Li um interessante artigo na Carta Capital sobre o cerco que se fehca contra os "pancadões" nas periferias e não posso deixar de compreender ambos os lados.
Se é verdade, como afirma a matéria, que as musicas da periferia são perseguidas, por outro não é possível viver sempre na base do coitadismo quando os pancadões efetivamente são um imenso incômodo para os que não concordam ou simplesmente não se interessam pela "cultura" dos demais, em especial madrugada adentro.
À prefeitura não cabe mandar a PM resolver todos os problemas, especialmente na periferia, onde a PM é conehcida apenas por massacres e pelo genocídio da população negra. PM não discute, dá porrada e na periferia a população está acostumada demais a apanhar.
Mas, por outro lado, cabe à prefeitura encontrar ou mesmo criar espaços para que a cultura da periferia se manifeste. Mandar a PM ou simplesmente proibirr não é a solução.
O outro lado é o dos moradores das proximidades de onde acontecem os Pancadões que NÃO podem ser forçados a se submeter a esta situação. O direito dos jovens de escutar o que quiser, de se divertir e etc não pode significar impedir o sossego de milhares de pessoas e IMPOR sua cultura a todos.
Aliás, é uma crítica que faço a vários coletivos culturais que, digo por experiência, "ocupam" o centro de São Paulo sem querer saber se quem mora por lá está satisfeito em ter "cultura" enfiada goela abaixo o dia todo, a noite toda.
Em nome da cultura muitas vezes temos mera imposição de visões sobre cultura com total desrespeito para todo o entorno.
O projeto do Conte Lopes, da bancada da bala, que "proíbe a utilização de vias públicas, praças, parques e jardins e demais
logradouros públicos para realização de bailes funks, ou de quaisquer
eventos musicais não autorizados” foi feito sob medida para criminalizar atividades culturais da periferia, em especial o funk, mas a ideia de proibir vias públicas, praças e afins para realização de festas madrugada adentro SEM AUTORIZAÇÃO não é de todo ruim, aliás, a lei já não permite eventos musicais depois das 22 horas em áreas residenciais e mesmo eventos quaisquer em praças, por exemplo, precisam ser autorizadas pela prefeitura.
O que falta em grande parte é fiscalização e aplicação das leis que já existem, e mesmo a adaptação de outras (como o PSIU que não pode se restringir apenas à espaços fechados, quando muitas vezes o espaço fechado atrai dezenas que fazem o barulho na parte externa).
O funk nas periferias não tem que acabar, as ocupações do espaço público não tem que acabar, mas é preciso encontrar locais para certas manifestações e é preciso criar e respeitar as regras que já existem e, acima de tudo, respeitar o entorno.
A Praça Roosevelt é um excelente exemplo de ocupação com cara de imposição e de total desrespeito pelo entorno, no caso, pelos milhares de moradores do local. Um bar que se recusa a fechar e que atrai uma multidão madrugada adentro, gente tocando instrumentos musicais as 3 da manhã nas escadarias em frente aos prédios, música alta na madrugada, gritaria, skates o tempo inteiro... E "eventos culturais" que muitas vezes atraem apenas a sujeira deixada pela meia dúzia de frequentadres.
Ao menos no caso dos skates uma solução se avizinha, mas no resto... São problemas a se tratar. E sem dúvida para os vizinhos dos funks/pancadões na periferia o problema é o mesmo. Não se trata de consumo de droga, de bebedeira, e sim do espaço inadequadamente usado para um evento (ou eventos) que acaba tornando a vida de quem vive no entorno um inferno.
A questão central é conseguir satisfazer quem tem direito a se divertir e quem tem direito a não ser incomodado com a diversão dos outros
Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Sobre a convivência, bailes funk e ocupação urbana
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Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Sobre a convivência, bailes funk e ocupação urbana
2013-04-11T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Daniel Viglietti: A Musica Humana
Contemporâneo, amigo e colaborador de figuras como Victor Jara, Mercedes Sosa e Atahualpa Yupanqui, compôs canções como "A Desalambrar" e "Dale tu mano al Indio", que ficaram célebres também na voz de Jara, além de interpretar como poucos músicas de Yupanqui ou mesmo traduzir com maestria e com toque pessoal a genial "Construção" de Chico Buarque, transformada em "Construcción".
No show, Viglietti não apenas cantou, como fez política. E deixou claro não fazer apenas música de protesto ou música política, mas sim, "Música Humana".
Conversou longamente com a platéia, explicando o significado de cada música que cantaria - fosse sua, ou de outros autores - e deixando claro, quando cantou em homenagem a Soledad Barret (morta depois de ser traída, em Recife, pelo famigerado Cabo Anselmo) que os torturadores e demais bandidos das Ditaduras da América Latina deveriam ser caçados e punidos, e jamais perdoados. Dilma, infelizmente, não ouviu e jamais ouvirá este apelo. E não se importaria também.
Gravei algumas músicas e as compartilho, esperando que possam apreciar, como eu apreciei. E que possam entendê-las ou serem contagiado(a)s ao ponto de agir, de se mexer e buscar mudar nossa realidade, como gostaria Viglietti, assim como Yupanqui, Victor Jara e tantos outros que ficaram pelo caminho, mas deixaram uma mensagem de esperança, de busca pela igualdade e de luta pelo Socialismo.
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
Estadão e Apple: A modernidade do século passado.
A não ser que eu esteja muito enganado, estamos no século XXI, onde podemos encontrar qualquer musica caso saibamos o que vem a ser torrent ou mesmo caso tentemos encontrar algum servidor http ainda válido (o fim do Megaupload e as restriçoes no Fileserver e etc prejudicaram muito o pirata eventual e o inveterado, mas não de forma irreversível).
Claro que se o leitor tiver um gosto peculiar como o meu para rock cambojano dos anos 60 ou metal extremo em linguas "exóticas" a coisa complica, mas para tudo dá-se um jeito, até entrar em contato com o cantor ou cantora ou mesmo banda por e-mail ou sinal de fumaça. Até hoje foram raros os artistas que não consegui encontrar.
Enfim, o que temos hoje é uma facilidde tremenda para compartilahr cultura e encontrar a musica que queremos rapidamente ou com algum esforço recompensador. Mas eis que o Estadão anuncia com pompa e com ares de importância um parceria com a Apple para... dar 3 músicas do coldplay para seus leitores.
Tudo bem, o Estadão pode alegar que são versões especiais, exclusivas, únicas e blablabla... Sem problema, espere uns 2-3 dias e estas versões exclusivas logo cairão na rede.
A seção de tecnologia do Estadão é até boa, com bons colunistas, mas esta foi realmente de doer. Em pleno século XXI achar que oferecer musicas de uma banda famosa configura-se em "promoção" de qualquer tipo. Aliás, uma promoção exclusiva para quem possui um iPhone ou similar, quem usa Android fica aver navios - ou usa a cabeça e procura na internet.
Mas o mais surpreendente de tudo são so comentários no post do jornal em que jovens - e não gente de 50 anos ou mais - acham que baixar musicas prejudica o artista! Que garantir enormes lucros à gravadoras (e à Apple) é ser "cool". Realmente, lamentável.
Vamos aprender de uma vez por todas: A venda de CD's não altera os rendimentos dos artistas, mas tão somente das gravadoras e de sua capacidade de fabricar artistas sem talento, de pagar jabá e de enriquecer investidores. O artista lucra, em grande parte, com shows. Ao invés da restrição dos CD's - só compra quem tem dinheiro e também onde ele está disponível - ou do iTunes (só compra quem tem Apple), o compartilhamento que insistem em chamar de pirataria permite que o artista fique mais conhecido e, logo, possa fazer mais shows, e até onde sequer sonharia.
Aliás, o próprio Estadão publicou o óbvio ha algum tempo, que compartilhar não afeta renda dos artistas e já há muito se sabe que, em média, quem mais compartilha arquivos consome mais, compra mais.
Claro que se o leitor tiver um gosto peculiar como o meu para rock cambojano dos anos 60 ou metal extremo em linguas "exóticas" a coisa complica, mas para tudo dá-se um jeito, até entrar em contato com o cantor ou cantora ou mesmo banda por e-mail ou sinal de fumaça. Até hoje foram raros os artistas que não consegui encontrar.
Enfim, o que temos hoje é uma facilidde tremenda para compartilahr cultura e encontrar a musica que queremos rapidamente ou com algum esforço recompensador. Mas eis que o Estadão anuncia com pompa e com ares de importância um parceria com a Apple para... dar 3 músicas do coldplay para seus leitores.
Na estreia, nesta terça-feira, você poderá fazer o download de três faixas exclusivas do Coldplay gravadas no iTunes Festival 2011 em Londres. São elas: Every Teardrop is a Waterfall, God Put a Smile Upon Your Face e Fix You. Além disso, os álbuns da banda também estão disponíveis na loja com preços promocionais. Baixe neste link o primeiro presente.Pois é, o Estadão vai fazer algo que em 1998 talvez fosse grandioso e vai liberar três míseras músicas de uma banda pop que, hoje, qualquer ser humano poderia baixar se levar sequer 5 segundos pesquisando (aliás, os links nas músicas acima vieram de rápida pesquisa que fiz).
Tudo bem, o Estadão pode alegar que são versões especiais, exclusivas, únicas e blablabla... Sem problema, espere uns 2-3 dias e estas versões exclusivas logo cairão na rede.
A seção de tecnologia do Estadão é até boa, com bons colunistas, mas esta foi realmente de doer. Em pleno século XXI achar que oferecer musicas de uma banda famosa configura-se em "promoção" de qualquer tipo. Aliás, uma promoção exclusiva para quem possui um iPhone ou similar, quem usa Android fica aver navios - ou usa a cabeça e procura na internet.
Mas o mais surpreendente de tudo são so comentários no post do jornal em que jovens - e não gente de 50 anos ou mais - acham que baixar musicas prejudica o artista! Que garantir enormes lucros à gravadoras (e à Apple) é ser "cool". Realmente, lamentável.
Vamos aprender de uma vez por todas: A venda de CD's não altera os rendimentos dos artistas, mas tão somente das gravadoras e de sua capacidade de fabricar artistas sem talento, de pagar jabá e de enriquecer investidores. O artista lucra, em grande parte, com shows. Ao invés da restrição dos CD's - só compra quem tem dinheiro e também onde ele está disponível - ou do iTunes (só compra quem tem Apple), o compartilhamento que insistem em chamar de pirataria permite que o artista fique mais conhecido e, logo, possa fazer mais shows, e até onde sequer sonharia.
Aliás, o próprio Estadão publicou o óbvio ha algum tempo, que compartilhar não afeta renda dos artistas e já há muito se sabe que, em média, quem mais compartilha arquivos consome mais, compra mais.
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segunda-feira, 9 de abril de 2012
O mercado dos festivais: Desorganização e Marketing
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| Desafio: Ache (ou chegue) em um banheiro... |
Mas, infelizmente, o que vale é o marketing, é espremer ao máximo bandas que sozinhas atraem bom público e torturar milhares de pessoas em espaços superlotados por horas a fio suportando musicas sem qualquer ligação entre si.
O Rock in Rio é um exemplo clássico de desorganização e, pior, de mágica mercadológica sobre nossos gostos musicais. Ivete Sangalo, Claudia Leite e outras pérolas em um festival que tem "Rock" no nome já é, em sí, ridículo, mas até podemos aceitar um dia específico para tosquices semelhantes. O problema é que muitas vezes estas "cantoras" e grupos sem nenhuma relação são espremidos entre bandas tradicionais do Rock, do Metal, juntando grupos de fãs sem nenhum tipo de relação ou afinidade.
Quem não lembra do terrível show de Carlinhos Brown no Rock in Rio anterior cantando para um público que o detestava e sendo "homenageado" com garrafas de água?
É o melhor exemplo de como os organizadores de tais eventos não tem a mínima preocupação em agradar a um público, mas sim de irritar vários e de garantir a maximização dos lucros ao forçar públicos distintos a conviver num mesmo espaço.
Me recordo há anos atrás, de um Abril pro Rock, em Recife, em que a principal atração era a banda Placebo. A ampla maioria dos prsentes esperava ansioso pelo show, a primeira vez no Brasil de uma banda idolatrada e que estava estourando, mas fomos forçados a aguentar um show do Los Hermanos antes que, apesar de não ser ruim, os públicos não conversavam entre si. Me lembro de centenas de pessoas dormindo - eu inclusive -, reclamando e de saco cheio de um show longo e aparentemente interminável e também da maré humana que deixava o local antes do show do Placebo pois mal conheciam a banda e queriam mesmo ver o Los Hermanos - que, aliás, não é sequer Rock e estava aparentemente no festival errado.
Conheço gente que já passou por aperto. De ir em um festival querendo ouvir rock pesado e ser destratado por gente que ouvia outro estilo e estava ali dividindo espaço. Não há a mais remota preocupação com ao menos tentar colcoar bandas de estilos semelhantes ou mesmo propiciar encontros de públicos que não sejam absolutamente opostos em um festival. Mais vale lucrar com públicos distintos e sem qualquer preocupação com a experiência de quem foi (vai) aos shows.
Imagine você ir a um festival para ouvir Sepultura e ter de aguentar antes a Kate Perry e seu público. É risívvel e possível de acontecer, acreditem.
Não se trata, porém, de se fechar em um casulo e realizar apenas festivais para um ou outro estilo, e sim tentar aproximar estilos que conversam e não estilos que até se odeiam. Imaginem um show de uma banda tradicional de metal no mesmo dia que o de uma banda emo. É pedir por sangue - ou por choro.
Infelizmente o que se vê é puramente o interesse por maximizar lucros, colocar milhares de pessoas em espaços exíguos, com tudo lá dentro a preços exorbitantes, por horas a fio sendo forçadas a ouvir o que não querem. Os preços de tudo - desde comida até mesmo a água - é um caso à parte. Sem contar nas filas para banheiro ou mesmo para entrar e, claro, quem fica distante do palco acaba ouvindo mais a conversa de quem está por lá que a música em si, ha quase um quilômetro do palco.
Nem entrarei no caso da péssima segurança e nos assaltos (furtos) que acontecem dentro destes mesmos festivais.
Imagine você pagar centenas, até mais de mil reais para ir a um festival acampar, mas chegando lá a estrutura é aviltante. Preços abusivos até para comprar uma garrafa de água, filas imensas, dificuldade para achar um espaço para acampar ou mesmo a quase impossibilidade de tomar banho ou realizar qualquer atividade simples dentro da estrutura oferecida.
Mas, mesmo assim, estes festivais lotam. Vai entender.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Do ECAD ao Paulo Coelho: A saga do MinC continua ...
Por Reginna Sampaio, @BrazilPalestine, para o Blog do Tsavkko.
Já é normal a grande quantidade de acontecimentos estranhos vindos do MinC mas o que nos chama atenção agora é o Festival Europalia. Esse festival, já em sua 23.ª edição, é um megaevento cultural europeu que acontece na Bélgica ( que se estenderá por mais cinco países - Luxemburgo, Holanda, Alemanha e França - ) e que terá em 2011 o Brasil como tema.
A importância do Festival é tamanha que será aberto esse ano , dia 04 de outubro , pela Presidente Dilma.
Até ai tudo normal não fosse um curioso fato: O descontentamento dos organizadores belgas com as atrações culturais que serão levadas pelo Brasil ao evento. Esse descontentamento se daria porque as atrações culturais que estarão sendo levadas seriam de pouca expressividade .
Essa pouca expressividade, segundos os belgas, fica notória principalmente no tocante as atrações musicais e literárias. Esperava-se que o Brasil levasse à Bélgica grandes nomes da música popular brasileira o que não vai acontecer. Porém o que trouxe mais indignação aos organizadores do evento tem nome e sobrenome: Paulo Coelho .
Não é novidade alguma que Paulo Coelho é hoje a maior referência que se tem no exterior da produção cultural brasileira e exatamente por isso a organização do evento achava vital a presença dele no festival. Usando-se sabe lá quais critérios o MinC foi contra o que foi proposto pela organização do evento e decidiu não levar o escritor carioca ao festival.
A partir daí as relações entre a organização do festival e o MinC desandaram de vez. Declarou a Ministra Ana de Hollanda: "A visão dos belgas não é a mesma que a nossa, precisa haver um afinamento". Bem, a visão dos belgas é clara: levar ao festival os nomes mais expressivos da produção cultural e artística brasileira. Resta então a dúvida: Qual será a visão do MinC?
Diante toda essa celeuma entre os organizadores do festival e o MinC a curadora Flora Süssekind se posicionou da seguinte forma, referindo-se aos organizadores belgas: "São pessoas despropositadas que não tem informações sobre o que está acontecendo".
Apesar disso Flora Süssekind solicitou aos organizadores do festival a utilização do centro cultural Bozar, um dos mais importantes centros culturais europeus, tendo ouvido a seguinte resposta: "não podemos receber nesse espaço ninguém menos que o escritor Paulo Coelho" resposta essa baseada no fato de que apenas ele conseguiria lotar o espaço.
Então Flora Süssekind decidiu dispensar a utilização do espaço cultural Bozar pelo Brasil .
Ante todos esses fatos e somado ao fato de que o Brasil gastará nesse evento 30 milhões de reais, o mais caro projeto até agora realizado pelo MinC, ficam algumas questões:
1 - Quais os critérios utilizados pelo MinC na escolha daqueles que vão representar o Brasil em eventos nos quais são utilizados verbas públicas?
2 - Sendo o Festival Europalia o maior evento cultural da europa porque, e justamente no ano em que o Brasil será homenageado, decidiu o MinC levar atrações culturais de menor expressividade tanto no Brasil quanto no exterior?
3 - Será que não houve realmente um preconceito do MinC contra o escritor carioca Paulo Coelho como ele mesmo disse na rede social twitter (mas para usar a imagem do escritor como um dos propagandistas da Rio 2016 não houve qualquer preconceito. Dois pesos e duas medidas ? ). Links para tuítes do Paulo Coelho: 1, 2 e 3.
4 - A produção artística e cultural brasileira, apesar da pouca expressividade das atrações, está realmente sendo bem representada no Festival Europalia? Se está então porque os produtores do evento ficaram tão chateados e segundo a própria Flora Süssekind estão demonstrando agora "total desinteresse"?
5 - Os 30 milhões que estão saindo dos cofres públicos estão sendo bem empregados ?
Com a palavra o MinC ....
Links pertinentes: "Barrado na Belgica", do blog do Paulo Coelho, Barrados na Bélgica, da Folha e matéria sobre como ana de Hollanda é amada.
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Faço alguns comentários:
É um assunto interessante. Quem são os artistas de "menor expressividade" convidados pelo MinC? Há, aí, alguma tentativade promover artistas menores ou é apenas jogo de cena do ministério?
A pergunta é pertinente, pois o que mais vemos são financiamentos sem qualquer propósito - relembrem o caso da bolada para um blog da Maria Bethânia - para medalhões, enquanto os verdadeiros promotores de cultura livre e alternativa ficam à mingua. O caso dos Pontos de Cultura são apenas um exemplo da exclusão ao alternativo e popular promovido por Ana de Hollanda, ministra da Cultura (de qual cultura não se sabe).
Não sou leitor do Paulo Coelho, não tenho grande interesse por seus temas, mas nutro alguma simpatia por sua defesa do compartilhamento livre de cultura, algo que o faz se chocar diretamente com o MinC. Paulo Coelho chegou a escrever para grandes jornais defendendo o que conhecemos por pirataria, enqunto o MinC sob a (falta de) gestão de ana de Hollanda se aproximou do ECAD, pôs um ponto final na discussão da cultura livre e até mesmo ensaiou aproximação com gravadoras e detentores de copyright.
Não surpreende, pois, se a questão toda não se basear apenas em briguinha pessoal da Ministra com Paulo Coelho, usando "artistas de menor expressão" como desculpa.
A idéia de levar artistas menores, mas bons, não é ruim. Ou não seria, se Ana de Holanda tivesse algum histórico de incentivar esta classe. Seus incentivos se limitam aos mais abonados e famosos, tanto via financiamentos gigantes a medalhões, como seu apoio ao ECAD.
Enfim, é pertinente questionar quais os critérios usados pelo MinC na seleção dos artistas e porque investir tanto dinheiro em um evento que, aparentemente, não receberá ou não recebe tanta atenção do ministério?
As ações de Ana de Hollanda como ministra contradizem qualquer boa vontade e tentativa de inovar e promover diversidade na questão do festival.
Já é normal a grande quantidade de acontecimentos estranhos vindos do MinC mas o que nos chama atenção agora é o Festival Europalia. Esse festival, já em sua 23.ª edição, é um megaevento cultural europeu que acontece na Bélgica ( que se estenderá por mais cinco países - Luxemburgo, Holanda, Alemanha e França - ) e que terá em 2011 o Brasil como tema.
A importância do Festival é tamanha que será aberto esse ano , dia 04 de outubro , pela Presidente Dilma.
Até ai tudo normal não fosse um curioso fato: O descontentamento dos organizadores belgas com as atrações culturais que serão levadas pelo Brasil ao evento. Esse descontentamento se daria porque as atrações culturais que estarão sendo levadas seriam de pouca expressividade .
Essa pouca expressividade, segundos os belgas, fica notória principalmente no tocante as atrações musicais e literárias. Esperava-se que o Brasil levasse à Bélgica grandes nomes da música popular brasileira o que não vai acontecer. Porém o que trouxe mais indignação aos organizadores do evento tem nome e sobrenome: Paulo Coelho .
Não é novidade alguma que Paulo Coelho é hoje a maior referência que se tem no exterior da produção cultural brasileira e exatamente por isso a organização do evento achava vital a presença dele no festival. Usando-se sabe lá quais critérios o MinC foi contra o que foi proposto pela organização do evento e decidiu não levar o escritor carioca ao festival.
A partir daí as relações entre a organização do festival e o MinC desandaram de vez. Declarou a Ministra Ana de Hollanda: "A visão dos belgas não é a mesma que a nossa, precisa haver um afinamento". Bem, a visão dos belgas é clara: levar ao festival os nomes mais expressivos da produção cultural e artística brasileira. Resta então a dúvida: Qual será a visão do MinC?
Diante toda essa celeuma entre os organizadores do festival e o MinC a curadora Flora Süssekind se posicionou da seguinte forma, referindo-se aos organizadores belgas: "São pessoas despropositadas que não tem informações sobre o que está acontecendo".
Apesar disso Flora Süssekind solicitou aos organizadores do festival a utilização do centro cultural Bozar, um dos mais importantes centros culturais europeus, tendo ouvido a seguinte resposta: "não podemos receber nesse espaço ninguém menos que o escritor Paulo Coelho" resposta essa baseada no fato de que apenas ele conseguiria lotar o espaço.
Então Flora Süssekind decidiu dispensar a utilização do espaço cultural Bozar pelo Brasil .
Ante todos esses fatos e somado ao fato de que o Brasil gastará nesse evento 30 milhões de reais, o mais caro projeto até agora realizado pelo MinC, ficam algumas questões:
1 - Quais os critérios utilizados pelo MinC na escolha daqueles que vão representar o Brasil em eventos nos quais são utilizados verbas públicas?
2 - Sendo o Festival Europalia o maior evento cultural da europa porque, e justamente no ano em que o Brasil será homenageado, decidiu o MinC levar atrações culturais de menor expressividade tanto no Brasil quanto no exterior?
3 - Será que não houve realmente um preconceito do MinC contra o escritor carioca Paulo Coelho como ele mesmo disse na rede social twitter (mas para usar a imagem do escritor como um dos propagandistas da Rio 2016 não houve qualquer preconceito. Dois pesos e duas medidas ? ). Links para tuítes do Paulo Coelho: 1, 2 e 3.
4 - A produção artística e cultural brasileira, apesar da pouca expressividade das atrações, está realmente sendo bem representada no Festival Europalia? Se está então porque os produtores do evento ficaram tão chateados e segundo a própria Flora Süssekind estão demonstrando agora "total desinteresse"?
5 - Os 30 milhões que estão saindo dos cofres públicos estão sendo bem empregados ?
Com a palavra o MinC ....
Links pertinentes: "Barrado na Belgica", do blog do Paulo Coelho, Barrados na Bélgica, da Folha e matéria sobre como ana de Hollanda é amada.
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Faço alguns comentários:
É um assunto interessante. Quem são os artistas de "menor expressividade" convidados pelo MinC? Há, aí, alguma tentativade promover artistas menores ou é apenas jogo de cena do ministério?
A pergunta é pertinente, pois o que mais vemos são financiamentos sem qualquer propósito - relembrem o caso da bolada para um blog da Maria Bethânia - para medalhões, enquanto os verdadeiros promotores de cultura livre e alternativa ficam à mingua. O caso dos Pontos de Cultura são apenas um exemplo da exclusão ao alternativo e popular promovido por Ana de Hollanda, ministra da Cultura (de qual cultura não se sabe).
Não sou leitor do Paulo Coelho, não tenho grande interesse por seus temas, mas nutro alguma simpatia por sua defesa do compartilhamento livre de cultura, algo que o faz se chocar diretamente com o MinC. Paulo Coelho chegou a escrever para grandes jornais defendendo o que conhecemos por pirataria, enqunto o MinC sob a (falta de) gestão de ana de Hollanda se aproximou do ECAD, pôs um ponto final na discussão da cultura livre e até mesmo ensaiou aproximação com gravadoras e detentores de copyright.
Não surpreende, pois, se a questão toda não se basear apenas em briguinha pessoal da Ministra com Paulo Coelho, usando "artistas de menor expressão" como desculpa.
A idéia de levar artistas menores, mas bons, não é ruim. Ou não seria, se Ana de Holanda tivesse algum histórico de incentivar esta classe. Seus incentivos se limitam aos mais abonados e famosos, tanto via financiamentos gigantes a medalhões, como seu apoio ao ECAD.
Enfim, é pertinente questionar quais os critérios usados pelo MinC na seleção dos artistas e porque investir tanto dinheiro em um evento que, aparentemente, não receberá ou não recebe tanta atenção do ministério?
As ações de Ana de Hollanda como ministra contradizem qualquer boa vontade e tentativa de inovar e promover diversidade na questão do festival.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Do ECAD ao Paulo Coelho: A saga do MinC continua ...
2011-09-28T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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domingo, 17 de maio de 2009
Checkponit Rock. Canciones desde Palestina!
Documentário dirigido por Fermin Muguruza, importante cantor e ativista Basco, sobre a música e a resistência Palestina. Mais infos no site do autor.
Via ASEH - Associação de Solidariedade com Euskal Herria
Checkpoint Rock. Canciones desde Palestina é um “canto à vida” que o músico irundarra Fermin Muguruza apresentou no dia 30 no encerramento do Festival de Cine y Derechos Humanos de Donostia e com o qual pretende dar voz a um país cosido por fronteiras artificiais e ocupado por um Estado que evita difundir a existência cultural perante o resto do mundo e, por conseguinte, “encarcera” uma identidade musical que emerge por entre os muros de separação.
A morte do poeta nacional palestiniano Mahmoud Darwish a 9 de Agosto do ano passado é o ponto de partida do documentário Checkpoint Rock. Canciones desde Palestina. O decesso deste artista orienta Fermin Muguruza para chegar a diferentes criadores emergentes do país, como o fez Darwish com a sua poesia na carreira destes jovens artistas. Clássicos, rappers e rockeiros misturam-se num país fortemente ocupado pelo Exército israelita e com grandes dificuldades políticas e fronteiriças, o que lhes dificulta ainda mais encarreirar a sua profissão como músicos e, por conseguinte, difundir as suas criações. Checkpoint Rock. Canciones desde Palestina viaja desde “os anúncios publicitários e o néon” de Tel Aviv até aos checkpoints para conhecer os territórios ocupados da Cisjordânia, e acaba em Gaza. Nesse percurso, com a inestimável colaboração de Angel G. Katarain, captam em directo a música de DAM, que foi o primeiro grupo de rap palestiniano, do grupo de rock Khalas, formado por três palestinianos, ou da cantora e actriz Amal Murkus, que dedicou a sua carreira a promover a música e a cultura palestiniana em Israel e no exterior. Safaa Arapiyat, Walla’at, Habib Addeek, Muthana Shaban, Shadi Al-Assi, Sabreen, Palestinian Rapperz e Le Trio Jurban são os nomes dos restantes músicos que protagonizam esta fita, uma diversidade de estilos que possuem um traço em comum: a quase totalidade das suas letras faz referência ao conflito palestiniano. Muguruza mergulhou nessa “luta cultural” que cada vez ganha maior impulso e se vai despindo perante um planeta que pouco ou nada conhece da existência da cultura no país. Este documentário, que encerra o Festival de Cine y Derechos Humanos de Donostia, serve como trampolim para estes artistas poderem expressar perante o mundo o que pensam, como vivem e que futuro desejam.
Documentar a realidade
O músico surgiu na apresentação do filme acompanhado pelo realizador da fita, Javier Corcuera, e cinco músicos que participaram em primeira-mão neste projecto: Kher Fody (Walla’at), Suhell Nafar (DAM), Amal Murkus, Safaa Arapiyat e Habib Addeek. Estes criadores realçaram que “antes da ocupação de 1948 havia muita cultura na nossa terra. A Palestina era um dos lugares centrais no que respeita à música e ao desenvolvimento da cultura do mundo árabe. Hoje em dia, pode ser que o trabalho que fazemos não seja tão profissional, mas há muitas tentativas dos israelitas para evitar que a nossa cultura se desenvolva”. Por isso, afirmaram que tinha sido necessário que um estrangeiro viajasse até à Palestina para “documentar o que vivemos”. “Somos um povo com uma ferida muito grande – disse Amal Murkus. A nossa vida está repleta de misérias, mas amamos a nossa vida, e que alguém acredite na nossa voz e na nossa capacidade enche-nos de felicidade”. Muguruza, por seu lado, afirmou que este trabalho é um “canto à vida, a celebração de um encontro, da troca de sentimentos que sempre pudemos fazer através da música e que agora fazemos também através do cinema”.
Escuridão
Apesar de as notícias da Palestina serem um ingrediente diário dos serviços informativos nas televisões e nas rádios de todos os meios de comunicação, o certo é que não nos chegam dados sobre a saúde da cultura no país. Murkus considera que em tudo o que tem a ver com a cultura palestiniana, “sentimos que há algo de escuro em seu redor; não quero dizer que seja censura, mas há uma escuridão que impede as pessoas de verem o que se passa no país a nível cultural”. Em seu entender, a Palestina conta com diversas realidades e nem todas se mostram ao mundo. “Andamos há 61 anos a fazer cultura, mas isso nunca se mostra, há coisas mais importantes para os ocidentais”, referiu.
Ariane KAMIO
Notícia completa: Gara
Abaixo o trailer do documentário:
Via ASEH - Associação de Solidariedade com Euskal Herria
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
22:06
Checkponit Rock. Canciones desde Palestina!
2009-05-17T22:06:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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