Mostrando postagens com marcador Heloísa Helena. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Heloísa Helena. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A mídia se refestela... e o PSOL se esfacela!

Leiam a seguinte notícia da Falha:
Na sábado, um congresso do partido no Rio de Janeiro escolheu Plínio como pré-candidato. No entanto, o grupo de Heloisa Helena se recusou a participar do encontro e fez uma reunião paralela contestando a escolha de Plínio.
Segundo os aliados da ex-senadora, o Diretório Nacional do PSOL fez uma jogada para tirar delegados favoráveis a Martiniano Cavalcante. Plínio foi escolhido por 89 delegados. O grupo de Heloisa Helena diz ter 91.
"Não satisfeitos em impor burocraticamente o candidato do PSOL à Presidência, nesta mesma suposta reunião do Diretório Nacional rasgaram o estatuto partidário e retirou as atribuições de nossa presidente nacional, Heloisa Helena", diz manifestou divulgado pelo grupo da vereadora.
De acordo a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), que também apoiou Martiniano, o partido deve se reunir depois das eleições para eleger uma nova diretoria. "Decidimos mesmo contrariados, não recorrer dessa decisão e aceitar Plínio como candidato. Optamos por fazer isso em beneficio do PSOL", disse a deputado.
Segundo ela, Martiniano tinha o apoio da maioria da base do partido e não da cúpula. Mas, a deputada disse que a briga interna prejudica apenas ao PSOL. 
O mesmo conteúdo sob diversas formas foi divulgado pela grande mídia nos últimos dias. O PSOL chegou ao fim?

Mas esta não é a análise que quero fazer neste momento, sobre o possível fim do PSOL como alternativa viável na política já fiz no artigo "O que resta ao PSOL", meu objetivo aqui é analisar os discursos e o que está por trás da crise - mais uma - da Convenção e da candidatura do Plínio.

Comecemos pela desgraçada Deputada Luciana Genro. Ela e sua tendência tem um histórico incrível de chorar ante a derrota. De rachar quando se vêem em desvantagem. No último Congresso do PSOL - do qual participei - o MES, corrente de Genro, ameaçou se retirar do mesmo se as demais tendências aventassem a possibilidade de discutir a questão do Aborto. A razão? HH não queria, é contra o Aborto.

Se não respeitada esta vontade, este personalismo, o MES melaria a Convenção.

Eu comentei na época:
Eis que, no meio da discussão sobre o aborto - todos sabem que a HH é contra e ela faz questão de deixar sua opinião pública - o MES resolve abandonar o congresso porque não achava que o tema era apropriado para ser debatido!
"Sou do PSOL, sou radical, eu não aceito o dinheiro da Gerdau"
Musiqunha da CSOL/APS para o MES
O MES é o grupo, hoje, mais próximo da HH, ainda que a CST idolatre de forma quase religiosa a ex-senadora, e em uma deturpada noção de solidariedade, resolveu que não iria discutir nada sobre o Aborto e pôs um ponto final na discussão quando ameaçou se retirar do congresso. Uma demonstração absurda de sectarismo e desrespeito.

Por ser um partido de tendências, ninguém pode impor ao MES absolutamente nada, porém, sendo minoria, cabia ao MES aceitar a opinião dos demais. A Heloísa Helena, aliás, deveria se colocar em sue lugar e, como Lula, acatar a posição do partido.

Vejam que agora, novamente, a Luciana Genro esperneia quando se vê em minoria. Fazer algo em benefício do PSOL não é feitio da nobre Deputada ou de sua corrente, aliás, sobre o MES, vale a leitura de um pequeno resumo sobre o que considero a direita do PSOL. Não dá para confiar nesta figura.

Os problemas não pararam por aí.

Logo depois veio a piada da aliança com o PV e com a Marina Silva, a neocom ambientalista que, assim como a HH, é contrária ao Aborto. HH definiu que queria porque queria a aliança, mas felizmente foi derrotada. Mais uma crise temporariamente superada.

Desde o início, vale citar, o nome da Heloísa Helena era certo para a presidência, mas esta preferiu garantir sua eleição, seu salário e sua notoriedade concorrendo ao Senado. Escolheu o viés eleitoreiro ao invés da construção de uma base e do debate. E, no fim, descambou para o racha do partido.

Lembrem-se, antes de mais nada, que a chapa que serve de sustentação à candidatura do Plínio saiu vencedora do Congresso, como mostrei aqui, com uma margem de 30 votos, quase o tamanho da CST do Babá que, agora, apoiou a candidatura do Plínio.

Tendo estes números em mente, é interessante notar que a alegação do grupo dos insatisfeitos de que teriam uma suposta maioria absoluta dos votos é, no mínimo, descabida. Do Congresso, o campo do Plínio e do Babá, somados, tinham mais de 60 votos (68 no total)  além dos do grupo da HH, Martiniano, Genro e cia, então como explicar que poucos meses depois o MES e MTL cresceram de forma nunca antes vista e viraram a franca maioria?

Fraude talvez?

Sim, exatamente a fraude que foi detectada pela direção do partido, denunciada e revista. O que garantiu a derrota de Martiniano e da manipulação.

No site de Martiniano, algo para rir:
Nem no primeiro, nem no segundo Congressos do PSOL aconteceram eleições na base tão disputadas e tão fiscalizadas.
Nesta conferência seguimos todas as regras e elegemos de maneira legal e legítima uma maioria incontestável de 90 delegados contra 86 delegados somados por Plínio e por Babá.

Segundo o derrotado, especificamente NESTA eleição interna - que ele não vai recorrer, porque será, se tem a razão? - é que o processo foi o mais justo, democrático, legal, fiscalizado... E os outros não foram? De uma minoria considerável seu grupo passou para a maioria absoluta em eleições fiscalizadas? Isto seria crível se a eleição anterior - que indicou uma grande maioria dos opositores da HH - tivesse sido contestada. Como uma diferença tão grande e gritante passou despercebida?


Martiniano completa:
"Este conjunto de iniciativas espúrias tomadas pela insignificante maioria burocrática instalada no Diretório Nacional e em sua Executiva violaram definitiva e irreparávelmente a legitimidade e a legalidade da III Conferência Eleitoral Nacional do Partido Socialismo e Liberdade."
A "insignificante maioria" - 68 votos, que fique claro, quase metade da votação do MES/MTL - foi decidida em congresso, com debate, votação, com direção anterior presente, com HH presente... Então eis que Martiniano considera ilegítimo o Congresso do PSOL?

O fato de gente intransigente e revoltada como os derrotados sequer aventarem a possibilidade de recorrer significa apenas que sabem que tentaram ganhar no grito, no roubo e não pela base, com debate, embate de idéias. Dizer que aceitam a derrota para não rachar o PSOL é mentiroso e risível, mas afirmar que não farão campanha para o Plínio, ou seja, para o próprio PSOL, é criminoso.

Ao contrário de alguns, porém, sou contra a expulsão destes péssimos elementos. Seria prejudicial para o PSOL e para a democracia como um todo. Acredito que estes revoltosos devessem ser proibidos de votar e ser votados nas instâncias partidárias e tivessem suas tendências diluídas pelo tempo que fosse necessário para aprenderem um pouco de humildade e a respeitar o jogo democrático dentro da própria agremiação.

E que se sintam livres para abandonar o barco no primeiro caso em que os ratos sairão primeiro.
------

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

PSOL: "O MES é a direita do PSOL"


O título é parte da musiquinha cantada em coro por todas as demais tendências presentes ao Congresso do PSOL no fim-de-semana passado. E é a mais pura verdade, ao menos pela tremenda demonstração de sectarismo continuada. E, pelo que se vê, a posição do MES permanece a mesma, a de rachar o partido e de se recusar a se submeter à vontade da maioria, provando que o PSOL é uma federação de partidos, mas não um partido.

Comento abaixo a carta de Roberto Robaina, uma das mais destacadas lideranças do MES, publicada no site da Deputada Luciana Genro e que é uma demonstração precisa do sectarismo e personalismos destacados pela chapa vencedora ao longo do congresso e que pode acabar por rachar irremediavelmente o partido nos próximo meses.

Balanço do Congresso do PSOL para os militantes

Reproduzo o texto assinado por Roberto Robaina de balanço do nosso congresso, com  o qual estou de pleno acordo. 
Primeiro Rascunho de balanço do congresso do PSOL
O balanço positivo da nossa intervenção no II Congresso do PSOL se materializa na enorme vitória que obtivemos: Heloísa Helena foi reconduzida à presidência do partido, graças à batalha política que travamos em unidade com o MTL, unidade esta que se consolidou na chapa apresentada para direção do partido, encabeçada por Heloísa Helena.  
A verdade é outra. Heloísa Helena foi reconduzida à presidência do PSOL por uma atitude nobre por parte da chapa vencedora, formada por APS/CSOL/Enlace e outros grupos. Não houve qualquer "vitória" por parte do MES/MTL. A tentativa de "ganhar", ou melhor, de capitalizar em cima de uma derrota é lamentável.
 O bloco que construímos neste processo é extremamente representativo: Heloísa Helena, Luciana Genro, os  presidentes do PSOL de Goiás, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Milton Temer,  presidente da Fundação Lauro Campos ,o deputado estadual de SP Carlos Gianazzi, o deputado suplente do RS Geraldinho, os vereadores Elias Vaz, de Goiânia, Fernanda Melchionna e Pedro Ruas de Porto Alegre, Ricardo Barbosa de Maceió e valorosos militantes de vários estados.
 Bom bloco. O outro lado, porém, contava com Raul Marcelo, Plínio de Arruda Sampaio, Ivan Valente, grande parte da militância paulista e, sem dúvid,a é o bloco que representa a maioria do partido, tendo, enfim, vencido o Congresso.
 Este bloco se constituiu com  uma unidade firme e resoluta,  conta com   40 %  do partido e é encabeçado pela própria  presidente do PSOL. Esta unidade não termina com o Congresso do partido. 
 Vejamos, se tomarmos como referência o número de delegados e os respectivos votos no Congresso, o MES/MTL conta com pouco mais de 41% do partido. Mas a Chapa 1, por outro lado, conta com mais de 48%. O que o companheiro Robaina não percebe é que, por mais que seja amplo o apóio à sua linha, o apóio à linha oposta é ainda maior. Tentar usar estes 41% de apóio para manobrar a votação e as dsicussões está longe de ser uma atitude socialista, revolucionária e radical, como cantavam.
Vamos seguir juntos  no pós congresso travando na base a batalha política para que o PSOL que siga no caminho iniciado na sua  fundação. Um partido de esquerda que dialogue com  o povo, não apenas um partido de propaganda socialista, mas sim de combate, que lute para ter incidência real na conjuntura do país e não fique apenas fazendo discurso para a vanguarda. Um partido que aproveite as oportunidades, as fissuras na classe dominante para se credenciar junto ao povo, incentivar a mobilização e ajudar os movimentos sociais a se fortalecer para enfrentar os governos e a burguesia. A exemplo do que estamos fazendo no Rio Grande do Sul, onde o PSOL está no centro da luta política denunciando a corrupção do governo Yeda e desta forma ajudando os sindicatos a barrar os ataques aos  direitos dos trabalhadores e o desmonte do Estado. 
É o que TODOS esperamos. Na verdade, o único problema desta parte do artigo é a de que a tendência de Robaina e Genro buscaram, no Congresso, limitar o discurso do PSOL à corrupção. Nestes termos o Maurício Caleiro, do excelente Cinema e Outras Artes, estaria correto em afirmar que o PSOL é o Partido de Sustentação da Oligarquia. Seria defender apenas o discurso moralista, se igualar aos Demotucanos que batem continuamente nesta tecla, até mesmo porque tal grupo não tem qualquer outra opção - ainda que seja tão podre quanto os que acusam.
O PSOL deve ser um partido unido na luta contra a corrupção, claro, mas não só. Deve ser unido na defesa intransigente e radical de um programa socialista, de um programa que englobe e atraia os movimentos sociais, a base. O que se viu no Congresso foi o enorme potencial, mas para por aí. O que vimos, também, foi um enorme potencial gasto em picuinhas e brigas por cargos e direção.
Heloísa Helena endeusada como líder e guia supremo, assim como foi e ainda é com Lula no PT. Se é para repetir estes mesmos erros, qual o sentido em se fundar um partido crítico e à Esquerda? Para repetir os mesmos erros nem bem o partido foi fundado?
Nosso bloco conseguiu derrotar a articulação dos defensores da tese Novos tempos para o PSOL (APS e Enlace) para tirar Heloísa Helena da presidência do partido. 
 Desculpa mas... ONDE?
Vai resultado do congresso de novo:

Chapa 1: APS/CSOL/ENLACE/REVOLUTAS/TLS/Rosa do Povo/Independentes 182 votos
Chapa 2: CST/CSR/Bloco de Resistência Socialista/Trotskystas 36 votos (Corrigido: 38 votos)
Chapa 3: MES/MTL/Independentes do Rio 156 votos (Corrigido: 152 votos)

Aprox. 374 votantes (Corrigido: 372 votos)
Para os militantes, discursos inflamados em defesa da candidatura de Heloísa à presidência da república, nos bastidores a intenção de removê-la da presidência do partido. Aqueles que mais insistiam em votar uma resolução indicando Heloísa como candidata à presidente da república negaram-se a indicar, de modo unitário em uma votação em separado, Heloísa como presidente do partido.   
Bem, não foi o que vimos no fim. A chapa vencedora abriu mão de sua indicação. A unidade do partido veio antes do sectarismo e do personalismo.

Durante o Congresso chegaram ao cúmulo da agressão contra Heloísa, promovendo uma “ocupação” do palco da mesa do  congresso para constranger Heloísa com  uma votação a favor do aborto. Queriam obrigar Heloísa a defender o que ela não acredita, da mesma forma que o PT tentou nos obrigar a votar a favor da reforma da previdência. Embora o mérito seja  totalmente diferente, pois a discriminalização do aborto é uma bandeira  justa, o método da coação é inaceitável em qualquer caso.  
Apenas eu vejo a contradição? A discriminalização do aborto é justo MAS, me expliquem, porque o MES se recusou a discutir o assunto então? E, sim, a Heloísa Helena não pode declarar publicamente ser contra o aborto se o partido decide o contrário. Não estamos falando de uma divergência em uma ou outra votação menor e sim de uma bandeira histórica do Pt, passada ao PSOL e bandeira do movimento feminista em todo e qualquer lugar do mundo. É uma bandeira das Esquerdas e dos Socialistas. Se Heloísa Helena quer ser a presidente do PSOL como pode, então, discordar publicamente de algo tão básico?
Vale lembrar que o PT, desde os anos 90, defende o aborto, a legalização deste. Lula é contra mas publicamente defende a diretriz do partido. O caso da reforma da previdência não tem qualquer relação com o assunto atual. Uma coisa é o PT abandonar suas bandeiras e a direção obrigar os parlamentares a votar contrários à sua consciência.Outra, bem diferente, é a discussão na base de uma bandeira Socialista e feminista e a recusa de uma das alas em sequer tocar no assunto. Ou, ainda pior, a Presidente do aprtido divergir publicamente da base.
Estamos falando de base e não de direção ou imposição.
A “nova maioria” que dizia se conformar em defesa da pluralidade e da democracia interna mostrou-se autoritária e desrespeitosa. Depois deste episódio, que nos obrigou a retirar-nos temporariamente do Congresso,  eles  recuaram da tentativa de remover Heloísa da presidência do partido. Já não tinham como sustentar os ataques e nem como explicar à base do partido por que nossa principal porta voz, aquela que todos queremos ver disputando a presidência da república, não mais seria presidente do partido.  
A "nova maioria" se mostrou desrespeitosa e autoritária por querer defender uma bandeira histórica? Mostrou-se autoritária por pedir às bases que decidissem uma diretriz? Apenas por desagradar à Heloísa Helena deve-se desistir das bandeiras e deixar passar?

Heloísa Helena encabeçou a chapa do MES – MTL  e independentes (grupo de Milton Temer  e grupo do deputado Gianazzi de SP), e embora nossa chapa tenha tido 30 votos a menos que a chapa da APS, Enlace, CSOL e deputado Raul Marcelo, indicamos a presidência do partido. 
A chapa 1, repito pela milésima vez, manter a unidade do partido. Sem sectarismo ou personalismo.

O fato da chapa 1 não ter indicado o presidente do partido foi  um claro  recuo  diante da evidência de que nenhum outro dirigente teria a legitimidade que tem  Heloísa para ser presidente do PSOL. Felizmente os companheiros se deram conta disso a tempo.   
Erro básico de análise de conjuntura. Talvez cegueira. Não quero pensar em má fé e oportunismo. Realmente prefiro pensar que é só inocência ou falta de tato. Mas é difícil aceitar de boa vontade que realmente o Robaina tenha dito tal barbaridade. A Chapa 1, a vencedora, agindo de boa fé e pela unidade, abriu mão de indicar alguém - Plínio, Ivan, tantos outros! - e recebe em troca uma apunhalada: "Não tem quadros", não tem legitimidade"!

Pois, vejam, a legitimidade da chapa vencedora se deu pelo simples fato de ter saído vencedora, de ter a base ao seu lado! Mas, realmente, eu mesmo vejo Heloísa Helena como presidente natural, é figura pública, notória, reconhecida e está em seu ambiente como figura pública da legenda - ainda que deva se adequar à base do partido em certas posições - mas de forma alguma sua indicação se deveu À qualquer falta de legitimidade do outro lado. É um argumento falso e absurdo.
 Esta foi uma grande vitória política. O PSOL segue comandado por aquela que é a nossa maior guerreira, o símbolo da luta sem quartel contra o PT e o PSDB, aquela que não vacilou na luta contra a reforma da previdência, que confrontou Lula desde o primeiro momento contra Sarney e Henrique Meirelles, que conduziu o nosso partido nestes 5 anos de forma vitoriosa, fazendo do PSOL uma referência para amplos setores de massas que graças a nossa denúncia permanente “dos segredos profissionais” dos políticos corruptos sabem que o PSOL não faz parte deste balcão de negócios.   
Figura de maior visibilidade, líder com carisma e boa líder até, mas "A maior"? "Aquela que não vacilou"?

Concordo que seja referência, é a mais pura verdade, mas nem de longe é a maior ou única líder e figura relevante. Ela talvez personifique muitas das qualidades que os militantes desejam na liderança mas TODOS os uqe foram expulsos do PT e que se integraram ao PSOL para continuara luta, o uque entraram depois mas estão comprometidos com a luta Socialista são igualmente guerreiros. Igualmente não vacilaram, fundaram o PSOL, correram atrás da base, lutam e continuarão lutando.

Este personalismo lembra o PT. Lula´e o líder incontestável, personifica a luta, é o maior guerreiro. São os mesmos argumentos que o PT usa quando trata de seu líder inconteste. É isto que quer o PSOL? Ser um PT parte 2?

Heloísa Helena é uma grande figura, uma grande líder mas não é insubstituível, não é a única nem a maior. Não existe o maior, existem OS maiores, AS maiores, TODOS e TODAS as militantes que doam seu tempo, suas vidas ao partido.

Todos sabemos que o II Congresso do PSOL  foi precedido de uma dura luta política.  Todos os que participaram de alguma plenária escutaram os companheiros da APS e de outras correntes acusarem o MES de não dar bola para a crise econômica e só centrar na questão da corrupção. 
Não sei quanto às plenárias mas durante todo o congresso o MES realmente não falou só em corrupção. Também elevou Heloísa Helena à categoria de deusa. Realmente, está errado.

Mas, falando sério, o falso moralismo e a corrupção dominaram o discurso do MES. É um fato.

Na folha de SP de hoje Ivan Valente repete este discurso, acrescentando que  a sua chapa “vitoriosa” no congresso vai além “porque para ser contra a corrupção não é necessário ser de esquerda”. 
Alguém compreende o porque das aspas? Preciso colocar aqui de novo o resultado do Congresso? 182x156 votos para a chapa do Ivan Valente?

E, realmente, tem que ser de esquerda para ser contra a corrupção? não falo dos DemoTucanos que são de direita e tão corruptos quanto os que acusam, mas esta falsa-moralidade de "só a esquerda é anti-corrupção" é, no mínimo, ridículo. 
Após meses de  uma falsa polarização entre os que supostamente não dão  bola para a crise e os que a denunciam, a declaração de Ivan pós congresso permite-nos identificar  uma divergência importante sobre o tema da corrupção. Para nós  a bandeira da luta contra a corrupção é da esquerda, está nas mãos da esquerda, e só a esquerda pode ser conseqüente nesta luta. 
Se estivermos falando da luta meramente parlamentar, eleitoral, realmente. No congresso só o PSOL tem legitimidade para falar do assunto. Mas a vida não se imita ao parlamento.


É  PSOL e não o DEM que pode , e já está se credenciando junto ao povo por denunciar a corrupção. 
No parlamento, é verdade.Mas, cá entre nós, afirmar que no mundo só os de esquerda são honestos não é mais sectarismo, é fanatismo religioso.

Outros  podem fazer discursos mas que não se sustentam pela sua história passada e a sua prática presente. Parte da nossa tarefa política é demonstrar ao povo esta incoerência, o que só pode ser feito se formos os primeiros e os mais combativos na denúncia e na exigência de punição aos corruptos. Uma das razões pelas quais esta bandeira é tão importante para o PSOL é justamente porque não podemos deixar que o povo se engane achando que “para ser contra a corrupção não é necessário ser de esquerda. ”  É necessário  sim! 
Acusação séria! Então todo e qualquer indivíduo identificado com a direita ou o centro é corrupto ou defende a corrupção enquanto prática legítima?

Além disso, sabemos  que a melhor forma de lutar contra a crise – e não só fazer propaganda dela – é encontrar as bandeiras que mais mobilizam o povo, sabendo que a crise econômica também se expressa numa profunda crise moral pois a burguesia se utiliza de mecanismos corruptos para sustentar seus lucros e seus privilégios. 
Correto. Mas nem tudo. O erro, porém, é adotar uma só bandeira a do combate à corrupção, como tema central de campanha e de programa.

Por fim, o fato do nome de Heloísa Helena não ter sido oficialmente apontado como candidata a presidente da república não tem maior importância. Nem Dilma, nem Serra, nem Marina, nenhum dos prováveis candidatos foi ainda apontado oficialmente por seus partidos. Heloísa é nossa candidata natural e assim permanecerá até que seja realizada a conferência eleitoral do partido e a decisão final seja tomada. Não temos dúvida da importância  da candidatura de Heloísa à presidência da república. 

Não consigo enxergar, honestamente, nenhuma "naturalidade". Aliás, como já disse, esta "naturalidade" se esperava do PT em suas indicações do Lula.
São 3 meses de campanha eleitoral, um período curto mas importante para nos fortalecermos  como uma alternativa de esquerda para o Brasil. Mas também acreditamos a companheira Heloísa  tem todo o direito de explorar a possibilidade de se candidatar ao Senado, já que está em primeiro lugar nas pesquisas e se eleita obteria um mandato que colocaria o PSOL em outro patamar político dentro do Congresso Nacional durante  8 anos. 

Exatamente meu ponto, como demonstrei em postagem anterior. Heloísa Helena está praticamente eleita para o Senado e seria muito melhor para o PSOL - que parece precisar de grandes vitórias para se firmar e se manter unido, enquanto federação - garantir uma presença forte numa das casas mais problemáticas e polêmicas. Melhor que apenas queimar um de seus mais visíveis e relevantes cargos em uma candidatura que, convenhamos, todos sabemos que não irá vencer.

É o momento de seguir o debate e principalmente de construir uma proposta programática. O MES deu sua contribuição apresentando um rascunho de 80 páginas, que foi   distribuído no Congresso. Uma primeira contribuição ao debate, aliás  a primeira e até agora única  contribuição mais global  apresentada ao partido , elaborado por uma Comissão Nacional do MES, que vai seguir trabalhando junto com a militância do PSOL que com certeza tem muito a contribuir nesta discussão. 
E o primeiro passo para seguir com o debate é não considerar um assunto de máxima relevância como não merecedor de atenção.
Além do debate programático, as principais tarefas  que se colocam para a militância do PSOL após o  congresso são: seguir a campanha pelo Fora Sarney com panfletos, cartazes, abaixo assinados; divulgação da luta pelo Fora Yeda, governadora corrupta do PSDB gaúcho,  principalmente em SP território do PSDB de Serra; e engajar-se na batalha pela construção de uma nova central sindical, conforme a resolução votada no congresso. Além disso, temos a tarefa de apoio à luta do povo Hondurenho contra o golpe de direita, inclusive com a ida de uma delegação do PSOL ao país para participar da resistência. 

É importante ressaltar também a vitória que foi a realização do seminário internacional, três dias antes do congresso, uma parceria da Secretaria de Relações Internacionais do PSOL (dirigida pelo MES) com a Fundação Lauro Campos. Dirigentes revolucionários de vários países se fizeram presentes, com destaque para o líder da resistência  Hondurenha, Gilberto Rios, dirigentes  políticos, sindicais e parlamentares   da Bolívia, do Perú, Colômbia,  Venezuela, Argentina, além de representantes do NPA da França, do ISO dos EUA e intelectuais como François Chesnais e Jorge Bernstein. 

Sectarismo desnecessário. Se a Secretaria de RI do PSOL é ou não do MES, que importa? Seria menos valioso o debate se a APS ou o CST fossem diretores da Secretaria?
Saudações, Roberto Robaina
Saudações, companheiro, que o MES consiga sair de seu isolamento sectário e dialogue, por mais doloroso que seja este diálogo. Façam pelo PSOL, pela base, pelo país.
------

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

PSOL: Impressões do congresso [Parte2] [Update]

O resultado final da votação foi:

Chapa 1: APS/CSOL/ENLACE/REVOLUTAS/TLS/Rosa do Povo/Independentes 182 votos
Chapa 2: CST/CSR/Bloco de Resistência Socialista/Trotskystas 36 votos (Corrigido: 38 votos)
Chapa 3: MES/MTL/Independentes do Rio 156 votos (Corrigido: 152 votos)

Aprox. 374 votantes (Corrigido: 372 votos)

Os números podem oscilar algo em torno de 10 para mais ou para menos pois não anotei na hora, só alguns minutos depois, já com os números embaralhados, mas o resultado está correto.

-- A Folha SP confirma 372 os votantes, próximo do número que eu me lembrava --
Apesar da chapa 1 ter obtido a maioria dos votos, houve a opção da chapa em indicar o nome de Heloísa Helena para a presidência do partido, por entender que como principal figura pública do PSOL, a companheira é a que tem melhores condições de representar o partido.
Vitória da Chapa 1, que formará a nova direção e, em uma demonstração de solidariedade e uma tentativa de manter a unidade, a chapa abriu mão da indicação do/a presidente do partido, que continuará a ser a Heloísa Helena.
O último ponto da pauta do congresso, a eleição da direção, terminou com a derrota da chapa apoiada por ela e encabeçada pela deputada Luciana Genro (PSOL-RS). Venceu a chapa liderada pelo deputado federal Ivan Valente (SP), que teve o apoio do deputado estadual Raul Marcelo (SP) e do senador José Nery (PA).
Agora espera-se uma reunião da nova direção - na verdade a divulgação de todos os nomes que ocuparão os principais cargos do partido - para saber como se dará o processo de escolha da nova ou novo candidato à presidência do Brasil pelo PSOL.

Pelos posicionamentos do último dia, a contar por cada tendência, a Heloísa Helena tem tímida vantagem sobre o Plínio de Arruda Sampaio.

E, quanto à indicação, podemos ver dois cenários.

1º cenário:

HH sai candidata a presidente. Não se elegerá mas trará muitos votos para si (vale lembrar que Marina e cia, uma possível candidatura do Ciro Gomes ou Cristovam Buarque podem pulverizar os votos). Mas, a sua cadeira quase garantida ao Senado se perderá. O PSOL sai sem grandes representações no legislativo para ter visibilidade nacional. Para um partidoquase que xclusivamente eleitoral, não é uma boa opção.

2º cenário:

Plínio sai candidato à presidência. Não terá votação surpreendente, por mai ue seja um quadro incrível, não tem muita força nacional. Mas sua maneira de falar, jeito calmo e etc podem ajudar a apagar a imagem de "radical" do partido. Não que a imagem seja ruim, o problema é que a "Classe Mérdia" não acha "cool".
Heloísa não esconde que tem entre as possibilidades a serem analisadas a candidatura ao Senado por Alagoas. Nesse caso, uma hipótese é lançar o advogado Plínio de Arruda Sampaio à Presidência da República.
Mas, em contrapartida, o PSOL assegura uma vaga no Senado, para a Heloísa. O partido teria, então, uma de suas mais combativas e verborrágicas militantes onde deveria estar. Com presença e espaço e pronta para denunciar as falcatruas dos demais senadores e as mazelas do parlamento.
O deputado estadual Raul Marcelo (PSOL-SP) lançou nesta sexta-feira o nome do economista Plínio de Arruda Sampaio à Presidência da República pelo PSOL. A candidatura porém, ainda precisa ser aprovada pelo congresso nacional do partido que acontece até domingo em São Paulo.
Se o PSOL não terá tanta visibilidade nacional, terá presença forte no senado. Acho eu que é justo.

A decisão final sobre quem será o candidato ou candidata sairá em Outubro.
- Qualquer candidatura do PSOL tem como sentido principal a denúncia do que consideramos ser uma farsa: Dois candidatos dizendo a mesma coisa. Entre Serra e Dilma não há a menor diferença. Plínio de Arruda Sampaio
O saldo final do congresso foi positivo. Se existe um sectarismo grande, é fato que ainda existe muito espaço para crescer, para criar e construir, mas a unidade é urgente e necessária. Novas demonstrações do MES ou de outras correntes de intolerância e repúdio ao diálogo podem, porém, pôr tudo a perder. Repito, o PSOL não é ainda um partido, senão uma federação de pequenos grupos antagônicos e este ponto deve ser objeto de ampla discussão, aberta e franca, sob a pena de implosão do partido.

Vale mais uma palavra sobre o personalismo. A defesa de Heloísa Helena chegou à tal ponto que as discussões sérias, sobre idéias, foram abandonadas. Falou-se que ela iria ser sempre a presidente, a candidata, que ela era a personificação do partido. Alguém lembra que outro partido teve eternamente esta atitude? E, no fim, quando finalmente venceu, deu no que deu.

-----------------------------
Quanto à Marina silva, ao menos no primeiro e terceiro dias o nome dela foi apenas superficialmente tocado. Se não me engano um ou outro militante da APS mencionou que era preciso desmascarar a Marina enquanto parte do PV. Ao que parece, não há qualquer intenção da nova direção de se aliar ao PV, seja de que maneira for.

Uma excelente notícia ou indicativo.

"Eu não aceito ser obrigada a não respeitar Marina Silva nas minhas declarações públicas. Isso gera um dissenso partidário. O partido deve construir o seu programa, apresentar as alternativas concretas para o Brasil e só então discutir qual o melhor quadro partidário para representar esse projeto", disse Heloísa à saída do congresso.

"Eu tenho a dizer que Marina Silva é uma das mais valorosas militantes que a esquerda já produziu. E eu não vou aceitar que queiram me proibir de dar essas declarações públicas." A declaração de Heloísa choca-se com o deliberado pelos delegados do PSOL, para os quais a possível candidatura de Marina "não representa a esquerda socialista e democrática".

É o problema sério do personalismo. O partido decide uma coisa, a Heloísa Helena ou outro simplesmente discorda publicamente, sem qualquer respeito pela unidade.

------------------------------------------
As teses debatidas no Congresso:

TESE 1 - Possibilidades do PSOL nos desafios por um Novo Brasil

TESE 2 - PSOL na luta com os trabalhadores para construir o socialismo!

TESE 3 - Em defesa do PSOL democrático, classista e de combate

TESE 4 - Colocar o socialismo na ordem do dia!

TESE 5 - Uma alternativa popular, ecológica e socialista para o Brasil

TESE 6 - Novos tempos para o PSOL

TESE 7 - Postular o PSOL como alternativa para disputar influência de massas

TESE 8 - Um partido militante para um Brasil dos trabalhadores e socialista

TESE 9 - Construir o poder popular em direção ao socialismo e à liberdade

Contribuição - Formação, articulação e lutas: Os desafios do PSOL perante a fragmentação da esquerda socialista

Contribuição - Por um partido em que a base tenha voz e vez!

Contribuição - Romper a cortina de fumaça: A necessidade de um debate amplo e sem preconceitos sobre a questão das drogas

Contribuição - O presente é de luta, o futuro é da gente!
------

domingo, 23 de agosto de 2009

PSOL: Impressões do congresso [Parte1]

Desde sexta o PSOL vive em clima de congresso, de decisão e, como não poderia deixar de ser, em clima de franco sectarismo.

A antiga direção, formada pela aliança entre APS, MES e MTL rachou, dando lugar à formação de 3 chapas que concorreram pela direção do partido neste ano.

Antes de mais nada, deve-se deixar claro que o PSOL ainda tem MUITO caminho para percorrer.

Não é um partido, é uma federação de partidos concorrentes e sectários que se unem sob uma bandeira para poder ter acesso à "democracia burguesa". As bases são fragmentadas, na verdade ainda é preciso muito trabalho de base e para conseguir bases, pois se brincar o PSTU tem mais penetração nos Movimentos Sociais que o PSOL em si e é muito mais sólido.

A unidade entre as correntes só acontece em certos momentos, vejam como são as eleições de DCE's, dificilmente vemos uma chapa "PSOL" e sim uma do MES concorrendo com a da CST e daí em diante. Vejam, por exemplo, que existem correntes do PSOL na Conlutas e outras na Intersindical. Como pode um partido se dividir tanto?

Mas é o que acontece, o PSOL não é um partido ainda, é um PT parte 2 mas sem a mesma base e penetração.

Claro, não sejamos pessimistas, há muito espaço para crescer, para amadurecer e se criarem reais espaços de luta. O congresso de hoje mostrou que existe muita vontade, apesar do MES.

Mas, vamos ao congresso.

Foram apresentadas 9 teses, praticamente cada grupo resolveu apresentar a sua, o que já demonstra o caráter fragmentado do partido. Vale nota a Tese 1, independente, que contava com o endosso de personalidades como Chico Alencar, Milton Temer, Carlos coutinho, Marcelo Freixo dentre outros, a tese 5 do Enlace, a Tese 6, da APS de Ivan Valente, a 7, de Luciana genro e o MES, a 8 do CSOL de Plinio de Arruda Sampaio e a 9, do MTL.

Notem que cada uma destas tendências lançou a sua tese mas formaram chapa logo depois. Era engraçado,no primeiro dia, ouvir aos gritos de guerra e quase ódio de uma tendência pela outra e, no dia seguinte, vê-las se abraçando e xingando outras mais distantes. Meros acordos pontuais, sem real comprometimento.

O primeiro dia foi tranquilo, apresentação das teses, muita conversa, gritos de guerra e ótimos discursos. Nada digno de nota fora o exemplo de sectarismos que explodiram no segundo dia.

Neste primeiro dia, vale ainda lembrar, cada tendência deixou bem clara em quem apoiaria para candidato/a à presidência do Brasil. Todas, menos os independentes e o CSOL defenderam a Heloísa Helena, enquanto os demais ficaram com Plínio de Arruda Sampaio.

A APS e o ENLACE, posteriormente, revisaram suas posições e aparentemente fecharão com o CSOL e Plínio.

No segundo dia, então, foram os GT's.

Eis que, no meio da discussão sobre o aborto - todos sabem que a HH é contra e ela faz questão de deixar sua opinião pública - o MES resolve abandonar o congresso porque não achava que o tema era apropriado para ser debatido!
"Sou do PSOL, sou radical, eu não aceito o dinheiro da Gerdau"
Musiqunha da CSOL/APS para o MES
O MES é o grupo, hoje, mais próximo da HH, ainda que a CST idolatre de forma quase religiosa a ex-senadora, e em uma deturpada noção de solidariedade, resolveu que não iria discutir nada sobre o Aborto e pôs um ponto final na discussão quando ameaçou se retirar do congresso. Uma demonstração absurda de sectarismo e desrespeito.

Por ser um partido de tendências, ninguém pode impor ao MES absolutamente nada, porém, sendo minoria, cabia ao MES aceitar a opinião dos demais. A Heloísa Helena, aliás, deveria se colocar em sue lugar e, como Lula, acatar a posição do partido.

O grande problema do PSOL e de qualquer partido de tendências tão fragmentadas e auto-suficientes é a de que cada líder ou membro de tendência acha que pode falar o que lhe vem à telha, sem respeitar ou observar a posição unificada do partido. É o que a Heloísa Helena faz na questão do aborto e o MES resolveu aderir. Sem dúvida uma vergonha a posição do MES para Luciana Genro, sua principal representante.

O caso Gerdau é outro que teve ampla repercussão ao longo do congresso. Conta todas as demais tendências e a direção do partido, a candidatura de Luciana Genro no rio Grande do Sul aceitou doação da empresa Gerdau. Oras, se uma das maiores críticas ao PT era exatamente a aceitação de financiamento de empresas, na base do "uma mão lava a outra", que acabou por desvirtuar as bandeiras históricas e tornar o partido um jogo nas mãos do capital, então como aceitar financiamento empresarial dentro do PSOL?

O partido não nasceu para combater exatamente isto? Ou existe alguma pureza desconhecida e gigantesca que impedirá o PSOL de se corromper, igual ao PT?

Passada a crise do sábado, no domingo era dia de votar.

As chapas formadas foram três:

Chapa 1: APS/CSOL/ENLACE/REVOLUTAS/Independentes
Chapa 2: CST/LSR/TLS/AS/ARS/CRS/Trotskystas
Chapa 3: MES/MTL

Durante os discursos de defesa das chapas surpreendeu o personalismo e o sectarismo. O discurso de Luciana Genro, Chapa 1, mais parecia uma oração à Heloísa Helena. Nenhuma discussão de propostas, idéias. Era HH no céu e o PSOL na terra para seguir sua palavra.

O discurso de Luciana Genro e do outro membro do MES (que não descobri o nome) se limitou a louvar HH, a chamar de traidores os que se opunham ao nome dela para concorrer à presidência do país.

A chapa do MES/MTL conseguiu ser mais sectária que a Chapa 2, capitaneada pela CST, próxima ao PSTU, o que diz tudo.

A Chapa 2, primeira a discursar, também demonstrou que apóia incondicionalmente - e até religiosamente - Heloísa Helena. Deixou claro de todas as formas que podia. O curioso é que declaravam ter diversas discordâncias, tinha sérios problemas e etc, mas o apóio era indiscutível. Babá deixou tudo muito claro.

A última chapa a discursar, a Chapa 1, formada por APS/CSOL/ENLACE e outros, discursou pregando a unidade. Se no primeiro dia a APQ deixou claro apoiar a Heloísa Helena, reviu sua posição e ao menos convocou um novo congresso para discutir exatamente e exclusivamente este tema.

O discurso de uma companheira que, infelizmente, não me recordo o nome, foi emocionante. Um chamado à unidade, à construção do PSOL enquanto alternativa viável à PT e DemoTucanos. A companheira fez um discurso inspirado, criticando o financiamento da Gerdau, o sectarismo, os personalismos e fechando com um pedido à unidade.

O ponto principal do discurso dos demais apoiadores da chapa 1 foi o do combate aos personalismos. O partido não é da Heloísa Helena, não é do Ivan Valente ou do Babá, muito menos da Luciana Genro, é de todos estes e da base, dos filiados e militantes. Este foi o ponto principal do discurso de Ivan Valente, o último a falar. E foi aplaudido pela maioria dos presentes ao congresso.

A votação iria começar quando do lado dos militantes do MES e do MTL estourou uma briga enquanto o resto do ginásio vaiava e gritava palavras de ordem dizendo que democracia não é porrada e lamentando as atitudes do MES ao longo de todo o congresso.

Vale ainda um adendo, ao longo de toda a apuração, enquanto as diversas tendências demonstravam seriedade, preocupação ou ao menos se juntavam para conversar, discutir o partido, rumos e possibilidades, os militantes do MES não pararam de batucar, vestidos em camisas fazendo referência ao grupo - e não ao PSOL, como seria de se esperar - e cantando músicas como "Ana Júlia", do Los Hermanos. Uma lamentável demonstração de descomprometimento com o Congresso. Uma festa, ao que se via, e não algo sério.

--------------------------------------

Para não me antecipar ao próprio partido, amanhã posto o resultado final e mais impressões do terceiro e último dia do Congresso.

-------------------------------------
Pequeno glossário de siglas:

APS: Ação Popular Socialista (Ivan Valente)
MES: Movimento de Esquerda Socialista (Luciana Genro)
CST: Corrente socialista dos Trabalhadores (Babá)
CSOL: Coletivo Socialismo e Liberdade (Plínio)
MTL: Movimento Terra Trabalho e Liberdade
TLS: Trabalhadores na Luta Socialista
LSR: Liberdade, Socialismo e Revolução (Unificação da Socialismo Revolucionário SR e Coletivo Liberdade Socialista CLS )
CRS: Corrente Renovação Socialista
AS: Alternativa Socialista
ARS: Alternativa Revolucionária Socialista
ENLACE: Coletivo formado por membros da Tendência Liberdade e Revolução, Movimento de Unidade Socialista, Dissidências da Democracia Socialista, da Articulação de Esquerda e do Fórum Socialista
Revolutas
------