vai preso, uma classe política corrupta - o que não difere de meio mundo -, mas uma impunidade galopante. Todos sabemos quem são os ladrões, mas a justiça parece que nunca tem a mesma visão. Há uma sensação generalizada de que TODOS os políticos são corruptos e jamais serão condenados, isto leva, também à apatia. Para que votar em quem vai roubar? São todos canalhas!
E, terceiro, e hoje talvez o mais importante, a mídia. Não é a toa que PHA chama a grande mídia de PIG, Partido da Imprensa Golpista. A mídia hoje - e ontem - não propicia o debate, não informa e sim deforma.
A mídia age como um partido, influencia negativamente o debate que ainda existe, mente, descaracteriza e apenas contribui para que a alienação seja ainda maior ao coibir o debate, a troca de idéias e ao não mostrar a verdade dos fatos nem pressionar para que a verdade venha a tona. Os escândalos são sempre os da oposição, os corruptos são sempre os inimigos, a justiça nunca funciona apenas para os inimigos e por aí vai.
E nem penso em entrar na questão das famílias mafiosas donas dos jornais e o fato de que os políticos em grande parte são donos das mesmas ou fortemente ligados à elas!
Claro que existme outras razões, mas acredito que estas três sintetizem o principal.
Se terei tempo para tanto, não sei, mas gostaria ainda de citar a ALTERCOM e lembrar que os Blogs são, hoje, o melhor contraponto tanto à mídia quanto à generalizada apatia e dar o caso do AI5Digital como exemplo de mobilização política que mostra que, mesmo com todo pessimismo, ainda há esperança.
Opiniões, comentários, xingamentos?=)
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Os vídeos do debate de hoje, os quatro blocos completos:
Bloco 1: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24506
Bloco 2: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24520
Bloco 3: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24522
Bloco 4: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-04-12/24523
Mais tarde - ou amanhã - deve sair o vídeo que só foi ao ar pela internet, o YouLog, postarei assim que sair!=) Nele consegui falar sobre o Global Voices Online e sobre a fundação da ALTERCOM.
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Update 2:
Saiu o vídeo do YouLog que foi feito apenas para a internet onde discutimos mais sobre a participação dos jovens e eu falo da ALTERCOM e do Global Voices Online: http://www.tvcultura.com.br/login/videos/programaparalelo/0000-00-00/24543
PS: Se alguém conseguir descobrir como fazer o download dos vídeos da Cultura eu agradeço porque não teve jeito de baixar e pôr no Youtube!
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domingo, 22 de novembro de 2009
Apontamentos sobre o Forum de Cultura Digital Brasileiro #CulturaDigitalBR
De início, posso afirmar que o saldo do fórum foi extremamente positivo. Não tenho por objetivo analisar mesa-a-mesa ou intervenção-a-intervenção senão tentar compreender o quadro geral de todo o processo de discussão e resoluções aprovadas e discutidas.
Mas cabem algumas críticas..
Em primeiro momento salta aos olhos que todos os presentes, basicamente, concordavam entre si.
Discordâncias pontuais são normais e previstas, mas no geral o Fórum agregou pessoas que pensavam de forma semelhante, sem oposições graves ou grandes discordâncias. E na minha visão isto é um problema. Não há grandes dificuldades em se aprovar uma resolução, um documento, em se propor marcos e regulações e manifestos sem que haja real oposição e embate de idéias.
Claro, o objetivo do Fórum era de fato agregar quem pensava de forma semelhante, contra a censura, o controle da internet e afins mas, ainda assim, faz falta a opinião contrária e o debate de pontos polêmicos com quem está do outro lado.
E, quando falo "outro lado" não preciso ir muito longe. Se do "nosso" lado encontramos o Ministério da Cultura, que se empenhou bravamente em tocar este projeto e em debater com a sociedade, do outro temos o Ministério das Comunicações, do Ministro Hélio "Telefônica" Costa e sua ANATEL, exemplo máximo da inutilidade das agências (des)regulatórias.
Enfim, o fórum foi o ambiente ideal para troca de experiências, para o bom e velho "networking", para o encontro do núcleo de cibermilitantes engajados em derrotar o projeto Azeredo, em derrotar Serra, o DemoTucanato e seus governo-farsas, em derrotar aqueles que querem censurar e controlar a internet e destruir o país e acabar com nossa liberdade.
Como fórum de debates, faltou talvez o debate. Ao menos nas grandes conferências o que vimos foram várias apresentações de diferentes grupos que atuam nas mais diferentes frentes de militância, mas foi do lado de fora do auditório, nas conversas entre a militância que encontramos realmente o real valor do fórum.
Algo ainda me pegou de surpresa, a fraca presença na maior parte do fórum. De fato uma parte significativa da militância esteve presente, além de indivíduos de estados mais afastados que contribuíram de forma exemplar aos debates off-forum, mas no geral eu esperava uma presença maior não só dos que costumam trabalahr na área mas de outros interessados no assunto e até mesmo desavisados.
Talvez a dificuldade de acesso ao local tenha sido um fator preponderante, nunca saberemos.
Mas, por fim, fiquei com um certo desconforto ao fim do Fórum. Recebemos livros, camisa, esperança, vimos excelentes palestras, trocamos muita experiência, contatos e etc mas... Não deixo de achar que o entusiasmo em certos assuntos era exagerado. As promessas grandes demais, talvez um ufanismo exagerado - típico do Brasil, aliás - em alguns pontos que podem prejudicar a luta pela liberdade na internet, pela ampliação da infra-estrutura e nos embates contra azeredos e corja semelhante.
Muito ficou centralizado nas mãos do governo, muitas promessas... Devemos ter esperança mas até quando, até onde?
Qual o real poder do governo em levar adiante todas as nossas propostas e reivindicações? Está o governo disposto a discutir seriamente a questão da pirataria, do copyright? Irão levar em conta nossas posições e não a pressão de outros países, de instituições e empresas? Até onde vai nosso poder, do MinC e até onde vai a vontade de todos os atores governamentais em fazer mais que falar?
Pressão constante, observação próxima e sempre alertas para pressionar e garantir que a infra-estrutura saia do papel, para que as verbas existam e sejam aplicadas e, enfim, vigilância constante contra quem nos vigia ou quer nos vigiar.
O positivo, dentro outros, foi a demonstração por parte de setores do governo em realmente fazer alguma coisa, em se engajar. E, ainda mais importante, foi a demonstração de que existe uma rede - e que está sendo ampliada - de indivíduos, sejam eles acadêmicos, estudantes, ciberativistas e etc, realmente ligada e atenta às questões mais diversas do mundo digital e da cultura digital.
Mais importante que notar a disputa no governo e que temos sim aliados, é a de que podemos, enquanto sociedade, nos organizar e implementar mudanças, podemos nós mesmos construir nossa rede e pressionar - nossa vitória contra o Azeredo é um exemplo - sem a necessidade de mais ninguém. Ajuda sempre é bem vinda, mas sempre de olhos abertos e preparados para atitudes como as do Senador Mercadante que de crítico do AI5Digital acabou por apoiá-lo.
O saldo final foi positivo, mas não devemos nos perder, achar que a batalha está ganha, ou melhor, a guerra, e nem que o governo irá dar passos maiores do que os que nós podemos, enquanto sociedade, enquanto militantes, dar.
Mas cabem algumas críticas..
Em primeiro momento salta aos olhos que todos os presentes, basicamente, concordavam entre si.
Discordâncias pontuais são normais e previstas, mas no geral o Fórum agregou pessoas que pensavam de forma semelhante, sem oposições graves ou grandes discordâncias. E na minha visão isto é um problema. Não há grandes dificuldades em se aprovar uma resolução, um documento, em se propor marcos e regulações e manifestos sem que haja real oposição e embate de idéias.
Claro, o objetivo do Fórum era de fato agregar quem pensava de forma semelhante, contra a censura, o controle da internet e afins mas, ainda assim, faz falta a opinião contrária e o debate de pontos polêmicos com quem está do outro lado.
E, quando falo "outro lado" não preciso ir muito longe. Se do "nosso" lado encontramos o Ministério da Cultura, que se empenhou bravamente em tocar este projeto e em debater com a sociedade, do outro temos o Ministério das Comunicações, do Ministro Hélio "Telefônica" Costa e sua ANATEL, exemplo máximo da inutilidade das agências (des)regulatórias.
Enfim, o fórum foi o ambiente ideal para troca de experiências, para o bom e velho "networking", para o encontro do núcleo de cibermilitantes engajados em derrotar o projeto Azeredo, em derrotar Serra, o DemoTucanato e seus governo-farsas, em derrotar aqueles que querem censurar e controlar a internet e destruir o país e acabar com nossa liberdade.
Como fórum de debates, faltou talvez o debate. Ao menos nas grandes conferências o que vimos foram várias apresentações de diferentes grupos que atuam nas mais diferentes frentes de militância, mas foi do lado de fora do auditório, nas conversas entre a militância que encontramos realmente o real valor do fórum.
Algo ainda me pegou de surpresa, a fraca presença na maior parte do fórum. De fato uma parte significativa da militância esteve presente, além de indivíduos de estados mais afastados que contribuíram de forma exemplar aos debates off-forum, mas no geral eu esperava uma presença maior não só dos que costumam trabalahr na área mas de outros interessados no assunto e até mesmo desavisados.
Talvez a dificuldade de acesso ao local tenha sido um fator preponderante, nunca saberemos.
Mas, por fim, fiquei com um certo desconforto ao fim do Fórum. Recebemos livros, camisa, esperança, vimos excelentes palestras, trocamos muita experiência, contatos e etc mas... Não deixo de achar que o entusiasmo em certos assuntos era exagerado. As promessas grandes demais, talvez um ufanismo exagerado - típico do Brasil, aliás - em alguns pontos que podem prejudicar a luta pela liberdade na internet, pela ampliação da infra-estrutura e nos embates contra azeredos e corja semelhante.
Muito ficou centralizado nas mãos do governo, muitas promessas... Devemos ter esperança mas até quando, até onde?
Qual o real poder do governo em levar adiante todas as nossas propostas e reivindicações? Está o governo disposto a discutir seriamente a questão da pirataria, do copyright? Irão levar em conta nossas posições e não a pressão de outros países, de instituições e empresas? Até onde vai nosso poder, do MinC e até onde vai a vontade de todos os atores governamentais em fazer mais que falar?
Pressão constante, observação próxima e sempre alertas para pressionar e garantir que a infra-estrutura saia do papel, para que as verbas existam e sejam aplicadas e, enfim, vigilância constante contra quem nos vigia ou quer nos vigiar.
O positivo, dentro outros, foi a demonstração por parte de setores do governo em realmente fazer alguma coisa, em se engajar. E, ainda mais importante, foi a demonstração de que existe uma rede - e que está sendo ampliada - de indivíduos, sejam eles acadêmicos, estudantes, ciberativistas e etc, realmente ligada e atenta às questões mais diversas do mundo digital e da cultura digital.
Mais importante que notar a disputa no governo e que temos sim aliados, é a de que podemos, enquanto sociedade, nos organizar e implementar mudanças, podemos nós mesmos construir nossa rede e pressionar - nossa vitória contra o Azeredo é um exemplo - sem a necessidade de mais ninguém. Ajuda sempre é bem vinda, mas sempre de olhos abertos e preparados para atitudes como as do Senador Mercadante que de crítico do AI5Digital acabou por apoiá-lo.
O saldo final foi positivo, mas não devemos nos perder, achar que a batalha está ganha, ou melhor, a guerra, e nem que o governo irá dar passos maiores do que os que nós podemos, enquanto sociedade, enquanto militantes, dar.
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sábado, 22 de agosto de 2009
O "valor" da cultura no Brasil: Livros, espera eterna e preços abusivos
O artigo abaixo tem por objetivo servir não só de desabafo e demonstrar uma certa revolta com nossa maravilhosa indústria cultural (sic), mas também denunciar a falta de respeito com o consumidor no que concerne os prazos absurdos para a tradução de um livro, a demora em lançar títulos estrangeiros, e, acima de tudo, os preços abusivos praticados que impossibilitam a compra de um livro por boa - senão a franca maioria - da população brasileira.
Há algumas horas recebi um e-mail da Editora Record me informando da possibilidade de encomendar o mais novo livro de um dos meus autores favoritos, Robin Cook - "Estado Crítico".
Nada fora do normal - até pensei "excelente, eu queria mesmo ler este livro há eras!" -, se não fosse um simples fato: O livro já havia sido lançado há mais de 2 anos nos EUA e o anterior - "Crisis", de 2006 - sequer foi lançado no Brasil, mais de 3 anos depois do lançamento lá fora.
Qual foi a decisão editorial da Record? Não faço idéia, mas é estúpido e um desrespeito com o consumidor. Eu, por exemplo, compro todos os livros do autor e realmente acho um desrespeito a idéia de "pular" uma lançamento. Nem quero imaginar quando chegará ao Brasil seu último livro lançado este mês nos States, "Intervention": chuto 2015!
Já é costume a demora absurda no lançamento de livros estrangeiros no país, não surpreende que um livro de outro autor muito interessante, Edward Rutherfurd, esteja demorando já quase 4 anos para ser lançado (detalhe, é a segunda parte de uma saga, sobre Dublin, na Irlanda, ou seja, é de se esperar uma certa continuidade e não o esquecimento).
Não vejo como o problema possa ser reduzido à dificuldades na tradução, falta de tempo ou coisa do tipo. Não é uma desculpa aceitável, afinal, se uma equipe de leigos, de fãs, consegue em menos de um mês traduzir um calhamaço como os livros do Harry Potter, alguém me explica porque uma tradutora ou um tradutor profissional leva 6 meses ou mais?
Se fãs que tem um inglês "ok" traduzem um livro em um mês ou menos, como se explica que tradutores profissionais levem meses e, no caso dos livros do Robin Cook, Edward Rutherfurd e outros, até 2 anos - se tomarmos a tradução como maior empecilho ao lançamento!?
Mas o que realmente me surpreendeu foi a disparidade absurda de preços entre a edição nacional e a edição americana, no caso do livro do Robin Cook, mas o exemplo serve para quase todas as publicações nacionais.
Que cultura neste país seja cara é uma coisa, mas pagar quase o dobro por um produto nacional é simplesmente ridículo.
Comparem o preço da edição brasileira (42,90) com a americana (25,90), estamos falando de quase 20 reais de diferença! É mais barato importar um livro, pela mesma Livraria Saraiva, que comprar a edição nacional, que está na loja aqui do lado de casa - Frete incluso!!!
Caso eu não queira esperar algumas 4-6 semanas pelo livro posso comodamente ir até o site da Amazon e em até 15 dias receber o livro, pagando em dólar, mas, ainda assim, o livro sai mais barato que seu irmão nacional! Lá fora, na Amazon, o livro custa $9,99 e mesmo com o custo de envio, que sequer chega aos $5 dólares, ainda sai mais em conta comprar direto dos EUA. E eu poderia ter lido o livro há 2 anos!
Podem até falar que os impostos no país são altos demais - não estarão mentindo, são abusivos - mas é considerar o consumidor um imbecil afirmar que este valor é o mínimo que podem praticar para ter um lucro decente.
Basta esperar alguns meses e notamos que o valor dos livros costuma baixar consideravelmente; Ou, ainda, basta aos consumidores esperar pelas promoções das grandes livrarias e comprar livros com descontos que chegam aos 60, 70%. Oras, se em épocas de promoção as livrarias e editoras conseguem praticamente se livrar de livros que outrora custavam 40, 50 reais ou até mais, então porque vendem à preços tão abusivos para começo de conversa?
Está claro que não só as livrarias como as editores querem ganhar o máximo que puderem e, para o consumidor, sobra o prejuízo. Isso quando alguém resolve realmente comprar o livro!
Não é a toa que os críticos do Vale-Cultura proposto pelo governo federal - dentre os sérios e decentes, claro - tenham notado que, com 50 reais de "ajuda" seria quase impossível comprar mais que um livro, por exemplo.
Uma ajuda de 50 reais tornaria impossível sequer a compra de um livro e uma ida ao cinema no mesmo mês, por exemplo. Não que 50 reais seja pouco, na verdade o preço de um livro é que é simplesmente abusivo no país. Porque será que nos EUA, por exemplo, o valor de capa é absurdamente mais baixo do que aqui? E isto vale mesmo para livros de autores nacionais - são caros no geral -, não cabe desculpa de ter que pagar tradutor e etc.
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Para uma excelente e irretocável análise sobre o Vale Cultura vale visitar o blog Cinema & Outras artes.
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As editoras reclamam de crise, de que vendem pouco, em parte podemos realmente afirmar que o brasileiro não tem o costume de ler mas, até que ponto este é o problema? Será que o preço atual dos livros não impede que boa parte da população tenha acesso à leitura? Enfim, é o brasileiro que não gosta de ler ou ele não pode ler?
Será que o problema é a falta crônica de leitura do brasileiro ou o preço impagável para a maior parte da população?
Canso de ver pessoas mais humildes no metrô que pego diariamente para o trabalho e do trabalho para casa com livros nas mãos, a franca maioria com etiquetas de bibliotecas. E não falo de auto-ajuda ou inutilidades engana-trouxa do tipo. Será que não comprariam caso o preço de um livro fosse decente? Acessível?
Não é crível que uma livraria ou uma editora tenham prejuízo na venda de um produto, se o fizessem iriam à falência, logo, se uma livraria pode vender um livro por 30% do seu preço de capa normal passados alguns meses do lançamento de um livro, então seus lucros são simplesmente abusivos, e em cima de nós, consumidores.
Me lembro agora da excelente Feira do Livro da USP onde as editoras vendem seus livros com 50% de desconto pelo menos. E ainda assim, obviamente, tem lucro.
É uma questão simples de matemática e capitalismo, se as editoras cobram na Feira 50% do valor normal por um livro - por valor "normal" levemos em consideração o preço praticado pelas livrarias - então as livrarias garantem, pelo menos, 50% de lucro sobre o valor que compram das editoras!
E isso se acreditarmos que uma livraria compre um livro pelo valor que compramos na Feira, o que não é verdade, sem dúvida compram bem mais barato dada a quantidade que devem pedir a cada lançamento.
O lucro de uma livraria é, enfim, de pelo menos, por baixo, 50%!
Aliás, segundo este artigo aqui, o lucro das livrarias chega aos 100% quando os livros são vendidos naquela "bonita livraria, com café e internet, música ambiente e tudo o mais". Leitura recomendada.
E não podemos nos esquecer ainda que uma Editora lança uma tiragem gigantesca sabendo que boa parte vai encalhar, mas pouco importa, ela já tirou seu lucro. A livraria faz o mesmo, compra uma quantidade imensa (ou recebe em consignação), encalha mas já vendeu os demais por um preço altíssimo.
Até quando nós, trouxas, ops, consumidores, iremos pagar um valor abusivo para ter acesso à cultura? Já não basta a ameaça à meia-entrada em cinemas, os valores risíveis para shows internacionais e o preço caríssimo nas sessões de cinema?
Cultura, no Brasil, é algo inalcançável para grande parte da população e não vai ser com "Vales" - por mais louvável que seja a iniciativa - que a coisa vai melhorar, senão com uma política de proibir/limitar lucros exorbitantes e abusos contra o consumidor.
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Artigo originalmente publicado no Trezentos: www.trezentos.blog.br
Há algumas horas recebi um e-mail da Editora Record me informando da possibilidade de encomendar o mais novo livro de um dos meus autores favoritos, Robin Cook - "Estado Crítico".
Nada fora do normal - até pensei "excelente, eu queria mesmo ler este livro há eras!" -, se não fosse um simples fato: O livro já havia sido lançado há mais de 2 anos nos EUA e o anterior - "Crisis", de 2006 - sequer foi lançado no Brasil, mais de 3 anos depois do lançamento lá fora.
Qual foi a decisão editorial da Record? Não faço idéia, mas é estúpido e um desrespeito com o consumidor. Eu, por exemplo, compro todos os livros do autor e realmente acho um desrespeito a idéia de "pular" uma lançamento. Nem quero imaginar quando chegará ao Brasil seu último livro lançado este mês nos States, "Intervention": chuto 2015!
Já é costume a demora absurda no lançamento de livros estrangeiros no país, não surpreende que um livro de outro autor muito interessante, Edward Rutherfurd, esteja demorando já quase 4 anos para ser lançado (detalhe, é a segunda parte de uma saga, sobre Dublin, na Irlanda, ou seja, é de se esperar uma certa continuidade e não o esquecimento).
Não vejo como o problema possa ser reduzido à dificuldades na tradução, falta de tempo ou coisa do tipo. Não é uma desculpa aceitável, afinal, se uma equipe de leigos, de fãs, consegue em menos de um mês traduzir um calhamaço como os livros do Harry Potter, alguém me explica porque uma tradutora ou um tradutor profissional leva 6 meses ou mais?
Se fãs que tem um inglês "ok" traduzem um livro em um mês ou menos, como se explica que tradutores profissionais levem meses e, no caso dos livros do Robin Cook, Edward Rutherfurd e outros, até 2 anos - se tomarmos a tradução como maior empecilho ao lançamento!?
Mas o que realmente me surpreendeu foi a disparidade absurda de preços entre a edição nacional e a edição americana, no caso do livro do Robin Cook, mas o exemplo serve para quase todas as publicações nacionais.
Que cultura neste país seja cara é uma coisa, mas pagar quase o dobro por um produto nacional é simplesmente ridículo.
Comparem o preço da edição brasileira (42,90) com a americana (25,90), estamos falando de quase 20 reais de diferença! É mais barato importar um livro, pela mesma Livraria Saraiva, que comprar a edição nacional, que está na loja aqui do lado de casa - Frete incluso!!!
Caso eu não queira esperar algumas 4-6 semanas pelo livro posso comodamente ir até o site da Amazon e em até 15 dias receber o livro, pagando em dólar, mas, ainda assim, o livro sai mais barato que seu irmão nacional! Lá fora, na Amazon, o livro custa $9,99 e mesmo com o custo de envio, que sequer chega aos $5 dólares, ainda sai mais em conta comprar direto dos EUA. E eu poderia ter lido o livro há 2 anos!
Podem até falar que os impostos no país são altos demais - não estarão mentindo, são abusivos - mas é considerar o consumidor um imbecil afirmar que este valor é o mínimo que podem praticar para ter um lucro decente.
Basta esperar alguns meses e notamos que o valor dos livros costuma baixar consideravelmente; Ou, ainda, basta aos consumidores esperar pelas promoções das grandes livrarias e comprar livros com descontos que chegam aos 60, 70%. Oras, se em épocas de promoção as livrarias e editoras conseguem praticamente se livrar de livros que outrora custavam 40, 50 reais ou até mais, então porque vendem à preços tão abusivos para começo de conversa?
Está claro que não só as livrarias como as editores querem ganhar o máximo que puderem e, para o consumidor, sobra o prejuízo. Isso quando alguém resolve realmente comprar o livro!
Não é a toa que os críticos do Vale-Cultura proposto pelo governo federal - dentre os sérios e decentes, claro - tenham notado que, com 50 reais de "ajuda" seria quase impossível comprar mais que um livro, por exemplo.
Uma ajuda de 50 reais tornaria impossível sequer a compra de um livro e uma ida ao cinema no mesmo mês, por exemplo. Não que 50 reais seja pouco, na verdade o preço de um livro é que é simplesmente abusivo no país. Porque será que nos EUA, por exemplo, o valor de capa é absurdamente mais baixo do que aqui? E isto vale mesmo para livros de autores nacionais - são caros no geral -, não cabe desculpa de ter que pagar tradutor e etc.
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Para uma excelente e irretocável análise sobre o Vale Cultura vale visitar o blog Cinema & Outras artes.
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As editoras reclamam de crise, de que vendem pouco, em parte podemos realmente afirmar que o brasileiro não tem o costume de ler mas, até que ponto este é o problema? Será que o preço atual dos livros não impede que boa parte da população tenha acesso à leitura? Enfim, é o brasileiro que não gosta de ler ou ele não pode ler?
Será que o problema é a falta crônica de leitura do brasileiro ou o preço impagável para a maior parte da população?
Canso de ver pessoas mais humildes no metrô que pego diariamente para o trabalho e do trabalho para casa com livros nas mãos, a franca maioria com etiquetas de bibliotecas. E não falo de auto-ajuda ou inutilidades engana-trouxa do tipo. Será que não comprariam caso o preço de um livro fosse decente? Acessível?
Não é crível que uma livraria ou uma editora tenham prejuízo na venda de um produto, se o fizessem iriam à falência, logo, se uma livraria pode vender um livro por 30% do seu preço de capa normal passados alguns meses do lançamento de um livro, então seus lucros são simplesmente abusivos, e em cima de nós, consumidores.
Me lembro agora da excelente Feira do Livro da USP onde as editoras vendem seus livros com 50% de desconto pelo menos. E ainda assim, obviamente, tem lucro.
É uma questão simples de matemática e capitalismo, se as editoras cobram na Feira 50% do valor normal por um livro - por valor "normal" levemos em consideração o preço praticado pelas livrarias - então as livrarias garantem, pelo menos, 50% de lucro sobre o valor que compram das editoras!
E isso se acreditarmos que uma livraria compre um livro pelo valor que compramos na Feira, o que não é verdade, sem dúvida compram bem mais barato dada a quantidade que devem pedir a cada lançamento.
O lucro de uma livraria é, enfim, de pelo menos, por baixo, 50%!
Aliás, segundo este artigo aqui, o lucro das livrarias chega aos 100% quando os livros são vendidos naquela "bonita livraria, com café e internet, música ambiente e tudo o mais". Leitura recomendada.
Resumo da ópera: livro no Brasil é caro porque as livrarias apelam nos preços, e temos o nosso próprio paperback, que chamamos de capa-mole, que é muito melhor, em termos de qualidade, do que o paperback norte-americano.
E não podemos nos esquecer ainda que uma Editora lança uma tiragem gigantesca sabendo que boa parte vai encalhar, mas pouco importa, ela já tirou seu lucro. A livraria faz o mesmo, compra uma quantidade imensa (ou recebe em consignação), encalha mas já vendeu os demais por um preço altíssimo.
Até quando nós, trouxas, ops, consumidores, iremos pagar um valor abusivo para ter acesso à cultura? Já não basta a ameaça à meia-entrada em cinemas, os valores risíveis para shows internacionais e o preço caríssimo nas sessões de cinema?
Cultura, no Brasil, é algo inalcançável para grande parte da população e não vai ser com "Vales" - por mais louvável que seja a iniciativa - que a coisa vai melhorar, senão com uma política de proibir/limitar lucros exorbitantes e abusos contra o consumidor.
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Artigo originalmente publicado no Trezentos: www.trezentos.blog.br
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