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terça-feira, 31 de março de 2015

"Direitização": De alarmismos à responsabilidade da esquerda

Paulo Arantes, durante o encontro dos seminários de quarta que acontece na FFLCH-USP ao qual fui convidado na semana passada pra expor imagens e impressões sobre a "nova direita" no Brasil: "Vendo o vídeo do Caio eu me lembrei (eu era militante na época) da marcha da família com deus em 64 que também foram bem numerosas e bem impressionantes. Depois do golpe ainda houve uma outra marcha de confraternização. Então é a primeira vez que eu vejo isso vivo novamente em 50 anos. Portanto eu vi a direita desfilando, mas era uma direita que não tem nada a ver com
essa, eram senhoras de salto alto, padres, advogados, donas de casa bem vestidas, com algumas panelas, terço... Aquilo não metia medo em ninguém, uma semana antes do golpe nós ficamos impressionados com o número de pessoas na rua, que dava de 10 a zero no comício da cut do dia 13... Mas era só, o resto não metia medo. Hoje vendo essas imagens que o Caio escolheu, aqui dá medo e a impressão é que a repetição é
muito mais sinistra do que a farsa. E assusta muito mais porque não existe o outro lado, não tem esquerda e nós estamos sozinhos esperando sermos linchados quando dermos a cara pra bater. Estamos sozinhos e por outro lado tem uma energia social solta aí... Bom, isso é uma tese clássica da esquerda européia dos anos 30, do marxismo europeu a respeito do fascismo que diz que: o fascismo é a expressão de uma derrota da esquerda, quando o fascismo surge nos anos20 na Itália é quando a esquerda já perdeu a energia revolucionária. O fascismo era a pulsão plebéia à todo vapor pra acabar com aquilo. Tinha crise, tinha desemprego, tinha humilhação, tinha classe operária desorganizada, tinha guerra, tinha tudo. A massa fascista era uma massa revoltada e por isso ela foi organizada. Se você tem uma massa revoltada, proletária e que vai te massacrar é porque você perdeu. É isso que vai acontecer conosco agora, não há dúvida... A outra coisa que nos dá medo é o que nós perdemos. Todos os "Renans"que estão aí é o que nós perdemos. A gente precisa saber o que faz isso." via Caio Castor, no FB
O comentário do professor Paulo Arantes descrito pelo Caio Castor é alarmista, mas em geral correto.

A leitura geral me parece correta, de fato é mais preocupante uma marcha de direita hoje do que em 64 onde as coisas eram mais demarcadas (pese não poder dizer apenas que a marcha do dia 15 foi só de direita ou majoritariamente pedia ditadura, tinha muita gente mais perdida que carioca em tiroteio), e sem duvida a direita está onde está por culpa da esquerda, que virou direita. 

É claro que, no entanto, não podemos resumir ou reduzir a marcha do dia 15 à "direita", tampouco a "golpismo", mas é fato que uma ampla maioria se não era de direita, subscrevia crítica ou acriticamente ao pensamento dos grupos que convocaram a marcha. Aí está o nó, a direita está liderando o centro.


Sem dúvida muitos ali são disputáveis, mas quem está fazendo esta disputa?

E não quero me repetir, mas é óbvio, o PT é o grande responsável por essa direitização e também pela situação ter chegado a este ponto, mas não só.

Setores da esquerda "radical" também tem responsabilidade, por um discurso descolado do povo, que não consegue dialogar com divergências, não conseguem dialogar sobre pautas específicas com a maioria da população (oras, não conseguem discutir entre si! É um tal de jogar pedra à mínima discordância...). Mas, enfim, a culpa é nossa enquanto esquerda, seja da que se vendeu, seja da que não consegue dialogar, seja da que se limita a ver o barco passar.


É difícil pensar em um caminho ou caminhos para superar a atual crise, mas sem dúvida este passa pela total e completa superação do PT. Sem remorso, sem olhar pra trás. E, claro, pelo combate franco às forças de direita e fascistas que crescem.

E por "forças de direita e fascistas" não me refiro apenas à grupos pró-Ditadura, que felizmente AINDA são pequenos, mas que devem ser ferozmente combatidos, mas também aos grupos neopentecostais que estão hoje formando exércitos como os Gladiadores do Altar, que saem por aí atacando praticantes de religiões afro e seus centros, perseguindo os discordantes, espalhando medievalismo e ignorância, incutindo ódio religioso e buscando controlar a política brasileira e impor sua visão deturpada de mundo à constituição e à população.

Se estes grupos não forem parados agora, poderemos não ter nova chance no futuro. Se hoje os evangélicos são 20% da população (e os fundamentalistas provavelmente metade disso e obviamente estes são os inimigos) e já praticamente controlam o congresso, imaginem se não forem impedidos de pregar seu ódio.

Mas e o resto da esquerda?

Não faz muito tempo chegou até mim um manifesto em que pese algumas críticas ao PT (e obviamente ao PSDB), não conseguia superar o sentimento enraizado de amor ao PT ou de que se deve algo ao PT, um saudosismo dos tempos de esquerda do partido, uma insistência em não enxergar o óbvio e a realidade e de embarcar no discurso fácil dos fundamentalistas neoPTcostais de que ainda há alguma disputa a ser feita no e pelo partido.

No manifesto, após críticas, o velho morde e assopra. O PT é responsável pela crise da Petrobrás, sem dúvida ~subtraiu~ valores da empresa, MAS (notem o "mas"), o PSDB... Não, meus amigos, não tem "mas". O PSDB se pudesse privatizaria a empresa sem dó e dividiria o lucro com seus amigos (como já o fez em outros caoss), mas o PT vem efetivamente privatizando lentamente a empresa e, no meio tempo, tem se refestelado com ampla corrupção.

Não é uma questão de escolher, é necessário denunciar igualmente AMBOS os partidos e seus respectivos aliados, sem continuar no joguinho de encobrir e escolher o "menos pior". De quebra, o texto ainda busca dar um tom passivo aos atos do PT, como se o partido tivesse sido LENIENTE com os roubos da Petrobrás e não parte ativa, enquanto mandantes, da roubalheira.

A linguagem diz muito. A escolha das palavras é fundamental. Recuar ou buscar de qualquer forma justificar ou acobertar, ou mesmo diminuir, o papel do PT na direitização do país é bater palmas para este processo. Tentar criar alternativas enquanto se passa o pano pro PT equivale a enxugar gelo e até que entendamos isso, é melhor nem insistir, pois todo e qualquer projeto estará fadado ao fracasso.
"(...) Camaradas, reconheçam agora que esse 'mal menor'
Que ano após ano foi usado para afastá-los de qualquer luta
Logo significará ter que aceitar os nazistas.
Mas nas fábricas e nas filas dos desempregados
Vimos a vontade de lutar dos proletários (...)"
Bertolt Brecht, 'Quando o fascismo se tornava cada vez mais forte' In: Poemas 1913-1956, 2000 [1967], p. 95.
Com o perigo de mais uma vez me repetir, fica o apelo: Superem o PT. Parem de justificar, de "entender" os atos do partido. Não fiquem excitados porque no mar de lama surgiu um Janine Ribeiro que, sozinho, irá salvar a pátria. Não, ele não vai.

Não se trata te ~torcer contra~ mas de ser realista. Uma andorinha não faz verão, um Janine Ribeiro não fará a revolução na educação. Se ele conseguir ao menos brecar parte das "reformas" que Dilma vem fazendo ou debatendo até aqui (chegando ao ponto de aventar terceirizar a contratação de professores federais) já será um ganho, mas ainda assim, mais por obra dele que do PT que, sem dúvida, se vendo nas cordas e atacados por todos os lados, da direita à esquerda, resolveu fazer um aceno contando com a boa vontade dos ainda adeptos da tese do mal maior (ou mal menor, para ficarmos com o velho Brecht).

Aceitem de uma vez por todas que não há salvação - a não ser que você acredite na volta de jesus e afins, porque se acredita no PT.... - e vamos construir alternativas antes que seja tarde.
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terça-feira, 15 de abril de 2014

Esquerda versus Direita: O autoritarismo nos aproxima

A existência ate hoje de stalinistas e maoistas é a prova de que setores da esquerda são simplesmente autoritários e não aprendem com a historia.

O socialismo real fracassou não porque o capitalismo é/era mais forte/melhor e sim porque o autoritarismo corrói por dentro. Nos torna iguais ao que combatemos.

Esquerda brasileira nunca será nada e ficará a reboque da piada que é o PT até superar o autoritarismo e o sectarismo arraigados.

É tão inaceitável a defesa de Hitler quanto a de Stalin. De Thatcher quanto de Mao. De Pol Pot quanto de Reagan/Nixon/Bush (pai e filho)/etc, de Franco e por aí vai....

[Não entendam as comparações como lineares, não é um indivíduo contra o outro e sim campos ideológicos opostos, direita e esquerda. E sim, coloco liberais/neoliberais como Thatcher no mesmo bolo que Hitler e cia pelo conjunto final da obra]

A esquerda não se diferencia da direita no autoritarismo, nas desculpas esfarrapadas para promover massacres, limpezas étnicas, limpezas em geral - ou para justificá-las após o fato consumado. Esta esquerda precisa ser extirpada de uma vez por todas, ou sempre repetiremos os erros do passado. Esse papo de louvar Stalin, de fingir que Mao era santo e etc não pode prosseguir.

Oras, enquanto Pol Pot massacrava os Cambojanos (e minorias) parte considerável da esquerda fazia vista grossa ou acusava m "imperialismo" de apenas fazer propaganda. Pois é, não era propaganda.


Como não é propaganda a divulgação dos crimes do regime da Coréia do Norte.

A negação dos crimes do "socialismo real" está no mesmo nível da negação do Holocausto. Assim como a negação dos crimes de sucessivos presidentes dos EUA, de Israel, Thatcher, Franco, Blair e cia.

O autoritarismo é o que aproxima direita e esquerda, é o que norteia certos (e amplos?) setores. É o que precisa urgentemente mudar. Ou muda, ou estaremos fadados a repetir o passado da pior forma possível.
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Da Carta Capital ao PSTU: Os Black Blocs e a Revolução, análise de um equívoco.

Duas interessantes discussões surgiram sobre o papel dos Black Blocs. Uma vem da Carta Capital, a outra do PSTU.

Tenho concordâncias com ambos os textos, na verdade concordância total com o texto da Carta Capital que, inclusive, usei como base para meu texto sobre o mesmo assunto.

O texto da Carta, ao que me parece, escrito pelo André Takahashi se centra mais em explicar os Black Blocs e menos em fazer juízo de valor sobre seu papel/ação. Traz algumas questões que o texto em si não responde, mas deixa no ar.
Como diferenciar o Black Bloc do agente provocador infiltrado, que está na manifestação apenas para criar fatos que justifiquem a repressão? A suspeita sobre os P2 levanta outra questão: até que ponto a violência por parte dos manifestantes serve aos interesses de determinado governo?
Cada caso é um caso, e só nos resta avaliar cada conjuntura com lucidez, a fim de que não sejamos levados a tomar opinião direcionados por interesses ocultos. Formação política, clareza dos objetivos e capacidade de análise de conjuntura serão dos fatores determinantes para o futuro da ação direta urbana no Brasil, seja ela violenta ou não violenta.
E de fato, tenho total convergência com os pontos abordados, ao passo que acredito que meu texto tenha respondido algumas das questões, ao defender abertamente a tática/ideia/movimento Black Bloc enquanto autodefesa, mas negar a utilidade enquanto ataque.

E neste ponto encontro pontos em comum com o texto do PSTU:
Mas queremos dizer, com clareza, que as ações desses grupos nos parecem completamente equivocadas. Os “Black Blocs” defendem a “propaganda pela ação”. Ou seja, defendem a utilização do método das depredações das fachadas de bancos, empresas, lojas de grifes e tudo o que simboliza o capitalismo porque, assim, estariam enfraquecendo o sistema.
Nós, do PSTU, não temos nenhum apreço por essas instituições. Muito pelo contrário. Mas, consideramos que esses métodos não enfraquecem os grandes empresários. Ao contrário, lhes dão um argumento para jogar a opinião pública – e muitos trabalhadores – contra as manifestações e, assim, preparar a repressão. Sua “ação direta” é típica de setores de vanguarda, descolados das massas, que terminam por fazer o jogo da direita, justificando a repressão.
Desta citação discordo do termo "jogo da direita", comumente usado por setores majoritários petistas para deslegitimar a oposição de esquerda. Não cabe aqui. Mas em geral, é o que penso em termos da utilidade da tática ofensiva de ação direta dos Black Blocs.

O texto do PSTU ainda completa este raciocínio, demonstrando como a ação dos Black Blocs por vezes acaba por atrapalhar as manifestações, trazendo para os manifestantes a violência (que chegaria de qualquer forma, mas teria o diferencial importante para a opinião pública do "quem começou primeiro").

Enfim, enquanto o texto da Carta Capital faz uma análise sobre o que é ou são os Black Blocs, o do PSTU os qualifica e analisa em termos de ações.

E chegamos no meu ponto de discordância. Diz o PSTU:
Mas se esses grupos, aparentemente radicais, são equivocados no que se refere ao método de ação, também possuem outra grave limitação: a falta de um programa revolucionário.
Não estamos falando de revolução.

Como escrevi a um amigo do partido sobre o assunto:
Concordo com a análise inicial, mas começo a discordar quando começa com "programa revolucionário". Os Black Blocs são uma realidade objetiva, ao passo que a "revolução" é, com boa vontade, um horizonte distante. A ação dos BB tem como objetivo a radicalização da democracia em uma ponta e a autodefesa em outra, e serve aos propósitos imediatos de protestos que NÃO SÃO o gérmen de uma revolução. Fala-se aqui de dois momentos distintos. A análise do PSTU peca por avançar.
Em outras palavras, estamos falando da autodefesa/proteção de movimentos sociais nas ruas com reivindicações específicas e bem definidas (e limitadas) e não de um movimento ou momento pré-revolucionário.

Criticar os Black Blocs pela inutilidade ou estupidez de sua violência pré ou pós-provocação/ação policial é uma coisa, é válido e podemos debater, mas querer tratar em termos de "a revolução está chegando" é partir da realidade para o sonho.

E o PSTU deixa claro que seu objetivo final é o de atacar os Black Blocs enquanto anarquistas, mais como forma de atacar a ideologia que a ação:
Os “Black Blocs”, evidentemente, não defendem a revolução socialista. Muitos de seus integrantes reivindicam o anarquismo, mas na verdade param na radicalização da democracia como horizonte político. Ou seja, no programa acabam sendo  moderados.
E é aí que se perde.
É preciso deixar claro a inconsistência no programa e na ação desses grupos que, na verdade, são reformistas e radicais apenas na ação. Existem muitos ativistas sérios que se deixaram atrair pelos “Black Blocs” e já começaram a ver os problemas. Agora, é necessário que reflitam sobre isto.
Pois eu posso e devo dizer o mesmo ao PSTU, é preciso deixar claro que o programa e a ação dos movimentos que estão nas ruas NÃO é revolucionário, ou ao menos se preocupam com questões concretas imediatas antes do sonho de mudar todas as estruturas. São protestos por REFORMAS na PM (ou mesmo sua extinção), contra o aumento das passagens, contra a violência nas periferias, enfim, pautas da esquerda que podem LEVAR a um momento revolucionário, mas de forma alguma o são em si.

Aí reside o grande equívoco do PSTU.

Me parece, por fim, que o grande problema do PSTU com os Black Blocs não passa de uma luta por protagonismo.
Não somos, nem nunca fomos pacifistas. Mas é a violência das massas, e não de um pequeno grupo, que poderá fazer a revolução. As ações desses pequenos grupos facilitam a repressão da polícia contra as massas nas passeatas.
Enquanto os Black Blocs apanham e batem, o PSTU foge (e isto não é uma crítica), mas defende, em tese, a violência das massas. Mas só das massas, se um grupo resolver apanhar pelas massas não pode.

É incongruente. Esperemos, pois, a revolução, apanhando.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Debatendo a imprensa e a mídia alternativa

Neste meio de semana, tive o prazer de participar de um bate papo organizado pelo pessoal da - excelente - Revista O Viés em Santa Maria, no Rio Grande do Sul com a presença também do jornalista e editor do Jornalismo B, Alexandre Haubrich. No dia seguinte, ainda, dei uma palestra para os alunos da UFSM sobre democratização da mídia, na mesma linha do debate com o pessoal d'O Viés, à convite do Diretório Acadêmico de Comunicação da UFSM.

Um debate animado, divertido, entre amigos, com muitos jovens militantes interessados em discutir os caminhos que temos de percorrer ainda para democratizar a mídia e como podemos e devemos usar as redes sociais, blogs e veículos alternativos - como o próprio Viés - na promoção da democracia.

Segue relato do Viés e, no link, fotos e o vídeo completo do bate papo.
Ambiente cheio e mais de duas horas de conversas e debates sobre as possibilidades da mídia contra-hegemônica para se consolidar como uma alternativa às mídias tradicionais massivas. O jornalista editor do Jornalismo B, Alexandre Haubrich, e o blogueiro, colunista no Diário Liberdade e autor e tradutor do Global Voices Online, Raphael Tsavkko, expuseram suas atuações como jornalistas comprometidos com a construção de uma imprensa que dê voz aos movimentos sociais e às minorias e que seja engajada politicamente. Após as falas, quem estava presente pode fazer questionamentos e colocações, contribuindo para o andamento da roda de conversa. Depois do debate, o estudante de Jornalismo Yuri de Lima tocou músicas brasileiras e latino-americanas acompanhado de colegas e do clarinetista Luís Silva, fechando a noite de debates e de comemoração pelos três anos que a revista o Viés completará em novembro. Agradecemos aos que compareceram e aos que nos apoiaram de alguma forma para que o dia 23 de outubro fosse um dia especial e enriquecedor para a discussão do tipo de jornalismo com o qual sonhamos, acreditamos e pelo qual lutamos.
Para quem perdeu o evento, o debate está disponível, em duas partes, aqui. Abaixo, fotografias da noite. 
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Cabe uma nota pessoal: Fiquei impressionado com o nível de politização do pessoal de Santa Maria, com seu comprometimento e interesse não só em nos ouvir, mas em fazer parte dessa luta, propondo e mudando a realidade. O projeto d'O Viés e incrível, e tem muito potencial para ir além e adiante e foi um imenso prazer ter conhecido e conversado - e bebido - com pessoas tão maravilhosas. Espero poder voltar em breve à Santa Maria!
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Bate-papo pelos 3 anos da Revista O Viés

Acontece na terça, dia 23, o bate-papo pelos 3 anos da Revista O Viés, em Santa Maria, no Rio GRande do Sul em que participo eu e Alex Haubrich, editor do Jornalismo B. Quem estiver por lá ou puder ir, apareça!=)

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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Simpósio Esquerda na América Latina - REDES SOCIAIS, AÇÃO DIGITAL E ATIVISMO POLÍTICO

Mês passado participei de uma mesa na USP durante o Simpósio Esquerda na América Latina com a intenção de falar sobre as redes sociais e o engajamento social e militância política nelas. Comigo estavam o professor Sérgio Amadeu e o jornalista Rodrigo Vianna.

Eis o vídeo da minha fala (de um pedaço), gravada por um amigo:

Neste link é possível baixar o áudio de todo o debate (começo a falar aos 29:18).

Segue artigo de Bia Barbosa, na Carta Maior, sobre a mesa (em negrito os comentários sobre minha fala):

Em 2009, após indícios de fraudes nas eleições no Irã e da repressão de Ahmadinejad aos primeiros protestos, a população, fazendo uso da internet para compartilhar informações e se organizar, foi aos milhões às ruas de Teerã. Entre 2010 e 2011, com forte utilização das redes sociais – inclusive em países onde o acesso à internet é bastante limitado -, movimentos mostraram ao mundo o que acontecia em ditaduras árabes, chegando a derrubar governos. Nos Estados Unidos e Europa, os Indignados e o movimento Occupy, que tiveram início com protestos online, depois tomaram as ruas das principais capitais do ocidente.

Na América Latina, no entanto, a situação é diversa. Apesar da mobilização virtual ser crescente, os protestos digitais ainda não conseguiram ganhar as ruas na mesma dimensão. Na avaliação de ativistas digitais que participaram esta semana do simpósio internacional “A Esquerda na América Latina”, realizado na Universidade de São Paulo, o cenário coloca inúmeros desafios para o movimento.

Para o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC, militante do Software Livre e autor de várias publicações sobre o tema, antes de mais nada, é necessário compreender o que acontece com a militância e com os organizadores de luta política dentro das redes sociais, principalmente com a relevância que uma série de tecnologias adquire no capitalismo.

"As práticas de comunicação foram alteradas com a internet e reorganizadas depois do surgimento das redes sociais. E essas práticas inverteram o ecossistema comunicacional. No mundo dos canais de comunicação de massa, era necessário lutar para democratizar o canal para se falar para milhares de pessoas. O difícil agora não é falar; é ser ouvido. É uma inversão brutal. Estamos em uma rede distribuída onde o problema não é construir um discurso; é fazer com que as pessoas estejam aptas a ouvi-lo", explica.

Dentro dessa inversão de ecossistema, a comunicação em rede abriu espaço para pequenos e importantes atores. Décadas depois, os hackers, que surgem nos anos 60 com a utopia "democratizar a informação é democratizar o poder", se juntam aos ativistas sociais e hoje o ambiente da internet se transforma em palco para inúmeras lutas, a partir da ação dos ciber e hackerativistas.

"A partir dos anos 90, os hackers se politizaram, porque boa parte integra o movimento de Software Livre e, de repente, teve que passar a enfrentar o Estado para poder exercer seu hobby, que é desenvolver códigos e compartilhar conhecimento. Tiveram que se coletivizar para enfrentar as leis de propriedade intelectual, que se enrijeceram no mundo inteiro", explicou Sérgio Amadeu.

Hoje, uma das maiores expressões globais no novo ativismo digital são os Anonymous, um modelo de ação que nasce nos Estados Unidos entre ativistas, artistas e hackers e que passou a ter importância no mundo inteiro. Usando as técnicas do hackeamento e da hipertrofia, realizaram a Operação Payback, em protesto à retirada do site do Wikileaks pelos Estados Unidos e ao corte do financiamento do site de denúncias através de cartões de crédito.

"Quando fizeram isso, já havia 800 espelhos idênticos do Wikileaks no mundo. Ao mesmo tempo, sobrecarregaram o servidor dos cartões de crédito até ele cair, gerando milhões em prejuízo em todo o mundo. Isso é hipertrofiar, inverter a lógica. Não é crime, é protesto digital", afirma Sérgio Amadeu. "A nova lógica dos movimentos, aqui na América Latina inclusive, onde Brasil e Argentina são pontas, não é mais "Proletários de todo mundo, uni-vos". É "Hackers de todo o mundo, dispersem-se", acrescentou.

Guerrilha virtual e ativismo de sofá
Olhando para a realidade brasileira, o ativismo digital em rede foi estratégico em alguns momentos da história recente do país para fazer o contraponto às informações e opiniões dominantes na mídia tradicional. O jornalista e membro da dos Blogueiros Progressistas, Rodrigo Vianna, lembrou do episódio da bolinha de papel atirada contra José Serra, então candidato do PSDB à Presidência da República. Atingido por um "objeto misterioso" atirado por adversários durante a campanha, Serra fez tomografia e conseguiu até a participação de um perito no Jornal Nacional, da Rede Globo.

"Mas a tese rapidamente foi desmontada na internet, de forma colaborativa. Usando imagens de um cinegrafista do SBT, ficou claro que o objeto que atingiu Serra não era o que a Globo tinha mostrado; era uma bolinha de papel. A verdade se espalhou nas redes e ganhou uma dimensão importante naquele momento da eleição. Há 25 anos, um episódio como este demoraria três anos para ser desconstruído, como aconteceu com a edição do debate eleitoral de 1989, entre Collor e Lula, feita pela Globo. Você não tinha como reagir, não tinha contraponto", lembra Rodrigo Vianna.

Como escreveu Antonio Gramsci, os aparatos privados de hegemonia, como os meios de comunicação, não estão ao alcance apenas das classes dominantes, mas também das subalternas, lembrou. "Ou seja, é possível travar a disputa sem disputar o Estado. É uma batalha pelos valores, feita no dia-a-dia", analisou Vianna. "Porém, aqui no Brasil, ainda é uma guerra de guerrilhas, porque a TV continua tendo um peso tremendo. Quem dita a pauta política no Brasil se não meia duzia de veículos da velha mídia? O ativismo digital ganhou enorme relevância, mas temos pouca reflexão sobre seus impactos", acrescentou.

Para Raphael Tsavkko, blogueiro, autor e tradutor do Global Voices, ainda há um descolamento entre o online e o offline no Brasil e na América Latina. As lutas nas redes levaram à realização de protestos como o Churrasco da Gente Diferenciada, em repúdio à reação da elite paulista contra a abertura de uma estação de metrô no bairro de Higienópolis; às manifestações contra as operações na Cracolândia; e mobilizações como a Marcha das Vadias e contra a construção da Usina de Belo Monte.

"Mas a repercussão nas redes foi maior do que nas ruas, e com a maioria de pessoas que já faziam parte de movimentos organizados. São poucos os exemplos de mobilizações que conseguiram transbordar a barreira dos catequizados”, analisou Tsavkko. “Enquanto isso, no Chile, os protestos dos estudantes se organizaram pouco pela internet, e mais pelos grêmios. Então ainda há este descolamento. É o que os EUA chamam de ativismo de sofá”, critica.

Um dos possíveis obstáculos para a superação desta diferência é o próprio alcance da internet no Brasil, onde apenas metade da população pode ser considerada usuária da rede mundial de computadores. Mas há outros.

"Temos uma série de dificuldades aqui, desde a divisão histórica da esquerda brasileira até uma apatia política do brasileiro, incentivada pela mídia que diz que "política é tudo igual". E quando você pode simplesmente apertar um botão e "curtir" algo na internet mas não tem uma visão crítica sobre aquilo, isso acaba criando uma funalização do movimento online. Ma sem sair às ruas, apenas o ativismo online não vai conseguir mudar o mundo", problematiza Tsavkko.


"Acontece que as pessoas não vivem política 24 horas por dia. Nosso discurso não está adiantando; os blogs de esquerda não tem tanta audiência. Estamos lidando com uma ideologia que penetra e que está na cultura. Esta é a questão central. E aí estamos perdendo a batalha. Não vamos ganhar a batalha partidarizando ou politizando a cultura, mas passando por ela", acrescenta Sergio Amadeu.

"Dentro do aspecto cultural que precisa ser debatido, temos que olhar para o poder da mídia tradicional. Quando passa um reallity show na TV, este vira o tema mais comentado na internet. Ou seja, a TV dita o que vai ser debatido nas redes. Por isso ainda temos que disputar o poder dos grandes meios", acredita Rodrigo Vianna.

Por fim, escrevi este artigo, em inglês para a Fundação Bertelsman, ampliando minha fala no debate na USP, recomendo a leitura.
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Os limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo

Convido meus leitores recifenses/pernambucanos a prestigiar o debate sobre Marco Civil, Censura, Liberdade e Vigilantismo na Rede no Expoidea, dia 13 de maio, domingo, 16h:

Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como AI5-Digital) aqui no Brasil – que está em debate no nosso parlamento.
Buscando aprofundar as discussões sobre este contexto, a Expoidea vai promover um instigante debate chamado “Os Limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo”.
Estarão na mesa os ciberativistas João Carlos Caribé e Raphael Tsavkko Garcia. O mediador deste debate será o doutor em Sociologia da Comunicação pela UFPE, Luiz Carlos Pinto – que realizou a tese de doutorado intitulada “Ações Coletivas com Mídias Livres: uma interpretação gramisciana de seu programa político“.

DATA E HORA: 13 de maio – domingo, às 16h.
LOCAL: Espaço Ideário – Shopping Paço Alfândega.
ENTRADA GRATUITA.

PARTICIPANTES:

JOÃO CARLOS CARIBÉ


Publicitário, pós graduado em Mídias Digitais, Consultor e Criador do movimento MEGA NÂO. Criador do blog Entropia.
Twitter - @caribe

RAPHAEL TSAVKKO GARCIA


Bacharel em Relações Internacionais pela PUC-SP. Mestrando em Comunicação pela Cásper Líbero. Jornalista, Ciberativista, Blogueiro, Autor e Tradutor do Global Voices. Colunista do Diário Liberdade e Editor do blog The Angry Brazilian.
Twitter - @tsavkko

MEDIADOR: LUIZ CARLOS PINTO


É jornalista, com mestrado e doutorado em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco. Sua tese de Doutorado é uma interpretação do programa político de ações coletivas com tecnologias livres. Tem colaborado pontualmente em projetos de apropriação crítica de tecnologias da informação e comunicação, mantém (a duras penas) uma linha de investigação das relações entre política, cultura e tecnologias e edita o blog locoporti.blog.br.
Twitter – @LulaPCosta
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sexta-feira, 23 de março de 2012

Confrontar Dilma não é a solução para os homossexuais?

Curta e direta resposta ao post "Confrontar Dilma não é a solução para os homossexuais" de Eduardo Guimarães:
Um texto que ia muito bem, convencendo, até... bater na velha, usada e surrada tecla do "medo do Serra".

Engraçado considerar o PSDB a encarnação de todo o mal, levando em conta que o Kassab vetou o projeto de Dia do Orgulho Hétero (propsota semelhante tem apoio do líder do governo na prefeitura do Rio, de vereador do PT) e Alckmin deu declarações muito mais progressistas em relação aos LGBt que Dilma, da "Propaganda de Opção Sexual" que seuqer deu as caras na Segunda conferência LGBT.

Jogo de cena? Possível. Provável até, mas mesmo a direita que sobrou fora do governo (no caso do Kassab não por falta de tentativas... do PT!) consegue fingir ser mais progressistas que o PT e Dilma.

Aliás, que me conste não vimos declarações homofóbicas tão contundentes como as de Dilma saídas da boca de FHC enquanto presidente.

Note, tenho HORROR ao PSDB, mas não posso ser leviano ou mentiroso.

Serra não é o demônio - ele é péssimo, claro - e Dilma vem provando ser MUITO pior que ele poderia ser em diversas áreas, e a LGBT é uma delas - junte com Cultura, Direitos Humanos...

Se a confrontação do movimento LGBT com o PT - aliado de partidos homofóbicos, com ministro homofóbico e "bispo", aliado da Bancada Teocrática - não serve a eles, o que servirá?

Dois outros pontos rápidos:

Pressão internacional: Provou-se inútil. Vide as condenações na OEA (Corte e Comissão Interamericana de Direitos humanos) sobre Anistia e Belo Monte. O Brasil ignora ambas, tornando-se um pária internacional, chegando ao ponto de forçar o Secretário Geral da OEa a tentar ilegalmente intervir na CIDH na questão de Belo Monte.

"impedir que o governo Dilma caia nos braços dos ultraconservadores.": Errado. Dilma não "caiu" mais do que ESCOLHEU ir pros braços dos conservadores a partir do momento em que afastou os movimentos sociais, traiu os sindicatos com anuncio de que não daria aumentos, de que iria privatizar aeroportos e etc.

Se Dilma está "nos braços" dos conservadores é por opção de governo. Quem colocou Crivella ministro foi ela, quem vende o mundo pra ter a bancada evangélica contente é ela.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ciclo de Debates - Direitos Humanos e Desenvolvimento (Homofobia)

No dia 6 de dezembro tive o prazer de participar do Ciclo de Debates - Direitos Humanos e Desenvolvimento; promovido pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos com o tema "Homofobia".

Com mediação de Leonardo Sakamoto jornalista, Prof. Dr. de jornalismo da PUCSP e diretor da ONG Repórter Brasil e com a participação do psicólogo especializado em sexualidade humana Claudio Picazio, com a pró-reitora da UNIFESP, feminista, ex-presa política e Prfª Drª Eleonora Menicucci e com o cartunista e crossdresser Laerte.

Os três primeiros vídeos são a fala de abertura de cada um dos presentes, com cerca de dez-quinze minutos cada, em que eles dão um panorama da homofobia no Brasil, do comportamento humano e dos problemas cotidianos enfrentados pela população LGBT.

O quarto vídeo é uma resposta dos participantes à minha pergunta sobre os rumos do atual PLC122, nas mãos da senadora petista Marta Suplicy que, como já postei aqui, não serve para nada. Esta é a posição de todos os participantes, aliás.

Por fim, no quinto vídeo, Leonardo Sakamoto comenta sobre o papel do jornalismo e dos jornalistas no combate à homofobia.

Segue os vídeos:

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domingo, 22 de maio de 2011

Sobre religiões, práticas e tolerância, uma tentativa de diálogo

No começo de fevereiro, escrevi para o Amálgama o post “Quando confunde-se religião com práticas” em resposta a outro artigo, de Amâncio Siqueira, sobre as práticas religiosas e, em especial, sobre o Islamismo.
Considero ainda hoje as análises feitas sobre o Islamismo extremamente “orientalistas”, para citar Said. O cristianismo acaba sendo criticado, mas de forma mais branda, afinal, somos herdeiros desta cultura, a conhecemos muito bem. Mas já aquilo que desconhecemos sempre parece mais radical, mais terrível, mais grotesco e perigoso. Nada mais falso.

Minha resposta foi dada, enfim.
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Recomendo vídeo postado no Bule Voador sobre as interpretações incorretas no Corão e o preconceito que existe contra muçulmanos e sua religião.
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Mas eis que, em 20 de março, Eli Vieira escreve um post para o excelente blog ateísta Bule Voador rebatendo minha posição e, em conjunto, criticando também a posição de Bruno Cava sobre o assunto.
Um post muito bom, mas, em minha opinião, ainda impregnado do mesmo orientalismo de outro ator e, finalmente, com os mesmos preconceitos comuns a muitos ateus – admito também ter alguns, obviamente – quando o assunto é a religião e suas práticas.

Concordo que a religião, em si, deva ser fruto dos interesses de uns dominarem os demais, mas passados séculos e milênios, ela adota características próprias e se descola mesmo da figura de líderes ou liderança, passando a permear as vidas dos indivíduos. Mais que combater, é preciso conscientizar. Não estigmatizar, mas matizar. Em muitos casos falamos do norte, do elemento norteador, do fundador da moral e mesmo pai da ética dos seres humanos, algo que vai muito além da mera religião, do mero ato de se respeitar a um superior supostamente emissário ou intermediário de um deus.

Religião é muito mais um instrumento nas mãos de homens, mas também o cimento que deu origem às bases da sociedade – não sem críticas, não sem evolução, oposição e mesmo subversões.
Enfim, eis minha resposta ao Eli:

Muito interessante, mas ao menos para a “minha” parte, reafirmo o que havia dito antes. Em primeiro lugar, “livros sagrados” são nada mais que passíveis de interpretação. São livros feitos em determinada época, com linguagem e intenções de época que devem, enfim, ser interpretados continuamente. Oras, se existem muçulmanos moderados (penso que a maioria), que discordam da interpretação de radicais, logo, estamos diante de um livro em que um grupo de pessoas interpreta da forma A, e da forma B.

A questão como eu havia dito, volta à interpretação feita, à leitura feita. É possível apontar passagens da bíblia (especialmente no Antigo Testamento)  em que o teor e conteúdo são muito semelhantes aos do Corão, lembrando que o Corão bebe da fonte judaico-cristã diretamente e jamais foi negado o fato.

Mas, quantos cristãos efetivamente seguem estes preceitos “atrasados” encontrados na Bíblia? Temos até nosso grupo de fanáticos católicos da Opus Dei que se martiriza e mesmo pastores charlatões que interpretam a bíblia de sua forma deturpada e roubam dos fiéis, vide IURD, Silas Malafaia e cia. Interpretam da forma que querem, assim como muitos fundamentalistas islâmicos.

Religião em si é supremacia. Se você acreditam no deus A, logo, o deus B, C e D são inferiores, ou melhor, nem existem. Você está certo, é superior. Esta é premissa básica de qualquer religião, logo, não é estranho haver referências a como tratar infiéis em livros sagrados, mas, devemos nos lembrar, livros escritos em um período muito diferente do nosso.

Mas, na verdade, melhor exemplo para se tratar do Islamismo e das deturpações feitas é lembrar da era de iluminação islâmica, que durou até pelo menos a Reconquista. Se hoje temos ciência, alfabeto, medicina, enfim, boa parte da nossa base de pensamento, é porque os muçulmanos conservaram e desenvolveram pensamentos complexos e os espalharam pelo mundo.

Os “infiéis” eram tratados com respeito e apenas sofriam penalidades se desrespeitassem as leis que, como dentre os cristãos, estavam subordinadas à religião. Mas, em geral, judeus e cristãos viviam em perfeita harmonia com muçulmanos dentro de reinos islâmicos.

Estamos, enfim, diante de interpretações literais que se tornam deturpadas quando simplesmente apresentamos a realidade, o momento histórico, a própria história do desenvolvimento desta mesma religião e o que esta representou no passado e pode ainda representar.

Sobre a sharia, é importante lembrar que, como o próprio Corão, é passível de interpretações. Trata-se de um código legal, logo, não pode, nem deve ser interpretado ao pé da letra e, tampouco é universalmente aceito entre todos os muçulmanos como válido.

Mas algumas comparações são interessantes:

O Islã tem uma lei própria, a lei da Sharia, que explicitamente recomenda a morte como pena contra a apostasia, e é devidamente aplicada em alguns países islâmicos.

Ora, os EUA, em sua legislação, mandam para a morte pessoas com deficiência mental. A China tem punições exemplares para ladrões – a morte – enquanto países como a Arábia Saudita lhes cortam a mão. Pergunte a um texano médio sua opinião sobre e ele  defenderá a pena de morte com fervor quase religioso.
Mesmo em países islâmicos sob forte presença da Sharia existem os que se opõem à sua aplicação de forma literal, pois entendem que este não é o caminho.

Lembremo-nos então da Inquisição, da aplicação de preceitos “cristãos” que incluíam a tortura, a fogueira, a danação eterna… Algo que os EUA repetem hoje, com torturas e execuções de prisioneiros. E pior, sequer tendo uma legislação para apoiar tais ações!

É terrível que ateus sejam perseguidos em países muçulmanos, mas também é terrível que ateus sejam vítimas de preconceito no ocidente, nos EUA, mesmo no Brasil, por apenas quererem ter o direito de não acreditar.
Gays também são perseguidos no Brasil, no Irã, na Arábia Saudita e na maior parte do mundo. Independentemente da religião dominante.

Difere a punição, permanece o mesmo tipo de preconceito.

Há séculos o cristianismo também era indissociável da sociedade, da política, das leis e, com o tempo, evoluímos. não sem conflitos, dor e mortes. Durante boa parte desta época, ao menos da pior das épocas, os islâmicos viviam num período de ouro.

É necessário não confundir religiões com práticas, mas é verdade, as religiões são reflexo de suas práticas, mas não necessariamente das práticas radicais e intolerantes de alguns. Definiremos o Hinduísmo pelos fanáticos do partido Bharatiya Janata ou por Gandhi, por exemplo? Os islamismo é melhor representado por Ahmadinejad ou pelos jovens laicos que protestaram contra ele – e foram mortos por isto?

Trata-se com desconhecimento e temor a Ummah, que nada mais é que uma relação identitária de pertencimento a um grupo. Oras, os cristãos católicos sentem-se parte de uma comunidade ligada através do Vaticano. Os Ortodoxos de uma comunidade ligada a sua sé, em Moscou. Todo presidente dos EUA encerra seus discursos louvando não só a deus, mas àquilo que ele considera como uma comunidade cristão e, falando em EUA, é esta comunidade com valores cristãos indissociáveis que oprime afegãos, iraquianos, líbios, e mais meio mundo.

Mas esta ideologia de ódio e conquista, caso dos EUA, é compartilhada por todos? Ou mesmo, quantos Ateus não votam no Tea Party, nos Republicanos ou mesmo em Democratas que promovem a guerra e o ódio?

Trata-se o muçulmano como terrorista maluco e religioso fanático por explodir as torres gêmeas, mas os cristãos no comando dos EUA não sofrem qualquer tipo de reprovação quando explodem casas com mulheres e crianças no Afeganistão. Ou os judeus israelenses quando massacram os Palestinos.

A passagem: “Que atualmente haja mais muçulmanos obedecendo às passagens belicosas do que cristãos é tanto acidente histórico quanto maior insistência e clareza do Corão nesta mensagem de ódio, além de no ocidente a maior laicidade ter sido uma conquista dos valores seculares promovidos concomitantemente à revolução científica que nos levou de uma expectativa de vida de 30 anos para uma de 70.” É incorreta.

Não se trata de maior ou menor clareza, mas sim de transformações históricas, que passam pelas Cruzadas e especialmente pela Reconquista, por uma interpretação de alguns líderes muçulmanos de que as derrotas eram culpa de um afastamento de Allah. Tudo isto culmina com o fim do Império Otomano, a derrota final dos islâmicos frente aos cristãos que, não contentes em destruir seu Império, ainda os desmembra em fronteiras artificiais, incitando ódios tribais e desrespeitando as tradições locais.

Durante a idade das trevas no ocidente, o oriente vivia seu iluminismo.

Uma parte considerável de cristãos não se importa que se faça troça com o Papa, mas outra se importa. Uma parte dos cristãos não se importa com a prática do Aborto, até a defenda, mas uma minoria estridente não se limita a protestar, mas chega ao ponto de matar – vide casos documentados nos EUA.

Muitos muçulmanos – conheço vários – não deram a mínima para os desenhos de maomé, até riram! Não são fanáticos. Lembre-se dos protestos feitos por vários grupos cristãos contra exposições de imagens de Cristo ou de Nossa Senhora em poses não-ortodoxas ou em situações constrangedoras. Muitos não ligaram, outros tantos protestaram e até conseguiram proibir exposições.

Vamos dar uma olhada nas seitas cristãos que levam centenas e até milhares à morte. Jim Jones, os fanáticos do Reverendo Moon e tantas outras seitas, até tupiniquins, como as do bispo Macedo, que enganam e roubam milhões não só no Brasil, mas na África, nos EUA…

Mas, ainda assim, a maioria é laica, a maioria talvez seja até progressista em diversos aspectos. Mas, mesmo dentre os conservadoras, uma imensa parcela nem se importa com religião, mas com a base fundacional da sociedade como eles enxergam, permeados por valores – ora filosofia – que vem de fonte religiosa. Oras, temos ateus criminosos, ateus conservadores, ateus progressistas,… Culpar a religião em si pelos males do mundo é o mesmo que culpar a não-religião pelos ateus que cometem crimes, por exemplo.

Devemos, pois, entender a religião como um pano de fundo, mas são as práticas, o USO desta religião que, trazem os problemas. Assim como o uso de ideologias por grupos assassinos, por pessoas mal intencionadas.
Religião, ideologia, filosofia, são todas ferramentas de fanáticos. Basta algum querer usá-las. Religião ou filosofia, uma idéia na cabeça, um dogma ou uma certeza, todos são possíveis instrumentos para ódio, guerras e dor. Escolham.

As práticas dizem muito sobre a religião, mas devemos ter claro quais práticas estamos olhando.

O fanatismo independe de religião ou mesmo de ideologia. Mas é potencializado por ambas, conjunta ou individualmente.

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O Blog do Tsavkko - The Angry Brazilian está concorrendo mais uma vez ao Prêmio TopBlog! Ano passado o blog passou à segunda fase e terminou entre os 100 primeiros!

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Mulher Palestina e a Ocupação

ICarabe, Oboré e Mopat convidam para debate dia 10 de fevereiro: "A Mulher Palestina e a Ocupação".

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A aplicação das leis, o anonimato e o controle da Internet

O texto abaixo é uma tentativa de deixar mais impessoal o debate trazido por um post anterior. Alguns questionamentos do Eduardo Guimarães foram deixados para servirem como base de argumentação, mas o tom não é mais de um comentário em blog.

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Um grande problema que, infelizmente, encontramos mesmo na blogosfera que parecia estar a par da luta pela liberdade na rede, é a ignorância sobre questões básicas do mero funcionamento da internet e, como consequência, as opiniões que acabam por desinformar o leitor desavisado.

Desinformação e Marco Civil  

São dezenas, quiçá centenas de especialistas e entusiastas na área da liberdade na rede, no combate ao AI5Digital (Lei Azeredo) e que estão sempre dispostos a ouvir, conversar e tirar dúvidas. Textos sobre o assunto são milhares, dos mais aos menos didáticos. Estes caras SABEM do que estão falando.

A Lei Azeredo é um câncer e não se salva uma linha. Não se defende nem que de passagem. Comparar quem luta contra a censura com o papo das grandes empresas de comunicação, que defendem nenhuma regulamentação no setor não é só leviano, chega a ser criminoso. E é totalmente mentiroso!

Colocar dúvidas tolas nas cabeças dos leitores é dar argumentos para a vigilância!

O ponto principal para desmontar o argumento da total desregulamentação é que nós, ativistas, defendemos o Marco Civil da Internet.

É a proposta dos ciberativistas de propor uma forma de regular melhor as relações na internet. Mas feita por quem conhece, para garantir a liberdade de todos e não o direito do Estado nos vigiar e controlar e de empresas fazerem o que bem quiser.

Legislação Específica e Estados Controladores

Ao longo do texto foram selecionados trechos de artigo escrito por Eduardo Guimarães, sempre em itálico, que colocam questões que merecem ser discutidas e desmistificadas.

"Como tornar a internet mais segura, coibindo pregações nazistas contra negros e homossexuais ou proposições de linchamento moral e até físico contra pessoas, que podem despertar loucuras latentes, sem retirar o que tem de melhor na rede, a liberdade de expressão?"

Oras, aplicando as leis que já existem, que condenam o racismo, a incitação do ódio... Não precisamos de leis específicas para a rede, compreenda, as leis que punem estes crimes já existem! No máximo estamos falando de adequações ou de ampliações do que existe, em caso da aplicação realmente ser prejudicada.

O grande problema é que o poder público - o judiciário em particular - é absolutamente ignorante no que concerne a internet. Porque achas que os Estados tem tanto medo da internet? Porque não a entendem! Não compreendem sua lógica. O medo vem da ignorância!

E, claro, além da ignorância, vem daquela vontade totalitária dos Estados de controlar tudo. A mídia, nosso querido e afamado PIG já compreendeu que, nesta internet há problemas! Somos livres para falar mal deles, para nos expressar, e isto quebra a sua lógica unidimensional de provedores de informação e formadores de opinião. E o Estado vai na onda.

Nenhuma Lei, Marco Civil e os Crimes de Ódio

"A militância contra o controle sobre a internet não admite lei específica nenhuma."

Não é verdade e fruto de total desconhecimento da militância que atua na área.

Nós, militantes, estamos construindo o Marco Civil da Internet, uma tentativa de propor regras claras, mas feita por quem entende do assunto e não por Azeredos ou Mercadantes, que ainda devem ler e-mails impressos por suas secretárias.

"Por outro lado, neonazistas montam perfis em redes sociais e vão crescendo aos milhares de seguidores com pregações racistas, xenofóbicas e homofóbicas; mulheres são difamadas por companheiros frustrados; crianças são aliciadas por pedófilos; golpes múltiplos são aplicados."

Neonazis andam pelas ruas, fascistas espancam gays na paulista, mulheres são violentadas em casa pelos companheiros...  E existem leis pra coibir tudo isso! Se são aplicadas, são outros 500. Mas é mais fácil dizer que a culpa está na rede, que o crime está na rede. Basta censurar, vigiar e, talvez, punir.

O que interessa aos vigilantes, porém, não é acabar com os crimes, pois se quisessem já teriam tomado ações enérgicas e efetivas na vida "real". Porque não punem com rigor maridos abusivos? Porque não caçam neonazistas? Porque não vão atrás dos neofascistas - ops, estes escrevem na Folha todo dia! - ou proíbem e punem a homofobia (PL 122)?

Oras, porque o interesse real NÃO é punir estes e outros crimes! A intenção é pura e unicamente lançar seus controles à um ambiente que, por princípio, é livre. Na internet a Folha não é voz única, a vontade do Deputado ladrão não é única - e ele pode até ser denunciado... ANONIMAMENTE!

Criar leis específicas para a rede não vai mudar alguma coisa. Nós não aplicamos nem as leis que já temos para situações "reais"!

Não faz diferença se a Mayara Petruso xingou nordestinos no Twitter ou na esquina da rua, o crime é o mesmo e a punição pode e deve ser a mesma. Sem lei para a internet, Edu!

Tratar a internet como alienígena e não como uma extensão de nossos corpos é um erro primário. Assim como o telefone, a internet propicia contatos, laços. Claro, a internet aproxima mais, facilita mais, mas não difere da nossa vida "normal", é dela uma extensão, uma continuidade. É preciso, porém, compreender isto.
Novamente, as leis....

"Se o crescimento dos crimes for menor do que o da inclusão digital haverá apenas que dotar de maiores recursos as instâncias policiais e judiciais existentes. Do contrário, haverá, sim, que discutir leis que possibilitem identificar pedófilos, neonazistas, golpistas e difamadores mais facilmente."

Estas leis existem. Se há suspeita de que um perfil contém imagens ilegais basta a justiça pedir um mandado a um juiz e entregar à empresa, que abrirá os dados. Mas lembre-se, o crime não acontece na internet. Pode-se até aliciar via rede, mas o crime, o abuso, não acontece na rede, que funciona como um telefone no contato entre aliciador e vítima.

Um moleque de 15 anos, hacker, consegue fazer um trabalho de rastreamento de dar inveja, e sem a necessidade de invadir a privacidade de milhões sob a desculpa de estar defendendo os fracos e oprimidos.

Escrevi EXATAMENTE sobre isto ha uns dias, tentando ser mais didático sobre a pedofilia e a internet, desmistificando diversas falácias sobre o caso: http://tsavkko.blogspot.com/2011/01/o-ai5digital-analogia-das-leis-e.html

Precisamos urgentemente desmistificar as verdades (sic) construídas pelo Estado para legitimar a vigilância.

Paixão e Anonimato, o discurso vazio
 

"Entendo, porém, os militantes da causa da liberdade na rede. Não os culpo pela paixão, pois sou apaixonado por minhas causas."

Não se trata de "paixão", mas de COMPREENDER a rede.

"Visando o aprofundamento nessa questão, ao fim desta semana participarei de uma reunião com militantes da causa do anonimato na rede. Em seguida, participarei de encontro com defensores da sua maior normatização."

Isto é uma deturpação da causa. Não somos defensores do anonimato na rede. Ponto, é isto. Não, não defendemos o anonimato, defendemos a liberdade.

Aliás, é preciso compreender a função do anonimato em si. Pensemos no blogueiro que, ameaçado, posta anonimamente sobre crimes em sua região. Ou pensemos no ativista que não pode se identificar, na pessoa que poderia sofrer seja nas mãos da família, de bandidos, no emprego e etc se revelasse seu nome.

O anonimato, aliás, é parte da vida. O trote telefônico que você recebe é anônimo, mas da mesma forma o disque-denúncia e anônimo. O anonimato também serve para defender-se, para defender vidas.

O anonimato para os cidadãos comuns é bem difícil, com ordem judicial você rastreia IP, o endereço do PC da pessoa, que deixa traços... Claro, isto apenas com mandado judicial, entrementes sua privacidade é garantida. Um expert consegue passar despercebido, mas aí não tem lei que o segure.

Uma lei específica não irá evitar crime algum, irá apenas punir coletivamente. As propostas que existem para cadastros e etc significariam, em comparação, a necessidade de digitar o CPF cada vez que eu fizesse uma ligação telefônica. É possível compreender o absurdo? É criminalizar o mero ato de se usar o telefone - ou a internet. Ou pressupor o crime sem ele ter acontecido.

O anonimato, em geral, é uma proteção, evita que você seja identificado por alguém mal intencionado, rastreado, perseguido. Fakes que cometem crimes, uma vez rastreados, são processados (os responsáveis).

Não se trata, enfim, de defender o anonimato, mas de compreender usa função, limites e usos.

Combustível e fuga da discussão

"Não se pode aceitar o argumento de que propor tal discussão significa “fornecer combustível” para um dos lados. É um argumento antidemocrático que vem sendo usado pela grande mídia para se apropriar de concessões públicas e agir como partido político."

Defender a Lei Azeredo, mesmo que sua discussão é defender a censura.Podemos e devemos discutir o Marco Civil da Internet, discutir meios de democratizar o acesso à internet - PNBL sendo um deles -, meios de fazer o grosso da população aprender a utilizar corretamente seu computador e a ter um acesso seguro à rede.

Da mesma forma que uma criança precisa ser ensinada a andar na rua, a não falar com estranhos, a não entrar em lugares perigosos e etc, alguém que acaba de chegar à rede precisa igualmente ser ensinado a percorrer caminhos seguros e a não ser enganado.

Não difere da vida "real".

E tenhamos sempre em mente: Quanto mais livre a internet, mais livre pode ser o povo.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Vídeos do Debate "O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil"

Seguem os vídeos do debate do dia 11 de janeiro com Márcio Pochmann, Daniel Castro, Fábio Konder Comparato e Paulo Henrique Amorim no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Durante o evento foram distribuídos cópias dos três volumes da pesquisa do IPEA "O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil". Cópias podem ser baixadas gratuitamente no site do IPEA.


"O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil" - Marcio Pochmann from Raphael Tsavkko on Vimeo.
"O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil" - Daniel Castro from Raphael Tsavkko on Vimeo.
"O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil" - PHA from Raphael Tsavkko on Vimeo.
"O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil" - Comparato I from Raphael Tsavkko on Vimeo.
"O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil" - Comparato II from Raphael Tsavkko on Vimeo.
"O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil" - Guto (SindJor) from Raphael Tsavkko on Vimeo.
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Debate com Márcio Pochmann, Fábio Konder Comparato e Paulo Henrique Amorim

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em parceria com a Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom), acaba que concluir uma pesquisa sobre o "Panorama da comunicação e das telecomunicações". Em três volumes, o estudo inédito no país apresenta um amplo paínel sobre o setor e visa ajudar na construção de futuras políticas públicas. Sua publicação coincide a vontade expressa do novo governo de elaborar um novo marco regulatório da comunicação.


Com o objetivo de conhecer e discutir o seu conteúdo, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé realizará na próxima terça-feira, dia 11, a partir das 19 horas, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o debate "Panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil". Marcio Pochmann, presidente do IPEA, fará a apresentação dos resultados da pesquisas. E o jurista Fábio Konder Comparato e o jornalista Paulo Henrique Amorim debaterão o tema.

Participe. Ajude a divulgar este importante evento na sua lista de endereços eletrônicos e nas redes sociais.

Debate: "O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil"

Dia: 11 de janeiro, terça-feira, às 19 horas.

Local: Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530 - Sobreloja, próximo ao Metrô República).

Expositor: Marcio Pochmann, presidente do IPEA

Debatedores: Fábio Konder Comparato e Paulo Henrique Amorim.

Por favor, confirme sua presença através do nosso e-mail: contato@baraodeitarare.org.br
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sábado, 18 de dezembro de 2010

Vídeos do Ato-Debate em defesa do WikiLeaks #AtoWikileaks

Vídeos do Ato-Debate convocado pelo @Intervozes e outras organizações em apoio ao WikiLeaks e seu fundador Julian Assange.

Vídeos gravados de quase a totalidade do evento, em qualidade de som razoável.

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Debate sobre AI5Digital e Marco Civil da Internet no #Culturadigitalbr

Vídeos gravados por Antônio Arles (@aarles) no dia 16/11 durante debate sobre o Marco Civil da Internet e AI5Digital (Lei Azeredo) com a participação de Sergio Amadeu (@samadeu), Guilherme Almeida (@guialmeida), João Carlos Caribé (@caribe) e Paulo Rená (@prenass), no Fórum da Cultura Digital.

Fórum da Cultura Digital - Caribé e Guilherme Almeida AI5Digital from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Fórum da Cultura Digital - Sérgio Amadeu AI5Digital from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Fórum da Cultura Digital - Paulo Rená AI5Digital from Raphael Tsavkko on Vimeo.
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Debate RedeTV / Folha de São Paulo

Terminado o debate da RedeTV/Folha de são Paulo, acredito ser impossível dizer que venceu. Mas quem perdeu está mais que claro.

Dilma mostrou uma evolução impressionante dos dois primeiros debates para este. Não só mostrou uma segurança incrível, como falou de forma clara, impecável. Engasgou um pouco aqui e ali, notadamente durante seu merecido direito de resposta, mas, no geral, merece nota 10. Fico feliz em vê-la entrando no rumo e se saindo tão bem. Mostra que, além de boa gestora - o que é indiscutível - pode ser de fato uma boa política.

Ponto negativo, ao meu ver, foi a mania de não responder o que o Plínio lhe perguntava, pois o que ele estava fazendo era propor, e não trollar. Mas este comportamento a ajudou quando da pergunta absurda de uma das jornalistas (sic) sobre se colocaria a mão no fogo pela atual Ministra da Casa Civil. Sobre crises, Dilma se saiu bem em suas respostas.

O Plínio, por seu lado, manteve seu tom irônico, mas com uma diferença notável: Foi extremamente propositivo.

Não que antes não tenha sido, mas desta vez fez questão de deixar claro ao Serra que não estava lá para acusar, para perder tempo com picuinhas e tolices - campo do Serra -, mas para servir como contraponto, para apresentar propostas concretas e influenciar.

Já há tempo venho dizendo que o PSOL deve assumir o papel de "puxador" do PT. Convenhamos, meu voto é do Plínio por convicção, por ideologia, mas sabemos uqe a Dilma irá ganhar, e isto é bom.
Em primeiro lugar porque aposenta o Serra (retomarei este ponto em outro post) e afasta os DemoTucanos de vez, e em segundo porque, mesmo com alianças espúrias, mesmo com todas as contradições e problema,s o PT ainda é um partido com o qual é possível dialogar, o PT ainda é um partido com forte ligação com os movimentos sociais e, enfim, o governo ainda pode ser disputado.

Não é o ideal, não até onde queremos, mas dentro da realidade, é o que temos.

E o Plínio, neste debate, exerceu seu papel de apresentar alternativas viáveis ao governo, ao futuro governo.

O PSOL não tem que ser partido de oposição. O que também não significa ser governista. Tem de ter uma posição de representar os movimentos sociais, de criticar aquilo que vai contra estes interesses, mas deve ser consciente o suficiente, e maduro, para apoiar o governo naquilo que está correto. Deve propor, deve debater e brigar. E não agir deforma irresponsável, como fez algumas vezes.

Pontuo:
 Plínio tocou em alguns pontos extremamente relevantes, como a questão habitacional. Criticou a especulação imobiliária e, de forma indireta, o programa "Minha Casa, Minha vida", e está correto. Não se colocou contra o programa, mas criticou que seja o ÚNICO programa para a habitação popular. Porque não ampliar a linha de raciocínio? Porque não tentar adotar um modelo que funciona no Reino Unido e que poderia ser perfeitamente aplicado no Brasil, que é o de aluguéis compulsórios de residências não-ocupadas?
 
Pego o centro de São Paulo como exemplo. são tantos apartamentos abandonados ou cujos donos deixam vazios apenas para esperar por uma alta no mercado para vender por preços exorbitantes que até mesmo o Kassab sentiu o cheiro de lucros e elevou o IPTU para forçar a venda ou ocupação destes. Claro que o Kassab tem interesse em aquecer o mercado para ajudar seus financiadores de campanha, mas a proposta de exigir também função social das moradias sehue o padrão da função social da terra.

Não faz sentido, com a quantidade de prédios desocupados nos centros das cidades, que se construam novos nas periferias, afastados dos centros, apenas para agradar as empresas que especulam. O @samadeu, comentando comigo, foi até além, o governo poderia comprar estas residências, apartamentos e etc e repassar para a moradia popular.

Outro ponto relevante citado pelo Plínio foi o do Bolsa Família. Ao contrário de alguns mais raivosos que interpretaram de forma totalmente equivocada - e também admito que ele não soube se expressar da melhor forma - , ele não se colocou contra o programa, mas sim a favor do salário e do emprego.

Eu não considero, como ele disse, que o Bolsa Família seja "uma humilhação", mas também não vejo como uma "alegria" recebê-lo. Já conversei com quem recebe e a maioria gosta por ser necessário, mas preferia estar trabalhando e ganhando seu proprio dinheiro.

Este é o ponto central do discurso do Plínio. Bolsa Família é bom, mas é pouco. É paliativo, é programa e não direito. É preciso de mais. Políticas Keynesianas são boas, mas tem validade, devem ter prazo de validade. É preciso ampliar as reformas estruturais para permitir que os que hoje recebem a Bolsa, possam ter um trabalho digno e decente. Duvido que qualquer um discorde deste ponto.
Plínio ainda tocou em outras questões sensíveis, como a da educação, auditoria da dívida e outros temas sensíveis. Como sempre, foi muito bem. E, de quebra, demonstrou sua preocupação na construção de uma base sólida, pedindo, no final, o voto nos candidatos do PSOL, para que seus projetos possam ser lembrados e aplicados.

Do outro lado, temos, sobrando, Serra e Marina.

Serra foi uma lástima. Raivoso, deselegante e caluniador. Um verdadeiro DemoTucano em desespero, vendo sua candidatura afundar, sendo abandonado por aliados e ridicularizado pelos que sobraram.

Não vale sequer perder muito tempo com o Serra, figura nefasta que não propôs nada, mentiu, caluniou e teve a cara-de-pau de dizer que seu partido e sua candidatura são limpas, que não tem máculas. O Arruda manda lembranças e a Provatariado governo FHC ainda está presente em nossas mentes.

Já a Marina, coitada, sonolenta, esquecida, nada propôs, parecia ausente. Sua presença mal foi notada - e não fez efetivamente nenhuma falta.


Enfim, um bom debate, acredito que o melhor que tivemos até agora. Excelentes Plínio apresentando propostas, Dilma se mostrando segura, Serra afundando e Marina sem atrapalhar, voltando pro seu limbo.


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