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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Bildu 313,231 x Espanha 0 e o protesto dos "indignados"

Trigésima-sexta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

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Este é o número de votos que a coalizão nacionalista Bildu conseguiu nas eleições de 22 de maio, perfazendo mais de 22% do eleitorado e se tornando de forma incontestável a segunda força política no país basco e não muito atrás da primeira força, o PNV.

Mesmo assim, Bildu conseguiu o maior numero de eleitos em todo o país basco, chegando ao ponto de ficar em primeiro na eleição da região de Guipuzkoa e em sua capital, Donostia (San Sebastian).

Um feito e tanto para o grupo político que vinha sofrendo constantes processos de ilegalização desde 2003, com o banimento do Batasuna.

[...]


Os Indignados

O sistema político-eleitora espanhol não privilegia os dois principais partidos apenas na contagem dos votos, mas também beneficia o PPSOE com a abstenção e o voto em branco. Os "indignados", ao não votar ou protestar desperdiçando o voto apenas contribuíram para a grande vitória "Popular", ou seja, Franquista.

Não digo que os indignados "fizeram o jogo da direita", isto seria um absurdo, mas a falta de uma plataforma coerente e da busca por opções contra a ascensão do PP contribuíram para a apatia geral em torno do pleito. De fato o PP pouco evoluiu em termos de votos, mas o PSOE teve uma retração gigantesca.

Não diria jamais que os protestos não tenham seu valor, mas unicamente acampar e reclamar da realidade, especialmente durante as eleições, não resolve ou resolverá absolutamente nada. Fingindo que política eleitoral não tem relação alguma com suas vidas apenas contribui para a vitória da pior opção. Como sempre digo, o mais triste para quem diz não gostar de política é que este é governado por quem gosta, ou ao menos por quem entende dela e se vale da apatia para crescer.

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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

"Nire aitaren etxea
defendituko dut"
...
"Defenderei
a casa de meu pai"
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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Reações ante a ilegalização de Bildu / Reacciones a la ilegalización de Bildu

Algumas reações coletadas no Twitter logo após a decisão do Tribunal Supremo decidir, por 9 votos contra 6 (e um parcial), pela ilegalização da coalizão nacionalista basca Bildu.

Algunas reacciones recogidas en Twitter poco después de la decisión del Tribunal Supremo de Justicia decidir, por 9 votos contra 6 (y uno parcial), declarar ilegal la coalición nacionalista vasca Bildu.

Desde franco repúdio, passando por comparações com o Franquismo até mensagens de apoio e força a todos. 


Desde franco rechazo, pasando por comparaciones con el franquismo hasta mensajes de apoyo y fuerza para todos.

Gora Bildu! Força a todos e todas de Bildu, a tod@s @s basc@s valentes que não deixarão de lutar por uma Euskadi livre e socialista!

Gora Bildu! Fuerza a todos y todas de Bildu, a tod@s l@s Vasc@s valientes que no dejarán de luchar por una Euskadi libre y socialista! 



É hora de uma união de forças Abertzales, que Hamaikabat, Aralar e PNV (e NaBai em Nafarroa), assim como Zutik e até o Ezker Batua-Berdeak retirar suas candidaturas e não aceitar participar desta armadilha chamada "democracia espanhola".


Es hora de uma unión de fuerzas nacionalistas, que Hamaikabat, Aralar y PNV (y NaBai en Nafarroa), asi como Zutik y hasta Ezker Batua-Berdeak retiren sus candidaturas y no accepten participar de esta trampa llamada "democrácia española".


Jo Ta Ke Independentzia!



































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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Comentários sobre o anúncio do novo partido da Esquerda Abertzale

Vigésima-quarta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Comentários sobre o anúncio do novo partido da Esquerda Abertzale
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Se podemos tirar algo da apresentação da nova formação política da Esquerda Nacionalista Basca é a de que o partido rechaça a violência. E de forma veemente. Tão veemente que chega a ser exagerado, repetitivo.

Sim, nada mais é que exigência - tosca - do Estado Espanhol, da famigerada Ley de Partidos e do Tribunal Supremo (espécie de STF espanhol, com direito até a seu Gilmar Mendes).
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Foi impressionante, durante a fala do advogado Iñigo Iruin, a quantidade de vezes que a palavra "Violência" e "Rechaço" apareceram. Ainda houve espaço para reconhecer as vítimas e rechaçar toda e qualquer violência, em especial a da ETA. Porém, senti enorme falta de uma condenação explícita ao governo Espanhol, que não me pareceu totalmente coberta pela declaração de que se exige a reparação para TODAS as vítimas.
La izquierda abertzale ha adoptado el "compromiso firme e indudable de apuesta por las vías exclusivamente políticas y democráticas, sin marcha atrás", según ha anunciado Rufi Etxeberria en la presentación de los estatutos de la nueva formación política que se registrará en los próximos días. Ha subrayado que "rechaza y se opone al uso de la violencia o la amenaza de su utilización para la consecución de ojetivos políticos, incluyendo la violencia de ETA si la hubiera en cualquiera de sus manifestaciones".
De certa maneira me impressiona que a ETA tenha talvez aceitado apoiar este estatuto partidário tão frontalmente agressivo ao grupo. Sim, o vejo como positivo, mas ainda assim exagerado e com um tom que está níveis acima daquele comumente adotado pelo Batasuna e seu entorno.

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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

"Nire aitaren etxea
defendituko dut"
...
"Defenderei
a casa de meu pai"
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domingo, 13 de junho de 2010

Artigo na Fórum: Um olhar sobre o conflito basco

Abaixo reproduzo o artigo "Um olhar sobre o conflito basco", publicado na Revista Fórum de Maio, ainda nas bancas. O artigo foi o meu primeiro publicado fora da blogosfera, na mídia impressa e espero que seja o primeiro de vários!=)

O espaço para a publicação de blogueiros na fórum está aberto. Meu artigo inaugurou um espaço exclusivo para nós. Blogueiros interessados em serem também publicados e em experimentarem "novos ares", enviem artigo para redacao@revistaforum.com.br.

Um olhar sobre o conflito basco

O País Basco (Euskal Herria), região histórica encravada no extremo norte da Espanha e com prolongamentos até o sudoeste da França, continua a ser sacudido por um conflito amplo e antigo. Após repetidos casos de repressão, prisões arbitrárias e ilegalizações de partidos políticos, a Esquerda Nacionalista se prontificou, mais uma vez, a abrir um processo de negociação sem exclusões, propiciando o debate franco e aberto entre todas as forças políticas e sociais.
 Poucos, no Brasil, têm o real conhecimento do conflito basco. O que se lê aqui se resume a pequenas notas em veículos online, normalmente acusando a ETA (Euskadi Ta Askatasuna ou Pátria Basca e Liberdade) de um ou outro ataque. Sobre a repressão espanhola, os casos de tortura e de censura contra os nacionalistas bascos (conhecidos como abertzales), nenhuma palavra ou citação, seja na grande mídia ou na mídia dita alternativa.
 Breve história de resistência Por mais de um século, o povo basco luta por sua independência e o movimento nacionalista tem se organizado e sido duramente combatido – seja pela violência, por fraudes ou por leis criadas especificamente para impedir sua ação – enquanto tenta angariar apoio para sua luta.
 Fato comum na Espanha de hoje são as prisões arbitrárias – e em muitos casos seguidas de tortura – de militantes nacionalistas acusados de pertencer à ETA. O grupo virou um bode expiatório em um processo irreversível e absurdo, no qual "tudo é ETA".
 A organização, criada tanto para lutar pela independência quanto contra Franco, de grupo admirado pela militância passou a figurar nas listas de terrorismo internacional como responsável por mais de 800 assassinatos políticos, e sofre um processo de revisionismo que visa acabar com sua história.
 Durante o regime de Franco (1939-1976), as torturas, execuções e prisões eram lugar-comum. Com a chegada da democracia acreditava-se em um novo tempo, um processo de debate democrático. Engano. O período posterior à ditadura, conhecido como Guerra Suja, patrocinado e financiado pelo governo do premiê socialista Felipe González (1982-1996), deixou dezenas de mortos em ações de grupos de extrema-direita cujo objetivo era o assassinato político de membros da ETA, de partidos nacionalistas bascos e da militância Abertzale. A repressão financiada pelo Estado, na Espanha, permanece inalterada até os dias de hoje.
 Ilegalizações e fechamentos Desde 2003, a repressão tem seguido um novo caminho, o da ilegalização de partidos políticos. Sob a acusação de pertencer ou de serem controladas pela ETA, diversas formações políticas de esquerda e nacionalistas foram ilegalizadas: Batasuna (primeiro a ser ilegalizado, em 2003), Aukera Guztiak, ANV-EAE (partido histórico fundado nos anos 30), PCTV-EHAK, D3M, Askatasuna...
 Hoje, o grupo que se denomina "Izquierda Abertzale", ou "Esquerda Nacionalista" é proibido, sob todas as formas, de votar e eleger representantes. Isto representa cerca de 20% da população basca que é marginalizada do processo democrático, em muitos casos, por meio de processos falhos e cheios de incorreções e confusões.
 No campo da liberdade de expressão, a Espanha não faz melhor. O diário Egin (“Fazer”) e o Egunkaria (literalmente “Diário”) foram fechados em 1998 e 2003, respectivamente, sob a acusação de fazer apologia ao terrorismo (ETA) e de serem controlados por esta organização. Em abril deste ano a Justiça reconheceu seu erro sem, porém, indenizar as vítimas tanto do fechamento quanto das posteriores prisões e torturas praticadas pelas forças de segurança espanholas, e sem um pedido de desculpas ou indenizações. Agora, discute-se a censura como instrumento de Estado para calar a voz nacionalista.
 Grandes manifestações Encontram-se presos, hoje 762 bascos detidos por suas atividades políticas em cadeias espanholas – política criticada por organismos de direitos humanos. Este número só é superado pelo de pessoas presas até 1969 em pleno Estado de Exceção decretado por Franco: 860.
 No fim de 2009, duas grandes marchas demonstraram o grau de insatisfação da população com as constantes prisões e repressão e reuniram, em 17 de outubro (Donostia-San Sebastian) e em 28 de novembro (Bilbao), mais de 45 mil manifestantes cada uma, e unificaram os diversos partidos nacionalistas ainda legais, como EA, Abertzaleen Batasuna, Aralar e os membros do ilegalizado Batasuna.
 Os protestos foram organizados em repúdio à prisão simultânea de 34 jovens militantes do grupo estudantil Segi, que foram detidos e mantidos sob estado de incomunicação (instrumento repetidas vezes condenado pela Anistia Internacional e pelos órgãos de Direitos Humanos da ONU) na maior operação policial desde o fim da ditadura de Franco e em solidariedade aos líderes do Batasuna, presos sob acusações de “enaltecimento ao terrorismo” e participação na luta armada.
 A discussão atual Atualmente discutem-se os efeitos do documento "Zutik Euskal Herria" ("Em Pé País Basco”, lançado em fevereiro pelos militantes do ilegalizado Batasuna e que prega um processo amplo e continuado de negociações, acumulação de forças, e buscando uma solução para o conflito.
 Em apoio ao processo de paz proposto nas páginas do Zutik Euskal Herria e tomando a frente no processo de negociação, a rede Lokarri convidou o sul-africano Brian Currin (mediador no desarmamento do IRA e no fim do apartheid de seu país) para apoiar e indicar caminhos para a resolução do conflito e, através da “Declaração de Bruxelas”, conseguiu o apoio de cerca de 20 líderes internacionais e especialistas em resolução de conflitos – dentre eles Nelson Mandela, Frederik de Klerk, David Hume e Desmond Tutu, todos agraciados com o Nobel da Paz – para pressionar por um processo de negociação com base nos chamados Princípios Mitchell.
 Diversas declarações e acordos foram feitos desde o fim do regime de Franco, como o Pacto de Ajuria Enea (1988) e de Estella ou Lizarra (1998), sem que nenhum deles tivesse obtido o sucesso esperado. O Estado já buscou negociar diversas vezes com a ETA e vice-versa, e as negociações sempre emperram num mesmo ponto: a ETA só aceita dialogar quando a opção da independência for uma via real. O Estado se nega a discutir termos sem o fim completo da violência. Neste jogo continuam a tortura, a intimidação e as prisões arbitrárias, ao mesmo tempo em que prossegue a violência da ETA com seus assassinatos seletivos e bombas que também vitimam inocentes.
 Apesar do otimismo atual com os recentes pactos e discussões, vê-se que ainda falta muito chão a ser percorrido no caminho da paz e do fim do conflito basco. É preciso acabar com a tortura e as ilegalizações para que, então, a ETA se esvazie de sentido.
 Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum 86. Nas bancas.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

De que paz falamos: Denuncismo ou Traição?

Vejo no excelente blog "La rueda del tiempo" o seguinte cartum, e me inspiro a escrever as linhas a seguir, coisa que já venho pensando há muito tempo, mas me faltava algo. não falta mais.
 
O cartum é do El Disidente

Para os que não acompanham a situação Basca, uma pequena introdução: Desde a chamada democracia, com a morte de Franco - e sempre lembrando que seu sucessor, Carrero Blanco, foi morto pela ETA na mais espetacular de suas ações - que a Espanha passa por um processo absurdo de revisionismo histórico, ou melhor, de esquecimento dos crimes franquistas, da continuidade do PP como partido legítimo mesmo tendo como base franquistas e ex-franquistas criminosos e da tese de que "tudo é ETA", com o mais completo esquecimento do que representou no passado.

Em um post posterior analisarei a questão do revisionismo de forma mais aprofundada, mas desde já, para quem se interessar, vale a leitura destas duas notícias sobre um mesmo assunto. Primeiro, um artigo do El País que contradiz a história e coloca uma criança de poucos meses como primeira vítima da ETA em uma explosão que, como sempre foi de conhecimento público, havia sido perpetrada por um grupo chamado DRIL, cujo líder era um general Português e herói de seu país pela luta Anti-Salazarista.

Os revisionistas de plantão reslveram alencar este ataque ao hall da ETA quando, na verdade, suas duas primeiras vítimas haviam sido o militar franquista José Pardines e o ex-membro da Gestapo e torturador Franquista, Melintón Manzanas. Em resumo, escórias cuja morte, ao menos do segundo, foi comemorada pela população.

O título do artigo, em sí, já demonstra a forma tendenciosa com que o assunto foi tratado: "La primera víctima de ETA".

O segundo texto, de Iñaki Egaña, historiador e escritor, esclarece o caso e aponta as inúmeras falhas do El País e do artigo original, retomado pelo jornal, que data do ano 2000 e foi escrito por um jornalista (e mentiroso) Catalão -*-  que foi posteriormente assassinado pela ETA, Ernest Lluch.

*Anna do Quemando Iglesias me informa que o Lluch não era jornalista, e sim economista e político que cometeu um erro terrível. Fica a correção e o agradecimento.

Como se vê, desde início, mentir não é pré-requisito apenas para a mídia brasileira, o PIG é internacional.
Imagem do El Disidente, via Quemando Iglesias

Mas, voltando ao tópico principal, a leitura do artigo do blog a que me referia no início me trouxe a vontade de, finalmente, escrever sobre a questão central hoje no movimento nacionalista basco e também o assunto mais querido da dupla dinâmica do governo Basco, o PP e o PSOE, para manter a Izquierda Abertzale ilegalizada.

O timing não poderia ser melhor. Por estes dias a Izquierda Abertzale lançou seu mais novo comunicado, depois de meses de debates e consultas, chamado Zutik Euskal Herria, que foi objeto de um post passado, e reacendeu o debate em torno da paz, da via política para o conflito e do fim da violência.

O comunicado era excelente, demonstrava a vontade real dos nacionalistas de seguirem apenas pela via política, renunciando qualquer forma de enfrentamento armado. enfim, os Abertzales passaram a reconhecer apenas a via política e democrática como ideal para a solução final do conflito Basco.

Para qualquer leitor atento, tal declaração seria suficiente para agradar a todas as forças políticas. Mas para o revisionismo, para a direita estatal (PP, PSOE, UPyD e outros aloprados), não era suficiente. Nada é ou jamais será.

Entre las reacciones que comentaba antes he leído algunas asombrosas. La primera El País, que con su primer titular de ¡pero no hace una llamada a ETA! comenzó un cambio en otros medios que hasta el momento habían destacado que la IA se posicionaba a favor de únicamente la lucha democrática y con ausencia de violencia.
Y digo asombrosa no por la manipulación expresa y totalitaria del titular. Si no porque demuestra una falta total y absoluta de comprensión lectora. O eso o una intención nada responsable, éticamente reprobable, que en lugar de acompañar a la paz, lo que desea es que se imponga “su” verdad cómo absoluta.
O Zutik Euskal Herria deixa clara a posição de buscar de forma pacífica o fim do conflito, mas para as forças da direita e que lucram com o conflito, somente uma condenação expressa à ETA é suficiente.

Vejam bem que os Abertzales deixam clara sua vontade de dialogar e adotar apenas os meios democráticos, mas sem condenar expressamente a ETA nenhum esforço é bom o bastante.

Daí podemos apenas concluir que para a direita, para os nacionalistas espanhóis, os financiadores dos GAL e dos grupos terroristas de extrema-direita, apenas a humilhação, a delação e a vergonha podem existir.

Aliás, cabe adendo, o PSOE exige que o Batasuna admita ser ETA - tese tosca e obtusa - mas se nega a admitir ser, por sua vez, os GAL, o que todos sabem. Na verdade o PSOE se esforçou em por um lado condenar os GAL e por outro financiar e libertar da cadeia seus membros condenados. Moral, não tem nenhuma. E, do lado do PP, dispensa comentários, lembremo-nos de Franco. suspeito que todo membro do PP tenha um quadro de Franco na sala de estar.

Na verdade, as conclusões são duas.

A primeira é a de que a direita só se contentará com a humilhação completa da ETA e de seus militantes. Com o revisionismo puro, com o pedido de desculpas. Querem que a ETA se entregue e admita a derrota.

E a segunda, a de que os Abertzales reconheçam a si mesmos como ETA. Que dêem razão ao Estado e assumam ser ETA - o que não são. A oficialidade espera o denuncismo, a traição e a completa submissão.

Todas as opções dadas pela oficialidade significam a derrota para o nacionalismo basco que já abriu mão demais de suas posições. O conflito, pois, segue aberto, até que a direita e o nacionalismo espanhol aceitem a mão estendida pelos nacionalistas bascos.

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Gigantesca manifestação de solidariedade!


Multitudinária, gigantesca, memorável. São apenas algumas palavras que podem ser utilizadas para descrever o protesto de sábado orgnaizado pela Esquerda Abertzale - ao que se somaram Aralar e EA, mas não o PNV - contra as prisões arbitrárias patrocinadas pelo Estado Espanhol contra a população Basca, contra a a juventude Basca que se recusa a ceder, a se vender, a se submeter aos espanhóis.




Do total de 35 detidos - e possivelmente torturados durante o período em que foram negados até a presença de um advogado - 31 já estão presos, acusados de integrar grupo terrorista, basicamente de integrar uma organização juvenil e estudantil nacionalista o que, no País Basco, é suficiente para acabar na prisão por 30 anos.

"Su único delito ha sido el ejercicio de sus derechos civiles y políticos"


É a volta da guerra suja. Uniu-se o "tudo é ETA" à luta aberta contra a juventude basca, contra a população baasca. A ordem é prender, torturar e matar quantos forem possíveis buscando sufocar a força nacionalista.

O que se vê é que não funciona.

Aliás, cabe adendo, a mídia brasileira engole tudo. Assim como na Espanha, a Globo e seus portais acreditam piamente que Tudo é ETA. Lamentável!




A marcha de sábado demonstrou a força da nacionalidade basca e o repúdio às perseguições constantes. O Estado espanhol já tentou de tudo, não satisfeita em financiar grupos fascistas para realizar seus serviços sujos, ilegalizar todas as formações próximas ao Batasuna, torturar, matar e perseguir, mas simplesmente não consegue calar o povo Basco.

Assinem a petição por "Todos os Projetos, Todos os Direitos"!


A escalada incessante de violência precisa ter fim. A Comunidade Internacional precisa se manifestar, assim como o fez no caso Irlandês e buscar uma solução negociada para o conflito que vem custando a vida e a liberdade de milhares de bascos a cada dia!




Mais solidariedade com os jovens detidos desde Juventude Comunista de Zamora,  SEPC, Maulets e CAJEI da Catalunya, Izquierda Castellana, Gazte Komunistak .

Floren Aoiz dá o recado, inconstestável:
Esta é a resposta espanhola às esperanças que renascem na sociedade basca. Bordoadas vs. rebentos verdes. Uma provocação de manual para tentar sabotar os passos que a esquerda abertzale e outros agentes políticos, sindicais e sociais estão a dar. Coices vs. esforços para criar novos cenários.

Um burro pode dar muitos coices e pode dá-los com muita força mas não deixam de ser coices e aquele que os dá só mostra o quanto é burro. Coices dolorosos, sabemo-lo bem, mas incapazes de arredar este povo do caminho que empreendeu.
Euskal gazteria aurrera!!


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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um primeiro passo para o processo democrático


Um primeiro passo para o processo democrático: Princípios e vontade da Esquerda Abertzale

 Somos independentistas, homens e mulheres de diversas gerações que temos trabalhado e trabalhamos ara construir e desenvolver um projeto de liberação nacional e social. Nosso objetivo é a constituição de um Estado próprio, ao considerar que é a única forma de garantir totalmente a sobrevivência e o desenvolvimento pleno do Povo Basco, em harmonia e solidariedade com o resto dos povos da europa e do mundo. É nosso projeto político legítimo, que pretendemos alcançar graças à adesão majoritária da sociedade Basca.

 O atual ordenamento jurídico-político que divide nosso território e limita os direitos de seus cidadãos e cidadãs, se confirmou como um cenário que perpetua o conflito político e armado. Não permite que a cidadania basca possa decidir, sem restrições, seu próprio futuro.

Neste contexto, foi estendida para além do que ninguém deve querer a violência eo confronto armado com os custos humanos e políticos que todos sabem. É nossa prioridade para superar este cenário.

Estas últimas três décadas de conflito deixam sentir outra conclusão: Somos um movimento político ao qual o tmepo há dado razão. Assim o demonstram, desde aquela inical exigência de ruptura dmeocrática em respeito ao regime franquista, ao "não" do Povo Basco à constituição espanhola, à OTAN ou à central nuclear de Lemoiz. Assim demonstra o nosso esforço para evitar que a armadilha do estatutismo se consolide. Assim o demonstra nossa frontal oposição ao capitalismo selvagem.

Não tem sido só no terreno da oposição e do protesto onde temos ganhado, os e as independentistas, batalhas políticas e ideológicas . As propostas de solução e futuro realizadas pela esquerda abertzale criaram raízes em amplas camadas da sociedade de forma majoritária em diversas ocasiões. As iniciativas por uma solução negociada, os desenhos para se alcançar um marco democrático ou as dinâmicas de construção nacional possibilitaram avanços indiscutíveis no processo político Basco.


Nestes últimos anos se avançou em certas questões que nos fizeram não só desejar mas também tornar possível materializar positivamente para toda a cidadania uma mudança de ciclo;  no debate político aberto na última década - que situou perfeitamente os nós a serem desatados para encontrar uma solução -; no trabalho e luta incansáveis de milhares de pessoas e setores sociais que nos permitiu chegar até o umbral [limiar] da mudança política desejada; assim como a necessidade de deixar para trás as consequências perniciosas deste conflito. Uma mudança de ciclo que substitua o enfrentamento armado, o bloqueio e a falta de expectativa pelo diálogo, o acordo e uma solução justa estável e duradoura para o país.

Com acertos e erros temos trazido o processo de libertação à fase de mudança política. Agora se trata de tornar este caminho irreversível. Materializar a mudança exige também mudanças em nós mesmos. Era necessária uma profunda reflexão e autocrítica, e a estamos fazendo.

A esquerda abertzale tem presente que não se trata de conhecer ou esperar o que o resto dos agentes estão dispostos a fazer, senão aquilo que nós devemos e temos que fazer. A nova fase necessita de novas estratégias, de novas políticas de alianças e de novos instrumentos.

Partindo de que os objetivos a alcançar na nova fase são o reconhecimento nacional de Euskal Herria e o reconhecimento do direito de autodeterminação, para chegar à mudança de faz indispensável uma crescente acumulação de forças e levar a confrontação com os Estados ao terreno onde este é mais débil, que não é outro senão o político. Por ele, a luta de massas, institucional e ideológica, a mudança na relação de forças e a busca de apoio no concerto internacional deverão ser pilares fundamentais da nova estratégia.


O instrumento básico para a nova fase política é o Processo Democrático e a sua execução, uma decisão unilateral da Esquerda Abertzale. Para o seu desenvolvimento se buscarão acordos bilaterais e multilaterais; com os agentes políticos bascos, com a comunidade internacional e com os Estados para a superação do conflito. Em definitivo, o Processo Democrático é a aposta estratégica da esquerda abertzale para conseguir a mudança política e social.


Todas estas considerações estão sendo comumente compartilhadas na Esquerda Abertzale no marco do debate que está se desenvolvendo dentro dela com responsabilidade. Assim mesmo, através deste debate se pretende afirmar como próprios para toda sua base militante e social os seguintes princípios que desejamos compartilhar agora com a cidadania basca, agentes políticos, sindicais e sociais do país, assim como com a  Comunidade Internacional:
1. La voluntad popular expresada por vías pacíficas y democráticas, se constituye en la única referencia del proceso democrático de solución, tanto para confiar en su puesta en marcha y su óptimo desarrollo así como para alcanzar los acuerdos que deberá refrendar la propia ciudadanía. La Izquierda abertzale, como debieran hacer el resto de agentes, se compromete solemnemente a respetar en cada fase del proceso las decisiones que libre, pacífica y democráticamente vayan adoptando los ciudadanos y ciudadanas vascas.
2. El ordenamiento jurídico-político resultante en cada momento debe ser consecuencia de la voluntad popular y garante de derechos para el conjunto de los ciudadanos y ciudadanas. Los marcos legales vigentes en cada momento, no pueden ser obstáculo o freno a la voluntad popular libre y democráticamente expresada, sino garantes de su ejercicio.
3. Los acuerdos a alcanzar en el desarrollo del proceso democrático deberán respetar y regular los derechos reconocidos tanto en la Declaración Universal de los Derechos Humanos como en el Pacto Internacional de Derechos Económicos, Sociales y Culturales y el Pacto Internacional de Derechos Civiles y Políticos, así como demás normativa internacional concerniente a los Derechos Humanos, sean estos individuales o colectivos, entre ellos la Carta de Derechos de las Mujeres.
4. El diálogo político inclusivo y en igualdad de condiciones se constituye en la principal herramienta para alcanzar acuerdos entre las diferentes sensibilidades políticas del país. La izquierda abertzale muestra su total voluntad de formar parte de ese diálogo.
5. En el marco del proceso democrático, el diálogo entre las fuerzas políticas debe tener como objetivo un Acuerdo Político resolutorio, a refrendar por la ciudadanía. El acuerdo resultante deberá garantizar que todos los proyectos políticos puedan ser no sólo defendidos en condiciones de igualdad de oportunidades y ausencia de toda forma de coacción o injerencia, sino que además puedan ser materializados si ése es el deseo mayoritario de la ciudadanía vasca expresado a través de los procedimientos legales habilitados.
6. El proceso democrático tiene que desarrollarse en ausencia total de violencia y sin injerencias, mediante la utilización de vías y medios exclusivamente políticos y democráticos. Partimos del convencimiento de que ésta estrategia política posibilitará avances a través del Proceso Democrático. Sudáfrica e Irlanda son ejemplo de ello.
7. Reiteramos nuestro compromiso con la propuesta de Anoeta. Conforme a la misma, debe establecerse un proceso de diálogo y acuerdo multipartito y en igualdad de condiciones entre el conjunto de fuerzas políticas del país, que aborde la consecución de un marco democrático por el cual la ciudadanía pueda decidir libre y democráticamente sobre su futuro sin otro límite que la voluntad popular. Dicho proceso, entendemos debe regirse por los principios del senador Mitchell.
Por otro lado, debe establecerse un proceso de negociación entre ETA y el Estado español que verse sobre la desmilitarización del país, liberación de presos y presas políticas vascas, vuelta de exiliados y exiliadas y un tratamiento justo y equitativo al conjunto de víctimas del conflicto.
Por todo ello, nos reafirmamos en nuestra posición sin reservas con un proceso político pacífico y democrático para lograr una democracia inclusiva donde el pueblo vasco, libre y sin intimidación de ningún tipo, determine libremente su futuro».

Euskal Herria,

14 de Novembro de 2009
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Documento apresentado

Ezker Abertzalearen Oinarriak eta Borondatea
Principios y Volontad de la Izquierda Abertzale
Principes et Volonté de la Gauche Independantiste
Principles and Will of the Basque Abertzale Left
Principis i Voluntat de la Esquerra Abertzale
Prinzipien der Baskischen Abertzalen Linken


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A Esquerda Abertzale aposta «sem reservas num processo político pacífico e democrático»

Uma vastíssima representação da esquerda abertzale – em que havia desde eleitos até ex-presos, advogados, professores e militantes históricos – afirmou hoje em Altsasu (Nafarroa) a aposta «sem reservas num processo político pacífico e democrático».

Nesta apresentação pública juntaram-se cerca de 110 pessoas que são referências no âmbito do independentismo e que quiseram lançar uma mensagem: «O processo democrático tem de se desenvolver na ausência total de violência e sem ingerências, mediante a utilização de vias e meios exclusivamente políticos e democráticos. Partimos da convicção de que esta estratégia política possibilitará avanços através do processo democrático. A África do Sul e a Irlanda são exemplo disso».

O documento evoca também os princípios do senador George Mitchell que facilitaram o diálogo político resolutivo na Irlanda, através de um compromisso com a utilização exclusiva das vias políticas e democráticas.

O documento, que foi lido por Itziar Lopategi e Txelui Moreno em representação de todos os presentes, parte da premissa de que «se prolongou muito mais do que alguém deveria desejar a situação de violência e de confronto armado, com os custos humanos e políticos que todos e todas conhecemos. É nossa prioridade superar este cenário».

A esquerda abertzale realça a necessidade de uma mudança política e sublinha que «agora se trata de tornar essa mudança irreversível» através de uma ferramenta: o processo democrático.

A partir daí, expõe sete princípios que deseja partilhar com os agentes sindicais, sociais e políticos bascos, e também com a comunidade internacional. Neles se manifesta, entre outras coisas, um compromisso «solene» de «respeitar em cada fase do processo as decisões que, livre, pacífica e democraticamente, forem sendo adoptadas pelos cidadãos e pelas cidadãs bascas».

Reafirma-se o compromisso com a proposta de Anoeta, cuja apresentação foi exactamente há cinco anos, e propõe-se a necessidade de um processo de negociação ETA-Estado espanhol sobre «a desmilitarização do país, a libertação dos presos e das presas políticas bascas, o regresso dos exilados e das exiladas, e um tratamento justo e equitativo ao conjunto das vítimas do conflito».

Para citar alguns dos mais de 100 nomes presentes, em Altsasu estiveram Rufi Etxeberria, Itziar Aizpurua, Txomin Ziluaga, Iñigo Iruin, Adolfo Araiz, Begoña Sagarzazu, Joxean Agirre, Julen Kaltzada, Félix Soto, Kepa Bereziartua, Maitane Intxaurraga, Sotero Etxandi... A apresentação pública foi realizada sem perguntas e com a presença de numerosos meios de comunicação.

Fonte: ASEH
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Protesto gigantesco contra a repressão no País Basco!



Semana passada milhares (dizem que perto dos 40 mil) de Bascos se manifestaram contra a constante repressão aos nacionalistas e contra a prisão de destacados líderes Abertzales que se reuniam buscando a formação de uma nova plataforma política e da abertura de uma nova rodada de diálogo pelo fim da dominação Espanhola em Euskal Herria.

Fato notável foi a unidade de todos os nacionalistas, desde os Abertzales de Esquerda, passando pela EA, Aralar, Hamaikabat até o PNV e Alternatiba. OS maiores e mais representativos sindicatos Bascos também se somaram À manifestação, ELA, LAB, EHNE, Esk, Hiru e STEE-EILAS Todos unidos sob o mesmo lema, "Askatasunaren alde. Eskubide guztiak, guztiontzat" ("Pela Liberdade. Todos os direitos para todos").

Esta talvez tenha sido a mais representativa manifestação dos últimos 5 ou 10 anos no País Basco pois contou com apóio de todas as forças políticas nacionalistas e sindicatos contra a opressão e repressão desmedidas dasforças Espanholas comandadas pelos Fascistas do PP e SocioFascistas do PSOE.

É a demonstração da força do povo Basco que não aguenta mais ser submetido à prisões arbitrárias, incomunicações, tortura e censura. É o grito pela liberdade, pela autonomia, pela Independência.


Milhares de pessoas percorreram as ruas de Donostia, em resposta à convocatória dos sindicatos ELA, LAB, ESK, STEE-EILAS, EHNE e Hiru para protestar contra a operação policial contra a esquerda abertzale. Em nome dos sindicatos, Muñoz considerou "uma boa notícia" o facto de terem sido capazes de se manifestarem "para pedir a liberdade dos detidos".

Representantes de diversos sindicatos de Euskal Herria encabeçaram a marcha, que começou no túnel de Antiguo, para denunciar a operação policial levada a cabo pela Polícia espanhola na terça-feira. Entre outros, a secretária-geral do LAB, Ainhoa Etxaide, e o do ELA, Txiki Muñoz, levaram a faixa onde se lia o lema "Askatasunaren alde. Eskubide guztiak, guztiontzat".

Embora a cabeça da marcha tenha chegado ao Boulevard donostiarra pelas 18h15, muitas outras dezenas de milhares de pessoas que participaram na mobilização precisaram de bastante mais tempo para lá chegar.

No final, em nome de todos os sindicatos convocantes, Muñoz afirmou que a operação contra dirigentes da esquerda abertzale representa uma tentativa de "torpedear" um processo "que tem que acabar irremediavelmente por se confrontar com o Estado de maneira civil", pelo que encorajou as pessoas a "abrirem um espaço civil para confrontar democraticamente o Estado".
O secretário-geral considerou "uma boa notícia" que se dê a possibilidade convocar o protesto "para pedir a liberdade dos detidos".

Grande apoio
Minutos antes do início da manifestação a partir do túnel de Antiguo, milhares de pessoas concentravam-se em Ondarreta e ao a longo de todo o passeio de La Concha. Inclusive, quando a manifestação chegava a San Martin, ainda havia gente a integrar-se na marcha de protesto.

A manifestação recebeu o apoio de quase todas as formações que compõem o mapa político basco e puderam-se ver muitas caras conhecidas. Participaram na marcha membros da esquerda abertzale como Rufi Etxeberria, detido na operação policial e posto em liberdade depois de ser presente ao juiz Baltasar Garzón. Também estiveram em Donostia Tasio Erkizia ou Jone Goirizelaia, além de representantes independentistas nas instituições municipais como, por exemplo, a autarca de Hernani Marian Beitialarrangoitia.

Também dirigentes de PNV, EA, Aralar, Hamaikabat, Alternatiba e membros de organizações sociais e sindicais fizeram o percurso estabelecido como forma de mostrarem a sua oposição à operação policial contra a esquerda abertzale. Entre eles encontram-se os dirigentes jeltzales Joseba Egibar, Andoni Ortuzar e Iñaki Gerenabarrena.

A secretária-geral do LAB, Ainhoa Etxaide, afirmou que a marcha convocada pelo seu sindicato e outras centrais nacionalistas contra a "agressão" que representou a detenção de vários dirigentes da esquerda independentista é "um passo num processo que tem de encarrilar as soluções democráticas de que este país necessita". Etxaide proferiu estas declarações momentos antes da manifestação.
Afirmou ainda que os manifestantes pretendem "dizer que a repressão não vai parar um povo que quer ser dono do seu futuro, um povo que exige soluções democráticas e necessita delas, um povo que não está disposto a ser passivo face a uma realidade que queremos superar".

Por seu lado, o membro da esquerda abertzale Tasio Erkizia afirmou que a presença "da maioria social e política" de Euskal Herria na manifestação contra as detenções, demonstra que existe uma oposição maioritária na sociedade basca "às 'razzias' policiais" e que a sua aposta "clara" é nas "soluções democráticas". Minutos antes de se dar início à marcha, Erkizia expressou a sua satisfação pelo facto de "a grande maioria social, política e sindical dizer basta ao Estado, a todas as suas atrocidades, detenções e ilegalizações".

Embora as pessoas presentes na manifestação de Donostia fossem muitas dezenas de milhares, muitos viram-se afectados pelos controles policiais instalados nas estradas próximas da capital guipuscoana. Por exemplo, testemunhas disseram ao Gara que na portagem de Zarautz a Guarda Civil montou uma barreira antes das quatro da tarde e que ali permaneceu mais de uma hora. Como consequência disso houve longas filas na A-8 no sentido de Donostia.
Fonte: Gara
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Ver também: êxito da manifestação de Donostia em kaosenlared.net
Com diversas entrevistas ao longo da manifestação, fotos, peças em áudio e vídeo.
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Via ASEH
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Cobertura da Manifestação: Boltxe
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A maré humana que ontem saiu do túnel do Antiguo para inundar todo o centro de Donostia mostra as possibilidades históricas da unidade abertzale e explica os medos de Madrid. Há muita água na piscina para se poder avançar, ainda que isso se considere arriscado. O caminho está traçado.

O trabalho de Arnaldo Otegi, Rafa Díez, Arkaitz Rodríguez, Miren Zabaleta, Sonia Jacinto e muitos outros vai dando os seus frutos. Basta ver a resposta que operações policiais anteriores contra outras supostas reconstruções de mesas nacionais tiveram e compará-las com a imensa manifestação que no sábado percorreu Donostia. Não é que estes detidos caiam melhor que outros, visto que anteriores encarceramentos do próprio Arnaldo Otegi não suscitaram uma contestação tão grande com uma convocatória tão plural. O que acontece é que há vários meses que se têm vindo estabelecer as bases para pôr em marcha uma estratégia independentista eficaz, e os dirigentes das principais organizações abertzales - como o ELA e também o EA - têm noção da seriedade do trabalho que os detidos vinham a desenvolver. Por isso agora foi possível darem o passo de pedir às pessoas que viessem para as ruas.

Alfredo Pérez Rubalcaba enganou-se redondamente, ao ponto de alguns dos partidos que tinha escolhido como interlocutores para o acompanharem na sua tentativa de sabotar a iniciativa política que a esquerda abertzale preparava não terem tido outro remédio senão juntar-se ao protesto. Ali esteve uma boa parte do EBB [órgão central] do PNV, representado pelos presidentes das suas diversas executivas regionais. O ministro do Interior afirmou de manhã que «já disse» ao PNV no que é que os agora detidos andavam metidos. Pelos vistos, os jeltzales não acreditaram nele ou têm as suas próprias fontes de informação e, sem dúvida, conhecem suficientemente a realidade de Euskal Herria para saber que nem os encarcerados nem todos aqueles que no sábado se manifestaram em Donostia estão às ordens de «uma estratégia político-militar traçada pela ETA», como diz Rubalcaba.

O que se pôde ver em Donostia no sábado foi a representação de uma importante parte da cidadania basca que não quer aceitar atropelos antidemocráticos e até se sente bem a reivindicar conjuntamente a independência. A partir da convocatória da maioria sindical, foram muitas e diversas as siglas que aderiram ao apelo. Mas a ninguém que observasse a sociologia da marcha poderia escapar o facto de que uma grande maioria era constituída pela base da esquerda abertzale.

É uma base a quem o golpe inflingido por Rubalcaba e Baltasar Garzón conseguiu zangar, quase na mesma medida em que se vai enchendo de esperança e expectativa ao ir conhecendo os frutos do trabalho que os agora detidos desenvolveram. A manifestação de sábado, pelo menos para uma boa parte dos participantes, pode-se considerar também uma homenagem ao trabalho de Otegi, Díez, Zabaleta, Jacinto e Rodríguez.

Mas as manifestações passam e a base do independentismo tem agora pela frente o trabalho de dar conteúdo à iniciativa traçada e de a pôr em prática. E por muito que custe ao criador deste torpe intento de boicotar o salto previsto pela esquerda abertzale, a única coisa que conseguiu foi acicatar a sua militância e, muito provavelmente, aumentar a assistência aos debates e a assunção geral dos princípios do processo democrático.

A maré humana de sábado deve servir à esquerda abertzale para ver que há água mais que suficiente para avançar, por mais arriscado que seja. E uma mensagem similar devem entender também as restantes organizações independentistas que vêem a necessidade de uma confluência entre as opções soberanistas. Há caminho para percorrer conjuntamente e vontade de o fazer.

Não será fácil, isso é evidente. E também é óbvio que surgirão contradições, como no sábado se pôde verificar nalguns momentos e espaços da manifestação. Mas ficou claro que com vontade e trabalho certeiro, sabendo cada qual de onde vem o outro e sobretudo para onde se quer ir, é possível alcançar uma estratégia comum. É disso que Madrid tem medo e porventura também alguns dos que se juntaram à marcha à última hora. Por isso esta é a estratégia eficaz, contra a qual foram emitidas as ordens de prisão.

Iñaki IRIONDO
jornalista
Fonte: Gara, via ASEH
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