Se algo me surpreendeu em relação à santa quebrada durante a Marcha das Vadias, sem dúvida foi a repercussão por algo tão estúpido. E digo estúpido em todos os sentidos possíveis: Desde ter chegado a este ponto de repercussão negativa até o ato em si, que foi estúpido e mesmo burro. Mas legítimo.
Antes de mais nada, é preciso deixar claro: Não é aceitável de forma alguma igualar o oprimido em ato de revolta a seu opressor. E a Igreja Católica é a opressora.
Da mesma forma, não se iguala ato de opressor contra outro, como se isto deslegitimasse o oprimido de protestar. Falo aqui dos exemplos toscos ou comparações toscas entre o ato de um pastor evangélico (opressor) quebrar uma santa católica em uma guerra entre opressores.
Tampouco procede a comparação entre a opressão de evangélicos destruírem terreiros (opressor versus oprimido) e o caso em tela, pois ocorreu o INVERSO, ou seja, seria como se, revoltados com a opressão e a devastação de seus terreiros, pais (e mães) de santo fossem até "templos" evangélicos descarregar sua justa raiva contra o opressor.
Seria burro, afinal os evangélicos (e católicos) tem mídia, ao passo que os oprimidos não. Mas não deixaria de ser legítimo. E até porque este tipo de violência é desnecessário e contraproducente.
No caso em tela, das "vadias", exigir q o oprimido por séculos "respeite" o opressor porque "ain, liberdade
religiosa" é o mesmo que dizer que o negro tem que "ficar no seu lugar"... Isso não quer dizer que não haja exageros e burrices, mas igualar oprimido com o opressor por sua raiva incontida (e justa) é se juntar ao opressor. É fazer o jogo exato do opressor e ajudar a ampliar a opressão.
E sim, a Igreja Católica é opressora, repito. Por séculos manteve as mulheres em posição subalterna. Oras, as queimava vivas! E mesmo hoje ainda patrocina políticas retrógradas, contrárias aos direitos humanos e das mulheres (e dos gays, e de outros grupos).
E seus dogmas não mudaram. Ela não deixou de queimar mulheres vivas por ser boazinha, mas porque tal ato deixou de ser aceito ou mesmo de ser legal. A Igreja não parou de pregar o racismo e a inferioridade de povos indígenas, novamente, pro ser boa, mas porque foi forçada.
É preciso ainda separar atitude individual e coletiva. Alguém quebrar uma santa na Marcha das Vadias é burro se pensarmos em movimento. Mas é justo, justificável individualmente, enquanto ato individual de um oprimido. E, novamente, é bom lembrar que a falsa oposição "a maioria dos católicos não pensa como a igreja" não procede, visto que a Igreja não é uma democracia, senão uma teocracia. Só importa a opinião do Papa e de seus subordinados (Bispos, Cardeais e etc e olhe lá!), ou seja, para a Igreja, se você não segue seus dogmas você é que está errado.
Por mais que eu seja simpático a grupos como as Católicas pelo Direito de Decidir, sou forçado a admitir que elas é que estão erradas, pois acreditam que a Igreja seja passível de mudança pela base.
Não é.
E as Comunidades Eclesiais de Base ou mesmo a Teologia da Libertação estão aí para provar.
A cresça individual do fiel não importa para a Igreja. Se você "gosta" de gays e até acha que eles podem casar, ou que as mulheres tem direito a abortar, bom pra você, bom pra nós, mas para a Igreja você está errada.
Da mesma forma, não me lembro de tanta revolta pelo gasto de milhões de dinheiro público em um evento religioso, que afronta a constituição brasileira, com direito a distribuição de livrinhos que pregam a homofobia e diminuem a mulher. Contra isso nem um "ai", mas quebrar a pobre santa?
E, vale lembrar, o ato de quebrar a santa não é um ato contra o fiel, não é uma ofensa dirigida a um ou outro indivíduo, é um ato político contra a Igreja, contra a estrutura. E exigir do oprimido respeito à Igreja é pedir à estuprada par respeitar o estuprador.
Algo que me veio a mente também é a hipocrisia de muitos em se revoltar contra a santa quebrada, mas achar lindo que Maomé tenha sido caricaturado. riram inclusive da revolta causada em países como o Paquistão. Oras, eles são muçulmanos, atrasados, presos ao passado...
Mas não é a mesma coisa? Trata-se de símbolos e dogmas que foram dessacralizados, mesmo quebrados. Mas porque com os muçulmanos é engraçado e com os católicos não é?
Por fim, é óbvio que o ato de quebrar a santa, or mais teatral e político que seja, e mesmo legítimo, foi burro. Foi e é contraproducente para o movimento. Mas só.
Não foi "errado", não foi "anti-ético" e muito menos "criminoso". Mulheres oprimidas não podem ser jamais igualadas a seu opressor. E muito menos a religião e seus símbolos são intocáveis, imexíveis ou sagrados para a sociedade. O são para uma parcela, mas isto não significa que não possam ser tocados.
Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
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terça-feira, 30 de julho de 2013
A santa quebrada: Quando igualam o oprimido ao opressor
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Raphael Tsavkko Garcia
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A santa quebrada: Quando igualam o oprimido ao opressor
2013-07-30T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
Últimos textos: Vadias, Síria, Impostos e Lula no Ratinho
Escrevi recentemente 4 textos para diferentes blogs e veículos de imprensa que gostaria de compartilhar aqui (trechos) e convido meus leitores avisitarem as páginas linkadas para poder ler todo o conteúdo.
Primeiro, o texto mais antigo deles, publicado na Revista Bula sobre a Marcha das Vadias, feminismo e o papel do homem nisso tudo - "Vadias, putas: E a liberdade da mulher?":
Primeiro, o texto mais antigo deles, publicado na Revista Bula sobre a Marcha das Vadias, feminismo e o papel do homem nisso tudo - "Vadias, putas: E a liberdade da mulher?":
O texto seguinte foi publicado pelo blog Amálgama, onde critico o torpe protecionismo brasileiro e a política estilo-ditadura que se avizinha na substituição de importações - "Não é apenas o Preço Justo. São os impostos, o lucro e a má vontade governamental":Mulheres ainda recebem menos que os homens e nosso governo não teve a coragem de manter uma proposta igualando os salários por força de lei. E isto porque temos uma presidente mulher, uma presidentA, mas que até agora não deu um passo sequer no caminho dos direitos das mulheres. Pelo contrário, aprovou medida provisória que torna ainda mais complicado o aborto, ao tentar dar direitos a um feto, como se fosse um ser humano, dentre outras medidas.Enfim, em pleno século 21 mulheres, milhares, são forçadas a sair às ruas e se manifestar pelo simples direito de serem livres. De terem direitos sobre seus corpos, de se vestirem como quiser e de poder decidir suas vidas sem a imposição de um homem, de uma sociedade machista.A marcha das vadias que aconteceu nos dias 26 e 27 de maio é uma demonstração da crescente insatisfação das mulheres com o tratamento que recebem. Devem seguir um padrão único de beleza, se vestir sempre da forma “correta” para cada momento, ou seja, devem se vestir para serem desejadas quando o homem quiser, quando a mídia ditar, e devem se esconder se fogem do padrão ou em momentos específicos.Não podem decidir sobre suas vidas, sobre como se vestir, sobre como e quem amar.
Não se trata “apenas” de querer barrar importações ilegais, pois é muito fácil verificar que aquela caixa onde está escrito conter um livro de fato contém um livro e não há sentido em demorar 3 meses para liberá-lo. É uma política deliberada e continuada de Dilma que faz ecos à ditadura, quando tínhamos a famigerada política de substituição de importações.Mais recentemente publiquei artigo na página online do jornal Brasil de Fato que é uma atualização de artigo meu anterior sobre o conflito na Síria. Desta vez tento desmistificar a guerrilha midiática onde um lado é sempre msotrado como santo e o outro como bandido sanguinário e que a situação é muito mais profunda que isso - "Síria, uma guerra de propagandas":
A diferença é que muito do que vem sendo barrado não é e nem tem a intenção de ser produzido no Brasil. Querendo ou não, existe um Direito do Consumidor que, em tese, tem validade nacional, mas como fazemos para processar o governo por sua ineficiência em um área que alguns vão considerar desimportante frente, por exemplo, ao caos na saúde, educação…?
É pirraça pura.
Além do que, a política da ditadura foi um fracasso, atrasando em décadas o avanço da indústria nacional que, até hoje, tem seu bastião na fabricação de carros – setor onde mais Dilma investe, em detrimento de diversificação da indústria e do transporte público.
A mídia comercial insiste em retratar os insurgentes sírios como um grupo homogêneo de lutadores pela liberdade, ao passo que Assad e toda a “situação” síria, pró-governamental é mostrada como sanguinária e apenas interessada no poder. Esta visão é datada e carregada de interesses.Por fim, meu último artigo, publicano do Observatório da Imprensa, sobre a visita do Lula ao sensacionalista programa do Ratinho, acompanhado de Haddad, onde discuto a problemática da visita de uma figura emblemática que, por seus próprios esforços, caminha para virar ídolo, ao passo que se vale de um programa vagabundo e apelativo para, também, tentar colar sua imagem, sem qualque noção de ética, ao Haddad - "A propaganda e o mito":
Os opositores de Assad são vários e nem de longe unificados. Pequenas facções divididas não apenas em cores religiosas, mas também divididas em tribos e clãs e com os mais diversos interesses. A franca maioria dos insurgentes é da maioria sunita, que é marginalizada por Assad, um alauíta, mas também é possível encontrar alguns poucos cristãos junto a eles. Há grupos laicos e militantes islâmicos, grupos com cristãos e grupos anticristãos, além de grupos financiados pelos EUA, outros vindo do Líbano e grupos independentes, enfim, uma salada indigesta sob todos os pontos de vista.
Ao lado do governo luta não apenas o exército, mas a milícia Shabbiha, cuja influência governamental é incerta, e outros grupos menores, especialmente cristãos e drusos.
Lula, aos poucos, se torna um mito, uma figura central na política brasileira, como foi Vargas, com a diferença que Lula sabe se manter por cima, vivo, como eminência parda, ao mesmo tempo em que escapa das piores críticas feitas à sua sucessora. O termo “Pai dos Pobres” não cabe mais em Vargas, que ganhou um sucessor.Espero que apreciem a leitura.
Ao fazer sua primeira grande aparição, sua primeira grande entrevista pós-câncer em um programa popular ou mesmo popularesco, manda diversas mensagens a seus aliados e inimigos. Aos amigos se mostra forte, atuante, pronto para futuras batalhas, enfim, recuperado. O fato de ter ido a um programa de “variedades” e não a um jornal como o Nacional, da Globo, ou qualquer outro das principais redes de TV, pode ser encarado como um golpe nas grandes redes de TV que insistem em criticar seu legado e também como uma forma de agradar sua militância que, apesar da total ausência de ação ou mesmo vontade do governo (o seu e o atual de Dilma) em regular a mídia, democratizar as comunicações, há esperanças.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Últimos textos: Vadias, Síria, Impostos e Lula no Ratinho
2012-06-14T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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segunda-feira, 28 de maio de 2012
Marcha das Vadias de São Paulo - Somos TODXS livres
Muitas garotas se pintaram, vestiram as roupas que bem queriam ou mesmo deixaram os seios à mostra, enquanto alguns homens colocaram vestidos curtos, sutians e até calcinhas e desfilaram com a mesma alegria e comprometimento.
Crianças pequenas desfilavam com a maior naturalidade ao lado de seus pais e demais manfiestantes, sem se improtar, estranhar ou "desmoralizar" frente às garotas seminuas. Não havia espaço para hipocrisia e falso-moralismo, nem para nenhuma pregação de pastores fanáticos de que ali encontrava-se qualquer tipo de "degradação". Era uma demonstração de comprometimento social somado à alegria de ser(mos) livres.
Segue algumas fotos tiradas por mim na Marcha de sábado (mais fotos no link) e um pequeno vídeo compilando diversos momentos da Marcha.
No Global Voices, publiquei hoje um post-resumo com fotos e vídeos das Marchas pelo Brasil, recomendo.
Reivindicando a liberdade feminina e o direito das mulheres se vestirem da forma como quiserem sem ser vítimas de violência ou moralismo, milhares de mulheres, mas também homens héteros, gays, travestis e mesmo membros de grupos como bikers, skatistas, skinheads, punks e anarquistas tomaram as ruas de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, Fortaleza e Belém - além de outras cidades - para protestar contra a homofobia e em defesa do feminismo, ou seja, em defesa da igualdade.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Marcha das Vadias de São Paulo - Somos TODXS livres
2012-05-28T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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